Thursday, 23 January 2014

Conselho Constitucional anula votação de Gurué

Maputo (Canalmoz) - O Conselho Constitucional acaba de anular a votação no município de Gurué, onde houve troca de resultados a favor da Frelimo e seu candidato Jahanguir Jossub.
O MDM contestou os resultados, defendendo que o seu candidato, António Janeiro teria vencido as eleições. A contagem paralela dos observadores e do próprio MDM deram vitória ao partido de Daviz Simango e ao seu candidato. Mas no processo de somatório dos editais a CNE/STAE trocaram os resultados a favor da Frelimo.
O Conselho Constitucional julgou improcedente a reclamação do MDM tendo optado por anular a votação que deverá ser repetida.

.Guebuzismo: desde o “apartheid”até ao colonialismo

O guebuzismo fez ressurgir, a discriminação racial, um tipo de “apartheid”, fundado num sistema de castas raciais, mais pelo determinismo social e político, como acontece na Coreia do Norte. Tal é manifestado nas seguintes categorias raciais: os moçambicanos de gema, os goeses, os expatriados, os tribalistas e os párias.
Os moçambicanos de gema, por contraposição aos goeses, são os negros. Estes constituem a classe dominante.
Na procura do lançamento de um nacionalismo negro, o guebuzismo cunhou de goeses a uma determinada elite que na primeira república era mais chegada ao presidente Samora Machel e hoje é crítica aos métodos de governação de Armando Guebuza. São indivíduos de primeira linha da Frente de Libertação de Moçambique, comprometidos com o ser africano e a Negritude. Estes indivíduos, agora expurgados, têm reminiscências raciais africanas, asiáticas e europeias.
Na lógica dos porta-vozes do regime, os expatriados são jornalistas independentes tidos como portadores de uma segunda pátria ou que não se deixam arregimentar. São implicitamente os moçambicanos de origem europeia e africanos com uma atitude de cidadania marcadamente universais e que se notabilizam por uma atitude crítica e distanciada da governação de Guebuza. No advento da independência assumiram a cidadania moçambicana e engajaram-se em todos os processos/frentes da revolução.
Com a emergência do liberalismo económico e da corrupção adoptaram uma atitude social em função da realidade. São os considerados detractores e hostis ao regime do dia, pois mantém a luz do dia, aquilo que foi o conto de fadas da Frelimo: libertar a terra da opressão e do colonialismo, criação de uma sociedade de bem-estar comum, um Estado social a exemplo da União Soviética.
Alguns hoje tidos como expatriados eram também intelectuais da primeira linha de Samora Machel, a quem os novos ideólogos da Frelimo imputam as falhas e descalabros cometidos pelo dirigente da primeira república.
Os tribalistas são fundamentalmente os nacionais que se distanciaram da Frelimo e encarnam outro conceito de progresso e nacionalismo. São os cidadãos das cidades da Beira, e Quelimane, segundo disse recentemente um dos corifeus do regime, porque votam no MDM. Contam-se neste grupo descendentes dos que combateram o marxismo-leninismo e a ditadura em Moçambique mais os excluídos da nova aristocracia e burguesia nacional. Contam-se também como tribalistas aqueles cujo pensamento nacionalista não vai de acordo com o dogma do regime.
Os párias do sistema são os cidadãos que exercem assumidamente a cidadania, quer através de partidos de oposição, quer através do activismo em organizações da sociedade civil. São os que o sistema não conseguiu capturar, incluso mais de cinquenta por cento de cidadãos com idade eleitoral que não vota em virtude de descrédito dos órgãos eleitorais.
São os tidos como cidadãos financiados com fundos estrangeiros para desestabilizar o poder do “Filho Mais Querido do Povo”, termo que textualiza com “Querido Líder”, como é apanágio do regime norte-coreano tratar Kim Jong I, no nosso caso o Presidente da República.
Os goeses, os expatriados, os tribalistas e párias são os considerados detractores do regime e por isso alvos da purga do regime, quer a partir do aparato militar, quer a partir dos órgãos judiciais.


Como funciona o “apartheid” moçambicano?
 

A primeira casta é a dos leais, coincidentemente o mesmo género adoptado pela Coreia do Norte. Dela fazem parte os mais próximos ao Guebuza, aqueles que evocam e exaltam o nacionalismo económico moçambicano (analogia implícita a uma elite económica negra/de gema/genuína). Aqui cabem os filhos de Guebuza e dos combatentes da luta de libertação entre si unidos, em diferentes alianças e conexões empresariais. Inclui-se o círculo restrito do poder, a chamada linha dura do actual regime e mais todos os entusiastas do presidente da República e da Frelimo. Desta casta também fazem parte aqueles que buscam pela salvação económica e temem o ostracismo (directores, ministros, governadores, secretários dos bairros, administradores, chefes dos postos e secretários permanentes) e parte dos cerca de duzentos mil funcionários públicos que não têm outra forma de sobrevivência e não têm como se livrarem das amarras de O Glorioso. Aqui cabem ainda os juízes dos tribunais judiciais, administrativos e aduaneiros, conselhos superiores de comunicação social e magistratura, reitores de universidades públicas, PCAs de todas as empresas públicas e entidades eleitorais.
Os expatriados, goeses e apelidados tribalistas têm pouca possibilidade de progredir na vida económica. Os leais são os que dentro da aristocracia têm sangre azul. Têm mais hipótese de mobilidade até escala mais alta da aristocracia/oligarquia/establishment, diferentemente de um mero cidadão comum. Por exemplo, um cidadão, que esteve desempregado durante três anos, depois de arregimentar-se de forma aberta, foi promovido a director de informação num órgão de comunicação social e obteve licença de exploração mineira.
Qualquer crítica fora da classe leal que puser em causa a forma de direcção do país, da governação de Guebuza e do partido no poder, estuda-se o autor. Se for de um goês, um indivíduo conotado tribalista ou um expatriado é alvo imediato.
Logo é para ser abatido na imprensa pública (TVM, RM). Aqui só têm direito à opinião os leais ao regime, nomeadamente os acólitos do regime, e todo aquele que, temendo o ostracismo, pense dentro da linha do regime do dia, através de hossanas ao também apelidado de Visionário, Clarividente e Generoso (termos com que se pretende elevá-lo à qualidade de Guia Espiritual).
Se alguma crítica despir a qualidade sacro-santa do “Guia Espiritual”, os acólitos de regime ensaiam a preparação da cama do autor, a começar pela TVM, RM, depois via Conselho Superior de Comunicação Social. Em última instância o articulista é processado pela Procuradoria da República.
Num país onde milhares de queixas-crime apodrecem nos cartórios das instâncias judiciais, o processo do expatriado é julgado com celeridade.
O caso Nuno Castelo-Branco, acusado de ofender o “Querido Líder”, é disso um exemplo.
Na situação em que numa publicação os leais (Sargento Aposentado, Silvestre Nhungo e Jorge Xiyahimassiku) da aristocracia ofendem um indivíduo que não seja de gema, o pedido de desculpa deste (ofendido) é ignorado. O caso Sérgio Vieira é disso exemplo.
Um dos acólitos do regime, cliente do Correio da Manhã, atribuiu parte de responsabilidades dos descalabros de Samora ao jornalista Fernando Veloso, com tons racistas, mas o CSCS faz vistas grossas.
O “apartheid” introduzido por este regime em Moçambique têm alicerces no método do controlo social do regime totalitário da Coreia do Norte.
Tem uma componente mais elaborada e intrusa, o que é feito na vida social e mormente através de escuta dos telemóveis e policiamento social, incluso nas redes sociais onde os acólitos lançam pedidos de amizade imbuídos de má fé.
A instrução do processo-crime contra Castelo-Branco é também mais uma forma de fazer-se ao controlo de um cidadão nacional através deste clássico método de ‘apartheid’.
A pressão sobre o poder judicial tem em vista a satisfação da expectativa de alguns moçambicanos de “gema”, que pretendem ver reposto o seu orgulho ferido, através de linchamento da “imprensa expatriada”.
No cenário político actual não se reconhece nenhuma integridade ao tribunal O tribunal que está a julgar este processo, atendendo que o judicial está a ser industriado a agir contra a mídia independente, que na óptica dos acólitos do regime suportam a oposição.
O poder político afirma amiúde que cumpre com a Constituição da República e o princípio de separação de poderes, mas neste caso está-se a urdir uma sentença política, para desencorajar os cidadãos e a sociedade civil crítica ao sistema, de fazerem ondas.
O que suporta a tese de que a “mídia expatriada” é inimiga declarada do guebuzismo são as afirmações literais do secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Paunde, para quem a crítica ao autoritarismo do “Filho Mais Querido” deve-se ao excesso de liberdade de opinião/imprensa. Todavia, o sentimento quase generalizado dos moçambicanos é de que a fonte de discórdia nacional e a razão da presente tensão político-militar do país é o “Filho Mais Querido”.
Margarida Talapa, outra figura como Paunde pertencente a “realeza”, tem o mesmo posicionamento do seu secretário-geral no tocante a liberdade de imprensa.


O endocolonialismo e o regresso da escravatura


A memória dos homens que libertaram a pátria está corrompida pela arrogância e prepotência.
O país viveu de 1975 a 1990 um regime totalitário e monopartidário. De 1990 até 2012 houve relativa fruição de liberdades: política, de pensa de 2013 conheceu-se uma viragem.
A imprensa pública foi capturada pelo partido no poder.
O país, com índice de pobreza de 54 por cento, agora vive novo conto de fadas.
É um índice de pobreza que vem de há mais de 10 anos, e que, se não tende a agravar-se, tende a criar um grande fosso entre pobres e ricos.
A riqueza de Moçambique está grosso modo nas mãos da família Guebuza, o seu círculo restrito e figuras de proa do partido Frelimo. Todo o crítico das desigualdades sócio-económicas, da corrupção do Governo, da primitiva acumulação de capital da parte da família do Presidente é apelidado “apóstolo da desgraça”, “tagarela” e “intriguista”.
No passado criticava-se o colonialismo pela restrição de direitos fundamentais.
O conto de fadas que a elite política transmite é de que o colonialismo oprimia o povo.
Fazia do moçambicano a sua propriedade. Todavia, a elite política é ao mesmo tempo a elite económica que reparte entre si o queijo dos recursos naturais e energéticos. Detém o estatuto de privilegiado, é protegida por lei. Um estatuto de que se serve para tratar os demais como súbditos e subordinados.
Eis o que se vive: o endocolonialismo. Onde o negro nacional é o novo opressor.
Todavia, hoje a oligarquia está a reproduzir os mesmos erros do passado. Os intelectuais são desencorajados de criticar os mega-apetites económicos e o autoritarismo do presidente.
O partido Frelimo tornou-se dono do povo, a quem só é permitido venerar/exaltar o Clarividente e o Glorioso. Paunde, quando secretário da Frelimo em Sofala, defendeu a tese de que o multipartidarismo não é bom porque atrasa o desenvolvimento.
Daí compreende-se a assanha e saga contra a oposição e a liberdade de imprensa/ expressão em Moçambique.
Ressalta daqui um paradoxo recorrente, pois só a um escravo se lhe diz que tem excesso de liberdade.
O hino moçambicano refere no último verso “nenhum tirano nos escravizará”, mas a escalada de violência do poder político revela uma amnésia do passado e um extremismo que poderá conduzir o país ao abismo.
Refira-se que de 1990/2003 Moçambique chegou a ocupar um lugar de vanguarda em África no campo da liberdade de expressão. À sua chegada ao poder, Guebuza agravou o regime de indemnizações para o caso de difamações na imprensa: de quinhentos meticais para vinte mil meticais
Em matéria de respeito às minorias raciais, Moçambique conheceu uma fase sinuosa, quando o então ministro do interior, Armando Guebuza, declarou 24/20, o que precipitou na saída em debandada do país de 200 mil cidadãos brancos de origem portuguesa.
De recordar que até 1976 havia nas cadeias moçambicanas cinco mil moçambicanos detidos por pensar diferente. Os traumas estão latentes e o país funde-se numa escalada de terror.
O isolamento do regime e a sua clausura, que se limita a um círculo cada vez mais fechado, fez nascer na sociedade moçambicana duas classes sociais antagónicas: os civilizados (leais ao Guebuza) e os bárbaros (críticos), por via disso excluídos. Nesta dicotomia discriminatória há claramente uma instituição do ‘apartheid’, onde se materializa a instituição dos novos “mulungus” encarnados num colectivismo dialéctico “nós” (defensores do guebuzismo) e “outros” (a classe dos inferiores).
Daqui infere-se a necessidade de os moçambicanos se rebelarem contra o ‘apartheid’ que tende a dividir os filhos desta mesma pátria. Há necessidade de os moçambicanos indignarem-se contra este regime que já não oferece nenhuma visão quanto ao tipo de sociedade que pretendemos ser. Há necessidade de os moçambicanos perseguirem esse ideal porque o poder político está algo confuso. A soberania que lhes foi outorgada na base do contracto social está a ser usada como um meio de supremacia/
domínio de um grupo fundado num chauvinismo aventureiro e perigoso, capaz de levar a deterioração da paz social, deixando desamparado o povo que esperada a protecção deste mesmo poder político.
A liberdade, nos termos em que o poder político pretende coarctar, é indisponível.
Ao contrário é a escravatura.

Adelino Timóteo, Canal de Moçambique – 15.01.2014, no Moçambique para todos

Gurué: Conselho Constitucional junta-se ao STAE/CNE na falsificação de resultados a favor da Frelimo

 O Conselho Constitucional rejeitou o recurso do MDM contra os resultados da eleição em Gurué, onde o candidato do MDM, Orlando António Janeiro derrotou o candidato da Frelimo, Jahanguir Hussen Jusseb, mas no fim o STAE trocou os resultados a favor da Frelimo e seu c...andidato.
Segundo escreve Boletim sobre o processo político em Moçambique, o Conselho Constitucional rejeitou o recurso do MDM com o fundamento de que o MDM recorreu contra os resultados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições à 4 de dezembro, quando deveria ter apelado contra o rejeição do protesto do MDM pela CNE de 28 de novembro. Mas a CNE rejeitou o protesto MDM, porque a denúncia deveria ter sido feita à Comissão Eleitoral do Distrito Gurué até 24 de Novembro, mas só foi feita em 27 de Novembro.
Assim, o CC não tomou em consideração os factos do caso, e a eleição muito questionável do candidato da Frelimo, Jahanguir Hussen Jusseb, está confirmada, com a estranha diferença de um voto, orquestrada pela CNE em Maputo.
Após a contagem em cada assembleia de voto, foi fornecida uma cópia oficial da folha de resultados (edital) a cada um dos partidos. Somados os editais, os resultados deram a maioria dos votos para Orlando António Janeiro do MDM. Mas, quando a comissão eleitoral distrital anunciou o resultado, foi proclamado vencedor o candidato da Frelimo Jahanguir Jusseb. A contagem paralela feita pelo Observatório Eleitoral confirmou que Janeiro e MDM haviam vencido. Com isto, o que se pode deduzir é que em algum momento durante a centralização dos resultados, houve falsificação dos mesmos. Mas o facto é que o Conselho Constitucional cujo presidente é nomeado pelo Chefe de Estado que também e presidente da Frelimo, não tomou em consideração o resultado real.


Canalmoz

CNE admite má conduta dos seus quadros pressionados pelos partidos

 
 Os partidos políticos estão a exercer, com sucesso, pressão sobre os seus membros nas assembleias de voto e em órgãos eleitorais para distorcer os resultados eleitorais a favor dos seus partido, segundo disse o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Abdul Carimo Sau, numa reunião de autoridades eleitorais realizada na segunda-feira. (Notícias, 21 de janeiro de 2014)
 Isso levanta a questão de "Qual é o comando que deve ser obedecido?", as autoridades eleitorais ou funcionários do partido?, perguntou ele.
 "Cada acto que praticamos durante o processo eleitoral que for contrário à lei pode ter consequência nefastas”, sublinhou. “Sem justiça em processos eleitorais o risco de instabilidade é eminente, o descrédito sobre as autoridades eleitorais é evidenciado e a legitimidade dos eleitos em governar é recorrentemente posta em causa”, afiançou.
 Em seu discurso, Abdul Carimo citou especificamente a falta de credenciais para dar 150 observadores na Beira, o atraso desnecessário no anúncio dos resultados em alguns lugares, a falha em algumas assembleias de voto para dar delegados do partido cópias originais das folhas de resultados (editais), e dando boletins de voto para as pessoas de fora assembleias de voto.
 Ele apontou para os actos "por nós praticados desnecessariamente que mancham a legitimidade do processo, criam críticas recorrentes na comunicação social sem que haja necessidade alguma."

 Eleições Autárquicas 2013 Boletim sobre o processo político em Moçambique Número EA 64 - 22 de Janeiro de 2014

Do “golpe palaciano” ao “golpe de Pemba”?

 Democracia amordaçada em prole do EEN…
Internacionalização da guerra à vista?...

 EEN significa Empoderamento Económico Negro. Era a pretensão dos “camaradas” tomaram o poder após Joaquim Chissano, se ver compelido a abandonar o palácio da Ponta Vermelha? Não é preciso encomendar estudo algum especialista em ciências políticas. Também não é necessário dedicar ao assunto tempo e recursos pois as evidências são demasiado poderosas.
Na sua cruzada pelo enriquecimento rápido como que raio fulminante, nada fica ao acaso e todas as pedras que impeçam a sua concretização são removidas. Mesmo que sejam “camaradas”. Há como que uma guerra declarada contra quem não alinha com a actual liderança.
Moçambique está a ver partes de seu território numa espiral de violência que só se pode chamar de guerra.
A pergunta de todos os dias é: qual é a saída deste conflito fratricida?
Falar de paz e não lutar por ela é insignificante e ilusório.
Mesmo que não seja dito haverá alguns elementos estratégicos que ignoramos por não termos acesso aos corredores em que tais decisões são pensadas, equacionadas e tomadas.
Mas quando não se encontram os caminhos da paz isso dá lugar que se pense que não há vontade política para alcançá-la.
Enquanto se fala de paz aumentam o número de vítimas.
Parece que a estratégia eleita seja de arrastamento da situação de beligerância para níveis que produzam a internacionalização do conflito. Nessa via é de supor que esteja havendo concertação ao mais alto nível entre governos aliados da região não sendo de ignorar pronunciamentos de governantes do Zimbabwe propondo uma intervenção patrocinada pela SADC.
Há quem tenha interesse que a guerra aconteça e isso deve ser visto como forma de garantir o EEN actual. As alianças forjadas ao longo dos tempos da luta anti-colonial e contra os regimes racistas da região dão um certo ar de segurança para o governo de Maputo.
Um conflito com origens político-económicas dificilmente será decidido pela força das armas. Mesmo que uma parte consiga reunir apoios regionais isso já foi conseguido e utilizado no passado sem resultados práticos.
Que o Zimbabwe intervenha em defesa das suas saídas para o mar e do oleoduto é compreensível mas não suficiente. Que a África do Sul traga seu músculo militar e económico para o terreno não se tornará numa vitória militar rápida e definitiva. Que Angola opte pela disponibilização de recursos financeiros e armamento pode ser um dado adquirido mas que não irá acelerar a desintegração da guerrilha da Renamo a breve trecho. Dito isto teremos mais uma vez um conflito militar prolongado com enorme perda de vidas humanas e deslocados internos e externos.
A internalização da guerra poderá trazer novos actores atendendo que várias corporações internacionais têm investido pesado nos recursos minerais.
Sem uma clara menção de protecção de seus cidadãos ou de uma pretensa luta contra o terrorismo internacional será encontrada uma fórmula de intervenção diferente da francesa no Mali ou da República Centro Africana. Portugal, sofrendo de uma profunda crise financeira e política, poderá ser encarado como força privilegiada para qualquer intervenção ocidental. Não seria a primeira vez que uma potência menor no contexto das nações se lança em defesa do que considera ser seus interesses. E Portugal possui investimentos de vulto nas finanças e na construção civil em Moçambique. Intervém como exportador de bens de consumo muito apreciados e domina o sector de hotelaria. Já tem parceria com o governo na área militar. Então seria simplesmente uma questão de ampliar os actuais laços mesmo que isso signifique ir à busca de musculatura em armamentos e finanças em outras capitais ocidentais. A NATO de que é membro tem uma história bem documentada de distribuição de tarefas entre seus membros. Não se pode esquecer que a NATO possui uma estratégia para cenários eventuais nas diversas regiões do globo.
Veremos uma guerra desnecessária aumentando de intensidade numa perspectiva do estilo de Angola em que a eliminação física de Jonas Malheiro Savimbi foi considerada uma vitória?
Todos os recentes processos de intervenção de forças estrangeiras não convidadas para a resolução de conflitos internos tem resultado em mais violência e o sectarismo no Iraque ganha intensidade a olhos vistos.
Não se pode esquecer que o potencial de secessão existe em Moçambique. Uma guerra de grande intensidade e generalizada vai acordar os fantasmas da secessão e conduzir a xenofobia e matanças indiscriminadas de civis.
A incapacidade de colocar os beligerantes na mesa, de ver as partes beligerantes conversando com seriedade deve ser vista como uma das consequências do EEN. Há tanto acumulado que seus detentores não equacionam a possibilidade de compartilhar. Os outros têm quase nada a perder senão a sua própria vida de sofrimento e de humilhação.
Se a recente marcha de saudação ao PR foi um fiasco e um indicativo forte de baixa popularidade seria tempo oportuno para que a Frelimo como partido político com responsabilidades históricas se desse tempo de reflectir sobre o que fez de errado. Se ainda há forças residuais da Renamo digladiando-se contra as FADM/FIR isso é consequência directa de opções tomadas pelo governo ao recusar-se construir ou criar um exército verdadeiramente nacional apartidário…

 (Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Wednesday, 22 January 2014

Renamo ataca em Tete

Homens armados da Renamo atacaram um posto de policial de “guarda-fronteira” a norte do Distrito de Moatize.  De acordo com a Folha de Maputo, populares de Zóbuè estão em fuga para o vizinho Malawi. Um oficial das Forças Armadas e Defesa de Moçambique a ocorrência do ataque pelos homens armados da Renamo, tendo os guarda-fronteira contra-atacado.
A mesma fonte não adianta se o ataque terá provocado vítimas ou danos à infra-estrutura.
Com este ataque sobe para três o número de províncias a registar a presença de homens armados da Renamo.


VOA

RENAMO avança em Moatize com armamento renovado

Homens armados, alegadamente vinculados à RENAMO, estariam acampados no distrito onde estão localizadas multinacionais extratoras de carvão mineral em Moçambique. Governador de Tete cancelou visita de trabalho à região.
Homens com idade avançada, fortemente armados e com equipamento novo. Assim é descrito o efetivo militar, alegadamente da RENAMO, que avança pelo distrito de Moatize, na Província de Tete, onde estão as principais empresas multinacionais que exploram carvão mineral em Moçambique.
Conforme informações apuradas pela reportagem da DW, ainda não há registo de confrontos, mas algumas famílias já fogem da região, com receio de um ataque das forças governamentais.
Ao mesmo tempo que estaria ocupando posições estratégicas no Norte, a RENAMO recua na ideia de cessar-fogo durante as negociações. O Governo moçambicano também demora a responder sobre a composição da equipa de mediadores do conflito que já dura quase um ano.

Convivência pacífica

Aparício José Nascimento, que é jornalista e proprietário do Malecha, periódico que circula na região de Moatize, confirmou a presença de cerca de 50 homens da RENAMO na região de Ncondedze desde o dia 17 de Janeiro. “Estão a 110 quilómetros da vila-sede, perto do Malawi.”

RENAMO avança em área de extracção de carvão em Moatize
Conforme informações de Nascimento, o Governador de Tete, Paulo Auade, cancelou, no último domingo (19/1), a visita de trabalho a Moatize, onde iria proceder a entrega de uma Ambulância ao Centro de Saúde Local.
O jornalista diz que os homens armados convivem de forma pacífica com a população. Pedem comida e garantem que não pretendem fazer mal à comunidade, mas exigir paridade na CNE e a realização de eleições gerais previstas para este ano.

“Péssimo para os negócios”

Nkondedzi é uma área rica em ouro, o que atrai garimpeiros das proximidades. Além disso, está localizada na região onde está parte do carvão mineral que atrai os investidores internacionais.
Recentemente, a empresa inglesa Nkondedzi Mining começou a fase de exploração na região. Ragendra de Sousa é economista e não tem dúvidas que a presença de homens armados é prejudical para a economia.

Grupo armado estaria perto de Tete
“É preocupante porque aumenta o risco da realização do investimento. Sendo homens armados, as seguradoras não pagam qualquer estrago que aconteça”, diz o economista.
Rendra de Sousa acredita que as grandes empresas mineiras na região, como Vale e Rio Tinto, têm os seus serviços de inteligência, o que lhes permite esforços de prevenção.
Mas lembra do que a RENAMO é capaz e alerta: “em termos de guerrilha, [a RENAMO] tem uma eficiência marcável. A presença dela em Ncondedze é extremamente mal para o ambiente de negócios.”

Armamento renovado

Nascimento garante que os homens da RENAMO estão preparados para eventuais confrontos. “Ontem apuramos que eles têm armas novas, botas novas e coletes novos. Tudo o que têm lá é novo. Se tem apoio externo, não apuramos. Não há jovens por lá, são acima de 50 anos”, explicou.

Conflito prejudica investimentos estrangeiros
Conforme informações do jornal Malecha, o Governo Provincial reforçou o efectivo no quartel da guarda de fronteira ainda no fim de semana com a Força de Intervenção Rápida (FIR) e a Força Armada de Defesa de Moçambique (FADM).
Além da fuga da população local, garimpeiros também começam a deixar o povoado de Lizinge.
O jornal publica que algumas pessoas encontram-se na unidade sanitária da região, local apontado como seguro. A presença do efectivo da RENAMO, conforme publica o Malecha, interompeu a Campanha de Pulverização Interdomiciliária.
 

 

DW.DE

Depois de Sofala, Nampula e Inhambane


 Presença de supostos homens armados da Renamo deixa Tete em alvoroço (#canalmoz)

“De facto, há movimentação de homens da Renamo, desde a passada sexta-feira” - porta-voz da PRM em Tete, José Núbias

Tete (Canalmoz) – Informações dando conta da presença de homens armados, supostamente da Renamo, na província de Tete, estão a deixar a província em alvoroço. A população está em pânico porque, segundo contam desde a passada sexta-feira (17), homens supostamente ligados à Renamo circulam na localidade de Nkondedzi, Distrito de Moatize, na província de Tete. Os referidos homens andam em grupos, munidos de armas de fogo.
O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Tete, José Nubias, confirma a presença dos referidos homens armados e fala em reforço das forças governamentais para fazer face à situação. Tete torna-se, assim, a quarta província do País com a presença de homens armados, depois de Sofala, Nampula e Inhambane.
Informações colhidas pelo Canalmoz indicam que até aqui não houve nenhum ataque. “Desde que, eles chegaram, não houve nenhum ataque, mas eles estão aqui nas matas, a circularem. Quando amanhece começam a movimentar-se”, contam cidadãos que receiam que o seu objectivo seja assaltar o quartel da força da Guarda Fronteira que está ali estacionada.

“Não vamos maltratar a ninguém, fiquem calmos”

Segundo o chefe da localidade de Nkondedzi, Orlavino Supinho, os homens armados, supostamente pertencentes à Renamo, dizem que não tencionam fazer mal aos populares das comunidades por onde passam, mas deixam claro que, se as forças governamentais provocarem, aí sim, haverá ataques.

Suspeita-se que Nsungudzi tenha sido a porta de entrada

Segundo o chefe da localidade, os homens armados entraram das localidades de Nkondedzi no dia 17 de Janeiro, sexta-feira. No mesmo dia os homens escalaram o povoado de Khungoza na zona de Nankoko. No dia seguinte, sábado, escalaram os povoados de Ndhaka, Changa, Madzibawe, Ntambe, em Ndande onde foram acampar na zona de Cabango montando uma cancela de entrada e saída de pessoas.
“Entraram via Samoa, onde têm a base e, em relação à sua proveniência, admito terem vindo de comboio descendo em Kambulatsitsi e caminhando até Samoa”, contou.

Polícia confirma movimentações e reforça efectivo

O porta-voz da PRM em Tete, José Nubias, confirma a presença de homens armados. “De facto, há movimentação de homens da Renamo, desde a passada sexta-feira.”
Nubias diz que uma força composta pela PRM, Força de Intervenção Rápida (FIR) e Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) “está no terreno a ver a situação.” E fala de envio de mais elementos da Polícia e das FADM. “Nós como força, devido à situação enviámos mais efectivos, nas várias especialidades”, disse Nubias ao Canalmoz.

Garimpo paralisado e comércio funciona a meio gás

Para além da população que abandonou as residências em massa, os garimpeiros provenientes da cidade da Beira e Chimoio tiveram que deixar o povoado de Lizinge, temendo possíveis ataques. O mesmo sucede com o comércio informal que está a funcionar a meio gás. São poucas as bancas abertas para a venda de produtos básicos. Populares ouvidos afirmam que algumas pessoas encontram-se na unidade sanitária local, tida como segura.
O Canalmoz apurou que a campanha de pulverização interdomiciliária foi condicionada devido à presença dos tais homens armados. Mais de 20 famílias, já deixaram suas residências e refugiaram-se no país vizinho, Malawi.
A localidade de Nkondedzi fica a 70 km da vila de Moatize, sede do distrito e 90 km da cidade de Tete.
Refira-se que nas zonas, onde se fala da presença de supostos homens da Renamo, funcionaram bases daquela formação política durante a guerra dos 16 anos.

(José Pantie, Canalmoz)

Tuesday, 21 January 2014

Consulado português em Maputo distribui recomendações para evitar raptos

Maputo, 21 jan (Lusa) - O Consulado de Portugal em Maputo distribuiu hoje à comunidade portuguesa residente em Moçambique um conjunto de recomendações de segurança para evitar a vaga de raptos no país, com quatro casos registados desde o início do ano.
Num comunicado a que a agência Lusa teve acesso, o consulado admite "ter consciência de situações e incidentes ao nível de segurança e criminalidade, que têm ocorrido com alguma frequência", na zona metropolitana de Maputo, numa alusão à vaga de raptos que recrudesceu no início de 2014.
Apelando aos cidadãos para que "comuniquem as diferentes ocorrências de que sejam vítimas" ao Consulado e às autoridades moçambicanas, a representação diplomática portuguesa elenca 10 recomendações para evitar os raptos.

Confrontos militares afastam turistas das praias do sul de Moçambique

Maputo, 20 jan (Lusa) - O número de turistas que visitam Vilanculos, na província de Inhambane, sul de Moçambique, diminuiu na última semana, devido aos confrontos entre homens armados da Renamo e o exército moçambicano, queixam-se as autoridades municipais.
Em declarações à agência Lusa, Sulemane Amugy, presidente do Município de Vilanculos, referiu que o alastramento dos conflitos armados do centro do país para a província de Inhambane está a condicionar o turismo praticado naquela região costeira do sul de Moçambique.
"As notícias que circulam dão conta de que Moçambique vive uma tensão político-militar, isso mancha a imagem turística que o país tem. Os visitantes começam a ter receio de frequentar as nossas estâncias turísticas devido aos confrontos que se registam", disse Amugy.

Novo ataque faz dois mortos e seis feridos no centro de Moçambique

Muxúnguè, Moçambique, 20 jan (Lusa) - Duas pessoas morreram e seis ficaram feridas, num ataque no domingo contra viaturas escoltadas por militares, a seis quilómetros de Muxúnguè, província de Sofala, no centro de Moçambique, disseram hoje à Lusa fontes locais.
Entre os feridos há um oficial com o posto de major, transferido para o Hospital Central da Beira (HCB) após ter sido atingido por "projéteis de balas", quando dois carros, na coluna Save-Muxúnguè, foram atacados por homens armados, alegadamente ligados à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição moçambicana.
"Passámos momentos conturbados, e a verdade de guerra naquele troço não coaduna com os discursos dos políticos neste país, porque a população está a passar horrores. Houve mortos e feridos socorridos por outros populares", disse à Lusa Orlando Pedro, um viajante.

Monday, 20 January 2014

CC chumba pedido do MDM por incumprimento do princípio de impugnação prévia

     
Membros do Conselho ConstitucionalMembros do Conselho Constitucional
Partido solicitou repetição da votação no KaMubukwana, Cidade de Maputo

O Cl (CC) decidiu, em acórdão de 14 de Janeiro, não dar provimento ao recurso apresentado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), no qual o partido solicitava a anulação da votação e, consequentemente, a repetição do processo eleitoral no distrito de KaMubukwana, no município da cidade de Maputo.
O MDM recorreu da deliberação no 70/CNE/2013, de 4 de Dezembro, respeitante à centralização e apuramento geral dos resultados eleitorais das 52 autarquias locais, cuja eleição decorreu no dia 20 de Novembro último.
O segundo partido mais votado nas quartas eleições autárquicas não contesta na íntegra a deliberação da CNE, mas os resultados da eleição do presidente do conselho municipal de Maputo e dos membros da respectiva assembleia.
O recorrente alega que a lei no 7/2013, de 22 de fevereiro, não foi levada em consideração, situação que põe “em dúvida a veracidade dos votos validamente expressos nas urnas”. O MDM alega ainda que não foi garantida a liberdade de voto e foram postos em causa todos os procedimentos eleitorais previstos para um apuramento eleitoral. Pelo exposto, pede que o recurso seja julgado procedente, anulando a votação e marcando a repetição do processo naquele distrito municipal, “repondo-se a legalidade violada”.


O País

Sunday, 19 January 2014

Hotel de 250 milhões de dólares nasce na marginal





O empreendimento estará localizado no Centro de Conferências Joaquim Chissano

  • É resultado de uma parceria público-privada e será construído pela chinesa AFECC
  • O presidente da República já lançou a primeira pedra e a conclusão está prevista para 2015
O Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano terá nova face até finais do próximo ano, quando ficar concluído um ambicioso complexo turístico, cuja primeira pedra foi lançada ontem pelo Presidente da República, Armando Guebuza.
Trata-se de um projecto que nasce de uma parceria público-privada, que será executado pelo grupo chinês da área de construção Anhui Foreign Economic Construction (AFECC), numa área de 85 mil metros quadrados. Orçado em 250 milhões de dólares norte-americanos, financiado por capitais chineses, o empreendimento vai compreender três partes, nomeadamente, um hotel cinco estrelas, um Centro de Conferências e salão para festas.
A capacidade que se vai instalar será de 290 quartos, salão de festas com capacidade para  2000 pessoas. Os intervenientes, tanto da parte chinesa quanto da moçambicana, acreditam que vai ali nascer um chamariz de turistas nacionais e estrangeiros.
O Presidente da República, na sua intervenção, começou por evocar as longínquas relações de amizade e de cooperação como o elemento mais importante na parceria acabada de firmar. Depois referiu-se à importância daquele empreendimento no contexto da melhoria da imagem da cidade capital e do papel que o turismo tem vindo a desempenhar na economia moçambicana.
Já a parte chinesa, através do Presidente Executivo da AFECC, Wang Hao, prometeu executar as obras em tempo útil, assegurando que até finais de 2015 o complexo será uma realidade. Aliás, a AFFEC é considerada empresa com tradição na construção de hotéis. Segundo o embaixador da China em Moçambique, Li Chunhua, são já 18 os hotéis construídos pelo grupo, e, em Moçambique, o acabado de iniciar será o terceiro.
Espera-se que na fase de construção o empreendimento empregue 1 000 moçambicanos, número que poderá superar os 2 000 na fase de operação, segundo revelou ao “País económico” o embaixador da China.
Além do governo moçambicano, representado pelo Presidente da República e pelo ministro do Turismo, Carvalho Muária, e da parte chinesa pelo embaixador plenipotenciário não residente, Li Chunhua, e pelo Presidente Executivo da AFECC, Wang Hao, o lançamento do Projecto de Desenvolvimento do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano foi testemunhado por diversas individualidades, entre as quais o edil de Maputo, David Simango, e a governadora da Cidade de Maputo, Lucília Hama.

O Centro de Conferências Joaquim Chissano

O Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano foi inaugurado a 25 de Junho de 2003, momentos antes da II Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), que se realizou de 4 a 7 de Julho de 2003.


Saturday, 18 January 2014

Um militar morto e outros cinco feridos em ataque no centro de Mocambique

Muxúnguè, Moçambique, 18 jan (Lusa) - Um ataque a uma coluna de viaturas matou um militar e feriu outros cinco na região de Muxúnguè, Sofala, centro de Moçambique, após serem "surpreendidos por um tiroteio", disseram hoje à Lusa várias fontes.
Em declarações à Lusa, José Luís, pároco de Muxúnguè, citando um padre que viajava na escolta militar para Save, disse que a coluna foi atacada a 20 quilómetros de Muxúnguè, incidindo contra a "viatura de avanço do exército", na qual foram registadas as baixas.
"Hoje outro ataque fez um morto e cinco feridos, todos militares. Um padre que estava a viajar na referida coluna confirmou o ataque que ocorreu a menos de 20 quilómetros de Muxúnguè", disse José Luís, por telefone, à Lusa.

Marcha de exaltação confirma impopularidade do Presidente Guebuza

A marcha organizada pelo partido Frelimo, este sábado, para a exaltação do Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, pelos seus “feitos” nos seus dois mandatos e homenagem pelo seu 71º aniversário natalício, serviu principalmente para tornar evidente o que já se sabia, mas que algumas pessoas ainda teimam em não reconhecer: a impopularidade do Presidente da República perante o povo que dirige.


Mesmo com a disponibilização de meios de transporte para a deslocação gratuita de pessoas que iriam participar da marcha, o tiro acabou saindo pela culatra.
Enquanto, os organizadores estavam na expectativa de juntar não menos de 20 mil pessoas na praça de independência, a realidade tratou de mostrar que a população da cidade e província de Maputo, e não só, não simpatiza com Guebuza. Ou seja, menos de dez mil pessoas estiveram presente no local. Aliás, estima-se que tenham sido cerca de cinco mil.
Homenagear Guebuza pela obra feita durante os dois mandatos da sua governação e comemorar a seu aniversário foi o móbil oficial que levou a realização da marcha. Lavar a imagem do PR que se encontra demasiada desgastada é o que ficou explicito nos discursos dos “camaradas”.
O secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúde, condenou os críticos de Guebuza e o primeiro secretário desta organização a nível da cidade de Maputo repudiou o que chama de “tentativa de empurrar o povo moçambicano contra o seu Presidente”.
A caminhada iniciou as 8h00, na estátua do arquitecto da Unidade Nacional, Eduardo Mondlane, e foi desembocar às costas da estátua do primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Machel, na praça da independência.
Já na praça quando se esperava pela chegada de mais pessoas para corporizarem a multidão que se encontrava ao sol escaldante, mais ninguém chegou, senão um número pouco significativo se pessoas.
Disseram que vínhamos ver Guebuza
O ambiente de concórdia que reinou antes, durante e depois da marcha não foi suficiente para disfarçar os rostos de decepção com que ficaram alguns grupos de cidadãos que, com argumentos falsos, foram arrastados para participarem da marcha.
Segundo contaram alguns grupos, aquando do convite para integrarem ao evento, os chefes de quarteirões alegavam tratar-se de um encontro de despedida do Presidente da República, um vez que seu mandato já está na recta final. Porém, contra essa expectativa, o Armando Guebuza não esteve no local.
“O que nos disse o chefe de quarteirão do bairro de Hulene “B” foi que papá Armando Guebuza queria se despedir porque está a terminar o mandato e nós vínhamos ouvi-lo e pedir-lhe paz, mas estamos a ver que ele não está”, conta Luísa Massango, sentada à sombra do muro do edifício do Tribunal Administrativo e para quem a governação de Guebuza foi normal, pois ninguém consegue fazer tudo.
A adolescente de nome Etelvina Geraldo confirma o posicionamento da outra entrevistada ao afirmar que a sua ida à praça da independência tinha em vista a interacção com o PR que, segundo lhe disseram, pretendia conversar com a população sobre a sua saída da governação do país. “Quando chegamos aqui não vimos o Presidente”.
Por sua vez o idoso Paulo Silva Nhanale do posto administrativo de Phessene, distrito de Moamba, província de Maputo, afirma ele e seu grupo foram “pedir ao Presidente para parar com os conflitos com a Renamo”. Este sabe de ciência certa e experiência acumulada com o tempo que enquanto existir um conflito armados, “não será possível manter o desenvolviembto do país”.
E mesmo diante da decepção de não poder, naquele momento, ouvir do Presidente Guebuza possíveis soluções para a “guerra” rogou que sente e converse com a Renamo.
Devemos nos orgulhar do PR que temos

O secretário-geral (SG) da Frelimo, Filipe Paúnde, no seu discurso, depois de percorrer a bigrafia de Armando Guebuza na tentativa de mostrar que este é, realmente, uma figura com credenciais para dirigir os destinos do país, condenou os críticos do presidente que reprovam sua forma de governação.
Diz ele que as pessoas tentam desgastar a imagem do estadista moçambicano, promovendo mensagens distorcidas e campanha de insultos.
Paúnde referiu a electrificação de 118 distrito do país como sendo resultado obra de Guebuza e não mencionou nada sobre a péssima qualidade desta mesma energia vinda da Cohora Bassa. Disse que actualmente cada um dos distrito tem pelos menos um médicos, o que significa a existência também de unidades sanitárias.
Sobre o diálogo com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama afirmou não ser verdade que Guebuza esteja a “furtar-se” do mesmo.
“A Renamo está a matar. Não se pode dar razão a alguém que mata”, considerou. Na sua apresentação da mensagem da Frelimo, explicou ainda que a Renamo deve ter a paciência de esperar pela realização de eleições para alcançar o poder e não tentar obte-la pela força das armas.
Para Paúnde não é verdade que Guebuza pretende continuar no poder, tal como avançam alguns círculos da sociedade, muito menos que sua esposa, primeira dama, poderá substitui-lo.
O SG do “batuque e maçaroca” entende que Armando Guebuza merece reconhecimento pelo seu engajamento na busca de soluções para o desenvolvimento do país e pelos seus feitos e realizações “indeléveis” em prol do bem-estar dos moçambicanos.

A Verdade
 
 

Dois pilotos da TAP assaltados em Maputo


Casos de corrupção e extorsão envolvendo a polícia não são raros e têm aumentado em Maputo


Um comandante e um piloto da companhia aérea portuguesa estiveram sequestrados durante uma hora e meia por cinco homens que vestiam a farda da polícia civil moçambicana.
 
 
O táxi onde viajavam um comandante e um piloto da TAP foi mandado parar, na passada quarta-feira à noite, em Maputo, por uma carrinha pickup com cinco homens que vestiam a farda cinzenta da polícia civil moçambicana. Poucos minutos antes, tinham sido disparados alguns tiros para o ar no local onde viajavam.  
Em pouco tempo, um dos cinco homens entrou no táxi e obrigou o motorista a seguir até a um local mais remoto da cidade. Minutos depois, os dois portugueses foram obrigados a entregar o dinheiro que tinham nas carteiras, sob a ameaça de armas. E nem o facto de se terem identificado como pilotos de aviação da companhia aérea portuguesa dissuadiu os assaltantes. 
Os pilotos foram obrigados pelos agressores a permanecer no local ermo durante cerca de hora e meia. Foram revistados e ameaçados, mas não agredidos. 
A TAP está a recolher informações sobre o caso. 

Queixas das embaixadas em Maputo


O Expresso sabe que casos destes com a polícia não são raros e têm até aumentado na capital moçambicana. Só esta semana já é o terceiro relato com cidadãos internacionais, não apenas portugueses. Não se trata de nada organizado. Este tipo de corrupção e extorsão incide principalmente na zona pobre de Maputo. 
Muitas vítimas nem apresentam queixa, por receio de serem de novo extorquidas na esquadra. Várias embaixadas têm apresentado sucessivas reclamações ao Ministério do Interior moçambicano. 
Contactado pelo Expresso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros não comenta o caso "dado não ter conhecimento do mesmo". Uma assessora de imprensa adianta que nem a Embaixada de Portugal em Maputo, nem o Consulado-Geral foram informados sobre o assunto e também "não houve qualquer participação do caso".

Friday, 17 January 2014

A marcha dos patos e da vergonha!

 Na minha última reflexão publicada aqui neste mesmo espaço, escrevi sobre o preocupante fascínio que a direcção do partido Frelimo nutre pelo feudalismo. O partido Frelimo funciona e com a inevitável réplica ao nível do Estado, num sistema de exploradores e explorados. E contrariamente aos sistemas tradicionais d...e exploração do homem pelo homem, a Frelimo inovou. Tratou de arranjar nomes encorajadores e disfarçantes aos seus explorados de modo a engajarem-se na exploração sem levantarem qualquer tipo de suspeita. Trata-os por “patriotas”. Os “patriotas” são cultores de um nacionalismo discriminante que prega o determinismo biológico baseado em sistema de castas, resumido na crença de que há um grupo restritamente abençoado que nasceu para governar e há os que nasceram para morrer na miséria.
E nesta distorção do real sentido dos vocábulos, o termo “patriota” passou a ser usado para designar os irracionais, os medíocres, os racistas, os tribalistas, os incapazes, os mentirosos, os sem valores e outros de equivalência equiparada. Os que, apesar de até terem um diplomazinho de ensino superior, não conhecem o patriotismo na grega (patrícios) acepção do termo, também são “patriotas”.
Vem isto, muito a propósito da fraudulenta marcha de saudação ao Presidente da República Armando Guebuza, alegadamente pela sua entrega e dedicação às causas da Nação. A marcha está a ser organizada pelos “patriotas” que acima tratei de definir-lhes o perfil.
Para não ser conotado com a intolerância, penso que é preciso deixar em posição mais cristalina, a asserção de que, cada um tem o constitucional direito de saudar o que achar conveniente, dependendo, é claro, do seu grau de sanidade mental e do comummente aceite.
Os canibais por exemplo, saúdam em seus fóruns, a iguaria que lhes é, a carne humana. Os masoquistas por exemplo, na sua prática parafílica saúdam efusivamente a dor e a humilhação ou dominação. Nas tradicionais ditaduras por exemplo, o déspota, ou seja a fonte das desigualdades e da injustiça entre os homens, é também untado com saudações esquizofrénicas. Ou seja: é tudo uma questão inerente ao ponto de vista.
Isso para dizer que, os que estão a organizar a marcha têm o constitucional direito de exercer a delinquência e a esquizofrenia. É um direito que lhes é inalienável e irrevogável.
Ninguém no seu juízo perfeito faria parte dessa marcha. Não é por acaso que precisaram de recrutar funcionários públicos, à sua revelia, para a marcha ter aderência. Ou seja: estão cientes à partida, de que a marcha é uma monumental fraude pública, pelo que ninguém no seu estado normal poderia aderir. Só com coerção, chantagem e intimidação é que os funcionários públicos vão aderir. Se é que vão mesmo. Esperemos para ver.
Só quem não tem noção do que se transformou o País, com a actual direcção, é que pode organizar uma marcha de saudação. Esta marcha não é nada mais, que uma passeata insana a favor do desespero do povo e de consagração do caos e da delinquência pública. É uma marcha contra as aspirações do povo. Como é que alguém no seu estado psíquico aceitável, pode sair à rua, para saudar o rosto da destruição e dos caos? Como é que alguém com pautas indicativas de sanidade aceitável, pode sair à rua para saudar a nossa desgraça colectiva? Só mesmo os mais acérrimos cultores do masoquismo.
Penso que o Chefe de Estado como humano é passível de cometer erros, como cada um de nós, e principalmente está mais exposto a essa possibilidade, alguém que tem por tarefa dirigir mais de 22 milhões de pessoas. Mas isso, não é credencial para transformar os erros em modus operandi. Para reduzir todo um povo a uma capoeira de patos.
Vamos falar em coisas concretas: quando Armando Guebuza chegou ao poder prometeu “mundos e fundos” e no final das contas tudo não passou de ilusão. Da corrupção à pobreza, tudo aumentou. Das oportunidades à esperança, tudo privatizou. Liberdades? Simplesmente coarctou-as. A intolerância? Financiou. Até a guerra conseguiu reanima-la, 21 anos depois. Se quisermos ir ao mais particular, diríamos que com Guebuza, as pessoas voltaram a ser transportadas em carrinhas de caixa aberta, em plena capital do País, como que de gado em trânsito se tratassem.
Transformou a Frelimo numa seita religiosa do mal que difunde o medo e o ódio. Medo de Guebuza e ódio a quem não cultua Guebuza. Transformou pessoas inteligentes em autênticos pacóvios. Conseguiu levar jovens com formação superior e com tanta energia e conhecimento, e transformou-os em sindicalistas do delírio. São estes mesmos sindicalistas que vão sair à rua, para saudar o que não se pode saudar. Irracionalidade igual, só mesmo nos patos. Quando George Orwel editou em 1945 o “Triunfo dos Porcos” é porque não sabia que em Moçambique os “patos”, também estavam em via de triunfar.
É porque definitivamente este Chefe de Estado não pode ser saudado, porque estaríamos a subverter a lógica das coisas. Estaríamos a afrontar a mais elementar norma que regula a aptidão e a competitividade entre os homens. Estaríamos a elevar os incapazes e a consagrar a injustiça e o demérito. Longe de saudações, este Chefe de Estado precisa de ser responsabilizado pelo caos em que nos meteu. Deve ser responsabilizado e convidado a dar explicações, por exemplo pelo estado de guerra civil em que nos meteu. Precisa de ser responsabilizado pela pobreza que aumentou, tal como precisa de ser responsabilizado pela corrupção que atingiu níveis olímpicos.
Esta marcha caso aconteça, ficará nos anais da história como a marcha da vergonha e da consagração dos patos “patriotas”. Uma marcha que é uma verdadeira afronta à racionalidade e lógica. Uma marcha contra o povo!


(Matias Guente, Canalmoz)

É fácil morrer na guerra dos outros

Empurrado para uma guerra que não quer, não compreende e, quiçá, julga injusta, um polícia de 21 anos foi morto em sede de um conflito que exigiu o seu sangue, mas discute os direitos de uma minoria. As manifestações de repúdio inundaram as redes sociais e agora não se trata de mais um mero dado estatístico. Não é mais um para engrossar as fileiras dos mortos da paridade. É um jovem que auferia menos de 3.500 meticais e que nas horas vagas, livre da farda, se transforma num cidadão comum. Um pobre como os outros. Com os mesmos dramas, dívidas, sonhos e frustrações.
Imediatamente – ao contrário do que é suposto ouvir quando se fala de baixas do lado do Governo – o polícia tornou-se humano, ganhou nome e alguma dignidade. Dignidade essa que a farda nunca lhe conferiu. Descobrimos então que se tratava do filho de uma família ou mesmo um pai que pagava as suas contas religiosamente. Amaldiçoamos a guerra e tudo o que ela representa.
Não sabemos, no entanto, se é pelo facto de ser polícia que lamentamos a sua morte ou se foi pelo facto de este incidente ter despertado, na nossa consciência colectiva, a dimensão do ser humano. Ou seja, não sabemos se compreendemos agora que a farda esconde um homem como outros. Homem, esse, que muitas vezes dispara contra o povo a contragosto. Homem que veste a camisola da FIR ou das FADM e até da PRM e até da Renamo, mas, mal despe o fardamento com o qual nos oprime e restringe os direitos também ele, por sua vez, é oprimido pelo transporte, pela guerra que também não lhe permite visitar parentes e pelo salário de miséria que lhe é igualmente pago para proteger um sistema que o (nos) marginaliza.
Esse mesmo sistema de injustiça e enriquecimento de uns poucos que lhe retira, regra geral, a dimensão humana e o transfigura no maior inimigo do povo. Esse mesmo povo que sofre tudo enquanto os governantes tomam whiskys e andam de carros topo de gama nas artérias de um país que sangra pelos poros. Foi preciso uma morte para – do nosso ponto de observação – conseguirmos compreender que o polícia é um cidadão. Que foi um irmão que tombou. Que a guerra, seja qual for o motivo, não deve beber o sangue das vítimas da arrogância dos donos do país. O poder não pode custar a vida de cidadãos que nem sequer têm onde cair depois de exaustos.
Agora compreendemos que esse polícia é tão vítima como nós. Aliás, ele é duas vezes vítima. O homem afinal não dispara porque quer, mas porque jurou proteger um poder que não lhe liga patavina.
E morrem todos os dias, por causa dessa guerra estúpida, militares, guerrilheiros, polícias e civis. Contudo, o que nos mata, enquanto povo – sem generalizações – é a nossa mania de seleccionar o repúdio e definir os nossos amigos por trás das armas que nos tiram a vida. Quem levanta uma arma não pode, de forma alguma, ser tido como inocente no meio da história. Os que matam camponeses precisam de ser julgados, mas também aqueles que tiram a vida a um mero polícia de 21 anos.
Esse que é, como dissemos, duplamente vítima. E o pior é que não sabe e jamais saberá de que valeu a sua morte...



Editorial, A Verdade

Alquimia da paz requer paradigmas completamente diferentes

Sem frontalidade e honestidade a Paz continuará podre…

Beira (Canalmoz) – Sem menosprezo pelos diferentes pronunciamentos relacionados com a crise político-militar em Moçambique e as diferentes soluções propostas há que reconhecer, convenhamos, que a Paz de tanto propagandeada continuará longe se não houver... uma transformação profunda da maneira como os protagonistas encaram e tratam este melindroso dossier.
Uma paz em que uns são os “senhores” e os outros são os “subalternos” não colhe nem cola. Uma paz em que uns impõem as regras e outros tem de cumprir mesmo que tais regras lhes sejam lesivas é intragável. Uma paz aparente como um vulcão esperando pelo momento de erupção não pode ser chamada de paz. Uma paz fundada no logro e num embuste permanente, um abuso dos direitos constitucionais, condimentada de discriminação e de tecnicismos convenientes não é sustentável. Quando se fala da paz poder em Moçambique constitui cada vez mais verdade.
O anúncio espalhafatoso de realizações e de largos milhões de dólares de investimento estrangeiro, da China, Índia, Japão, EUA, Coreia do Sul, França, Portugal, África do Sul, da maneira como tudo é conduzido e concretizado concorre para o aumento do fosso entre ricos e pobres neste País. E isso como se sabe é o oxigénio que alimenta os conflitos internos.
Ao fim do dia, no lugar de vermos a consolidação das bases de construção da moçambicanidade, verificamos que tais investimentos servem para enriquecer quem está montado no sistema.
Já deveria estar claro que a relutância de alguns em aceitar acordos que potenciem a estabilidade está plenamente enquadrada no esquema de apropriação indevida e ilícita das possibilidades nacionais quanto ao acesso à riqueza nacional.
Transformar Moçambique numa praça-forte das corporações está servindo para acelerar a desagregação nacional.
Agora surgem informações da possibilidade de pesos pesados da política nacional mediarem as “negociações” entre o governo da Frelimo e a Renamo. Isso embora seja em si uma boa notícia não deve ser motivo de criarmos falsas expectativas. Só uma cultura política qualitativamente diferente da exibida nos dias de hoje poderá levar a que aquela confiança básica se restabeleça.
As partes desavindas terão que recuperar o espírito patriótico essencial pois sem isso continuara a colocar seus interesses de grupo acima da agenda nacional.
Uma das causas do imbróglio de hoje deve ser facilmente encontrada na ditadura do voto em que se transformou o parlamento nacional. Um parlamento que durante seu mandato teve a bancada da maioria seguindo à risca as instruções do executivo e não criou espaço para a emergência de opções legislativas consensuais, pode aparentemente ter fortificado as posições do governo mas contribuiu definitivamente para agudizar as relações entre as partes.
De pacote a pacote legislativo aprovado, ficou a impressão de que a maioria dos deputados agia não como representantes do povo mas como “carimbadores” de decisões tomadas por um executivo omnipresente.
A dança elogiosa e fastidiosa com que os deputados da maioria receberam o líder do executivo e de seu partido mostram claramente a subordinação entorpecente que rodeia e condiciona sua actuação. Chamam-lhe disciplina partidária e outros dirão que é a garantia de um ganha-pão oportuno que de outro modo jamais conseguiriam. É a mediocridade política ao seu mais alto nível. É o servilismo tomando conta de assuntos vitais para todos nós.
Um encontro ao mais alto nível é necessário e desejável desde que as partes se dispam de sua “grandeza” e com humildade reconheçam que cometeram erros graves na abordagem de suas diferenças e considerações políticas.
Com maturidade política que ultrapassa completamente considerações pessoais, egocêntricas e narcisistas, superior a “fidelidade de grupo”, fundamento para um relançamento da agenda nacional e da construção de uma moçambicanidade em que todos se vejam e revejam teremos o processo político caminhando para destinos promissores.
Aquela tecla batida e gasta da “Unidade Nacional” já nada diz e significa para a maioria dos moçambicanos. Ninguém está mais interessado em aldrabices que empobrecem à maioria e enriquecem os que fazem parte da “fauna acompanhante” do núcleo dirigente do país.
Por mais milhões de dólares e armamento militar que chegue ao país, por mais cooperação militar que se estabeleça com países vizinhos e as potências mundiais a realidade mostra que com guerra mesmo que seja de grande intensidade não se produz a paz e a concórdia nacional. O Iraque depois da retirada americana está rapidamente se tornando palco de uma violência sectária de forte intensidade. Sucedem-se ataques bombistas e as lutas intestinas ganham novos contornos que já significam a inviabilização de “sonhados investimentos”.
Tolerar, comparticipar, compartilhar, respeitar, são verbos que temos de aprender a conjugar todos os dias.
O tempo é para um engajamento construtivo aberto a todas as sensibilidades nacionais, valorizando as diferenças e cimentando o que nos une como povo com uma história comum e um destino comum.
Abandonemos os falsos e pretensiosos complexos de superioridade, recusemo-nos a seguir a via da violência fratricida, abracemos um modelo de transparência, justiça, inclusão, equidade.
É preciso não dar a menor oportunidade aos falcões da guerra porque estes querem é derramar sangue inocente ao serviço de seus interesses ignóbeis.
Moçambique deve ser aquele país em que a Paz significa desenvolvimento e humanidade, nação solidária e tolerante.
Há que equilibrar os pratos da “balança nacional” através de actos concretos e palpáveis.
Sem subterfúgios e legalismos paralisantes vamos todos criar espaço para que o verdadeiro diálogo aconteça.
É urgente travar a espiral de violência que está paulatinamente tomando conta do país.
Não se pode alcançar a paz encostando os outros contra a parede nem com ofensivas militares.
Todos os dignitários nacionais, de todos os quadrantes políticos e religiosos têm a responsabilidade inalienável de tudo fazer para que se declare um cessar-fogo imediato e incondicional.
Na Paz e pela Paz não há vencidos nem vencedores…



(Noé Nhantumbo)

Thursday, 16 January 2014

Confirmada notícia do Canalmoz: Marcha pró-Guebuza agendada para sábado

Maputo (Canalmoz) – A marcha pró-Guebuza, noticiada pelo Canalmoz na sua edição de segunda-feira passada, está agendada para este sábado, 18 de Janeiro – dois dias antes do 71o aniversário de Guebuza.
Conforme noticiou o jornal, a marcha é da iniciativa do Governo e ao longo da semana passada funcionários do Est...
ado ao nível dos distritos da província de Maputo estavam a ser mobilizados para se deslocarem à capital a fim de participarem da mesma. Entretanto, quem vai dar a cara como organizador da marcha é o comité do partido Frelimo na cidade de Maputo.
Quando o Canalmoz noticiou no início desta semana que estava a ser organizada uma marcha de exaltação a Guebuza e de condenação aos seus críticos, por iniciativa do Governo central, a informação foi recebida com muitas críticas e o Governo, então, decidiu transferir a responsabilidade nominal da organização da marcha para o partido Frelimo. Porém, na prática, será o Estado a suportar todos os custos logísticos que serão avolumados quando se considerar que dos distritos da província de Maputo serão transportados funcionários locais para a capital a fim de engrossarem a marcha.
O Estado irá pagar a deslocação e alimentação dos funcionários mobilizados.

“GUEBUZA amigo, o POVO está contigo”

Na convocatória que circula ainda de forma restrita entre os membros e patrocinadores do partido Frelimo (o anúncio público deverá acontecer hoje), em forma de SMS, lê-se que a marcha deve acontecer para “saudar” os feitos do “melhor filho do povo moçambicano” e termina recordando ao chefe de Estado que “o povo está” com ele!

“Caro camarada, como sabe, este ano é o último de mandato do nosso Presidente Armando Guebuza como chefe de Estado e ele, no dia 20/01/2014, completa o seu 71º aniversário natalício.
O Comité da FRELIMO, na cidade e província de Maputo, está a organizar uma marcha em saudação dos feitos deste que foi e é o melhor filho do povo moçambicano, por isso vamos participar na referida marcha que partirá da Estátua do Dr. Eduardo Mondlane, no próximo sábado dia 18 de Janeiro de 2014 e vai desaguar na Praça da Independência, com início às 08h00.
GUEBUZA amigo, o POVO está contigo”.

Recorde-se que a notícia publicada pelo Canalmoz baseada em informação fidedigna colhida em diversos distritos da província de Maputo foi apelidada de “boato” pelos propagandistas do Governo e do partido Frelimo.

À moda angolana

Neste momento, o Governo e o seu líder máximo (chefe de Estado) enfrentam grande impopularidade, com destaque para as áreas urbanas. Em Outubro passado, milhares de moçambicanos saíram às ruas para se manifestarem contra os sequestros, conflito armado, criminalidade, arrogância do Governo. O partido Frelimo apelou, na altura, para que as pessoas não aderissem à manifestação pacífica, mas não só aderiram tal como houve réplica em Nampula, Chimoio, Quelimane, Beira, da grande marcha que teve lugar em Maputo.
A marcha agora organizada pelo Governo (sob capa do partido no poder) pode ser vista como uma contra-marcha que pretende mostrar, como diz a convocatória, que “o povo está com Guebuza”.
Será, portanto, a primeira vez que se organiza marcha de apoio ao chefe de Estado em Moçambique, mas a prática é tão recorrente em países como Angola, país onde governa desde a independência o MPLA, “partido irmão” da Frelimo.
Hoje (quinta-feira) a Frelimo deverá anunciar oficialmente a marcha de apoio a Guebuza e a quem o critica.


 (Borges Nhamirre, Canalmoz)