Wednesday, 30 March 2016

O país yo-yo


Neste país de yo-yo
Tudo sobe e tudo desce:
Sobe o preço dos transportes,...

Desce o valor da moeda,
Sobe a riqueza dos ricos,
Desce a comida nos pratos,
Sobe o número dos blindados;
Desce o turismo nas praias,
Sobem tiros e rajadas,
Descem as causas julgadas,
Sobem as contas da água,
Desce o que sai da torneira,
Sobem desvios e roubos,
Desce a vergonha nas caras,
Sobem derrotas nos campos,
Desce o apoio ao Desporto,
Sobem refugiados no Malawi,
Desce a cobrança de impostos,
Sobem luvas nas empreitadas,
Descem muros para cima de nós,
Sobe a dívida externa,
Desce a qualidade de vida,
Sobe a arrogância de uns,
Desce a paciência dos outros,
Sobe a corrupção,
Desce a força da Justiça,
Sobem as fortunas dos mesmos,
Desce a transparência nos negócios,
Sobe o preço da energia,
Desce a qualidade da luz,
Sobem os custos reais,
Desce o valor dos salários,
Sobem os discursos vazios,
Desce a segurança na estrada,
Sobem os chumbos nas escolas,
Descem as saias das alunas,
Vai subir também o pão,
E, se o povo desce à rua,
Vai subir a repressão
Quando a Polícia actua.


Machado da Graça, Savana 25-03-2016

Tuesday, 29 March 2016

Renamo acusa Júlio Jane e Bernardino Rafael de serem mentirosos

Assalto às residências de Afonso Dhlakama e à sede nacional da Renamo
 
A Renamo reafirma que, nos três assaltos, a Polícia roubou 285.000,00 meticais em dinheiro vivo.
A Renamo, na segunda-feira, voltou desmentir as afirmações do comandante da Polícia da República de Moçambique na cidade de Maputo, Bernardino Rafael, e do comandante-geral da PRM, o major-general Júlio Jane, e acusou-os de serem mentirosos ao afirmarem que, no assalto à residência do presidente da Renamo,
Afonso Dhlakama, a corporação apreendeu quarenta e sete armas de fogo, entre as quais quarenta metralhadoras AK-47 e sete pistolas.
Durante a visita às residências assaltadas, o tenente-general Ossufo Momade, chefe do Departamento de Defesa e Segurança da Renamo e deputado da Assembleia da República, disse aos jornalistas que as armas levadas pela Polícia eram vinte, e obsoletas, dado que estavam fora do uso há bastante tempo.
A Renamo diz também que não corresponde à verdade que a Polícia tinha apreendido pistolas nas três instalações assaltadas pelos agentes da Polícia no passado domingo, como declarou o comandante Bernardino Rafael à imprensa.
“É mentira, a Renamo não tinha pistolas, nem sequer uma. E as armas apreendidas eram vinte, e muitas podres, que estavam fora
de uso”, disse Ossufo Momade.
A Renamo diz que as declarações de Bernardino Rafael e Júlio Jane – segundo as quais algumas armas eram usadas no crime – são uma invenção.
“Que mestria. Como é que em poucas horas conseguiram fazer uma perícia e determinar que as armas eram usadas no crime? É tudo invenção para denegrir a Renamo, porque nenhuma arma está em funcionamento”, declarou Ossufo Momade.
A Renamo reafirmou que a Polícia retirou da residência de Afonso Dhlakama 85.500,00 meticais, e retirou 200.100,00 meticais da ede do partido, desmentindo deste modo o comandante da Polícia na cidade de Maputo.
Na sua edição de segunda-feira, o jornal “Noticias” publicou que quarenta armas de fogo do tipo AKM, sete pistolas e quantidades não especificadas de pedras preciosas ou semipreciosas foram apreendidas pela Polícia na cidade de Maputo, numa operação que visou a sede da Renamo e a residência do seu presidente
na capital. Aquele jornal escreve que ninguém foi maltratado.
Um dos guardas que estava numa das residências no acto do assalto disse aos jornalistas, na segunda- -feira, que, quando os Polícias chegaram, pontapearam a porta de acesso ao recinto da casa, sem terem nenhum mandato.
A fonte disse que os agentes traziam cães, vinham fortemente armados e mascarados e chegaram em cinco viaturas. Acrescentou que, quando entraram, começaram a exigir armas e ameaçaram de morte os dois guardas, perguntando se querem viver ou morrer, enquanto apontavam armas às cabeças e pescoços. Também quiseram saber sobre a empregada que naquele dia foi trabalhar. O mesmo guarda acrescentou que
arrombaram as portas e, no interior, arrombaram gavetas, tendo levado 85.500,00 meticais, que serviam para a compra de víveres.


Canalmoz, 29/03/1629 de M9 de Março de 2arço de 2016

Moçambique: Arcebispo da Beira defende diálogo honesto entre Governo e Renamo

                    
D. Claudio Dalla Zuanna - RV




O arcebispo da Beira, Dom Cláudio Dalla Zuanna, em entrevista à Rádio Vaticano em Maputo, defendeu que a tensão político-militar que se vive no país, caracterizada por confrontos entre forças governamentais e homens armados da Renamo, particularmente na zona centro do país, deve ser resolvida com base num diálogo sério e mais abrangente.
Dom Cláudio Dalla Zuanna afirma que o diálogo honesto e since...
ro é a única forma que as duas partes devem encontrar para resolver o diferendo, mas também os outros segmentos da sociedade devem fazer a sua parte.
O arcebispo da Beira disse que o papel da Igreja na restauração do clima de paz em Moçambique é determinante e a Igreja deve continuar a colaborar na formação da consciência e na promoção de valores no seio da sociedade.
Ainda de acordo com Dom Cláudio Dalla Zuanna, arcebispo da Beira, centro de Moçambique, os bispos emitiram em Novembro do ano passado uma carta pastoral onde o pano de fundo era o apelo ao calar das armas e consolidação da paz no país. Mas também, estes apelos são extensivos a todos os moçambicanos, sublinha.
De referir que o arcebispo da Beira falou à Rádio Vaticano após ter participado num seminário em Maputo que tinha como objectivo analisar a situação política em Moçambique. O evento foi organizado pelo Instituto Holandês para Democracia Multipartidária.
Hermínio José, Maputo.

Académicos moçambicanos pressionam governo para aceitar pré-condições da Renamo

 
Negociações interrompidas há quatro meses.
Alguns sectores da sociedade moçambicana têm vindo a pressionar o governo a aceitar a pré-condição colocada pela Renamo, relativa à presença de mediadores, para o reinício do diálogo político....
A pressão sobre o governo é exercida principalmente por figuras do mundo académico, que alegam que se o diálogo ainda não foi reatado, é porque o governo não aceita a pré-condição colocada pela Renamo.
A investigadora do Centro moçambicano de Estudos Africanos, Iraé Lundi, disse que, dada a falta de confiança entre o Governo e a Renamo, é necessária a presença de mediadores internacionais que possam ajudar as partes a chegarem a um entendimento.
"O Governo deve aceitar a presença dos mediadores" exigida pela Renamo, sublinhou a investigadora.
Refira-se que a Renamo exige a participação da Igreja Católica, União Europeia e Presidente sul-africano, Jacob Zuma, no diálogo político com o Governo.
Por seu turno, o director do Instituto de Estudos Sociais e Económicos - IESE, Luís Brito, defende que só a presença de mediadores internacionais é que pode fazer com que se saia do actual impasse no diálogo político.
"Estamos, no fundo, a viver uma espécie de guerra escondida, que ainda não é uma guerra generalizada, mas que está a ter efeitos muito negativos na vida de pessoas e na economia do país," disse o académico.
Entretanto, o professor da cadeira de negociação de conflitos no Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, Calton Cadeado, reconhece que a confiança entre o Governo e a Renamo está minada, mas diz que as responsabilidades não devem ser assacadas apenas ao executivo.
Para o analista político Gustavo Mavie, esta questão dos mediadores deve ser encarada com seriedade, porque alguns deles enfermam de problemas.
O diálogo entre o Governo e a Renamo está interrompido há mais de quatro meses.

Monday, 28 March 2016

Forças governamentais invadem casas de Afonso Dhlakama e sede da Renamo em Maputo

Numa incursão idêntica a de 01 Novembro de 2013 e de 09 de Outubro do ano passado, na cidade da Beira, província de Sofala, um contigente das Forças governamentais, fortemente armado, invadiu, na manhã de domingo (27), duas residências do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e a sede nacional do partido, na cidade de Maputo, e aprenderam 22 metralhadoras do tipo AK-47, 285.600 meticais e detiveram dois guardas. Sem delongas, a "Perdiz", reagiu e classificou o acto como uma provocação da Frelimo e do seu Presidente Filipe Nyusi.
O domicílio assaltados localizam-se nas avenidas Julius Nyere e no bairro de Sommerschield 2, enquanto a sede nacional fica na Avenida Ahmed Sekou Touré. A Renamo disse, em comunicado de imprensa, que as forças governamentais levaram também um computador e os instrumentos bélicos estavam em seu poder desde o Acordo Geral de Paz, de 1992. O dinheiro confiscado destinava-se ao funcionamento da sede e compra de viveres.
A invasão orquestrada pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) às instalações da Renamo e do seu presidente, bem como os demais acontecimentos imputados a esta unidade, é da alçada do Ministério da Defesa Nacional (MDN) mas tem sido tratado como um acto de ordem e segurança pública, pelo que quem dá a cara, sempre, é a Polícia da República de Moçambique (PRM).
Na altura do assalto, encontrava-se numa das casa a família de Afonso Dhlakama, a qual foi submetida a um terror sem precedentes, diante da presença de militares armados até aos dentes.
Em Novembro de 2013, unidades do Exército e da Polícia invadiram, numa manhã, a casa de Afonso Dhlakama, na Beira, e a sede provincial da Renamo. Foram apreendidas algumas armas, munições, fardamento, rádios de comunicações e botas militares.
Já no ano passado, também numa manhã, Dhlakama foi cercado na Beira e os seus seguranças detidos, para além de armas apreendidas. Foi na sequência desse episódio que o o líder da Renamo se refugiou supostamente para as matas de Girongosas, onde permanece até os dias que correm.
As relações entre o Governo e a Renamo são cada vez mais azedas, o que afasta as partes e anula as possibilidades de retomada do diálogo político a breve trecho.



A Verdade

Friday, 25 March 2016

Troca de tiros entre as FDS e homens da Renamo em Mocuba. População em desespero

 
Quelimane (Canalmoz) - O distrito de Mocuba, província da Zambézia esteve esta quinta-feira, desde as 4 horas debaixo de fogo cruzado entre forças militares da Renamo e do Governo.
A população de Murothone e Canivete estão a abandonar as suas residências para procurar locais seguros. Os serviços, incluindo a escola local estão encerrados e os funcionários em fuga à procura de locais seguros....
Uma equipa de jornalistas de diversos órgãos de comunicação social, incluindo da Televisão de Moçambique e da Rádio Nova Paz de Quelimane, emissora da Diocese Católica da capital provincial da Zambézia que se dirigiam a norte daquela província, foram obrigados a inverter a marcha de regresso a Quelimane por causa da situação.
Fontes militares da Renamo confirmaram ao CanalMoz a troca de tiros entre seus homens e forças governamentais.
Na versão da Renamo, tudo começou por volta das quatro horas de hoje quinta-feira, as forças do Governo se deslocaram até a zona do mercado Canivete onde viraram os canos contra uma base da Renamo e começaram disparar armas pesadas a uma distância de aproximadamente 2 quilómetros, concretamente em Murothone onde se encontra a base.
Segundo a Renamo, as forças governamentais tiveram medo de se aproximarem da base, tendo por isso optado por disparos a longa distância e sem alvo concreto.
De acordo com as mesmas fontes, na circunstância, as forças da Renamo teriam ido a retaguarda das tropas do governo e começaram igualmente a disparar para afugenta-los. Acredita-se que haja mortos e ou feridos. A Polícia na Zambézia remeteu qualquer explicação ao Comando provincial. (Redacção)


( Canalmoz )

Moçambique vive uma «guerra escondida» - investigador

 
Moçambique vive uma "guerra escondida" entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo, principal partido de oposição, escamoteada pela generalidade da comunicação social, e que justifica uma mediação internacional, considerou hoje o investigador moçambicano Luís de Brito.
Brito utilizou o conceito de "guerra escondida" para descrever a natureza dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido da oposição, quando apresentava o tema "Um ano de governação: impasse político", durante a "2.ª Conferência Economia e Governação: Desafios e Propostas - Análise do primeiro ano da governação de Filipe Jacinto Nyusi", coorganizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), Centro de Integridade Pública (CIP) e Observatório do Meio Rural (OMR).
"Hoje há uma guerra escondida, é localizada (no centro do país), escamoteada através de muita desinformação, quem não conhece o país, não faz ideia de que há guerra", frisou o académico.

Diário Digital com Lusa

Thursday, 24 March 2016

MENSAGEM PASCAL DOS BISPOS CATOLICOS DE MOçAMBIQUE






 
Nos, os Bispos Catolicos de Moçambique, reunidos em Assembleia
extraordinaria, no Centro de Nazare, Beira, aos 17 de Março de 2016, proximos da celebraçao da Pascoa, que e a passagem de Jesus Cristo da morte a vida, passando pelo sofrimento da sua paixao e cruz, queremos deixar-nos iluminar por esta fonte e esperança.
Com tristeza, temos de reconhecer que, no nosso pais, se multiplicam os inais de paixao e morte:...

- Deterioraçao da tensao politico militar;
- Continuas provocaçoes e escaramuças, que semeiam morte e luto;
- Escalada de criminalidade, violencia e raptos;
- Destruiçao de casas e de outras infra-estruturas sociais e economicas;
- Destabilizaçao do normal curso da vida, comprometendo actividade produtiva e escolar;
- Crescimento do numero de familias em situaçao de deslocados e
refugiados;
- Intensificaçao e generalizaçao do ambiente de desconfiança, e odio, e hostilidade;
- Seca, na regiao Sul, e nas zonas do centro.
- Chuvas intensas, principalmente no Norte do Pais, calamidades que comprometem a produçao agricola, resultando no agravamento da situa9ao de pobreza e fome.
Mas a Pascoa e a vitoria da vida sobre a morte, do perdao sobre a ofensa. Deus abre tambem para Moçambique o caminho da Pascoa, o caminho da Vida e da Paz.
Por isso, renovamos o nosso apelo, que lançamos, a 10 de Novembro de 2015:
- “O abandono absoluto das armas”;
- “ A retomada imediata do dialogo eficaz, entre as partes em conflito, envoivendo outras forças vivas da sociedade”.
Sejam esses os sinais da nossa escolha irrevogavel da Vida.
Sejamos aliados da vida, e nao da morte. Obedeçamos todos a palavra da Escritura, que esta inscrita nos nossos cora9oes: “Nao mataras!
Animados por este misterio de Vida e de Amor, endereçamos as
Comunidades Cristas e a todo o Povo Moçambicano votos de Feliz Pascoa, repleta de Esperança, de Ressurreiçao e Vida.
Sobre todos invocamos a Luz de Cristo Ressuscitado, o Principe da Paz.


Beira, 17 de Março de 2016

Wednesday, 23 March 2016

A opinião do arcebispo da Beira*

 
Entre a guerra e a Paz – Milho do Norte regressa ao Norte

Beira (Canalmoz) - Fui, no dia 15 de Março, surpreendido por uma notí...cia curiosa que passo a relatar.
2 ou 3 camiões-cavalos (Freightline??) que se dirigiam para o Sul, carregados de milho, terão sido interceptados pelos ditos Homens Armados da Renamo a sul do Inchope (o popular que, no conhecido mercado de Nampula Waresta, me reconfirmou a notícia, disse, claramente, Muxungwe) e, sem qualquer moléstia ou maus-tratos, obrigados a inverter a marcha, regressando a Nampula. “Porque esse milho é nosso”, teriam dito os ditos Renamos.
Os comerciantes do milho tê-lo-ão descarregado uma vez chegados a Nampula e, por isso, quando no dia seguinte, andei pelo Waresta para as minhas compras, já não vi a operação do descarregamento.
Porém, sem surpresa, constatei a satisfação de alguns populares por o “seu” milho ter sido obrigado a regressar à origem, onde dizem estar quase inacessível a compra de um saco de farinha – 1500 Mts!
Um padre macua, disse-me, enquanto isto escrevia, que o dito milho rapidamente foi vendido (no Waresta e na rotunda do Aeroporto) e que uma lata que normalmente já custa 500 Mts, foi naquele dia, vendida a 250 Mts!
Quando estamos todos suspensos entre a Paz e a guerra, não devemos deixar de dar muita atenção a estes fenómenos, multifacetados.
1.º Foi um “cinzentinho” que me deu a notícia;
2.º Foi um popular que me reconfirmou;
3.º Tanto um como o outro manifestavam uma satisfação que nem a RM nem a TVM ou o Notícias publicitaram, apesar da evidente importância política do fenómeno.
Quando, dias depois, cheguei a Angoche, já a notícia corria de boca em boca, mesmo entre os membros básicos do Partido Frelimo.
Sem dúvida que o DIÁLOGO PARA A PAZ, em boa hora reproposto pelo Presidente Nyusi, tem que descer a este realismo. Difundo este caso porque ele é, evidentemente, paradigmático para quem queira levar a sério o problema da Paz neste país.
Não são as orquestradas reportagens da RM e da TVM – que mais me fazem lembrar as do tempo do colonial-fascismo – que podem servir a verdade indispensável que o Presidente não pode ignorar. Estão ali, em homens armados e desarmados, os genuínos sentimentos de grande parte da população moçambicana. Porventura da maioria.
Não adianta nada querer enterrar a cabeça na areia como o avestruz!
É verdade que TODO O POVO MOÇAMBICANO quer a Paz. Mas que coisa mais evidente, linear e indiscutível?
Mas uma Paz que não seja apenas a “paz de alguns”, à maneira de alguns, como faziam os romanos. A Paz do Povo moçambicano nunca poderá ser apenas a paz dos partidos em confronto. É, por isso, incontornável a necessidade de “ajudas” sérias e competentes no Diálogo para a Paz.
Já assim foi no AGP-1992 (Roma).
Não se pode ter como pessoa de Boa-Fé quem isto recuse. Em vez de andarem a tratar de rotular e amesquinhar os Bispos Católicos como fez o jornalista Marcelo Mosse que eu julgava digno membro do Centro de Integridade Pública, ao Arcebispo Cláudio, da Beira, aproveitem o muito que eles podem ajudar.
Não tenho dúvida nenhuma em afirmar que a maioria, senão a totalidade dos padres católicos deste país comunga destes sentimentos. E os crentes estão com eles!
Não aproveitar esta força ética e moral indiscutível, é desperdiçar energias da Paz. (*Dom Claudio Zuanna, Arcebispo da Beira. Artigo original publicado no “Do Mundo e da Igreja” )




Canalmoz

Malawi garante que vai transferir refugiados moçambicanos para Luwani

À DW África, o Governo malawiano e o ACNUR asseguram que transferência de refugiados de Kapise para campo de Luwani começará na próxima semana. Moçambicanos alegam que forças de Nyusi estão a impedir entrada no Malawi.
O Governo do Malawi confirmou, esta terça-feira (22.03), à DW África que a transferência dos refugiados moçambicanos da localidade de Kapise para o campo de acolhimento de Luwani começará na próxima semana.
A confirmação vem depois de a Rádio Moçambique veicular, na semana passada, uma entrevista com a ministra de Assuntos Internos e Segurança do Malawi, Jean Kalilani, dizendo que a transferência tinha sido suspensa por forte pressão do Governo de Filipe Nyusi.
Já Beston Chisamile, alto secretário da pasta, desmente. "A transferência não foi suspensa", afirma. "Nós marcámos várias reuniões para tratar da logística e pretendemos iniciar a transferência na semana que vem. Gastámos um pouco de tempo no planeamento. Queríamos fazer clarificações e consultas com o Governo moçambicano, e obtivemo-las."
Segundo o alto secretário, a transferência para o campo de Luwani será gradual. Chisamile diz que os Governos do Malawi e Moçambique concordaram que essa é uma situação temporária.
Com os fim das tensões em Tete entre as forças de segurança e os homens armados do maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), os refugiados poderiam voltar para casa.
Monique Ekoko, representante da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Malawi, afirma que a organização não recebeu uma notificação oficial sobre uma possível suspensão da transferência. "Não recebemos, mas fomos informados verbalmente de que isso iria acontecer. Há alguns dias, no entanto, disseram-nos para continuar e estamos a fazer isso."
Ekoko diz que a transferência vai começar assim que o campo estiver equipado com instalações sanitárias adequadas e abrigos temporaries.
O campo de Luwani, com capacidade para 30 mil pessoas, abrigou moçambicanos em fuga durante os 16 anos de guerra civil. O local foi desativado em 2007 com a saída de refugiados de outros países da região dos Grandes Lagos. Restaram os edifícios de uma clínica e de uma escola que precisam ser reformados. O ACNUR pede 50 milhões de dólares a doadores para finalizar as instalações até ao final do ano.
Abusos
Estima-se que há 12 mil refugiados moçambicanos a viver em condições precárias na pequena localidade fronteiriça de Kapise. Relatam ameaças, perseguições e queima de propriedades alegadamente por forças do Governo, que procuram informações sobre membros da RENAMO, na província de Tete.


Campo de acolhimento de Kapise está sobrelotado




O ACNUR registou até ao momento 9.826 refugiados. Segundo Ekoko, o número está a diminuir devido a ameaças sofridas por requerentes de asilo no trajeto para o Malawi.
"As pessoas estão a vir, embora os números tenham diminuído um pouco. Os que chegam relatam que têm sido bloqueados na fronteira. Não podemos confirmar, mas dizem que forças do Governo estão a impedir a entrada deles no Malawi."
Zenaida Machado, investigadora da organização de direitos humanos Human Rights Watch, diz que Maputo precisa identificar os responsáveis pelos abusos em Tete. "E insistimos na nossa posição de que a responsabilidade de garantir a proteção e segurança dos moçambicanos é do Estado moçambicano", diz.



DW

Embaixador dos EUA diz que é preciso envolver todos no diálogo para alcance


 
“Podemos apoiar um diálogo sério e envolvente”. Foi com estas palavras que o embai­xador dos Estados Unidos da América, Dean Pittman, dirigiu­-se à imprensa, esta segunda­-feira, para dizer que a solução para a actual tensão política em Moçambique passa, necessaria­mente, por um diálogo aberto e envolvente.
Dean Pittman, que falava à imprensa no Parque Nacional de Gorongosa, em Sofala, na cerimónia do Dia Mundial da Floresta, aponta o diálogo sério e envolvendo todos os partidos políticos e outras forças da so­ciedade como o caminho para se ultrapassar, definitivamente, a actual tensão política no país.
“Eu já disse várias vezes e volto a afirmar que, para solucionar uma crise político-militar, exis­te apenas um único caminho: o diálogo. Peço ao Governo e a todos os partidos políticos exis­tentes em Moçambique para, de forma humilde e patriótica, se unirem com o propósito de encontrarem uma solução para pôr fim à tensão política no país”, apelou o diplomata norte­-americano.


O País

Tuesday, 22 March 2016

Ausência de diálogo pode aumentar a espiral de violência em Moçambique


Sociólogo Rogério Sitoi diz que as partes em conflito serão obrigadas a negociar, porque nenhuma delas tem a certeza de vitória.



A ausência de diálogo político poderá elevar a tensão político-militar em Moçambique, nos próximos meses, disse o analista Rogério Sitoi.
Contudo, opina, a tensão irá estabilizar, o que obrigará as partes a negociar, porque nenhuma tem a certeza de sair vitoriosa no conflito.
O diálogo político entre o governo moçambicano e a Renamo está emperrado na questão da presença dos mediadores, exigida pelo partido de Afonso Dhlakama.
Nos últimos tempos, a Renamo tem intensificado os seus ataques, aparentemente para forçar o governo a ceder relativamente a este aspecto.
O sociólogo Sitoi, diz que, na sequência disso, haverá mais violência.
Para Sitoi, a Renamo "tem consciência de que não vai vencer e o governo da Frelimo também tem a certeza de que não há condições objectivas para eliminar essas bolsas soltas das forças da Renamo"
Quanto à exigência da Renamo para governar nas províncias onde obteve o maior número de votos nas eleições gerais de 2014, Sitoi diz não crer que Dhlakama e as pessoas da Renamo acreditem que a Frelimo concederá a governação.
"Podem ser algumas acções que possam ser cedidas, mas governação não creio," disse.



Monday, 21 March 2016

Marcelo Rebelo de Sousa vai visitar Moçambique de 03 a 07 de Maio

Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, vai visitar Moçambique de 03 a 07 de Maio, disse hoje à Lusa a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Teresa Ribeiro.
Teresa Ribeiro anunciou a visita do chefe do Estado português a Moçambique, em declarações à Lusa, no final de um encontro com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Nyeleti Mondlane, no âmbito da visita de trabalho que realiza, a partir de hoje, a Moçambique.
Ribeiro adiantou que a deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Moçambique enquadra-se no reforço das excelentes relações de amizade e cooperação entre os dois países.
Marcelo Rebelo de Sousa convidou o seu homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, para a sua tomada de posse em 09 de Março.
A secretária do Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal adiantou ainda que o primeiro-ministro português, António Costa, também vai visitar Moçambique no último trimestre do ano em curso, para participar na 3.ª Cimeira Bilateral.
Teresa Ribeiro assinalou que as visitas do chefe do Estado e do primeiro-ministro foram objecto de discussão durante o encontro de hoje com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.
"As relações entre os nossos dois países são excelentes, portanto, a reunião correu em conformidade com essa excelência e essa franqueza no relacionamento entre Portugal e Moçambique", declarou Ribeiro.
Na reunião, foi também abordado o grau de cooperação económica, o nível de investimentos, o anterior programa de cooperação e o estágio de preparação do próximo, acrescentou a secretária de Estado e dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal.
No âmbito da visita a Moçambique, Teresa Ribeiro tem previstos encontros com o ministros da Economia e Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, e da Educação, Jorge Ferrão.


Ex presidente Joaquim Chissano citado como antigo espião da KBG com código “TZOM”

 


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A Revista E do Expresso (Portugal), publicou este sábado (19 de Março), uma investigação de Paulo Anunciação sobre o Arquivo Mitrokhin, agora depositado na Universidade de Cambridge. Na publicação o antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano é citado como um antigo espião da KBG. A fonte indica que o nome de código do ex-presidente era “TZOM”. A assistente de Agostinho Neto também prestava serviços secretos a organização russa.
A Revista alega que divulgou apenas alguns documentos dos destaques de um trabalho que revela muitos dos métodos de human intelligence então utilizados pelo KGB. A revelação pode adensar mais zonas de penumbra sobre a morte do primeiro presidente moçambicano, Samora Machel. A KBG já foi citada no Jornal/faz Imparcial, num texto assinado por Orlando Cabral, aos 23 de Outubro de 2004 como “promotora de morte de Machel com conivência de quadros da Frelimo – Revelação de dois antigos agentes da polícia política soviética.”
O artigo que temos vindo a citar, escreveu que a União Soviética, em aliança com destacadas figuras do regime frelimista de então, teria planeado o atentado de que resultou a morte do presidente Samora Machel, em 19 de Outubro de 1984.
A revelação dos contornos da queda do “Tupolev” presidencial em Mbuzini, foi segundo o artigo feita por dois antigos agentes da KGB soviética, que resguardaram a sua identidade. Um deles, ucraniano, formado em Kiev, disse que era o número 333 e que operava na África Austral, o outro, de nacionalidade russa, também operou na zona austral africana.
“Os ex-agentes apontam a KGB como promotora do assassinato do primeiro presidente moçambicano, alegadamente porque Moscovo se sentiu traído quando Machel se encontrou com Ronald Reagan e lhe prometeu reformas económicas em Moçambique, com sujeição às receitas capitalistas do FMI, que levariam ao PRE (Plano de Reabilitação Económica), e à economia de mercado”, problematizou o artigo assinado por Orlando Cabral, publicado no Jornal Imparcial em 2004.



, Magazine Independente

Mozambique is floundering amid corruption and conflict

Who calls the tuna?

                 

Mozambique is floundering amid corruption and conflict




A DECISION this week by Moody’s, a ratings agency, to downgrade Mozambique from a lowly B2 to a dismal B3 has cast a pall over one of the world’s poorest countries. What makes the picture glummer still is that only a few years ago a much-heralded bonanza of offshore gas had made Mozambique one of Africa’s favoured recipients of foreign investment.
No longer. A scandal has mired the country and its government in the reek of incompetence and corruption. Two-and-a-half years ago, Credit Suisse raised $500m on behalf of Empresa Mocambicana de Atum (EMATUM), a newly created state-owned tuna-fishing company. A Russian bank, VTB, raised another $350m. The cash was supposed to pay mainly for a fleet of fishing boats. Instead, it was diverted into an array of other purchases, including security equipment. The company said it hoped to catch 200,000 tonnes of tuna a year, but is catching barely any fish at all. A rescue plan has been proposed, involving the issuing of a new government bond.
Explaining its decision, Moody’s notes Mozambique’s “deteriorating balance of payments position and reduced capacity for the government to service its outstanding debt”, and pours doubt on the plan to rescue EMATUM. which “remains in a precarious financial position”. Meanwhile, the word among businesspeople in Maputo, Mozambique’s capital, is that the three main companies involved in the biggest gas projects—Anadarko from Texas, Italy’s ENI and South Africa’s Sasol—do not expect the gas to start flowing fully until 2023. So the fruits of the hoped-for bonanza, which might have been expected to boost Mozambique’s miserable ranking in the UN’s latest human development index (180th out of 188), are some way off.
The political mood has turned steadily more poisonous since the presidential election of October 2014, which was won by Filipe Nyusi, the candidate of Frelimo, the party that has ruled since independence in 1975. In a poll that the opposition said was unfair, he officially won 57% of the vote, against 37% for Afonso Dhlakama, who has led the Renamo party, often as a rebel guerrilla force, for more than three decades. Mr Dhlakama indisputably won three provinces in the centre and north, out of the ten nationwide, including one whose coastline abuts some of the biggest gasfields. On three occasions late last year, unknown gunmen presumed to have ties to the security forces have attacked him, forcing him to flee to his stronghold in the bush. Since then, the number violent incidents across the north of the country, where he is widely supported, have mounted. Thousands of civilians have fled to neighbouring Malawi.
It is thought that Mr Nyusi, the country’s first president not to have been a veteran of the liberation struggle against Portugal, has tried to seek an accommodation with Mr Dhlakama, and to tackle the old-guard corruption epitomised by the EMATUM scandal. But the military men and old party bigwigs close to Armando Guebuza, the president who stepped down a year ago and who signed off on the original EMATUM deal, still retain much influence—and may well favour a more ruthless course against Mr Dhlakama, including a so-called “Savimbi solution”.
This harks back to the end of the civil war in Angola, Mozambique’s ex-Portuguese sister country on the west side of the continent, when Jonas Savimbi, a longstanding opposition leader there, was killed by government forces in 2002. Since then, stability (albeit tarnished by grand corruption), has prevailed. A recent exchange of cosy ministerial visits between Mozambique and Angola may suggest that such ideas are being aired. But if it somehow got rid off Mr Dhlakama, the ruling party might find it even harder to find an interlocutor within Renamo to secure a lasting peace deal. And without peace, foreign investors are likely to shy away—even if scandals such as EMATUM cease.





The Economist

MpD ganha maioria nas legislativas de Cabo Verde



MÁRIO CRUZ/LUSA

Ulisses Correia e Silva será o novo primeiro-ministro de Cabo Verde na legislatura que se segue às eleições deste domingo. Após 15 anos no poder, o PAICV é derrotado até no seu bastião, a Ilha do Fogo, onde o Movimento para a Democracia elegeu três deputados mudando o cenário político.

Cristina Peres
Jornalista de Internacional
O cartaz que cobre a toda a largura a parede na sede de campanha do MpD na Achada de Santo António, na Cidade da Praia, dão mote: “Nha partido é Cabo Verde” serve de cenário às declarações de vitória de Ulisses Correia da Silva. O líder do Movimento para a Democracia começou por saudar “todos os cabo-verdianos aqui e na diáspora” frente às câmaras prometendo: “Vamos começar um ciclo de novas soluções para o país. Todos fizeram a democracia funcionar e a vida é mais do que eleições”, disse, avançando que começaria desde já a trabalhar.
“Queria reforçar os nossos compromissos: disse que ia governar todos os cabo-verdianos e vou abraçar toda a população. Pluralismo, tolerância e espirito de participação é a solução para termos um país com maior desenvolvimento económico e conseguirmos resolver o desemprego e reduzir a pobreza”, disse Correia e Silva.
O futuro primeiro-ministro dedicou uma palavra especial à ilha do Fogo, perante a qual o MpD quer “cumprir o seu compromisso”, reconhecendo a vitalidade democrática nestas eleições e reiterando a convicção de que “acreditando que a democracia é a melhor solução, Cabo Verde venceu, não há derrotados nestas eleições.
Entretanto, já há festa rija na ilha do Fogo onde o Movimento para a Democracia vence pela primeira vez, mudando o cenário político. O MpD elegeu ali três deputados no bastião do PAICV, Partido Africano para a Independência de Cabo Verde, o partido que foi Governo do arquipélago nos últimos 15 anos.
Trinta por cento de abstenção (valor provisório) pode ser objeto de reflexão. Quando estão apuradas 91,8% das 1241 mesas, e eleitos 64 do total de 72, o Movimento para a Democracia conta com 53,7% dos escrutínios. O partido que participou pela primeira vez nas eleições de 13 de janeiro de 1991, terá maioria absoluta. O MpD elegeu 36 deputados, o PAICV 25 e a UCID 3.

Popularidade ganha como autarca

Ulisses Correia e Silva, que herdou em 2013 a liderança do MpD do fundador do partido, Carlos Veiga, foi presidente da câmara da Cidade da Praia de 2008 até final de 2015. Foi ali que ganhou grande popularidade formando uma base de apoio na capital que agora se traduziu em confiança para governar o país. Faz sentido o slogan da sua campanha: mudar Cabo Verde depois de ter mudado a Praia.
“Agora é Ulisses!! Cabo Verde riba lá!”, lê-se na página de Facebook do MpD.
Analistas que falaram ao longo da noite da Televisão de Cabo Verde leem a derrota do PAICV como um evidente fator desgaste do partido depois de três legislaturas seguidas.
Em declarações a partir da sede do PAICV na Cidade da Praia, a líder e candidata a primeira-ministra derrotada, Janira Hopffer Almada congratulou a vitória do MpD e da UCID (que aumentou a sua base de apoio), recusando responder à pergunta “o que é que falhou?”. Janira remeteu as respostas para depois da reflexão que o partido vai fazer no concelho nacional. E declarou: “Eu estou na política por missão, estarei sempre a servir o povo de Cabo Verde. Estarei a partir de amanhã a preparar o PAICV para as eleições autárquicas”.



Expresso

Saturday, 19 March 2016

Ematum é uma fábula sobre os mercados emergentes para Financial Times

O Financial Times apresentou nesta sexta-feira a reestruturação de dívida proposta pela Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) como uma fábula e um alerta para os investidores sobre os perigos da dívida dos mercados emergentes na África subsaariana.

"Aquilo que era suposto ser uma iniciativa positiva para Moçambique - a criação de uma frota pesqueira para dar nova vida à sua economia - acabou por colocar debaixo de um holofote desconfortável a maneira como as nações em desenvolvimento utilizam a dívida e o papel dos bancos internacionais nos empréstimos e conselhos aos mercados de fronteira", lê-se na edição de hoje do Financial Times.
No extenso artigo assinado pelos jornalistas Andrew England e Elaine Moore, é passada em revista a história da Ematum, principalmente desde a emissão de dívida de 850 milhões de dólares há três anos, 500 milhões dos quais acabaram por ir parar ao Orçamento, no capítulo dedicado ao Ministério da Defesa, "o que fez dispara o peso da dívida", dizem.
A maior parte da dívida externa de Moçambique, lembra o artigo, foi emitida em moeda estrangeira, e representa agora 70 por cento do PIB, 60% dos quais em dívida pública externa, incluindo as garantias estatais - de acordo com os cálculos da agência financeira Bloomberg, o peso da dívida da Ematum no total da dívida pública moçambicana ultrapassa os 40%.
O FT cita uma entrevista com o presidente da Ematum, António do Rosário, concedida antes da proposta de recompra de obrigações e da consequente descida do 'rating' do país pela Standard & Poor's e pela Fitch, na qual o responsável defende que a compra da frota pesqueira e o equipamento militar naval era "um desenvolvimento imperativo" para beneficiar dos 2.500 quilómetros de costa que Moçambique tem e para a exploração da pesca de atum.
"Para outros, no entanto, a saga das 'obrigações do atum' é uma espécie de fábula sobre o endividamento das nações mais pobres durante o forte crescimento dos mercados emergentes - alimentado por investidores à procura de lucro num ambiente económica global de taxas de juro baixas - que agora acabou de forma abrupta", escreve o FT.
Os países e empresas dos mercados emergentes bateu o recorde de 1,4 biliões de dólares em 2014, segundo os cálculos da Dealogic, mas no último trimestre do ano passado o valor desceu pela primeira vez desde a crise financeira que desaguou numa recessão mundial em 2009, sinalizando de forma clara que o abrandamento chinês e a desvalorização das moedas africanas face ao dólar diminuiu a atractividade destes mercados aos olhos dos investidores.
"O problema é a qualidade destes activos que foram financiados pelo crescimento da dívida", sintetizou o economista-chefe do BIS, Hyun Song Shin, apontando ao FT que "todas as fraquezas estão agora a ser descobertas".
A Ematum é o exemplo perfeito, considera o jornal britânico, lembrando que o Fundo Monetário Internacional considerou que a empresa é "uma fonte de risco financeiro substancial" para Moçambique.
Em 2013, um veículo financeiro especial da Ematum emitiu 500 milhões de dólares de dívida, que assim não ficou obrigado a tanta transparência como se fosse uma emissão de dívida soberana por parte do país.
Mais tarde, a esses 500 milhões vendidos a investidores pelo Credit Suisse e BNP Paribas juntaram-se mais 350 milhões organizados pelo VTB Capital, totalizando 850 milhões de dólares apresentados aos investidores como obrigações com garantia do Estado e uma taxa de juro anual de 6,305%, mas como foram vendidos com um ligeiro desconto no preço inicial, na prática "isto dava aos investidores um atrativo rendimento real de 8,5%", lembra o FT.
No prospecto, no entanto, não havia qualquer referência a navios militar ou lanchas rápidas de cariz militar, apenas eram abordadas as actividades piscatórias da Ematum.
"Comprámos os títulos como se fossem 'equivalentes' a títulos de dívida soberana de Moçambique, diz o director de investimentos da Allianz, um dos maiores detentores de dívida da Ematum.
"Era suposto que o dinheiro fosse para companhia moçambicana de atum para comprar barcos mas infelizmente viemos a saber depois que uma boa parte do dinheiro acabou na guarda costeira de Moçambique a comprar navios", lamenta Greg Saichin.
Os investidores, apesar de parecerem inclinados a aceitar a proposta de recompra de obrigações, aliciados por um juro mais alto e um prémio de recompra de 5%, apesar de uma extensão das maturidades em três anos, de 2020 para 2023, estão cépticos, diz o FT.
"A realidade nua e crua de investir nestes mercados é que o dinheiro pode desaparecer; neste caso há uma falta de transparência. Se tivesse havido uma declaração de que o dinheiro ia ser usado para navios militares para proteger a costa, isso teria feito sentido, mas não houve", disse o gestor de investimentos da holandesa NN Investment Partners.
Para Marco Ruijer, cuja firma é a quinta maior detentora de dívida da Ematum, toda a saga destes títulos é "chocante".


 

Friday, 18 March 2016

Dhlakama não quer ruídos com mediadores propostos pela Renamo

 
Presidente da Renamo recomenda mediador italiano a integrar um dos grupos de mediadores propostos pelo seu partido.

O presidente da Renamo Afonso Dhlakama manteve ontem e hoje, 18, uma longa conversa telefónica com Mário Raffaeli, coordenador dos mediadores do Acordo Geral de Paz de 1992, da Comunidade de Santo Egídio, que se encontra em Moçambique a tentar encontrar caminhos para um diálogo entre o Governo e a R...enamo.
Fontes da VOA indicam que Dhlakama aceitou falar com Raffael, que se encontra em Maputo, "apenas por cortesia", em virtude de não se encontrar enquadrado nos mediadores exigidos pela Renamo.
"De modo a evitar ruidos com negociadores", a mesmas fontes disseram que o líder da Renamo terá recomendado Mário Raffaeli a integrar uma dos moderadores propostos por ele, como a União Europeia ou a Igreja Católica.
Raffaeli encontrou-se na quarta-feira, 16, com o Presidente da República, mas nem ele nem Filipe Nyusi fizeram qualquer declarações.
Manuel Mazuze, conselheiro de Nyusi para os assuntos diplomáticos, limitou-se a dizer a jornalistas que Mário Raffaeli "é um grande amigo de Moçambique, ele esteve empenhado no processo que conduziu à assinatura do Acordo Geral de Paz e sendo assim ele veio nesta missão para falar com as partes com o objectivo de encontrar formas de os moçambicanos poderem falar e resolver a questão da paz".

O cúmulo da estupidez governamental!


O Governo de Moçambique criou, na semana passada, uma suposta Comissão de Inquérito para investigar os relatos das atrocidades cometidas pelas Forças de Defesa e Segurança contra as populações dos distritos de Tsangano e de Moatize, em Tete, e que originaram a vaga de refugiados de guerra para o Malawi. A Comissão não trouxe nada de novo. Excluindo a sua composição, que, em si, denunciava falta de seriedade, a Comissão apenas tratou de oficializar a campanha de má-fé e irresponsabilidade que o Governo vem levando a cabo contra aquelas populações.
Se estamos bem recordados, o “Canal de Moçambique” foi dos primeiros órgãos nacionais a visitar aquele campo de refugiados, e conversou com alguns dos milhares dos moçambicanos que ali se encontram passando fome, frio e retirados o direito de viver em segurança na sua própria terra.
Todos os nossos entrevistados foram unânimes em afirmar que a Frelimo (esse é o termo que usam para apelidar as tropas governamentais) queimou as suas palhotas, violou as suas filhas, assassinou os seus irmãos e pais, e pilhou os seus bens. Todos afirmaram que abandonaram Tete por causa das atrocidades dos “homens da Frelimo”, que os acusavam de colaborar com a Renamo.
Posteriormente foram as organizações humanitárias, em relatórios, que trataram de confirmar e repetir o que o “Canal de Moçambique” já havia constatado e denunciado.
A primeira reacção do Governo foi a de desvalorizar todas aquelas informações e montar um grupo de choque para ridicularizar as declarações das populações e fazer acreditar que aquelas populações eram simpatizantes da Renamo. É como que se tivesse cobertura legal, violar, assassinar e espoliar os simpatizantes da Renamo.
Mais tarde, quando já não se podia esconder a situação, com o número de refugiados a duplicar dos anteriores cinco mil para dez mil, o Governo decidiu tirar da cartola mais um número da sua irresponsabilidade.
Preferiu criar um debate de cunho semântico sobre a nomenclatura a atribuir àquelas populações. Vimos o Governo a desenvolver um debate sobre se aquelas populações podiam ser consideradas refugiados, deslocados, fugitivos, ou membros da Renamo que pretendiam denegrir o nome de Governo de Moçambique no Malawi.
Alheia a todo este festival de irresponsabilidade, a população continua lá a dormir no chão, sem comida e sem qualquer dignidade, porque o Governo está ocupado à procura da designação política mais adequada.
Quando a Human Rights Watch e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tornaram conhecida internacionalmente a catástrofe humana de Kapitse, o Governo decidiu criar uma Comissão Inquérito dirigida pelo vice-ministro da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais, Joaquim Veríssimo, coadjuvado pelo vice-ministro do Interior, José Coimbra, e da qual fazem parte técnicos da Direcção Nacional dos Direitos Humanos e do Ministério da Administração e Função Pública. Ou seja, o acusado aqui é que foi auto-investigar-se. Ora, isto não difere de que um violador esteja no Tribunal com vestes de juiz para julgar a vítima.
E os resultados não tardaram. Joaquim Veríssimo veio a público dizer que tudo o que a população contou não passa de invenção. Para Joaquim Veríssimo, são onze mil pessoas a inventarem que estão a ser perseguidas. Esta é a constatação da equipa governamental. Assassinatos, violações sexuais, pilhagem, é tudo invenção dos refugiados para denegrir o invejável bom nome do Governo de Moçambique.
Esperar por um resultado diferente deste, numa situação em que o Governo criou uma comissão de investigação à medida dos resultados que queria ouvir, é excesso de fé.
Sejamos sérios. Uma coisa é Filipe Nyusi e seus ministros ignorarem totalmente o calvário que aquelas populações vivem. É um acto que, apesar de irresponsável, compreendemos, porque este particular de se preocupar com o povo só é peculiar de quem, de facto, foi votado e sente-se no dever moral de fazer alguma coisa perante um problema que caminha para níveis de catástrofe. Mas criar uma comissão de inquérito para gozar com a situação em que aquela população se encontra, e tentar passar um certificado de estupidez a todos os moçambicanos e estrangeiros que estiveram em Kapitse, é um acto bárbaro. Pagar ao jornal “Domingo” para inventar narrativas para ilibar o Governo é o cúmulo.
Se se revelam incapazes de fazer parar e de responsabilizar as tropas governamentais pelas atrocidades cometidas e de criar solução para aquele problema, achamos que Filipe Nyusi e “sus muchachos” deviam respeitar o sofrimento daquelas populações e absterem-se de qualquer acção. Investir dinheiro para financiar campanhas de ridicularização do sofrimento daquela população vai muito para além de tudo o que já por si é inaceitável. 






(Editorial, Canalmoz/Canal de Moçambique)
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Thursday, 17 March 2016

Mediador italiano do Acordo Geral de Paz está em Moçambique para intervir na crise política mas Afonso Dhlakama diz que enquanto a Frelimo atirar acordos passados ao lixo nada vale encontro com Nyusi

 
 
Mário Raffaeli, um dos principais mediadores do Acordo Geral de Paz de 1992, pela Comunidade de Sant´Egídio, está em Moçambique para tentar convencer as partes em desacordo a ultrapassarem as suas diferenças e devolverem a paz e estabilidade ao país. Na quarta-feira (16), enquanto Mário reunia com o Presidente Filipe Nyusi, na Assembleia da República (AR) a Renamo fincava pé defendo a sua pretensão de governar as seis províncias onde alega ter ganho nas últimas eleições gerais. A um canal internacional, Afonso Dhlakama disse que o diálogo político ora encalhado não é dificuldade. "O problema é sabermos o que dialogar, o que falar e saber como chegar a um compromisso", numa altura em que "tudo o que negociámos a Frelimo pôs no lixo".
Afonso Dhlakama afirmou, à DW África, que a primeira coisa que pode fazer com o Filipe Nyusi "é exigir, de facto, a implementação do Acordo Geral de Paz e os outros acordos, que assinou com o antigo estadista moçambicano Armando Guebuza, em 2014, depois de um longo período de braço-de-ferro.
Segundo ele, tais assentimentos "até agora estão pendentes. Muitos dirigentes europeus pensam que se Dhlakama e Nyusi se encontrarem é uma solução. Mas não é. A solução passa pela aceitação, por parte da Frelimo, da democracia efetiva pluralista, para que existam eleições livres e transparentes, Direitos Humanos, justiça e a separação das instituições do Estado porque elas não podem receber ordens do partido Frelimo e atacar a oposição.Manuel Mazuze, conselheiro de Filipe Nyusi para os assuntos diplomáticos, disse a jornalistas que Mário Raffaeli está em Moçambique como amigo do povo e que ajudou, no passado, a pacificar o país".
O Governo pretende que a Renamo abandone a ideia de quer administrar as províncias onde julga ter ganho o escrutínio de 15 de Outubro de 2014 e aceite retomar as conversações com vista ao fim da tensão política, que voltou a ter como palco o centro de Moçambique. Porém, o partido liderado por Afonso Dhlakama mostrou no Parlamento sinais de que não está disposta a ceder.
José Manteigas, deputado da "Perdiz", afinou a voz e deixou soar bem alto, a partir da Casa do Povo, que "estamos em pleno mês de Março. Para um moçambicano atento, acreditamos que está na expectativa para assistir e testemunhar a governação da Renamo. É isso mesmo, vem aí a governação da Renamo. Não há e nem deve haver dúvidas, a Renamo vai dirigir as províncias onde ganhou (...), nomeadamente Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, em respeito às populações" que votaram em neste partido e à "liberdade e garantias de participação política".
"Queremos esclarecer aos radicais da Frelimo que a Renamo não tem nenhum plano de dividir o país, mas, sim, cumprir e respeitar a vontade popular expressa nas urnas a 15 de Outubro de 2014", disse Manteiga, frisando o que Dhlakama já tinha dito a DW África.
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), através do deputado Ricardo Tomás, acusou o Governo de não levar a peito a penúria dos moçambicanos refugiados no Malawi devido à tensão político-militar em Tete, onde uma equipa constituída pelo Executivo não constatou os desmandos supostamente perpetrados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), incluindo violações sexuais. Todavia, a população refugiada naquele país assegura que foi vítima de tais actos, que para o Governo foram promovidos pela Renamo.
O partido liderado por Daviz Simango focou o seu discurso em torno das declarações do governador de Tete, Paulo Awade, segundos as quais não há refugiados moçambicanos no Malawi. Os compatriotas entraram naquele território por conta de seca e à procura de fertilizantes.
"Eles não foram à procura de fertilizantes nem em visita de compadres como alguns governantes pretendem fazer entender", e tão-pouco são "turistas. Em nenhuma parte do mundo um turista abandona a sua casa para viver em condições de indigência extrema, em palhotas e desprovido de comida. Nenhum turista de sai casa para viver de donativos (...)".
Para o MDM, as declarações de Paulo Awade constituem um grande insulto às vítimas da tensão política concentradas no centro de acolhimento de Kapise, no Malawi. "O Presidente da República devia demitir Paulo Awade, a fim de se distanciar de um governador incompetente, incapaz, inapto, cruel e tirano (...)".
O deputado da Frelimo e presidente da Comissão de Plano e Orçamento na AR, Eneas Comiche, defendeu que "não se pode recorrer à violência armada para fazer ideias e tentar assaltar o poder à força dividindo os moçambicanos".
Em democracia, "o recurso à violência, quer seja verbal quer seja armada, incluindo o ataque a pessoas é repugnante. A Frelimo defende que o diálogo, o debate de ideia e tolerância são pilares da democracia (...)" e são factores fundamentais para se ultrapassar quaisquer diferenças.
Refira-se que, recentemente, Filipe Nyusi endereçou uma carta convite ao líder da Renamo para que retome do diálogo. Afonso Dhlakama aceitou mas condicionou o encontro à presença da mediação do Presidente sul-africano Jacob Zuma, da Igreja Católica e da União Europeia.
Para a Renamo, "Zuma não gostaria que houvesse um conflito em Moçambique (...)" porque "está consciente de que pode afetar economicamente a África do Sul".

Semana da Páscoa: Mais de 250 mil pessoas poderão atravessar a fronteira de Ressano-Garcia

Semana da Páscoa: Mais de 250 mil pessoas poderão atravessar a fronteira de Ressano-Garcia
Mais de duzentas e cinquenta mil pessoas poderão atravessar a fronteira de Ressano-Garcia durante a semana pascal de 18 a 27 do mês em curso.

A informação foi prestada por Osvaldo Correia coordenador do projecto Paragem Única, um comando conjunto que envolve as forças da Migração, Polícia de Protecção, de Trânsito e de Guarda-fronteira.
“O movimento da Páscoa é caracterizado pela entrada massiva dos nossos concidadãos, entre mineiros e turistas, de Moçambique para a África do sul e da África do sul para Moçambique. Olhando para aquilo que foram as tendências do último movimento massivo que tivemos em Dezembro, do fim-de-ano 2015/2016, as nossas previsões apontam para um movimento no sentido África do sul/Moçambique, de perto de duzentos e cinquenta mil, entre turistas e mineiros, e o comando conjunto está preparado para poder fazer face a este movimento que se espera ter a partir do dia 18. “ referiu o coordenador do projecto Paragem Única.


(RM Maputo)

O Muito Verdadeiro vice-ministro

 
 Camarada vice-ministro.
Veríssimo significa Muito Verdadeiro. Veríssimo é também um nome respeitável.
O que não pode ser veríssimo é a surpreendente declaração à TEVÊÉME da sua homonomia vice-ministro afirmando em total desconexão que a sua equipa de pesquisa “não encontrou evidências que provam alegados abusos dos direitos humanos por parte das forças de defesa e segurança em Kapesi”.
E porque os nomes espelham o que somos, o Muito Verdadeiro Veríssimo, talvez consciente de que tapa o sol com a peneira, acabou dando mão à palmatória, ao admitir a possibilidade de reavaliar a sua pesquisa.
Ora, é aqui que o vice-ministro prova ter sido menos verdadeiro. É aqui que admite implicitamente haver uma margem de erro abismal nos resultados da sua pesquisa.
A admissão de se proceder a reavaliação é só sintomático de uma falta de método na pesquisa do meu amigo Muito Verdadeiro. Até prova em contrário, o seu resultado não é de fiar. Não nos fornece a margem de erro, nem afirma os procedimentos seguidos no apuramento de tal conclusão.
O Muito Verdadeiro vice-ministro, ao pronunciar-se nos termos em que se pronunciou sobre a conclusão da pesquisa, não só põe em dúvidas a capacidade da sua equipa, como também a idoneidade dos resultados, que, mesmo que certos, não conferem plausibilidade, pelo grau de hesitação com que o difunde.
Algo parece ter querido deixar claro que os resultados do relatório foram uma encomenda, uma encenação mal interpretada, que expõe o Muito Verdadeiro amigo vice-ministro ao ridículo. A mim, que bem o conheço, meteu-me dó ver o Muito Verdadeiro paradoxalmente enganando a si próprio, com todos os dentes da boca, que não achou evidências que não queria achar. Fazendo textualmente coro com o governador de Tete, outro infelizardo que há poucos dias apareceu na STV fazendo “pronunciamentos” forçosos, de deixar a uma criança corada – não é preciso ser tão claro para corar.
O que a mim me deixou encabulado, não é só o ridículo como o Muito Verdadeiro saiu TEVÊÉME, como o titubeante resultado a que chega, demonstrando estar tão inseguro como demonstrando propensão a manipulação, que hoje em dia, desculpa-me a frontalidade, se tornou o carácter e o requisito básico para nomeação dos dirigentes ao nível do nosso Estado.
Tirando o facto de que deu para matar saudades assisti-lo na TV, vendo o Muito Verdadeiro amigo a falar não deixou dúvidas de que, se pudéssemos sujeitá-lo a um detector de mentira, veríamos o aparelho ridicularizá-lo, e à equipa que comandou.
De um momento para o outro, têm sido os nossos dirigentes apanhados desprevenidamente a tentar proceder a arranjos que os levam a perder compostura que não lhes fica bem, pelo respeito que merecem, pelo cargo nobre que representam, muito caros à imagem do nosso país. Parece estarmos a lidar com dirigentes rascas em cada tentativa “desconseguida” de tapar o sol com a peneira.
Parece-me querermos reincidir que a estupidificação tornou-se um critério básico e legível a nomeação dos membros do Governo e responsáveis do Estado, desde o nível inferior até ao escalão mais alto.
De um momento para a outro, quer me parecer que somos forçados a nos conformar com as afirmações de dirigentes deste Estado, de tão espantosas, tão caricatas e ridículas, que podem indignar os cães, os gatos, as cobras, os pássaros, e menos a eles próprios, o que é uma pura desgraça de um país pobre como o nosso.
Um aviso à navegação: era de todo urgente que, no lugar de se inventarem escapatórias ou eufemismos tendentes a agradar aos chefes, que os dirigentes do Estado relevem que em primeiro lugar há que prestar leais serviços ao povo e à Pátria Amada. Auguro que, na reavaliação da sua pesquisa, o Muito Verdadeiro amigo se cuide de fazê-lo de forma imparcial, o que influiria na percepção sobre o que realmente falhou neste novo ciclo de guerra entre as arquirrivais Frelimo e Renamo, que a nós que sofremos as mazelas dos dois, muito cansam ao povo sofredor pisoteado como se de capim se tratasse.




(Adelino Timóteo, Canalmoz)