Tuesday, 9 March 2010

Galo procura SG


Quelimane (DZ)- Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique

(MDM), chega esta tarde a cidade de Quelimane, afim de orientar os trabalhos da 2ª

Sessão Ordinária da Comissão Política do seu partido.

Um dos pontos de agenda desta Sessão Ordinária do MDM que terá lugar na cidade de

Quelimane, será a eleição do Secretário Geral (SG) do partido, acto que não foi realizado na Beira e que os participantes decidiram que Quelimane, capital da Zambézia, seria o palco para que seja eleito o SG.

E mais, ao que soubemos de Geraldo de Carvalho, membro daquele partido, o líder vai também inteirar-se do funcionamento do partido ao nível desta província e também fará visitas aos distritos desta província, com particular destaque para Morrumbala, Alto Molócue, Mocuba e entre outros.

De acordo com Carvalho, neste encontro com os quadros ao mais alto nível do partido, poderá ser decidido e aprovado o regimento interno do partido para os deputados da Assembleia da República e Assembleias Provinciais.


28 de Agosto data histórica do MDM


A chamada revolução de 28 de Agosto, que teve lugar na cidade da Beira e que culminou com a candidatura de Daviz Simango como independente para o município da Beira, pode a partir deste encontro de Quelimane, ser uma data histórica ao nível do

partido.

E mais, a data da criação do movimento é vista como também uma possível data que o MDM podera registar como histórica.


Quelimane capital política



Se formos a história dos nossos partidos políticos neste país, nos últimos cinco anos, com particular destaque para Frelimo, Renamo e MDM, este último considerado terceiro partido no país, veremos que as grandes decisões por eles tomadas, sempre são em

Quelimane.

A Frelimo por exemplo, realizou o seu 9º Congresso em Quelimane, evento este que elegeu Filipe Paunde para o cargo de Secretário Geral do partido e consequente jump

de Aramando Guebuza, para o cargo de presidente da república.

Por seu turno, a Renamo de Afonso Dhlakama, reuniu-se em Quelimane, para decidir a expulsão de Daviz Simango, este lider actual do MDM, por ele ter concorrido como independente no município da Beira.

Desta vez é o MDM que também veio a Quelimane e usar como palco para a escolha do seu Secretário Geral.




FONTE: Diário da Zambézia, citado no Diário de um Sociólogo

Monday, 8 March 2010

Um Estado “mamado”


Maputo (Canalmoz) - Pelas conclusões a que chegou o Tribunal que julgou o caso da “Aeroportos de Moçambique”, e avaliando o regabofe que anda pelos outros sectores públicos, quejandos e afins, desde empresas públicas a institutos e universidades não privadas, está agora claro, até para aqueles que acusavam os mais lúcidos de serem “profetas da desgraça”, que vivemos num Estado de autênticas aves de rapina, espertinhos e chulos do erário público. Que Estado é este?
Nunca foi tão oportuno perguntar-se se podemos chamar Estado a esta farra com o dinheiro dos contribuintes, neste caso da AdM, que até envolve um ex-ministro, que o era, quando os factos se deram. Pagamos impostos, taxas de aeroporto, taxas de lixo, taxas alfandegárias e tantas outras contribuições – até IVA, de que não se reembolsa as empresas – para, no fim, vermos isto? Pagamos impostos para certas pessoas da chamada “elite” – autêntica elite de m… – “mamarem” os nossos recursos da maneira como se “mamou” na “Aeroportos de Moçambique”? Admite-se isso? Quem pode ter mais paciência com esta farra de patetas emproados que, depois de nos roubarem descaradamente, ainda se vêm pavonear à frente dos contribuintes, de nariz levantado, rodeados de “sobrinhas” e “catorzinhas”, montados em carrões que nem os doadores de mais de 50% do Orçamento do Estado têm?
Também se pergunta: o que irá acontecer agora com a empresa ou empresas de auditoria que durante anos seguidos auditaram as contas da “Aeroportos de Moçambique” e se calaram? Vão poder continuar a exercer em Moçambique? Será que ainda continuarão a merecer credibilidade para nos fazerem acreditar em boas contas e boa governação?
Já foi longe de mais a roubalheira. De todas as empresas públicas e dos mais variados institutos e organismos do Estado nos chegam as mais incríveis histórias. Não pode haver mais paciência! É preciso que o Governo mostre credibilidade, incluindo no caso do emissor privado de bilhetes de identidade em que a empresa contratada o foi sem que tenha havido transparência do Governo, e nos outros casos todos das empresas públicas, institutos reguladores e quejandos, incluindo ministérios.
Os contribuintes têm o direito de saber como anda o dinheiro malparado nas instituições que o Governo deve controlar e que chegam, afinal, ao nível de bagunça a que chegou a “Aeroportos de Moçambique”. Têm de saber como andam todas as instituições do Estado, porque o nível de exibicionismo que víamos nos que se sentaram no banco dos réus, perante o juiz Dimas Marrôa, é o mesmo que continuamos a ver como prática diária de outras figuras e figurões.
Do Conselho Fiscal da “Aeroportos de Moçambique”, quem irá responder por não ter alertado a tempo e horas para a farra que por lá andava com os dinheiros públicos? Quem responde pelo que se passou na empresa com a aparente bênção dos membros do Conselho Fiscal? Ninguém responde? Vão ser premiados com novos cargos públicos? O IGEPE também andou anos a olhar para o tecto?
E quem usufruiu de dinheiros desviados por estes condenados, não vai responder? Fica tudo assim? O partido Frelimo não vai devolver à empresa “Aeroportos de Moçambique” o dinheiro desta empresa pública que foi aplicado na escola nacional do desse partido na Matola?
E as pessoas dos mecanismos de controlo do Estado que não funcionaram, continuarão nos seus postos mesmo tendo-se revelado incompetentes para evitar as falcatruas ou para as descobrir a tempo e a horas? Não há outras para substituí-las? Todos os outros moçambicanos são estúpidos e incapazes de fazer melhor do que os que já se provou que são realmente incompetentes? Não estaremos metidos num colete-de-forças e às ordens de autênticos gangues de salteadores do Estado? Não será já hora de os cidadãos deixarem de ser passivos e começarem a exigir explicações à “elite”, pelo que esta anda a fazer com o dinheiro de todos nós?
Provado que ficou a roubalheira que existia na empresa pública “Aeroportos de Moçambique”, o que vai suceder agora a quem, em nome do Estado, deveria ter controlado, a par e passo, para evitar o que sucedeu, mas nada evitou? Estes não terão facilitado o processo todo da roubalheira? Estes não são também cúmplices?
E nas outras empresas públicas, o que estará a passar-se? Será diferente do que se passou na “Aeroportos de Moçambique”?
Onde andam as auditorias do INSS? Será que o ex-membro do Conselho Fiscal da empresa “Aeroportos de Moçambique”, o nosso amigo Adelino Buque, solícito comentador da Frelimo na STV, recentemente designado administrador do INSS, vai presentear-nos com transparência e pôr cá fora todos os relatórios das auditorias ao INSS? Ou Adelino Buque vai-se calar, bem caladinho, como aconteceu no caso da “Aeroportos de Moçambique”, em que foi o último a saber, como se de uma vítima de adultério se tratasse?
Será que este “Maravilhoso Povo Moçambicano”, como o presidente Guebuza não se cansa de repetir, merece mesmo que seja feita esta farra com o nosso dinheiro? Não admira que ser passivo seja mesmo “maravilhoso”!
Não será, esta farra, o resultado de outras farras que fizeram com que as mais altas figuras do Estado ficassem ricas de uma maneira que ninguém consegue perceber? Com que malabarismos enriqueceu esta “elite”? Os que nomearam Cambaza enriqueceram como? Os que nomearam Munguambe, enriqueceram como?
Teremos de esperar que esta dita “elite” de autênticos gatunos morra, para podermos ter um país a sério? Não há outros moçambicanos disponíveis para exercerem os cargos sem abusarem do erário público como estes andam a fazer?
São estes os tais patriotas insubstituíveis?
É deste país, com corruptos do gabarito que todos conhecemos, que nos devemos orgulhar?
Será que um povo pode continuamente assistir, impávido e sereno, a esta gatunagem exibindo as suas habilidades, e sem mudar de atitude?
Quem serão os culpados disto tudo? São todos os da Frelimo que governa o Estado desde a Independência Nacional? Claro que não! A maioria da Frelimo também está com fome. A maioria está na Frelimo à espera das migalhas e apenas à espera do momento para dizer não a este forrobodó. A maioria não participa nesta farra. Está, neste contexto, em simples atitude de sobrevivência. Não tem culpa. A culpa é, claramente, de um punhado de ladrões que tomou conta da Frelimo e gradualmente quer tomar conta de nós todos, pôr-nos a pagar as suas exuberâncias, até mesmo as pornográficas…
Não acabar com isto e com esta dita “elite” – não confundir com elite de verdade! – é de facto um problema de falta de auto-estima. Aqui concordamos com Armando Guebuza. É falta de auto-estima continuarmos a ver o bom-nome de Moçambique ser sujo por este tipo de porcalhões que tomaram conta das instituições públicas.
Continuarmos a assistir a tudo isto calados é traição à Pátria.
Continuarmos como se nada se estivesse a passar com o nosso dinheiro nas instituições públicas é ainda não se saber bem o que é cidadania.
Os trabalhadores da “Aeroportos de Moçambique”, que não permitiram que os abusos continuassem na sua/nossa empresa, deram um grande exemplo de cidadania ao país.
O juiz Dimas Marrôa e os seus colaboradores acabam de dar um grande estímulo a esta luta e até se dispuseram a dar a vida pelo bem comum de todos os moçambicanos.
Quem se segue?
Se deixarmos esta dita “elite” à vontade, “juro, palavra de honra, sinceramente, vamos todos morrer assim”: burros, esfomeados, esfarrapados, manipulados, cobardes e lamentando pelas esquinas que não há alternativas para esta bagunça a que deixaram chegar o Estado Moçambicano.
O povo deve acordar. Acorda, cidadão! Em toda a parte do mundo aconteceram coisas destas, mas não foram as elites que resolveram os tais problemas. Foi o povo.
Pense no que precisa de ser feito para que tantos miseráveis deixem de ter de continuar a olhar, sentados, para tão poucos endinheirados vivendo à custa das “mamadas” que andam a dar no Estado, nas empresas públicas, nos institutos reguladores, a todos nós, ao nosso dinheiro, ao nosso bem comum, ao erário público.
Diga “basta!” a tudo isto. Faça qualquer coisa. Não continue a deixar-se comer por parvo.

(Editorial, CANALMOZ,Canal de Moçambique)


Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

O GOVERNO português, em parceria com o moçambicano, poderá financiar as obras de construção da ponte que liga a cidade de Maputo ao distrito municipal da Catembe, a estrada que liga Maputo a Ponta d`Ouro, bem como a Vila Olímpica que acomodará os atletas que vão participar nos X Jogos Africanos de 2011, em Maputo.
O anúncio foi feito recentemente pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates, no quadro de uma visita oficial que efectuou a Moçambique. José Sócrates revelou também o interesse do seu país em financiar outros projectos como a construção da central norte na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), localizada na vila de Songo, província de Tete, a expansão da rede nacional de distribuição de energia eléctrica. Portugal propôs-se igualmente a financiar a construção de pequenas centrais eléctricas hídricas e solares, com base nos protocolos e acordos assinados entre os dois governos.


Notícias, 08/03/10

Sunday, 7 March 2010

Portugal reitera apoio ao Orçamento de Estado

MAPUTO – Portugal vai continuar a apoiar Moçambique, apesar do impasse entre o Governo e a comunidade internacional que suporta mais de metade do Orçamento Geral de Estado, OGE, segundo a garantia dada, esta quarta-feira, em Maputo, pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates.

“Posso assegurar que Portugal manterá, sem falhas, o apoio orçamental a Moçambique”, disse José Sócrates, no banquete oferecido, pelo Presidente da República, Armando Guebuza, por ocasião da vista oficial do chefe do governo português, ao País.

Os principais doadores de Moçambique, congregados no chamado G-19, têm tido, nos últimos tempos, um diálogo difícil, com as autoridades moçambicanas, principalmente, depois da exclusão de uma dezena de partidos políticos das eleições gerais de 28 de Outubro de 2009.

Ontem, o chefe do Executivo português visitou a Hidroeléctrica da Cahora Bassa, HCB, na província de Tete, detida 15 porcento por Portugal e 85 porcento por Moçambique.

Na semana passada, o ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, considerou “infeliz” o atraso das contribuições da comunidade internacional que, normalmente, é feito, em Janeiro, mas que, este ano, só deverá acontecer, em Abril próximo.

“Infelizmente, até aqui ainda não vimos as contribuições dos doadores para o Orçamento Geral do Estado deste ano. Normalmente, os sedembolsos feitos, em Janeiro, mas, desta vez, parece que vão começar em Abril”, afirmou Manuel Chang, aos jornalistas.

Explique-se, contudo, que o Fundo Monetário Internacional, FMI, considerou, terça-feira, o aludido atraso do desembolso dos países doadores, ao Orçamento Geral do Estado, OGE, de Moçambique “uma situação perfeitamente gerível”, mas aconselha o Governo a encontrar financiamentos alternativos, se for necessário.

“Achamos que a situação é perfeitamente gerível”, disse o representante do FMI em Moçambique, Felix Fischer, quando questionado, pela Lusa, sobre a demora dos doadores de anunciarem o apoio ao País.

O G-19 é responsável por cerca de 50 porcento do OGE moçambicano, cujo montante para este ano ainda será proposto pelo Executivo à Assembleia da República. Em entrevista à Lusa, o representante

do FMI em Maputo minimizou a lentidão do auxílio, assegurando ter dado conselhos ao Executivo moçambicano para “tomar qualquer medida que for necessária para manter a estabilidade macro-económica”.

“A sugestão principal é, se houver alguma necessidade de financiamento, nomeadamente encontrar-

se financiamento alternativo, ou cortar algumas despesas para equilibrar o orçamento”, que se avance, mas “compartilhamos com os objectivos do Governo de manter a estabilidade macro-económica”, afirmou.


FONTE: A Tribuna Fax, 05/03/10.

Economia cresce muito acima da média regional

A economia de Moçambique está a crescer muito acima da média regional, dado que os investidores internacionais continuaram a apostar no país, mas Moçambique tem de melhorar mais o ambiente de negócios, de acordo com o gabinete de estudos do Banco Português de Investimentos (BPI).
“O principal catalisador para o desempenho de Moçambique foi a sua capacidade de manter os investimentos no país, apesar do contexto adverso global, o que mostra a confiança dos investidores estrangeiros no futuro desenvolvimento do país”, diz o BPI, no seu mais recente relatório sobre a economia moçambicana.
De acordo com as últimas projecções, a economia cresceu 4,5 por cento em 2009, abrandando em relação a 2008 (6,8 por cento) e à média dos últimos três anos (7,5 por cento). Porém, o desempenho ficou muito acima da média da África sub-sahariana do ano passado (1,3 por cento), e o mesmo deverá acontecer este ano (previsão de 4,1por cento). Apesar do nível de investimento, alguns projectos ligados à exploração de recursos minerais foram travados e o sector metalúrgico foi penalizado com o encerramento de uma fábrica e suspensão da construção de outra por parte da ArcelorMittal.
Mas, “em contraste, foi inaugurada na mesma zona uma metalúrgica que exigiu um investimento de 50 milhões de dólares, cujos investidores são sul-africanos e chineses”, com 40 por cento cada, cabendo o resto a moçambicanos. Esta unidade, adianta, tem uma capacidade de produção anual de 200 mil toneladas e destina-se aos mercados da África do Sul, China e Turquia. O Centro de Promoção de Investimentos (CPI) aprovou, em 2009, projectos avaliados em 5,8 mil milhões de dólares, que criaram 125 mil postos de trabalho nos diversos sectores, nomeadamente, agro-florestal, hotelaria e turismo.
O director do CPI, Mahomed Rafique, apontou Portugal, Índia, Ilhas Maurícias e Noruega.


FONTE: Jornal de Angola. Confira aqui!

Maputo Bay Waterfront Development, Maputo






Project:

Maputo Bay Waterfront Development, Maputo

Client:

Delta & CR Holdings

Land Area:

8.3 Hectares

Components:

N/A


The Maputo Waterfront initiative is a significant urban regeneration project for Maputo which aims to create jobs, attract investment and introduce, on a phased basis, a fantastic new “urban village” to this important site in downtown Maputo. It is a private sector development that has the potential to transform this part of town into a new, vibrant mixed-use community.

The project is a blend of residential, commercial and leisure developments that will breathe new life into an area of town that has fallen victim to decline in the past, but is fast becoming a new growth point in the city, with the release of land for development to the north of the site for office and commercial development, as well as the emergence of major new institutional buildings to the west.

Not only will the project bring a massive economic boost to the area and offer more and improved leisure facilities, but it will also help foster a renewed sense of pride among local residents by introducing a truly world class development to this large (83,000m2) strategic site.


NOTA DO JOSÉ

Este é um projecto verdadeiramente espectacular, a ser erguido na zona da ex-Facim. Mais pormenores aqui.

Saturday, 6 March 2010

Cartaz de Maputo



Hoje em Maputo


Flea Market (Feira), no Parque dos Continuadores em frente ao Sheik. Estao a venda livros, artesanato, DVDs, artigos electronicos, joalharia, etc. Tem barraquinhas de comida e entretenimento pra as criancas.


Noite de Fado no Hotel Turismo
Esta noite o Hotel Turismo realiza uma noite de fados e a ementa consiste de acepipes, Caldo Verde, Bacalhau a Braz, Carne de porco a Alentejana, chourico e pudim de arroz. MT 850 pp, mais detalhes pelo telefone 21352200.


Feira do Livro no Jardim do Pulmao, na Malhangalene.


Festival de Arte, Musica, Danca e gastronomia na Casa de Cultura do Alto-Mae.


TEATRO

Sexta-Feira Dia do Homem? No Matchedje.

Dia da Mulher: um aviso



CARREGUE NO LADO ESQUERDO DO RATO PARA AMPLIAR A IMAGEM!

Friday, 5 March 2010

Futebol: Moçambique vs Portugal é a 8 de junho

A selecção nacional de futebol de Moçambique defronta a sua congénere portuguesa a 8 de Junho próximo, três dias antes do início do Mundial da África do Sul.
O encontro integra o plano de preparação da equipa das “Quinas” que de 11 de Julho a 10 de Junho participa no campeonato mundial.
O encontro entre os “Tugas” e os “Mambas” terá lugar na terra do rand e será o segundo jogo entre as duas selecções depois da vitória de Portugal por 2/1 no único confronto até aqui realizado entre as duas equipas em Ponta Delgada a 19 de Agosto de 1998.
Para os Mambas, o encontro de Junho servirá para iniciar a preparação da campanha de qualificação ao CAN 2012, onde deverão defrontar a Zambia, Líbia e Comoros, na luta por um lugar no próximo campeonato africano de nações.


FONTE: RM

Braço-de-ferro Automobilistas-Governo ganha dimensão


Inspecção obrigatória de veículos é irreversível

– garante ministro do Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, em entrevista exclusiva ao Canalmoz

Maputo (Canalmoz) – “O Governo não vai ceder às pressões dos automobilistas que reclamam contra a inspecção obrigatória de veículos, porque, no seu entender, a inspecção tem toda a lógica do mundo”. Esta afirmação é do ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, que, em exclusivo à Reportagem do Canalmoz e do Canal de Moçambique - Semanário, reagia àqueles que têm feito críticas contra a inspecção obrigatória de veículos, recentemente introduzida no país.
O ministro Paulo Zucula desvalorizou por completo as contestações que são apresentadas pelos automobilistas, segundo as quais as condições de degradação das estradas moçambicanas é que danificam as viaturas, pelo, que antes de instituir as inspecções, o Governo deveria mandar reabilitar todas as rodovias.
O ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, diz que “não é verdade que as estradas contribuam para o estado das viaturas” tendo acrescentado que as inspecções obrigatórias a veículos são práticas instituídas um pouco por todo o mundo, não havendo, portanto, razões para reclamar contra as inspecções. “Mesmo nos Estados Unidos da América as estradas não estão em condições, mas há inspecção de veículos!”, argumentou.
“Mostrem-me um só país (onde não haja inspecção). Na África do Sul há inspecção desde há muito tempo, mas as estradas não estão em condições”, acrescentou o titular da pasta dos Transportes e Comunicações no Governo da dupla Guebuza/Aires Ali.
“Nós somos um Governo” prossegue Paulo Zucula, e conclui que, por isso, não pode recuar nesta decisão. Acrescenta que o Governo vê lógica na inspecção, pois é ela um instrumento de diagnóstico para o cidadão ver em que condições o seu carro está, e assim se poder reduzir o número de acidentes: “A nossa lógica é reduzir acidentes mortais. As mortes nas estradas são intensas. São três factores que determinam as mortes: a condição da estrada, do carro e da pessoa que conduz o carro”.
Para Zucula, a contestação às inspecções “não faz absolutamente nenhum sentido, porque em todos os países com problemas de estradas há também inspecções”.

Greve geral


Entretanto, está circular por email uma nota de mobilização, não assinada, apelando para “GREVE GERAL DIA 15 DE MARCO.”
“MOÇAMBICANAS, MOÇAMBICANOS, ÀS 00:01 Horas do dia 15 de Marco do corrente ano, vai haver lugar a greve geral contra as Inspecções às viaturas. Chega de obedecermos as leis Europeias para uma realidade Moçambicana onde as estradas são um caos. Se temos de apresentar a suspensão em dia, temos de exigir estradas e vias de acesso em dia. Passe a Palavra”, lê-se no referido email.

(Matias Guente, CANALMOZ, 05/03/10)


Nota do José: Afirmar que as estradas nos Estados Unidos e na África do Sul não estão em condições só pode ser conversa de quem não tem argumentos convincentes. Ao contrário do que o Ministro afirma, não há inspecções periódicas na África do Sul, só há inspecção quando se compra um carro ou quando o carro muda de proprietário.
Este parece ser mais um caso de uma ideia aparentemente boa com objectivos pouco claros. Recordemos um Editorial recente do Savana:

"Ao que tudo indica, a introdução das inspecções é uma decisão tomada com o intuito de satisfazer os interesses de um grupo de pessoas influentes que viram num procedimento legítimo e normal em sociedades normais como oportunidade para fazer um negócio chorudo, mas sem quaisquer benefícios práticos para o país. É o cabritismo na sua mais alta expressão. Trata-se, por isso, de uma decisão totalmente desajustada à realidade do país, sendo essa a razão porque ela deve ser rejeitada totalmente. Está-se a colocar a carroça à frente dos bois, com o único objectivo de enriquecer uma meia dúzia de indivíduos gananciosos, e que se querem valer das suas posições e ligações oficiais para chupar ainda mais o sangue do povo".


Thursday, 4 March 2010

África do Sul: Eskom sem capacidade para satisfazer necessidades energéticas em 2011


Moçambique poderá sofrer graves consequências como resultado das soluções que o governo de Jacob Zuma está a desenvolver

“Empresas ligadas à plutocracia do ANC investem agora forte na exploração de carvão na Província Mpumalanga, fazendo tábua rasa do sinal de alerta lançado por ambientalistas relativamente à poluição danosa das zonas alagadiças formadas por cerca de 270 lagos e atoleiros nos distritos de Carolina, Chrissiesmeer, Lothair e Breyten. As consequências são de tal modo graves, que os Rios Incomáti, Umbeluzi e Usutu correm perigo, com repercussões a fazerem-se sentir a curto prazo no sistema de abastecimento de água à cidade de Maputo.


Pretoria (Canalmoz) - A empresa sul-africana de fornecimento de energia eléctrica recomendou que a África do Sul deve centrar as suas atenções no uso eficiente de energia dado que a Eskom não será capaz de fazer face à procura de electricidade a partir do próximo ano. Como resultado da medida adoptada pelo governo sul-africano em 1994 de não se expandir e modernizar as capacidades instaladas do sector de energia eléctrica, quatro anos depois o país passou a enfrentar cortes sistemáticos no fornecimento de electricidade, seguidos de medidas de racionamento imposto. Diversas empresas mineiras tiveram de suspender a produção, com consequências gravíssimas para o mercado de trabalho e a economia em geral.
Brian Dames, chefe de operações da Eskom, é citado pelo jornal sul-africano, Business Report, a dizer que a empresa estatal “não dispõe de capacidade suficiente para fazer face à procura”, acrescentando que o país não “pode estar numa posição em que a electricidade impõe constrangimentos ao crescimento da economia”.
Por enquanto, a grande preocupação das autoridades sul-africanas é assegurar a realização, sem sobressaltos, do Mundial de 2010. Prevê-se que de Junho a Julho do corrente ano, o consumo de ponta seja na ordem dos 37,24 gigawatts. Com um atraso de cerca de 15 anos, o governo do sul-africano nas mãos do ANC avança agora na senda da expansão da rede de energia eléctrica. Para tal, aprovou aumentos nas tarifas de consumo de energia eléctrica para os próximos três anos, designadamente 24,8% a partir do próximo mês, 25,9% em Abril de 2011 e um aumento idêntico em Abril de 2012. A Eskom pretendia aumentos anuais na ordem dos 35%.
Mas mesmo os aumentos aprovados serão insuficientes para custear o almejado programa de expansão da rede eléctrica sul-africana que o governo travou em 1994 e hoje a economia e os consumidores pagam a factura. Estima-se que o deficit orçamental da Eskom será na ordem dos 30 mil milhões de randes, o que inviabiliza a concretização desse programa no seu todo.
Teme-se que os aumentos em carteira para o sector da energia eléctrica venham a constituir factores de instabilidade social, não obstante o facto de empresas ligadas ao partido dirigente, o ANC, contarem-se entre os que irão beneficiar do programa de expansão da Eskom. A Chancellor House, empresa de investimentos do ANC, controla 25% do capital social da Hitachi Power Africa, uma subsidiária da fábrica japonesa, Hitachi, que, por portas travessas, venceu o concurso para fornecimento de caldeiras destinadas às duas novas centrais térmicas movidas a carvão em Kusile and Medupi. Outras empresas ligadas à plutocracia do ANC investem forte na exploração de carvão na Província Mpumalanga, fazendo tábua rasa do sinal de alerta lançado por ambientalistas relativamente à poluição danosa das zonas alagadiças formadas por cerca de 270 lagos e atoleiros nos distritos de Carolina, Chrissiesmeer, Lothair e Breyten. As consequências são de tal modo graves, que os Rios Incomáti, Umbeluzi e Usutu correm perigo, com repercussões a fazerem-se sentir a curto prazo no sistema de abastecimento de água à cidade de Maputo.


CANALMOZ, 04/03/10

Amanhã no Parque, em Maputo

Wednesday, 3 March 2010

Sócrates em Moçambique


Sócrates garante que Portugal está ao lado de Moçambique na luta contra a pobreza

Confira aqui.

Governo lança visita oficial 'online'

Veja aqui.

Sócrates confirma constituição de banco de investimento luso-moçambicano

Leia aqui.

Portugal vai reforçar relações na banca, energias renováveis e linhas de crédito em Moçambique


Continue lendo aqui.

Lei da “indigenização” da economia entra em vigor

VIGORA desde segunda-feira, no Zimbabwe, a lei de “Indigenização” da economia que, entre outras coisas, determina que as companhias estrangeiras deverão vender 51 porcento das suas acções aos cidadãos negros, mas que permita a essas firmas escolher os seus parceiros.

Segundo o ministro responsável pelo pelouro Savious Kasukuwere, as companhias estrangeiras terão a oportunidade de identificar e exigir um preço “justo” pelas acções das suas empresas.

“O debate sobre a 'indigenização' está encerrado”, disse Kasukuwere, falando numa conferência de imprensa em Bulawayo, a segunda maior cidade do Zimbabwe, para anunciar a entrada em vigor da nova lei. “Nós vamos reabrir o debate, agora é lei”, vincou.

Ao abrigo da nova lei, as empresas avaliadas em mais de 500 mil dólares norte-americanos têm um período de 45 dias para venderem 51 porcento das suas acções aos cidadãos nacionais negros.

“Os investidores estrangeiros deverão identificar os seus próprios parceiros nacionais e acordar sobre o valor do seu património ou da transacção proposta, os termos e condições de pagamento sem o envolvimento do Governo”, explicou o ministro.

“Nós acolhemos os investidores estrangeiros, mas também estamos a dizer que os zimbabweanos deverão estar na liderança. Seria uma tragédia a vida de 14 milhões de habitantes estar nas mãos de um pequeno grupo de pessoas”, disse.

Kasukuwere insiste que a iniciativa não visa nacionalizar as empresas, asseverando que “não será confiscada nenhuma empresa. Não haverá nada de graça. O Governo apoia um preço justo”.

A proposta de Lei para Empoderamento foi aprovada pelo Parlamento em 2007, tendo sido ratificada pelo Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, em 2008, antes da criação do Governo de Unidade Nacional, com o seu rival político e actual Primeiro-Ministro, Morgan Tsvangirai.

Contudo, Tsvangirai contesta a nova legislação, afirmando que ela foi publicada sem o devido processo legal.

Mugabe, por seu turno, defende a nova legislação, afirmando que as companhias estrangeiras serão “insensatas” se desobedecerem a nova lei.

Enquanto isso, há receios de que a nova lei venha a resultar na fuga de capitais e prejudicar os esforços do Zimbabwe de atrair o investimento estrangeiro, que o país precisa para revitalizar a sua economia, após uma década de uma crise socioeconómica.

Comentando sobre o assunto, o presidente da Confederação dos Sindicatos do Zimbabwe, Lovemore Matombo, disse que “apesar de o princípio da lei ser louvável, tememos que isso possa conduzir a criação de uma minoria de negros que se vai limitar a substituir a minoria branca”.

“Eles não se deveriam ter precipitado, pois acabámos de sair de uma crise económica auto-infligida”, acrescentou Matombo


AIM/Notícias


Nota do José

A parte mais controversa desta Lei é que a maioria das acções tem de estar na posse de cidadãos negros. Não faz referencia a cidadãos zimbabweanos mas sim a cidadãos negros, e isto levanta questões. Os cidadãos brancos não são zimbabweanos? Este é mais um passo da limpeza étnica?

Mundial 2010 e turismo


Vezes sem conta temos ouvido dos nossos dirigentes falarem da importância de Moçambique tirar vantagens da realização do Campeonato Mundial de Futebol este ano na África do Sul, promovendo o turismo e colocar Moçambique como destino de eleição para muitos dos que virão de fora da região para participar neste evento.

Mas uma coisa é desejar que Moçambique de facto tire essas vantagens, a outra é fazer aquilo que é necessário fazer para que tal desejo se concretize.

A pouco menos de quatro meses da realização do Mundial não parece que Moçambique tenha feito o suficiente para tirar as tais vantagens, para além da expressão da sua vontade nesse sentido.

É verdade que alguns hotéis em Maputo foram restaurados ou construídos novos de raiz. Mas tudo parece ter ficado por aí. A ideia de uma paragem única na fronteira mais movimentada do país, a de Ressano Garcia, ficou adiada, assim como ficaram muitas outras infra-estruturas críticas para a atracção de turistas de alta qualidade.

Podemo-nos orgulhar de ter — e temos — praias bonitas e de alta qualidade, mas as estradas para se chegar a alguns desses locais representam uma aventura que para muitos turistas será melhor evitar. Para além de que não basta ter praias bonitas e de alta qualidade se o alojamento e os serviços prestados são precários, e se não há garantias de tratamento médico adequado, em caso de emergência. Por outro lado, muitos países tendem a desaconselhar os seus cidadãos a visitarem locais onde os seus serviços consulares não têm garantias de fácil e rápida penetração para socorro em caso de necessidade.

Para além de tudo isso, vem a questão dos preços. Devido a uma série de factores de que a nossa economia enferma, que incluem uma fraca produção local, dificuldades de transporte que se aliam ao precário estado da maioria das estradas de acesso a certos locais, a estrutura de custos do turismo moçambicano e de outros serviços continua ainda muita alta, o que coloca Moçambique em grande desvantagem competitiva em relação aos seus vizinhos. Tudo isso desincentiva o turismo de larga escala.

Alguns turistas ricos podem fechar os olhos a um preço que considerem exorbitante pelos padrões internacionais, mas este grupo de turistas serão muito poucos. O turismo de massas e de pessoas de rendimento médio, esse faz contas à vida e vai à busca de alternativas mais baratas. Estas podem ser encontradas dentro da própria África do Sul, no Botswana, no Lesotho, na Suazilândia e, por mais incrível que a sugestão possa parecer nas actuais circunstâncias, até mesmo no Zimbabwe. É este segmento que durante o Mundial poderá interessar-se pouco por Moçambique.

É este segmento que pelo seu volume é mais susceptível de deixar uma grande quantidade de dólares, euros e libras para a nossa economia. Nas actuais condições duvida-se que comprem o bilhete, para além de umas incursões para satisfazer a curiosidade por algumas horas em Maputo, e desfrutar de boas refeições nos restaurantes que abundam na cidade, e talvez com uma passagem de noite numa das casas de diversão.


Editorial do SAVANA, 26/02/10

Tuesday, 2 March 2010

Sócrates leva um terço do Governo


Moçambique: Primeiro-ministro parte hoje para visita


O primeiro-ministro, José Sócrates, parte hoje para uma visita oficial de três dias a Moçambique. Na bagagem leva, para além de 10 membros do Governo, 50 empresários ligados ao sector das energias renováveis, comunicações, hotelaria, construção e consultadoria.
A aprovação em Conselho de Ministros da criação de um Fundo de Apoio ao Investimento em energias renováveis – de empresas portuguesas ou com participação portuguesa no país – com uma dotação de 91,5 milhões de euros, uma série de acordos na área da Cultura e a cantora Mariza que fará, na quinta-feira à noite, um espectáculo são algumas das iniciativas que Portugal leva na bagagem.
Amanhã o dia está reservado para encontros com o Presidente da República moçambicano, Armando Guebuza, com o primeiro-ministro, Aires Ali, com deputados da Assembleia da República e com a comunidade portuguesa. Há cerca de 11 mil portugueses a viver em Moçambique. Sócrates brinda-os com um discurso numa recepção à hora de almoço. Na quinta-feira é a visita à barragem de Cahora Bassa, localizada no Songo, província de Tete.

MINISTROS COM PROGRAMA À PARTE

Alguns dos ministros que acompanham Sócrates têm programas à parte. Por exemplo, o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, na manhã de quinta-feira visitará a academia militar em Nampula. Ao mesmo tempo e no mesmo dia, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, inaugura uma exposição e uma biblioteca na Ilha de Moçambique. Por Maputo fica a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Helena André, que faz uma visita ao Projecto Integrado de Desenvolvimento Sociocomunitário no Mumemo e, na Matola, visita um infantário.

PORMENORES

GOVERNANTES

Estarão em Moçambique Luís Amado (Negócios Estrangeiros), Augusto Santos Silva (Defesa), Vieira da Silva (Economia), Helena André (Trabalho e Solidariedade Social) e Gabriela Canavilhas (Cultura).

SECRETÁRIOS DE ESTADO

João Gomes Cravinho (Negócios Estrangeiros e Cooperação), Carlos Costa Pina (Tesouro e Finanças), Fernando Serrasqueiro (Comércio), Carlos Correia da Fonseca (Transportes) e João Mata (Educação) também fazem parte da comitiva de Sócrates.



Sónia Trigueirão, Correio da Manhã (Portugal), 02/03/10

“Paúnde é um retrógrado”

Sobre a partidarização do Estado moçambicano

Afirma Salomão Muchanga, Presidente do Parlamento Juvenil

O Presidente do Parlamento Juvenil, Salomão Muchanga, condenou as recentes declarações do secretário geral do partido Frelimo segundo as quais o Estado moçambicano devia ser definitivamente partidarizado a favor do partido no poder. Falando ao SAVANA a propósito do início do ano de actividades do PJ, Salomão Muchanga não deixou de aproveitar a deixa para denunciar o que chamou de manifestação pública daquilo que vem sendo insinuado por alguns sectores ligados ao poder desde as últimas eleições gerais que deram vitória à Frelimo.

“Foi um discurso infeliz que o número dois da Frelimo proferiu publicamente, um discurso desconexado dos reais valores de um Estado de Direito e Democrático”, disse Muchanga.

Para o líder do PJ, o discurso de Paúnde não pode ser visto como se tratando de um discurso isolado, a avaliar pelo facto de ainda não se ter feito ouvir uma voz discordante dentro da própria Frelimo. “O que nos preocupa é que ainda não tenha aparecido ninguém de dentro do partido a sacudir o capote ou a se distanciar de Paúnde, o que é grave”, referiu.

Muchanga acrescentou que as palavras de Paúnde não só deviam preocupar a sociedade em geral e os jovens em particular, como também a própria Frelimo deveria convidar Paúnde a retrair-se.

“É um discurso que nos assusta, mas que não nos intimida, pois demonstra quão grande são os desafios que Moçambique enfrenta”, precisou.

Instado a pronunciar-se sobre a recente criação do Instituto Nacional da Juven­tude, Salomão Muchanga foi peremptório ao referir que não basta a criação das instituições, é preciso que haja políticas sérias, é preciso potenciar as instituições que já existem, como o caso do Fundo de Fomento para a Habitação e o Instituto Nacio­nal do Emprego e Formação Profissional,instituições res­ponsáveis por resolver os problemas da habitação, do emprego e da habitação que apoquentam os jovens.

Para o PJ, 2010 é um ano de consolidação do movi­mento, um ano em que, segundo Salomão Muchan­ga, o país vai viver uma nova revolução, uma revolução cívica.

Para marcar o início do ano de actividades, o movi­mento irá realizar, entre os dias 4 de Março e 22 de Abril, 11 conferências provinciais sobre Democracia e Boa Governação. O objectivo, segundo Muchanga, é desen­volver uma estratégia na­cional de monitoria do gover­no nas áreas que dizem respeito à juventude, so­bretudo as áreas vitais do emprego e da habitação, tendo sempre a problemática do HIV/SIDA como área transversal.

“Começaremos logo a dar a entender que 2010 é um ano de libertação da ju­ventude da apatia a que se via remetida em termos da sua participação pública, pois vai se sentir que a juventude quer assumir a liderança dos processos de desenvol­vimento”, adiantou.

Durante os fóruns provin­ciais, os activistas do mo­vimento vão recolher subsí­dios para a advocacia partici­pativa visando desenvolver melhores mecanismos de participação dos jovens nos programas de desenvol­vimento.

“Os jovens vão debater o processo de democratização em curso no país, as opor­tunidades e os desafios do dia-a-dia, o seu lugar na governação”, elucidou.

Muchanga considera que à medida que a análise sai do discurso político e se apro­xima dos distritos, que são os pólos de desenvolvimento, nota-se que as prioridades da juventude vão se diluindo, quer por defeito de pla­nificação, quer por ausên­cia de uma abordagem inte­grada dos assuntos da ju­ventude.

Hoje, segundo o número um do PJ, ainda se fala de uma política nacional da juventude obsoleta, simplista, extemporânea, onde ainda precisa de ser desenvolvido um grande exercício para se fazer face às práticas retró­gradas de se governar a juventude sem que a própria juventude esteja presente.

A realização dos fóruns provinciais nas 11 províncias do país pressupõe que em cada província o PJ passará a ter um plano de acção de monitoria de cada governo provincial. Em cada província, segundo Muchanga, o PJ pretende ter 100 jovens oriundos de diferentes orga­nizações juvenis, incluindo os que provêm de partidos políticos ou não, orga­niza­ções femininas, o que vai permitir que aquilo que se fala em cada ponto do país possa ser percebido em qualquer outro ponto.

“Vamos discutir os orça­mentos alocados à juventude em cada província, o que vai permitir a rotura do modus operandi da juventude”, disse a fonte.

A partir deste ano, o PJ passará a produzir relatórios da situação da juventude em Moçambique, pesquisando a situação do custo de vida para os jovens, estudando como eles vivem somente com o salário mínimo, a questão do transporte.

“Esse estudo vai-nos apoiar na elaboração do nosso Plano Estratégico 2011/2014”,considerou Muchanga.

No ano passado, o PJ contou com o apoio da Fundação Konrad Adnauer, da Embaixada da Alemanha, da Embaixada dos E.U.A, da Ajuda Popular da Noruega, da Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA), da British Council e da UNESCO, sendo que, para este ano, o desafio é que “os parceiros continuem connosco, mas que também outros venham se juntar à causa da juven­tude”, segundo Muchanga. A nível do governo, o PJ celebrou, recentemente, memorandos de entendi­mento com a Autoridade Tributária de Moçambique (ATM), com vista à promoção de actividades de educação fiscal junto dos jovens, mas também com o Ministério do Trabalho, através do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEPP) com vista à inserção dos jovens no mercado laboral. Neste momento, o PJ dá enfoque aos jovens desmobilizados do Serviço Militar Obrigatório, onde mais se verifica a triste situação de haverem jovens que apren­dem a usar armas mas que depois se vêem remetidos ao desemprego.

O PJ espera ter uma maior abordagem com a As­sem­bleia da República, órgão através do qual espera fazer valer a sua intenção de contribuir para a revisão de vários dispositivos legais para o benefício da juventude.

O PJ nasceu num contexto de discussão de vários as­suntos que directa ou in­directamente influem na vida da juventude, desde a au­sência de uma política de habitação para jovens, inefi­ciência da estratégia de emprego e formação profis­sional, a lei do serviço militar, assim como o processo eleitoral.

Muchanga faz um balanço positivo das actividades realizadas pelo PJ ao longo do ano passado. Considera que o ano passado serviu para dizer que em Mo­çam­bique existem jovens que se cons­tituem agentes da mu­dança. Foi o primeiro ano e serviu, segundo Muchanga, para estabelecer o movi­mento ao nível nacional com vista à intervenção efectiva dos jovens nos assuntos que lhes dizem respeito, designa­damente a participação da juventude nos processos de demo­cratização, desen­vol­vimento, governação e elei­ções. “Estava mais que claro que as eleições tinham relação directa com o futuro do país, com os programas públicos atinentes à ju­ventude”, frisou.

O PJ continua a considerar que a exclusão dos partidos políticos de participarem nas eleições de 28 de Outubro último pela Comissão Na­cional de Eleições, com o beneplácito do Conselho Constitucional, mostrou que o processo foi conduzido de forma exclusivista.

Neste aspecto, Muchanga condenou o posicionamento de alguns observadores, incluindo a União Europeia, por referirem que apesar de algumas irregularidade, as eleições foram livres, justas e transparentes. “Isso não é verdade, a avaliar pela ex­clusão dos partidos”, referiu, acrescentando que as últimas eleições vão continuar a merecer a atenção nos de­bates do PJ, tendo em conta a revisão da lei eleitoral que tende a beneficiar a Frelimo em detrimento das outras formações políticas.



Armando Nenane, SAVANA, 26/02/10



Monday, 1 March 2010

Pobreza absoluta


O Boletim Moçambique 156, produzido pelo jornalista Joe Hanlon, publica dados que são bastante perturbadores em relação à nossa economia.

Citando o Trabalho de Inquérito Agrícola (TIA) que, segundo ele, cobre cerca de 70% da população, o boletim refere 3 pontos concretos:

. Muitos moçambicanos rurais têm um rendimento em dinheiro de menos de US$ 1 por semana. Os 10% mais pobres não têm absolutamente rendimento nenhum em dinheiro, enquanto os em melhor situação têm mais de US$ por dia.

. Muitos moçambicanos rurais estavam mais pobres em 2008 do que em 2002.

. De 2002 a 2008 (...) muitas pessoas tornaram-se mais pobres mas os em melhor situação tornaram-se mais ricos. O rendimento total dos 10% mais ricos é 44 vezes maior do que o dos 10% mais pobres. Em 2002 era 23 vezes e, em 2005, era 35 vezes.

A serem correctos estes números, isto diz-nos que não estamos a vencer a luta contra a pobreza, estamos a perdê-la. E a perdê-la de forma acelerada.

Por outro lado os dados indicam que o fosso existente entre ricos e pobres está a aumentar cada vez mais. Entre 2002 e 2008 cresceu para quase o dobro. Hoje já deve ter ultrapassado largamente esse dobro.

Esta informação dá-nos, igualmente, a dimensão assustadora dos nossos níveis de pobreza.

Normalmente considera-se que alguém está abaixo do nível de pobreza quando o seu rendimento é de menos de US$1 por dia. Ora, ao que parece, muitos dos nossos camponeses têm menos do que isso por semana. E os 10% mais pobres não têm rendimento nenhum.

Isto quer dizer que esses 10% têm apenas aquilo que produzem para o seu sustento imediato, não lhes restando nenhumas sobras com que possam comprar tudo aquilo que não produzem (medicamentos, material escolar, sabão, etc). Não se pode dizer que essas pessoas vivam. Sobrevivem enquanto uma qualquer desgraça, por vezes aparentemente pequena, não desequilibra o sistema de sobrevivência levando-as a uma morte prematura. A mais pequena doença, o mais insignificante acidente podem ser fatais nessas circunstâncias de sobrevivência.

E os da camada imediatamente mais acima pouco melhor estão do que eles. Com US$ 1 (30 Meticais) por semana o que é que se pode fazer?

E o TIA informa que a situação está a piorar e muitos camponeses eram mais pobres em 2008 do que seis anos antes.

E, se deixarmos o campo e analisarmos a situação nas nossas cidades, as coisas não devem ser muito diferentes. Provavelmente serão ainda piores, em termos de desequilíbrio entre ricos e pobres. As gigantescas mansões que surgem em alguns bairros de Maputo significam gente com fortunas astronómicas nas mãos. Fortunas que muitos deles teriam enorme dificuldade em justificar. Nem os mais ricos colonos, antes da independência, sonharam alguma vez construir mansões como muitas das que hoje vemos surgir nas barreiras, no Bairro Triunfo, ao pé do campus universitário, etc.

Pelo contrário, os citadinos urbanos continuam, na sua grande maioria, a habitar casas pequenas, em bairros degradados, muitas vezes sem energia nem água em casa.

E, para a classe média, pura e simplesmente não se constrói. Os jovens recém-formados, recém-casados não têm para onde ir morar. Podem até ter recursos para alugar uma flat. Só que ela não existe para ser alugada. Há as deixadas pelos colonos, cada vez mais degradadas com a idade, e mais nada. Daí que vão procurando um terreno para construir, cada vez mais longe do centro da cidade e dos seus locais de trabalho.

Em resumo, a gestão a que o nosso país tem estado a ser sujeito tem sido mãe de uma pequena parte dos cidadãos (a maior parte dos quais com um cartão vermelho no bolso) e madrasta de todos os outros.

Ainda há poucos dias, no lançamento do livro Desafios Para Moçambique, 2010, o economista Carços Castel-Branco, perguntava: Como é que este nível de dependência pode ser consistente com a história de sucesso e robustez que é contada todos os dias?

E, ao que dizem estes números, a situação não está a melhorar.

Está a piorar e muito rapidamente.

Quem é que fez esta situação? Quem é que a faz?


Por Machado da Graça, SAVANA de 26/02/10

Ao crime organizado e aos esbanjadores do dinheiro do Estado : Marrôa lança forte recado e dá oportuna aula de moral


“A NATUREZA do Homem é não fazer o que é proibido. A decisão tomada não é para castigar a ninguém, mas sim serve como momento de reflexão para que algo idêntico não volte a acontecer e para os que não cometeram infracção, não o façam. A decisão foi tomada em função do que foi provado. Saibam que o dinheiro desviado pertence ao cidadão que está em Mecufi, em Massangena, em Chókwè ou qualquer outro ponto do país, daí que deve haver mais respeito para com os contribuintes. Grande parte do Orçamento do Estado é injectado sob formas de doações, e não podemos permitir que esse dinheiro seja desviado. Isso não pode continuar assim”. Foi com estas palavras curtas, mas carregadas de grande simbolismo e sentido didáctico, que o juiz Dimas Marrôa encerrou a sessão do último sábado, marcada exclusivamente para a leitura da sentença do “caso Aeroportos”.

Dimas Marrôa deu uma aula de moral, num julgamento que ele foi o descrevendo como didáctico, onde as pessoas tinham que aprender com os múltiplos aspectos que iam sendo despoletados, não só relacionados com a área de Direito, mas e, sobretudo isso, da conduta do indivíduo dentro da sociedade.

Aliás, depois de proferir estas palavras, que puseram em sentido não só as centenas de pessoas que lotavam a sala de audiências da Escola Secundária Francisco Manyanga, mas também os milhões de moçambicanos que acompanhavam a sentença em directo, pela Rádio Moçambique (RM) e Televisão de Moçambique (TVM), o juiz emocionou-se e quase deitava lágrimas.

A emoção que tomava conta do juiz não era pelo facto de ter feito justiça, mas por saber que ainda continua a haver tanta gente a desrespeitar as normas de funcionamento das instituições do Estado, roubando avultadas somas de dinheiro para benefício próprio, quando, por este país fora, milhares de compatriotas passam dias a fio sem usufruir de uma refeição, vivendo no limiar da pobreza absoluta.

O juiz Dimas Marrôa, explicou que alguns gestores da coisas pública, contrariando os esforços que têm sido empreendidos de combater a pobreza que ainda grassa milhares de moçambicanos, não páram de delapidar os cofres do Estado, bens para ampliar o seu campo patrimonial. O mais gritante é que muitos desses funcionários públicos até são bem pagos, não se compreendendo a razão de recorrerem a meios ilícitos para o seu enriquecimento.

“Chamar atenção a todos outros gestores da coisa pública para que não mexam os fundos do Estado” – alertou o juiz, fazendo alusão ao facto de os 54 milhões de meticais roubados ao Estado pelo quinteto ora condenado, serem suficientes para apetrechar e pôr em funcionamento durante vários meses hospitais rurais, servindo milhares de pessoas que clamam por cuidados médicos.

Marrôa disse ter fé que com este caso, as acções de fiscalização no Estado serão efectivas a bem dos contribuintes, uma vez que ficou provado que alguns sectores ligados à inspecção não cumprem perfeitamente com os seus deveres.

Fez alusão ao facto de, no caso da empresa ADM, o ex-PCA, Diodino Cambaza ter impedido os auditores de realizarem o seu trabalho, o que é, segundo ele, muito grave.

AMEAÇAS DE MORTE

Durante a sua explanação, após a leitura da sentença, o juiz deixou claro que não sofreu nenhuma influência política ou de qualquer natureza para tomar a sua decisão, embora acções nesse sentido não tenham faltado. Disse que a sua vida está em risco, pois teve conhecimento de um plano que está a ser engendrado para o assassinar.

“Não me deixo abalar por cobardia, por pessoas que tentaram lançar recados nas vésperas da leitura da sentença, através de certos jornais. Não podemos ser cobardes. Agora é momento de mostrarem a cara e se revelarem, no lugar de usar jornais para me atacar. Sei que a minha vida corre risco. Posso morrer, não tenho medo. E esse é o destino de todos nós. A diferença é que a minha morte será violenta e prematura. Lanço recado aos que estão a engendrar o meu assassinato, não sei qual é o grupo, mas também não tenho medo. Passei pela vida militar e sei que é fácil seguir uma pessoa. Sei ainda que mesmo pensando que estou num lugar, posso ser morto. Continuarei a ser o mesmo Dimas, que brinca e convive com os amigos. Não deixarei de ir ao futebol ou fazer a minha rotina diária. Sei que alguém se preocupa com a minha segurança, mas não deixarei de ser o mesmo Dimas. O fim de todos nós é morrer” – disse o juiz, visivelmente emocionado.


Notícias, 01/03/10


NOTA: Sobre este assunto, confira aqui um texto publicado hoje no CANALMOZ.