Wednesday, 30 June 2010

“OBJECTOS FEITOS DE CERA DERRETEM LOGO QUE APANHAM SOL”

Mesmo que timidamente, os infalíveis de ontem já começaram a falar...

Beira (Canalmoz) - O tempo, historicamente, encarrega-se de ser o Sol que faz derreter as verdades que não são verdade. Tudo isto vem a propósito de declarações recentes de protagonistas do processo histórico nacional. Abertamente ainda se recusam a falar em termos abertos de erros e coisas que foram mal feitas. Muito menos querem admitir que alguns dos seus actos foram autênticos crimes.
Em forma de livro ou sob forma de entrevistas tem aparecido a público declarações mais ou menos revestidas de substância sobre factos e ocorrências nacionais. É tudo feito de um modo apertado e limitado àquilo que é permitido dizer ou perguntar. Não se fala abertamente de tudo e nem poderia ser de outro modo. Os próprios entrevistadores se vergam à estatura dos entrevistados e só se atrevem a percorrer caminhos tacitamente permitidos.
Mas a força da história tem empurrado os seus sujeitos a falar do que antes nem se podia colocar como pergunta.
Isto constitui um ganho para o conhecimento da história nacional embora seja manifestamente insuficiente para a satisfação da sêde de saber que existe nos cidadãos.
É importante que o estatuto de “semi-deuses” que alguns indivíduos tinham esteja a ser reequacionado e que toda uma maneira de estar e de fazer as coisas esteja a ser examinada à luz de outras lentes.
Moçambique não é o país das maravilhas ou o “Wonderland” como alguns porta-vozes tendem a declarar. Temos um passado nem sempre tão linear como muita gente gosta de fazer crer. Houve erros e excessos como em todos os países. Muitos dos passos dados foram fruto de uma posição dura e inflexível de uma elite política que nem sempre dominava os dossiers em mão.
Os detentores do poder nos primeiros dias da independência até há bem pouco tempo não tinham assim tanta independência para agir e decidir. Assim como tinham feito a luta de libertação contra o jugo colonial com forte apoio de um dos beligerantes na Guerra-Fria, todo o exercício de governar o país após a derrocada do Bloco de Leste foi feito com suporte em instituições multilaterais como o FMI/BM. Tudo isto configura uma dependência que obviamente tem as suas consequências. Se antes o país foi obrigado a abrir-se à exploração de seus recursos pelos países do Bloco de Leste a realidade actual mostra até que ponto o mesmo país tem de obedecer às receitas do Consenso de Washington.
Os países constroem-se com realismo e no quadro de um complexo sistema de relações.
A interdependência afecta a todos e nisto não podemos dizer que os caminhos seguidos foram os possíveis naquelas circunstâncias específicas. Alguma da responsabilidade do que aconteceu tem de ser atribuída a alguém. E limitar o debate a este tipo de considerações pode parecer a maneira mais simples de tirar qualquer culpa no cartório dos sucessivos governos que o país foi tendo. Uns dirão que não havia mais nada que fazer senão submeter-se aos poderosos da altura. Primeiro aos que tinham apoiado a luta armada de libertação nacional com armas e depois os que se dispuseram a apoiar financeiramente o mesmo país face à derrocada visível da sua economia.
É preciso reconhecer os constrangimentos históricos e concretos com que um governo tem de lidar. Mas não se pode dissociar tal governo das suas acções e escolhas.
Em qualquer análise que se faça do Moçambique de hoje há que prestar muita atenção ao que se diz e ao que se faz efectivamente. A tendência de nos satisfazermos com pouco ou pior ainda, de abraçar uma política feita à base de slogans, tem como resultado imediato impedir que a verdade venha ao de cima e que se conheçam com profundidade as motivações dos nossos governantes. Quando existe recusa de abrir espaço para que uma reconciliação nacional efectiva seja promovida e se pretende substituir esse factor fundamental para o desenvolvimento nacional com fórmulas de Unidade Nacional demagógicas está-se efectivamente procurando esconder coisas. Há uma reticência em abrir dossiers antigos ao público porque alegadamente isso iria contrariar uma suposta agenda nacional. Mas qual agenda nacional pode ser concretizada com moçambicanos desavindos? Quando se falou da necessidade da constituição de uma Comissão da Verdade e Reconciliação como alguns países fizeram, os detentores do poder negaram-se dizendo que no nosso caso não era necessário. Que isso iria abrir feridas no tecido social nacional. Que isso serviria a agenda dos que não querem o progresso do país. Mas está visto que a recusa essencialmente serve os que sempre detiveram o poder no país.
Responder que cabe ao governo do dia esclarecer os casos tenebrosos perpetrados por gente conhecida e ainda viva é uma tentativa simplicista de fugir às responsabilidades.
Enveredar pela “pintura cor-de-rosa” do país e das realizações governamentais é o caminho certo para “não perturbar as pedras” e deixar tudo na mesma. Sempre que confrontados com factos verificáveis que denunciam práticas ilícitas há uma corrida frenética de defesa do regime. Inegavelmente que isso é um procedimento básico de auto-protecção. Mas não corresponde à agenda de todos os moçambicanos.
Quando é que será que se retirará o véu que cobre determinados assuntos?
Porquê a recusa de chamar aos outros de heróis?
Porquê só gente de uma “casta” é que merece ser glorificada?
Porquê a apropriação de feitos e factos em que os outros também participaram?
Porquê o exercício de intoxicação permanente dos moçambicanos?
O espectáculo que a TVM oferece com a utilização de fundos de todos os moçambicanos é deveras caricato.
Está visto que isso jamais fará os excluídos esquecerem de que também fazem parte deste Moçambique. “Fugir com o rabo à seringa” é um exercício com duração curta na maioria dos casos. Factos testemunhados em outros países em que se derrubam estátuas de ditadores e personalidades que um regime queria deificar demonstram que algum dia no futuro, o mesmo acontecerá em Moçambique.
É de questionar o posicionamento de gente que aparentemente está comprometida com a resolução de conflitos em outros países mas que no seu próprio se recusa a admitir que os outros também são parte da equação pelo desenvolvimento nacional. Brilhar além-fronteiras pode parecer parte de uma estratégia que garante vitórias eleitorais internas mas não satisfaz a agenda nacional. Não pode haver agenda nacional desenhada unicamente por uma parte de cidadãos que se julga com o direito de governar o país com exclusividade.
Quando erramos fica bem pedir desculpas. Isso não é sinal de fraqueza nem de derrota política. Quando o Vaticano se curva e pede desculpa por erros e crimes cometidos em nome de uma suposta fé católica cumpre um dever e obrigação histórica para com as vítimas.
No nosso caso queremos ver um Moçambique realmente reconciliado e isso passa pela via da promoção de um diálogo aberto e incondicional.
Não se pode construir um Moçambique, em que a prosperidade seja vivida e sentida por todos, com amnésicos e personalidades que se recusam a admitir que os outros também são parte do mesmo Moçambique. A recusa permanente de aceitar algo não elimina a existência do mesmo.
Só a protecção e apoio de toda uma máquina governamental, bancária e empresarial subordinada ao regime do dia é que torna possível que certas personalidades se manifestem com uma arrogância insultuosa para com os seus concidadãos.
Em nome e para uma reconciliação nacional efectiva há que parar com determinados exercícios de propaganda barata e historicamente falidos.
Não somos perfeitos e reconhecer isso não diminui a ninguém...

(Noé Nhantumbo, CANALMOZ, 30/06/10)

35 anos: Jovens ainda clamam por emprego

MOCAMBIQUE celebrou na semana passada 35 anos após conquistar a independência do jugo colonial português, numa altura em que uma das maiores preocupações do seu povo é a falta de emprego e habitação.


Maputo, Quarta-Feira, 30 de Junho de 2010:: Notícias

Estes problemas, de alguma forma acentuadamente relacionados, têm a sua maior expressão na juventude, grupo etário mais vulnerável e com menores oportunidades de conseguir emprego e, por consequência disso, com poucos recursos para possuir casa própria.

Apesar de o censo populacional de 2007 indicar que a maioria dos agregados familiares do país (92 por cento) vive em casa própria, a falta de habitação ainda persiste no país e tem a maior expressão na juventude.

Aliás, a maioria dos jovens do país continua a viver com os próprios pais, mesmo depois dos 25 anos de idade, devido à falta de meios para iniciar a vida fora da casa dos seus parentes. Além disso, é provável que os oito porcento de agregados familiares residentes em casas alugadas ou cedidas sejam maioritariamente chefiados por jovens.

O debate sobre o acesso à habitação (cuja política está em discussão) intensificou-se na semana passada quando a fundação do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e empresas moçambicanas Charas Lda e Imox anunciaram um projecto de construção de casas para jovens.

O projecto foi severamente criticado por alegadamente não ter sido desenhado tendo em conta a realidade da juventude moçambicana, na sua maioria sem emprego ou com emprego sem remuneração condigna.

Um dos exemplos disso é o facto de uma casa do Tipo Um custar 25 mil dólares, um preço que constitui 566 ou 250 vezes o salário mínimo nacional, dependendo do sector de actividade.

Mas outras correntes de opinião elogiam o projecto por ser o primeiro do género no país desde a independência nacional proclamada há 35 anos.

Na verdade, na minha opinião, este projecto ganha pela sua ambição, ao prever erguer um total de 1836 em dois anos e com possibilidades de a iniciativa se expandir nos próximos anos ainda em Maputo ou para outros pontos do país.

Contrastando com esta iniciativa, não se sabe quantas casas o Governo construiu durante os 35 anos de Independência Nacional. O Fundo de Fomento de Habitação (FFH), instituição governamental responsável pela promoção de habitação em Moçambique, apenas afirma que conseguiu construir “algumas centenas de casas” nos últimos quatro anos.

Vale aqui referir a experiência de alguns países vizinhos que já há algum tempo começaram a lidar com a problemática de habitação.

Em 1994, a vizinha África do Sul elaborou uma política de habitação em que a meta principal era construir um milhão de casas em cinco anos. Para isso, o Governo sul-africano dedicou cinco porcento do seu orçamento para este desafio, valor com que foi possível erguer uma média de 338 000 unidades de casas por ano.

Angola é outro país da região com uma política de habitação largamente elogiada. O Governo de Luanda também prevê construir um milhão de casas até 2012.

A questão não é que Moçambique deve ter uma política similar a dos países em referência, pois trata-se de economias diferentes.

Mas é importante, no mínimo, ter uma política de habitação mais ambiciosa, à semelhança da política agrária nacional, a de desenvolvimento rural ou de construção de infra-estruturas sociais (como a de salas de aulas).

Só no sector de construções, o país ergueu milhares de quilómetros de estradas nos últimos 35 anos. Igualmente, houve um crescimento assinalável na construção de pontes, escolas, hospitais, entre outros, mas parece ter sido marginalizado o direito dos moçambicanos a uma casa condigna.

As poucas casas construídas pelo Governo foram erguidas em situações de emergência, como cheias ou ciclones, para socorrer as vítimas desses desastres naturais.

Mas, mesmo assim, o trabalho realizado para satisfazer a necessidade de abrigo das vítimas desses fenómenos não foi exemplar. Por exemplo, até agora ainda não se concluiu a construção de casas para as vítimas das cheias do ano 2001 no centro e sul do país.

O que se pretende em Moçambique são duas políticas ou uma, mas que considere dois aspectos importantes: emprego vs habitação.

Com a primeira possibilidade, teríamos uma política destinada a criar mais oportunidades de emprego com remunerações justas aos jovens. Com emprego justo, mais pessoas poderão ter dinheiro suficiente para construir as suas habitações ou poderão, se assim preferirem, aderir ao projecto da Fundação Joaquim Chissano ou outros do género.

Na segunda possibilidade, o Estado desenha a sua política de habitação, sem eventualmente mexer a componente de emprego, mas tem de considerar os actuais rendimentos da população moçambicana.

  • Muhamud Matsinhe, da AIM

Por um pacto de inclusão

Independência ano 35

35 anos na vida humana são, claramente, capital adquirido em maturidade e experiência.
Não é assim na vida dos países e das nações.
Por isso Moçambique é um país muito jovem. Para se ser mais exacto, gatinha ainda.
As suas instituições são débeis, os processos organizativos estão a meio caminho. No questionamento da herança, nas experiências que se puseram de lado, na coragem do por em causa e do recomeçar de novo.
Os mulheres e os homens de que o país é feito passam também por estes processos. E é natural que as curvas e contra-curvas provoquem interrogações e perplexidades.
Dos levantados do chão promovidos à categoria de humanos com direito à palavra. Dos que compraram o sonho igualitário de um país novo cheio de utopias de paraíso da terra.
Dos esventrados por guerras e disputas que deixaram as famílias exangues, exaustas e exasperadas.
Dos crentes e levados à crença do deus mercado, do percurso circular ao ponto de partida sem o algoz colono. Mas com outros algozes, também para aqueles que nasceram depois de 1975, que do passado têm de recorrer à memória dos outros.
35 anos são um corolário de sinuosidades.
Felizmente para todos, o percurso escreve-se hoje com várias cores e matizes. Embora haja um coro de convictos que tentam vender óculos, lentes e binóculos para que todos vejamos a realidade da mesma maneira, as marcas que carregamos connosco não nos permitem ver assim. E de cada certeza que nos anunciam, cultivamos as nossas dúvidas e resistências.
Se nos tentam calar com os números da educação massificada, devemos questionar a qualidade do ensino, dos métodos de aprendizagem, da qualidade e condições dos professores, dos formandos que queremos habilitados para enfrentar o mercado do emprego e do trabalho.
Se nos dizem da medicina para todos, devemos ripostar com o olhar crítico às bichas nos centros de saúde que pagam a preços de mercado fixados pelo próprio Estado que clama despudorado igualitarismo.
Se a habitação agora é que vai ser, devemos questionar a preguiça em pensar por cima de uma parque imobiliário herdado do colono e que permitiu o balão de oxigénio a que se chamou venda de chaves, para alavancar as novas urbanizações à volta das cidades tradicionais.
Se nos dizem que nos devemos todos agarrar à bandeira da unidade nacional, devemos com a mesma energia refutar chauvinismos e velhas fobias exigindo a pedagogia que nos foi transmitida por Samora, para com sucesso afastar a divisão que os nossos invernos de carências e assombrações nos espreitam a cada esquina, a cada dia que saímos à luta para cimentarmos o barro de sermos país e nação em construção.
35 anos são também 20 anos de multipartidarismo e liberdades individuais.
No amanhã que queremos, não cabem as visões estreitas, feitas apenas de slogans e cartões vermelhos de acesso directo à grande caverna de Ali Babá Das siglas e emblemas que ditam exclusores e excluídos.
A unidade nacional que alimenta marchas simbólicas e orçamentos faraónicos no reverso da mão estendida à solidariedade internacional, a unidade deve ser cultivada nas capacidades de todos e de cada um de nós que quer um país diferente, avançado, moderno.
Para isso temos de fazer um pacto. Um exorcismo contra as velhas crenças que nos continuam a dividir e nos atrasam nas nossas ambições.
O nosso pacto na diversidade é pelo desenvolvimento e pela prosperidade.
Um pacto em que os moçambicanos sejam todos sujeitos e que acreditem de novo, como acreditaram em 1975, que este é um país de todos e para todos.

Fonte: SAVANA - 25.06.2010

Tuesday, 29 June 2010

Almeida Santos


Almeida Santos é um ex-político português e notabilizou-se como um dos responsáveis pela caótica descolonização portuguesa. Ele tem amigos influentes na Frelimo e pelo que se consta tem interesses financeiros em Moçambique.
Numa entrevista concedida na passada semana, Almeida Santos elogiou o Presidente Armando Guebuza e fez declarações deselegantes relativamente aos líderes da Oposição moçambicana, afirmando que Afonso Dhlakama está gasto e que Daviz Simango não é alternativa.
Em vez de se preocupar com a Oposição moçambicana e deixar esses assuntos para os moçambicanos, se quer ser comentador político deve preocupar-se com a política portuguesa. Como se sentiria Almeida Santos se um moçambicano afirmar publicamente que José Sócrates está desacreditado e Manuel Alegre não é alternativa?

MDM “ataca” províncias



O MOVIMENTO Democrático de Moçambique (MDM) aposta na formação dos seus membros e simpatizantes em matérias administrativas. Com efeito, uma delegação do MDM encabeçada pelo respectivo secretário-geral, Ismael Mussa, inicia hoje uma digressão pelas províncias tendo em vista tal formação.

Maputo, Terça-Feira, 29 de Junho de 2010::Notícias

A delegação integra ainda o chefe da bancada parlamentar do partido, Lutero Simango, o chefe do departamento da mobilização, Geraldo Carvalho, e o chefe do departamento de estudos e projectos, João Colaço.

Ismael Mussa, que nos deu esta informação, disse que numa primeira fase a comitiva vai trabalhar nas províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Sofala, Tete, Zambézia e Nampula.

“É um trabalho interno do partido. Queremos criar procedimentos administrativos. Ou seja queremos que os nossos membros saibam como se relacionar com a bancada parlamentar, com as assembleias provinciais, com o secretariado geral e com outras organizações aos mais diferentes níveis”, explicou Ismael Mussa.

Acrescentou que o MDM pretende igualmente que os seus militantes não só conheçam, mas que dominem os estatutos do partido, os seus direitos e deveres para que em qualquer acção façam seguros e com conhecimento de causa.

Numa segunda fase, entre Agosto e Setembro, trabalho idêntico será levado a cabo nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, segundo salientou.

O secretário-geral do MDM disse que paralelamente a este trabalho a comitiva irá realizar vários trabalhos de círculo, uma vez que as sessões plenárias se encontram interrompidas.

“Vamos fazer aquilo que é o trabalho do deputado no respectivo círculo eleitoral”, frisou a fonte.

Ismael Mussa anunciou ainda que o seu partido está a preparar uma conferência nacional da juventude, encontro que, segundo as previsões, deverá ocorrer dentro de aproximadamente um mês.

“Pensamos que esta conferência irá ocorrer na província de Manica. Neste momento estamos preocupados com as questões logísticas e tudo faremos para que o encontro tenha lugar”, explicou Ismael Mussa, sem, no entanto, dar detalhes para não criar muitas expectativas.


Tráfico de Crianças

Mais um grupo encontrado em camião proveniente de Moçambique

Pretoria (Canalmoz) - Em mais um caso de tráfico de crianças, a polícia aduaneira do posto fronteiriço de Komatipoort, na África do Sul, descobriu um grupo de 20 crianças no interior de um camião de transporte de mercadorias proveniente de Moçambique. O camião havia acabado de atravessar o posto fronteiriço vizinho de Ressano Garcia.
O Canalmoz conseguiu apurar que as crianças, com a idade compreendida entre os 9 e os 16 anos, encontravam-se dentro de caixas de cartão, envoltas em mantas.
Seis das crianças eram de nacionalidade moçambicana, sendo as restantes tailandesas e de outras nacionalidades.
As crianças foram posteriormente enviadas para um local seguro sob os cuidados dos serviços de assistência social da África do Sul.

(CANALMOZ, 28/06/10)


NOTA DO JOSÉ = Moçambique tem sido referenciado como corredor de tráfico de crianças e as autoridades sao acusadas de pouco fazerem para combaterem este problema.

Depois de tantos avisos, como é possível que um camião com crianças circule em Moçambique, passe a fronteira e não seja detectado?


ADENDA: Confirma-se que afinal esta notícia é falsa! Mais pormenores aqui!

Monday, 28 June 2010

Um patriotismo acéfalo!

Maputo (Canalmoz) - Um dos chefes daqui de casa confidenciou-me que esta coisa de patriotismo tende a revestir-se de elevadas doses de relatividade, dependendo da mente que se dispõe a interiorizar e discutir o conceito. Na altura não dei importância ao tão importante aviso. Na verdade o colega-chefe quis dizer que “é difícil amar uma pátria de ladrões”. A frase é dele. Uma pátria dos defensores da teoria “Que morra a pátria, e que venha o tacho”, não pode ser amada.
Quando os doadores condicionaram os fundos de apoio directo ao orçamento do Estado, por causa da falta de reformas no nosso sistema de governação, escrevi neste mesmo espaço dando razão ao seu posicionamento, porque também acredito que precisamos de melhorias. Dei razão sobretudo porque também não concordo com a forma feudal como é tratado o Estado, assim como não concordo com a relação paternalista que o partido Frelimo tem com o Estado.
Mal o jornal chegou à rua, comecei a receber mensagens dos “patriotas”, acusando-me de falta de patriotismo. Como muitos que deram razão aos doadores, fui não só acusado de falta de patriotismo, mas também de estar a serviço dos doadores, em vez de propriamente ao serviço da nação.
Fiquei com dúvidas sobre se ser patriota é defender a classe dos predadores do Estado ou é, em vez disso, defender que a Pátria, propriamente dita, avance e defender que o dinheiro público seja aplicado na melhoria da qualidade do ensino e da saúde e na criação de mais postos de trabalho para os moçambicanos. Mas como as minhas convicções não estavam – e nunca estarão – fundadas no dogmatismo, nem no discípulado ridículo, preferi não alinhar na teoria dos “patriotas”.
A principal característica dos “patriotas” é o excesso de valores fantasiosos. Há quem defenda que os valores são as únicas tábuas de salvação, quando somos sacudidos pelas vagas monstruosas da problematização das nossas convicções. Porque, se não nos agarramos ao que é mais sagrado, estamos a pactuar com a violentação da nossa própria consciência e a desvirtuar princípios sagrados. Mas se, por bizarria ou convicção, deixamos que esses valores nos toldem o discernimento, corremos o risco de alimentar a fantasia, à custa da negação da realidade. E ainda que possamos ficar de bem com a nossa consciência, somos ultrapassados pela inevitabilidade dos factos.
E aí está! Até aonde vai o patriotismo dos patriotas (sem aspas) e o “patriotismo dos patriotas” (com aspas). O “Mundial” de futebol na África do Sul veio trazer mais um dado de que devemos controlar este nosso amor por esta pátria já apelidada “de heróis”. Disseram que já não podiam trabalhar, porque estavam empenhados em buscar estratégias para colher as oportunidades do “Mundial”. Começou o “Mundial” e descobrimos que afinal andaram a enganar-nos este tempo todo, e que na verdade estavam a passear com salários garantidos. Nada foi aproveitado do “Mundial”. Um autêntico fracasso. De novo escrevi neste espaço que uma pátria deste estilo já não dá para ser amada assim como nos querem obrigar a amá-la.

Enquanto tentava digerir os ecos da hecatombe das oportunidades perdidas do “Mundial”, veio mais uma razão para termos cuidado com o amor que temos que dar a esta “pátria de heróis”, que alguns metem no bolso, porque penso eu que não devemos desperdiçar o nosso amor com coisas sem interesse, ainda mais neste tempo de crise.
A Federação Internacional de Patinagem confirmou finalmente as evidências que durante largo tempo foram divulgadas na imprensa nacional e internacional, dando conta que aquele organismo pretendia retirar a Moçambique a realização do campeonato mundial da modalidade, devido, frise-se, à falta de seriedade do Governo moçambicano. O Governo não deu garantias das capacidades do país para acolher o evento.
Em carta enviada aos preguiçosos “patriotas”, o Comité Internacional de Hóquei em Patins decidiu cancelar o direito de a FMP organizar o 40.º Campeonato Mundial “A” de Hóquei em Patins 2011, na cidade de Maputo, devido à falta de cumprimento do contrato firmado entre a Federação Moçambicana de Patinagem, o Ministério da Juventude e Desportos de Moçambique, a Companhia Wallstreet e o Comité Internacional de Hóquei em Patins, assumido em Vigo, na Espanha, em Junho de 2009.
Tal como é típico de “patriotas” preguiçosos, após o anúncio da realização da prova em Moçambique, vieram a correr, não para trabalhar, mas sim para politizar o feito, e exaltar os que nem mereciam ser exaltados. Não se trabalhou.
Não houve reabilitação e remodelação dos campos. Assim prometeram e nenhuma infraestrutura foi erguida. Resultado: ao incompetente, o troféu da incompetência! Para tapar a vergonha, preferiram dizer que foi uma surpresa. Qual surpresa, qual quê?
À boa maneira de fabricar tachos para os amigos, apenas foi criada uma comissão constituída por “quadros superiores” do Ministério da Juventude e Desportos. E mais: para não variar, foram elaborados os famosos planos. Perdemos mais uma oportunidade de ser um país, ser uma Nação, no verdadeiro sentido das palavras. E é esta pátria que deve ser amada? É esta a tal “Pátria Amada”? Sinceramente!
Agora, neste festival de fracassos, neste baile de máscaras em que só brilham as promessas e os planos, só resta saber o que será dos Jogos Africanos de 2011. Gostaria tanto de amar esta pátria, mas assim também não dá!

(Matias Guente, CANALMOZ, 28/06/10)


NOTA DO JOSÉ = Excelente e oportuno texto! Estamos avisados sobre os falsos patriotas!


Apoio ao orçamento continua mas crescem preocupações com pobreza e governação

Os doadores prometeram continuar o apoio ao orçamento para 2011 ao mesmo nivel deste ano, mas os aumentos planeados foram cancelados e dois doadores reduziram as contribuições por causa de preocupações com a governação. Os 19 doadores de apoio ao orçamento (G19, PAPs, Parceiros para o Apoio Programático) estão também preocupados porque não se concretiza a redução da pobreza.
Doadores e instituições de crédito financiam 44% do orçamento de 2010, disse o Ministro do Plano e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, numa declaração em 16 de Junho. Isto inclui tanto o apoio directo ao orçamento como os fundos comuns dos doadores que vão para os orçamentos dos ministérios e totalizam 807 milhões de US Dólares. Cerca de metade da ajuda dos doadores do G19 vai através do orçamento e fundos comuns.
A Inglaterra e e a Itália aumentaram o apoio ao orçamento respectivamente em 2% e 5%, enquanto a Suíça cortou o seu em 40% e a Suécia em uns simbólicos 2%. Os maiores financiadores do orçamento serão o Banco Mundial (85 milhões de US$) e a Inglaterra e a União Europeia (71 milhões de US$ cada). A Suécia vem a seguir com 41 milhões de US$. A Dinamarca e Portugal não confirmaram as suas promessas mas espera-se que mantenham o mesmo nível deste ano, o que significa que o apoio ao orçamento seja de cerca de 445 milhões de US$, o mesmo que em 2010 (excluindo o aumento dos 25 milhões de US$ do Banco Mundial para este ano devido à crise financeira mundial).


Boletim sobre o processo político em Moçambique – Número 46 – 24 de Junho de 2010

Sunday, 27 June 2010

Moçambique/35 anos: Independência ainda não satisfez expectativas criadas na altura, moçambicanos na diáspora

Os 35 anos de independência de Moçambique, não trouxeram aos moçambicanos aquilo que eram as expectativas na altura, lamentou o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, Evaristo Enoque João.
Em declarações à Lusa por ocasião dos 35 anos sobre à proclamação da Independência Nacional, o responsável disse ser “frustrante” constatar que, passadas mais de três décadas, a soberania do país "não está a trazer aos irmãos moçambicanos, que sofrem, aquilo que estávamos à espera”.
O presidente da direcção da Casa de Moçambique, uma entidade de solidariedade social, reconhece que o país “alcançou bastante” desde a sua independência, mas considera que a “falta de união, de fraternidade entre o povo moçambicano” e a existência de “certos setores recalcados da sociedade” impedem que o país consiga "avançar ainda mais".
“O meu país precisa de estar mais unido na luta contra a pobreza, que apesar de ser falado muitas vezes, na prática não existe. Mais unido também em termos de ideias que vêm de fora e que podem potenciar o desenvolvimento e progresso do país”, advogou.
Para Enoque João, a diáspora moçambicana – que “lamentavelmente continua a ser esquecida” – pode ajudar Moçambique a “crescer de uma forma muito mais sustentada” e desempenhar um papel importante “na criação de pontes de investimento no país, que ajudem a criar emprego”.
“Mas para que isso aconteça é importante que o Governo abra portas a instituições como a Casa de Moçambique, para que possamos fazer esse trabalho”, defendeu.
Para o responsável, não basta apenas falar em empreendorismo, “é preciso abrir caminhos para que possamos ser empreendedores”, assim como “não basta formar quadros, se esses doutores e engenheiros não tem onde ir e mostrar o que apreenderam”.
“O presidente Guebuza chama-nos, mas é também preciso que outros ministros nos abram as portas, o que não acontece”, acrescentou, lamentando o facto de ainda hoje existir “uma certa animosidade com os moçambicanos que vieram para Portugal, o país colonializador”.
Conta que quando volta ao seu país, já não é visto como moçambicano.
“Dizem que sou tuga. É triste, porque é dito no sentido mais depreciativo. Lutou-se pela independência, mas agora é entre nós que nos magoamos”, lamentou.
Destacou o facto de, em 2004, a disporá moçambicana em Portugal ter tido, pela primeira vez, a oportunidade de votar e eleger um deputado, uma “vitória importante que mostrou a nossa moçambicanidade".
“É importante que haja moçambicanidade, é preciso dar, mas o país também tem de estar aberto para receber essa ajuda, e não ver a diáspora como um empecilho”, salientou Enoque João.

RM/Lusa

Saturday, 26 June 2010

Moçambique/35 anos: celebração é também ocasião para “reflexão sobre o que falhamos no passado”, MDM

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força da oposição no país, considera que o dia da Independência, hoje (ontem) celebrado, constitui uma ocasião para festejar e para reflectir sobre os erros do passado.
Falando a imprensa sobre os 35 Anos da Independência Nacional, cujas cerimónias centrais aconteceram hoje (ontem) em Maputo, o Secretário-geral do MDM, Ismael Mussá, disse que o 25 de Junho constitui um momento de festa para todos os moçambicanos, mas também uma ocasião para “reflexão sobre o que falhamos no passado”.
Segundo o líder do MDM, único partido da oposição com representação parlamentar que participou nas cerimónias da Praça da Independência (a Renamo esteve ausente), durante os 35 anos, o país teve várias conquistas, sobretudo no tocante a expansão da rede escolar e hospitalar.
Contudo, Mussá defende que esta expansão não foi acompanhada pela melhoria de qualidade dos mesmos serviços. Além disso, ele disse ser importante reflectir sobre os impedimentos de oportunidades de emprego e habitação para os jovens.
“Mais ainda, há uma necessidade dos moçambicanos se reconciliarem entre si de modo a corrigir os erros cometidos no passado, caracterizados por não reconhecimento do papel de algumas pessoas históricas que lutaram pelo país”, disse Mussá.
O Secretário-geral do MDM apontou, dentre vários, os nomes de Lázaro Khavandane e Urias Simango (pai do presidente do MDM, Daviz Simango) como sendo de moçambicanos que deram o seu contributo para a História do país mas que hoje não são reconhecidos.
“A História criou estes transtornos, mas hoje, passados 35 anos da Independência, é chegado o momento de corrigirmos esses erros e este é o nosso apelo ao Presidente da República (Armando Guebuza) para resolver esse problema antes do fim do seu mandato”, referiu Mussá.
Ainda no seu contacto com a imprensa, Mussá distanciou-se do conteúdo da mensagem do representante dos partidos da oposição apresentada pelo presidente do Partido Trabalhista, Miguel Mabote, durante as cerimónias centrais de 25 de Junho.
Na sua intervenção, Mabote elogiou o desempenho do actual Governo e disse, dentre várias coisas, que na agenda de combate a pobreza não há tempo para oposição, porque a pobreza não tem cor nem tribo.
Ismael Mussá disse não conhecer esta oposição (que falou durante a cerimónia) porque não tem legitimidade. O Partido Trabalhista é um dos pequenos movimentos políticos sem nenhuma expressão na esfera politica nacional e nem sequer conseguiu alguma visibilidade nas eleições passadas.
Por causa disso, Ismael Mussá criticou o Protocolo do Estado por não ter observado um critério válido para seleccionar os partidos políticos convidados para falar durante aquele evento.

(RM/AIM)

Almeida Santos, Machel e os jornalistas ao serviço da causa

“Não te tratam mal. Eu vou-te cá mandar um jornalista da televisão para te fazer uma entrevista e tu dás essa entrevista na véspera da viagem e metes os portugueses no coração. E assim foi, fez uma entrevista belíssima. Quando cá chegou não houve nem uma manifestação de protesto”, conta o socialista Almeida Santos.
Este episódio refere-se à visita a Portugal de Samora Machel, líder da FRELIMO, partido que – tal como o MPLA em Angola – comanda os destinos do país desde a independência, há 35 anos.
“Eu vou-te cá mandar um jornalista”. A frase, verdadeira, mostra como os socialistas sempre gostaram de mandar na comunicação social. Desde 1974 que, com um outro pequeno e irrevante interregno, o PS sempre foi dono e senhor dos donos dos jornalistas e dos donos dos donos dos jornalistas.
José Sócrates, por exemplo, limita-se a seguir as lições dos seus anteriores mestres. Por alguma razão, no passado dia 18, na Guarda, o primeiro-ministro considerou que António de Almeida Santos é “um dos príncipes da democracia”, enaltecendo “as suas qualidades políticas”.
“Digo com emoção que nunca conheci um político com tão bom coração, tão bom companheiro, tão bom amigo, como Almeida Santos”, afirmou José Sócrates.
São, aliás, qualidades que até eu reconheço. Começando, desde logo, no Acordo de Alvor, que permitiu a (in)dependência de Angola e a anexação por esta de Cabinda, e que é – segundo disse o próprio Almeida Santos, um dos signatários - apenas "um pedaço de papel" que "não valeu nada".
Este político socialista, presidente do PS e flutuador nato da política portuguesa, “um dos príncipes da democracia” segundo Sócrates, que defende ideais de Esquerda mas prefere viver à Direita, tem razão. O Acordo de Alvor só valeria se o MPLA não ficasse no Poder. Como ficou...
Desde os tempos em que, entre outros, Melo Antunes, Rosa Coutinho, Costa Gomes, Mário Soares e Almeida Santos decidiram gozar com a chipala dos portugueses e dos angolanos quando assinaram o Acordo de Alvor, que acho que o actual presidente do PS (também) nunca tem dúvidas e raramente se engana.
Recordo, por exemplo, que Almeida Santos, afirmou no dia 17 de Fevereiro, com toda a convicção típica de quem há muito é impoluto dono da verdade nas ocidentais praias lusitanas, que o primeiro-ministro nada tem a explicar, entre outros casos, sobre a tentativa de compra da Media Capital pela PT e considerou que este caso "acabará em nada", como outros que envolveram Sócrates.
Ora aí está. Se Almeida Santos disse que mandava a Moçambique um jornalistas fazer propaganda a Samora Machel e cumpriu, e agora diz que todos os processos contra aquele que o considera “um dos príncipes da democracia” acabarão em nada, é isso mesmo que vai acontecer.
"O primeiro-ministro dá as explicações que ele próprio entende que deve dar. Neste caso, penso que não precisa, porque não foi acusado de nada que precise de ser explicado", sustentou o presidente do PS.
É isso aí. Desde quando é que quem está acima da lei tem de dar explicações? Sim, desde quando? Onde é que os portugueses julgam que estão? No Burkina Faso?
Tal como no tempo de Almeida Santos e companhia, José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo ao sector da comunicação social que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer com que os seus mercenários, chefes de posto ou sipaios, titulares, ou não, de Carteira Profissional de Jornalista, fizessem da imprensa o tapete do poder.
Mercenários, chefes de posto ou sipaios que – exactamente por isso – nunca se importaram de às segundas, quartas e sextas ser do PS; às terças, quintas e sábados do PSD e ao domingo de outra coisa qualquer.
José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo – tal como no seu tempo fez “um dos príncipes da democracia” - que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em criados de luxo do poder vigente.


Orlando Castro, Notícias Lusófonas


NOTA DO JOSÉ = Manipulação da Imprensa e jornalistas lambe-botas não é só em Moçambique.

Friday, 25 June 2010

Mensagem do Presidente do MDM por Ocasião dos Trinta e Cinco Anos da Independência Nacional

Compatriotas,

Permitam-me tomar esta oportunidade para em nome do Movimento Democrático de Moçambique, endereçar uma mensagem amiga nesta data especial, a todas Moçambicanas e Moçambicanos por ocasião da celebração dos trinta e cinco anos da Independência Nacional, uma Independência Nacional de moçambicanos para moçambicanos.
Celebramos trinta e cinco anos duma nação, aglutinadora de uma moçambicanidade, que se vai construindo todos os dias, com os milhões e milhões de braços em torno dos objectivos comuns dentro da nossa diversidade sociocultural, que sirva mais os moçambicanos e moçambicanas, na defesa dos seus direitos cívicos, económicos e políticos.
A nossa manifestação neste acto é o sinal de reconhecimento de país uno, do Rovuma ao Maputo, razão pela qual milhares de moçambicanos unidos em torno da Pátria, pelos objectivos comuns, a Independência de Moçambique, se dirigiram, organizados de várias formas rumo à Luta de Libertação Nacional, com conceitos claros da liberdade, da igualdade, da tolerância, convivência politica, religiosa e cultural.
Conceitos estes negados por uns e aceites por outros, razão pela qual, o Acordo de Paz trouxe aos moçambicanos uma oportunidade de nos reconciliarmos e vivermos sob os conceitos negados aos moçambicanos, pese os caminhos ainda sinuosos por percorrer que requerem, de todos nós, actos humanos universalmente aceites. Tomamos o compromisso de mãos dadas, erguermos um Moçambique sem discriminação nem domínio das maiorias sobre as minorias ou vice-versa.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Volvidos trinta e cinco anos, festejamos o êxito dos homens e mulheres. A nossa sociedade ainda enfrenta desafios, a serem ultrapassados por todos nós, tais como a HIV/SIDA, Pobreza, o Desemprego, o Crime, trafico de influência, a falta de transparência na gestão da coisa publica, a Desigualdade e Exclusão Social tomada por muitos, como arma de arremesso.
A unidade nacional não pode subsistir, de forma sustentada, com a discriminação política. Por isso o Movimento Democrático de Moçambique encoraja e apoia sempre, as medidas que promovam a inclusão, pois, só assim se manterá a unidade nacional e se desenvolverá o nosso país.
Convidamos aos nossos concidadãos que aproveitemos, esta celebração a reflectir para, de facto com consciência tranquila e por amor ao próximo, verificarmos o que cada um de nós está e deve estar contribuindo, do modo a estarmos unidos em torno da Constituição da República, da Bandeira Nacional e do Hino Nacional.
Vamos todos trabalhar para o crescimento da Nação, e na construção de uma economia que gere Postos de Trabalho, e imprima outra dinâmica nas nossas vidas, fazendo Moçambique uma nação ganhadora.
Aos Jovens, apesar das dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia, apelamos para que pautem por uma vida sã, esforçando-se por estudos, por uma educação religiosa, pela prontidão de dignificarem Moçambique em cada momento e em cada lugar onde estiverem. Vós sois a riqueza moçambicana por excelência.
A todos parceiros de cooperação Nacionais e internacionais vai o nosso apreço pelo apoio multissectorial tem vindo a dar para o desenvolvimento do nosso pais, e da vida das nossas comunidades.
Queremos, finalmente, desejar a todos continuação de boas festas. Cumprimentemo-nos e abracemo-nos uns aos outros, como símbolo de solidariedade, paz e união pelos esforços da construção da nação dentro da diversidade.

Festa Feliz, Parabéns!

Moçambique para Todos.

Beira, 25 de Junho de 2010.

Presidente
Daviz Mbepo Simango

Mulémbwè diz que se deve justificar questionamento à história

“É preciso apurar-se a veracidade dos factos”

Mortes de Mondlane e Samora ainda levantam divergências de opiniões.

O deputado pela bancada parlamentar da Frelimo e ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Mulémbwè, defende que a história do país deve encontrar justificações plausíveis para ser questionada.

Mulémbwè falava ao “O País”, por ocasião da celebração dos 35 anos de independência, bem como da sua visita à província de Tete, seu círculo eleitoral.

Questionado sobre algumas dúvidas que ainda persistem na história do país, designadamente a morte dos dirigentes do país, nomeadamente, Eduardo Mondlane e Samora Machel, a pessoa que deu o famoso “primeiro tiro” e sobre a data de início da luta de libertação nacional, Mulémbwè tratou de ser cauteloso, afirmando que “existem vários pontos de vista sobre estas matérias, mas o mais importante é saber das mesmas que elementos têm para justificar que as coisas não ocorreram daquela maneira e sim nas circunstâncias que defendem”.

O País

Moçambique: 35 anos de Independência

O povo merece outros governantes

Maputo (Canalmoz) - Amanhã, (Hoje) 25 de Junho, Moçambique cumpre mais um aniversário como Estado soberano e independente.
Há 35 anos, os que assistiram à celebração da despedida da administração colonial portuguesa do território nacional – simbolizada pelo arriar da Bandeira lusa e o hastear da nossa primeira Bandeira Nacional – alimentavam as esperanças mais díspares, mas todos sentiam orgulho e uma enorme satisfação por passarem a ter uma Pátria soberana. Nem todos puderam desfrutar. Uns ainda tiveram de continuar a oferecer o seu melhor, e alguns até as suas próprias vidas, para que a liberdade de ser diferente deixasse de ser negada.
Para os que acreditavam na retórica salazarista segundo a qual este território só era Moçambique porque era Portugal, aqui está a resposta que o tempo se encarregou de dar. Moçambique é Moçambique e é independente do País que o colonizou.
Neste período de 35 anos foram muitas as contrariedades e grandes as controvérsias. Os traços comuns prevaleceram, apesar das enormes diferenças que irão persistir entre os moçambicanos.
São hoje bem visíveis grandes avanços relativamente ao momento em que Moçambique se desvinculou de Portugal, com uma particularidade que hoje não se pode descurar: os próprios portugueses manifestam-se orgulhosos por serem mais independentes sem as suas ex-colónias.
O mundo que fechou as portas a Portugal voltou a abrir-lhe as mesmas portas, quando constatou que profundas mudanças tinham ocorrido. E muitos dos moçambicanos que se insurgiram contra a colonização até são, hoje, aficionados ferrenhos de clubes portugueses e fervorosos apoiantes da selecção portuguesa no Mundial de Futebol, que decorre aqui ao lado na África do Sul.
O tempo encarregou-se de provar que os extremismos não são um bom caminho.
Muita coisa mudou nestes 35 anos que nos separam da zero hora de 25 de Junho de 1975. Mas nem tudo correu bem após a proclamação da Independência. Teve ainda de correr muito sangue, para que a moçambicanidade se tornasse um bem comum.
“A Frelimo sujou as conquistas da Independência com as suas políticas devastadoras”, afirma hoje, em retrospectiva, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, a propósito da celebração dos 35 anos da Independência Nacional.
“Toda a gente abraçou a Independência por ter lutado por ela, e, com a saída dos colonos, os nacionalistas já se podiam afirmar, mas, surpreendentemente, o Governo da Frelimo veio a piorar a situação e, em muito pouco tempo, matou muitas pessoas, mais do que durante os quinhentos anos da colonização portuguesa. A Frelimo negou a democracia. Matou quem se arriscasse a pensar de maneira contrária à sua ideologia marxista-comunista. Quem pensasse de forma diferente era morto. Muitos moçambicanos foram fuzilados por serem acusados de anti-independência”, resume assim a sua visão o homem que liderou a luta que visava pôr termo à usurpação do poder por aqueles que passaram a negar aos outros moçambicanos o direito de pensarem de maneira diferente, acreditarem em coisas diferentes, serem simplesmente diferentes, sendo tão moçambicanos como quaisquer outros.
Tudo o que diz Dhlakama parece pertencente ao passado, mas não é, pois essa usurpação do poder parece ser mais intensa do que nunca.
Também não pode pertencer ao passado que aceitemos, sem nos preocuparmos, que nos tenham andado a enganar, décadas a fio, com a história do assassinato do presidente Eduardo Chivambo Mondlane no seu escritório da Frente de Libertação de Moçambique, quando, de facto, ele terminou os seus dias assassinado na casa de Betty King, bem longe dos escritórios da Frelimo, ainda que também em Dar-es-Salaam.
Dizer-se, como o disse há dias, na Beira, o coronel Sérgio Vieira, ex-ministro do SNASP, que os que levantam essa questão da casa de Betty King querem retirar “repelência” ao assassinato de Mondlane, ou querem confundir as pessoas, fazendo crer que ele tinha uma relação íntima com a senhora, isso é próprio de quem não dorme descansado com a sua consciência e sofre de uma obstrução mental preocupante. Só pode!
Quando se trata do local onde houve um assassinato, o que está em causa não são supostas relações íntimas. Levantar essa questão é uma manobra de diversão vinda da parte do próprio coronel. É uma tentativa de atirar poeira para os olhos. Quando se trata do local de um assassinato, o que está em causa são as pistas sobre o percurso percorrido pelos assassinos. É a diferença entre o percurso para os escritórios da Frente de Libertação de Moçambique e o percurso para a casa de Betty King. É esse percurso que se pretende esconder, assim como encobrir quem fez um percurso e não o outro?
A grande questão foi, é e continuará a ser sempre a mesma: porque terá alguém necessidade de contar, décadas a fio, uma história como tendo-se passado num determinado local, quando, de facto, tudo se passou noutro local? O que se terá pretendido esconder? O que se continuará a querer esconder?
As circunstâncias em que foi assassinado Kennedy alguma vez poderão servir para explicar as circunstâncias da morte de Samora?
Uma bomba que explode nos escritórios da Frelimo é uma coisa, e outra coisa é uma bomba explodir em casa de alguém onde só algumas pessoas conhecem bem o que lá se passava, quais eram ali as intimidades, os ódios, as paixões, as opções, as fidelidades, as traições que por lá haveria. Quem poderia saber que Mondlane iria àquele local, àquela hora em que a vida lhe foi ceifada numa residencial que nesse dia até estava encerrada para folga do pessoal? Porque se disse que o tal livro explodiu no escritório de Mondlane, na sede da Frente de Libertação de Moçambique na capital tanzaniana, quando afinal foi muito longe dali?
Ainda hoje continuam a encher-nos a cabeça com mentiras atrás de mentiras. Dados estatísticos viciados para os moçambicanos acreditarem em sucessos que não são como se conta, são a outra face da mesma moeda de quem se habituou a mentir.
Proclama-se que estamos a vencer a pobreza absoluta quando se sente que há cada vez mais pobreza à nossa volta.
A nossa moeda nacional já desvalorizou mais de 30% de há um ano para cá, mas só se fala de sucessos económicos, de crescimento económico.
Porquê continuar um povo inteiro a crer em gente que não escreve por linhas direitas?
Em nosso modesto entender, temos que nos libertar o mais urgentemente possível de gente que anda, há anos, a pretender fazer-nos crer que sem eles não conseguiremos viver. Esta é a mesma conversa do antigo regime colonialista português: sem eles não conseguiríamos viver.
Temos que encontrar outra gente, agruparmo-nos em redor de gente com valores que não passem por exercícios cachimbados de salão, a troco de migalhas que ofendem quem acredita profundamente que o respeito é devido às instituições, mas que acredita também que a soberania é de facto uma questão muito séria, que não pode continuar nas mãos de quem mente, além de não se dar ao respeito, como se infere das companhias que o tempo se encarrega de nos mostrar que não são boas para qualquer mortal que se preze e se auto-estime. É bem conhecido o provérbio que, nesta hora, muitos gostariam de esquecer: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.
Tentemos, ao menos, chegar aos 40 anos da Independência Nacional com outras perspectivas. Tenhamos a coragem de arejar o terreiro. Basta de nos envergonharmos com os desavergonhados que querem continuar a enganar-nos. O país merece gente com nariz menos levantado, gente com mais qualidade humana. Essa gente existe. É preciso que se acredite! E existem condições para isso.

(Editorial do Canal de Moçambique, 24/06/10)

Thursday, 24 June 2010

A Armando Guebuza (só) falta conhecer o país profundo e real

Moçambique festeja 35 anos de independência com a histórica promessa do combate à fome e à pobreza. O Povo, esse espera

Às vésperas de mais um aniversário de independência da “Pérola do Índico”, o presidente Armando Emílio Guebuza destacou, em entrevista concedida recentemente, em Maputo, à Rádio Moçambique, o alcance da paz e o combate à fome e à pobreza como conquistas dos últimos 35 anos daquele país lusófono, desde que deixou (claro está!) de estar sob a bota (pesada) da cinzenta e atrasada metrópole do antigo Império Português: Lisboa.
“Acho que é positivo. Estamos independentes, decidimos sobre o nosso destino, vencemos grandes desafios, em particular conseguimos instalar a paz no nosso país, saímos da fase de emergência, em que as pessoas não tinham sequer algo para comer, e hoje estamos a caminhar muito rapidamente para a fase de desenvolvimento, através da luta contra a pobreza”, afirmou Armando Guebuza.
No decurso da referida entrevista à Rádio de Moçambique, o presidente moçambicano defendeu que o estado da democracia “está bem”, com as instituições e as assembleias a funcionarem de forma “democrática” e a sociedade civil a “discutir e contribuir para a solução dos problemas, participando livremente”.
Numa coisa Armando Guebuza, presidente moçambicano e também chefe da FRELIMO, (não) tem (toda e) mais alguma razão: o estado da democracia, até prova em contrário, "está bem". As instituições e as assembleias (parece que) funcionam de forma "democrática" e, aparentemente, a sociedade civil "discute e contribui para a solução dos problemas, participando livremente".
Agora, que Moçambique alcançou a paz há cerca de 20 anos, é facto um indesmentível; que o Governo deste País tenha infligido um duro golpe à fome e à pobreza durante estas três décadas e meia de independência, é um facto... desmentível em todas as latitudes que amiúde acompanham a realidade política daquele país banhado pelo Oceano Índico.
Logo, só a falta de um argumento convincente e plausível, às vésperas de mais um aniversário de (in)dependência, leva Armando Guebuza a transformar a ladainha do “combate à fome e à pobreza na sua mais predilecta canção que, convém dizê-lo, já cansa o ouvido e (sem querer querendo) abusa da paciência do soberano dos soberanos (o Povo) daquela antiga colónia portuguesa.
Enquanto arregaça mangas para a luta contra a miséria, Armando Guebuza ignora certamente que a pobreza franciscana que impera no País que dirige vai apanhá-lo com as calças na mão e infligir-lhe uma copiosa derrota sem igual na História de Moçambique hodierno.
E tal vai acontecer por que Armando Guebuza entende , por exemplo, que a pobreza deve ser combatida com sacos de arroz, maços de dólares ou euros doados por países asiáticos, europeus ou ainda americanos.
Ignora Armando Guebuza que só se poderá dar à volta à pobreza absoluta quando o País tiver Recursos Humanos qualificados à altura das necessidades prementes que, na escala das prioridades políticas e sociais, poderão guindar Moçambique ao patamar dos Países de Desenvolvimento Médio.
O chanceler japonês, Mashiko Komura, em declarações à imprensa em 2008, afirmou que para melhorar a situação da pobreza é necessário actuar sobre as áreas da Saúde, Educação e garantir o acesso à água.
Será que Armando Guebuza (que tem três refeições por dia, noves-fora os lanches) sabe quantos cidadãos não têm acesso à Saúde no País? Creio que não.
Será que Armando Guebuza sabe quantos cidadãos não têm acesso à Educação no País? Creio que não.
Será que Armando Guebuza pode dizer, com propriedade, quantos cidadãos do Rovuma ao Maputo não têm acesso à água? Creio que não.


Jorge Eurico, Notícias Lusófonas, 24/06/10

Rebelo ataca lambebotismo na Frelimo



O Xiconhoca já virou a regra

— denuncia Jorge Rebelo, antigo combatente, que diz também não entender muito bem o conceito de geração da viragem


O antigo combatente da Luta de Libertação Nacional, Jorge Rebelo, entende que os desafios que os jovens têm que enfrentar hoje não têm nada a ver com a libertação do país tal como aconteceu com a sua geração no passado. Falando na manhã desta quarta-feira por ocasião dos 35 anos da Independência Nacional, num encontro promovido pelo Parlamento Juvenil de Moçambique, o também antigo ministro da Informação no governo de Samora Machel defendeu que o mérito conquistado pela geração que trouxe a Independência ao país também podia ter sido alcançado pelo jovens de hoje caso tivessem vivido no mesmo contexto.
Jorge Rebelo chamou atenção aos jovens no sentido de não olharem para os antigos combatentes com tanta veneração. “Muitas vezes tenho sentido que os jovens encaram os antigos combatentes dessa forma, mas é preciso reparar que eles fizeram o que fizeram porque sentiram que a Pátria precisava deles para libertarem o país”, elucidou.
Acrescentou que hoje já não é preciso libertar o país. No passado, os jovens da Frelimo tiveram que ir à escola aprender a pegar em armas, a estudar a posição do alvo, a disparar, mas hoje os jovens devem direccionar a sua inteligência, conhecimento e coragem para outros combates, como o combate à pobreza, ao analfabetismo, a SIDA, à corrupção, a descoberta de novas formas de aumentar a produção agrícola, a comercialização, assim como criar mercados internos e externos.

Geração da Viragem vs Geração da Verdade

Rebelo disse não compreender muito bem o que é Geração da Viragem, uma vez que nunca ninguém apareceu a explicar muito ao certo se a tal viragem significa virar para onde.
“É para frente? Não percebo como é que se pode virar para frente”, disse.
Para se expressar melhor diante dos jovens, o antigo combatente recorreu a um artigo do jornalista Bayano Valy, publicado na última edição do SAVANA Rebelo concorda com muitos aspectos colocados pelo jornalista, o qual propôs, ao invés de uma geração da viragem, uma geração da verdade.
No referido artigo, Valy refere que a Geração da Verdade seria uma geração de jovens pensantes, com vontade e consciência própria, que não se preocupassem em defender as cores de seja qual fosse o partido politico, raça, religião, etnia, mas sim as cores da bandeira nacional, visando promover o bem-estar cultural, social, económico e politico.
Bayano Valy, parafraseado por Rebelo, defende uma geração que colocaria as ferramentas científicas ao seu dispor na busca constante da verdade, comprometida em promover a cidadania e alargar o debate na esfera pública, uma geração que promoveria ideias pelo seu mérito e não pela sua atracção política, religiosa, racial ou étnica.

Espírito aberto e combater dogmas

No entender de Rebelo, os jovens também podem encontrar inspiração para a construção dos seus ideais na Carta Africana da Juventude.
Jorge Rebelo avisou que é necessário que os jovens tenham um espírito aberto e que saibam aceitar as posições dos outros, mas combatendo sempre os dogmas através do questionamento constante das soluções acabadas. Isso, segundo ele, tem que ser feito da maneira mais científica possível, quebrando tabus.
“O contrário disso atrofia a análise e leva-nos a aceitar tudo o que vem como certo, incontornável e indiscutível. Aceitar tudo equivale ao lambebotismo, que é o maior mal que graça a nossa sociedade, onde as pessoas tendem a querer agradar o chefe, com todas as artimanhas possíveis”, precisou.
Rebelo disse ter aceite o convite do Parlamento Juvenil de Moçambique pelo facto de ser uma organização de jovens que tem sido conotados como rebeldes.
“Foi isso que me atraiu a vir ao debate. Primeiro porque sou um rebelde, não aceito soluções acabadas. E, segundo, porque esta é a maneira de lutar e corrigir o que está errado. Se é verdade o que se diz, que vocês são rebeldes, então estamos juntos”, disse o antigo combatente, arrancando uma enorme ovação entre os presentes.

Muito lambebotismo na Frelimo

Jorge Rebelo também abordou questões que dizem respeito ao seu próprio par¬tido. Quando se fala da Frelimo, segundo ele, a tendência é sempre dizer que é o melhor partido do mundo, que é o mais perfeito, mas também é preciso analisar porque é que somos membros da Frelimo.
“No meu caso, sou membro da Frelimo por razões históricas: já estou no partido há 50 anos. O que farei é apoiar o partido para que siga os ideais inscritos nos seus programas. Mas quanto aos outros: estão no partido por inércia?, comodismo?, oportunismo?, falta de alternativa?”, questionou, acres¬centando que é preciso não perder de vista que a Frelimo é que está no poder e é ela que deve ser o centro das atenções.
Lamentou, ainda, que há uma grande resistência à crítica no seio do partido, referindo que tal se deve ao facto de existir muito lambebotismo. “Há uma orientação no sentido de se fazerem apresentações pela positiva, nunca pela negativa”, destacou, acrescentando, em resposta à jornalista Bordina Muala, que "há muito lambebotismo e quando as botas já estão limpas não há nada a fazer".
No concernente ao combate à corrupção, Rebelo referiu que estamos em presença de uma palavra que tem que ser analisada sob ponto de vista histórico. Basta reparar que aquilo que se considerava corrupção no passado hoje já não é, o que era comportamento negativo no passado hoje é normal. “Hoje já não existe o xiconhoca, que ontem era a excepção hoje já é a regra”, demonstrou.

Armando Nenane, Savana, citado no Diario de um sociologo 18.06.2010

Incêndio da Ponta D´Ouro continua por esclarecer

CONTINUAM por apurar as causas do incêndio que na madrugada do último sábado atingiu três estâncias turísticas na Ponta do Ouro, província do Maputo, destruindo pelo menos 110 casas destinadas à acomodação de clientes e para o funcionamento de serviços administrativos.

Maputo, Quinta-Feira, 24 de Junho de 2010:: Notícias

Na hora de reconstruir os complexos, os proprietários garantem que, apesar dos avultados prejuízos arcados, vão manter os postos de trabalho dos seus trabalhadores, e pedem que as autoridades autorizem a reconstrução dos imóveis recorrendo material convencional. As três estâncias devoradas pelo fogo, nomeadamente a Dolphin, Simply Scuba e a The Whaler, tinham ainda escolas de mergulho frequentadas, maioritariamente, por cidadãos estrangeiros que entram na região da Ponta do Ouro através da fronteira com a África do Sul. Para já, segundo Jorge Macie, gerente da Dolphin Encountours, é de descartar a hipótese de o fogo ter sido causado por uma vela acesa por um hóspede numa das casas, uma vez que, de acordo com a fonte, a companhia não fornece velas aos hóspedes exactamente porque todas as casas têm energia eléctrica, além de que os clientes recebem insistentes recomendações no sentido de nunca usarem velas no interior das casas, por razões de segurança.

Wednesday, 23 June 2010

Coisas do Mundial

“A Frelimo sujou as conquistas da Independência com as suas políticas devastadoras”

– afirma o presidente do partido Renamo, Afonso Dhlakama, a propósito da celebração dos 35 anos da Independência Nacional

“Toda a gente abraçou a Independência por ter lutado por ela, e, com a saída dos colonos, os nacionalistas já se podiam afirmar, mas, surpreendentemente, o Governo da Frelimo veio a piorar a situação e em muito pouco tempo matou muitas pessoas, mais do que durante os quinhentos anos da colonização portuguesa. A Frelimo negou a democracia. Matou quem se arriscasse a pensar de maneira contrária à sua ideologia marxista-comunista. Quem pensasse de forma diferente era morto. Muitos moçambicanos foram fuzilados por serem acusados de anti-independência” – Afonso Dhlakama


Nampula (Canalmoz) – O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, convidou a imprensa, na última sexta-feira, para falar dos 35 anos da conquista da Independência Nacional, que se celebra na próxima sexta-feira. Na sua alocução, Dhlakama disse que o partido Frelimo, que está no poder, “sujou este período, fruto do sacrifício e conquista de todo um povo”.
“Toda a gente abraçou a Independência por ter lutado por ela, e, com a saída dos colonos, os nacionalistas já se podiam afirmar, mas, surpreendentemente, o Governo da Frelimo veio a piorar a situação e em muito pouco tempo matou muitas pessoas, mais do que durante os quinhentos anos da colonização portuguesa”.
Dhlakama disse que “a Frelimo negou a democracia. Matou quem se arriscasse a pensar de maneira contrária à sua ideologia marxista-comunista. Quem pensasse de forma diferente era morto. Muitos moçambicanos foram fuzilados por serem acusados de anti-independência”.
O líder da “Perdiz” considera que houve muitos abusos, citando, a título de exemplo, o facto de “pessoas com a segunda classe serem colocadas como juízes e advogados por confiança partidária”.
“A Frelimo restringiu a circulação no país e despovoou o país levando pessoas para as aldeias comunais e campos de reeducação, com o pressuposto de criar um ‘homem novo’ através da introdução, neles, do pensamento da Frelimo”, sublinhou Dhlakama.
Segundo a análise que o líder do partido Renamo fez na sua residência, em Nampula, durante parte deste período a “economia era toda dirigida pelo Governo da Frelimo, sobretudo quando se deram as nacionalizações” e “o SNASP tinha o poder de odiar, perseguir, julgar e condenar à pena de morte, por discordar com os ideais do Governo da Frelimo, e até chegaram a chamboquear mulheres nas nádegas”.

Perseguição a régulos e a religiosos

O presidente da Renamo disse que o Governo da Frelimo perseguia os régulos, substituindo-os por grupos dinamizadores, alegando que os mesmos eram obra e instrumento do colonialismo.
Em relação às igrejas, Dhlakama disse que as mesmas tornaram-se sedes da Frelimo, e as pessoas foram impedidas de rezar, e “para lograr os seus intentos, foram introduzidos novos colonos, que eram os russos, que sugavam toda a riqueza de Moçambique”.
“A Frelimo fez muita barbaridade ao seu próprio povo. Não estou a favor do colonialismo e nunca estive, por isso a Renamo nasceu como produto da saturação do povo, e veja que, durante a guerra da democracia, 85% do país era dominado pela Renamo”, explicou o nosso entrevistado.

“Frelimo manchou a festa”

O líder do partido Renamo afirmou que “o povo queria uma democracia multipartidária e o Governo da Frelimo negava ao povo esta honra, por isso tudo isto manchou a festa dos trinta e cinco anos da Independência”; “foram trinta e cinco anos de fuzilamento, assassinato, opressão, abuso e desprezo de um povo maravilhoso”.
“Há pessoas que têm medo de dizer a verdade e eu falo com convicção como lutador pela democracia”, disse Dhlakama, para depois declarar que, “graças à luta da Renamo, muita coisa mudou, porque a Frelimo apenas queria o monopartidarismo”.
Mais adiante, Afonso Dhlakama disse que os investimentos que actualmente existem no país são fruto da luta da Renamo, porque a “Frelimo não admitia empresas privadas e quem ousasse criá-las era chamado capitalista e explorador do homem”, e “se há eleições multipartidárias, embora fraudulentas, é graças à Renamo”.
O presidente da Renamo acrescentou que “chega de falar de lutas e colocar-se como heróis. Quem é que não lutou? Quando se fala de lutas, fala-se dos filhos deste país que tombaram pela causa da pátria”.

“Se a Frelimo continuar, nada mudará”

Dhlakama disse que, “se a Frelimo continuar no poder, as coisas vão piorar. A Frelimo manteve-se no poder por fraude, sob protecção da Polícia”. O nosso interlocutor prometeu a continuidade da luta, mas de forma pacífica, sem recurso a armas, citando “guerras através da imprensa”.

“Guebuza deve demitir-se”

Mais uma vez, Afonso Dhlakama voltou à carga em relação à exigência da demissão do Presidente da República, Armando Guebuza.
“Guebuza deve demitir-se, porque já é demais. Foi muito criticado e até já cheguei a sentir pena dele. Por exemplo, quando faz a “presidência aberta”, é muito criticado por causa dos sete milhões que ele manda para os distritos, alegando que é para a redução da pobreza absoluta, quando é para revitalizar as bases da Frelimo”, disse.

Governo de Transição

Em relação aos sete milhões atribuídos aos distritos, Dhlakama entende que os mesmos devem ser entregues aos bancos e “não levar o nosso dinheiro e oferecer aos camaradas”, mas, para que tal aconteça, é necessário, na opinião de Dhlakama, que, antes de tudo, “seja criado um Governo de Transição que funcione por um período de dois anos, com vista a ser criada uma ordem política nacional”.
O segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais entende que “a política de governação da Frelimo traz luto, porque piora a pobreza absoluta”. “Quantas mulheres morrem nas maternidades por não terem cinquenta meticais para pagar a uma parteira, a fim de serem rapidamente atendidas?”, perguntou Dhlakama.
Para concluir, Dhlakama disse que sente pena dos académicos e intelectuais existentes no país, por não terem a coragem de lutar pela melhoria das condições de vida dos seus compatriotas.


(Aunício da Silva, CANALMOZ, 21/o6/10)


Companheiros de cama

A recente acusação, por parte do Governo dos Estados Unidos, de que o cidadão nacional Momade Bachir é um importante traficante internacional de droga, é uma coisa grave.

E não é apenas grave para o directamente visado. É, talvez, mais grave ainda para quem com ele tem vindo a manter um relacionamento abertamente amistoso e de aproveitamento da sua aparente generosidade.

Estou a falar, é claro, do Partido Frelimo.

Porque não é segredo para ninguém, pelo contrário tem sido amplamente divulgado, que Momade Bachir tem financiado muito generosamente as campanhas eleitorais do Partido Frelimo. O que quer dizer que, se forem verdadeiras as acusações americanas contra ele, isso significa que as vitórias eleitorais do Partido Frelimo têm sido significativamente financiadas com dinheiro proveniente do tráfico de droga.

O que é uma enorme vergonha para aquele Partido, para o Governo que saiu das eleições e, verdade seja dita, para todo o povo moçambicano.

Todos nós somos sujos por uma tal acusação.

Mas há que começar a ver a situação pelo princípio.

Não é de agora que o Partido Frelimo partilha a cama com o crime organizado.

Foi conhecida a foto em que o anterior Presidente Joaquim Chissano aparecia, lado a lado com Nini Satar, segurando um tapete de luxo, oferecido por Nini para ser leiloado a favor do Partido Frelimo. Nini Satar que está, desde há uns anos, na BO como um dos assassinos do jornalista Carlos Cardoso.

Outra foto, que deu que falar, mostra o mesmo Joaquim Chissano, de boquinha aberta, a receber uma colherada de bolo que lhe é dada por quem? Pois, pelo próprio Momade Bachir.

Momade Bachir que, sempre que há um pedido de financiamento eleitoral do seu Partido, se desfaz de quantias enormes em troca de cachimbos e canetas de Armando Guebuza que, depois, devolve à esposa do mesmo dirigente.

E Armando Guebuza tem retribuído estas atenções. Não foi uma nem duas vezes que visitou o Maputo Shoping Center até à sua inauguração. Aceitou, mesmo, que o seu nome fosse dado a uma praceta no interior das instalações daquela unidade comercial.

Podem-me dizer que tudo isso foi feito na mais completa inocência, na total ignorância da origem do dinheiro tão generosamente entregue por Bachir à máquina partidária.

Pode ser e eu, sem provas, recuso-me a afirmar o contrário.

Não posso, no entanto, deixar de notar a coincidência de tudo isto se passar ao mesmo tempo que nenhum, nem um só, traficante de droga foi punido em Moçambique de há muitos anos a esta parte. Foram encontradas quantidades enormes de droga (só de uma vez foram 40 toneladas!!!) mas nunca se soube quem era o dono. Houve assassinatos em série, num caso até mesmo o massacre de uma família inteira, em que o ar à volta dos casos cheirava a droga por todos os lados. Só que ninguém foi sequer acusado desses crimes, quanto mais levado a tribunal e condenado.

Disse-me, há dias, um passarinho que pousou no meu ombro, que há mais de dez anos o Banco de Moçambique tem, na Procuradoria Geral da República, uma queixa contra Momade Bachir por lavagem de dinheiro ilegal. É verdade que nem sempre se pode confiar nos passarinhos que nos pousam no ombro mas será isso verdade? E, se for, porque será, que os sucessivos Procuradores não deram andamento a tal queixa?

Os meus colegas Nachote e Hanlon publicaram, já há alguns anos, interessantes trabalhos sobre este tema. Que sequência tiveram junto das autoridades? Perante o escândalo, agora, Marcelo Mosse e Paul Fauvet voltaram ao tema com destaque. Resultados?

Pondo sempre no condicional o saber-se se estas acusações são verdadeiras ou não, eu pergunto: Nesta altura do campeonato, entre os barões da droga e o Governo do país, quem são os patrões e quem são os empregados?

E não sejamos ingénuos a pensar que o caso se resume a Momade Bachir. Há muito mais quem se mova como motor alimentado a pó, fumos, comprimidos ou líquido para seringas. Um olhar atento às movimentações de propriedade na área da indústria hoteleira poderia dar resultados interessantes. A recente explosão de uma motorizada em Maputo também pode estar ligada ao tema.

Mas uma coisa me incomoda, Será que no interior do Partido Frelimo não há quem tenha nojo disto tudo? Onde estão aqueles dirigentes respeitados por todos, quando estas coisas acontecem? Ficam mudos? Falta-lhes a voz?

Será que o preço de quebrarem a unidade dentro da sua Organização (ou será seita?) é menos grave do que o preço de verem os seus filhos e netos nas garras da droga?

E os partidos da oposição? Ainda não se deram conta do que se está a passar? Por vezes me pergunto para que serve termos uma oposição...

Pelo menos os membros da Comunidade Maometana obrigaram Momade Bachir a demitir-se da sua presidência. Demitiu-se ele e o vice-presidente, por sinal o seu próprio filho...

Gostava que a resposta a todas estas questões não fosse o silêncio, pesado e opressor, que tem sido até agora.


Machado da Graça, SAVANA – 18.06.2010, citado no Moçambique para todos.

Tuesday, 22 June 2010

País do tá pidir

A SEMANA passada foi fértil em questões que, directa ou indirectamente, têm a ver com todos nós, moçambicanos de pé descalço, dacontroversa classe média, e ainda dos tais empresários de sucesso.Sejam eles narcotraficantes ou não.
Assistimos, pois, ao recuo dos Parceiros de Apoio Programático (PAP) no que diz respeito à verba destinada ao Orçamento do Estado para o ano 2001, da ordem dos 47 milhões de dólares norte-americanos. Uma diferença enorme face ao corrente ano, onde, à rasca, o Governo conseguiu totalizar os 472 milhões de dólares norte-americanos.
Por outras palavras, isto quer dizer que para o ano 2011, o G19, que compõe os países e instituições do PAP, só vão desembolsar 425 milhões de dólares norte-americanos. O argumento para tamanho recuo não podia ser tão pedagógico quanto o facto de certas rubricas terem sido mal executadas, no entender de quem dá o dinheiro.
Este ano, os desembolsos dos G19 custaram a cair na conta do Governo, por causa de problemas ocorridos antes e durante o último processo eleitoral. Desta vez, na programação para o próximo ano, os PAP endureceram a barra, não dando garantias quanto a uma comparticipação monetária no mínimo semelhante à do corrente ano.
Vale dizer que os compromissos de desembolsos são rubricados com antecedência, e uma vez acordados, dificilmente de lá se consegue escapar, como terá sido o caso deste ano, em que, aborrecidos com o processo eleitoral, alguns dos membros do G19 quase encolhiam o braço com a massa (dinheiro). Assunto a ser repensado pelas autoridades moçambicanas.
O “Caso-MBS” continuou a alimentar algumas tertúlias. Os Estados Unidos da América, que haviam dado a entender que não podiam exibir provas do envolvimento de Momade Bachir Sulemane – ou Mohamed Bachir Seleman… já não se sabe bem qual o verdadeiro nome do homem – acabaram distribuíndo alguns elementos das investigações e que mostram cinco passaportes que seriam pertença do patrão do MBS.
Talvez os norte-americanos tenham pretendido, com esta iniciativa, transmitir a ideia de que não estão a brincar com coisas sérias, e que o moçambicano é efectivamente “barão de drogas” alistado na pauta primeira.
Irreversível, no entanto, o senhor MBS parece mesmo ter contratado advogados norte-americanos para o defender por lá, enquanto cá,o fil ho do senhor MBS via a sua matrícula na Escola Americana a ser interrompida por razões não clarificadas.
Fora isso, o Barclays anunciava para as próximas semanas, o encerramento da sua agência localizada nas instalações do Maputo Shopping Center, do senhor MBS. Outros poderão seguir-lhe o rasto, não vão, os norte-americanos, condicionar- -lhes o negócio.
A leitura que se faz é a de que o assunto ainda promete. Pena que haja por aí uma malta em clara
posição proteccionista do senhor MBS, sabe-se lá a troco de quê. A verdade é que não se deve, ainda, defender ou atacar o senhor MBS ou os Estados Unidos da América, dada a delicadeza que o assunto encerra.
Os moçambicanos, de resto, estão habituados a assistir a uma mesma malta com a mania de lambe- botas, nem que para isso tenha de colocar o seu profissionalismo em causa. Deixemos que o curso dos acontecimentos prossiga o seu rumo. Aí sim, veremos quem tem razão em tudo isto. Se Barack Obama, ou então o senhor MBS.
Esta casa entende, por isso, que o procedimento do Presidente Armando Guebuza sobre o assunto, foi precipitado. O Presidente devia ser o último a falar, preferencialmente, após o conhecimento de alguns resultados do trabalho que está a ser levado a cabo pela Procuradoria-
Geral da República, pelo menos por essa altura.
O Presidente Armando Guebuza corre o risco de se contradizer quando, por ventura – esperamos
sinceramente que a Casa Branca esteja enganada – Washington concluir que afinal cometera erros de palmatória.
Na mesma semana, no entanto, Armando Guebuza voltou a chamar a sí um cerimonial que liga o presente do passado heróico dos moçambicanos. Foi a Mueda homenagear as pessoas que perderam a vida pela causa de todos nós. De resto, o Presidente Guebuza é exímio em ligar a geração dos nossos tempos, àquela que ajudou a construir a heróica história de Moçambique.
E a 16 de Junho, o Banco de Moçambique fez recordar a data em que nasceu o Metical, a moeda nacional.
Em síntese. Volvidos quase 35 anos de Independência Nacional, continuamos um País de ‘tá pidir’, sempre de mão estendida para o estrangeiro, que sabendo da situação, não hesita em impôr as suas regras de jogo sobre o dinheiro que manda cá para dentro.
Do mesmo modo, aliás, que determinadas pessoas do sucesso de hoje, afinal de contas parecem ter manchas negras a pintar tal sucesso, entretanto não detectável a nível interno, mas sim, a partir de fora. Isto até parece que cá dentro haja uma espécie de proteccionismo, do tipo eu te protejo mas, em contrapartida, terás de devolver esse gesto…Ou seja, tráfico de influência para sustentar eventuais aldrabices.
Mesmo assim, sabemos honrar os nossos heróicos combatentes, para que, de onde estiverem, possam emprestar o seu contributo para que continuemos a ser bem sucedidos nas nossas negociatas.
Pena que o Metical não tenha a mesma força prometida quando da mudança da velha para a nova moeda, inicialmente designada Metical de Nova Família. Assunto que devia merecer alguma reflexão. E lá vamos nós, de mão estendida no já tradicional ‘tá pidir’, quando internamente já poderíamos evitar isso, desde que controlando os empresários de sucesso de hoje.


Expresso (Moçambique), 21/06/10, citado no Diário de um Sociologo.

Incêndio destrói três estâncias turísticas em Ponta do Ouro

Três estâncias turísticas em Ponta do Ouro, no sul da costa de Moçambique, província de Maputo, ficaram destruídas neste fim-de-semana, na sequência de um incêndio, que terá sido provocado pelo descuido de uma turista.
Pelo menos 110 bungalows e vários edifícios das estâncias The Whaler, Dolphin EnCOuntours e Simply Scuba, perto da fronteira com a África do Sul, ficaram totalmente destruídos devido ao incêndio, segundo a imprensa de hoje.
De acordo com a edição online do Moçambique Hoje, o incêndio terá começado durante a noite, por volta das 03:00, num dos bungalows do Dolphin EnCOuntours, depois de uma mulher ter deixado cair no chão a vela que estava junto da cama.
O incêndio alastrou então às estâncias The Whaler e Simply Scuba, sendo que apenas nesta última, alertados pelo barulho e pelas chamas, os turistas tiveram tempo de retirar os seus pertences.
Apesar da destruição, nenhum dos cerca de 170 visitantes ficou ferido e todos puderam regressar a casa pouco depois. Quanto à mulher que, involuntariamente, terá provocado o incêndio, não voltou a ser vista na zona, refere o Moçambique Hoje.
Segundo o diário electrónico, o governo moçambicano está desde hoje a investigar e a contabilizar os estragos provocados nas três estâncias, que se estimam em milhares de euros.


Notícias Lusófonas, 21/06/10

NOTA DO JOSÉ = Estas estancias turísticas eram muito frequentadas por mergulhadores sul-africanos e os prejuízos estão calculados em milhões de Randes.

Moçambique nada fez para aproveitar as oportunidades do “Mundial”


Falou-se muito e trabalhou-se pouco

Maputo (Canalmoz) – O anúncio da realização do Campeonato Mundial de Futebol 2010 na África do Sul encheu Moçambique de expectativas. O evento foi visto como uma oportunidade de negócios. Moçambique foi um dos que entrou na rota dos países sonhadores e que acreditava que o “Mundial” da África Sul podia trazer grandes benefícios para muitas das suas actividades económicas, sobretudo para o turismo.
De estratégias em estratégias, achou-se melhor institucionalizar as oportunidades, criando o Gabinete Técnico para o “Mundial 2010”.
Mas, segundo tudo indica, as expectativas do Governo não tomaram em conta a realidade moçambicana e como consequência todo um sonho “mundial” se transformou numa autêntica frustração.

A explicação do Governo

Para perceber o que ditou o fracasso, a reportagem do Canalmoz contactou o Gabinete Técnico do “Mundial 2010”. Em entrevista ao nosso jornal, Nuno Fortes, assistente executivo do Gabinete, deu a entender as infraestruturas jogaram um papel muito importante para a derrocada do sonho moçambicano.
Estava previsto que o estádio nacional, situado em Zimpeto, terminasse a tempo de ser usado pelas selecções que viessem a Moçambique. Tal não aconteceu. De greves em greves dos trabalhadores, as obras não foram concluídas, e o estádio ainda está em construção, e nem se pode falar de fase final do empreendimento.
No caso particular das obras do estádio nacional, Nuno Fortes disse ao Canalmoz que as mesmas se atrasaram por causa da implementação de um novo programa dentro do projecto. Segundo explicou, o facto de o país acolher os Jogos Africanos de 2011 fizeram com que o projecto do estádio nacional sofresse algumas alterações, facto que comprometeu em grande medida os prazos anteriormente previstos. “Houve alteração do projecto para incluir piscinas, vila olímpica, e uma série de projectos adicionais para responder às exigências dos Jogos Africanos de 2011”.
Nuno Fortes disse que, se o estádio não sofresse alteração por causa desse projecto, ele estaria terminado e “talvez, pelo menos uma selecção podia estagiar em Moçambique”.

Moçambique não respondeu às exigências

Nuno Fortes reconheceu que a realidade de Moçambique está muito aquém das exigências das equipas que estão no campeonato mundial: “A expectativa criada não levou em consideração as condições que o país real apresentou”.
Ele revelou ao nosso jornal que, para além das selecções do Brasil e de Portugal, foram contactados outros países, como são os casos da Espanha e do Chile. Segundo disse, estes países ficaram por se pronunciar, mas nunca mais disseram nada. Nuno Fortes disse ainda que outro factor que contribuiu para mais este fracasso é o facto de estas selecções não terem dito o que queriam, em termos de condições. “Acreditamos que se estas selecções nos tivessem dito o que queriam, teríamos feito o nosso plano com base em referências. Mas não foi o que aconteceu”, frisou.
Segundo Nuno Fortes, Moçambique apresentou condições de que os países não gostaram, quando comparadas com as que encontraram na África do Sul. As selecções que estão no “Mundial” rejeitaram a relva sintética, e os “melhores campos” de Moçambique não têm relva natural.

Os hotéis

Os hotéis foram outra componente que influenciou o fracasso. Os padrões exigidos pelos países que participam no “Mundial” são muito diferentes do que se encontra na realidade moçambicana. A título de exemplo, perguntámos ao assessor executivo do Gabinete do “Mundial” qual seria o hotel de referência, caso uma selecção desejasse estagiar em Moçambique. Ele apontou o Hotel Indy Village como o que reúne condições: “O Indy Village era, na nossa opinião, o que reunia condições, e a selecção que viesse podia usar o campo do Costa do Sol. Mas o campo era outro problema”, disse Fortes, acrescentando que as selecções preferiram ficar na África do Sul por causa das condições no geral.

Outras infraestruturas

A ampliação e modernização da terminal do aeroporto internacional de Maputo é outro dos projectos que se encontrava no conjunto dos atractivos para os turistas. Assim como aconteceu com o estádio nacional, no Zimpeto, as obras no aeroporto não terminaram. Na corrida contra o tempo, o “Mundial” começou antes da conclusão das obras.
A paragem única de Ressano Garcia era outra infraestrutura que se esperava terminar antes do “Mundial”, mas também não terminou.
Com todo este cenário, foi por água abaixo o sonho de ganhar benefícios do “Mundial”.

(Matias Guente, CANALMOZ, 22/06/10)