Thursday, 22 October 2009

A Democracia não é obra da Frelimo nem da Renamo


Luís de Brito, do IESE, em palestra defende


“Sei que irão me apontar como mais um que “desvaloriza” o combate da FRELIMO. Mas A luta de libertação nacional não foi fundamental para libertação de Moçambique, muitos países na altura estavam a alcançar as suas independências, claramente que, Moçambique também podia conquistar a independência naquela onda. Portanto a luta de libertação travada pelas tropas da FRELIMO, apenas acelerou o processo da libertação nacional” – Professor Doutor Carlos Mussa



Maputo (Canalmoz) – O docente universitário e investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos, IESE, Luís de Brito considera de falso, desprovido de sentido e até mesmo patético, o debate que o ultimamente se tema levantado entre os membros da Renamo e da Frelimo, em relação a paternidade da Democracia, ou seja o legítimo obreiro da democracia. Para aquele académico a democracia não é um produto coisa ou propriedade, mas sim um processo que a sociedade permanentemente a constrói. O facto de considerar a democracia como uma coisa é que faz com que os dois partidos se digladiam em relação a título de propriedade da democracia.
Luís de Brito fez essas declarações, a semana passada, numa palestra por ele proferida subordinada ao tema Democracia e liberdades políticas. A palestra organizada pela Universidade Pedagógica (UP), teve lugar na Faculdade de Medicina da UEM, e contou com a massiva presença de estudantes, docentes e investigadores científicos.

A génese da luta pela paternidade da democracia

Deixando de lado as lutas e vozes colectivas, e indo propriamente as personalidades, quem mais se destaca nessa luta pela paternidade da democracia é o líder da Renamo Afonso Dlhakama. Este publicamente já afirmou que a democracia é propriedade sua. Aliás ultimamente, não é de legítimo progenitor da democracia que aquele líder se rotula, mas também de Barack Obama de Moçambique, ainda em nome da democracia.
Para tais afirmações Dlhakama evoca razões como a guerra travada pelo seu movimento de resistência contra o sistema mono partidário e totalitário da Frelimo.
Por seu turno a Frelimo também se auto intitula obreira da democracia como apoiando-se na luta de libertação nacional, travada também contra o regime totalitário do colonialismo. E agora até apresentam Guebuza como “pai de Moçambique”. No entanto para Luís de Brito, este todo imbróglio é um falso debate porque a democracia é um processo dinâmico construído pela sociedade.

A luta de libertação não foi fundamental para independência

Ainda na mesma palestra voltou-se a levantar a questão que recentemente foi objecto de muitas interpretações e debates acesos. É que um dos comentadores do painel principal, o Professor Doutor Carlos Mussa afirmou categoricamente que a luta de libertação nacional travada pelo exército da FRELIMO, não foi a componente chave para o País alcançar a independência. Recorde-se que recentemente, em comentários num dos canais de televisão privada, o analista político, médico de profissão, Filipe Gagnaux, fez a mesma declaração, e dias depois foi motivo de muita polémica por parte daqueles que fazem da luta de libertação sua propriedade.
O académico Carlos Mussa, disse: “sei que vão dizer que este é mais um que desvaloriza a luta de libertação nacional, mas reitero sem receio que o debate que se tem levantado em relação à importância da luta de libertação nacional é algo fútil”.
Aquele académico defende que estávamos na altura no “advento do ano Africano 1960” (ano em que muitos países, sobretudo da África Ocidental já estavam a ficar independentes por pressão dos outros países), e obviamente que Moçambique poderia ficar independente naquela onda de países que estavam a ficar livres.
“Não quero aqui dizer que a luta de libertação foi desnecessária, mas não foi fundamental, porque havia uma certa pressão da parte dos outros países que já tinham abandonado as suas colónias. A luta agilizou o processo o processo da libertação”, disse o académico Carlos Mussa.

As eleições de 99 e 2004 teriam mudado o rumo do País

Segundo De Brito, em análise aos anteriores pleitos eleitorais, estas teriam mudado sobremaneira o rumo dos acontecimentos no nosso país. Disse que nas eleições de 1999 se tivessem sido contabilizados os votos da região centro, com certeza o resultado teria sido outro.
“Como é do domínio público houve votos que não foram contabilizados e a maior parte desse votos eram provenientes das regiões que por tradição eram consideradas bastiões da Renamo. Um outro dado que se pode associar a este é o facto de que nessas eleições a diferença entre o presidente da Renamo e da Frelimo era muito mínima e provavelmente seria invertida caso fossem contabilizados os votos que desapareceram”.

Legitimidade do Governo de Guebuza

Luís de Brito disse que, diferentemente de 1999, nas eleições de 2004 a Frelimo, que candidatou-se com Armando Guebuza e venceu com uma larga vantagem sobre o seu adversário Afonso Dhlakama. Mas disse que de acordo com os dados disponibilizados, os índices de abstenção foram muito elevados quando comparados com as eleições de 1999. Explicou que o nível de abstenções exprimiu a vontade do povo que resume-se na desacreditação total não só do sistema de governação, mas também dos órgãos eleitorais, por aquilo que tinha acontecido com os votos de 1999.
Para Luís de Brito, em termos de representatividade, o Governo da Frelimo saído das eleições de 2004 não exprime a vontade popular. “ Quase a metade da população não votou, e não sabemos a quem estes votariam”, disse, tendo acrescentado que a eleição pela minoria não dá suficiente legitimidade para governar todo um povo”.

Campanha eleitoral dentro das instituições do Estado

Num outro destaque, Luís de Brito criticou a realização da campanha eleitoral dentro das instituições do Estado, e com o uso dos meios do mesmo. Disse que a realização da campanha eleitoral dentro das instituições do Estado limita de certa maneira as liberdades dos funcionários ali afectos.
Luís de Brito disse que essa prática, (pela Frelimo), encontra explicação na génese da formação do Governo de Armando Guebuza. Disse que desde o sistema mono partidário a Frelimo sempre se apresentou como uma organização coesa que foi diluindo a cada época que a democracia ia-se implantado. “Agora dá uma impressão de que há um controle Estado-Partido-Governo, de modo que a organização volte a consolidar-se. Disse que agora a estratégia é um controlo rígido nas repartições do Estado de modo a estreitar as liberdades dos funcionários em termos de escolhas partidárias.

O cidadão não pode pagar actividades de políticos

De acordo com Luís de Brito, as actividades dos políticos não podem ser financiadas pelos impostos dos cidadãos. O “Trust Fund” não pode emanar do bolso do cidadão comum que dia-a-dia luta pela sua sobrevivência.
Disse que existem muitas actividades que o Governo podia desenvolver usando o dinheiro do pacato cidadão. “ Não concordo com ideia de financiar actividades políticas com o dinheiro dos impostos pagos pela população. “Eu acho que o dinheiro que a população paga ao Estado em impostos deve ser usado para criação e ou, melhoria de condições de vida da mesma e não a patrocinar a políticos.

(Matias Guente, CANALMOZ, 21/10/09)

Filha de Mondlane falsifica história


Seguindo tradição do Partido Frelimo


Maputo (Canalmoz) - Nyelete Mondlane, filha do primeiro presidente da Frelimo, mantém-se fiel à linha do actual partido no poder em Moçambique, falsificando a história recente do nosso país. Nyelete, que concorre pelo Partido Frelimo no círculo eleitoral da Zambézia, é referida como tendo declarado no Gurué que o pai dela foi morto por Uria Simango. “Quem matou o meu pai foi Uria Simango”.
De acordo com o nosso colega, Diário da Zambézia, a candidata do Partido Frelimo fez tal declaração quando falava no Gurué, local anteriormente visitado pelo líder do MDM, Daviz Simango, candidato a estas presidenciais do próximo dia 28 do corrente mês, e filho do reverendo Uria Simango.
Um Boletim da Frente de Libertação de Moçambique da época (1969), quando o seu editor era o jornalista Ian Christie, assume que Eduardo Mondlane foi assassinado na residência de Betty King, uma americana que era secretária de Janett Mondlane, mãe de Nyelete que na altura se encontrava na Europa com os filhos. O partido Frelimo durante anos andou a dizer que Mondlane foi assassinado nos escritórios da Frente de Libertação de Moçambique em Dar es Salaam, mas acabou por admitir em 2006 que essa afirmação que andou décadas a propalar não passou de uma falácia. Eduardo Mondlane foi morto na residência de Betty King, em Oyster Bay, em Dar es Salaam, capital da Tanzania. Chissano, Marcelino dos Santos e sua ex-esposa, Pamela Santos, chegaram a ser detidos pela Policia da Tanzania no decurso das investigações.
Uria Simango foi, com Eduardo Mondlane, um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique. Era o vice-presidente da FRELIMO. Viria a ser sumariamente assassinado, juntamente com sua esposa e outros quadros da ex-Frente de Libertação de Moçambique, por ordens da direcção do Partido Frelimo, criado em 1977. O assassinato extra-judicial de Uria, de sua esposa e outros, ocorreu já depois da Independência Nacional e até hoje o Estado Moçambicano não devolveu os restos mortais do reverendo Uria Simango à Família Simango.
Urias Simango e outros nacionalistas defendiam a economia de mercado e o pluralismo democrático, conceitos que viriam a ser adoptados como filosofia de Estado depois do acordo de Paz de Roma que permitiu, em 1992, o fim da guerra civil. Por ter sido considerado “reaccionário” foi assassinado de forma extra-judicial, como confessou em plena Assembleia da República, na primeira legislatura pluralista, o coronel SérgioVieira actual director do Gabinete de Planeamento do Zambeze (GPZ) e ex-ministro da Segurança. “Nós fizilámos” disse então Sérgio Vieira.
Tal como no caso de Samora Machel, vítima de um acidente de aviação causado por tripulantes negligentes quando Sérgio Vieira era o ministro da Segurança, o Partido Frelimo volta agora a escamotear os factos em torno da morte de Eduardo Mondlane pondo a PIDE de lado quando se lhe afigura oportuno tentar queimar a imagem de um candidato que paulatinamente vai somando pontos e consolida pelo país a popularidade que se expande a partir do meio que o elegeu para dirigente camarário.
Fazendo um aproveitamento político de tragédias que enlutaram a nação, os membros e dirigentes do Partido Frelimo não hesitam em recorrer, em moldes escandalosos, à mentira com o fito único de denegrir a postura de um destacado dirigente da oposição, por sinal, filho daquele a quem Nyelete Mondlane, de forma irresponsável e recorrente em pleno período de campanha, atribuiu a autoria da morte de Eduardo Mondlane.
Segundo foi apurado pela Polícia de Investigação Criminal (CID) tanzaniana, Uria Simango escapou miraculosamente ao atentado bombista que vitimou o primeiro presidente da Frelimo. O inspector daquela polícia Geoffrey Sawaya, é citado em documentos do Departamento de Estado norte-americano como tendo declarado a funcionários da Embaixada dos Estados Unidos em Dar es Salaam, que Uria Simango chegou mesmo a rasgar o embrulho que continha a encomenda-bomba que ceifou a vida a Mondlane para ver de que livro se tratava. Ao reparar que era um livro em francês, idioma que não falava, Uria Simango voltou a fechar o embrulho.
Os mesmos documentos, citando sempre o Inspector Geoffrey Sawaya, referem ainda que a CID tanzaniana viria a interceptar em Nachingwea uma segunda encomenda-bomba, esta endereçada ao próprio Uria Simango. Uma terceira encomenda-bomba, esta endereçada a Marcelino dos Santos, viria igualmente a ser interceptada pela polícia tanzaniana, segundo declarações de Geoffrey Sawaya citadas nos referidos documentos do Departamento de Estado.
A forma leviana como Nyelete Mondlane adultera os factos põe inclusivamente em cheque a versão que outros membros do Partido Frelimo têm vindo a defender sobre a morte de Eduardo Mondlane, mormente Sérgio Vieira que nunca envolveu o nome do então vice-presidente da Frelimo no atentado contra o seu superior hierárquico.
O modo como os membros do Partido Frelimo se contradizem a cada passo já havia sido posto em evidência em Chimoio onde o candidato presidencial dessa formação política foi citado como tendo dito, por ocasião do 23° aniversário do acidente de Mbuzini, que Samora Machel havia sido “vítima do regime do apartheid”. Há precisamente um ano, esse mesmo candidato, Armando Guebuza havia revelado em comunicado oficial, que a Procuradoria-Geral da República andava a “trabalhar no dossier” Mbuzini desde Maio de 2008, o que sugere de forma insofismável que o propalado “crime” de que Machel foi alegadamente vítima terá ocorrido, não em terras do apartheid – em relação às quais, aliás a PGR moçambicana não tem poderes jurisdicionais – mas em território moçambicano. É sabido que o avião que transportava Samora Machel acidentou-se em Mbuzini, território sul-africano junto à fronteira da Namaacha.

(CANALMOZ, 22/10/09)

Monday, 19 October 2009

Desalinhado

Desalinhad0 = Sem linha da Internet.

Saturday, 17 October 2009

Eu apoio!

Sarkozy e Obama


Sub-20: Gana campeão do Mundo


O Gana conseguiu, esta sexta-feira, derrotar o Brasil nas grandes penalidades (4-3), após o jogo ter terminado empatado a zero no tempo regulamentar. Ainda para mais a selecção africana jogou desde os 36 minutos com um jogador a menos, após a expulsão de Addo.

Embora a selecção africana tivesse menos um jogador a partir dos 36 minutos, os jovens internacionais brasileiro não aproveitaram esse factor. Depois, à medida que o tempo foi passando pressão aumentou para os jogadores «canarinhos», que desperdiçaram inúmeras oportunidades.

Na lotaria das grandes penalidades, o Gana acabou por sair vencedor no duelo com o Brasil.


(A Bola, 17/10/09)

Friday, 16 October 2009

SERÁ PRECISO APELIDAR OU DENOMINAR A PRM DE APARTIDÁRIA


Para quem já experimentou o peso da sua acção decerto que não...

Para os asfixiados de Montepuez decerto que não faz diferença nenhuma chamar ou dar este ou aquele nome. Eles pagaram co a vida para saberem que a PRM obedece a voz de quem manda e quem manda é a Frelimo. Quando os seus agentes atiram a matar contra civis ou quando por causa de sua acção cidadãos alegadamente perturbadores da ordem pública acabam morrendo por uma razão ou outra, nas mãos da polícia e isso não tem consequência nenhuma, estamos perante uma situação anómala tratada de ânimo leve porque interessa a quem manda, que assim seja.
Essa de um comandante geral vir a público afirmar que a sua polícia é apartidária é caricata e mais uma daquelas tentativas pouco felizes que algumas figuras por vezes tem no seu percurso politico discursivo.
Agradar aos seus chefes está decerto na ordem do dia neste momento de fim de mandato e renovar a confiança do chefe tem mais peso do que posicionamentos equidistantes dignos de figuras que ocupam cargos públicos.
Ministros e directores se esquecem facilmente de que o país não pertence a Frelimo mas sim aos moçambicanos. De uma maneira autenticamente canibal assaltam-se todos os valores democráticos em construção e avança-se para a destruição do pouco que foi construído.
Rapidamente se esqueceu de que tivemos uma guerra de 16 anos. Esqueceu-se que foram razões bem endógenas que provocaram aquela guerra fratricida. Uns usando o apoio de alegados “socialistas solidários” e outros usando o apoio de “forças de direita” no quadro de uma guerra fria contribuiram para destruir o país.
Quando aparece a oportunidade reconstruir e de fazer algo que engrandeça e dignifique todos surge a tendência de apropriação individual de tudo o que é público.
Numa situação que começa a ficar a claro, de que o acordo de Roma foi o possível mas essencialmente um grande fiasco porque não resolveu os problemas essenciais da soberania. Quem manda hoje controla através da maneira como se assinou aquele acordo a Polícia e as Forças Armadas.
E em África isso é o que conta. Todo o sistema empresarial montado após acordo de Paz mostra como foram definidas as coisas e o que é importante salvaguardar neste momento. A factura de se ter negociado o acordo de cessar fogo em Roma como se fez está sendo muito cara para os moçambicanos.
Estamos pagando caro o facto de facilmente sermos enganados com rebuçados ou dólares.
De libertadores, tanto os de “25 de Setembro” como os da “luta pela democracia”, guardamos respeito e admiração mas não muitas saudades porque na actualidade vive-se cruelmente, diferente daquilo que nos diziam que seria. Ao fim ao cabo libertaram-se a eles próprios, resolveram os seus próprios problemas e não conseguem positivamente afectar pela positiva a vida da população que repetidamente dizem defender, amar e quejandos.
É preciso dar tempo ao tempo mas é preciso ajudar o tempo, cada fazendo o que lhe compete para mudar efectivamente este Moçambique.
Cabe a actual geração fazer a sua parte para que os destinos deste país não fiquem eternamente confinados ao que uma ninoria essencialmente parasita quer e deseja.

(Noé Nhanthumbo,Diário da Zambézia,15/10/09. O jornal está disponível em http://www.oficinadesociologia.blogspot.com/ )

“Verdadeira paz e estabilidade vêm de instituições democráticas fortes”


Recados dos Estados Unidos da América

- Todd Chapman, encarregado de Negócios da Embaixada americana em Moçambique


“Apenas a governação democrática forte e sustentável providenciará a longo prazo a estabilidade e a legitimidade essencial exigida e que os cidadãos moçambicanos merecem.” “Ansiamos por um tempo em que todos moçambicanos tenham a liberdade de andar pela sua terra sem medo.” “Não se trata apenas de realizar eleições, mas também se trata do que acontece entre eleições” “A repressão pode assumir muitas formas, e demasiadas nações, mesmo aquelas que realizam eleições, são atormentadas por problemas que condenam os seus povos à pobreza.”

Maputo (Canalmoz) — O encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos da América em Maputo, Todd Chapman, o número um desta representação diplomática desde que Guebuza está na chefia do Estado, defendeu ontem, em Maputo, que a paz e a estabilidade, não se conseguem apenas com a ausência da guerra ou ausência do medo de encontrar uma mina terrestre num campo, mas, sim, através de instituições democráticas fortes, processos governamentais transparentes e sociedades civis fortes.
“A verdadeira paz e estabilidade, são fruto de instituições democráticas fortes, processos governamentais transparentes e sociedades civis fortes”, disse Chapman em declarações na Matola Gare, província de Maputo, numa cerimónia que serviu para anunciar o apoio com dois milhões de dólares dos Estados Unidos, ao processo de desminagem nas províncias de Maputo, Manica e Tete.
Segundo o mais alto representante diplomático do Governo americano em Moçambique, “para o povo de Moçambique, a simples reconstrução física, não vai levar Moçambique a uma nova era de prosperidade”. Acrescentou que “apenas a governação democrática forte e sustentável providenciará a longo prazo a estabilidade e a legitimidade essencial exigida e que os cidadãos moçambicanos merecem”.

Povo deve ter a liberdade de andar na sua terra sem medo

Ainda de acordo com o encarregado de negócios da Embaixada norte-americana, os Estados Unidos, “apoiam as aspirações dos moçambicanos, que desejam transformar a sua esperança de um Moçambique mais pacífico, mais estável e mais democrático, numa realidade”.
“Especialmente durante esta época eleitoral tão importante, o Governo dos Estados Unidos reafirma o seu apoio ao povo moçambicano e, ao esforço para livrar o país da praga que são as minas terrestre”, afirmou, ajuntando que “ansiamos por um tempo em que todos moçambicanos tenham a liberdade de andar pela sua terra sem medo”.

É preciso respeitar a vontade do povo

Citando o presidente americano, Barack Obama, num dos seus discursos feitos recentemente em Ghana, Chapman defendeu que “cada nação dá vida à democracia da sua maneira, mas a história oferece um veredicto claro, que é os governos respeitarem a vontade do seu povo, governarem pelo consentimento e não pela coerção”.
“Os governos que respeita a vontade do seu povo, que governam pelo consentimento e não pela coerção, são mais prósperos, são mais estáveis, e mais bem sucedidos do que os governos que assim não o fazem”, advertiu Chapman ainda citando o presidente norte-americano.

Não basta realizar eleições é preciso ver o que acontece em eleições

Prosseguiu ainda, afirmando que “não se trata apenas de realizar eleições, mas também se trata do que acontece entre eleições”.
“A repressão pode assumir muitas formas, e demasiadas nações, mesmo aquelas que realizam eleições, são atormentadas por problemas que condenam os seus povos a pobreza”, sublinhou.
Ainda de acordo com Chapman na sua citação, “no século vinte e um, as instituições capazes, transparentes e nas quais se pode confiar, são a chave para o sucesso, parlamentos fortes, forças policiais honestas, juízes independentes, imprensa independente, um sector privado vibrante e uma sociedade civil, são as coisas que dão a democracia, porque isso é que importa na vida quotidiana das pessoas”.

(Elísio Carlos, CANALMOZ,16/10/09)

Violência Eleitoral


Violência na campanha eleitoral

MDM promete exibir vídeo sobre escaramuças em Manica

Continue lendo aqui.

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Durante o balanço da campanha em Maputo-Província

Renamo declara tolerância zero a ataques a suas caravanas

Continue lendo aqui.

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Leia aqui uma reportagem desenvolvida a propósito da violencia eleitoral.

Eleições 2009


MDM preocupado com o saneamento

O MOVIMENTO Democrático de Moçambique (MDM) afirma-se preocupado com as deficientes condições de saneamento do meio em algumas zonas residenciais da cidade de Maputo facto que, de acordo com os responsáveis daquela formação política, contribui para a eclosão de doenças como a cólera e outras causadas pela falta de higiene.
Devido ao facto e caso o seu candidato, Daviz Simango, vença as eleições do próximo dia 28, aquela formação promete melhorar aquelas condições bem a electrificação das ruas contribuindo, desta forma, para a redução da onda de criminalidade.
As promessas, nesse sentido, foram feitas na última quarta-feira aos moradores dos bairros de Hulene “A” e “B” no prosseguimento das acções e “caça” ao voto para as eleições legislativas, presidenciais e provinciais do próximo dia 28 do mês em curso.
Agostinho Macuacua, delegado político do MDM, pedindo aos moradores daquelas duas zonas residenciais através de contactos porta-a-porta e interpessoal, disse que a sua formação era a única capaz de operar as transformações que se pretendem.
“Estamos aqui para pedir votos para o MDM porque caso o seu candidato vença as eleições do próximo dia 28 de Outubro, todos nós teremos melhores condições de vida. Não há dúvidas que o Daviz Simango, vai desenhar um plano para superar o problema da falta de saneamento nos bairros da cidade de Maputo”, disse Macuacua para quem, muitos partidos políticos estão preocupados em trabalhar apenas para si e seus membros e não para o povo moçambicano.
“O nosso partido é do povo moçambicano e quer trabalhar para os moçambicanos, daí que estamos a pedir voto para implementarmos os nossos projectos”, disse o delegado político do MDM o nível da cidade de Maputo. Acrescentou que a sua formação política no poder já mostrou que não tem plano de actividades sendo, por isso, que não consegue fazer a manutenção das valas de drenagem, mesmo sabendo que algumas doenças podem ser prevenidas com o melhoramento das condições de saneamento, conforme acusou.
“A solução para acabar o problema da cólera que está a matar muitas pessoas passa, necessariamente, por manter as valas de drenagem sempre limpas. A limpeza é crucial para uma vida saudável”, anotou aquele político que também disse ter certeza de que “vamos ganhar as eleições daí que todos os nossos projectos serão concretizados na íntegra”.
Outro problema que disse que apoquenta o seu partido político é a falta de água potável para os residentes de muitos bairros suburbanos da cidade de Maputo. Referiu que para alterar a situação, o MDM tem também desenhado, no seu manifesto eleitoral, um projecto visando levar o precioso líquido aos residentes daquelas zonas residenciais.
“As pessoas estão a passar maus momentos por falta de água potável enquanto que Moçambique tem muitos rios. O nosso país tem muita água, por isso, não há razão de as pessoas morrerem de cede”, disse Agostinho Macuacua no seu “namoro” ao eleitorado dos bairros de Hulene “A” e “B”. Acrescentou que o precioso líquido deve chegar a todas as pessoas facto que, de acordo com as suas palavras, o MDM vai levar água para perto da população.


MDM trabalha nas “presidenciais” círculo da Europa


“A CNE amputou o MDM, mas estamos a trabalhar para as presidenciais”, disse o coordenador do MDM em Portugal, Zacarias Abdula, em contacto com a AIM, em Lisboa, quando solicitado a comentar sobre a actividade de “caça” ao voto da sua organização.Maputo, Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2009:: Notícias
No início da campanha eleitoral, Zacarias Abdula excluiu a hipótese de “caça” ao voto em convívios de grandes concentrações, privilegiando o contacto com potencial eleitor via telemóvel (SMS), Internet e outras formas. No caso da Europa, as mensagens de pedido de voto deste partido são mais direccionadas aos jovens estudantes moçambicanos em diversas universidades e outros estabelecimentos de ensino.
Sobre a programação da Renamo, a AIM ainda não dispõe de dados, uma vez que o candidato a deputado da AR do maior partido da oposição moçambicana pela Europa, António Pedro Chichone, um jovem estudante e trabalhador, se encontra na Alemanha, no âmbito da campanha eleitoral.


(Notícias, 16/10/09)

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Frelimistas fornecem material eleitoral à CNE

Tráfico de influências?

(Maputo) Empresas pertencentes a membros seniores do partido Frelimo ganharam concurso para fornecer material eleitoral à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE).
Trata-se do grupo Académica que tem como accionista principal Mahomed Rafik, membro do Comité Central da Frelimo e sócio do candidato da Frelimo, Armando Guebuza, no jornal Diário de Moçambique. A outra empresa seleccionado é o grupo Sotux presidido por Álvaro Massingue, homem de confiança de Joaquim Chissano.

(Mediafax,15/10/09)

João Paulo Borges Coelho: Uma Entrevista


A propósito da atribuição do Prémio Leya ao académico e Autor moçabicano João Paulo Borges Coelho, para quem dos exmos visitantes Maschambianos não o conhece, em seguida transcrevo, com a devida vénia, uma entrevista que JPBC concedeu ao Notícias de Maputo e que foi publicada em 15 de Agosto de 2006. Não captei o nome do entrevistador.
Repare o exmo leitor que, sendo JPBC branco e filho de português, o entrevistador não conseguiu resistir a fazer três perguntas a inquirir sobre as suas afinidades e sua “moçambicanidade”. Uma praga perfeitamente aceitável no Moçambique actual.



João Paulo Borges Coelho é historiador. Dedica-se à pesquisa e ao ensino, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), da história contemporânea de Moçambique. É também um escritor que se está a afirmar. Lançou o seu primeiro livro (”As Duas Sombras do Rio”) em 2003 e, no primeiro semestre deste ano, o quinto, intitulado “Crónicas da Rua 513.2″. Pelo meio publicou também “As Visitas do Dr. Valdez”, com que ganhou a edição 2005 do prémio literário José Craveirinha, organizado pela AEMO em parceria com a HCB. A sua escrita literária é um casamento que faz da bagagem científica que carrega com uma ficção sempre relacionada com realidades presentes ou passadas do nosso país. O tema do novo livro é o Moçambique do socialismo, que diz ter sido um tempo “de experiências para lembrar”. Sobre si, sobre este e outros temas que marcam a nossa realidade e não só entrevistámos este proeminente cientista social e valor adquirido na literatura moçambicana, de que passamos a seguir os principais trechos:


N - As suas raízes são portuguesas, apesar de praticamente ter feito a vida em Moçambique. Nasceu no Porto, filho de português. Ocorre-me perguntar, por estes dados, se é moçambicano ou português?
- Sou moçambicano, apesar de ter nascido cá. Nasci no Porto, em 1955, mas as minhas origens maternas são daqui. A minha mãe nasceu no Ibo, a minha avó nasceu no Ibo e a minha bisavó nasceu no Ibo. Ainda há pouco tempo estive lá a ver os túmulos e um deles está referenciado a 1917, duma tia-bisavó. Quer dizer, metade de mim é moçambicana e a outra metade, por via paterna, portuguesa. O mais importante é que eu optei por ser moçambicano.

N - Quais são as suas afinidades com Tete, mais concretamente com o Zumbo, que aparecem em muitos dos seus escritos, tanto de ciência como de ficção?
- Com Tete eu tenho afinidades desde criança, que onde pela primeira vez tive a noção do mundo, com um ou dois anos de idade, foi em Moatize, onde o meu pai trabalhou nas minas de carvão. Em Moatize nasceram dois irmãos meus, portanto foi isso. Com o Zumbo é uma afinidade relativa, apesar de ser especial, porque é um sítio que eu visitei muitas vezes em trabalho. É um sítio que é muito difícil de chegar, está mais para lá, na confluência do Zimbabwe e da Zâmbia, numa espécie de fim do mundo pelas condições em que vive. Então eu decidi fazer um pouco de barulho a volta do Zumbo tal como se podia fazer por muitos outros lugares deste país nas mesmas condições.

N - Apesar de se dizer moçambicano e, ao mesmo tempo, que geneticamente é metade moçambicano e metade português, tem algum afecto especial digamos por Portugal?
- Tenho afinidades, sim. Primeiro porque é a minha terra natal, é terra do meu pai. Mas essas coisas não nos impedem de sermos quem somos. Tenho as minhas afinidades e tomei a minha liberdade de escolher o que sou sem que isso signifique me ter zangado com o pai, nesse sentido. São afinidades, emocionais, culturais que eu acho que para sermos uma coisa não nos devemos necessariamente excluir das outras. Eu acho que todas as experiências e todas as emoções são um capital individual que nós temos e determinam o olhar que nós temos sobre o mundo.

N - Nesse aspecto, no olhar que tem sobre o mundo, e voltando um bocadinho atrás ao que acaba de dizer, que nos obrigam a ser ou uma coisa ou outra, discorda da dupla nacionalidade, que a nossa Constituição rejeita textualmente?
- Sobre isso falo não no sentido legal do país, mas no emocional ou de sentimento. Imaginemos por exemplo um indivíduo de Mocímboa da Praia que tem família na Tanzania com quem comunica numa dessas línguas comuns de um e do outro lado. Para mim a identidade não é uma coisa estática nem feita de acordo com pressupostos teóricos que na prática nem sempre se verificam. Eu acho que ela se processa a vários níveis e à partida temos, num sentido mais amplo, a identidade de seres humanos. Depois vamos descendo a outros níveis até chegarmos a uma identidade especial que é a identidade nacional, que é muito importante porque as relações do mundo ainda se pautam pelas nações, que se regem pelo respeito e reconhecimento a um espaço territorial, a obediência a um estado; há muitas identidades que convivem todas no mesmo espaço e em espaços variados. E até há a identidade individual! Penso que nós devemos viver com os todos os elementos identitários que nos circundam não apenas no nosso meio mais próximo mas também num plano mais amplo. A identidade não é uma caixa fechada nem os seus elementos são estáticos; é uma coisa dinâmica e viva.
“A História é uma ferramenta importante para muitas outras coisas”


(ABM, em www.ma-schamba.com).

Thursday, 15 October 2009

Ninguém pode desistir de votar


Editorial: Há causa

Maputo (Canalmoz) - Catorze (14) milhões de dólares americanos é uma estimativa muito limitada – muito limitada mesmo – que se faz do que tem estado a gastar, por ano, o presidente da Frelimo Armando Guebuza, nas suas “Presidências Abertas”, para pagar helicópteros, e toda a logística dos parasitas do sistema, obviamente sem contabilizar-se todos os outros meios do Estado usados. Só de helicópteros e pouco mais estima-se uma despesa acumulada de cerca de 70 milhões de dólares, em cinco anos. Esta estimativa vem de fontes da Sociedade Civil atentas a estes gastos.
Mais ainda: cerca de 3 milhões de USD estima-se que estejam a custar os helicópteros que estão a ser utilizados para esta campanha da Frelimo. Sairão das comissões do que, durante o quinquénio que está a terminar, o Estado pagou à companhia Helicópteros Capital? São vários helicópteros. Seis (6) pelo menos. Fazem um espectáculo imenso para o qual também estarão a contribuir as gasolineiras que estão a suportar o deficit dos preços dos combustíveis aos consumidores, nessa outra grande burla orçamental que um grupo de cidadãos irresponsáveis e sedentos de se perpetuarem no Poder, montaram para enganar os moçambicanos, enquanto durarem as eleições, para depois nos trazerem a factura que certamente nos vai doer bem nos bolsos, a partir de 2010.
Podemos avaliar os números referentes aos gastos com aluguer de helicópteros, de várias maneiras. Há quem já tem a barriga cheia e por isso terá a tendência de ir pela via política, dizendo que esta despesa enorme com helicópteros é um investimento que permite um contacto directo da população pobre com “o Presidente”. Muitos desses são aqueles que beneficiam das comissões e de toda a negociata em volta dos helicópteros. Mas de facto é muito dinheiro que faz falta ao dito combate à pobreza absoluta.
Nós somos daqueles para quem esse dinheiro são “quantias irrisórias”, terminologia que já um dia ouvimos dizer a um “jovem empresário de sucesso”, no julgamento do Caso Carlos Cardoso, o jornalista assassinado por ordem de mandates ainda não julgados.
Somos daqueles que queremos abertamente, sem rodeios, dizer basta a este esbanjamento que tanta felicidade podia proporcionar a quem tem a dupla e fatídica sina de ser mesmo pobre e estar simultaneamente a ter de ouvir, quem esbanja, a dizer que está a combater a pobreza absoluta.
Nós nunca estivemos, não estamos, nem queremos estar aqui a puxar sacos. Por isso dizemos abertamente: quem anda a esbanjar dinheiro desta maneira está a enganar os moçambicanos quando diz que tem no seu programa o ideal de combater a pobreza absoluta.
Não pode ser verdade alguém dizer que quer combater a pobreza absoluta e gastar ao mesmo tempo, em helicópteros e cortejos, milhões de dólares dos nossos impostos e dos impostos dos Povos pobres de países do Grupo dos 19 que sustenta, pelo menos 55% do Orçamento Geral do Estado de Moçambique.
Nós recusamo-nos a ser cúmplices desta vergonha.
Quem combate mesmo a pobreza absoluta faz contas e 70 milhões de dólares é um valor inadmissível para ser “mamado” desta maneira hipócrita.
Quem combate de facto a pobreza absoluta não gasta dinheiro desta maneira. E quem quer mesmo saber onde há miséria absoluta, não anda de helicóptero. Anda no terreno, anda inclusivamente a pé, anda por forma a sentir in loco os problemas dos pobres. Sobretudo não se esquece de onde veio e o quanto o ofendia a “riqueza absoluta” dos “colonialistas”.
De helicóptero anda quem quer estar longe das realidades e perto da teta leiteira dos cofres do Estado, “a chupar o sangue fresco da manada”.
Esta maneira hipócrita de nos falarem da pobreza que só vêem do alto, de helicóptero, faz-nos lembrar a história, ensinada nas escolas primárias após a Independência de Moçambique, do pai que comia cinzas para que os filhos não exigissem muito. Mais tarde os filhos descobriram que o pai nesse período de fome, afinal não comia cinzas, mas chupava mel.
Agora estamos perante um cenário parecido em que o presidente Guebuza e “a Esposa do Chefe de Estado” fingem chorar a miséria que os rodeia, mas ofendem, dia-a-dia, com gastos exorbitantes e inadmissíveis, essa mesma camada de moçambicanos que tantos dias nem sequer um pedaço de pão têm para enganar o estômago.
O que andam a gastar para irem dizer ao Povo que querem continuar a combater a miséria absoluta, seria suficiente para manter, com um rendimento mínimo nacional de 1.600,00 MT/mês, cento e cinco mil, setecentos e vinte e nove moçambicanos (115726), durante 12 meses. Com esse rendimento mínimo garantido, os beneficiários, cada um certamente saberia o que fazer para reproduzir esses valores e construir a sua própria riqueza sem ter de continuar pobre a ouvir quem diz combater a pobreza, ofendê-los com exibicionismos que nem os presidentes dos Países que ajudam Moçambique têm o descaramento de praticar.
Com este dinheiro quantas casas para jovens ou bancas para tirar os informais das ruas, ou postos de saúde, ou machimbombos se poderiam construir ou comprar? Quantas bolsas de estudo ou médicos poderiam ser contratados para que os moçambicanos não morressem enquanto outros estudavam? Quantas coisas poderiam ter sido feitas para o bem de Moçambique, e não apenas de um pequeno grupo a nível da actual Presidência da República, se o dinheiro gasto em helicópteros fosse bem gerido e gasto em coisas realmente úteis para o Povo?
Quem assim se comporta, será mesmo verdade que quer combater “a pobreza” e a “pobreza absoluta”?
Quem assim se comporta é mesmo republicano e socialista? Será que algum dia o foi ou só andou esperando a morte de Samora para exibir a sua verdadeira face?
Com estes gastos exorbitantes com os seis (6) helicópteros, que dirá a FDC da Senhora Graça Machel, esposa de Mandela? Não vê que quando anda a reunir-se em segredo com o presidente da CNE, João Leopoldo da Costa, para ajudar a transformar estas eleições uma burla, está apenas a tentar amaciar a ditadura, e a pôr “nívea” na burla que se preparou? O dinheiro dos helicópteros não seria melhor empregue em projectos de desenvolvimento comunitário?
E ainda aos representantes dos doadores. Quanto dos impostos dos pobres dos Vossos Países vai ter de continuar a alimentar esta ostentação “helicopteriana” dos desavergonhados que insistem em esbanjar dinheiro ao mesmo tempo que ofendem a miséria? Quanto tempo mais os Senhores vão permitir-se enganar os dignos Povos dos vossos Países aceitando que o dinheiro suado por eles continue a alimentar despesistas, chulos e burladores de eleições, nesta “dita democracia” em Moçambique?
Pobres povos que se sacrificam por nós moçambicanos!
Perante isto: que fazer? – A resposta é simples. É irmos massivamente às urnas votar e votar bem para acabarmos com estes abusos e esta maneira de gerir o erário público.
Votando, cada cidadão pode ajudar a acabar com estes parasitas, chulos e burladores do Povo Moçambicano e dos Povos irmãos e amigos de Moçambique.
O voto de cada um tem mais utilidade do que se pensa. Votar consciente é um imperativo nacional.

(CANALMOZ, 15/10/09)

Campanha Eleitoral

Daviz Simango recebe apoio de 26 partidos da oposição


“Daviz Simango é o candidato da esperança, o candidato batalhador, o candidato da juventude, que percorre todo o país a pé e de carro, enquanto os outros andam a sobrevoar os problemas do povo, gastando em aluguer de helicópteros, avultadas somas de dinheiro, que tanta falta fazem ao povo moçambicano" – Francisco Campira, representante dos 26 partidos “A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro da oposição, pois isto fortifica a democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único O mau e perigoso é formar supostos partidos da para combater a verdadeira oposição” – refere Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo

Maputo (Canalmoz) – Um grupo de 26 partidos e coligações políticas, excluídos parcial ou totalmente da corrida eleitoral de 28 de Outubro próximo pela CNE, convocou ontem a imprensa para anunciar, de forma aberta, o seu apoio incondicional ao candidato presidencial, engenheiro Daviz Mbepo Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Na conferência de imprensa, o representante dos partidos excluídos, que também é presidente do PASOMO, Francisco Campira, disse que o apoio a Daviz Simango não se estende ao seu partido MDM, pois cada presidente ficará na direcção das actividades dos seus partidos, mas pelo conteúdo do seu manifesto, e o carácter do líder do MDM, estes partidos políticos decidiram dar-lhe apoio incondicional.
Campira disse que a decisão tomada por aquele grupo de partidos extra-parlamentares, tem em vista manifestar a sua recusa em ver este País multipartidário a ser empurrado para um sistema monopartidário, que outrora foi liderado pela Frelimo, segundo ele “de muito triste memória, ainda bem fresca”.

Mais de 3 milhões apoiam Daviz

Com essa aliança ao candidato do MDM, “serão mobilizados para apoiar Daviz Simango, mais de 40 mil candidatos que anteriormente estavam inscritos na CNE, e três milhões de membros”, segundo estimativas destes partidos.
No dia 28 do corrente mês, sensivelmente daqui a duas semanas, realizam-se simultaneamente as 3 eleições: Presidenciais, Legislativas e Provinciais. Às presidenciais concorrem 3 candidatos: Daviz Simango, presidente do MDM e actual presidente do Município da Beira, a segunda maior cidade do País; Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, e o actual chefe de Estado e presidente da Frelimo, Armando Guebuza.

Ontem declararam apoio a Daviz Simango, o mais jovem candidato, os seguintes partidos: CDU, PARENA, PAREDE, PASOMO, PACODE, PASDI, PSDM, PARTONAMO, PUMILD, PUPI, MPD, PANAOC, PRDS, SOL, UNAMO, PANADE, Coligação UD, UMI, FL, PCD, UM, PAZs, PRD, UDF, PRD, e PEMO.

É uma decisão consciente

Questionado se a sua decisão teria a ver com o facto de três dos partidos que se pressupunha serem da oposição já terem anunciado apoiar, também de forma incondicional, o presidente da Frelimo, Armando Guebuza, Campira respondeu nos seguintes termos: “a nossa decisão não é influenciada pela mudança de alguns partidos em apoio a Guebuza. É uma decisão consciente e não fomos influenciados por ninguém.”

Porquê aposta em Daviz?

De acordo com Campira, o apoio a Daviz Simango surge “após uma análise profunda ao actual cenário político democrático do País caracterizado pela hegemonia, intolerância e exclusão políticas protagonizadas pelos dois maiores partidos nacionais”, a Frelimo e a Renamo. “Decidimos que a nossa melhor resposta e contribuição para a continuação da democracia multipartidária em Moçambique é apoiarmos de forma aberta e incondicional, a candidatura presidencial do engenheiro Daviz Mbepo Simango”.
As razões apontadas para apoio a candidatura de Simango foram muitas. Destaca-se, segundo anunciou aquele grupo de partidos, o facto de, entre os três candidatos a presidência da República, “ser apenas Daviz Simango que inspira esperança para a juventude, que garante um Moçambique verdadeiramente inclusivo, um Moçambique para todos e não para alguns, como acontece hoje em dia”.

Renamo encara apoio a Daviz com naturalidade

Procuramos ouvir o maior partido da oposição, sobre o que tem a dizer sobre o apoio ao candidato do MDM. Fernando Mazanga, porta-voz deste partido, congratulou-se com a decisão deste partidos, que até a considerou “sábia”.
“A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro, pois isto fortifica a própria democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único” disse Mazanga acrescentando que “o mau e perigoso é formar supostos partidos da para combater a verdadeira oposição”.

(Borges Nhamirre Matias Guente, CANALMOZ, 15/10/09)

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Daviz diz que vai revolucionar o sector mineiro

A vitória do candidato presidencial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) no pleito do próximo dia 28 de Outubro corrente vai marcar uma viragem significativa para o sector mineiro no país. Para tanto, conforme prometeu o líder daquela formação política, Daviz Simango, nos encontros de “caça” ao voto por ele orientados em Iuluti, distrito de Mogovolas, em Nampula, vai mobilizar fundos e equipamentos adequados para o exercício da actividade de extracção mineira artesanal, sem consequências negativas para a saúde e para o meio ambiente.
Como jovem que sou, peço que votem em mim para que no exercício da presidência possa, em cinco anos, operar mudanças a nível do sector mineiro, porque o modelo actualmente em aplicação para a extracção mineira não ajuda em nada os jovens a serem empresários à custa das nossas riquezas naturais. O meu Governo vai garantir apoio financeiro e material para os jovens que se dedicam à mineração, porque a extracção em modelo artesanal só provoca doenças e problemas ambientais - pediu Daviz Simango.
O político promete que, quando chegar ao poder por força do voto dos eleitores de Mogovolas, vai apostar em políticas que potenciam a distribuição equitativa por aldeias dos resultados da exploração mineira, como forma de promover o desenvolvimento acelerado local equilibrado.
Este discurso foi feito por Daviz Simango nas suas escalas na semana passada aos postos administrativos de Nametil, Muatua e Iuluti, no quadro da sua digressão pela província de Nampula, visando granjear a confiança do eleitorado no distrito de Mogovolas, onde pediu, igualmente, uma afluência às mesas de votação no dia 28 de Outubro próximo.
Votem apenas em mim usando o boletim apropriado que será entregue pelo pessoal em serviço nas mesas de votação. Os restantes boletins que são para escolher o partido que os vai representar nas Assembleias da República e provincial, deixem em branco porque a Comissão Nacional de Eleições excluiu injustamente o MDM desse concurso - instruiu Daviz Simango.
Numoutro passo da sua intervenção, pediu aos eleitores e à população, em geral, que se simpatiza com o MDM para prestarem ajuda em produtos alimentares e água destinada aos delegados de candidatura que estarão em serviço nas mesas das assembleias de voto no próximo dia 28 do mês em curso sob indicação do seu movimento para os efeitos de fiscalização do processo.
A presença dos fiscais nas mesas das assembleias de voto, segundo disse, visa evitar fraudes no processo eleitoral. Explicou que a fraude não se resume ao roubo de votos no processo de contagem, mas sim através da introdução de votos nas urnas de pessoas que nem sequer conseguiram votar e isso só acontece quando não há vigilância - disse.
Na última terça-feira, o candidato presidencial do MDM foi “namorar” o eleitorado do distrito de Moma, mais concretamente da sua sede, localidade de Mucoroje e posto administrativo de Larde. Ontem rumou em direcção ao distrito de Angoche entrando através do posto administrativo de Aube.

(Notícias, 15/10/09)

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Violência

Massinga, Inhambane: membros da Frelimo inviabilizaram o desfile da campanha do MDM, comandado pelo respectivo candidato, Daviz Simango, no dia 6 de Outubro, na vila sede da Massinga, ao que em consequência surgiu uma turbulência entre as duas caravanas provocando o ferimento de uma mulher membro da Frelimo.

Maua, Niassa: membros e simpatizantes do partido Frelimo inviabilizam a campanha do MDM na vila sede de Maua. Um membro do MDM contraiu ferimentos e o seu material de campanha destruido.

Cahora Bassa, Tete: três membros do partido Renamo, incluindo o delegado, Chico Sebastião, foram espancados por grupo de choque do partido Frelimo, no bairro de unidade no dia 8 de Outubro, alegadamente por terem destruído material de campanha.


Uso de meios de Estado

Chibabava, Soafala: o partido Frelimo usou no seu desfile de campanha, motorizadas dos Serviços Distritais de Saúde com chapas de inscrições: MMC 87-57, MMC 82-4, MMC 81-81 e uma viatura pertencente à direcção de Agricultura de marca MMC 97-51.

Milange, Zambézia: o partido Frelimo usou na sua campanha do dia 8 de Outubro, na vila sede de Milange, uma viatura de marca Toyota Hilux, dupla cabine, cor branca do governo distrital cuja matrícula não foi possível descortinar por se encontrar tapada por panfletos daquela formação política.

Quelimane, Zambézia: uma viatura cabine dupla da empresa pública TDM foi vista no aeroporto de Quelimane, repleta de jovens com camisetes e entoando canções de exaltação ao candidato da Frelimo, Armando Guebuza.

Chibuto, Gaza: o candidato presidencial do partido Frelimo, Armando Guebuza, no dia 10 de Outubro, no bairro Cimundo, usou 9 viaturas do Governo Provincial, 7 do Governo distrital e 7 do Conselho Municipal. As matriculas das viatiras tinham sido disfarçadas por bandeiras vermelhas do partido Frelimo.

(Boletim sobre o processo político em Moçambique, 12/10/09)

Reacção ao artigo de Manuel de Araújo "Sonhando com uma Kalashnikov no dia da PAZ!"


Caro Dr Manuel Araújo,
O assunto da bandeira nacional, fez-me avivar a memória, duma situação por mim vivida durante o UEFA CUP na Suiça (Basileia), em Junho/2008.
Tentando fazer publicidade gratuita a selecção dos "mambas" para o FIFA10-RSA, (camisola adquirida, durante os festejos do Centenário da Beira, em 2007), trajava a camisola da selecção moçambicana durante o almoço num local aprazível, a beira do Danúbio.
Notei que num momento de descontracção, jovens adeptos suíços, apontavam o emblema da camisola, que é a bandeira moçambicana. Entretanto um dos adeptos, pergunta-me em alemão, se poderia tirar uma fotografia, porque é das poucas bandeiras que ostentam uma AK47, a espingarda dos soviéticos. E foi assim, algumas fotos, e algum tempo depois, debaixo de chuva copiosa, fui a caminho do estádio, para o Suiça-Portugal.
Eis nova surpresa, no intervalo do jogo, a minha imagem é passada duas vezes no écran do estádio, primeiro a minha figura, e a segunda, em zoom, a bandeira de Moçambique, pontificando a Kalashnikov, transmitida em directo para uma cadeia de TV asiática (de Tai Land/Viet Nam).
Passado um instante aparece um polícia suíço, e pede-me autorização, se poderia deslocar-me uns 20 metros, porque adeptos suíços queriam uma recordação-FOTO, em que todos diziam alto e bom som-INÉDITO E INACREDITÁVEL.
Tudo por causa da AK47- a famosa espingarda de assalto, usada em Moçambique, que por duas vezes revolucionaram e alteraram o sistema político em Moçambique -morte do colonialismo (TURRAS da Frelimo) e nascimento da democracia (BAs do Renamo).
É também de referir que nas últimas cheias do rio Zambeze, a CNN transmitiu de Chapokota (Baué)- Nhamaiabue-Mutarara, daí o Fareed Zacarias, nunca se ter esquecido, duma bandeira nos confins de Moçambique, com uma AK47.
Pertinente ou não, a AK47, faz parte da História dos JOVENS MOÇAMBICANOS, que por duas vezes, tiveram de recorrer a ela, por motivos políticos, e que ela faça parte ou não nos dias de hoje como RECORDAÇÃO do passado Histórico, é difícil de questionar!!...... Mas que ela serve de publicidade, isso sim!!!! Prende a atenção de qualquer ser humano dos 5/85 anos.
A substituir, sugeria a CANETA, porque essa, no Moçambique de hoje é IMPRESCINDÍVEL!!
Nomeia e demite o PAI DA NAÇÃO, ATRAVÉS DO VOTO (dentro de 20 dias A CANETA entra em acção)!!!
Pode continuar ou finalizar um ciclo, e também reescrever a História!!!
Ambas (Caneta e AK 47) têm o mesmo sentido político de vida para o povo moçambicano, dependendo de quem se beneficia dela!!_


Zacarias Abdula, O AUTARCA – 09.10.2009, citado em www.macua.blogs.com .

Leia mais sobre a bandeira aqui:

PRÉMIO LEYA 2009 PARA JOÃO PAULO BORGES COELHO



ROMANCE “O OLHO DE HERTZOG”, DE JOÃO PAULO BORGES COELHO, É O VENCEDOR DO PRÉMIO LEYA 2009

13 OUT 2009 / 18H

O júri, presidido por Manuel Alegre, deliberou hoje conceder a segunda edição do Prémio Leya ao romance O OLHO DE HERTZOG, da autoria do escritor moçambicano JOÃO PAULO BORGES COELHO. O prémio tem o valor monetário de 100 mil Euros.
Conforme se lê na acta do júri, o romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânderes e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do Jornalista João Albasini. O júri considerou a obra um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de O Olho de Hertzog, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser.



SOBRE O AUTOR



João Paulo Borges Coelho é historiador e escritor moçambicano. Nasceu no Porto, em 1955, mas, sendo filho de pai transmontano e de mãe moçambicana, cedo foi viver para Moçambique e adquiriu nacionalidade moçambicana. Estudou em Moçambique, obtendo posteriormente Doutoramento em História Económica e Social conferido pela Universidade de Bradford (Reino Unido) e Licenciatura em História conferida pela Universidade Eduardo Mondlane de Maputo, em Moçambique, onde hoje ensina História Contemporânea de Moçambique e África Austral. É, também, professor convidado no Mestrado em História de África da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, tendo publicado vários textos académicos em Moçambique, Portugal, Reino Unido, Espanha e Canadá. Como escritor, estreou-se na ficção com ‘As Duas Sombras do Rio’, em 2003. Foi o vencedor do Prémio José Craveirinha, de 2005, atribuído em 28 de Março de 2006, com o seu livro ‘As Visitas do Dr. Valdez‘. Moçambique é o principal pano de fundo de todo o seu trabalho de ficção.



Obras publicadas:

Romance e Novela

«As Duas Sombras do Rio», Editorial Caminho, 2003.

«As Visitas do Dr. Valdez», Editorial Caminho, 2004

«Índicos Indícios I. Setentrião», Editorial Caminho, 2005

«Índicos Indícios II. Meridião», Editorial Caminho, 2005

«Crónica da Rua 513.2», Editorial Caminho, 2006

«Campo de Trânsito», Editorial Caminho, 2007

«Hinyambaan», Editorial Caminho, 2008

Banda Desenhada

«Akapwitchi Akaporo. Armas e Escravos», Maputo, Ed. do Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1981.

«No Tempo do Farelahi», Maputo, Ed. do Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1984 (o autor assina apenas João Paulo).

Wednesday, 14 October 2009

CNE acumula infracções!


Deliberadamente, a presente Comissão Nacional de Eleições (CNE) não mostra nenhuma disponibilidade de acolher as contribuições públicas e de, delas, fazer, do actual processo eleitoral, algum sucesso. Antes, pelo contrário, o que a CNE se empenha a fazer é em esgrimir argumentos justificativos da sua actuação, não só muitas vezes ilegal, como, claramente, partidarizada. Ou seja, a CNE dá, nitidamente, aos olhos do público, a entender que age por encomenda do Partido Frelimo, encomenda essa, para nós, desnecessária, porquanto a Frelimo possui todos os meios, experiência e capacidade para ganhar as eleições, sem recorrer a expedientes de tão baixo jaez, como os, sistematicamente, ensaiados pela CNE.
Por outras palavras, se, de facto, a CNE age da maneira como age, a mando da Frelimo, então, a Frelimo já não tem, nem estratégia, nem estrategas eleitorais, ficando refém de oportunistas sem imaginação, que agem como se o povo fosse um conjunto de ignorantes, incapazes de ver quando é que um órgão cumpre o seu papel e quando é que não cumpre, mas anda a dizer que o cumpre.
Primeiro, a CNE não tem nenhuma legitimidade para exigir o cumprimento escrupuloso da Lei a ninguém, pois ela própria nunca se preocupou em cumprir com o número 3 do artigo 20 da Lei 8/2007, de 26 de Fevereiro (Vulgo Lei da CNE), o qual diz, clara e inequivocamente, que “os membros da CNE funcionam em regime de exclusividade”.
O que se sabe é que todos os membros da CNE, que outrora trabalhavam, continuam intactos nos seus empregos anteriores, não mostrando sinais, nem vontade, de aplicar o dispositivo legal que os manda estar na CNE em regime de exclusividade. Aliás, o presidente da CNE, em entrevista à comunicação social, no ano passado, chegou a dizer que “não se pode cumprir a lei à risca”. Perante os últimos desenvolvimentos, e relembrando esse arrazoado jurídico, dá para dizer que, para o Professor Doutor João Leopoldo da Costa, pelos vistos, pode-se, afinal, mandar os outros cumpri-la à risca... Bolas!
Ora bem, recapitulando o filme que o ilustre académico nos dera a contemplar, ao longo da sua actuação nesta CNE, a 7 de Setembro passado, a CNE permitiu-se afixar o que chamou de “listas definitivas” dos partidos apurados para concorrer às eleições. Na circunstância, não disse que motivos estariam por detrás da rejeição de numerosas listas partidárias não constantes das suas vitrinas. Os partidos aglomeraram-se junto da CNE, indagando das razões da não aparição das listas na íntegra. Em discurso legalista, a CNE, através de um dos seus vogais, só dizia que “não podemos dizer os motivos da rejeição, porque assim a lei não o permite”. Perante esta bacorada, cabe perguntar: qual lei, qual quê? De que lei falava esse miserável vogal?
Certamente, falava de uma lei local, contrária ao artigo 253 da Constituição da República de Moçambique, que, no seu número dois, diz que “os actos administrativos são notificados aos interessados, nos termos e nos prazos da lei e são fundamentados, quando afectam direitos ou interesses dos cidadãos, legalmente tutelados”.
Violando a Constituição, a CNE recusou-se a informar e a fundamentar, aos cidadãos interessados, as razões que a levavam a denegar um direito legalmente tutelado.
Só que, - pasmai gentes! -, depois de semanas de um braço de ferro, eis que, a 16 de Setembro, a CNE publica a famosa deliberação número 65, com a data de 5 de Setembro, isto é, datada de antes haver sido tomada tal deliberação! De facto, isto só pode acontecer na CNE, exactamente porque, a teor do miserável argumento do referido vogal, tal deliberação não explicava, nem fundamentava as razões de exclusão.
Em flagrante violação ao artigo 166 da Lei 7/2007, de 26 de Fevereiro, a CNE promoveu a inscrição ilegal de um partido de sua conveniência “democrática”, denominado PLD, só que este foi registado no dia 30 de Junho de 2009, quando o artigo em referência só aceita que apresentem candidaturas, apenas, os partidos registados até ao início do prazo de apresentação de candidaturas.
Ora, o prazo referido na lei começou no dia 1 de Junho e, nessa altura, o PLD nem sequer estava autorizado pelo Ministério da Justiça, o que aconteceu a 11 de Junho, que, então, nem sequer, estava registado na Conservatória dos Registos Centrais, onde só o conseguiu a 30 de Junho de 2009, isto é, 29 dias após ter começado o prazo de apresentação de candidaturas.
Se a CNE é um órgão que se diz cumpridor escrupuloso da Lei, por que é que, neste caso, fica mudo? Pior ainda, deu um tratamento privilegiado ao PLD, ao conceder-lhe três oportunidades para o suprimento de irregularidades processuais, quando, aos outros partidos deu, no máximo, duas oportunidades.
Mais grave ainda, é que a última notificação para o PLD suprir as irregularidades aconteceu a 1 de Setembro passado, quando as listas definitivas da CNE tinham a data de 28 de Agosto! Ou seja, o PLD é notificado, a 1 de Setembro, para suprir irregularidades de uma lista que, a 28 de Agosto, já era definitiva!
Em flagrante violação do número dois do artigo 5, da Lei 15/2009, de 9 de Abril, que estipula que a iniciativa de apresentação das candidaturas nas eleições legislativas cabe aos órgãos competentes dos partidos políticos e coligações de partidos, a CNE promoveu e patrocinou, nos seus próprios aposentos, a apresentação da candidatura do partido UDM na província de Sofala, à revelia “dos órgãos competentes do partido”, conforme o obriga o artigo supracitado. Ou seja, a UDM manifestou o interesse e vontade de participar nas eleições legislativas, concorrendo, apenas, nas províncias de Zambézia e Nampula; só que, estranhamente, na vitrina da CNE, apareceu a concorrer na província de Sofala e não nas províncias solicitadas. Porquê?
Dizem que a estratégia da FRENAMO é levar os incautos a pensarem que a UDM e o MDM são a mesma e única coisa, e isto como forma de, para satisfazer os interesses dos partidos Frelimo e Renamo, pulverizarem os votos do MDM em Sofala, garantindo, assim, uma elevação eleitoral da Frelimo numa província onde nunca foi para além de cinco deputados, e para, desse modo, evitar o terramoto político da Renamo, que vê a sua base provincial fundamental a fugir-lhe, gradualmente, dos pés, a favor do MDM. Portanto, para se atingir os objectivos, todos os meios valem, incluindo a manipulação da mandatária, para mudar a vontade do partido, nas instalações da CNE!
Repetimos, se toda esta sujeira é, realmente, feita com conhecimento e beneplácito da Frelimo, então, o partido no poder está em franca decomposição política, sem estratégia, nem estrategas vitoriosos. De tal forma que, mesmo que ganhe as eleições, terá a sua legitimidade governativa beliscada, pois não é dessa forma que se ganham eleições em países democráticos. Urge, por isso, uma grande reflexão interna no seio da Frelimo!
Como se toda a acumulação de infracções acima enumerada não fosse nada, eis que o sempre prestável presidente da CNE, Dr. João Leopoldo da Costa, em plena televisão nacional, declara, em voz alta, no dia 5 de Outubro, e citamos, “Tenho assessores que me foram sugeridos pelo Conselho Constitucional”. Eureka!
Com que então, este senhor faz e desfaz porque existe um acasalamento, inconstitucional, diga-se de passagem, entre a CNE e o Conselho Constitucional? Se os senhores do “Constitucional” é que assessoram a CNE, como é que, em sede de recurso, podem “desassessorar” o seu assessorado? Onde é que está a observância, sobretudo pelo Conselho Constitucional, da regra democrática fundamental, plasmada no artigo 134 da Constituição da República, a regra da separação e interdependência de poderes? Como é que pode acontecer o que o Dr. Leopoldo disse na TVM?
Com um pouco mais de insistência do entrevistador, nós pensamos que o Dr. Leopoldo seria capaz de ser mais franco: informar ao povo moçambicano que alguns dos venerandos juízes conselheiros do “Constitucional” recebem salários na instituição onde ele é reitor, pois, ali, eles dão aulas! Com um pouco mais de insistência, ficaríamos a saber que também, na instituição onde o vogal das leis era, até ao mês passado, director-adjunto, alguns venerandos precisam de horário para dar aulas e, desse modo, aumentarem a sua renda.
Deve ser, por isso, muito fácil aos venerandos conselheiros encontrar,
dentre colegas de docência comum, alguns disponíveis para assessorar “o
chefão da casa” de quem depende, em última análise, a subsistência do vínculo laboral com a instituição académica.
Subjectiva e afectivamente, não é fácil chumbar a decisão do órgão dirigido por quem nos paga salário, todos os meses, pois, perante isso, pode passar-se a impressão de que estamos a chumbar o nosso próprio salário, o que, claro, nos pode custar o cargo de que nos advém esse mesmo salário!
Com esse nível de cumplicidade social e política, temos imensas dúvidas de que os órgãos aqui referidos venham a exercer a sua função com a necessária imparcialidade, isenção e independência. De resto, o que eles estão a fazer é, exactamente, a demonstrar o contrário.
Gostaríamos que nos surpreendessem, nos próximos tempos, começando por corrigir, em vez de justificar, as infracções cometidas até este momento.
Gostaríamos, igualmente, de ver o Ministério Público a cumprir o seu papel de garante da legalidade, ao invés de continuar espectador cúmplice dos atropelos à Lei, e isto com graves repercussões negativas, na imagem do processo eleitoral em curso e na reputação internacional de Moçambique.
Este País merece melhor!


( Salomão Moyana, no Magazine Independente, citado em www.oficinadesociologia.blogspot.com )

Campanha Eleitoral


Caça ao voto na Cidade de Maputo

MDM promete melhorar saneamento em Xipamanine


Maputo (Canalmoz) – No trigésimo e primeiro dia da campanha eleitoral, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), escalou esta terça-feira o populoso bairro de Chamanculo e o mercado de Xipamanine, na Cidade de Maputo. Na sua habitual estratégia de contacto interpessoal e de campanha porta-a-porta, prometeu melhorar o sistema de saneamento.
Em contacto com os moradores daquele bairro, os membros do MDM explicaram que caso aquele partido vença as eleições de 28 de Outubro próximo, haverá mudanças de fundo na estrutura urbana daquele bairro, cujo sistema de drenagem, no dizer deste partido liderado por Daviz Simango, está carecendo de profundas reformas.
Quando chove vive-se um autêntico drama naquele bairro com as águas a evadir as casas, dificultando sobremaneira a transitabilidade. Um outro problema causado pelas águas estagnadas é proliferação de mosquitos. As doenças são por isso uma grande preocupação de quem reside nestes bairros da capital do País.
Partindo desse pressuposto, os membros do «Galo» pediram aos moradores daquele bairro que votem em Daviz Simango e no seu partido, de modo a que esses e outros problemas sejam resolvidos.
Na segunda-feira, o partido do «Galo» escalou o bairro e mercado de Zimpeto. Nos contactos interpessoais prometeu à juventude “um futuro diferente”. Disseram que “a juventude não pode estar votada ao esquecimento num país onde esta corresponde ao grosso da população”. No Zimpete o MDM pediu também votos aos vendedores que desenvolvem suas actividades nas bermas da estrada, fora dos limites do mercado grossistas.
O partido de Daviz Simango prometeu àqueles vendedores, a sua inclusão nas bancas do mercado, pois segundo justificaram eles também são moçambicanos e têm direito a um lugar para desenvolver a sua actividade comercial. É bastante elevado o número de cidadãos que se aglomeram fora do Mercado do Zimpeto, essencialmente grossista, a desenvolverem as suas actividade retalhistas.

(Matias Guente, Canalmoz,14/10/09)

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Campanha em Maputo-Província

MDM promete electrificar Khongolote


Maputo (Canalmoz) – Em mais uma jornada de caça ao voto, o Movimento Democrático de Moçambique escalou ontem o bairro de expansão de Khongolote, no Município da Matola, onde prometeu ao eleitorado local que caso vença as eleições no próximo dia 28 de Outubro, vai electrificar todo o grandioso bairro de Khongolote. Esta promessa, segundo o partido de Daviz Simango, enquadra-se na pretensão do MDM que visa dar resposta a pedidos veiculados pela população, solicitando a electrificação do bairro.
Khongolote é um bairro emergente que surge no âmbito do reassentamento da população afectada pelas cheias do ano 2000. E até esta data, passados cerca de 9 anos, a questão de fornecimento de energia ainda é uma preocupação constante para os moradores.
O MDM apercebeu-se desta preocupação dos moradores do bairro, e empunhando dísticos, colando e distribuindo panfletos, ia prometendo soluções às preocupações da população.
O ponto mais alto da campanha do MDM foi no mercado local de Intaka, onde usou o método de contacto interpessoal com os potenciais eleitores. O responsável da campanha deste partido na Matola, Armando Mahumana, disse que o objectivo do seu partido é garantir que a sua mensagem seja entendida e fazer valer a confiança dos eleitores neste novo partido emergente.
A brigada dirigida por Armando Mahumana, delegado político do partido a nível de Maputo, foi recebida neste bairro com um pouco de receio por parte dos populares, mas à medida que os membros do MDM divulgavam a sua mensagem, os populares iam-se interessando mais.
O receio por parte dos populares, foi caracterizado pelo delegado político do MDM, nesta província, como “resultado das intimidações feitas pela Frelimo”.

MDM garante democracia

O delegado político desta formação política, falando aos populares em Khongolote referiu que “o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai garantir uma democracia efectiva em que cada moçambicano seja o próprio a participar na construção e garantia da democracia no país”. A fonte disse que esta preocupação com a democracia se enquadra no perigo em que a democracia do país está. Referiu que está iminente a extinção da democracia.
Mahumana para sustentar a sua preocupação recordou o facto do Conselho Constitucional ter chumbado o recurso interposto pelo seu partido a reclamar a decisão da Comissão Nacional de Eleições de excluir o MDM de alguns círculos eleitorais, alegando insuficiência de documentos e processos.
O delegado provincial do MDM faz um balanço positivo da campanha eleitoral em Maputo, não obstante lembrar o “cenário de violência que se verifica noutras pontos do país”.

A campanha é pacífica para MDM

A inviabilização da campanha por parte de militantes de partidos políticos, tem-se verificado um pouco por todo o país. O MDM diz que a nível de Maputo são poucos os casos de inviabilização, por parte da Frelimo, Renamo e outros partidos. Armando Mahumana, delegado político na província de Maputo do partido presidido por Daviz Simango, caracteriza de “pacífica” a forma como está a decorrer da campanha eleitoral concretamente a nível de Maputo-Província. Refere, no entanto, que “houve uma tentativa, por parte de desconhecidos de incendiar a sede provincial do MDM” implantada na zona Machava, bairro da Cidade da Matola.

(António Frades, Canalmoz, 14/10/09)

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Nampula: Simango promete reduzir o IVA

O CANDIDATO do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, promete reduzir o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) de 17 para 14 por cento, modernizar a agricultura no país, dinamizar o comércio rural, bem como aumentar os postos de trabalho, caso vença as próximas eleições presidenciais. Maputo, Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2009:: Notícias
Simango, que se encontra a fazer uma digressão pela província de Nampula desdes sábado, tem destacado nas suas mensagens de propaganda eleitoral a pessoa humana como o centro e a razão fundamental de todo o processo social, económico e político, sublinhando a necessidade de o Estado servir efectivamente o cidadão.
O líder do MDM considera essencial a existência de uma efectiva igualdade de oportunidades que permita a todos os cidadãos iguais condições de desenvolvimento.
Por isso, em caso de vitória, Simango diz que o seu governo irá privilegiar a abertura de linhas de crédito bancário para o financiamento de pequenas e médias empresas, sem descurar o controlo da inflação e a racionalização das despesas públicas.
Daviz Simango entende que, volvidos 34 anos de independência nacional e 17 anos de democracia multipartidária, os moçambicanos são ainda chamados a lutar por um Moçambique Para Todos a todos os níveis.
Aquele político referiu que o seu governo irá, também, garantir que mais de 50 por cento do Orçamento do Estado (OE) sejam alocados às províncias, através duma necessária celeridade do processo de descentralização.
Actualmente, segundo Daviz Simango, cerca de 67 por cento dos recursos do Estado são geridos a nível central, sendo os restantes 30 para as províncias e apenas 3 por cento para os distritos.
Para o MDM, este mecanismo de distribuição do OE concorre para a prevalência das assimetrias regionais.
Em Nampula, o candidato do partido do “galo” já escalou os distritos de Murrupula e Mogovolas, para além da capital provincial.

AIM - Notícias

Domingo ataca observadores por fazerem bom trabalho


Num ataque sem precedentes à missão de observadores da União Europeia, o jornal Domingo afirmou ontem que os observadores da UE ”violaram as normas estabelecidas”. Mas um dos exemplos que dão é quase a descrição de qualquer anual sobre observadores fazendo bom trabalho. E a sua outra afirmação é rejeitada pela UE e por jornalistas no terreno como sendo simplesmente mentira.
O Domingo relata que os observadores da UE Rumiana Decheva e Eduardo Salvador in Lichinga “visitaram as sedes dos partidos políticos, com destaque para a Renamo (no dia 5 de Outubro), MDM (no dia 6 de Outubro) e Frelimo (no dia 7 de Outubro). Nessas visitas fizeram várias perguntas aos respectivos dirigentes, tais como (i) o nível de organização do partido; (ii) a sua representação na CNE e no STAE; (iii) se formaram pessoal para membros de mesa; (iv) se têm membros suficientes para cobrir todas as mesas; (v) se registaram escaramuças e há casos nas autoridades, entre outras.”
Isto é o exemplo de como os observadores devem actuar. Os observadores são treinados para fazerem contactos com partidos e convidarem-nos a fazer comentários ou queixas. Eles visitaram os três partidos, fizeram a todos as mesmas perguntas (mostrando não terem favoritismo), perguntaram sobre como estavam preparados para fazer a monitoria das eleições, e deram-lhes a oportunidade de reportar qualquer violação dos procedimentos e da lei eleitoral.
A segunda alegação do Domingo é muito mais grave. Diz que os observadores da UE Sten Gurrick e Carl Olle Blomberg num Toyota Hilux branco, matrícula 666-SCM, acompanhados de uma equipa da RTP, “escoltaram” Daviz Simango de Maputo para Xai-Xai no dia 5 de Outubro, e nos dois dias seguintes passaram todo o seu tempo com Daviz.
Mas a AIM reporta que embora estejam correctos os nomes dos observadores e a matrícula do carro, Gurrick e Blomberg chegaram a Xai-Xai no dia anterior, e dormiram lá a noite de 4 de Outubro. Os dias seguintes passaram-nos a tartar das comunicações e outras exigências e não assistiram a nenhum evento do MDM até sexta-feira dia 9 de Outubro.
A UE acrescenta que quando foram informados de que Daviz Simango estava a mobilizar votos num mercado de Xai-Xai, na segunda feira dia 5 de Outubro, os observadores foram assistir mas chegaram demasiado tarde. O nosso jornalista Carlos Mula confirma que viu dois observadores nesse dia no Mercado Central, mas à hora a que chegaram Daviz já tinha partido porque membros da Frelimo tinham trancado a porta do mercado e impedido Daviz de entrar.

O nosso jornalista no Xai-Xai confirma que os observadores da UE foram vistos sentados num comício onde falava Daviz Simango, mas não se imiscuiu com Deviz ou com o MDM durante o comício. A AIM falou a dois repórteres moçambicanos que cobriam a campanha de Simango e eles não viram nenhuma viatura dos observadores da UE acompanhando o cortejo de Simango.
Uma terceira alegação é esquisita. O Domingo acusa Hendreyes Son, o proprietário holandês da companhia de segurança Bassopa, de se envolver “subtilmente, na distribuição de material de campanha da Renamo na cidade de Maputo.” Acusam-no também de ter tido ligações à CIA nos finais dos anos 1970s e de ter tomado parte no ataque da África do Sul ao ANC em Maputo durante a guerra nos anos 1980s – acusações muito graves que nunca foram feitas antes e que parecem não ter fundamento. Mas são igualmente irrelevantes uma vez que Son não tem ligações conhecidas com a missão de observação da UE.

COMENTÁRIO: No passado treinei observadores e o monitoramento dos observadores em Lichinga feito pelo Domingo mostra que eles estavam a fazer exactamente aquilo que estão treinados para fazer. De facto, deve agradar à UE que um jornalista de fora hostil, reporte que a conduta deles é correcta.
Também é importante lembrar que os observadores são treinados para falar aos partidos, e é-lhes dito que assistam a comícios. Um papel importante dos observadores é serem vistos a assistir a comícios. Uma tarefa fundamental dos observadores internacionais consiste em estarem presentes e assistirem, assim a sua presença ostensiva em manifestações e comícios de todos os partidos é uma componente chave do seu papel.
Finalmente, uma das tarefas dos observadores (e jornalistas) é dar seguimento às queixas. Já reportámos no Boletim que um certo número de comícios de Deviz foram impedidos de acontecer pelos “grupos de choque” da Frelimo e assim é parte da tarefa dos observadores e jornalistas manterem-se atentos aos comícios da oposição para ver se tais incidentes se repetem.
A reportagem do Domingo é um ataque malévolo e injustificado mas confirma que os observadores estão a cumprir o seu papel.
Joseph Hanlon


FONTE: Boletim sobre o processo político em Moçambique , 12/10/09

Professores devem ser julgados


…e exemplarmente condenados para desencorajar estas práticas


Assédio sexual à rapariga nas escolas moçambicanas

(Maputo) A Action-Aid Internacional, uma Organização não Governamental de ajuda humanitária a trabalhar em Moçambique e não só, exige que os professores em exercício, nas escolas moçambicanas sejam processados e prontamente julgados em casos de assédio sexual a alunas. Em caso de se provar o seu envolvimento nestas práticas, defende esta organização, os visados devem, exemplarmente, ser condenados para que casos do género não se repitam.
Assim, acredita a Action Aid, estaríamos a defender e a proteger a rapariga na escola, incentivando a sua permanência e garantindo que, menos casos tenham lugar nos estabelecimentos de ensino do território nacional.
Para a Action Aid, o comportamento de alguns professores representa uma autêntica e inaceitável violência contra as raparigas nas escolas e impede a concretização dos objectivos plasmados no Programa de Acção para a Redução de Pobreza Absoluta (PARPA) incluindo os compromissos assumidos por Moçambique nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Aliás, reconhecendo a existência de práticas consideradas anómalas no sector e protagonizadas por professores, a Organização Nacional dos Professores (ONP), lançou, no ano passado, um código de conduta que estabelece os princípios que devem guiar e inspirar a prática profissional dos professores moçambicanos.
O Código foi elaborado em consulta com professores de todas as regiões de Moçambique e com o apoio técnico e material do Centro de Integridade Pública. Num dos seus pontos, o código reconhece que "em Moçambique, os professores são conotados com práticas desviantes como a cobrança de subornos e rendas, o comércio de notas e ingressos, o assédio sexual das alunas, muitas das quais acabam tendo gravidezes precoces e ficam sujeitas, também, à contracção do HIV", recomendando, por fim, aos professores para se absterem dessas práticas.
Manifestações do assédio sexual
De acordo com a Action-Aid, a violência contra a rapariga manifesta-se através da baixa taxa de inscrição nas escolas, do baixo aproveitamento escolar, da elevada taxa de desistência, do trauma psico-social, da gravidez precoce, dos casamentos prematuros e do aumento da taxa de HIV e SIDA.
Uma pesquisa desta organização sobre a violência contra a rapariga na escola, recentemente feita em 13 países da Ásia e Africa, incluindo Moçambique, indicou que a faixa etária que mais sofre deste problema varia entre 14 a 24 anos.
Em Moçambique, de acordo com Nassima Figia, Coordenadora Nacional da Mulher e Criança da Action-Aid, as províncias de Nampula, Inhambane e Maputo são as que mais casos de assédio sexual nas escolas apresentam.
Na província de Maputo, estes casos fazem se sentir em níveis que merecem intervenção premente das autoridades nos distritos de Moamba, Magude e Matutuíne.



(Eduardo Conzo, MEDIAFAX, 13/10/09)

"São estes abusos, estas faltas de respeito, estas trafulhices eleitorais, que retiram votos à FRELIMO"


Bom dia Julião
Como estás tu e a tua família? Do meu lado tudo bem, felizmente.
Hoje queria comentar contigo uma coisa a que acho muita piada: a propaganda que a FRELIMO faz com base em pessoas de outros partidos que passam a filiar-se no partidão.
Hoje são seis aqui. Amanhã são vinte acolá. No outro dia são mais 15 num outro sítio e por aí adiante.
E os órgãos de informação que lhe são afectos, isto é, os do sector público, pagos por todos nós, dão grande relevo a essas mudanças de partido.
O que nunca é referido é o processo em sentido contrário: os que passam da FRELIMO para outros partidos.
Ora aqueles que, como eu, viveram os tempos imediatamente a seguir à independência nacional sabem que, nessa altura, toda a gente era da FRELIMO.
Se não eram 100% dos moçambicanos, pelo menos mais de 90% eram.
Hoje, se avaliarmos os resultados dos vários processos eleitorais que já decorreram, há milhões de moçambicanos que votam em outros partidos que não a FRELIMO.
Para dizermos a verdade, nas últimas eleições gerais os votos na FRELIMO foram de uma reduzida minoria. A maioria absteve-se ou votou na oposição.
Porque será, então, que se fala tanto numas dezenas de pessoas que se passaram para a FRELIMO e nada se diz sobre os milhões de pessoas que saíram desse partido?
Não haverá aí um grande desequilíbrio? A mim parece que sim.
Vamos ver, depois da próxima votação, em que é que param as modas. Se continua a haver a mesma alta tendência para a abstenção e, caso não haja, para
que lado se inclinam os que antes não votavam e agora passaram a votar. Isso nos dará uma ideia mais clara de qual é a tendência de evolução do eleitorado.
Não serão aqueles poucos cidadãos, apresentados nos comícios, que serão significativos para compreendermos o fenómeno. Nem sequer a nível local, quanto
mais a nacional.
Mudando de assunto.
O Presidente da República, igualmente candidato da FRELIMO à sua própria sucessão, elogiou, recentemente, a actuação da Polícia no decorrer da campanha eleitoral ao dar posse ao novo Reitor da ACIPOL.
E é compreensível esse elogio, mais do candidato Guebuza do que do Presidente Guebuza.
E ilustro com um exemplo:
No sábado passado havia, como é normal, uma longa bicha de carros junto do “ferry” que faz a passagem entre Maputo e a Catembe.
A certa altura aparece um carro da Polícia que interrompe a bicha e faz passar à frente de toda a gente uma coluna de carros da campanha eleitoral de um determinado partido. Qual partido?
Acertou, amigo leitor, foi mesmo da FRELIMO.
E assim lá se foi o “ferry”, levando a coluna de viaturas da FRELIMO e deixando ficar do lado de cá uma série de carros que estavam na bicha e teriam entrado se não fosse a arbitrariedade da Polícia em apoio do “batuque e maçaroca”.
Imagina lá, meu caro Julião, quantos possíveis votantes na FRELIMO não terão mudado de opinião naquele momento.
Eu diria que, mais do que o que fez ou não fez o seu Governo, são estes abusos, estas faltas de respeito, estas trafulhices eleitorais, que retiram votos à FRELIMO, que lhe retiram o apoio de uma parte significativa do eleitorado que não gosta de ver o jogo democrático falseado.
Nos dias antes do início da campanha eleitoral foram feitos vários debates sobre a cobertura, pelos órgãos de informação, da campanha. Um mesmo na Rádio Moçambique.
Pois se tu ouvires qualquer exemplo do Diário da Campanha daquela emissora verás que todas as edições começam com notícias da FRELIMO e do seu candidato. Depois começam a percorrer as variadas províncias e, em cada uma delas, as notícias começam também, sempre, pela FRELIMO e por Guebuza.
Isto para não falar no tempo que é dedicado a cada candidato e até mesmo da qualidade sonora dos apontamentos.
Há dias, noticiando de Tete, falou Armando Guebuza. Na notícia logo a seguir falou Maria da Luz Guebuza e, na seguinte, a delegada da FRELIMO naquela província. Só depois houve escassas notícias sobre os outros partidos.
Será por acaso isto? Não é, obviamente.
Só não percebo por que andaram a gastar tempo e dinheiro a fazer os tais debates.
Um abraço para ti do

Machado da Graça


CORREIO DA MANHÃ – 09.10.2009