Saturday, 31 January 2009

Rui de Noronha evocado em Lisboa


O poeta moçambicano Rui Noronha, nascido há 100 anos, é evocado hoje no Museu da Música pela sua filha, que lerá alguns dos seus poemas acompanhada ao piano por Beatriz Noronha Ferreira.
O recital começa às 18:00 naquele espaço, na estação do Alto dos Moinhos do Metropolitano, e insere-se no plano de celebrações que o Espaço Rui de Noronha - Associação (ERNA) agendou para este ano.
Autor de "Sonetos", livro póstumo publicado por um grupo de amigos que coligiu vários poemas dispersos pela imprensa local moçambicana, Rui de Noronha é considerado um poeta de transição, percursor de uma poesia moçambicana em ruptura com o passado.
Continuam ainda hoje inéditos vários poemas seus, escritos num período em que a censura impedia a utilização poética da temática de raiz africana ou de cariz social.
Na sessão no Museu da Música, serão apresentados os CD "África Surge et Ambula" e "De Mãos Dadas - Encontro de Culturas". As receitas da venda do segundo CD reverterão a favor da luta contra a Lepra, doença que ainda hoje afecta Moçambique.
Elsa Noronha tem-se dedicado à divulgação de poetas africanos de expressão portuguesa. O ERNA é uma associação sem fins lucrativos que visa promover o pensamento e a obra do poeta moçambicano Rui de Noronha e de outros autores de expressão portuguesa, de origem ou temática africanas.

FONTE: LUSA
NOTA:
E em Moçambique?


Humor para o fim-de-semana


Eu quero a Natália...de Quelimane!


Em Maputo, a Madame abre a porta do bordel e encontra um velhinho vestido com roupa modesta.
- 'Diga ?' , pergunta ela.
- 'Eu quero a Natália', respondeu o velhinho.
- 'Caro senhor, a Natália é uma das nossas melhores 'meninas' mais caras.
Talvez eu lhe possa apresentar alguma outra...'
- 'Não, eu quero a Natália!', insiste o velhinho.
Então a Natália aparece, um espectáculo de mulher, em saltos altos, corpete,
meias e cinto de ligas e diz ao velhinho que o preço é de 100 Dólares por visita.
O velhote nem pisca e, tirando o dinheiro da carteira, diz que tudo bem.
Então ela leva-o para o quarto onde ele passa uma hora inesquecível, com sexo louco como nunca tinha tido.
Na noite seguinte, o velhinho aparece novamente e chama pela Natália.
Ela estranha, diz que nenhum cliente dela veio duas noites seguidas e que ela não faria nenhum desconto pela fidelização.
O velhinho tira mais 100 Dólares e entrega à rapariga, que o leva para o quarto onde a sessão se repete, ainda melhor que no dia anterior.
Na noite seguinte, ninguém acredita: Mais uma vez o velhote entrega o dinheiro à moça, e tornam a ir para o quarto.
Depois da hora que passaram juntos, Natália não resiste e pergunta ao velhinho:
- 'Ninguém usou os meus serviços três noites seguidas porque sou a melhor desta casa e levo muito caro.
- 'De onde é o senhor? '
- 'Sou de Quelimane! ', responde o velhinho
- 'Sério? Eu tenho uma irmã que mora em Quelimane!'
- 'Eu sei, foi ela que me pediu para lhe entregar os 300 Dólares para as suas despesas...
===========================================================

A mulher só trai por justa causa!

O marido chega em casa e encontra a esposa, na cama, com outro, 25 anos, forte, bronzeado, cheios de amor para dar... Arma o maior escabeche, mas a mulher interrompe-o:
- Antes deverias ouvir como tudo isto aconteceu... Encontrei este jovem na rua, maltrapilho, cansado e esfomeado. Então, com pena do estado dele, trouxe-o para casa. Servi-lhe o jantar que eu preparei para ti ontem. Como chegaste tarde e satisfeito com o petisco da cervejaria...não comeste e eu guardei o jantar no frigorífico. Lembras-te? Ele estava descalço, então dei-lhe aquele par de sapatos que, como foi a minha mãe que te deu, nunca usaste. Ele estava com sede e eu servi-lhe aquele vinho que estava guardado para um jantar especial que prometeste mas que nunca chega... num dia é futebol, no outro poker, no outro pescaria. As calças dele estavam rasgadas, então dei-lhe aquele par de jeans quase novo... mas que não te servia. Como ele estava sujo, aconselhei-o a tomar um banho... fazer a barba, então, dei-lhe aquela loção francesa novinha que nunca usaste porque é para maricas. Então quando ele já estava de saída, perguntou:
- Minha senhora, não tem mais nada a que seu marido não dê uso?
- Nem respondi!!!!!!!.............Dei logo!!!

Friday, 30 January 2009

Mugabe and Mamdani


This is a guest post by Michelle Sieff, Assistant Director of the American Jewish Committee’s Africa Institute.
Mahmood Mamdani, the eminent professor of Government at Columbia University, has published an appalling article on Zimbabwe in the London Review of Books.
Before I ravage him, let me first say that in the past I greatly admired Professor Mamdani. His two books on African politics - Citizen and Subject and When Victims Become Killers - are landmarks in the field of Comparative Politics. But my appreciation of his past work does not prevent me from recognizing his recent descent into sophistry.
In the article, Mamdani defends Robert Mugabe, on the grounds that the Zimbabwean dictator is pursuing “land reform” policies. Mamdani says these policies “have won him considerable popularity, not just in Zimbabwe but throughout Southern Africa.” He argues that the people of Zimbabwe are likely to remember 2000-2003 as the end of the settler colonial era, just as, according to Mamdani, the Ugandan people experienced the Asian expulsion of 1972 - not the formal handover in 1962 - as the dawn of true independence.
No doubt that the most brutal political regimes in history - including Hitler’s - had their supporters. But is it true that most Ugandans remember Amin’s Asian expulsion as the dawn of true independence? Not if you ask current President Museveni, who has said that the Asian expulsion was a ghastly error and has desperately tried to encourage Asians to return.
Mamdani’s argument is marked by dogmatic third-worldism, arrogance, and dishonesty. He claims that Mugabe’s “land reform” policies are wildly popular. This is like claiming Tanzanian President Julius Nyerere’s brutal rural “villagisation” policy or even Pol Pot’s genocidal version were popular.
Other than Mugabe’s cronies, who else supports Mugabe’s “land reform” policies? Mamdani never bothers to tell us. Towards the end of the article, he implies that in rural Zimbabwe, groups of “peasants” support Mugabe, but he never identifies them and certainly never permits them to speak for themselves. Public opinion data suggests Zimbabweans do not care about “land reform”. In a 2005 Afrobarometer survey 59% of Zimbabweans said that food shortages and the economy were their most important problems, and none said that land was an important issue. Three quarters did not have confidence in the government’s ability to solve these problems.
For years, we have seen mounting evidence of opposition to Mugabe-from trade unions, civil society, and opposition party members-and his brutal efforts to repress them. Mamdani craftily dismisses these inconvenient facts. What about the reality that in 2000 Mugabe’s proposal to change the constitution to allow land seizures were defeated in a referendum? Mamdani says only 20 per cent of the electorate cast their vote and implies that these mysterious peasants - who stayed home - actually supported Mugabe.
What about the countless fact-based reports by groups like Human Rights Watch about Mugabe’s violent manipulation of the electoral process since 2000? Mamdani devotes one line to this problem. He says that in 2004, the violence “began to abate” and that there was “noticeably less violence” surrounding the parliamentary elections of 2005.
Mamdani excuses Mugabe’s crimes because these crimes have advanced a superior end - a “democratic revolution” in the property pyramid, adding more than a 100,000 small property owners. To refute the conventional wisdom that much of the seized land has gone to Mugabe’s cronies, not the poor, he relies on this paper by Ian Scoones, a scholar at the University of Sussex, who refutes the “myth” that the main beneficiaries of land reform have been Mugabe’s cronies. His evidence? Interviews from 400 households in one province called Masvingo. Now I am sure that some of the seized land has gone to ordinary people. But to call it all a “democratic revolution” is surely an exaggeration.
Throughout the article Mamdani is determined to erase the history of Mugabe’s violence and repression. By Mamdani’s lights, “it is striking how little turmoil accompanied this massive social change.” Every fact is erased: the mass torture, the beatings, the 4 million people who have fled, the five million who now face starvation, the 1.4 million at risk from the current cholera epidemic.
Mamdani will stop at nothing to excuse Mugabe. He argues that the collapse in food production is a result of drought and western sanctions. I don’t doubt that there are now multiple causes of Zimbabwe’s food crisis, but Mugabe’s violent land seizures have played a massive role.
Mamdani’s airbrushing of history begs the obvious question: Why? What happened to the once brilliant scholar who used to respect facts and articulate balanced arguments? I have a theory: 9/11 happened. And Mamdani, who opposed the Iraq war, has fashioned himself into an ideologue in the style of his Columbia colleague, the late Edward Said . He now believes that there is no longer any evil in the world to oppose, except the US and Israel.
This worldview explains many of his recent works and activism. It explains why Mamdani is one of the most outspoken supporters at Columbia of a campaign calling for the university to divest its holdings from companies that sell weapons to Israel. It explains his 2004 book, Good Muslim, Bad Muslim, where he argued that the spread of terrorism owes more to US anti-Communist intervention than to anything Osama bin Laden ever did. It explains why Mamdani equated American “neoconservatives” and jihadists in a 2004 Foreign Affairs article. It explains another article he wrote for the London Review of Books, in 2007, where he laboriously denied that the atrocities in Darfur were a genocide and impugned the motives of Darfur activists, suggesting that they were puppets of the Bush administration’s anti-Arab war on terror. And it explains why Mamdani is hell-bent on justifying Mugabe’s tyranny in Zimbwabe.


NOTA:
O referido texto de Mamdani tem sido utilizado por certos "iluminados" que se consideram íntegros e apelidam de desonestos a quem ousa pensar de modo difrente, numa tentativa de branquearem as acções criminosas de Mugabe.

Worldwide fast to show solidarity with Zim



Human rights activists have called on people around the world to participate in a one-day fast on Sunday to show solidarity with the people of Zimbabwe.
The fast has been timed to coincide with an African Union meeting on Zimbabwe in Ethiopia. According to a statement from global campaigning organisation Avaaz, Archbishop Emeritus Desmond Tutu and Graca Machel will join the fast, and anti-apartheid activist Kumi Naidoo, has already embarked on a hunger strike.
Tutu has vowed to fast once a week. Naidoo is on the 10th day of a 21-day hunger strike.
Naidoo on Thursday described the situation in Zimbabwe as a passive genocide and warned that the cholera crisis in that country could pose a threat to the 2010 World Cup should it spread in southern Africa.
Naidoo said he had recently visited Zimbabwe and was appalled that education and health services had collapsed because teachers and nurses could not afford to get to work on the salaries they earned.
"Teachers and nurses earn far less than their transport fares cost," he said.
Naidoo appealed to religious leaders from all dominations to support the Save Zimbabwe Now campaign.
By Nompumelelo Magwaza. This article was originally published on page 2 of The Mercury on January 30, 2009 .

Thursday, 29 January 2009

Brechas por todo lado numa Renamo em polvorosa


Maria Moreno e Eduardo Namburete dizem que não sabem como se toma posse como “edil paralelo” * Pode estar iminente a destituição da actual chefe de Bancada como também pode acontecer dentro de dias o anúncio da criação de um Movimento liderado por Daviz Simango
Maputo.
(Canal de Moçambique) - A Renamo está em polvorosa. Estão a abrir-se brechas por todos os lados. As estruturas do partido que pareciam finalmente aptas a governar o país, de repente começaram a desmoronar-se. A gota de água que fez transbordar o copo, como se costuma dizer, foram os acontecimentos de 28 de Agosto de 2008, na Munhava, na Beira, a poucos dias de terminar o prazo de inscrição dos candidatos às eleições autárquicas de 19 de Novembro último. O cenário prevalecente agora é de descalabro, mas enquanto isso as bases do partido abrem novos horizontes que podem ser anunciados dentro de dias, o mais tardar em Fevereiro. A purga está em marcha na Renamo, mas também está iminente o anúncio do MDM, movimento para defesa da democracia em Moçambique.
Dhlakama, em Agosto, contra todas as expectativas, anunciara que o candidato a Edil da Beira já não seria o engenheiro Daviz Simango, mas, sim, o deputado da Renamo à Assembleia da República pelo círculo de Sofala, Manuel Pereira. Isso foi o bastante para começar em catadupa um suceder de acontecimentos que estão a fazer com que o líder tradicional esteja agora a perder todo o prestígio que granjeou com a luta que empreendeu contra o totalitarismo político da Frelimo. Com o que está agora a fazer, designadamente opondo-se à realização de um congresso que está atrasado há mais de três anos de acordo com os seus estatutos, o eleitorado está em fase adiantada de não acreditar mais que a Renomo com Afonso Dhlakama pretenda de facto a democracia em Moçambique e tomar o poder por via do voto defendido nas urnas.
O maior partido da oposição está francamente a correr o risco de ser reduzido a um partido subalterno no futuro que se seguirá às eleições gerais e provinciais do corrente ano. A última estocada foi a recusa de Maria Moreno e Eduardo Namburete de alinharem no plano do presidente do seu partido, de fazer com que os candidatos derrotados da Renamo nas autárquicas tomem posse como presidentes paralelos das edilidades.
Dhlakama inicialmente dissera que os edis “paralelos” seriam empossados nas regiões centro e norte, mas mais recentemente disse que daria posse a todos os 43 edis das autarquias existentes no país, com excepção de Nacala onde ainda está para ser disputada uma segunda volta.
Chefe de Bancada diz que não sabe de que fala Dhlakama
Maria Moreno foi candidata a edil de Cuamba e perdeu. Reconheceu a derrota e recusa-se a tomar posse como edil paralela. Ela é ainda a chefe da Bancada da Renamo na Assembleia da República.
Contactada ontem pela Reportagem do diário «Canal de Moçambique» e do Semanário ZAMBEZE, Maria Morena diz que não vai tomar posse nenhuma. Disse que está no Niassa, em Cuamba, está de férias e que não vai tomar nenhuma posse. “Não sei como é que um candidato derrotado toma posse”, disse Maria Moreno, contrariando o anunciado propósito do presidente da Renamo, Afonso Marceta Macacho Dhlakama.
Eduardo Namburete, também candidato a Edil da Cidade de Maputo e porta-voz da Bancada parlamentar da Renamo na Assembleia da República, quando ouvido ontem pela nossa reportagem, disse: “Eu sou candidato derrotado. Como é que vou tomar posse se já felicitei publicamente o vencedor?”
Namburete disse que admitiria tomar posse “se a CNE (Comissão Nacional de Eleições) alterasse os resultados”. Estava assim dado o passo que faltava para também ele entrar em confronto com o líder do seu partido Afonso Dhlakama.
Estão, entretanto, a correr no seio da Renamo em Maputo e noutras partes do país, informações segundo as quais Dhlakama terá ordenado a Salvador Murema, mandatário da Renamo junto da CNE, que fizesse uma carta em nome do Partido à Assembleia da República para mandar cessar Maria Moreno como chefe de bancada. Maria Moreno disse-nos que não tem conhecimento de nada. Dhlakama tinha o telefone desligado ontem cerca das 10h45.
Constando que Dhlakama quer substituir Maria Moreno por Eduardo Namburete, pelo menos era essa informação até este confirmar que lhe vai desobedecer no que respeita à posse como “Edil paralelo” de Maputo, ontem colocámos a questão ao Dr. Namburete. Este disse-nos que esteve fora do país todo o mês de Janeiro, de férias, e não tem nenhuma informação nesse sentido. Dessa forma confirmaria que nada sabe sobre a ideia do líder da Renamo colocá-lo como chefe de Bancada na AR em substituição de Maria Moreno que muitas fontes nos dizem estar próxima de poder vir a aderir ao movimento que pretende colocar o Edil da Beira, Daviz Simango, como seu líder.
Correm também informações segundo as quais Afonso Dhlakama está desesperado e sente-se rodeado por “traidores” daí que muitas fontes da Renamo admitam ser verdade que ele ordenou também a substituição dos actuais membros da Renamo e da coligação RUE, que assumem cargos nas comissões da Assembleia da República. Entre os nomes que nos disseram estarem em rota de colisão com Dhlakama constam os deputados Luís Boavida, que já participou em Maputo numa homenagem à vitória do candidato independente na Beira, Daviz Simango, e ainda outros tais como João Carlos Colaço, Lutero Simango, Artur Vilankulos, Máximo Dias, Manuel de Araújo, Agostinho Ussore, Luís Inácio, Ismael Mussa, Manecas Daniel, Cornélio Quivela, delegado político da Renamo em Cabo Delgado, Maria Moreno, chefe da Bancada na Assembleia da República e candidata a edil em Cuamba, Eduardo Namburete, ministro dos negócios estrangeiros sombra da Renamo e membro da Comissão de Relações Internacionais e porta-voz da bancada.
O burburinho que está a acontecer na Renamo já chegou a Quelimane de onde várias fontes nos telefonaram a declarar apoio a qualquer iniciativa que parta do Gabinete Eleitoral constituído pelas bases da Renamo que levaram à vitória na Beira o edil Daviz Simango. De outras partes do país o movimento também está a ganhar corpo e simpatia. No Niassa a chefe da Liga Feminina da Renamo acaba de pedir a sua demissão por discordar do líder Dhlakama. Em Cabo Delegado o delegado político provincial Cornélio Quivela poderá ser a próxima vítima de Dhlakama na sua saga para se rodear apenas de quem não ousa questionar as suas decisões.
Movimento para defesa da democracia
Sabe-se, entretanto, que estão a avançar por todo o país trabalhos no terreno com vista à mobilização de membros e quadros para a formação de um movimento para a defesa da democracia em Moçambique. Os seus promotores deixaram já transparecer que o mesmo se designará por MDM. Trata-se de um movimento constituído pelas bases da Renamo na Beira e a ganhar dimensão por todo o território nacional onde se sente o mesmo pulsar de desacordo com a liderança da Renamo pelos sucessivos “tiros nos pés” que vem dando ultimamente e sobretudo pela percepção de que Dhlakama está feito com a Frelimo para ir vivendo bem, com bolsos cheios, adiando sucessivamente a vontade popular de ver o país experimentar algo novo e responsável que assegure uma transição democrática e pacífica por via do voto.
O Movimento Democrático Moçambicano (MDM) quer a liderá-lo o filho do Reverendo Urias Simango, único vice-presidente que a Frente de Libertação de Moçambique teve quando ainda se lutava pela Independência Nacional. Daviz Simango, Edil reeleito da Beira, tem estado a protelar uma decisão mas sabe-se que a qualquer momento poderá ser anunciada a formalização da intenção de criar-se um movimento que de acordo com a Lei dos Partidos deverá ter a sua sede em Maputo, mas cuja génese está na já chamada Revolução de 28 de Agosto de 2008 das Bases da Renamo contra a sua direcção provincial em Sofala e central, por terem tentado destruir Daviz Simango como candidato à sua reeleição que acabou por acontecer por uma folgada margem de 62% sobre os dois seus mais directos rivais da Frelimo e da Renamo, respectivamente Lourenço Bulha e Manuel Pereira.
Um exemplo de que a Renano está em decadência
Um exemplo de que os ventos estão a soprar forte contra a direcção da Renamo liderada por Afonso Dhlakama está a ser usado pelas bases do ainda maior partido da oposição em Moçambique. É citado o caso da derrota do candidato da Renamo na Beira, mas agora também o facto da Renamo.no populoso distrito de Milange na Zambézia, ter passado a ter em vez da segunda, a terceira bancada na Assembleia Municipal local.
Em eleições gerais admite-se que um movimento organizado que granjeie simpatias tanto de amplos sectores da Renano descontentes com a sua direcção e com Dhlakama, como de sectores da Frelimo desiludidos, mas sobretudo apoiado por eleitores que nunca foram votar por não se reverem nem na Frelimo, nem na Renamo, admite-se que possa haver alternância em Moçambique.

(Fernando Veloso e Luís Nhachote)
CANALMOZ, 2009-01-29

Mugabe é um ditador!

Robert Mugabe, presidente ilegítimo do Zimbabwe, há 29 anos no poder, que se fez eleger ao cargo, a 27 de Junho de 2008, promovendo violência, sem precedente, contra o seu adversário, Morgan Tsvangirai, com quem havia empatado no primeiro turno eleitoral, é pernicioso à democracia e destabiliza, de forma generalizada, a Austral de África. Alguns dirigentes dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC, nomeadamente, o Presidente Armando Guebuza e o antigo do Estado sul-africano, Thabo Mbeki, privilegiam as suas amizades pessoais com o ditador de Harare, em detrimento do povo do Zimbabwe, que vive sob o jugo de um regime déspota e retrógrado.
Mugabe não respeita a vontade do povo que o preteriu, escolhendo Tsvangirai, para dirigir os seus destinos. Se antes o povo zimbabweano era oprimido pelo colonialismo britânico, agora, vive debaixo de um regime desumano. Nos últimos tempos, o antigo primeiro-ministro do governo minoritário da Rodésia, Ian Smith, desafiava Mugabe a saírem, os dois, à rua, sem protecção policial, a ver quem, de entre eles, levaria o primeiro tiro. Mugabe virou um grande inimigo do povo, que os zimbabweanos não perderiam uma única oca-sião para afastar e abater.
Quando Mugabe chegou ao poder, o país tinha os cofres cheios de dinheiro e os silos abarrotados de cereais. Nas prateleiras das lojas havia comida para todos. Ninguém pensava atravessar a fronteira à busca de óleo de cozinha, arroz e farinha de milho. A esposa de Mugabe é vista em terras bem distantes, a fazer compras e pontapeando jornalistas. Os zimbabweanos orgulhavamse de ser de um país que contribuía para a comunidade das nações. Agora, é um pedinte de ajuda internacional e o seu povo está em debandada pelos territories vizinhos, fugindo da fome, opressão e fustigado pela cólera.
Robert Mugabe está obcecado pelo poder absoluto. Seduziu Joshua Nkomo, líder da ZAPU, para uma união, ZANU-Frente Patriota. Para enganá-lo, nomeou-o vice-presidente corta-fitas, tendo-o perseguido de tal forma que acabou se refugiando no Reino Unido. Está a ensaiar a mesma táctica com Morgan Tsvangirai. Tanto o caminho da violência quanto à política de andar a dizer que esses aqui são agentes do imperialismo não colou, enveredou pela via negocial aparente, a ver se o seu adversário põe o pé na armadilha, fazendo dele um primeiro-ministro decorativo, desferindo-lhe um golpe final.
O apoio do Executivo de Guebuza ao regime de Mugabe é inequívoco. Na Ponta Vermelha, Morgan foi humilhado a ter que passar por um detector de metais enquanto a delegação da ZANU foi recebida com pompas e circunstância. O governo de Moçambique não toma posição de firmeza contra o regime de Mugabe, mesmo quando Tsvangirai ia sucumbindo às chicotadas da bufaria. Estes não são só problemas dos zimbabweanos, mas, também, dizem respeito aos moçambicanos, basta ver o estado de desolação do corredor da Beira e linha Maputo-Chicualacuala.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax de 28/01/09 )

Wednesday, 28 January 2009

MDC desmente SADC de ter chegado a acordo com Mugabe

O Movimento para a Mudança Democrática (MDC) desmentiu ter chegado a acordo com Robert Mugabe sobre a tomada de posse dos seus dirigentes no governo de unidade, ao contrário do que afirma a SADC em comunicado emitido ontem no termo de uma cimeira extraordinária de chefes de Estado.
Em reacção ao comunicado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), após mais de 12 horas de discussões em Pretória, o MDC declara-se “desiludido” com a organização regional, mas salienta que “nunca teve grandes expectativas relativamente a uma cimeira que nada acrescentou à falhada mediação de Thabo Mbeki”.
Esta reacção, expressa por um dirigente do MDC visivelmente agastado, mantém o tom de rejeição dos processos utilizados pela SADC para “satisfazer a agenda de Robert Mugabe” utilizado também pelo líder do Movimento para a Mudança Democrática, Morgan Tsvangirai, num curto comunicado emitido após a cimeira. Tsvangirai afirma que “as conclusões oficiais da cimeira goraram claramente as nossas expectativas” e garante que o MDC continuará a lutar pelos interesses do povo do Zimbabwe.
O Movimento oposicionistabweano revela que reunirá no fim-desemana o seu Conselho Nacional para deliberar sobre o rumo a seguir, mas garante que os seus dirigentes não tomarão posse no novo governo de unidade enquanto as suas exigencies não forem satisfeitas.
Tais exigências são, fundamentalmente, a libertação imediata de todos os presos políticos e o controlo partilhado “equitativamente” de pastas governamentais (em particular a administração interna), direcçõesgerais e postos diplomáticos.
O comunicado da SADC insiste em “forçar” o MDC a aceitar deter a pasta da administração interna (e consequentemente a polícia) com carácter rotativo com a Zanu-FP (de Mugabe) por períodos de seis meses, solução já rejeitada pelo movimento de Morgan Tsvangirai como “impraticável”.
A cimeira da SADC, à qual apenas compareceram os chefes de Estado da África do Sul, Moçambique, Namíbia, Zâmbia, Tanzânia, Botswana e Malawi, o primeiro-ministro do Lesoto e o rei da Suazilândia — sendo os restantes seis Estados-membros representados a nível de ministros dos Negócios Estrangeiros —, deliberou que Tsvangirai deverá ser empossado como primeiro-ministro a 11 de Fevereiro e que os ministros e vice-ministros sejam empossados a 13 do mesmo mês.
Entretanto, a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton está “muito preocupada” com a situação no Zimbabwe, indicou segunda-feira um porta-voz do departamento de Estado, Robert Wood, que pediu à África do Sul para pressionar o presidente zimbabweano Robert Mugabe.
“Clinton está muito interessada neste processo. É uma situação que a preocupa
muito”, assegurou o porta-voz durante uma conferência de imprensa. “Vamos reavaliar a situação da África austral para ver o que podemos fazer”.

Agências internacionais, citado no Diário do País de 28/01/09.

Tuesday, 27 January 2009

Trio de Ataque em Maputo

De acordo com JPT, o programa desportivo da RTP "Trio de Ataque", será gravado hoje a partir da Estação dos Caminhos de Ferro de Maputo.
Confira em www.ma-shamba.com.

A lista da vergonha e do medo

Faz alguns dias que meu temor se multiplica. Talvez, porque estou um pouco cada dia mais inseguro e acreditando que, a qualquer momento, alguém pode assaltar ou talvez visitar a minha pobre habitação e por desejo atirar contra a minha cabeça consciente e, porém, nada lhe vai acontecer.
É verdade que o Procurador-geral da República, Augusto Paulino, diz, todos os dias, que, em Moçambique, ninguém está acima da lei, mas não é só essa máxima de que me lembro. Lembro-me, também, de o Juiz Paulino ter dito que acredita que, haja mais implicados, no caso Carlos Cardoso, e um dia serão conhecidos. Ele não disse que ele já sabe. Penso que se soubesse, talvez, nos teria dito, mas ficou a dúvida. Sobre Machel, a semana, em tempos atrás, o antigo combatente, Marcelino dos Santos, assegurou-nos que “um dia a verdade saberemos”.
É assim. Estamos a viver contando com um dia; talvez, esse dia chegue, mesmo, mas pode nunca chegar e ficaremos num dia à espera de um dia. Por mais que me acalmo, não consigo esquecer, ou esperar por esse dia, e, enquanto esse dia não chegar, vou tentando perceber quem esta ficando para um dia.
Isaías Tchavana, antigo inspector da Polícia, atingido, mortalmente, (diz-se) por marginais amigos, segundo a última versão do “Magazine Independente”, conta-se, por exemplo, que, por detrás da morte, esta o facto de ele ter exigido que lhe entregassem 50.000.00MT (hoje). Os bandidos e ladrões preferiram mata-lo, que lhe dar aquela quantia: foi por dinheiro, diga-se, sujo, proveniente, provavelmente, de outras mortes ou assaltos.
Afito, ..., e todos os outros da famosíssima brigada mambas, também,caíram no mesmo combate contra os marginas da praça. A versão é que essa brigada tinha um acordo com os ladrões para que, quando esses roubassem, os entregassem uma boa parte dos produtos do roubo ou dinheiro proveniente da venda. Esses policiais tinham a missão de combater os marginais, mas podiam encobri-los: mais mortes. Tal como no primeiro caso, o problema se repete; dinheiro sujo.
António Siba-siba Macuacua, o herói para muitos, jovem economista, que, em nome da honestidade, tentou repor todo o dinheiro roubado, aos cofres do antigo Banco Austral, os grandes homens muitos deles com capa de empresários, alguns, aparentemente, de sucesso, preferiram tirálo do caminho. Penso que bastava um tiro, nos pés. Preferiram calá-lo, de vez. Mais uma vez, por um dinheiro roubado ou extorquido à Nação. A mesma Nação no Hino Pátria Amada. A quem diz Pátria Amada, mas é extorquida por outros.
José Gaspar Mascarenhas, deputado da Renamo, diz-se que era um empresário de sucesso. Com uma fábrica de tijolo, nas ruas de Maputo, comenta-se que teve o pecado capital de ter, em sua posse, segredos do Estado de alto nível. Qual nível ninguém diz. É especulação, dizem uns, mas ficou alvo de matança e nunca mais se ouviu falar dele, nem de pistas sobre a sua morte. Conclusão cuidado...
José Castiano Zumbire, director do SISE (Serviço de Informação e Segurança do Estado) na altura em que morreu. Os órgãos de informação nunca souberam explicar bem as causas. Eu também não as conheço. Aliás, não confio no meu palpite, por isso, não tenho palpite. Estou curioso. Gostaria de saber, mas não me matem, por perguntar, essa é a última vez que pergunto. De certeza, não serei um puxa saco para estas coisas que em nada me interessam, por isso...

Por Manuel Mendes, em A TribunaFax.

Monday, 26 January 2009

Luta contra pobreza absoluta?

É um discurso fatalista. O público tem sido bombardeado com o slogan da luta contra a pobreza absoluta, confundindo- se com algum animal selvagem ou um terrível terramoto que se abate contra uma região. Um discurso politico baseado na luta contra a pobreza absoluta é fatalista e serve para divertir o povo. Duvido se algum país venceu a pobreza com os olhos postos no discurso da luta contra a pobreza absoluta. As nações desenvolvem-se investindo em sectores produtivos, também, na educação e saúde.
Surgiu, no País, o ambicioso Programa Prospectivo Indicativo, PPI, baseado na assistência dos países socialistas, que erradicaria o subdesenvolvimento em 10 anos, mas, falhou, de maneira inglória. Depois do colapso do sistema socialista, a Frelimo inventou o futuro melhor. Na vigência do futuro melhor, o Banco Mundial, BM, e Fundo Monetário Internacional, FMI, desindustrializaram o País. Sufocaram as agropecuárias. Enganando os dirigentes moçambicanos, trucidaram a indústria do caju, proibiram investimentos na agricultura, desculpando-se ser sector de alto risco.
O futuro melhor valeu para as elites políticas do partido no poder que se abeirarem do Tesouro sacando fundos públicos, sem garantia real do seu reembolso. Contraíram dívidas ao ex- Banco Popular de Desenvolvimento, BPD, para se tornarem empresários. Os fundos retirados, em vários casos, continuam por devolver e noutros repostos pelo governo, alegando ser dinheiro dos clientes. O governo tem fábrica de dinheiro? – Não. Usa fundos públicos para enriquecer parasitas. O futuro melhor sorriu para as elites políticas do partido no poder. Tolerou roubos nas instituições públicas, para firmarem empresários que criariam postos de trabalho.
O BM e FMI sugerem ao governo moçambicano para facilitar – um Estado não intervencionista – como forma para aliciar o investimento estrangeiro. Depois, dizem, virão os investidores, de pára-quedas e em catadupa, para desenvolver Moçambique. De tanto ouvir as recomendações das instituições da finança internacional e doadores que o governo abandonou a Agenda 2025, elaborada por nacionais e não por forasteiros que, apenas, privilegiam interessantes de seus países.
Os países do Norte desenvolveramse usando os caminhos que nos dizem ser inconvenientes. Os seus estados apoiaram, financeiramente, a agricultura, a indústria, o comércio, em toda a sua cadeia de valor. Foi bom para a Europa e os Estados Unidos serem poderosos. Subiram pelo escadote, quando, já, no poleiro, chamam os países pobres para, também, subirem, contudo, antes, retiram o escadote. Acenam a mão, dizendo: “tchau”. Se é mau subir pelo escadote, por que eles usaram escadote para subir? É mau para os pobres, porém, é, ainda, bom demais para eles. É aldrabice.
O discurso da luta contra a pobreza absoluta é enganador e concebido por gente interessada em manter moçambicanos sempre na pobreza. É uma cantiga para adormecer os pobres. É um ilusionismo político.

Por: Edwin Hounnou em A TribunaFax de 16 de Janeiro de 2009.

Sunday, 25 January 2009

O idiota e a moeda

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam-lhe a escolha entre duas moedas: - uma grande de 400 Reis e outra menor, de 2000 Reis.
Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos de todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. Eu sei, respondeu o tolo. 'Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda.'

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.

A primeira:
Quem parece idiota, nem sempre é.

A segunda:
Quais eram os verdadeiros idiotas da história?

A terceira:
Se você for ganancioso, acaba estragando a sua fonte de rendimento.

Mas a conclusão mais interessante é:
A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, o que realmente somos.
'O maior prazer de um homem inteligente é armar-se em idiota diante de um idiota que se arma em inteligente'.

Saturday, 24 January 2009

Provérbios populares

Nova sabedoria popular----------

1) Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a cantar, se vires a Frelimo, põe-te a chorar.
2) Quem vai ao mar avia-se em terra; quem vota Frelimo, mais cedo se enterra.
3) Frelimo a rir em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.
4) Quem anda à chuva molha-se; quem vota na Frelimo lixa-se.
5) Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota na Frelimo, tem cem anos de aflição.
6) Gaivotas em terra temporal no mar; Guebuza na Ponta Vermelha, o povinho a penar.
7) Há mar e mar, há ir e voltar; vota Frelimo quem se quer afogar.
8) Março, marçagão, manhã de Inverno tarde de Verão; Frelimo,Soarão, manhã de Inverno tarde de inferno.
9) Burro carregando livros é um doutor; burro carregando a Frelimo é burro mesmo.
10) Peixe não puxa carroça; voto na Frelimo, asneira grossa.
11) Amigo disfarçado, inimigo dobrado; Guebuza empossado, povinho atropelado.
13) Antes só que mal acompanhado, ou com a Frelimo ao lado.
14) Olhos que não vêm, coração que não sente, mas aturar a Luísa Diogo e o Edson Macuacua não se faz à gente.
15) Boda molhada, boda abençoada; Guebuza eleito, pesadelo perfeito.
16) Com a Frelimo e bolos se enganam os tolos.
17) Não há regra sem excepção, nem Frelimo sem confusão.

Uma pergunta...


Friday, 23 January 2009

A Sétima estação mais bela do mundo


A Gare da Estação Central dos Caminhos de Ferro em Maputo foi considerada pela Revista americana Newsweek como sendo a mais bela de toda a África e a sétima colocada numa lista que compreende nove (9) Estações ferroviárias eleitas mediante monitoria especializada feita em todos os continentes.Segundo a Revista Newsweek, 'A Estação Central de Maputo, provávelmente a mais bela de África, foi desenhada por Gustave Eiffel em 1910 e a ideia era que a sua aparência se assemelhasse a um Palácio com pilares de mármore e enfeites em ferro fundido'.
Fonte: www.cfmnet.co.mz. Confira no seguinte link;

Editorial do NOTÍCIAS

Enquanto isso, fazemos eco às palavras de Obama. Cada um tem que fazer a sua parte. Acrescentamos: África tem que caminhar mais para uma introspecção, responsabilizar mais as suas lideranças e culpar menos os outros sobre as suas desgraças. As guerras inter-Estados, os golpes de Estado e a resistência à democracia não impõem respeito ao mundo. Antes e pelo contrário estimulam o paternalismo que negamos.

(23/01/09)
Nota: Subescrevo e apoio inteiramente, temos de responsabilizar os nossos líderes em vez de culpar sempre os outros. Quem vai ouvir?

Thursday, 22 January 2009

Eleições livres, mas injustas!

As eleições autárquicas de 19 de Novembro de 2008, foram, de maneira geral, livres porque a polícia não apareceu como convidada de honra para bater e intimidar os adversaries da Frelimo, como tem sido noutras ocasiões similares. Manteve-se longe do barulho político e entendeu que as eleições pertencem, em primeiro lugar, aos partidos, munícipes e não uma magna oportunidade para bater, disparar a matar opositores do partido governamental. A polícia teve um comportamento aceitável. Os que rasgavam material de propaganda eleitoral foram presos, sem olhar para as cores políticas do seu autor.
Comportamento diferente teve a Procuradoria Provincial de Sofala que intimidou Davis Simango e seus apoiantes, transformando-os em seus clientes assíduos, perfilando-os, quase, todos os dias, à porta do Ministério Público, MP, com base em mentiras da caravana de mentirosos da Renamo e Frelimo, na assembleia municipal. Este acto foi um apoio tácito ao partido Frelimo. Para que não restassem dúvidas, a Procuradoria Geral da República, PGR, despachou, para a Beira, um inspector, com poderes bastantes para prender. Se não houve desistências deve-se à inabalável vontade de vencer, apesar da oposição da PGR.
As eleições não foram justas. A diferença entre as campanhas da Frelimo e as da oposição eram enormes. Nas campanhas da Frelimo, iam viaturas do Estado. Ministros, governadores e directores, sem terem sido descontados um centavo pelo absentismo ao serviço, foram destacados para mobilizar eleitores para votarem no partido no poder. Na Beira, Simango emitiu uma ordem de serviço em que interditava o uso de meios do município na sua campanha. As células do partido, nas instituições públicas, intimidaram funcionários do Aparalho Estado para votarem na Frelimo e em seu candidato.
Muitas assembleias de mesa de voto fecharam com eleitores na bicha, alegando ter chegado a hora do fecho. É uma violação muito grave limitar a liberdade de votar. A prisão do candidato da Renamo, em Mandlakazi, foi outra violação à lei. A Lei nº 18/2007, de 18 de Junho, no seu artigo 9, número 1, diz : nenhum candidato pode ser sujeito a prisão preventiva, a não ser em flagrante delito, por crime doloso punível com pena de prisão maior. O MP e a Comissão Nacional de Eleições, CNE, desconhecem a lei?
O posicionamento da Frelimo e seus candidatos seguidos da Renamo e seus candidatos, nos boletins de voto, é um truque da CNE para favorecer a Frelimo. O atestado de residência foi uma arma forte que a CNE teve para prejudicar os candidatos da Renamo. Nas actuais condições, a Frelimo para vencer o seu principal adversário, já moribundo, não precisava usar truques tão baixos.
Como sempre, com um adversário fraco e desorganizado – características do partidso Renamo -, a Frelimo passeou a sua classe, venceu e convenceu, deixando Afonso Dhlakama e seus poucos acólitos a cantarem o cansado refrão de que não reconhecem os resultados e vão tornar os municípios ingovernáveis.

Por: Edwin Hounnou, em ATribunaFax de 21 de Janeiro de 2009

Wednesday, 21 January 2009

Obama: de novo o factor racial



Ontem, estando a assistir ao noticiário de uma estação televisiva sul-africana, fiquei atónito ao ler no rodapé as mensagens enviadas pelos telespectadores via SMS a propósito da raça de Obama. Enquanto alguns afirmavam que Obama é Negro, outros garantiam que Obama é Mulato, e, curiosamente, verifiquei pelos nomes, que essa opiniões variavam conforme a raça das pessoas.
Na África do Sul, a raça de Obama é muito discutida e isso perturba-me muito, acho incrível que depois do longo período do regime do apartheid e quando se vive neste país uma controversa experiencia de engenharia social em que a raça mais uma vez é preponderante, ainda se dê importancia à raça de Obama.
A propósito, e porque o racismo para mim é um assunto muito sensível e que mexe muito comigo, deixo aqui alguns pontos para reflexão:

1 – A raça de Obama é irrelevante, o que interessa mesmo é a sua competencia e caracter.


2 – Penso que os media e as pessoas que insistem em afirmar que Obama é Negro, acabam por o prejudicar, acontece que Obama ascende à Presidencia numa conjuntura extremamente negativa e vai ter algumas dificulades para a curto prazo correspondes às expectativas pouco realistas,, e isso pode abrir caminho para as críticas dos racistas.


3 – Para mim, muito mais importante que o feito histórico de Obama ter sido eleito, é o facto de Obama ter sido eleito devido aos votos dos brancos que conseguiram ver para além da cor da pele, e isso dá-me um grande conforto e é motivo de inspiração.


4 – Acho estranho que em África, particularmente na África do Sul, ainda se discuta a raça de Obama, quando se sabe que ele aqui não chegaria a Presidente e seria discriminado.

Tuesday, 20 January 2009

Presidente Barack Obama


Os nossos pensamentos e orações estão com Obama neste dia!

Monday, 19 January 2009

Parabéns a ...

Um ano após o aparecimento deste blog, justifica-se um pequeno balanço.
Este blog teve origem num desafio que me foi lançado e posso afirmar que os seus modestos objectivos foram alcançados. Porém, devo confessar que me sinto um pouco saturado com a blogosfera, tem sido muito positiva esta experiencia mas também me apercebi de algumas situações bem negativas, tanto mais que alguns distintos bloguistas, por vários motivos, praticamente deixaram de blogar.
Quando me sinto assaltado por sentimentos negativos, lembro-me que usei uma afirmação do Fernando Pessoa na minha primeira postagem: “ Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Modéstia à parte, a minha alma não é pequena, sendo assim, valeu mesmo a pena!
Parabéns a Vocês!

Sunday, 18 January 2009

Saturday, 17 January 2009

Fotocópias!

Numa certa empresa, por causa das fotocópias, foi emitida a seguinte circular:

Caros colegas:
Pede-se encarnecidamente ao pessoal desta Empresa, que no momento de solicitar fotocópias ao colega Senhor João, o façam de uma forma clara e objectiva, completando as frases que escreverem.
Acontece que os “post it” adjuntos aos documentos para fotocopiar e os pedidos escritos, têm causado causado problemas ao nosso colega de trabalho que nos faz o favor de tirar as cópias, chegando ao extremo de criar problemas conjugais.
Como exemplo, citamos algumas notas de “post it” encontradas nos bolsos do nosso colega pela sua esposa.

João!…
Faz-me como o fizeste da outra vez!

João!…
Dá-me duas, rapidinho!

João!…
Pelos dois lados… e presta atenção que por trás tem que ficar tudo!

Por favor, João!
Primeiro a mim, que estou aflita!

João, quando tirares, faz com que se veja o melhor possível.

João, pode ser sem pressa, mas que fique bem feito!

João! … Urgente!
Podes meter-me no meio sem que ninguém perceba e faz rapidinho!

João!…
Pode ser pela frente e por trás. Se não conseguires, dá-me duas separadas.

Então João, quando é que me fazes o trabalhinho? Estou a ficar aflita!

Percebem agora a grave situação em que se encontra o nosso colega?

Adivinha!

O que mede 18 centímetros e faz felizes todas as mulheres?

NÃO, não é o que está a pensar!

Resposta em baixo!




Friday, 16 January 2009

Nepotismo no governo de Guebuza

O governo esteve, na manhã do passado dia 27 do corrente mês, na Rádio Moçambique/Televisão de Moçambique, no programa Linha Directa, a fazer balanço das suas actividades referentes ao ano 2008 e a responder perguntas dos profissionais das duas estações e por telespectadores/radio ouvintes. Saltou à vista a ausência de muitas ministras e evidenciou-se a presença das duas manas – a Primeira- ministra, Luísa Diogo, e da ministra da Função Pública, Vitória Diogo.
Esta atitude é deliberada por quem indicou os ministros para esse programa, designadamente, o Presidente da República, Armando Guebuza, que o é Chefe do Executivo, ou a PM, num gesto de favorecer à irmã. É falso falar da indisponibilidade das ministras, eventualmente, convidadas.
O governo tem 21 ministros e oito ministras. Não é verdade dizer que seis ministras se mostraram indisponíveis e, apenas, as duas irmãs poderiam aparecer ao programa. Não é preciso ser um iluminado para concluir que não é verdade que seis ministras tivessem preferido outras ocupações a ir à Rádio/Televisão. Se for verdade, o que não parece que o seja, concluise que Guebuza chamou, para o governo, pessoas sem tempo. A continuação delas, no Executivo, não traz nenhum valor acrescentado. É improvável que governantes comprometidas com a acção governativa não tenham tempo para falar ao público.
A estória de indisponibilidade está mal contada. A tentativa da PM de justificar a razão de haver uma cadeira desocupada não convenceu. Ou as ministras não foram convidadas, por motivos que não se conhecem ou, se o convite foi formulado pela PM, a intenção era de pôr a irmã em destaque, em detrimento das demais ministras. Dizer que não se pode trazer todo o governo por motivos de espaço, foi infeliz. Mas, houve espaço e tempo para as duas irmãs! Os actos falam mais alto que as palavras. O marketing político faz-se produzindo resultados palpáveis e não obstruindo.
Um dos presentes, no auditório, perguntou à PM a razão de não dar briefings à Imprensa, como era prática corrente – iniciativa louvável - no tempo do seu antecessor, Pascoal Mocumbi que, de forma invariável, se encontrava com jornalistas, às quintas-feiras, para dar a conhecer as realizações do governo. Quando Diogo chegou a PM, disse que tal prática prosseguiria, mas, tal nunca aconteceu. Diogo não respondeu a pergunta, apesar da insistência dos moderadores.
Se o convite, aos ministros, foi formulado por Guebuza, cometeu um erro crasso, ao excluir ministras. Se feito pela PM, fez nepotismo - favoritismo de alguns governantes aos seus parentes e familiares.
A uma pergunta de rádio ouvinte/ telespectador sobre a ausência de
ministros e ministras com grande visibilidade pública, Ricardo Dimande, um dos moderadores, mostrou-se nervoso e, algo estranho, em tom ameaçador, alertou para não se fugir do tema. Quem, de facto, fugiu do tema foi Dimande, por intimidar aos que telefonavam, em defesa, talvez, de interesses obscuros.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax, de 14/01/09 )

Thursday, 15 January 2009

Comemora-se hoje o nascimento de Martin Luther King




Martin Luther King

Martin Luther King foi um dos três filhos de um ministro baptista negro, Martin Luther King Sénior, e de Alberta King, professora, e nasceu a 15 de Janeiro de 1929.Sabias que quando nasceu deram-lhe o nome de Michael? Por volta dos 6 anos mudaram-lhe o nome para Martin.
Era muito bom aluno e licenciou-se em Teologia (estudo da religião e questões religiosas), na Pensilvânia, em 1951. Mais tarde, doutorou-se na Universidade de Boston, em 1955.
Casou com Coretta Scott, em 1953, e tiveram quatro filhos.
Em 1954 tornou-se ministro da igreja baptista de Montgomery, no Alabama.
Em 1955, Rosa Parks, membro da sua paróquia, foi presa por se ter recusado a dar lugar a uma pessoa branca no autocarro.Na altura, nos EUA, sobretudo nos estados do Sul havia segregação (separação) nos locais e transportes públicos entre negros e brancos.
Surgiram grandes protestos e a comunidade negra decidiu recusar-se a usar os transportes públicos da cidade enquanto a segregação se mantivesse.
Martin atraiu as atenções do país e do mundo como líder daquilo que ficou conhecido como o «boicote dos autocarros de Montgomery».
Iniciou-se assim uma resistência pacífica para alcançar a igualdade entre negros e brancos, inspirada nos ensinamentos de Gandhi.
Esse boicote durou 382 dias (mais de um ano!). King foi preso, espancado, e até puseram uma bomba na sua casa...Terminou quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou inconstitucional a separação racial nos transportes públicos (a 21 de Dezembro de 1956).
Martin obteve assim a sua primeira vitória pelos direitos civis.
Em 1957, fundou e foi eleito presidente da Conferência de Líderes Cristãos Sulistas, uma organização pacifista de defesa dos direitos civis.Os ideiais eram os cristãos e as técnicas de protesto eram inspiradas nas de Gandhi.
Entre 1957 e 1968, Martin viajou mais de nove milhões e seiscentos mil quilómetros e discursou mais de 2500 vezes, aparecendo onde havia injustiças, protestos e acção. Nesse período escreveu cinco livros e numerosos artigos.
Nesses anos, para além dos protestos em Birmingham, Alabama, (brutalmente reprimidos pela polícia), Martin escreveu a «Carta de uma Prisão de Birmingham», um manifesto contra a discriminação racial, e planeou marchas para que os negros pudessem votar.
Em 1960 mudou-se para Atlanta, capital do Estado da Georgia (um dos Estados Sul dos EUA com mais negros descendentes dos escravos).
Foi um dos organizadores da marcha pacífica que reuniu mais de 250 000 pessoas (de todas as raças) até Washington DC (em Agosto de 1963), em que exigia igualdade racial.
Foi em Washington, com um enorme público, que proferiu o seu famoso discurso l Have a Dream («Eu tenho um sonho»).Clica aqui para leres o discurso. É muito bonito!
Encontrou-se com o presidente John F. Kennedy e fez campanha para o presidente Lyndon B. Johnson.Foi preso mais de vinte vezes e agredido pelo menos quatro!Mas nunca desistiu.
Recebeu títulos honorários e foi a «Personalidade do Ano» da revista Time, em 1963.Em 1964, Martin viu a sua acção reconhecida com a atribuição do Prémio Nobel da Paz. Com 35 anos foi o mais jovem galardoado com esse prémio!
Em 1968, quando se deslocou a Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve, foi assassinado a tiro por um fanático branco, James Earl Ray.
Mas a sua luta não morreu.Em 1969, a sua viúva, Coretta Scott King, organizou o Martin Luther King Jr. Center for Non-Violent Social Change (Centro Martin Luther King Jr. para a Mudança Não-Violenta) que actualmente está situado perto da sua igreja baptista, a Ebenezer Baptist Church, em Atlanta.
O dia do seu aniversário (15 de Janeiro) é feriado nacional nos EUA, comemorado anualmente na terceira segunda-feira do mês de Janeiro.O Hotel Lorraine, onde Martin Luther King foi assassinado, é hoje o Museu Nacional dos Direitos Civis.

Wednesday, 14 January 2009

Opinião de Afonso Dhlakama

Em Moçambique não há Sociedade Civil. Não estamos a dizer que os intelectuais não são bons, são académicos, são bons, com o respeito que eu tenho por eles, mas eles não têm a oportunidade de fazer funcionar aquilo que eles aprenderam. Moçambique não está em condições de falar da Sociedade Civil, porque mais de 80 por cento dos licenciados só encontram trabalho no aparelho do Estado, e são esses que constituem a Sociedade Civil e como é que me vão convencer que, de facto, são Sociedade Civil, quando a Frelimo não dá liberdade aos funcionários públicos?

(Magazine Independente, de 07/01/09)

Tuesday, 13 January 2009

Hermínio Morais: "Não há alternativa a Dhlakama na Renamo"

Nesta entrevista exclusiva ao nosso jornal, Hermínio Morais fala da partidarização dentro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, dos problemas dentro da Renamo, do futuro do partido e de muito mais.
Chama-se Hermínio Morais ou simplesmente Bob Shalton, sua alcunha nos tempos da guerra que a Renamo moveu contra o governo da Frelimo. Shalton foi o arquitecto das acções de sabotagem ao longo do corredor da Beira, que culminaram com o espectacular assalto a um comboio com 46 vagões contendo armamento.

Sr. general, é membro sénior da Renamo e certamente acompanha com alguma intensidade a vida do partido. Na sua óptica, a Renamo está bem de saúde?
A Renamo, na minha óptica, está bem de saúde, apesar de todas as dificuldades inerentes à actividade política na oposição em Moçambique. Estamos, neste momento, a constituir brigadas a nível de todo o país, por forma a nos organizarmos para as eleições gerais.

Tendo a Renamo perdido em toda a linha as últimas eleições autárquicas, continua a achar que o partido está bem de saúde?
Sim...realmente, reconheço que é preciso fazermos um trabalho mais a sério. Muitas vezes, nos iludimos pensando, logo à partida, que já ganhámos e o resultado foi este que vimos. Mas a derrota da Renamo não pode ser vista como fruto da alegada desorganização dentro do partido. A Frelimo mobilizou todos os meios ao seu dispor para estas eleições, com especial enfoque para os bens do Estado. Nós da oposição não tínhamos nada a fazer face à Frelimo.

Logo após o "desaire" eleitoral de 19 de Novembro, vários membros seniores da Renamo vieram a público exigir a realização de um congresso extraordinário que teria como objectivo fazer uma reflexão interna e quiçá, sufragar uma nova liderança. De que lado está?
Respeito a opinião destes colegas, mas não concordo com a sua posição. A Renamo não precisa de nenhuma revolução profunda. Concordo que a Renamo deve, urgentemente, adaptar-se à actual conjuntura política do país e abrir-se mais para o diálogo construtivo.

Quando fala em adaptar-se à actual conjuntura, está a pretender dizer que o partido e o seu líder estão ultrapassados?
Não. O que vejo é que muitos membros da Renamo, que entraram depois dos acordos de paz, estão lá para tirar dividendos e não contribuem em nada para o partido. É preciso que as pessoas percebam que a Renamo não é nenhum posto de trabalho para acomodar interesses de pessoas preguiçosas.

Mas sente que existem condições para o diálogo dentro do partido, tendo em conta que a Renamo está centrada no seu líder Afonso Dhlakama?
A Renamo não está centrada no seu líder como alguns pretendem fazer crer. A Renamo está centrada nos milhões dos seus membros. Dentro da Renamo, existe espaço para o diálogo e para livre expressão.

Dhlakama está há mais de 30 anos a frente da Renamo. Há quem defenda a sua reforma. Acha que Dhlakama ainda tem legitimidade para se manter na liderança da Renamo?
Creio que ainda tem capacidade e legitimidade. A Renamo não é dirigida apenas pelo presidente Dhlakama. Existem outros dirigentes e membros que são importantes na Renamo.

Raul Domingos veio a público mostrar a sua disponibilidade para voltar à Renamo, mas sob algumas condições que não chegou a especificar. Estaria preparado para receber o seu antigo chefe do Estado Maior no tempo da guerilha?
Quem decide o retorno dos membros afastados é o Congresso. Se os membros acharem que o bom filho deve voltar à casa, acho que é bem vindo.

Para além de Raul Domingos, Daviz Simango é outro membro expulso, que várias vozes dentro do partido defendem o seu retorno e eventualmente concorrer à presidência do partido. A ala militar da Renamo, na qual o general Morais faz parte, estaria disponível para aceitá-lo como líder?
Eu não tenho nenhuma opinião formada sobre este assunto.

A Renamo anunciou para este ano a realização do seu Congresso. Certamente, Afonso Dhlakama será candidato à presidente do partido. Vai apoiá-lo?
Sim, vou apoiá-lo. Não vejo nenhum outro candidato credível para levar a Renamo à frente.

Mesmo com estas derrotas?
Sim. Dhlakama é carismático e querido pelo povo. O importante é trabalharmos seriamente para a vitória. Dhlakama não pode vencer sozinho. É preciso sermos vigilantes contra a fraude.

Como é que a Renamo pode vencer a Frelimo se, nestas eleições autárquicas, o seu presidente nem se dignou a fazer campanha eleitoral pelos seus candidatos. É este líder que apoia?
O que lhe posso dizer é que todos os membros da Renamo se devem empenhar nestas eleições. A vitória é possível com Afonso Dhlakama.

O general Morais apoia o presidente Dhlakama por convicções políticas ou por ter sido seu camarada de trincheira?
Apoio-o por ser o único líder com qualidades para liderar o nosso partido para a vitória. Não existe alternativa dentro da Renamo. A única Alternativa é Dhlakama.

Mas não é Dhlakama que cria condições para que não haja alternativas internas?
Não. O que acontece é que as pessoas ainda não estão preparadas para suceder a um líder da craveira de Dhlakama.

Em tempos, o general morais disse que as Forças Armadas estavam a ser partidarizadas pela Frelimo em flagrante violação ao Acordo Geral de Paz. Mantém o mesmo fio de pensamento?
Não tiro nenhuma vírgula sobre o que disse no passado. A maior parte dos oficiais superiores oriundos da Renamo não estão ainda enquadrados dentro da nova orgânica das FADM. Chamam-lhes de assesssores, mas os mesmos não têm nenhuma tarefa dentro do Ministério da Defesa ou das FADM. Só vão ao serviço ler jornais.

Mas temos o caso do vice-chefe do Estado-Maior das FADM, que é da Renamo...
Aquele cargo não passa de decorativo. Olímpio Cardozo não toma nenhuma decisão de relevo dentro do Estado-Maior das FADM. Limita-se a ir ao gabinete receber ordens do chefe de Estado-Maior. Não existe um membro oriundo da Renamo que tenha um cargo de relevo dentro das FADM.

Quem está por detrás desta alegada partidarização?
Existe uma ala de ortodoxos dentro das Forças Armadas, constituída por antigos combatentes e membros das extintas FPLM. São estes que não querem a unidade dentro das Forças Armadas. Acham que as Forças Armadas são propriedade sua e da Frelimo.

O general Hermínio Morais faz parte do Conselho de Defesa e Segurança, liderado pelo Chefe do Estado, na sua qualidade de Comandante-em-Chefe das FADM. Terá colocado esta questão e qual foi a sua reacção?
Já alertei o Chefe do Estado sobre esta questão. Ele garantiu-me que ía trabalhar no sentido de unificar as Forças Armadas.

De quando em vez, Afonso Dhlakama tem vido a público ameaçar retornar à guerra. Sendo uma peça fundamental para um eventual retorno à guerra, acha que existem condições para tal cenário?
O que lhe posso garantir é que, neste momento, não há espaço para o retorno à guerra. Temos que investir no diálogo permanente.

Mas a Renamo tem capacidade para retornar às matas e sobreviver por longo período de tempo na expectativa de negociações?
Trata-se de um segredo militar nosso. Sobre este assunto, não lhe poderei ser útil. Insisto na necessidade do diálogo.

Uma das coisas curiosas em si é que, sendo um destacado general da guerilha da Renamo, não foi integrado no exército. Há quem diga que se tratou de uma estratégia de Afonso Dhlakama para não cair na cilada montada a Jonas Savimbi em Angola, onde proeminentes generais da UNITA foram mortos em 1992. É verdade?
Não é verdade. Eu é que não quis. Há várias testemunhas como Mateus Ngonhamo, que foi ocupar o lugar que me era destinado. Estava cansado da guerra e de receber ordens militares. Preferi descansar. Existiam jovens como o Ngonhamo e outros que achei que deviam integrar as FADM.

Volvidos estes anos, está arrependido?
Nem tão pouco.

Hoje fala-se muito dos homens armados da Renamo. Existem de facto estes homens e se existem constituem um real perigo para a paz?
Não existem homens armados da Renamo, mas sim guardas dos altos dirigentes da Renamo. Não são uma ameaça a ninguém muito menos à paz. Curioso é que só se fala destes homens nos períodos eleitorais.

Há relatos de que estes homens estão envolvidos em actividades de terror em Marínguè e em Inhaminga.
Não há provas. É propaganda eleitoral.

Alguns olham para estes homens como uma suposta retaguarda da Renamo...
Se fossem nossa retaguarda estariam todos aqui na cidade e não em Marínguè, onde são camponeses.

Movimentos como a Renamo sempre procuraram chegar ao poder pela via da força, quando gorada a possibilidade de chegar pela via das urnas. Já pensaram nessa possibilidade ou seja, olhando para trás, estão arrependidos por terem assinado o Acordo Geral de Paz?
Não estamos arrependidos. A guerra tinha já morto muita gente e separado famílias inteiras.

Há quem diga que o líder da Renamo teve medo de chegar ao poder pela força. É verdade?
De um lado é verdade. Se fores a notar, a Renamo já estava a operar na Catembe e na Matola. Fui um dos generais que queriam que prosseguíssemos a guerra até à vitória final, que já estava ao nosso alcance.

Mas o que aconteceu para recuarem?
O presidente da Renamo é que disse para nós recuarmos, para salvaguardarmos a integridade territorial do país e para evitarmos mais banhos de sangue. Eu achava que o poder devia ser tomado à força.

Não se sentiu frustrado com as ordens superiores?
Fiquei, mas o presidente chamou-nos e explicou-nos tudo. Eu era um dos generais que estavam a avançar a caminho da cidade da Beira. Estava motivado e empenhado para tomar a cidade da Beira à força.

Há quem diga que a Renamo contou com o apoio de oficiais seniores da Frelimo nesta guerra. É verdade?
É verdade. Nos últimos anos da guerra, vários oficiais estavam já com um pé atrás e acreditavam na nossa vitória. Houve até oficiais seniores da Frelimo, que não quero aqui mencioná-los, que nos forneciam material bélico.

O senhor ingressou na Renamo com a nona classe e vinha de uma família minimamente estável. O que o fez abraçar a causa da Renamo, na altura conhecidos como "bandidos armados"?
Olha, já não suportava. Vivíamos num país com um sistema que impunha terror a todos e não havia liberdade para as pessoas. Havia necessidade de se pegar em armas e contestar-se o sistema que vigorou no país depois da independência.

Como é que chegou a Gorongosa?
Via África do Sul. Depois fui à Rodesia e, por fim, cheguei a Gorongosa.

Está feliz com o seu contributo nesta guerra pela "liberdade", sendo uma pessoa famosa por causa das suas actividades militares durante a guerra?
Claro. É um combate que acho que valeu a pena. Hoje, apesar de ainda enfrentarmos dificuldades, já é possivel viver livremente neste país. Certamente que ainda existe um longo caminho por rumar.

Quantos anos esteve na mata?
16 anos.

Como é que chegou à patente de Major-General em apenas 16 anos de guerra?
Olha, fui um dos agentes que realmente ascenderam muito rapidamente dentro da hierarquia militar da Renamo. Veja que todos os anos era promovido. Tive o privilégio de operar numa zona de guerra total, que era a Gorongosa. Neste local, realizávamos, em média, três combates por dia. E foi lá onde me destaquei.

Foram anos difíceis da sua vida?
Do ponto de vista material foram terríveis, mas do ponto de vista espiritual, sinto que fiz o que um jovem na minha idade e naquela época tinha a fazer em prol da minha pátria. Devo dizer que a população sempre esteve do nosso lado.

Equaciona a possibilidade de um dia candidatar-se à liderança da Renamo?
Não. Existem quadros.

Acredita que a Renamo vai a tempo de chegar ao poder?
Claro que acredito, enquanto estivermos vivos há esperança.
(Escrito por Atanásio Marcos e José Belmiro, em O PAÍS de 11/01/09)
Muito interessante esta entrevista, mas afirmar que as coisas estão bem na Renamo é a mesma coisa que Armando Guebuza dizer que o estado da nação é bom! NINGUÉM ACREDITA!
Não deixa de ser preocupante a constatação de que num Partido democrático, e após tantos anos, não haja nenhuma alternativa ao líder. ALGO TEM DE ESTAR MUITO ERRADO!

Monday, 12 January 2009

Última hora

No recurso que o NPO interpôs contra Jacob Zuma, o juíz Harmse afirmou há momentos que o juíz Nicholson errou ao fazer pronunciamentos políticos no recente caso que ilibou Zuma no caso de corrupção.
Recorde-se que o referido julgamento causou o afastamento do Presidente Thabo Mbeki.
O Procurador fica agora com o caminho aberto para reabrir o processo contra Jacob Zuma.

Sunday, 11 January 2009

Grace Mugabe

Segundo o jornal sul-africano “Saturday Star”, Grace Mugabe, esposa de Robert Mugabe, levantou 92000 dólares americanos (cerca de 890000 Randes) para financiar as suas férias na Malásia.

Recorde-se que em Junho, a senhora Mugabe gastou 80000 dólares na sua passagem por Roma.
SEM COMENTÁRIOS!
ADENDA:

JOHANNESBURG, Jan 11 (Reuters) - South African Nobel peace laureate Desmond Tutu has called on all South Africans to join his weekly fasting in protest at the humanitarian crisis in neighbouring Zimbabwe, the 702 radio station reported on Sunday.The 78-year-old Anglican archbishop said he had been fasting once a week in solidarity with the hundreds of thousands of Zimbabweans facing food shortages and a cholera outbreak."If we would have more people saying 'I will fast' maybe one day a week, just to identify myself with my sisters and brothers in Zimbabwe," the radio station quoted him as saying.Zimbabweans are suffering from hyper-inflation and severe food, fuel and foreign currency shortages. Cholera has killed more than 1,800 people. (Reporting by Agnieszka Flak; Editing by Charles Dick). REUTERS

Mensagem aos Pais

Falando sobre o conflito de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quarto frases:

1 – A nossa juventude adora o luxo, é mal educada, goza da autoridade e não tem o menor respeito pelos velhos.. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.

2 – Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje assumir o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.

3 – Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não deve estar muito longe.

4 – Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então revelou a origem delas:
A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.).
A Segunda é de Hesíodo (720 a.C.).
A Terceira é de um sacerdote do ano 2.000 a.C.
A Quarta está escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia (Iraque) e tem mais de 4.000 anos de existência.
Portanto, um recadinho aos que são pais:

RELAXEM!
SEMPRE FOI ASSIM!

Saturday, 10 January 2009

Humor

Na República das Bananas


Numa visita a uma escola, o Presidente da República das Bananas entra na sala da quarta classe. As crianças estão a discutir as palavras e os seus significados.
O professor pergunta ao Presidente se ele quer moderar o debate, sobre o significado da palavra 'tragédia'.
Então o Presidente pede à turma um exemplo de uma 'tragédia'.
Um rapazinho levanta a mão e diz, 'se o meu melhor amigo, que mora na casa ao lado, atravessar a rua e for atropelado por um carro, isso era uma tragédia'.
'Não', diz o Presidente, 'isso seria um acidente, pois ninguém teve culpa'.
Uma menina diz: 'se um autocarro cair duma ponte por culpa do motorista, e todos os que lá iam morrerem, isso seria uma tragédia'.
'Também não', explica o Presidente 'isso seria o que nós chamamos UMA GRANDE PERDA'.
A sala fica silenciosa. Mais nenhuma criança quer arriscar. O Presidente da República das Bananas pergunta outra vez: 'Há aqui alguém que me possa dar um exemplo de uma tragédia?'
Finalmente, no fundo da sala, o Joãozinho levanta a mão. Muito baixinho, diz 'se o sr. Presidente regressar ao País no avião do Governo e ele for atingido por um míssil dos terroristas, e explodir no céu, isso seria uma tragédia'.
'Correcto!', exclama o Presidente 'muito bem. E podes dizer-nos PORQUE É QUE isso seria uma tragédia?''Bem', começa o Joãozinho, 'porque, como o sr.Presidente explicou, não seria um acidente, e, como toda a gente sabe, não seria uma grande perda!'
--------------------------------------------------------------------------

Os velhinhos conversando:
- Nestes 60 anos de casamento eu te trai 3 vezes... - desabafa a velhinha- mas foi por amor a você e posso explicar...
- Como?? Retruca o velhinho...
A velhinha balançando a cadeira começa a explicar:- A 1ª vez, você lembra quando a gente era RECEM CASADOS, e você reclamava muito do seu emprego, você gostava muito do emprego mas estava ganhando pouco, não estava dando pra mobiliar a casa??
- Lembro - responde o velhinho...
- Você lembra que em um determinado dia o seu patrão te chamou e te deu um aumento de salário bem grande??
- Lembro - responde o velhinho...
- Então!! Eu fui ate seu emprego, expliquei nossa situação para seu patrão... mas tive que transar com ele...
- E a 2ª vez? - pergunta o velhinho...
- Você se lembra daquela vez que você estava muito doente? mas muito doente mesmo e tinha que ser operado urgentemente?
- Ah!!! Me lembro...
- Você se lembra que tinha uma fila de espera muito grande, e se você fosse esperar morreria?
- Lembro - responde o velhinho...
- Você se lembra que um médico te chamou... Te operou e você esta vivo até hoje graças a essa operação?
- Lembro - responde o velhinho...
- Então... Fui até o hospital... expliquei sua situação pro médico... mas tive que transar com ele...
Houve um silêncio sepulcral entre os dois...O velhinho então pergunta:
- E a 3ª vez??
-Você se lembra de quando foi candidato a prefeito daquela cidadezinha onde moramos?
- Lembro - responde o velhinho...
- Você se lembra que precisava de 3 mil votos pra ser eleito?

Friday, 9 January 2009

Pensamento do dia

"Um Estado que tolhe o crescimento dos seus homens para que eles possam ser instrumentos mais dóceis nas suas mãos mesmo com fins benéficos, descobrirá que com homens pequenos nada de grande se pode realmente realizar".
( John Stuart Mill, citado em http://www.athiopia.blogspot.com/ )

NOTA: Alguém está a ouvir?

Thursday, 8 January 2009

Xenofobia: uma opinião

O discurso xenófobo e anti-estrangeiro, discretamente acarinhado nos círculos oficiais, previne o país de se abrir à globalização e ao desafio de competências e habilidades, como acontece noutras latitudes. É o mercado fechado e hostil à competitividade que permite o absurdo de um técnico médio, de duvidosas competências e capacidades, exigir dois mil dólares e viatura 4x4 para trabalhar em Montepuez ou Marrupa. Por um quarto do salário, o mesmo trabalho pode ser feito por alguém da Índia ou do Brasil. Mais subversivo. Se houver essa possibilidade, mais e mais moçambicanos estariam a caminho dos distritos para disputar trabalho e emprego.


Machado da Graça, Savana, 02-01-09.

Wednesday, 7 January 2009

Quadra festiva passou ficou a nossa pobreza



Mais uma vez passou, o período em que o Homem de propósito criou para se enganar, de festas, durante o qual não parece o mesmo que todos os dias luta incessantemente contra as vicissitudes que a vida lhe coloca no dia-a-dia, em razão de, no nosso caso, pertencer a um país pobre, cujo dia-a-dia, é tentar lutar para que seja possível conseguir pelo menos duas refeições.O homem que em cada dia não sabe o que vai ser o jantar, já que o mata-bicho dispensou(?) e o almoço aconteceu algures numa barraca. Durante quase duas semanas estava relativamente abastado. Teve todos os mata-bichos, introduziu o pequeno almoço, almoçou todos os dias e os jantares foram à hora e perante toda a família, como gostaria de fazer todos os dias, não fosse pobre, em consequência de pertencer a um país, outrossim, pobre em absoluto.

Um país que ele, mais alguns outros, não ajuda a desenvolver, mudando a sua atitude perante o trabalho, produzindo mais e com produtividade, tirando-se do subemprego, fazendo coisas suas para resolver os seus problemas, e assim, diminuindo o número daqueles que só dependem do que o Estado mal consegue.

Que os seus dirigentes políticos e governativos, os operadores económicos, não ajudam a desenvolver porque metidos em teias de favoritismos, nepotismo, “primeiroeurismo”, enfim, duma corrupção que produz mais e deveras desenvolvida do que produzem todos os esforços dos não-corruptos, contra toda a generosidade, espírito trabalhador e humildade do nosso povo. É uma teia que parte, inclusive, dos doadores, que foram responsáveis por também ensinar como se rouba ao povo através dos “perdiens”, ajudas de custo, honorários, despesas de representação, palavras que o vocabulário moçambicano não tinha…

Então, o homem durante duas semanas enganou-se que tinha melhorado a sua vida, com o advento do décimo terceiro salário, depois de, de propósito, o seu salário de Dezembro ter vindo muito cedo, que nos outros 11 meses, vem sempre atrasado. Assim adquiriu produtos e bens cujos valores se situam muito acima da sua média e das capacidades reais individuais. Comeu por um dia um frango, e não por mês! Comeu três frangos no Natal e cinco na passagem do ano. Não “batia” uma média por dia nas barracas, como faz normalmente, havia levantado dez caixas de cerveja para casa.

O vizinho que não poderia ser o mais-mais, ao mandar matar um cabrito, recebeu a resposta do outro com entrada no seu quintal, de uma perna de vaca e alguns galos “macuas” a fazerem barulho de propósito, apenas para que chamassem à atenção da vizinhança. Foram dias de opulência(?), digamos, abastança postiça…

Mas já depois da festa do Natal, havia sinais de que nem todos se aguentariam na passagem do ano. É que a coincidência de termos tido 9 dias de ócio, em resultado do posicionamento dos dias festivos no calendário da semana laboral, criou condições para mais consumo e gastos desnecessários, aí os bolsos, há muito furados, nem sequer conseguiram travar a mola, que foi caindo, sem nenhum controlo.

Talvez por aí se possa entender a razão porque na passagem do ano houve muita violência doméstica e inter-familiar na cidade de Pemba. Se na quadra natalícia registaram-se nove casos de agressões físicas, esse número subiu para 23 na viragem de 2008 para 2009. Não foram agressões na rua, mas sim, em círculos familiares e de amigos, algumas das quais, graves, como seja, traumatismos sérios, incluindo alguém que pôs fora todas as tripas de um parente, por meio duma faca!...

É que as expectativas na passagem do ano não ficaram satisfeitas, a mudança de opulência, durante o Natal, para a pobreza na passagem do ano, num curto espaço de tempo, foi violenta. As acusações subiram de tom, do jeito “ houve algum desvio de aplicação” que poderia haver outras casas financiadas para a festa ou que alguém foi apanhado a oferecer uma prenda a uma pessoa estranha da família e daí a razão do fraco cabaz, para o fim do ano.

Houve telefones celulares pilados ou ameaçados de pilar, culpados de conterem mensagens que poderiam estar por detrás da fraca assistência à casa, do tipo “amor, a minha viagem é já amanhã” ou “ obrigado por tudo que me proporcionaste durante o ano que está a terminar e espero que continuemos assim em 2009” ou ainda “ sem você a minha vida em 2008, seria em vão, obrigado pela ajuda…”

Quando visto o facto de todas as 23 agressões sérias terem se registado das 4 às 7 horas, fica-nos a sensação de que as pessoas prolongaram as suas desinteligências, aguentaram durante longo período da noite e os ânimos elevaram-se já à madrugada, quando na falta de cerveja já se recorreria a “Royal”, Tentação, na falta do Barone, se alinhara com Barão, no lugar do Nederburg, se decidiu pelo Tintão, etc.

Hoje é 3 de Janeiro, desde dia 1 que a alegria desapareceu das casas, apesar de termos tido mais três dias reservados ao barulho festivo. A música foi-se, e como, volto a citar o meu falecido amigo, o musicólogo e antropólogo cultural, Aveni Awendila, a “alegria é que manda”, a disciplina forçada voltou a ocupar o seu lugar.

Sendo Janeiro, mais um mês de 31 dias, tendo em conta a nossa capacidade de nos enganarmos facilmente e assim gastamos para cima do que podemos e porque se não se pode morrer de fome, prevê-se um cenário em que cada um de nós vai contrair dívida aonde achar melhor. E como quem tem dinheiro neste país de pobres é geralmente gente desonesta, teremos que nos ajoelhar junto aos corruptos para nos salvarem da ressaca infeliz das festas do Natal e Fim do Ano. E para alguns casos, voltar-se-á a espreitar o bolso estatal, não para salvar a maioria, mas para retomar o ciclo vicioso de alimentação da corrupção…assim até ao fim deste ano.

Na verdade, as festas lá se foram, o ambiente de opulência e abastança postiça já se foi, vamos gerir a consequência da quadra festiva, quer dizer, voltamos a ficar como na verdade somos, pobres!

PEDRO NACUO, em Notícias de 03/01/09.

Tuesday, 6 January 2009

Ano de 2009 e o Exercício de Uma Cidadania Sem Medo




Tenho para mim que o presente ano de 2009 será de grandes realizações. Para começar, é neste ano que teremos pela primeira vez as eleições provinciais, que embora menos esclarecidas ao povo, parecem significar um avanço no fortalecimento da democracia moçambicana. Mais do que isso esperamos a realização das quartas eleições presidenciais.

Ao falar de eleições, temos é que parabenizar Moçambique por cumprir quase à risca o calendário eleitoral, facto que as democracias africanas pouco conseguem fazer. Com uma idade inferior a 20 anos e, independentemente de todos os vícios apontados, a democracia moçambicana conseguiu realizar à tempo, seis eleições multipartidárias.

Quando a democracia formal vai crescendo na idade, o seu exercício efectivo não cresce. Temos uma democracia bastante enfraquecida pela ausência de forças políticas capazes de competir com a Frelimo que é o partido mais velho na senda política moçambicana.

Assiste-se uma democracia enfraquecida sob todos os sentidos, se calhar seja inclusive a responsabilidade do tal maior partido que ao querer manter a sua hegemonia vai apagando os mais pequenos.

Tomo como exemplo alguns dos chamados intelectuais, académicos ou a massa pensante do país. Estes temem contrapor a Frelimo, temem criticar o poder e acima de tudo temem assumir qualquer outra cor partidária neste país que não seja a da Frelimo. Lembro que alguns dissidentes da Frelimo, que há alguns anos filiaram-se na Renamo, foram severamente açoitados na função pública onde trabalhavam e duramente condenados pela opinião.

Por outro lado, o partido Renamo, que se visualizava força capaz de fazer frente a Frelimo no dialogo político, acabou mostrando a sua falência irreversível. Esperar uma possível ressurreição da Renamo é não querer ser realista. O que pode eventualmente acontecer é uma renovação interna através de fundação de um outro partido constituído pelos seus dissidentes.

A ser assim, com o surgimento de uma força política vinda da Renamo desfalecida, constituída somente pelos anteriores membros, o cenário não pode ser diferente porque seria uma mudança de nome e de líder e não de postura. O que a Renamo precisa e esperamos em 2009 é que não tenha medo de renovar sua própria mentalidade e convicções.

O mesmo se pode dizer da Frelimo, um partido que se pretenda maior e democrático deve ser capaz de conviver pacificamente com a oposição. Aceitar que o facto de um cidadão ser membro de um partido da oposição não significa que é inimigo do poder ou do sistema. Ser diferente é um direito fundamental que o cidadão tem. Espero que em 2009 a Frelimo não tema conviver com os outros, para que ela mesma não seja vítima da sua grandeza.

Espero um 2009 onde os académicos não tenham medo da verdade, não tenham medo de criticar as injustiças, não tenham medo de criticar e condenar a hipocrisia, a mediocridade e a falta de competência. Mais do que servir ao estômago e à aparência é desafio de todos nós construir um Moçambique cada vez mais responsável e inclusivo.

Espero uma mídia menos tímida e sobretudo menos manipulada. A mídia pode ser manipulada tanto pela opinião pública, que ela muito bem sabe influenciar, pode ser manipulada pelos empresários, pelo poder ou pelo contra poder e pelos interesses do mercado, perdendo assim a verticalidade, a isenção, a imparcialidade e a objectividade. Uma mídia manipulada constitui veneno à democracia.

Espero em 2009 uma sociedade civil menos partidarizada, menos assustada, mais profissionalizada e capaz de inovar e de levar a cabo a sua missão de representação dos sem voz e sem vez. Uma sociedade civil diluída nos interesses políticos e mercantilistas perde de imediato o seu norte e passa a representar a classe dominante, ou seja, passa a servir o inverso das suas convicções fundadoras.

A vida de puxa sacos não nos leva a lado nenhum, alias, puxar saco ou bajular é antes de mais, ser falso consigo mesmo e com quem é bajulado. Um puxa saco esconde nos seus actos a sua cobardia, a sua ambição e os seus medos. Ao invés de contribuir para o bem da nação ele contribui para a sua própria manutenção em detrimento da maioria. Espero um 2009 com menos puxa sacos e menos bajuladores.

Com a morte e o sepultamento dos nossos medos poderemos muito bem e com facilidade, assumir fervorosamente o nosso papel social e político. Poderemos ter uma Assembleia da República que acima dos interesses da bancada decide a favor do povo e poderemos ter um governo com políticas públicas inclusivas e participativas. Um bom desempenho dos órgãos do Estado depende muito do quanto nós podemos ser verdadeiros connosco mesmos enquanto actores políticos e sociais.

Moçambique precisa de um movimento social mais actuante e mais militante. Considero ser muito positivo o papel de reconstrução nacional levada a cabo por uma boa parte da sociedade civil moçambicana, contudo, para alem de essa ser por excelência, uma missão do governo, o país clama por um movimento que fiscalize o poder e contribui na feitura e implementação das políticas públicas.

Espero assim um 2009 com espaço para todos nós, onde todos nós temos voz e onde podemos nos sentir representados. Não queiramos em pleno século XXI construir regimes que representam interesses de minorias, deixando de fora a maior parte da população.

Espero um 2009 onde não teremos medo de condenar e criticar a exclusão. Nem a exclusão social nem a exclusão política, mas onde todos nós podemos participar com as nossas experiências, os nossos conhecimentos e a nossa visão na construção de um Moçambique para todos. Espero um 2009 onde poderemos ter coragem de condenar situações como as provocadas pelo regime do Zimbabwe.

Espero um 2009 menos repressivo, onde as armas de fogo são usadas no último dos últimos casos. Espero um 2009 de unidade e de diversidade nacional. Espero um 2009 com assentos para homens e mulheres, jovens, crianças e idosos. Um 2009 com assentos para gays e lésbicas, com assentos para membros da oposição, com assentos para portadores de deficiência, com assentos para artistas e desportistas.

Espero um 2009 em que finalmente teremos uma Comissão Nacional para os Direitos Humanos e um Provedor de Justiça.

Espero um 2009 essencialmente sem medo!!

( Custódio Duma em http://www.athiopia.blogspot.com/ )


NOTA:
O Custódio Duma apresenta aqui de forma bem lúcida o verdadeiro estado da nação, apontando as soluções necessárias. O importante mesmo é que se perca o medo.

Monday, 5 January 2009

2009 PODE MUITO BEM SER O ANO DA VIRAGEM…

Importa ter a capacidade de fazer a leitura adequada ao momento e agir em conformidade sem ter receios de ofender A ou B. O momento é de tal gravidade que se impõe que cada cidadão assuma com integridade essa qualidade. O ano promete se nós quisermos fazer o país mudar realmente. Os moçambicanos estão ansiosos de ver emergir uma liderança que substitua de maneira inequívoca uma classe política que se apresenta cansada e sem alternativas para lidar com os assuntos nacionais mais prementes. Porque as verdadeiras bases estão acordando da longa letargia; porque os moçambicanos estão aprendendo a conhecer os políticos que têm; porque os resultados da governação não coincidem com o que os actuais governantes não se cansam de propagandear; porque as condições reais de vida dos moçambicanos não correspondem ao que se diz; porque efectivamente os moçambicanos estão se tornando adultos e exigentes para consigo próprios e exigindo uma demarcação clara entre governar e servir-se das posições governamentais, julgo que 2009 tem muito a oferecer aos moçambicanos. À classe política que temos cabe fazer tudo o que se mostra necessário para devolver dignidade e respeito para com eles e para com a governação deste país. Mas, este bico-de-obra tem de ser realizado e não só falado e prometido repetidamente. Os cidadãos estão fartos de promessas. Querem resultados. O país está farto de ser enganado e estamos suficientemente falados. Urge trazer normalidade para a vida pública, respeito e honra. Por aí passa o que o país tem de realizar antes de se avançar para declarações de intenções sobre combates à pobreza ou contra a corrupção. Moçambique pode superar e ultrapassar os travões e constrangimentos à realização plena do que falta aos seus cidadãos. Basta que realmente os cidadãos se envolvam na escolha dos seus governantes. Exijam junto da CNE e do STAE, nos períodos de recenseamento, que não lhe seja negada a possibilidade de estarem com capacidade eleitoral nos dias de votação. Por outras palavras, exijam que nos postos de recenseamento os atendam com eficiência de modo a que saiam de lá registados para poderem eleger. E depois não fiquem em casa quando chega o dia de eleger, nem se deixem enganar nas assembleias de voto pois o voto de cada um é indispensável para que o País mude. A coragem de enveredar por esse caminho tem de vir dos políticos que não estão na política para se manterem a eles próprios eternamente sentados nas cadeiras das benesses. Os políticos alternativos têm de transmitir aos cidadãos, como se de corrente eléctrica se tratasse, a necessidade de se ir votar para que as coisas mudem realmente. Mudar um país requer coragem firme e decidida É imperativo que se aceite confrontar os “demónios”. Nada faz com que isso se torne mais óbvio e necessário do que o falhanço das abordagens até aqui feitas ou “eleitas” por minorias. As maiorias têm de deixar de ficar em casa no dia de eleições. O país para mudar exige que os seus cidadãos assumam a cidadania com responsabilidade e não de deixem ficar em casa. A promiscuidade dos poderes e a impunidade tem servido para enriquecer uns. E os empobrecidos, a maioria não pode ficar em casa a assistir ao processo de destruição do país. O que está em causa não é a incapacidade dos moçambicanos tomarem conta dos seus assuntos. Há que ter a coragem de mencionar e reafirmar que a falta de liderança constitui o principal problema. A insistência em escolhas e nomeações de recursos humanos gastos e esgotados, comprometidos ou conspurcados por passados suspeitos, tem deixado suas marcas na governação nacional. Não se pode governar um país com recurso a governantes que não possuam a autoridade política e moral necessária. Quando não se registam avanços em processos essenciais deve-se procurar pelas causas de uma maneira consequente e à altura dos acontecimentos. Tem-se verificado uma tendência para se negar que existam irregularidades ou incompatibilidades entre alguns dos nossos governantes. Não se deveria continuar por aí. É preciso que haja mudança de facto.


2. - Se uma coisa é a idade relativamente nova da nossa democracia outra coisa são os preceitos que caracterizam uma democracia. A democracia não tem de ter características diferentes consoante se esteja em África, em Moçambique, na Europa ou em qualquer outro continente. A partir da altura em que um membro do executivo de um país oferece favores ou crédito a um familiar seu, isso se torna em conflito insanável de interesses. Não é por acaso que por exemplo Hillary Clinton, tendo votado como senadora dos EUA sobre uma aumento salarial para o cargo de Secretário de Estado de seu país, não virá a beneficiar do mesmo aumento em caso de ela ser aceite pelo Congresso para ocupar aquela pasta no governo americano para o qual o presidente eleito Barack Obama a apontou. Se há busca e investigação profunda das possíveis ligações financeiras internacionais do marido em relação à futura posição da esposa no governo, isso faz-se para evitar que os interesses americanos possam estar em risco de sofrer influências de entidades estrangeiras. Pelas mesmas razões Luísa Diogo tem de ir andando, entanto que primeira-ministra. A democracia não se faz no abstracto nem com proclamações. É algo que tem de ser vivido e sentido pelos cidadãos. Ela, Luísa Diogo, em virtude de ter participado na decisão de atribuição de crédito com fundos do tesouro nacional a uma empresa em que o marido é um dos accionistas, perdeu a independência e a imparcialidade para agir como membro do executivo nacional. Esse é um facto indesmentível. Isso enquadra-se naquilo que a ética democrática não permite. Por essa razão, pelo formalismo que também deve existir em democracia, a senhora Luisa Diogo já deveria ter-se demitido do cargo e nunca renovado a sua posição. Pode ser difícil de engolir. Mas quando se prende um antigo ministro em nome de alegado desvio de fundos governamentais, como é o caso de Almerino Manhenje, não se pode deixar de tocar em outras situações não menos melindrosas. Todos devem ser responsabilizados pelas suas decisões menos apropriadas independentemente do estatuto e do tipo de relações que existam entre integrantes de uma mesma administração e os que têm desavenças com outras alas. É em momentos cruciais como este que se vê a desenvoltura ou o contrário de um Chefe de Estado. É nestas pequenas grandes coisas que se vê se ele age em conformidade com o interesse nacional ou se bem pelo contrário age a olhar só para o seu umbigo. Dois pesos e duas medidas!?... Ou será que o presidente não impõe a ética democrática ao caso da PM que fez favores com dinheiros públicos ao seu marido, beneficiando ela própria disso, ainda que indirectamente, pelo facto do próprio PR também ter, no que respeita a fundos públicos, os seus rabos de palha bem compridos? Porque não age o Presidente? Proclamar que se pretende fazer uma descolagem consequente na governação deste país e ultrapassar os constrangimentos de um passado menos transparente, requer que se aprofundem as acções e isso não se compadece com alianças estabelecidas através da distribuição de favores financeiros a uns e outros. E muito menos cadeia para uns e palácio para outros. Não fica bem a quem dirige… Quando o PR não consegue separar o trigo do joio quem paga é o País e seu Povo. A maré de corrupção em que o país está mergulhado tem as suas origens na permissividade, tolerância e compadrios para com procedimentos ilícitos. O exemplo veio de cima e espalhou-se pela plebe. O mau exemplo, reconheça-se. Deixou-se de actuar e de combater os crocodilos nas margens do rio quando estes eram pequenos ou ainda estavam no ovo. Agora os mesmos estão crescidos e no meio do rio a comer-nos. “A comerem o sangue fresco da manada”… Aquela avalanche de criação de empresas privadas à custa da privatização do parque industrial estatal está-se revelando fatal para o país. Não digo isto pela privatização em si. Falo destas privatizações a favor de quem não foi capaz de manter as empresas estatais e os empregos e foi o que se viu depois a gerirem já como proprietários: a mesma ou pior desgraça ainda. Tudo tem origem naqueles dias. Aqueles tempos em que a corrupção não possuía oficialmente rosto. O que se tolerou provavelmente em nome do empoderamento negro e não só, hoje constitui um cancro social autêntico para o país em que a maioria vítima disso também é negra – à parte os preconceitos, entendam-me por favor. Se o compromisso dos nossos políticos é salvar Moçambique e devolver a dignidade e auto-estima ao seu povo então eles precisam de encorajar comportamentos correspondentes. Há que cortar umbilicalmente com aquilo que efectivamente contraria o combate pelo desenvolvimento. E isso faz-se com actos inequívocos. O exemplo tem de vir de cima. E “a pureza e justeza da causa” tem de ter sustentação acima. O exemplo tem de vir de cima. A imagem de quem está em cima não pode estar beliscada… Sabemos que vai ser muito difícil cortar com alguém que em determinada altura foi prestável para a concretização de ambições de muitos nomes sonantes da praça. Mas um país faz-se com sacrifícios. Um Chefe de Estado tem a responsabilidade de induzir justiça e promover equidade para todos. O caso de Moçambique não pode ser diferente. Os vínculos que o PR tem para com o seu partido não podem impedi-lo de agir em defesa da causa nacional. Se for parcial só ele pode acreditar que é o presidente de todos os moçambicanos… Alterações de vulto se impõem. Para já o Executivo e o próprio actual chefe de Estado têm de mostrar-se à altura dos acontecimentos. O chefe de Estado tem de dar o exemplo e não deixar margem para que se pense que ele age diferentemente quando se trata de filhos, de enteados e dos outros. O momento é de atacar sem quartel toda uma série de factores e situações conhecidas. Se não há coerência ninguém pode acreditar em farsas. E os partidos políticos, se pretendem continuar a ser a vanguarda necessária para a realização das aspirações dos moçambicanos têm de ser capazes de superar comportamentos comprovadamente lesivos para a causa nacional e situar-se de maneira clara ao lado dos moçambicanos. Não tem havido mudança, nem as pessoas vão às urnas porque as moscas têm sido sempre as mesmas. Já basta de mediocridade e de mentir aos moçambicanos. Vamos experimentar outras coisas em 2009. Não acham?
Feliz e Próspero Ano Novo.

(Noé Nhantumbo) – CANAL DE MOÇAMBIQUE – 29.12.2008