Tuesday, 3 December 2013

Renamo pressiona governo a indicar mediadores para o diálogo político

O partido Renamo, alega estar a envidar esforços no sentido de pressionar o Governo a assumir com responsabilidade as negociações que estão a ter lugar no Centro de Conferencias Joaquim Chissano. Para o efeito a Renamo diz ter enviado recentemente, ao governo uma nota apresentando os termos de referência para indicação dos mediadores para o diálogo.
Segundo um comunicado da Renamo chegado hoje, a nossa redacção “no dia 2 de Dezembro, a Renamo submeteu ao secretario do Conselho de Ministros, uma nota com referência nº 159/GPR/2013, a qual apresenta os termos de referência de mediadores e observadores, que consideramos indispensáveis para a prossecução das negociações que estão a marcar passos, volvidos 24 rondas”.
Na mesma nota, a Renamo reitera que propôs a indicação de mediadores nacionais e internacionais a serem convidados pela Renamo e pelo Governo, em conformidade com as instituições a serem convidadas a apresentarem os seus representantes.
De acordo com o mesmo documento, a Renamo explica que os referidos mediadores “ poderão ser encontrados, a nível nacional, na Sociedade Civil moçambicana, entre personalidades de reconhecido mérito e idoneidade, nos vários estratos sociais que compõem o mosaico cultural, social, académico, religioso do nosso país e a nível internacional na SADC, União Africana, União Europeia, EUA e ONU”, destaca.        
Para a Renamo, o convite dos mediadores deve ser assinado atempada e conjuntamente pela Renamo e pelo Governo. 
A mesma fonte que temos vindo a citar, recorda que a Renamo mantém a mesma delegação chefiada por Saimone Macuiana para o diálogo com o Governo
Contudo, avança que “a equipe de especialistas para assuntos de Defesa e Segurança, somente será requisitada para assessorar o grupo na especialidade quando se abordar o ponto 2 da agenda, atinente as FDS, ou quando a fase de preparação da reunião de alto nível entre o Presidente do partido Renamo e o Presidente da República”, explica.



Folha de Maputo

STAE com “dificuldades” para anunciar derrota da Frelimo e seu candidato em Nampula

TVM e Rádio Moçambique “ignoram” a vitória do MDM e seu candidato

Maputo (Canalmoz) – O Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) estão com sérias “dificuldades” para anunciar os resultados eleitorais de Nampula, que dão vitória ao Movimento Democrá...tico de Moçambique e seu candidato Mahamudo Amurane. Contabilizados que foram todos editais pelos observadores e jornalistas, o candidato do MDM Mahumudo Amurane é o vencedor das eleições com 29 858 votos contra 22 792 votos do candidato da Frelimo, Adolfo Siueia. Para a Assembleia Municipal, o MDM venceu com um total de 28 297 votos contra 24 360 votos do partido Frelimo.
Mas o STAE está a contabilizar os editais de forma muito lenta. Era suposto que até a manhã de ontem já houvesse os resultados das 312 mesas visto que a eleição decorreu num único município. Curiosamente e contra todas as expectativas só ontem por volta das 18 horas é que o STAE publicou na sua página do Facebook os resultados de apuramento de apenas 191 mesas. De acordo com os referidos resultados, o candidato do MDM seguia em frente com 23 306 votos contra 17 486 do candidato da Frelimo. Filomena Motoropa do PAHUMO tinha conseguido 1579 votos contra 374 votos do candidato da ASSEMONA.
Para a Assembleia Municipal, segundo o STAE, a Frelimo havia conseguido 17 875 votos contra 21 747 do MDM. PAHUMO e ASSEMONA haviam conseguido 996 e 361 votos respectivamente. São segundo o STAE resultados de 191 mesas. Faltavam 121 mesas por apurar.

MDM saiu a rua para comemorar a vitória

Entretanto, o MDM como já tinha os editais de todas as mesas, que davam vitória ao seu candidato e como partido, saiu às ruas de Nampula para comemorar a vitória. As ruas de Nampula ficaram quase que intransitáveis na tarde de ontem com a população a sair para saudar o candidato eleito. A candidata do PAHUMO aproveitou a ocasião para felicitar o candidato do MDM.

TVM e RM em jornalismo esquisito

Entretanto, a par das letargias do STAE a nível da comunicação social do sector público, nomeadamente na Televisão de Moçambique (TVM) e Rádio Moçambique (RM) assistia-se a uma postura estranha. Nos seus blocos noticiosos não era feita referência às eleições como destaque. Aliás, quando falavam das eleições, era para dizer que apenas houve votação. Não falavam dos resultados. Já no telejornal a TVM avançava dados desactualizados do STAE sobre apuramento de apenas 20 porcento das mesas apelando que a qualquer momento os resultados iriam “sofrer alteração”. Tal postura acabou merecendo inúmeras críticas a nível das redes sociais, chegando-se mesmo a dizer que as direcções da TVM e RM estão “triste” com os resultados. Mas independentemente das reais intenções da TVM ou da RM, o MDM e seu candidato venceram as eleições e os resultados disponíveis não deverão sofrer alteração significativa.



Canalmoz

A opinião de Salomão Moyana

Capital do Norte vira capital do galo!

Independentemente dos posicionamentos ideológicos de cada um de nós, há factos que transcendem meras apreciações subjectivas de cada sujeito e convocam o nosso senso de objectividade para os reconhecer como tais – como factos objectivos, que ocorrem independentemente da nossa vontade! É o caso da ascensão eleitoral meteórica do MDM nas eleições autárquicas deste ano.
Trata-se de um partido fundado em Março de 2009, portanto, criado depois das eleições autárquicas de 2008 e, por via disso, sem nenhuma representação em nenhuma das 43 assembleias municipais formadas após o escrutínio autárquico daquele ano.
Portanto, de zero membro em 43 assembleias municipais, o MDM passa, a partir deste ano, a ocupar assentos significativos em 53 assembleias municipais que serão formadas a partir das presentes eleições. Trata-se de assentos tão significativos que, em três das referidas assembleias municipais, (da Beira, Quelimane e Nampula) não só ocupará meros assentos como transformará o Partido Frelimo em minoria oposicionista.
É a primeira vez na história política do País que um partido da oposição civil, que nunca pegou em armas, nascido da vontade de um punhado de jovens irreverentes consiga desafiar, de forma séria e significativa, o poderio político de um dos partidos mais hegemónicos de África. Ou seja, de não existente em 2008, o MDM passa, em 2013, a ocupar o espaço de segundo maior partido político em termos de governação municipal, controlando completamente, isto é, a presidência e a assembleia municipal, de três autarquias-chave para o desenvolvimento político, económico e cultural de Moçambique, como são as três cidades estratégicas do nosso País ora nas mãos do galo.
Para além do controlo efectivo dessas três autarquias, assinale-se a ascensão, jamais vista, de um partido da oposição nos municípios de Maputo e Matola, onde o MDM passa a controlar cerca de 40 por cento dos assentos das respectivas assembleias locais, forçando o partido governamental a ver grandemente reduzida a sua influência política na região metropolitana da capital do País.
Em Chimoio, Mocuba, Gurúè, Marromeu e Milange os resultados estão sob contestação jurídica do MDM, já que acreditava ter ganho com alguma tranquilidade, dado o apoio popular de que goza nesses municípios e dada a pequena margem das diferenças entre este partido e a Frelimo, bem como entre os candidatos dos dois partidos.
Seja qual for o veredicto final da impugnação judicial dos resultados daquelas autarquias, a verdade é que Moçambique inaugurou, com estas eleições, uma nova era política, a era da quebra da invencibilidade do dominante partido no poder, a era da igualdade de armas entre os partidos políticos no espaço democrático nacional.
Tal situação impõe uma urgente reflexão profunda do partido no poder para aferir as razões que levam à queda acentuada da sua popularidade em zonas outrora catalogadas como seu bastião político. Não pode o partido no poder continuar a dizer que está a ganhar eleições quando se verifica corrosão acentuada do seu eleitorado urbano, o que pode querer dizer que a emergente classe média não se revê nas políticas e no discurso do partido governamental, situação que não pode tranquilizar a direcção daquele partido histórico.
Aliás, a vitória convincente do MDM nas autarquias da Beira, Quelimane e Nampula demonstra que, afinal, mesmo no quadro jurídico-legal actual não é impossível a um partido político da oposição ganhar eleições, desde que o mesmo seja querido pelo eleitorado e desde que o mesmo tenha energia e quadros suficientes para pernoitar nas assembleias de voto, controlando a entrada e saída de pessoas maléficas interessadas em roubar votos e falsear, desse modo, a vontade popular.
Ou seja, em Moçambique não basta alguém ser massivamente votado pelo povo; é imperioso que esse mesmo povo, após o voto, fique e, se necessário, durma nas assembleias de voto, guarnecendo o destino do seu voto! Tal decisão popular, implica uma elevada dose de coragem para enfrentar uma unidade especial da Polícia, denominada FIR, que nos momentos eleitorais age como polícia de um partido político contra os eleitores doutros partidos. Ou seja, em momentos eleitorais, sobretudo quando parece estar em causa a vitória do partido no poder, a FIR aceita ordens não do seu comando superior mas de qualquer dirigente estatal ou partidário com alguma proeminência na província ou na cidade em causa. É o que se viu da vergonhosa actuação da FIR na EPC do Bairro do Incídua, na cidade de Quelimane, na noite do dia 20 de Novembro de 2013, em que a FIR parecia uma “barata tonta”, distribuindo balas de borracha e granadas de gás lacrimogéneo entre uma multidão pacífica de eleitores, que pretendia vigiar o destino do seu voto.
De toda a maneira, a escola do MDM prova que é possível, em Moçambique, uma mudança do regime político sem recurso a armas de fogo, sem violência mortífera, sobretudo se a Polícia não se colocasse do lado errado do seu mandato, ou seja, se a Polícia assumisse o carácter apartidário e isento prescrito na lei que a cria e abandonasse o seu molequismo político ao serviço de agendas estranhas à lei e à Constituição da República de Moçambique.
Exigimos, como cidadãos, uma Polícia que proteja o povo e não uma Polícia que mata o povo para salvar agendas político-partidárias obscuras e ilegais.
Repetimos que em democracia, perder eleições não é perder a vida, pelo que não é necessário convocar a FIR para perturbar um processo cívico entre cidadãos civilizados de um país que pretende trilhar os melhores caminhos democráticos.
Não é preciso FIR para proteger uma eleição democrática!
Porém, mesmo com a FIR em acção partidária, o povo decidiu escolher o galo para cantar, também, na capital do Norte, à semelhança do que havia feito no dia 20 de Novembro no caldeirão do Chiveve e na capital do coco.
Assim, pedra a pedra, caminha a democracia moçambicana!

Protecção costeira a bom ritmo

AS obras de reposição da protecção costeira na cidade de Maputo decorrem a um ritmo considerado bom, havendo garantias de que os trabalhos serão concluídos dentro do prazo estabelecido, ou seja, até Maio do próximo ano.
Neste momento, a empreitada, em curso há cerca de pouco mais de um ano, está mais concentrada nos primeiros sete quilómetros, onde estão a ser construídos quatro dos sete novos quebra-marés. Estas estruturas têm a finalidade de reduzir o impacto das ondas na costa. Por outro lado, está-se a repor os taludes a partir da zona da ponte-cais em direcção à Costa do Sol.
Os quatro quebra-marés, também designados de esporões, estão a ser montados entre o Clube Marítimo e a parte frontal do Mercado Tara.
Victor Fonseca, vereador municipal de Infra-Estruturas, garantiu ao “Notícias” que a reconstrução da barreira decorre a bom ritmo e dentro do planificado, mantendo-se o prazo estabelecido para a sua conclusão, em Maio do próximo ano.
Os trabalhos foram adjudicados em Setembro do ano passado ao consórcio luso-angolano MCA Group JV/RME envolvendo pouco mais de 20 milhões de dólares norte-americanos. 
Além do paredão de protecção e dos sete esporões de até 200 metros de cumprimento, a obra, financiada pelo Fundo Saudita de Desenvolvimento, Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e Estado moçambicano, prevê a introdução de pedregulhos e solos entre a barreira e o mar, aumentando-se desta forma a extensão da praia.
O projecto contempla ainda o reforço do revestimento com mangais a partir do quilómetro dez, na zona do Restaurante Costa do Sol, até ao bairro dos Pescadores.
Parte dos solos a serem depositados entre a barreira e a água resultarão da dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo que serão posteriormente transportados por barcos e/ou bombeados para a área. O volume de solos a ser movimentado do canal é estimado em um milhão de metros cúbicos, de acordo com dados apresentados pelo Conselho Municipal.
De salientar que a reposição e modernização da barreira de protecção costeira já foi apontada como “uma das mais importantes obras estruturais do município”, visto que o estado actual de destruição ameaça empreendimentos existentes ao longo daquela zona nobre da cidade.
Das projecções feitas, a empreitada já teria sido concluída, caso o arranque das actividades não tivesse sido inviabilizado em 2011 pelas revoluções no mundo árabe, concretamente na Líbia e Egipto, donde vinha parte do financiamento e consultoria, respectivamente.



Notícias

Avião despenhado estava perto de uma pista de terra

Segundo o jornal português Expresso, o avião moçambicano que se despenhou na Namíbia estava a cerca de 20km de uma pista de terra quando se deu o acidente que vitimou todos os tripulantes.

O voo TM 470, com partida de Maputo e com destino a Luanda, a estava a 18,5 km de uma pista de terra com 1500 metros, a este de Bargani, acrescenta o jornal.
Havia ainda uma segunda pista, de alcatrão, a 40km do local onde foram encontrados os destroços do Embraer 190, informação avançada pelo site especializado "The Aviation Herald", que refere o desaparecimento de uma das caixas negras do aparelho e a descoberta de uma caixa com gravações das conversas do cockpit.
Em conferência de imprensa, a porta-voz das Linhas Aéreas de Moçambique garantiu que as inspeções estavam em ordem. "O Embraer 190 e os seus motores tiveram a sua mais recente inspecção no dia 28 de Novembro, tinham uma inspecção de rotina de 14 em 14 dias, após 120 horas de voo, e a revisão do aparelho era feita no Brasil", disse Marlene Manave, da LAM.


SAPO

Monday, 2 December 2013

"Acabou história"

- canta a população de Nampula

Nampula (Canalmoz) - Já são milhares os membros e simpatizantes do MDM que de motas, carros, bicicletas e caminhando, celebram a vitória do MDM e seu candidato nas autárquias de ontem.
As pessoas cantam "acabou história" enquanto ordeiramente circulam pelas artérias da cidade.
O papel da Polícia tem sido exemplar, orientando a marcha sem reprimir as pessoas.
"Esta sim, é a nossa Polícia", diz um senhor de idade que integra a marcha e sauda a actuação da corporação.

Autárquicas 2013: O galo cantou em Nampula

 

O voto não tolera farsas. Não importa que seja um esquema novo ou velho, que seja uma delegada ou a força da polícia. A vontade dos eleitores não se pode enganar consecutivamente. E menos, se se trata de uma estratégia que navega à margem da legalidade. A abstenção, às vezes, condena os medíocres e enaltece os bravos. A Frelimo e o seu candidato perderam umas eleições marcadas por inúmeras tentativas de fraude. Cinquenta e quatro porcento dos votos para Mahamuno Amurane castigaram a governação que nos últimos cinco anos ignorou a periferia e transformou a cidade de cimento...
Nampula é desde domingo, dia do combate contra o SIDA, uma cidade nas mãos da oposição. Oitenta porcento dos eleitores não foi votar e dos que optaram por exercer o seu dever de cidadania 60.62 porcento escolheu o candidato do Movimento Democrático de Moçambique. Contudo, os dados da CNE e STAE publicados madrugada adentro indicavam, com 69 mesas contabilizadas, 54,52 porcento para o candidato do MDM e 40,56 para Adolfo Siueia. A contagem paralela do @Verdade consultou 137 mesas e encontrou uma vitória bem mais expressiva para o candidato do MDM: 60.62 porcento. Filomena Mutoropa do PAHUMO 4,92 porcento e Mário Albino da ASSEMONA 1,16.
Ao contrário dos outros pontos do país onde a oposição é poder, no contexto autárquico, na capital do norte não foi preciso derramar sangue para vingar a vontade expressa nas urnas. Os poucos residentes da urbe que votaram (menos de 15 porcento) não ficaram ao redor dos postos de votação à espera do resultado. Nessa perspectiva, os polícias dedicaram-se a estorvar o trabalho da imprensa. “Eu sou autoridade”, disse um agente nervoso ao repórter do @Verdade quando procurava dados na EPC de Namutequeliua. “A Frelimo decidiu procurar inverter a tendência de voto pela via que melhor domina. Vai ser pela via da fraude”, disse temoroso um repórter de uma das rádios comunitárias de Nampula.
A diferença de motivação resultou decisiva. Por muito que se pense que só é possível ganhar eleições com a fórmula da Beira ou Quelimane, a fiscalização feita pelos delegados e o descaso dos nampulenses foram bem mais importantes.

Incidentes

O processo ficou marcado por quatro detenções, incluindo dois vice-presidentes de assembleias de voto surpreendidos a tentar introduzir boletins para beneficiar a Frelimo e o seu candidato. Na EPC de Muecha, a vice-presidente da mesa no 03001603, Albertina Julião, introduziu votos e fez campanha nos postos de votação a favor da Frelimo e foi detida na primeira esquadra da cidade de Nampula.
Na EPC 12 de Outubro, foi detido Agnaldo Paz de Oliveira, vice-presidente de uma assembleia de voto quando tentava introduzir votos na urna para o partido e candidato da Frelimo. Está detido na Segunda Esquadra da PRM de Nampula.
Este caso junta-se a do presidente da mesa 03001802, na EPC de Beleneses, de nome Hermínio da Silva Atumane, que tentou votar com o cartão de eleitor emitido em Angoche.
Ainda no capítulo das detenções, a delegada da Rádio Índico - emissora do partido Frelimo - Yolanda Dombi, foi interpelada pela população com boletins pré-votados a favor do partido Frelimo e arrumados na sua viatura. O caso se deu na EPC de Mutaunha, onde decorria a votação. Yolanda Dombi foi conduzida à primeira esquadra da PRM, mas saiu em liberdade. A sua viatura de marca Toyota-Rav4, com a chapa de matrícula MMS-83-82, com que transportava os boletins pré-votados ficou parqueada no comando distrital da PRM, depois que estava quase a ser vandalizada pela população quando descobriu que trazia boletins pré-votados.
Contagem
 
Silenciaram-se os incidentes e falou a contagem. Era o momento de pôr as cartas na mesa e descobrir quem tinha sido elegido como edil pelo povo de Nampula. A retórica da força foi insuficiente pela Frelimo quando Muhamudo Amurano começou a ganhar vantagem à medida que os boletins de voto eram contabilizados, tanto na cidade de cimento como na periferia. Não houve espaço para recuperações milagrosas. O MDM e o seu candidato ganharam às eleições de Nampula e completaram um ano de glória no cenário político nacional. Glória e honra para quem desempenhou o papel mais difícil: o de disputar uma partida com o dono do apito.



Rui Lamarques   , A Verdade
 

Fronteira de Ressano Garcia aberta 24 horas por dia


Desde a última quinta-feira

A fronteira de Ressano Garcia entre Moçambique e África do Sul está aberta 24 horas por dia desde a última quinta-feira. Esta medida surge para facilitar o trânsito de pessoas, bens e de mercadorias durante a quadra festiva.
Para o efeito, quadros seniores das alfândegas, polícia e migração reuniram-se esta sexta-feira com as autoridades sul-africanas para traçar estratégias com vista melhorar o movimento fronteiriço. Um processo que nos anos passados foi caracterizado por longas filas e morosidade no atendimento.
Para o presente ano, durante a operação denominada “sossego”, vai ser implantado um posto único para o atendimento de mineiros e condutores de viaturas pesadas de mercadorias e de carga, para além de um ponto de passagem de pedestres.
De de referir que nas restantes épocas do ano o posto  fronteiriço de Ressano Garcia funcionava das 06h00 às 22h00.



O País

Homens armados matam dois militares e ferem dois polícias e um civil em Machanga

Hoje não há negociações


Governo ainda não respondeu à inclusão de observadores (#canalmoz)



Maputo (Canalmoz) - A Renamo anunciou neste domingo a sua indisponibilidade de ir hoje, segunda-feira, ao Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano para negociar com o Governo, porque ainda não tem a resposta do Governo em relação à exigência da presença de mediadores e observadores nacionais e estrangeiros.
"Continuamos à espera da resposta da nossa proposta. Enquanto o Governo não responde, não estamos dispostos a regressar à mesa das negociações. Temos estado a ouvir pela Imprensa que o Governo vai na segunda-feira às negociações. Mas a nossa vontade prevalece", disse Jeremias Pondeca, da delegação negocial da Renamo.
Enquanto isso, o Governo já anunciou que vai estar hoje no Centro de Conferências Joaquim Chissano para mais uma sessão de negociações com a Renamo. Sobre a proposta da Renamo, o executivo já manifestou estar a analisar, afirmando que aceita a presença de mediadores e observadores apenas nacionais.



Democratas e socialistas tentam aproximação entre Governo e Renamo



Entretanto, representantes de partidos do Centro Direita Internacional (IDC sigla inglesa) e da Internacional Socialista encontravam-se em Moçambique na semana passada com propósitos de aproximar o Governo da Frelimo (socialista) e a Renamo (direita) actualmente em conflito militar devido a desentendimentos políticos.
Os delegados não prestaram declarações à Imprensa, mas já mantiveram contactos com as partes em contenda.
Os representantes da IDC reuniram-se ainda na semana passada com uma delegação da Renamo, segundo deu a conhecer Jeremias Pondeca, membro da Renamo nas negociações com o executivo.
Nada foi revelado sobre os encontros até aqui mantidos.
Ataque em Sofala

O ataque foi dirigido a um carro blindado que garantia a segurança de uma coluna
Um ataque protagoniza­do na manhã de ontem, por homens armados supostamente pertencentes à Re­namo, culminou com a morte de dois elementos das Forças Arma­das e de Defesa de Moçambique e em ferimento de dois agentes da Força de Intervenção Rápi­da, que garantiam a segurança da primeira coluna que fazia o troço Save-Muxúnguè, na Estra­da Nacional número um, e um civil, província de Sofala.
Segundo as nossas fontes, o ataque dos homens armados foi direccionado a um carro blin­dado que garantia a segurança da coluna.
O referido carro blindado é de origem zimbabweana e transportava alguns elementos das Forças Armadas e de Se­gurança de Moçambique que seguiam viagem para a capital do país, onde deveriam passa­ra alguns dias junto das suas famílias.

O País

O MDM vence em Nampula

Faltam os resultados oficiais mas ha indicaçoes de que o MDM venceu em Nampula!

Prevê-se vitória do MDM em Nampula

Com muito baixa participação de 20%, o MDM prevê-se que venha a vencer em Nampula. As contagens paralelas baseadas em editais afixados nas portas das assembleias do voto sugerem 54% para Mahamuno Amurane, de MDM e 40% para Adolfo Absalão Siueia, da Frelimo. Os restantes 6% serão divididos entre Mário Albino, de ASSEMONA, e Filomena Mutoropa, de PAHUMO, esta última seu nome não constava dos boletins de voto de 20 de Novembro, fazendo com que esta eleição adiada e repetida ontem.



Boletim sobre o processo político em Moçambique

Boletim sobre o processo político em Moçambique

Nampula:
Dois vice-presidentes de mesas
detidos por enchimento de urnas

A eleição em Nampula ontem foi marcada por quatro detenções, incluindo dois vice-presidentes das assembleias de voto surpreendidos  a tentar  introduzir nas urnas boletins de voto extras, já marcados para a Frelimo e seu candidato. E já havia outras duas detenções para além destas.

Na EPC de Muecha, a vice-presidente da mesa n. 03001603, Albertina Julião, introduziu votos na urna e fez campanha nos postos de votação a favor da Frelimo e foi detida na primeira esquadra da cidade de Nampula.

Na EPC 12 de Outubro, foi detido Agnaldo Paz de Oliveira, vice-presidente de uma assembleia de voto quando tentava introduzir votos na urna pré-votado para o partido e candidato da Frelimo. Está detido na Segunda Esquadra da PRM de Nampula.

Este caso junta-se a do presidente da mesa 03001802, na EPC de Beleneses, de nome Hermínio da Silva Atumane, que tentou votar com o cartão de eleitor emitido em Angoche e foi detido.

Ainda no capítulo das detenções, a delegada da Rádio Índico - emissora do partido Frelimo - Yolanda Dombi, foi interpelada pela população com boletins pré-votados a favor do partido Frelimo e arrumados na sua viatura. O caso se deu na EPC de Mutaunha, onde decorria a votação. Yolanda Dombi foi conduzida à primeira esquadra da PRM, mas saiu em liberdade.

A sua viatura de marca Toyota-Rav4, com a chapa de matrícula MMS-83-82, com que transportava os boletins pré-votados ficou parqueada no comando distrital da PRM, depois que estava quase a ser vandalizada pela população quando descobriu que trazia boletins pré-votados.

Pouca afluência até ao fim

As eleições de ontem na cidade de Nampula foram marcadas pela abstenção de grande maioria de eleitorais inscritos. Todo o período da tarde até à hora prevista para o fecho, não havia longas filas na maioria das mesas das assembleias de voto.

Um dos nossos correspondentes em Nampula apurou numa assembleia de voto que estavam inscritas 850 pessoas, que apenas 181 votaram. Nossos correspondentes estimam que menos de 30% dos eleitores inscritos ocorreram às urnas em toda a cidade.

Delegados do MDM afastados

Oito delegados do MDM que foram afastados das assembleias de voto alegadamente porque as credenciais que traziam eram desactualizadas, passadas para a eleição do dia 20, só esta noite receberam credenciais actualizadas, por isso não tiveram acesso às assembleias de voto.

Sunday, 1 December 2013

Incidências das eleições em Nampula

Apuramento a decorrer sem energia eléctrica ou sem lâmpadas nas assembleias de algumas escolas

Nampula (Canalmoz) - As assembleias fecharam às 18h00 e em algumas escolas não há energia eléctrica ou pura e simplesmente nas salas de aula onde se votou não ha lâmpadas. O apuramento está a ser feito alternativamente com candeeiros em algumas escolas.
Curioso na Escola de Mpuecha há luz em todos os sítios, barracas inclusive, os candeeiros de iluminação publica tem luz, mas em nenhuma assembleia há luz de energia da rede.
Os observadores nacionais e internacionais, a partir de alguns casos reportados de enchimento de urnas confirmado, suspeitam que possa estar em marcha o desvirtuamento da vontade dos poucos eleitores que votaram.
Os vários incidentes durante o período de votação sugerem um grande desespero do partido Frelimo perante outras candidaturas. Nao se sabe dizer se isso se justifica por ser ainda muito cedo para quaisquer comentários.
Na Escola Primaria de Mpuecha, na assembleia 03001603 houve um enchimento de urnas detectado e confirmado por vários delegados de candidatura e membros das mesas, e também por observadores nacionais e estrangeiros, mas, "quando foi chamada, a policia" esta "recusou-se a aparecer", alegadamente porque quem os poderia solicitar seria o presidente da assembleia de voto. Sucede, porém, que quem está sob acusação de ter metido votos nas urnas é próprio presidente da assembleia. A abstenção poderá atingir níveis históricos.
A opinião mais veiculada é de que os eleitores não gostaram do que aconteceu com os boletins no dia 20 de Novembro e preferiram não ir votar.

(Fernando Veloso e Aunicio da Silva, em Nampula)

Conhecidas identidades de várias vítimas do fatídico voo TM 470, três são crianças

 
48 horas após o fatídico acidente do voo TM 470, que partiu de Maputo no final da manhã de sexta-feira (29), com destino a Luanda, é com profunda tristeza que Moçambique vai conhecendo os rostos de cada uma das 33 pessoas que, ainda sem sabermos as circunstâncias, perderam a vida no despenhamento do avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) no Parque Nacional de Bwabwata, na Namíbia.
Entre as vítimas estão identificados vários jovens, algumas das vítimas de nacionalidade angolana, seis empresários portugueses e ainda três menores, de nacionalidade moçambicana, que viajavam com a mãe.
A pose de Laisa (8 anos de idade) e Yumalai (4 anos de idade), numa foto feita no aeroporto internacional de Mavalane, minutos antes de embarcarem com o irmão Carlinhos (quase 2 anos de idade) e a mãe Jeinia Sambo (uma jovem na casa dos 30 anos), perspectivava uma férias inesquecíveis na casa da tia em Angola.
O voo estava dentro do atraso "normal - com razão os moçambicanos apelidam a sua companhia aérea de Late And Maybe -, deveria ter partido as 11 horas, mas no novíssimo aeroporto da capital moçambicana o tempo correu depressa e as 11h26 o Embraer 190 estava no ar.
Fazia bom tempo e o início da primeira viagem de avião destes três irmãos, Laisa tinha acabado a 5ª classe, não podia ser melhor. Mas algo aconteceu sensivelmente 2 horas 4 minutos depois do avião, fabricado em 2012 no Brasil, ter levando voo, quando sobrevoava o nordeste da Namíbia.
É prematuro avançar as causas deste trágico acidente - o primeiro em que uma aeronave das LAM despenha-se e os ocupantes morrem em 33 anos de operações nacionais e internacionais -, mas embora fizesse mau tempo na altura do despenhamento o piloto, o Comandante Hermínio dos Santos Fernandes, conhecia a rota e parte das suas mais de 4 mil horas de voo havia realizado nos voos semanais que a Companhia aérea realiza para Luanda desde os finais de 2009. Nesta altura do ano, é comum chover naquela região da Namíbia o que, segundo um outro piloto que já fez a rota, os voos estão preparados para fazer frente a essas condições.
O jovem marido e pai é um homem destroçado. Se porventura pode-se considerar afortunado, pois devido a compromissos profissionais não embarcou para Luanda, não há conforto para a dor de um homem que perdeu a mulher e os três filhos.
Em contacto com @Verdade o irmão do viúvo relatou-nos que soube pela televisão que o voo TM 470 não havia chegado ao destino e foi ao aeroporto procurar esclarecimentos "corri para o aeroporto para saber o que estava a acontecer e as LAM ainda não tinham uma informação precisa, dizia que teve uma aterragem de emergência e que devíamos aguardar porque eles estavam a fazer as buscas. Entretanto no dia seguinte fomos para lá e também ainda não tinham uma informação precisa no período da manhã. Ficamos a espera até ao período da tarde quando as LAM nos solicitou por telefone para nos dar a informação precisa de que não havia sobreviventes."
Entre as vítimas identificadas está uma jovem moçambicana, Nádia de seu primeiro nome, que vivei em Angola e fazia a viagem regularmente para visitar parentes, particularmente a sua mãe.
Um outra jovem, Saquina Cassamo, animadora de programas numa rádio privada em Maputo, também perdeu a vida neste acidente.
Outros nove cidadãos moçambicanos, quatro passageiros, o co-piloto, três tripulantes de cabine e um técnico, pereceram neste trágico acidente ainda sem explicação.
Refira-se que familiares de algumas vítimas souberam desta tragédia pela comunicação social e só depois foram contactados pelas Linhas Aéreas de Moçambique que, até ao momento, o único apoio que disponibilizou foi de psicólogos para confortarem os familiares.

Estrangeiros

Dos nove angolanos que estão entre as vítimas dois são o jovem músico Action Nigga, o jovem Dj Maskarado. Foram também identificados, segundo o Jornal de Angola, Manuel João Landa, Domingas Freire dos Santos e Almejada Laura Vatuva, inspectores do Ministério das Finanças de Angola, que regressavam de Maputo, aonde participaram na conferência anual das Inspecções Gerais da CPLP.
O cidadão português José Carlos Soares foi um dos seis portugueses que morreram carbonizados na queda a pique do avião Embraer 190 das LAM. Segundo o jornal português Correio da Manhã, José Carlos, que deixa um filho de 14 anos, estava responsável por dois gabinetes da ZAP, distribuidora de TV por satélite em Angola e Moçambique.
Segundo o mesmo jornal português, a par de José Carlos Soares, outros cinco empresários perderam a vida: António Soares Nunes, António Silva Nunes, Luís Fernandes, Bernardo Soares e Sérgio Soveral, este último como nacionalidade luso-brasileira.  António Soares Nunes, 65 anos, trabalhava em Angola na empresa Gruest. Luís Fernandes, do Porto, estava em Maputo há dois anos. As viagens a Portugal eram frequentes. Sérgio Soveral era administrador da Joluso em Rio Maior. Já Bernardo Pedra Soares era presidente da MSC Angola, empresa de transportes internacionais.
Ainda por identificar estão também um cidadão de nacionalidade francesa e outro de nacionalidade chinesa.

Caixas negras localizadas

Recorde-se que o voo TM 470 desapareceu dos radares as 13h30 de sexta-feira (29), numa altura em que caía a 5 mil pés por minuto. O alerta foi dado ainda na sexta-feira por habitantes da região do Parque Nacional de Bwabwata, localizado numa estreita língua de terra entre Angola e o Botswana, conhecida como Faixa de Caprivi. "Fomos alertados por habitantes locais que um avião tinha caído no Parque Nacional de Bwabwata. O fumo era visível em toda a área", disse ao jornal português PÚBLICO o vice-comissário da polícia da Namíbia na região de Kavango, Willy Bampton.

Segundo a fonte o alerta foi dado às 14h de sexta-feira, mas a chuva e a densa vegetação impediram uma chegada rápida ao local. As operações foram interrompidas com o cair da noite e só no sábado, por volta das 10h locais, foram avistados os primeiros destroços. O vice-comissário não sabe dizer nem conseguiu recolher nenhum testemunho sobre o que poderá ter causado a queda do avião. "Não há muita gente a habitar naquela região, poucas pessoas podem dizer o que realmente aconteceu."
Entretanto as caixas negras e o gravador de voz da cabine foram localizados e entregues as equipas da Agência Nacional de Aviação Civil da Namíbia. No terreno as operações continuam "para remover os destroços e recolher todos os corpos", disse o responsável citado pelo jornal PÚBLICO.

Luto Nacional em data a anunciar

O Conselho de Ministros de Moçambique anunciou a criação de duas comissões de inquérito para a averiguar as circunstâncias desta tragédia.
"Uma comissão de inquérito foi constituída e juntar-se à comissão internacional de inquérito a ser liderada pela Namíbia, que é o país onde ocorreu o acidente", disse em conferência de imprensa, o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Gabriel Muthisse, no final da sessão extraordinária do Conselho de Ministros que aconteceu na tarde de sábado na Presidência da República de Moçambique.
Invocando as normas da Organização Internacional da Aviação Civil, Gabriel Muthisse afirmou que a comissão de inquérito internacional será constituída pela Namíbia, Moçambique, como país proprietário do aparelho, e Brasil, como fabricante. "As razões do acidente vão ser determinadas por equipas de peritos da comissão internacional de inquérito, que de acordo com as regras internacionais de aviação civil, deve ser constituída por pelo menos três partes: a principal é o país onde ocorreu o acidente, a segunda é o país de bandeira e a terceira parte é o país fabricante."
O Governo moçambicano vai decretar luto nacional, "assim que as condições objectivas o justificarem", acrescentou o Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique.



A Verdade

Incidências das eleições em Nampula

Escola Secundária 12 de Outubro: vice-presidente de mesa detido por voto múltiplo a favor da Frelimo

Nampula (Canalmoz) - Agnaldo Paz de Oliveira, vice – presidente da Assembleia de Voto com o número 03001704, no Bairro de Muhala Expansão, Escola Secundária 12 de Outubro, está detido na 2ª Esquadra da PRM, em Nampula, por estar a querer introduzir votos nas u...rnas.
Oliveira foi apanhado com dois boletins de voto a tentar votar. Os votos eram a favor de Adolfo Absalão Siueia, candidato do partido Frelimo à presidência do Município, e para o partido Frelimo, na Assembleia.
Informações obtidas na mesa de voto onde a ocorrência se deu indicam que Agnaldo Paz de Oliveira não chegou a introduzir os votos nas respectivas urnas.
O acto foi detectado pela delegada de candidatura do MDM Irene Luísa Marovissa.
Por decisão do colectivo da assembleia de voto foi o infractor levado pela Policia para a 2ª Esquadra, onde está detido.
Na esquadra não foi autorizado que os jornalistas pudessem ouvir Agnaldo Paz de Oliveira.


(Fernando Veloso e Aunício da Silva, em Nampula)

Militante da Frelimo acusada de ser portadora de votos falsos

Escola de Mutauanha, em Nampula



Yolanda Dambi (na imagem) diz ser jornalista da Rádio Índico


Nampula (Canalmoz) – A militante do Partido Frelimo, Yolanda Dambi, fazendo-se passar por jornalista da Rádio Índico, acaba de ser o centro de um incidente grave durante o processo de votação para eleição do presidente da edilidade e da respectiva assembleia municipal, na Escola Primária Completa de Mutauanha, em Nampula. Eleitores do bairro com o mesmo nome, que mantinham um cerrado controlo àquele aglomerado de assembleias de voto, desconfiaram de que ela era portadora de “votos falsos” na viatura que conduzia, um ligeiro Toyota Rav4 com a chapa de matrícula MMS-83-82. Em consequência impediram-na de sair do local enquanto a viatura não fosse revistada.
Yolanda estava acompanhada de outros cidadãos não identificados que entretanto se puseram em fuga.
Yolanda Dambi foi forçada a abandonar a viatura e levada para uma zona segura dentro do perímetro da Escola Primária Completa de Mutauanha. Ficou mais de uma hora protegida pela Policia de Protecção enquanto os eleitores insistiam que queriam que fosse revistado o interior da viatura.
A Policia assegurou que a viatura ficasse fechada e trancada enquanto o problema era analisado.
Yolanda Dambi, ainda dentro do recinto da escola disse à nossa Reportagem que era jornalista da Rádio Índico.
A Rádio Índico é uma estação emissora do partido Frelimo.
Cerca de hora e meia depois a polícia aproximou-se da viatura de Yolanda e abriu a porta do lado do condutor tendo-se ouvido de imediato manifestações efusivas de alegria dos presentes, por se ter constatado que debaixo do banco estavam realmente “votos falsos”. Esses tais “votos”, no entanto, não foram retirados e a policia voltou a fechar a porta.
Depois disso começaram a juntar-se no local mais efectivos de policia, sem que no entanto tenha havido qualquer distúrbio que o justificasse.
Não tendo sido disparados tiros, nem tendo havido qualquer excesso de zelo por parte da Policia, acabaria, no entanto, por suceder o que menos se podia esperar. Yolanda Dambi meteu-se no carro e fugiu. Foi seguida por cidadãos enfurecidos e também, logo a seguir, por uma viatura de patrulha da PRM. Meteu-se num beco sem saída e voltou a ser cercada pelos eleitores indignados, que no entanto não a agredirem nem molestaram a viatura. Passados alguns minutos, a viatura de Yolanda Dambi aparece conduzida já por um agente da Policia, em alta velocidade, seguida pela viatura de patrulha e desapareceu sob alegação que iria para a Primeira Esquadra ou Comando Provincial da PRM.
A nossa Reportagem foi a ambos os locais indicados pela Polcia e a viatura de Yolanda não se encontrava em qualquer deles. Andou não se sabe por onde.
Mais de uma hora depois apareceram, finalmente, ela na Primeira Esquadra, e a viatura Toyota Rav4, com a matrícula MMS-83-82, no Comando Provincial da PRM.
Na Primeira Esquadra Yolanda Dambi ouvida pelo Canalmoz. Negou as acusações que pesam sobre ela.
Miguel Bartolomeu, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, não confirmou nem negou a existência dos tais papéis de votos no carro de Yolanda Dambi. Adiantou apenas que “uma equipa multissectorial está a ser constituída para apurar a veracidade dos factos”.
No local da ocorrência estavam presentes vários observadores nacionais e internacionais que acompanharam tudo e até filmaram e fotografaram.
Na escola, os cidadãos que acusaram Yolanda Dambi acusavam também a Policia de ser cúmplice e conivente com o partido Frelimo.
Enquanto o episódio em torno de Yolanda se desenrolava nas assembleias de voto da Escola Primária Completa de Mutauanha, a votação prosseguiu sem sobressaltos.
Na imagem que ilustra esta notícia vê-se Yolanda Dambi vestida a rigor com propaganda do Partido Frelimo, durante a campanha eleitoral do candidato Adolfo Absalão Siueia e da Frelimo.
Ao ouvirmos Yolanda Dambi ainda na escola solicitamos-lhe que se quisesse nos mostrasse o crachá de IMPRENSA emitido pelo STAE. Disse-nos que na fuga o tinha perdido. (Fernando Veloso e Aunício da Silva, em Nampula)

Mais Fraude em Nampula: Membro da Frelimo encontrada com uma viatura cheia de boletins de voto

Nampula (Canalmoz) – Uma cidadã membro do partido Frelimo foi encontrada a transportar na sua viatura de marca Toyota Rav com a chapa de inscrição MMS 83-82, boletins de votos já assinalados a favor do partido Frelimo e seu candidato. Trata-se da delegada da Rádio... Índico (rádio do partido Frelimo) em Nampula, Yolanda Dambe. A população barrou a sua viatura e chamou a polícia. Os agentes da polícia chegaram ao local e levaram um delegado de candidatura do MDM para a primeira primeira, para ir verificar os boletins. Estranhamente o delegado do MDM acabou detido acusado de “vandalização”.

"Vimos logo que não havia sobreviventes. Está tudo em pedaços"

Queda de avião das Linhas Aéreas de Moçambique faz 33 mortos, entre os quais seis portugueses, um deles luso-brasileiro. Um comissário da polícia da Namíbia descreveu ao PÚBLICO o cenário que as equipas de salvamento encontraram.
Durante quase 24 horas, as famílias dos passageiros e da tripulação do voo TM 470 das Linhas Aéreas de Moçambique ficaram com as suas vidas em suspenso. Mas a brutalidade da notícia, que se ia anunciando com o passar do tempo, acabou por ser confirmada ao início da tarde deste sábado: o avião Embraer 190, que partira de Maputo na sexta-feira de manhã e que tinha como destino Luanda, despenhou-se no Parque Nacional de Bwabwata, na Namíbia.
Quando as equipas de resgate chegaram ao local, o desfecho era evidente: nenhum sobrevivente, 33 mortos, entre os quais seis portugueses, um deles luso-brasileiro.
O alerta foi dado ainda na sexta-feira por habitantes da região do Parque Nacional de Bwabwata, localizado numa estreita língua de terra entre Angola e o Botswana, conhecida como Faixa de Caprivi. Eram 14h (12h em Portugal continental) e a LAM já tinha perdido o contacto com o avião havia 30 minutos.
"Fomos alertados por habitantes locais que um avião tinha caído no Parque Nacional de Bwabwata. O fumo era visível em toda a área", disse ao PÚBLICO o vice-comissário da polícia da Namíbia na região de Kavango, Willy Bampton.
Custa-lhe descrever o cenário que as equipas de salvamento encontraram: "Vimos logo que não havia sobreviventes, havia corpos espalhados por todo o lado. Dá a impressão de que o avião explodiu assim que se despenhou. Há destroços espalhados por uma área superior a 500 metros, está tudo em pedaços."
O alerta foi dado às 14h, mas a chuva e a densa vegetação impediram uma chegada rápida ao local. As operações foram interrompidas com o cair da noite e só neste sábado, por volta das 10h locais, foram avistados os primeiros destroços.
O vice-comissário não sabe dizer nem conseguiu recolher nenhum testemunho sobre o que poderá ter causado a queda do avião. "Não há muita gente a habitar naquela região, poucas pessoas podem dizer o que realmente aconteceu."
Certezas só nos próximos dias, com a análise às caixas negras, recolhidas pelas equipas da Agência Nacional de Aviação Civil da Namíbia. Entretanto, as operações no terreno vão também continuar, "para remover os destroços e recolher todos os corpos", disse o responsável.

"Não estava a chover muito"


Nesta altura do ano, é comum chover naquela região, pelo que os voos estarão preparados para fazer frente a essas condições – o vice-comissário Willy Bampton confirma que chovia nesse dia, "mas não estava a chover muito".
Contactado pelo PÚBLICO, o vice-director da Agência Nacional de Aviação Civil da Namíbia e responsável pelos serviços meteorológicos, F. Uirab, disse que a organização vai reunir-se no domingo de manhã e recusou-se a prestar mais declarações, confirmando apenas que as caixas negras foram encontradas.
O jornal moçambicano A Verdade avança que o piloto "era um moçambicano com larga experiência aos comandos de aeronaves da LAM, com mais de 4000 horas de voo". O jornal escreve ainda que o piloto era chefe de operações e instrutor de voo e não era a primeira vez que comandava um voo entre Maputo e Luanda. Para além do piloto, os comandos do avião estavam também entregues a um co-piloto que, "apesar de jovem, tinha experiência de voo, com pelo menos 1000 horas" em aparelhos da LAM.
O A Verdade cita também um piloto moçambicano "com larga experiência", que disse ter informações sobre uma queda abrupta do aparelho. "A informação que tenho é que o avião desapareceu do radar a 5 mil pés por minuto, portanto vem a cair, não vem a descer normalmente, é uma descida quase que em queda", cita o jornal moçambicano.
O avião, um Embraer 190 de fabrico brasileiro, foi adquirido pela LAM no final de 2012.
Foi um dos mais trágicos acidentes aéreos da história da aviação moçambicana – em 1986, a queda de um Tupolev na África do Sul fez 34 mortos, entre eles o então Presidente do país, Samora Machel


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Número de portugueses com dupla nacionalidade pode subir


Neste sábado, o Governo português está ainda a contactar os familiares das vítimas, pelo que não foram avançados muitos pormenores sobre os passageiros.
Contactado pelo PÚBLICO, o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, disse apenas que "várias" das vítimas viviam em Portugal, especificando que o cidadão luso-brasileiro era da zona de Rio Maior.
José Cesário disse ainda que as autoridades portuguesas estavam a tentar confirmar se entre os restantes passageiros havia outros cidadãos com dupla nacionalidade. Além dos cinco portugueses e do luso-brasileiro, a lista de passageiros inclui ainda dez moçambicanos, nove angolanos, um francês e um chinês.
"Estamos a ponderar a deslocação de pessoas para a Namíbia e estamos em contacto com cada família para ver o que será preciso", disse ao PÚBLICO o secretário de Estado das Comunidades.

Cavaco Silva envia condolências e Moçambique abre inquérito


Em comunicado, o Presidente da República, Cavaco Silva, enviou condolências às famílias das vítimas da queda do avião, dizendo ter recebido a notícia "com grande consternação".
"De acordo com a informação apurada até ao momento, seis cidadãos portugueses estariam a bordo. Os serviços diplomáticos e consulares nacionais têm estado em contacto com as respectivas famílias e com as autoridades dos países envolvidos, com vista a seguir todos os acontecimentos de forma muito próxima", lê-se no comunicado.
"Neste momento difícil, quero apresentar às famílias portuguesas envolvidas a expressão da minha muito sentida solidariedade", assinala o Presidente da República.
Depois de a queda do aparelho ter sido confirmada, o Governo de Moçambique anunciou a abertura de duas investigações, uma nacional e uma internacional.
"O Governo tomou de imediato medidas destinadas a fazer o acompanhamento do acidente e apurar as suas causas. Uma comissão de inquérito foi constituída e vai juntar-se à comissão internacional de inquérito a ser liderada pela Namíbia, que é o país onde ocorreu o acidente", anunciou o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Gabriel Muthisse, no final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.



PÚBLICO

Fraude em Nampula

 
Presidente de mesa surpreendido a votar com cartão de eleitor de Angoche

Nampula (Canalmoz) - Na Escola Primária de Belenenses, na assembleia de voto 03001802, o respectivo presidente da assembleia de voto foi encontrado... a votar com um cartão de eleitor recenseado em Angoche. Chama-se Herminio Antumane, recenseado na Escola Secundária de Angoche com o número de cartão 03005501627/0300550.
Os fiscais da oposição chamaram a Polícia pra o local e os agentes recusou-se a agir.

Observadores excluídos

Ainda em Nampula, os observadores eleitorais estão a ser recusados a trabalhar porque trazem credenciais passadas para a votação do dia 20 de Novembro, a mesma que foi cancelada para hoje. Os membros de mesa de voto dizem que as credenciais estão desactualizados.
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