Tuesday, 9 June 2009

QUANDO FALAMOS AS MÁSCARAS CAEM

Ou o veneno sai da boca…


É uma das coisas que se podem concluir de determinados articulistas trabalhando em órgãos de informção social como o Diário de Moçambique.
Jornal sediado na Beira tem desde sempre se distinguido em apresentar uma imagem negativa do presidente do Conselho Municipal da Beira desde que a cidade passou a ser governada pela oposição. Nos tempos em que era a Frelimo que governava a Beira nunca se viu este jornal derramar tanto veneno nas suas páginas. O que pode ser considerado de óbvio acaba por ultrapassar as fronteiras do razoável e desembocar numa campanha orquestrada de denegrir a imagem dde alguém que até foi premiado por bom desempenho por entidades internacionais.
Não sou apologista de que se tenha que elogiar alguém quando este procede mal especialmente em relação a coisa pública.
Não estou vendo porque o DM envereda pelo ataque gratuito, puro e simples de tudo o que o eng. Davis Simango faça? O facto de se ter separado da Renamo e criado o seu partido MDM tem merecido velados ataques que o procuram relacionar com retornados portugueses e figuras como o Jorge Jardim pelo facto de ter almoçado com a filha daquele falecido empresário e político português. Quer-se fazer crer a opinião pública o quê? Que os colonos regressarão a Moçambique pela mão do MDM?Qual é o receio e falta de equilíbrio uinformativo que leva pessoas residindo na Beira a escrever algo tão esforçado contra um compatriota que não sendo perfeito trouxe melhorias significativas para esta cidade?
Os moçambicanos sabem que muitos dos orgãos de comuniacção social funcionam debaixo de condicionalismos e sem aquela independência que os poderia permitir informar com verticalidade. A classe dos jornalistas também está influenciada pelos partidos políticos e mesmo eu ao escrever estas linhas sigo uma determinada tendência.
Mas indeopendentemente do que possam ser as nossas inclinações partidárias ao exercermos a nossa função de comentaristas, jornalistas ou simples articulistas não estamos autorizados a mentir aos consumidores de nossas notícias ou comentários.
Com a mentira não se constrói o país e como se pode verificar, tem sido esse tipo de postura acaba lesando a maioria dos cidadãos.Pode-se ser da Frelimo ou da Renamo e não enveredar pela mentira.
E dos jornalistas espera-se clarividência e um sentido de responsabilidade social que não os faça entrar naquilo que se chama de jornalismo de encomenda.
É vergonhoso quando alguém se esforça por vender algo que é obviamente uma encomenda de patrões escondidos ou encobertos. Se existe preocupação com o MDM que sejam os políticos e não os jornalistas a apresentarem os seus factos e posições aos moçambicanos. Nunca os jornalistas aceitarem servir de veículos para a propagação da ideia de só uns moçambicanos é que estão cobertos de razão.
O espaço moçambicano, este país que a todos pertence, deve ser lugar em todos cabemos e em que todos nos possamos expressar e manifestar.
Quem já se levantou contra o facto de por exemplo o governo de Moçambique apoiar Mugabe? Quem autorizou a que tal posição fosse sustentada? Será que a maioria dos moçambicanos concorda com a política externa do governo? O tipo de relação económica e de cooprração que se estabeleceu com países como a China será do agrado dos moçambicanos?
Se falarmos de política de migração será que existe sustentabilidade na proliferação ao se opermitir que entrem e se fixem no país toda uma série de emigrantes que acabam fomentando o narco-tráfico e outros negócios ilícitos?
Mas porque o DM nunca se refere a este tipo de assuntos? Porque está manietado?
Seria interessante saber qual é a verdadeira motivação de alguns moçambicanos quando apontam as suas canetas a pessoas como Davis Simango. A barriga? Alguma ideologia ou pura e simplesmente uma questão de se aceitar ser mercenário a soldo de forças sinistras da esquerda comunista camuflada? Ou será que teremos de ser eternamente governados pelas mesmas pessoas porque elas são os libertadores da pátria?
Temos de olhar para estas e outras questões com olhos de ver.

( Noé Nhantumbo)

Fonte: www.manueldearaujo.blogspot.com

Monday, 8 June 2009

"O povo está cansado do regime”


– Daviz Simango, ao discursar em Nampula, na abertura da II Sessão do Conselho Nacional do MDM

• Não foi eleito o Secretário-Geral • Confirmado que o presidente do partido é candidato à Presidência da República

Nampula (Canal de Moçambique) - Teve lugar no último fim-de-semana, em Nampula, a chamada capital do Norte, a 2.ª Sessão do Conselho Nacional do recém criado «MDM - Movimento Democrático Moçambicano». Falando, no sábado, na abertura do evento, o presidente da organização, eng.º Daviz Simango, que é simultaneamente presidente do Conselho Municipal da Beira, salientou que “o povo está cansado do regime”. E depois de agradecer aos “companheiros” de Nampula o desafio de organizarem o Conselho Nacional, situou o evento como uma iniciativa que iria “definir estratégias importantes num ano eleitoral de risco para a Democracia Moçambicana”.
Ainda na tarde de sábado, logo após a chegada do presidente do MDM a Nampula, alguns membros e simpatizantes da Frelimo passaram em frente do hotel onde decorreu a II Sessão do Conselho Nacional do MDM, com panfletos do «batuque e da maçaroca» colados nos seus carros, mesmo não estando a decorrer nenhum evento da Frelimo. Não houve distúrbios. “Aquilo é medo, eles estão com medo de nos enfrentar, dai pensam que vão nos ameaçar ou até mesmo nos intimidar” – comentavam os membros do MDM. Entretanto, nesta sessão do Conselho Nacional do MDM foi aprovado o Manifesto Eleitoral e a Estratégia Eleitoral, assim como os mecanismos de eleição dos candidatos à Assembleia da República e Assembleias Provinciais, respectivamente.
De acordo com o comunicado final da II Sessão em poder da reportagem da delegação do «Canal de Moçambique» em Nampula, “estas decisões conduzem o Partido a uma outra etapa de luta, em que toda concentração deve residir numa única estratégia: a de participar efectivamente nas eleições e vencê-las”.
O mesmo documento, refere que “ninguém deve excluir outro”. Este detalhe foi a resposta do partido a certas disputas internas protagonizadas por alguns membros que aspiram cargos sem irem por via de eleições internas. Isso tem sido aproveitado pelos adversários da mais nova organização política.
“Devemos ter a consciência de que o Partido precisa de todos. Precisa de mulheres, homens e jovens. Todos são úteis para o engrandecimento do MDM. Ninguém é mais importante do que outro; e ninguém é menos importante do que outro!”, lê-se no documento final que foi passado à imprensa.
A juventude teve um tratamento especial durante os debates.

Daviz candidato presidencial


Um outro dado avançado foi que o presidente do partido, Daviz Simango, foi eleito por unanimidade como candidato às eleições presidências de 28 de Outubro próximo, pelo MDM.
Está assim confirmado que na corrida à Ponta Vermelha Daviz Simango irá disputar o cargo com Armando Guebuza, da Frelimo, Afonso Dhlakama, da Renamo. Nas últimas eleições que Guebuza venceu, em 2004, só teve um adversário: Afonso Dhlakama. “Esta decisão do Conselho Nacional tem um significado importante e histórico, e traduz que o Partido esta pronto para governar, o Partido tem um programa politico e sócio económico para Moçambique e apresenta soluções para os problemas que o pais enfrenta dia a dia derivados da má gestão dos fundos públicos; da politica fiscal punitiva; ausência de politicas de promoção de pequenas e médias empresas; ausência de uma politica agrária; ausência de uma estratégia que possa promover a Juventude e a Mulher dando-lhes a oportunidade de educação e auto emprego”.
No seu discurso de encerramento, Daviz Simango, reconheceu ser “dura a missão” de que foi encarregue, mas disse acreditar que “com o envolvimento de todos será possível vencer todos os obstáculos, assim como a história registou a revolução 28 de Agosto do ano passado”, momento em que houve uma séria cisão na Renamo dando origem a que uma parte viesse a promover a criação do MDM já com a comparticipação de outros cidadãos, com ou sem filiação em outros partidos até então.
Daviz disse que “passados todos estes anos, Moçambique precisa de uma alternância democrática, começando na Ponta Vermelha, passando pela 24 de Julho, onde é exercido o Poder Legislativo, e de uma nova forma de estar de correlação de forças nas Assembleias Provinciais”.
“Os moçambicanos merecem esta nova situação democrática, um governo diferente e um novo presidente, para imprimir uma nova dinâmica”, afirmou o candidato do MDM à Ponta Vermelha salientando que “por isso é correcto dizer que os próximos meses são decisivos para a Democracia e a vida dos Moçambicanos”.
O candidato salientou que “as moçambicanas e moçambicanos terão que decidir o futuro, entre continuar a perder emprego; a assistir a falências das empresas; a ver reduzido o poder de compra; a assistir à discriminação económica e política; a medidas de partidarização do Estado e chantagens permanentes aos funcionários do Estado; e a exclusão social… ou um regime de Democracia participativa, Estado de Direito, Administração Pública Profissional, Solidariedade Social, Credibilidade da Justiça, Defesa da Propriedade Privada e Impostos ao serviço de promoção do Desenvolvimento”.
No fim da tarde de ontem, Daviz Simango e comitiva efectuaram um comício popular no bairro de Namicopo, arredores da capital do norte. Teve uma moldura humana considerável.
Repetidas vezes, o presidente do MDM pediu aos presentes para actualizem os seus cartões de eleitores. “É a condição base para votar”. “Este é um ano decisivo para a democracia moçambicana”. “Todos devem ir votar”. “No voto reside a mudança”, salientou.
No comício, dezenas de cidadãos renunciaram a membros de outros partidos, com destaque para a Renamo e Frelimo e desta forma se juntaram ao MDM. Algumas pessoas pediram a Daviz Simango para não enfraquecer. “Que não seja como os outros políticos que um dia já foram a esperança deste país”.


“Tentativas de sabotagem”


Algo estranho começou a acontecer logo que a comitiva presidencial do MDM chegou à cidade de Nampula. Pela operadora Mcel já não era possível efectuar nenhuma chamada. A situação agravou-se por voltas das 20h de sábado. Entretanto tudo parou, até à noite de ontem. Para o governo ficou o ónus. “São politiquices de quem tem a faca e o queijo na mão”, ouvia-se. “Houve uma mão da Frelimo para que a comunicação dificultasse os trabalhos do MDM”, foi outra afirmação que registámos. Mas se foi essa a intenção, a mesma caiu em terra, porque a Vodacom estava a funcionar em pleno. As TDM ontem à noite esclarecia o sucedido. Alegou que a MCel deixou de funcionar em chamadas do Sul para o Centro e Norte do País devido a uma “avaria no cabo de fibra óptica registada na zona do Tofo”, em Inhambane.
A Mcel, na cidade de Nampula, não produziu qualquer comunicado. No resto do País e a nível central, também não. Ficou por perceber como é que a avaria na fibra óptica só afectou a Mcel e não afectou a Vodacom.
A Renamo, em Nampula, não se conseguiu conter com a presença dos membros do Conselho Nacional do MDM. Arranjou motivos suficientes para criar brigas com os membros e simpatizantes do MDM. Mas foi em vão. Não conseguiram réplica. Elementos que se presuma serem da Renamo destruíram o alpendre do local do comício para tentar a não concretização do evento. Mas Daviz Simango falou da caixa de um 4x4.

( Aunício da Silva, Canal de Moçambique, o8/06/09 )

Sunday, 7 June 2009

A Fábula do Burro




Um dia, o burro de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso o animal chorou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer.
Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o burro de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O burro não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o burro aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou.
O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu.
A cada pá de terra que caía sobre suas costas o burro a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai te jogar muita terra nas costas. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela. Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.
Podemos sair dos mais profundos buracos se não nos dermos por vencidos. Use a terra que te jogam para seguir adiante!

Recorde-se das 5 regras para ser feliz:


1. Liberte o seu coração do ódio.
2. Liberte a sua mente das preocupações.
3. Simplifique a sua vida.
4. Dê mais e espere menos.
5. Ame-se mais e...aceite a terra que lhe jogam. Ela pode ser a solução, não o problema.

( Autor desconhecido )

Saturday, 6 June 2009

A crise chega a todos!




A Economia está definitivamente cada vez pior!!!

Friday, 5 June 2009

Conselho Nacional do MDM

O Conselho Nacional do MDM terá lugar entre sábado e domingo, em Nampula. O presidente do MDM, Daviz Simango, chegou ontem à noite a Maputo onde veio participar em actividades da Associação de Municípios de Moçambique na sua qualidade de presidente do Município da Beira. No Conselho Nacional do MDM em Nampula espera-se que seja designado o Secretário-Geral do novo partido dirigido por Daviz Simango. Pelos estatutos cabe ao presidente do MDM designar o SG, mas o «Canal de Moçambique» apurou que Daviz Simango prefere remeter ao Conselho Nacional a faculdade de eleger três nomes para desses ele então escolher um. No entanto, a nossas fontes indicam que a designação de um SG poderá ser adiada para o 1.º Congresso do MDM a ter lugar depois das eleições gerais, ou para a próxima reunião do Conselho Nacional, em 2009.
A tese que está a prevalecer é que a escolha do SG não é prioritária para já, sendo que a grande prioridade é organizar a participação do MDM nos próximos pleitos.

( Canal de Moçambique, 05/06/09 )

Movimento Democratico de Mocambique-(MDM)

O que e' MDM?
E' certo que existem muitas perguntas sobre o surgemento do MDM e o seus objectivos sobretudo nas cabecas daqueles que nao querem que mocambique se desenlva em democracia. Essas perguntas sao de facto acompanhadas por tipos de esterios que descrevem a MDM com objectivo de desmobilisar a massa popular em receber e aceitar esta nova onda democratica em Mocambique. Contudo pode se confirmar que a massa popular e a base em Mocambique estava desde ja a espera desta oportunidade, uma era marcada por aparecimento de um movimento democratico nascido de uma democracia Mocambicana. Um movimento, fihlo de ambos de dois partidos mais populares em Mocambique, Renamo e frelimo.
Sim, este movimento e' resultado da competicao marcada no mercado democratico entre a Frelimo e a Renamo e os que o formaram conhecem muito bem as estrategias politicas que os dois gigantes sempre usaram e continuam a usar e dai ha' esperanca de que MDM venha ser capaz de capitalizar os erros que os pais praticam e demonstrar uma democracia viavel em Mocambique. Entretanto e' ainda prematuro adiantar que O MDM saira' vitorioso nas proximas eleicoes gerais marcados para Outubro do ano corrente, porem existe ja um sentimento de felecidade nos coracoes daqueles que teriam perdido esperanca democratica e que teriam sido desencourajados pelos FRELIRENAMOS. Eles ja pulam e saltam com a alegria porque o MDM e' e sempre sera' inclusivo e diferente dos dois antagoinistas.
existem aqueles que ja afirmam que o MDM e' um partido da Beira, MDM e' filho da Renamo, MDM e' so um sonho em base. A verdade e' que o MDM e' um partido recemnascido e forte em Mocambique composta por todos tipos de camadas socias do Rovuma ao Maputo. O MDM e' resultado das desparidades democraticas cometidas pela a Frelimo e a Renamo e e' dai onde este partido e' forte.
Porem ha' que realcar que o povo Mocambicano deveria se orgulhar desta maduridade porque ela e' a verdade democratica que se manifestou devido a pratica de democracia iniciadas ja a 17 anos depois de introducao do sistema multidario em Mocambique, dai ha que dar credito os pais deste partido que sao a frelimo e Renamo.
O MDM nao e' apenas partido dos Ndaus, Makuas, changanes, Masenas, Madeues, Manhungues, Maparpatos, Nhanjas,ajawas, Rongas, Machiwabos, Makondes e outros mas tambem ele e' um partido dos Mocambicanos do Rovuma ao Maputo.
Juntos unidos construiremos uma democracia verdadeira em Mocambique.
Avante MDM!


( Raul Novinte, www.vozdenampula.blogspot.com )

Bancada da Frelimo e Governo festejam “realizações” e “morte da Renamo”

… O porta-voz bancada da Renamo-União Eleitoral, José Manteigas, diz que a bancada da Frelimo aliou-se ao governo para fazerem discursos provocadores, evitando dessa forma que o governo respondesse às questões levantadas pelos deputados da oposição .


Maputo (Canal de Moçambique) – A sessão de ontem de insistência ao governo no Parlamento, terminou em festa para a bancada da Frelimo e membros do governo. Os deputados da bancada do partido governamental, Frelimo, despiram-se de qualquer máscara e manifestaram o seu apoio total e incondicional ao governo. Entre os discursos dos deputados da Frelimo e da primeira-ministra, os deputados da Frelimo, com apoio em aplausos e gritos dos ministros presentes, levantavam-se dos seus assentos e entoavam cânticos à mistura com palavrões de provocação aos deputados da bancada da oposição. Foi verdadeira aliança entre o governo e os chamados representantes do povo da bancada da Frelimo. O pretexto da festa era de que “a pobreza está a ser vencida em Moçambique e a Renamo morreu politicamente”.

Elogios ao governo


A sessão de ontem estava reservada às questões de insistência às respostas dadas pelo governo ontem e na véspera. Entretanto, do lado da Frelimo, não houve nenhuma questão de insistência. Houve sim muitos elogios ao desempenho do governo. Para o governo e para a Frelimo está tudo bem no País.
Danilo Ragú, deputado da Frelimo, invocou, por exemplo, “a melhoria do abastecimento de água, das condições de transporte de passageiros e bens na província de Gaza” (seu círculo eleitoral), como sendo sinais de que as condições de vida dos moçambicanos melhoraram. Embora não seja essa a percepção da esmagadora maioria da população, foi assim que se celebraram os sucessos enumerados.
Ragú disse ainda que nos distritos de Mabalane, Massangene e Xigubo “hoje as pessoas são transportadas em condições confortáveis e de comodidade, contrariamente ao que se verificava no início do quinquénio, em que as pessoas eram transportadas em camiões, juntamente com gado”. No quinquénio anterior o País foi governado sob liderança de Joaquim Chissano, presidente da Frelimo e presidente da República que antecedeu Armando Guebuza no poder. Entrando na senda de provocações, o deputado Ragú apelidou os seus pares da bancada da oposição de “míopes e de estarem ao serviço de alguns cidadãos incautos”.
Alegou que “os deputados da Renamo utilizam água canalizada; usam corrente eléctrica; circulam em estradas asfaltadas; usam telemóveis; televisores… no entanto, reclamam que no País não há água, luz, vias de acesso transitáveis…”.

“Nós temos, mas o povo não tem”


A resposta ao deputado da Frelimo não tardou a chegar. Veio de Luís Boavida, da Renamo-UE. O deputado disse que “é verdade que dispomos de tudo o que o senhor deputado Ragú enumerou, mas isso não é o suficiente para nós se o povo ainda não tem acesso a esses bens fundamentais”. “A Renamo preocupa-se com o povo”, rematou Luís Boavida.

Persistência de bolsas de fome


Continuando já com questões dirigidas ao governo, Luís Boavida disse: “não é porque como na minha casa que não vou falar de fome”. Boavida, de seguida questionou a razão porque persistem bolsas de fome no distrito de Memba e na cidade de Nacala-a-Velha, em Nampula, se nos distritos de Ribáuè e Melema, na mesma província, se regista fartura em produtos agrícolas. Considerou que por um lado a “comercialização de produtos agrícolas em Moçambique é garantida por vendedores de «Dumba Nengues», essencialmente constituídos por senhoras provenientes da região sul do país. Questionou, portanto, porque razão o governo não financia a comercialização dos produtos agrícolas.
Continuando, o deputado da Renamo pediu, por outro lado, explicação ao ministro da Agricultura, sobre o que foi desenvolvido no âmbito da “Revolução Verde”. Questionou igualmente porque razão já não se fala da produção de Jatropha.

“São tribalistas e querem dividir o país”


Edmundo Galiza Matos, deputado da Frelimo, já que deputados da sua bancada não faziam nenhuma questão de insistência ao governo, pediu a palavra para acusar seus pares da oposição de “tribalistas, regionalistas e de pretenderem dividir o País”. Disse que “os deputado da Renamo estão em delírio dos seus últimos dias do ciclo de vida”. Aproveitou a notável ausência de muitos deputados da Renamo na sessão, para dizer que os mesmos abandonaram o partido liderado por Afonso Dhlakama.
Assim foi decorrendo a sessão, com os deputados da Frelimo a manifestarem o seu apoio ao governo e elogios ao presidente da República, que é igualmente presidente da Frelimo, e a acusarem a Renamo de falência política. Por sua vez os deputados da Renamo não reconheciam nenhuma realização do governo e acusavam a bancada da Frelimo de estar aliada ao governo para juntos promoverem desmandos.



Cumprimos com o Plano Quinquenal



Entretanto, até ao fim da sessão, os ministros não mais se levantaram para responder às perguntas de insistência levantadas pelos deputados da Renamo, a cada pelouro. Foi a primeira-ministra, Luísa Diogo, que se levantou para encerrar a sessão e dizer que o governo cumpriu com a sua missão. “Nesta que é a última presença do presente governo no Parlamento, na presente legislatura, quero afirmar que o governo sai daqui com o sentimento de que cumprimos com a nossa missão. Cumprimos com o nosso Plano Quinquenal que aqui apresentamos no dia 30 de Março de 2005”, disse a primeira-ministra.

Bancada da Frelimo aliou-se ao governo


Convidado a avaliar aquilo que foi a última presença do governo na Assembleia da República para efeitos de prestação de contas, o porta-voz da Bancada da Renamo-UE acusou os deputados da Frelimo de terem-se aliado ao governo a obstruir a prestação de contas do governo no Parlamento.
Disse não ser verdade que a Renamo não reconhece nada que o governo tenha feito no quinquénio que está prestes a findar, só que no entender da Renamo, “o que se fez é muito pouco em relação ao que se prometeu e nós queríamos que o governo assumisse isso!”, disse o deputado.
Assim terminou a última sessão de prestação de contas do actual governo no parlamento, nesta 6ª legislatura. O próximo governo a apresentar Plano Quinquenal para 2010-2014 será indicado pelo presidente que vencer as próximas eleições já marcadas para 28 de Outubro do corrente ano. Para a Assembleia da República haverá também eleições na mesma data.

( Borges Nharrime, Canal de Moçambique, 05/06/09 )

Glória de Sant´Anna, emblemática e injustamente esquecida, diz Nelson Saúte


Maputo – Moçambique perdeu, com a morte da escritora Glória de Sant´Anna, “uma das vozes mais emblemáticas e injustamente esquecida” da literatura, disse terça-feira à Agência Lusa, em Maputo, o escritor moçambicano Nelson Saúte. “Foi muito importante para a poesia moçambicana, foi de uma grande exigência estética e uma grande poeta da língua portuguesa”, acrescentou Nelson Saúte, autor de uma antologia de poesia, “Nunca mais é sábado”, na qual a escritora está representada. Glória de Sant´Anna morreu terça-feira em Ovar, tendo vivido durante 23 anos em Pemba, no norte de Moçambique, onde foi professora. Nasceu em Lisboa (1925) e viveu em Moçambique de 1951 a 1974, onde escreveu parte da sua poesia, com Nelson Saúte a lembrar o livro “Distância”, “Livro de Água” ou “Poemas do Tempo Agreste”, “na tradição da melhor lírica”, uma “poesia que investe muito na metáfora, no conhecimento da vivência africana, contemplada por exemplo no poema “bairro negro”. “Conheci-a pessoalmente, convivi com ela, era uma escritora de uma grande exigência, também com uma certa inquietude social, de alguém que entende as circunstâncias que a rodeiam”, disse Nelson Saúte, acrescentando que em Pemba os alunos tinham dela também “as melhores referências”. “Pessoalmente tenho dela as melhores lembranças e sinto que ficamos mais pobres”, disse.

FONTE: Lusa, 03/06/09

Thursday, 4 June 2009

Governo foi à Assembleia da República repetir discursos de auto-elogio

• “Moçambique é o único País da África austral onde a cesariana é gratuita” – Ivo Garrido, MISAU • “Aumentámos o número de mulheres nos cargos de comando e da chefia na PRM” – José Pacheco, MINT • “Ligamos todas províncias do País a fibra óptica” – Paulo Zucula, MTC • “Valas comum na berma da N1 atrasam as obras de reabilitação” – Felício Zacarias – MOPH


Maputo (Canal de Moçambique) – Naquilo que constitui a última série de presença nesta legislatura perante dos representantes do Povo ou Assembleia da República, o actual governo esteve ontem lá, em peso, para responder às questões dos deputados. O executivo liderado por Armando Guebuza esteve encabeçado pela primeira-ministra Luísa Diogo e, essencialmente foi lá auto-elogiar-se.
No primeiro dia reservado às 10 questões formuladas pelos deputados das duas bancadas – da Frelimo e da oposição, Renamo-União Eleitoral – o Governo destacou as realizações efectuadas durante o quinquénio entre as últimas eleições gerais de 2004 e as próximas já marcadas para 28 de Outubro. Não houve novidades de facto. Foi a repetição do que tem vindo a dizer nas diversas ocasiões que os governantes do país foram ao Parlamento falar do seu trabalho. Inclusive algumas apresentações ontem feitas pelos ministros são do mesmo teor das que já haviam sido feitas na anterior ida do governo foi ao parlamento, em 2008.

Questões dos deputados

Tal como prevê o artigo 158 do Regimento das Assembleia da República, cada bancada parlamentar formulou 5 questões que foram enviadas com antecedência ao parlamento.
A Frelimo, partido que governa o País, queria saber o estágio actual do abastecimento de água, com destaque nas zonas rurais; quis ouvir sobre a reabilitação e manutenção periódica das estradas; a expansão dos serviços de comunicação; a disponibilização dos serviços de saúde para todos os cidadãos e o impacto das medidas implementadas para a mitigação da crise financeira internacional.
Por sua vez, a Renamo-União Eleitoral, a oposição, quis saber, do governo, o que ele está a fazer de concreto para o combate à criminalidade e os respectivos resultados; as razões do custo de vida estar cada vez mais insuportável para os moçambicanos; a persistência de bolsas de fome em algumas regiões do país; e como se calculam as taxas, os preços da portagem na auto-estrada em Maputo; e das facturas de energia eléctrica. Energia que anda por um preço tal que nem parece que Moçambique é um País com enorme disponibilidade de energia mas que a cobra a preços nunca dantes imaginados levando hoje os cidadãos ao desespero.
Postas as questões dos deputados seguiu-se a fase das respostas pelos ministros. Cada ministro respondeu às questões do seu pelouro. Resumimos as intervenções:

José Pacheco – Ministério do Interior

O ministro do Interior, José Pacheco, por exemplo, nada de essencial disse, a não ser que “entre 2004 a 2008 houve aumento de 121 para 210 mulheres nos cargos de comando e da chefia, na da PRM”.
Pacheco não falou, por exemplo do “mítico” Agostinho Chaúque que continua a não ser localizado pela Polícia. Não falou da fuga de “Aníbalzinho”, um dos confessos autores do assassinato do jornalista Carlos Cardoso que fugiu da Cadeia do Comando da Polícia da Cidade de Maputo e mantém-se em parte incerta. Foi a terceira vez que fugiu das celas, é um dos mais mediáticos cadastrados do País, mas o ministro voltou a não tocar na questão. Como não citou sequer as misteriosas fugas de outros criminosos de cadeias e outras celas de comandos da Polícia. Não falou do polémico caso de Mongicual, em Nampula, onde 12 cidadãos morreram asfixiados nas celas do comando distrital local. Não falou das tortura nas cadeias de Tete. Pacheco fez uma apresentação considerada pelos deputados da Renamo, “infeliz”, contrariamente à visão dos deputados do partido Frelimo que ovacionaram o ministro.

Ivo Garrido

O ministro da Saúde, Ivo Garrido não fugiu à regra dos seus pares. Apresentou o balanço das actividades desenvolvidas pelo seu ministério durante o quinquénio prestes a findar. Falou da eliminação total da lepra, da redução dos casos de contaminação por tuberculose e de aumento da cura da mesma doença. Reconheceu por um lado a persistência da seroprevalência de HIV/Sida e disse que é preocupação do ministério que dirige, reverter o cenário actual. Os números, no entanto, têm vindo a crescer de forma assustadora e mesmo assim suspeita-se que não reflictam bem a realidade. Para Ivo Garrido está-se bem.
Gratuitidade dos serviços de Saúde

O ministro de Saúde enalteceu por exemplo a tendência de gratuitidade dos serviços de saúde prestados aos cidadãos moçambicanos nos hospitais públicos, embora os tempos de espera e mesmo até a qualidade continuem a deixar a desejar e a merecer dos cidadãos os mais vivos protestos. Preferiu, em ano de eleições, o espectáculo e o auto-elogio. Disse que “Moçambique é o único país da Africa Austral onde um parto de cesariana nos hospitais públicos é gratuito”. Falou ainda da gratuitidade do tratamento da malária, tuberculose, entre outros serviços que o Estado fornece aos cidadãos a baixos custos. Não falou, no entanto, do martírio por que têm de passar os doentes para serem atendidos, nem falou da contínua fraca atenção que o pessoal da Saúde dá aos doentes, nem dos tempos de espera a que os doentes têm de se sujeitar até serem atendidos.

Paulo Zucula – Ministro dos Transportes e Comunicações

Por sua vez, Paulo Zucula também subiu ao pódio para falar das realizações nos sectores que tutela. Elegeu a ligação das capitais pela fibra óptica como o elemento mais marcante. Disse que em 2004 a ligação a fibra óptica era entre Maputo e Beira, e hoje todas capitais provinciais estão ligadas através de fibra óptica.
Disse igualmente que “o tempo de espera dos passageiros nas paragens (de autocarros) reduziu de 2h.30min, em 2006, para meia hora, em 2008”.
Falou da aquisição de 6 barcos para a travessia de baías inter-cidades ou inter-zonas como é o caso, por exemplo, da Baixa de Maputo para a Catembe e Maxixe-Cidade de Inhambane. Falou da aquisição de 3 automotoras que agora prestam serviços de e para os arredores da Cidade de Maputo. Também se ficou pela descrição de realizações.
Sobre a preocupação da Renamo-UE relacionada com a forma como é estabelecida a taxa de portagem na “auto-estrada” de Maputo, o ministro disse que a mesma é calculada com base em estudos do IRPC feitos na Africa do Sul e em Moçambique, os dois países que beneficiam da portagem na estrada Maputo-WitBank. Disse ainda que a cobrança de taxas de portagem na N4 será de aproximadamente até de 25 a 30 anos depois da inauguração do empreendimento.

Salvador Namburete

O ministro da Energia, Salvador Namburete, explicou por sua vez, que o cálculo da taxa de consumo da energia eléctrica é feita com base em critérios que permitam a cobrança das mesmas taxas nas zonas urbanas, onde o custo de instalação da rede eléctrica é menor, e nas zonas rurais, onde o custo de instalação é maior. Disse ainda, entretanto, que ao fixarem-se as taxas previu-se uma tarifa para as famílias com menor consumo, ou seja, com um consumo mensal não superior a 100kw, criou-se uma taxa especial, designada por «Tarifa Social». Esta tarifa tem a particularidade de estar parcialmente livre e IVA. Ou seja, é lhe aplicada uma taxa de IVA de 10 % e não de 17% como acontece com os restantes produtos e serviços da Electricidade de Moçambique e outros trespasses comerciais.

MOPH

O ministro das Obras Públicas e Habitação, Felício Zacarias, disse, por sua vez, que no troço Massinga-Nhachengwe, a equipa de trabalho que está a reabilitar e ampliar a Estrada Nacional número1 (N1), está a encontrara restos mortais de seres humanos enterrados em valas comuns, e anunciou por seu turno que isso está a obrigar a paragem das obras, para que se possa previamente remover as ossadas e proceder a novos enterros. O ministro disse que a situação atrasa a reabilitação da rodovia, visto que a remoção e os novos enterros são feitos em cerimónias tradicionais que envolvem as comunidades locais.
Assim foi o primeiro dia de perguntas e respostas ao governo no parlamento, com as intervenções doutros ministros a pautarem-se pelo mesmo diapasão. A sessão continua hoje com as perguntas de insistência dos deputados das duas bancadas.

(Borges Nhamirre, Canal de Moçambique, 04/06/09)

Mobilização de jovens fundamental nas eleições de Outubro

Dos jovens depende o envolvimento popular nas eleições de Outubro.
O envolvimento popular nas eleições de 28 de Outubro em Moçambique dependerá da mobilização dos jovens, que representam cerca de 60 por cento da população do país, defendeu esta terça-feira em Maputo Barnett Rosenberg, especialista norte-americano em campanhas eleitorais.
Falando a jornalistas à margem de uma palestra dedicada ao tema “Cobertura Eleitoral - O Papel dos Media nas Eleições EUA 2008”, Barnett Rosenberg afirmou que o peso dos jovens na composição demográfica de Moçambique impõe uma maior incidência sobre este segmento da população nas acções de mobilização para as eleições gerais deste ano.
Moçambique terá a 28 de Outubro a escolha do Presidente da República, dos deputados da Assembleia da República e dos membros das assembleias provinciais.
“A maior ou menor afluência do eleitorado moçambicano às eleições será condicionada pelo interesse do eleitorado jovem pelo processo. Se poucos jovens acorrerem às urnas, é pouco provável que haja no geral uma forte participação, porque li que os jovens são cerca de 60 por cento da população aqui”, disse o perito norte-americano em campanhas eleitorais.
Barnett Rosenberg fez uma analogia entre as eleições presidenciais de 2008 nos EUA e o processo eleitoral moçambicano deste ano, apontando similaridades “no papel decisivo do eleitorado jovem” nos resultados das duas eleições.
“Barack Obama ganhou porque conseguiu cativar o eleitorado jovem norte-americano, normalmente alheio a estes exercícios. Aqui em Moçambique, a mobilização dos jovens será mais determinante ainda, porque eles são a maioria da população”, observou Barnett Rosenberg.
Propostas de debate sobre questões que afectam especificamente a população juvenil, como o emprego, habitação e educação, é uma das fórmulas indicadas pelo perito norte-americano para atrair os jovens ao processo eleitoral.
“Os problemas dos jovens não são necessariamente os mesmos de outros sectores da população”, sublinhou.
Barnett Rosenberg, que é também gestor de Ética de Grupos e da Conduta de Negócios na Meggit, PLC, uma companhia internacional de tecnologia aeroespacial, acompanhou as campanhas eleitorais de seis Presidentes norte-americanos, desde Dwight Eisenhower até Barack Obama.


( O País, 4/6/09 )

Advogado dos quatro estrangeiros detidos em Tete requer instrução contraditória


Maputo - A defesa dos quatro estrangeiros presos na província moçambicana de Tete, acusados de tentar sabotar a barragem de Cahora Bassa, requer esta semana a instrução contraditória e vai pedir a liberdade dos detidos, entre eles um português. Hermínio Mhatumbo, advogado dos quatro homens, disse terça-feira à Lusa que já foi notificado pelo Tribunal e que os quatro são acusados de sabotagem, contrabando, alteração de bens de consumo e infracção administrativa. Os quatro, um português, um alemão, um tsuana e um sul-africano, detidos desde 21 de Abril, foram presos por terem colocado na barragem um produto que a polícia disse ser “corrosivo a betão e metal” mas que eles garantem ser “orgonite”, um preparado de resina e aparas de metal que transmite boas energias nos locais em que é posto. O advogado disse estar plenamente convicto de que os quatro serão libertados ainda durante a instrução contraditória e que não serão sequer levados a julgamento, porque três das acusações (contrabando, sabotagem e alteração bens de consumo) “são exageradas e não são normais”. “Podem ser pronunciados por não terem pedido autorização para colocar o produto, mas não vejo a nível processual matéria para outro tipo de acusação”, disse à Lusa, acrescentando que mesmo que o juiz decida levar os quatro a Tribunal espera que “aguardem o julgamento em liberdade”.
“Mas estou convicto que um juiz, se não estiver influenciado, deverá libertá-los a nível da instrução contraditória”, afirmou, acrescentando que espera também que o Tribunal cumpra os prazos, o que da parte do Ministério Público também aconteceu.
Hermínio Mhatumbo disse que dentro de duas semanas poderá acontecer a instrução do processo e que os quatro detidos estão também convictos de que sairão em liberdade.
O Ministério Público acusou os quatro homens de sabotagem, por terem deitado na albufeira da barragem um produto “corrosivo”, de contrabando, por terem entrado em Moçambique sem declararem a “orgonite”, de alteração de bens de consumo, por terem deitado o produto na água, e de infracção administrativa, por exercerem uma actividade sem pedido de autorização.
A acusação de sabotagem baseia-se em três análises à “orgonite”, feitas em Moçambique, uma delas pela própria hidroeléctrica, outra pelo Laboratório de Engenharia Química de Moçambique e a terceira pelo Laboratório de Alimentos e Águas de Moçambique.
“O relatório do Laboratório de Alimentos e Águas refere que a água da barragem pode ser consumida e nele nada consta contra os acusados, mas o Laboratório de Engenharia Química fala da existência de acidez que pode influenciar no desgaste de materiais metálicos a longo prazo, enquanto o relatório da HCB conclui que os objectos lançados à barragem são corrosivos e podem perigar a estrutura metálica e o próprio betão”, disse à Lusa fonte judicial.

FONTE: Lusa

Glória de Sant'Anna - o silêncio intimo das coisas


No Moçambique que precedeu a independência, a qual teve lugar em 25 de Junho de 1975, muita coisa aconteceu, como não é sabido de toda a gente. Na realidade, não é sabido de quase ninguém, exceto de uns poucos ( e não todos) que lá viveram.
Muito se tem escrito, sobretudo no pelouro em que impera o "discurso político", acerca do que foi ou não foi o chamado período colonial português. Seja dito de passagem que mais se tem falado do que acertado. É com lindos sentimentos que se faz má literatura, disse-o um dia Gide, irritando Claudel, e é também com angélicas intenções que se trai, frequentemente, os mandatos da história. Não deixa sobretudo de ser curiosa a fácil boa consciência de quem, no chamado Portugal continental, bem mais se aproveitou (e prosperou) com a exploração colonial do que tantos que pelo ultramar tristemente se alienaram, pobre e honradamente viveram e, para o fim, alucinadamente se desintegraram. De gente séria, pobre e perplexa ( e não só da outra), está a história de Moçambique também cheia, como não é do conhecimento confortável de algumas consciências bastante poluídas, que depois facilmente se reconciliaram consigo próprias, por vias mais ou menos expeditas...Com a publicação, em 1961, em Moçambique, do livro de poemas "Livro de Água", laureado com o premio Camilo Pessanha, confirmava-se, para alguns, e revelava-se, para muitos outros, um dos nomes mais importantes da poesia portuguesa, em Moçambique, e um dos poetas mais notáveis, em língua portuguesa, dos últimos vinte e cinco anos: Glória de Sant'Anna. Para o leitor da antiga "metrópole", um livro em língua portuguesa, publicado em Moçambique, Angola ou também em Cabo Verde, era, por assim dizer, um livro "perdido". Os nomes de Rui Knopfli, Sebastião Alba, Glória de Sant'Anna, Lourenço de Carvalho e, até certo ponto, mesmo o de João Pedro Grabato Dias, entre outros, nada ou quase nada significavam para o leitor confinado, como diria Jorge de Sena, entre o Chiado e a Rua Ferreira Borges...Não se sabia muito bem quem eram, o que faziam, o que pensavam... E o fato de estarem a viver "lá" era já, em principio, um motivo de apreensão. ... Glória de Sant'Anna foi, para Moçambique, um produto de importação. Nascida em Lisboa, em 26 de maio de 1925, concluiu o curso complementar de Letras no Colégio de Odivelas, casou em 1949 e, dois anos depois, partiu para aquela colônia portuguesa onde fixou residência, em Nampula. Em 1953 mudou-se, com sua família, para Porto Amélia (hoje Pemba), onde permaneceu, frente à vasta baía, quase até ao regresso definitivo a Portugal, em Dezembro de 1974 ( os dois últimos anos passou-os a poetisa em Vila Pery)....O "seu chão" fora Pemba, o mar, a água, o "vento de prata/manso, manso". O "mar calmo e estranho" tornara-se a presença fraterna, terapêutica, ameaçadora, tranquila, lisa, ominosa, às vezes trágica-densa, sempre vigilante. E os momentos passados à sua beira exprimiam a dignidade de momentos "translúcidos e antigos". Arrancada deste chão onde se encontrava "inteira", o exílio em que, ironicamente, se traduziu o regresso à pátria teve consequências traumáticas. ... ... Isto é, durante cerca de quatro anos, nada produziu.
Em Portugal, de Norte para Sul e do Sul para Norte, entre Ovar e o Algarve, tentando reencontrar o rumo que não havia (o mar, que é bom "porque é concreto", ficara para trás), Glória de Sant'Anna foi sobrevivendo ao rés de um desespero nem sempre inteiramente dominado. Durante vários anos arredada do "seu" mar, que era em Pemba, e da "sua" escrita, que dele se alimentara, Glória de Sant'Anna fixou-se finalmente em Ovar: - "Atualmente, na minha condição de aposentada, reparto o tempo pela casa e pela família e ajudo o meu marido num gabinete de arquitectura e obras, que abriu perto daqui".
A obra de Glória de Sant'Anna, na sua concentração e densidade, na sua liquidez secreta e cheia de pudor, na sua misteriosa claridade, na sua "mortal" e dominada angústia, consta essencialmente de sete livros publicados, seis de poesia ( Distância, 1951; Música Ausente, 1954; Livro de Água, 1961; Poemas do Tempo Agreste, 1964; Um Denso Azul Silêncio, 1965 e Desde que o Mundo e 32 poemas de Intervalo, 1972) e um de crônicas (...Do Tempo Inútil, 1975). Além destes o volume agora editado (1984) inclui 4 livros inéditos: A Escuna Angra (1966-68); Cancioneiro Incompleto (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); Gritoacanto (1970-74 e cantares de Interpretação (1968-73. O resto é trabalho disperso por revistas e jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (L. M.) Diário de Moçambique (Beira) Noticias (L.M.), Tribuna (L.M.), Sul (Brasil) e Caliban (L.M.).
Glória de Sant'Anna tornou-se quase desde o seu "aparecimento" discreto, uma das vozes mais geralmente reverenciadas, no panorama literário de Moçambique. Mas aquilo a que poderíamos, sem exagero, chamar a sua "glória", nada teve de ruidoso. A autora do Livro de Água foi sempre um personagem de um pudor e "retiro" exemplares, na feira intelectual que, em Moçambique, como em todo o lado, tinha os seus profissionais da promoção e da acrobacia. "Serei tão secreta/como o tecido da água" afirmará ela, num dos seus poemas. De fato, toda a sua obra, de um extremo ao outro, é um alongado programa de homenagem à nobreza do "silêncio" e do "falar pouco".
Dizia um grande escritor deste século que sofria por causa dos homens a quem se não dá o lugar que merecem. E acrescentava haver nas letras francesas de hoje alguns exemplos dessa injustiça, por omissão. Há nas letras portuguesas de hoje também alguns exemplos disso. Glória de Sant'Anna é um deles, mas não é caso único. Entre os escritores que a ressaca da descolonização trouxe até estas paragens, há uma boa meia dúzia a pedir que os publiquem, os estudem e os divulguem. Constitui para mim uma honra e um privilégio esta tentativa de procurar a autora dos Poemas do Tempo Agreste "completa dentro desta pura água", para a dar a conhecer a um público distraído, mas eventualmente capaz de lhe reconhecer a estatura. Honra idêntica me daria poder fazê-lo por outros. O silêncio que sobre eles pesa, um silêncio morto, não é por certo o fecundo e "denso azul silêncio" que irriga e impregna o claro e enigmático discurso poético de Glória de Sant'Anna.

EUGÉNIO LISBOA - Londres, Dezembro 1983/Janeiro 1984 - transcrito do Livro Amaranto

FONTE: http://www.pesodaregua.com.br/

GLÓRIA DE SANT'ANNA 1925-2009



Morreu hoje (02/06/09) Glória de Sant’Anna, cuja obra é um testemunho de revalorização do silêncio (cf. Steiner) em meio da balbúrdia universal. Natural de Lisboa, viveu em Moçambique entre 1951 e 1975. Toda a vida foi professora, mantendo regular colaboração na imprensa moçambicana. No regresso a Portugal radicou-se em Ovar. Da sua obra destaco Livro de Água (1961), que recebeu o Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa. O conjunto da sua poesia foi editado em 1988 pela Imprensa Nacional: Amaranto. Poesia 1951-1983, volume que inclui o livro inédito Cantares de Interpretação, escrito depois de deixar África. Glória de Sant'Anna pertence por direito próprio à geração de poetas portugueses que a tradição associa à poesia feita em Moçambique: Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Sebastião Alba, João Pedro Grabato Dias, Lourenço de Carvalho e outros. Em 1975, antes de deixar Moçambique, publicou um livro de crónicas: Do Tempo Inútil.
Deixo aqui quatro versos em que cabe toda a sua ars poetica:

A essência das coisas é senti-las
tão densas e tão claras,
que não possam conter-se por completo
nas palavras.


É preciso dizer mais?

Wednesday, 3 June 2009

QUEM TEM MEDO DA PRAÇA ANDRÉ MATSANGAISSA?



Será recusa à reconciliação?






Beira (Canal de Moçambique) - É preciso dizer de boca cheia que os que receiam o nome daquela praça na cidade da Beira são os mesmos que não conseguem ver heróis senão nas suas hostes. O discurso de reconciliação nacional que não passa pelo respeito aos heróis dos outros, é algo que não tem sentido e reflecte uma teimosia que só prejudica Moçambique e os moçambicanos. O frequente sentido de Estado que alguns dizem possuir é factualmente desmentido pelo facto dessas mesmas pessoas não conseguirem entender e mostrar aos moçambicanos que a sua luta e preocupação são este país e seu povo. As horas que foram consumidas procurando deitar a baixo uma resolução do Assembleia Municipal da Beira sobre o nome de uma praça reflecte o que na essência são os partidos políticos que temos…
Querer reconciliar a família moçambicana jogando para a lata do lixo uma parte importante dos moçambicanos que contribuíram com o seu empenho, saber e até sangue é algo que não pode ser aplaudido nem aceite pois representa uma negação autêntica dos esforços tendentes a normalizar a vida do país e lançar os alicerces para o seu desenvolvimento multifacetado.
A teimosia de impor um modelo político unilateral e visando obliterar a contribuição de compatriotas na criação de condições para que o país conquistasse a sua independência vai continuar a ser a preocupação primordial de alguns dinossauros políticos nacionais que com estas atitudes ainda não perceberam o quanto começam hoje a cair no ridículo.
Há gente que não consegue conceber que os outros também são moçambicanos e que possuem igualmente direitos sobre o que o país pode oferecer aos seus.
O combate que se trava na Beira sobre o nome André Matsangaice deve ser visto como algo mais abrangente. Aceitar tal nome para uma praça faz ou provoca arrepios a alguns políticos porque no seu entender seria abrir um precedente. Se admitirem isso terão que algum dia admitir que Uria Simango, Joana Simeão sejam considerados heróis com direito a nome em ruas, avenidas e praças. É isso que alguns “camaradas” temem mais que a morte. Julgam que ceder na Beira seria abrir a “caixa da Pandora” ou a garrafa onde está aprisionado o espírito.
Esta situação que deveria ser tratada de maneira politicamente adulta através de um diálogo que envolvesse todos os moçambicanos, está sendo evitada a todo o custo porque existem pessoas no partido no poder (Frelimo) que não conseguem trazer elementos novos para tal diálogo.
Somos moçambicanos e não há que ter medo ou qualquer receio em abordar a questão dos heróis com a profundidade requerida.
Deixemos para trás as considerações dos tempos do monopartidarismo e conceitos estreitos. Mesmo na Rússia, o último Czar foi reabilitado.
Já não há lugar para algumas manifestações estalinistas como de algumas pessoas que continuam a supor-se especiais e únicas.
Julgo que também há algum jogo de bajulação e elogios infundados para algumas figuras da luta de libertação nacional promovidos por alguma comunicação social. Engorda o ego dessas pessoas quando afinal até a sua filosofia, marxismo-leninismo é contra tais cultos de personalidade… Deixem André Matsangaice descansar em paz e reconheça-se que o seu papel foi instrumental para que agora Moçambique seja politicamente pluralista…
O que realmente interessa aos moçambicanos é uma reconciliação efectiva onde cada um respeite os outros.
Essa mania de que existem moçambicanos especiais e que é necessário a Assembleia da República ratificar a heroicidade segundo critérios determinados por uma Comissão Política do partido no poder, como alguém procurou fazer entender, não faz sentido pois o povo moçambicano sabe de facto quem são os seus heróis.
Não há departamento de informação e propaganda algum que possa criar ou produzir heróis duradouros na memória popular…

( Noé Nhantumbo, Canal de Moçambique, 03/06/09)


Gurué: Aquilo que o Presidente Guebuza deveria ter ouvido


Feitiçaria, medo, inveja, bem como o prazer de ver o próximo também a sofrer, são os temas que muitos residentes do Guruè gostariam que o estadista moçambicano, Armando Guebuza, tivesse abordado com uma maior contundência durante o comício por ele orientado durante a sua “Presidência Aberta” naquele distrito.
Localizado cerca de 350 quilómetros norte de Quelimane, capital da província da Zambézia, Centro de Moçambique, Guruè ocupa uma área de 5.688 quilómetros quadrados e possui uma população calculada em 303 mil habitantes, tendo como principal actividade a agricultura, sobretudo a produção de chá, milho e batata.
Para quem nunca teve a oportunidade de visitar este distrito, Guruè é simplesmente de uma beleza deslumbrante. Bem explorado, poderia ser considerado de um pequeno “Jardim do Éden”.Dizem os residentes que nesta terra é possível semear virtualmente tudo.
Talvez seja a razão pela qual Guebuza considera Guruè de “Terra da Revolução Verde”.
Neste texto, a intenção não é tentar descrever um cenário ideal para um filme de terror ao estilo de Alfred Hitchcock, mas sim os problemas que afectam os residentes do distrito de Guruè, e que constituem um grave entrave para o desenvolvimento acelerado.Aliás, não foi por acaso que o próprio Presidente moçambicano dedicou parte considerável do seu discurso para abordar estes temas, mas não com a profundidade que, para alguns residentes de Guruè, seria de desejar.
De facto, é incompreensível que, ocupando uma área vasta e dotada de um potencial agro-pecuário fabuloso, razão pela qual também e’ considerado o“celeiro da Zambézia”, o distrito de Guruè tinha apenas um efectivo pecuário constituído por apenas 168.314 de animais de diversas espécies em 2008.Mais surpreendente é o facto de este numero incluir somente 814 cabeças de gado bovino.
“Em 2004, o efectivo pecuário evoluiu de 46.307 unidades de diversas espécies para 168.314 unidades em 2008, registando-se um aumento de 122.007 unidades. Do total do efectivo, cerca de 814 e’ gado bovino”, lê-se no Informe do Distrito de Guruè, apresentado durante a Sessão Extraordinária do Governo Distrital, alargada aos membros do Conselho Distrital e que foi orientada pelo Chefe de Estado.

MEDO DE FEITIÇARIA É UM CASO SÉRIO

Isso mesmo. Muita feitiçaria, pelo menos essa é a conclusão que a equipa de reportagem da AIM chegou após uma longa conversa mantida com um grupo de residentes de Guruè, incluindo um líder comunitário.
Inicialmente, a AIM apenas pretendia aferir o impacto da visita do estadista moçambicano na atitude dos residentes, quando para o seu espanto, durante a conversa alguns dos entrevistados asseveraram que o combate a pobreza será uma missão muito difícil, pois muitos “guruenses’ detestam ver o seu próximo a progredir e prosperar na vida.
“O HPI (Heifer Project International) é um projecto ligado a agricultura e que recentemente estava a distribuir cabritos nas localidades. Eles dão uma fêmea e um macho. Depois de procriarem, as crias devem ser entregues a uma outra família. No caso de cabeças de gado bovino, o HPI cede por empréstimo duas fêmeas e um macho. Após a sua reprodução estas cabeças devem ser devolvidas para beneficiarem uma outra família e assim por diante”, explicou um dos entrevistados, para de seguida afirmar que esta iniciativa poderá estar condenada a um fracasso, pois as crias poderão morrer ou ficar estéreis.
De seguida, a AIM perguntou se, eventualmente, uma outra pessoa estranha a região tomasse a decisão de se estabelecer neste distrito, também corria os mesmos riscos no caso de conseguir uma oferta no âmbito do projecto da HPI, uma organização não governamental.
Será que as fêmeas dessa pessoa também não se vão reproduzir? questionamos.
“Depende da zona em que essa pessoa quiser se estabelecer. Se não existir ódio você pode-se estabelecer à vontade, e sem nenhum problema. E’ por causa do ódio e da inveja que existe aqui na sede do distrito que e’ difícil ver uma casa com cabritos. Quando alguém tem cabritos isso acaba criando um sentimento de ódio no vizinho (que não cria cabritos), razão pela qual ele acciona um mecanismo (feitiçaria) para inviabilizar o projecto do seu vizinho de forma a deixar de ter esses cabritos”, disse um dos entrevistados, explicando que “também podem dar um veneno para matar os cabritos, ou invadir o curral (roubar os cabritos)”.
Por mais estranho que pareça, um cabrito custa em média entre 600 a 700 Meticais em Guruè, uma região em que o gado deveria ser uma das principais fontes de rendimento.
Para melhor esclarecer o caso, perguntamos de seguida: mas se o vizinho não quiser trabalhar, será o mesmo que não deixa os outros progredir na vida porque ele é preguiçoso?
“Sim”, foi a resposta dos entrevistados em uníssono, explicando que esse é o maior problema.
“Não e’ bem assim. Eles não se recusam a trabalhar. O verdadeiro problema é a falta de emprego”.
Mas como resolver esse problema?, questionamos.
A resposta foi, “não temos outra maneira. A saída que existe é uma maior intervenção do Governo, aconselhando constantemente a população e conceder um maior apoio ao distrito”.
Insistindo, perguntamos se esta situação afecta apenas o distrito do Guruè ou toda a província da Zambézia.
Como resposta, os entrevistados disseram que existem algumas regiões que estão livres deste problema, citando como exemplo o distrito de Morrumbala.
“Por exemplo, em Morrumbala é difícil roubar cabritos. Eles deixam os cabritos a pastar livremente, sem o receio de acontecer qualquer tipo de mal aos seus animais”.
Mudando um pouco de tom da conversa, questionamos se existia a ocorrência de casos similares de “feitiçaria” na actividade agrícola.“Sim, isso também acontece. Mesmo quando existe muita chuva você pode não colher nada”, foi a resposta.
“Se o jornalista vê milho a crescer e’ porque existe uma 'guarnição' naquela machamba, do próprio dono, do camponês”, explicou um dos interlocutores.Segundo as fontes, não existe nenhum problema em solicitar um terreno em Lioma (um dos postos Administrativos de Guruè) e requerer um terreno paraabrir uma machamba.
“Você vai semear milho que depois de germinar bem você vai pensar que vai ter uma boa colheita de milho”, contou.
Contudo, explicou um dos entrevistados, “vai chegar a uma fase em que toda a sua cultura vai começar a murchar sozinha, e não ter nada quando chegara época de colheita”.
Porém, era muito difícil compreender esta situação, razão pela qual quisemos ouvir dos próprios residentes uma proposta para o combate a pobreza que, aliás, era o objectivo principal desta “Presidência Aberta” de Armando Guebuza, que já o levou a escalar nas últimas semanas as províncias de Niassa, Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Tete.Para acabar com o problema e’ preciso arranjar emprego para toda a gente, foi a resposta.“Essa história de inveja surge porque existem pessoas que trabalham enquanto outras estão desempregadas. Por isso, existe o ódio. Portanto, se todas as pessoas estivessem a trabalhar ninguém teria tempo para pensar em maldade”, acrescentou um dos intervenientes.
Para melhor elucidar, o grupo citou como exemplo o caso das machambas.
“A extensão de uma machamba depende da força de cada um. Existem pessoas que podem abrir uma machamba com uma área de 1,5 ou dois hectares. Mas também existem outros com forças para abrir uma machamba com uma área de 8 a 10 hectares”, explicaram.
Então, aquele que abriu uma machamba com mais ou menos 1,5 hectares acaba por se sentir mal, porque ele sabe que o seu vizinho tem a possibilidade de fazer uma machamba grande. Então, é a partir daí que começam a surgir problemas e ódio, acrescentaram.
“É precisamente nessa situação que começa a surgir o problema de ódio. E como ele não tem a possibilidade de fazer uma machamba grande, então começa a surgir o problema de droga (feitiçaria)”.Um outro interveniente explicou ter adquirido um aparelho de vídeo e um gerador de energia para abrir um videoclube em sua casa.
“Mas não estou conseguir avançar por causa do ódio. O gerador começou a ter problemas. Posso abastecer o gerador, mas o mesmo recusa-se a funcionar. Mas quando estou apenas com os meus filhos, o gerador trabalha sem nenhuma deficiência. Mas quando coloco o gerador no videoclube, o mesmo recusa-se a arrancar. Esse e’ o problema de ter vizinhos que não fazem nada. E’ um problema muito sério”, desabafou.
Resistimos a desarmar, razão pela qual voltamos a carga perguntando:Mas aquilo que o Presidente disse no comício – contra a feitiçaria, inveja e ódio – será que vai resultar?
“Não vai resultar!”, foi a resposta do grupo em uníssono.
“Não vai resultar. É um problema sério, sobretudo aqui na Zambézia”, acrescentou o grupo.
Mesmo assim, continuamos a matutar no caso, razão pela qual acabamos por interpelar Nelson Armando, líder comunitário (régulo) de Namacala, uma região localizada a cerca de 15 quilómetros de Guruè.Ao régulo de Namacala, que também participou no comício orientado por Guebuza, colocamos exactamente as mesmas questões que apresentamosanteriormente ao grupo.
“Existem pessoas que vão aos curandeiros para tratar a sua machamba. Até porque e’ possível encontrar uma pessoa (fantasma) de pé em muitas machambas”, referiu, acrescentando que a solução para o problema da feitiçaria talvez e’ aquilo que o Presidente disse, quando apelou para um maior diálogo e comunicação entre as pessoas.Esta é uma terra muito rica, disse o régulo, explicando que aqui sai muito feijão manteiga, milho e mapira.
“Aqui e’ possível semear tudo”, rematou.Como proposta, aquele responsável comunitário sugere que para acabar com todos estes problemas o Governo devia convocar uma reunião geral com todos os régulos e secretários a nível do distrito.É verdade que Guebuza abordou o problema de feitiçaria e inveja, mas os “gurenses” queriam ouvir mais. Querem uma maior intervenção do Presidente da Republica, pois o medo, ódio e inveja estão a travar o desenvolvimento deste distrito potencialmente rico.
Refira-se que este problema, de feitiçaria, não se restringe ao distrito de Guruè, pois afecta todo o país e mesmo muitas regiões do continente africano e do resto do mundo, tais como a Ásia e América do Sul e América Latina.
Independentemente das crenças de cada um de nos, este é um problema que não será resolvido apenas com uma simples retórica materialista, pois no nosso caso concreto, Moçambique, faz parte da nossa cultura, sendo também uma prática milenar.
Por isso, urge a tomada de outras soluções mais pragmáticas, exequíveis e funcionais, tais como bem tentou o Chefe de Estado moçambicano durante o seu discurso em Guruè e na maioria dos distritos que escalou durante esta “Presidência Aberta”, apelando ao diálogo e solidariedade entre os cidadãos.
Urge ainda apelar e educar aos que (se) de facto possuem esses poderes “sobrenaturais” usá-los para o bem de toda a sociedade e não para prejudicar o próximo.

( Elias Samo Gudo, da AIM, 01/06/09 )

Tuesday, 2 June 2009

Daviz Simango inaugurou sede da delegação do MDM da Cidade de Maputo, Xipamanine


Parceiros de cooperação insatisfeitos com sistema de justiça no país

(Maputo) Os parceiros de cooperação do governo moçambicano na área da justiça, nomeadamente, a União Europeia (UE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelaram segunda-feira, insatisfação com de alguns programas por si financiados, no âmbito da reforma do sector da justiça em Moçambique, nomeadamente, os que visam alcançar os objectivos de transparência máxima e alargamento do acesso a todos os cidadãos.
Falando a imprensa à margem da reunião de balanço dos dois anos de implementação do Programa de Apoio ao Cidadão no Acesso à Justiça, que juntou o executivo moçambicano e os parceiros deste sector, o chefe da delegação da UE em Moçambique, Glauco Calzola, revelou preocupação com o actual nível da situação, apesar de realçar a complexidade do processo.
“Pelo que se pôde constatar no relatório de actividades apresentado pelo governo, não há dúvidas de que há muitas lacunas”, explicou, destacando a prevalência de incumprimento de alguns planos e de más condições de infra estruturas prisionais, algumas das quais, com pacotes financeiros para a sua reabilitação, que tarda a acontecer.
Há pouco mais de um semestre do fim do período da implementação dos seis componentes principais que compõe o projecto que esteve esta segunda-feira em avaliação, nomeadamente, a Reforma e Unificação do Sistema Prisional, o Fortalecimento da Administração da justiça ao nível local e a Protecção dos Direitos Humanos pelas instituições da justiça, Calzola deixou transparecer um endurecimento de posição face aos resultados e o ritmo de implementação do projecto.
“Temos um diálogo permanente com o Governo moçambicano, não estamos a pressionar e nem estamos a fazer uma imposição, mas é preciso saber que estamos aqui a responder a um pedido do executivo que nos solicitou para sermos seus parceiros, no entanto nós estamos apenas a dar a nossa posição de que há aspectos aqui que merecem serem acompanhados”, enfatizou a fonte.

( Escrito por Delsio Caba, Savana )

África será mais afectada pela crise mundial

As economias dos países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, SADC, serão as mais sacrificadas, pela crise mundial, quando comparadas com as da África Oriental, ao registar, segundo previsões, um crescimento na ordem de 0.2 contra 5.5 porcento, respectivamente, Segundo um relatório da Organização de Desenvolvimento e Cooperação Económica, OCDE.
De acordo com a OCDE a primeira economia do continente africano, a África do Sul, também não sera poupada: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá progredir 1.1 porcento no ano em curso, contra os 3,1, de 2008.
Esta previsão é divulgada numa altura em que as moedas desses países, SADC, tem estado ao longo do ano a registar uma desvalorização acelerada face ao dólar americano.
O PIB do continente registrará este ano uma queda para menos de metade dos valores registados, em 2008, prevê a OCDE, considerando Angola um dos piores casos de África.
As previsões para Angola são das piores já que o PIB deverá perder 23 pontos de crescimento, passando dos 15.8 porcento positivos registados, em 2008, para -7.2 previstos deste ano.
O documento indica que, após cinco anos de forte crescimento, a economia africana deverá conhecer “uma com pressão brutal”, em 2009, devido a crise mundial que poderá afectar alguns avanços democráticos, no continente.O PIB africano deverá aumentar 2.8 porcento, ou seja, menos de metade do registrado, em 2008, 5.7 porcento, antes de uma “recuperação moderada”, em 2010, 4.5 porcento, prevê a OCDE.

( A Tribuna Fax, 29/05/09 )

Monday, 1 June 2009

Daviz Simango de regresso à Beira é recebido em apoteose



Galardoado há dias em Maputo pela PMR


Beira (Canal de Moçambique) - O presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz Simango, afirmou ontem, à sua chegada no Aeroporto Internacional local, procedente de Maputo, que o grande segredo da distinção que lhe foi atribuída e da outra atribuída ao município da capital da província de Sofala, pela terceira vez consecutiva, “são prémios conquistados por uma boa equipa de trabalho”.
Os prémios foram atribuídos pela revista PMR (Professional Managment Review), uma instituição sul-africana que avalia e premia edilidades, governantes, empresas estatais e privadas na região austral de África.
Pelo facto de ser a terceira vez que Daviz Simango e a Beira recebem estes prémios, o Edil, à sua chegada à Beira, disse: “Isto tem que ver com uma boa equipa de trabalho. Isto passa necessariamente por colocar homens certos em lugares certos. O resultado tem sido sempre satisfatório”.
Refira-se que ao presidente do município coube um galardão de “ouro” por “iniciativas promotoras de investimento e boa direcção”. Enquanto isso o Município recebeu “prata” por suas “iniciativas tendo em vista o desenvolvimento da Cidade da Beira”.
“Isto nos encoraja porque o que temos feito resulta dos pedidos dos munícipes. O CMB (Conselho Municipal da Beira) é mero executor dos pedidos dos munícipes”, lembrou Daviz Simango. Ele lembrou também que estes prémios surgem quando “correm mais de cem dias depois da reeleição”. Daviz Simango recordou na ocasião que neste momento a edilidade está à procura de receitas e anunciou que a partir do mês de Junho que hoje se inicia “o Município conhecerá maior dinâmica, porque começa a chegar a maior parte das aquisições”. Referiu “por exemplo”, que “acabam de chegar à cidade da Beira dois novos camiões para reforçar as operações de saneamento do meio”. Entretanto, sobre rumores que correm e segundo os quais o Edil se tem ocupado demasiadamente com o seu recém criado partido – o MDM, de que é presidente – relegando para plano secundário a sua função de presidente do Conselho Municipal, Daviz Simango afirmou que tem estado a “trabalhar dia e noite”. O que se passa, explica, é que “adicionámos mais uma ocupação”. “É como se tivéssemos mais família em casa”.
“Nós preocupamo-nos com todos. A atenção que damos a cada membro da família é sempre a mesma”.

( Adelino Timóteo, Canal de Moçambique, 02/06/09 )

Mozambique Travel Scams: Crooked cops information


Leaving Maputo on Sunday, I made a left turn into Avenida de 25 Septembro, a main thoroughfare which seems to becoming a hot spot for these incidents. The two cops were regular police in the green and grey uniform (traffic police wear white shirts/blue trousers) and both were armed with AK47s slung over the shoulder, calculated, perhaps, to be at head-height of the driver of a normal car.
I was told a left turn was illegal, even though a constant stream of Mozambique-registered vehicles were making left turns. Pointing out this inconsistency does no good - I was told that I had committed an offence and that the necessary “apology” would cost 1000 meticals (abrout R320).
This is how to deal with the scam. Stand your ground and a) demand that a ticket is issued on paper, or b) ask the police to accompany you to the nearest police station.
Be patient because this Kafkaesque scenario will take time to unfold. Under no circumstances get angry or pushy, and do not swear at or insult the police - you do not want to irritate them in any way. Make a joke, light up a smoke (if you have one) and make it clear that you are in no hurry.
Whatever else, do NOT pay the bribe. It only entrenches corrupt practice and makes it worse for all visitors who follow.
In my case they let me go after a couple of minutes when it was clear that I was not going to pay them a cent. That the same two cops flagged me down on the same road 15 minutes later for another “offence” and then let me go as soon as they recognised me, says it all.
If you are driving in Mozambique, pay scrupulous attention to the road rules, stick to the speed limit and ensure the vehicle’s papers are in order. Make sure you have the blue and yellow warning stickers, and the ZA sticker well-displayed, have valid third party insurance, and keep two red warning triangles handy.

By Paul Ash
Source: The Wanderer Blog

( http://www.clubofmozambique.com/ )