Thursday, 12 November 2009

Enchimento de urnas e inutilização de boletins de voto pesaram nos resultados finais

– Joseph Hanlon, boletim da AWEPA/CIP

Maputo (Canalmoz) - O pesquisador e jornalista britânico, autor do livro «Há mais Bicicletas – mas há mais Desenvolvimento?», que durante este período eleitoral editou o Botim especial sobre estas eleições em nome da AWEPA e do CIP, disse ontem, reagindo aos resultados eleitorais, que o “enchimento das urnas e inutilização dos boletins de votos”, acto praticado pelos membros das mesas de assembleias de voto, para prejudicar os candidatos da oposição “interferiram nos resultados finais das eleições legislativas de 28 de Outubro”.
Segundo Hanlon, que diz dispor de equipa de pesquisadores espalhados pelo país, que observaram o processo eleitoral, na província de Tete, as referidas práticas fraudulentas, “fizeram a Renamo perder pelo menos um deputado”.
Questionado por um jornalista se tinha a certeza de que os escrutinadores praticaram o enchimento de urnas e inutilização de votos, Hanlon respondeu com um sim categórico, fundamentando que “não é possível que numa mesa de voto haja cerca de 20% de boletins inúteis. Isso implica que houve inutilização de votos”.
Sobre o enchimento, Hanlon evocou o exemplo de algumas assembleias de voto da província de Gaza, onde a afluência dos eleitores foi de 100% e com cerca de 99% dos votos a favor do candidato da Frelimo.
O pesquisador da AWEPA entende que “isso não é possível, tanto que significaria todos eleitores inscritos, todos foram votar”.
Hanlon não hesitou também em dizer que o enchimento e inutilização dos votos foram cometidos pelos escrutinadores, “a mando da Frelimo, pelo menos em alguns casos”, que diz ter a certeza.

(Borges Nhamirre, CANALMOZ, 12/11/09)

Daviz Simango felicita vencedores



DAVIZ Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), felicitou ontem, na Beira, em Sofala, o candidato vencedor das eleições presidenciais passadas, Armando Emílio Guebuza, bem assim o partido Frelimo pela sua maioria nas legislativas.
Reagindo ao anúncio pela CNE dos resultados do pleito, Simango desejou igualmente sucessos aos vencedores no exercício das suas funções, embora tenha referido que tal vitória correspondeu à vontade dos órgãos eleitorais.
Encorajou ainda a todos os membros e simpatizantes do movimento que dirige a colaborarem com os órgãos a serem constituídos legalmente com a proclamação e validação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional, embora tenha elegido a palavra ilegalidade democrática para classificar o acto eleitoral.
Reiterou o desejo do MDM em prosseguir com a sua participação no processo democrático “e vamos continuar a trabalhar para a construção duma sociedade tolerante, justa e defensora de um desenvolvimento humano, inclusivo e mais solidário”.
Entretanto, o porta-voz do partido, José de Sousa, anunciou a jornalistas que o MDM vai submeter amanhã uma queixa à Procuradoria-Geral da República, sobre “todos os ilícitos eleitorais”.


Notícias,12/11/09

Wednesday, 11 November 2009

Credibilidade das nossas eleições!

Acompanhando os relatórios e análises que organizações independentes estão a divulgar sobre a conduta dos membros das mesas de votação, à escala nacional, fica-se com a certeza de que, efectivamente, os órgãos de administração eleitoral, das presentes eleições, estavam predeterminados a manipular os resultados eleitorais finais, o que conseguiram, em grande parte, enchendo urnas em certas zonas do País e, noutras, invalidando boletins de voto dos candidatos que não fossem da sua preferência.
Trata-se de crimes eleitorais, praticados com o beneplácito dos órgãos de administração eleitoral, razão pela qual nenhum membro da mesa de votação foi detido ou está a contas com a justiça por causa da sua actuação criminosa durante o processo de contagem de votos.
A edição desta segunda-feira, 9 de Novembro, do conceituado Boletim sobre o Processo Político Moçambicano, editado, conjuntamente pela AWEPA e pelo CIP, num artigo assinado pelo conhecido jornalista Joseph Hanlon, escreve:
“Aumentam as evidências de má conduta nas assembleias de voto - tanto no enchimento de urnas, como na invalidação indevida de votos para a oposição.
De que forma foi esta má conduta generalizada?
Para fazer uma estimativa, podemos usar a contagem amostral realizada pelo Observatório Eleitoral e pelo EISA (Electoral Institute of Southern Africa - Instituto Eleitoral da África Austral). Esta amostra foi uma Amostra Aleatória dos Apuramentos (AAA) formal, com base em uma amostra aleatória de 8 por cento das assembleias de voto. Um observador estava estacionado em cada uma das assembleias de voto seleccionadas da amostra, durante todo o dia, e recolhia o resultado final no fim da contagem naquela assembleia de voto. Analisámos os resultados de 967 assembleias de voto por todo o País.
Cremos que existem indícios de uma possível má conduta e fraude, provavelmente em 6% das mesas de voto – isto é, em 750 assembleias de voto, em todo o País, o que é um número muito grande. Isto é, suficientemente grande para alterar o resultado em alguns lugares. Indicámos, na sexta-feira, que um assento na Assembleia da República pode ter sido roubado à Renamo, na província de Tete. Em Angoche, onde ambos, MDM e a Renamo, concorrem para a assembleia provincial, a má conduta pode ser suficientemente grande para afectar a distribuição de assentos.
Esse tipo de análise não é prova. Ele só pode dar uma indicação de onde pode ter ocorrido má conduta. Olhamos para níveis de afluência muito elevados, o que poderia mostrar enchimento de urnas, e também níveis muito elevados de votos nulos, o que mostra onde uma marca adicional foi acrescentada aos boletins de voto, como forma de os invalidar.”
Mais adiante Hanlon escreve:
“Devemos reiterar que isto não é prova. A prova de boletins de voto falsamente invalidados pode ser observada durante a requalificação dos votos nulos, onde vimos centenas de boletins de voto para a Renamo e Afonso Dhlakama, com uma marca de tinta adicional altamente suspeita. A prova do enchimento fraudulento de urnas é que membros das assembleias de voto foram vistos assinalando nomes nos cadernos eleitorais, depois da assembleias de voto terem fechado, e terem sido vistos a colocar os boletins de voto extra nas urnas.
Evidentemente, isso deveria ter sido observado pelos delegados dos partidos Renamo e MDM nas assembleias de voto. Em alguns lugares, os delegados dos partidos foram indevidamente excluídos. Mas, muitas vezes, os delegados dos partidos foram mal treinados e não prestaram atenção suficiente à contagem.
As técnicas estatísticas, como as que usamos aqui, não podem identificar assembleias de voto específicas com a fraude. Haverá algumas poucas assembleias de voto que, realmente, tenham registado uma taxa de afluência elevada, por exemplo, dos jovens que se registaram para votar pela primeira vez, este ano. Da mesma forma, também vimos muitas centenas de boletins de voto que estavam genuinamente invalidados, onde a mesma mão tinha marcado caixas múltiplas.
Mas podemos ter a certeza de que um número incrivelmente elevado de postos de votação teve uma afluência de 100%, e que não é crível que em tão elevado número de assembleias de voto, tenha havido tanta gente marcando os seus boletins de voto com, simultaneamente, uma cruz para um candidato e uma impressão digital para outro.
Apesar da advertência, tanto no manual da assembleia de voto como no código de conduta dos membros mesas das assembleias de voto, literalmente milhares de membros das assembleias de voto participaram em, ou toleraram, actividades menos próprias nas assembleias de voto”.
Mas, qual é o sabor de uma vitória eleitoral baseada em manobras? Por que é a PGR não manda investigar a conduta, claramente criminosa, dos vários membros das mesas de votação, bem como dos seus mandantes, instalados em órgãos de administração eleitoral?
Moçambique realiza processos eleitorais desde 1994 e não se justifica que cada processo eleitoral seja pior que o anterior. Afinal, estamos a marchar para onde?
Este País não se pode dar ao luxo de hipotecar o seu nome e prestígio, por causa de meia dúzia de oportunistas instalados em órgãos de administração eleitoral para praticar “escovice e bajulice” a fim de serem vistos e, eventualmente, promovidos para tachos futuros, já que a sua vida consiste em bajular o partidão para ganhar lugares ao sol.
Reiteramos, aqui, a nossa profunda consternação pela mancha grande que os órgãos de administração eleitoral deixam sobre o País, numa altura em que a idade que Moçambique democrático leva não permite uma gestão tão danosa de um processo eleitoral.
O País merece outra sorte!

(Salomão Moyana, no Magazine Independente, citado em www.oficinadesociolodia.blogspot.com)

Observatório Eleitoral deve ser banido do país

Dhlakama diz que o relatório do OE é um atentado à democracia
E exige que a CNE invalide os resultados eleitorais, sob pena de o país viver momentos de turbulência

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, disse, ontem, em Nampula, que o Observatório Eleitoral (OE) deve ser “banido” do território moçambicano, pois o relatório daquela organização não faz menção a nenhum incidente que se tenha registado no dia da votação, para além do mesmo não passar de uma compilação de dados registados em editais dos presidentes das assembleias de voto.
Dhlakama fez este pronuciamento numa conferência de imprensa por si convocada, com o objectivo de apresentar a sua apreciação relativa ao relatório do OE, referente às eleições de 28 de Outubro, que lhe foi entregue, na passada quinta-feira, pelo presidente daquela agremiação, Brazão Mazula, na companhia de Alice Mabota.
O líder do maior partido da oposição disse estar desapontado com aquele órgão da sociedade civil.

ATENTADO À DEMOCRACIA

Dhlakama diz ainda que o relatório do observatório eleitoral é um verdadeiro atentado à democracia no país. Como forma de evidenciar os seus pronunciamentos, Dhlakama diz que em nenhum parágrafo do relatório o OE faz menção aos locais onde, alegadamente, as pessoas não puderam votar, para além de não se referir ao cenário dos votos injustamente inutilizados, irregularidades que mesmo a Comissão Nacional de Eleições reconhece terem manchado as eleições deste ano.
Por outro lado, o líder da “perdiz” acrescenta que o OE omite também casos de troca de cadernos que se deram em muitos locais, dos confrontos entre os membros das assembleias de voto e eleitores e detenção dos delegados de candidatura dos partidos da oposição.

OE AO SERVIÇO DA FRELIMO

Na sequência das constatações acima arroladas, o líder da Renamo pede às instituições judiciais do país a “banirem” o Observatório Eleitoral (OE) que, segundo afirmou, está ao serviço do partido no poder e do seu candidato presidencial, Armando Guebuza.
Dhlakama classifica esta situação como grave, sobretudo, porque os membros do OE são considerados por muitos como idóneos.
por conseguinte, Dhlakama exige que a CNE invalide os resultados destas eleições, com a alegação de terem sido fraudulentas e adverte que, se este órgão eleitoral não acatar a exigência, o país poderá viver momentos de grande turbulência, nos próximos dias, pois o seu partido já está a preparar uma manifestação para protestar os resultados do escrutínios.
De acordo com Dhlakama, o relatório do OE é uma colectânea de dados que declaram Armando Guebuza como estando em primeiro lugar, com 74% dos votos; em segundo lugar, Afonso Dhlakama, com 17 % dos votos e, por último, Daviz Simango com 8% dos votos.

(Nelson Belarmino, O País, 11/11/09)

Boletim sobre o Processo Político em Moçambique

Títulos do Boletim Número 35 de 11 de Novembro de 2009


Vitória de Guebuza confirmada

Renamo com mais 2 assentos

Afluência de 44.6%

Votos ilicitamente invalidados

Erros nos números da CNE

Reconhecendo a invalidação


Confira as notícias aqui:

FONTE: www.oficinadesociologia.blogspot.com

A Opinião do Diário da Zambézia

Editorial

Guebuza é presidente de 30% de Zambezianos?
O processo eleitoral, concretamente o dia da votação já se foi. Agora ficaram as contagens dos votos e anúncio dos resultados parciais, para depois serem divulgados também pela Comissão Nacional de Eleições, que por seu turno vai submeter ao Conselho Constitucional para fechar com as “sete chaves” e dizer sim, Armando
Guebuza e seu partido Frelimo foram eleitos justamente, livremente e transparentemente pelos eletores moçambicanos e da diáspora.
OK, nada se pode fazer depois do CC dizer e claro que vai dizer sim, há vencedores.
Mas se formos ao fundo das coisas veremos que esta coisa de justas e transparente, então pode ser só dita de boca para fora, como se propala por ai. Há tanta coisa que se viu nestas eleições, pelomenos ao nível da Zambézia, em que só para dar alguns exemplos, em Pebane, os eleitores voratam mais tarde com alegações de que o helicóptero que trazia os Kits chegou tarde por falta de combustível. Em Quelimane, gente ia a assembleia de voto, não encontrava nos cadernos os seus nomes, outros ainda, com cartões não mãos, mas não tinham assembleia onde votar, jornalistas impedidos de trabalhar, etc, etc. Enfim é tanta coisa que não cabe aqui. Mas
isto tudo os órgãos eleitorais sabem que aconteceu, mas como alegam que um ou dois eleitores não perturbam o processo todo, quem semos nós. Mas a verdade é essa.
Agora, se de facto Armando Guebuza é presidente da República de Moçambique para os próximos cinco anos, pelomenos na Zambézia, por sinal segundo maior círculo eleitoral, com cerca de 1.770.910 eleitores inscritos e com quarenta e cinco assentos na Assembleia da República (AR), este não poderá sorrir de glória.
Porque apenas 30 % é que o votaram, deixando assim muitas dúvidas.
Destes importa salientar que, 10.21% foram nas cabines de voto e voltaram com os boletins em branco, em termos matemáticos, temos 60.491 votos em branco. E mais, foram encontrados 33.442 votos nulos, equivalentes a 5.64 %. Isto só nas presidenciais.
E vamos lá ver quantos votaram na Frelimo. Soubemos junto dos orgaos eleitorais que num universo de 602.807 eleitores que votaram, equivalente a 34.04 %, o partido no poder, foi votado com cerca de 278.908 votos, quer em termos percentuais, isto dá 54.44% de votos.
Se formos mais longe, vamos perceber que mais de 1.168.023 votos, equivalentes a 65.96% foram nulos.
Estes números aqui apresentados não podem deixar alguém como Guebuza e seu partido sossegados. Mais anos ou menos, poderão ser relegados outra vez a “lata” de lixo, porque isto demostra claramente que os zambezianos nem sequer se importam com o actual regime.
Não é so isso, é que a Luisa Diogo, como chefe da brigada que coordenava a equipa toda da Frelimo, permaneceu na Zambézia, todo este tempo, ao invés de se dedicar a educação cívica do eleitorado, paenas singia-se em dizer que “a oposição é sempre oposição, não fazem nada, nós é que fizemos e faremos” e muito “bla-bla” por ai. E agora já viu, quantos são elegeram Guebuza? Apenas 30% dos zambezianos. Será que pode-se alegrar com isso? Com tanta coisa que andou aqui, como uso dos meios do estado, tal como viaturas, motorizadas, residências, etc, conseguiram convencer so 30% dos zambezianos? Quando olhamos por estes números, até já imaginamos que estes que voatam na Frelimo, são funcionários, neste caso maior parte deles professores e aqueles que receberam os vulgos Sete milhões que ainda não reembolsaram. E como tem medo, os que faziam campanha diziam que votem em nós porque o próximo governo vai vos prender por causa deste dinheiro. Mesmo assim, são poucos, camaradas.
Enfim, concluimos que Armando Emilio Guebuza é presidente de 30% dos Zambezianos, mais nada.


(Citado em www.manueldearaujo.blogspot.com)

Tintada eleitoral



O método de chapelada eleitoral observado por jornalistas televisivos na cidade da Beira teve, segundo se tem constatado na revisão de votos lançados como nulos pelas respectivas mesas, uma abrangência regional e um peso quantitativo bastante maiores do que se supunha.

A título de exemplo, só na cidade de Maputo, Deviz Simango terá visto 6.000 votos fraudulentamente anulados através do esquema da dedada de tinta colocada por membros da mesa durante a contagem dos votos.

Afonso Dhlakama ia, ontem com 22.000 votos "dedados" e a Renamo com 23.000, dos quais 17.000 só na província de Manica - o que, a brincar a brincar, lhes estava a dar menos 1 deputado, em benefício da Frelimo.

De onde se conclui:

1 - Não vale a pena estar a fazer já uma análise precisa e fina dos resultados eleitorais. É mais económico esperar pelo fim das surpresas - de que, para já, resultou a alteração dos deputados eleitos por dois partidos.

2 - Mesmo não tendo dependido disso a vitória folgadíssima da Frelimo e de Armando Guebuza, torna-se evidente a existência de uma acção partidária concertada, a nível nacional, de acções de fraude eleitoral.

3 - Juntando à "dedação" (em zonas menos favoráveis) as mesas eleitorais com quase ou mesmo com mais (!) de 100% de votantes (em Gaza e Tete), e juntando-lhes ainda as polémicas actualização do recenseamento e exclusão de listas do MDM, o quadro é muito preocupante. Sobretudo depois do Zimbabwe e das reacções que esse processo mereceu, entre outros, em Moçambique.
Desta vez não. Mas... e se/quando a Frelimo enfrentar, no futuro, um risco real de perder o poder? Como será?

4 - Pelo menos com jornalistas e delegados dos partidos à sua volta, assistindo ao processo, a CNE pode ser um efectivo instrumento de controlo da legalidade democrática e de correcção das chapeladas mais evidentes.

5 - Depois do verbo "rombar", Moçambique parece estar a caminho de encontrar a sua própria palavra, pera substituir essa portuguezisse da chapelada eleitorar.
A dúvida será entre "tintada" e "dedada".

Adenda: segundo informação do Carlos Serra que, infelizmente, tive oportunidade de confirmar, a notícia para onde remete o segundo link deste post foi removida ao início da noite do site do jornal "País".

FONTE: Paulo Granjo, em www.antropocoiso.blogspot.com. Confira aqui:

A opinião de António de Almeida

Infelizes são aqueles que se expressam ocultamente!
Mais difícil nesta vida é mentir do que dizer a verdade, porque a farda mais limpa que o ser humano veste é a sinceridade. Dizia o meu pai, que também se chamava António de Almeida.
Hoje a nossa sociedade vive então do mais difícil, que é a mentira.
Hoje o animal pensante é ganancioso e vive de maldades para poder atingir os seus desejos e satisfazer na íntegra os prazeres da vida.
Hoje temos um monte de pobres e uma classe de ladrões que vive extorquindo o povo que vive muito mal.
Hoje em fim temos um grupo de babacas que para ter as massas do seu lado, manipulam o poder e ameaçam o pessoal da função pública para serem seus seguidores e usando um cartão partidário que para os ignorantes tornou-se cartão-de-visita.
Esse tipo de comportamento leva os cobardes a porem o rabo entre as pernas quando estão perante pessoas com abordagens inteligentes, e esses energúmenos apanham a boleia de quem não tem medo, ocultando-se por detrás dos verdadeiros homens que tem um motivo de preocupação sobre a vida das populações deste meu Moçambique.
O mais caricato, é que se vê intelectuais de tamanha ignorância, que se escondem por baixo das saias da verdade pondo as bundas no lugar do cérebro mostrando ao mundo que de intelecto esses ditos estudiosos não tem nada e simplesmente ostentam os seus diplomas que se calhar dá-lhes algum sossego de ver escrito que é doutor: mas será que fica satisfeito sabendo que o seu intelecto foi detonado ou melhor reduzido a zero numa tasca ou barraca, por um bêbado qualquer que se calhar nem metade do seu nível tem?
É triste de facto conviver com intelectuais que nem se quer sabem fotografar uma imagem real a que ele próprio está sujeito.
As verdades nunca machucam porque toda a verdade é uma lógica, e a lógica em momento algum fere sensibilidades. A mentira é uma navalha que dizima a consciência de quem de facto é humano. A omissão é própria dos cobardes que perderam a capacidade e se escondem afunilados debaixo da saia do medo e não se expressarem sobre certas situações, mesmo que isso prejudique todo um povo; tamanha ignorância para quem estudou e desconhece os seus deveres.
Não se podem defender tremendos erros só porque queremos satisfazer um punhado de mentirosos e ladrões, enchendo os bolsos, mas tornando-se infeliz por ocultar por dentro a expressão verdadeira.
Essa forma de agir destrói aquilo que o homem tem de mais precioso; isso é, a liberdade.
Sem essa tal liberdade de se expressar, vemos homens a morrerem de tensão arterial, isto é porque não conseguem perder as estribeiras expulsando a dor que tem por dentro e se asfixiam com sentimentos que podiam muito bem serem partilhados.
Todo o princípio tem uma causa, mas nem toda causa tem um princípio.
Então qual é o princípio da causa dos nossos intelectuais?
Maltratarem o povo?
Em vez de apoiarem, roubarem ao povo?
Matarem os princípios de uma sociedade saudável?
Que pena mesmo, termos esse tipo de pessoas que mais se confundem com animais selvagens do que propriamente com gente.
O que o povo quer?
Como esse povo não foi dado a oportunidade de se expressar, sentou em casa no dia 28 de Outubro e mandou passear os gatunos da CNE, criando uma abstenção de voto com cerca de 60%. Isso significa que foram votar cerca de 40% e com os votos nulos e em branco, se calhar só 20% votou condignamente.
Ao ser assim, pode-se dizer com categoria que os vencedores são legítimos?
Esses vencedores deviam ter um pingo de vergonha quando gritam que são vencedores, mesmo sabendo que não tem do seu lado o voto de 80% do eleitorado.
Não estou chateado com o resultado, porque esse todo o mundo estava ciente que assim seria; mas esperar aquela abstenção isso ninguém esperava.
Sabia-se que a vitória era certa. Mas com essa abstenção, será que é certa?
Hoje como o povo não pode gritar ai pelas ruas temendo represálias, grita em silêncio, apenas não fazendo algo que o mesmo sabe que vai beneficiar a meia dúzia de Ali babas com quarenta ladrões para cada um dos Ali babas.
Quem não deve não teme; e se teme é porque sabe quanto mal já causou a sociedade. E nós temos aqui em Moçambique esse tipo de gente que teme uma rebelião do povo por isso o intimidam com o seu poder conseguido as custas do próprio povo.
Muitas vezes temos ouvido por ai expressões ocultas vindas de alguns macaquinhos pendurados no galho, com medo dos leões que lhes arranjaram os galhos.
Ok, tudo bem, se cada macaco fica no seu galho, por que é que não permitem que cada passarinho fique no seu ninho?
O passarinho é um bicho que gosta muito da liberdade e o meu povo é assim, então deixem-no em paz e não o prejudiquem mais como vocês os prejudicaram nos 16 anos de guerra.
Ganhem eleições, roubem votos, cometam fraudes, mas por favor deixem o meu povo em paz.
Se alguém quer queimar Moçambique, comece por queimar a casa de quem lhe fez mal e nada de rebentar com a natureza que está bem quieta no seu canto.
Matem-se, mordam-se, mas não firam o meu povo que já sofre com fome, sida, diarreia, malária e até com o monopólio causado pelos senhores do poder.
Toda a expressão oculta é violenta. Porque cobardia é própria de quem tem medo de aceitar que o próximo também é capaz.
Para terminar, vou usar uma frase de Gandhi.

”Não vale a pena ter liberdade se a mesma não incluir a liberdade de errar.”
"Freedom is not worth having if it does not include the freedom to make mistakes."

(Citado em www.manueldearaujo.blogspot.com)

Maputo parou para festejar aniversário



MAPUTO parou ontem para festejar o 122º aniversário da sua elevação à categoria de cidade. Diversas actividades culturais, recreativas e desportivas marcaram a passagem da data envolvendo os seus munícipes que acorreram em massa às acções programadas.
O ponto mais alto das celebrações compreendeu a cerimónia de deposição de coroa de flores no monumento erguido em homenagem aos heróis moçambicanos, seguida de inauguração de um dos troços da Rua da Resistência, depois de beneficiar de uma reabilitação. Os actos foram dirigidos pelo chefe da edilidade, David Simango, que para além de congratular os munícipes aproveitou a ocasião para definir aquilo que são os principais desafios que se apresentam ao seu Executivo para a melhoria das condições de vida nos próximos tempos na urbe.
Antes das actividades de ontem, que também compreenderam o lançamento do livro “Maputo – Cidade das Acácias” e de um passeio de crianças pela baía no “ferry-boat” Mpfumo, a Praça da Independência, nos Paços do Município, foi palco de um mega -concerto musical que contou com a actuação de diversos artistas musicais da nossa praça. Foram cerca de 12 horas de muita música, dança e animação com centenas de munícipes oriundos de diferentes zonas residenciais, não apenas da cidade aniversariante, mas também da vizinha Matola.
O Presidente do Conselho Municipal, David Simango, considerou o 10 de Novembro de um dia especial para cidade-capital do país, pois passam 122 anos desde a elevação de Maputo àquela categoria, sendo que, no entanto, continua a enfrentar alguns desafios que se resumem principalmente em três domínios, nomeadamente de prover os munícipes de serviços básicos, tais como infra-estruturas de saneamento, estradas, hospitais, abastecimento de água.
Outro desafio que apontou é de tornar o município sustentável para o que, segundo disse, os residentes da cidade terão que contribuir para o seu crescimento saudável. Referiu-se ao facto de existirem muitas queixas sobre o atendimento no município, problemas de gestão transparente do solo urbano, para o que definiu como prioridade da edilidade a capacitação institucional dos seus quadros e serviços para que seja digna servidora dos munícipes. Aliás, as comemorações de ontem serviram também de momento para se fazer uma reflexão sobre os vários problemas que enfermam a urbe.
As actividades comemorativas que terminam hoje com a realização da cerimónia de inauguração da Terminal Rodoviária Internacional da baixa da cidade de Maputo, compreenderam também um festival de gastronomia, a travessia Maputo/Catembe, uma competição de “txchova” e a oferta de um almoço a idosos.


( Notícias, 11/11/09 )

Tuesday, 10 November 2009

Eleições 2009: o Voto de Qualidade e a Quantidade de Votos

Nas vésperas das eleições de 28 de Outubro, circulou um e-mail que chamaram de o maior de todos os tempos e eu transcrevo na integra a sua conclusão, com pedido adiantado de desculpas devido a alguns termos: "o problema de Moçambique é que, quem elege os governantes não é o pessoal que lê jornal, mas quem limpa o cu com ele!"!
Eu percebo o trecho acima como querendo dizer que a grande parte do eleitor moçambicano não tem acesso a informação, ou por conta da sua condição sócio económica ou simplesmente porque não sabem ler, escrever ou perceber a língua portuguesa que é a oficial. E como tudo acontece em português é já previsível os efeitos disso.
Até pode parecer uma brincadeira de mau gosto, mas parece que os resultados preliminares e os que ainda estão por vir mostraram que, realmente, as pessoas que contribuíram por via do voto para a vitoria do partido já no poder, são aquelas que vivem nas zonas rurais e que por causa da sua condição social não têm acesso a informação.
Não foi difícil notar que o partido vencedor perdeu em alguns círculos urbanos muito fortalecidos como é o bairro central da Cidade de Maputo e a Polana Cimento, lá onde moram os sortudos do país. Se as eleições de 2009 foram maioritariamente concorridos por jovens então os filhos, netos e sobrinhos dos sortudos não votaram neles. Quem sabe, alguns deles já não acreditam em si.
Na Beira por exemplo, a cidade conhecida como sendo a segunda do país, os resultados dos vitoriosos tiveram que ser forcados por via da fraude, devidamente comprovada por gravações em vídeo. Isso porque as pessoas que lêem o jornal já mudaram a sua tendência de voto.
Mas quantos são esses que lêem o jornal? Não passam de 20%. Aproximadamente, a percentagem que votou em Daviz Simango. Incluindo na Polana, na Josina Machel e em outros lugares altamente urbanizados.
Os que não podem ler o jornal em Moçambique, são acima de 70% e maioritariamente, essas pessoas vivem nas zonas suburbanas, nos subúrbios e no campo. Mas essas pessoas têm uma característica: são adoptadas de uma obediência cega a quem manda. Não precisam reflectir muito sobre as consequências das suas decisões, pois pensam que as suas decisões não podem influenciar demasiadamente. São pessoas que governam sem saber!
São pessoas que obedecem cegamente como ovelhas conduzidas ao matadouro. Eu fiquei preocupado quando e, alguns lugares de votação, um único candidato e o seu partido chegaram a obter 100% dos votos. Este é um dado muito importante para a reflexão. Embora isso agrade ao vencedor, mas é aqui que o vencedor descobre a sua fraqueza. É acompanhado por muita gente que não o questiona, que é pobre de informação e que obedece cegamente. É por isso que falo da quantidade de votos e da qualidade de voto.
Eu sou daqueles que acredita que a democracia para que seja participativa e inclusiva, o poder constituinte precisa dos elementos mais básicos para tomar a decisão. Os poucos que possuem esses elementos são os que estão nas zonas urbanas e eles mostraram qual a sua tendência de voto. Muito contraria daqueles que estão no campo.
É coisa para dizer que os moçambicanos eleitores estão divididos em três grupos: os que ainda não sabem em quem votar ou não podem votar por outros motivos, os que votam nas zonas urbanas e os que votam na periferia e nas zonas rurais. Esses que não votam são as abstenções, os que votam nas cidades são os que perdem porque são poucos e a vitoria é daqueles que votam no campo, em que mesmo sem os pressupostos do exercício do direito a votar são a maioria.
Coisa para dizer que é sempre bom saber a quem pedir o voto. A quem pode dar um voto de qualidade e perder ou a quem pode dar a maioria dos votos e ganhar? Os mais espertos começaram por colocar o campo e as zonas rurais como o pólo das suas atenções e conseguiram atrair aquela massa que não lê o jornal.
Mas ok, tudo acima são somente algumas provocações, o que conta mesmo é o resultado final, porque tanto o que vota com consciência como o que vota sem consciência, incluindo aquele que prefere abster-se são todos moçambicanos e as suas escolhas devem ser muito bem respeitadas, sob pena de dividirmos o país.
É aqui que mais uma vez se apela tanto aos perdedores como aos ganhadores que pautem sempre pelo bom senso, pela razão e pela inclusão dos moçambicanos em todo o processo das suas actividades politicas. Porque, embora votados no campo, é na cidade onde acontece o laboratório de desenvolvimento nacional. Embora perdendo nas cidades é sobre o campo em que a maior parte da governação deve incidir.
E o mais importante ainda é que todos devem começar a perceber que embora a democracia seja um sistema de maiorias elas podem não reflectir o ideal, quando não dotadas dos elementos necessários para tomar uma decisão mais democrática, no ponto de vista de razoabilidade, inclusão e participação. Penso que precisamos dialogar melhor sobre a dicotomia campo e cidade, considerando o acesso a informação de qualidade.


(Custódio Duma, em www.athiopia.blogspot.com)

Boletim sobre o Processo Político em Moçambique

Número 34, de 9 de Novembro de 2009, publicado por CIP, Centro de Integridade Pública, e AWEPA, Parlamentares Europeus para a Africa.

Títulos do Boletim:

Má conduta em centenas de mesas de voto - Aumentam as evidências de má conduta nas assembléias de voto - tanto no enchimento de urnas como na invalidação indevida de votos para a oposição. De que forma foi esta má conduta generalizada?

Afluência baixa e elevada

O MDM afirma que os seus delegados foram “escorraçados” ou que lhes recusaram credenciais

MDM refere crimes específicos

MDM refere problemas nos cadernos eleitorais


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Desafios de crescimento: Maputo aos 122 anos

MAPUTO, a capital da República de Moçambique, completa hoje 122 anos da sua elevação à categoria de cidade. Com cerca de 1,9 milhão de habitantes, Maputo assume-se como um cenário típico que se debate entre crescimento e desenvolvimento, onde ressalta uma convivência entre o velho e o novo que legitima o crescimento horizontal e vertical da urbe. Mais do que nunca, a natureza dos problemas que se colocam à “cidade das acácias” configura desafios que exigem cada vez maior engenho nas soluções da modernidade, ainda com aspectos latentes de ruralidade, no pensamento estratégico e dinamismo na execução dos projectos.
São várias as evidências de crescimento que se podem testemunhar na cidade de Maputo, algumas das quais reflexo do inconformismo e persistência com que a cidade se foi posicionando face aos problemas que caracterizaram as diversas etapas da sua história recente. Um dos exemplos de persistência é a sensível melhoria que se regista na gestão dos resíduos sólidos, apesar de continuarem a existir focos de más práticas nalgumas zonas da cidade.
Os investimentos realizados nos últimos anos na reabilitação e classificação de estradas tornaram a cidade de Maputo numa urbe menos hostil à circulação automóvel, para o que concorreu o estabelecimento de novas disposições de regulação do trânsito por forma a permitir uma melhor organização na utilização das poucas vias disponíveis numa cidade onde o parque automóvel cresceu significativamente nos últimos tempos.
O crime violento, que num passado recente chegou a fazer o “cartão de visitas” da cidade de Maputo, tende a reduzir e, apesar de continuar a haver focos de criminalidade, sobretudo a nível dos bairros periféricos, pode se considerar que a Polícia e as comunidades conseguiram algum ascendente em relação aos grupos malfeitores.
Entretanto, mantém-se um défice considerável no que concerne à manutenção do parque imobiliário da cidade, gerando-se uma situação em que a maioria dos edifícios, quer públicos, quer privados, apresenta evidências de má conservação, a reclamar intervenções de base para garantir a sua longevidade e outros até obras mínimas para melhorar a sua apresentação e estética da cidade.
Entretanto, é notório o esforço de renovação que a cidade vem empreendendo nos últimos tempos, com os números recentes a apontar para mais de mil e seiscentas obras licenciadas e actualmente em execução, com destaque para hotéis, pensões, espaços de lazer e edifícios para o funcionamento de serviços e instituições públicas.
Esta dinâmica vem sendo acompanhada pela tendência de expansão da cidade para novas áreas do território municipal, onde se erguem milhares de obras de alvenaria pertencentes a cidadãos que, a pouco e pouco, vão trocando a agitação do centro da cidade pelo sossego dos bairros periféricos. Pelo ritmo, o centro da cidade poderá, a médio ou longo prazo, perder a hegemonia como área residencial, a favor da prestação de serviços que está a ser potenciada com a construção de novos edifícios para serviços tanto públicos como privados.
A fragilidade que sempre marcou a prestação do serviço de transportes na cidade de Maputo estimulou o crescimento do parque automóvel nos últimos anos, com cada vez mais cidadãos a adquirirem viatura própria para facilitar a sua movimentação e, consequentemente, melhorar a sua qualidade de vida. Este esforço dos cidadãos denuncia agora uma grave fraqueza no que diz respeito à disponibilidade de vias para escoar o crescente tráfego, do que tem resultado congestionamentos sistemáticos, sobretudo nas horas de ponta, e colocando um desafio às autoridades no sentido de encontrar, em tempo útil, respostas para as novas exigências impostas por esse cenário de desenvolvimento humano.
A recente abertura da rua Dona Alice, que liga o centro da cidade e vários bairros a norte da urbe, faz parte dos esforços que se impõem para a solução do problema do congestionamento do trânsito, exercício que poderá sair reforçado com a conclusão da segunda faixa de rodagem da avenida Joaquim Chissano.
Será necessário corresponder à saída em massa de cidadãos do centro da cidade para a periferia, assumindo que será cada vez maior a procura de estradas para o rápido escoamento do tráfego envolvendo os cidadãos que vão continuar a precisar chegar ao centro da cidade em busca de serviços só oferecidos nesta zona da “cidade das acácias”.
Dados da sua história revelam que Maputo foi elevada à categoria de vila a 19 de Dezembro de 1876, tendo ganho o estatuto de cidade a partir de 10 de Novembro de 1887, como resultado do seu desempenho económico de então, numa altura em que os principais pólos eram o Transvaal e o porto de Durban, na África do Sul.

(J.Capela,Notícias,10/11/09)

Monday, 9 November 2009

Pensamento do dia

Disse um ícone do século XX que «o primeiro dever de um revolucionário é fazer a revolução».

Acrescento eu que o segundo dever de um revolucionário é, vitorioso, garantir a liberdade e assegurar-se que existem condições efectivas de oposição ao seu poder.


(Paulo Granjo, em www.antropocoiso.blogspot.com)

Alice Mabota duvida da legitimidade das eleições de 28 de Outubro


Falando na Beira onde acompanhou Brazão Mazula

“Se eu ganho o poder através de um vício eu teria vergonha” – Alice Mabota, presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) “Eu vi que houve muita viciação de votos”. “Eu confesso que tenho muitas dúvidas se as eleições moçambicanas foram livres, justas e transparentes. O que posso garantir é que foram ordeiras, o que significa que as filas decorreram de uma forma aceitável, as pessoas foram depositar o voto de uma maneira aceitável, não houve perturbações. Mas quanto a transparência, a justeza e liberdade, eu tenho muitas dúvidas” – idém “Enquanto estive em Maputo eu não tinha uma percepção sobre as eleições. Quando cheguei às províncias a minha percepção é já outra. Eu preciso reflectir muito sobre aquilo que vi e ouvi. É muito triste.” – idém

Beira (Canalmoz) - Alice Mabota, na sua qualidade de membro do Observatório Eleitoral, disse sábado na Beira, que duvida destas eleições. “Confesso que tenho muitas dúvidas se as eleições moçambicanas foram livres, justas e transparentes”. A presidente da Liga dos Direitos Humanos esteve na Beira na companhia de Brazão Mazula, que foi o primeiro presidente da CNE (Comissão Nacional de Eleições) a fim de procederem à entrega dos resultados eleitorais da contagem paralela efectuada pelo Observatório Eleitoral que deixa clara a percepção de que à medida que se afasta de Maputo o entendimento sobre o processo eleitoral pode ser outro.
Questionada pelo Canalmoz sobre a leitura que faz sobre as eleições do passado dia 28 afirmou: “É muito difícil fazer comentários. Enquanto estive em Maputo eu não tinha uma percepção sobre as eleições. Quando cheguei às províncias a minha percepção é já outra. Eu preciso reflectir muito sobre aquilo que vi e ouvi. É muito triste. É preciso fazer-se um trabalho grande para que no futuro as eleições em Moçambique sejam transparentes, o que significa que todos os processos que estão à vista e que são percebidos por toda a gente. Que sejam livres, quer dizer, para que toda a gente tenha liberdade de escolher o partido que quer e votar em quem quer. E que sejam justas, no sentido de que a justiça tem que ser igual para todos.”
Neste momento, conforme disse, “eu confesso que tenho muitas dúvidas se as eleições moçambicanas foram livres, justas e transparentes. O que posso garantir é que foram ordeiras, o que significa que as filas decorreram de uma forma aceitável, as pessoas foram depositar o voto de uma maneira aceitável, não houve perturbações. Mas quanto a transparência, a justeza e liberdade, eu tenho muitas dúvidas”.

“Se eu ganho o poder através de um vício eu teria vergonha”

O que terá visto nas províncias?, eis uma outra pergunta do nosso repórter.
“Eu vi que houve muita viciação de votos. É com muita tristeza que assisti a isso. Quer dizer, se eu ganho o poder através de um vício eu teria vergonha. Como sabem, eu sou sempre envergonhada. Só não tenho vergonha de dizer o que me vem na alma. Mas eu teria vergonha”, sustentou.
Recorde-se que Mabota esteve recentemente no centro de vários comentários quando num encontro tido entre o ex-presidente Joaquim Chissino e juristas ela afirmou que não votaria na Frelimo. Tal aconteceu quando terminado o discurso, Chissano pediu aos presentes para apresentarem as razões de eles, querendo, votarem na Frelimo e no seu candidato presidencial, como, assim havendo, quem não queira votar nos Camaradas, apresentar, igualmente, as suas razões.
Após cerca de cinco minutos de silêncio, Alice Mabota, que também é Presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, pediu a palavra e o micro para dizer o que lhe vinha na alma.
"Vou falar aquilo que eu sinto e penso. Não pretendo escovar ou ofender a ninguém, tanto mais que admiro e respeito muito o ex-chefe do Estado", assim introduziu Mabota, para, depois, gelar a sala com as seguintes palavras: "eu não vou votar na Frelimo e em Guebuza, porque a Frelimo humilha as pessoas, pisa as pessoas. Não concordo com o ex-chefe do Estado quando diz que tudo o que temos e somos, hoje, foi a Frelimo quem o fez. Será que, mesmo se o colono continuasse até hoje, Moçambique não estaria assim? Eu fui a primeira mulher negra a ter carro no período colonial, aqui em Moçambique e não era a Frelimo a governar".
Prosseguiu, no mesmo tom, dizendo que "o dinheiro que a Frelimo usa e tem vem dos nossos impostos, nós é que pagamos os impostos, por isso, não venham nos dizer que votem na Frelimo e em Guebuza, porque tudo o que existe e temos a Frelimo é que o fez, porque, se levarmos o mesmo dinheiro e o dermos a um outro partido, também esse pode fazer muitas coisas boas".
Sustentando as suas declarações, Alice Mabota fez saber, no entanto, que o facto de não votar na Frelimo e em Guebuza, não é sinal de que ela seja da aposição. "Com esta minha idade, não posso ser de um outro partido, senão a Frelimo, mas não tenho o cartão de membro, já o tive, mas, agora, não o quero ter, por causa das pessoas jovens que estão a dirigir agora. Por isso, não quero ter o cartão de membro e não quero votar na Frelimo e em Guebuza! Talvez se me dissesse que o governo que a Frelimo irá formar será inclusivo, mas, mesmo assim, não quero", disse então a presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos.
No contra-ataque, o orador de serviço, Joaquim Chissano, tentou contornar o embaraço, dizendo: “concordo com a doutora Alice Mabota quando diz que não vai votar na Frelimo por aquilo que fez. Eu, próprio, vou votar na Frelimo e em Guebuza, não por causa daquilo que fez, vou votar, sim, por causa daquilo que vai e pretende fazer". Mabota referiu ainda que "alguém me disse que os políticos são malabaristas e malabarismo para mim é sujeira, é crime, é corrupção. Por isso, não quero votar na Frelimo e em Guebuza".
Aliás, Chissano dissera, logo à sua chegada àquela sala, sobretudo depois de gritar viva Frelimo, viva Armando Guebuza que "eu sei que nem todos os que levantaram a mão a dizer viva o fizeram do coração; mas é normal, porque o que queria era apresentar as razões de se dever votar na Frelimo e em Guebuza".

Sobre o Observatório Eleitoral na Beira

Enquanto isto, instado a pronunciar-se sobre o propósito desta vinda à Beira, Brazão Mazula disse: “Como disse noutros momentos, nós do observatório eleitoral, fizemos a observação destas eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais. No nosso critério e método, entendemos que após produzirmos o relatório técnico preliminar tínhamos que o entregar aos três candidatos a presidência da república”.
Acrescentou que “o relatório é preliminar porque não é último, e depois foi um acto muito breve. O presidente do MDM entendeu também dar-nos informações daquilo que o MDM sentia do processo eleitoral. Ouvimos e agradecemos o facto de nos ter informado de vários aspectos, incluindo a câmera através da qual eles conseguiram filmar algumas mesas de voto sem os presidentes se aperceberem. E nós agradecemos e vamos reflectir sobre estes dados sem comentários neste momento”.
As imagens captadas irmão mudar a vossa forma de actuação futuramente? Perguntámos a Brazão Mazula. “Nós dissemos ao candidato do MDM que eu não sou Observatório, nem os dois que viemos. Portanto, vamos levar isso à equipa do observatório. Vamos analisar isto e ver quais os procedimentos a seguir”. Estes comentários foram a propósito da fraude filmada pelo MDM numa escola da Beira.

(Adelino Timóteo, CANALMOZ, 09/11/09)

MDM faz avaliação preliminar das eleições gerais e provinciais




“Estas eleições foram as mais fraudulentas de que há memória na história democrática eleitoral iniciada em 1994” – Daviz Simango, presidente do MDM

Beira (Canalmoz) - O MDM esteve reunido no fim-de-semana na Beira. Entre outros pontos, para fazer a avaliação do processo eleitoral, prestação de contas dos fundos da Comissão Nacional de Eleições (CNE), definir a estratégia pós-eleitoral, desenhar cenários possíveis de criação de uma bancada parlamentar e projectar a convocação do Congresso do partido. Todavia, o prato forte do evento foi o arrolamento das diversas irregularidades constatadas no processo de votação, em cada ponto do país.
Um relatório sucinto sobre o quadro das irregularidades detectadas poderá ser apresentado na próxima semana pelo presidente do MDM, Daviz Simango, que irá pronunciar-se oficialmente e em geral sobre os escrutínios de 28 de Outubro (eleições presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais).
Enquanto isto, o Canalmoz teve acesso a uma avaliação preliminar das “irregularidades” detectadas no processo, muito embora a versão definitiva, como nos disseram esteja reservada para ser anunciada pelo presidente do MDM, quando se pronunciar oficialmente sobre os três escrutínios que decorreram em simultâneo.
O Relatório preliminar do MDM sobre as eleições é por ora apenas um esboço das constatações em termos gerais, mas os delegados provinciais do MDM, que participaram no encontro deste fim-de-semana dando contribuições exaustivas, nos próximos dias compilarão a versão definitiva para ser tornada pública de forma oficial pelo engenheiro Daviz Simango.

Ilícitos eleitorais e outras ocorrências arroladas pelo MDM

O relatório preliminar fala por exemplo da província de Cabo Delegado onde em muitas mesas de votação foram apresentados cadernos com mais de mil eleitores.
Na província de Nampula falou-se do caso de Angoche, onde uns sem número de supostos observadores, idos da cidade de Nampula, introduziram votos nas urnas.
Na Emopesca, onde funcionaram quatro mesas de votação, os delegados de lista do MDM foram escorraçados pela Polícia da República de Moçambique (PRM).
Na Ilha de Moçambique constataram o aparecimento de cadernos falsos, e pelo facto, uma grande parte dos eleitores não exerceu o seu direito de voto. Os presidentes das mesas alertados sobre a possibilidade de uso dos cadernos manuscritos só o fizeram depois das 16 horas quando praticamente os eleitores já haviam desistido de estarem nas filas a aguardarem pelo seu direito de votar que lhes foi assim negado.
Em Niassa, eleitores não inscritos nos cadernos votaram em todas as mesas. Depois, os seus nomes e números de cartões foram lançados nas respectivas actas e editais. Foram detectados cadernos falsos em toda a província, com destaque para o distrito de Lichinga – só aqui 21 cadernos.

Negadas reclamações na presença de observadores da UE identificados

Em Niassa, MDM constatou ainda a recusa dos presidentes das mesas em receber reclamações dos delegados de lista, e diz que isso foi testemunhado pelos observadores da União Europeia, designadamente Eduardo Salvar e Rumiana Brecheva. Estes solicitaram esclarecimentos aos presidentes das assembleias, que lhes responderam que tinham ordens para não receber reclamações. Foram encontrados cadernos adulterados cujos mapas apresentavam números inferiores aos dos cadernos. Ainda em Niassa, os mapas oficiais não coincidiam com os utilizados nas mesas de voto.

Delegados impedidos de assistir ao escrutínio

Na Zambézia, os delegados de lista do MDM em todos os distritos foram impedidos de assistir a abertura das mesas. No distrito de Chinde, os delegados de lista do MDM não foram credenciados pela respectiva Comissão Distrital de Eleições (CDE). Na Maganja da Costa, durante o processo de contagem de votos, os delegados de lista do MDM foram escorraçados das mesas de votação pelos presidentes das respectivas mesas. Em Gilé, durante o processo de contagem de votos, os delegados de lista do MDM foram escorraçados das mesas de votação pelos presidentes das respectivas mesas. Tal como sucedeu em Maganja da Costa, em Gilé apenas foram chamados para entrega de actas e editais.
Em Nicoadala, na Escola Primária Completa de Mussolo Novo, assembleia de voto número 2108, o edital tinha sido preenchido com 810 votos a favor de Daviz Simango, foi alterado para 15, e o candidato Armando Guebuza que contava com 25 viu o número aumentado para 212. Esta situação foi reclamada junto da CDE (Comissão Distrital de Eleições), uma vez que o presidente da respectiva assembleia não aceitou receber a reclamação. Para a alteração foi usada caneta de feltro, no mesmo edital.
Em Pebane, durante o processo de contagem de votos, os delegados de lista do MDM foram escorraçados e os membros da Frelimo votaram com 3 e 4 boletins cada. Situação similar observou-se na cidade de Quelimane, onde os observadores da União Europeia tomaram nota desse tipo de procedimento irregular.
Na província de Tete, no distrito de Changara a CDE não entregou credenciais aos fiscais do MDM para efeitos de fiscalização das mesas de votação em todo o distrito.
Em Angónia, fiscais do MDM foram escorraçados das mesas de votação pelos presidentes das mesas. Aqui os presidentes das mesas obrigaram os eleitores a votarem em Guebuza, dando instruções claras dos procedimentos.
Em Tsangano, os fiscais do MDM não foram autorizados a permanecer nas salas de votação em virtude das credenciais não indicarem o número das mesas e o local onde os fiscais iriam trabalhar. Houve troca de cadernos, impedindo os leitores de votarem. Houve inutilização premeditada pelos membros das mesas dos votos de Daviz Simango.
Na província de Manica houve duplicação de nomes nos cadernos eleitorais. Houve ainda panfletos onde funcionavam as mesas de votação, isto é fez-se campanha eleitoral à boca das urnas a favor do candidato Guebuza nas mesas de votação. Os fiscais estavam impedidos de ter acesso aos cadernos eleitorais, para que os eleitores os consultassem antes da votação. Também houve encerramento da votação antes das 18 horas.
No caso da província de Sofala, constatou-se a falta de três cadernos eleitorais, na Cerâmica, cidade da Beira, e Mafambisse, Dondo. Ainda em Mafambisse foram introduzidos na urna votos na mesa 623, pela presidente da assembleia, Eufrásia, e o professor Conde. O fiscal do MDM foi agredido quando tentou impedir para que se pusesse cobro à situação. Na Escola Primária do Esturro a escrutinadora Teresinha, depois da contagem parcial de boletins, usou uma tinta de almofada para inutilizar 124 votos de Daviz Simango.
Em Maríngue, na Escola Primária Completa da Vila, os presidentes das assembleias de voto davam prioridade aos membros da Frelimo no acto de votação. Houve um apagão de luz e cada delegado devia ter a sua laterna. Os candeeiros dos kit só podiam ser utilizados pelos membros das mesas, eram negados aos delegados de lista. Tal tornou permissível a introdução de votos falsos nas urnas. Houve eleitores em Subuè e Nhavuo a votar várias vezes.

Blindado da PRM ameaça eleitores

Ainda em Marínguè, distrito onde a Renamo teve e tem a base da segurança de Afonso Dhlakama, foi utilizado um blindado da Polícia para afugentar membros do MDM, após o que seguiu o enchimento das urnas, segundo foi também referido na reunião do MDM de que estamos a citar o que ali foi arrolado pelos delegados provinciais este fim-de-semana.
No distrito de Machanga, também em Sofala, registou-se a falta de dois cadernos eleitorais, na escola completa Mupine. Grande parte dos delegados de mesa recusaram-se a entregar editais aos delegados de lista do MDM.
No distrito de Dondo, localidade de Savane, o secretário da Frelimo votou pelo menos três vezes. Na Escola Milha 8, a mesa de votação 0634 foi deslocada para uma distância de sete a 10 quilómetros do local em que deveria ter funcionado como previsto no Mapa de Localização das assembleias.
Em Gaza os presidentes das mesas não afixaram os editais alegando falta de cola. Os mesmos não entregaram actas e editais aos delegados de lista.
Em Maputo-província os delegados do MDM confrontaram-se com dificuldades para recepção de actas e editais. O mesmo passou-se em Maputo-cidade.

Posicionamento do MDM face aos resultados eleitorais

O MDM irá manifestar o seu posicionamento oficial sobre os resultados eleitorais, na próxima semana, após a divulgação dos resultados pela CNE. Todavia, segundo adiantou o presidente Daviz Simango, quando fechava o evento, “estas eleições foram as mais fraudulentas de que há memória na história democrática eleitoral iniciada em 1994”.
Daviz Simango instou os seus correligionários a trabalharem arduamente no sentido de alargarem a base de inserção do seu partido. Recordou ainda que o grande obstáculo foi a exclusão do MDM neste processo, pela CNE.
Quanto ao congresso do MDM nada foi avançado.

(Adelino Timóteo, CANALMOZ, 09/11/09)

A opinião de Machado da Graça

"É que apareceram observadores de toda a forma e feitio, nacionais e internacionais, verdadeiros e falsos, eficientes e desleixados. Enfim, parece ter havido de tudo."



Olá, Bárbara, como vai isso?
Do meu lado tudo bem, felizmente.
Como sei que te interessas por estas coisas dos procedimentos eleitorais, gostava hoje de falar um pouco contigo a-propósito dos observadores das eleições. Principalmente dos observadores deste processo eleitoral que está a decorrer no nosso país.
É que apareceram observadores de toda a forma e feitio, nacionais e internacionais, verdadeiros e falsos, eficientes e desleixados. Enfim, parece ter havido de tudo.
E depois há a forma como os órgãos de informação noticiam os relatórios desses observadores.
Comecemos pelos observadores rapidinhos. São aqueles que chegam ao país na véspera do dia das eleições, ficam na capital ou noutras cidades importantes, vão ver o povo votar e, no dia seguinte, declaram que as eleições foram livres, justas e transparentes. Nada lhes interessa o que aconteceu antes do dia da votação nem o que vai acontecer duranto o processo da contagem dos votos. Não lhes interessa, sequer, o que aconteceu no dia da votação nas zonas rurais, onde a tentação de fazer porcaria tem mais hipóteses de ser satisfeita. Um amigo meu comentava mesmo que, enquanto nós votávamos, um grupo desses observadores petiscava alegremente num bom restaurante da cidade. Se bem recordo, eles observavam, no prato, belos nacos de picanha.
Depois tivemos as largas centenas de jovens que se inscreveram como observadores para, ao que parece, irem para os distritos e localidades continuar a fazer campanha, pelo seu partido, mesmo no momento da votação, o que é proibido, como sabes.
Temos ainda os observadores nacionais pertencentes a organizações mais ou menos subservientes ao partido no poder. Esses estão ali apenas para carimbarem positivamente os resultados. No entanto metem sempre um pequeno parágrafo crítico, lá para o fim do relatório, para fazer bonito e acalmarem as consciências.
Depois há os observadores internacionais mais sérios. E, em relação a esses, a táctica é começar logo a tentar desacreditá-los logo que chegam para, dessa forma, desacreditarem antecipadamente aquilo que eles irão meter no seu relatório final. Começase por dizer que pertencem a países que se mostraram aborrecidos com algumas práticas eleitorais prévotação.
Depois afirma-se que eles se mostram muito amigos de um determinado partido da oposição e por aí adiante. Vamos esperar para ver como é que isso vai acabar.
Apesar da pressa com que chegaram e partiram, no entanto, alguns internacionais sempre meteram algumas críticas com certo peso nos seus relatórios, apesar de, no geral, acharem que o processo legitima os virtuais vencedores.
Só que, nesse momento, entram em acção os órgãos de informação do sector público que, talvez por falta de espaço para publicar tudo, acabam por só nos fornecerem a parte em que se legitima os vencedores, deixando de lado, por inúteis, os comentários críticos.
Pelo meio disso tudo há todos aqueles, normalmente chegados ao poder, que se armam de xenofobia e questionam a necessidade dos observadores internacionais, invocando a soberania nacional.
Enfim, é todo um mundo de acções e reacções à volta desta coisa tão simples que é ter pessoas a ver se as eleições são algo de sério e legitimador dos vencedores ou apenas uma palhaçada formal para manter na cadeira quem já lá está e não quer sair. Com todas as possíveis variantes intermédias.
E, devo dizer, tenho sempre uma certa desconfiança em relação a quem não quer que os seus actos sejam observados. Fico sempre a pensar, comigo próprio, o que estão essas pessoas a preparar para fazer que não querem que os outros saibam?
Só para terminar um assunto relacionado com este.
O boletim do Joe Hanlon refere que, no Norte de Gaza e em Tete, mais uma vez aconteceu o fenómeno de urnas com 100% de votantes e todos na FRELIMO e Armando Guebuza. Fenómeno estranho, sem dúvida. Mas eu pergunto: se já tinha
acontecido o mesmo, nas mesmas zonas, nas eleições anteriores, por que não estavam lá os observadores?
E, mais grave ainda, o que estavam a fazer os delegados dos partidos da oposição?
Dúvidas que, para já, ficam no ar.
Um beijo para ti, minha amiga, do

Machado da Graça

CORREIO DA MANHÃ – 06.11.2009, citado em www.macua.blogs.com

Sunday, 8 November 2009

Muro de Berlim caiu há 20 anos


O Mundo celebra amanhã o 20.º aniversário do fim da Europa dividida. O Muro da Vergonha ou da Protecção contra o fascismo, como era visto de cada um dos lados do mesmo, já não existe em Berlim, mas continua a ser um dos marcos do século XX. Leia aqui uma (muito) rápida visita à história.
Dos 155 quilómetros iniciais, restam 1300 metros. Foram mantidos como memorial da divisão. Com o nome de Galeria do lado leste, o que resta do Muro foi pintado com grafitti por artistas de todo o planeta e é hoje um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.
O Muro começou por dividir a Alemanha em duas. A Federal e a Democrática. Uma a ocidente, outra a leste. Era assim o Mundo em 1961, quando na noite de 12 para 13 de Agosto, Berlim foi dividida em duas. De início nem um muro era, apenas uma cerca com arames que dividia em duas partes a cidade de Berlim. De um lado estava o Ocidente, do outro o Bloco de Leste. Um lado mais próximo dos EUA, o outro da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, dirigida a partir de Moscovo, na Rússia. A divisão física feita na Alemanha simbolizava a divisão do Mundo na perfeição. De um lado, a Nato, do outro o Pacto de Varsóvia.
Cerca de 40 mil soldados da RDA trabalharam na construção da obra, que foi decidida em Moscovo, em Junho de 1961, numa reunião do pacto de Varsóvia. A separação durou 28 anos, dois meses e 27 dias e tinha uma extensão de 155 quilómetros.
Expoente máximo vísivel da Guerra Fria, o Muro fez 276 mortes e 3000 detenções: todas elas pessoas que tentaram escapar ao regime comunista vigente na RDA para viver em democracia na RFA. A história recordará sempre o nome de Chris Guefrroy, morto a 5 de Fevereiro de 1989, tinha então 20 anos. Foi este jovem a última vítima da separação. Abatido a tiro, ficou a escassos meses de poder atravessar livremente aquele espaço, numa Alemanha de novo unificada, graças à abertura de Egon Krenz, presidente da RDA a partir de 18 de Outubro do mesmo ano.
Demorou menos de um ano a reunificação da Alemanha. O processo teve início em Julho de 1990 e ficou concluído a 3 de Outurbo, com a entrada em vigor do Tratado de Unificação, que viria a fazer de novo de Berlim a capital do país.
Hoje, a Alemanha é liderada por Ângela Merkel, uma mulher que cresceu na RDA e Berlim acabou por tornar-se o motor da união da Europa, com a inclusão de vários países que antes pertenceram ao pacto de Varsóvia na União Europeia.


FONTE: www.abola.pt

Leia mais sobre este assunto aqui:

Maputo Shopping




O Maputo Shopping é o mais recente centro comercial de Maputo. Este complexo comercial é moderno, atraente e funcional, salientando-se pela variedade de Restaurantes e Cafés de qualidade, embora se note a falta de pelo menos uma sala de cinema.
Apenas fiquei surpreendido por um espaço desta dimensão não ter um parque de estacionamento para os veículos dos utentes mas consta-se que essa lacuna será colmatada num futuro próximo.

A Mais Pura Verdade!!!!


O Mundo sem Mulheres!



O homem faz um esforço enorme para ficar rico pra quê?

O sujeito quer ficar famoso pra quê?

O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?

A verdade é que o objetivo do homem é a Mulher.

A verdade é que o homem vive em função da mulher.

Vive e pensa em mulher o dia inteiro, a vida inteira.

Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.

Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo.

Um mundo só de homens seria o grande erro da criação.

Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

É você, mulher, quem impulsiona o mundo.

É você quem tem o poder, e não o homem.

É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme a ser visto, o local das férias.

Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens.

E, se você que está lendo isto for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.

Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens...

Já pensou?

Um casamento sem noiva?

Um mundo sem sogras?

Enfim, um mundo sem netas?

ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:

1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.

2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em nosso ombro, nosso peito.

3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.

4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.

5- Como são encantadoras quando comem.

6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.

7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.

8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.

9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.

10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.

11- O brilho nos olhos quando sorriem.

12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'

13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.

15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.

16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.

18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.

19- As saudades que sentimos delas.

20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

Increased competition dilutes Portugal’s economic weight in Mozambique


Increased competition from other countries has led to economic relations between Portugal and Mozambique becoming less significant, in both trade and direct investment, according to Notícias newspaper of Maputo.
Saying that South African, China and Brazil were the main investors in Mozambique, the newspaper added that in 2008 Portugal was only Mozambique’s fifth largest supplier, which gets 40 percent of its imports from South Africa.
In 1994, the year of Mozambique’s first elections, Portuguese exports to Mozambique were four times greater than the value of Portuguese trade with Angola, whereas today, not only is Angola worth much more, but Cape Verde occupies second place among Portuguese-speaking African Countries.
In 2008, Portugal sold products to Mozambique with a value of 92.3 million euros, that is, 3.3 percent more than in 2007, and in the first half, Portuguese exports to Mozambique reached 54.3 million Euros, 35.3 higher than for the same period the previous year, according to data from the National Statistics Institute (INE).
Worse, says Notícias, is the trend in direct investment with countries such as South African (with projects such as the Mozal aluminium foundry), China and Brazil standing out ahead of Portugal.
In 2007, there was an extraordinary peak, with Portuguese net investment reaching 80.6 million Euros (gross investment of 113.2 million and divestitures of 32.6 million) in areas such as construction, real estate activity and business services. However, between 2004 and 2006, overall, the value did not surpass 21 million Euros.
Last year there was a sharp fall because, among new projects and divestitures, the value was minus 11.2 million Euros.
João Navega, president of the Portugal-Mozambique Chamber of Commerce, said that “Portuguese businesspeople have not stopped investing,” but today there is a lot more external investment from other countries.
Stating that the figures need to be looked at in greater depth, he said that “investments made over the decades, very often without return but which have multiplied, have borne fruit, and given rise to Mozambican companies and groups, which will go on to create positive results.”

FONTE: macauhub, citado em www.clubofmozambique.com