Monday, 10 August 2009

Daviz Simango promete 1% do PIB para Habitação em cada ano


Debate de manifestos eleitorais no Parlamento Juvenil
• O presidente do MDM defende menos poderes para o Chefe de Estado. • Defende também mais nítida separação de poderes entre os órgãos de soberania, e mais poder para as comunidades académicas • Defende ainda que o que torna Moçambique pobre, é a corrupção instalada no país, pelo regime no poder, que não permite a aplicação das receitas do Estado para o desenvolvimento, por serem desviandas para fins e interesses partidários e pessoais.

Maputo (Canalmoz) - O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, apresentou e defendeu o seu manifesto eleitoral, na passada sexta-feira, no Parlamento Juvenil. De entre várias propostas constantes do manifesto deste partido, destaca-se a inovação no sector de habitação, onde o candidato promete alocar, anualmente, 1% do Produto Nacional Bruto (PIB), para investir na habitação para os jovens. Daviz Simango, engenheiro civil de profissão e presidente do Município da Beira, disse que a alocação de 1% vai permitir a construção de cerca de 600 casas de habitação, em cada província, anualmente, durante todo os cinco anos do mandato.
No sector da educação, o presidente do MDM disse que pretende corrigir a actual modalidade de passagem dos alunos no ensino primário, de progressão automática, considerando que a mesma permite a graduação de muitos alunos, mas sem a qualidade desejada.
Prometeu acabar ainda com as células de partidos políticos, instaladas nas escolas. Disse que consigo na Presidência da República, os directores das escolas secundárias e reitores de universidades públicas passarão a ser nomeados pelas respectivas comunidades escolares cabendo aos reitores tomar posse diante do presidente da República.
Davzi Simango prometeu ainda que se for eleito para a presidência da República, irá promover a redução de poderes constitucionais atribuídos ao chefe de Estado. Este candidato à Ponta Vermelha nas eleições de 28 de Outubro revelou ser contra o facto do presidente da República ter hoje tantos poderes concentrados numa única pessoa.
Deviz Simango prometeu que irá promover a revisão das leis, os presidentes dos tribunais Administrativo, Supremo, e do Conselho Constitucional deixem de ser nomeados pelo Presidente da República. O presidente do MDM defende mais autonomia e uma mais nítida separação de poderes entre os diversos órgãos de soberania.
No concernente às infra-estruturas, o presidente do MDM disse que o seu governo irá construir linhas férreas que garantam a ligação do país, de norte a sul.
No ramo da saúde, prometeu construir uma fábrica de anti-retroviais para assistir os infectados de HIV-SIDA e criar um cartão electrónico de saúde, para a identificação de todos os moçambicanos, em qualquer ponto do país.
Questionado sobre onde iria encontrar dinheiro para implementar todos estes programas, visto a dependência do país, em fundos externos, Simango respondeu, dando exemplo da Cidade da Beira, que quando ele assumiu a liderança do município local, era das mais sujas e desorganizadas do país, mas depois de 5 anos da sua gestão, transformou-se no melhor município do país.
O candidato do MDM negou, por outro lado, que o país é pobre. Disse que o que torna Moçambique pobre, é a corrupção instalada no país, pelo regime no poder, que não permite a aplicação das receitas do Estado para o desenvolvimento do País, desviando-as para fins de interesses partidários e pessoais.
“O que é mais caro entre um Pajero e uma sala de aulas? Quantos Pajeros há em Moçambique, e quantas salas de aulas temos?”, questionou o presidente do MDM para ilustrar que há dinheiro em Moçambique, o que falta é vontade política para desenvolver as instituições que beneficiam a sociedade.

Afonso Dhlakama


Entretanto, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, gazetou ao debate com a juventude, que estava agendado para o mesmo dia, antes da intervenção de Daviz Simango. Fernando Mazanga, porta-voz do partido e do próprio presidente Dhlakama foi ao local do debate para explicar que o presidente não se faria presente, pelo facto de ter regressado a Nampula, província onde fixou residência desde Janeiro do presente ano.


(Borges Nhamirre, Canalmoz, 10/08/09 )

Serviços secretos ingleses apoiaram Frelimo na luta contra a Renamo


Durante Guerra Civil Moçambicana (1976-1992)
Serviços secretos ingleses apoiaram Frelimo na luta contra a Renamo

Título: Sunday, Bloody Sunday -- A Soldier’s War in Northern Ireland, Rhodesia, Mozambique and Iraq
Autores: Jake Harper Ronald e Greg Budd
Editora: Galago (África do Sul)
Preço: 300 randes.
372 páginas, ilustrado
ISBN 978-1-919854-35-9
Os serviços de espionagem externa da Inglaterra, MI6, estiveram por detrás da criação de uma milícia privada no âmbito de esforços desenvolvidos pelo regime da Frelimo para combater a guerrilha da Renamo. A revelação vem contida num livro de memórias de Jake Harper-Ronald, antigo membro da segurança zimbabueana, CIO, e que em 1989 foi recrutado pelo MI6 para treinar a milícia privada ao serviço da Lomaco, uma empresa anglo-moçambicana cujo capital social era detido maioritariamente pela multinacional britânica, Lonrho. De acordo com o autor de “Sunday, Bloody Sunday – A Soldier’s War in Northern Ireland, Rhodesia, Mozambique and Iraq (Domingo, Sangrento Domingo – A Guerra de um Soldado na Irlanda do Norte, Rodésia, Moçambique e Iraque), para além do treino da milícia privada da Lomaco, ele também participou na formação de forças especiais que viriam a ser absorvidas pelas Forças Armadas de Moçambique
No livro, escrito conjuntamente com Greg Budd, o autor conta pormenores da sua vida como militar de carreira. Começou por integrar o Regimento de Pára-quedistas britânico, tendo participado em missões contra a luta pela autodeterminação da Irlanda do Norte. Em 1974, Harper-Ronald alistou-se nos comandos pára-quedistas rodesianos, SAS. Depois da independência do Zimbabué, Harper-Ronald passou a trabalhar para a CIO. Nove anos mais tarde, foi recrutado pelo MI6, para combater a Renamo, movimento que lutava pelo estabelecimento de uma ordem democrática em Moçambique.
A par do envolvimento da MI6 na guerra civil moçambicana, o Reino Unido prestou apoio na formação de unidades especiais das FAM-FPLM em Nyanga, Zimbabué. A formação foi dada por instrutores do exército britânico integrados na BMATT (Equipa Britânica de Assessoria e Formação Militar), tendo o armamento sido fornecido pela Defense Systems Limited, empresa inglesa de fabrico de material bélico a quem o governo conservador britânico concedeu avultados subsídios. Em 1990, o então secretário de Estado britânico da defesa, Tom King, declarou em Nyanga que “a BMATT iria proporcionar às FAM-FPLM a melhor formação do mundo em contra-guerrilha”. Dois anos mais tarde, porém, a realidade militar no terreno forçava o regime da Frelimo a assinar um acordo de paz com a Renamo.

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 30.07.2009, citado em www.macua.blogs.com .


NOTA DO JOSÉ
- Os apologistas da Frelimo afirmam que não houve uma guerra civil em Moçambique mas sim uma guerra de destabilização promovida por estrangeiros. A verdade é que a Frelimo sempre foi apoiada por estrangeiros e quando o Acordo de Roma foi assinado, as únicas tropas estrangeiras em Moçambique estavam ao lado da Frelimo.

Sunday, 9 August 2009

Sem eira nem beira




Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra José Sócrates



Quem conhecer a discografia dos Xutos & Pontapés sabe que o cariz de intervenção e alerta social marcaram sempre presença nas letras das músicas. Mas os membros desta banda nunca quiseram vestir a roupagem de “líderes de uma revolução política”, nem apoiam, enquanto colectivo, qualquer partido político, assegura Zé Pedro, guitarrista dos Xutos. Por isso, é com alguma surpresa que o grupo assiste à euforia em torno da canção “Sem eira nem beira”, que integra o novíssimo álbum Xutos & Pontapés, disco de originais que foi lançado na passada semana.

A música está a ser transformada na Internet como um manifesto de ataque ao Governo e a José Sócrates. “Não há aqui alvos a abater”, diz Zé Pedro, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. “Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados”, justifica.

Há partidos que estão a ponderar se vão usar a música em campanha eleitoral. O gabinete do primeiro-ministro não comenta.




LETRA


Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar…


(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar o povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar…


(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a f....
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão.



NOTA DO JOSÉ: Esta música do emblemático grupo português de rock Xutos e Pontapés, tem a ver com o Primeiro-Ministro José Sócrates e foi um sucesso de vendas. Se fosse em Moçambique não escapavam a uma visita à Procuradoria.

Para que não haja interferencia com o som, desligue/pause o meu playlist no fundo desta página, à direita.

Saturday, 8 August 2009

Humor: os gatinhos da Frelimo



Era uma vez uma menina que chegou à escola e disse à professora:

- A minha gata teve quatro gatinhos e são todos da FRELIMO.

A professora achou muita graça e no dia seguinte, quando o director passou pela sala de aulas, pediu à aluna que contasse a história da gata:

- A minha gata teve quatro gatinhos e dois são da FRELIMO.

- Então mas ontem não eram todos da FRELIMO?

- Sim, mas dois já abriram os olhos!

Friday, 7 August 2009

Hoje: curiosidade numérica

Quando passerem 11 minutos depois das 10, acontece uma curiosidade numérica interessante.
Vejamos: hoje é o dia 7 de Agosto de 2009, numericamente podemos escrever 7 8 9, representando 07/08/09. Às 10:11 ocorre a continuação da sequência numérica. Tudo junto será :
7 8 9 10 11.
Capture o momento!

Vende-se em Maputo...


Aumenta intimidação e violência contra MDM em Manica



Maputo (Canalmoz) - Depois da decisão arbitrária da administradora de Sussundenga, Mariazinha Niquisse, de proibir a livre actuação de membros do MDM naquele distrito de Manica, surgem notícias de actos de violência e intimidação contra este partido de oposição ao governo da Frelimo. De acordo com o delegado do MDM na província da Manica, Humberto Tobiasse Escova, “homens não identificados, agindo pela calada da noite têm agredido, ameaçado e intimidado membros e activistas do nosso partido em diversos pontos da província”.

Em conversa telefónica com a redacção do CanalMoz, Tobiasse Escova citou os casos de dois membros do partido liderado por Deviz Simango, identificados como Félix e Táxi, que foram “brutalmente espancados na região de Honde”. Os agressores fugiram depois do acto, o qual é visto como tendo “motivações políticas.

No Posto Administrativo do Save, Distrito de Machaze, a presidente da Liga Feminina do MDM a nível da Província de Manica, Sra. Elisa Uine, foi “agredida por um grupo de homens não identificados” quando levava a cabo actividades partidárias em preparação para a campanha eleitoral que se avizinha. A casa do delegado do MDM em Macossa ficou destruída depois de elementos não identificados, agindo na calada da noite, terem ateado fogo ao telhado da habitação.

( Canalmoz, 07/08/09 )

Administração da Justiça em Moçambique: Manchada de ineficiência e corrupção

– aponta o Relatório do MARP sobre a avaliação do desempenho de Moçambique. E acrescenta que a questão da separação de poderes continua precária. “O sistema legislativo judicial é ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. “Infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).
Maputo (Canal de Moçambique) – O acesso aos tribunais, o direito à defesa e à assistência jurídica são garantidos constitucionalmente. Contudo, “infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – aponta o Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares, (MARP), na sua avaliação do país. Precisa igualmente que a questão de separação de poderes e autonomia dos poderes executivo, legislativo e judicial “está a enfrentar dificuldades em Moçambique”. “Isto resulta da estrutura constitucional que estabelece um sistema em que o Presidente é forte e poderoso, apoiado pelo executivo e, do outro lado, se encontra um sistema legislativo judicial ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. Em conformidade com a prática em vigor nos países falantes da língua portuguesa, ainda de acordo com o relatório, o presidente tem poder de nomear o presidente do Tribunal Supremo e os presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo, “cujo poder a Assembleia da República não está em condições de contestar”.
Os mecanismos com vista a garantir a responsabilização, a transparência e o controlo horizontal são limitados. Entre outras constatações ou entraves apontados pelo relatório do MARP, está o facto de na história política moçambicana “não haver registo de qualquer conflito institucional relevante entre os dois órgãos soberanos, o que dificulta a avaliação das alegações e das percepções de tentativa do poder executivo e legislativo de influenciar o judicial”.
Um outro impedimento que se coloca à boa governação e ao estado de direito – aponta o MARP – é o equilíbrio de forças instável que existe entre a Frelimo e Renamo. “O país e as suas estruturas políticas estão claramente divididos entre os baluartes de cada um dos partidos e a intolerância política é frequente”.
Nesse contexto, constatou-se ainda que tanto na capital do país como nas províncias, as opiniões políticas não são expressas livremente. “Foi manifestado que a opinião de que a Assembleia da República não se sente manietada pela brecha existente entre os dois principais partidos, facto que contribui para a sua incapacidade de oferecer mecanismos credíveis de fiscalização e controlo a um executivo forte”.
Outras constatações negativas descritas no relatório em alusão, têm a ver com o facto de AR realizar as suas sessões em regime de tempo parcial e ter um número limitado de dias para a executar as suas funções de fiscalização.
“O trabalho legislativo da Assembleia da República é feito dentro de um período de três meses (duas sessões no máximo de 45 dias cada), um máximo de 35 dias para o trabalho do eleitorado e 15 a 25 dias para as funções de fiscalização durante as quais os deputados são pagos”, escreve o relatório acrescentando que “durante o resto do ano (sete meses), os deputados têm de se desenvencilhar. O deputado da Frelimo na Assembleia da República têm melhores possibilidades pois são nomeados para conselhos de administração e comissões onde obtêm um rendimento adicional, mas tal não acontece com os deputados da oposição”.
Concluindo a esse respeito, aponta-se que os 15 a 25 dias por anos destinados ao trabalho de fiscalização “são terrivelmente inadequados. A explicação dada para o curto período de tempo atribuído às funções de fiscalização prende-se com constrangimentos de ordem financeira”.
Governo ignora Assembleia da República
Entretanto, tendo em conta as reclamações que inúmeras vezes têm sido avançadas pelos deputados da Frelimo e da Renamo, escreve documento, conclui-se que “o Governo não está a dar a devida atenção à Assembleia da República no contexto do orçamento do Estado”.
E mais, refere-se que para um país como Moçambique, com enormes problemas de corrupção e de mecanismos inadequados de responsabilização, “não é desejável que a Assembleia da República tenha limitações na realização das suas funções de fiscalização devido à exiguidade de recursos financeiros”. Um outro constrangimento que se coloca à eficácia da AR, “é o facto de ser nova como instituição democrática”.
Recomendações
Face às constatações anteriormente descritas, recomenda-se que Moçambique despolitize a nomeação de juízes de modo a proteger a integridade do poder judicial. Deve ainda realizar “acções de formação do judicial e matéria de ética, responsabilização e transparência e garanta também que a Assembleia da República tenha o seu próprio orçamento, o qual deve ser aumentado com vista a um maior envolvimento”. No relatório recomenda-se que se garanta ainda que o trabalho dos deputados da AR seja em tempo inteiro e que “se aumente o número de dias destinados à fiscalização”. Recomenda-se também que se proceda de forma a “melhorar as capacidades da Assembleia da República através da formação dos deputados em matéria de análise das políticas e nas funções de fiscalização”.

(Emildo Sambo, Canal de Moçambique, 20/07/09)

Thursday, 6 August 2009

«Reaccionária» Joana Simeão foi finalmente julgada

Décadas depois da sua execução extrajudicial no Niassa



O “Viúvo” depois de mais de trinta anos de batalha campal com as autoridades judiciais para obter a certidão de óbito, da “falecida”, já está “divorciado” da “reaccionária” e deve contrair matrimónio em Setembro com a actual esposa.
Joana Francisca Fonseca Simeão, figura política incontornável da história recente e que se destacou ao receber o epíteto de “reaccionária” pelos seus adversários e detractores políticos, foi finalmente julgada num caso de “divórcio contencioso”, em finais do ano passado.
Apesar de fuzilada pelos seus guardiães (o Estado, representado pelo Partido Frelimo), que até isso tornaram público, o mesmo Estado, que a teve, a ela e a outros sob sua guarda, foi quem, ironicamente, a representou, através do Ministério Público (MP), no desfecho de um caso que, certamente, irá constar dos anais do Direito. Estando ela em “parte incerta”, como constava da nota que a solicitava a responder em juízo, nada mais restou ao tribunal – depois de cerca de três anos – que conceder o divórcio ao “viúvo” Francisco Joaquim Manuel, com quem ela contraíra matrimónio em 1974.

A odisseia...

Se, no rumo da história, a ironia, o cinismo e a hipocrisia, têm os seus lugares garantidos, já a lei, por mais absurda que possa parecer, deve ser estreitamente cumprida.
É assim. Sempre o foi.
Depois de cerca de trinta anos, em desespero, para regularizar a sua situação de “viúvo”, Francisco Joaquim Manuel calcorreou que se fartou os corredores dos serviços de Registo e Notariado do Ministério da Justiça, na vã tentativa de encontrar a certidão de óbito, da sua primeira esposa.
Nada encontrou. Encontrou algo, sim: cenas de espanto, da parte de vários funcionários públicos, que o aconselharam a pedir divórcio “alegando que a Joana abandonou o lar”. Era a saída legal que lhe restava, visto que os adversários de Joana Simão, quando a executaram, esqueceram-se de passar a certidão de óbito e até de entregar os seus restos mortais à família, para estes procederam às exéquias. E isso, até hoje, pelo que se saiba ainda não aconteceu.
Francisco Joaquim Manuel, após a execução de Joana Simão, juntou-se à sua actual mulher, com que tem seis filhos e destes, alguns netos, e, não achava justo não contrair matrimónio com ela. Foi então que, após seguir os “conselhos” que, sobre o assunto, lhe iam sendo dados, lá acabou por pedir o divórcio, “uma vez que ninguém sabia dizer-me onde estava a certidão de óbito da Joana”.
Feito isto, o processo de “Acção Ordinária Declarativa de Divórcio Litigioso n.º 19/05”, ganhou outra “sensibilidade”, e de facto, por via do diário «Notícias», o Tribunal Judicial da Província de Inhambane, no dia 24 de Abril de 2006, notificou a “reaccionária” e lhe concedeu um prazo de “VINTE DIAS, que começa a contar depois de finda a dilação de TRINTA DIAS, contada da data da segunda e última publicação deste anúncio, com a advertência de que a falta de contestação importa o prosseguimento dos autos e os ulteriores termos, à sua revelia”.
A notificação foi assinada pelo juiz presidente do Tribunal Judicial da Província de Inhambane (TJPI), José António Cândido Sampaio e pelo respectivo escrivão de Direito, Gulamussene Nurmamade Mamade Cane, na “Acção Ordinária Declarativa de Divórcio Litigioso n.º 19/05.
O autor destas linhas, por alturas do processo, contactou, por duas vezes, o juiz Sampaio, que disse: “apenas cumpri a lei”. Passado o dia em que a «reaccionária» se devia ter apresentado ao tribunal para responder à notificação, ele foi mais categórico, ao dizer-me: “ela não apareceu”!!!.

Das voltas processuais ao julgamento


O Ministério Público (MP), que representou Joana Simeão (Cabe ao MP, representar os ausentes) e o Tribunal andaram, durante muito tempo, com pontos de vista antagónicos sobre o paradeiro de Joana.
O magistrado da procuradoria provincial de Inhambane, que esteve encarregue do processo 19/05, alegava na sua fundamentação que se via a “representar um ausente (pessoa cujo paradeiro se ignora e com a qual não é possível contactar) e não um incerto”.
E depois de desenvolver toda uma argumentação no caso em que o “viúvo” de Joana pretendia o “divórcio litigioso”, o MP em Inhambane referia que a petição do autor era “ininteligível”, alegadamente porque o “viúvo” Francisco Joaquim Manuel, ao apelar para que o Tribunal sentencie o divórcio, “invoca, apenas, o abandono físico da Ré, sem, porém, demonstrar que o mesmo tenha sido, sem intenção de regresso, apresentando factos que corroborem tal elemento”. Em conclusão, na contestação, o procurador provincial da República em Inhambane afirma que “deve a presente acção ser julgada improcedente, porque ilegal e não provada e, em consequência, ser a Ré absolvida totalmente”.
Foi aqui que o “viúvo” de Joana Semião, Francisco Joaquim Manuel, já algo irritado, contestou junto do Tribunal Judicial Provincial de Inhambane (TJPI) os argumentos do magistrado do Ministério Público naquela província.
De acordo com o magistrado do MP, na sua petição o “viúvo” de Joana não conseguiu provar que ela tenha abandonado o lar sem intenções de qualquer dia retornar ao leito conjugal. O Ministério Público, para além de ter concluído nos autos que Joana Simeão estava “ausente” e não “em parte incerta”, como considerava o Tribunal, nem “morta”, como já chegou a admitir Joaquim Madeira, o antecessor de Augusto Paulino no mais alto posto da magistratura do MP, pedia que o processo fosse considerado improcedente e “a ré absolvida totalmente”.
Já várias fontes reconheceram que Joana Semião está morta, por ter sido mandada fuzilar. (NR: ver caixa, nesta edição, com a nota de fuzilamento)
Os autores do acto que lhe tirou a vida não se suportaram em sentença judicial, pelo que não há registo do óbito.
Tal como se pensa que tenha sucedido a muitos outros moçambicanos, apelidados pelo então Bureau Político da Frelimo de «reaccionários», Joana Simeão consta nos arquivos como estando viva.
Figuras seniores do partido Frelimo já declararam, de viva voz, alto e a bom som, na Assembleia da República, e em outros actos públicos, que Joana Simeão foi morta por ordem de dirigentes do partido Frelimo, quando este se assumia como de matriz marxista-leninista.

Incinerados vivos com gasolina por gente que ainda anda a monte


A morte de Joana Simeão e de outros “reaccionários”, termo por que alguns do actuais dirigentes e membros seniores da Frelimo os designavam e por isso lhes mandaram tirar a vida sem julgamento, vêm descritas no livro de Barnabé Lucas Nkomo, «Uria Simango – Um Homem, Uma Causa».
Escreve Barnabé Nkomo que Joana e todos os demais “reaccionários” entre os quais o pai e a mãe do actual edil do Município da Beira e presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), não foram fuzilados, mas, sim, todos “incinerados vivos, após serem, inicialmente, amontoados numa vala comum aberta por um Caterpillar”. Diz o pesquisador Nkomo, no livro, que “acto contínuo, já depois de regados com gasolina, os carrascos atearam fogo à massa humana” enquanto “a poucos metros do local uma multidão era obrigada a entoar canções revolucionárias a exaltarem a vitória sobre os reaccionários”. “Reaccionários” cujo seu “crime” terá sido proporem para o seu País, Moçambique, o regime que quem os fuzilou adoptou depois de uma violenta Guerra Civil, para enriquecerem, como nunca antes terão imaginado, à custa de muito suor de quem ainda vive na miséria e na pobreza mais do que absoluta.

Finalmente o julgamento


Reagindo à posição do MP assumida nos actos do processo, que correu em foro cível em Inhambane, Francisco Manuel, contestou.
Ele acabou recorrendo à presente acção, que culminou com o julgamento, em Agosto passado, após as autoridades competentes reconhecerem que não chegou a ser passada nenhuma certidão de óbito pelos seus homólogos, que, supostamente, em nome do Estado, não se dignaram a fazê-lo, após a consumação do acto que tirou a vida a Joana e outros. O julgamento, longe dos holofotes dos media, acabou acontecendo, sem a merecida cobertura. O «Canal de Moçambique», que sempre trouxe à superfície os contornos desta novela de fazer bradar os céus, soube que o julgamento decorreu em Agosto, a partir de quando Francisco Manuel terminou parte do seu martírio.

O Estado foi o último guardião de Joana Simeão


O “viúvo” quer que seja o Estado a dizer o que fez de Joana Simeão, porque, alega ele, foi o Estado que conheceu como último guardião dela. Esta pretensão do “viúvo” da “reaccionária” prende-se ao facto de querer que lhe sejam entregues os restos mortais da Joana, com vista a realizar um funeral digno da sua companheira de primeira hora.

Como foi presa a célebre Joana?


A 26 de Outubro de 1974, cerca de um mês após a tomada de posse do Governo de Transição, chefiado por Joaquim Chissano, oficiais portugueses do MFA, dirigiram-se à residência de Ahmed Haider, na cidade da Beira, dando ordem de prisão à Dra. Joana Simeão. Haider era o secretário do PCN para assuntos administrativos.
O MFA, actuando a pedido do Governo de Transição de Moçambique (1974) em estreita colaboração com membros da Frelimo, havia colocado Simeão sob apertada vigilância. Logo após ter desembarcado no aeroporto da Beira, num voo proveniente do Malawi, os oficiais do MFA perseguiram-na até ao bairro da Ponta Gêa, onde morava aquele dirigente do PCN. Da Beira, o MFA transferiu Joana para Lourenço Marques (hoje Maputo), mantendo-a sob prisão nos antigos calabouços da PIDE/DGS na Machava (actual cadeia de máxima segurança - B.O.) sob custódia do Batalhão de Cavalaria 8424 das Forças Armadas Portuguesas. “Submetida a intensos interrogatórios, Joana viria a redigir uma petição endereçada ao Alto-comissário português, Almirante Vítor Crespo, na qualidade de responsável pela ordem, lei e segurança até à independência, a 25 de Junho de 1975”. Nela solicitava que fosse “feita justiça”, que fosse “formalmente acusada e julgada, para não ser entregue aos outros que, sumariamente, a executariam.”
“O Almirante Vítor Crespo ignorou a petição”.
Vítor Crespo, há anos, já falecido, em Portugal, “ordenou que Joana Simeão passasse para a custódia do governo de transição” de Moçambique, dirigido por Joaquim Chissano, então 1.º Ministro.
Segundo versões exaradas em documentos dispersos e referidos por várias fontes, o Governo de Transição, no âmbito de um vasta operação então em curso e destinada a erradicar todos os vestígios de oposição no país, transfere Joana Simeão para a Tanzânia e, de imediato, oficiais do Departamento de Segurança da Frelimo levam-na para a base militar de Nachingwea, onde voltaria a ser submetida a novos interrogatórios, em preparação para um “julgamento popular”.

Sérgio Vieira



Sérgio Vieira (hoje director do Gabinete do Plano do Zambeze – GPZ), que viria a ocupar o cargo de chefe do Departamento de Segurança da Frelimo após a independência, é apontado como tendo sido quem elaborou os “autos” do “julgamento, que teve lugar em a 14 de Março de 1975”
. “Joana Simeão e cerca de três centenas de outros prisioneiros, detidos em Moçambique, raptados em países estrangeiros ou atraídos a ciladas na Tanzânia, foram condenados à «reeducação»”.
Observadores do rigor jurídico e ex-correligionários de Joana e seus confrades dados “em parte incerta”, para contestarem a validade do “julgamento” da Tanzânia alegam que a pena de “reeducação” não está prevista em nenhum código penal em vigor, quer em Moçambique, quer naquele País. Esses observadores fazem notar o aspecto caricato de uma organização política ter atribuído a si própria o direito de julgar e condenar cidadãos ao arredio do poder judicial. Trata-se de “um atropelo flagrante aos mais elementares princípios de um Estado de direito,” disse um dos observadores, que nos pediu para não ser citado.
Da Tanzânia, Joana Simeão e outros presos políticos segundo várias fontes, foram transferidos em camiões militares das TPDF (Tanzania People’s Defense Force) para o Lago Niassa e dali levadas de barco para a Base Naval de Metangula, na província do Niassa. Daqui, “novamente em camiões militares”, Joana Simeão, segundo as mesmas fontes, foi levada para um antigo quartel do exército colonial em M’telela (ex-Nova Viseu). Referem também várias fontes em livro, e outras, que Joana Simeão viria a ser sumariamente executada, “por volta de 1977-1980”, na companhia de Uria Simango, Padre Mateus Gwenjere, Lázaro Nkavandame, Júlio Razão, Raul Casal Ribeiro, entre outros.

Os antecedentes de Joana Simeão


A Dra. Joana Simeão, uma dissidente da Frelimo que se distanciou do movimento durante a guerra pela Independência, desenvolveria importante actividade política em Moçambique, após o golpe de Estado desencadeado em Lisboa pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), em Abril de 1974 e que resultou no derrube do regime do 1.º ministro Marcelo Caetano, abrindo caminho para a independência das colónias. Ela notabilizou-se, como referem seus correligionários, “pelos esforços desenvolvidos no sentido de se unirem todas as forças políticas moçambicanas em antecipação de eleições livres e democráticas, que se esperava viessem a ter lugar” no âmbito de um acordo de reconhecimento da independência pelas autoridades portuguesas que administravam, na altura, o território moçambicano.

Joana e Uria Simango


Em Agosto de 1974, Joana alcança o seu objectivo e surge o Partido da Coligação Nacional (PCN) que teria como presidente o Reverendo Uria Simango.
Uria Simango tinha sido vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e era suposto ter ascendido a presidente do movimento logo após a morte do Dr. Eduardo Chivambo Mondlane, em crime ainda não devidamente esclarecido, em casa da americana Betty King, na capital tanzaniana, Dar-es-Salam, mais precisamente no Bairro de Oyster Bay e não na sede da FRELIMO como sempre foi propalado pelos ainda dirigentes do partido que derivou da Frente alargada de libertação nacional de que também fizeram parte muitos outros compatriotas agora filiados noutras organizações políticas. .
O reverendo Simango, é pai dos engenheiros Daviz Simango, actual Edil da Beira, e de Lutero Simango, deputado à AR pela Renamo. Se se usar a mesma terminologia do Tribunal, também se encontra “em parte incerta”. No entanto, várias fontes referem que tanto ele Uria como Joana e outros, foram fisicamente eliminados.
A par da iniciativa de Joana criar o PCN, Portugal, representado pelo governo e pelo MFA, negociava com a Frelimo a independência de Moçambique. Do processo negocial foram afastadas outras forças políticas moçambicanas, mesmo outras que também reivindicavam ter-se batido no terreno pela conquista da independência, como era o caso do COREMO cujos dirigentes passaram a integrar o PCN.

Acordo de Lusaka não previa democracia


Nos termos do acordo firmado em Lusaka, a 7 de Setembro de 1974, entre o regime português estabelecido pelo MFA e a Frelimo, os poderes seriam transferidos para este movimento. O acordo não previa a realização de eleições democráticas.
O texto integral do Acordo de Lusaka nunca foi divulgado. Até hoje há partes que não são conhecidas dos moçambicanos.
O governo moçambicano e o Estado português são, ainda hoje, acusados por certos sectores de manterem em segredo uma parte dos entendimentos da capital da Zâmbia.
Mariano Matsinhe, um dos negociadores desse acordo, em representação da Frelimo, foi citado, recentemente, como tendo dito que o “acordo permanecia no segredo dos deuses”. Figuras atentas ao processo de descolonização de Moçambique têm manifestado que presumem que a relutância, tanto da Frelimo como do Estado português, em trazer a público os termos do referido acordo se prende com acertos feitos entre as duas partes, em matéria de liberdades democráticas fundamentais. A julgar pelo que se passaria na prática, depois da assinatura do Acordo de Lusaka, é de admitir que o regime português, saído do golpe de Estado de Abril de 1974, se comprometeu a erradicar, a pedido da Frelimo, todas as formas de oposição ao regime que a Frelimo pretendia instaurar após a independência. Figuras da oposição insistem em surdina que há políticos portugueses ainda no activo que “até hoje estão a esconder algo”. “Alguns frequentam Moçambique com regularidade”. Objectivamente citam o Dr. Almeida Santos, envolvido com Sérgio Vieira em projectos no Vale do Zambeze.

A certidão de óbito


A nota que a seguir se transcreve, aliás, se republica, 28 anos depois, é, de per si, esclarecedora.
“No espírito das tradições, usos e costumes da luta de libertação nacional, o Comité Político Permanente da Frelimo reuniu e condenou por fuzilamento os seguintes desertores e traidores do povo e da causa nacional, os quais já foram executados: Uria Simango; Lázaro Kavandame; Júlio Razão Nilia; Joana Simeão e Paulo Gumane. Em ordem a evitar possíveis reacções negativas, nacionais ou internacionais, que podem advir em consequência do fuzilamento destes contra-revolucionários, a Comissão Política publica esta acta como decisão revolucionária do partido Frelimo e não como acta judicial”, lê-se no referido documento. Assumindo ser “necessário um «dossier» estabelecendo a história criminal completa desses indivíduos, assim como as suas confissões aos elementos do D.D/S.I que os interrogaram, declaração das testemunhas, julgamento e sentença”, o Comité Político Permanente do partido Frelimo ordenou ainda que “um comunicado deverá ser emitido pelo camarada Comandante-Chefe (Samora Moisés Machel), no qual se anunciará a execução dos contra-revolucionários acima mencionados”. No mesmo documento lê-se ainda que “foi decidido nomear um comité para compilar o dossier e preparar a comunicação pública”. “O camarada Comandante-em-chefe decidiu que o comité fosse dirigido pelo camarada Sérgio Viera e adicionalmente terá os seguintes camaradas: Óscar Monteiro, José Júlio de Andrade, Matias Xavier e Jorge Costa.
A Luta continua. Maputo, 29/7/80. O ministro da segurança, Jacinto Veloso”.


( Luís Nhacote, Canal de Moçambique, 23/07/09 )

Família Mugabe apodera-se de fazendas confiscadas a agricultores privados






Pretoria (Canalmoz) - É por demais conhecido o papel desempenhado por Robert Mugabe na desarticulação de uma das mais prósperas economias agrícolas de África. Superior à da África do Sul, a tecnologia agrícola herdada pelo governo de Mugabe por altura da independência colocava o país na posição privilegiada de poder auto-abastecer-se em alimentos essenciais da dieta do povo zimbabueano, para além de garantir receitas com as exportações de bens produzidos pelo sector agro-pecuário, em particular a carne, que era consumida em mercados europeus muito antes da introdução do regime de contingentação no âmbito da Convenção de Lomé. Esta a realidade económica do Zimbabwe em Abril de 1980, não obstante os esforços envidados pela guerrilha do ZANLA em debilitar o sector agrícola da então Rodésia, atacando fazendas, destruindo celeiros e, no caso concreto do sector pecuário, cortando tendões a bois e vacas como forma de inviabilizar um sector vital da economia.
Escudando-se numa birra antiga com os antigos colonizadores, Mugabe cedo apercebeu-se de que a chantagem económica era o instrumento ideal para congregar apoios que permitissem a consolidação do seu projecto totalitário, de eternização do poder à custa da repressão sem quartel dos que lhe surgiam pelo caminho. Efectivamente, com apoio da sua milícia particular, convenientemente crismada de “veteranos da luta armada”, Mugabe enveredou por uma campanha sistemática de confisco de fazendas em nome da distribuição de terras a quem não a tinha. Sem se preocupar com as calamitosas consequências económicas que daí adviriam, Mugabe entreteve-se a desmantelar a base da economia do Zimbabwe. A orgia de destruição em que estava empenhado, impedia-o de ver o desemprego, a escassez de produtos, as quebras nas exportações, e a crescente dependência em relação ao estrangeiro, não obstante os alertas periodicamente lançados de dentro e fora do país, avisando-o de que caminhava para o abismo.
Apesar das frequentes declarações públicas de que o programa de reforma de terras destinava-se a dá-las aos sem-terra, Mugabe e os membros da sua família mais próxima apoderaram-se de várias fazendas confiscadas pelo regime da ZANU-PF. Sabe-se hoje que a Família Mugabe é proprietária de pelo menos 10 fazendas comerciais.
Nos princípios do corrente ano, Mugabe, acompanhado de ministros do seu regime, efectuou uma visita à fazenda de produção de leite, a Gushungo Dairy Estates, ex-Foyle Farm. Para além desta fazenda, a família Mugabe é também proprietária da fazenda Highfield Farm nos arredores de Norton. O Estado adquiriu duas fazendas próximas com o objectivo de se criar uma zona tampão em redor da Highfield Farm.
Junto à fazenda Gushungo Dairy Estates, situa-se a Iron Mask Farm, igualmente propriedade da família Mugabe, embora se acredite que esteja registada em nome da esposa do presidente zimbabweano, Grace Mugabe.
Investigações revelaram que a família Mugabe apoderou-se das fazendas Sigaru Farm, Liverdale Farm, Bassil Farm e Mazowe Farm na Província de Mashonaland Central. A senhora Grace Mugabe é referida como estando em vias de se apoderar de uma fazenda na Província de Mashonaland Ocidental, para oferecer a um filho do seu primeiro casamento, Russell Goreraza. Em tempos, o pai de Goreraza, Stanley, havia sido destacado para a embaixada zimbabweana em Beijing como adido militar, numa altura em que Robert Mugabe fazia a corte a Grace.
Um sobrinho de Mugabe, de nome Leo Mugabe, possui três fazendas comerciais, e o irmão mais novo, Patrick Zhuwawo, é dono de duas outras fazendas. Este facto foi revelado no âmbito de uma acção judicial de divórcio litigioso movida pela ex-mulher de Leo Mugabe.
Sabina Mugane, irmã do actual presidente do Zimbabwe, apoderou-se de uma fazenda na região agrícola de Norton durante a campanha de confisco de propriedades agrícolas privadas.

( The Zimbabwean, citado em www.canalmoz.com )

Wednesday, 5 August 2009

Mia Couto em entrevista


Mia Couto fala devagar e quase sempre em voz baixa. Ri com a mesma facilidade com que se distrai com tudo e todos. É um escritor apaixonante e um homem fascinante.
Quando sais de manhã para o mato qual é a tua rotina de biólogo?
Não sei se o verbo é sair porque eu já estou lá. Na última vez fui com o meu filho e adorei porque ficámos na mesma tenda. Passámos um frio horrível porque somos os dois muito distraídos e esquecemo-nos de fechar a parte de cima da tenda.
Quantos anos tem o teu filho?
Tem trinta, também é biólogo e é como eu: e só ao quarto ou quinto dia é que percebemos que estávamos a passar aquele frio todo por não termos fechado a tenda em cima (risos). Levantamo-nos muito cedo, às 4 da manhã, dividimo-nos em grupos, cada um vai para um certo sítio.
É uma rotina completamente diferente da do escritor?
É. Eu adoro porque existe ali toda uma outra lógica de tempo. Nunca me canso. Renasço no mato.
Quando observas os animais fazes comparações com os humanos? Ou cartografas apenas a alma dos animais?
Sabes uma coisa? Essa África onde só há animais completamente separados dos homens já não existe e eu gosto dessa promiscuidade, gosto de conviver com os leões, os elefantes e os hipopótamos. O grande desafio é saber como é que tu casas aquilo tudo, como é que crias harmonias entre aquela gente toda.
Seres branco, de olhos azuis, gera entropias ou desconfianças entre os nativos?
Eu sou sempre outro, não sou um deles.
És um estrangeiro?
Não há uma palavra para definir estrangeiro. Aliás entre os meus colegas somos todos molungos porque não falamos a língua local, não pertencemos àquele clã, àquela tribo, o que é muito curioso porque esta tentação de definirmos o outro pela raça ou pela cor da pele ali não existe. Ali existem eles e os outros, os de fora.
Que são considerados outros por não falarem a língua deles, só por isso?
Esse é o factor determinante. Se tu, Laurinda, chegas lá, eles olham para ti e dizem: esta mulher é uma molunga. Se tu falas a língua local, imediatamente passas para outra categoria.
Não estranham ouvir-nos falar a língua deles?
É curioso que não. Em geral não. Acham que aprendeste noutro sítio qualquer e acham natural.
Estamos a falar de que zonas de Moçambique?
Em todas as zonas a reacção é igual. As pessoas são classificadas desta maneira e tu entras e fazes parte do seu território a partir do momento em que tens a mesma língua e respeitas a sua religião e cultura.
Qual é o teu trabalho nestas missões?
O meu trabalho divide-se em duas partes: uma mais ecológica e ligada à sustentabilidade e outra na área da investigação.
A fauna continua a dominar o continente africano?
Não, isso também já não existe. A rede humana atravessa todo o espaço.
E os animais deixam entrar os homens nos seus territórios?
Bem, estive num lugar onde seis pessoas foram comidas por leões em seis meses.
Porque é que os atacaram?
Já não tinham mais nada para comer. Este é um sistema determinado pelo homem, que se impõe no espaço, no acesso à água, na delimitação do território e há animais que não aceitam estas fronteiras.
É como se os animais tivessem sido invadidos pelos homens?
Sim. É uma luta terrível. Em Moçambique não há um único dia em que alguém não seja morto por um animal.
Por leões e elefantes?
E pelos crocodilos, depois pelos elefantes, hipopótamos e búfalos. Por esta ordem.
Tens medo de ser comido por eles?
Não.
Como é que não tens medo?
Pode sempre acontecer alguma coisa de surpresa, claro, e repara que eu nem sequer sou corajoso! Mas sou cauteloso sempre que vejo um animal. Não tenho nenhuma reacção nem sou como aquele australiano que ia sempre mexer nos bichos. Eu procuro ser aceite pelo animal.
A que distância consegues ver se um animal te está a aceitar?
É mais ou menos instintivo mas nós sabemos que há códigos que funcionam. Por exemplo o elefante, que é o mais complicado, comunica sempre connosco. Normalmente manda-nos embora. Abana a cabeça para mostrar que não está a gostar da nossa presença. Há uma fêmea que se destaca da manada e se aproxima para vir ter connosco para nos assustar e se ela faz aquele balanço de orelhas, muito teatral, com a tromba lançada na nossa direcção, o que temos que fazer é fugir.
E tu foges?
Claro. Temos de respeitar sempre a vontade do animal. Quando as orelhas ficam coladas ao corpo e ela recolhe a tromba, então aí já não vale a pena fugir porque já é demasiado tarde, a não ser que estejamos dentro de um carro. Se estivermos a pé, já é muito difícil escapar.
Já tiveste colegas ou amigos que foram mortos por animais?
Já tive um amigo que foi morto por um elefante, sim.
Assististe?
Não, não estava lá. Felizmente não vi. Em Pemba, onde morreu esse meu colega, quando cheguei soube que ele estava morto, mas não tive coragem para me aproximar porque é um espectáculo terrível.
Isso não te faz ter mais medos e mais consciência dos perigos?
Sinceramente não, porque não tenho de ter a proximidade no sentido de pôr a minha vida em risco, nem sou caçador.
Não provocas os animais?
Não. Nem tenho de entrar nesse território de confronto. Eu não me quero confrontar com os animais, mas há coisas que evidentemente não podemos controlar. Eu cruzo-me com cobras e às vezes com escorpiões mas temos que ter consciência de que o animal mais perigoso em África é o mosquito. É o que mata mais.
Já tiveste malária?
Já tive muitas vezes, embora durma sempre com rede mosquiteira na cama.
Com crises violentas?
Quando tinha oito, nove anos tive malária e a minha mãe ficou sempre à minha cabeceira. Houve um dia em que parecia que eu estava melhor e ela foi trabalhar, mas ao fim da manhã eu tremia como varas verdes e um vizinho levou-me para o hospital. Fiquei numa enfermaria de adultos, no quarto de uns homens negros que perceberam que eu estava mesmo mal. Era a minha primeira vez fora de casa e estava péssimo.
Também tinhas alucinações provocadas pela febre?
É terrível e há uma coisa na malária que é uma espécie de desistência. A certa altura tu desistes, há um frio interior que nos faz sentir que já estamos do lado de lá.
Como numa antecâmara da morte?
É isso mesmo. Talvez por causa disso os homens começaram a contar-me histórias e eu adormeci. E isso foi fantástico.
Lembras-te dessas histórias?
Eles começaram a contar histórias da vida deles, de quando eles eram pequenos. Um era carpinteiro e contou-me como é que fazia todas aquelas coisas com a madeira. Mas sabes?! O mais importante para mim não foram aquelas pessoas, mas as suas histórias. Aquelas histórias deram-me casa e voltei outra vez ao mundo.
"As histórias deram-te casa", eis uma expressão belíssima...
Deram-me aconchego, deram-me família e, de repente, eles eram a minha casa e a minha família e eu adormeci. A malária fez-me perceber o valor da história. Se alguém conta uma boa história, que te encanta, tu tens ali uma casa.
É isso que te faz escrever?
Eu acho que sim. Fiquei com uma espécie de vício de infância porque tive uma infância muito feliz, uma infância encantada, e tentei que essa casa, esse terreiro onde brinquei, fosse sempre o meu mundo. Tentei nunca sair daí.
Isso não é um síndroma de Peter Pan?
Não, não quero ficar criança e infantilizado nesse sentido. O que eu quero é ter essa relação mágica com o mundo. Acho que por crescermos não temos que abandonar esse pensamento mágico. Agora vejo os meus netos brincarem e percebo que eles ficam fascinados num mundo utópico. Há ali quase uma relação divina porque, de repente, o meu neto é tudo e é todos. Aos dois anos podemos ser tudo: actor de teatro, autor de ficção, astronauta, bombeiro. É aí que começa a ficção?
Interessa-te essa possibilidade de seres tudo em todos?
Sim, poder ser o outro e ser o mundo inteiro. Acho que nunca perdi isso.
Vives nos teus personagens?
Eu não vivo, eu sou os meus personagens.
És todos os teus personagens?
Sem dúvida. Gostava de contar uma história a propósito de "Jerusalém". Eu já tinha escrito este livro e até já me tinham mandado um exemplar para eu ver se havia alguma coisa que não funcionasse bem, quando me contaram que havia um velho caçador que sonhava com o espírito dos animais quando lhe diziam, por exemplo, que era preciso matar um elefante. Aí eu disse: eu quero conhecer esse velho!
Os animais também têm espírito?
Sim, não somos só nós que temos alma, os animais também têm alma e espírito. Este homem era chamado sempre que era preciso matar um elefante porque ele é brindado, tem esse dom. Fui ter com ele, atravessei um longo caminho para chegar a um lugar no fim do mundo. Andei horas e horas para chegar a casa dele.
Como é que ele era?
Quando cheguei encontrei um homem com brincos e muitos colares e perguntei-lhe porque é que se vestia assim mas ele respondeu-me: não sou eu que mando no que eu visto. E logo a seguir disse: eu não falo português, não dou entrevistas, não sei quem você é! E eu, de repente, percebi que o homem tinha razão, não posso entrar em casa de quem não me conhece para receber uma história sua.
O que é que fizeste?
Pedi aos que iam comigo para lhe pedir desculpa. Ele quis saber quem eu era e os outros disseram: este é um homem que conta histórias. E o curioso é que ele olhou para mim de dedo apontado e declarou: amanhã eu vou-lhe mostrar uma coisa que é uma história, só eu conheço a gruta onde nascem as hienas e vou levá-lo lá.
Ficaste contente?
Claro. Ah! Em toda esta conversa o homem teve na mão um facão com que fazia uma cesta de vime e há umas páginas do "Jerusalém" em que o velho Silvestre está sentado numa esteira com uma catana na mão? No dia seguinte fui ter com ele de carro e ele disse-me que não podia entrar no carro porque todo o homem que, como ele, incorpora o espírito dos animais não pode ficar fechado num espaço tão pequeno.
Como é que o convenceste?
Foi preciso abrir todas as janelas e mesmo assim mais de meia hora de argumentos para o convencer a entrar no carro, mas lá conseguimos que entrasse.
O que é que lhe disseste exactamente?
Olhe, as janelas estão todas abertas e, portanto, os espíritos podem entrar e sair quando quiserem (risos). Então ele sentou-se, apoiado na catana, e foi de olhos fechados até chegarmos. Sempre de olhos fechados, estremeceu quando chegámos a um sítio e declarou: é aqui. E começou a mostrar-me pegadas e conduziu-me por ali fora sempre com a catana nas mãos. Nesse dia eu levei-o para jantar comigo no acampamento e quando lhe estava a pedir para me mostrar outras coisas ele disse: você ainda não percebeu mas eu sou cego.
Não tinhas percebido nada?
Não. E perguntei-lhe: cego como? Então o senhor andou por aí a mostrar-me as pegadas e os lugares?E ele: não sou eu que vejo, nessas alturas é alguém que está a ver pelos meus olhos. Aquilo foi impressionante para mim. Esse velho, que eu só conheci depois de escrever o livro, já estava no meu livro. É incrível, não achas?
Acho. Este livro é um conjunto de textos escritos pelo Mwanito que, no fim, os entrega ao irmão. Inventaste tudo isto?
Sim. E só no fim é que se percebem coisas essenciais sobre cada personagem.
Sim, eu sei, mas é melhor não as contarmos para não desfazer o mistério?
Vou só dizer uma coisa: no meu livro, quando o irmão recebe os textos, pergunta como é que é possível ele ter escrito tudo aquilo sem ver, e o Mwanito responde que deixa de ser cego quando escreve. Foi isso mesmo que o velho me disse. Ele não escrevia mas tinha essa relação com a terra que via mesmo sendo cego. O mais impressionante de tudo é que eu já tinha escrito o livro quando conheci este velho.
Ou seja: é como se tivesse havido uma convocação cósmica para conheceres um homem que, mesmo sem saberes que existia, te inspirou para escrever.
É, foi qualquer coisa assim.
Se calhar ele sonhou o teu espírito antes de começares a escrever?
Sim, se calhar eu sou um bicho também e ele sonhou com o meu espírito (risos). Foi uma coincidência extraordinária.
É fantástico. Nos teus livros existe muito este lado fantástico, este pensamento mágico.Eu não tenho crença nestas coisas, sabes?!
Não sei bem em que é que tenho crença mas não sou supersticioso. A verdade é que, neste caso, este homem existe no meu livro e isso é curioso. Eu agora até trago a fotografia dele no meu computador.
Tu moras nestes personagens todos. Mas como é que eles te habitam?
Eles nascem-me do encontro com pessoas que fazem soltar outras pessoas que têm escondidas dentro de si. Desde pequeno que atribuo histórias a pessoas que me despertam e me parecem dizer que há ali qualquer coisa que é preciso revelar.
São coisas que tu intuis ou inventas para aquela pessoa?
Tenho que fazer essa confissão de arrogância: são coisas que estão dentro de mim e eu projecto nessas pessoas. Mas todas nascem de uma sombra, de uma coisa qualquer que me desperta e me faz soltar.
Voltando aos animais: como se escapa a um crocodilo?
Sabes que ali nunca se sabe quem é o crocodilo.
Como assim?
Temos de saber primeiro quem é aquele crocodilo. Se tem dono, se é um espírito e pode ser uma pessoa. Uma encarnação de alguém. Há uma história sobre um menino que andava numa escola do outro lado de um grande rio que separava a sua aldeia e os pais viviam atónitos com o filho porque ele saía de casa cinco minutos antes e chegava à escola sempre a horas. Ora, eles sabiam que ele precisaria de caminhar pelo menos uma hora para ir de casa à escola.
E o que é que acontecia?
A história que toda a gente conta como sendo indubitavelmente verdadeira é que um dia os pais seguiram o menino e viram que ele entrava na água e depois aparecia no outro lado. Essa travessia que ele fazia todos os dias era na forma de um crocodilo. De outra forma seria impossível pois o rio estava cheio de crocodilos e ele seria comido por eles. Tudo isto é possível (risos).
É possível acreditar, se quisermos, ou é possível acontecer?
(risos) É possível acreditar. Eu, pelo menos, estou disponível para aceitar.
Esse é o teu mundo mágico... Em relação aos crocodilos, como é que nos podemos defender apesar de não sabermos quem é aquele crocodilo?
Podemos sempre proteger-nos e a grande protecção é vivermos em harmonia com os outros. Essa é a grande sabedoria e se há lições que podes retirar de África essa é uma delas: é preciso criar equilíbrios à nossa volta.

( Laurinda Alves no jornal I de 05/08/09. Confira em http://www.ionline.pt/ )

Ainda Sobre os Puxa Sacos e os Apóstolos da Desgraça

Penso que este debate sobre os puxa sacos, lambe botas e apóstolos da desgraça provocou o fogo que muitos guardavam e não viam como tirar. Alberto Nkutumula, no seu blog, levantou a poeira e a reacção foi logo a seguir. É que ninguém gosta de ser chamado puxa saco, lambe bota ou apóstolo da desgraça, mesmo que ele ou ela realmente o sejam. Todos querem manter a sua dignidade e aqueles adjectivos retiram a dignidade do ser humano.
Entretanto persiste a pergunta: quem são os puxa sacos, lambe botas e apóstolos da desgraça e quem os cria? Alguém dizia ao comentar o meu primeiro argumento que: tanto os puxa sacos quanto os apóstolos da desgraça, todos são uns extremistas que não conseguem ver o meio-termo. Eu que agora prefiro chamar os puxa sacos de apóstolos da graça, acho que a diferença entre estes e aqueles é que os apóstolos da graça estão ao lado do messias e das bênçãos, enquanto os apóstolos da desgraça comem o pão que o diabo amassou.
E no final do dia, tudo tem a ver com o pão. O Pão-nosso de cada dia ou o pão do inferno conforme seja apóstolo da graça ou da desgraça. Uns incluídos na ceia e outros excluídos. Quem cria ou escolhe os apóstolos? A resposta é simples, a pessoa não nasce apóstolo, nem da desgraça nem da graça, normalmente é o messias que escolhe os seus apóstolos e os seus detractores. Se o povo escolhe um governo este escolhe seus amigos e seus inimigos. E eu, gosto de pensar que tanto amigos quanto inimigos não passam de conceitos inventados no nosso imaginário. Imaginários cauterizados pelas crenças individuais de cada um.
Perguntaram-me se na sociedade política em que vivemos podemos ser outra coisa que não seja apóstolo da graça ou da desgraça? Eu acho que sim. Embora acredite que ninguém nos dá essa chance de sermos ou não sermos. Há sempre um dever. Um dever provocado pelos nossos medos. A abstracção é o primeiro passo para sobreviver o evangelho da graça ou da desgraça. Só aquele que não orienta os seus princípios com a cor das estradas, das árvores e dos passeios de Moçambique é que pode escolher uma bancada própria. Penso sempre no imaginário do ser humano.
Mas é também verdade que puxa sacos e apóstolos da desgraça não apareceram agora com a governação de Guebuza. Eles sempre existiram, só mudavam de nomes. Por exemplo alguns apóstolos da desgraça já foram chamados de reaccionários, rebeldes, oposição, entre outros e os lambe botas são sempre aqueles que nunca olham para as falhas mas elogiam tudo até no ridículo. As vezes é o próprio messias que depois lhes chama à consciência. A outra coisa é que, o Reflectindo tem razão, ninguém perguntou ao Presidente da República o que quis dizer com apóstolos da desgraça, embora estivesse tudo bem claro. E as vezes é bom não questionar o óbvio.
Ser puxa saco ou lambe bota, não é o mesmo que idolatrar. Aquele que idolatra à alguém praticamente que não usa da razão na sua atitude. Já o puxa saco e o lambe botas o fazem conscientemente. O apóstolo da desgraça, muitas vezes não usa da razão, já vem com uma mente corrompida e enchida de preconceitos, é o contrário do técnico que friamente analisa os dados antes de emitir uma opinião. Usando este método racional, podemos distinguir os apóstolos da graça dos apóstolos da desgraça.
Agora, não devemos esquecer que, independentemente de tudo que se pode dizer, independentemente dos nomes que depois podemos receber e independentemente do pão que depois vamos comer ou não, é imperioso que os cidadãos estejam atentos a toda a dinâmica da governação. Monitorar é questionar a responsabilidade do governo e dos governantes na gestão da coisa pública. Uma sociedade que se recusa a desempenhar este papel por medo de ser rotulada, com certeza que está a beira do colapso. A governação só pode ser boa se é monitorada.Gosto de abordar a questão do puxa saquismo quando falamos de monitoria à governação. Não me interessam muito os outros níveis do puxa saquismo ou dos apóstolos da desgraça. Na verdade até ao nível das amizades encontramos essas figuras. Tenho alguns amigos que de amizade mesmo não há nada, há mais puxa saquismo que outra coisa.
Uma governação que não é monitorada não pode ser boa. Pior ainda, é a governação que não gosta de ser criticada. Nem sempre aquele que critica vem de má fé. Muitas vezes, ele pretende chamar a atenção à situações que poderiam ser evitadas ou corrigidas para o bem dos cidadãos. Uma governação que intimida seus críticos fabrica puxa sacos, lambe botas e apóstolos da desgraça. Essa governação é maquiavélica e usa o método da divisão para manter-se viva.
Os críticos à governação, são rotulados de só estarem a olhar para acções mal realizadas, nunca olham para o futuro e apresentar propostas, antes que os gestores da coisa pública pisem na bola. Vê se pode? O que tenho notado é que inclusive os gestores da coisa pública, eles mesmos, nunca têm a visão futurista da administração pública.
Por exemplo, quando falamos da criminalidade no país, só neste ano é que se está a pensar numa política de acção. No caso dos acidentes estradais, só depois dos acidentes ocorridos em massa no mês de Junho é que a Procuradoria se preocupou com a situação e marcou um encontro, entretanto, há muito que os criminosos ditam as regras do jogo e os chapeiros e camionistas reinam e matam nas estradas.
O 5 de Fevereiro de 2008, é outro exemplo claro de que os nossos gestores também não estudam o futuro para evitar os piores males. O então ministro dos transportes teve inclusive a ousadia de vir ao público afirmar que nunca imaginou que isso haveria de acontecer e acusou a imprensa de o não ter alertado. Poucos dias depois, o mesmo ministro veio às câmeras nervoso e a gritar. Tudo isso porque estava descontrolado e pressionado.
Um governo que não quer puxa sacos, lambe botas e apóstolos da desgraça deve pautar por uma governação participativa e inclusiva. Isso significa que o cidadão deve ser chamado no processo de tomada de decisão. Participar do processo de decisão não é só ser ouvido, é ver suas opiniões reflectidas nas decisões tomadas. O que tem acontecido é que gasta-se muito dinheiro público para auscultar pessoas em seminários e conferencias e no final do dia a decisão tomada é na íntegra a proposta que estava a ser discutida. O que quer dizer que o cidadão só foi chamado para legitimar o processo. Não é isso que se pretende. Isso só reproduz apóstolos, tanto da graça como da desgraça.
A pior parte do puxa saquismo, lambe botismo etc, é criar gente que se preocupa somente com o seu estômago, com a sua família e com a sua rede de amigos. O que desde logo transforma toda uma governação numa máquina aproveitada por um punhado de pessoas que teve certo protagonismo nas brechas da democracia. A consequência mais evidente passa a ser a ausência de políticas públicas integradas e a falta de prestação de serviços básicos e de qualidade ao cidadão. O país mergulha-se numa onda descontrolável de corrupção e a pobreza absoluta encontra um ambiente favorável para a sua manutenção.

( Custódio Duma, em www.athiopia.blogspot.com )

Tuesday, 4 August 2009

A Beira e a gestão de Daviz Simango




Os críticos de Daviz Simango gostam de afirmar que a Beira enfrenta graves problemas devido às frequentes ausências do Edil da Beira em serviço do MDM. Essses detractores são indiferentes à explicação de que alguns problemas pontuais se devem apenas à falta de dinheiro e que Daviz Simango tem uma equipa capaz de gerir a cidade da Beira nas suas ausências. O argumento deles é que Daviz não deve liderar a Beira e o MDM ao mesmo tempo, insinuando que se deve dedicar apenas à Beira.
O facto é que não há incompatibilidade entre os cargos e a Beira continua a ser um município bem gerido. Na última edição do jornal A Verdade podemos ler o seguinte:

Para além de destacar o surgimento de mais uma unidade hoteleira na cidade da Beira, Guebuza falou também dos progressos que a cidade da Beira tem vindo a registar no abastecimento de água, educação, saúde, saneamento do meio, entre outras.

Em que ficamos? Se há progresso na Beira como podem atacar Daviz Simango? Ou será que vão afirmar que esse progresso nada tem a ver com Daviz?
Sejamos sérios e coerentes!

Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul revolucionários?


Beira (Canalmoz) - Em miúdo, na rádio, em casa dos meus pais, em Macurungo, eu ouvia uma canção que dizia: “Joana é reaccionária, Guambe é reaccionário, Simango é reaccionário, Murrupa é reaccionário, Unhai é reaccionário, Gwengere é reaccionário…”Era uma canção entoada por pessoas cujas vozes me pareciam estridentes, sombrias, ao mesmo tempo uníssonas. No rol das palavras que compunham o vocabulário, então, reaccionário era uma palavra recorrente. Outros termos recorrentes eram Nação, Povo e Tribalismo e Luta.
Como miúdo que era a princípio custou­me entender o que seria aquilo de reaccionário. Mas pelo timbre da voz dos cantantes daquela canção da autoria do partido Frelimo dava para entender que aquele epíteto estampado àquelas figuras não era coisa boa. Os mais velhos me contaram que a canção amiúde entoada nos feriados como 3 de Fevereiro, 1.º de Maio, 7 de Abril, 25 de Junho, 25 de Setembro, visava censurar aquelas pessoas. E ninguém mais falava do assunto.
Um dos temas mais difíceis de abordar, por me parecer delicado, é a questão do tribalismo. Em Moçambique, já desde há muito, tenho ouvido uns políticos tratarem por tribalistas uns aos outros. Igualmente, tenho percebido que o termo tribalismo alinha com o símbolo reaccionário, escamoteando-se a verdade. Logo, pela história recente, percebi que todos aqueles nomes que nomeie acima eram indivíduos do centro e norte.
Nunca falei nenhuma língua nacional, por razões que não interessa aqui evocar, mas que é conhecida de toda a gente que comigo lida. Por isso, nunca tomei posição neste assunto delicado, mas que é amiúde evocado.
Um dia, quando lia um dos livros do Doutor Hélder Martins notei que numa das passagens ele se referia a um assunto que extravasava nesta melindrosa questão, porque por suposta ligação com Simango a Frelimo matou o meu pai. E Barnabé Lucas N’como, no seu livro Uria Simango Um Homem Uma Causa dissecara a volta do assunto, entornando o caldo, pois defendendo que a Frelimo matou o meu pai por ele ser da etnia de Simango e mataram Simango, esposa e outros seus companheiros do cativeiro por uma questão de efeito e causa: serem de uma etnia diferente. Seja como for, os reaccionários foram mortos por linchamento e enterrados numa vala comum de M’telela. A Frelimo mantêm-nos presos, prolongando a pena de morte a que os votaram. Ninguém os quer restituir à sorte de merecerem de um funeral condigno, apesar da injustiça da história que os tratou mal por serem do norte e centro.
Só os revolucionários, que por colação são heróis do meu país, logo do Sul, têm direito a uma parcela do Estado, um lugar na cripta. É isto que me ocorre dizer da história corrente deste país. E pelo que tenho percebido, dizer verdade aqui é correr o risco de receber etiquetas, os apelidos reaccionário e tribalista. Também eles, por tabela, em miúdo, me chamaram de reaccionário. Sou filho de um assassinado aquém chamavam reaccionário.
Barnabé Lucas N’como teorizou que aquelas personalidades que então denominavam reaccionários e continuam sendo vaiadas apesar de mortos, foram vítimas de uma situação social que ninguém pode escolher: o ser do norte, sul ou centro. Nenhum teórico do sistema conseguiu até hoje responder a uma pergunta que talvez vai-nos acompanhar até à morte: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários? Nem o tristemente célebre Sérgio Vieira, nas suas rotineiras aparições, nunca sustentou a sua famosa teoria das traições que resvalaram no genocídio que se cometeu contra muitos filhos deste País (leia-se que disse País e não região/partido porque o País, a Nação, é um elemento Superior).
Quando há pouco menos de um mês me encontrava na Áustria acompanhei pela comunicação social que o partido Frelimo recorreu ao Tribunal Administrativo pretendendo chumbar o nome Praça André Matsaingaíssa atribuído à rotunda da Chipangara. E da modorra do meu silêncio voltou a acordar a pergunta: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?
Há poucos dias, assistindo a TVM, chamou-me atenção o deputado frelimista Manuel Tomé a chamar tribalista a Viana Magalhões, da Renamo, em virtude deste ter questionado a exclusão a que são votados os cidadãos de outras etnias neste processo de consolidação da Unidade Nacional. Há um grande nome do proto-nacionalismo, da Beira, Kamba Simango, que serviu de inspiração a Eduardo Mondlane, que a história de Moçambique tem renegado. E de novo apetece-me perguntar: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?
É pena que os nossos políticos continuem a perder tempo chamando-se tribalistas uns aos outros, no lugar de reflectirem sobre o aprofundamento da unidade nacional. Enquanto o termo tribalismo for usado para a exclusão e discriminação do outro continuaremos a falar de uma nação que não será una, e jazerá sem alicerces, pois as zangas do passado ainda são latentes.
Os detractores de Uria Simango continuam zangados com o “tribalismo” (falso) de Simango e outras vítimas que o acompanharam ao infortúnio por serem do centro e norte.
Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários? Não vamos continuar a tapar o Sol com a peneira. É urgente uma efectiva Unidade Nacional e Reconciliação.

(Adelino Timóteo, Canalmoz, 29/07/09 )

Monday, 3 August 2009

Ontem: chuva torrencial em Maputo




FOTOS: Notícias e Canalmoz, tiradas na Baixa de Maputo.

MDM




MDM impedido de actuar no distrito de Sussundenga

Chimoio (Canalmoz) - Activistas do MDM têm-se sido impossibilitados de levar a cabo actividades partidárias no Distrito de Sussundenga, na província de Manica. Uma fonte do MDM disse ao Canalmoz que a “senhora administradora Mariazinha Niquisse deu ordens às estruturas de base do seu pelouro para dificultar a actuação das nossas brigadas em preparação para as eleições de 28 de Outubro próximo”.
Segunda a fonte do MDM “os agentes do governo distrital, que se confundem com secretários do partido no poder, agridem os activistas do MDM, prendendo alguns deles que depois são metidos em chapas de regresso a Chimoio”, ficando assim impossibilitados de “estabelecer estruturas partidárias e de levar a cabo campanhas de sensibilização junto do eleitorado local”.
Mariazinha Niquisse é apontada como tendo dado instruções aos órgãos de poder local para rejeitarem quaisquer credenciais do MDM visando a obtenção de autorização para que esta formação política possa desenvolver livremente as suas actividades no distrito. A fonte do MDM que temos vindo a citar refere que “em outros distritos de Manica a situação é diametralmente oposta pois aí as nossas brigadas não enfrentam quaisquer dificuldades dos órgãos do poder local”. Mariazinha Niquisse “é uma saudosista do era do mono-partidarismo em que era pecado uma pessoa desviar-se do principio de unidade de pensamento”, rematou a fonte que nos pediu para não citarmos a sua identidade com receio de represálias.
Na primeira oportunidade tentaremos trazer a versão da administradora distrital, mas notícias semelhantes estão a chegar-nos de várias partes do país, o que coloca em evidência que pode tratar-se de orientações de nível central emanadas do partido no poder que tem vindo a denotar grande inquietação pelo facto do MDM – movimento liderado pelo engenheiro Daviz Simanago, filho do vice-presidente da Frelimo executado no Niassa numa acção extra-judicial depois da criação da República de Moçambique – estar na corrida a todas as eleições de 28 de Outubro: Presidenciais, Legislativas e às 10 assembleias provinciais, apesar de se tratar de uma organização muito recente.


Na Zambézia

Administradores distritais inviabilizam actividades do MDM
– denuncia Margarido Salvador Abrantes, delegado do MDM na província

Quelimane (Canalmoz) - O delegado político provincial do partido Movimento Democrático de Moçambique, MDM, na Zambézia, Margarido Salvador Abrantes, denunciou, em entrevista exclusiva ao Canal de Moçambique, uma suposta perseguição que alguns administradores vêm efectuando contra aquela formação partidária.
A fonte apontou a instrução dada aos secretários dos grupos dinamizadores pelos administradores com vista a andarem a destruir delegações e bandeiras do MDM ao nível da base.
Neste role, a fonte refere que os secretários dos grupos dinamizadores e membros da Frelimo encontram-se aliados a quadros da Renamo, partido no qual um grosso número dos militantes do MDM, na Zambézia e no país todo, já depositou a sua confiança e, quiçá esperança. Segundo Abrantes, exemplos do género foram reportados na semana finda nos distritos de Pebane, bem concretamente, na localidade de Nhajonga, onde membros da Frelimo e o delegado da Renamo na mesma região destruíram a delegação e rasgaram a bandeira do Movimento Democrático de Moçambique no local e, no de Milange, posto administrativo de Nhasombe, onde actos do género, perpetrados por entidades de igual natureza, acompanhados por agentes da polícia municipal, sabotaram as instalações do MDM. Ambas as ocorrências já são do conhecimento da Polícia da República de Moçambique, PRM. E, como é sobejamente sabido, em casos deste género, as investigações estão sempre “em curso” e nada de concreto ficará e/ou poderá ser conhecido, em momento algum.
Para o delegado do MDM na Zambézia, a Renamo já não constitui ameaça para a Frelimo, daí que o partido no poder tem juntando as suas energias para pôr abaixo os esforços do movimento liderado por Daviz Simango, naquela província central. “Mas tais esforços vem redundando num total fracasso, porque o partido” liderado pelo engenheiro que derrotou os candidatos da Frelimo e a Renamo na Beira, nas últimas autárquicas e por folgada margem, “tem apologistas e seguidores suficientes, que não temem nenhumas represálias por parte de quem tem a faca e o queijo na mão”.
O interlocutor do Canalmoz e do Canal de Moçambique - Semanário, avançou que o partido de que é membro “não irá responder a tais provocações de forma agressiva, por que é um movimento que se pauta por valores de paz e democracia”.

Grandes apostas

Neste momento, em que as atenções estão viradas para as quartas eleições gerais e as primeiras para as assembleias provinciais o delegado do MDM diz que as coisas estão ao rubro ao nível da Zambézia, mas mesmo assim “o movimento está afinando a sua máquina”. O nosso entrevistado disse-nos ainda que uma brigada do partido está trabalhando nos distritos, com a missão de fazer uma selecção dos futuros delegados de candidatura do Movimento Democrático de Moçambique para encontrar figuras sérias e que residam nas imediações das mesas e/ou postos onde efectuarão o trabalho durante a votação a 28 de Outubro de 2009. No total, na província da Zambézia, o MDM vai precisar de pouco mais de mil e seiscentos delegados de candidatura.

“60 mil militantes na Zambézia”

Ainda segundo Margarido Salvador Abrantes, sessenta mil cidadãos estão inscritos como membros do MDM na Zambézia. O delegado do MDM acrescentou que “neste momento, no que é tido como o segundo maior círculo eleitoral do país as esperanças residem no partido da nova geração” e fez lembrar que “aqui a Frelimo nunca ganhou”. Em todas as eleições a Renamo venceu e constituiu a bancada mais alargada da província no parlamento.

( Canalmoz, 03/08/09 )

McRoger bajula Guebuza

Na noite do dia 21 de Julho, através do programa Debate da Nação, da stv, os telespectadores aperceberam-se da falta de carácter do músico McRoger. Desrespeitou as regras do programa, destoando o debate. Por ignorância ou molequismo, disse que os Acordos de Roma foram assinados por Armando Guebuza. Quando corrigido, menosprezou Joaquim Chissano, dizendo que, apenas, rubricou. É um insulto ao ex-estadista moçambicano que, quanto se sabe, assegurou, com moderação, a transição para a democracia. McRoger atirou-se contra tudo e todos, num esforço diabólico, para agradar Armando Guebuza.
Para as crianças e McRoger, dizer que os Acordos de Roma foram assinados pelo então Chefe do Estado, Chissano, e pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, aos 04 de Outubro de 1992, sob a intermediação do estado italiano, comunidade de Sant’Egídio e Igreja Católica de Moçambique. Armando Guebuza e Raul Domingos eram chefes das delegações do governo e da Renamo, respectivamente. McRoger perdeu uma bela ocasião de ficar calado. Intitular-se exemplo de sucesso é, tão somente, falta de modéstia. McRoger tem talento, logo, não precisa de se pendurar aos ombros de Guebuza nem da primeira-dama, Maria da Luz, para ter visibilidade.
Não é por acaso que o McRoger tem, por vezes, estacionado a sua viatura em plena faixa de rodagem, suscitando comentários nada abonatórios a seu respeito, sob o olhar cúmplice da polícia que, ao invés de fazer respeitar a lei, põe-se a sorrir e a acenar-lhe a mão. A nossa polícia ainda não ouviu falar que Michael Jackson, que Deus o tenha em paz, uma vez ficou retido, pela polícia do seu país, por ter sido surpreendido a conduzir sem a devida carta de condução? Para se ser referência, não é preciso bajular. Basta esforçar-se para triunfar.
Em épocas eleitorais, músicos, media e pessoas notáveis, habitualmente, declaram seu apoio a candidato mais próximo dos seus ideais, aspirações e pontos de vista. Não há pecado nenhum nisso. As recentes eleições norte-americanas evidenciaram este facto. O ex-secretário de estado, Colin Powel, republicano de gema, anunciou seu apoio ao democrata Barack Obama. Quando a colagem vira um sério problema estomacal, o artista torna-se indigno da simpatia do público. Em geral, os artistas esforçam-se pela independência nas suas criações. McRoger é um caso atípico.
McRoger canta o patrão. Quando sai do palco almoça com o Chefe do Estado e é recebido, em salas nobres, por altas individualidades do governo. Ao contrário, Azagaia, situado no pólo oposto, canta o povo no poder. Depois do concerto, é convidado pela Procuradoria Geral da República, para trocar em quinhentas o conteúdo das suas canções, tomadas como subversivas. McRoger canta horizontal, enquanto Azagaia apela à verticalidade. O sucesso não se caracteriza por pôr gente a dançar marrabenta, mas, em consciencializar o povo para se bater por mudanças. Azagaia é uma fonte de inspiração da juventude inconformada.


Edwin Hounnou, em A TribunaFax de 29/07/09

Sunday, 2 August 2009

Meditação dominical






Perguntaram ao Dalai Lama:

" O que mais te surpreende na Humanidade? "

E ele respondeu:

" Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
... e morrem como se nunca tivessem vivido ".

Marrabenta ao Domingo






Ligue os speakers e carregue neste link para escutar quatro marrabentas dos anos 60 interpretadas pela Orquestra Djambo.

Os títulos das marrabentas são:

Elisa Gomara Saia, Bambatela Sábado, Laurinda e Xinwanana.

A foto é da autoria de Ricardo Rangel.


Delicie-se com esta relíquia da música moçambicana.


No site http://www.malhanga.com/ pode encontrar muita música antiga.

Saturday, 1 August 2009

HUMOR

A VIDA




"A Vida resume-se a 4 garrafas. Vamos aproveitá-la, pois já estamos na terceira."

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TELEGRAMA DE DIVÓRCIO

Uma mulher é transferida para trabalhar em outra cidade. Depois de poucos dias, mandou um telegrama ao marido que dizia:
"FAVOR, ENVIAR URGENTE DOCUMENTOS PARA O DIVÓRCIO. ENCONTREI UM COMPANHEIRO IDEAL QUE POSSUI AS MESMAS CARACTERÍSTICAS DO NOVO VECTRA DA CHEVROLET"
Curioso, o marido vai a uma concessionária e pergunta ao vendedor quais as características do tal carro.
'É MAIS POTENTE, MAIS COMPRIDO, MAIS LARGO, MAIS RÁPIDO NA SUBIDA, MAIS BONITO E NÃO BEBE MUITO.'Duas semanas depois, é ela que recebe um telegrama do marido dizendo:
"MANDEI OS PAPÉIS DO DIVÓRCIO. ASSINE RÁPIDO!!!ENCONTREI UMA COMPANHEIRA IDEAL. REÚNE TODAS AS QUALIDADES DA NOVA CHEROKEE."
Curiosa, a mulher vai a uma concessionária e pergunta sobre o tal carro.O vendedor responde:
'É MAIS RESISTENTE, SUPORTA MAIS PESO, TEM LUBRIFICAÇÃO AUTOMÁTICA, A CARROCERIA É NOVA E MAIS ARREDONDADA, É MAIS BONITA E CONFORTÁVEL, POSSUI AIR-BAG DUPLO EXTRA LARGE, MAIS SILENCIOSA, NÃO VAZA ÓLEO, É MAIS ECONÔMICA E AINDA ACEITA ENGATE NA TRASEIRA.'
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Daddy, How was I born?

A little boy goes to his father and asks:
"Daddy, how was I born?"
The father answers:
Well, son, I guess one day you will need to find out anyway! Your Mum and I first got together in a chat room on Yahoo.Then I set up a date via email with your Mum and we met at a cyber-cafe. We sneaked into a secluded room, where your mother agreed to a download from my hard drive.As soon as I was ready to upload, we discovered that neither one of us had used a firewall, and since it was too late to hit the delete button, nine months later a little 'Pop-Up' appeared that said :
'You have Male!'