Monday, 28 February 2011

Josué Bila e os Direitos Humanos


"Direitos Humanos: Perspectiva jornalística sobre Moçambique contemporâneo", é o título do livro de Josué Bila, moçambicano actualmente a residir no Brasil. O livro, com 22 artigos jornalísticos e 15 entrevistas, é produto do seu trabalho de jornalismo defensor de direitos humanos, nos últimos sete anos.
Para ampliar a imagem, aponte o rato para a imagem, premindo o lado esquerdo do rato.

“Nossa pátria será túmulo do capitalismo e da exploração”


“Avante operários camponeses, unidos contra a exploração... sempre avante unidos venceremos, socialismo triunfará”, hino da Frelimo

E ainda vaticinam o triunfo do socialismo: “sempre avante unidos venceremos, socialismo triunfará”. Ora, o socialismo não só não triunfou, como também está no túmulo que estava reservado ao capitalismo. Os exploradores que eles queriam combater, hoje, são eles mesmos.
Está a ficar mais claro que a Frelimo está dividida em facções. Neste momento, parece não haver dúvidas que o partido está dividido em três: a ala no poder; a do ex-chefe do Estado, Joaquim Chissano; e a dos conservadores, encabeçada por Marcelino dos Santos e Jorge Rebelo.

Lázaro Mabunda, O País. Leia mais aqui.

Património do Estado não é registado nas instituições públicas

Imóveis, veículos automóveis e outros bens são adquiridos pelas instituições do Estado, mas não são arrolados no inventário do Património do Estado, abrindo assim espaço para o seu desvio a favor dos dirigentes das respectivas instituições. Esta situação verifica-se em todas as instituições públicas, desde os ministérios até às direcções distritais, passando pelas direcções provinciais e outras instituições.

Canalmoz, 25/02/11. Continue lendo aqui.

Sunday, 27 February 2011

Quem tem medo de rever os contratos dos mega-projectos?

O Banco de Moçambique saberá melhor do que ninguém que os cofres estão praticamente vazios e se nada for feito isto poderá arder mesmo que desliguem as redes sociais e de telefonia móvel.
Estamos na terra do batuque. Não vamos esquecer que quando não há maçaroca para comer há maçaroca para bater. A própria Frelimo sabe bem que quando não havia sequer telefones foi possível levar a luta do Povo avante.

Editorial do Canalmoz/Canal de Moçambique. Leia aqui.

Líbia




Imagens na Internet

Saturday, 26 February 2011

Os falsaportes


O argumento da raça ou da tribo é um expediente fácil de usar, não precisa de manual de instruções e pode ter efeitos espectaculares. Em vez de se debater ideias, abate-se o outro. A manipulação deste tipo de fantasmas pode maltratar qualquer veleidade crítica em Moçambique...

Existem os passaportes. Mas existem os falsaportes. Há muito que se alertou que, no nosso caso, uns podem ser os outros. A reacção de quem devia escutar foi típica: defensiva, crispada, corporativa. Na nossa casa comum, para se ser escutado não basta falar. É preciso gritar. Quem acaba gritando (somos um povo pacífico, não é?) não são as pessoas. É a própria realidade. Aquilo que é impedido de florescer no momento próprio acaba sempre explodindo mais tarde.
Venho falar hoje de um interessante mecanismo de defesa tornado norma em Moçambique. É um truque, um malabarismo de retórica, um falsaporte para o diálogo de surdos. Para entender como funciona, podemos imaginar o seguinte cenário: um vizinho chama-me a atenção que posso ter ratos no meu quintal. Ele viu uns tantos a escapar do meu pátio. Em lugar de procurar investigar, eu desato a atacar verbalmente o vizinho. E acuso-o disto e daquilo. Chamo-o, por exemplo, de tribalista, regionalista e racista. Se os ratos fossem desses que se vendem nas lojas da Europa, todos gordos e branquinhos, o vizinho não teria falado. Mas como são ratos africanos, então, já há problemas. E já agora, inspirado no mais recente discurso de Kadafi, invocaria a condição de “ratos” com que ele brindou o seu povo e as ameaças de desratização que generosamente prometeu para “normalizar” a Líbia. O vizinho cala-se e o assunto morre. Mas os ratos não deixaram, por isso, de existir.
O caso do rato e do vizinho ilustra o processo de falsear o diálogo e de substituir a agitação de fantasmas pela análise da realidade. A primeira vez que escrevi sobre corrupção em Moçambique, um alto dirigente da nação respondeu, na revista Tempo, clamando que em Moçambique não havia corrupção. O seu “raciocínio” tinha por base o seguinte: o meu argumento era racista. Sendo eu de raça branca não suportava ver negros enriquecendo. E ponto final, colocava-se uma pedra sobre o assunto.
No meu artigo, porém, não se falava de raças, mas de fenómenos sociais que se situam acima, bem para além da falsa divisória das raças. Pouco importa, para o caso. A verdade é que algum tempo depois, pela força da evidência, o assunto da corrupção inscrevia-se, pelo menos formalmente, na preocupação do governo. Um gabinete de combate à corrupção foi mesmo criado. Poderia ter sido diferente se tivéssemos seguido o conselho de Samora Machel (estamos no ano dele) de matar o crocodilo enquanto estiver no ovo. A nossa arte parece ter-se tornado inversa: dá-se caça (?) à crocodilagem, quando ela já vai engordando no rio, quando temos medo de sermos vítimas dos seus dentes.
Há poucos dias, para rebater afirmações de Marcelino dos Santos, alguns dos seus colegas de partido, ao mais alto nível, vieram a público invocar o mesmo argumento da raça. Se Marcelino dos Santos vislumbra indícios de enriquecimento fácil entre quadros do seu partido é porque ele se aflige em ver “negros ricos”. Esta foi a lógica esgrimida. Estranho que se acuse agora de deslize de “racismo” alguém com as credenciais históricas de um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique.
O expediente de racializar o debate pode muito bem generalizar-se. Alguém critica a forma desleixada como os “chapistas” conduzem? A resposta dos condutores pode bem ser seguinte: criticam-nos apenas porque somos negros, alguém está a criticar a condução de outras raças? Imaginemos que alguém alerta para o crime da madeira (e do marfim) que sai pelos portos do Norte do país. Em lugar da investigação com resultados públicos e transparentes, deixamo-nos embalar pela vozearia de quem acha que essas acusações são de gente do Sul, que tem inveja do desenvolvimento de do Norte.
Em suma: o argumento da raça ou da tribo é um expediente fácil de usar, não precisa de manual de instruções e pode ter efeitos espectaculares. Em vez de se debater ideias, abate-se o outro. A manipulação deste tipo de fantasmas pode maltratar qualquer veleidade crítica em Moçambique. Uma sociedade sem critica é a nova modalidade do fascismo. É verdade que a democracia se mede pelo número de gente que vota e pelo modo legítimo e ordeiro com que decorrem as eleições. Mas a democracia mede-se, sobretudo, pela qualidade de pessoas que sabem, de forma positiva, questionar a política e a sociedade.
A nossa liberdade corre o seguinte risco: podemos falar de tudo, desde que não se fale de nada importante. Em lugar de um passaporte para o futuro, teremos, de novo, um falsaporte.

Mia Couto, O País

Kadhafi

Público

Negociação Renamo e Frelimo


A Renamo contraria a Frelimo e diz que o que estar a manter com o partido no poder são negociações e não conversações.
A Renamo não se abre acerca dos pontos que está a abordar com a Frelimo, num encontro que teve seu início entre os dias quatro e cinco do mês em curso.
Por outro lado a Frelimo também não comenta o fundo da questão e garante que se trata apenas de conversações entre as duas formações políticas
Mas estará a Renamo insatisfeita com os acordos de paz?
A Renamo entende também que representa metade da população moçambicana e por isso a Frelimo deve encarar com seriedade as referidas negociações.
A Renamo acredita que a Frelimo irá ceder às exigências?
Apesar da Renamo não se abrir tudo leva a crer que os principais assuntos estão ligados ao acordo geral de paz.

Fonte: TIM
Data: 25/02/2011

Friday, 25 February 2011

Frelimo assume que está em diálogo com a Renamo

Negociações sobre o futuro da democracia em Moçambique

Daqui a 45 dias, as delegações da Frelimo e da Renamo vão encontrar-se pela segunda vez para discutir e definir como será o futuro da democracia no país, através da revisão do Acordo Geral de Paz.
A Frelimo veio assumir publicamente que já está a manter encontros para diálogos com a Renamo, conforme as exigências do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, como forma de garantir a democracia em Moçambique. A revisão do Acordo Geral de Paz constitui um dos principais pontos de agenda.
As delegações dos dois partidos têm-se encontrado para discutir este assunto e tentar chegar a consenso.
Desde 2005, quando Guebuza tomou posse, esta é a primeira vez que o seu Governo aceita dialogar com a oposição.
De acordo com o porta-voz da Frelimo, Edson Macuácua, a Comissão Política desta formação partidária já criou, igualmente, a sua comissão de negociação, mas ainda não se conhece a sua composição. Macuácua revelou ainda que as duas delegações já mantiveram um encontro para se atender o pedido da Renamo e de Afonso Dhlakama.
“Quando a Renamo veio pedir negociações, nós dissemos que não aceitamos negociações, mas sim diálogo com eles, porque a Frelimo é um partido que defende a paz e defende ainda que só o diálogo é que pode levar ao consenso e ao desenvolvimento do país”, disse Macuácua, escusando-se, no entanto, a falar dos assuntos discutidos no primeiro encontro, remetendo-nos à Renamo, por ter sido ela “a levantar os assuntos. Não é ético sermos nós a divulgar esses assuntos, por isso, vocês devem falar com eles e, com certeza, eles vos dirão tudo”, sublinhou Macuácua.
Pela natureza do assunto submetido pela Renamo para debate pelas duas delegações, os dois dias de discussão do primeiro encontro não foram suficientes para esgotar os argumentos e chegar-se a consenso.
Assim, uma outra data já foi acordada entre os dois partidos para o segundo encontro, que a Frelimo considera diálogo e não negociação. O mesmo foi marcado para daqui a 45 dias.

Como tudo começou

A decisão de voltar a sentar-se com o partido Frelimo e discutir o Acordo Geral de Paz que vai determinar o futuro da democracia em Moçambique saiu da última reunião da Comissão Política alargada da Renamo, havida entre 29 e 31 de Outubro do ano passado, em Nampula.
Para o efeito, Afonso Dhlakama criou uma comissão de negociação com a Frelimo, através de um despacho assinado a 3 de Novembro de 2010.
A mesma é composta por três membros seniores da “perdiz”, nomeadamente, Alberto José Sabe, Meque Braz e José Ferreira Muivai, a qual detém poderes suficientes para contactar, dialogar e preparar protocolos e acordos a serem assinados pelas duas direcções máximas dos partidos Frelimo e Renamo.
A comissão do partido de Dhlakama tem ainda poderes de contactar organizações internacionais ligadas à democracia em África ou outras de mediação de conflitos do género.

MAGREB deve dialogar e não repreender manifestantes

A Frelimo entende que este caminho (diálogo) é o único a ser seguido por países do Magreb (África branca), que actualmente enfrentam manifestações populares contra os respectivos líderes e regimes políticos. Na opinião da Comissão Política deste partido, a violência só gera violência, por isso, os partidos no poder devem parar de usar a força e repreensão para dispersar os manifestantes.
“Perante as manifestações nalguns países da África do Norte, a Comissão Política da Frelimo condena veementemente o uso da violência para pôr termo às manifestações, porque, como se sabe, a violência gera violência e ceifa vidas humanas”, reiterou Macuácua, sublinhando que a única alternativa ao diálogo é o próprio diálogo, e a única à paz é a própria paz.


André Manhice, O País

Nota do José - O que está a ser discutido entre a Renamo e a Frelimo?
A Frelimo condena a violência para pôr termo às manifestações na Líbia.Essa postura também se aplica para manifestações em Moçambique?
A Frelimo já se manifestou, quando saberemos a posição da Renamo e do MDM?

Em Moçambique Pobreza tornou-se meio de atracção de ajuda externa para o Governo

– afirma o economista Professor Carlos Nuno Castel-Branco

Em Moçambique, a pobreza é usada como um meio pelo qual o Governo atrai recursos externos. É o economista Professor Carlos Nuno Castel-Branco que o diz. Disse-o em palestra proferida na tarde desta quarta-feira, em Maputo.
Aquele economista diz que a dependência externa tem laços políticos fortes e tendem a não ser produtivos.

Matias Guente no Canalmoz de 24/02/11. Leia mais aqui.

Líbia: Entre a Bela (Democracia) e o Monstro (Khadafi)

Muammar Khadafi poderá ser o ‘senhor que se segue’ – leia-se a ser derrubado – neste começo louco da segunda década do século XXI. Depois de Ben Ali na Tunísia e de Hosni Mubarak no Egipto, o ditador líbio está acossado por todos os lados, tendo já, no momento em que escrevo, quarta-feira à noite, perdido o controlo de grande parte do território, onde se inclui a cidade de Bengashi, a segunda maior do país.
Para já, o número de mortos na Líbia supera largamente o das outras revoltas, contabilizando-se já perto de mil vítimas – há ONG’s que falam em mais de duas mil – o que atendendo às populações – o Egipto possui 83 milhões de habitantes e a Líbia 6,5 milhões – a proporção de mortos na Líbia é assustadoramente superior.
Face aos meios que estão a ser utilizados no terreno, este elevadíssimo número de vítimas mortais não espanta. Khadafi , certamente muito perturbado com o que se passou nos vizinhos, entrou nitidamente a matar, tentando abafar quanto antes os revoltosos, ao mesmo tempo que pretendia desencorajar possíveis adesões.
Os meios que estão a ser utilizados são bem dissuasores: helicópteros e aviões de combate, snipers no topo dos edifícios e mercenários estrangeiros especialistas em contra-insurreição. As ordens são claras: atirar em tudo o que mexa.
Bem longe dos cassetetes, dos canhões de água e das balas de borracha utilizados na Tunísia e no Egipto. A comunidade internacional reagiu tarde ao massacre mas já disse que a morte indiscriminada de civis era um crime monstruoso.
Nesta altura do campeonato, os líbios têm perfeita consciência que ou é agora ou a queda do regime muito dificilmente será uma realidade nos próximos anos.
Ou entram na onda libertária da vizinhança e apanham a carreirinha que os livrará da ditadura psicopata do ‘Guia da Revolução’ ou conhecerão uma repressão bem pior do que a verifi cada no Iraque após a primeira guerra do Golfo, em 1991. Se Khadafi sobreviver a tudo isto seguir-se-á um massacre colectivo do povo líbio.
Disso niguém tenha dúvidas, basta ver a forma como ele discursou na televisão estatal no início desta semana chamando ratazanas aos revoltosos, ao mesmo tempo que decretava a pena de morte para todos os envolvidos nas manifestações.
Como exemplos de controlo de protestos falou de Tienamen, explicando que os tanques de Deng Xiaoping salvaram a unidade da China valendo bem mais do que a vida dessa gente que se manifestava; do bombardeamento de Falloujah no Iraque em 2004; e da reconquista, por ele próprio, da cidade de Darna aos sunitas o que custou a vida a seis mil civis. Agora, mais do que nunca, o povo líbio terá que ser estóico. Esperemos que, para o bem de todos – líbios e Mundo –, consiga ser.

Escrito por João Vaz de Almada, A Verdade

Thursday, 24 February 2011

A CULPA É SEMPRE DOS AMERICANOS, DOS FRANCESES, ENFIM, DA 'MÃO EXTERNA'!!!

O povo quando quer é capaz de fazer com que um governo ditatorial dance 'Makwaela' ao rítmo de 'xigumbaza'. Nem as balas cuspidas das mortíferas armas que usam para repelir o povo eufórico servem para inverter ou intimidar a marcha de uma revolução democrática em construção. Uma vez que boa parte dos ditadores estão velhos de caduco, para não acabarem nas efermarias dos hospitais em estado de coma, tal como aconteceu ao Ben Ali e ao seu ‘compadre’ Hosni Mubarak, sugeria que os restantes auto-proclamados ‘Heróis de África’ deixassem voluntariamente o poder, antes que os sismos populares os obrigassem a abandonar os reconfortantes palácios do povo. Extracto da palestra com os meus sobrinhos.

É coisa de teatro o comportamento de alguns ditadores como Muamar el Kaddafi, Laurent Gbagbo, Robert Mugabe, José Eduardo dos Santos, incluindo, neste cardápio, a Frelimo, que, quando a questão do dia é pedir socorro económico e financeiro para engordar os orçamentos dos seus respectivos governos e não só, mas também para incrementar as suas riquezas pessoais e das suas 'claques' contam, para o efeito, com a ajuda incondicional da dita 'mão externa', a mesma que, nos momentos de 'vulcão social' em que o povo diz basta aos regimes ditatoriais, até os gagos que perfilam nesses regimes conseguem soltar palavras de repúdio contra os doadores. Nada dura para sempre. Até os “enlaces de sangue” não duram para sempre, são desfeitos quando os tubérculos começam a escassear nas palhotas dos seus verdadeiros mandatários. Já dizia a nossa Rosária M'boa «tudo que voa, vem para baixo…».
Pois é, à terra desceu Ben Ali, Mubarak....Que Lúcifer lhes pague pelo trabalho prestado ao seu reino!!!
Nas manifestações de 1 e 3 de setembro (as mesmas que deixaram Maputo em estado de sítio e fez com que o governo da Frelimo se reunisse em sessão de emergência) vimos passar nas televisões figuras do partidão a declarar que àquelas manifestações eram oriundas do exterior. Entretanto, não respeitaram a vontade do povo, tão pouco quiseram ler os dísticos reivindicativos que o povo sofrido ergueu naqueles tristes dias; ao invés disso, desataram discursos enfadonhos acusando os doadores de ingerência nos assuntos nacionais. Dizem estas babuzeiras numa altura em que o governo conta, desesperadamente, com ajudas externas para fazer avançar certos projectos de desenvolvimento, sem o qual não haveria nenhuma inauguração, muito menos atribuição de nomes de camaradas às coisas públicas.
É preciso ter miopia ou sofrer de esquizofrenia para esquecer tudo isto em tão pouco espaço de tempo.
O mesmo acontece com o regime de Laurent Gbagbo, este companheiro de “escola de muitos ditadores” e fiel amigo de Dos Santos, o compadre do regime da Frelimo, que durante muitos anos contou com a ajuda externa sobretudo da França e dos Estados Unidos para criar um Estado financeiramente estável e promissor onde a questão dos direitos humanos era pontapeada a torto e a direito, mas quando foi a vez de este reconhecer a derrota e deixar a poltrona do poder para o candidato vencedor das eleições de novembro último, Alassane Ouatarra, não tardou em encontrar bodes expiatórios acusando a França e os Estados Unidos de ingerências nos assuntos da Costa do Marfim. Qual seria o interesse da França e dos EUA em derrubar Gbagbo (este “homo sapiens sapiens” que esteve no lugar certo e na hora certa quando o comboio da sorte passou pela estação da sua vida?, pois, em contrário, não seria ninguém), num país onde o investimento francês e americano supera o PIB nacional daquele paísl!!! É preciso ter pachorra para aturar este tipo de ditadores como Gbagbo que já amealhou um novo aliado (Jacob Zuma) na África do Sul.
A Líbia em chamas, o povo reclamando por 42 intensos anos de ditadura, o coronel Muammar al-Gaddafi acusa agora o ocidente de estar por detrás das manifestações populares.
Sem apresentar provas, fez uma série de acusações na televisão dirigidas a Administração Obama como se esta fosse a promotora da “revolução árabe”.
Jesus Maria José. Só mesmo Muammar.
Uma coisa, porém, é certa: quando vemos as imagens pela televisão, nada mostra que aqueles milhares de “excluídos da sorte” sejam lacaios do Ocidente; pelo contrário, o que vimos é um oceano de gente em estado de “raiva completa contra a ditadura” nos seus respectivos países.
Foram anos de completa submissão e isso, mesmo cá entre nós, fomos vacinados a não esquecer. É possível que eu esteja errado (nesta vida “maledita” é proibido ter certezas absolutas), mas para isso terão de me dar de comer muita 'papa maizena' para me convencer do contrário. Enfim, não vi nenhum general norte-americano acampar com os manifestantes na praça Tahir ou em qualquer outro lugar aceso (onde decorrem as manifestações)!
O nosso 'irmão Obama', pelo estilo da sua governação e pela coerência dos seus discursos, jamais quereria que a sua 'terra-mãe' (África) fosse um palco de tragédias. Seria o último desejo de Obama e até mesmo de Sarkozy em fazer arder um país africano, onde os seus respectivos países investem bilhões de divisas. Seria paradoxo e até certo ponto caricato que os estrangeiros, a tal 'mão externa' (franceses ou americanos), influenciassem os populares para depor o regime do coronel Gaddafi. Só faltava este episódio para completar a peça iniciada pela Frelimo e o seu protector, Robert Mugabe. É tarde demais para efectuarem reformas, o tempo é de mudanças. A “xigumbaza” vem aí, resta saber quem será a próxima “vítima”.

‘Kochikuro’ (Obrigado).

gentoroquechaleca@gmail.com

Gento Roque Cheleca Jr., em Bruxelas, no WAMPHULA FAX - 24.02.2011, citado no Moçambique para todos.

Convocação de protestos em Angola preocupa MPLA

“A Revolução do Povo Angolano”, o protesto terá lugar a partir da meia noite de 6 de Março na praça de Independência, na capital Luanda
Uma convocatória anónima para protestos populares no próximo dia 6 de Março em Angola tem levantado uma forte inquietação no seio do partido no poder, MPLA, que ameaça tomar medidas contundentes contra todos aqueles que, porventura, se façam às ruas na referida data. A mobilização, que é feita através de telefones celulares e por via de redes sociais, na Internet, visa o presidente José Eduardo dos Santos, que está no poder há 32 anos. De acordo com a página do Facebook denominada “A Revolução do Povo Angolano”, o protesto terá lugar a partir da meia noite de 6 de Março na praça de Independência, na capital Luanda, devendo de seguida espalhar-se por todo o país.
Sob o pseudónimo de Agostinho Jonas Roberto dos Santos, nomes dos líderes dos três movimentos de libertação de Angola, o organizador chamou o povo angolano para sair às ruas e marchar com cartazes pedindo a renúncia de Zé Du ( nome atribuído ao presidente angolano), dos seus ministros e seus próximos, acusados de corrupção.

O País

“Irmãos” angolanos anunciam início de manifestações anti-governamentais
A Verdade. Leia aqui.

Khadafi já perdeu todo o Leste da Líbia para a revolta popular


O líder líbio Muammar Khadafi perdeu já o Leste do país, que se encontra hoje nas mãos do movimento de revolta ao seu regime autoritário de mais de quatro décadas. As forças que permanecem leais ao regime de Trípoli concentram agora os combates no lado ocidental e todo o país parece mergulhado num caos sem lei nem ordem, a desmando de multidões armadas.
Com Bengasi – a cidade embrião dos protestos – e toda a província de Cyrenaica, na costa leste da Líbia, sob o controlo dos revoltosos, Khadafi tenta agora recuperar terreno na capital e asfixiar os sinais de contestação em Misurata, Sabratha e Zawiya, do lado ocidental. Algumas das cidades do lado ocidental parecem começar a dar sinais de capitulação para a revolta, mas as estradas entre Trípoli e as fronteiras tunisina e argelina permanecem nas mãos de grupos leais a Khadafi ou entregues ao banditismo.
Centenas de pessoas em fuga da violência passam a fronteira para a Tunísia com o mesmo desejo: “Que Deus os ajude”, a todos quantos ficaram para trás. Trípoli é uma cidade cercada por postos de controlo militares, com as ruas desertas à excepção de grupos armados pró-regime em patrulhas contínuas a intimidar os residentes aterrorizados em suas casas. “Muitas pessoas estão a desejar que chegue gente do Leste ou que os soldados desertem, para os ajudarem”, relatava o correspondente da BBC em Trípoli.
Funcionários públicos e outros trabalhadores têm vindo a receber hoje mensagens escritas nos seus telemóveis, enviadas por responsáveis governamentais, instando-os a regressarem ao trabalho na capital. Mas o medo impera, e também uma nova forma de contestação a Khadafi: “Espero que as pessoas não vão trabalhar, essa pode ser a nossa maneira de protestar pacificamente. Vamos ficar em casa indefinidamente”, afirmou um residente de Trípoli à BBC.
Ao fim de dez dias de convulsão no país, a Federação internacional das ligas de defesa dos Direitos Humanos actualizou em alta o balanço de mortos para 640 pessoas (275 na capital, 230 em Bengasi) – quando as autoridades líbias não reconhecem ainda mais do que uma contagem oficial de 300 mortos.
Já esta manhã, porém, o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, cujo país é o principal parceiro económico da Líbia, avaliava que uma outra estimativa não oficial, a ascender dos mil mortos era “bastante credível”.
De resto, um médico francês que regressou a Paris na segunda-feira vindo de Bengasi, avaliou que só naquela cidade morreram duas mil pessoas, vítimas de bombardeamentos de aviões e atiradores furtivos militares e paramilitares a mando de Khadafi.
“Havia snipers em todo o lado em Bengasi. Dei comigo a atirar-me para o chão nas ruas, no meio de toda aquela carnificina. Tentei reanimar um dos meus alunos, que ia comigo... uma bala atingira-o na cabeça, saiu-lhe pela boca. Naqueles primeiros dias [da repressão aos protestos] a polícia empilhava os corpos nas ruas, para intimidar quem queria continuar a manifestar-se. Mas eles não se deixaram assustar, continuaram. Eles sabem, sentem, que ou o regime cai esta semana ou jamais cairá”, descreveu o clínico, Gerard Buffet, à revista francesa “Le Point”.
Mas hoje, em Bengasi celebra-se o sucesso da revolta popular na região, de onde militares e polícias fugiram ou desertaram para o lado dos manifestantes ao longo dos últimos dias. Nas ruas são empunhadas bandeiras líbias da era pré-Khadafi – o qual chegou ao poder no golpe militar de 1969 que depôs o rei Idris – e é distribuída comida e bebidas.
E, à semelhança de Bengasi, muitas outras cidades do Leste do país, desde a fronteira com o Egipto até Ajdabiya – a 800 quilómetros para Leste de Trípoli – estão agora sob o controlo das forças anti-regime.

A Verdade

Wednesday, 23 February 2011

13,5 milhões de pessoas sem habitação condigna


MAIS de 13,5 milhões de habitantes, o correspondente a 2,5 milhões de famílias moçambicanas, não têm ainda habitação condigna. A maior parte destas pessoas, aproximadamente três quartos, vive em condições e bairros considerados informais, sem as mínimas e convencionais condições de habitabilidade, nomeadamente o acesso a serviços e infra-estruturas básicos, como sejam água canalizada, arruamentos, saneamento e energia eléctrica.
Esta revelação foi feita semana passada pelo Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Fomento de Habitação (FFH), o arquitecto Rui Costa, no decurso do lançamento do projecto de construção de 25 casas na cidade do Chimoio, província de Manica, destinadas a jovens através de crédito.

Notícias. Continue lendo aqui.

Ministro do Interior ao lado do povo contra Kadhafi


Ministro do Interior líbio e general do Exército, Abdul Fatah Yunis demitiu-se e apelou às Forças Armadas para que se unam ao povo. Muammar Kadhafi dirigiu-se ao país para garantir que não vai abandonar o poder e, se necessário, morrerá "como um mártir". Força Aérea voltou a bombardear várias zonas de Tripoli. Revolta popular já custou a vida a 560 pessoas e outras 1400 estão desaparecidas. Clique para visitar o dossiê Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente

Expresso

NOTA DO JOSÉ = A Liga Árabe resolveu suspender a Líbia enquanto a União Africana continua silenciosa.

Scala vai reabrir


REABRE dentro de dias a lendária Pastelaria Scala, na baixa da cidade do Maputo, após um longo período de interregno. O “novo” Scala vai funcionar num espaço diminuto comparativamente ao que foi no passado, voltando finalmente a servir pastéis, bolos, chá, café, sumos, refrigerantes, entre outros produtos típicos de uma pastelaria.

Maputo, Quarta-Feira, 23 de Fevereiro de 2011:: Notícias

Trata-se do último compartimento de um total de quatro divisões “repartidas” do antigo salão de chá. Assim, os restantes espaços dedicam-se à comercialização de material auto e de confecção de roupa.
A reabertura desta pastelaria, na óptica dos novos gestores, prende-se com o facto de “Scala” tratar-se de um espaço que os citadinos, turistas nacionais e estrangeiros sempre procuraram e “exigiram” a sua reabertura, pois todos compreendem que o lugar é um dos patrimónios e um ex-libris de Maputo, a cidade das acácias rubras.
“Esta pastelaria foi sempre uma referência na capital e marcou muitas gerações. A ideia é de tentar torná-lo novamente num cartão de visitas que foi nos tempos idos”, observou Muniz Vali, numa breve conversa com o nosso jornal.
Neste momento, decorrem os últimos detalhes da reabilitação interna e a colocação de mobiliário afim para a sua reabertura dentro de dias.Reina uma grande expectativa, já que as suas dimensões são pequenas, receando-se que não possa acomodar um número razoável de clientes quer da nova geração quer da antiga que têm o local como referência.

PYONGYANG E MAPUTO TÃO DISTANTES MAS TÃO PARECIDAS

Mesmo com cólera e fome os banquetes continuam…
Quanto custa promover o culto de personalidade? Quem paga?


Não se advoga o fim das comemorações nem da celebração de datas com significado importante para uma nação. Não se pode parar de viver e deixar de cumprir agendas previamente estabelecidas. Não se pretende entrar pelo caminho da austeridade pelo facto em si ou por ser algo religiosamente cultivado ou instituído. É politicamente correcto e está na moda. Também os que afirmam que para governar é preciso gastar não deixam de ter razão. Só que tudo tem os seus limites e deve ser criteriosamente analisado pois cada caso é um caso.

Noé Nhantumbo no Canalmoz. Continue lendo aqui.

Tuesday, 22 February 2011

Iraê Lundin emite “alerta vermelho” aos governantes


“Quem sustenta o governante é o povo; quem o legitima é o seu povo"

A investigadora Iraê Lundin disse que os governantes que não respeitam o poder dos seus povos poderão ser afectados pela onda de manifestações que se alastram um pouco por toda a África. “Aquele governante que está no poder pela força - até pode ter sido eleito de maneira legítima, mas não se comporta, hoje, no sentido de considerar as regras democráticas - fomenta a corrupção, não considera o bem-estar do seu povo, não lembra que o poder é muito bom e é sustentado pelo povo. Se isto acontece, acho que esse governante pode ficar de alerta”, disse Lundin.
“Quem sustenta o governante é o povo; quem o legitima é o seu povo. O governante que foi posto no poder por eleições justas, livres e transparentes, e que no exercício do poder as suas acções concorrem para consolidar essa legitimidade, esse governante pode ficar muito tranquilo; ele vai cumprir o seu mandato e o povo vai estar ao seu lado”, acrescentou.
A investigadora acredita que a questão de fundo tem que ver com a legitimidade, uma vez que alguns governantes começam com um elevado grau de legitimidade, porém, à medida que o tempo passa, essa legitimidade reduz quando começam a tentar alargar os seus mandatos para além do que está consagrado na constituição.
Em relação ao congelamento das fortunas dos presidentes depostos no âmbito das revoltas populares, Lundin acusou algumas instituições ocidentais de hipocrisia. “É interessante que cada vez que Ben Ali ou Hosni Mubarak enviavam dinheiro para bancos ocidentais nunca lhes era questionada a proveniência do mesmo.

Inocêncio Tamele, O País

O Norte de África e as profecias auto-suficientes


E CÁ estou eu de novo em missão apologética. É de certeza assim que alguns vão ler este texto. Os eventos que abalam o Norte de África, e que já conduziram à queda de dois líderes autocratas, estão a provocar furor no nosso seio. A pergunta que se coloca é a seguinte: será que isto também vai acontecer entre nós? Essa é a pergunta, mas a intenção subjacente é de saber quando isso vai acontecer entre nós.
Tudo isto é acompanhado por perguntas retóricas em relação à postura intelectual dos que hoje saúdam os egípcios e tunisinos pelo que fizeram, mas ontem apelidaram de “vândalos” os moçambicanos que se fizeram à rua na sequência do aumento de preços de produtos de primeira necessidade. É uma situação tipicamente nossa: maldade na leitura e interpretação dos que defendem pontos de vista diferentes e precipitação na análise de fenómenos.
É bom que eu explique isto bem para não sofrer os mesmos tipos de acusação.
A pergunta de base é simples de responder. Será que o que acontece lá pode acontecer cá? Claro que pode! Vai acontecer? Os videntes que passam por analistas sabem isso melhor do que qualquer um de nós. Pode não acontecer hoje, nem amanhã. Mas se um dia acontecer (e eles terem dito já que vai acontecer) eles sempre vão poder gritar bem alto que disseram, não disseram?
Pode parecer enfadonho, e pouco, mas é preciso repetir um reparo: na análise de fenómenos sociais, políticos e mesmo económicos não é a previsão em si que é mais importante, mas os critérios que são convocados para sustentar essa previsão. Igualmente, na análise do que torna protestos possíveis não é apenas a constatação duma correlação (governo mau, logo, medida má, logo protesto popular) que é importante, mas sim a compreensão profunda de todos os factores intervenientes que podem contribuir localmente para determinados resultados. A insistência doentia com que alguns teimam em ignorar estes reparos torna difícil a contextualização do que está a acontecer no Magrebe.
E inviabiliza também a possibilidade de se aprender do que está a acontecer lá.

Elísio Macamo no Notícias. Continue lendo aqui.

Monday, 21 February 2011

O QUE CORRÓI MOÇAMBIQUE?


Os “Think-Tanks” nacionais tem uma palavra a dizer…

Quem quiser ser objectivo e sincero, intelectualmente honesto só pode encontrar as causas dos cancros que corroem este belo e martirizado país num só lugar: na política de exclusão engendrada pelo partido FRELIMO. Teimosia e intolerância, apropriação pura e simples de um país em nome de um suposto direito que advém do facto de seus dirigentes terem participado na luta anti-colonial. Desprezo total e completo dos outros e implantação de um regime baseado no medo, na repressão e na proibição do direito à informação, reunião. Se temos na actualidade algumas liberdades e se nos é permitido escrever e falar publicamente é porque depois de uma sangrenta e longa guerra civil os estrategas da Frelimo decidiram que tinham já montado um esquema que garante a esta continuar a controlar o país através da monopolização de áreas vitais da economia. Petróleo, banca, telecomunicações, construção civil, importação e exportação, tudo está sob controlo estreito da Frelimo através de seus pontas-de-lança.

Noé Nhantumbo no Canalmoz de 18/02/11. Continue lendo aqui.

As lições das revoluções egípcia e tunisiana

..se é a nobreza que comanda o exército, é o terceiro estado (povo) que o compõe; se a nobreza verte uma gota de sangue, o povo derrama torrente; a nobreza esvazia o tesouro, o povo enche-o; numa palavra, o povo paga tudo e não beneficia de nada”.

O continente africano vive, nos últimos dias, um novo fenómeno: as manifestações populares que culminam com as quedas de governos ditatoriais e prepotentes. É, na verdade, uma segunda vaga de independências, desta vez, contra colonizadores africanos, os mesmos que expulsaram o europeu em nome da libertação da terra e do homem. Contrariamente às primeiras independências, as actuais independências visam libertar economicamente o continente africano de um grupinho de governantes que enriquecem à custa do tesouro produzido pelos pobres e desgastado povo africano. Refiro-me a um grupo de nobres africanos – cá em Moçambique também temo-los – proprietários de grandes empresas, mega-projectos, enormes extensões de terras. Uma nobreza cuja proveniência da sua riqueza se desconhece, cujos filhos são também grandes empresários, frequentaram e continuam a frequentar as maiores e melhores escolas e faculdades europeias e americanas, quando os de pobres se amontoam debaixo de árvores, sem carteiras, sujando todos os dias a sua pobre roupa, no entanto, sem dinheiro para adquirir detergentes para a limpeza. As suas aulas dependem das condições climatéricas. Quando chove, faz frio e vento, não há aulas. Os nossos governantes sabem que “aqueles que, graças ao poder, ao nascimento ou à riqueza, beneficiam de privilégios devem tratar todos como iguais, evitando humilhações e exigências despropositadas”, porque a violação deste princípio é que originou a escravidão.
Diderot, filósofo iluminista, um dos autores da enciclopédia, a partir de 1751, dizia que, “nos países submetidos a um poder arbitrário, os príncipes, os cortesãos e os ministros dispõem livremente de toda a riqueza da nação, enquanto os restantes cidadãos não têm senão o estritamente necessário ou, na maior parte dos casos, vivem na pobreza. Nenhum homem recebeu da natureza o direito de dirigir os outros(...). O poder que se baseia na violência não é mais do que uma usurpação e só durará enquanto durar a força do usurpador e a submissão dos dominados. Quando estes sacodem o jugo e expulsam o tirano, fazem o uso de um direito legítimo. O poder que deriva do consentimento do povo pressupõe regras que o tornam legítimo”.
Decidir que o filho de escravo nasça escravo e de pobre nasça pobre é, segundo Jean Jacques Rousseau, filósofo e autor do Contrato Social, em 1762 - ideias que precipitaram a revolução francesa -, “decidir que ele não nasça homem. (...) no contrato social, a minoria deve submeter-se à vontade da maioria – é uma consequência do próprio contrato. As decisões que devem prevalecer são aquelas que representam a vontade geral”. No nosso país, está a acontecer o contrário, a inversão dos princípios do contrato social. As decisões que prevalecem são de cerca de três dezenas de governantes e não da maioria dos 20 milhões de moçambicanos . Por exemplo, decidiram que o pobre não pode ter direito a passaporte justamente porque é pobre e não possui condições para viajar para fora de Moçambique, esquecendo que passaporte é um documento de identificação a que todo o cidadão, independentemente da sua condição financeira, tem direito.
Uma coisa é certa: o nascimento de um novo mundo, tal como dizia Thomas Paine, no “O Senso Comum” – ideias das revolução das 13 Colónias Inglesas –, está ao alcance das nossas mãos. O que os egípcios e tunisianos fizeram foi apenas materializar este princípio. O jovem tem de ter em mente que quando, no decurso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo romper os laços do passado e políticos que o prende a um partido ou Governo, essa necessidade deve forçosamente realizar-se, sobretudo quando esse passado é usado para criar desigualdades sociais e económicas.
“Temos o direito de enriquecer porque lutámos por este país”, dizia Alberto Chipande. Quer dizer, se nós quisermos enriquecer, também temos de lutar por este país. Chipande pronunciou-se sem imaginar o precedente que abria para um futuro imprevisível, num país em que o custo de vida castiga o cidadão que o elegeu, o pobre tornou-se mais pobre e o rico cada vez mais rico.
Os nossos governantes nunca podem esquecer-se de que, tal como estipulava a Declaração da Independência dos EUA, saída do Congresso de Filadélfia, a 4 de Julho de 1776, “Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos e o seu justo poder emana do consentimento dos governados. Todas as vezes que um governo se torna contrário a esses objectivos, o povo tem o direito de o mudar ou de o abolir e estabelecer um novo governo”.
Na verdade, foi esta declaração que precipitou os movimentos iluministas em todo o mundo, com maior evidência e fulgor para a França, onde isso criou condições para a queda da monarquia absoluta e a consequente execução, na guilhotina, do rei Luís XVI, a 21 de Janeiro de 1793.
O rei caiu porque não queria ceder às exigências do povo, maioritariamente pobre e sufocado de impostos. Foi na sequência disso que o povo elaborou e apresentou um “caderno de queixas” em que dizia: “fechar à classe mais numerosa e mais útil o acesso aos empregos e cargos honrosos é sufocar o génio e o talento (...). Só os nobres gozam de todos os privilégios. Desta forma, a nobreza beneficia de tudo, possui tudo (...). Entretanto, se é a nobreza que comanda o exército, é o terceiro estado (povo) que os compõe; se a nobreza verte uma gota de sangue, o povo derrama torrente; a nobreza esvazia o tesouro, o povo enche-o; numa palavra, o povo paga tudo e não beneficia de nada”.

Lázaro Mabunda, O País

Sunday, 20 February 2011

A cidade por cima da cidade


Maputo chegou a ser uma das cidades mais bonitas de África, devido à beleza arquitectónica dos seus edifícios. Mas agora o centro da cidade, algumas ruínas de edifícios históricos, e as construções nos topos dos prédios, ilustram o declínio que representa a ausência de uma política de urbanização.
Quando se caminha por alguns bairros do Distrito Urbano de KaMpfumo, sobretudo o da Malhangalene, na capital do país, não é preciso redobrar a atenção para ver que nasceram novos edifícios no topo dos prédios de dois, três e quatro andares. Construções precárias que não obedecem a nenhum tipo de normas arquitectónicas.
As pessoas constroem, ora porque alugam as suas residências para reforçar o já deficitário rendimento familiar, ora porque o agregado familiar cresceu e teve de se improvisar espaço para os que vieram.
Mas nem sempre foi assim: Em 1980, do Alto-Maé ao bairro Central era aconselhável que a densidade populacional se situasse entre 200 e 300 mil habitantes por hectare.
Essa conclusão foi retirada de um plano feito em 1985 pelo Instituto Nacional de Planeamento Físico (INPF), o qual preconizava que uma família média tivesse cinco pessoas.
Um cenário que apenas os bairros da COOP e Sommershield corporizavam naquela ano. Ou seja, nos bairros do Alto-Maé, Central e Malhangalene, nessa altura, já era frequente encontrar flats do tipo dois com 14 a 25 pessoas.
Nessa altura, refira-se, fez-se a nivelação do piso do bairro do Maxaquene, entre 1978 e 1980, na perspectiva de instalar infraestruturas adequadas, criar espaços livres e abrir ruas em condições. Igual trabalho foi feito no Polana Caniço-A como forma de resolver o superpovoamento do Alto-Maé, Central e Malhangalene.
Uma intervenção, diz-se, bastante cara mas que resultou infrutífera porque não teve correspondência na capacidade financeira, técnica, material e de gestão que permitisse a urbanização que se pretendia em benefício da população. A área dividida em talhões estava calculada para beneficiar 60 mil pessoas, número que subiu para 100 mil na altura da ocupação.

Densificação demográfica violenta

A densificação da cidade de Maputo não obedeceu ao movimento normal que se verificava na altura em que o país fez o estudo da população, o qual referia que as estruturas físicas de Maputo e Matola estão ligadas, embora administrativamente pudessem estar separadas.
O director do INFP, em 1980, numa entrevista para a revista Tempo, sustentou que a densificação em flecha e desordenada veio alterar em certa medida o que o plano continha nas suas hipóteses.
Ou seja, se a população da cidade de Maputo era de 650 mil habitantes, em ‘80, previa-se um crescimento de 2,8 porcento o que traduziria, em 1985, um milhão e 35 mil habitantes. “Em verdade, porém, o que está a acontecer é que não há um crescimento natural, mas sim uma violentação demográfica, na forma galopante como a população está a aumentar”, referiu.

Casas em cima de casas

Contemplando os terraços dos edifícios no largo de Minho, no bairro de Malhangalene, vêem-se várias casas a ser arquitectadas, bem como telhados dos quais sobra apenas o nome e alguns vestígios dum passado cheio de beleza e brilho.
Na rua de Viseu assiste-se a pior cenário, numa fileira de prédios cujos últimos pisos estão alienados por estas construções, escapando apenas o primeiro à entrada da rua, quiçá porque o tecto terá desabado.
Essas obras são normalmente do tipo 1 e 2 com sala, quartos, cozinha e casa de banho feitas de bloco ou tijolos de 10 e de 15 centímetros, cobertas de madeira e zinco e desprovidas de vigas ou pilares, abrigando em média agregados familiares de três pessoas.
Contêm no mínimo uma cama, estante com televisor e aparelhagem sonora, uma mesa de 4 cadeiras, tambor de 110 litros e alguns bidões de 20 litros, “boquisso” (guarda-roupa) entre outros bens pesados.
O pouco espaço que a casa não ocupa serve de quintal, onde se lava roupa, sendo o destino da água incerto, confeccionam-se os alimentos, moe-se amendoim e milho, organizam-se festas nas quais se dança a noite toda, enquanto noutro tempo os petizes brincavam às escondidas, saltavam a corda e muito mais.
A baixa da cidade não está isenta dessas construções à margem da estrutura urbana (povoar por cima ou além da área traçada) bastando apenas olhar atenciosamente para o topo de alguns edifícios para enxergar os traços da luta por onde esconder a cabeça.
Algumas dessas “casinhas” são pertenças de moradores, resultado da incapacidade da flat para acomodar todos os membros da família, exiguidade de espaço estratégico na urbe, bem como para fins de aluguer da flat.
“As casas (com todo o orgulho) são nossas e construímo- las porque a flat ficou pequena, só assim conseguimos ampliar o espaço habitacional e muitas coisas lá fazemos à semelhança de quem mora num quintal suburbano” contou ao @Verdade uma das moradoras dessas casas na rua de Viseu, no prédio designado Espanha, acrescentando que “se houvesse algum perigo há muito que teria acontecido algo.”
Essa situação de morada no cume do prédio não agrada a todos, caso desse morador que ocupa um dos andares inferiores que se mostra indignado e sem ter o que fazer senão conformar- se.
“Uma vez que o município lhes concedeu licença para executar essas obras, nada mais podemos fazer, somente eles sabem das razões para construir lá em cima, sendo um dos maiores incómodos diários a água usada, que quando desce torna o rés-do-chão uma autêntica imundície”.

O que é permitido

De acordo com o decreto nº 2/2004 (Regime de Licenciamento de Obras Públicas) aprovado pelo Conselho de Ministros a 16 de Março de 2004 estão dispensadas de licenciamento as obras particulares: de conservação, restauro, reparação ou limpeza, quando não impliquem modificação de estrutura.
No interior dos edifícios ou de fracção autónoma quando não impliquem modificação da estrutura existente, das fachadas, da forma dos telhados, do pisos, ou aumento do número de fogos.
São igualmente dispensadas do licenciamento a execução de pavimentos, muros, trabalhos de ornamentação no interior dos terrenos particulares floreiras e pequenos muros com altura não superior a um metro.

Um edifício alto deve ter por norma um terraço - Domingos Macucule, mestrado em Arquitectura

“O terraço é uma zona não edificante, restrita à utilidade pública e de segurança, entre várias situações; em caso de ocorrer um incêndio é por lá onde se faz o resgate das pessoas, uma vez que hoje as varandas estão supergradeadas”, refere. Aliás, “essas construções põem em risco a segurança dos moradores e do próprio prédio, perturbam o sistema de evacuação da água e de esgoto.”
Definitivamente, diz, a construção nos terraços é um atropelo à lei, por isso a edilidade não deve licenciar a realização dessas obras como forma de salvaguardar a segurança dos próprios munícipes. Mas: “em caso de necessidade de uso pode-se ocupar no máximo 25% a 50% do terraço não para fins habitacionais, mas como área de apoio à flat para armazenar alguns bens de baixo porte”, sublinhou.
Apesar disso, para Macucule a construção nos terraços não pode ser vista apenas como problema, mas também como solução doutro problema urbanístico, pois enquanto a pessoa constrói e habita nesse terraço continua a beneficiar das facilidades que a cidade oferece; o mesmo pode não acontecer em caso de morar fora da cidade onde devem ser criadas infra-estruturas que liguem às pessoas à vida da urbe.
Outro problema, diz, é que isso denuncia a rejeição deliberada do sistema urbano herdado dos portugueses construído num outro plano de conjuntura social. Já que, até hoje a edilidade não se preocupou em ajustá-lo à actual realidade e exigência social, as pessoas tendem a actualizá-lo por si mesmas. Entretanto, “há a necessidade de se rever ou mesmo mudar o mecanismo de planeamento da cidade e, acima de tudo, reflectir-se sobre que cidade se pretende no futuro”, concluiu.

Deve-se criar um sistema de controlo - José Forjaz, Arquitecto

“A origem destas construções assenta na pobreza e na incapacidade de controlo do Concelho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), aliás, é natural, não é uma acusação que eu esteja a fazer”, refere José Forjaz. Até porque “não é possível dentro do orçamento da edilidade não haver um corpo capaz de controlar as construções que se fazem.”
O arquitecto aponta a criação de um sistema de controlo a nível dos bairros como solução para o problema. Mas antes defende o levantamento do número de construções existentes. “Estas edificações são fáceis de se erguer e difíceis de se destruir”, explica. O outro problema mais difícil é o de habitação em Maputo, motivado pelo elevado índice de pobreza rural e urbana, que só terá solução quando o nível de vida subir para toda a gente, pois (hoje) há gente a ficar cada vez mais indigente, enquanto outros se tornam abastados. Em geral essas construções são algo precárias e os edifícios altos são desenhados com margem de segurança, daí que se esteja provavelmente ainda longe de perigo iminente. No entanto, para uma resposta cabal e responsável é necessário analisarse caso a caso.
Trinta e cinco anos passam depois que o Estado moçambicano nacionalizou o parque imobiliário. No entanto, o grau de conservação dos imóveis deixa muito a desejar. Alguns edifícios clamam por uma urgente reabilitação de raiz. Paredes furadas, com rachas e sem cor que não fazem jus ao lema Maputo - Cidade Próspera, Bela e Limpa.
Outro denominador comum é o estado dos telhados e terraços, dos quais pouco ainda pode se ver senão vestígios que permitem apenas testemunhar que algum dia foram dignos dessa designação. Janelas sem vidros nem rede e deficiente sistema de esgoto, drenos e fossas que libertam excrementos nos mesmos espaços de que o homem se serve para circular, bem como conferem à cidade um cheiro bafiento. Na fileira de edifícios assentes ao longo da avenida Eduardo Mondlane, a escassos metros da esquina com Guerra Popular, o capim e trepadeiras têm lá o seu abrigo.
Forjaz apela para que se encontrem soluções para pôr as casas em condições, porque as pessoas que outrora habitavam nelas tinham uma capacidade financeira 30 vezes maior do que estas que hoje as ocupam. “O seu rendimento não é suficiente para substituir o vidro partido, pintar as paredes, reabilitar aqui e ali”, sublinha. Por exemplo, “quem ganha dez mil meticais de salário, que é três vezes mais do que o salário mínimo, ao cuidar da alimentação, do vestuário, do transporte, da educação e da saúde, sinceramente, nada lhe resta para olhar pela casa”, conclui.
Em suma: de uma forma bastante real, Maputo é um mundo perdido – ou pelo menos uma cidade perdida onde a magnificência do seu passado é evidente em todo o lado.

A Verdade

Saturday, 19 February 2011

Quem pode investir em Moçambique quando não se tem um governo sério?

Todos os anos, desde há vários anos, talvez décadas, ouvimos que o País precisa de mobilizar investimentos. Ministro para aqui, ministro para ali, funcionários do Centro de Promoção de Investimentos a viajar por tudo o que é lugar, jantares, almoços nos melhores restaurantes do País e do Mundo, apresentações públicas e mais apresentações quase todos os dias dentro e fora do País, conferências de imprensa espectaculares, um vaivém enorme de figuras do Governo e de instituições públicas para vários destinos, missões particulares e oficiais de outros países de visita a Moçambique, tudo isso tem acontecido para criar a ideia de que tudo vai ser um mar de realizações no nosso País. Mas os resultados não correspondem ao movimento que tem havido e muito menos correspondem ao enorme investimento público que se tem feito em Moçambique para convencer e mobilizar os tais investidores. Gasta-se mais no espectáculo para criar a ilusão de progresso do que se vê de progresso real. Os estudos do Instituto Nacional de Estatística já provaram isso.

(Canalmoz / Canal de Moçambique)

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We are our own liberators

Zimbabwe is neither Tunisia nor Egypt. Far from it! In fact, Zimbabwe's political predicament is far worse than that of these two North African countries before their recent revolutions.
But events in the two countries have certainly planted ideas in Zimbabweans' minds that may influence the country's future in a significant way.

Trevor Ncube, Mail & Guardian.

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Friday, 18 February 2011

OS VERMES JÁ ESTÃO SOLTOS E A ORQUESTRA JÁ COMEÇOU A TOCAR

Clivagens e rupturas na Frelimo definem o momento político…mas os moçambicanos querem muito mais!...

As afirmações de figuras importantes da nomenclatura frelimista que de há algum tempo a esta parte aparecem desferindo golpes verbais contra seus camaradas, têm muito que se lhe diga. Que demonstram insatisfação com a maneira como está sendo governado o País, não há dúvidas para ninguém. Que também são atitudes a vincar o que sempre defenderam e a recusar que as opções do passado sejam contornadas e consideradas defuntas para o jogo político nacional, pode ser. Mas o que objectivamente não deixa dúvidas é que preocupa os ‘kingmakers’ de ontem, que a sua posição e prerrogativas sejam colocadas em risco e que todo o seu passado de “glória” esteja a ser chamuscado pela indiferença com que os tratam hoje? É também uma leitura… Os tempos são outros e o que servia ontem já não responde às necessidades de hoje.

Noé Nhantumbo, no Canalmoz de 15/02/11. Continue lendo aqui.

PORQUE É QUE A BEIRA TEM DE “PARAR” PARA RECEBER O PRIMEIRO-MINISTRO?

Eu não sei porque razão certos homens, a meu ver, quanto mais pequenos são maiores querem parecer. António Aleixo, poeta português

Já estava concluída e pronta para fazer publicar a crónica sobre o valor do artesanato no desenvolvimento de Nampula quando constatei que, na nossa imprensa doméstica, as notícias sobre a visita do Primeiro-ministro, Aires Aly, à província de Sofala eram publicadas às carradas para o consumo dos leitores.
Parecia que estávamos no tempo fértil do Comunismo em que os jornais eram telecomandados a partir de um farol ideológico do partido no poder, extremamente feroz, que sustentava os débeis pilares do sistema até então vigente no país.
Como de um califa de Bagdad se tratasse, grande parte das redacções dos jornais e das rádios nacionais disponíveis online, incluindo alguns ‘blogues’, quase que todas estas ‘vuvuzelas’, diga-se, úteis da comunicação social deixaram de lado os principais entraves do desenvolvimento do país, nomeadamente a problemática da fome, da miséria, da corrupção óssea, do desemprego crónico, do analfabetismo, do “lambebotismo” – males que devem ser atacados todos os santos dias do ano, sem nenhuma interrupção, de modo a evitar a hereditariedade e a proliferação dos mesmos, porquanto as coisas más tendem a criar escolas e novas vagas de alunos no país.
No lugar disso, de activar o antivírus contra estes entraves, assistimos os mesmos rituais de sempre quando um determinado dirigente do poleiro visita as províncias do país, a imprensa faz dele Messias, até é capaz de fazer descrições miraculosas, como se esse dirigente fosse o adamastor da razão e Moçambique fosse apenas Maputo. Às vezes é preciso perder algumas horas a reler o espólio jornalístico de Carlos Cardoso e do professor Carlos Serra, para perceber que fazer jornalismo não é “polir o governo do dia”. Bajulação desmedida pode levar à dependência crónica. Mas, não escrevi esta crónica para dar sermão aos nossos jornalistas, porquanto o leitor saberá - como sempre - diferenciar o trigo do joio.
Voltemos à meada. À semelhança do Presidente da República (exceptuando apenas no aparato de segurança), a visita do Primeiro-ministro, Aires Aly, às províncias do país é um autêntico festival de peripécias. Por um lado são as tolerâncias de ponto esforçadas que se verificam quando este e a sua comitiva escalam um determinado ponto do país, depois são os funcionários do Aparelho do Estado que deixam de produzir riqueza para o país (para recepcionar o Primeiro-ministro); as escolas também seguem a mesma onda e tiram alguns dias de folgas porque é preciso levar as nossas crianças ao aeroporto e/ou ao local do discurso para que o Primeiro-ministro as veja dançar ‘makwayela’; os mercados informais encerram as portas por algumas horas, porquanto é preciso convidar as ‘mamanas’ desses mercados para que se mostre ao visitante os raros passos da arte dançarina do nosso vasto Moçambique.
Ademais, as reuniões fecundam novos parasitas e solidificam os já existentes na fileira, cujas funções resumem-se sobretudo na bajulação e na apresentação de relatórios quiméricos de uma situação bem diferente do real (dolorosa).
A História parece repetir-se. Na primeira visita à província de Sofala, o Primeiro-ministro, Aires Aly, foi alvo de uma recepção espectaculosa. Segundo apurei de alguns ‘Munas’ (irmão em macua) residentes na cidade da Beira disseram-me tratar-se da primeira vista daquele dirigente à província de Sofala, por isso era necessário “caprichar na ornamentação” e na bajulação. Porém, não é a primeira vez que Aires Aly visita a província de Sofala. Uma coisa é certa, visitando como membro sénior do partido Frelimo ou como Primeiro-ministro não altera absolutamente nada na vida das populações de Sofala.
A questão da pobreza em Moçambique dificilmente será vencida com visitas às províncias como, aliás, se viu com as ‘presidências-abertas’ do Presidente da República. Tão-pouco será vencida com homilias evasivas, é preciso mais do que isso. A solução para os problemas do país passa necessariamente pela introdução de uma “lavandaria” na administração pública de modo a varrer do Aparelho do Estado os parasitas que lá se encontram, sobretudo aqueles que têm escapado o saneamento das brigadas anticorrupção e das reformas no sector público, aqueles que usam a “farda revolucionária” para lograr vantagens pessoais. Percebe-se agora que a luta travada pela ministra Vitória Diogo é inútil.
Coitada da minha compatriota, está a tentar encher um tambor furado. Está, na verdade, a combater um inimigo interno.
Vivo num país onde o Primeiro-ministro não é idolatrado nem pela imprensa, tão-pouco pela população. Ser Primeiro-ministro na Bélgica é igual a ser um “cidadão qualquer”, e este não se apoia na imprensa para dizer aquilo que faz ou deixa de fazer. Simplesmente trabalha sem ter em conta o pulsar da comunicação social ou de qualquer outro meio. Já que a ideia é colocar o Primeiro-ministro a fiscalizar as actividades do governo, sugeria que o Presidente da República descentralizasse o poder e colocasse alguns ministérios nas províncias, até porque tal pressuposto iria reduzir significativamente os gastos excessivos das contas públicas.
Todos os dias, para além do respectivo governador e dos directores provinciais visitarem às províncias; o Presidente da República, os ministros, os directores nacionais, os deputados da Assembleia da República, (afora os Secretários Permanentes porque estes são, de facto, permanentes!); o secretário-geral da Frelimo, o “pimpão” da Mobilização e Propaganda, Edson Macuácua, também visitam as províncias. Todos recebem, diariamente, os mesmos problemas de há 35 anos, acontece, porém, que tudo fica na mesma, isto é, nas promessas de um futuro melhor e nada mais do que isso.
Viajar para cortar fitas e/ou para visitar um empreendimento é o mesmo que, no meu entender, ir fazer turismo à beira-mar.
Há que repensar nas sistemáticas visitas dos nossos dirigentes às províncias.
O que é que elas realmente representam para o país. Ainda não termino esta crónica sem antes perguntar ao Senhor Primeiro-ministro, Aires Aly, para quando uma resposta cabal dos problemas dos 'Madjermans' assim como de muitas fábricas adormecidas no país? Porque não apostar nas novas tecnologias de informação e comunicação, ao invés de “despachar-se” a si e a outros dignatários do Estado para as províncias, com intuito de ver se a obra X ou Y avançou ou não?

“Kochikuro” (Obrigado).

gentoroquechaleca@gmail.com

PS: Esta semana ficamos a saber, pelo Wamphula Fax, que Nacala–Porto vai ter uma nova universidade – A Politécnica. Ainda não sabemos se esta universidade vai funcionar numa garagem ou em instalações próprias. A ‘sarna’ das universidades está ao rubro. Hoje em dia todos querem ser doutores e, por causa disso, o país regista um grande défice de artesãos, pedreiros, enfermeiros, professores, mecânicos, etc. Até nos cemitérios há ‘distinção’ entre os doutores falecidos e os que não o foram. Onde chegamos, Samora, heim?

Crónica de Gento Roque Cheleca Jr., em Bruxelas, WAMPHULA FAX – 18.02.2011, citado no Moçambique para todos

Moçambique na Feira de Turismo de Berlim: Vender a “Vida Selvagem” que faz do país um dos destinos mais procurados

Moçambique vai participar na feira Internacional de Turismo de Berlim – ITB, a decorrer entre os dias 9 e 13 de Março, soube a Macauhub em Maputo junto da direcção de marketing do Instituto Nacional do Turismo (Inatur).
A participação de Moçambique na ITB, considerada uma das maiores feiras de turismo a nível mundial, surge no âmbito das actividades de promoção turística de Moçambique, tendo como objectivo a atracção de maior número de turistas para o país.
Em 2009, Moçambique registou pouco mais de 43 mil visitantes oriundos da Alemanha.
No decurso edição deste ano da ITB, Moçambique vai procurar expor as suas potencialidades turísticas, as quais tornam o país um destino turístico que o distingue de outras paragens da África Austral.
Moçambique possui uma longa costa de cerca de três mil quilómetros, a sua cultura, vida selvagem que começa a desabrochar em alguns parques nacionais, entres eles, o Parque Nacional da Gorongosa, considerado um “paraíso” para além da sua deliciosa gastronomia.
“Pretendemos que Moçambique seja reconhecido como um destino de eleição”, disse a fonte à macauhub.
Estarão representados no pavilhão de Moçambique cerca de 7 expositores, entre eles o grupo Pestana e Rani Resorts, as agências de viagens Mozaic Travel, Muhimbi África Turismo e Uitkyk Holidays.
Estarão também representados a Linhas Aéreas de Moçambique, companhia de bandeira, e o Parque Nacional da Gorongosa.
Paralelamente à feira, haverá uma nova edição da International Tourism Film and Print Media Competition (a mesmo que distinguiu, com dois prémios, o filme Africa’s Lost Eden sobre o Parque Nacional de Gorongosa na ITB 2010), em que o embaixador de Moçambique na Alemanha será um dos membros do júri.

(rm/macauhub)

Thursday, 17 February 2011

Revisão da Constituição da República em debate em todo o país

iniciativa é lançada hoje pelo Parlamento Juvenil

As conferências, a decorrer nas capitais provinciais, serão moderadas por dois docentes constitucionalistas da Universidade Eduardo Mondlane: Armindo Rita e Eduardo Chiziane.
Inicia, a 22 de Fevereiro, o debate da revisão da Constituição da República, em conferências que terão lugar nas principais capitais provinciais de todo o país . Trata-se de uma iniciativa do Parlamento Juvenil (PJ), uma agremiação não governamental de jovens, visando colher a sensibilidade dos moçambicanos sobre o que é pertinente constar na futura lei-mãe.
Para o efeito, o PJ conta com dois docentes universitários, nomeadamente, Armindo Rita e Eduardo Chiziane, ambos da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane.
As conferências deverão terminar a 16 de Março próximo e, numa primeira fase, serão regionais, decorrendo nas cidades de Maputo, Beira e Nampula.
De acordo com o plano do PJ, para permitir o envolvimento de todos os distritos, algumas províncias deverão juntar-se às outras. Assim, as províncias do Norte, nomeadamente, Nampula, Cabo Delgado e Niassa, deverão participar nos debates de forma conjunta em Nampula; Sofala vai juntar-se à Zambézia, Manica e Tete; Inhambane à Gaza e, por fim, a cidade de Maputo juntar-se-á à Maputo Província.
Hoje, o PJ faz um lançamento oficial dos debates, um evento a decorrer no período da manhã na capital do país.

Juventude deve impor-se na revisão da constituição

De acordo com o presidente do Parlamento Juvenil, Salomão Muchanga, a juventude deve estar preparada para dizer o que quer ver espelhado na futura lei-mãe, ou seja, não deixar tudo à sorte dos deputados da Assembleia da República.
Recorde-se que o Parlamento confiou o papel da revisão da Constituição a uma comissão ad-hoc, composta por 21 membros, e chefiada pelo antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Mulémbwè. Dos 21 membros, 16 pertencem à Frelimo, um ao Movimento Democrático de Moçambique e os restantes quatro deverão vir da Renamo. Entretanto, o partido da “perdiz” ainda não indicou os seus membros, alegando ser impertinente a revisão da lei fundamental.

Sérgio Banze, O País

Nota do José :
E o que diz a liga juvenil da Frelimo, a OJM?

Os castrados

Estão na ordem do dia as manifestações pró-democracía e liberdade que sacodem diversos regimes de países do Norte de África e do Médio Oriente que, de resto, inclusivamente já causaram vítimas até há sensivelmente dois meses inimagináveis de cair.
Várias lições desses acontecimentos se podem tirar, até porque a avaliar pelo curso dos acontecimentos, muitos "líderes" podem ser atingidos.
É que os povos parecem, hoje, mais do que nunca, dispostos a se libertarem de alguns 'libertadores" que até fazem pior papel que o próprio antigo coloni­zador.
Outra lição que se pode tirar destes acontecimen­tos é a evidência, mais do que nunca, de que no mundo actual há poucos princípios e muitos interesses, no relacionamento entre regimes.
Quem diria que um dia Washington podia virar as costas aos dirigentes de Cairo e Tunis?
Há (des)governantes que brutalmente espezinham hoje os seus povos, convictos de que em caso de uma convulsão sociopolítica nos seus países receberão apoio incondicional dos seus aliados...
Outra coisa espantosa aos ouvidos e olhos de muitos, pelo menos em Moçambique, se bem que não de todo surpreendente, é o nível de "equidistância" e "verticalidade" evidenciado pelos habituais "analistas" e/ou "comentadores" políticos aparen­temente com posições cativas no nosso país.
Exprimiram-se com brilhante mestria, comentando as ocorrências fora de portas, muito longe do nítido e confrangedor alinhamento com que se posicionam quando comentam eventos nacionais, quando se mostram autênticos "castrados" mentais e tudo fazem para maquiar o quadro.
Não viram, naqueles países, vândalos e delinquentes, viram no Egipto e na Tunísia manifestantes legítimos a exigir os seus direitos, coisa que rareia por cá...
Aliás, esses comentários vistos e ouvidos me fizeram recordar as "recomendações" deixadas recentemente pelo chefe da Missão da União Africana às recentes eleições legislativas em Cabo verde, por acaso o vice-presidente do MPLA (Angola), Roberto de Almeida, para que as autoridades do arquipélago melhorem a sua performance organizativa e de trans­parência eleitora !!
É que a todos os títulos o homem de mão de José Eduardo dos Santos perdeu uma oportunidade soberana para manifestar modéstia, elogiando ou no mínimo se calando, sabido que Cabo Verde está longe, mas longe mesmo, de ombrear com Angola em termos de Democracias e de Boa Governação, tendo, inclusivamente, ultrapassado as metas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Aqui estamos para ver e ouvir os comentários no futuro, porque ao que tudo indica o vento que sopra do Norte de África parece estar a descer cá para o Sul, sem, no entanto, deixar de se propagar pelas bandas do Médio Oriente.
Gostaria de voltar a ouvir e ver os analistas e comentadores da minha pátria amada se debruçando sobre coisas internas!

Refinaldo Chilengue,CORREIO DA MANHÃ – 16.02.2011, citado no Moçambique para todos

O peso do vazio

Durante anos, o sistema bancário esteve vendendo vazios. Durante esse tempo a arte esteve no empacotar esse vácuo. Esse cultivo da aparência em substituição da substância invadiu as nossas sociedades, no Norte e no Sul do planeta. Esse fascínio pelo brilho exterior estende-se a todos os domínios. Não interessa tanto quem sejas. Interessa o que vestes e como te vendes. Não interessa o que realmente sabes fazer. Interessa a arte de elaborar CVs, de acumular cursos e de te saberes colocar na montra. Não interessa o que pensas. Interessa como embrulhas o pensamento (ou a sua ausência) num bonito invólucro de palavras. Não interessa, no caso de seres governante, como governas e como produzes riqueza para a sociedade. Interessa a pompa e a circunstância. Em suma, o que pesa é o vazio.
Nas artes, o espectáculo tomou conta dessa generalizada ausência de conteúdo. Pouco importa a voz da cantora. Quem escuta a desafinação se ela rebola os quadris com sedução de gata? Quem disse que uma boa cantora tem que cantar? Numa nação em que pouco dinheiro pode salvar vidas, patrocínios chorudos foram aplicados em programas mediáticos de procura do rosto mais bonito, do corpo mais bonito.
As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste em que o que brilha é falso e o que é verdadeiro é mentira. Que valores se veiculam? O carro de luxo (dado pelo papá), a vida fútil, a riqueza fácil. Ai, pátria amada quanto te amam de verdade? Ai, África odiado quanto desse ódio te foi dedicado pelos próprios africanos? Quanto teremos que dar razão ao grande escritor Chinua Achebe quando disse, na carta que escreveu a Agostinho Neto: “O riso sinistro dos reis idiotas de África que, da varanda dos seus palácios de ouro, contemplam a chacina dos seus próprios povos?”
Essa substituição do conteúdo pobre pela forma e pelo aparato pobre faz parte da nossa cultura de empreendedores instantâneos. Há que criar uma empresa? O melhor é que ela não produza nada. Produzir é uma grande chatice, custa tempo e dá muito trabalho. O que está é o lobby, a compra e venda de influências, é ser empresário de sucesso sobretudo porque esse sucesso vem de ser filho de alguém. Para a empresa ser de “peso” há que se gastar tudo na fachada, no cartão de visita, na sala de recepção.
Toda esta longa introdução vem a propósito de um outro jogo de aparências. O acto de pensar foi dispensado pelo uso mecânico de uma linguagem de moda. Já falei de workshops como um espécie de idioma que preenche e legitima a proliferação de seminários, workshops e conferências que pululam de forma tão improdutiva pelo mundo inteiro. Existem termos de moda como “o desenvolvimento sustentável”. Um desses termos mágicos que dispensa qualquer tipo de raciocínio e que cauciona qualquer juízo moral ou proposta política é a expressão “comunidade local”.
Mas aqui surge uma outra operação: por artes inexplicáveis as chamadas “comunidades locais” são entendidas como agrupamentos puros, inocentes e portadores de valores sagrados. As comunidades rejeitam? Então, nada se faz. As comunidades queixam-se? É preciso compensá-las, de imediato, sem necessidade de produzir prova. As comunidades surgem como entidades fora deste mundo e olhadas como um bálsamo purificador por um certo paternalismo das chamadas potências desenvolvidas.
As comunidades estão acima de qualquer suspeita, são incorruptíveis e têm uma visão infalível sobre os destinos da humanidade. É assim que pensam uns tantos missionários dessa nova religião que se chama “desenvolvimento”. Uma tropa de associações cívicas, organizações não governamentais servem-se desse conceito santificado e santificante. Essa entidade pura não existe. Felizmente. O que há são entidades humanas, com os defeitos e as virtudes de todas as entidades compostas por pessoas reais.
O esforço de idealização promovido quer pelos profetas do desenvolvimento quer pelos defensores dos fracos não confere com a realidade que é mais complexa e mundana. O bom selvagem defendido por Rosseau nunca foi nem “bom”, nem “selvagem”. Foi simplesmente pessoa.

Mia Couto, O País

Wednesday, 16 February 2011

Ameaça de desinvestimento em minas da África do Sul


Sector mineiro: Espectro de nacionalizações preocupa investidores na RAS

O desemprego de perto de 50 mil moçambicanos que trabalham nas minas da África do Sul pode estar à vista, com os investidores a ameaçarem retirar o seu dinheiro, tendo em conta os constantes apelos à nacionalização da indústria extractiva naquele país.


A COMUNIDADE de investidores sul-africanos manifestou-se, durante o fim-de-semana, preocupada com apelos sistemáticos para a nacionalização do sector das minas, afirmando que prefere injectar os seus capitais em países da África Ocidental do que na África do Sul, por recear a tomada dos seus bens.

Maputo, Quarta-Feira, 16 de Fevereiro de 2011:: Notícias

O hipotético desinvestimento no sector mineiro sul-africano pode ter consequências nefastas para Moçambique tendo em conta que pelo menos 50 mil moçambicanos estão empregados nas minas daquele país.
Num debate sobre o assunto, as companhias de mineração ameaçaram abandonar a África do Sul, face à insegurança dos seus bens, após a “Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano” (ANCYL), defender a nacionalização da indústria mineira no país.
“Se os meus clientes quiserem investir milhões de randes na minha empresa, mas preocupados com a nacionalização, não farei nada mais senão dizer-lhes para investirem na África Ocidental, onde a situação é melhor”, disse um empresário falando em anonimato.
Ele disse que a Ministra sul-africana dos Recursos Minerais, Susan Shabangu, assevera que não haverá nacionalização, mas não explica o que poderá acontecer no futuro.
“Estes são riscos que devemos evitar e, por isso, temos estado a aconselhar aos nossos clientes para considerarem a África Ocidental”, frisou.
Trabalhando numa companhia internacional com interesses em vários países africanos, o interlocutor afirmou que, como receio disso, o investimento directo na África do Sul tem vindo a reduzir drasticamente nos últimos anos.
“É quase comum este tipo de atitude a nível da comunidade de investidores, apesar de haver muitos recursos na África do Sul, um país que ainda continua a ser pouco investido”, disse.
Na semana passada, a liga juvenil do partido no poder na África do Sul apelou ao Governo para demitir Shabangu, após declarar que a nacionalização não era política do Executivo do Presidente, Jacob Zuma.
A directora executiva da Anglo American, Cytnhia Carroll, também envolveu-se na polémica, afirmando que a sua companhia não iria investir se o Governo não assegurar a protecção dos seus interesses.
Entretanto, o Governo reiterou que não haverá a tomada da indústria mineira, porque essa decisão poderá retrair o investimento no país.
Assim, Shabangu vai visitar, em Novembro deste ano, os Estados Unidos, para tentar dissipar receios em torno do assunto.

AIM

Nota do José
= Este é um assunto que está a agitar a África do Sul, principalmente devido às declarações contraditórias de alguns políticos. Entretanto, repetem-se os avisos de que a nacionalização do sector mineira terá consequencias graves para este sector vital da economia.
Quanto aos moçambicanos que trabalham nas minas, o número de 50 mil penso que não coreesponde à realidade, ainda devem ser bem mais de 50 mil.

Governo do Malawi quer tornar flatulência ilegal


É reconfortante saber que pelo menos um país no mundo tem as suas prioridades bem definidas. Na nação africana do Malawi, está a ser votada uma lei que tem como objectivo «moldar cidadãos responsáveis e disciplinados», tornando para isso a flatulência pública ilegal.
Por vontade do Executivo, episódios desses em público deixaram de ser apenas um acto rude e de má educação para passarem a ser crime.
Finalmente, existe um governo que não teme fazer frente a um crimes mais antigos que a humanidade comete impunemente.
De acordo com os órgãos de comunicação internacionais, a lei foi discutida ontem no Parlamento do país, mas até agora ainda não há notícias que avancem se a proibição foi ou não adiante.

SOL

Tuesday, 15 February 2011

Viragem egípcia: a euforia

A notícia mais sensacional da semana passada - e que maiores consequências vai ter no mundo árabo-muçulmano, no Mediterrâneo e no mundo inteiro - foi a queda pacífica do ditador Hosni Mubarak, após 18 dias de manifestações, sempre em crescendo, do Povo Egípcio. E, finalmente, após um discurso patético, de Mubarak, feito na véspera, dirigido aos seus compatriotas, foi obrigado, por pressão popular, a renunciar ao poder absoluto que detinha há trinta anos. O Povo foi, uma vez mais, "quem mais ordena". E a euforia da liberdade gritada pelos egípcios, ecoou por todo o mundo muçulmano.
O Presidente Obama falou poucos minutos depois da destituição do ditador. Disse: "A renúncia de Mubarak não foi o fim da transição para a democracia. Foi um princípio, que conduzirá a eleições livres." Aviso aos militares e aos radicais islâmicos. E ainda: "O Povo falou e as suas vozes foram ouvidas. Por isso, o Egipto, nunca mais será o mesmo."
O Presidente americano, desde as manifestações iniciais, percebeu o significado e a importância transcendente do fenómeno, não hesitou em estar ao lado do Povo egípcio - ao contrário dos dirigentes europeus que tardaram em pronunciar-se - apesar das pressões, em contrário, do lobby judaico e da maioria republicana do Congresso. Recuperou, assim, de certo modo, o seu lúcido discurso do Cairo, um dos primeiros a seguir à sua histórica vitória eleitoral de há dois anos. Porque percebeu - e aí está a chave da questão e a sua importância - que o Povo Egípcio não se manifestou contra Israel nem, muito menos, contra o Ocidente mas, pelo contrário, contra a opressão de um ditador corrupto e obsoleto e em favor dos valores universais da liberdade, da democracia pluralista e da justiça social. Que melhor poderia querer o Ocidente?
Não sei que cronista escreveu que a noite de 11 de Fevereiro de 2011 foi o contraponto muçulmano do 11 de Setembro de 2001. Outra data que emocionou o mundo, mas no pior sentido. Quando há dez anos, com os ataques às Torres Gémeas em Nova Iorque e ao Pentágono, em Washington, o mundo parou, dolorosamente, de pasmo e de horror, perante o terrorismo islâmico da Al-Qaeda.
Como se sabe, hoje, e ninguém tem dúvidas, a América de Bush reagiu mal a esse fenómeno, porque não ouviu suficientemente os seus Aliados e só soube utilizar a violência mais cega, contra a violência dos terroristas - e não só - dando origem a duas guerras cruéis e inúteis, que sacrificaram milhares de inocentes, de ambos os campos e que só contribuíram para revoltar os Povos do Islão, fazendo-os crer que o Ocidente - ou parte dele - era o seu inimigo irredutível. Quando não era. Foi o terrorismo que, objectivamente, desacreditou o Islão - e que importava isolar - pela insólita violência e desumanidade com que agiu, não tendo nada a ver com a religião islâmica, como hoje é consensual.
O Povo egípcio, na Praça Tahrir, gritou pela liberdade, por eleições livres, mas também contra a violência que, mesmo assim, fez cerca de 300 mortes inocentes. Nesse sentido, foi o mais possível anti-terrorista. E o Presidente Obama foi seguramente o primeiro dirigente político mundial a perceber isso e a manifestar-se, dando a mão ao Povo egípcio, como era preciso fazer. Saberemos, mais tarde, se o fez, igualmente, em relação às forças militares egípcias. É bem possível. De qualquer modo, o exército egípcio não se manifestou. Foi, aparentemente, neutral e agiu com extrema sabedoria. Desde logo, impediu, controlando a polícia e evitando a violência, para que não houvesse um morticínio, senão mesmo um genocídio.
Assim se tornou o centro e agora o detentor do poder. Mas, atenção, para proceder, até Setembro próximo, a "eleições livres e justas", como acentuou Obama, com a autoridade que resulta de a América auxiliar financeiramente o Egipto e, em particular, as suas Forças Armadas.
Será apaixonante seguir a evolução do Egipto que está, ao que parece, a mudar o mundo e não só os muçulmanos. Porque pôs de novo no centro das preocupações a luta contra os tiranos e pelas Liberdades e os Direitos Humanos. Numa palavra, pela dignidade dos cidadãos. Haja em vista as medidas de prudência já tomadas, pela China, para evitar o contágio...

Mário Soares, no Diário de Notícias. Leia aqui.

Quem são os próximos chefes de Estado a zarparem?

Ben Ali e Hosni Mubarak já se foram…

Não é possível sustentar a estabilidade política e governativa de um país através de um sistema baseado no nepotismo e na corrupção. Não é possível pretender que se acredite que alguém governa quando de facto o que faz é atropelar as regras fundamentais da governação. Os impérios não são eternos. Todos os impérios tiveram prazo. Nada dura sempre.
Já é tempo de aprender com os factos.
Com o tipo de governação que persiste em dominar o cenário em Moçambique está semeada a aceleração da queda de um império que, segundo alguns, seria de “MIL ANOS”. Onde tudo se resume ao nepotismo e a aparência de normalidade governativa e em que agendas e objectivos de desenvolvimento são deturpados e condicionados aos apetites de alguns membros da corte ou de um clube restrito de membros de um partido, decerto que se perde a noção do todo.

Noé Nhantumbo, Canalmoz


Continue lendo aqui.

Monday, 14 February 2011

Os locais mais românticos de Maputo

De acordo com a publicação "Living in Maputo", os locais mais românticos de Maputo são:

1 - Miradouro e Jardim dos Namorados

2 - Terraço e jardim do Hotel Cardoso

3 - Estação dos Caminhos de Ferro

4 - Topo do Hotel Avenida

5 - Jardim Tunduru

Sunday, 13 February 2011

Hoje na RTP Internacional: "Terra sonâmbula"

A RTP Internacional apresenta esta noite o filme " Terra Sonâmbula " , baseado numa obra do moçambicano Mia Couto, pelas 22 horas, hora de Lisboa.


Saturday, 12 February 2011

Friday, 11 February 2011

O que diria Samora de tudo isto?

Começaram no passado dia 3 de Fevereiro – vem bem a propósito, uma vez que ele foi um dos nossos heróis nacionais – as comemorações oficiais do ano de Samora Machel, decretado pelo Governo da República, no ano em que se completam 25 anos do seu desaparecimento. Na cidade de Xai- Xai, capital da província de Gaza, foi inaugurada uma estátua, iniciando-se assim um ciclo que terminará quando todas as capitais de província se acharem dotadas de um monumento semelhante.
Olhando para os rostos dos antigos camaradas de luta de Samora Machel vi neles espelhado tudo menos a imagem do primeiro Presidente de Moçambique independente. Os velhos camaradas aburguesaram-se, estão barrigudos, flácidos, vestem bons fatos e ainda melhores gravatas – que diferença para a austera balalaica dos anos ´7’ e ´8’! –, deslocam-se em carros último modelo que estacionam quase dentro dos edifícios porque são demasiado importantes para andarem a pé, vivem em luxuosas mansões construídas de raiz ou herdadas do APIE que registaram em seu nome por meia dúzia de dólares, possuem ainda outras que arrendam a preços especulativos de quatro e cinco mil dólares a estrangeiros que não se atrevem a pedir-lhes factura porque “não fica bem”, enquanto o Estado é mensalmente lesado em milhares de meticais de imposto. Nada lhes importa desde que a ‘coisa’ pingue.
E que diria Samora disto tudo?
Coisa boa, certamente não seria. Salvo raríssimas excepções, hoje todo o way of life dos seus camaradas de armas lhe repugnaria.
Repugnava-lhe o luxo e a ostentação, sobretudo num país cujo desiderato nacional é combater a pobreza absoluta; repugnava-lhe a especulação – ‘a nossa luta é contra os especuladores’, dizia continuamente –; o laxismo muito em voga nos dias de hoje; o deixa-andar; a corrupção – em alguns casos, para dar o exemplo, foi mesmo longe demais –; o clientelismo; o lambotismo – chegava mesmo a odiar aqueles que só pela sua posição de mais alto dignitário da nação diziam-lhe sempre SIM a tudo para lhe agradar.
Hoje, os camaradas combatem, quotidianamente, tudo aquilo que Samora defendia. Nunca a prática diária esteve tão longe das exaltações dos discursos ofi ciais.
Hoje, o Homem Novo moçambicano idealizado por Samora está velho e cansado. De ser transportado indignamente como gado no chapa. De dormir numa barraca que alaga com as primeiras chuvas. De ir para a cama mais cedo para enganar o estômago. De trabalhar todo o mês e não ganhar sequer 100 dólares. De morrer no hospital porque falta tudo. De ter uma vida indigna e de à sua volta ver uma desigualdade também ela indigna.
Por tudo isto, hoje, os camaradas queriam tudo menos que Samora tivesse o destino de Lázaro quando Cristo disse: ‘Levanta-te e caminha’.

João Vaz de Almada, A Verdade

A opinião de Gento Roque Cheleca Jr

Esta semana ouvimos o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano dizer que a guerra dos 16 anos foi para reintroduzir o colonialismo em Moçambique e não, ao que se sabe, acabar com o Comunismo. Chissano deve saber «reformar» a sua mente. Fica mal a um antigo Chefe do Estado de um país como o nosso, com aspirações democráticas, recusar algo de tão evidente que ele próprio, em Roma, ajudou a combater o comunismo. Quando uma pessoa não pode dizer aquilo que sabe, o melhor a fazer é saber aquilo que diz. Já que não pode calar, o pior é meter a boca na 'vuvuzela' para dizer asneiras. Calar também é uma virtude dos diplomatas.


WAMPHULA FAX – 10.02.2011

África vista por 100 fotógrafos

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Demora a abrir, mas vale a pena ver África em todo o seu esplendor.Ligue o som!

Thursday, 10 February 2011

Revolta como a egípcia não seria possível em Moçambique

Sociólogo moçambicano diz que levantamentos verificados no país tiveram objectivos limitados e não a mudança de regime.

Manifestações expontâneas com o impacto das que acontecem no Egipto... não seriam possíveis em Moçambique, a menos que fossem convocadas por sindicatos, ou partidos políticos - diz à VOA o sociólogo Egídio Vaz.
O académico moçambicano compara o Egipto com as manifestaçoõs em Moçambique, em Setembro passado e conclui que são de natureza diferente.
Em Moçambique a manifestação dirigia-se ao objectivo básico de protestar contra o custo de vida. No Egipto, as dificuldades do dia-a-dia foram alavanca para exigências da demissão do governo e reforma do regime.
"Comparando... os cidadãos egípcios estão um pouco mais acima do ponto de vista do nivel de exigência do que deve ser o desemprenho do Estado e do tipo de lideres que se pretendem. São exigências que estão para além dos alimentos", afirma o sociólogo.
Do seu ponto de vista, as manifestações em Moçambique, em Setembro passado, "eram um grito para o governo resolver os problemas do povo, o elevado custo de vida. Aqui temos um grito imediato pela resolução de problemas como a pobreza".
Egídio Vaz nota que os acontecimentos do Egipto e da Tunísia alertam África para um nível de cidadania mais elevado, ensinando que "é possivel mudar os presidentes quando eles já não conseguem responder à expectativas do seu povo".
Afirma, ainda, que fica demonstrado pelas manifestações da Tunísia e do Egipto que um povo organizado pode "fazer exigências com sucesso".
O facto de as manifestações moçambicanas não terem progredido para a contestação do regime político tem que ver com o tipo de opinião pública que existe nos dois países.
Em Moçambique, diz Egidio Vaz, seria preciso uma entidade que organizasse os protestos, dando como exemplos partidos políticos e sindicatos - organizações necessárias para dar que expressão e credibilidade a qualquer movimento.

Voz da América. Escute a entrevista com Egídio Vaz aqui.