Sunday, 22 November 2015

Recordando Cardoso

Carlos Cardoso foi assassinado no dia 22/11/2000.
 15 anos depois ainda nao sabemos todos os detalhes deste crime e continua a ser verdade que é proibido por algemas nas palavras!

Saturday, 21 November 2015

Se a mediação internacional pode ajudar, a boa fé é fundamental



É importante que as negociações prossigam e que possam muito rapidamente devolver ao país a paz que necessita para o seu desenvolvimento, mas é igualmente importante que se tenha em atenção que estas negociações nunca devem assumir o format de um plano indefinidamente aberto.
As negociaçoes devem ter objectivos claramente definidos, devendo igualmente ser necessaria a coragem politica  que permita  que havendo necessidade de alterações no ordenamento jurídico nacional, estas sejam efectivadas para dar lugar a progressos assinalaveis e concretos.
A actual situaçao de indefiniçao, aliada ao bloqueio que persiste  nos canais de comunicação entre o ao governo e a Renamo, pode provocar um desgaste nas duas partes, conduzindo a uma inércia que pode ser muito perigosa para a estabilidade do país.
Na actual situaçao de conflito nao ha vencedores. So pode haver vencidos. E infelizmente, esses vencidos são todo o povo moçambicano, que corre o risco de ver os seus avanços das duas últimas décadas a serem destruídos em muito pouco espaço de tempo.
Trazer novos mediadores internacionais para as negociações nao deve ser muito dificil. Assim como tambem nao sera dificil encontrar uma soluçao para os actuais problemas que o país enfrenta.
O que é problematico é se existe vontade de dialogar com honestidade e de aceitar que o jogo democratico deve ser a unica forma que numa sociedade democratica determina quem assume as redeas do poder.A alternancia do poder que muito se apregoa deve ser consequencia logica de processos democraticos,  e não o resultado de artimanhas negociais ou de jogos de demonstração de força, onde prevalece a lei do mais forte.
O facto de ate hoje nao terem sido postos em pratica os acordos de cessação das hostilidades rubricados a 5 de Setembro de 2014, depois de terem sido gastos rios de dinheiro para que eles fossem implementados, incluindo com o envolvimento de observadores internacionais acordados entre as duas partes, se deve ao facto de os mesmos não terem sido feitos de boa-fé.
A boa-fe e a honestidade, aliadas ao desjo genuino de ver resolvidos os problemas políticos que o país enfrenta, são a base sobre a qual deve assentar qualquer entendimento entre o governo e a Renamo.
Se futuras rondas negociais tiverem de ser frutuosas, sera necessario que ambas as partes declarem previamente o seu compromisso em que seja normalizada a situação política no país, obrigando-se ainda, uma vez alcançados os acordos desejados, a não apresentarem novas exigências fora do quadro do que tiver sido acordado. O país precisa de avançar e não pode continuar a ser refém de vontades individuais de alcançar o poder a qualquer preço.

Editorial do Savana, 13-11-2015

Grupo Moçambicano da Dívida considera que situação do país é motivo de "pânico"




 O Grupo Moçambicano da Dívida (GMD), organização não-governamental que monitoriza os empréstimos ao Estado, considerou hoje que o atual nível de dívida pública de Moçambique é motivo de pânico, lançando dúvidas sobre a pertinência de alguns empréstimos.
"Vivemos um contexto mais apertado em termos de dívida pública, vamos notando algumas dinâmicas [da dívida] que nos criam algum pânico", afirmou Humberto Zaqueu, economista e oficial de programas do GMD, falando na Conferência sobre a Dívida Pública, realizada hoje em Maputo.
Realçando que a dívida em si não é má, Zaqueu criticou o facto de a dívida pública moçambicana ter conhecido uma aceleração para o financiamento de despesas ao consumo e de retorno duvidoso.
O economista apontou a dívida de 850 milhões de dólares (795 milhões de euros), que o Estado moçambicano avalizou para financiar as atividades da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) e compra de navios patrulheiros, o baixo retorno do Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) e as verbas estatais destinadas a empresas públicas deficitárias como algumas das operações lesivas para o Estado.
"O caso mais gritante é a Ematum, se a empresa não começar a gerar receitas, serão os impostos de todos os moçambicanos a pagar a sua dívida", frisou Zaqueu.
O economista assinalou igualmente que as despesas com setor da defesa e da Presidência da República têm crescido a um ritmo mais rápido que as dotações orçamentais para a saúde, educação e agricultura.
Falando na ocasião, o ministro da Economia e Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, teve uma leitura diferente e considerou que o atual volume da dívida de Moçambique, estimando em cerca de sete mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros), está controlado, defendendo o recurso aos empréstimos para fazer crescer o país.
"O nosso serviço da dívida ainda está dentro da sustentabilidade, em 2014, o rácio da dívida em relação ao Produto Interno Bruto era de 37% e este ano não sofreu uma grande alteração", frisou Maleiane.
O volume de dívida de Moçambique, assinalou o ministro da Economia e Finanças, chegou aos níveis atuais, devido a escolhas que o Governo teve de fazer em relação a despesas prioritárias, nomeadamente nas infraestruturas.
"Alguns concordam que era necessário fazer investimentos em algumas infraestruturas, outros não concordarão, o que é facto é que estamos cada vez mais atentos à gestão da dívida", sublinhou Adriano Maleiane.
 
 

Igreja Católica diz que conflito moçambicano não se resolve com a recolha de armas




Igreja da Polana, Maputo
Igreja da Polana, Maputo

Friday, 20 November 2015

Renamo avança com comissão de inquérito para investigar emboscadas


Depois de a Frelimo chumbar a moção de censura ao governo
- Para não variar, a Frelimo deverá reprovar o novo pedido da bancada parlamentar da Renamo

Numa clara demostração de poder e musculatura político/parlamentar, a Frelimo decidiu chumbar, sem dó nem piedade, o projecto de moção de censura e reprovação das informações do governo, documento que tinha sido submetida pela bancada parlamentar da Renamo.
Em reacção e demonstrando um espírito de sobrevivência política, a bancada parlamentar da Renamo anunciou que vai avançar com uma proposta de criação de uma comissão de inquérito para averiguar as circunstâncias em que o seu presidente, Afonso Dhlakama, foi vítima de emboscadas militares, nos dias 12 e 25 de Setembro último.
O pedido da comissão de inquérito surge pelo facto de um dos condimentos da moção de censura contra as informações do governo, ser o facto de a Renamo entender que o ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, mentiu quando em plena sessão plenária da AR tentava dar a versão governamental das duas ocorrências. Basílio Monteiro,recorde-se, disse que as Forças de Defesa e Segurança agiram em defesa da população que estava, supostamente a ser atacada pela guarda armada de Afonso Dhlakama.
Por seu turno, sabe-se, a Renamo acusa as Forças de Defesa e Segurança de terem atacado o seu presidente, versão, aliás, testemunhada por populares da zona de Zimpinga, local da segunda emboscada. A Renamo diz e acusa o governo moçambicano de ter e estar, através das Forças de Defesa e Segurança, continuamente
a tentar assassinar Afonso Dhlakama, actualmente em parte incerta.
“A Renamo vai solicitar a criação de uma comissão de inquérito para se deslocar à Manica para esclarecer o que de facto aconteceu nos dias 12 e 25 de Setembro de 2015”- anunciou José Carlos Cruz, relator da bancada parlamentar da Renamo. Entretanto, tal como aconteceu ontem com a proposta da moção de censura, é quase certo que a bancada parlamentar da Frelimo, gozando da sua maioria parlamentar, irá reprovar liminarmente o pedido.
“A informação não é verdadeira, esconde o facto de o governo usar as Forcas de Defesa e Segurança para perseguir e assassinar membros dos partidos políticos da oposição. A prova de que o governo está envolvido nestes ataques foi o facto de a Renamo durante os confrontos recolhido as armas das FDS, que o governo depois veio reclamar”- avançou Cruz.
O Movimento Democrático de Moçambique, que também queria a reprovação da informação do governo, disse que a comitiva chefiada pelo primeiroministro foi ao parlamento simplesmente para dizer nada, a exemplo da questão da gestão das empresas públicas e participadas.
Esta questão, acusa o MDM, “não foi explicada pelo governo”.



 (Ilódio Bata)

mediaFAX, 20.11.2015

Chefe de Estado trava desarmamento coercivo

  



















Tensão política


Com o diálogo político sus­penso e Afonso Dhlaka­ma em silêncio há mais de 40 dias, o Presidente da Repú­blica e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Seguran­ça de Moçambique, Filipe Nyusi, instruiu as Forças de Defesa e Se­gurança para uma maior ponde­ração no processo de desarma­mento compulsivo dos homens residuais da Renamo, o maior partido da oposição.
O estadista moçambicano lan­çou este desafio, ontem, no dis­trito da Moamba, província de Maputo, durante a cerimónia de apresentação dos graduados do curso de formação de guar­das penitenciários do Serviço Nacional Penitenciário (SER­NAP).
Na ocasião, Nyusi disse estar pronto e aberto para estabe­lecer, a qualquer momento, o diálogo com a Renamo e suas lideranças, bem como com ou­tras correntes da sociedade mo­çambicana.


 O País

FIFA congela fundos para Moçambique

O país futebolístico foi surpreendido na tarde de ontem, quinta-feira, pelo anúncio do congelamento das dotações financeiras do organismo máximo do futebol mundial, FIFA, devido a não justificação dos fundos disponibilizados para Moçambique em 2014.
MAPUTO - Segundo os enviados da FIFA, que ontem trabalharam na sede da Federação Moçambicana de Futebol, as contas apresentadas não conferem com os valores alocados, faltando documentos importantes que justificam a sua utilização.
Os elementos Da FIFA não acreditaram nos resultados da auditoria feita pela KPMG, requerendo uma auditoria internacional, de reconhecida competência para verificar todas as contas do exercício findo.
Segundo deram a conhecer, enquanto não resolver esta situação, o país não vai receber mais financiamentos daquela instituição, esclarecendo que a FMF tem neste momento 60 mil dólares na conta, que não devem ser utilizados, pois não serão libertados, enquanto decorrer o congestionamento.
Alberto Simango Júnior, presidente da FMF, deixou tudo em aberto, afirmando que não pode dizer encontrou dinheiro ou não nos cofres da FMF, pois está em curso uma auditoria que o seu elenco mandou fazer, para poder pronunciar-se com propriedade. Para ele é prematura avançar qualquer comentário acerca disso.






Folha de Maputo

Thursday, 19 November 2015

Esbanjar

Não me recordo de alguma vez ter visto alguém esbanjar tão rapidamente um importante capital de simpatia e confiança como esta a acontecer com Filipe Nyusi.
 O seu discurso de tomada de posse pareceu ser a abertura de uma janela de ar puro no pesado ambiente da fase final da presidência de Guebuza.
 O seu tom de humildade e o seu compromisso solene com a Paz deram-lhe o apoio de uma muito significativa camada dos moçambicanos.
 Mas, de duas uma: ou ele não percebeu que esse capital de popularidade lhe vinha de ele aparecer como um anti-Guebuza, e o discurso foram apenas lindas palavras para a sessão solene; ou então ele percebeu perfeitamente isso mas, uma vez chegado ao poder ja nao quis seguit aquele projecto, ou não o deixaram seguir.
 O homem que declarou que era capaz de se ajoelhar para conseguir a Paz e garantiu que nunca enviaria moçambicanos para fazer a Guerra a outros moçambicanos, afirma agora que é grande demais para negociar com intermediarios e esta a enviar polícias e militares atacar as bases da Renamo para desarmar, à força, os homens que la estao.E o resultado parece ser ja uma quantidade de mortos e feridos sem que haja notícias de quaisquer armas apreendidas nesses confrontos.
 Ao anunciar em Luanda que o seu o seu governo vai seguir o exemplo angolano no desarmamento da UNITA, Filipe Nyusi foi omisso no aspecto de que o desarmamento da UNITA comecou com apela morte de Jonas Savimbi. Mas se foi omisso nas palavras não o foi nos actos, do que são exemplos as duas emboscadas contra a comitiva de Dhlakama em Manica e o cerco e assalto à residência deste na Beira. Por muito que o senhor Basílio Monteiro tenha ido apresentar versões e desculpas esfarrapadas na Assembleia da República.
 Cada vez são mais as entidades que chamam a atenção de Filipe Nyusi para que a sua imagem publica se a deteriorar rapidamente a medida em que as suas prati cas entram em aberta contradição com as suas palavras.
 Os últimos, até ao momento, foram os bispos católicos no país.
 Resta saber se ele tem vontade para mudar esta realidade e, caso tenha, se os seus padrinhos políticos o deixam fazê-lo.
 Mas, entretanto, o tempo vai passando e o país vai-se afundando política, military e economicamente. E quem paga a factura são aqueles a quem Filipe Nyusi um dia chamou os seus únicos patrões.





 Machado da Graça, Savana 13-11-2015

Wednesday, 18 November 2015

Estrada que liga província moçambicana de Maputo e África do Sul vai ser ampliada



 O Governo moçambicano autorizou a concessionária da estrada que liga a província de Maputo, sul do país, à África do Sul, a ampliar a via, uma das mais movimentadas do país.
O Governo aprovou uma adenda ao contrato com a concessionária TRAC, permitindo à empresa realizar alterações no troço, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, citado hoje pela imprensa moçambicana.
"Com a adenda, pretende-se melhorar a estrada. Os aspetos que estão incluídos são de descongestionamento e melhoria do pavimento, para poder arcar com mais capacidade de carga", afirmou Saíde.
As obras vão incluir a retirada de moradores num dos trajetos da via, visando dar uma melhor resposta ao elevado nível de tráfego ao longo das seções 19 e 20, no troço entre o supermercado Shoprite, da Matola, e cruzamento com a estrada nacional número 1, acrescentou Mouzinho Saíde.
Citando estudos realizados pela concessionária, 19% de camiões que usaram a via, entre outubro de 2011 e março de 2012, tinham excesso de carga, contribuindo para a degradação do troço.
Ainda na sessão de terça-feira, o Conselho de Ministros moçambicano analisou o ritmo das obras de construção da ponte Maputo-Catembe, que liga as duas margens da baía de Maputo, assumindo que o empreiteiro já realizou 36% do projeto e a empreitada vai terminar em 2017.
A ponte tem uma extensão de 680 metros de comprimento e vai ligar a zona de "cimento" da capital moçambicana ao distrito municipal de Katembe, facilitando a interligação com outros distritos da província de Maputo.
A ponte irá funcionar com dois viadutos e está orçada 725 milhões de dólares (mais de 679 milhões de euros) e as obras estão a cargo do empreiteiro chinês Companhia Chinesa de Estradas e Pontes (CRBC, sigla em inglês).

 

Marco do correio

Olá, Alfredo
Como vai a tua saúde e da tua família? Do meu lado as coisas vão razoavelmente.
O mesmo já não posso dizer do país, infelizmente.
Quem nos prometeu paz a todo o custo lançou- -nos, mais uma vez, na guerra. Na internet circulam imagens de material militar pesado a ser descarregado no porto de Maputo à noite, às escondidas, e a seguir para o Centro e Norte do país.
Circula também um pequeno filme em que se podem ver muitas centenas de militares das forças governamentais a deslocarem-se, em fila indiana,
dos dois lados de uma estrada, infelizmente não identificada.
Parece claro que o diálogo que todos exigimos foi substituído pela atracção pelas armas, por uma solução militar, seguindo o exemplo (reconhecido como tal) de Angola.
Só que a situação política e militar de Moçambique e de Angola são completamente diferentes e o que resultou num sítio pode não resultar no outro e o tiro vir a sair pela culatra. O apoio popular à Renamo no Centro e Norte do país é muito grande e isso é o ingrediente fundamental para alimentar uma guerrilha com sucesso.
Depois vem a questão económica. Num país em que não há dinheiro para que todas as crianças estudem sentadas em carteiras, onde se vai buscar
dinheiro para a compra de quantidades enormes de armamento?
Recentemente o país foi bater à porta do Fundo Monetário Internacional pedindo um empréstimo de 250 milhões de dolares norte-americanos. Será
para comprar mais armas? Ou para pagar as que já foram compradas?
No meio disto tudo os barcos da EMATUM continuam parados e a apodrecer no cais de Maputo, sem qualquer rendimento para o país. O único movimento que se vê nesse assunto é a saída de quantias fabulosas do nosso Orçamento do Estado, anualmente, para pagar a gigantesca dívida assumida. Quem terá ganho com este negócio não custa
adivinhar. Quanto terá ganho é coisa que espero um dia iremos descobrir. Um dia que não se sabe quando será porque a actual Procuradoria-Geral
da República parece ainda não se ter apercebido de que aconteceu alguma coisa de errado nesta questão.
E eu diria que aqueles que nos empurraram para a grave crise económica são os mesmos que nos empurram agora para a guerra, com o único objectivo de continuarem a mamar nas tetas do Estado sem nunca serem chamados às suas responsabilidades.
Como vamos sair disto? Não sei. As soluções que eu proporia parecem ter sido totalmente afastadas por quem tem o poder de tomar decisões.
Mas não tenho grandes dúvidas de que vamos sair muito pior do que estamos agora, com muito luto e sofrimento misturados.
Esperemos que eu esteja enganado.

Um abraço para ti do

Machado da Graça
 Correio da manhã, 17/11/2015

Tuesday, 17 November 2015

Desmilitarizar a Renamo à força é um risco para a guerra generalizada



Entre os debates mais intensos que permeiam a sociedade actual, uma questão que não pode ser colocada em segundo plano certamente é a da desmilitarização dos homens armados da Renamo. Opinar sobre tão complexa matéria é seriamente um desafio, no entanto, enquanto cidadão, tenho o direito e especialmente o dever de me posicionar, sobretudo de um assunto quanto este, que é bastante recorrente na mídia nos últimos meses.
Antes de tudo, permitam-me dizer que sou apenas um estudante de Filosofia, escrevo este texto por iniciativa própria, motivado por testemunhos diários de pessoas próximas que me levam a convicção de que, como um candidato à filósofo, se calar-me perante um assunto como este, estar a aprender a filosofar, certamente não vale a pena. Mas se há lição que não vem nos livros de Filosofia, é matéria criminal, portanto, se estiver cometendo crime com este texto, entendam e perdoem a minha ignorância.
Através da minha pequena rádio ouvi dizer, na voz do dirigente máximo da Polícia da República de Moçambique, certamente sua excelência Comandante Geral, que iriam desmilitarizar a Renamo e, para esse fim, a força seria usada se necessário. A razão para este texto é um pedido de reconsideração, uma reconsideração que acho que deve ser urgente. Devo dizer, antes de mais nada, que nada tenho contra a desmilitarização da Renamo, nem de qualquer outro grupo ilegalmente armado. E concordo que é trabalho da polícia zelar pela ordem e tranquilidade pública, o que implica que é seu dever recolher toda arma em mãos alheias e, quem porta uma arma indevidamente sabe que está correndo um risco. Desmilitarizem pois, desmilitarizar qualquer grupo ilegalmente armado é um dever da Polícia. Mas por favor, não desmilitarizem à força, pelo menos, não à Renamo.
Em primeiro lugar, a meu ver, desmilitarizar significa tirar armas de quem está armado, neste caso, serão usadas armas para tirar armas, o que leva a crer que, apesar do líder da Renamo ter declarado nas “bandas de Chiveve”, na primeira acção dessa desmilitarização, que ele era“cristão” por isso não retaliaria, nada assegura que a Renamo vai simplesmente entregar as armas e as hostilidades acabarem, o que já é um facto, meu irmão que esta(va) nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, de apenas 21 anos sumiu desde que nos noticiou na última segunda-feira (09) que foi escalado para mais uma missão da desmilitarização da Renamo, não tivemos mais contacto com ele, quando digo meu irmão, não falo apenas do meu parente, estou a falar do primo do meu amigo que sumiu numa missão de desmilitarização na província de Tete, estou a falar do pai da esposa do meu docente que sumiu numa dessas missões na província de Manica, estou a falar do pai do meu afilhado de apenas 9 meses que certamente foi morto e, de muitos outros moçambicanos que a sua vida é interrompida por razões que desconhecem, mas que alguém pode parar, ordenando o fim das missões da desmilitarização coerciva da Renamo; sim, isso mesmo, o fim da desmilitarização coerciva, porque a desmilitarização da Renamo é preciso, mas não coerciva, e sim desmilitarização através de um diálogo para o entendimento.
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, os conceituados analistas políticos que defendem a necessidade da desmilitarização coerciva, com justificativa de que uma vez desmilitarizada a Renamo, alcançaremos a tão almejada paz e, consigo a tranquilidade e a segurança pública. Pergunto, não seria mais coerente incentivar o diálogo, nas suas diversas modalidades, ao invés de incitar a guerra na mais aceitável significação do termo? O diálogo é o melhor caminho para se chegar a paz, e não a desmilitarização, porque a paz não se traduz pelo calar das armas. Quantos exemplos de famílias podemos dar, que não vivem em paz, mas que nenhum dos integrantes possui arma sequer. O diálogo é tudo que precisamos para desmilitarizar a Renamo, não sendo bem-sucedidos como deveriam, as estratégias do diálogo, como em qualquer outra acção humana, devem evoluir novas formas de conscientização da Renamo para optar pelos caminhos que levem a paz.
Incentivar a desmilitarização da Renamo à força, além de constituir um claro descompromisso com a paz, atesta a incapacidade do Estado para resolver questões sérias e urgentes. A atitude mais sensata é sempre eliminar o problema em sua origem, em qualquer que seja a situação. Não podemos mais conceber, a essa altura, a recorrência a mecanismos imediatistas para sanar algo que poderia ter sido suprimido no passado.
Em uma última análise, não deixaria de apelar a paz a todos os moçambicanos e, mais uma vez dizer que a paz é o que mais interessa para a maioria dos moçambicanos, e pelo menos a mim importa que ela não seja conseguida na base de sacrifício de vida de pessoas inocentes, como aquelas que enumerei. A nossa vida social, digo de nós moçambicanos, já é precária mesmo sem guerra, pelo menos da maioria é, imaginem com uma guerra que estão implementando por causa de posições extremistas que tomam, justificando que a ela querem evitar.
Por fim, devo dizer que apesar de tudo, ainda acredito na instauração da paz definitiva em Moçambique, também porque gosto de pensar que estamos em paz, embora no país real a verdade seja contrária. Me agrada, não sei porquê, fingir que Moçambique está em Paz; sim, isso mesmo me dá certa tranquilidade, e a tranquilidade gera as esperanças que preciso para continuar a viver, mesmo ciente do grande risco que a vida dos meus compatriotas e a minha correm. Pois, enquanto ainda reinar tanta insensibilidade, me resta apenas seguir um conselho que um sábio homem deu-me: seja grande optimista porque só assim, terá o luxo que só os tolos e petizes gozam, estar indiferente diante do perigo.




Texto escrito por Franquelino Agneves B. Basso
Estudante do IV ano de Licenciatura em Filosofia


FONTE: Confidencial

Mobilização de forças armadas em Sofala provoca fuga das populações

 


Em Sofala, centro de Moçambique, reina um clima de medo no seio das populações devido às movimentações de homens armados da RENAMO e das forças de defesa e segurança governamentais.
Unruhen in Mosambik


   
 
Testemunhos escutados pela DW África, nas antigas zonas de conflito da Gorongosa e Muxungue, relatam novos confrontos militares ocorridos na semana passada.
A equipa de reportagem da DW África, observou no local, um reforço das tropas governamentais, motivo pelo qual as populações voltaram a refugiar-se nas vilas de Gorongosa e no posto administrativo de Muxungue.
No posto de Vunduzi constatou-se a presença notória de homens fortemente armados, tanto do exército moçambicano como elementos da RENAMO. Os populares confirmaram que na noite da última quinta-feira (12.11) se registaram novos confrontos perto da serra da Gorongosa. Facto que levou Mateus Pedro a abandonar a sua casa para se refugiar na vila. “As pesssoas estavam sentadas e de repente começaram a ouvir tiros. Entao saí do campo e fui buscar as filhas e mulher e levei-as para a vila de Gorongosa.
A outra vítima é Florinda Guiraze mãe de uma menor paralítica, que nas últimas duas semanas está sem-abrigo. Sem grandes opções, escolheu viver na segurança dos corredores do hospital rural de Gorongosa temendo novos ataques militares à sua comunidade: “Eu vivo aqui, durmo nesta varanda do hospital. Não tenho familia aqui na vila de Gorongosa” conta Florinda. “O meu outro filho morreu no último conflito armado. Preferi levar esta minha filha porque não podia correr com ela. Os outros estão com saúde por isso ficaram lá.”
A reportagem da DW Africa recolheu o testemunho de um casal que na manhã de sexta-feira (13.11), abandonou a sua casa para se refugiar em Muxungue. As nossas fontes confirmaram a entrada naquele povoado de carros militares das tropas governamentais e, pelo outro lado, homens armados da RENAMO bloquearam a circulação normal da população naquela região.
Especialistas dizem que o país não pode suportar nova Guerra
A agência de notícias Lusa refere-se a dois politólogos moçambicanos que mostram sinais de uma aposta "num confronto e numa solução militar", mantendo o país numa situação "crítica e delicada". Segundo contam à agência de noticias “há sinais que favorecem a leitura de que se aposta na solução militar. O acontecimento na Beira, os ataques às caravanas do líder da RENAMO e as movimentações de meios militares dão indicações nessa direção", afirmou João Pereira, professor de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Mas por outro lado, o académico acrescenta que a via militar, não poderá resolver a crise, pois a RENAMO e o seu braço armado contam com uma base social alargada, as forças de defesa e segurança não têm capacidade para derrotar uma guerrilha em todo o território e a situação económica do país não aguenta uma nova guerra por muito tempo. O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deve resolver rapidamente a situação, apostando no diálogo com a RENAMO, porque, nos próximos tempos, poderá ter de gerir uma situação social complicada, devido à tendência de aumento da inflação, retração dos investimentos e abrandamento da economia”, disse à agencia Lusa.
José Macuana, também docente de Ciência Política na UEM, refere-se à exigência da RENAMO de apenas aceitar o diálogo sob presença de mediadores internacionais,. O politólogo defende que esse tipo de intervenção não terá solução sem vontade política. "Podem chamar-se quantos mediadores quiserem, mas se não existir essa vontade, que é básica, não vai ajudar em nada, já se fez isso antes e não deu em nada", enfatizou.


Desconhece-se o paradeiro de Afonso Dhlakama
 
A tensão política em Moçambique tem-se agudizado desde que o Governo anunciou o desarmamento compulsivo do braço armado da RENAMO, a maior força política da oposição moçambicana.
Recorde-se que o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, continua a não ser visto em público desde o passado dia 09 de outubro, altura em que foi desarmada à força a sua guarda pessoal.



DW

Filha de Graça Machel espancada brutalmente até perder visão



Josina Machel , filha de Graça Machel e Samora Machel foi brutalmente espancada pelo namorado de nome Rofino até perder o seu olho esquerdo em Maputo no dia 17 de Outubro.
MAPUTO – A activista contra a violência doméstica, Josina Machel, acaba de denunciar que foi brutalmente espancada pelo seu namorado, o empresário Rufino Licuco.
Cenas de ciúmes é que estiveram na origem deste acto violento de Rufino, segundo revelou ao jornal Notícias, a vitima, que neste momento enfrenta uma deficiência visual, como resultado da violência.
Segundo a imprensa sul-africana, esta triste sina teve lugar no passado dia 17 de Outubro quando o casal (Josina Machel e Rufino Licuco), na companhia de amigos, deixaram uma casa de pastos onde se divertiam e seguiram até um hotel da praça para deixar seu hóspede. Portanto, porque é tradição a família Machel se reunir naquelas vésperas, pelo facto de Graça Machel (sua mãe) celebrar seu aniversário e em simultâneo celebrar-se o aniversário da morte do antigo Presidente da República de Moçambique, Samora Machel (seu pai), a vítima terá solicitado ao agressor que lhe deixasse na casa da mãe, onde iria passar a noite, acto que provocou ira ao empresário.
Nas suas próprias palavras, Josina ou simplesmente Jo, como é carinhosamente tratada, contou que seu companheiro mostrou uma ira que levantou uma discussão sem precedentes entre o casal que resultou em ofensas corporais voluntárias qualificadas à vitima.
“Ele deu-me socos na cara e atingiu-me no olho, e de repente comecei a sangrar muito, o que me fez abrir a porta do carro em busca de socorro, acabei tropeçando, caí e perdi os sentidos. Logo a seguir fui evacuada para um hospital local, onde se identificou um corte na retina, tendo me provocado cegueira no olho esquerdo” conta a vitima ao Notícias.[MCM]




Folha de Maputo

Monday, 16 November 2015

Analistas: Há sinais de aposta em solução militar para crise em Moçambique

Os últimos desenvolvimentos da crise política em Moçambique mostram sinais de uma aposta "num confronto e numa solução militar", mantendo o país numa situação "crítica e delicada", disseram à Lusa politólogos moçambicanos.

A incerteza em relação à estabilidade em Moçambique acentuou-se nas últimas semanas, depois de o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Afonso Dhlakama, ter-se remetido ao silêncio desde o dia 09 de outubro, na sequência do cerco, desarmamento e detenção, por algumas horas, da sua guarda, na sua residência na Beira, centro do país.
"Há sinais que favorecem a leitura de que se aposta na solução militar. O acontecimento na Beira, os ataques às caravanas do líder da Renamo e as movimentações de meios militares dão indicações nessa direção", afirmou João Pereira, professor de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
A via militar, assinalou o académico, não poderá resolver a crise, pois a Renamo e o seu braço armado contam com uma base social alargada, as forças de defesa e segurança não têm capacidade para derrotar uma guerrilha em todo o território e a situação económica do país não aguenta uma nova guerra por muito tempo.
"O 'Nó Górdio'" [operação militar do regime colonial português] não derrotou a guerrilha da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique], a Frelimo não venceu a Renamo durante os 16 anos de guerra civil e não me parece que consiga agora", frisou João Pereira.
Para o académico, há alas na Frelimo, partido no poder, que se sentem tentadas a enveredar pela via militar, porque se recusam a aceitar cedências à Renamo e por parte do movimento de oposição há setores que também entendem que este é o momento para ver as suas reivindicações acomodadas.
"A atual disputa tem mais um cariz patrimonial por parte de alas dos dois partidos - do lado da Frelimo, há interesse em manter privilégios e do lado da Renamo em ascender aos benefícios dos recursos", destacou.
Na opinião do politólogo, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deve resolver rapidamente a situação, apostando no diálogo com a Renamo, porque, nos próximos tempos, poderá ter de gerir uma situação social complicada, devido à tendência de aumento da inflação, retração dos investimentos e abrandamento da economia.
Por seu turno, José Macuana, também docente de Ciência Política na UEM, defende que os recentes acontecimentos apontam para uma aposta no "confronto" e contradizem as declarações de compromisso com a paz dos principais líderes políticos.
"É um momento crítico em termos de estabilidade e, acima de tudo, em termos da ambiguidade com que este assunto está a ser visto pelos atores envolvidos, porque dizem que vai haver um diálogo e depois dizem que não se encontram para poderem conversar", apontou.
O académico referia-se às declarações na semana passada de Nyuso de que está disponível para conversar com Dhlakama, mas não o encontra.
"Parece faltar um rumo claro sob o ponto de vista de solução da crise, não se está a fazer a política num sentido benigno do termo, porque eu assumo que a política é uma forma de resolver problemas, porque se não fosse, iriamos pelo lado técnico", acrescentou Macuana.
Sobre a exigência da Renamo de apenas aceitar o diálogo sob presença de mediadores internacionais, o politólogo defende que esse tipo de intervenção não será solução sem vontade política.
"Podem chamar-se quantos mediadores quiserem, mas se não existir essa vontade, que é básica, não vai ajudar em nada, já se fez isso antes e não deu em nada", enfatizou.
Entre setembro registaram-se dois incidentes entre a guarda de Dhlakama e as forças de defesa e segurança em Manica, a que se somou cerco à sua residência na Beira a 09 de outubro.
Ainda no quadro da atual crise, têm sido reportados confrontos nos distritos de Tsangano, província de Tete, Gorongosa, província de Sofala, e Morrumbala, província da Zambézia, centro do país.





Fonte: Notícias Sapo – 14.11.2015

Saturday, 14 November 2015

Je suis Paris


Guerra como prioridade !



EDITORIAL
Começa a ficar claro que as emboscadas de Setembro contra o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, e o negativo e perigoso episódio de 8 de Outubro, ali no Bairro das Palmeiras na cidade da Beira, não foram eventos isolados. Agora parece também claro que todos estes eventos não foram o corolário de posições desconcertantes e difusas, como os alegados mediadores quiseram dar a entender.
Está agora claro que foram ensaios ou testes da reacção popular e dos grupos de pressão para se ter uma ideia de qual seria o efeito público de um anúncio que culminaria com a ilegalização da Renamo armada.
E parece-nos que a reacção apática quase generalizada dos diferentes sectores da opinião pública conferiu algum sentido de coragem ao Governo para assumir publicamente um plano de aniquilamento da Renamo.
O anúncio feito pelo ministro do Interior, Basílio Monteiro, na Assembleia da República – depois dos trágicos episódios de Morrumbala (Zambézia) e Tsangano (Tete) –, segundo o qual, “este processo [recolha de armas] vai prosseguir até que a última arma, em mãos não autorizadas, seja recolhida coercivamente ou entregue voluntariamente ao seu legítimo depositário, as Forças de Defesa e Segurança”, tratou de clarificar as águas.
As declarações de Basílio Monteiro já vinham sendo reproduzidas pelo pouco polido comandante-geral da Polícia, Jorge Khálau, nas suas várias intervenções públicas.
Por outras palavras, a abordagem da violência é mesmo oficial, e a arrogância e o sentimento de que “tudo podemos” suplantou o bom senso, e ninguém, pelos vistos, está disponível para emprestar os neurónios para equacionar no caos decorrente desta postura e solução.
Certamente que o leitor deverá estar recordado de que dissemos aqui, neste mesmo espaço, que o silêncio de Filipe Nyusi perante todas as atrocidades das Forças de Defesa e Segurança era indicador de concordância tácita. Anotámos aqui, neste mesmo espaço, que Nyusi estava a comercializar, através da sua propaganda, uma alegada impotência perante acções levadas a cabo pela suposta ala radical.
Quando nos referimos a este particular, colocámos esta hipótese como nula, visto que não acreditávamos que Nyusi, com todos os poderes discricionários constitucionalmente ao seu dispor, poderia estar a ser usado para acções de violência criminosa.
Na segunda-feira, ficou claro que tínhamos razão. O rosto que não se via bem nesta fotografia de acções incoerentes, que de forma grave arrastam o país para o caos, é mesmo o de Filipe Nyusi. Agora ficou mais claro. Nyusi foi, na segunda-feira, ao parlamento angolano informar que aprecia o método usado pelas autoridades angolanas de eliminar fisicamente o então presidente do maior partido da oposição, Jonas Savimbi, naquilo que agora é considerado como “solução angolana”.
Em discurso aos deputados da Assembleia Nacional de Angola, esmagadoramente dominada pelo MPLA (partido no poder), Filipe Nyusi disse o seguinte: “O povo angolano encontrou a forma certa para a coexistência pacífica entre as várias formações políticas. Uma fórmula que consegue manter as formações políticas não-armadas. Acreditamos que essa experiência será explorada”, disse Nyusi, ficando claro o objectivo da sua visita a Angola.
Como se pode depreender, num só parágrafo Nyusi esclareceu um bom par de situações, ao alinhar como apreciador da inexistente democracia angolana e a forma como foi imposta aos angolanos. Nesta única disposição frásica Nyusi esclareceu que:
1. Sempre esteve a par das sucessivas tentativas de assassinato do presidente da Renamo e ciente do caos e desgraça que tais tentativas causaram em várias famílias.
2. Que Nyusi não é nenhum inocente nem parvo, qual imagem fraudulenta que nos tentou vender por via da sua propaganda.
3. Que Nyusi não acredita em soluções pacíficas como o diálogo para aproximação de diferenças.
4. Que os nossos concidadãos, filhos e pais que estão a tombar nestas confrontações e a desgraça daí decorrente não são suficientes para inspirar uma saída mais racional e menos sangrenta e fracturante da sociedade.
É curioso que Nyusi saúde o regime angolano como exemplo de convivência e coexistência democrática.
Isso é mentira. É em Angola onde estão detidos 15 jovens pelo simples factos de se terem reunido e lerem um livro. Foram alistados como terroristas e com adereço de perigosos.
Até as acusações contra aqueles pobres jovens tiveram de ser falsificadas, para conferir legalidade a actos ilegais. Portanto, a Angola que Nyusi saúda é a mesma que está contra os seus próprios cidadãos. Até vão a igrejas em vigílias, a Polícia com cães e material de guerra, para vandalizar as reuniões. É essa Angola, que está na boca do povo pelas piores razões, que vai servir de modelo a Maputo.
Mas como vale tudo nesta empreitada de busca de legitimidade para actos ilegais e criminosos, até Angola dá jeito. Mas cumpre-nos informar ao senhor Nyusi que o problema deste país não são as armas da Renamo, é a pobreza, a exclusão, a corrupção, o nepotismo, que faz os irmãos da esposa tornarem-se ministros, e filhas dos amigos tornarem-se vice-ministras. É isto que danifica este país, e é o que faz de Angola hoje um dos piores lugares para se viver. É claro que é inconcebível que numa democracia haja partidos armados, mas a questão é: temos cá uma democracia? Chega de falsos argumentos para camuflar a realidade.
Não são os homens armados da Renamo que endividaram o país com Ematuns e convidaram o FMI, tal como em Angola não são os 15 jovens que entregam as riquezas do país às filhas como herança. A falta de uma visão nacional republicana e a predisposição para a destruição é, em termos de prioridade, o nosso problema maior. É aqui onde temos de investir tempo e intelecto. O resto é coreografia da máfia para ludibriar incautos.



(Canal de Moçambique)
CANALMOZ – 13.11.2015




FONTE : Moçambique para todos

Friday, 13 November 2015

Guerra com balas e palavras mantém-se e com Nyusi e Dhlakama desencontrados, a paz continua utopia



Não são apenas os discursos políticos que são “incoerentes” e vão em direcção contrária aos apelos de paz, conforme sugerem os bispos católicos, o Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, não se falam, há tempo, e o silêncio agudizou-se depois do cerco e desarme dos segurança de Dhlakama, na manhã de 09 de Outubro passado, na cidade da Beira. António Muchanga, porta-voz do maior partido da oposição, disse ao @Verdade que após três emboscadas consecutivas premeditadas contra o seu líder, “uma pessoa sensata” não voltaria a confiar no Governo, fica claro que “não há nenhuma agenda para negociar a paz” e para tal “não é preciso” que as duas partes se encontrem sem que haja nada de concreto a tratar.
Aos bispos católicos, que manifestaram a sua indignação pelo facto de a situação político-militar estar “em contínua deterioração e do clamor do povo” se traduzir “em deslocados (...), perante o risco de perder a vida (...)”, e afirmaram deplorar “a incoerência entre o que se diz e o faz (...)”, o Presidente da República, disse: “Eu quero falar com Dhlakama. Não está a ser possível. Ele usa intermediários. Mas quero aqui dizer que a experiência mostra que foram muito produtivos os contactos com Dhlakama. Em duas horas, no primeiro dia, e uma hora, do segundo dia, conseguimos desbloquear alguns problemas. Ele não aceitava que os membros da Renamo tomassem posse na Assembleia da República, mas conseguimos convencer-lhes para prepararem a documentação e tomarem posse”.
Em contacto telefónico com a nossa Reportagem, reagindo a estas declarações, António Muchanga considerou que das vezes que o Chefe de Estado manteve contacto com Dhlakama este sempre esteve disponível, pelo que não se percebe a que impossibilidade Nyusi se refere. O porta-voz da Renamo sugeriu que a ser verdade que o Alto Magistrado da Nação não consegue falar com o “pai da Democracia”, ele pode recorrer às mesmas vias [cartas] usadas para a marcação do terceiro encontro, o qual não se materializou por alegada falta de “agenda concreta”.
Dos mediadores políticos, ora em recesso, nada se ouve a respeito deste clima de cortar à faca. Aliás, desde o propalado e fracasso encontro, nem o Executivo, tão-pouco a “Perdiz” e muito menos os mediadores colocaram o povo a par do ponto de situação desta reunião. Não se sabe o que correu bem ou mal. O que é certo é que as declarações das partes são palavras com poucas acções concretas.
Enquanto Nyusi acredita que “falando é muito mais fácil. Estou a fazer esforço para falar com ele mais uma vez e não estou a conseguir”, Muchanga entende que “ara negociar a paz não é preciso que o presidente Dhlakama esteja com o Presidente Nyusi. Quando se negociou o Acordo Geral de Paz, Joaquim Chissano não se encontrou logo com o líder da Renamo. Isso aconteceu quando havia uma coisa concreta para fazer. (...) Foi assim também com Armando Guebuza”, a 05 de Setembro de 2014. “Esta forma de governar” é própria do Chefe de Estado, pois acha que quem deve “fazer tudo é ele (...)”.
Num outro desenvolvimento, Muchanga deixou transparecer que o líder do seu partido está desiludido pelo facto de ter sido atacado duas vezes em Setembro e encurralado na Beira.“A questão de fundo, agora, é que depois daquilo aconteceu nos dias 12 e 25 de Setembro, o que o presidente Dhlakama tinha perdoado, acho que uma pessoa sensata consegue ver que não há nenhuma agenda para negociar a paz”.
“Quem nos encorajou a ir buscar o presidente Dhlakama [nas matas em Gorongosa], foi a Presidência da República”, a qual nos indicou “Pacheco como a pessoa que devia trabalhar connosco. Foi a Presidência da República que disse que não queria o envolvimento de entidades estrangeiras”, mas, sim, devia-se optar por “mediadores nacionais e era a condição para eles colaborarem connosco, e cumprimos. Depois fizeram aquela brincadeira [cerco e desarme na Beira]que não tem nome”, afirmou Muchanga.
A última aparição pública de Dhlakama foi a 09 de Outubro, altura em que confirmou a entrega de 17 armas aos mediadores do processo de diálogo entre o Governo e a Renamo. De lá para cá, os comícios caracterizados por banhos de multidão cessaram e Dhlakama, aparentemente em blackout, já nem fala à Imprensa.
Todavia, apesar das declarações fatigantes e inúteis, de que “não há guerra, não há confusão”, da parte da “Perdiz” e do Governo, o que não passa de palavras com poucas obras para o sossego dos moçambicanos que vivem correndo de uma banda a outra, os confrontos militares prevalecem. Por conseguinte, há relatos de milhares de crianças que já não frequentam a escola e estas encerraram em virtude da ameaça pela presença de supostos homens armados da Renamo em algumas comunidades das províncias de Manica e Tete.
António Muchanga disse ao nosso jornal que os mediadores do extinto diálogo político entre o Executivo e a Renamo não oferecem mais condições para continuarem no processo, até porque, aquando do decurso das rondas negociais no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, eles próprios admitiram que não estavam a conseguir “desencalhar” a situação.
O Chefe de Estado é contra a presença de outros países no diálogo político, por achar que “este é um assunto que poder ser resolvido dentro de casa. É uma conversa de quarto. Não vejo motivo de se escolher um país para resolver isso. Estou a fazer tudo para ter o diálogo”.
Porém, o porta-voz da Renamo considera que “quando morrem pessoas o assunto deixa de ser doméstico. Não envolvemos a comunidade internacional porque eles [o Executivo] disseram que não queriam. Não queremos voltar a correr esse risco [ataque a Dhlakama]. O mais importante agora são as negociações políticas com pessoas sérias envolvidas. Deve haver coerência no discurso e na acção a partir do próprio Presidente da República e dos seus ministros (...)”.
Ainda no encontro com os bispos católicos, o Chefe de Estado voltou a frisar que quase todos já disseram “o que está mal”, o que qualquer pessoa poder dizer, incluindo ele próprio; contudo, ninguém até aqui indicou uma solução prática e benéfica para resolver o problema. A instabilidade em Moçambique não é apenas um mal criado pela Renamo ou pelo Governo, “É um problema de pobreza” e que vai prevalecer “enquanto nós tivermos gente que não tem comida e saúde”. As desigualdades sociais, económicas e políticas “são enormes no nosso país. Isso é uma verdade”.



 Emildo Sambo, A Verdade

Thursday, 12 November 2015

António Muchanga: “Moçambique está em guerra e precisa de mediação internacional”


Moçambique vive momentos de incerteza com o espetro do regresso à guerra depois de se terem registado confrontos entre militantes da Renamo e as forças de segurança leais ao governo. O governo prometeu desarmar à força, se necessário, o principal partido da oposição. A Renamo exige governar em várias regiões do centro face ao que diz ter sido vitória eleitoral. Garante que o escrutínio do ano passado foi fraudulento.
A Euronews entrevistou o porta-voz da Renamo, António Muchanga (Pode escutar a entrevista completa em audio se “clicar” no “vídeo” em cima).
Michel Santos, Euronews: Boa tarde, Dr. António Muchanga. O que está acontecer em Moçambique? O país não aprendeu com a trágica guerra que fez milhões de mortos e refugiados?
António Muchanga, Renamo: O que está acontecer são desentendimentos políticos. A primeira questão é que o governo tem protelado a integração de elementos da Renamo nas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FDS). Não está a cumprir o que está plasmado. Há elementos da Renamo que têm armas e que esperam receber o estatuto de polícia desde 1992. Até hoje, o governo nunca se mostrou disponível para integrar estas pessoas. Tivemos problemas em 2013 e 2014, assinou-se um acordo que preconiza que os elementos da Renamo devem integrar as FDS, nomeadamente a polícia e o exército, mas o governo quer integrá-los como quaisquer pessoas. A Renamo, por seu lado, pensa que elementos devem partilhar a direção, a chefia e o comando das FDS, porque também somos moçambicanos. Este é o grande desentendimento. E o governo está a atacar os locais de concentração das pessoas que esperam a sua integração.
Michel Santos, Euronews: Em relação às eleições, vocês continuam a contestar as eleições?
António Muchanga, Renamo: As eleições foram contestadas e nós avançámos com uma proposta que pensamos que também pode ajudar o país, na descentralização do poder, alterando a lei e criando condições para que o partido que ganhar determinados círculos eleitorais governe essa região. Temos esse modelo na África do Sul. Províncias são governadas pelo ANC e há outras dirigidas pelos partidos da oposição. Há relutância por parte do governo em aceitar essa proposta.
Michel Santos, Euronews: E vocês ganharam as eleições nessas regiões?
António Muchanga, Renamo: A premissa é essa. Moçambique está dividido em círculos eleitorais. O nosso partido, o nosso candidato ganhou as eleições em Sofala, Nampula, Zambézia, Tete, Niassa e Manica.
Michel Santos, Euronews: Há cerca de um mês o líder da Renamo foi cercado na sua casa na Beira e mesmo antes terá sido alvo de emboscadas. O que aconteceu de facto?
António Muchanga, Renamo: O presidente foi alvo de uma emboscada no dia 12 de setembro. Houve um ataque à sua comitiva. Graças a deus ninguém foi atingido mas houve danos materiais nas viaturas. No dia 25 de setembro, por volta das onze horas foi novamente atacado. Houve confrontos com a guarda do presidente e os atacantes perderam três armas.
Michel Santos, Euronews: E houve baixas? Mortos ou feridos?
António Muchanga, Renamo: Houve muitos mortos e feridos.
Michel Santos, Euronews: Consegue quantificar o número de baixas?
António Muchanga, Renamo: Não consigo porque não estive no local.
Michel Santos, Euronews: E depois houve o cerco…
António Muchanga, Renamo: Fomos buscar o presidente Dhlakama. Chegámos à Beira às 22h. Por volta das 6h do dia seguinte já estava cercado. Disseram que vinham buscar as armas que perderam no dia 25. Nomeadamente, uma metralhadora MGG, uma AKM e uma bazuca. Depois de serem entregues essas armas, disseram que precisavam de todas as armas, aquelas que os elementos de segurança do presidente estavam a usar. Achamos que foi uma atitude pouco dignificante e só contribuiu para criar ruturas. A situação ficou clara, não se pode confiar nessas pessoas, razão pela qual achamos que para podermos trazer tranquilidade a todos os moçambicanos, mais do que nunca a comunidade internacional tem que se envolver nas mediações. A Igreja Católica, sendo uma instituição que demonstrou ter experiência na ajuda para encontrar a paz em 1992 tem que ser envolvida nas negociações e partirmos para negociações sérias. O outro lado diz que não é preciso envolver a estrangeiros, mas nós pensamos que quando as pessoas morrem deixa de ser um assunto doméstico.
Michel Santos, Euronews: Quando fala na mediação internacional, está a referir-se a alguma entidade em concreto?
António Muchanga, Renamo: Estamos a falar da ONU, estamos a falar da própria União Europeia, estamos a falar da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), estamos a falar da União Africana. Estamos a falar dos próprios governos de reconhecido mérito que nos podem ajudar. Conforme viu no passado, o governo italiano ajudou-nos muito. Acreditamos que se a Grã-Bretanha, a África do Sul, os Estados Unidos se envolverem, entre outros países com reconhecido mérito nas negociações de aproximação, nós podemos rapidamente encontrar uma solução para o nosso problema.
Michel Santos, Euronews: Entre todos esses países não falou de Portugal. Confia em Portugal para poder ajudar?
António Muchanga, Renamo: Portugal faz partido da UE, Portugal tem relações históricas connosco. Quando falo de União Europeia, Portugal está inserido.
Michel Santos, Euronews: Mas gostaria da mediação ao nível de Bruxelas ou de Lisboa?
António Muchanga, Renamo: Nós pensamos que se for ao nível da União Europeia, ou das Nações Unidas fica melhor. Não havendo essa possibilidade, os governos de alguns países podem ajudar a encontrarmos uma solução.
Michel Santos, Euronews: Regressando ao cerco da casa do líder da Renamo. Dhlakama saiu de um local desconhecido para se encontrar com alegados mediadores para estabelecer um diálogo com o Presidente de Moçambique, Filipe Niusy. É verdade?
António Muchanga, Renamo: Quando pedimos para a comunidade internacional nos acompanhar, a resposta que tivemos foi de que o governo não queria envolvimento da comunidade internacional. Eu próprio estive no grupo de negociadores e a resposta foi: se a comunidade internacional envolver-se, o governo retirar-se-á e não se responsabilizará por aquilo que possa acontecer.
Michel Santos, Euronews: Foi apontada alguma razão para não quererem a comunidade internacional?
António Muchanga, Renamo: Apontaram a razão de que o assunto era doméstico. Mas depois percebemos que queriam fazer a vergonha que fizeram no dia 9 de outubro [cerco a Dhlakama]. Não queriam que comunidade internacional testemunhasse isso.
Michel Santos, Euronews: Acha que o governo está disponível para dialogar?
António Muchanga, Renamo: Não sei se está disponível, mas se está disponível, tem que demonstrar isso com atos concretos. Nós queremos avançar para um processo de negociações, testemunhado por pessoas relevantes como é o caso dos países que referi, os organismos internacionais que enumerei, com o envolvimento da Igreja Católica, como entidade respeitada no mundo.
Michel Santos, Euronews: Quantas tentativas já foram feitas para estabelecer o diálogo entre a Renamo e o Governo?
António Muchanga, Renamo: Neste momento há troca de correspondência. Nos escrevemos uma carta à Igreja e houve interesse. No domingo (8 novembro) a igreja esteve na presidência e apresentou propostas. Nós entendemos que a igreja apresentou soluções. Lamentavelmente há quem ache que a igreja não apresentou propostas. A igreja apresentou soluções porque pediu o fim do derramamento de sangue. Não podemos continuar a lutar, é preciso parar com a guerra e negociar, negociações credíveis. A igreja demonstrou disponibilidade, a outra parte não respondeu.
Michel Santos, Euronews: Receia que Moçambique entre novamente em guerra?
António Muchanga, Renamo: Moçambique está em guerra, só que é uma guerra de baixa intensidade, porque todos os dias são relatados confrontos entre as FDS e elementos da Renamo que aguardam a integração nasFDS.
Michel Santos, Euronews: Há alguma informação relevante que gostaria de partilhar connosco?
António Muchanga, Renamo: Mais uma vez apelo à seriedade, este é o nosso país. Todos precisamos de trabalhar para o país. Ninguém é moçambicano de primeira, de segunda, de terceira ou quarta categoria.



A crise que se avizinha

 


Pela primeira vez em dez anos, o governo de Moçambique foi bater à porta do Fundo Monetário Internacional (FMI) para pedir um empréstimo de 286 milhões de dólares, que deverá ser autorizado quando o Conselho Executivo daquela instituição financeira internacional se reunir em meados de Dezembro.
O pedido deste empréstimo é um indicador claro do quão stressada se encontra a economia moçambicana, numa altura em que uma das três principais agências de anotação financeira, a Fitch, acaba de baixar a classificação de Moçambique de B+ para B.
Ao atribuir esta nota, a Fitch acrescenta que o quadro fiscal do país “deteriorou-se de forma acentuada no decurso do último ano, reflectindo elevados défices orçamentais, um rápido crescimento da dívida pública, volatilidade de receitas e um crescimento da factura salarial”.
No contexto das discussões realizadas em Outubro entre o governo moçambicano e uma missão do FMI, esta prevê que o crescimento económico do país se situe em 6,3 por cento em 2015, passando para cerca de 6,5 em 2016. Estes dados contrariam o objectivo traçado pelo governo, que previa um crescimento económico de 7,5 por cento para o presente ano.
Embora a missão do FMI considere que a actividade económica em Moçambique se mantenha sólida e a inflação baixa em cerca de 2 por cento, esta deverá acelerar para 5-6 por cento “nos próximos meses devido à recente depreciação do Metical e aos necessários ajustes nos preços administrados”.
“Preços administrados” aqui devem ser entendidos como sendo preços controlados pelo governo em sectores chave tais como combustíveis, energia, transportes e bens alimentares básicos. Por outras palavras, o FMI prevê, em função dos entendimentos alcançados com o governo, que os preços destes bens deverão ser objecto de um ajustamento.
Seria bom se este ajustamento fosse no sentido de redução dos preços. Mas na realidade, quando se fala de ajuste, o entendimento é que dentro das próximas semanas começará a notar-se uma tendência progressiva dos preços, com o efeito de tal vir a corroer ainda mais os já pobres rendimentos da maioria dos cidadãos.
O FMI considera que os desafios económicos de Moçambique a curto prazo “tornaram-se mais complexos”, uma vez que tal como outros países da região o país está a ser vítima de “choques externos” associados, em parte, com a baixa no preço de matérias-primas e atraso nos investimentos relacionados com grandes projectos de exploração de recursos naturais, nomeadamente gás e carvão.
Nota ainda que as importações continuam a crescer, embora as exportações tenham estagnado. Isto, associado a um substancial declínio no fluxo de capitais para o país, tem resultado numa pressão sobre o mercado cambial, conduzindo a uma acentuada desvalorização do Metical.
Geralmente, o FMI evita debruçar-se sobre questões políticas e de governação interna nos países onde intervém. Mas a actual crise económica em Moçambique não é apenas uma questão técnica.
Ela resulta em parte de decisões políticas com fortes implicações no desempenho da economia.
Temos de nos lembrar, por exemplo, que uma decisão política, resultante das negociações entre o governo e a Renamo, determinou uma composição partidarizada dos órgãos de administração eleitoral, de cujas implicações o Tesouro hoje se ressente.
O galopante endividamento a que o país se sujeitou nos últimos anos, mesmo que em alguns casos se destinasse à edificação de infra-estruturas económicas importantes para o desenvolvimento, não pode estar dissociado da crise que actualmente nos abala. As consequências das avultadas dívidas contraídas em países como a China, algumas delas de qualidade duvidosa, estão a ter agora as suas repercussões.
Devemos estar preparados para enfrentar as consequências políticas, económicas e sociais que como resultado desta crise se avizinham.


Editorial do Savana de 06-11-2015