Wednesday, 11 May 2011

Complexos de superioridade ou uma agenda implícita?

Os nossos libertadores estão em convulsão ou em decadência? O poder em si e a todo o custo difere de democracia, não sabem?...

Beira (Canalmoz) – Já não é possível esconder que alguma coisa não anda bem entre os que um dia se chamaram de camaradas de armas e de ideologia. O projecto que tinham de nação independente não mostra sinais de vingar e entre eles já se lançam granadas verbais de longo alcance e significado. Afinal uns enganaram os outros ou todos enganaram a todos? Decerto que parte dos enganados é toda uma larga maioria dos moçambicanos que acreditou que os seus libertadores eram e estavam imbuídos de um espírito acima de qualquer suspeita.

Noé Nhantumbo, no Canalmoz. Continue lendo aqui.

Tuesday, 10 May 2011

EDITORIAL DO SAVANA

Bin Laden

Bin Laden está morto.
É pelo menos o que assegura o presidente Barack Obama e os seus serviços secretos.
A euforia ocidental é acompanhada por uma enorme incredulidade e cepticismo por todo o mundo árabe e islâmico. Ironicamente, as forças especiais norte-americanas acabaram por abater o “monstro” que criaram no auge da guerra fria decorrente da presença soviética no Afeganistão. E não deixa de ser notório o contraste entre o tom triunfalista do canal televisivo CNN e toque circunspecto que a Al Jazeera tem dado ao post mortem de Bin Laden.
Bin Laden está longe de ser o ícone idolatrado em que se transformou Che Guevara, mas é certamente uma referência dos sectores mais radicais árabes e islâmicos, desesperados com a hipocrisia dos autocratas que ocuparam as máquinas de Estado dos seus países. As revoluções e os tumultos em curso no norte de África e no Médio Oriente mostram, felizmente, outros caminhos de mudança não tutelados pelo fanatismo religioso saído das madrassas.
Porém, a morte de Bin Laden, pode-se dizer que é mesmo lugar comum, não vai significar o desaparecimento da Al Qaeda nem as acções violentas contra alvos ocidentais que muitos teimam em ver como guerra civilizacional.
Os governos de todo o mundo devem olhar com preocupação a proliferação de células da Al Qaeda, muitas vezes a coberto de fenómenos de radicalização religiosa. Em Moçambique têm sido reportados na s últimas duas décadas movimentos de estudantes do corão para o Sudão e Arábia Saudita para frequentarem cursos inspirados na filosofia whabita, a corrente mais radical do universo sunita, a par com as migrações e contágios a partir do Paquistão. O proselistismo religioso tornou-se matéria de relatórios de segurança nacional, primeiro por instituições especializadas norte-americanas e, mais recentemente por investigadores britânicos.
Num Estado em que nem sempre o laicismo institucional republicano é levado à letra, é importante que as matérias de segurança nacional sejam compreendidas em toda a sua dimensão, nomeadamente os fenómenos decorrentes do aparecimento de Bin Laden e dos seus seguidores.
A tolerância e a liberdade religiosa que têm sido apanágio da segunda república democrática e pluripartidária, devem ser preservadas a todo o custo, num país que é, mesmo que contrariado pelo oportunismo ultra-nacionalista, um caldo e um mosaico de culturas e tradições.
Tolerância e liberdade, a par da educação e informação, tornam as sociedades, incluindo a moçambicana mais imunes ao fenómeno do fanatismo e da manipulação religiosa ao serviço de causas de duvidosa justeza.
Bin Laden foi incontornavelmente um fenómeno mediático e apelativo. Mas os moçambicanos precisam de algo bem mais radical e com sentido prático da realidade para que as suas vidas conheçam dias melhores num futuro próximo.
Precisam da mudança também para que não apareçam messias mascarados de Bin Laden.


Editorial do Savana de 06/05/11

Uso ilegal de móveis e imóveis do Estado poderá ser criminalizado

Revisão da lei 1/79 de 11 de Janeiro

A Renamo pretende agravar as penas por desvio de fundos. O projecto, ontem submetido ao parlamento, prevê punição por desvio de bens móveis e imóveis.
A bancada parlamentar da Renamo depositou ontem, na Assembleia da República, o projecto de revisão da lei 1/79 de 11 de Janeiro, que pune o crime de desvio de fundos no Aparelho do Estado.
Se a lei 1/79 de 11 de Janeiro punia em particular o desvio dos fundos do Estado, referindo-se ao dinheiro, títulos, créditos, entre outros, a revisão proposta pela Renamo prevê também punição por uso ilegal de imóveis. Isto é, em caso de um cidadão registar uma casa, falsamente, como sua, quando esta pertence ao Estado, o mesmo poderá ser penalizado nos termos da proposta da nova lei, o que antes não acontecia.
Dos imóveis, a lei estende-se ao uso ilegal de móveis, com destaque para veículos.
para este crime, prevê-se uma pena que irá até dois anos e multa de até cem dias.
Na essência, o projecto da Renamo inspira-se nas críticas levantadas pelo procurador-geral da República no seu último informe na Casa Magna, nos finais do mês passado.

Outras inovações trazidas pela revisão

No seu projecto, a Renamo “apela” a altas penas para os que desviam os fundos do Estado, variando entre prisão de até um ano e multa de até dois meses, se o valor não exceder trinta e cinco salários mínimos da função pública. A maior pena é de prisão de até 24 anos, se os valores desviados excederem três mil salários mínimos.
Essas penas abrangem tanto os que guardam os valores como os que ordenam pagamentos indevidos, ou seja, tanto os superiores hierárquicos como os subordinados, quando envolvidos no desvio de fundos, são punidos com mesmas penas.
Essa colocação da Renamo vem é uma proposta de solução para o que o procurador-geral da República chamou injustiça, já que, nos termos da actual lei, os que ordenam pagamentos indevidos são punidos com penas correccionais e os que executam, com penas gritantes.

Sérgio Banze, O País

Monday, 9 May 2011

CORRUPÇÃO, VIOLÊNCIA, SEGURANÇA E DESENVOLVIMENTO

A corrupção é um problema crescente que frustra o desenvolvimento e priva os pobres de oportunidades de progresso económico e social. Tudo isto é bem sabido.
Menos evidente, contudo, até há pouco, eram os efeitos insidiosos da corrupção no que toca a gerar violência que, não apenas ameaça a viabilidade e a estabilidade dos estados-nação, mas também os pode subjugar.
“ C o n f l i t o , S e g u r a n ç a e Desenvolvimento”, o Relatório de Desenvolvimento Mundial de 2011 do Banco Mundial acabado de publicar, traz nova luz aos velhos e persistentes problemas da má governação, pobreza e violência.
As conclusões do novo relatório são inequívocas e dão-nos uma leitura sombria: Cerca de 1 500 milhões de pessoas vivem em países afectados por violência política e criminosa, causando miséria humana e obstruindo o desenvolvimento;
· Mais de 90% das guerras civis nos anos 2000 ocorreram em países que já tinham experimentado uma guerra civil nos últimos 30 anos; e Coerção e patrocínio podem ser vistos por alguns governos como formas de preservar a estabilidade, mas isto é um erro: corrupção, violação dos direitos humanos e pouca eficácia governamental tornam os países 30% a 40% mais vulneráveis à violência.
As constatações do novo relatório são particularmente pungentes África, onde se encontram 23 países do mundo mais afectados conflitos e com as economias mais frágeis. E o conflito tem um impacto negativo no desenvolvimento.Estimativas preliminares sugerem que o conflito da Costa do Marfim teve um custo superior a 1 000 vidas de homens, mulheres e crianças, deslocou mais outro milhão de pessoas, fez baixar o PIB em 3% a 7%, aumentou a pobreza entre 2,5 a 4 pontos percentuais e criou necessidades orçamentais adicionais num valor entre 4% e 5% do PIB.
Estabelecer instituições sólidas e legítimas e uma governação que proporcione a segurança dos cidadãos, justiça e empregos são cruciais para os ciclos de violência.
O relatório indica que os 20 países mais dinâmicos precisaram, em média, de 17 anos para afastar os militares política, 20 anos para conquistar qualidade no desempenho burocrático e 27 anos para conseguir um controlo razoável da corrupção.
Por outras palavras, o combate à corrupção e à violência é uma tarefa geracional, que exige um esforço sustentado e não é para fracos nem titubeantes. Requer um compromisso resoluto com o aumento da confiança entre cidadãos e estado. Para os governos, significa aceitar, por exemplo, que os partidos no governo, sozinhos, não conseguem resolver com êxito a violência, mas que precisam de criar um envolvimento dos cidadãos e coligações a favor da mudança.
E a criação de confiança requer sinais de corte com o passado, através de resultados e medidas precoces credíveis que, de forma convincente, encerrem compromissos com a mudança. Países como o Gana e Moçambique mostraram que isto é possível.
É por esta razão que Robert B. Zoellick, Presidente do Grupo Banco Mundial,
recentemente referiu que a boa governação não acontecerá sem a participação activa dos cidadãos e é o motivo pelo qual a nova estratégia do Banco Mundial em África tem por alicerce a governação e o reforço das instituições e da capacidade. É por esta razão que os esforços da União Africana para definir um custo superior a 1 000 vidas de e promover “valores económicos e sociais partilhados” e a sua prática são cruciais e merecem apoio. É também este motivo que temos de continuar a medir e promover o progresso, como o faz o Índice Ibrahim de Governação Africana e seus quatro indicadores:
Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano. Não é uma coincidência que os países afectados por conflitos estejam relegados para o fim do Índice.
Muitas das notícias económicas da África Subsariana são cada vez mais positivas: crescimento pré-crise de cerca de 5% ao ano durante uma década em vários países; redução da pobreza a uma taxa mais acelerada do que em qualquer outro lugar do mundo;e um regresso rápido à expansão económica do período pré-crise em virtude de políticas internas exemplares.
África está agora bem posicionada para o arranque, muito semelhante ao Brasil e Índia algumas décadas atrás, se puder desenvolver os elos estruturais entre segurança dos cidadãos, justiça e empregos na prvenção de conflitos e causando misér ia humana e precisam de criar um envolvimento dos violência e incluir mecanismos para criar confiança entre cidadãos e o estado. África também precisa de reforçar a governação ao mesmo tempo que refreia a corrupção sistémica.
Cidadãos, investidores e o resto do mundo estão atentos.
Precisamos de dizer mais?


Por Obiagell K. Ezekwesli, Vice-Presidente para a Região África do Banco Mundial, Mo Ibrahum, Presidente da Fundação que oswtenta o seu nome e Jay Naidoo, Presidente da Aliança Global para uma Melhor Nutrição, respectivamente.


Ponto Certo

Sacrificados trabalhadores sem salário

Cinco agentes da G4S contam, ao @Verdade, o calvário por que passaram nas mãos da polícia. São relatos de quem experimentou o pior e deixou de acreditar no país e nas pessoas. Pais de família que se alimentaram melhor nas celas do que nas suas casas – alguns chegaram a auferir nos últimos três meses menos de 600 meticais.
Dizem-se vítimas de uma polícia que “humilha e tortura, física e psicologicamente.” Mas, mais do que isso, são vítimas da indiferença de uma sociedade egoísta e sem valores. Porém, no meio da tempestade, encontraram a bonança nos braços da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos...


Rui Lamarques, A Verdade. Continue lendo aqui!

Saturday, 7 May 2011

Últimas do Savana




A hora do fecho


.. Muito concorrida com o crâneos económicos da praça a sessão com o economista chefe do Banco Mundial. Apesar dos desafios colocados pelo economista chinoca, a conversa entre os moçambicanos é como vai o governo descalçar a bota da cesta básica.

.. Noutros quadrantes fala-se do desafio que se coloca ao novo timoneiro do Conselho Constitucional. Para não ter rabos de palha precisa mesmo de se livrar de todas as ligações empresariais bem conhecidas na praça.


.. Apesar dos escribas moçambicanos protestarem contra os magros salários que auferem, a mola oferecida pelos prémios da Mozal apenas despoletou o interesse de 12 “aventureiros”. É caso para se perguntar o que anda mal na problemática interna dos “prémios de jornalismo”.

.. A Beira continua a parecer ser um verdadeiro berço de radicais. Esta semana foi a vez do administrador marítimo mostrar a sua raça. Barco que não esteja em condições vai ser destruído.
Senhor administrador, antes de destruir não é possível reparar?

.. Em Maputo, os governantes há muito se esqueceram do seu palavreado a favor da aliança operário-camponesa. Este ano lá fizeram mais uma gazeta aos desfiles que trouxeram alguns milhares de trabalhadores às ruas da capital.

.. Com mais de um ano de atraso, os brazucas da Vale começam o próximo fim-de-semana a extracção e o transporte de carvão de Moatize em direcção à Beira. Grande expectativa na resposta a dar pela linha ferroviária de Sena ...

Em voz baixa

.. Más notícias da tuga para Moçambique. Apesar dos apoios serem mais ou menos minúsculos quando comparados com os 100 mil milhões de ajuda internacional que Portugal vai receber, as notícias do apertar do cinto lá não deixarão de ter reflexos institucionais por cá.

Savana, o6/05/11

Algumas imagens da actualidade


Azia dos benfiquistas!




Malandrice no casamento real?





O Bin Laden português:

Especialista em todas as espécies de terrorismo, com especial incidência em:

Provocar desemprego;
Favorecer os bancos;
Destruir salários;
Roubar sob a forma de impostos;
Enganar os que o rodeiam;
Minar o sistema de saúde e de educação;

Podem pois os meus amigos, à semelhança do que o presidente Obama afirmou, ter a certeza que os atentados terroristas vão continuar.

Vigilância e atenção são pedidas a todos os cidadãos.

Friday, 6 May 2011

A morte de Bin Laden

Bin Laden morreu, mas o terrorismo não. Para a infelicidade do mundo, o terror de inspiração islâmica não se foi com o seu mentor. Continua uma ameaça real. Bin Laden era sobretudo um inspirador de muitos grupos de fanáticos.

Bin Laden está morto. Os detalhes da operação da sua captura no Paquistão continuam obscuros. Os americanos não parecem mesmo interessados em revelá-los, tal como estão resolutos na ideia de que não vão exibir ao mundo as fotografias do seu corpo, ferido de morte. Isto apesar da natural avidez do mundo inteiro, qual São Tomé, que quer ver para crer que, de facto, o maior terrorista do mundo já está fora de combate.
De Clinton a Obama, Bin Laden foi o maior pesadelo das administrações americanas e a sua fuga durante uma década humilhava a América, uma superpotência ferida que não se coibiu de invadir um país - o Afeganistão – à procura daquele que, desde o 11 de Setembro, se transformou no seu inimigo de estimação.
Bin Laden tinha já os americanos como alvo muito antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001. A sua mão esteve por trás dos ataques às embaixadas no Quénia e na Tanzânia em 1998 e também na tentativa de afundamento do navio USS Cole ao largo do Iémen em 2000. Mas a CIA cometeu vários erros de avaliação da ameaça da Al-Qaeda, e a maioria dos americanos só deu importância ao saudita quando dois aviões embateram nas Torres Gémeas, outro atingiu o Pentágono e um quarto se despenhou num descampado na Pensilvânia, falhando o seu alvo, talvez a Casa Branca.
Foi preciso morrerem quase três mil pessoas, para a grande América despertar para o novo perigo que emergia e o afrontava, desde o fim da Guerra Fria. Assustados, a América e o mundo lançaram-se numa longa batalha contra o terrorismo de inspiração islâmica, com acções militares (invasão do Afeganistão), operações policiais (células terroristas descobertas em países da Europa, de África, mas também na própria América) e medidas de segurança nunca antes vistas no transporte aéreo. Um terrorista punha, assim, o mundo em sentido e mudava-lhe literalmente oe seus hábitos!
George Bush saiu da Casa Branca em parte desacreditado por não conseguir capturar o ideólogo do 11 de Setembro. Obama herdou a missão sem ter garantias de que seria bem-sucedido e ainda por cima tendo de assistir aos avanços dos talibãs, velhos aliados de Ben Laden, também no Paquistão, uma potência nuclear errática.
Agora, o 11 de Setembro está vingado para alívio dos milhares de pessoas que perderam seus entes naquele fatídico ataque às Torres Gêmeas, mas também em muitos outros ataques.
Bin Laden morreu, mas o terrorismo não. Para a infelicidade do mundo, o terror de inspiração islâmica não se foi com o seu mentor. Continua uma ameaça real. Bin Laden era sobretudo um inspirador de muitos grupos de fanáticos, convencidos de que o Ocidente e os seus aliados encarnam o mal e que o mundo seria melhor se voltássemos a viver sob um califado, como nos primeiros tempos do islão, no século VII. Bin Laden conseguiu convencer esses muitos seguidores de que a sua utopia do neocalifado era a solução.Esses seus seguidores, que o verão agora como um mártir, tudo farão para continuar a matar. Por isso, o mundo ainda não está propriamente a salvo.
Outra questão intrigante neste dossier é o papel do Paquistão. Bin Laden vivia numa mansão luxuosa, na capital Islamabad, a escassos metros de um academia militar, e não fora detectado pelos serviços secretos paquistanesas. Ao enviarem as suas forças especiais e helicópteros àquele país sem dizerem nada às autoridades paquistanesas, os americanos passaram a clara mensagem de que não confiavam até no amigo Paquistão e isso volta a levantar questionamentos sobre de que lado, afinal, está este país na luta contra o terrorismo.

PS:

O Governo decidiu fazer agora o que devia ter feito logo no início desta novela rocambolesca da cesta básica: reuniu-se, esta semana, com empregadores e sindicatos para auscultar as suas opiniões sobre a melhor forma de a sua medida atingir os resultados desejados. Como diz o ditado, vale mais tarde do que nunca. Mas ainda assim, o nosso executivo não fica bem na fotografia neste assunto. Pela sucessiva mudança de critérios; por decidir sozinho primeiro e só depois chamar os parceiros. Mas sobretudo por faltar à verdade em algumas informações que presta ao público. Por exemplo, na semana passada, o ministro da Indústria e Comércio disse que o Governo tinha concluído o mapeamento dos trabalhadores do Aparelho do Estado elegíveis à cesta básica, mas quando lhe perguntaram quantos eram, não deu nenhum número. No mesmo dia, disse que os preparativos para a introdução da cesta básica estavam a 85%, mas a seguir afirmou que faltava o mapeamento dos trabalhadores elegíveis no sector privado cadastrados na segurança social e cujos processos já estão informatizados (e toda a gente sabe que a informatização no INSS só agora começou e ainda cobre uma parte ínfima dos beneficiários do sistema) bem como os trabalhadores do sector informal – precisamente as duas etapas mais espinhosas que o esperam e que ainda não clarificou como as vai concretizar, sobretudo registar vendedores ambulantes, empregados domésticos e outros ambulantes. Definitivamente, o cálculo de percentagens do nosso ministro não bate certo e parece claro que tem em vista impressionar do que clarificar.

Jeremias Langa, O País

Editorial do Canalmoz

A “farra” na Assembleia da República é maior do que se pensa

Leia aqui

Scala reabre reduzida


REABRIU ao princípio da noite de ontem a Pastelaria Scala, na cidade do Maputo, mas desta feita em tamanho reduzido. Trata-se daquele mesmo “Scala” que fica na esquina das avenidas 25 de Setembro e Samora Machel, outrora lugar emblemático e um dos cartões-de-visitas da capital.

Maputo, Sexta-Feira, 6 de Maio de 2011:: Notícias


Muniz Ali, sócio-gerente do “novo” Scala, garantiu que o novo espaço, ainda que minúsculo, vai continuar a apostar no serviço que a lendária pastelaria sempre prestou ao público. Assim, serão servidos, para além de pastéis, cafés, sumos, doces diversos e também comidas.
O “Scala” ficou com as actuais dimensões após ser “repartido” em três compartimentos, dedicando-se a diferentes actividades, como venda de peças de carros, vestuário e calçado.
A “pequena Scala”, ou seja, o que resta da Pastelaria Scala, tem 16 mesas, sendo 12 no interior e as restantes quatro na esplanada. Conta com 40 empregados nacionais e um estrangeiro.
Os novos gestores do “Scala” dizem possuir uma experiência de 10 anos na área de pastelaria, por isso prometem um trabalho eficiente e de qualidade para fazer jus ao nome e ao lugar que faz parte da memória colectiva das gentes de Maputo.

Thursday, 5 May 2011

Soberania Nacional é responsabilidade para com os cidadãos

Todo o resto é pacotilha intoxicante…. As figuras de hoje não são as de amanhã, mas o Estado permanece…

Se não avança o combate contra a pobreza é porque ao nível de determinados departamentos governamentais o foco da actuação governamental não é o diagnóstico e busca de soluções para os problemas que apoquentam os cidadãos mas sim o estabelecimento de esquemas para o enriquecimento ilícito.

Noé Nhantumbo, Canalmoz. Continue lendo aqui.

Cesta básica? Não, obrigado!

Macacos me mordam se isto não for verdade! Ao contário do que o governo diz, a cesta básica não foi criada para conter o custo de vida na população mais vulnerável das cidades do país. Trata-se de uma conversa fiada para boi dormir ou mais um número deste circo para entreter as massas e impedi-las de se manifestarem violenta ou pacificamente em prol do seu bem-estar, um direito fundamental e de cumprimento obrigatório por qualquer Estado, à luz do contrato social.

Féliz da Experança, Chipenenga. Conheça o blog do Félix aqui.

Fugindo da reforma agrária no seu país: Farmeiros sul-africanos abrem oportunidades em Moçambique

A comunidade de farmeiros sul-africanos anunciou, terça-feira, a sua intenção de se expandir para vários países em África, com desataque para Moçambique, onde diz esperar receber terras aráveis, face a incerteza de reformas agrárias na África do Sul.
Theo de Jager, vice-presidente do “ Sindicato de Farmeiros Sul-Africanos “ Agri South Africa”, afirmou que Moçambique reúne condições favoráveis para a produção de cereais, açúcar e bio-combustíveis, bem como para a criação de animais.
Em entrevista concedida à “Agência Britânica de Notícias” (Reuters), de Jager revelou que 800 farmeiros sul-africanos já se encontram em Moçambique e outros 600 esperam receber terras na província de Gaza, no sul do país.
Acrescentou que, até Maio do próximo ano, mais farmeiros deverão começar as suas actividades em várias regiões de Moçambique, no quadro de um programa cuja cerimónia será celebrada nas próximas semanas na cidade de Pretória, a capital sul-africana.
Ele revelou que fazendeiros sul-africanos também foram prometidos terras em 22 países africanos, entre os quais Congo-Brazzaville, que vai oferecer o grosso da terra em todo o continente.
Ao abrigo de um acordo com aquele país, os farmeiros sul-africanos pretendem melhorar a segurança alimentar por um período de 105 anos.
O investimento na área agrícola na vizinha África do Sul tem vindo a reduzir drasticamente dada a incerteza causada pela reforma da terra, que até 2014 pelo menos 30 por cento da terra deverá ser entregue aos negros.
O programa tem causado certa preocupação à comunidade de farmeiros comerciais sul-africanos que, nos últimos tempos, têm optado em reduzir a aplicação de novos capitais.
Até 2010, o governo sul-africano conseguiu transferir apenas seis por cento da terra aos negros e pretende flexibilizar o processo nos próximos tempos.
Outros países africanos onde os farmeiros sul-africanos pretendem aplicar os seus investimentos são Camarões, Zâmbia, Líbia, Egipto e Gabão.

(RM/AIM)

Wednesday, 4 May 2011

A cesta do desespero

Questionamentos continuam à volta das medidas para atenuar o custo de vida

- “o governo está num nível de desespero e incompetência tal que qualquer medida serve, mesmo sabendo que não vai funcionar” - Carlos Nuno Castel Branco

(Maputo) Ainda na procissão das medidas recentemente anunciadas pelo governo para a contenção do custo de vida no país, continuam mais dúvidas do que entendimentos no seio da opinião pública nacional.
Depois da revisão do escalão da categoria salarial dos trabalhadores que vão beneficiar da cesta básica, dos anteriores 2000,00 para 2500,00 Meticais e das tentativas de esclarecimentos que têm vindo a ser dados pelo governo, muitos são aqueles que consideram que o executivo ainda não está preparado para apresentar medidas eficazes e objectivas em relação a componente de criação de mecanismos para atenuar o impacto da pobreza extrema que afecta directamente cerca de metade dos 21 milhões de moçambicanos.
Instado a analisar as medidas ora anunciadas, o economista Carlos Nuno Castel Branco considera que as medidas ora anunciadas não são aplicáveis e tem pouca probabilidade de eficácia.
“Em princípio é difícil analisar as tais medidas, porque, objectivamente, ainda não se sabe quais são as medidas. Em função das críticas que vão surgindo, surgem novas versões. Contudo, analisando o pouco que se sabe, considero que as medidas não são aplicáveis e tem pouca probabilidade de eficácia”, disse o economista.
Com um discurso muito denso, Nuno Branco disse que o governo está num “nível de desespero e incompetência tal que qualquer medida serve, mesmo sabendo que não vai funcionar”.
Outras hipóteses que podem estar na origem da insistência nas medidas ora anunciadas tem a ver com as pressões das instituições financeiras internacionais.
“O governo quer responder as pressões das organizações financeiras internacionais que estão a tentar eliminar os subsídios gerais para determinados bens e serviços” e o governo pretende direccioná-los a sectores susceptíveis de se tornar focos de tensão.
Aquele economista considera que o governo deveria direccionar o esforço e recursos que pretende aplicar para implementar este esquema “que tem muito pouco para dar certo” e tentar organizar uma política de produção alimentar decente, minimamente organizado e articulado, que pudesse ajudar a resolver um dos grandes problemas, que é a “produção e distribuição de comida”.
Na última semana, o ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, anunciou que as autoridades moçambicanas iriam muito brevemente iniciar o processo de recenseamento dos beneficiários informais, numa altura em que falta pouco mais de 1 mês para que a distribuição inicie. O número de beneficiários, segundo o governo, continua estimada em cerca de 1.8 milhão pessoas.

Mediafax, 03/05/11

Portugueses solidários com moçambicanos: cerca de 200 mil livros a caminho de Maputo


Cerca de 200 mil livros, dos mais diversos temas, desde a literatura à educaçao e à ciência, para apetrechamente de bibliotecas e instituições carenciadas em Moçambique, estão a caminho de Maputo.
Trata-se de livros recolhidos em Portugal, numa campanha da Associação 'Karingana wa Karingana (Era uma vez)', cuja a chegada a Maputo está prevista para Setembro próximo.
Esta informação foi anunciada esta Terça-feira por Tiago Bastos, presidente da associação, numa conferência de imprensa, em Lisboa, destinada a fazer o balanço da actividade e que contou com a presença do Embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Mkaima. A 'Karingana wa Karingana' adoptou a partir desta Terça-feira o nome de Associação para a Solidariedade e Desenvolvimento na Lusofonia (OLAMIGO).
Os livros, incluindo atlas, dicionários, enciclopédias, gramáticas de português, livros infantis e juvenis, bem como de ensino, vão encher dois ou três contentores marítimos e seguirão para Maputo por barco, em Julho próximo, segundo Tiago Bastos.
Na ocasião, Tiago Bastos sublinhou que neste momento está em curso o processo de 'separação, triagem e empacotamento, dos livros recolhidos naquela que acreditamos que seja a maior campanha do género realizada em Portugal”.
O processo de recolha decorreu em três mil balcões dos CTT (Correios de Portugal) ou Correios, Telégrafos e Telefones. Em Moçambique, coube ao Ministério da Educação e Cultura a missão de identificar bibliotecas públicas e escolares que vão receber os livros recolhidos.
Na Conferência de Imprensa, a AIM, em Lisboa, questionou aos promotores da iniciativa se estavam criadas, em Moçambique, as condições necessárias para o desalfandegamento dos livros, sem embaraços para quem teve o gesto de solidariedade e tendo em conta a necessidade de colecta de receitas por parte da Autoridade Tributária.
Como é do conhecimento, os livros não beneficiam de isenção total de taxas aduaneiras.
'Temos consciência de que é um processo que não vai ser fácil, mas que também a Embaixada de Moçambique em Portugal tem dado uma colaboração muito grande e tem demonstrado grande receptividade e interesse por parte do Governo moçambicano', disse Bastos.
'Os custos ainda vão ser calculados. Alertei a Associação para um diálogo contínuo com as autoridades moçambicanas por forma a acautelar esses pormenores', respondeu o Embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Mkaima, a quem os promotores da campanha de recolha dos livros pediram ajuda para responder a pergunta.
Segundo Mkaima, o que o Governo moçambicano já fez foi seleccionar os locais destinatários do livro e 'cabe, portanto, ao projecto avaliar todos os aspectos logísticos e de transporte necessários para que o livro chegue devidamente nos locais destinados'.
O diplomata moçambicano aproveitou a ocasião para pedir apoio das empresas que já estão ligadas ao projeto.
Por seu turno, Luís Fragoso, responsável dos CTT na iniciativa, disse que, depois do papel de recolha em Portugal, os correios vão também desempenhar um papel importante em Moçambique, já que será através da “Corre-Corre”, uma parceria entre os correios dos dois países, que será feito o transporte em terra.
Mário Lino, presidente da Assembleia Geral da Associação para a Solidariedade e Desenvolvimento na Lusofonia (OLAMIGO), defendeu que as empresas também ganham com esta iniciativa.
Mário Lino, um antigo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e actual Presidente do Conselho Fiscal das Companhias de Seguros do Grupo Caixa Geral de Depósitos, sublinhou que “a divulgação da língua portuguesa e aquisição de conhecimento”, têm também “um peso grande para a integração económica”.
A OLAMIGO tem em vista outras acções em perspectiva, incluindo a criação de um prémio literário para jovens estudantes e escritores moçambicanos, um desfile de moda com participação de estilistas de países lusófonos e apoio à distribuição de medicamentos na Guiné-Bissau, outro País Africano de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

(RM/AIM)

A morte de Bin Laden é simbólica, mas o que conta joga-se noutro lado

A morte de Ossama Bin Laden é uma vitória simbólica para os EUA. E é uma derrota para os republicanos radicais que, depois de uma década de guerra e de políticas securitárias, vêem os "permissivos" democratas levar a taça. Mas não é mais do que isto. Tem apenas valor interno.
A Al-Qaeda nunca foi uma organização convencional. Era um misto de marca registada - que cada grupo ou célula usava para as suas próprias causas - rede de contatos e prestador de serviços - garantindo financiamento e treino. Não tinha, por isso, uma cúpula convencional. Ossama era o rosto da marca. Acontece que Bin Laden já valia pouco como símbolo. E a própria Al-Qaeda, depois do que fez no Iraque, perdeu o residual apoio que tinha no mundo árabe - que sempre foi ultraminoritário. A única eifcácia deste episódio é a humilhação: a foto macabra do líder morto e a informação de que vivia numa casa murada avaliada em um milhão de dólares e não heroicamente numa gruta, desmoraliza os seus seguidores. Mas nada mais.
Ao abater Bin Laden, Obama conseguiu uma vitória interna. Mas o verdadeiro combate contra o terrorismo faz-se por estes dias no Norte de África e no Médio Oriente. A vitória das forças democráticas laicas na Tunísia e no Egito foi o primeiro passo. Ao perder os seus amigos ditadores o Ocidente livrou-se de dois dos seus principais problemas: estar associado aos opressores dos árabes e permitir que os fundamentalistas fossem vistos como libertadores. E foi isto que deu força a homens como Bin Laden.
Mas este momento decisivo ainda está longe do fim. No Iémene, na Síria e em Marrocos - onde o Rei dá há algum tempo sinais de abertura - tudo pode acontecer. E na Líbia caminha-se no fio da navalha. Se os revoltosos saírem vitoriosos esse pode ser o empurrão que falta para a revolta alastrar a outras ditaduras árabes. Se os revoltosos saírem derrotados pode ser o sinal para os ditadores esmagarem sem dó nem piedade as revoltas locais. Se o Ocidente continuar a evolver-se mais do que o que foi inicialmente estipulado com a "no-fly zone" pode dar uma ajuda aos grupos mais radicais e conservadores da região.
Que papel tem a morte de Ossama Bin Laden nisto tudo? Nenhum. Compreensivelmente, ela sabe bem aos americanos. Mas não conta para nada na luta pela democracia no mundo árabe, condição para o isolamento dos grupos terroristas. Essa depende quase exclusivamente dos povos oprimidos. Como sempre, aliás.

Daniel Oliveira, Expresso

Tuesday, 3 May 2011

O troféu Bin Laden para Barack Obama

Para Obama, este pode ser verdadeiramente o facto pelo qual vai ficar na história - com credenciais à prova de bala

O presidente americano mais indefinido desde Jimmy Carter deve ter assegurado ontem a sua reeleição, em 2012, ao anunciar a morte de Bin Laden. Para os americanos, esse troféu marcante só não será decisivo se o desempenho da economia for muito pior do que as expectativas permitem perceber. E mesmo assim...
Este êxito militar americano, conduzido por uma unidade da marinha (Navy Seals) numa operação que envolveu muita gente, é do tipo denominado no jargão da CIA pelos três F ("find, fix, finish"), algo como "encontrar, pôr na mira e matar". Dez anos depois, aquele que corporizava a própria ameaça do terrorismo depois do hediondo atentado das Torres Gémeas, foi eliminado. Não teria já grande poder sobre a organização que criou, deixou alguns seguidores, a sua eliminação cria ameaças evidentes de retaliação nos tempos mais próximos, mas para os americanos os bons venceram finalmente os maus.
Esta notícia extraordinária aparece no meio dos acontecimentos a que chamam a primavera árabe, que ainda não chegou a verão (se o regime sírio de Bashar Assad caísse, talvez se mudasse de estação). Há ventos novos entre os árabes, por muito que as revoluções na Tunísia e no Egipto ainda possam vir a ser capturadas por extremistas. Mas a verdade é que os dados até agora apontam para a emergência de uma corrente nova no povo árabe, mais jovem, que quer, como todos nós, europeus, aceitamos, uma sociedade mais livre, com mais direitos e com mais igualdade de oportunidades. Mais democrática e com menos ditadores.
Bin Laden morreu na fronteira AfPak, entre o Afeganistão e o Paquistão, longe até do Médio Oriente onde se tornou um herói (depois de, é bom não esquecer, ter sido aliado dos americanos para expulsar os soviéticos do Afeganistão).
Nada disto é verdadeiramente obra de Barack Hussein Obama, um homem que a parte mais estúpida da direita americana andou a querer provar que era muçulmano. Mas é ele que exibe agora o grande troféu que a direita e George W. Bush tanto ambicionaram. Os acontecimentos mudam, quantas vezes, os destinos dos políticos. Para Obama este pode ser verdadeiramente o facto pelo qual vai ficar na história - credenciais à prova de bala.

Manuel Queiroz, ionline

Como respeitar instituições hipócritas?

Um dia a Assembleia da República, a tal “Casa do Povo”, decidiu que devia atribuir 1.214.998,00MT ao presidente cessante do Parlamento, o “camarada” Eduardo Joaquim Mulémbwè, para mobilar a sua casa particular. Este valor corresponde a 510 salários mínimos em vigor na administração pública moçambicana. O Parlamento decidiu também que devia manter esta informação confidencial. Foi o que aconteceu. Nenhum órgão de informação foi chamado na altura para ouvir anunciar-se a tal oferta. Passou um mês, passou o segundo e passou o terceiro. Um ano se passou! Até que um jornal investigou e descobriu que o presidente cessante do Parlamento havia recebido esse valor.

Borges Nhamirre, Canalmoz. Continue lendo aqui.

Monday, 2 May 2011

Obama confirma morte de Bin Laden

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou esta noite noite que o chefe da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto no Paquistão por serviços especiais norte-americanos.
"Esta noite, estou em condições de anunciar aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Bin Laden, o dirigente da Al-Qaeda, um terrorista responsável pelo assassínio de milhares de inocentes", afirmou Obama numa declaração solene feita na Casa Branca.
Barack Obama precisou que o chefe da Al-Qaeda foi morto "hoje" numa troca de tiros numa residência em que a presença de Bin Laden tinha sido detetada em agosto passado.

Diário de Notícias


ADENDA

Confira aqui um dossiê preparado pelo Expresso. Eis alguns dos temas:

Operação de captura de Bin Laden levou 40 minutos
Vídeo:dentro da casa de Bin Laden
Corpo de Bin Laden lançado ao mar

Sunday, 1 May 2011

Livros: um luxo para poucos bolsos

O preço do livro praticado em Moçambique inibe os leitores de adquiri-los. Nem mesmo com as feiras a situação muda de fi gura. Os descontos praticados são, muitas vezes, insignificantes. Aliás, o preço de algumas obras, tanto de literatura assim como didácticas, chega, muitas vezes, a ultrapassar o salário mínimo. As editoras e livrarias justificam-se alegando que tal se deve aos altos custos de produção e importação.
A situação do elevado custo dos livros é geral, aliás, adquirir uma obra de um autor nacional ou internacional em algumas livrarias em Moçambique pode não ser uma experiência agradável quando se tem como referência países como Brasil e Portugal, além de se ter em conta o poder de compra do consumidor moçambicano.
Ou seja, os preços de livros praticados a nível nacional são considerados na sua maioria um obstáculo para a leitura, pois, quando comparados com os praticados noutros países, constata-se que as obras são muito caras para a maioria da população moçambicana.
Tendo como mote “os preços de livros em Moçambique”, analisámos os custos de obras de autores moçambicanos e também estrangeiros no mercado nacional, português e brasileiro. Aliás, quando colocamos na balança as tabelas de preços de livros praticadas nos três países, Moçambique aparece como o país onde custa mais caro adquirir um livro, embora haja excepções.
Esta situação deve-se, por um lado, ao facto de Moçambique possuir um mercado mais pequeno que outros países como Portugal ou Brasil, e, por outro, devido ao baixo poder de compra dos moçambicanos, e não só. Também a falta de cultura de leitura e o custo de produção e importação das obras são apontadas como as principais razões desta realidade.
A título de exemplo, a obra “Venenos de Deus e Remédios do Diabo”, do escritor moçambicano Mia Couto custa 20 reais (cerca de 400 meticais) no Brasil e 11 euros (cerca de 500 meticais) em Portugal contra aproximadamente 800 meticais praticados em Moçambique. A mesma situação verifica-se com os títulos de outros escritores moçambicanos tais como José Craveirinha, Paulina Chiziane, Nelson Saúte, entre outros, cujas obras custam em torno de mais 150 a 250 meticais no país do que além-fronteiras.
De referir que os livros da autoria de Ungulani Baka Khossa, Ana Mafalda Leite, Calane da Silva e Marcelo Panguana publicados pela Alcance Editores custam menos em Moçambique do que em Portugal e Brasil. Os preços variam entre 400 e 500 meticais, aproximadamente menos 500 meticais do que naqueles países. Por exemplo, a antologia poética “NUDOS”, de Eduardo White, é vendida por 30 euros (1360 meticais) no estrangeiro contra os 600 meticais no mercado nacional.
Os livros técnico-profissionais e/ou didácticos não fogem à regra. Na sua maioria, contam com preços demasiado elevados. Nesta secção, a obra mais barata custa cerca de 1200 meticais, aliás, existem outros pequenos títulos cujos preços variam de 300 a 500 meticais.
Na literatura internacional, a situação também é a mesma, ou seja, por exemplo, as obras de escritores como Dan Brown e Paulo Coelho são comercializadas, em Moçambique, a partir de 1500 e 760 meticais, respectivamente. Os livros daqueles autores podem ser adquiridos no Brasil ou em Portugal ao preço de 900 e 350 meticais.

Serão as feiras de livros uma solução?

Quando o assunto é feiras de livros, as imagens que nos vêm à cabeça são de aquisição de obras a preços acessíveis. Porém, ao contrário do que acontece noutros países, geralmente os preços praticados nas feiras de livros promovidas, por exemplo, a nível da cidade de Maputo, não são nada convidativos.
Durante os certames, que se pretende sejam eventos onde os livros estejam acessíveis a qualquer leitor, constata-se o inverso, uma vez que as obras continuam a ostentar preços proibitivos. Os descontos, esses, não chegam a ultrapassar os 10 porcento.
Para os leitores ouvidos pelo @Verdade, os preços praticados pelas livrarias e editoras nas feiras “não incentivam ninguém a ler”, ou seja, as mesmas não cumprem o papel de promoção da leitura, uma vez que o seu custo não difere do das livrarias tradicionais.
“Baixar o preço de livros não é só fazer com que os leitores encham as suas estantes com novos autores, mas também é incentivar a leitura”, comenta Marcelo Boaventura que se encontrava a apreciar livros expostos na feira da Livraria Minerva.
“Se se pretende que haja mais moçambicanos a visitarem as feiras e fazer com que as pessoas pouco dadas à leitura comecem a procurar livros e a gastarem algum dinheiro é necessário aumentar os descontos”, acrescenta.
O livro constitui uma fonte de conhecimento de valores, de saberes, do sentido estético e do imaginário da Humanidade, além de uma janela para a diversidade das culturas e ponte entre as civilizações.
“Os preços dos livros estão bastante altos e penso que as feiras deveriam ser uma oportunidade para as pessoas poderem adquiri-los a preços acessíveis”, diz Belarmina Munguambe, estudante, que acrescenta lamentando: “mas infelizmente não é isso que se tem verificado”.
Paulo Abdul defende que nas feiras os preços de livros deveriam baixar para metade. “Normalmente, os descontos não passam de cinco a 10 porcento, o que não deixa de ser um obstáculo à leitura”, comenta.
O elevado preço dos livros, segundo o leitor Osvaldo Paunde, constitui “um dos principais obstáculos à cultura”, uma vez que as pessoas, devido ao elevado custo de vida, tendem a optar por bens de consumo básicos em detrimento do hábito da leitura. “É um bocado absurdo pagar por um livro mais de 600 ou 1000 meticais nestes momentos de crise, embora seja um investimento importante”.
O escritor Eduardo White é da opinião de que se os livros fossem mais baratos, o nível de desinteresse pela leitura e, sobretudo, de analfabetismo, não seria tão grande como se tem vindo a constatar. “Os moçambicanos não têm o hábito de leitura. Poucos compram um livro.
Não por falta de vontade, mas porque os livros são demasiado caros. É necessário que o Ministério da Cultura e também de Educação comecem a pensar em formas simples de proporcionar livros acessíveis aos moçambicanos. Aliás, o Governo também devia subsidiar o livro”, afirma.
Dentre as livraria e editoras que têm vindo a promover feiras de livros destacam-se a Livraria Minerva Central e a Alcance Editores. A Alcance Editores tem estado a promover tais certames em todo o país.
Na cidade de Maputo, vem realizando semanalmente duas a três feiras nas escolas e universidades, uma estratégia definida no início da actividade no mercado nacional de modo a tornar os livros acessíveis aos leitores.
“Tentamos fazer com que as pessoas tenham o gosto pela leitura. Fazer feiras contribui para cativar o público, uma vez que fazemos preços promocionais”, diz Sérgio Pereira, director comercial da editora. Geralmente, os descontos são a partir de 10 a 30 porcento.
Há sensivelmente um mês, a Livraria Minerva Central promove uma Feira de Livros alusiva à comemoração de mais um aniversário de existência daquela que é uma das mais antigas livrarias do país. Os descontos variam de 10 a 30 porcento e, nos fins-de-semana, chegam aos 50 porcento.

A culpa não é das livrarias nem das editoras

A maior parte dos livros vendidos em Moçambique é importada de países como Brasil e Portugal, o que faz com que os livros custem mais caro no mercado nacional. “Os livros são extremamente caros e a culpa não é das livrarias e nem das editoras. Grande parte de livros que nós vendemos é importada”, diz Vítor Gonçalves, director da Minerva Central.
Para o nosso interlocutor, esta situação só se pode reverter incrementado a produção e a edição nacional. “Enquanto dependermos do mercado estrangeiro, os livros continuarão caros. Mas a Minerva aposta na produção literária nacional, uma vez que temos a nossa própria oficina gráfica que nos permite vender os livros mais barato, pois não pagamos a mão-de-obra”.
O custo do transporte - 30 euros por quilo -, somado ao do desalfandegamento, torna os livros mais caros. “Ao imprimirmos o livro em Portugal, para o mercado local, poupamos no custo de transporte e desalfandegamento. Enquanto para o mercado moçambicano esses custos têm de ser previstos. Aliás, isso é que faz com que os livros fiquem mais caros no nosso país”, exclarece Sérgio Pereira.
Dada a qualidade de impressão que existe no país, a Alcance Editores opta por editar os livros em Portugal. “ Não só pela qualidade, mas também pelo preço. Sai-nos caro - e a qualidade não compensa - imprimir aqui no país e, por isso, optamos por fazê-lo fora”, diz Pereira.
Refira-se que editar uma obra com 1000 exemplares em Moçambique custa em torno de 300 a 400 mil meticais e, muitas vezes, as editoras não conseguem obter um retorno significativo.

Hélder Xavier, A Verdade