Saturday, 30 March 2013

Sexta-Feira Santa: Orações sob signo de apelo à renovação

OS cristãos assinalaram ontem a morte de Jesus Cristo como uma jornada de reflexão sobre o comportamento humano e os caminhos que permitam contribuir para a renovação e melhoria das condições de vida.
Nas diversas homilias, os cristãos foram chamados a reflectir na morte de Jesus como sinal de esperança e que cada um possa se sacrificar na busca de fé e no cultivo do amor pelo próximo.
Nos termos da liturgia cristã Jesus Cristo morreu para salvar o mundo, por isso mesmo que os crentes são convocados a uma constante busca do bem como uma acção livre tendo em vista à salvação de toda a humanidade.
“Cristo morreu para nos dar a vida e a nossa resposta diante deste sacrifício é sermos cada vez mais atentos também no nosso viver quotidiano. Temos que conseguir, em todos os momentos, criar condições para que a nossa fé cresça e nos sintamos envolvidos no desenvolvimento da nossa esperança, da nossa caridade e saibamos ocupar o lugar que nos compete”, disse o arcebispo da Arquidiocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio, na sua mensagem.
Segundo Dom Chimoio, neste momento de sacrifício os crentes devem saber compreender as fraquezas dos outros irmãos e criar condições para que a vivência de uns seja um estímulo para os demais.
“Os cristãos são chamados também a morrer nos seus vícios, nas suas maneiras de um certo egoísmo, de um certo protagonismo para saberem dar espaço a outros irmãos para juntos com Cristo morrermos para aquilo que é mau e ressuscitar para a vida que dura para sempre”, acrescentou.
A Sexta-Feira Santa, que no calendário litúrgico pode ocorrer entre os dias 22 de Março e 25 de Abril, é a data em que os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos.
Os rituais, conforme repetidos ontem, compreendem três partes essenciais, nomeadamente a liturgia da palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística com hóstias consagradas no dia anterior, uma vez que nesta data não se celebra a eucaristia.
A paixão e morte de Jesus Cristo está enquadrada no âmbito da Semana Santa, que iniciou no Domingo de Ramos e termina com a sua ressurreição que será celebrada amanhã, domingo de Páscoa.
Entretanto, 19.462 pessoas cruzaram a fronteira de Ressano Garcia, que separa o país da África do Sul, entre a manhã de quinta-feira e ontem, no mesmo período em que foi registada a passagem de 4055 viaturas daquele posto fronteiriço.
Deste número, 15.274 entraram em Moçambique, entre mineiros (2980), turistas e negociantes e os restantes 4188 passaram para a África do Sul. Das 4055 viaturas que usaram a fronteira 2424 eram provenientes daquele país vizinho e as restantes fizeram o sentido inverso. Neste movimento não houve registo de acidentes.


 Notícias

Friday, 29 March 2013

PR saúda comunidade cristã

O PRESIDENTE Armando Guebuza endereçou ontem uma mensagem de saudação à comunidade cristã de Moçambique pela Páscoa.
Na sua felicitação, o estadista refere que “nesta data, os cristãos não só celebram esta importante data no seu calendário religioso como também reflectem em torno dos valores do sacrifício, da comunhão, do perdão e do amor ao próximo”. “Na verdade, guiados pelos valores cristãos e pelo significado do que a Páscoa representa, os cristãos usam este importante acontecimento para aprofundarem a cultura de paz, da concórdia e da convivência sã e para renovarem o seu compromisso com o espírito de solidariedade humana, de ajuda mútua e de harmonia entre os homens. Congratulamo-nos pelo papel que a comunidade cristã em Moçambique tem desempenhado na luta contra a pobreza. Em particular, saudamos o seu papel no apoio às vítimas das calamidades naturais que assolaram diferentes espaços geográficos da nossa Pátria Amada, na promoção da cultura de paz, do espírito de cidadania e da unidade nacional”, refere o comunicado.

Notícias

Thursday, 28 March 2013

Dilema dos transportes públicos e do tráfego rodoviário na cidade de Maputo: possíveis soluções

O crónico problema dos transportes públicos e do tráfego nas cidades moçambicanas, e muito em particular na cidade de Maputo, requer das autoridades governamentais e municipais uma análise profunda e a adopção de acções concretas visando inverter definitivamente o cenário actual.
Em vários momentos questionei-me do porquê ser tão difícil encontrar-se uma solução duradoura e sustentável para o problema e também do porquê estar-se sempre a adoptar medidas paliativas que embora minimizem momentaneamente a situação acabam por adiar, por tempo indeterminado, a solução do problema. Pensava que faltavam estudos e propostas concretas, mas o meu espanto foi grande ao verificar que já foram feitos estudos sobre a matéria.
Afinal, não somente existem vários estudos nesse sentido como também existem propostas concretas visando não só resolver, a curto e a médio prazos, e de forma sustentável, o problema, bem como envolver o sector privado abrindo-se espaços para a terciarização de determinados serviços de modo a proporcionar um serviço de transporte público eficiente e de qualidade.
O estudo que mais chamou a minha atenção é uma tese de mestrado de 2010 de um estudante da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e que teve como orientador o Professor Doutor António Matos dos Santos - docente moçambicano da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Trata-se do estudo de funcionamento dos transportes públicos em Maputo e desenvolvimento de acções de melhoria.
Embora neste momento não se encontrem disponíveis nem actualizados os estudos sobre o trânsito urbano na cidade de Maputo que caracterize convenientemente o fluxo das pessoas e das viaturas que se movimentam na cidade; no entanto, existe um outro estudo realizado pelo Professor Doutor António Matos em 2003, o qual se dedica exclusivamente ao planeamento de um sistema de transportes colectivos de passageiros numa zona metropolitana: o caso da província de Maputo. Este estudo permite tirar importantes conclusões acerca das acções necessárias a uma melhoria do tráfego rodoviário também na cidade de Maputo como mais adiante veremos.
Segundo a tese de mestrado a que acima me referi, na cidade de Maputo coexistem duas realidades claramente diferenciáveis: a “cidade de cimento” - zona urbana da metrópole, e a “cidade de caniço” - conjunto das zonas suburbanas e peri-urbanas de Maputo. A cidade de cimento, formada essencialmente pelo Distrito Municipal Ka Mpfumo, concentra grande parte dos principais serviços e comércio da cidade.
É nesta zona que se encontra o Central Business District (CBD) da cidade, o qual encontra-se delimitado pelas avenidas Mao Tsé-Tung e Marien N’Gouabi. Aqui se concentra uma grande diversidade de serviços, a maioria dos ministérios e outras agências governamentais, a estação de caminhos-de-ferro, a Catedral de Maputo, o Hospital Central, diversas escolas e faculdades, o Parlamento, museus, pavilhões desportivos, a zona “baixa” da cidade, predominantemente comercial, etc. O CBD ocupa a maioria do DM Ka Mpfumo, com a excepção do bairro residencial da Sommerschield e do campus da Universidade Eduardo Mondlane.
As principais avenidas, nomeadamente a 25 de Setembro, 24 de Julho, Eduardo Mondlane, Mao Tsé-Tung, Kenneth Kaunda, Joaquim Chissano, Julius Nyerere, Vladimir Lenine, Karl Marx, Guerra Popular e Acordos de Lusaka, distinguem-se por serem extraordinariamente largas, tendo em conta a época em que foram projectadas, com um afastamento entre edifícios a variar entre 25 e 40 metros. Estas vias foram concebidas para terem duas a quatro faixas de rodagem em cada sentido, os seus passeios pedonais são espaçosos e quase todas as avenidas possuem um separador a dividir os sentidos de trânsito. O bom planeamento destas vias, tanto das avenidas principais como das ruas secundárias, não só asseguraria um bom escoamento do trânsito dentro do DM Ka Mpfumo, como também poderia satisfazer as necessidades ao nível do estacionamento através da utilização de parte do passeio pedonal e parte do separador central para estes fins.
A zona de caniço da cidade é sobretudo residencial, com algumas zonas de comércio distribuídas principalmente ao longo das grandes vias, de forma informal, nos próprios passeios, ou em grandes mercados como o Xipamanine (Distrito Municipal Ka Hlamankulo) e Xikhelene (Distrito Municipal Ka Mavota). O desenho urbano no interior da “cidade de caniço” não é de todo uniforme. De acordo com o referido estudo, as ruas são verdadeiramente labirínticas e na maioria das vezes, em vez de quarteirões rectangulares, existem também aglomerados de casas, seguindo um traçado totalmente irregular.
As estradas pavimentadas estão essencialmente concentradas no DM Ka Mpfumo (50,4 porcento), embora algumas delas em avançado estado de degradação devido essencialmente à ausência de manutenções periódicas e de reabilitação de qualidade, para além do deficiente funcionamento do sistema de drenagem na época chuvosa. Nos restantes distritos as vias pavimentadas correspondem a grandes avenidas que atravessam a cidade e essas estradas têm normalmente uma ou duas faixas de rodagem em cada sentido, passeios estreitos, frequentemente ocupados por comerciantes informais. Para além deste conjunto de vias principais, os acessos, maioritariamente, não são pavimentados e o volume de estradas pavimentadas vai diminuindo com o aumento da distância ao CBD. Os distritos Ka Hlamankulo e Ka Maxakeni apresentam ainda um maior equilíbrio entre estradas pavimentadas e as restantes, enquanto nos distritos Ka Mavota e Ka Mubukuane as estradas não pavimentadas são predominantes. Estas vias não pavimentadas são normalmente estradas de terra batida, com inúmeros buracos, o que torna a circulação difícil para automóveis ligeiros e para os “chapa”, e quase impossível para autocarros. No período das chuvas a falta de qualquer escoamento das águas converte estas vias em verdadeiros riachos, intransitáveis para qualquer viatura.
O acesso à cidade de Maputo faz-se essencialmente através das estradas nacionais, da EN1 para o trânsito com origem ou destino ao norte da cidade e da EN2 para as viaturas provenientes da Matola. Em alternativa à EN2 é possível utilizar a via do Jardim ou então, localizada mais ao norte, a rua da Zona Verde.
Na cidade de Maputo podem-se encontrar três corredores de trânsito principais, onde se faz o transporte de pessoas dos espaços suburbano, peri-urbana e interprovincial para o centro urbano da cidade. Esses três corredores são constituídos pelas seguintes avenidas:
Av. 24 de Julho-EN2, proveniente da cidade da Matola;
Av.24 de Julho/ Eduardo Mondlane-EN1, com origem ou destino a norte da cidade;
Av. Guerra Popular - Av. Acordos de Lusaka - Av. das FPLM - Av. Julius Nyerere, procedente do DM Ka Mavota.
A Av. Vladimir Lenine e a Rua da Beira servem de alternativa aos troços do corredor que conduz ao DM Ka Mavota, enquanto a EN1 tem por única alternativa o contorno do aeroporto pelo lado leste (corredor do distrito Ka Mavota) para alcançar a EN1 através da Avenida Lurdes Mutola.
De acordo ainda com o estudo em apreço e que passo a citar, a cidade de Maputo já apresentava ao tempo em que foi elaborado o estudo alguns problemas graves de congestionamento nas horas de trânsito mais intenso, concretamente:
Benfica - o entroncamento do Benfica, EN1 com a Rua da Zona Verde, é o ponto mais sensível da cidade, sendo o resultado de diversos factores. Para começar, a EN1 é uma via com um nível máximo de serviço inferior ao desejado, visto ter apenas uma faixa de rodagem em cada sentido. Neste entroncamento o problema agudiza-se não só pelo cruzamento de trânsito de diferentes direcções, mas também porque este é um ponto de paragem dos “chapa”. Esta zona é, sem dúvidas, a mais crítica da cidade, representando uma constante preocupação para quem queira sair da cidade rumo ao norte.
Portagem - a Portagem da Matola é também um ponto problemático, não devido à falta de postos de pagamento, que são 16, oito em cada sentido, mas porque depois da portagem essas oito faixas afunilam-se para apenas duas. O congestionamento na portagem dá-se nas horas de ponta da manhã, no acesso à cidade, e de tarde no sentido inverso.
Centro da cidade - as avenidas 24 de Julho, Eduardo Mondlane e Guerra Popular apresentam já problemas de congestionamento principalmente por serem utilizadas de forma intensiva pelos “chapa”. Ao longo da Avenida 24 de Julho existem dois lugares problemáticos: um nas imediações da Praça 16 de Junho, por aí se localizar um mercado; e o outro no espaço antes do cruzamento com a Avenida Guerra Popular, local de enorme confluência dos “chapa”. Os problemas das avenidas Eduardo Mondlane e Guerra Popular devem-se unicamente à circulação de elevado número de “chapas”.
Praça dos Combatentes (Xikhelene) - O acesso à Praça dos Combatentes é difícil devido à existência, na própria rotunda, de uma movimentada bomba de gasolina, assim como do importante Mercado de Xikhelene. Esta rotunda é ponto quase obrigatório para a vasta maioria do trânsito que circula a leste do aeroporto, havendo como única opção alternativa a Rua da Beira. Apesar de tudo, o ponto mais crítico até nem é a rotunda em si mas antes o acesso a ela, principalmente através da Avenida Vladimir Lenine. Esta avenida, entre as Praças da OMM e dos Combatentes (3,3km), tem apenas uma faixa de rodagem por cada sentido e sempre que um “chapa” precisa de largar passageiros este bloqueia o trânsito atrás de si. Rua do Jardim - esta última zona é sensível pelo mau estado de conservação da via, que obriga os veículos a circularem a reduzida velocidade. A Rua do Jardim representa, porém, uma alternativa à portagem, tanto a nível de escoamento de trânsito, como para os condutores que querem evitar o pagamento da taxa de utilização da Portagem da Matola. Assim, esta via torna-se também, em horas de ponta, num ponto de engarrafamento.
De uma maneira geral, o acesso à saída da cidade se faz com bastante dificuldade, quer seja nos períodos de ponta quer ainda nos períodos restantes e principalmente no Benfica, Jardim e na Avenida Vladimir Lenine.
Outro aspecto que importa tomar em conta é o referente ao aumento proporcional do número de autocarros dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) em função do crescimento da população da cidade. Por exemplo, em 1975 os Serviços Municipalizados de Viação (SMV), que asseguravam a totalidade dos serviços públicos da cidade de Maputo, contavam com mais de 118 autocarros que serviam a uma população de cerca de 500.000 habitantes.
Em Fevereiro de 2008 a frota dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) contava com apenas 32 autocarros para uma população de 1.7 milhão de habitantes (Maputo e Matola). Actualmente os TPM contam com 105 autocarros afectos aos transportes colectivos de passageiros na cidade de Maputo para um número cada vez mais crescente de utentes destes serviços.
Portanto, não obstante os esforços empreendidos nos últimos anos pelo Governo Central e pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo, a quantidade de autocarros para o transporte urbano ainda está muito aquém das reais necessidades desta urbe. A qualidade dos serviços prestados e a rentabilidade e cobertura geográfica dos mesmos ainda deixam muito a desejar e requerem uma intervenção mais integrada e regrada de modo a satisfazer a demanda cada vez maior por estes serviços.
O estudo a que tenho estado a fazer menção avança com algumas propostas concretas que acrescidas às minhas ideias pessoais permitem-me afirmar que, a serem implementadas as ideias abaixo indicadas, estas poderiam certamente inverter, a curto e médio prazos, o problema de transporte urbano e de tráfego rodoviário na cidade de Maputo:
Limitar gradualmente o número de “chapas” nas vias principais e particularmente no DM Ka Mpfumo, os quais devido à sua reduzida lotação e ao seu comportamento na estrada se torna uma forma de transporte pouco eficiente do ponto de vista da fluidez de tráfego rodoviário;
Substituir gradualmente os “chapas” por autocarros dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) nas principais avenidas poderia certamente contribuir para a minimização do problema de congestionamento, desde que se criem faixas de rodagem exclusivas para autocarros, táxis, bombeiros e ambulâncias e se aumente a frota de autocarros dos TPM;
Alargar o espaço disponível de forma a aumentar o número de faixas de rodagem, assim como criar zonas de estacionamento apropriadas. O espaço necessário pode ser obtido por diminuição da largura do separador central e do encurtamento dos passeios, o que não trará prejuízos para os pedestres, porque são suficientemente largos. Pode até representar uma melhoria considerável, visto que actualmente o estacionamento ocorre em cima dos próprios passeios;
Proibir a instalação de parques de venda de “viaturas usadas” na Central Business District (CBD) da cidade e promover em parceria com o sector privado a construção de parques de estacionamento nesses locais de modo a contribuir para aumentar as condições de estacionamento e aliviar o congestionamento da cidade. Os parques de venda de carros usados deveriam ser transferidos para outros bairros;
Adquirir entre 400 e 600 autocarros para assumirem em pleno o transporte colectivo de passageiros em Maputo ou em Maputo e Matola. Este aumento do número de autocarros poderia acontecer por iniciativa do sector privado ou por investimento público ou ainda pela parceria público-privada;
Extinguir a portagem na ligação entre a cidade de Maputo e Matola, aumentar o número de faixas de rodagem nesse trajecto, construir mais passadeiras aéreas de modo a transformar-se esta via numa auto-estrada (via rápida) e envolver os habitantes das faixas laterais na campanha de sensibilização quanto à importância de se usar as passadeiras e evitar-se que as pessoas cruzem a estrada despreocupadamente como tem acontecido neste preciso momento;
Reabilitar e reabrir a Estrada Velha, que permite a ligação alternativa entre a cidade de Maputo e Matola;
Utilizar racionalmente as linhas de comboio que são actualmente um dos activos da cidade mais desaproveitados e que poderiam ser uma ferramenta importante na estratégia dos transportes urbanos para a cidade e uma mais-valia na melhoria de acessibilidade para os seus habitantes (que trabalham em Maputo e têm a província do Maputo como dormitório).
Por exemplo, a linha da Matola-Gare poderia ser uma alternativa para os habitantes do Fomento, Liberdade, Machava, Nkobe e Tchumene. A linha de Marracuene poderia servir de forma eficaz os habitantes de Laulane, Mahotas, Magoanine e Albazine. E se a utilização do comboio for bem-sucedida há ainda a possibilidade de explorar a linha de ligação à Boane, correntemente fora do sistema de comboio urbano em vigor e servindo os habitantes de Mahlampswene, Matola-Rio, Mozal e Boane. Para que o comboio seja, de facto, uma opção credível, três medidas são imprescindíveis: o aumento do número de automotoras, o aumento da frequência; a melhoria das infra-estruturas existentes, em particular a construção de apeadeiros próprios e a articulação e integração tarifária com os restantes meios de transportes;
Reactivar a ligação fluvial entre o cais de Maputo, perto da Baixa e Matola-Rio de modo a complementar os restantes transportes urbanos e permitindo uma ligação mais rápida à Matola e à Matola-Rio;
Promover a integração de todos os serviços (TPM, barcos, comboios, etc.) numa única plataforma tarifária que seja economicamente viável para os utentes e em que os passageiros não tenham que pagar muitas vezes para fazer um mesmo trajecto, mesmo que para este percurso tenham de usar vários meios de transporte. O bilhete adquirido deveria ser válido no barco, no autocarro e nos comboios, cabendo ao Estado definir a partilha de receitas pelos operadores envolvidos;
Melhorar o planeamento do centro da cidade, encorajar a construção de supermercados, centros comerciais, escolas secundárias, técnicas, creches, hospitais centrais, universidade, bibliotecas, cinemas, parques de venda de viaturas, pequenas indústrias, mercados informais, terminais rodoviários nos restantes distritos urbanos;
Construir delegações dos serviços de migração, identificação civil, registos e notariados, finanças, serviços de viação, entre outros, de modo a que parte dos utentes desses serviços não tenham que se deslocar para o DM Ka Mpfumo para ter acesso ao passaporte, bilhete de identidade, balcões únicos de atendimento, carta de condução, livretes, manifesto das viaturas, etc.
Implementar o projecto da Estrada Circular de Maputo;
Abrir novas estradas e requalificar as vias existentes, sobretudo na zona peri-urbana;
Reabilitar e efectuar a manutenção periódica das estradas existentes;
Melhorar o funcionamento do sistema de drenagem;
Temporizar os semáforos para responderem optimamente aos fluxos de tráfego;
Aprovar normas municipais que restrinjam a construção de grandes edifícios de escritórios no DM Ka Mpfumo sem um parque de estacionamento interno e apropriado para ao fluxo de carros que passará a movimentar;
Captar ajuda (financeira e know-how) de países, universidades e/ou empresas nacionais e estrangeiras para um projecto inovador da região;
Maior rigor por parte da Polícia Municipal no controlo dos “chapa” que infernizam o trânsito impunemente;
Endurecer as coimas por violação grosseira das normas do trânsito, especialmente para os “chapa”;
Endurecer as coimas para as empresas que promovem os cortes nas estradas para a montagem de cabos eléctricos e outros quando não procedam à reparação durável, adequada e atempada dos cortes efectuados;
Fazer o alinhamento das tampas de sarjetas com o nível das estradas de modo a não dificultar a circulação adequada das viaturas bem como a não provocar danos nos carros;
Reorganizar a instalação das paragens e das terminais dos transportes públicos de modo a descongestionar as principais vias onde se encontram localizadas essas mesmas terminais; e,
Por fim, fomentar uma política de descompensação das urbes, criando condições para que as pessoas emigrem naturalmente para os bairros periféricos e para o interior da província de Maputo.
Concluindo, cabe portanto ao Governo Central e às autoridades municipais assumirem que a busca de soluções para o problema dos transportes públicos e do tráfego rodoviário na cidade de Maputo é de facto uma prioridade nacional e um imperativo para a funcionalidade da cidade. Todos os estudos até aqui realizados e outros contributos provenientes das universidades, do sector privado e de outros órgãos governamentais deveriam merecer uma sistematização e um melhor aproveitamento nesta busca de soluções para os problemas identificados. Não se pode adiar por mais tempo a solução destes problemas, sob o risco de se pôr em causa a produtividade e a habitabilidade da nossa cidade-capital e perpetuar-se o sofrimento dos munícipes, que há muito clamam por uma solução duradoira e sustentável, quer seja a curto como a médio prazos. É imperioso que o nosso contrato social seja ciclicamente renovado e compete ao Governo Central e às autoridades municipais assumirem a parte que lhes cabe de modo a transformar a nossa cidade num local aprazível e acolhedor para se morar, trabalhar e visitar. O combate à pobreza e a luta pela elevação da nossa auto-estima passa necessariamente por se ultrapassar mais este pesadelo da nossa história como Estado e como cidade-capital. Haja vontade e coragem para se levar avante as propostas e sugestões aqui formuladas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Araújo, André Rodrigues Antunes. 2010. “Estudo do funcionamento dos transportes públicos em Maputo e desenvolvimento de acções de melhoria.”Dissertação de Mestrado integrado em Engenharia Industrial e Gestão da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Matos, António. 2003. “Planeamento de um sistema de transportes colectivos de passageiros numa zona metropolitana: o caso da província de Maputo.” Dissertação de Doutoramento da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Ismael Mussá, Notícias

“Nunca houve usurpação de imóveis para construção de sedes do MDM na Beira” afirma Daviz Simango

O presidente do Conselho Municipal da Beira e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, desmente as acusações segundo as quais o município ter-se-ia apoderado de imóveis pertencentes às organizações da sociedade civil para transformá-los em sedes daquele partido.
Simango diz que as pessoas que “espalharam” tal informação fizeram-no sem o conhecimento de causa, uma vez que nunca se aproximaram a ele, muito menos da edilidade, para ouvir a versão dos factos. Segundo o edil, as referidas instalações pertencem ao município da Beira e funcionam como Centros de Desenvolvimento Comunitários (CDC), um projecto da edilidade que é gerido pelas organizações da sociedade civil em coordenação com alguns parceiros da edilidade.
A disputa, segundo conta, começa quando a agremiação que fazia a gestão do projecto, na altura a Essor, ao aperceber-se de que ia perder tal poder devido ao facto de o seu mandato ter chegado ao fim, e na tentativa de continuar com os edifícios, desfez a associação e criou uma outra, a Amparo, cujos membros reivindicam os títulos de propriedade dos imóveis.
Simango explicou igualmente que, recentemente, quando foi eleita uma nova organização para gerir os centros, a Amparo excluiu-se da corrida e agora tem estado a impedir o acesso às instalações por parte do pessoal do município, incluindo ele próprio. “Um dia fui visitar os tais imóveis na qualidade de Edil da Beira, e eles tinham trancado as portas dos edifícios temendo que eu fosse empossar os novos gestores do CDC”, conta Simango e ajunta de forma peremptória que os imóveis pertencem o município da Beira. Retirada de bandeiras do MDM nalçguns municípios:


“Não processámos ninguém”

Relativamente à vandalização das bandeiras dos MDM, Simango, apesar de admitir a hipótese de processar os autores desses actos, diz que o mais importante seria que o assunto fosse discutido noutros fóruns, tal é o caso da Reunião Nacional dos Municípios, que decorreu em Maputo. “Nós já os processámos, alguns foram ouvidos pela justiça e outros ainda não foram, mas eu penso que esse assunto devia constar dos temas a serem discutidos durante na Reunião dos Municípios”, disse Simango visivelmente agastado.



Verdade

Wednesday, 27 March 2013

Magistrados denunciam interferência do Governo

Debate sobre a revisão constitucional.

“...quando chegamos aos distritos, temos de “prestar vassalagem” aos governos distritais e aos primeiros-secretários do partido Frelimo. Até nos obrigam a abandonar julgamentos para reuniões do partido”.
A teoria de que os órgãos de soberania assentam nos princípios de separação e interdependência de poderes (artigo 134 da Constituição da República) e devem obediência à mesma Constituição e às leis cai por terra em Moçambique. Os magistrados do Ministério Público (MP) e judiciais vieram publicamente queixar-se da interferência do Governo, a todos os níveis, nas suas actividades. A denúncia foi feita na última sexta-feira, em Maputo, durante o debate sobre “A Protecção do Estado do Direito e o reforço constitucional dos poderes do Ministério Público”, organizado pela Associação dos Magistrados do Ministério Público e apresentado por Salomão Moyana, jornalista e director do semanário Magazine Independente.
O debate insere-se na revisão constitucional em curso no país.
Neste debate, os magistrados do MP e judiciais quebraram o silêncio e revelaram o que há muito se vinha reportando: a interferência do poder executivo no judiciário.
A referida interferência é exercida a todos os níveis, desde os governos distritais até ao central. Explicaram que logo que chegam a um distrito “somos convocados para participar em reuniões do partido Frelimo”. A recusa pode custar ao magistrado, não só a perda de residência e carro concedidos pelo governo distrital, como também o isolamento sob pretexto de que “não é nosso”.
“Há muito que reclamámos a independência do MP. Parece que não há vontade que tal aconteça”, reclamou um dos magistrados que participava no evento, acrescentando que há pouca possibilidade de os magistrados resistirem à interferência, porque “sem o governo distrital é quase impossível trabalhar, uma vez que não temos viaturas, nem casas e, às vezes, nem temos salas para trabalhar. Então, temos que mendigar ao governo distrital”.
Uma das magistradas contou a sua experiência e revelou as consequências de ter negado de participar em reuniões do partido Frelimo. A interferência é exercida até nos processos de investigação.
“Quando estava a trabalhar em Changara vivi uma pressão política forte, porque resisti participar em reuniões do partido.alegando que não tinha nada a ver com partidos políticos, saí de lá sem amizades com o governo local”, narrou a magistrada, reforçando que foi “muitas vezes convidada a participar nas reuniões”. No entanto, “armazenava os convites na gaveta”, por isso, foi “considerada não deles”. “Diziam que ela não é nossa. Já não nos davam viatura para deslocações nem sala para trabalharmos”.



 O País

“Spin doctors” e “golpes de rins” não salvam o convento

Líderes procuram perpetuar-se no poder em nome de sua não substituibilidade?



Com a crise política latente e com muitos interlocutores disfarçando que nada está acontecendo ou que nada vai alterar-se, Moçambique galopa em grande velocidade para caminhos ou destinos desconhecidos.
Quando do saco ou dos bolsos já não surgem surpresas e parecem esgotados os recursos ou ideias para lidar com a situação concreta do país multiplicam-se acções de autênticos charlatães políticos como último recurso. Da mesma maneira como se anunciam curas milagrosas, mediatizadas por anúncios pagos por charlatães feitos médicos tradicionais, tem-se visto políticos recorrem a artifícios similares.


Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.


Tuesday, 26 March 2013

Governo sul-africano vai pagar indemnização à família do taxista Mido Macia

O Governo sul-africano vai propor nos próximos dias à família Macia, um valor a pagar como indemnização pela morte do taxista Mido Macia, acto cometido por nove agentes da polícia da África do Sul e que já respondem em juízo.
De acordo com a legislação sul-africana, porque os polícias envolvidos na morte do taxista estavam ao serviço do Governo, cabe a este pagar um valor que possa procurar compensar o brutal desaparecimento físico do jovem Mido Macia, após ser espancado e torturado pelos agentes. José Nascimento, advogado indicado pelo Governo moçambicano para assistir à família neste processo, assegurou que o valor da indemnização deve estar em altura de tentar compensar a perda do taxista, visto que grande parte da família dependia do seu trabalho e rendimento para viver.
Até aqui ainda não é conhecido o montante da indemnização mas, segundo fontes autorizadas, caso a família concorde com o que for fixado pelo Estado sul-africano, o mesmo será pago imediatamente. Na eventualidade de julgar o montante abaixo das suas expectativas, a família Macia terá a prerrogativa de levar o caso ao tribunal, a fim de solicitar um incremento.
Contudo, e de acordo com o jornal Notícias de Maputo, a família Macia prefere aceitar a proposta da RSA como forma de evitar arrastar o processo para fóruns judiciais, o que poderia levar anos para o seu desfecho. Assim, o valor da indemnização deverá, em princípio, ser calculado com base nos rendimentos que o finado tinha.
Desde a semana passada que passos importante têm sido dados para a efectivação do pagamento da indemnização. Jossefa Macia e Binda Mazive, pai e viúva do malogrado, encontram-se na África do Sul a tratar de procedimentos legais de abertura da conta para que se possa efectuar a transferência do valor.
Segundo a lei sul-africana, a primeira beneficiária é a viúva mas, para este caso em concreto, houve um acordo familiar para que tanto o pai (Jossefa) como a viúva (Binda), possam receber partes do valor.
“Isto significa que, no lugar da conta bancária ser aberta somente em nome da viúva e ser ela a única pessoa a receber o valor, a mesma será conjunta ou seja, tanto o pai como a viúva do malogrado serão os titulares da conta. O que se acordou é que a viúva e o filho de Mido Macia terão a “fatia” maior e a outra parte será paga ao pai. Ainda não sabemos quanto dinheiro será pago” – apontou a fonte do matutino Notícias.
O dinheiro será depositado na conta aberta na África do Sul mas o seu levantamento deverá ocorrer em Maputo. Uma das cláusulas do acordo familiar refere que a partilha do valor, para evitar eventuais disputas, deverá ser dividido entre o pai e a viúva de Mido num dos Tribunais da capital do país.
Ainda, o Governo sul-africano vai pagar mensalmente uma pensão ao filho de Mido Macia até que ele complete 18 anos de idade. Actualmente com três anos de idade, o valor será pago nos próximos 15 anos, devendo a mãe ter a responsabilidade de usá-lo para garantir a sua educação .


RM

MOÇAMBIQUE PASSA A TER 13 NOVOS DISTRITOS

A Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, aprovou hoje uma proposta de lei que cria 13 novos distritos nas províncias de Manica, Tete e Zambézia, no centro do país, e Nampula, no norte.
Trata-se dos distritos da Ilha de Moçambique, Larde e Liúpo, na província de Nampula; Quelimane, Luabo, Mulevala, Mocubela, Derre e Molumbo, na Zambézia; Marara e Dôa, em Tete; e Macate e Vandúzi, em Manica.
Na maioria dos casos são antigos postos administrativos que foram elevados a categoria de distritos, enquanto para os casos da Ilha de Moçambique e Quelimane é uma questão de restauração de distritos que haviam sido abolidos em 1986.
Na fundamentação da sua proposta, o governo disse que a lei da criação de novos distritos visa “consolidar o distrito como a unidade territorial principal da organização e funcionamento da administração local do Estado e a base de planificação do desenvolvimento económico, social e cultural”.
“Consolidar novos pólos de desenvolvimento com vista ao combate à pobreza; aproximar os centros de decisão política, administrativa e económica junta da população; prestar melhor assistência à população das zonas mais recônditas”, são outros dos objectivos desta lei.
A lei inclui ainda a alteração dos nomes dos distritos de Pemba-Metuge para Metuge, na província de Cabo Delgado; Nampula-Rapale para Rapale, em Nampula; e distrito de Lichinga para Chimbonila, em Niassa.
Com essa nova configuração, o número de distritos no país sobe dos actuais 128 para 151, já que todas as capitais provinciais, com a excepção de Maputo, também passam a assumir a categoria de distrito.
A proposta de lei colheu consenso na AR e as três bancadas parlamentares votaram-na de forma consensual, tendo, no entanto, deixado recomendações a serem consideradas na especialidade.
Na sequência da passagem desta lei, o parlamento apreciou também a proposta de lei de transferência de áreas das sedes dos distritos por província, documento que também foi aprovado na generalidade.
O Ministério das Finanças considera que a actual lei terá um impacto orçamental na ordem de 1,1 biliões de meticais (cerca de 36.4 milhões de dólares americanos) a ser usado de 2012 a 2015.
Este fundo servirá para cobrir vários encargos tais como a construção e reabilitação de infra-estruturas, fundo de desenvolvimento distrital, bens e serviços, salários e remunerações, outras despesas com o pessoal e investimento.

(AIM)

Monday, 25 March 2013

Renamo e MDM criticam discurso "retrógrado" de Presidente moçambicano

A Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), principais partidos da oposição, criticaram hoje o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, pelo discurso "retrógrado" segundo o qual país "não precisa de um patrão estrangeiro".
Falando no encerramento da II Sessão Ordinária do comité central da Frelimo, no domingo, o também presidente do partido no poder em Moçambique disse "a todos os que se sentem carentes de patrão" que o país não precisa de "um patrão estrangeiro".
"A todos os que se sentem carentes de patrão, um patrão que deve ser necessariamente estrangeiro, nós já somos um Moçambique livre e independente, um país cujo patrão é o maravilhoso povo moçambicano. Repetimos, nós não precisamos de um patrão estrangeiro", declarou o líder da Frelimo.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, considerou "incoerente" o discurso de Armando Guebuza, afirmando que "quando quer pedir ajuda vai esticar a mão a estes patrões, mas quando estes querem impor transparência, os humilha".
"Ficamos bastante embasbacados com este tipo de discurso", aliás, "são retrógrados e está fora de uso designar parceiros como estrangeiros", pois "isso demonstra falta de coerência discursiva. Estamos na era da globalização", referiu Fernando Mazanga.
A referência a um patrão estrangeiro aparentemente aludia ao facto de a Renamo ter recebido apoios do regime de minoria branca da Rodésia do Sul, atual Zimbabué, e, mais tarde, do "apartheid", da África do Sul, durante o tempo em que movia uma guerra contra a Frelimo.
O porta-voz da Renamo lembrou que as autoridades moçambicanas "têm a tendência de olhar para a mão externa" sempre que se lançam críticas ao sistema governativo, mas, disse, "estes estrangeiros não têm falta de comida no seu país, estão é preocupados em ajudar Moçambique no que diz respeito aos direitos humanos".
Por seu turno, o chefe da bancada parlamentar do MDM, Lutero Simango, sublinhou que "o grande problema é que o país está a seguir a economia de mercado", mas o que se quer é que "haja honestidade" do capital proveniente dos empresários nacionais ou estrangeiros.
"Quando os moçambicanos questionam não o fazem por ser este ou aquele estrangeiro a trazer o capital. Pretendem que o capital seja justo, livre e honesto", disse Lutero Simango, em declarações à Lusa.

Lusa

MDM afina estratégia eleitoral

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) esteve entre sábado e domingo reunido na cidade da Matola a formar os seus quadros a nível da zona Sul do País, em matéria de legislação eleitoral. A capacitação surge no âmbito da afinação da estratégia eleitoral partidária com vista aos pleitos que se avizinham.
De acordo com o porta-voz do partido, Sande Carmona, estiveram em formação perto de 120 quadros do partido da região Sul, e o objectivo era melhorar o seu nível de entendimento com relação aos instrumentos que regulam os processos eleitorais para que estejam a altura dos desafios eleitorais que se iniciam com as autárquicas a 20 de Novembro próximo, e se deverão seguir em 2014 com as eleições gerais (Presidenciais e Legislativas) e para as Assembleias Provinciais.



Matias Guente, Canal. Leia aqui.

Mundial 2014: Moçambique não consegue dobrar Guiné-Conacri (0-0)

Exibição cinzenta de ambas as partes. Na 3.ª jornada do Grupo G da zona africana de qualificação para o Mundial-2014, no Brasil, Moçambique perdeu uma boa oportunidade de vitória. Os guineenses estiveram ao alcance, mas os mambas acabaram por não desfazer o nulo no marcador.
Com um empate e uma derrota, os mambas precisavam de um triunfo para subir na tabela e pressionarem a liderança do favorito Egipto. No entanto, numa partida algo dividida e expectante, o guardião Abdul Keita acabou por ter uma tarde tranquila.
Sendo assim, Moçambique poderá ver o Egipto ainda mais confortável na liderança, caso a equipa do norte de África derrote o Zimbabwe na próxima terça-feira (17 horas).
Com este ponto, Moçambique ascendeu uma posição, ocupando o terceiro lugar, com dois pontos em três jornadas disputadas.


RM

Saturday, 23 March 2013

Concessão de vistos: Moçambique e Portugal desvalorizam conflitos

Embaixada de Moçambique em Portugal


OS Governos de Moçambique e de Portugal desvalorizam a existência de conflitos na concessão mutua de vistos. A posição foi expressa pelas partes no quadro da visita que o secretario de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, realizou esta semana ao nosso pais.
Neste momento, as autoridades moçambicanas passam, por dia, 200 vistos de entrada no país a cidadãos portugueses, um aumento de quatro vezes em relação a um “passado recente”, segundo revelou o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Henrique Banze.
“Há muita gente a pedir vistos em pouco tempo, mas não há problema nenhum na concessão, desde que as pessoas preencham os requisitos”, disse Banze, falando após um encontro em Maputo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.
Os dois desvalorizaram a existência de conflitos na concessão mútua de vistos, tendo José Cesário afirmado que o consulado português em Maputo está pronto para emitir vistos de entrada em Portugal a moçambicanos “em 24 horas, desde que toda a documentação esteja em ordem”.
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas terminou quarta-feira uma visita de três dias a Moçambique, que definiu como “muito positiva” para as relações bilaterais.
“Há uma grande vontade de Portugal colaborar com Moçambique neste grande esforço de desenvolvimento do país”, disse Cesário citado pela RM.
“Estamos muito apostados e disponíveis para colaborar com Moçambique numa lógica de cooperação”, enfatizou o governante português.
O vice-ministro moçambicano defendeu que a cooperação entre os dois países “está num bom nível” e disse esperar que a economia de Moçambique “possa ter um contributo de Portugal”.
José Cesário encontrou-se, com responsáveis da Escola Portuguesa e da Associação dos Portugueses, na capital moçambicana e, à noite, participou num jantar com elementos da comunidade portuguesa.


Notícias

Orçamento da edilidade de Quelimane aprovado por unanimidade

Volvidos quatro meses e no meio de muita polémica

Voto por unanimidade do plano
A Câmara Municipal de Quelimane, a quarta de Moçambique, sob liderança de Manuel de Araújo, do Movimento Democrático de Moçambique, viu esta sexta-feira o seu plano e orçamento para o ano 2013 aprovados pela Assembleia Municipal de Quelimane.
Estimado em mais de 300 milhões de meticais, o plano da edilidade prevê a construção de ruas, colocação de mais semáforos, protecção costeira, melhoramento das vias de comunicação e drenagem, abastecimento de água e electricidade para outras zonas da cidade entre outras acções.


Com trinta e sete votos, as duas bancadas que compõe a aquele órgão deliberativo, Frelimo e Renamo, terminaram assim um ciclo que vinha desde Dezembro do ano passado, altura em que a edilidade submeteu estes dois instrumentos para a sua apreciação e aprovação juntos daqueles mandatários do povo.
Desde Dezembro a esta parte, foram realizados vários encontros entre a edilidade e a Assembleia Municipal para suprir as possíveis anomalias que apenas a bancada da Frelimo via nos documentos, mas mesmo assim, quando tudo isso era feito, os documentos da edilidade eram devolvidos, sobretudo pela bancada maioritária, neste caso a Frelimo.
E antes da aprovação destes instrumentos vitais para a vida dos munícipes de Quelimane, a Frelimo apresentou um documento segundo o qual, levantam questões tais como arrecadação de receitas, viagens do edil para dentro e fora do país, aumento da base tributária ao nível da autarquia entre outras inquietações.
Em jeito de resposta, o presidente da Câmara Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo começou por explicar que com a realização desta reunião, por sinal a quarta de uma única sessão, Quelimane entra assim na história do processo de autartização em que um só orçamento é devolvido mais de quatro vezes para efeitos de correcção.
Depois, o edil de Quelimane esclareceu aos membros da assembleia que em nenhum momento a edilidade vai aumentar o pagamento de impostos, ou seja, os munícipes não serão sacrificados por isso, dai que segundo a fonte, há um trabalho de cadastro de todas actividades que estão sendo feitas no território municipal o que vai permitir saber quantas bancas existem, quantas lojas, quantos mercados e consequentemente alargar-se-á a base tributária.
Entretanto, o chefe da bancada da Renamo, Noé Mavereca fez saber que a sua bancada votou a favor deste documento submetido pela edilidade e não aquilo que ele chamou de uma encomenda que os seus colegas da Frelimo trouxeram a mesa a mando do Comité Central ou outras pessoas que comandam o partido.
Mavereca, diz que não faz sentido que este orçamento tenha sido tão moroso na sua aprovação, visto que muito antes houve um trabalho entre a edilidade e a assembleia para corrigir possíveis erros.
Por seu turno, o presidente da Assembleia Municipal de Quelimane, Afonso João recomendou a edilidade para que melhore o documento com as anotações da bancada da Frelimo para que na acta que será enviada ao Ministério da Administração Estatal, constem estas recomendações.
Com esta aprovação do orçamento a Câmara Municipal de Quelimane vê mais um passo dado naquilo que havia planificado para este ano, embora com três meses de atraso, situação que poderá obrigar ao colectivo de Manuel de Araújo a arrojar-se para cumprir com o planificado.


Friday, 22 March 2013

Moçambique: 13 novos distritos a acrescentar aos 128

A Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, aprovou hoje uma proposta de lei que cria 13 novos distritos nas províncias de Manica, Tete e Zambézia, no centro do país, e Nampula, no norte.
Trata-se dos distritos da Ilha de Moçambique, Larde e Liúpo, na província de Nampula; Quelimane, Luabo, Mulevala, Mocubela, Derre e Molumbo, na Zambézia; Marara e Dôa, em Tete; e Macate e Vandúzi, em Manica.
Na maioria dos casos são antigos postos administrativos que foram elevados a categoria de distritos, enquanto para os casos da Ilha de Moçambique e Quelimane é uma questão de restauração de distritos que haviam sido abolidos em 1986.
Na fundamentação da sua proposta, o governo disse que a lei da criação de novos distritos visa “consolidar o distrito como a unidade territorial principal da organização e funcionamento da administração local do Estado e a base de planificação do desenvolvimento económico, social e cultural”.
“Consolidar novos pólos de desenvolvimento com vista ao combate à pobreza; aproximar os centros de decisão política, administrativa e económica junta da população; prestar melhor assistência à população das zonas mais recônditas”, são outros dos objectivos desta lei.
A lei inclui ainda a alteração dos nomes dos distritos de Pemba-Metuge para Metuge, na província de Cabo Delgado; Nampula-Rapale para Rapale, em Nampula; e distrito de Lichinga para Chimbonila, em Niassa.
Com essa nova configuração, o número de distritos no país sobe dos actuais 128 para 151, já que todas as capitais provinciais, com a excepção de Maputo, também passam a assumir a categoria de distrito.
A proposta de lei colheu consenso na AR e as três bancadas parlamentares votaram-na de forma consensual, tendo, no entanto, deixado recomendações a serem consideradas na especialidade.
Na sequência da passagem desta lei, o parlamento apreciou também a proposta de lei de transferência de áreas das sedes dos distritos por província, documento que também foi aprovado na generalidade.
O Ministério das Finanças considera que a actual lei terá um impacto orçamental na ordem de 1,1 biliões de meticais (cerca de 36.4 milhões de dólares americanos) a ser usado de 2012 a 2015.
Este fundo servirá para cobrir vários encargos tais como a construção e reabilitação de infra-estruturas, fundo de desenvolvimento distrital, bens e serviços, salários e remunerações, outras despesas com o pessoal e investimento.



(RM/AIM)

Movimento Democrático de Moçambique acusa polícia de detencões arbitrárias e intimidação

Um dirigente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força política no país, acusou hoje a polícia de Manica, centro do país, de efetuar "detenções arbitrárias e intimidação" dos membros do partido.
"É preocupante a situação das detenções arbitrárias que estão a sofrer os membros do MDM e a celeridade da justiça para julgar e condená-los em tempo recorde. No caso de Catandica só foi preciso três dias, contra meses para resolução das nossas queixas", disse à agência Lusa Manuel de Sousa, delegado político provincial do partido em Manica.
Em Catandica, disse, um membro do MDM foi detido pela polícia na semana passada em virtude de ter hasteado uma bandeira do partido na sede da organização. O jovem foi condenado em multa pelo tribunal distrital e, depois, posto em liberdade.
Outro membro do partido foi preso em Matsinhe, distrito de Gondola, por ter manifestado simpatia com o MDM e colocado uma bandeira na sua residência, onde funciona a representação local do partido. O homem foi solto na quinta-feira, após reação do partido.
"Há muita prisão arbitrária dos nossos membros. Foi preciso movimentar quadros nacionais do partido e advogados para intervir e conseguir a soltura deles", precisou Manuel de Sousa, lamentando o "teatro político", que, disse, pode "minar a democracia".
Ainda segundo a fonte, o MDM continua a reivindicar a vandalização de 55 bandeiras em Manica, na sequência de uma campanha de retirada de símbolos de partidos desencadeada pela polícia municipal, que afetou apenas este partido.
Em maio de 2012, o MDM remeteu à Procuradoria de Manica uma queixa contra membros do Governo que ordenaram a destruição dos seus símbolos. O caso ainda não tem desfecho, apesar de repetidos "apelos" da organização sobre a "justiça".
O MDM indica que nos distritos de Gôndola, Sussundenga, Barue e Guro várias bandeiras foram saqueadas, sedes vandalizadas e seus membros espancados publicamente por içarem bandeiras nas residências, embora tenham pedido autorização às autoridades.
O partido denunciou que entre os agressores estarão chefes de polícia e administradores distritais.
Contudo, a polícia nega as acusações do MDM, alegando estar a cumprir zelosamente a sua missão de manter a ordem e tranquilidade pública, e denuncia o "protagonismo político" por parte daquele partido parlamentar.
"Não é verdade que a polícia esteja a perseguir e a intimidar membros de partidos políticos em Manica", afirmou Bermiro Mutadiua, porta-voz da polícia em Manica.


Lusa

Thursday, 21 March 2013

Polícia reagiu com força brutal

População protesta contra o baleamento de um jovem.


Esta é a terceira vez em que polícias da mesma esquadra matam pessoas indefesas sem que nada lhes aconteça.
M ais de uma centena de pessoas no bairro T3, no município da Matola, em Maputo, amotinaram-se, ontem, na esquadra local em protesto contra a alegada má actuação dos agentes da Lei e Ordem, por terem supostamente baleado mortalmente um jovem de 31 anos de idade, sem que tenha cometido alguma irregularidade.
O malogrado, que em vida respondia pelo nome Alfredo Tivane, era condutor de uma viatura de transporte semi-colectivo, vulgo “chapa 100”, que fazia o trajecto Museu-T3. O mesmo teria sido interpelado pela polícia, por volta das 23h00, e logo depois de estacionar o carro foi alvejado na cabeça, por um dos agentes da corporação, tendo perdido a vida já a caminho do hospital.
Esta notícia chocou os moradores do bairro, o que fez com que, logo às primeiros horas de ontem, adultos e crianças acorressem à esquadra para exigir que fosse feita justiça, situação que gerou uma autêntica confusão. Os populares quase invadiam a esquadra à procura do autor do crime. Em algum momento, a polícia não conseguiu controlar a fúria popular.
Mesmo depois de longas horas de conversações com os oficiais da polícia, os populares não se convenceram e começaram a arremessar pedras para a esquadra, o que obrigou a polícia a responder com tiros.
Primeiro, usou balas de borracha, mas, porque eram poucas, não demoraram acabar. A população continuava a atirar pedras. Era um autêntico cenário de guerra. Sem balas de borracha, mas com a fúria popular cada vez mais intensa, a polícia teve de recorrer a balas verdadeiras, disparando-as para o ar. Foi assim que, finalmente, conseguiu dispersar a multidão.
Na verdade, a morte de Alfredo Tivane serviu apenas de pretexto para a manifestação popular contra a alegada má actuação da polícia. Eduardo Nhalungo, um dos moradores do bairro, diz que esta é a terceira vez em que polícias da mesma esquadra matam pessoas indefesas, sem que nada lhes aconteça.

 O País

Conselheiro de Estado indicado pela oposição defende "mudança de regime a tiro"

O conselheiro de Estado de Moçambique, indicado pela Renamo, oposição, António Muchanga, considerou que a mudança do regime no país "só pode acontecer a tiro", mas assegurou que o principal partido da oposição não voltará à guerra.
Citado hoje pelo semanário Canal de Moçambique, António Muchanga criticou a gestão governativa do país, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, de não permitir que a alternância política seja feita por via de eleições.
"O que o país precisa é mudar este tipo de governantes que nós temos neste momento. Isso faz-se de duas ou três maneiras. A primeira maneira recomendável é a democrática. Mas, como eles até têm capacidade de roubar votos, eu penso que se tem que usar outro mecanismo: forçar o Governo a sair. Se não é com manifestações que seja a tiro. A verdade é que eles têm que sair", disse António Muchanga.
O ex-deputado pela bancada parlamentar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) afirmou que o partido não pretende voltar à guerra, mas garantiu que, "nos próximos dias", os moçambicanos vão ter "uma Renamo forte, responsável e comprometida com o povo".
"Isso significa, por exemplo, que a Renamo não vai às eleições. Então, a Renamo tem que materializar o seu plano de impedir que haja eleições. Essa coisa de a Renamo não participar nas eleições tem que ser traduzida em travar que haja eleições, ou seja, mudar aquele discurso de que ´enquanto o cão ladra, a caravana passa`. Agora, o suposto cão tem que conseguir travar os membros da caravana", referiu.
A Renamo tem ameaçado boicotar as eleições gerais e autárquicas em Moçambique, por discordar da lei eleitoral recentemente aprovada no Parlamento, considerando que não cria condições de integridade do processo eleitoral.


Lusa

EDITORIAL do Savana

A morte de Macie e longa história da brutalidade policial

As circunstâncias em torno da trágica morte do nosso irmão Emídio Macie, nas mãos de oito agentes assassinos pertencentes à polícia sul-africana, trouxeram uma rara expressão de unidade entre os moçambicanos, à medida que estes iam manifestando o seu sentimento de revolta perante o triste acontecimento do último dia de Fevereiro.
Mesmo que o eleitoralismo também tenha mostrado a sua face oculta, foi fácil compreender que é também nestes raros momentos de pesar, que os políticos aproveitam para fazer as suas campanhas não solicitadas.Os familiares em luto, simplesmente pouco ou nada têm a fazer, ao ver a sua tragédia transformada numa plataforma política para atrair votos.Na verdade as imagens de um vídeo amador que correram o mundo inteiro, deixaram qualquer ser humano racional a questionar se aquilo não podia ser a cena de um filme retratando algum episódio dos primórdios da colonização em África.Ao mesmo tempo que clamavam pela retaliação, alguns moçambicanos encontravam naquele acto macabro mais uma evidência do sentimento de xenofobia que os sul-africanos, com um prazer sádico, nutrem pelos moçambicanos.Mas, é preciso ir mais a fundo e tentar encontrar razões naquilo que pode ser descrito como o sindroma de mudança sem transformação.Apesar da liberdade ter sorrido para a maioria da população da África do Sul em Abril de 1994, algumas instituições do anterior regime do apartheid mantiveram-se intactas do ponto de vista estrutural e nos seus métodos de actuação, como se nada tivesse mudado.Uma dessas instituições é, sem dúvida, a polícia, incluindo a entidade governamental a que ela se subordina, o Ministério do Interior, que também tutela os serviços de migração. O modus operandi da polícia sul-africana continua a ser o mesmo daquela polícia que em 1960 massacrou 69 manifestantes negros em Sarpeville, dizimou cerca de 700 jovens estudantes em 1976 no Soweto, aquela mesma polícia que em 1977, nas suas celas, espancou até à morte o fundador e líder do Movimento de Consciência Negra, Steve Biko.Emídio Macie não foi morto por ser moçambicano. Ele morreu nas mãos de uma força policial que acredita nos velhos métodos de brutalidade como forma de afirmar a sua autoridade. Não reconhecer este facto seria o mesmo que confundir os vários casos isolados de extorsão de turistas sul-africanos pela nossa polícia como o reflexo de uma pré-disposição generalizada dos moçambicanos contra os sul-africanos.Muitos sul-africanos não confiam na sua própria polícia e a questão da brutalidade da polícia está no topo da agenda das diversas organizações cívicas daquele país. Testemunham isso as diversas manifestações populares de protesto, registadas na sequência da morte de Emídio Macie.Em 2011, durante uma manifestação contra a fraca prestação de serviços municipais num distrito de Bloemfontein, e numa cena reminiscente da morte de Emídio Macie, um grupo de cerca de dez agentes da polícia foi filmado a agredir um indivíduo de nome Andries Tatane, antes de o matar friamente a tiro.Num dos episódios mais emblemáticos da inexorável brutalidade da polícia sul-africana, 34 trabalhadores foram mortos em Agosto passado durante uma greve na mina de platina do grupo Lomnin, em Marikana.Evidências recentes revelam que a maioria das vítimas foram colhidas de balas pelas costas, o que significa que estavam a fugir, não representando, por isso, qualquer perigo.E muito recentemente, não nos podemos esquecer do oficial da polícia inicialmente encarregue de investigar o caso de homicídio envolvendo o atleta olímpico e para-olímpico Oscar Pistorius e a sua namorada Reeva Steenkamp. O referido oficial, Hilton Botha, esqueceu-se de usar as suas botas protectoras para chegar ao local do crime. O seu acto ofereceu à defesa de Pistorius uma oportunidade espectacular de tentar desacreditar todas as provas apresentadas pela acusação.O oficial viria subsequentemente a ser afastado do caso, mas não antes de se saber publicamente que ele próprio era arguido num processo-crime por sete acusações de tentativa de homicídio, resultante de um incidente em que em 2011, abriu fogo contra uma viatura transpotando sete pessoas.Os nove agentes acusados da morte de Macie dificilmente poderão escapar a uma condenação que os manterá durante alguns anos privados de liberdade e obrigará a corporação a pagar milhões de randes em indemnizações, mas enquanto as causas deste e de outros incidentes similares não forem directamente confrontadas pelas autoridades sul-africanas, o caso será apenas um episódio numa triste longa metragem.


Savana – 16.03.2013

Wednesday, 20 March 2013

Portugal pronto a cooperar com Moçambique na reconstrução pós-cheias - SE das Comunidades

Chókwé, Moçambique, 20 mar (Lusa) - O secretário de Estado das Comunidades portuguesas, José Cesário, disse na terça-feira que o Governo português está pronto a ajudar Moçambique no esforço de reconstrução dos danos provocados pelas cheias, no âmbito da cooperação bilateral.
José Cesário manifestou a solidariedade de Portugal para com Moçambique, respondendo a pedidos de membros da comunidade portuguesa em Chókwè, no sul de Moçambique, para ajudar a limpar a cidade, que esteve submersa por causa das inundações.
"Estamos disponíveis para cooperar naquilo que pudermos na reconstrução do país, em articulação com o Governo moçambicano. Não podemos, de repente, colocar aqui tratores para limpar a cidade, porque essa decisão é da esfera da soberania das autoridades moçambicanas", frisou José Cesário.
O secretário de Estado das Comunidades portuguesas afirmou que o envolvimento de Portugal na ajuda da reconstrução de Moçambique pode ser feito através de instituições que têm tradição na cooperação com Moçambique.
"Temos cá instituições com tradição na cooperação com Moçambique, que já o fizeram no passado, enviando engenheiros e técnicos, estamos disponíveis para o fazer, em articulação com o Governo moçambicano", disse José Cesário.
O secretário de Estado das Comunidades exortou os portugueses residentes em Chókwè para se organizarem e ficarem mais unidos, para que os apoios que eventualmente venham a receber tenham melhor aproveitamento.
"Sem organização e unidade, as coisas ficam complicadas. Criem associações, porque as ajudas não podem ser canalizadas individualmente", disse José Cesário.


Lusa

Intervenção Rápida volta a usar violência sobre manifestação pacífica em Maputo

A Força de Intervenção Rápida (FIR), que nas primeiras horas desta terça-feira (19) movimentou os seus tanques anti-motim, para as imediações do Circuito de Manutenção Física António Repinga, com o intuito de proteger o Gabinete do Primeiro-Ministro, voltou a usar violência sobre os desmobilizados de guerra que tentavam manifestar-se pacificamente na capital de Moçambique.
O líder do Fórum do Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos, disse ao @Verdade que mais uma vez não foi possível o seu grupo exercer um direito cívico consagrado pela Constituição da República. Entretanto, não vai desistir antes das suas exigências serem satisfeitas, que passam pelo pedido de uma melhoria substancial na pensão mensal da cada um dos antigos soldados da guerra civil que desestabilizou o pas durante mais de uma decada.
A intenção dos desmobilizados de guerra foi barrada pela forte presença dos agentes da FIR e da Polícia da República de Moçambique (PRM) que chegaram a usar os seus bastões e gás lacrimogenio sobre os manifestantes, vários de idade avançada e algumas do sexo feminino.
Segundo Hermínio dos Santos, apesar de os desmobilizados terem sido retirados do local compulsivamente pela FIR e escoltados para o terminal de transportes na baixa da cidade de Maputo, defronte do Caminhos-de-ferro de Moçambique (CFM), não vão renunciar a luta pelos seus direitos nem que lhes intimidem.
“Perdemos a nossa juventude a lutar pelo país e pelo governo que alcançou a paz graças ao nosso empenho mas hoje não nos dão valor”, concluiu dos Santos.

A Verdade



Ainda sobre este assunto:

Actuação da FIR contra manifestantes


Tomás Timbane diz que desmobilizados têm direito de exigir seus direitos
Canalmoz. Leia
aqui.

Endurecimento de posição da Renamo merece resposta atempada

Quem tem medo de uma CNE independente?


Não se pode alegar que o assunto prescreveu ou que a Constituição da República de Moçambique já contém em si, os elementos constantes das reclamações da Renamo sobre o dossier eleitoral, CNE e outros pontos que são com frequência apresentados como preocupação de alguns segmentos da sociedade moçambicana.
A discórdia que rodeia e envolve o panorama político moçambicano só não é preocupante para os que estão distraídos ou convencidos de que seu poder é inexpugnável.


Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.


Tuesday, 19 March 2013

Governo de Moçambique pressiona família de Emídio a desistir da acusação contra autoridades da África do Sul

Os familiares do jovem moçambicano Emídio Macia, que perdeu a vida numa esquadra da polícia na África do Sul, no passado dia 26 de Fevereiro, estão a ser pressionados pelo Governo de Armando Guebuza para resolver o caso contra o Ministério da Polícia Sul-africana fora dos tribunais.
Em declarações a AFP o advogado da família, afirmou esta segunda-feira (18) que os familiares de Emídio tem sido "perseguidos e colocados sob pressão".
A família do jovem moçambicano tem intenção de intentar um ação civil contra as autoridades sul-africanas pela morte do seu ente querido, que antes de ser encontrado sem vida numa esquadra de Daveyton, um bairro periférico de Joanesburgo, foi violentamente detido e algemado a uma viatura policial que o arrastou por mais de 400 metros perante o olhar de populares e de vários agentes da polícia.
O advogado Andrew Boerner é citado para AFP afirmando que representantes do governo de Moçambique estão a contactar directamente a família de Emídio Macia, apesar de terem sido informados que deviam contactar a firma de advogados que a representa.
O advogado afirma que este é um comportamento de quem "a procura uma solução política impedido os seus cliente de avançar com o processo civil" disse Boerner.
Segundo a mesma fonte representantes do governo de Moçambique criaram condições para que o pai de Emídio Macia, Jossefa, viajasse para se encontrar com autoridades sul-africanas na embaixada de Moçambique na terça-feira.
Refira-se que nove agentes da polícia foram acusados de assassinato Macia e voltarão ao tribunal no mês de Abril.


A Verdade

“Patifaria discursiva” esconde lucros e contrapartidas dos mega-projectos?...

“Apóstolos da desgraça” e fofoqueiros progridem a olhos vistos…



“Quando a esmola é em demasia até o pobre desconfia”. Uma onda ou corrente em voga em Moçambique contraria tudo aquilo que a maioria dos países do mundo está fazendo ao nível da emissão de autorização de exploração e exportação de seus recursos naturais, nomeadamente os minerais.
Em momentos de crise financeira é óbvio que se procure sacar vantagens nos negócios e acordos que se assinam e se estabelecem.
Quem se recusa a aprender com os que fazem melhor e com os que possuem experiencia comprovada na negociação de dossiers similares acaba por entregar ao desbarato o que muito valor tem.


Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.


Coisas que ninguém estranha (1)

“Pedra dura, água mole, bate que fura”. Bem, nós que experimentamos tecer alguns comentários, que ensaiamos algumas observações nesta sociedade moçambicana, vimo-nos em apuros, em algumas ocasiões. Somos chamados de faladores, de gente que não tem nada para fazer. Porém, apraz-me a ideia de que se alguém pensa assim, é que algo sente que lhe mexe na alma.Maputo, Terça-Feira, 19 de Março de 2013:: Notícias
Quem de direito, sobretudo quando se trata de prestar algum serviço público, devia estar de olho bem aberto. Quem pode entender que, por exemplo, no poleiro de educação, tenham sumido milhões de meticais, ante o funcionamento pacato de uma instituição que vela pela vida futura dos cidadãos. É aqui, exactamente, no Ministério da Educação em que sempre houve falcatruas, no que diz respeito ao desvio de fundos do erário público.
E como sempre, o assunto é despoletado, os homens da pena ensaiam a sua divulgação, para que todo o cidadão saiba o que ali se passa e pronto. Alguém aparece a dizer que tudo está sob controlo, que as investigações decorrem a bom ritmo, que os envolvidos não podem ser revelados para não perturbar o curso das investigações. As pessoas, servindo-me da sua santa paciência, aquela paciência russa que lhes valeu a vitória na 2.ª Grande Guerra Mundial, vão aguentando. E como o tempo não perdoa e está sempre a correr, tudo termina como começou. Ninguém é responsabilizado e pronto.
O que se faz, para agradar gregos e troianos, tira-se ou troca-se as pedras. Entretanto, passado algum tempo, as investigações terminam sem que haja algum culpado. O dinheiro sumiu, as pessoas que foram suspeitas andam de vento em popa, podem perder emprego, porém, já “estão feitos na vida”, pois a riqueza acumulada ilicitamente lhes vale a categoria de novos ricos. Coisas da nossa terra, que ninguém estranha, que tudo se vê como uma normalidade e indiferenças incríveis.
O nosso tecido social já se encontra viciado pelos corruptos, pela carência de pão na mesa do cidadão comum. Afinal de contas a corrupção nasce das dificuldades que as pessoas enfrentam para viver. Onde tudo falta, de que se espera que se faça, por parte de quem está perto da “massa”? Uma “massa” que se lhe apresenta pela frente e vê que há uma certa fragilidade no seu controlo. A faca e o queijo estão na posse do “macaco espertalhão” e, vai daí, dividi-lo à sua maneira. A balança nunca ganha equilíbrio, o bolo acaba sem que tenha sido distribuído para todos.
E os que dirigem esta nação mandam dizer que a população, particularmente, activa, que tenha paciência, pois que a riqueza ainda não chega para todos, primeiro é para os poucos que se encontram no topo, se restar, depois de algum tempo, “será atirada lá para baixo, e os pequenos irão debicar”.
Mesmo nos transportes públicos que, nos últimos tempos, passaram à gestão dos municípios de Maputo e Matola, há procedimentos levados a cabo pelos motoristas e cobradores que embirram mesmo a um pacato cidadão. Ninguém respeita a ninguém, há uma inércia total. Credo!


Arlindo Oliveira, Notícias

MDM forma quadros em matéria eleitoral com “olhos”nas autárquicas

Monday, 18 March 2013

Aspiring Africa

The world’s fastest-growing continent

Pride in Africa’s achievements should be coupled with the determination to make even faster progress



CELEBRATIONS are in order on the poorest continent. Never in the half-century since it won independence from the colonial powers has Africa been in such good shape. Its economy is flourishing. Most countries are at peace. Ever fewer children bear arms and record numbers go to school. Mobile phones are as ubiquitous as they are in India and, in the worst-affected countries, HIV infections have fallen by up to three-quarters. Life expectancy rose by a tenth in the past decade and foreign direct investment has tripled. Consumer spending will almost double in the next ten years; the number of countries with average incomes above $1,000 per person a year will grow from less than half of Africa’s 55 states to three-quarters.
Africans deserve the credit. Western aid agencies, Chinese mining companies and UN peacekeepers have done their bit, but the continent’s main saviours are its own people. They are embracing modern technology, voting in ever more elections and pressing their leaders to do better. A sense of hope abounds. Africans rightly take pride in conferences packed with Western bankers keen to invest in their capital markets (see article). Within the next few months MasterCard will have issued South Africans with 10m debit cards. Even the continent’s politicians are doing a bit better, especially in economic management and striking peace deals. Average GDP growth is humming along, at about 6%. Governance is improving: our correspondent visited 23 countries to research this week’s special report and was not once asked for a bribe—inconceivable only ten years ago.
This is a welcome transformation, but it is still incomplete. The danger is that Africa settles for today’s pace of change. Only if Africans raise their ambitions still further will they reach their full potential. They need to take on the difficult jobs of building infrastructure, rooting out corruption and clearing the tangle of government regulation that is still holding them back. And they should hurry.

Don’t dawdle

One reason is that so much more remains to be done. Poverty may have become less visible in Africa’s capitals but it remains widespread. The battle against hunger has not been won. The spread of wealth is uneven and winners from today’s boom all too often rush to fortify their gilded positions inside guarded compounds. The financiers who suggest that Africa could soon rival Asia have let their imaginations run riot. Whereas one is the workshop of the world, the other almost exclusively exports what grows in fields or is dug out from below them.
About a third of Africa’s GDP growth comes from commodities. This will not last. Today’s prices are near record highs and commodity markets have a habit of collapsing. Furthermore, recent gains in agricultural commodities may be undermined by climate change. Even now, savannahs are drying out, water tables are dropping and rains either failing or becoming more irregular. One in five Africans will be directly affected by 2020. Even as their continent prospers, many of them will continue to depend on agriculture and there is little they can do about the threats to the world’s environment.
Another reason to push ahead is that Africa’s hard-won victories are vulnerable to relapses. Kenya is a model for other countries in east Africa but the campaign for elections on March 4th has been marred by violence (see article). New scourges—like Islamist extremism in the Sahara—could yet sow instability.
And Africa must make the most of two transitions it is now going through. The move from the countryside to cities offers the chance of a one-off boost to productivity both on the farm and in the slums. If African states bungle this, they will create a dangerous unemployed urban class. At the same time, though Africa’s population is still growing rapidly—it will double to 2 billion by 2050—families there are becoming smaller. This promises a “demographic dividend”, as the number of workers relative to children and the elderly increases. The continent must make use of this bulge of labour, and the savings it produces, for development. If they squander it, Africans will grow old before they grow rich.

Break down your borders

Africa’s citizens are already striving to become more productive. Farmers have started using hand-held gadgets to gain access to weather reports. Slums too are teeming with technology. The internet is changing the way the continent does business. In Kenya a third of GDP flows through a mobile money-transfer system set up by a private telecoms company.
But Africa’s entrepreneurs are often stymied by the state. The bottom third countries in the World Bank’s ease-of-business ranking are almost all in Africa. Their people could easily have better lives; abundant capital and technology offer big opportunities. The infrastructure is improving—only 5% of the 15,800 miles travelled for our special report was on unpaved roads—but the power grid is a disaster. On the whole, government officials should focus less on building things than getting out of the way. Useless regulations have created bottlenecks. East Africa’s main port in Mombasa is gummed up and land borders across the continent hold back lorries for days. Restrictions on employing migrants and on land ownership prevent businesses from expanding. Bureaucrats and customs officers inflate the cost of getting anything done. Shipping a car from China to Tanzania costs $4,000, but getting it from there to nearby Uganda can cost another $5,000.
If aspiring Africa wants a new dream, it should be creating a common market from the Med to the Cape. That would be a boon to trade, enterprise and manufacturing: it would also get rid of much of the petty corruption and save lives. A recent World Bank report pointed out that Africa could produce enough food to feed itself; alas, too few subsistence farmers get a chance to sell their produce (and usually get less than 20% of the market price). Why not rekindle pan-Africanism by opening borders drawn in London and Paris? Africa needs a reborn liberation movement—except this time the aim is to free Africans from civil servants rather than colonial masters.



The Economist

IDH em rápido crescimento no país

MOÇAMBIQUE é um dos países com elevado nível de crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), tendo alcançado uma média de crescimento anual de 2.37 por cento desde o ano 2000 e um incremento acumulado de 51 por cento desde 1980. Maputo, Segunda-Feira, 18 de Março de 2013:: Notícias
Comentando o relatório divulgado quinta-feira passada, a coordenadora-residente da ONU e Representante do PNUD em Moçambique, Jennifer Topping, disse que o país teve um índice inicial baixo (legado do prolongado conflito), daí que o IDH de 2012 continua relativamente baixo (0.327), colocando Moçambique na posição 185 de 187 países.
Segundo a representante-represente do PNUD, apesar desta baixa classificação, o crescimento robusto do IDH nas décadas recentes, adicionado às experiências de muitos países em desenvolvimento sublinhadas no relatório devem servir de encorajamento para que Moçambique acelere os esforços sobre os investimentos direccionados à redução da pobreza, protecção social, acesso à educação e saúde.
Na África Subsahariana o valor médio situa-se em 0,475, sendo o mais baixo de entre as regiões, mas o ritmo de melhoria é crescente. Entre 2000 e 2012 a região registou um crescimento anual médio de 1,34 porcento no valor do IDH, colocando-a em segundo lugar, logo após a Ásia do Sul, tendo a Serra Leoa (3,4 porcento) e a Etiópia (3,1porcento) apresentado o crescimento mais rápido.
A nível global, catorze países registaram impressionantes ganhos de IDH (acima de 2 por cento ao ano) desde 2000. Em ordem dos níveis de progressos situam-se o Afeganistão, Serra Leoa, Etiópia, Ruanda, Angola, Timor-Leste, Mianmar, Tanzania, Libéria, Burundi, Mali, Moçambique, República Democrática do Congo e Níger.
Em média, os países com IDH mais elevadas também registam crescimento desde 2000, mas foram mais baixos em termos absolutos do que os dos países de baixo índice.
A tendência geral, a nível mundial, aponta no sentido de uma melhoria contínua do desenvolvimento humano. Na verdade, nenhum país apresenta actualmente um valor de IDH mais baixo do que tinha em 2000.
O Relatório de 2013 mostra também o alargamento das relações comerciais entre os países em desenvolvimento, as tendências de imigração, a crescente ligação às tecnologias, a satisfação das populações com os serviços públicos e ainda a qualidade de vida individual em diferentes países.
Cerca de 40 países em desenvolvimento registaram ao longo das últimas décadas progressos mais significativos do que seria de prever, resultado de investimento sustentado na educação, nos cuidados de saúde e nos programas sociais, bem como a um relacionamento mais aberto com um mundo cada vez mais interligado.
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano, “nunca, na História, as condições de vida e as perspectivas de futuro de tantos indivíduos mudaram de forma tão considerável e tão rapidamente. Pela primeira vez, em muitos séculos, o Sul, no seu conjunto, é o motor do crescimento económico global e das mudanças sociais.
Este progresso histórico, indica, abre oportunidades a novas formas de colaboração entre o Sul e o Norte, que visam a promoção do desenvolvimento humano e a resposta a desafios comuns, como as alterações climáticas.
No relatório de 2013 a Noruega, a Austrália e os Estados Unidos lideram a classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 187 países e territórios, enquanto a República Democrática do Congo (dilacerada por conflitos) e o Níger (assolado pela seca) apresentam os valores mais baixos do IDH.
Nas últimas décadas todos os grupos e regiões têm assistido a uma melhoria assinalável nos IDH, sendo que o mundo começa a tornar-se menos desigual.


Notícias


Nota do José = Sobre este assunto,  uma outra leitura no jornal O País:

Moçambique é o 3o pior no Índice do Desenvolvimento Humano



Leia aqui!

Saturday, 16 March 2013

“Pãozinho” moçambicano, uma nova atracção dos turistas sul-africanos

Feito por padeiros locais em forno de lenha, o “pãozinho” moçambicano é mais do que um alimento – tornou-se numa tradição. Para o jornal sul-africano Iol travel, esta declinação do pão português é uma das muitas razões para visitar Moçambique.
“É difícil encontrar um sul-africano que tenha visitado Moçambique e não voltou para casa com as melhores lembranças do pão quente, escreve o jornal sul-africano Iol Travel. O famoso “pãozinho” pode ser “comprado todas as manhãs bem cedo na beira da estrada ou em qualquer mercado, em praticamente todas as cidades do país”, adianta.
O jornal coloca o pão ao lado de especialidades moçambicanas como as gambas ou frango com piri-piri, e o prego no pão, também parte do legado da passagem dos portugueses por Moçambique. Os padeiros trabalham 365 dias por ano e acordam às 03h30 matinais para garantirem que os moradores podem ir comprar o “pão de cada dia” no seu caminho para o trabalho.
A jornalista sul-africana, Sue Derwent, encontrou na África do Sul um moçambicano, Sam, que sabia fazer pão. A experiência aguçou ainda mais a curiosidade, e levou-a a Moçambique para provar o pão feito naquele país. Ponta de Ouro foi a localidade mais próxima que se pôde pensar, a oito quilómetros do ponto da fronteira sul-africana.
“Fomos em direcção ao mercado e à padaria, onde três jovens se empoleiravam nos degraus partidos fora de um edifício cercado por barracas improvadas. Descobrimos que estes eram os nossos padeiros. Disseram-nos que naquele dia não havia mais pão mas que poderíamos tentar o “rapaz da esquina”.
Sue encontrou um rapaz de 16 anos que estava com um amigo numa pequena barraca iluminado por uma vela. Ele era o tal “rapaz da esquina” e chamava-se Osvaldo. A vela apagou-se entretanto e os dois amigos continuaram a trabalhar à luz da lua e das brasas do forno. Fazem e vendem diariamente entre 60 e 100 rolos de pão no seu posto, no mercado.
Maposse é outro padeiro. Tem 30 anos e dois aprendizes de 27, o Atomimno, e 17 anos, o Calado que carregava, os sacos de farinha e água para a confecção de mais uma leva de pão. “Fazer pão nestas condições não é fácil. Os três jovens padeiros assam e vendem 600 pães todos os dias numa padaria em ruínas.”, afirma Sue.
São despejados enormes troncos de madeira na praça do mercado e esses troncos, são cortados à mão para poderem caber nos fornos. É tudo feito à mão com ritmos definidos, misturas combinadas e silêncio. Com o cheiro do pão quente vêm os primeiros clientes.


Por Iris de Lucas, in lusomonitor.net

RM