Friday, 17 February 2017

Mais de 650 mil pessoas afetadas por ciclone no sul de Moçambique -- oficial

O número de pessoas afetadas pelo ciclone que atingiu na quarta-feira a província de Inhambane, sul de Moçambique, subiu para 650 mil, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), que manteve o número de mortos em sete.
Num relatório a que a Lusa teve acesso, o CENOE avança que o número de pessoas afetadas subiu de 130 mil e que há 55 feridos, quatro dos quais em estado grave.
No que respeita aos prejuízos, o relatório indica que foram danificados 106 edifícios públicos, 70 unidades hospitalares, 998 salas de aula, três torres de comunicação, 48 postos de transporte de energia elétrica e dois sistemas de abastecimento de água.
"Como ações de resposta, foram criadas equipas de monitoria e avaliação rápida, abrigo, planificação e informação", refere o documento, que avança que, por precaução, foram canceladas as aulas nos distritos de Massinga, Morrumbene, Vilankulos, Jangamo, cidade de Inhambane e Maxixe.
O ciclone, que começou como uma depressão tropical, formou-se no canal de Moçambique e, à medida que se aproximava da costa, aumentou a velocidade, tendo os ventos, até ao meio-dia de quarta-feira, atingido uma velocidade de mais de 100 quilómetros por hora, com rajadas de cerca de 150 quilómetros por hora.
Os distritos de Massinga, Morrumbene, Maxixe, Jangamo, Zavala, Homoíne, Vilanculos, Inharrime e Inhassoro, todos na zona costeira, foram os mais atingidos pelo ciclone, um fenómeno que levou as autoridades moçambicanas a ativarem os centros operativos de emergência em todos os locais afetados.
"Neste momento, decorrem os trabalhos para a atualização de dados, mas temos problemas, devido à falta de comunicação, na medida em que as vias de acesso foram danificadas e temos o problema da falta de comunicação", afirmou o diretor do (CNOE), Maurício Xerinda, falando na quinta-feira, durante uma conferência de imprensa de balanço.
"Estamos a providenciar tendas e alimentos para as famílias afetadas", observou a fonte, que garantiu que o Governo moçambicano continua a monitorar a situação em Inhambane e também Gaza, onde os danos do ciclone foram menores e não houve vítimas mortais.
Falando durante a abertura do primeiro Seminário Internacional da Rede de Provedores de Justiça da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na quinta-feira em Maputo, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, expressou a sua preocupação com as populações afetadas, garantindo que o Governo tudo fará para assistir as pessoas atingidas pelo fenómeno.
"Queremos aqui deixar uma mensagem de muita força e coragem e o Governo tudo fará para dar uma resposta o mais rápido possível aos efeitos deste desastre natural", referiu Nyusi.


Thursday, 16 February 2017

Sete mortos e 130 mil pessoas afetadas por ciclone no sul de Moçambique

SETE PESSOAS MORRERAM E OUTRAS 130 MIL FORAM AFETADAS EM INHAMBANE NA SEQUÊNCIA DE UM CICLONE TROPICAL QUE ATINGIU PROVÍNCIAS DO SUL DE MOÇAMBIQUE, INFORMOU HOJE O DIRETOR DO CENTRO NACIONAL OPERATIVO DE EMERGÊNCIA (CNOE).
FALANDO DURANTE UMA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DE AVALIAÇÃO PRELIMINAR DO IMPACTO DO CICLONE TROPICAL DINEO, MAURÍCIO XERINDA DISSE QUE SÓ NA PROVÍNCIA DE INHAMBANE, A MAIS ATINGIDA PELO FENÓMENO, PERTO DE 20 MIL CASAS FORAM DESTRUÍDAS E 104 SALAS DE AULAS FICARAM DANIFICADAS.
"NESTE MOMENTO, DECORREM OS TRABALHOS PARA ATUALIZAÇÃO DE DADOS, MAS TEMOS PROBLEMAS DEVIDO A FALTA DE COMUNICAÇÃO, NA MEDIDA EM QUE AS VIAS DE ACESSO FORAM DENSIFICADAS E TEMOS O PROBLEMA DA FALTA DE COMUNICAÇÃO", AFIRMOU MAURÍCIO XERINDA, ACRESCENTANDO QUE BOA PARTE DA PROVÍNCIA DE INHAMBANE ESTÁ ÀS ESCURAS DEVIDO À QUEDA DE POSTES DE ENERGIA.OS DISTRITOS DE MASSINGA, MORRUMBENE, MAXIXE, JANGAMO, ZAVALA, HOMOÍNE VILANCULOS INHARRIME E INHASSORO, TODOS NA ZONA COSTEIRA, FORAM OS MAIS ATINGIDOS PELO CICLONE, UM FENÓMENO QUE LEVOU AS AUTORIDADES MOÇAMBICANAS A ATIVAREM OS CENTROS OPERATIVOS DE EMERGÊNCIAS EM TODOS ESTES LOCAIS.
DE ACORDO COM O DIRETOR DO CNOE, 49 UNIDADES HOSPITALARES FORAM AFETADAS E 51 EDIFÍCIOS PÚBLICOS FORAM PARCIALMENTE DESTRUÍDOS, ALÉM DE TRÊS TORRES DE COMUNICAÇÃO TEREM SIDO DERRUBADAS.
"ESTAMOS A PROVIDENCIAR TENDAS E ALIMENTOS PARA AS FAMÍLIAS AFETADAS", OBSERVOU A FONTE, QUE GARANTE QUE O GOVERNO MOÇAMBICANO CONTINUA A MONITORAR A SITUAÇÃO EM INHAMBANE E TAMBÉM GAZA, ONDE OS DANOS DO CICLONE FORAM MENORES E NÃO HOUVE VÍTIMAS MORTAIS.
CONTACTO PELA LUSA, O METEOROLOGISTA ACÁCIO TEMBE, DO INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA, DISSE QUE O CICLONE, QUE CHEGOU À ZONA COSTEIRA DE INHAMBANE NA QUARTA-FEIRA, ESTÁ A PERDER A SUA FORÇA E ESPERA-SE QUE SE TRANSFORME, NAS PRÓXIMAS HORAS, EM BAIXA PRESSÃO.
"NESTE MOMENTO, PODEMOS DIZER QUE JÁ NEM É UM CICLONE, MAS SIM É UMA DEPRESSÃO TROPICAL. ESTÁ A PERDER FORÇA E AGORA DIRIGE-SE PARA O NORTE DA PROVÍNCIA DE GAZA, ONDE PODERÁ PARAR NA FRONTEIRA COM A ÁFRICA DO SUL", OBSERVOU O METEOROLOGISTA.
O CICLONE, QUE COMEÇOU COMO UMA DEPRESSÃO TROPICAL, FORMOU-SE NO CANAL DE MOÇAMBIQUE E, À MEDIDA QUE SE APROXIMAVA DA COSTA, AUMENTOU A VELOCIDADE, TENDO OS VENTOS, ATÉ AO MEIO-DIA DE QUARTA-FEIRA, ATINGIDO UMA VELOCIDADE DE MAIS DE 100 QUILÓMETROS POR HORA, COM RAJADAS DE CERCA DE 150 QUILÓMETROS POR HORA.
FALANDO HOJE NA ABERTURA DO PRIMEIRO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA REDE DE PROVEDORES DE JUSTIÇA, EM MAPUTO, O PRESIDENTE MOÇAMBICANO, FILIPE NYUSI, EXPRESSOU A SUA PREOCUPAÇÃO COM AS POPULAÇÕES AFETADAS, GARANTINDO QUE O GOVERNO TUDO FARÁ PARA ASSISTIR AS PESSOAS ATINGIDAS PELO FENÓMENO.

"QUEREMOS AQUI DEIXAR UMA MENSAGEM DE MUITA FORÇA E CORAGEM E O GOVERNO TUDO FARÁ PARA DAR UMA RESPOSTA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL AOS EFEITOS DESTES DESASTRE NATURAL", REFERIU O CHEFE DE ESTADO MOÇAMBICANO.



Noticias ao Minuto

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

 
Como é que se esquece alguém que se ama? 
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?

Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se
cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

“É preciso sair do conflito e avançar para uma paz positiva”, Severino Ngoenha

Ngoenha considera que o diálogo político não pode estar centrado em apenas dois partidos

 
Em entrevista à Stv, o filósofo moçambicano, Severino Ngoenha falou do novo modelo do diálogo político no país e avançou as linhas que considera fundamentais para garantir uma paz e estabilidade efectivas.
Como é que olha para esta mudança, que já vai no seu terceiro modelo?
Quando houve a primeira semana de tréguas, elas coincidiram com o período em que muitas empresas fecham para irem de férias... Confesso que tive medo que o período de tréguas fosse para dar uma pausa para as tropas voltarem com mais força e vigor. Depois, foi anunciado que a trégua seria prolongada por mais dois meses e dissemos que era preciso respirar. Na altura, lancei uma mini-ideia de que era importante que os académicos deixassem de assistir ao que acontece e tomassem iniciativa de propor alternativas possíveis; que seria bom que nos reuníssemos e tentássemos ver que modelos, que alternativas, que estradas podemos percorrer, para que fôssemos mais participativos na sorte do país, que é nosso, e não nos limitássemos em análises e em críticas, como tem acontecido na nossa acção e presença, no debate político nacional.
 
E esse apelo foi bem percebido?
Tenho a impressão de que algumas pessoas tentaram aproveitar-se disso. Os que estavam ligados aos partidos políticos, quando ouviram isso, mostraram interesse, porque não querem ficar fora de nada, outras têm muito medo ou receio, outras ainda pensam: o que iremos ganhar com isso? Mas eu queira que fosse um espaço do cidadão. Que as pessoas se encontrassem e não houvesse nenhuma cooperação internacional, não houvesse, à partida, nenhum partido político, mas, ao mesmo tempo, todos fossem informados. Queria que fosse um lugar em que nos encontrássemos não por preocupação com a militância por um partido, mas sim por militância pela paz e pelo nosso país, que é Moçambique. Algumas pessoas iam dizendo “sim, mas...”. Há um medo, um receio, por um lado, pelas práticas que têm sido nossas e comuns em Moçambique desde muitos anos, mas, por outro lado, uma cobardia que habita em nós de um medo excessivo e até pela perseguição e intolerância lá nos espaços que temos para mostrar as nossas ideias. E quando esse espaço não existe, ninguém vai nos dar, temos que reivindicar, lutar por ele, e só com ousadia poderemos fazer isso. A ousadia não esteve presente, depois, os eventos precipitaram-se (ainda bem) e, então, se um debate e nossa intervenção deve haver, não é tanto para aquilo que eu pensava organizar este fórum de pessoas para discutirmos, mas sim para vermos o que vai acontecer depois, o que faremos no futuro. Se chegarmos a um acordo de paz, será uma paz que irei considerar de negativa. Quero com isto dizer que será uma ausência de armas, uma ausência de disparos, de mortes. Mas uma verdadeira paz deve ser a criação de um espaço social e político em que as pessoas tenham ou possam satisfazer as suas necessidades materiais, espirituais, económicas, religiosas, etc.. A construção dessa paz positiva é um trabalho a realizar e não será pela assinatura de acordos pelos dois lados.
 
Olhando para este diálogo político em que existe interesse das partes, qual seria a diferença entre esses interesses e os interesses do povo moçambicano?
Este é o grande receio que tenho. Nós sabemos que entre a Frelimo e a Renamo houve uma espécie de acordo. Vi, há dias, na STV, um representante da Renamo em Manica a dizer que a população pode circular à vontade, pode ir aos distritos que não haveria nenhum problema. Ele estava muito contente, dava a entender que teria encontrado a solução, e isso é muito bom. Não há duvidas que é óptimo. Mas a que acordo eles chegaram, nós não sabemos. Houve cedências recíprocas? Se houve cedências, de que tipo foram? Imaginem só se as cedências fossem do tipo económico, que nós cedêssemos uma província, um corredor, uma mina de ouro, etc.. Isso satisfaria os homens da Renamo e satisfaria os homens da Frelimo, mas não satisfaria o povo moçambicano. O povo de Moçambique estaria satisfeito parcialmente, porque, de um lado, a paz negativa teria encontrado uma solução, mas a parte positiva, a reconstrução das casas, dos hospitais, o acesso à educação, saúde, a igualdade de acesso ao mercado económico, de trabalho, acesso à saúde não seria satisfeito. Portanto, estaríamos numa paz negativa para todos e simplicissimamente positiva para aqueles que foram beligerantes. O presidente Dhlakama disse há dias, numa entrevista, que haverá toques na Constituição. Ora, o que nós temos assistido na democracia moçambicana e nas democracias internacionais é que nos limitamos em ir votar a cada cinco ou quatro anos, dar praticamente um cheque em branco aos governantes para fazerem e desfazerem. Hoje, na teorização da filosofia política pergunta-se: como podemos repassar o poder novamente aos cidadãos? Isto significa que tem que se criar mecanismos para que, de verdade, as pessoas possam participar na tomada de decisões dos problemas que lhes dizem respeito.
 
Olhando, agora, para as novas características do diálogo, a novidade é que o processo se centra nesta fase em dois temas: a questão da descentralização e a dos assuntos militares. Aparentemente, os outros temas não foram incorporados ou resolvidos. Qual destes temas é verdadeiramente o tema?
Penso que a descentralização, de certa maneira, engloba em si mesmo a questão militar. Nós somos um país muito centralizado, por questões históricas. Quando chegámos a 1975, ano da independência, só tínhamos um e único partido que ocupou o espaço que deveria ocupar, que governou do jeito que deveria. O tipo de governação que foi feita não se limitava ao topo, mas também às bases.  Este partido também entrava nos quartéis, nas forças armadas, na polícia, etc.. Quer dizer que a questão militar é algo que deriva do facto de o país estar extremamente centralizado. Portanto, parece-me que a questão essencial e fundamental é como fazer com que o partido e Estado sejam duas coisas diferentes. E este é um processo que não vai ser resolvido com qualquer acordo, porque é um processo que será criado de forma contínua e paulatinamente. A Frelimo continuará a ser o único partido para muita gente que militava nas células em lugares mais recônditos do país, e a Renamo continuará a ser o representante anti-Frelimo para muitas pessoas por muitos anos. Então, a descentralização significa que nós temos um Estado e partidos que se confrontam ou dialogam em termos de programas que eles querem realizar e as pessoas devem posicionar-se, votar, num ou noutro, não por razões de origem históricas (porque a Frelimo nos libertou, a Renamo trouxe a democracia), nem por razões eternas, porque eu sou da Frelimo e devo continuar da Frelimo, eu sou da Renamo e vou continuar da Renamo, mas porque me apresenta um programa concreto de soluções para os problemas que eu enfrento.
 
Quando diz que a descentralização é um processo contínuo e longo, na sua óptica, o optimismo do presidente Dhlakama de em pouco tempo submeter o projecto de lei e o parlamento transformar já em lei, nesta componente da descentralização, é muito irreal?
Sob ponto de vista político e jurídico, isto podem fazer em dois, três meses, criar uma descentralização que agrade quer a Frelimo, quer a Renamo. Isso pode chegar ao parlamento e ser aprovado. O problema é a descentralização de facto, na prática, no terreno, onde estão mais de 20 milhões de habitantes. Descentralizar num país onde grande parte da população não sabe ler nem escrever, onde o pai sempre votou na Frelimo porque lutou e trouxe a independência, e outros lutaram contra a Frelimo, por isso, apoiam a Renamo... portanto, é necessário que a descentralização entre nos lugares mais recônditos do país e este processo é muito mais lento e muito mais difícil. E a incidência de toda uma sociedade, toda uma classe de académicos, intelectuais, sociedade civil, é importante para que as pessoas aprendam a tomar novo rumo, não por razões históricas, mas por programas políticos. Onde os partidos não se confrontam a questionar o que foi feito antes de ontem, mas pelos programas que apresentam para resolver os problemas concretos do quotidiano da população. 
 
Então, a descentralização está para além de um documento?
A descentralização é um processo contínuo e vai levar tempo. Há países centralizados no ocidente que falam de descentralização há mais de 50 anos, mas continuam centralizados. É só olharmos para a França...
 
Qual é o seu entendimento do facto de se dispensar os mediadores internacionais e, dias depois, anunciar-se que a comunidade internacional retoma o diálogo com o papel de assessoria. Existe alguma diferença?
Nas nossas famílias, às vezes temos problemas, conflitos, e em alguns casos resultam de violência. temos assistido a muitos casos desta natureza recentemente no país, desde as classes consideradas mais nobres até às mais humildes. E como é que resolvemos os problemas? Resolvemo-los em casa e, quando não conseguimos resolver entre nós, chamamos os pais, tios e avós para ajudarem. É claro que se existirem condições para que os moçambicanos resolvam o problema internamente, não há necessidade de se chamar os vizinhos. O problema surge quando não conseguimos encontrar solução de forma contínua e termos paz no seio familiar, isso é que nos leva a procurar ajuda. Bater à porta e pedir ajuda é reconhecer que sozinhos estamos com dificuldades. A história mostrou que estamos a passar por um processo contínuo de dificuldades. Isso levou a que as conversações entre a Frelimo e a Renamo fossem à Roma e que tivessem mediação internacional. Não obstante, caímos no mesmo problema e passamos por mediações nacionais e internacionais. Não vou dizer que a mediação internacional ou nacional é boa, vou dizer que devemos fazer tudo o que for necessário para que esta paz efectiva que é muito almejada chegue logo, porque ela é condição para a vinda da paz positiva. Se conseguíssemos resolver o problema entre nós, mostraríamos que nós temos problemas e conseguimos resolver os problemas internamente. Temos que ter capacidade de avaliar a situação, se estamos ou não em condições de resolver o problema sozinhos. Se estamos, iremos, caso não, teremos que pôr o orgulho de lado e pedir ajuda.
 
Qual é o seu pensamento? Temos capacidade de resolver o problema sozinhos?  
Primeiro, quer dizer que os próprios beligerantes não estão em acordo entre si. A posição da Renamo sempre foi a intervenção dos mediadores exteriores, e esta é uma condição para que o debate esteja numa condição positiva. Quando os intervenientes não estão de acordo sobre as premissas pelas quais o debate vai ser levado a cabo, nunca vai chegar a uma solução positiva, temos que satisfazer isto. Basta que um beligerante exija como condição a participação de outros, isso significa que esses outros devem ser convocados. Em termos de estatuto, tem que se discutir como será a actuação deles, se será como mediadores ou assessores. Para mim, o mais importante não é a presença nem o estatuto que eles têm, mas sim que nós criemos condições que nos levem a um diálogo que nos faça sair do conflito e avancemos para a segunda etapa, que seria, como me referi anteriormente, a paz positiva.


O País

Wednesday, 15 February 2017

Depressão tropical no canal de Moçambique ameaça províncias no sul do país

Uma depressão tropical que se formou no canal de Moçambique pode provocar, nos próximos dias, ventos e chuvas fortes nas províncias de Gaza e Inhambane, disse à Lusa o porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades.
"É uma depressão tropical que vai provocar ventos fortes e que poderá vir a ser acompanhada de uma precipitação de cerca 75 milímetros por hora", afirmou Paulo Tomás, o que vai causar algumas inundações.
Para fazer face à situação, prosseguiu Paulo Tomás, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) ativou os conselhos técnicos de emergência nas províncias que vão ser atingidas, além de ter acionado a Unidade Nacional de Proteção Civil.
"Neste momento, estamos com a situação monitorizável, na medida em que, de certo modo, tínhamos estes aspetos previstos no Plano de Contingência", observou o porta-voz do INGC.
Na sua página de internet, o Joint Typhoon Warning Center, da Marinha e da Força Aérea dos Estados Unidos, diz que se trata do ciclone tropical Dineo, com ondas de uma altura de cerca de cinco metros, estando prevista a sua chegada à costa moçambicana na noite de quarta-feira.
À medida que se aproxima da costa, acrescenta a fonte, o ciclone aumenta a sua velocidade e, até ao meio-dia de quarta-feira, os ventos poderão atingir a velocidade de cerca de 120 quilómetros por hora, com rajadas de mais de 150 quilómetros por hora.
"Vamos intensificar a alocação de bens e materiais para possíveis respostas no caso de qualquer fenómeno extremo", observou o porta-voz do INGC, que alerta para a tomada de precauções nas regiões que serão afetadas.


Monday, 13 February 2017

Presidente da República vai passar a informar Daviz Simango sobre desenvolvimentos do diálogo político




Esta é resposta à reivindicação do MDM em participar nas discussões sobre a paz

O Chefe de Estado e o líder do MDM mantiveram, hoje, um encontro, na Presidência da República, onde a tónica das discussões foi a paz.
E porque o presidente do MDM entende que o diálogo político não deve envolver apenas o Governo e a Renamo, Filipe Nyusi e Daviz Simango acordaram que o líder do MDM vai passar a ser informado dos desenvolvimentos das conversações de forma periódica.
O presidente do MDM disse, semana passada, que o novo modelo do diálogo político não ia produzir resultados porque, no seu entender, fugia dos pontos essenciais que podem devolver a paz aos moçambicanos. O País

MDM diz que Amurane foi infeliz ao acusar partido de perseguição

















Ronguane aprecia a atitude de Amurane no combate a corrupção


“O MDM pretende denegrir o presidente Amurane, justamente porque não compactua com a corrupção”. Foi com estas palavras que o edil de Nampula, Mahamudo Amurane, acusou o seu partido de perseguição e calúnia. As palavras do membro da Comissão Política do MDM e presidente do Município de Nampula caíram mal dentro do núcleo duro do partido. Após uma reunião dirigida por Daviz Simango este domingo, em Maputo, o MDM veio separar as águas. Os dizeres do também membro da Comissão Política do MDM caíram mal dentro do núcleo duro do partido. “Não temos dúvida de que a forma como o nosso colega apresentou os seus argumentos não deixou de ser infeliz, porque acusou o MDM no seu todo”, disse Silvério Ronguane, membro do MDM e deputado da Assembleia da República por este partido, que falava após uma reunião dirigida por Daviz Simango, ontem em Maputo.
Na semana antepassada, 11 funcionários do Município de Nampula, incluindo o vereador de Finanças, foram acusados de corrupção, tendo sido detidos sete deles. O edil de Nampula esteve à frente do caso, tendo facilitado informação à Justiça. O MDM concorda com o posicionamento do edil e diz até que o governo devia seguir o exemplo, e não se limitar em partilhar números. “Nós também somos contra esses membros. Aliás, o edil de Nampula fez mais, mostrou quem são e estão agora detidos preventivamente, para que a justiça possa investigar se de facto cometerem esse crime (corrupção). Enquanto no país se fala da corrupção, mas não há corruptos concretos que nos tenham apresentado, reina a impunidade, nós o MDM fomos capazes de assumir que estamos a ter alguns corruptos”, realçou Ronguane.

A reunião do MDM, havida ontem, visava discutir a preparação das próximas eleições autárquicas, previstas para o próximo ano, e gerais marcadas para 2019. Sobre esta matéria, Ronguane diz que o seu partido vê-se na necessidade de prepara-se com antecedência, de modo a fazer face aos desafios dos pleitos. “Estamos na contagem decrescente para 2018, onde teremos o primeiro embate eleitoral. E é evidente que todo o partido que quer ganhar, deve se preparar com antecedência”, disse Ronguane.



O País

Moçambique alarga prazo para auditoria à dívida até 31 de março

Maputo, 13 fev (Lusa) - A Procuradoria-Geral da República de Moçambique anunciou hoje que acedeu ao pedido da consultora Kroll, que solicitou mais um mês para completar a auditoria à dívida pública escondida das autoridades e das contas públicas.
"A Procuradoria-Geral da República, em colaboração com a Embaixada da Suécia, financiadora da auditoria e com o Fundo Monetário Internacional, concordou em estender o período da auditoria em um mês, devendo o relatório final ser apresentado até 31 de março de 2017", lê-se num comunicado divulgado hoje em Maputo.
No documento, dá-se conta das diligências que os consultores levaram a cabo até janeiro, quando apresentaram um relatório preliminar que inclui "os progressos alcançados e delineados os passos subsequentes".
A auditoria tinha como prazo o final deste mês, mas, explica a PGR moçambicana, o auditor solicitou mais tempo para concluir as "diligências de recolha e tratamento da informação", que são "complexas e ainda estão em curso, no país e no estrangeiro, envolvendo mecanismos de cooperação internacional".
Segundo o comunicado, "o trabalho realizado pelo auditor inclui a análise de extensas informações financeiras e outra documentação disponível, visitas aos escritórios das três empresas [Proindicus, Ematum - Empresa Moçambicana de Atum, e MAM - Mozambique Asset Management], visitas a infraestruturas e equipamentos em diversos pontos do país, entrevistas a membros do Governo, funcionários públicos e trabalhadores das três empresas, e outras personalidades".
Para a conclusão do relatório, "foram ainda solicitadas informações e documentos adicionais às empresas fornecedoras, bancos e outras instituições, nacionais e estrangeiras, para completar ou esclarecer a documentação fornecida pelas três empresas", acrescenta-se no comunicado.
A auditoria incide sobre empréstimos realizados em 2013 e 2014 no valor de 1,4 mil milhões de dólares, a que se juntam mais os 727,5 milhões da emissão de títulos de dívida soberana que resultaram da reconversão das obrigações corporativas emitidas pela Ematum.


Nyusi denuncia “interesses” nos concursos e ataca obras sem qualidade















PR exige maior fiscalização de obras públicas



No segundo dia da ofensiva presidencial pelos ministérios, Filipe Nyusi fez uma intervenção incisiva que gelou a pequena sala onde decorria o conselho consultivo do Ministério das Obras Públicas, Recursos Hídricos e Habitação. A visita às direcções do ministério e instituições tuteladas decorreu na maior tranquilidade. Mas na sala o ambiente começou a mudar, desde logo quando Filipe Nyusi dispensou a apresentação do relatório do ministro Carlos Bonete. Disse que era desnecessário, pois não esperava ouvir nada de novo ou de diferente das informações que recebeu nas diferentes instituições e direcções por onde tinha passado. Mesmo assim, foi chamando alguns dirigentes do ministério para falar dos desafios e perspectivas das áreas que dirigem.
Depois de ouvir e anotar, Nyusi tomou a palavra e fez uma das intervenções mais acutilantes dirigida para os funcionários. E porque durante a visita as reclamações sobre a falta de dinheiro para pôr em pé os projectos do ministério eram recorrentes, o Chefe de Estado disse que a solução passa pela mobilização de financiamento. Mas alertou que é preciso “procurar por dinheiro acessível” e que o processo deve seguir os padrões internacionais, sob pena de Moçambique ficar “ridicularizado”.
“Sabe-se quanto custa um quilómetro de estrada e não pode ser mais caro em Moçambiqiue. Devem actuar de forma colectiva para evitar que decisões individuais ridicularizem a todos”. Os recados ganham outro significado devido ao contexto em que o país vive, caracterizado pela falta de apoio externo devido às dívidas não reveladas.
Sobre os concursos públicos, Nyusi denunciou a existência de “muitos interesses” em volta, incluindo de pessoas de fora do ministério. E disse que não faz sentido atrasar projectos por causa de interesses de quem quer que seja.
A Administração Nacional de Estradas (ANE) é uma das instituições do ministério que gerem concursos milionários para obras públicas. Além da transparência nos concursos, o Chefe de Estado diz que é preciso monitorar a implementação dos projectos, sob pena de o dinheiro não ser aplicado devidamente. “Algumas estradas que encalharam em Niassa, Nampula e aqui em Caniçado (Gaza) foi mais por falta de fiscalização. Fomos comidos. A linguagem vulgar é essa. E não podemos continuar a sermos comidos, temos que discutir em colectivo, pois só assim a margem de desvio será pequena.”

Criticou também a fraca qualidade das obras públicas e pediu que a fiscalização fosse mais agressiva. “Não podem ter receio, porque eu é que estou a dizer. Se não fizerem isso (fiscalização) qualquer obra que cair, vamos responsabilizar. Queria começar aquando da queda do muro da piscina da Vila Olímpica, porque aquilo não faz sentido. Há pequena chuva, cai tudo, há ventos fracos, voam zincos. E porquê é que não voam coberturas feitas há 40 anos?”, questionou, lamentando que em cada ciclo de governação tem de se fazer tudo de novo.



O País

Saturday, 11 February 2017

Presidente moçambicano diz que convidou "especialistas" para negociações de paz



Maputo, 10 fev (Lusa) - O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou quinta-feira ter endereçado convites a especialistas internacionais para assessorarem o Governo e a Renamo, principal partido da oposição, na próxima etapa das negociações de paz, enfatizando que não foram convidados mediadores.
"Enderecei convites àqueles que vão assessorar ou assistir ao processo, o líder da Renamo (Afonso Dhlakama) indicou aqueles que são da sua aceitação e confiança", afirmou Nyusi, falando perante membros do partido, durante cumprimentos por ocasião do seu 58º aniversário.
Em declarações reproduzidas hoje pelo canal de televisão privado STV, o Presidente moçambicano adiantou que partilhou com o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) a lista dos nomes dos especialistas que vão trabalhar com as partes no diálogo político moçambicano, tendo Afonso Dhlakama anuído.
"Partilhámos e chegámos à conclusão de que podem ser [estes nomes]. Emiti as cartas, como chefe de Estado, eles não são mediadores, são especialistas", realçou Filipe Nyusi.
Os especialistas, prosseguiu o Presidente, vão partilhar com o Governo e com a Renamo a sua experiência sobre padrões universais em matéria de descentralização e questões militares seguidos em países democráticos.
"Quando se discute descentralização, existe aquilo que é padrão universal, num país democrático, mesmo quando se fala de assuntos militares", acrescentou.
O chefe de Estado exortou os partidos moçambicanos a concentrarem-se na política e não na resolução das desavenças pela violência.
Filipe Nyusi destacou ainda que a trégua entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo deve ser alimentada e fiável, para que a restauração da paz seja duradoura.
Em finais de dezembro, após conversas telefónicas com Filipe Nyusi, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como "gesto de boa vontade", tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias para dar espaço às negociações.
Na semana passada, o Presidente moçambicano anunciou o fim da fase das negociações que envolve a medição internacional e, na segunda-feira, divulgou uma lista com os nomes que compõem os dois grupos que, em separado, vão discutir a descentralização e os assuntos militares, principais temas da agenda negocial.
Espera-se que as negociações entre as partes, agora neste novo modelo, sejam retomadas nos próximos dias.
Os dois novos grupos têm a missão de dar seguimento ao trabalho iniciado no processo negocial anterior, que integrava uma equipa de mediação internacional e que parou em meados de dezembro sem um acordo sobre os principais pontos de agenda.
Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.
Antes da cessação das hostilidades, o centro e o norte do país vinham sendo fustigados por confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, com ataques a alvos civis imputados pelo Governo ao principal partido de oposição.
As hostilidades foram desencadeadas pela recusa da Renamo em reconhecer a derrota nas eleições gerais de 2014, acusando a Frelimo de fraude no escrutínio.

RAS / DISCURSO DO PRESIDENTE TERMINA EM PANCADARIA NO PARLAMENTO



Cidade do Cabo, 9 Fev 2017 (AIM) - O discurso anual à nação do presidente sul-africano Jacob Zuma terminou, nesta quinta-feira, em briga entre deputados da oposição e seguranças do Parlamento, que os expulsou do recinto após um barulhento protesto contra os escândalos de corrupção do presidente.
Os deputados do opositor Combatentes pela Liberdade Económica (FEP) interromperam o início do discurso do estadista sul-africano, por cerca de uma hora, até que a presidente do Parlamento, Baleka Mbete, pediu que saíssem da sala.
Os deputados recusaram-se a sair do Parlamento, e a intervenção enérgica dos agentes de segurança provocou o caos.
'À nossa frente um homem totalmente corrupto, até o osso', gritou Malema, líder do EFF, referindo-se a Jacob Zuma.
'Você é um criminoso constitucional', disse Mbuyiseni Ndlozi, outro deputado opositor.
Em Março, a justiça condenou Zuma por violar a Constituição ao pagar com dinheiro público obras em sua residência privada em Kwazulu-Natal (leste).
O presidente devolveu uma pequena parte do valor utilizado, cerca de meio milhão de euros.
Por causa do incidente parlamentar, o principal partido de oposição, a Aliança Democrática, deixou o Parlamento em protesto.



Wednesday, 8 February 2017

Daviz Simango considera que novo modelo de diálogo é uma armadilha para os

Líder do MDM considera que o diálogo vai privilegiar somente interesses da Frelimo e da Renamo

 
O presidente do MDM, Daviz Simango, diz que o novo modelo de diálogo é uma armadilha para os moçambicanos e que os resultados que serão obtidos do mesmo serão uma espécie de uma bomba-relógio.“Criar comissões ignorando o essencial que é a revisão da Constituição da República, a redução dos poderes do Chefe de Estado, a eleição dos governadores, a autonomia político financeira dos magistrados faz com que estejamos a adiar o problema dos moçambicanos, a promover uma bomba que a qualquer momento poderá explodir”, disse o líder do MDM.Daviz Simango mostrou-se preocupado pelo facto dos mesmos não envolverem outras forças políticas e organizações da sociedade civil, facto que, para ele, poderá no futuro criar outros impasses. Simango reitera ainda que o diálogo em curso pode estar a acomodar apenas os interesses de dois partidos e não de toda a nação.O presidente do MDM voltou a afirmar que acordos telefónicos entre o Presidente da República e o líder da Renamo não são suficientes para uma paz efectiva.“Deve haver um acordo escrito, algo comprovado por mediadores, um contacto transparente. Caso isto não ocorra, iremos continuar no mesmo processo de ontem, onde se assinavam acordos mas por detrás os conflitos continuavam”.Simango mostrou-se também preocupado pelo facto de os dois partidos continuarem armados e não se ter um plano concreto para se resolver este impasse.


O País

Amurane diz que MDM quer denegri-lo por não pactuar com corrupção


















Membros do MDM acusaram Mahamudo Amurane de comprar uma casa em Portugal com fundos do município.


Depois de regressar de Portugal, onde esteve há alguns dias junto de seus filhos, o presidente do Município de Nampula deu uma conferência de imprensa para responder às acusações de corrupção.
Alguns membros do MDM afirmaram, recentemente, aos órgãos de comunicação social que Mahamudo Amurane comprou uma residência em Portugal com fundos da edilidade.
O edil de Nampula classificou de caluniosas e infundadas as referidas acusações, defendendo que as mesmas têm a mão de elementos do MDM, que pretendem denegrir a sua imagem, alegadamente por não pactuar com actos de corrupção.
“É minha obrigação esclarecer sobre as matérias que foram veiculadas na minha ausência relativamente à minha pessoa, que é por sinal gestor municipal da cidade de Nampula. Primeiro quero referir que são matérias caluniosas e elas tem mão do MDM. O MDM pretende denegrir o presidente Amurane, justamente porque não compactua com corrupção. Está situação não esta a começar agora, já vem desde a muito tempo, só que agora surgiu ao publico”, disse Amurane.
Na ocasião, Mahamudo Amurane apresentou facturas que diz serem de arrendamento de uma casa em Portugal onde vivem os seus filhos. Ele explicou que paga as contas com fundos próprios, lembrando que antes de ser eleito desenvolvia actividades económicas. Para Amurane, as acusações de que é alvo prendem-se com o trabalho que tem realizado para melhorar a vida dos munícipes em Nampula. “Tudo começou sobre as pressões de que tenho vindo a destituir pessoas, a não compactuar com a utilização de recursos municipais para uso do partido e justamente aqui acontecem situações desta natureza. Começaram a cortejar minha esposa, no sentido de intimidar, para que eu possa ter posições favoráveis ao partido, mas mesmo assim quando viram que esta situação não surtiu efeito, partiram para outra campanha, desta feita nas igrejas ”.Desabafou Amurane.
O Município de Nampula é gerido pelo MDM desde as últimas eleições autárquicas de 2013. Mahamudo Amurane é membro da Comissão Política Nacional do partido.

MDM em Nampula

O Movimento Democrático de Moçambique em Nampula reuniu-se para analisar e reflectir em torno dos pronunciamentos do presidente do município Mahamudo Amurane. Vasco Napaua, delegado político provincial do partido, que considera de graves as declarações do edil, não disse qual, mas avançou que será feito um trabalho grande dentro daquela formação política.

Daviz ainda não tem conhecimento do assunto

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, disse que não tem conhecimento das declarações de Mamudo Amurane e que os órgãos do partido irão avaliar a situação, caso se justifique. “A ser verdade ou não, deixemos que os órgãos do partido exerçam a sua função”.Simango reagiu numa festa-surpresa organizada pelos seus apoiantes para celebrar seus 53 anos de idade.


O País