Monday, 16 October 2017

Ataque faz vinte e um mortos

Quinta-feira sangrenta em Mocímboa da Praia

Vinte um mortos, sendo três agentes da Polícia da República de Moçambique e 18 outras pessoas, que as autoridades estão a identificar como “insurrectos”, é o rescaldo de um novo ataque ocorrido depois de uma emboscada levada a cabo por homens armados com a cara tapada, a 30 quilómetros da vila-sede de Mocímboa da Praia, num troço que liga o distrito vizinho de Palma, na província de Cabo Delgado.
Segundo fontes locais, os atacantes também queimaram um carro em que se deslocavam os agentes da Unidade de Intervenção Rápida, que caíram na emboscada.
Fernando Neves, presidente do Conselho Municipal de Mocímboa da Praia, em breves declarações exclusivas ao “Canalmoz”, na noite de domingo, informou que o ataque aconteceu, na passada quinta-feira, na aldeia de Maculo, localizada fora da área municipal, e resultou na morte de vinte e uma pessoas, das quais três agentes da Polícia e 18 “insurrectos”, e o carro da Polícia foi queimado.
Sem acrescentar mais informações, o presidente do Conselho Municipal de Mocímboa da Praia disse que a vida nesta vila tinha regressado à normalidade e que o comércio foi retomado.
A Polícia já veio também confirmar a emboscada realizada por homens com a cara tapada, contra um grupo de agentes da Unidade de Intervenção Rápida, que estava numa operação de patrulha, mas não indicou o número de baixas em ambos os lados.
O ataque ocorreu no mesmo dia em que um grupo de membros da Frelimo desfilaram de bicicletas e motas nas ruas de Mocímboa da Praia, como o pretexto de estarem a manifestar-se “contra a guerra e por uma educação de qualidade”.
Anteriormente, as autoridades policiais tinham informado que, nos ataques do dia 5 de Outubro, tinham morrido 17 pessoas, incluindo agentes da Polícia e atacantes, que a Comissão Política da Frelimo classificou como sendo homens “de proveniência e objectivos desconhecidos”.
Também foi divulgada a informação de que foram detidas 52 pessoas ligadas aos ataques.
As autoridades dizem que estão empenhadas num trabalho de investigação profundo sobre as motivações que estão por detrás dos ataques realizados por homens armados em Mocímboa da Praia.
Segundo o jornal “Noticias” de sábado, o facto foi revelado, na sexta-feira, pela governadora da província de Cabo Delgado, Celmira da Silva, na Sessão Extraordinária do Governo Provincial, convocada para apreciação da situação política e da situação da ordem e segurança públicas neste distrito de Cabo Delgado.
Celmira da Silva afirmou que a vida voltou à normalidade em Mocímboa da Praia e que alguns jovens que participaram nas acções armadas são do distrito.
Segundo a governadora, trata-se de jovens que, desde cedo, abandonaram os seus estudos para se aliarem ao que chamou “más companhias”.
“Queremos assegurar que a vida voltou à normalidade na vila de Mocímboa da Praia, onde as Forças de Segurança continuam a realizar um trabalho profundo para apurar as causas que levaram a que aquele grupo de meliantes atacasse algumas instituições do Estado”, declarou Celmira da Silva.
A governadora apelou aos administradores distritais e presidentes dos Conselhos Municipais da província para agudizarem a vigilância nas unidades territoriais sob sua jurisdição, para neutralizarem qualquer tipo de tentativa de perturbação da ordem e segurança públicas.
Afirmou que as autoridades de Mocímboa da Praia foram alertadas a tempo sobre as actividades e comportamentos contrários à ordem instituída, cuja autoria é atribuída aos indivíduos que desencadearam os ataques da semana passada, mas que nada foi feito para impedir a concretização dos seus intentos.
Ainda no domingo, a governadora de Cabo Delgado voltou a Mocímboa da Praia, onde, segundo informações existentes, continuam focos de violência, dado que os atacantes, depois de abandonarem a vila, foram juntar-se à população nas aldeias, onde, segundo se diz, estão a fazer recrutamento de jovens para as suas fileiras.
Tanto na semana passada como no domingo, a governadora de Cabo Delgado viajou para Mocímboa da Praia por via aérea. (Bernardo Álvaro)




CANALMOZ – 16.10.2017, no Moçambique para todos

Um em cada seis doentes sofre de perturbação mental


















País conta com 13 médicos psiquiatras
Teve lugar, hoje, em Maputo, as celebrações do Dia Mundial da Saúde Mental. O lema escolhido para este ano foi “Saúde mental no local de trabalho” para alertar sobre o stress daí resultante.
Em África, um em cada seis doentes que procura os cuidados de saúde sofre de pelo menos um tipo de perturbação mental.
A falta de informação associada à vergonha faz com que as pessoas não procurem por ajuda.
Um dos desafios assumidos pelo MISAU para o futuro é o aumento de profissionais moçambicanos que lidam com doenças mentais. O país conta com 13 médicos psiquiatras nacionais.


País 

Sunday, 15 October 2017

Moçambique: FMI reafirma que sem transparência não haverá financiamento



Abebe Selassie

O organismo interrompeu a ajuda a Moçambique após a descoberta de dívidas secretas de pelo menos dois mil milhões de dólares.
A retomada da ajuda financeira a Moçambique pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) carece da clarificação do uso do dinheiro das dividas ocultas que o país contraiu ao Credit Suisse e VTB da Rússia, reafirma a organização.
O corte de apoio ao orçamento de Estado moçambicano foi na sequência da descoberta de empréstimos secretos - de pelo menos dois mil milhões de dólares - que o governo contraiu com os referidos bancos.
“Neste momento, nas nossas projecções, não temos em conta que haverá um programa no próximo ano,” disse, dia 13, em Wahsington DC, o director da divisão africana do FMI, Abebe Aemro Selassie.
Selassie clarificou: “Não há conversações sobre o programa antes da satisfação das lacunas de informação identificadas pelos auditores. Aguardamos a conclusão disso”.
Entre os pontos críticos das exigências, consta a clarificação do destino dado a 500 milhões de dólares e a divulgação dos nomes reais dos funcionários governamentais citados no relatório de auditoria da Kroll.
Não menos importante, os doadores e sociedade civil moçambicana exigem a responsabilização dos envolvidos no processo, que ocorreu nos últimos anos do mandato do presidente Armando Guebuza.
Além de ter violado as normas que os estados membros acordam com o FMI, o acto transgrediu a legislação moçambicana, uma vez que as dividas não foram autorizadas pelo parlamento.
A posição apresentada pelo FMI poderá representar um duro golpe ao ministro moçambicano da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, que terá manifestado a esperança de sair de Washington com o bloqueio do FMI resolvido.
Sobre o encontro com a delegação de Maleiane, Selassie disse que “o diálogo foi útil, com informação melhorada sobre a situação macroeconómica, e realçaram que mais deverá ser feito, em particular, no tocante à reformas fiscais”.


Friday, 13 October 2017

Justiça sul-africana decide que Zuma pode ser julgado por corrupção

A justiça sul-africana anunciou hoje que o presidente Jacob Zuma pode ser processado por corrupção num caso de alegada venda de armas iniciado há mais de dez anos.

O juiz Eric Leach, do Tribunal Supremo, rejeitou o recurso do chefe de Estado que pedia o arquivamento dos 783 casos de corrupção, fraude fiscal e extorsão de fundos em que Jacob Zuma está supostamente envolvido.

Esta decisão coloca o processo na Procuradoria-Geral sul-africana, que vai ter de decidir definitivamente sobre a continuação do processo e, eventualmente, chamar Jacob Zuma a tribunal. O actual chefe de Estado é acusado de envolvimento num contrato de armamento (no valor de 4,2 milhões de euros), com empresas europeias, em 1999, quando ocupava o cargo de vice-presidente. Zuma chegou a ser acusado formalmente, mas o caso foi abandonado, em 2009, depois de a Procuradoria ter defendido que o processo era “movido por interesses políticos”. Na altura, Zuma enfrentava um sério confronto político com o ex-presidente Thabo Mbeki. Após 2009, a Aliança Democrática, o principal partido da oposição, tentou várias vezes reabrir o processo. Finalmente, em 2016 um tribunal de Pretória considerou “irracional” abandonar as queixas contra Zuma, tendo o presidente recorrido no sentido do arquivamento do processo. “Os recursos foram rejeitados”, disse hoje o Tribunal Supremo que relança os casos de corrupção. Zuma deve abandonar o poder em 2019, no final do segundo mandato como chefe de Estoad.

Quatro polícias e outras sete pessoas mortas em tiroteio no norte de Moçambique

Quatro polícias e outras sete pessoas morreram na tarde de quinta-feira num tiroteio na aldeia de Maculo, no distrito de Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, disse hoje à Lusa fonte da rádio comunitária da vila.

Os polícias realizavam uma patrulha na povoação, situada no meio do mato, junto à costa, a cerca de 20 quilómetros da sede de distrito, quando foram atacados por um grupo armado, referiu a mesma fonte, com base nos depoimentos de dois familiares de agentes abatidos.
Segundo um dos parentes, os corpos dos polícias já foram encaminhados para a morgue da capital provincial, Pemba.
Os outros sete mortos seriam elementos do grupo que atacou os agentes, de acordo com uma fonte da aldeia.
As autoridades locais ainda não prestaram informações sobre o assunto, mas as fontes ouvidas suspeitam tratar-se do mesmo grupo que tem desestabilizado a zona, na província de Cabo Delgado.
O ataque acontece uma semana depois de os postos de polícia da vila de Mocímboa da Praia terem sido atacados por um grupo armado de 30 homens com sinais de afiliação islâmica (vestes e palavras de ordem), mas do qual as organizações muçulmanas moçambicanas já se distanciaram.
Nos ataques da última semana já tinham morrido outros quatro polícias, 12 atacantes e um líder comunitário, segundo informações da polícia.

Tuesday, 10 October 2017

Assassinatos de figuras públicas sem punição mostra que crime capturou liberdades em Moçambique

Os sucessivos assassinatos de figuras públicas em Moçambique, sem resolução, traduzem a ideia de que o crime capturou os direitos e liberdades fundamentais, disseram hoje à Lusa dois analistas. "Académicos, magistrados, políticos e jornalistas têm estado a pagar com a sua própria vida por expressarem livremente o seu pensamento", afirmou Borges Nhamire, ativista do Comité para a Proteção da Liberdade de Expressão e de Imprensa, em entrevista à Lusa, em Maputo. Reagindo ao homicídio, no dia 04, de Mahamudo Amurante, presidente do município de Nampula, norte de Moçambique, Nhamire afirmou que o assassinato obedece a um padrão que tem sido imposto para silenciar o exercício de direitos e liberdades fundamentais no país. O falhanço do Estado em levar os autores destes crimes à justiça fomenta o sentimento de impunidade e insegurança na sociedade, continuou. "O Estado está a falhar" em "funções essenciais": "prover segurança aos cidadãos" e assegurar "responsabilização penal dos autores de crimes", afirmou Borges Nhamire. Para que "a voz do bem não se torne cúmplice dos criminosos", considerou ser necessário que a sociedade se una na denúncia e na pressão junto das autoridades, visando estancar a criminalidade. Por seu turno, Baltazar Faela, jurista e investigador do Centro de Integridade Pública (CIP), disse à Lusa que o ataque às liberdades fundamentais no país é incentivado pela falta de responsabilização penal."Os autores destes crimes sentem-se encorajados a continuar a sua saga, porque não lhes acontece nada", declarou Baltazar Faela. A impunidade está a disseminar um clima de terror entre os cidadãos moçambicanos, porque sabem que exercer a liberdade de expressão coloca-os numa situação de vulnerabilidade. A morte de Mahamudo Amurane junta-se a uma lista de figuras públicas assassinadas nos últimos anos no país, em crimes que se suspeitam ter a ver com a sua função. Em março de 2015, o advogado constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac foi morto a tiro junto a um café no centro de Maputo, depois de se notabilizar por defender teses embaraçosas para a Frelimo, partido no poder, a última das quais dando argumentos jurídicos à Renamo, principal força de oposição, para a criação de províncias autónomas. Em outubro de 2016, o conselheiro do Estado Jeremias Pondeca foi mortalmente baleado quando fazia ginástica matinal na Avenida Marginal de Maputo. Em janeiro de 2016, o secretário-geral da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Manuel Bissopo, foi baleado e gravemente ferido quando viajava no seu carro no centro da cidade da Beira, província de Sofala, tendo o seu guarda-costas morrido no ataque. Em abril desse ano, José Manuel, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança em representação da Renamo e membro da ala militar do principal partido da oposição, é morto a tiro por desconhecidos à saída do aeroporto internacional da Beira. A morte daqueles políticos aconteceu numa altura em que as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas o braço armado da Renamo se confrontavam na sequência da recusa do principal partido da oposição de reconhecer a derrota nas eleições gerais de 2014. Também em abril, o procurador da Cidade de Maputo Marcelino Vilankulos foi assassinado a tiro quando se dirigia de carro para a sua casa, nos arredores da capital. Marcelino Vilankulos tinha em mãos processos-crime associados à onda de raptos que na altura assolava as principais cidades moçambicanas Em maio de 2016, o comentador político e docente universitário Jaime Macuane é raptado no centro de Maputo e levado para os arredores da cidade, onde os agressores o deixam ao abandono com tiros nos membros inferiores. Na altura, Macuane era um dos comentadores do "Pontos de Vista", um programa de comentário essencialmente político do canal privado STV muito seguido no país. Os referidos casos somam-se a outros assassínios mediáticos e que levaram no passado as vidas do jornalista Carlos Cardoso, em 2000, do economista Siba Siba Macuacua, em 2001, e do juiz Dinis Silica, em 2014. Carlos Cardoso foi assassinado quando investigava uma mega fraude no ex-Banco Austral, enquanto Siba Siba Macuácuá foi morto quando tentava sanear as contas do referido banco. Por seu turno, Dinis Silica tinha sob sua direção processos relacionados com raptos.


CNE espera marcação da data pelo Conselho de Ministros

Eleição do presidente do Conselho Municipal de Nampula

A Comissão Nacional de Eleições diz que está preparada para realizar a eleição intercalar para presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula, na sequência da morte de Mahamudo Amurane, que ocupava esse cargo e que foi assassinado no passado dia 4 de Outubro.
Contudo, a CNE diz que, tal como estabelece a lei, compete ao Conselho de Ministros determinar a data da eleição.
A lei eleitoral define que compete à Assembleia Municipal declarar o impedimento permanente do presidente do Conselho Municipal e comunicar ao Ministério da Administração Estatal, para este propor ao Conselho de Ministros a data da eleição.
O Artigo 60 da Lei n.º 2/97, de 18 de Fevereiro, que estabelece o regime de eleição de um novo presidente do Conselho Municipal, em caso de impedimento permanente, neste caso por morte, com a alteração introduzida pela Lei n.º 15/2007, de 15 de Julho, diz que, nos casos de morte, incapacidade física permanente, renúncia ou perda do mandato, o presidente do Conselho Municipal será substituído interinamente pelo presidente da Assembleia Municipal até nova eleição.
O nº 3 do Artigo 60 estabelece que o prazo para a realização da eleição intercalar não pode exceder cento e vinte dias a contar da data da dissolução dos órgãos deliberativos das autarquias locais, segundo o nº 3 do Artigo 30 da Lei n.º 15/2007, de 27 de Junho.
O nº 5 do Artigo 30 diz que não se realizará a eleição intercalar se o tempo que faltar para a conclusão do mandato for igual ou inferior a doze meses.
O nº 2 do Artigo 61 define que, no intervalo entre a data da declaração do impedimento permanente e a data da tomada de posse, o presidente interino do Conselho Municipal só praticará actos de gestão estritamente necessários para o bom andamento dos assuntos urgentes do município.
Mahamudo Amurane havia chegado a presidente do Conselho Municipal da cidade Nampula como candidato do Movimento Democrático de Moçambique e tinha tomado posse no dia 7 de Fevereiro de 2014. (Bernardo Álvaro)



CANALMOZ – 10.10.2017, no Moçambique para todos

Monday, 9 October 2017

Os cães assassinos que nos assassinam nas nossas ruas


Canal de Opinião por Adelino Timóteo

(Ao Mahamudo Amurane e a todas as actuais e futuras vítimas desta pandilha)

Meu amor, no nosso país os cães soltos matam, e ficamos a olhar-nos. Olhamos para os lados e não vislumbramos nenhum sinal. A dor é pungente, nos entristece, magoa-nos. As lágrimas correm-nos pelo rosto. As feridas sangram. Antes de nos sarar as crostas, os cães soltos que vagueiam as ruas do nosso país voltam à carga. Matam-nos com as suas mãos calosas, de homicidas. Dilaceram os nossos corações. Voltam a cavar a ferida, que sangra inteira, pesarosa. Os cães soltos do nosso país, meu amor, não são os vira-latas, não são os vadios, que vemos nos baldios, esgravatando o lixo, focinhando o sujo, são cães que se alimentam do sangue humano, comem do sangue e da carne humana, da miséria alheia. São cães humanos, meu amor, e têm nas digitais as marcas do horror que semeiam, escondem, no segredo que faz deles clandestinos. Pergunta-se-lhes de quem são? São cães que de vez enquanto alguém os solta da coleira, para esse tipo de barbaridade, amor, esse lustro de luto que tinge o nosso país de sangue da carnificina e da vergonha, porque, meu amor, não foi esse amor que nos ensinaram a cultivar na nossa pátria, mas aquele amor terno, que nos deixa desejosos do outro, que nos faz procurar o outro, não pelo sangue, mas com a ansiedade de uma gula que povoa e enche os lábios desejosos de outros lábios delicados. Vê amor como a lista cresce e já é, de si, inumerável e intangível. A lista dos nossos mortos às mãos desses cães cobardes, que à luz do dia convivem connosco e no lusco-fusco e nos lugares ermos, despovoados, carregam-nos com a sua mortífera Kalash In Kov. E enquanto a lista cresce e os cães vegetam o seio olhamo-nos assustados e medonhamente, tentando ler os sinais, quem será a próxima vítima. Dói, amor, dor inclemente, os mortos às mãos dos cães levam consigo o enigma, porque nos iludem na escuridão. Intuímos, mas não sabemos quem se lhes detém pela trela e os solta a cada instinto de maldade. E o que mais dói na morte não é só o acto em si, mas esse enigma que tanto se silencia e medeia o desaparecimento dos nossos entes, enquanto ele se esconde, para voltar a investir-nos com a sua incomplacência assassina, que nos deixa desamparados e aterrados no chão, onde caíamos ao efeito dos golpes que nos semeiam aos corações, porque crus os golpes, cobardes os canos que nos miram e se lançam sobre nós, que morremos antes de se morrer, iniludivelmente, a cada acto macabro. Não me perguntes amor porquê me tremem os lábios, porquê os tenho secos, pois a morte tornou-se tão banal que convive teatralmente connosco, faz vigília enquanto amamos, enquanto beijamo-nos. A morte amor nos vigia até a intimidade, enquanto amamos no chão limpo, na esteira, nosso país. E desencanta-nos não só a forma em que ela nos tomou a intimidade quotidiana, o convívio, mas a indiferença, a indiferença com que nos vêem a morrer, nesse concurso de ódio e vingança que nos patrulha a cada perímetro da privacidade. (Adelino Timóteo)

CANALMOZ – 09.10.2017, no Moçambique para todos

Sunday, 8 October 2017

Desconhecidos incendeiam delegação do MDM em Gaza

















MDM desconfia que motivações políticas estejam por detrás da vandalização da sua delegação

A Delegação provincial do MDM em Gaza funciona, desde a última sexta-feira, debaixo de uma mangueira depois de desconhecidos a terem vandalizado a ateado fogo sobre os bens que se encontravam no seu interior. Dada a situação, os membros do partido trabalham num local improvisado. “Neste momento desenvolvemos o nosso trabalho no mesmo recinto, mas debaixo de uma mangueira. A nossa delegação está como os malfeitores deixaram. Não fizemos limpeza porque estamos à espera que a Polícia faça a perícia”, terminou.
De acordo com Alberto Nhamuche, delegado político provincial do MDM naquela província, foi um acto que ocorreu de madrugada, num momento em que ninguém se encontrava nas instalações. “Eles quebraram a janela e introduziram-se nas nossas instalações. Em seguida, juntaram todo o mobiliário na sala de reuniões e simplesmente atearam fogo e queimaram. As chamas alastraram-se para outros compartimentos e queimaram tudo que encontraram pela frente”, detalhou Nhamuche que depois avançou que a Polícia não está a dar o encaminhamento devido à situação. “Apresentamos o caso na segunda esquadra da PRM - a mais próxima da sede – esta apenas prometeu que iria investigar o que teria acontecido e encontrar os responsáveis pelo sucedido. O mais caricato é que a Polícia não se dirigiu à nossa sede para a perícia, limitando se dizendo que irá investigar o caso”, estranhou.
O MDM acredita que a invasão a sua delegação tem motivações políticas e tem em vista intimidar as acções. “Não é a primeira vez que uma situação idêntica acontece com a nossa delegação. É possível que tudo tenha sido feito com objetivo de abalar psicologicamente os nossos membros em Gaza e servir de exemplo para reprimir acções do nosso partido noutras províncias. Pode ser uma tentativa de intimidação política”, acreditou o delegado.



Friday, 6 October 2017

Grupo que atacou polícia no norte de Moçambique visava provocar desordem -- autoridades



Maputo, 06 out (Lusa) - Membros detidos do grupo armado que atacou na quinta-feira a polícia na Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, disseram às autoridades que a ação visava espalhar terror, anunciou hoje a Polícia da República de Moçambique (PRM). "O grupo pretendia semear medo e terror junto da população e instalar a desordem pública" disse hoje o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina, em conferência de imprensa, com base nas respostas a interrogatórios policiais. Aquele responsável admite que a justificação seja superficial e referiu que a PRM continua em busca da "razão profunda" da violência. O número de detidos não foi especificado. "Das diligências e dos interrogatórios que foram acontecendo há a indicação de que se se tratam de moçambicanos", declarou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina. O porta-voz do Comando-Geral da PRM adiantou que, das informações até ao momento recolhidas, não é possível estabelecer qualquer ligação entre os atacantes e grupos terroristas ou de crime organizado. O porta-voz referiu que as autoridades estão a investigar as motivações, a existência de uma eventual liderança e de treino militar. "Quem maneja armas de fogo e efetua disparos deve ter tido contacto com essa arma. O nível de treino é um aspeto que está a ser aferido", acrescentou Inácio Dina. Aquele responsável informou que o número de atacantes mortos em confrontos na quinta-feira com a polícia subiu de dez para 14.



Thursday, 5 October 2017

POLÍCIAS MORTOS EM CONFRONTOS COM INVASORES EM MOCÍMBOA DA PRAIA

Polícias mortos em confrontos com invasores em Mocímboa da Praia
Polícias mortos em confrontos com invasores em Mocímboa da Praia



Doze malfeitores abatidos, dois agentes da Policia da República de Moçambique, PRM mortos, duas armas de fogo do tipo AK47 e várias armas brancas apreendidas é o saldo preliminar de invasões e ataques ocorridos desde a madrugada desta quinta-feira em instalações da Polícia no distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado.
Os ataques, que ocorrem quase em simultâneo, estão a ser protagonizados por 30 homens encapuçados e munidos de armas de fogo e brancas que invadiram o Comando Provincial da PRM de Mocímboa da Praia, o Posto Policial de Awasse e a segunda Companhia da Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente. O porta-voz do Comando Geral da PRM, Inácio Dina, que falava em conferência de imprensa havida na tarde desta quinta-feira, em Maputo, disse que os invasores assaltaram os três locais, mas logo que a força policial tomou conhecimento da ocorrência destacou vários agentes que responderam prontamente ao fogo dos malfeitores. Os dois agentes da polícia, segundo Dina, sucumbiram na troca de tiros, porém as forças da lei e ordem detiveram dois malfeitores que estão a ser interrogados. A força policial intensificou a sua actuação no terreno com vista a controlar, por completo, a situação no terreno e os dois indivíduos capturados constituem peças de extrema importância para apurar as motivações que levaram o bando de malfeitores que se expressavam em três línguas, kimwane, swahili e português, a protagonizar a insurreição. “Queremos apelar a calma e serenidade. A polícia está a efectuar a perseguição dos malfeitores com vista a controlar a situação e brevemente poderá passar novas informações sobre o que aconteceu e o que está a acontecer em Mocímboa da Praia”, disse Inácio Dina. A fonte disse, por outro lado, ser prematuro afirmar, de forma categórica, que a situação está sob total controlo das forças da lei e ordem, porquanto há perseguições e detenções ainda em marcha, no quadro da actividade operativa da polícia, que conferem todavia um controlo da situação à polícia após o incidente ocorrido esta madrugada. Na ocasião, o porta-voz foi questionado se o país não estaria perante a instalação de células do movimento terrorista e fundamentalista do “Al-Shabaab” que tenciona criar e instalar bases, tendo como ponto de entrada a região costeira da província de Cabo Delgado. Dina disse não haver, até então, indicação de uma provável ligação com o Al-Shabaab, senão o facto de serem homens mascarados mas os dois detidos serão, na óptica da corporação, peças de extrema importância para mais detalhes. Questionado sobre o nível de prontidão e a existência, na corporação, de unidades preparadas para lidar com aspectos do terrorismo, a fonte foi peremptória e adiantou que há unidades já constituídas e estruturadas que trabalham tanto nesses aspectos quanta especialidade. “Por isso interessa a polícia fazer a investigação sobre a natureza dos indivíduos que estão a efectuar os ataques”, sublinhou Dina. O distrito de Mocímboa da Praia foi, nos meses de Março e Abril, foi epicentro de episódios de agitação provocados indivíduos que identificaram como simpatizantes do Al-Shabaab que, nas suas incursões, proibiam os membros das comunidades de procurar cuidados médicos nas unidades sanitárias e as crianças ir às escolas.
Mas o porta-voz após o rastreio das informações pela polícia concluiu-se eram indivíduos com simpatia por uma ceita islâmica e no pronunciamento, feito na altura, a Comunidade Islâmica de Moçambique distanciou-se dessa provável ligação.

Líder da Renamo defende que assassinato de Amarune não foi orquestrado pelo MDM





Dhlakama diz que assassinato tem motivações políticas

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, admite a hipótese de Mahamudo Amurare ter sido assassinado por motivações políticas, mas põe de lado a possibilidade de tal acto macabro ter sido orquestrado pelo MDM, e apela a polícia a encontrar os assassinos.
“Não quero aceitar que a motivação tenha saído do MDM. Daviz Simango não tem esquadrão da morte, ele não teria coragem de pedir o esquadrão para abater o seu membro”, disse Dhakama.
Para Dhlakama, eventuais acordos secretos políticos ou económicos, entre Amurane e supostos parceiros, que não foram cumpridos, podem ter ditado a morte do edil de Nampula.
Contudo, para Dhlakama, o mais importante neste momento é clarificar o crime. O Pais



Wednesday, 4 October 2017

Assassinado presidente do município de Nampula Mahamudo Amurane

Edil foi angido por três tiros e morreu no hospital
O presidente do Município de Nampula, em Moçambique, Mahamudo Amurane foi assassinado no início da noite desta quarta-feira, 4 de Outubro.A notícia foi confirmada à VOA pelo vereador Ali Alberto, em directo de Nampula.
Ele revelou que três pessoas aproximaram-se do presidente que foi atingido por três balas. Levado ao hospital, Amurane viria a falecer mais tarde no dia em que se assinalam os 25 anos da celebração do Acordo de Paz.Mahamudo Amurane pertencia ao Movimento Democrático Moçambicano (MDM) mas há algum tempo a esta parte ele estava em conflito com o partido liderado por Daviz Simango. A 22 de Agosto, por ocasião das celebrações do 61º aniversário da cidade de Nampula, Amurane anunciou que iria deixar o partido e constituir uma formação política para concorrer à presidência do município. VOA

PR moçambicano diz que há “passos significativos” para uma paz definitiva





O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse hoje que a comissão mista que congrega o Governo e a Renamo está a definir o roteiro para trazer o conteúdo do diálogo ao público, considerando que há passos significativos para uma paz definitiva.
"Estamos, neste momento, a definir o roteiro para trazer os conteúdos do diálogo para o conhecimento de todos os moçambicanos", disse o chefe de Estado moçambicano.
Filipe Nyusi falava durante as celebrações do 25.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, que pôs fim a guerra civil de 16 anos entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde a independência, e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição.
Para Nyusi, a paz é a principal conquista do povo moçambicano e é tarefa de todos garantirem a manutenção da mesma.
"[A paz] é um dos mais nobres valores da independência nacional", observou o chefe de Estado moçambicano.
Lamentando pelos recentes episódios que "perturbaram a paz", em alusão às confrontações entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, Nyusi garantiu que tudo está ser feito para que haja uma paz definitiva, destacando os contactos que tem mantido com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
"A paz é única alternativa para o desenvolvimento do país", acrescentou o chefe de Estado moçambicano.
O Presidente moçambicano aproveitou a ocasião para agradecer o apoio da Comunidade de Sant'Egidio e ao Governo italiano, que tiveram um papel importante na assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992.
"Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir a manutenção desta paz", acrescentou o Presidente moçambicano.
O 25.º aniversário do Acordo Geral de Paz é celebrado num momento em que Moçambique assiste desde maio a uma trégua por tempo indeterminado, na sequência de contactos entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
Paralelamente à trégua em vigor, o Governo e a Renamo estão em negociações em torno da descentralização do Estado, despartidarização das FDS e desarmamento do braço militar do principal partido da oposição.
Entre 2015 e Dezembro do ano passado, o país voltou a ser palco de confrontos na sequência da recusa do principal partido da oposição em aceitar a derrota nas eleições gerais de 2014.
A vaga de violência incluiu ataques a alvos civis que o Governo atribuiu à Renamo e assassínios políticos de membros do principal partido da oposição e da Frelimo.

Tuesday, 3 October 2017

Guebuza & apaniguados cada vez mais solitários


Quando o barco está a afundar, os primeiros a fugirem são os ratos. Desse adágio se extrai que os sinais são claros.
A ala Guebuza, que manteve braço-de-ferro para se fazer com o controlo do partido, acaba de cair.
A evidência destes sinais que nos chegam dos ventos do congresso é que de que já está em curso a purga contra aqueles que mancharam a Frelimo como partido, através do chamado caso de dívidas escondidas.
Assim, na Comissão Política, que gere o partido no intervalo entre congressos, caíram Alberto Vaquina, Sérgio Pantie, Carvalho Muária, José Pacheco, Cadmiel Muthemba, Esperança Bias, Lucília Hama, que o suportavam, no colete-de-forças com Nyusi, considerando o poder de influência deste órgão.
Certo que continua dentro dele Filipe Paúnde e Margarida Talapa, que parecem cercados de todos os lados. Estão imobilizados. Para já, é preciso recordar que Tomás Salomão é totalmente a favor da responsabilidade civil dos autores da contratação daquelas dívidas.
É uma questão de dias, o furacão Nyusi poderá atingir os intocáveis.
Se a mensagem de Nyusi foi claramente “expurgar doravante o que nos pode manchar como partido, sob o risco de nos tornarmos cúmplices daquilo que nos pode prejudicar”, extrai-se que a uma lista e macheia de nomes que se deverão precaver com os novos ventos. São, entre outros, os seguintes que desempenharam um papel activo na contratação dos empréstimos inconstitucionais e ilegais, que poderão sofrer vassourada do furacão Nyusi, que por nexo de casualidade é um beliscar e piscar de olhos à Justiça: Armando Guebuza, Gregório Leão, Manuel Chang, Maria Isaltina Lucas, Victor Bernardo, Eugénio Henrique Zitha Matlaba, Henrique Álvaro Cepeda Gamito, Raúfo Ismael Irá, Victor Borges e Alberto Mondlane.
Perante a falta de influência que o suportava, Guebuza não tem oxigénio para continuar a determinar o curso da política interna do partido e do Estado, senão capitular e aguardar que a Justiça lhe caía em cima. É o que parece aludir os ventos do congresso. Com um Nyusi reforçado, tudo indica que não tarda que todos os coniventes com ele no processo das dívidas escondidas caiam nas mãos da justiça.
Ou o chavão de Nyusi será apenas um daquelas promessas que cairão no saco roto do esquecimento, tornando-o um presidente mentiroso.
E se sim, até 2019, perante o congelamento do apoio directo ao Estado, Nyusi pode arriscar a converter essa ilusão num suicídio político, pois verá a contestação de novo subir dentro do partido e junto do eleitorado, que encontrará todas as razões para apoiar os outros candidatos à presidência da república.
O ponto clave da reunião do partido recém-terminada é que Nyusi passou da posição hesitante e titubeante, para se tornar no homem mais forte da Frelimo e do país.


(Adelino Timóteo)

CANALMOZ – 03.10.2017, no Moçambique para todos

Mais um discurso para o inglês ver


No seu discurso da cerimónia de abertura do XI Congresso do partido Frelimo, o Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou que o combate a corrupção é o mais urgente e vital de todos os desafios no seu partido e no governo. Porém, o discurso de Nyusi não passou de mais um discurso vazio e cheio de boas intenções para os jornalistas presentes no evento ouvirem, anotarem e reportarem. Os cidadãos menos atentos e sem nenhuma noção crítica devem ter achado louvável, quando Filipe Nyusi disse não pode haver tolerância com a ilegalidade, o suborno, a extorsão e todos os outros desmandos e que a Frelimo não pode permitir que se feche os olhos a esses abusos.
Porém, um mero olhar para a actual situação que o país atravessa é notório que as palavras do Presidente da República não passam de um emaranhado de ideias sem nenhum alcance. Ou seja, o discurso não traz novidade nenhuma e reflecte meras intenções do Chefe de Estado, pois é sabido que a corrupção tem vindo aumentar no seu do governo da Frelimo.
Embora o congresso não seja um espaço onde Presidente pudesse tomar medidas contra os seus “camaradas” envolvidos em esquemas de corrupção, mas esperava-se que Nyusi olhasse para o momento como uma oportunidade para apresentar as iniciativas com vista a eliminar focos de corrupção que tem o seu epicentro no partido. Não há dúvidas que de retórica e frases feitas os moçambicanos estão cansados. O que o povo precisa é de actos concretos com impacto no seu dia-a-dia.
A título de exemplo, esperávamos que o presidente do partido no poder fizesse menção ao maior escândalo de corrupção que precipitou a crise económica e financeira que presentemente os moçambicanos sentem na pele. Mas Nyusi terminou o seu discurso saudando o seu antecessor, Armando Guebuza, justamente o aquitecto e projectista das dívidas contraídas sem o aval do Parlamento.
É, no entanto, caricato ouvir o Presidente da República encher o peito para dizer que não podemos tolerar a corrupção e que esse grau zero de tolerância deve começar no seio do partido e no seio dos militantes, deve ser um exemplo, em qualquer posição, em qualquer circunstância. Quase todos os dias, assistimos um grupo de “camaradas” a espoliar os cofres do Estado e continuam impunes. Portanto, só falar que há intenção de acabar com a corrupção é um acto de covardia aguda.



Editorial, A Verdade