Monday, 7 December 2015

Parlamento moçambicano chumba projeto de revisão da Constituição da Renamo

      

A Assembleia da República (AR) de Moçambique chumbou hoje o projeto de revisão pontual da Constituição da República, submetida pela Renamo, principal partido de oposição, que pretendia transformar seis províncias do país em autarquias.
O projeto foi rejeitado por 135 votos da bancada maioritária da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder, enquanto a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), com 73 votos, e o MDM (Movimento Democrático de Moçambique), terceira maior força, com 13 votos, votaram a favor do documento.
Com o projeto, o principal partido de oposição pretendia ver incorporadas na Constituição da República as autarquias provinciais, que seriam dirigidas por um presidente de um conselho provincial, a ser indicado pelo segundo candidato mais votado nas presidenciais, no caso o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
Através desse projeto, o principal partido de oposição pretendia governar nas seis províncias moçambicanas onde reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro do ano passado.
Ao defender o seu sentido de voto, a bancada da Frelimo, através do deputado Hélder Injojo, declarou que rejeitou o documento por entender que o mesmo não se trata de uma revisão pontual da Constituição, pois afeta princípios estruturantes da lei fundamental do país e a forma de organização do Estado e sistema de governo.
"Defendemos uma revisão geral da Constituição da República, com uma ampla participação popular, de forma sistemática e íntegra", afirmou Injojo.
Por seu turno, a chefe da bancada da Renamo, Ivone Soares, considerou que a rejeição do projeto da Renamo é uma estratégia da Frelimo para empurrar o principal partido de oposição para a guerra e negar ao povo o direito de ser governado por quem supostamente ganhou as eleições.
"Chumbaram tudo e agora qual é a vossa saída?" - questionou Ivone Soares, acusando a Frelimo de se comportar como "dona do país".
Antes da votação, Eduardo Namburete, deputado da Renamo, disse na sessão plenária da AR que a rejeição da revisão pontual da Constituição da República podia empurrar o país para a confrontação e que o documento era um caminho para estabilidade política e militar.
Por seu turno, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), através de Geraldo Carvalho, deputado do partido, defendeu o seu sentido de voto com o argumento de que o projeto da Renamo era um meio-termo entre o legalismo absoluto da Frelimo e a pressão militar que tem sido exercida pelo principal partido de oposição.
"O MDM sempre defendeu e continua a defender a eleição dos governadores provinciais", realçou Carvalho.
Com a votação de hoje, é a segunda vez que a proposta de criação de autarquias provinciais da Renamo é rejeitada pela Assembleia da República, dado que o órgão chumbou em abril uma lei prevendo a criação dessas novas figuras administrativas.
O principal partido de oposição defende que a introdução de autarquias provinciais é a única forma de se acabar com a crise provocada pela rejeição da Renamo dos resultados eleitorais de 15 de outubro do ano passado, ganhas pela Frelimo.
Moçambique tem vindo a registar episódios de confrontação militar entre Governo e Renamo, cujo presidente, Afonso Dhlakama, não é visto em público desde 09 de outubro, após um cerco à sua residência na Beira, numa operação policial de recolha de armamento em posse da guarda do líder da oposição.

 

Segunda maior cidade moçambicana prepara mudança de 900 nomes da sua toponímia



Beira, Moçambique, 07 dez (Lusa) - A Beira, segunda maior cidade de Moçambique, prepara-se para substituir 900 nomes da sua toponímia ligados ao período colonial por "heróis nacionais", num processo controverso envolvendo partidos políticos e sugestões da população, num local tido como bastião da oposição.
Em declarações à Lusa, Estefan Mataveia, chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na Assembleia Municipal da Beira (AMB), partido no poder na autarquia, disse que o Conselho Municipal prepara a reformulação dos nomes de 700 avenidas, ruas, praças, prédios e largos e de 200 "impasses" (vias reduzidas a caminhos devido a ocupações desordenadas).
"Na nossa cidade há muitas avenidas e edifícios e até praças que ostentam nomes coloniais e a geração jovem não conhece a sua história", observou Mataveia, considerando que já não fazem sentido atendendo ao passado recente do país.
O processo de reformulação da toponímia iniciou-se com a auscultação popular em outubro e encerrou a 30 de novembro, após um prolongamento de 30 dias, a pedido do Conselho Municipal, para alargar o debate a mais interessados.
Nos próximos dias deverá ser feita a verificação dos nomes consensuais, que serão submetidos à AMB e depois enviados para o Conselho de Ministros.
Um dos nomes previsíveis e que suscitou polémica nos debates de auscultação, disse Estefan Mataveia, é o de Uria Simango, pai do edil da Beira e presidente do MDM, Daviz Simango, e um dos fundadores da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), supostamente fuzilado por alegada traição ao partido.
"Atendendo a que, aquando da independência, no país vigorava o regime único, monopartidário, e que a agora a Beira está a ser governada pelo MDM, a população quis saber como iria ser" e se alguns nomes continuam a ser vistos como "reacionários", assinalou Matavela.
Em simultâneo com as auscultações às populações, decorreram reuniões separadas com membros do MDM e Frelimo, os únicos partidos representados na AMB, uma vez que a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) boicotou as últimas autárquicas, incluindo na Beira, o principal bastião do maior partido de oposição em Moçambique.
António Domingos, chefe da bancada da Frelimo na AMB, também considera importante a substituição dos nomes da cidade da Beira, considerando que a nova toponímia deve obedecer em primeiro lugar à "unidade nacional", uma das "bandeiras" do partido no Governo em Moçambique desde a independência, em 1975.
"Aqui não entra política, temos que saber de facto o que uma pessoa fez na vida do povo moçambicano, o que fez na vida do desporto, o que fez na vida do campo cultural. E porque não um combatente da luta de libertação nacional [dirigida pela Frelimo]?", questionou António Domingos, defendendo que os nomes devem ser consensuais.
Para o deputado municipal, os nomes portugueses, incluindo militares do exército, devem ser substituídos por "heróis moçambicanos", contribuindo para que a nova geração conheça os sacrifícios da independência de Moçambique.
"Mouzinho de Albuquerque, pela história, porque foi atribuído o nome dele a uma rua da Beira? Foi ele que deportou Gungunhana [último monarca de Gaza e resistente do colonialismo], o nosso herói, para Portugal. Há sentido de ainda o manter?", prosseguiu.
Contudo, a Frelimo não vê, por exemplo, sentido que André Matsangaissa, fundador da Renamo e morto durante a guerra civil com o Governo da Frelimo, continue a ter também o seu nome numa praça da Beira, caso único em todo o país, insistindo que a toponímia não deve ser politizada.
A auscultação foi dirigida à população dos postos administrativos da Munhava central, Inhamizua, Nhangau e Chiveve, que perfazem a totalidade dos 26 bairros da cidade da Beira.

Moçambique não será capaz de reduzir a pobreza enquanto o Estado continuar

Humanizar as decisões económicas

 
Magid Osman, antigo ministro das Finanças, atribuiu ao Estado papel crucial no processo de tomada de decisão e disse que Moçambique não tem um Estado capaz de promover a participação da sociedade no processo de construção do país. “Hoje, temos uma crise política, económica e, muito rapidamente, podemos ter uma crise de Estado. Estamos num limbo, em que temos de fazer a modernização do Estado e temos de definir o Estado adequado à nossa sociedade, ir buscar na sociedade as tradições mais positivas e ver como é que esse Estado moderno se articula com essas tradições”, afirmou.
Segundo o economista, “Temos um Estado fraco e autoritário. Não cria espaço para que toda a sociedade possa participar. Para superaremos a situação que estamos a viver, temos de criar mecanismos de participação, a todos os níveis, não só a nível da CTA ou da concertação social, mas fundamentalmente a nível das comunidades rurais”. Sem isso, Moçambique torna-se um Estado incapaz de combater a pobreza.
Mas a sessão que discutia o tema “Humanizar as decisões económicas” arrancou com a apresentação do economista da Universidade Nova Lisboa, Jorge Braga de Macedo, que se afirma apologista da ideia de que humanizar decisões económicas é harmonizar diferentes áreas de conhecimento numa educação que combina saber e gestão.

Renamo avisa que não aprovação da revisão pontual da Constituição da República “poderá ser o princípio de uma rotura definitiva”

 
Na antecâmara do debate na plenária da Assembleia da República do projecto da lei de revisão pontual da Constituição da República, submetido pelo partido Renamo, agendado para esta segunda-feira(07), o maior partido da oposição em Moçambique avisa que a sua não aprovação pela bancada maioritária do partido Frelimo “poderá ser o princípio de uma rotura definitiva”. O partido no poder tem dado indícios do sentido do seu voto e, em sede das Comissão do Parlamento, “recomenda a apreciação negativa”. Enquanto isso a crise político-militar arrasta-se sine die em Moçambique.
A proposta de revisão, que vai ser debatida pelos deputados da Assembleia da República nesta segunda-feira, centra-se nos artigos 8, sobre o Estado unitário; artigo 160, sobre as competências do Presidente da República, no domínio do Governo; artigo 271, sobre os Objectivos do Poder Local; e no artigo 272, sobre as Categorias de autarquias locais.
As emendas apresentadas partido Renamo, como uma das soluções para ultrapassar o impasse que se verifica desde as Eleições Gerais de Outubro de 2014 e que afirma ter vencido, são:
Na alínea b) do artigo 160 da CRM, que os Governadores Provinciais passem a ser propostos pelas Assembleias Provinciais;
No artigo 2A sobre as Disposições transitórias, propõe que “até a concretização do disposto na alínea b) do nº 2 do artigo 160 da Constituição da República de Moçambique, os Governadores Provinciais são propostos em cada Província, pelo candidato mais votado nas eleições presidenciais de 15 de Outubro de 2014, na respectiva província”;
No artigo 271 sobre os objectivos do Poder Local, pretende suprimir “a participação dos cidadãos na solução dos problemas próprios de sua comunidade e promover o desenvolvimento local”, substituindo por “prossecução de interesses próprios dos cidadãos residentes nas circunscrições territoriais das autarquias locais”;
No artigo 273 acrescenta nova categoria de autarquias locais, a autarquia provincial, cujo território coincide com a área da circunscrição com categoria de província.
Segundo o maior partido da oposição, cujo líder Afonso Dhlakama que continua em silêncio e sem aparecer em público desde o assalto à sua residência na cidade da Beira, no passado dia 9 de Outubro, este “Projecto visa dotar o País de um quadro jurídico-constitucional que se adeqúe à nova realidade” e, “Trata-se de uma questão pontual que deve ser resolvida com urgência, obviamente, mediante a revisão pontual nos termos em que se apresenta o Projecto, pois o País vive uma crise político-militar que não pode ser mantida por muito mais tempo”
Porém estes argumentos não parecem ser suficientes para convencer o partido que governa Moçambique desde 1975 e cuja bancada parlamentar, no mesmo diapasão do discurso da sua chefe, Margarida Talapa, na abertura da Sessão Ordinária em curso, “continua a defender que Moçambique é um Estado unitário e indivisível” e por isso recomendou, em sede da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade e da Comissão da Administração Pública e Poder Local, a “reprovação do presente projecto de revisão pontual da Constituição da República” e propõe “uma revisão geral da Constituição da República”.
Através da sua publicação oficial, “A Perdiz”, o partido Renamo afirma que “(...)qualquer tentativa de reprovar o documento como forma de humilhar o proponente não deixará nenhuma margem de dúvidas de que o diálogo que Nyusi tanto defende querer manter com a Renamo não passa de mentira e manobra de diversão”.
No editorial da referida publicação o maior partido da oposição acrescenta que a decisão final da Assembleia da República dominada pela Frelimo poderá “resgatar a confiança que já não existe entre os moçambicanos ou poderá ser o princípio de uma rotura definitiva”.
O partido Renamo avisa ainda que a “aprovação ou reprovação poderá determinar o rumo dos acontecimentos no país”.

Hoje na AR

Hoje a Assembleia da Republica vai discutir o Projecto das Autarquias proposto pela Renamo, mais concretamente a alteraçao do Artigo 160 da CRM sobre a nomeaçao dos Governadores Provinciais!
O Projecto ja foi reprovado por duas comissoes, comissoes essas que sao maioritariamente compostas por membros da Frelimo e certamente que a bancada da Frelimo vai seguir as recomendaçoes das comissoes, reprovando o Projecto!
E agora ? Com o Projecto reprovado, como sair deste impasse politico ? Quais as alternativas ?

Saturday, 5 December 2015

Moçambique decreta conversão de dólares em meticais

 

Vista de Maputo
Mike Hutchings / Reuters

Passa a ser impossível pagar salários em dólares e já há limitação de uso de cartões de crédito no estrangeiro

Usar dólares como se fossem meticais chegou ao fim em Moçambique. Esta moeda, assim como o euro e o rand, passa a ter uma circulação e movimentos fortemente controlados pelo Banco de Moçambique, o banco central do país. Todas as contas em dólares junto das instituições bancárias serão automaticamente convertidas em moeda local quando forem usadas para qualquer transação. Inclusive pagamento de salários. Uma medida que afeta as empresas estrangeiras e os quadros expatriados.
Através do Banco de Moçambique, o Governo decidiu tomar medidas extremas não só para travar a desvalorização do metical como também para retirar o poderio das moedas estrangeiras no mercado. A decisão, compulsiva, do banco central foi tomada no dia 24 de novembro e comunicada aos bancos comerciais, explicou ao Expresso o advogado Paulo Pimenta.
Esta medida visa levar a uma maior procura da moeda moçambicana e consequentemente à sua valorização pelo desaparecimento do dólar e outras moedas estrangeiras do mercado. O metical tornar-se-á a única moeda em circulação. É que a economia moçambicana funcionava, na verdade, em duas moedas principais em paralelo: o metical e o dollar.



Expresso

Branqueamento da Historia ?


" Os campos de reeducação tinham um objectivo nobre
Não tivemos uma guerra civil, foi uma guerra de desestabilização
A Frelimo não é belicista

Nacionalizar foi importante para corrigir injustiças
Não foi necessário decretar o monopartidarismo, porque havia um consenso popular em relação ao papel de vanguarda da Frelimo. A bandeira da Frelimo cobria todos os moçambicanos "








( Joaquim Chissano,
SAVANA )



Projecto de Lei de Revisão pontual da Constituição da República

 
 
Carimbo do não adiado para segunda-feira

A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, anunciou no início da sessão desta quinta-feira, que a análise, discussão e posterior aprovação ou reprovação do projecto de revisão pontual da Constituição da República, submetido pela bancada da Renamo, vai ter lugar próxima segunda-feira, 7 de Dezembro.
Apesar deste adiamento, na verdade, a sessão da segunda-feira servirá apenas para confirmar a posição desfavorável que vem minuciosamente detalhada no parecer da primeira comissão.
Esta comissão de especialidade recomenda a apreciação negativa do projecto, alegadamente por estar “inquinado de vícios de inconstitucionalidade e de ilegibilidades materiais e originárias insanáveis”.
Esta matéria, que havia sido agendada para ser debatida na sessão de ontem, 3 de Dezembro, e que até já constava da ordem do dia, foi retirada, porque os deputados não tiveram acesso aos pareceres a tempo e hora.
Verónica Macamo avançou que, por exemplo, o parecer da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e Legalidade, só foi disponibilizado depois das 21 horas, pelo que os deputados não tiveram tempo para se familiarizarem com o referido documento, que por sinal comporta aspectos bastante técnicos.
 “O parecer da primeira comissão só nos chegou às mãos depois das 21 horas. Apesar de tempestivamente ter-se despachado para os deputados, estes não tiveram tempo suficiente para se familiarizarem com os pareceres”- disse Verónica Macamo, Presidente da Assembleia da República.
Na essência, o projecto de revisão da Constituição da República apresenta as seguintes propostas de emendas:
“Na alínea b) do artigo 160 da CRM, que os Governadores Provinciais passem a ser propostos pelas Assembleias Provinciais, no artigo 2A sobre as Disposições transitórias, propõe que “até a concretização do disposto na alínea b) do nº 2 do artigo 160 da Constituição da República de Moçambique, os Governadores Provinciais são propostos em cada Província, pelo candidato mais votado nas eleições presidenciais de 15 de Outubro de 2014, na respectiva província”.
O artigo 271, sobre os objectivos do Poder Local, pretende suprimir “a participação dos cidadãos na solução dos problemas próprios de sua comunidade e promover o desenvolvimento local”, substituindo por “prossecução de interesses próprios dos cidadãos residentes nas circunscrições territoriais das autarquias locais”.
E por último o artigo 273 acrescenta nova categoria de autarquias locais, a autarquia provincial, cujo território coincide com a área da circunscrição com categoria de província.
Entretanto, esta ideia que, em resumo, pretende a criação das chamadas autarquias de nível provincial é completamente chumbada pela primeira comissão, também dominada pelo partido Frelimo.
Entretanto, a comissão Ad Hoc para a revisão constitucional poderá ser criada.
Esta não é a primeira comissão Ad-hoc criada para rever a Constituição da República. No início da VII legislatura, ou seja, no segundo mandato de Armando Guebuza, em 2009, a bancada da Frelimo criou uma comissão Ad-hoc, presidida por Eduardo Mulenbwe, para proceder com a revisão deste dispositivo, que ao cabo de cinco anos apresentou um relatório inconclusivo.
Na altura, alguns círculos de opinião defenderam que o propósito da criação da referida comissão para rever a constituição era para, nada mais e nada menos, que acomodar a um terceiro mandado de Armando Guebuza, uma vez que a actual, define que o Presidente da República tem direito a apenas dois mandatos.
A comissão chefiada por Edson Macuácua sugeriu ainda, a participação neste processo, de partidos políticos, membros da sociedade civil, académicos e sector privado, de modo que processo seja coerente, harmonioso, sistemático e íntegro.

(Ilódio Bata)

MEDIA FAX – 04.12.2015 , no Moçambique para todos

Não estamos desesperados senhor primeiro-ministro, estamos lixados…

 
Esta realidade relativa à depreciação do metical, apesar de preocupante, não deve colocar-nos numa situação de pessimismo que nos conduza ao pânico e ao desespero”, a afirmação é do primeiro-ministro, Carlos Agostinho de Rosário, na Assembleia da República.
As palavras do governante, é bom que se diga, estão desfasadas da realidade. Os consumidores não estão, como crê o primeiro-ministro, a caminho do desespero.
Com o cimento à 400 meticais e o caldo ao dobro do preço (disparou dos anteriores 80 para 200) ninguém abraça o pessimismo. Ninguém está em pânico porque o quilograma de tomate subiu 30 meticais.
É, aliás, absurdo falar de desespero diante deste quadro. Os cidadãos não se sentiram, de forma alguma, desesperados quando o custo do transporte subiu; não ficaram em pânico quando souberam que juízes, PCA’s e deputados auferem salários milionários; não foram dominados pelo pessimismo quando faltaram anti-maláricos e anti-retrovirais; não ficaram cabisbaixos quando uma nova guerra deflagrou.
Parece-nos, portanto, ridículo que um governante diga que o quadro apresenta um desafio “a todos nós”. Temos feito, ao longo dos anos, diversos desafios enquanto cidadãos deste país. Desafiamos salários míseros e uma rede de transportes públicos incipiente. Aliás, a vida dos moçambicanos é um exercício na corda bamba de políticas criminosas.
Não vamos, como é óbvio, andar em torno da retórica que aponta a EMATUM como a causadora de todos os nossos problemas. A EMATUM, no nosso entender, é um mero sintoma de erros repetidos ao longo dos anos e de uma governação que nunca esteve voltada para os interesses colectivos deste povo.
Senhor ministro, da próxima, diga coisas novas. O desespero já vinha sendo conjugado pelos moçambicanos nas longas filas dos hospitais; o pânico, esse, experimentamos na EN1 e; o pessimismo tem sido o nosso pão de cada dia nas nossas relações com a Electricidade de Moçambique.
O que o senhor deve dizer, para além de construir discursos mancos, é o que será feito para o caldo não chegar aos 300 meticais e para que o cimento não atinja a criminosa quantia de 500 meticais. É que já não temos reservas de pânico, doses de desespero e laivos de pessimismo que aguentem…

Editorial, Confidencial

Friday, 4 December 2015

Sa Carneiro




Sa Carneiro foi assassinado no dia 4 de Dezembro de 1980!

Metade do apoio da UE a Moçambique dirigido à boa governação


Maputo, 04 dez (Lusa) - Cerca de metade do financiamento recentemente anunciado de 734 milhões de euros da União Europeia (UE) a Moçambique será dirigido para a boa governação, disse à Lusa o representante europeu em Maputo.
"Um dos principais objetivos é apoiar a boa governação em Moçambique, com quase metade dos fundos, cerca de 350 milhões de euros", adiantou Sven von Burgsdorff, à margem da primeira Semana Europeia em Moçambique.
Segundo o diplomata, haverá ainda verbas complementares destinadas ao reforço do Estado de Direito e finanças públicas, com foco nas instituições fiscalizadoras do executivo, como o parlamento, tribunais Administrativo e Supremo e Gabinete Central de Luta contra a Corrupção.
"O objetivo é que as autoridades independentes sejam cada vez mais capazes de fiscalizar o executivo", segundo o representante da UE.
Sven von Burgsdorff referiu que 22 milhões de euros serão reservados para organizações não-governamentais e da sociedade civil, também com a finalidade de se criar "mais capacidade de fiscalizar o Governo", e também atuarem em áreas onde o executivo não pode agir e ainda desenvolverem-se como "advogados e lobistas para influenciar políticas".
Outra grande área beneficiada com os fundos europeus é o desenvolvimento rural, com um total de 330 milhões de euros, a começar pela segurança alimentar, "sabendo-se que quase metade das crianças abaixo dos cinco anos vive numa situação extremamente deficiente do ponto de vista da nutrição e é preciso fazer algo".
O financiamento ao mundo rural visa também aumentar a produção agrícola e ligá-la a cadeias de valor para que os produtos sejam utilizados num processo industrial, gerando emprego e alargando a base tributária, através da criação de pequenas e médias empresas.
Para serem mais competitivas, observou o embaixador da UE, "precisam também de ter acesso aos mercados, infraestruturas rurais, estradas e energia", revertendo a situação atual em que vastas áreas do país "vivem com altos níveis de vulnerabilidade, apesar do seu grande potencial agrícola".
O pacote de 734 milhões de euros a Moçambique, lembrou, é o segundo maior financiamento da UE ao grupo de países ACP (África, Caraíbas e Pacífico) e está sujeito a condições.
"O facto de se disponibilizar esta verba até 2020 sinaliza ao mercado que temos um certo grau de confiança, mas isto não é um cheque sem considerações sobre as condições a respeitar", observou.
O representante europeu recordou que o Governo moçambicano assinou recentemente um memorando de entendimento com os parceiros de desenvolvimento, "em que as condições e objetivos estão claramente definidos".
A ajuda europeia está condicionada à melhoria da gestão do investimento público e das aquisições, através do respeito pelos procedimentos em vigor, e que se evitem as adjudicações diretas, além do alargamento das boas práticas de gestão de finanças públicas aos níveis provincial e distrital.
A UE incentiva ainda a melhoria do ambiente de negócios em Moçambique e a subida do desempenho no índice Doing Business do Banco Mundial, no qual o país baixou este ano cinco lugares para a 133.ª posição.
"É também importante que a estabilidade política continue e que os esforços ao nível de uma nação inclusiva e transparente se mantenham e para isso deve haver um clima de paz", salientou o representante da UE.
Von Burgsdorff lembrou que no próximo ano será assinado um acordo de parceria entre a UE e os países da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), gerando novas oportunidades para que dez países, entre os quais Moçambique, acesso direto ao mercado europeu e, no sentido inverso, novas oportunidades de investimento na região.

A primeira Semana Europeia em Moçambique apresenta desde quarta-feira e até sábado conferências sobre assuntos políticos e comerciais, investimento e crescimento inclusivo, direitos humanos, casamentos prematuros e também sessões culturais e de gastronomia.





Nyusi's nightmare

 
The new President is still struggling for mastery of the state, while a legacy of chronic corruption hangs over the latest IMF deal
As the austere consequences of an International Monetary Fund emergency loan sink into public consciousness, Filipe Nyusi is still struggling to gain the control that election as President should have given him over party and state. It is nearly a year since he started his term of office on a wave of good will. A humble leader who promised to bring about better governance and transparency, he built support at an impressive speed. The fact that he was not a veteran of the governing Frente de Libertação de Moçambique's liberation war was a breath of fresh air after the authoritarian rule of Armando Guebuza. Much of that good will has faded and the country now feels less indulgent and is demanding results.
( Africa Confidential, 4TH DECEMBER 2015 )

"Nyusi ainda não assumiu o poder" - Manuel de Araújo



      "Chamando as coisas como elas são, posso dizer categoricamente que ainda não temos Presidente [da República]. Apenas temos um estagiário que ainda não assumiu as suas responsabilidades, ele ainda não exerce com propriedade aqueles poderes que estão estatuidos na Constituição da República. Ainda não sabe qual é o seu papel como estadista. Qualquer Chefe de Estado teria preferido ir à reunião mundial sobre mudanças climáticas, onde estavam Barack Obama, Vladmir Putin, Angela Merkel do que ir à Cimeira da Commonwealth, onde somos membros de segunda categoria. Nyusi trocou bugalhos por alhos. O mesmo aconteceu quando foi a Angola".



       ( Manuel de Araújo, edil de Quelimane, em entrevista ao SAVANA )

Thursday, 3 December 2015

Frelimo não deverá aprovar a proposta de revisão pontual da Constituição do partido Renamo


A tensão política e militar que se vive em Moçambique vai continuar adiada, é que a bancada do partido Frelimo, que detém a maioria dos deputados do Parlamento, em sede da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, “ recomenda a apreciação negativa do Projecto de Revisão Pontual da Constituição da República por estar inquinado de vícios de inconstitucionalidade e de ilegalidades materiais e originárias insanáveis”. O partido Renamo apresentou esta proposta como uma das soluções para ultrapassar o impasse que se verifica desde as Eleições Gerais de Outubro de 2014 que afirma ter vencido. Como “meio-termo” o maior partido da oposição propôs a criação de condições para a implementação das autarquias provinciais nas províncias do Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, onde obteve maior número de votos. O grupo Parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), para devolver a paz, está disponível para votar à favor e propõe um “meio-termo entre as posições de legalismo radical (do partido Frelimo) e uma solução política supra constitucional(do partido Renamo).
Como já havia sinalizado, Margarida Talapa, a chefe da bancada parlamentar, na abertura da Sessão Ordinária em curso,o partido no poder “continua a defender que Moçambique é um Estado unitário e indivisível”.
De acordo com o parecer da 1ª Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade a que o @Verdade teve acesso a bancada do partido do Governo recomenda a reprovação da proposta, tal como havia feito em Maio último ao Projecto das Autarquias Provinciais proposto pelo partido Renamo.
“As regras do jogo são fixadas antes do início do jogo, e não é razoável alterar as regras no fim do jogo e pretender ainda que as regras definidas depois do fim do jogo possam retroagir para regular um jogo já terminado, pelo que os resultados das Eleições de 15 de Outubro de 2014 não podem servir de fundamento para conferir competências ao candidato mais votado ao nível da província para apresentar proposta de Governadores, pois os candidatos a eleições presidenciais de 14 de Outubro de 2014 não concorreram para propor Governadores, mas sim para o cargo de Presidente da República” afirma o grupo Parlamentar do partido Frelimo no seu posicionamento.
Ademais “Depois de nomeados os Governadores Provinciais e estando no primeiro ano do actual ciclo de governação, não seria razoável, mudar o regime da sua nomeação, pois pode perturbar a acção governativa, pôr em causa a coesão da acção governativa. Sua Excelência Filipe Jacinto Nyusi, Presidente da República, na sua investidura, jurou respeitar e fazer respeitar a Constituição da República e no uso das suas atribuições e competências constitucionalmente consagradas formou o Governo, nomeou os Governadores províncias, e estão a cumprir com as suas missões, pelo que seria contraproducente, improcedente e um contra senso a Assembleia da República aprovasse uma Constituição política, que altera profundamente os pressupostos do ponto de partida no meio do ciclo”.
Por isso a bancada do partido no poder recomenda aos seus 138 deputados que votem pela reprovação Projecto do partido de Afonso Dhlakama mas sugere “uma revisão geral da Constituição da República”.
O partido Frelimo propõe “a criação de uma Comissão Ad-hoc para a revisão geral da Constituição, para que tenhamos um processo coerente, harmonioso, sistemático e íntegro, de revisão constitucional com a participação dos partidos políticos, da sociedade civil, dos académicos e do sector privado, num ambiente de harmonia, serenidade, concórdia e reconciliação nacional, com vista ao reforço da unidade e coesão nacionais e do Estado de Direito Democrático, pressupostos fundamentais para a consolidação da estabilidade política, da paz e do desenvolvimento rumo ao bem-estar almejado por todos os cidadãos”.
MDM, para devolver a paz, está disponível para votar à favor
O grupo Parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na 1ª Comissão “reconhece o mérito e a pertinência do Projecto em apreço, visto que enaltece o debate sobre o aprofundamento do processo da construção do Estado de Direito e cria condições para revisão da Constituição da República” e para resolver a tensão político-militar que se vive no país está disponível para “uma solução política transitória abrangente e inclusiva”.
O partido liderado por Daviz Simango propõe: “1. O Partido vencedor na respectiva Província, proponha três (3) nomes para candidatos a Governador Provincial, a serem submetidos ao Presidente da República que, soberanamente, selecciona um para nomeação; 2. Cada Assembleia Provincial seleccione, por eleição entre os cidadãos residentes na Província, três (3) nomes para candidatos a Governador Provincial e sejam submetidos ao Presidente da República para nomeação de um entre os seleccionados; 3. Que se projecte um enquadramento legal na Revisão da Constituição da República, por forma que nas próximas eleições se efective a eleição de Governadores Provinciais sob uma das formas: a) Eleição Directa; b) Eleição indirecta (Cabeça de lista)”, lê-se no parecer da 1ª Comissão que o @Verdade está a citar.
Entende o Movimento Democrático de Moçambique que as “hipóteses (1) e (2) são transitórias e politicamente mais ajustadas a urgência que se impõe a uma solução “imediata” para a irrefutável crise político-social que o País está mergulhado. Estas duas hipóteses representam para o MDM, o meio-termo entre as posições de legalismo radical e uma solução política supra constitucional, visto que por um lado não torna absolutamente gorado o espírito dos princípios defendidos pelo proponente e, por outro lado, não esvaziam os poderes e competências do Presidente da República definidas na Lei mãe”.
Os partidos da oposição, o proponente Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), se votarem juntos à favor só conseguirão juntar 82 votos do total de 236 deputados existentes no Parlamento moçambicano.


Renamo nega ter guerrilheiros a serem reintegrados no âmbito do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares

O Governo, através do Ministério dos Combatentes, e este por intermédio de certos órgãos públicos de comunicação social, está a veicular informações segundo as quais “nos últimos meses mais de 250 ex-guerrilheiros da Renamo apresentaram-se voluntariamente às autoridades e foram reintegrados em diversos programas no âmbito do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares”, o que é uma falácia, segundo António Muchanga, porta-voz desta formação política, que sempre recusou apresentar a lista dos seus homens e julgou que tal não é prioritário.
À luz do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, a desmilitarização e reintegração das forças residuais do maior partido de oposição nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e na Polícia da República de Moçambique (PRM), bem como a inserção social e económica de indivíduos sem aptidões físicas ou psíquicas para a sobrevivência sem o apoio contínuo do Estado, ficaram pendentes desde a interrupção do diálogo político entre o Executivo e a “Perdiz”, em Agosto passado, sem nenhum consenso.
Aliás, o diálogo tornou-se, durante dezenas de rondas, monótono porque enquanto o Governo exigia que o partido liderado por Afonso Dhlakama revelasse quantos homens tem com vista a serem desmilitarizados e reintegrados económica e socialmente, a Renamo negava, de pés juntos, e argumentava que o Executivo devia, primeiro, apresentar um modelo de reintegração e a partilha de responsabilidades para clarificar o que cada uma das partes devia ou deve fazer assim que a reintegração estiver efectivada.
A ser verdade o que o Ministério dos Combatentes avança, o Governo está a levar o processo avante unilateralmente e à revelia da sua contra-parte.
“No âmbito do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares as pessoas virão em listas próprias elaboradas pela Renamo e não serão quaisquer pessoas que entendam sair das suas casas (...) e alegar que são da Renamo”, disse António Muchanga, ao @Verdade, acrescentando que um certo juiz eleito para um distrito em Sofala já se apresentou ao Governo e alegou que era do partido cujo líder é Afonso Dhlakama. “A Renamo não tem magistrados eleitos”.
Neste contexto, as declarações do porta-voz do Ministério dos Combatentes, Horácio Massangaie, de que os presumíveis mais de duas centenas e meia de elementos da Renamo foram reintegrados no âmbito do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares carecem de detalhes, sobretudo que se diga em que sectores concretos as tais pessoas estão afectas, disse António Muchanga. “Eu não confirmo nada”.
Num outro desenvolvimento, o porta-voz da “Perdiz” explicou que tem sido hábito o Governo referir-se aos guerrilheiros da Renamo em números que nunca existiram. “Durante a luta pela democracia, a Renamo desmobilizou 22 mil homens, mas se for a ler a Revista Tempo” contam lá mais de 60 mil guerrilheiros que se entregaram” às autoridades. E a Renamo nunca teve esse número. Isso é palhaçada”.



A Verdade

Wednesday, 2 December 2015

Depreciação do Metical face ao Dólar aumenta pobreza dos moçambicanos

Efectivamente, os moçambicanos experimentam momentos difíceis. É indisfarçável e inegável o estrago que a depreciação da moeda nacional – o Metical face ao Dólar provoca na hora de fazer compras de produtos básicos. O poder de compra baixou de forma drástica com consequências graves no nível de vida já precário. Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, último na produção de produtos alimentares na região África Austral
Se já era um exercício deprimente de se assistir, um cidadão com vencimentos mínimos a fazer um rancho de uma família, com a derrapagem do Metical a vida virou um autêntico martírio. Senão vejamos, em apenas 15 dias o saco de arroz de 25 kgs passou de 625 meticais para 825, o peixe carapau tamanho “16” de 50 para 90 meticais por kg. O frango de 1,4 kg de 130 para 180 meticais, um litro de óleo aumentou de 75 para 90 meticais, o caldo por unidade subiu mais que o dobro, de 2,5 para cinco meticais. Veja abaixo o comportamento de preços dos produtos da primeira necessidade antes e depois da queda em alta da nossa moeda.



Preço anterior (em Meticais) – há menos de mês
25 Kgs de Arroz – 625
5 litros de óleo alimentar – 280
1kg de açúcar – 35
1 kg de farinha de milho – 30
1 saco de batata (10kg) – 180
1saco de cebola (10kg) – 150
1 caixinha de caldo – 75
1 dúzia de ovos – 60
1 lâmina de peixe carapau tamanho “16” – 550
Frango (+1,3 kg) – 130


Preço actual (em Meticais)
25 kgs de arroz – 825
5 litros de óleo alimentar – 370
1 kg de açúcar – 40
1kg de farinha de milho – 40
1 saco de batata (10 kg) – 240
1 saco de cebola (10kg) – 180
1 caixinha de caldo – 180
1 dúzia de ovos – 70 Frango (+1,3 kg) – 180
1 lâmina de peixe disparou para 750



Com os preços a dispararem em alta, podemos afirmar sem dúvidas, que as famílias moçambicanas apertam cada vez mais o cinto na hora de fazer compras. O salário mínimo da maioria dos moçambicanos é mais ou menos 4000 meticais. Vamos a partir deste valor simular uma cesta básica familiar, antes e depois para que o leitor tenha uma ideia do quão desastrosa está sendo a queda vertiginosa do Metical.
Há um mês, um cidadão que vive no meio urbano podia fazer o seguinte rancho: 25 kgs de arroz – 625 meticais, cinco litros de óleo – 280 mts, cinco kgs de açúcar – 175 mts, um saco de batata – 180 mts, um saco de cebola 150 mts, uma caixinha de caldo 75 mts, uma lâmina de peixe 550 mts, energia de 200 mts, água de 200 mts, e um saco de carvão – 900 mts, após o rancho desembolsava um total de 3.335 meticais, mesmo sem incluirmos o dinheiro de chapa, frangos (ou derivados de frangos), pão que passou a custar 1,50 mts mais caro, já esgotava o salário sem sequer fazer o famoso “Xitique” (forma de poupança mais usual na maioria moçambicanos.)
Com o Metical a chafurdar na lama, o custo de vida do “patrão” atingiu níveis que extravasam o limite do admissível num país que tem como slogam o combate a pobreza. Na conjuntura actual, a cesta básica está orçada em cerca de 4 300 meticais se abarcamos alguns itens imprescindíveis numa família de baixa renda: 825 meticais de 25 kgs de arroz, 370 mts de óleo alimentar, 250 mts de cinco kgs de açúcar, 240 mts para um saco de batatas (10kgs), 180 mts para um saco de cebola, 180 mts correspondentes a uma caixinha de caldo, 750 mts de uma lâmina de peixe carapau, 300 mts de energia eléctrica, 300 mts de água e 900 mts do saco de carvão. Quer dizer, em menos de um mês, o poder de compra do maravilhoso povo baixou em cerca de 1000 meticais só em produtos básicos que não incluem pão, tomate, coco, amendoim, feijão, etc.
Por outro lado, há uma crença generalizada segundo a qual as pessoas que auferem salários em dólares estão em festa com a queda do Metical, esta ideia nos parece errônea pois os que ganham em moeda americana também ressentem-se da subida dos preços, que em termos percentuais, arriscamos a afirmar que ultrapassam a moeda em alusão. Por exemplo, o caldo sofreu um agravamento que supera os 100 por cento, e o dólar subiu menos que a metade. O salário dos que ganham em moeda da “terra de Obama” só aumentou de forma nominal porque o salário real compra neste momento menos produtos que há um mês.
Para quem pretende construir, a dor de cabeça é maior, o saco de cimento também não ficou indiferente a febre do dólar, que disparou dos 270 para 400 meticais.





Confidencial

MANUAL PRÁTICO PARA A RECOLHA DOS CACHORROS

 
Tive o privilégio de testemunhar o ambiente gelado que se vive na media em Moçambique, associado ao clima de terror ...e pânico que vivem os jornalistas moçambicanos no exercício da sua profissão. Testemunhei isso que gostaria de poder aqui partilhar com os senhores leitores desta minha modesta crónica aquando da Conferência Nacional sobre Comunicação Social, Violência e Paz realizada pelo Conselho Superior da Comunicação Social, semana passada, em Maputo, sendo a primeira do género no novo elenco presidido pelo jornalista e jurista Tomás Viera Mário e que marca o início de uma nova era na história daquele órgão de disciplina da comunicação social. Naquilo que se esperava ser um encontro caracterizado pela avidez dos jornalistas em fazerem uso da palavra, que é o que lhes devia caracterizar devido à natureza da sua profissão, o que pude testemunhar, como tenho dito, foi a expressão desse mesmo ambiente gelado generalizado que se vive na imprensa moçambicana, assim como desse clima de terror e pânico por que passam os jornalistas no seu dia-a-dia laboral. A palavra foi dada aos jornalistas depois das comunicações apresentadas pelos membros do painel, nomeadamente os jornalistas e conhecedores da imprensa Rogério Sitoe, Eduardo Sitoe e Jessemusse Cacinda, sem deixar de lado, também, a intervenção do presidente Filipe Nyusi na sessão inaugural, que foi também bastante importante para dar norte aos debates que se iam seguir. O jornalista Jeremias Langa, a quem coube o papel de moderar o painel, fartou-se de convidar os presentes, jornalistas na sua maioria, a fazerem o uso da palavra. Eu, que ando muito mais habituado a discutir a nossa imprensa neste meu tom jocoso, quase que de gozo ou mesmo de sátira ou de escárnio, mas porque não de chacota, salvo embora seja eu também a vítima desse estado de putrefacção que caracteriza a nossa imprensa, fiz daquele silêncio quase que ensurdecedor manifestado pelos jornalistas a ocasião que faz o ladrão e tomei da palavra, tendo proferido palavras que, ao que pude testemunhar com os meus olhos que a terra vai comer, somente tornaram o ambiente da sala ainda mais gelado, senão mesmo de terror e pânico, salvo qualquer exagero ou fatalismo. Comecei por me desdobrar em desculpas pelo facto de não ter tirado o chapéu preto que trazia na cabeça, tendo dito que mesmo assim não haveria de tirar o chapéu porque não havia nada na nossa imprensa hodierna que me convidava a tirar chapéu e que se tirasse seria em sinal de reconhecimento e não tinha nada para reconhecer na imprensa moçambicana. Tinha feito a questão de levar para aquela conferência um jornal, o Magazine Independente, cuja manchete fiz a questão de exibir aos presentes, dado que retratava de forma resumida o estágio da nossa imprensa: “Salomão Moyane defende revolta contra RM e TVM”, dizia o título, justificado, entretanto, pelo antetítulo que dizia: “Por estarem a provocar guerra no país”. No lugar de contribuir para quebrar o gelo com aquela minha demonstração, que acreditava ser o princípio da evidência, entretanto já ensinado por Descartes, apenas contribui para aterrorizar ainda mais os jornalistas presentes, mas o ambiente tornou-se ainda mais pesado quando manifestei a minha concordância com Salomão Moyane, que devia mesmo haver uma revolta contra a RM e a TVM, dado que estão a provocar guerra no país ao fazerem daqueles serviços públicos de rádio e televisão verdadeiras tribunas de apelo ao ódio, ao racismo e a intolerância política. O ambiente na sala pesou ainda mais quando disse que Moyane não era a única individualidade que andava agastada com a nossa rádio e a nossa televisão pública, que éramos muitos, que aqueles serviços transformaram-se num inferno desde que alguém mandou instalar ali a tristemente célebre equipa do G 40, cujos serviços de aniquilamento do contraditório, do direito a informação, da liberdade de imprensa e de expressão, bem como de esfaqueamento total e completo do Estado de Direito e Democrático, associados à suspensão definitiva da Constituição da República, somente se tornaram conhecidos graças à denúncia efectuada pelo jornal SAVANA, que interceptou e divulgou a lista dos 40 na sua edição de 23 de Julho de 2013. Para além de citar o já revoltado Moyane, recordei a todos as palavras do professor Lourenço do Rosário, que teria comentado em entrevista ao SAVANA o assassinato do professor Gilles Cistac, em jeito quase que proverbial, que “podemos aceitar que os cachorros façam e desfaçam nas redes sociais, mas já não podemos aceitar que eles incitem o ódio, o racismo e a intolerância política nos nossos serviços públicos de rádio e televisão, que vivem dos nossos impostos”, que era “altura do dono dos cachorros recolher os seus cachorros enquanto ainda é tempo dado que já estão a atacar as pessoas injustamente”. Notei que alguns presentes não gostaram nada da frieza das minhas palavras, por isso tratei de frisar que estava a citar as palavras de Lourenço do Rosário, que, ao que tudo indica, não é gago. Foi dele que aprendi a ver os cachorros com olhos de ver e a tomar as devidas precauções. Escrevo esta minha modesta crónica ciente de que estou mesmo a tocar na ferida, portanto, no grande drama que representa o fenómeno G 40 na nossa comunicação social. Essencialmente, concordei com o jornalista Rogério Sitói, quem, na sua qualidade de painelista, disse que o grande problema da nossa comunicação social era o fosso que existia entre a lei e a praxis, ou seja, entre a lei e a prática, ou mesmo, dito de outro modo, entre a lei e a implementação da lei. De facto, não faltam leis que garantam a independência dos órgãos públicos de comunicação social, nomeadamente a TVM e a RM, quanto a isso a Constituição da República é clara, assim como a Lei de Imprensa, bem como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, que também são lei. A Constituição da República diz claramente que o Estado garante a isenção dos meios de comunicação do sector público, bem como a independência dos jornalistas perante o Governo, a Administração e os demais poderes políticos. Mas vivemos na terra dos abusos, onde não se respeitam as leis, sendo normal que nas nossas rádios e televisões públicas, no lugar das suas agendas editoriais serem comandadas pelos seus respectivos gestores editoriais, as mesmas são comandadas a controlo remoto pelos gabinetes de imprensa do partido no poder, a ponto de virem destes as listas dos analistas e comentadores políticos autorizados. Foi com muito apreço que registei as palavras de Tomás Viera Mário, que se expressou na sua qualidade de presidente do Conselho Superior da Comunicação Social, tendo dito, de viva voz, que a independência que a Constituição da República confere aos órgãos públicos de comunicação social não é uma independência abstracta, é sim uma independência em relação ao governo, que é, por assim dizer, uma independência em relação ao poder político. Portanto, a rádio e a televisão públicas não recebem ordens do governo, muito menos de qualquer partido político como alguns pretendem que assim o seja. Praticante acérrimo dos direitos humanos, defensor do direito a informação, um quadro sénior da República oriundo da sociedade civil, Tomás Viera Mário tem nas mãos, ele e os restantes conselheiros, o grande desafio de transformar a lei em prática, um caminho verdadeiramente espinhoso se tivermos em atenção o facto de que, apesar de ostentar o título de presidente daquele órgão de disciplina, a quem cabe zelar pela independência dos órgãos de informação, tratando-se de um órgão colegial, não é ele, sozinho, quem delibera, são eles todos, funcionando ali o princípio da representatividade, sobre o qual ainda estamos ávidos de travar debate. De qualquer forma, manifestamos desde já a nossa solidariedade, de tal sorte que cá estaremos para reforça-lo na defesa da lei, que equivale, por assim dizer, à defesa da Constituição e do Estado de Direito e Democrático. Ainda bem que a Procuradoria-Geral da República, depois de feitas as análises, encaminhou o caso G 40 para o Conselho Superior da Comunicação Social, considerando que é este órgão de disciplina que zela pela independência dos órgãos de informação. Se o Conselho Superior ainda não deliberou sobre o caso tal dever-se-á, talvez, ao facto de ainda não haver constituído o quórum deliberativo. Faltam ainda os que devem ser designados pelo parlamento. Mas com esta conferência sobre comunicação social, violência e paz, onde fomos recebidos para expressarmos a nossa forma de ver sobre o que são as funções do órgão, poderemos depreender que o mesmo já começou a funcionar, reservando-nos grandes expectativas. Somos críticos à PGR, que se limitou apenas em remeter o caso G 40 para o CSCS, dado que uma das principais causas da violência é a violência estrutural, aquela que começa com a exclusão do Outro, sobretudo no exercício da liberdade de expressão. Apesar de não concordarmos que a PGR se tenha limitado apenas em remeter o caso G 40 para o CSCS, abstendo-se da sua função preventiva, atitude de quem mesmo vendo que ali há fogo apenas se limita a assistir, não temos dúvidas de que o processo está bem encaminhado. Tomás Viera Mário, presidente do CSCS, é a pessoa mais indicada para lidar com o caso G 40, afinal de contas o seu nome figura na lista dos 40, tendo ele participado na reunião em que foi criado o grupo, de onde se retirou, como relatou o SAVANA, por entender que a acção era ilegal, inconstitucional e atentava contra os seus princípios morais e éticos. Mal sabia o Tomás que viria a ser designado pelo presidente da República para dirigir um órgão que teria a missão espinhosa de decidir o destino do G 40. O G 40, enquanto fenómeno que começa com o aniquilamento da liberdade de expressão e culmina com o esfaqueamento da Constituição da República e do Estado de Direito e Democrático, representa o que há de mais degradante no tecido moral e ético da nossa sociedade. Na sessão de abertura, o presidente Filipe Nyusi defendeu a independência dos jornalistas, assim como uma imprensa mais democrática, mais livre, mais justa e plural, por isso deixou os jornalistas decidirem o que querem para eles mesmos naquela conferência. Não concordamos de todo com o engenheiro Filipe Nyusi, dado que o interesse público que os jornalistas do sector público representam ultrapassa o interesse dos jornalistas como classe que deve por si só ultrapassar os seus problemas. A independência, a imparcialidade, a objectividade, a veracidade, a integridade, a isenção e outros princípios que os jornalistas têm na ponta da língua não são meros privilégios para o gozo das suas paixões, antes pelo contrário, são a garantia de um verdadeiro serviço público em benefício do cidadão. A salvação da independência dos jornalistas dos serviços públicos de rádio e televisão passa pelo desmantelamento total e completo do G 40, não como um processo meramente político que se materializa com o seu desaparecimento político com o alcance dos objectivos para os quais foi criado como muitos pretendem, mas sim como um processo jurídico, que passa necessariamente por uma decisão jurídica sobre o caso, emanada por uma entidade públicas, como seja, neste caso, o Conselho Superior da Comunicação Social, a fim de se fixar o direito, o alcance prático da lei, devolvendo-se, assim, a César o que é de César, ou seja, a liberdade de expressão para os moçambicanos e não mais para um grupo de 40 moçambicanos de gema, como o regime os apelidou, por oposição aos Outros, que o mesmo regime chamaria de vândalos, espíritos agitadores, apóstolos da desgraça, críticos de Maputo, moçambicanos de origem goesa e outros epítetos. Portanto, desmantelar juridicamente o G 40 é defender a independência dos jornalistas relativamente ao poder político, a fim de que a rádio e a televisão públicas não sejam mais tribunas de apelo ao ódio, ao racismo e a intolerância política. Extinguir o fenómeno G 40 é acabar com o clima de terror e pânico que vivem os jornalistas dos serviços públicos de rádio e televisão, que não se fartam de queixar ao Primeiro-Ministro que são vitimas de “interferências politicas” e de recebimento de “ordens superiores”, as quais nunca se chega a saber quem as dá, mas cujo incumprimento invariavelmente se traduz em represálias que vão desde o isolamento no local de trabalho, passando pela perda de certos privilégios como “viagens presidenciais” como sói dizer até aos processos disciplinares, que muitos temem. A derrota do G 40 significa o início da despartidarização dos serviços públicos de rádio e televisão, equivalendo, por assim dizer, ao início da derrocada de um regime que manipula e intoxica a opinião pública através da imprensa pública. Somente com a derrocada do G 40 sairemos da lei para a prática, ainda que o processo possa ser meramente simbólico. Somente assim não precisaremos mais de recorrer a revolta contra a RM e a TVM já defendida por Moyane. Somente assim veremos os cachorros definitivamente recolhidos, não pelo dono como defendeu Lourenço do Rosário, mas sim pela lei. A lei, por si só, é suficiente para recolher os cachorros!




Armando Nenane, no Facebook

Tuesday, 1 December 2015

Joaquim Chissano e a Operaçao Produçao

Joaquim Chissano continua a defender a " Operaçao Produçao "! Tanto tempo depois, e quando sabemos dos abusos, é aberraçao e falta de sensibilidade!
Temos memoria!

Paz de Nyusi








O país está a viver uma paz ameaçada pelas armas e isso preocupa bastante o povo porque deseja produzir e trabalhar na tranquilidade. Os que almejam a guerra – os que compram armas, tanques de guerra, canhões, carros de assalto e visitam mercados internacionais de armamentos - não imaginam quanto custa a liberdade. Eles não sabem quanto o povo ama a paz e deu a preciosa vida dos seus filhos por ela!
Os que mandam soldados fazerem emboscadas contra os seus opositores politicos, cercando-lhes a residência e violando os entendimentos, como aconteceu, na Beira, a 09 de Setembro de 2015, com o líder da Renamo, são amantes da guerra. A lei diz que manter alguém em prisão domiciliária compete apenas aos tribunais. Nem o Presidente da República tem poderes para ordenar a prisão domiciliária de quem quer que seja.
Enquanto o povo espera que a solução do conflito seja encontrada na mesa de um diálogo honesto, Nyusi e a sua equipa acredita numa solução militar, por isso a corrida desenfreada aos armamentos. A visita a Angola para aprender como se sufoca a oposição. Nyusi como Samora Machel e Armando Guebuza enganaram-se ao apostarem na via das confrontações militares.
As emboscadas que a FADM/FIR fazem ao líder da Renamo são um atentado à paz. O governo ao invés de se empenhar na construção da paz, está engajado na uerra. A recente entrada de carros de assalto, em Maputo, na noite de 10 de Novembro, é um sinal de que Nyusi quer guerra.
Os únicos interessados na guerra são os não têm parentes em frentes de combates. Não têm parentes expostos a perigos. Eles atiram filhos dos pobres para guerra, sem a chance de estar estudar em universidades de renome ou de estar associados a uma multinacional.
Basílio Monteiro, ministro do Interior, e Jorge Khalau, comandante-geral da Polícia, defensores do desarmamento à força da Renamo, não devem ter familiares envolvidos em combates. Nyusi contradiz-se sempre e foi denunciado pelos bispos católicos por dizer uma coisa e fazer outra, totalmente contrária. Enganam-se os que esperam que a solução do país venha da Frelimo porque o problema do povo é o próprio governo, por isso, é uma necessidade histórica a sua remoção.
O saque dos nossos recursos pelas elites politico-económicas da Frelimo, em conluio com empresas estrangeiras, conduzem-se à pobreza. A roubalheira da energia da Cahora Bassa e o gás da SASOL pela África do Sul são sinais perigosos da neocolonização. O abate das nossas florestas seguido de um silêncio sepulcral do governo. Só agora o governo interditou a exportação da madeira em toro, depois da desertificação do país. A criação clandestina da EMATUM – Empresa Moçambicana de Atum – devia ser considerada um crime económico e os seus mentores punidos.
O Presidente Filipe Nyusi mandou suspender o pretensioso desarmamento coercivo dos homens da Renamo. Ainda não estão claras as razões que forçaram Nyusi a proceder de tal modo, mas, avança-se algumas hipóteses:
1. A crise económica é tão profunda e aguda que o país não tem dinheiro suficiente para aguentar com mais uma guerra;
2. A reunião dos antigos movimentos de libertação nacional deve ter chamado a atenção ao governo de Nyusi para não se enveredar pela via armada como forma da resolução de um problema político interno;
3. A visita a Maputo do antigo secretário de estado norte-americana para os Assuntos Africanos, Chester Crocker, de Quett Masire, ex-estadista do Botswana, figuar amuito respeitada em Moçambique; e do ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Frank-Walter Steinmeir, deve ter pesado para o recuo de Nyusi, e, por último,
4. Nyusi deve estar a fingir para tentar convencer a Dhlakama a fim de este sair das matas, assim como aconteceu na Beira. Deixou as matas e foi encostado à parede com a arma apontada à cabeça, aparentemente com o beneplácito dos mediadores.
Apesar da aparente boa vontade de Nyusi, contingentes militares continuam a ser enviados para as zonas da influência da Renamo, para provar de que se trata de uma mera diversão.


Edwin Hounnou, MAGAZINE INDEPENDENTE de 01.12.2015.

O que disse camarada Chipande?


 Quando todos pensavam que o discurso contra o despesismo era para levar a serio; quando meio mundo acreditava que as promessas do presidente Nyusi sobre o combate a corrupção se enquadravam numa matriz de consensos ao nível da cúpula da Frelimo, o que implicava uma partilha alargada desse discurso, eis que surge o camarada Alberto Chipande a dar esse salvo-conduto ao roubo e ao desvio de dinheiro do Estado.
Chipande deu uma palestra há dias. O tema era a luta armada e a unidade nacional. Mas ele acabou falando da crise que vivemos. E o que disse? “Moçambique esta num caminho certo, não se preocupem com a subida do Dólar, não há nenhum alarme por causa da crise….eh verdade que se fala de roubo ou desvio dinheiro, mas isso não pode ser motivo de alarme…os roubos vão continuar porque somos humanos e, como se não bastasse, não somos santos”.
Ora, ora. Estas palavras vão contra toda uma perspectiva discursiva e prospectiva de políticas no sentido da promoção da transparência em Moçambique. São palavras demissionárias de quem devia insistir que o roubo e o desvio de dinheiro são males para combater.
Pior…elas foram ditas por alguém que se define, mesmo não querendo, como a sombra tutela do Presidente Nyusi. Um exemplo dessa definição transcorreu dessa palestra. De acordo com o PUBLICO, “no meio de aplausos, o General Chipande revelou que o Presidente Nyusi tem, na sua governação, três objectivos: Unidade do Pais e do Mundo, União dos Moçambicanos e Desenvolvimento Sócio econômica e científico”. Eh a primeira vez que um alto membro do partido fala nesses tons paternalistas sobre a missão do Presidente em exercício. Creio.



( Marcelo Mosse, no Facebook )