Tuesday, 31 January 2012

Erick Charas explode em Grande Entrevista: “Os jovens devem revoltar-se perante a falta de oportunidades e pobreza”


“O colono apenas mudou de raça! Os colonos brancos também diziam que queriam combater a pobreza absoluta.” – Erick Charas

“É sentimento geral de que há necessidade de nos libertarmos dos nossos libertadores. Estão há muito tempo no poder e não representam a ninguém”— Erick Charas

“A Frelimo, com aqueles que a estão a liderar hoje já caducou” – Erick Charas

Num País onde os que pensam diferente e dizem o que lhes vai na alma recebem, regra geral, adjectivos pouco simpáticos – embora alguns delirem com isso – não sabemos qual será o adjectivo que será atribuído ao entrevistado do Canalmoz – Diário Digital e Canal de Moçambique – Semanário Impresso, depois da presente entrevista. A nós cabe dizer que se chama Erick Charas, é patrão do grupo Charas, proprietário do único jornal impresso e de distribuição gratuita em Moçambique. A certa altura da entrevista diz ser membro do partido Frelimo. Diz ter ambiciosos projectos sociais destacando-se o “Casa Jovem”, na cidade de Maputo, de 120 milhões de dólares (construção de 26 prédios) que visa criar habitação para a juventude a preços bonificados.

Matias Guente / Canalmoz / Canal de Moçambique. Leia aqui.

Monday, 30 January 2012

"Ou será que vão tentar comemorar as duas coisas, misturando alhos com bugalhos numa salada de duvidoso aspecto e ainda pior sabor"

Olá Luís

Como vai essa saúde? Do meu lado tudo bem, felizmente.
Lembrei-me de te escrever porque, como sabes, dentro de poucos dias o partido FRELIMO vai iniciar as comemorações do seu 50º. aniversário. Só que eu fico na dúvida sobre quem é, de facto, o aniversariante.
Será aquele movimento de libertação, formado maioritariamente por jovens, que lutou para conquistar a independência do nosso país, mas também o fim da exploração do homem pelo homem?
Ou será o actual partido em que os próprios dirigentes são o exemplo acabado de capitalistas exploradores?
Será a FRELIMO de Mondlane e de Samora que, após o II Congresso, se afirmava já socialista e, no terceiro, adoptou abertamente o marxismoleninismo, ou será o actual partido em que aquele tipo de ideologia foi completamente abandonado para dar lugar ao mais desbragado enriquecimento de uns poucos à custa de todos os demais?
Quem irá soprar as velas já todos sabemos. Mas será que todos os que estavam lá, quando esses cinquenta anos começaram, se sentirão abrangidos pela festa? Tenho algumas dúvidas.
A sensação que tenho é que a FRELIMO é como um ser humano. Começa jovem e cheio de força, cheio de ideais e de alegria para os conquistar e depois, com o passar dos anos, vai decaindo, física e psicologicamente, perdendo os ideais, à medida que lhe caem os dentes podres, até se tornar um velho apenas preocupado em aumentar a sua barriga, já enorme, à custa de tudo aquilo a que consiga deitar a mão.
A memória, que o Alzeimer lhes desgasta, prega-lhes a partida de já nem sequer se recordarem de que foram jovens e idealistas. Eles próprios, não outros, de outras gerações.
Transformados agora naquilo que, há 50 anos, combatiam, que vão eles comemorar? O passado ou o presente?
Ou será que vão tentar comemorar as duas coisas, misturando alhos com bugalhos numa salada de duvidoso aspecto e ainda pior sabor.
A juventude estão a perdê-la a cada dia que passa. Foi a juventude que saiu à rua em 1 e 2 de Setembro passado, no Maputo. Foi, essencialmente, a juventude que correu com eles do município de Quelimane. E, se queremos saber o que pensa a juventude, é bom lermos a extensa entrevista de Eric Charas ao “Canal de Moçambique”, em que ele nos fala, com clareza, de como os jovens estão fartos de ser desgovernados por esta FRELIMO cinquentenária.
“Está na hora de nos libertarmos dos nossos libertadores”, é uma frase que ele repete várias vezes.
Enfim, veremos como a festa decorre.
Com a sensação, é óbvio, de que vamos ser todos nós a pagar o champanhe e as chamussas.

Um abraço para ti do

Machado da Graça

Marco do Correio, CORREIO DA MANHÃ, citado no Moçambique para todos

Na “Marginal”: Obras de emergência para travar erosão


O Conselho Municipal do Maputo está a preparar-se para intervir no sentido de evitar que a erosão costeira, que se assiste na Avenida da Marginal, corte a circulação rodoviária, enquanto não arrancam as obras de reabilitação geral da orla marítima.

Maputo, Segunda-Feira, 30 de Janeiro de 2012:: Notícias


Victor Fonseca, vereador de Infra-estruturas, disse ao “Noticias” que brevemente vão começar obras de emergência para a eliminação das crateras que ameaçam cortar a faixa de rodagem.
Os trabalhos consistirão no tapamento das crateras geradas pela erosão costeira e que em alguns pontos já destruiu parte significativa da estrada, obrigando as viaturas que circulam em sentidos opostos a partilhar a mesma faixa.
As intervenções servirão para garantir a circulação e segurança dos cidadãos, enquanto não arrancam as obras de reabilitação dos 13 quilómetros da orla marítima, actualmente em concurso público com vista à selecção do empreiteiro.
A reabilitação dos 13 quilómetros da orla marítima é financiada pelo Governo, Banco Árabe para o Desenvolvimento de África (BADEA) e a Arábia Saudita que já disponibilizaram 22,5 milhões de dólares norte-americanos.
A restauração visa proteger a orla da erosão progressiva devido à acção das águas do mar e do Homem.
O projecto inicial da reabilitação indica que as obras deverão durar um período máximo de 18 meses. As intervenções vão iniciar na zona da ponte-cais e prolongar-se-ão até ao bairro dos Pescadores.

Saturday, 28 January 2012

O que esconde a lama

Num país onde quase todos os dias se assiste a uma permanente e crescente crispação da cultura de responsabilização, as práticas enviesadas e atitudes sem nenhuma réstia de sentimento ou quaisquer entranhas de humanidade (protagonizadas pelos que deveriam dar o exemplo) têm vindo a tornar-se no pão nosso de cada dia.
Ininterruptamente, o desleixo e a negligência, que assolam as pessoas que se encontram em frente das instituições cujo objectivo primário é servir o público, prosseguem em lume brando, fazendo adormecer os moçambicanos que (sobre)vivem sob a tirania da sua pobreza reduzindo-os, assim, a meros objectos descartáveis.
A chuva que caiu na semana finda, deixando a cidade de Maputo, por sinal a capital do país, submersa, além de pôr a nu o deficitário sistema de saneamento, revelou a insensibilidade da empresa Águas de Moçambique (AdM) e, por tabela, dos que velam pela saúde pública dos moçambicanos empobrecidos.
Ou seja, de há uns dias a esta parte os munícipes de Maputo vêem as torneiras das suas casas a jorrarem água turva e, em alguns casos, expelindo um cheiro nauseabundo, mas ninguém diz ABSOLUTAMENTE NADA.
Mas na hora de cortar o fornecimento do precioso líquido os funcionários são extremamente diligentes, agem sem contemplação e com uma eficiência tal que nenhum prevaricador consegue escapar das suas garras.
Hoje, quando a água pela cor e pelo cheiro, não pode ser tratada de forma insuspeita pelos consumidores, a diligência foi parar ao picador de papel, relegada ao sótão do esquecimento pela ausência de carácter de quem hibernou eternamente no mesmo sótão o respeito pelo próximo.
Apenas três dias depois, quando as pessoas começaram a questionar, veio uma justificação: as descargas na África do Sul arrastaram lama ao centro de tratamento de Umbeluzi e, por via disso, passou a jorrar água turva nas torneiras de Maputo e arredores.
Fazendo fé de que o líquido é próprio para consumo como a AdM assegura porque cargas de água a informação veio bem depois de as pessoas, na sua continuada aflição, se terem limitado a usá-la para todos os fins? De que epidemia estaríamos a falar hoje se a água escondesse doenças? Certamente que estaríamos a contar as vítimas. Que, neste caso, seriam pai, mãe, filhos, tios, primos e avôs, menos o pessoal da AdM.
Portanto, essa informação tão tardiamente veiculada –ainda assim não chegou ao conhecimento de todos – é uma demonstração grotesca de falta de compaixão com os moçambicanos que se autoflagelam até à medula para pagar a factura de água e as demais.
A África do Sul, sempre que achou conveniente, fez as suas descargas sem que isso afectasse a água das nossas torneiras. Porém, no dois dias em que a cidade de Maputo ficou alagada estranhamente a lama veio arrastada do país vizinho. Há muitas coincidências nesta história. O melhor mesmo é ferver a lama da África do Sul. Aliás, a água...

Editorial, A Verdade

Friday, 27 January 2012

Violação grave dos direitos humanos das mulheres em nome da tradição

Um grupo de organizações mandou uma nota ao jornal Notícias, a propósito de uma notícia sobre uma violação dos direitos humanos das mulheres e repudiando a posição complacente do cronista. Veja em baixo, na íntegra, a nota enviada ao Notícias no dia 20 de Janeiro e que até hoje (dia 26) não foi publicada.


Os talibans de Moçambique


No jornal Notícias, a 14 de Janeiro de 2012, o jornalista Pedro Nacuo escreve uma coluna de opinião sobre um crime ocorrido em Pemba, Cabo Delgado: uma mulher que entrou num espaço reservado aos ritos de iniciação de rapazes, foi “punida” por ordem do responsável pela cerimónia, que ordenou uma violação colectiva. Ela foi sexualmente violada por 17 homens.
A polícia inicialmente tentou intervir, chegando a deter os violadores, mas foi avisada para não se imiscuir no assunto.
Não se conhece o desfecho final do caso.
No artigo, Pedro Nacuo defende como merecida a “punição” decretada pelo “líder espiritual” e concretizada pelos seus “soldados”: “Ninguém moral e tradicionalmente condenou a punição aplicada à senhora, ainda que severa, porque as instituições são compostas por pessoas que sabem de que se trata”.
Este caso lembra a violação colectiva de uma jovem ordenada por um conselho tribal numa zona rural do Paquistão, em 2002. Só que o desfecho no Paquistão foi o opróbrio nacional e internacional, e o julgamento e condenação dos violadores e dos membros do conselho tribal envolvidos. Enquanto neste caso, o jornalista moçambicano defende a impunidade!
Contrariando a ideologia e valores conservadores, sexistas e talibanescos do jornalista, as autoridades moçambicanas têm que intervir. Para que a justiça seja reposta e para que não seja vã e inútil (e até hipócrita!) a aprovação de tantos instrumentos legais que protegem os direitos de cidadania de todas/os nós, mulheres, homens e crianças. E para mostrar que estamos de verdade num Estado de direito. Menos do que isso é ceder à lei arbitrária decidida e aplicada por líderes locais, indo contra das leis que consideram a violação como crime.
Lembre-se que Pedro Nacuo foi premiado em 2011 na categoria de imprensa escrita à 13ª edição do Prémio Saúde para Jornalistas, promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Sindicato Nacional de Jornalistas e a Organização das Nações Unidas. Assim, é assombroso que um jornalista premiado por escrever sobre saúde justifique que a mulher violada tenha sido maltratada pelos enfermeiros do hospital aonde foi levada. Este senhor recebe um prémio do Ministério da Saúde mas está a promover condutas indignas da profissão médica, nomeadamente, rir de um estupro colectivo e culpabilizar a vítima: “Ficou, infelizmente, a história de rir: no hospital, os enfermeiros, não sendo Lúkus(*), só puseram-se a tratá-la, como o fariam a uma pessoa que deliberadamente se meteu debaixo de um carro para que fosse pisada”.
Para finalizar, exigimos que a justiça cumpra as leis do Estado, sancionando os agressores (os violadores e o líder que os guiou) e mandando, assim, uma mensagem forte a quem quer decidir por si os limites da legalidade no país.
Solicitamos que o jornal Notícias publique esta nota como direito de resposta para repor princípios fundamentais dos direitos humanos, que norteiam a nossa jovem democracia.

Assinam:

WLSA Moçambique - Mulher e Lei na África Austral
LAMBDA - Associação de Defesa das Minorias Sexuais
Fórum Mulher
AMMCJ - Associação Moçambicana das Mulheres de Carreira Jurídica
AMCS - Associação das Mulheres na Comunicação Social
FORCOM - Fórum das Rádios Comunitárias


Nota:

Lúku: homem que não passou pelos ritos de iniciação

PIB per capita de Moçambique inferior à média de África


Moçambique tem o Produto Interno Bruto (PIB) per capita (produção de cada moçambicano) dos últimos 10 anos inferior à média de todo o continente africano, bem como da África ao Sul do Saara e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

No período em análise foi de 4,7%, apesar de o país estar a registar níveis de crescimento económico médios de cerca de 8%, “fazendo, por isso, parte de um grupo de países que mais rapidamente têm crescido”, segundo o Banco de Moçambique (BM) no seu documento intitulado “Importância da Estabilidade Macroeconómica e do Sector Financeiro no Crescimento da Economia Nacional”.
Já quanto ao indicador de inflação, o BM indica que ela tem registado “acentuada oscilação”, embora tenda para níveis em redor de um dígito, em termos médios, ou seja, 11%, como reflexo da flutuação da taxa de câmbio do Metical em relação ao Rand e ao USD e a diferentes choques externos que têm fustigado a economia moçambicana.
A oscilação da inflação moçambicana é também consequência do elevado grau de dependência externa da economia, num contexto de apreciável grau de abertura da economia moçambicana, que se situa em torno dos 52,7%1, igualmente nos últimos 10 anos.
Contudo, o Banco Mundial (BIRD) realça que, apesar da volatilidade de alguns indicadores macroeconómicos, Moçambique apresenta um nível de estabilidade macroeconómica de 4,18 pontos, acima da média da SADC, em 0,23 ponto, apenas superado por Lesotho, Botswana, África do Sul, Tanzânia e Maurícias.
O BIRD recomenda, por outro lado, às autoridades governamentais moçambicanas para implementarem políticas económicas que consolidem a estabilidade macroeconómica e do sector financeiro, “factores indispensáveis para um crescimento económico sustentável e cada vez mais inclusivo”, sobretudo, nesta fase em que são cada vez crescentes as perspectivas de aceleração do ritmo de expansão económica nos próximos anos, sustentada pela descoberta e exploração de recursos naturais.
O documento do BM sobre a importância da estabilidade macroeconómica e do sector financeiro no crescimento da economia nacional estará, entretanto, esta sexta-feira, em debate pelos participantes do 36º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique a terminar ainda hoje na cidade da Matola, constituídos por agentes económicos e funcionários seniores daquela instituição financeira que serve também de banqueiro do Estado.

RM

Mesmo com tendência de dissipar-se: “Funso” ameaçador ainda cativa atenções


Enxurradas na cidade de Maputo.


O CICLONE Tropical “Funso” de categoria 3 continua a deslocar-se para o sul do canal de Moçambique, podendo afectar Maputo com aguaceiros fracos (menos de 10 milímetros em 24 horas) e ventos fortes superiores a 60 quilómetros por hora, principalmente nos distritos costeiros da Manhiça e Marracuene. Esta é a sua nova movimentação depois que fim-de-semana deixou apreensivas diversas regiões de Sofala e Zambézia.

Maputo, Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2012:: Notícias

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, às 17.00 horas de ontem o sistema encontrava-se a cerca de 460 quilómetros da costa da cidade de Inhambane, com ventos máximos superiores a 170 quilómetros por hora, deslocando-se para sueste a uma velocidade de 8 quilómetros por hora.
O fenómeno é responsável pelos aguaceiros ou chuvas em regime moderado a forte (30 a 50 milímetros de precipitação em 24 horas), acompanhadas de trovoadas e ventos fortes superiores a 70 quilómetros por hora que continuam a afectar as províncias de Inhambane (distritos de Zavala, Inharrime, Panda, Jangamo, Homoíne, cidade de Inhambane, Morrumbene, Massinga, Vilankulo e Inhassoro) e Gaza (distritos de Bilene, Xai-Xai e Mandlakazi).
Aquela entidade prevê a continuação de períodos de aguaceiros ou chuvas em regime moderado a forte (30 a 50 milímetros em 24 horas), acompanhadas de trovoadas e ventos moderados (30 a 50 km/h) nas províncias de Tete (distritos de Zumbo, Macanga, Angónia e Moatize), Zambézia (distritos de Milange, Namarrói, Gurúè, Maganja da Costa e Pebane), Manica (Guro e Tambara), província do Niassa e ainda ao longo da faixa costeira da província de Nampula (distritos de Angoche, Mossuril e Mongicual) durante o dia de hoje e amanhã devido à interacção entre Zona de Convergência e Intertropical e o Ciclone Tropical situado no Canal de Moçambique.
O INAM continua a recomendar a tomada de medidas de precaução e segurança, principalmente para a navegação marítima na costa de sul de Sofala, Inhambane, Gaza e Maputo. O ciclone Funso é o que mais tempo residiu na costa moçambicana durante a presente época chuvosa. Desde que se formou a 18 de Janeiro só deve dissipar-se dez dias depois, enquanto a Tempestade Dando durou apenas três dias.
Entretanto, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa vai aumentar as descargas a partir de hoje, passando dos anteriores 1950 metros cúbicos por segundo para 3000. A Direcção Nacional de Águas deu conta ontem que a HCB vai abrir parcialmente um descarregador, facto que resultará no incremento dos níveis hidrométricos a jusante, não se prevendo atingir o nível de alerta em toda a rede de estações, com excepção de Marromeu. Mesmo assim, apela-se à tomada de medidas de precaução.
Na bacia do Incomáti os níveis hidrométricos em Magude e na Manhiça encontram-se ainda altos, condicionando a transitabilidade das estradas como Maragra-Calanga e Maragra-Munguine. Prevalecem inundações localizadas nas zonas baixas e nos povoados de Mangavilana, Maragra-Sede, Chichongue, Bairro 171, Nandja e Chimovana.
Na bacia do Limpopo há inundações localizadas nas aldeias de Languene, Nguava, Zicai, Phicho, Mahaguene, Massaingue, Gumbane, Agostinho Neto, Cumbane, Nhacomene e Mahelene.
A DNA recomenda, por isso, às autoridades locais, agentes económicos e a sociedade em geral para tomada de medidas de precaução, mantendo os equipamentos e bens em zonas seguras e evitar a travessia do leito dos rios, devido a turbulência e corrente das águas.

Thursday, 26 January 2012

Crise financeira: Banco de Moçambique com atenção especial na supervisão financeira


O Banco de Moçambique vai, em face da crise financeira e económica internacional, prestar atenção especial à supervisão do sistema financeiro e intervir, sempre que houver dificuldades. Nesse contexto aquela instituição financeira vai conduzir uma supervisão baseada no risco, visando assegurar a contínua solidez e robustez que o sistema nacional ostenta.
O Banco Central, segundo o Governador desta instituição, Ernesto Gove, dispõe de um plano de contingência do sector financeiro já aprovado e que serve para garantir uma intervenção em caso de falência de uma instituição financeira, tendo em conta os diversos cenários previstos.
Por outro lado, o Banco de Moçambique, em parceria com o Ministério das Finanças, está a trabalhar na introdução de um fundo de garantia de depósitos
Gove falava na abertura do 36º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, quarta-feira iniciado na cidade da Matola, arredores da capital moçambicana.
“A economia mundial continua a mostrar sinais de algum abrandamento, sendo previsível a sua manutenção até ao final de 2011 e 2012, situação justificada pelos sinais pouco animadores que emergem das principais economias e que, este ano, contrariamente aos períodos anteriores, não tem sido suficientemente amortecidos pelo desempenho das economias emergentes, dada a crescente aversão dos investidores ao risco”, explicou.
Gove acrescentou que “a nossa intervenção sujeita-se também a mais um factor exógeno: os fenómenos da natureza, cujo impacto na maioria das vezes incide sobre a disponibilidade de produtos no mercado e sobre a circulação de bens e pessoas”.
Apesar do cenário de incertezas, Gove considera ser um imperativo a condução da política monetária visando contribuir para os objectivos fixados pelo Governo para este ano.
O Governo estabeleceu para o presente ano a meta de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 7,5 por cento, inflação média anual de 7,2 por cento e a manutenção de um nível de reservas internacionais brutas que cubram cerca de 4,6 meses de importações de bens e serviços não factoriais.
No seu discurso, que incidiu mais sobre questões internas do Banco de Moçambique, Gove fez o balanço do desempenho da instituição, no ano passado.
Na ocasião, disse que “os resultados macroeconómicos alcançados em 2011 foram positivos e se situaram acima das nossas expectativas iniciais, tomando em conta os riscos que enfrentamos durante o ano, próprios de uma conjuntura internacional adversa, com bastante incerteza e volatilidade dos mercados internacionais e com receios justificados de contágio da crise de dívidas soberanas que algumas economias desenvolvidas vêm enfrentando desde finais de 2010”.
O Conselho Consultivo do Banco de Moçambique visa discutir assuntos internos da instituição e será a porta fechada, mas, no último dia do encontro, na sexta-feira, será realizado um debate público sobre “importância da estabilidade macro-económica e do sector financeiro no crescimento económico”.

(RM/AIM)

Wednesday, 25 January 2012

FMI recomenda maximização da exploração dos recursos naturais


Antoinette Monsio Sayeh, directora do Departamento Africano do FMI

Com vista a reduzir a incidência da pobreza no país.

A instituição defende uma maior interligação entre o sector da indústria extractiva e outros sectores da economia; a existência de políticas de criação de emprego, entre outros aspectos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reitera a necessidade de o país introduzir políticas que melhorem o aproveitamento das potencialidades em recursos naturais para melhorar o nível de vida da população moçambicana.
Este debate não é novo, mas foi, mais uma vez, levantado esta terça-feira pela directora do Departamento Africano do FMI, Antoinette Monsio Sayeh, que está de visita a Moçambique para manter contacto com as autoridades do país, bem como dirigir os trabalhos do workshop de formação dos representantes residentes do FMI em África, a decorrer pela primeira vez em Maputo, de 25 a 27 de Janeiro do corrente ano.
Respondendo ao facto de o país não estar a conseguir alcançar um crescimento inclusivo apesar de registar crescimento significativo do Produto Interno Bruto (PIB), a responsável, que falava em conferência de imprensa, deu entender que, por ser um país com forte potencial na produção de recursos naturais (principalmente o gás e o carvão mineral), Moçambique deve começar por desenhar as políticas que solucionem o problema.

O País

Depois de matar e destruir na Zambêzia, ‘Funso’ ataca agora Inhambane

O ciclone tropical “Funso” continua a influenciar o estado do tempo na região central do Canal de Moçambique, estando o seu epicentro localizado a quatrocentos quilométros do distrito de Inhassoro, província de Inhambane, sul do país.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, INAME, o “Funso” deslocava-se, quando eram 18 horas desta terça-feira, para o extremo sul do Canal de Moçambique, com ventos superiores a 195 Km/Hora, devendo originar nas próximas 24 horas, de acordo com previsões, a ocorrências de aguaceiros e chuvas em regime forte, acompanhadas de ventos superiores a 75 Km/hora.
Esta situação, considerada de emergência, vai abater-se sobre os distritos de Inhassoro, Vilankulo, Inharrime, Panda, Jangamo, Homoine, Morrumbene, Massinga, e cidades de Inhambane e Maxixe.
A meteorologia da Marinha norte-americana, citada pela rede de televisão CNN, admite que a actividade deste ciclone possa intensificar-se nos próximos dias.
O INAME, em face destas previsões, recomenda a tomada de medidas de precaução e segurança, principalmente para a navegação marítima.

Morte e destruição à passagem do “Funso”

O ciclone “Funso”, que continua a influenciar o estado do tempo na região central do Canal de Moçambique, deixou um rasto de luto e destruição na província da Zambézia, nomeadamente, a morte de dez pessoas e 11 feridos na Maganja da Costa. A Rádio Moçambique em Quelimane refere que entre as vítimas mortais, seis são crianças e as restantes adultos, surpreendidas pelo desabamento das suas casas durante a noite.
Foram igualmente destruidas por aquela depressão naquela região da Zambézia, mais de duas mil e trezentas casas, afectando 11.780 pessoas. Foram também destruidas 99 salas de aulas em 36 escolas, privando de frequentar as aulas mais de 15 mil crianças.
Dois postos de saúde e 59 bancas do comércio informal foram igualmente destruidos em diferentes pontos do distrito da Maganja da Costa, segundo ainda a Rádio Moçambique em Quelimane.
Virgílio Gonzaga, Administrador da Maganja da Costa, é citado a dizer que duas pequenas pontes foram danificadas, dificultando a circulação de pessoas e bens no interior da região.

Balanço do INGC

Vinte e cinco pessoas perderam a vida nas últimas duas semanas em consequência da Tempestade “Dando” e Ciclone “Funso”, de acordo com o último balanço elaborado pelo Conselho Técnico de Gestão de Calamidades, apresentado esta terça-feira em Maputo.
De acordo com Dulce Chilundo, Directora daquela instituição, o maior número de óbitos registou-se na Zambézia com um total de 16 vítimas, seguindo-se Gaza com 9 mortos.
O balanço refere ainda que nas últimas 24 horas, cerca de quatro mil pessoas atravessaram a pé ou em pequenas embarcações o troço quebrado na Estrada Nacional Nr.1 devido as chuvas na zona ‘3 de fevereiro”, no distrito da Manhiça, sul do país, antes da reposição do trânsito, verificado na manhã de hoje (terça-feira).

Nova interrupção está eminente

Receia-se entretanto que um novo corte na EN1 pode ocorrer a qualquer momento já na Macia, província de Gaza, devido à abertura de uma enorme cratera junto dos aquedutos, devido à chuva que se abate na região.
A Administradora do Bilene, Sara Guambe, já veio a publicar reconhecer a gravidade do problema, afirmando que, mais de uma vez advertiu para essa possibilidade à Administração Nacional de Estradas (ANE).

Auxílio às vítimas e reparação dos estragos

Cerca de 2.4 milhões de meticais foram já disponibilizados para ajudar os afectados pela acção combinada das intensas chuvas causadas pelo ciclone ‘Funso’ na província da Zambêzia, bem como para a reparação dos estragos causados em infra-estruturas residenciais, escolas e unidades sanitárias.
O fundo foi disponibilizado pelo Comité Operativo de Emergência Nacional, de acordo com o Governador da Zambêzia, Itai Meque.
Meque revelou que um total de vinte e cinco mil casas foram total ou parcialmente danificadas pelas intensas chuvas dos últimos dias, deixando ao relento mais de 11.500 pessoas.
Em Gaza, sul do país, a Cruz Vermelha, distribuiu mais de seis mil unidades de cloro para a purificação da agua nas zonas afectadas pela calamidade, nomeadamente, nos distritos de Chokwè, Chibuto, Guijá e Bilene. Esta medida tem em vista prevenir a eclosão de doenças, entre elas, diarreias agudas ou cólera. No centro de acomodação de Chokwè, foram oferecidos aos afectados mais de sessenta redes mosquiteiras. Mais de cinquenta voluntários da Cruz Vermelha em Gaza, estão a apoiar os afectados pelas intempéries.
Em Nampula, norte do país, a Cruz Vermelha, diz estar apta a socorrer um mínimo de mil pessoas em caso da ocorrência de alguma desastre neste período das chuvas.
O Secretário-Gera, Xavier Francisco, é citado pela Rádio Moçambique a dizer que a organização tem à sua disposição diversos ‘kits’ de abrigo como lonas, e utensílios domésticos, entre outro material utilitário.

Rádio Moçambique

Depois das inundações vem a fome

Nas Zonas Verdes de Maputo

Cerca de 75 hectares de culturas pertencentes a mais de mil camponeses ao longo do vale do Infulene, vulgo “Mulauzo” ou “Zonas Verdes de Maputo”, no Município da Matola, estão submersas desde a semana passada, devido às chuvas associadas à incapacidade das valas de escoar as águas das chuvas.

Canalmoz. Continue lendo aqui.

Tuesday, 24 January 2012

Trânsito na Estrada Nacional Nr. 1 já foi restabelecido. Novo corte está eminente na região da Macia

O trânsito de pessoas e bens entre a cidade de Maputo e o resto do país foi restabelecido na manhã de hoje, após três dias de interrupção verificada na sequência de um corte na Estrada Nacional Número Um (EN1).
Fonte contactada pela Rádio Moçambique deu conta que as centenas de pessoas e e veículos que se encontravam retidas na região do posto administrativo “3 de Fevereiro” já deixaram o local, aliviadas, prosseguindo uma viajem que fora interrompida na manhã do passado sábado.
Entretanto, A Rádio Moçambique, soube que uma nova interrupção na EN1 poderá ocorrer desta feita na zona da Manhiça, desta feira na zona da Macia, província de Gaza, alguns quilométros depois do local onde ocorreu o corte do passado sábado.
A administradora da Macia confirmou o facto, afirmando que o eventual corte também se deverá às intensas chuvas que estão a fustigar aquela região.
Sabe-se que uma equipa da Administração Nacional de Estradas (ANE) visitou ontem (segunda-feira) o ponto onde o novo corte poderá ocorrer.
A Administradora da Macia, entrevistada a propósito pela Rádio Moçambique, revelou que a eminência de um corte da EN1 naquele ponto tem sido reportada de a um tempo a esta parte às autoridades das obras públicas.
Nos trabalhos de reparação da cratera de cerca de 60 metros aberta pelas chuvas no passado sábado, foram necessários cerca de três mil metros cúbicos de pedra, transportados por 30 camiões mobilizados para o efeito.
“Depois de terminado este trabalho de emergência, mais tarde, vai iniciar o trabalho de reparação definitiva do troço, devendo ser construído um aqueduto ou uma ponte na zona de grande pressão de água”, explicou Francisco Pereira, vice-ministro das Obras Públicas e Habitação, entrevistado no sábado no local.

Rádio Moçambique


Tempestades no centro e sul de Moçambique fazem pelo menos 18 mortos

Leia aqui.

Candidato do MDM para as presidenciais conhecido entre Outubro e Dezembro deste ano

Eleições presidenciais-2014.

O congresso, a ter lugar no último trimestre deste ano, na cidade da Beira, já está a ser preparado por comissões multissectoriais criadas para o efeito.
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) já está a preparar as eleições gerais de 2014. Assim, ainda este ano, o partido vai anunciar quem será o candidato à presidência da República para as eleições de 2014.
O candidato às presidenciais por esta formação política deverá ser eleito entre Outubro e Dezembro de 2012 pelo congresso - o maior órgão do partido - numa reunião a ter lugar na cidade da Beira, província de Sofala. Ouvido pelo “O País”, o porta-voz do partido, José de Sousa, definiu como obra do acaso a escolha da Beira para a realização do congresso, ou seja, refere não existir nenhuma razão estratégica para a escolha do “Chiveve” para a realização do congresso.
Contudo, sendo a cidade da Beira a primeira autarquia nas mãos do MDM e ainda a que mais deputados elegeu para a Assembleia da República, esta tornou-se no bastião político do “galo”. Nos últimos tempos, Beira tem sido considerada o “bastião da revolução”.

Condições para o evento em preparação

O congresso, a ter lugar no último trimestre deste ano, já está a ser preparado por comissões multissectoriais criadas para o efeito. “Nós já temos no terreno os grupos representativos dos órgãos e militantes do partido que estão a fazer todos os estudos no terreno para garantir as condições necessárias para este nosso evento”, explicou de Sousa.

O País

Monday, 23 January 2012

Fernando Nhaca é o candidato do MDM às “intercalares”


Escrutínio de 18 de Abril em Inhambane.

O candidato foi eleito ao longo do encontro de dois dias havido em Inhambane, cujo principal ponto da agenda era a preparação das eleições intercalares do edil daquela cidade.
A Comissão política do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), reunida este fim-de-semana na cidade de Inhambane, aprovou, ontem, o nome de Fernando Nhaca para candidato desta formação política às eleições intercalares de 18 de Abril próximo.
Ouvido pelo “O País”, o candidato recém-eleito diz ter aceite o desafio do partido por entender que é chegada a hora de resgatar a dignidade de Inhambane e diz existirem condições para ganhar o escrutínio, porque as pessoas estão cansadas da má governação da Frelimo.
O candidato do MDM diz ainda que, em face do nervosismo que paira no seio dos “camaradas”, o partido Frelimo tem estado a instigar a polícia para acções de terror contra os membros do MDM, o que, na sua opinião, mostra que a vitória é possível no dia 18 de Abril. Nos próximos dias, o candidato do MDM vai lançar-se ao terreno para aprimorar ainda mais o seu manifesto eleitoral de modo a que o mesmo seja reflexo dos anseios do povo de Inhambane.

O País

O cidadão 4x4

Perante a impotência das pessoas, na periferia de Maputo, para suster a força das águas e, desse modo, impedir que estas invadissem as suas paupérrimas residências, @Verdade viu a pobreza como produto da indiferença que apaga a identidade humana: a súplica e o desdém, a força da natureza e a fragilidade do homem, o sublime e o profano.
O cenário, em Maputo, mostra a dimensão estática de uma cidade paralisada no tempo e de outra que passa inclemente e apressada de 4x4.
O sorriso de uma criança que esconde o rosto, no bairro de Hulene, espelha a imensa crueldade do homem. É uma criança que sorri da desgraça ao mesmo que tenta minimizá-la com recurso a uma bacia, com a qual julga subtrair da casa com dois cómodos um líquido, que se diz precioso, mas que aumenta inexoravelmente por obra e graça do homem e, diga-se, para desgraça da sua família que vai perder os eletrodomésticos que comprou em 24 prestações.
Tudo isso porque ninguém se lembrou de planificar. Tudo isso porque é muito mais importante cuidar da baixa do que do subúrbio de Maputo.
Os braços resignados de quem crê que sofrer é destino, o caminhar incessante do mendigo que sabe que nem nos dias de dilúvio é proibido conjugar o verbo descansar e a mãe que montou a sua banca no chão lamacento de um bairro qualquer são registos irrefutáveis do certificado de indigência que estas chuvas passam à larga franja dos munícipes de Maputo. Maputo, aliás, já não é um cidade, mas a caricatura de dela. Ou os escombros dela.
O drama praticamente anónimo dos cidadãos da periferia, legítimos cidadãos desta pátria de heróis não é, no nosso entender, um problema de superpovoamento. Há muito de falta de planifi cação, já o dissemos, e preguiça nas inundações que ocorrem na cidade. Ninguém limpa o capim das valas de drenagem. Ninguém retira os detritos sólidos que criam autênticas barreiras para a circulação das águas pluviais.
Acreditamos que há situações que poderiam ser minimizadas com manutenção. As valas de drenagem da avenida Joaquim Chissano são disso um exemplo. Na nossa ronda pela cidade e periferia verificámos que no cruzamento entre esta e a Milagre Mabote a água não circula porque as condutas que ligam as valas estão entupidas. Algo perfeitamente evitável. Se existisse uma equipa de manutenção para retirar os detritos e limpar o capim não só a água circularia como também os mosquitos deixariam de ter um lar.
Quanto pode custar ao Município manter meia dúzia de pessoas para o efeito? Apenas o salário de um membro da Assembleia Municipal. 30 mil meticais apenas. A razão de 3000 meticais por pessoa. É inaceitável que cidadãos deste país durmam nas mesas porque a construção de uma estrada, mais uma vez, bloqueou o curso natural das águas.
Estas chuvas obrigaram os moçambicanos a redefinirem o conceito de pobreza. Hoje não é apenas uma viatura que separa o rico do pobre, o cidadão do indigente. Não chega ter um carro. Isso é muito pouco. É preciso que ele seja 4x4 para que alguém viva efectivamente como cidadão.
4x4 que na sua caminhada hostil e apressada, de vidros fechados e indiferente ao sofrimento do próximo, retrata a cegueira do ser humano perante tudo o que dói. É lixado ser um cidadão sazonal.

Editorial, A Verdade

Corte da EN1 mergulha o país no sofrimento: Restabelecer ligação pode


Um desastre nacional sem comparação


A LIGAÇÃO entre o sul, centro e norte do país através da Estrada Nacional Número-1 inesperadamente interrompida sábado último na região de 3 de Fevereiro, a norte da província do Maputo, devido à subida vertiginosa dos níveis do Incomáti, só poderá ser restabelecida num período máximo de três dias, dada a envergadura do trabalho que será necessário realizar nos cerca de 60 metros do troço de corte.


Maputo, Segunda-Feira, 23 de Janeiro de 2012:: Notícias


Ontem a nossa Reportagem esteve no local deste desastre natural de prejuízos incalculáveis, testemunhando “in loco” o cenário de desespero total que tomou conta de centenas de pessoas que de um momento para o outro ficaram irremediavelmente impedidas de alcançar os seus lugares de destino. E não era caso para menos, estava cortada a ligação nacional entre o sul e o norte de Moçambique, pela via rodoviária.
De um e doutro lado do local do corte, numa região chamada Ngonhane, próximo da Aldeia 3 de Fevereiro, centenas de viaturas e seus ocupantes perfilavam à espera de uma hipotética reabertura da via. Era compreensível o misto de desolação e expectativa. Não queriam acreditar no que estavam a ver com os seus próprios olhos! Mesmo assim, casos houve de pessoas que lograram efectuar a travessia, graças à intervenção da Unidade de Protecção Civil que está no local com barcos para ajudar a minorar os efeitos da tragédia.
A gravidade da situação levou já vários governantes a escalarem a região de 3 de Fevereiro e zonas adjacentes, que dista a pouco mais de 100 quilómetros da capital do país, para melhor equacionar as soluções a encontrar rapidamente respostas para o restabelecimento da comunicação terrestre.
Por exemplo, ontem o Primeiro-Ministro, Aires Aly, apelou no local à paciência dos potenciais utilizadores da estrada para que não se fizessem à ela, exceptuando-se a situação daqueles cidadãos a braços com assuntos urgentes e de carácter inadiável.
Aires Aly classificou a situação de preocupante depois de ter sobrevoado algumas áreas afectadas. “Pudemos ver muitas zonas de Magude a Xinavane onde as pessoas estiveram em cima dos tectos e que agora desceram porque as águas já baixaram. Manifestamos a nossa solidariedade com as famílias que sofreram e apelamos para a continuação do apoio manifestado a todos os níveis. É importante termos muita calma e que as pessoas não se precipitem. Precisamos de continuar a trabalhar. Aqueles que não têm urgência que adiem este movimento na EN1”, disse, observando que ainda está-se em plena época chuvosa, requerendo-se, por isso, que as pessoas estejam precavidas para minimizar os efeitos dos desastres.
O repentino corte da EN-1 e a sua magnitude veio desviar as atenções nacionais em relação à ameaça que paira desde sexta-feira sobre as zonas costeiras das províncias da Zambézia e Sofala com a aproximação anunciada do ciclone “Funso”. É ainda uma outra possível calamidade que se pode abater sobre aquelas duas províncias, uma vez que o ciclone continua activo ao largo do Oceano Índico.
No conjunto das alternativas de transporte que vão sendo encontradas pelas autoridades para dar resposta aos problemas causados pelo corte de 3 de Fevereiro, soubemos que ainda ontem foi mobilizado um comboio para a partir de Manhiça e Magude, respectivamente, transportar as pessoas que estavam retidas dum e doutro lado da estrada para continuarem a viagem até aos respectivos destinos.
Na hora de tentar perceber o que efectivamente terá acontecido para a consumação deste desastre natural, que aparentemente apanhou tudo e todos em contra-pé, a ARA-Sul, na voz de Custódio Vicente, director-geral substituto, disse que o corte foi motivado por chuvas excepcionais e que tal impacto deveu-se sobretudo aos escoamentos não regularizados do Incomáti que se propagaram pelo médio e baixo do mesmo curso de água.
Por seu turno, Cecílio Grachane, director-geral da Administração Nacional de Estradas, indicou que o primeiro sinal foi dado por volta das sete horas de sábado quando o corte era de apenas dois metros.
“Tudo está sendo feito para restabelecer a ligação com a maior brevidade possível”, disse.
Refira-se que um dos termómetros da importância vital da EN-1 poderia no local ser avaliado pelas centenas de pessoas e longas filas de viaturas que se estendiam à distância de três quilómetros do ponto do desastre, saídas de diferentes regiões do centro e norte do país e outros ainda da África do Sul ou do Maputo.
O cenário de prejuízos que a situação irá implicar para algumas pessoas já começava a notar-se ontem para os operadores comerciais que transportam mercadoria facilmente perecível, como sejam carne e peixe.
A EN1 é a principal e única ligação rodoviária entre o sul, centro e norte do país, daí que sempre que ocorre um desastre desta natureza o país fica inevitavelmente mergulhado numa emergência nacional.

OSVALDO GÊMO

Saturday, 21 January 2012

"Enfim, talvez um dia os nossos governantes percebam que os moçambicanos já não são crianças e podem-se fartar de serem tratados como tal"


MARCO DO CORREIO

Por Machado da Graça

Meu caro Leopoldo
Espero que estejas bem de saúde, assim como toda a tua família. Do meu lado tudo normal.
Estou-te a escrever por me lembrar daquele procedimento que, muitas vezes, os adultos têm quando acontece alguma coisa que perturba uma criança. Nesses casos é normal o adulto dizer: “pronto, pronto, não foi nada!”.
E sabes que me lembrei disso ao ler, no Canal de Moçambique, o trabalho que eles dedicam ao relatório final do dossiê Madeiras de Nacala.
Sim, é o relatório final sobre o enorme escândalo da apreensão de 565 contentores de madeiras valiosas, que estavam prestes a ser exportadas para a China, ilegalmente. Isto para não falar numas tantas pontas de elefante, que iam misturadas com a madeira.
Pois, do que percebi, este relatório também se pode resumir naquela mesma frase: “Pronto, pronto, não foi nada!”.
Voltando ao reino da infância, quando eu era pequeno e se queria referir alguma transformação mágica, nas histórias infantis, dizia-se que foi “por artes de berliques e berloques”.
Pois agora, “por artes de berliques e berloques” a exportação da madeira, que era ilegal, passou a ser legal e grande parte dela já seguiu para a China.
Não me perguntes se o marfim continuou lá misturado que a isso não sei responder.
Quem é que está a exportar legalmente a madeira? Pois são exactamente as mesmas empresas, moçambicanas e chinesas, que a pretendiam exportar ilegalmente. Vais-me perguntar se a madeira não tinha sido confiscada pelo Estado. Tinha sim, mas aquelas empresas compraram-na ao Estado.
E como “não foi nada!” também ninguém foi preso.
Há 14 funcionários que, solidariamente, devem pagar uma multa de pouco mais de 1 milhão de meticais e a quem serão abertos processos disciplinares. Se forem, porque, se calhar, nem isso acontece.
Como, muito provavelmente, os autores do relatório são pessoas modestas e tímidas, não o deram a conhecer ao público, embora esteja pronto desde meados de Novembro passado.
Mas eu acho esta modéstia exagerada. Creio que existem, no nosso país, prémios para literatura infantil e este relatório devia ser galardoado com um desses prémios, dividido pelos seus autores, os Ministros das Finanças e da Agricultura e o Presidente da Autoridade Tributária. Seria mais do que merecido, não achas?
Enfim, talvez um dia os nossos governantes percebam que os moçambicanos já não são crianças e podem-se fartar de serem tratados como tal. Mas, diz a experiência dos meus cabelos brancos, normalmente isso só acontece quando já é tarde demais.

Um abraço para ti do

Machado da Graça

Citado no Moçambique para todos

Friday, 20 January 2012

Moçambique entre as economias menos livres do mundo

O ambiente de negócios melhorou, mas não o suficiente para tirar Moçambique de uma posição modesta em quase todos os indicadores considerados no Índice de Liberdade Económica.
Na classificação, apenas superamos a pior categoria – a das “economias reprimidas”. A burocracia, altos níveis de exclusão financeira, queda das despesas públicas e inflação são outros factores que comprometem a liberdade da economia moçambicana.
Moçambique ocupa o 108º lugar no ranking das economias mais livres do mundo em 2012, de um total de 179 países avaliados na mais recente publicação da Heritage Foundation, consultora norte-americana que avalia a reputação de cada país em termos de liberdade económica, em parceira com o “Wall Street Journal”.
Com esta classificação, o país melhorou uma posição em relação ao ano passado, ao alcançar 57.1 pontos, 0.3 pontos melhor que 2011. Apesar disso, Moçambique está entre as piores economias do planeta no que respeita à liberdade económica, o que, de acordo com a Heritage Foundation, é justificado por vários factores, entre os quais a corrupção e deficiências jurídico-legais.
A consultora americana aponta que há “deficiências institucionais críticas na liberdade económica em Moçambique, que continuam a reter o desenvolvimento económico de longo prazo”. Segundo o documento, “direitos de propriedade não são muito respeitados, a aplicação da lei é ineficiente e desigual. O sistema judicial não é totalmente independente e continua vulnerável à influência política e corrupção”. Ainda na sua página sobre o país, a publicação revela que “a ausência de um quadro jurídico eficaz em Moçambique leva a que as decisões judiciais sejam arbitrárias e inconsistentes e a protecção dos direitos de propriedade intelectual não estejam à altura dos padrões mundiais, o que resulta na expansão de bens pirateados (contrafeitos) no mercado.
É importante sublinhar que as deficiências na protecção dos direitos de propriedade são factor desfavorável à captação de investimentos, uma vez que retiram a confiança dos investidores em relação ao mercado nacional, ou seja, a decisão de investir em Moçambique pode ser minada pela concorrência desleal e pela pirataria, factores que reduzem a possibilidade de retorno dos investimentos.
Com esta classificação, Moçambique está no 15° lugar dos 46 países da África Sub-Sahariana, e a sua pontuação global está abaixo da média mundial, mas acima da média regional.

Situação de Moçambique

O Índice de Liberdade Económica avalia quatro grandes pontos que contêm dez categorias. Trata-se do Estado de Direito, que abarca o direito de propriedade e a corrupção; as limitações do Governo, que contém os gastos públicos e a liberdade fiscal; a eficiência regulatória que contém o ambiente de negócios, a liberdade de trabalho e as condições monetárias; e a abertura dos mercados que contempla o ambiente do comércio, a liberdade de investimentos e a liberdade financeira.
A avaliar por estes indicadores, em relação ao ano passado, moçambique piorou nos capítulos da corrupção (aumentou para 27.0 pontos), despesas do Governo (caíram para 69.3 pontos), liberdade fiscal (reduziu para 77.1 pontos) e condições monetárias (que reduziram para 74.8 pontos).
Por outro lado, o ambiente de negócios registou melhorias (aumentou para 66.8 pontos), a liberdade laboral (subiu para 39.7 pontos), liberdade de comércio (subiu para 66.8 pontos), a liberdade de investimentos (aumentou para 55.0 pontos). Os direitos de propriedade e a liberdade financeira mantiveram-se ao nível de 2011 com 3 e 50 pontos, respectivamente.
Ao mesmo tempo, Moçambique está no grupo de economias “na sua maioria não livres”, uma posição imediatamente a seguir à pior, na classificação que obedece a um ordenamento dos países em cinco grandes grupos, nomeadamente, economias livres (cinco países); economias na sua maior parte livres (23 países); economias moderadamente livres (62 países); economias na sua maioria não livres (60 países) e economias reprimidas (29 países).
Há que destacar que no Índice de Liberdade Económica, a classificação dos países não obedece, necessariamente, à sua pujança económica. Por exemplo, no grupo das economias “na sua maioria não livres”, estão das mais poderosas economias mundiais, sobretudo os países emergentes, alguns dos quais abaixo da classificação de Moçambique no ranking global. A Itália (92° lugar), Brasil (99° lugar), Índia (123° lugar), China (138° lugar) e Rússia (144° lugar).

O País

PRM ignora procuradora-chefe e obedece a ordens da Frelimo


Caso das detenções de apoiantes do MDM em Inhambane

A procuradora Carolina Azarias acabou por fazer valer os seus galões e os dois jovens do MDM foram finalmente libertados pela Policia

Edson Macuácua, porta-voz da Frelimo, contactado pelo Canalmoz, diz que o seu partido se distancia da atitude da Polícia

Adelino Timóteo, Canalmoz. Leia aqui.

Thursday, 19 January 2012

Maputo debaixo de água


Choveu forte em Maputo, esta terça-feira





A Avenida Samora Machel ficou transformada num verdadeiro rio.





As inundações dificultaram a circulação automóvel








A actividade comercial zona central da capital moçambicana ficou paralizada







Voz da América. Confira aqui.

Wednesday, 18 January 2012

Maputo e Matola: Chuva provoca caos

AS cidades do Maputo e da Matola pararam literalmente na manhã de ontem devido a intensa chuva acompanhada de ventos, que nalguns casos destruiu infra-estruturas e limitou a prestação de serviços básicos, transtornando os munícipes.

Maputo, Quarta-Feira, 18 de Janeiro de 2012:: Notícias

Se bem que a chuva já estava prevista pelos Serviços Meteorológicos, a forte descarga registada nas primeiras horas da manhã de ontem colheu de surpresa a muitos cidadãos.
Bem recebida pelos pequenos produtores dos bairros periféricos das duas cidades, a chuva iniciada na passada segunda-feira comprometeu muitas actividades dos munícipes nas duas cidades.
Com efeito, o serviço de transportes de passageiros ficou gravemente afectado, dificultando a mobilidade dos utentes, com particular destaque para os trabalhadores e estudantes dos ensinos Primário e Secundário Geral, que ontem, pela primeira vez, iam às aulas referentes ao presente ano lectivo.
Aliás, em vários estabelecimentos de ensino visitados pela nossa Reportagem as condições eram péssimas devido à infiltração de água nas salas de aulas e a formação de charcos nos recintos escolares.
Enquanto muitos chegaram tarde aos locais de trabalho, outros há que tiveram que regressar à casa devido à falta de “chapa-100” nas paragens. É o resultado da limitação do trânsito, com alguns autocarros dos TPM e da FEMATRO retidos nalguns pontos devido às águas, que nalgumas vias chegaram a atingir mais de um metro de altura.
Aliás, muitos troços ficaram bloqueados por alguns instantes na manhã de ontem, impedindo a circulação de viaturas. Foi o que se viveu, a título de exemplo, nas zonas entre a fábrica Coca-Cola e a Escola Secundária da Machava, no Fomento e o acesso ao bairro Khongolote a partir da Zona Verde.

Paralisação da actividade



O cenário foi o mesmo no centro da capital, onde algumas estradas estiveram temporariamente intransitáveis devido às fortes correntes de água, paralisando a actividade, sobretudo o comércio, na zona baixa da capital.
A Rua da Beira, no cruzamento com a Rua dos CFM, no bairro de Hulene, ficou afectada, obrigando os automobilistas a procurarem vias alternativas.
Os cruzamentos entre as avenidas 24 de Julho e Guerra Popular e entre a primeira e a Karl Marx a situação era simplesmente dramática, com viaturas ligeiras submersas e peões desesperados.
Nalgum momento na baixa da cidade a circulação era impossível. Os velhos problemas relacionados com dificuldades na drenagem das águas pluviais voltaram a se fazer sentir devido, ao que tudo indica, à falta de manutenção do sistema dos esgotos.
Nesta zona até os vendedores informais acabaram cedendo à “força da natureza”, abandonando os seus habituais pontos de negócio, onde só retornaram no período da tarde.
Em diversos bairros algumas habitações ficaram submersas e as famílias infortunadas tiveram que se lançar ao trabalho de escoar as águas do interior das suas residências, em detrimento de outras actividades.
A Reportagem do “Notícias” testemunhou, nalguns casos, iniciativas populares de limpeza de valas de drenagem para o seu melhor funcionamento e, por via disso, minimizar o sofrimento. Tais são os casos dos bairros Ferroviário das Mahotas, Hulene, Mahlazine, Mafalala, Chamanculo, 25 de Junho e George Dimitrov, este último mais conhecido por Benfica.

Delegados do MDM destituídos empossados vereadores em Quelimane

Disciplina partidária.

Afinal, os delegados políticos do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) destituídos, esta segunda-feira, dos seus cargos na província da Zambézia e cidade de Quelimane, foram nomeados para diversas funções, incluindo as de vereadores no município de Quelimane. Trata-se dos representantes do MDM na cidade de Quelimane e de toda a província, e todos os membros da comissão política provincial e da cidade. É que, segundo soube o “O País”, a disciplina partidária do MDM reza que deve haver uma total e clara separação das funções políticas das executivas, como dirigir uma vereação em Quelimane, para que as funções políticas não se sobreponham aos interesses dos munícipes. Esta medida, segundo fontes internas, evita tráfico de influências dos políticos sobre os executivos e, assim, combate-se a corrupção em instituições públicas. Contudo, nem todos os partidos são assim.

O País

O drama das chuvas na capital de Moçambique

A Verdade. Confira a reportagem e os videos aqui!

Tuesday, 17 January 2012

Já seguiram viagem 406 dos 656 contentores de madeira apreendidos em Nampula

Uma grande parte dos 656 contentores com toros madeira alegadamente ilegal que foram apreendidos em Julho de 2011 no porto de Nacala, na província de Nampula, já não se encontra no terminal de contentores de Nacala.
Segundo o jornal Domingo, 406 contentores com valor comercial avaliado em 43 milhões de meticias foram exportados para a China, como estava previsto na altura da apreenção, alegamente porque a madeira afinal estava enquadrada nas espécies que a lei moçambicana permite a sua exportação.
O semanário cita uma nota de uma das instituições (não identificada) envolvidas no processo que indica que "todos os contentores cuja exportação em toros é permitida foram exportados" esta nota contudo não menciona em que data os contentores com os toros de madeira seguiram viagem para a China.
A madeira retida em Nacala estava para ser exportada ilegalmente por oito empresas, entre nacionais e chinesas, todas com registo fiscal em Nampula (a capital provincial) e Nacala. Em Moçambique, segundo o Decreto 12/2002, de 6 de Junho, no seu artigo 12º, “só é permitida a exportação de madeira das espécies de primeira classe, após o seu processamento”.
Recorde-se que depois da apreensão foi criada uma equipa, liderada pela a Autoridade Tributária (AT), envolvendo as várias instituições nacionais que intervém em processos de exportação de madeira que confirmou ter existido viciação de dados no processo de exportação com declaração de conteúdo falso nos contentores.
Entretanto até ao momento não há nenhuma indicação sobre as medidas tomadas contra os funcionários das Alfândegas, do Porto, da Polícia e do Ministério da Agricultura, que na altura facilitaram a tentativa de exportação ilegal.

A Verdade

MDM elege candidato para “intercalares” entre 20 e 21 deste mês

Alguns analistas políticos olham as eleições de Inhambane com suspeição.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) realiza de 20 a 21 deste mês a sua sessão da Comissão Política Nacional, que, dentre outros pontos, pretende encontrar o candidato às eleições intercalares de Inhambane.
De acordo com o porta-voz do MDM, José de Sousa, a referida sessão da Comissão Política Nacional terá lugar na cidade de Inhambane, a mesma que a 18 de Abril deverá acolher a eleição do novo edil, que vai substituir Lourenço Macul, que perdeu a vida vítima de doença.
Ora, a escolha de Inhambane não é ocasional, mas estratégica, uma vez que poderá permitir que os membros daquela formação política testem a sua simpatia entre os munícipes; visitem vários locais; façam o reconhecimento do local e granjeiam simpatia dos eleitores. Aliás, Inhambane, como em outras províncias do Sul do país, é ainda terreno de difícil penetração para o MDM, dada a forte presença do partido no poder.
Recentemente, num encontro havido na Beira, o secretário-geral do MDM, Luís Boavida, assegurou que o Movimento Democrático de Moçambique está com olhos fitos nas eleições intercalares, até porque, em termos logísticos, está estável e tem condições financeiras em dia para concorrer em pé de igualdade com a Frelimo na cidade de Inhambane.

O País

Monday, 16 January 2012

MDM nas “intercalares” de Inhambane


O MOVIMENTO Democrático de Moçambique (MDM), reunido esta quinta-feira na Beira, concluiu haver condições políticas para que concorra na eleição intercalar de Inhambane, agendada para Abril próximo.

Maputo, Segunda-Feira, 16 de Janeiro de 2012:: Notícias

Falando a jornalistas, o secretário-geral do partido, Luís Boavida, afirmou que o Secretariado Executivo da organização tem vindo a receber apelos de vários quadrantes no sentido de participar no pleito naquela cidade do sul do país.
“Esta é uma das conclusões saídas da sessão ordinária do Secretariado-Geral que vai ser apresentada à Comissão Politica Nacional do partido que se reúne nos dias 21 a 22 de deste mês em Inhambane”, referiu Luís Boavida, precisando que caberá a este órgão máximo do partido deliberar.
Acrescentou que o Secretariado-Geral tem neste momento capacidade de preparar o partido para vencer o pleito, tal como aconteceu em Quelimane em Dezembro último, no qual o candidato do MDM, o académico Manuel Araújo, saiu vencedor.
Por outro lado, o presidente do MDM, Daviz Simango, disse que as pressões da eleição intercalar de Inhambane não devem desviar as atenções dos membros e simpatizantes para a realização do 1º congresso do partido, agendado para final deste ano, segundo decidiu a sessão da Comissão Política em Nampula no ano passado.
Aliás, dados em nosso poder indicam que no encontro de Inhambane, a Comissão Política do MDM deverá também abordar a realização de um encontro nacional de quadros da organização, agendado para os próximos meses na capital da província de Manica, Chimoio.
De acordo com o porta-voz deste partido, José Manuel de Sousa, este encontro irá ser decisivo não só em relação à data de realização da reunião de quadros, como também para a fixação das matérias que irão ser apreciadas na referida reunião.
“A Comissão Política Nacional vai encontrar-se para deliberar sobre a agenda do encontro de Manica, onde se espera que para além de se discutirem os temas mais candentes do partido, se faça uma avaliação do trabalho realizado ao longo de 2011 e perspectivar 2012”, disse.
Com efeito, prevê-se que mais de 50 militantes desta formação político-partidária, entre quadros seniores e membros simples do MDM, vão reunir-se dentro de dias na província de Manica.
“A reunião tem em vista avaliar as actividades planificadas a nível central, das sedes distritais, a sua execução e planificar, para o próximo ano, novas estratégias para as próximas eleições autárquicas de 2013”, afirmou de Sousa, para depois acrescentar que “nós queremos saber como nos posicionar como partido em todo este ano, tendo em conta que, próximo ano, vamos participar nas eleições autárquicas em todos os municípios do país. Queremos com isso trabalhar, este ano, com um único objectivo de participar para conquistar mais municípios”.
Os membros saudaram oficialmente a vitória de Manuel Araújo, em Quelimane, nas eleições intercalares decorrentes da renúncia forçada de Pio Matos, até então edil pelo partido Frelimo.
Deverão participar da mesma reunião quadros-delegados de níveis central, distritais, presidentes das ligas juvenis, secretários do partido, entre outros membros intervenientes directos desta formação política.

Obras dos dois novos edifícios do Banco de Moçambique altera rotina na baixa da cidade de Maputo


(Actual sede do Banco Central de Moçambique)


A construção de dois novos edifícios do Banco de Moçambique, na baixa da cidade do Maputo, vai entrar numa fase de plena execução. Por questões de segurança, uma das quatro faixas da Avenida Samora Machel estará encerrada a partir de hoje até ao fim das obras, escreve o jornal Notícias na sua edição desta segunda-feira.
A empreitada, cuja primeira pedra foi lançada a 16 de Junho do ano passado, consiste na construção de dois prédios, um de escritórios com 30 andares e outro polivalente de 19 pisos que inclui silo auto com capacidade para 800 viaturas, bem como restaurantes, salas de reuniões, ginásios, entre outros serviços.
O edifício de 19 andares será implantado na esquina entre as avenidas 25 de Setembro e Samora Machel. O troço a ser encerrado é a pista lateral esquerda da Avenida Samora Machel entre a Rua Consiglieri Pedroso e a Avenida 25 de Setembro por cerca de dois anos e meio a partir de hoje.
Durante os trinta meses, a circulação rodoviária será feita pela actual zona de estacionamento localizada na pista central, onde não será permitido o parqueamento de carros.
Ainda no quadro das obras, o prédio onde se localiza a Casa Coimbra será deitado abaixo. Para o efeito, o mesmo já foi completamente despido de janelas, grades e outros apetrechos. Durante mais de duas semanas soaram no edifício marteladas e o ribombar das brocas perfuradoras.
Não foram ainda revelados os montantes nem o tempo que vai durar a construção dos dois edifícios que resultam da conclusão de que as actuais infra-estruturas do BM já não respondem às exigências dos recursos humanos.
Após estudos, decidiu-se pelo investimento na zona baixa da cidade do Maputo, no espaço onde actualmente se localiza a Casa Coimbra e no quarteirão contíguo, tirando vantagem da localização do edifício-sede do Banco e das sedes dos bancos comerciais.

Radio Moçambique

Sunday, 15 January 2012

Alienação: E ainda falamos de auto-estima?


(“Mais de 40% do salário da mulher vai para beleza”, diz o autor da foto, Santos F. Vialnculos)

Por Luís Loforte


De flagrância em flagrância, lá vamos nós na terceira. Hoje, em primeiro lugar, trago à estampa algo de positivo, algo que tem a ver com a tão propalada auto-estima.
Nesta correria ligada à procura atempada de produtos para a quadra natalícia, vislumbro à distância um amontoado de sacos de batata e dois jovens circundando-o e apregoando o seu conteúdo a quem por ali passava. Comprei um saco convencido de que se tratava de batata sul-africana. Para meu espanto, porém, verifico, pouco depois, quando a acondicionava, que estava perante um produto moçambicano. As inscrições não deixavam dúvidas: “Batata de Moçambique, Qualidade de Exportação, Produto Nacional”.
Pergunto e responde-me positivamente quem recebia o dinheiro: “Sim, vem da Moamba!”. Pela quantidade e falta de bicha, fico com a franca impressão de que há batata a dar com o pau, e também de que só compra a da África do Sul quem não sabe da existência da nossa, por capricho ou até por alienação. Tinha eu ganho o dia, não só por ter comprado algo com que matar a fome, como também por um pormenor que nos enche de orgulho. Afinal, podemos!

E agora, uma flagrância do quotidiano.

Na rua, nas escolas, nos chapas, no Parlamento, por todo o lado é praticamente impossível encontrar uma mulher negra com o seu cabelo natural. O normal é ela andar com cabelo importado, corrido e não raras vezes loiro ou ruivo, percorrendo-lhe as costas até à cintura. O gesto para controlá-lo ou ampará-lo, quando lhe perturba a visão, é o das novelas; é um movimento aprendido de adulto e, por isso, carregado do mais puro ridículo. Daí a concluir que os paradigmas estéticos da mulher negra urbana acabaram e, em seu lugar, ficaram as caricaturas, ficou aquilo que parece, não aquilo que é, é um pequeno passo. E o panorama é tal que muitas vezes as vemos descalças, dentes por escovar, queixando-se na televisão da falta de dinheiro para matricular os filhos, de recursos para melhorar a dieta, de proventos para comprar medicamentos, mas a cabeça exibindo cabelos que custam os olhos da cara.
Mais palavras para quê, senão apenas o reconhecimento de que morreram as belas raparigas do Chamanculo e do Xipamanine, da Munhava, Macurungo e Chipangara, de Kumilamba e Kumissete, com as suas reluzentes cabeleiras a Angela Davis, dando lugar a autênticos espantalhos. E tudo isso tem um nome: alienação. Trinta e seis anos depois da Independência, aí estão as mentes completamente destruídas, a pensar-se que o que é nosso não vale nada, o nosso é secundário, que o nosso é cavalo do que é dos outros, que dos outros é para pendurar em cima do que é nosso, só assim seremos belos, competitivos. E ainda falamos de auto-estima?
E cada vez que me deparo com tudo isto, e particularmente quando me ocorre a palavra alienação, fico a pensar que talvez a tenhamos combatido com mais determinação no passado do que hoje, o mesmo que dizer que a alienação está mais presente nos dias que correm do que quando éramos colonizados. E para sustentar o meu raciocínio, vou transcrever aqui a estrofe de uma canção que remonta a 1968, composta e cantada por um amigo pessoal, infelizmente já falecido: Teta Lando. Um angolano.

Negra de carapinha dura
Não estraga o seu cabelo, me jura
Faça tranças corridinhas com missangas a cair
Carrapitos pequenitos como vovó fazia para você.
Você é africana, tem beleza natural
Vai mostrar para todo o mundo essa sua carapinha
O seu acabamento de uma obra sem igual
Vovó deixou, você vai guardar
Você não vai estragar aquilo que vovó deixou para você!

Radio Moçambique

Saturday, 14 January 2012

Uma viagem, duas realidades

“iSimangaliso” ou simplesmente milagroso, é o nome tradicional de uma pequena cidade sul-africana que leva o selo de “Património Mundial da Humanidade”, desde 1999, e foi baptizada, pelos boers, como sendo Santa Lúcia, na província de Kwazulu Natal. Trata-se de uma cidadela adstrita a um parque com uma área de 332 mil hectares, oito ecossistemas interligados, dunas costeiras, cinco espécies de tartarugas, com tipos de borboletas, mais de duas mil espécies de plantas e mais de metade das espécies de aves da África do Sul, conjunto este que faz de “iSimangaliso” uma grande atracção turística.
Terá sido por isso que este local foi escolhido como ponto de convergência de culturas, hábitos e costumes de cerca de 200 turistas, de entre governantes, empresários e jornalistas de Moçambique, África do Sul e Suazilândia, legitimando a iniciativa de transformação dos três países vizinhos num único destino turístico ao nível da região austral de África.
O projecto é também uma oportunidade para os três países juntos buscarem investimentos para o desenvolvimento de infra-estruturas de turismo, este que é considerado ouro inesgotável para os subscritores da iniciativa.
A caravana moçambicana, numa coluna de cerca de uma dezena de viaturas, desembarcou, naquela cidadela, a meio da noite. Todo o mundo estava fatigado, ao fim de cerca de 400 quilómetros de estrada, com algumas e curtas paragens para esticar os pés.
À entrada, iSimangaliso estava mergulhada num silêncio absoluto e devidamente decorado para receber os visitantes. Todos os serviços, incluindo de restauração e lazer, estavam encerrados e as pessoas deviam estar já no sétimo sono. Por um lado, devido ao adiantado da hora e, por outro, porque era domingo, alguns terão recolhido cedo aos aposentos.
Todos só queriam banho, jantar e aquecer a cama, recuperando as energias para encarar o dia seguinte com tranquilidade.
Os elementos da organização, esses, lá estavam à espera dos moçambicanos. Depois dos procedimentos administrativos, cada um estava no seu quarto, onde, entre várias coisas, estava lá a refeição, servida em embalagens isotérmicas, próprias para “take away”, iguais para todos: pedaços de carne assada, frango e vorse, acompanhados de xima e salada. Fiquei animado, pois já não sonhava com o jantar, dado que tudo se encontrava fechado. A fome que sentia era de devorar uma cabeça.
Toda a história do périplo turístico por África do Sul, Moçambique e Swazilândia começa no dia seguinte, com a chegada do grupo de sul-africanos, idos de Kwazulu Natal, e não só, e da delegação suâzi, no fim da manhã.
A excursão prometia. Os números anunciados nas vésperas pelos organizadores criavam muito “apetite” a quem gostasse de aventuras pelo mundo selvagem e de turismo: 200 turistas a viajarem numa fila de 50 viaturas com tracção a quatro rodas.
Os sul-africanos mostraram-nos o que têm do melhor em iSimangaliso, desde o nível de organização do evento propriamente dito, ao programa de recreação de fazer inveja. Um colega de profissão perguntava se nós estávamos em condições de retribuir aquilo tudo quando chegasse a nossa vez de receber a caravana na Ponta de Ouro. Ninguém lhe respondeu.
Percorremos o parque e vimos animais selvagens como zebras, javalis, rinocerontes e muitos outros que habitualmente os vemos em livros ou revistas de turismo, e fomos a um parque de campismo onde os ministros do Turismo da África do Sul e Suazilândia e o inspector-geral do Ministério do Turismo de Moçambique montaram tendas de campanha e fizeram fogueira com lenha, símbolo do que é possível fazer naquele local.
O referido parque de campismo é exemplo do respeito e preservação do meio ambiente. As infra-estruturas existentes no local, nomeadamente sanitários e outros edifícios, estão cercados de floresta, com zonas preparadas para o parqueamento de viaturas, montagem de tendas e piquenique.

SITUAÇÃO EM MOÇAMBIQUE

No terceiro dia da excursão, era a vez de Moçambique receber a caravana. Às 8:30 horas, deixamos Santa Lúcia ou simplesmente iSimangaliso, em direcção à Ponta de Ouro, debaixo de uma chuva miúda.
Pouco antes de chegarmos à fronteira, o que aconteceu por volta das 13:00 horas, uma voz feminina anunciava, no interior do autocarro em que eu viajava, que todos nós teríamos de abandonar os luxuosos machimbombos e entrarmos em viaturas com tracção a quatro rodas que nos levariam ao destino final: a vila da Ponta de Ouro.
A caravana viajava a bordo de quatro autocarros de luxo, próprios para turistas, e de cerca de uma dezena de viaturas ligeiras transportando governantes e empresários do sector de turismo dos três países.
Depois dos procedimentos fronteiriços nos dois lados, sul-africano e moçambicano, tudo facilitado, estavam perfiladas, à saída, perto de duas dezenas de “minibuses”, de cor branca, sem ocupantes, muitos deles já cansados e a reclamarem o abate.
Os condutores, com ares de chapeiros, agitaram-se com a nossa chegada. Não era caso para menos. Tratava-se de cerca de 200 turistas.
Dardejei o olhar e não achei nenhum carro com características que se parecessem com as de viaturas com tracção a quatro rodas.
Fiquei preocupado. Cheirava-me a um atraso dos condutores dessas viaturas. Para a minha surpresa, disseram-me que, afinal, os tais 4x4 eram aqueles chapas.
“Já estamos em Moçambique”, dizia um colega da Televisão de Moçambique (TVM), olhando para o tipo e o estado de viaturas alugadas pela “organização” para o transporte da caravana, contrastando com o luxo oferecido pelos sul-africanos.
Algumas das viaturas que nos esperavam não tinham sequer cadeiras completas. Noutras, os assentos estavam soltos ou desapertados e sem a mínima comodidade para os passageiros. Não havia escolha, era o que oferecia a empresa sul-africana contratada pelo Governo da província de Kwazulu Natal, que pagava tudo, para garantir a logística da excursão.
O motorista do minibus para o qual fui encaminhado, com a música a um volume ensurdecedor, um jovem forte, todo entusiasmado, arrancou primeiro, a seguir a uma dezena de viaturas que levavam os ministros do Turismo da África do Sul e Suazilândia, o inspector-geral de Turismo de Moçambique e alguns empresários dos três países do ramo turístico, numa coluna de perto de vinte carros.
Empreendedor, com três chapas a operarem na rota Maputo-Ponta de Ouro e vice-versa, foi-nos contando que no troço fronteira/Ponta de Ouro, com cerca de sete quilómetros, não circulavam transportes colectivos de passageiros e que as pessoas se desenrascam, apanhando boleias para chegarem à vila da Ponta de Ouro.

VIAGEM AOS SOLAVANCOS

Disse-nos que eles todos haviam sido desviados de outras rotas, atraídos pela oferta. A organização pagava por dois dias de serviço quatro mil rands a cada transportador, o equivalente a cerca de 14 mil meticais, valor que precisariam de fazer muitas viagens Maputo-Ponta de Ouro e vice-versa para completar.
A viagem, que à partida parecia curta, estava a ser muito demorada, para o que contribuía o estado precário da rodovia e de conservação das próprias viaturas.
Uma cidadã sul-africana, funcionária do Departamento de Turismo no município de Durban, integrada na caravana, simpática, com um corpo avantajado, à moda dos sul-africanos, confessou que não viajava num carro daqueles há cerca de 25 anos e que só o fez quando frequentava o ensino primário.
Da fronteira para a vila turística da Ponta de Ouro, que mais se confunde com o território sul-africano do que propriamente moçambicano, devido à predominância de cidadãos sul-africanos e da quantidade de coisas sob sua gestão, não há uma estrada formal.
Face a essa situação, cada automobilista tenta descobrir o melhor caminho possível, entre várias picadas arenosas que de longe formam uma teia de aranha.
Numa viagem aos solavancos, em que, vezes sem conta, as nossas cabeças chocavam contra o tejadilho, algumas viaturas, em particular dos visitantes, não aguentavam com a barra e atolavam.
Os minibuses, esses, de 15 lugares, semelhantes aos que asseguram o serviço semi-colectivo de passageiros na cidade de Maputo, andavam sem histórias, a provar que, na verdade, são carros com tracção a quatro rodas.
Alguns dos nossos colegas sul-africanos que pisavam pela primeira vez o território moçambicano, olhando para esta realidade, não resistiram a julgar-nos, dizendo que “afinal o tal Maputo é isto?”. Eles estavam a visualizar uma cidade de Maputo sem estradas alcatroadas e de difícil acesso.
Tivemos que lhes dizer que Maputo cidade não era nada do que estavam a ver, que há prédios altos, estradas asfaltadas, muitas estâncias turísticas que oferecem serviços com padrões internacionais, para além de praias e outras coisas.
Em jeito de conclusão, um colega moçambicano, do jornal “Domingo”, disse-lhes que poderiam vir a Maputo de bicicleta, se assim o quisessem, desfrutando das excelentes condições que oferecem a EN2, que liga Maputo e Suazilândia, e a EN4, ou seja, a auto-estrada Maputo-Witbank, na África do Sul.
Os que não tiveram a coragem de nos abordar terão transportado para as suas origens uma imagem completamente distorcida daquilo que é, na verdade, a cidade de Maputo.
Passava cerca de uma hora de viagem quando finalmente chegamos ao complexo, que era o epicentro da “Operação Moçambique”. Era hora do almoço, mas tinha que se cumprir com o programa: estavam previstos discursos da praxe dos ministros do Turismo de Moçambique, África do Sul e Suazilândia e antes, das autoridades administrativas locais, dentro de uma pobre tenda, montada nos jardins dum complexo sob gestão de um empresário sul-africano.

COMIDA A CONTA-GOTAS

Poucos prestavam atenção ao que se dizia. A fome estava a apertar. A roda girou, o ciclo dos discursos completou-se e o momento mais esperado chegou: o anúncio, pelo mestre de cerimónia, ao microfone, de que o almoço estava servido.
Num lapso, lá estava uma fila enorme ante um buffet, o único organizado pelo restaurante sul-africano, cujo menu nada tinha a ver com a gastronomia moçambicana. Não estavam na mesa pratos como mathapa com caranguejo, nhangana, cacana e outros que fazem a diferença.
Um oficial do Ministério do Turismo de Moçambique contou-nos que havia sido sugerido à empresa sul-africana seleccionada pelo Governo da província de Kwazulu Natal para integrar na expedição um restaurante moçambicano, para salvaguardar este aspecto, mas a opção deles foi por um sul-africano.
Afinal, a casa não estava organizada para servir refeições a cerca de 200 turistas. Em tão pouco tempo, os que estavam à frente limparam tudo e a fila, essa, ainda era longa.
As pessoas foram passeando com os pratos na mão à espera da comida que era servida a conta-gotas. Quando apareciam pedaços de frango, era uma guerra e acabavam logo a seguir. Alguns tinham arroz no prato e faltava o caril.
Fiquei envergonhado com o que estava a ver, mas alguém disse para que eu relaxasse, alegando que a responsabilidade por aquilo era dos sul-africanos que não quiseram colaborar com a parte moçambicana. Era verdade, mas estávamos a apanhar por tabela, porque isso acontecia em território moçambicano.
Os visitantes partiram no dia seguinte para a Suazilândia, no prosseguimento da excursão, e cá entre nós ficou a promessa das autoridades locais, após uma auto-avaliação, no sentido de tudo fazer na próxima expedição turística a três, prevista para Outubro deste ano, com recursos próprios, para que se deixe uma boa imagem de Moçambique, de um país com uma grande capacidade de organização e hospitalidade e com bons serviços de catering e muitas alternativas de alojamento. Até lá.

*Da revista Prestígio

Diário de Moçambique

Menino mau

O presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Osvaldo Petersburgo, conhecido pelos seus habituais discursos genuflexivos – cheio de frases feitas e lugares-comuns – ao Governo de turno, perdeu uma bela oportunidade de ficar calado, revelando, até à saciedade, a insensatez por que ainda rege aquela agremiação juvenil.
Aliás, é sempre assim quando está diante de algum microfone ou gravador. E desta vez, o jovem veio a público dizer que este ano, ele e outros bobos da corte que se acomodam numa suposta Geração da Viragem, estão cansados e vão revelar algumas coisas que andam a esconder este tempo todo e, afirmou ainda, que andam cansados de ser enganados com discursos políticos que não têm nada a ver com a realidade em que vivemos.
Que fique claro, os comentários de Petersburgo, que deveriam servir de exemplo para milhões de jovens que vivem à intempérie, sem emprego e tão-pouco perspectivas de dias melhores, não passam de um teatro mal encenado, com tudo de ridículo. Na verdade, não passam de um farisaísmo crasso.
Não fosse a morbidez que a situação em si representa, era caso para soltar sonoras gargalhadas, tendo em conta aquilo a que o autor já nos habituou. É sabido – por inúmeras e enjoativas demonstrações – que o presidente do CNJ sempre andou a reboque do partido no poder.
Aliás, Petersburgo e a sua turma desde sempre revelaram padecer do “Síndrome de Pato Gordo”. Ou seja, sempre cantaram “vivas e hosanas” ao Governo na fatídica ilusão de que teriam voz e vez. Hoje, sentindo-se excluídos dos sucessivos e rotineiros banquetes custeados com o suor – até sangue – do povo, vem limpar as mãos às parede da humildade e lembrar-nos do óbvio.
Vezes sem conta, vimos Petersburgo representando um grupo de jovens, comportando-se como robô programado para sorrir e subscrever todas as delirantes ideias concebidas pelo Governo, ignorando os reais problemas que afligem centenas de milhares de moçambicanos.
Graças ao presidente de CNJ, a juventude continua alienada, infantilizada e votada ao subdesenvolvimento social, económico e cultural.
Na verdade, Petersburgo não teve nenhum arrebatamento de lucidez. Nem sequer está arrependido de ter ignorado os problemas da juventude que acredita liderar. O drama é outro: as dívidas que o CNJ contraiu por causa das “mentiras políticas” de Pedrito Caetano.
Reparem que na entrevista concedida ao Canal de Moçambique, deixou ficar a ideia de que pretende recorrer ao Chefe de Estado. Até porque tem lugar a Assembleia-geral da agremiação. Isto se o bom do Pedrito “soltar” o dinheiro que sabe-se lá em que masmorras terá ficado.
Uma coisa é certa: Petersburgo sabe cobrar o que lhe foi prometido. Nisso até os agiotas profissionais podiam aprender dele.

Editorial, A Verdade

Friday, 13 January 2012

A corrupção que nos persegue

Em Moçambique virou moda sempre que há um evento organizado pelo Estado, surgirem informações denunciando actos de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao aparelho. Se não são fundos e bens alocados para o evento que acabam na calha de alguns, são concursos pouco transparentes envolvendo empresas de ou participadas por dirigentes do Estado, seus cunhados e derivados. É uma marca que, infelizmente, estamos a conquistar como País. O mau exemplo veio de cima e agora já há metástases por todos os lados. Um cancro!...
Com a impunidade que graça derivado de um sistema judicial que em vez de punir já está na esteira dos mesmos maus costumes, quase todos os casos denunciados pela imprensa e por alguns funcionários – excluídos das burlas ou que não pactuam por princípio com as golpadas – acaba tudo abafado. Assim, os casos vão-se repetindo progressivamente e Moçambique vai conquistando e cimentando o seu estatuto de ‘sociedade corrupta’.

Editorial do Canalmoz. Leia aqui!

MDM avança para eleição intercalar de Inhambane

Marcada para Abril deste ano

A 1ª sessão ordinária do secretariado-geral do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) havido ontem na Beira concluiu que existem condições políticas para que esta formação política concorra na eleição intercalar de Inhambane, agendada para Abril próximo. De acordo com o secretário-geral do MDM, Luís Boavida, que presidiu à referida sessão, o secretariado-geral, órgão executivo, tem vindo a receber chamadas telefónicas a encorajar o partido no sentido de participar na eleição intercalar de Inhambane.
“Esta é uma das conclusões saídas da sessão ordinária do secretariado-geral que vai ser apresentada à Comissão Politica Nacional do partido que se reúne nos dias 21 a 22 de deste mês em Inhambane”, referiu Luís Boavida, precisando que caberá este órgão máximo do partido deliberar.
Acrescentou que o secretariado-geral tem neste momento a capacidade de preparar o partido na mobilização para vencer o pleito, tal como aconteceu em Quelimane.
Entretanto, o presidente do MDM, Daviz Simango, disse que as pressões da eleição intercalar de Inhambane não devem desviar as intenções para a realização do 1º congresso do partido, agendado para final deste ano, segundo decidiu a sessão da Comissão Política em Nampula no ano passado.
Contudo, referiu que é com base nas actividades planificadas e organizadas que a sua formação política pode continuar a arrastar diversas classes e estratos sociais interessadas na transformação e mudança social do país.
De acordo com Simango, os princípios fundamentais da construção do MDM devem ser na base de acções, sem no entanto descurar a observância da disciplina interna. “Por isso, apelo a todos os quadros do nosso partido para muita responsabilidade, dedicação e respeito às bases. Isto fará com que Moçambique seja de facto para todos”, disse, apelando à manutenção do espírito de equipa, assegurando que cada membro complemente o outro, sem protagonismo.
A 1ª sessão ordinária do secretariado-geral também analisou e aprovou positivamente o desempenho dos departamentos que constituem aquele órgão do MDM, nomeadamente os relatórios financeiros, com maior destaque para a disciplina financeira e o sistema de prestação de contas, e o desempenho das dez delegações políticas provinciais, incluindo a da cidade de Maputo, durante o ano 2011.


Diário de Moçambique

Thursday, 12 January 2012

Pio Matos e Afonso João contrairam grandes dívidas antes de abandonar Município de Quelimane


O Conselho Municipal da Cidade de Quelimane (CMCQ), está sem dinheiro nos cofres para suportar as despesas correntes. O edil recentemente empossado, Manuel de Araújo, encontrou o município num estado crítico, a precisar duma injecção letal para ressuscitar a vida do município. Araújo encontrou uma dívida estimada em 4 milhões de meticais, que a edilidade contraiu com terceiros, sem justificações palpáveis.
Uma carta que foi enviada à Direcção Provincial do Plano e Finanças da Zambézia, a fim de se estudar a proveniência desta divida.
Esta situação era de se esperar, de acordo com muitos vaticínios e, mais ainda, olhando para experiencia que Daviz Simango teve quando assumiu a presidência do município da Beira.
E esta Terça-feira, o edil de Quelimane não escondeu a sua preocupação face ao estado em que encontrou os cofres do CMQ, dai que, conforme as explicações do edil, o município precisa de deixar de ser capim verde para pastagem.
Segundo ele, há muita gente no Conselho Municipal que nem sequer assina o livro do ponto, mas recebe salários no final de cada mês.

Mas como tudo começa?

Quando Manuel de Araújo foi eleito edil de Quelimane e os resultados foram validados pelo Conselho Constitucional (CC), começou o saque de dinheiro nas contas do município.
Por exemplo, no dia 9 de Dezembro do ano findo, foi feita uma transferência bancária de 57.190,00, e o saldo da conta da edilidade ficou com 341.753.20Mt.
Mas o saque não parou por ai porque no dia 16 do mesmo mês, houve uma transferência avultada, via SISTAFE e foram 2.726,552.50. São apenas exemplos, conforme um documento na posse do Diário da Zambézia

Diario da Zambezia, em A Verdade

ALCANÇADO CONSENSO PARCIAL SOBRE REVISÃO DO PACOTE ELEITORAL

As chefias das bancadas parlamentares da Frelimo, Renamo e MDM conseguiram remover, no último fim-de-semana, alguns pontos de divergência que subsistiam na revisão do pacote eleitoral, mantendo-se, porém, a discórdia sobre o numero de membros que irão compor a Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Uma fonte da Assembleia da República e citada pelo jornal “Diário de Moçambique” revela, sem entrar em detalhes, que o volume das divergências foi reduzido significativamente.
Margarida Talapa, chefe da bancada da Frelimo, Angelina Enoque (Renamo) e Lutero Simango (MDM) estiveram reunidos na vila fronteiriça da Namaacha, província de Maputo, em mais um esforço para superar os desentendimentos no âmbito da reforma da legislação eleitoral, ao nível da Comissão parlamentar de Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social.
Entretanto, já era do domínio público que os três grupos não se entendiam, por exemplo, quanto a contagem de votos, entre outros assuntos.
A legislação eleitoral em vigor refere que no caso de divergência entre o número de votantes apurados e o dos boletins de votos contados, prevalece, para efeitos de apuramento, o segundo destes números, desde que não seja superior ao número de eleitores inscritos.
Do leque de questões que ainda não reuniam consensos, constavam ainda matérias relacionadas com a observação eleitoral, tribunais eleitorais, designação e funcionamento das mesas da assembleia de voto, cadernos eleitorais, entre outras.
A fonte disse no que concerne à composição da Comissão Nacional de Eleições, a discórdia continua relativamente aos números que cada uma das três bancadas sugere.
Com efeito, o grupo parlamentar da Renamo propõe uma CNE com 21 membros, a Frelimo pretende a manutenção dos actuais 13 e o MDM quer apenas sete.
Actualmente, cinco membros daquele órgão (CNE) são designados pelos partidos políticos ou coligações de partidos com assento na Assembleia da República, e os restantes oito, pela sociedade civil.
Todavia, nos círculos políticos há várias opiniões sobre esta matéria. Por exemplo, a missão de Observação Eleitoral da União Europeia já fez notar que “a presença de representantes de partidos políticos na CNE mantém um desequilíbrio em termos competitivos e um acesso desigual à informação”.
A sociedade civil e outros observadores entendem que muitos dos problemas das eleições passadas foram causados por membros de comissões eleitorais e outros funcionários actuando com interesses partidários, razão pela qual recomendam órgãos eleitorais verdadeiramente independentes.
Segundo a fonte poderá haver mais uma ronda de negociações, ao nível das chefias das bancadas parlamentares, com vista a alcançar consenso, tendo em conta que esta é política definida pelo Parlamento em relação à matéria de revisão da legislação eleitoral.
A reforma do pacote eleitoral arrancou em Maio do ano passado na Comissão de Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social e compreende sete fases até ao envio da proposta definitiva, em Maio próximo, para o debate em plenária da Assembleia da República.

(AIM)