Tuesday, 8 March 2016

Quase 11 mil moçambicanos refugiados no Malauí para fugir a confrontos

Quase 11.000 moçambicanos estão concentrados num campo de refugiados improvisado em Kapise (sudoeste do Malauí) para fugir aos confrontos militares no centro-oeste de Moçambique, disse hoje à agência Lusa a responsável pelo local de acolhimento.


   
Contactada telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, Monique Ekoko disse desde Kapise, a apenas seis quilómetros da fronteira com Moçambique, que, até segunda-feira, foi possível registar 8.776 moçambicanos, estimando que estarão a aguardar idêntico procedimento cerca de 2.250 outros.

"Até ontem (segunda-feira) registámos 8.776 moçambicanos que estão a pedir asilo. Alegam que têm estado a ser perseguidos pelas tropas governamentais (moçambicanas na província de Tete), que as suas casas têm estado a ser queimadas e que essas forças os acusam de albergarem soldados da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, oposição)", explicou Monique Ekoko.
Segundo a responsável pelo centro de acolhimento, que indicou não haver cidadãos de outras nacionalidades, essas informações têm sido comuns aos moçambicanos que estão a chegar a Kapise desde Tete, atravessando a fronteira aleatoriamente sem passar pelos postos fronteiriços oficiais.
"Começaram a chegar em pequenos grupos em junho de 2015. Em dezembro de 2015, o número subiu drasticamente. Desde então que têm chegado cerca de 300 moçambicanos por semana, especialmente desde o final de fevereiro", disse.
Em causa está a crise política e militar entre o Governo moçambicano, de Filipe Nyusi, e a Renamo, liderada por Afonso Dhlakama, com o partido da oposição a reivindicar a vitória nas eleições gerais de 2014 em seis províncias do país, incluindo Tete.
As últimas semanas têm sido marcadas por acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios por razões políticas e também por emboscadas a viaturas civis atribuídas à Renamo na província de Sofala.
"Estão a chegar com as suas bagagens, com tudo o que têm, alguns deles até com utensílios de cozinha, uma vez que foram das poucas coisas que conseguiram tirar das casas destruídas e queimadas. As forças governamentais estão a considerá-los como apoiantes da Renamo. Pelo menos é o que eles nos têm dito. Mas ainda não conseguimos confirmar nada disto", insistiu à Lusa Monique Ekoko.
A responsável pelo centro de acolhimento indicou que as autoridades locais disponibilizaram um terreno para os abrigar nesta fase, havendo já o compromisso de Lilongwe para encontrar um local com maiores e melhores condições.
A 01 deste mês, o governador de Tete, Paulo Auade, negou a existência de refugiados moçambicanos no Malauí, defendendo que a maioria das pessoas que estão em Kapise são cidadãos malauianos que, por causa da seca, "se fazem de deslocados".
No entanto, Auade acabou por ser desmentido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação moçambicano, Oldemiro Baloi, que, dois dias depois no parlamento, confirmou a existência de moçambicanos a precisar de assistência no Malauí e que a prioridade do Governo de Moçambique é garantir assistência humanitária, embora sem admitir que se trata de refugiados.
"Para se ter o estatuto de refugiado, não é automático. A atribuição dessa categoria subordina-se a requisitos, que incluem ser requerente de asilo, mas, independentemente disso, a componente humanitária sobrepõe-se a essa questão", frisou Baloi.



Diário Digital com Lusa

Renamo diz desconhecer autoria de ataques nas estradas do centro de Moçambique






Maputo, 08 mar (Lusa) - A Renamo disse hoje desconhecer a autoria dos sucessivos ataques armados nas estradas do centro de Moçambique, no dia em que denunciou o assassínio e prisões de membros do maior partido de oposição.
"Não sei. Cabe à polícia esclarecer isso. Estou aqui, não estou na estrada. Cabe a quem de direito explicar, trazendo evidências", afirmou hoje em conferência de imprensa o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), António Muchanga, sugerindo que está limitado no alcance das suas respostas, para não ser confundido como comandante militar e constituído arguido, como já aconteceu no passado.
A polícia atribui ao braço armado da Renamo vários ataques a tiro nas últimas semanas nas principais estradas das províncias de Sofala, Manica e Zambézia, uma acusação que o maior partido de oposição nunca desmentiu.
No sábado, um ataque a tiro contra um autocarro da Nagi Investment matou duas pessoas em Honde, província de Manica, e na segunda-feira uma emboscada a uma viatura da mesma empresa em Zero, província da Zambézia, deixou um número indeterminado de feridos.
Em Sofala, as Forças de Defesa e Segurança montaram escoltas militares obrigatórias para viaturas civis em dois troços da N1, a principal estrada do país, entre Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia.
Na segunda-feira, a procuradora-geral da República disse à Lusa que abriu processos para todas as ocorrências relativas a ataques nas estradas atribuídos à Renamo.
"Em função dessas ocorrências, vamos dar o devido tratamento", referiu Beatriz Buchili, à margem de uma visita a Luanda.
A instabilidade em Moçambique tem vindo a deteriorar-se, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios de dirigentes políticos, além do registo de milhares de pessoas da província de Tete em fuga para o vizinho Malaui.
Na conferência de imprensa de hoje, António Muchanga denunciou e condenou o alegado assassínio de um membro do partido, Aly Jany Ussene Calu, "raptado na cidade de Maxixe [província de Inhambane] e morto a tiro no rio Nhangombe".
Do mesmo modo, o porta-voz da Renamo reiterou a denúncia, avançada à Lusa no sábado, às "prisões arbitrárias" de quatro elementos do partido no bairro 9, na cidade do Chimoio, província de Manica.
Sobre este caso, o comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) de Manica, Armando Mude, disse no sábado, em conferência de imprensa, que há na Renamo "desinformação exagerada" por parte dos membros daquele partido, o que levou a polícia a tomar medidas para "acalmar a situação".
Este grupo de pessoas, descreveu Mude, tem anunciado que "amanhã vai haver ataque aqui, amanhã vai haver ataque ali, amanhã vamos levar a cabeça de fulano", defendendo que "[a desinformação] é outro tipo de guerra" e leva à "intimidação dos membros do Governo e do Estado", mas não especificando o crime de que aqueles elementos estão indiciados.
Entretanto, em Maputo, a polícia moçambicana anunciou ter descoberto material e fardamento militar da Renamo numa casa no bairro Luís Cabral, subúrbios da capital, segundo o jornal Notícias, uma acusação já refutada pelo partido de oposição.
O porta-voz da Renamo acusou hoje a polícia de falta de profissionalismo e má-fé, alegando que o equipamento apreendido pertence a empresas de segurança privadas.
"Associar o partido Renamo a qualquer assunto de natureza criminal é má-fé e visa justificar o fracasso da polícia no combate à criminalidade", disse António Muchanga.
O agravamento da crise política e militar levou o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, a dirigir uma carta convite ao líder da Renamo para a retoma do diálogo, mas Afonso Dhlakama condicionou as conversações à presença da mediação do Governo da África do Sul, Igreja Católica e União Europeia.
A Renamo ameaça tomar o poder, a partir de março, em seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.




Monday, 7 March 2016

Líder da Renamo condiciona diálogo com PR à presença de mediadores

 
 
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, condicionou hoje a retoma do diálogo com o Presidente da República, Filipe Nyusi, à aceitação de um grupo de mediadores constituído pelo Governo sul-africano, Igreja Católica e União Europeia.



Na resposta por escrito à carta-convite endereçada pelo Presidente moçambicano na sexta-feira, o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) concorda com o reatamento do diálogo, mas, "como forma de evitar os acontecimentos do passado", sujeita às conversações a pontos prévios, nomeadamente a mediação daquelas entidades.
"A Renamo propõe que o Governo aceite publicamente a credenciação destes mediadores, como forma de mostrar ao povo moçambicano e ao mundo em geral o seu compromisso com a paz e reconciliação nacional", declara o maior partido de oposição, na carta, com data de hoje, assinada pelo chefe de gabinete de Dhlakama.
Na missiva, a Renamo lembra que já tinha proposto o envolvimento daquelas instituições e "cujas respostas foram favoráveis", acrescentando que só indicará a sua equipa de preparação para um encontro com o chefe de Estado "uma vez aceite a credenciação dos propostos mediadores".
O Presidente moçambicano dirigiu na sexta-feira um convite ao líder da Renamo para a retoma do diálogo e pediu ao maior partido de oposição "máxima urgência" na designação dos seus representantes para preparar um encontro ao mais alto nível.
"O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, em cumprimento das decisões do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, endereçou um convite ao presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, para a retoma do diálogo ao mais alto nível, visando encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguimento do caminho do desenvolvimento", adianta a Presidência num comunicado enviado à Lusa.
A carta, segundo a nota da Presidência, decorre da reunião, a 24 de fevereiro, do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, que determinou a continuação dos esforços do chefe de Estado para a retoma do diálogo com o líder do maior partido de oposição.
No convite, o chefe de Estado solicita "máxima urgência possível" na designação dos representantes da Renamo para o regresso ao diálogo.
Do seu lado, Filipe Nyusi designou Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Muteque, quadro da Presidência, para a preparação do encontro com Dhlakama.
Na resposta, a Renamo saúda a iniciativa do Conselho Nacional de Defesa e Segurança e, "como protagonista do diálogo, ora temporariamente interrompido, concorda que este seja retomado, com vista a encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguir com o desenvolvimento nacional".
Para justificar a necessidade da mediação da África do Sul, Igreja Católica e União Europeia, a Renamo invoca acontecimentos do passado recente, "que se caraterizaram em encontros ao mais alto nível sem agenda própria, aperto de mão sem verdadeiro sentido de reconciliação e conversas sem registo".
O maior partido de oposição menciona ainda "falta de seriedade" do Governo no cumprimento dos acordos alcançados nas sessões de diálogo de longo-prazo no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
A instabilidade em Moçambique tem vindo a deteriorar-se, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios de dirigentes políticos.
Nas últimas semanas, foram registados ataques a colunas de veículos civis escoltadas pelos militares atribuídos à Renamo, em dois troços da principal estrada do país, na província de Sofala, centro do país.
Nyusi e Dhlakama avistaram-se duas vezes no início de 2015, mas o diálogo entre Governo e Renamo está bloqueado há vários meses, levando o líder da oposição a ameaçar tomar o poder nas seis províncias onde reclama vitória nas últimas eleições gerais.
 



NAGY atacado no troço Nicoadala-Zero

Um autocarro da companhia Nagy Investimento fazendo o trajecto Nampula-Maputo foi atacado por volta das 13 horas desta segunda-feira(7) por supostos homens da Renamo na zona de Lingodzi, concretamente no troço entre Nicoadala-Zero, na Estrada Nacional nr 1.
Informacoes que o Diário da Zambézia teve acesso, dão conta que quando o ataque começou, o condutor do autocarro não cedeu, aumentou a velocidade, mas debaixo de fogo, conseguiu dominar a viatura. Sabe o DZ que neste ataque à luz do dia, houve registo de feridos que foram evacuados para o Hospital Distrital de Caia em Sofala por ser mais próximo daquela zona.
Quando esta informação chegou as autoridades, foi mobilizada uma força de Defesa e Segurança estacionada em Mopeia transportados numa viatura Ford Ranger que esta(va) afecto ao administrador com alguns elementos das FDS até ao local. Chegados ao sitio de combate, os supostos homens da Renamo abriram fogo contra as forças governamentais e houve feridos por parte das FDS e o condutor da viatura do governo só salvou por um triz.
Até ao fecho desta edição, o DZ sabia que o trânsito estava condicionado e na via, um batalhão de militares tomou conta para não permitir mais ataques.
Refira-se que este é o segundo ataque em menos de uma semana do autocarro da companhia Nagy Investimentos.




DZ

Angola, Moçambique e Brasil "vetam" Portugal na CPLP

 
Em causa a presidência rotativa da organização.

Os governos do Brasil, Angola e Moçambique não querem que Portugal ocupe a presidência rotativa da Comunidade dos Países da Língua Portugal CPLP, na cimeira que vai decorrer em Julho.
O Brasil foi o primeiro país a vetar Portugal por considerar que Lisboa não teve presidir a organização, em virtude de ser o país onde está a sede da CPLP.
De acordo com o jornal português Sol, Portugal já disse não estar disposto a abdicar da presidência executiva da Comunidade.
O argumento do Brasil, Angola e Moçambique é  de que por acolher a sede da CPLP, Portugal devia abdicar de ocupar a presidência executiva rotativa.
O vice-presidente angolano Manuel Vicente falou do assunto com o ministro português Augusto Santos Silva, que recusa totalmente a pretensão dos três países e exige que seja Portugal a assumir a presidência na próxima cimeira da CPLP.
No seu primeiro acto público a avançar com as linhas principais da política externa do novo Governo, Santos Silva deu imediatamente o sinal de que Portugal rejeita a pressão de Brasil, Angola e Moçambique, que já tinha sido comunicada há algum tempo por via diplomática. 
“A Comunidade de Países de Língua Portuguesa está no topo das nossas prioridades. Em particular, neste ano de 2016, em que se celebrarão os 20 anos da sua fundação, em que se espera a aprovação da sua nova visão estratégica e em que cabe a Portugal apresentar a candidatura ao cargo de secretário(a) executivo(a)”, disse o ministro português durante um seminário para os quadros do seu ministério. 
Fontes diplomáticas angolanas acreditam que essa posição, se existiu, foi a título pessoal, como forma de pressão de Manuel Vicente sobre as autoridades portuguesas, por causa do processo de corrupção em que poderá estar envolvido.
A nomeação do próximo secretário executivo da CPLP será também uma das primeiras missões diplomáticas de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente de República, ele que tem uma especial dedicação ao universo lusófono.
Ao longo da campanha presidencial, deu indicações que privilegiará o estreitamento de relações com os países de língua portuguesa.
Até agora, nenhum dos quatro governos se mostrou disponível para reagir a esta notícia.



                       

Pressionado com a deterioração do conflito, Nyusi quer retomar o diálogo

 


Resposta de Dhlakama pode ser conhecida hoje
- Num recente pronunciamento público, o líder da Renamo tinha deixado claro que a retomada do diálogo só poderia acontecer depois do início da chamada governação autónoma provincial


A resposta da Renamo, à carta enviada pelo Presidente da República, na última sexta-feira, poderá ser conhecida esta segu nda-feira , segundo avançou, ao mediaFAX, fonte partidária autorizada.
António Muchanga, porta-voz da Renamo, assegurou em contacto com o mediaFAX que, efectivamente, o seu partido e especialmente o presidente Afonso Dhlakama tinham já recebido a correspondência encaminhada pelo Presidente da República, no âmbito das démarches para a retomada do diálogo político.
“Já recebemos sim” – confirmou Muchanga, acrescentando que “a resposta pode sair provavelmente amanhã (hoje)”.
O diálogo político foi interrompido, recorde-se, há mais de um ano por decisão unilateral da Renamo. Para esta atitude, a Renamo justificou a inoportunidade de se continuar a dialogar sem resultados efectivos, pois, já muito tempo passava sem que as partes conseguissem aproximar os seus pontos de vista.
Com o diálogo interrompido e com a situação política e militar a deteriorar-se acentuadamente a cada dia que passa, o Chefe de Estado decidiu convocar o Conselho Nacional de Defesa e Segurança que, reunido, decidiu pela necessidade urgente de criação de condições de segurança para o reinício do diálogo ao mais alto nível.
Ou seja, criação de condições de segurança para que Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama se reunissem nos próximos tempos, tudo na perspectiva de se encontrar caminhos para devolver a paz e tranquilidade efectivas ao país.
Nisto e em seguimento às recomendações do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, o Chefe de Estado constituiu uma equipa que se vai encarregar pela criação das respectivas condições para que o encontro ao mais alto nível se concretize. A equipa, anunciada na tarde da última sexta-feira, é composta por Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Benvinda Levi, assessora do PR e ainda por Alves Muteque, quadro da Presidência da República. Ainda na mesma sextafeira, o documento, pedindo a constituição urgente da equipa da Renamo, foi encaminhado ao partido Renamo.
É desta carta que se aguarda alguma reacção, acto que, segundo Muchanga, pode acontecer ainda ao longo desta segunda-feira.
Apesar de se acreditar numa resposta positiva, Afonso Dhlakama tem reiterado, nos últimos tempos, que a retomada do diálogo só deverá acontecer depois do início da chamada governação autónoma provincial, isto nas províncias onde teve maioria na votação de 15 de Outubro de 2014.




MEDIAFAX – 07.03.2016
, citado no Moçambique para todos

Informação pública

 
O que se passa com os órgãos de informação do sector público continua a ser um mistério para mim.
Cada vez que fala sobre o assunto, Filipe Nyusi dá orientações concretas sobre a forma como esses órgãos de informação devem encarar a sua principal tarefa. E são orientações correctas, de acordo com a Constituição e a Lei de Imprensa. Mas o que é publicado, diariamente, contraria frontalmente essas orientações.
E não acontece nada.
Ainda agora, na festa de aniversário da TVM, Nyusi disse coisas como estas:
.A TVM deve ser uma janela de vidro transparente que transmite
a certeza dos factos narrados e uma porta através da qual entram as denúncias do que não está correcto e se salientam as boas práticas, contribuindo para o desenvolvimento de Moçambique;
. A TVM não pode servir facções políticas. Pelo contrário deve promover a imparcialidade, o rigor e a objectividade nos conteúdos que são transmitidos;
. Não podemos encorajar a televisão de todos nós a servir de arma política ou ideológica contra os seguidores de qualquer partido;
. A TVM deve promover e estimular um debate organizado para ajudar a criar uma opinião pública informada, séria, crítica e patriótica.
(Estas citações foram traduzidas da notícia da AIM em inglês).
Ora, o que está a acontecer é exactamente o oposto. Ainda há poucos dias, ao tomar posse do cargo de Director de Informação da Rádio Moçambique, Abdul Naguibo afirmou: “Nós temos de ser aqueles que mobilizam as pessoas a compreenderem melhor aquilo que são os objectivos do Governo”. E isto é uma trágica confusão entre o que é o jornalismo e a propaganda.
Esta definição cabe a uma agência de promoção de imagem, não a um órgão de informação. Mas este tipo de confusão vem de cima. Não há muitos meses a actual Directora de Informação junto do gabinete do Primeiro Ministro defendeu posições muito similares.
São pessoas que não percebem que os órgãos de informação públicos não estão ao serviço do Governo do dia, mas sim do país no seu todo.
Cabe-lhes informar sobre a realidade dos acontecimentos quer eles agradem ao Governo, quer não. Como muito bem defende, nos seus discursos, Filipe Nyusi. Só que nada faz para que essas orientações sejam seguidas e o resultado é elas serem completamente ignoradas.
E, continuando as coisas assim, nunca iremos ter uma democracia
efectiva e, muito menos, a Paz...
Finalmente uma boa notícia: A RM retomou a transmissão em directo da Assembleia da República, pelo menos para a sessão de perguntas ao Governo.
PS – O governador de Tete, Paulo Auade, afirmou que as mais de 6000 pessoas refugiadas no Malawi são mulheres e filhos dos homens armados da Renamo, o que pode ser verdade se ele o diz.
Mas, tendo uma família moçambicana média cerca de seis pessoas, isso significa que, só naquela zona da província de Tete, a Renamo tem mais de 1000 homens armados?
E isso não preocupa o digno governador ?
Machado da Graça, Savana 04-03-2016

Sunday, 6 March 2016

Falta de urbanismo fere a beleza da Marginal de Maputo

01



As obras praticamente terminadas da requalificação da orla marítima e da primeira secção da Estrada Circular tornaram a marginal da cidade de Maputo uma das zonas mais belas e atractivas da capital.
Entretanto, a falta de urbanismo por parte de alguns munícipes ensombra a nova imagem da área, que devia ser cuidada.
Alguns munícipes contrariam as regras estabelecidas, provocando desordem e imundície numa área de lazer para quem la se refugia das altas temperaturas e ou do stressda semana de trabalho.
Com bancos para repouso que se estendem junto à praia desde o Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano até à zona de “Pescadores”, existem banhistas que transpõem a estrada para consumir bebidas alcoólicas noutra margem, perturbando a circulação de viaturas e expondo-se a acidentes de viação na tão movimentada avenida, sobretudo em dias de intenso calor.




Parques de estacionamento com capacidade para perto de 500 viaturas foram abertos em diversos pontos do lado do mar mas, mesmo assim, automobilistas há que colocam os carros nas bermas da estrada e/ou mesmo na faixa de rodagem. Outros ainda estacionam do lado oposto ao mar, o que pressupõe a transposição de passeios, contrariando as regras estabelecidas na zona, que apenas permitem o estacionamento numa única área.
O cenário é crítico nos dias de intenso calor. Na zona entre o Supermercado Marés e a ponte da Costa do Sol, por exemplo, torna-se difícil o trânsito, uma vez que das quatro faixas de rodagem existentes, duas são “roubadas” pelo estacionamento indevido. Mesmo com a Polícia de Trânsito na área. O facto tem forçado a Polícia Municipal a bloquear os carros estacionados irregularmente, facto que gera celeuma no lugar da diversão.



Alguns automobilistas estacionam em lugares indevidos para de seguida gerirem embaraços com a Polícia, que não tarda a aplicar multas e/ou bloquear os carros, quando do outro lado existe espaço de sobra para o efeito.
Outro aspecto que atenta à beleza é o lixo, que continua a ser depositado no chão,  mesmo com os contentores colocados para o efeito.
Cidadãos há que depois de desfrutar do melhor que a costa oferece, abandonam restos de comida, garrafas e latas de bebidas em locais impróprios, mesmo com os depósitos a escassos metros.
Enquanto uns atiram garrafas junto à estrada, outros fazem-no na areia da praia e uma vez partidas se tornam um perigo para os demais banhistas. Mesmo para eles próprios.



Todas e outras atitudes pouco dignas naquela praia acontecem, numa altura em que o Município se desdobra em sucessivos apelos para a manutenção da nova imagem que caracteriza a marginal.




Fonte: www.jornalnoticias.co.mz

Saturday, 5 March 2016

Presidente moçambicano convida líder da Renamo ao diálogo

Maputo, 04 mar (Lusa) - O Presidente moçambicano dirigiu um convite ao líder da Renamo para a retoma do diálogo e pediu ao maior partido de oposição "máxima urgência" na designação dos seus representantes para preparar um encontro ao mais alto nível.
"O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, em cumprimento das decisões do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, endereçou um convite ao presidente da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana], Afonso Dhlakama, para a retoma do diálogo ao mais alto nível, visando encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguimento do caminho do desenvolvimento", adianta a Presidência num comunicado enviado hoje à Lusa.
A carta, segundo a nota da Presidência, decorre da reunião, a 24 de fevereiro, do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, que determinou a continuação dos esforços do chefe de Estado para a retoma do diálogo com o líder do maior partido de oposição.
No convite, o chefe de Estado solicita "máxima urgência possível" na designação dos representantes da Renamo para o regresso ao diálogo.
Do seu lado, Filipe Nyusi designou Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Muteque, quadro da Presidência, para a preparação do encontro com Dhlakama.
Contactado pela Lusa, o porta-voz da Renamo, António Muchanga, disse que, até ao fim da tarde de hoje, a carta não tinha ainda entrado no expediente do partido.
Evitando tecer comentários sobre o convite, António Muchanga disse que, quando o documento estiver na posse da Renamo, será enviado para Afonso Dhlakama, não prevendo nenhuma resposta antes de segunda-feira.
A iniciativa da Presidência ocorre no mesmo dia em que o líder da Renamo acusou o Governo de preparar uma ofensiva em grande escala, deixando, ao mesmo tempo, a sua disponibilidade para negociar.
Em comunicado enviado à Lusa, o gabinete de Afonso Dhlakama acusa o Governo de ter mobilizado 4.500 membros das forças de defesa e segurança para as províncias de Manica e Sofala, centro do país, uma região de forte implantação do movimento.
"A concentração tem como objetivo realizar uma mega ofensiva nos distritos das províncias de Manica e Sofala para impedir a implantação do Governo da Renamo", diz a nota de imprensa, aludindo à ameaça do principal partido de oposição de governar nas seis províncias onde reivindica vitórias nas eleições gerais de 2014.
A Renamo alega que o desdobramento do exército e da polícia moçambicana estende-se a outros pontos do país e considera que uma suposta ofensiva colocará em risco vidas humanas e bens materiais.
"A presidência da Renamo reitera a sua disponibilidade em dialogar com o Governo da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder] de forma séria e responsável de modo a ultrapassar a atual crise político-militar, que já provocou milhares de refugiados", afirma-se no texto.
A situação político-militar em Moçambique tem vindo a deteriorar-se, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios de dirigentes políticos.
Nas últimas semanas, foram registados ataques a colunas de veículos civis escoltadas pelos militares atribuídos à Renamo, em dois troços da principal estrada do país, na província de Sofala, centro do país.
Apesar de o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, reiterarem a sua disponibilidade para o diálogo, o processo negocial entre o Governo e o principal partido de oposição mantém-se bloqueado há vários meses.





Friday, 4 March 2016

Presidente da Republica endereça convite ao lider da Renamo


International Crisis Group põe Moçambique em "alerta de risco de conflito"


Afonso Dhlakama, líder da oposição da Renamo diz que perdeu total confiança no Governo de Moçambique e que apenas estará disponível para eventuais negociações em nome do futuro da democracia no país.
A organização International Crisis Group colocou Moçambique na lista de países ou regiões em "alerta de risco de conflito", após a situação política e militar se ter agravado em fevereiro com registo de vários incidentes.
Segundo o relatório mensal do International Crisis Group, com sede em Bruxelas, Moçambique figura ao lado do Afeganistão, Chade, Somália, Turquia, Venezuela e Zimbabué, bem como a região da península da Coreia.
Para o "Crisis Group", os acontecimentos ao longo de fevereiro "justificaram" o agravamento da situação, que começou logo no início do mês, quando a Renamo, oposição, rejeitou conversações com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.
As razões da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), partido que reclama vitória em seis províncias do centro e norte do país nas eleições de 2015, prendem-se com a ausência de garantias de segurança para o respetivo líder, Afonso Dhlakama.
A 08 desse mês, sustenta o "Crisis Group", a Renamo bloqueou estradas na província de Sofala (litoral/centro), tendo atacado alguns veículos civis, provocando vários mortos e feridos, o que levou as forças de segurança moçambicanas a retomar as escoltas armadas ao longo de um troço de cerca de 100 quilómetros da Estrada Nacional 1, na mesma região.
A organização não-governamental, sem fins lucrativos e independente, que promove a prevenção e a resolução de conflitos letais, adianta também que elementos afetos à Renamo abateram a tiro Manecas da Silva, juiz e secretário da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) em Sofala.
Por outro lado, o "Crisis Group" destaca ainda as operações militares para desarmar "militantes" da Renamo na província de Tete (noroeste), que provocaram um êxodo de refugiados para o vizinho Malauí, estimados em cerca de 6.000, com a existência de vários pedidos para investigar queixas de alegadas execuções e abusos sexuais por parte das forças de segurança.
As análises mensais da "Crisis Group" têm por base as alterações políticas e/ou militares internas de cada país, não havendo a intenção de fazer comparações com outros Estados.
O "alerta de risco de conflito" é atribuído a um país onde a violência tem ocorrido e que se espera que continue no mês seguinte. O indicador é definido apenas quando se regista e receia uma nova ou uma significativa escalada de violência.
O "Crisis Group" foi fundado em 1995 por um coletivo de personalidades que lamenta o fracasso da comunidade internacional em antecipar e responder eficazmente às tragédias ocorridas no início da década de 1990 na Somália, Ruanda e Bósnia.
Entre os fundadores contam-se Morton Abramowitz, antigo embaixador dos Estados Unidos na Turquia e Tailândia e, depois, presidente da instituição Legado de Carnegie para a Paz Internacional, e Mark Malloch-Brown, antigo presidente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e, mais tarde, secretário-geral adjunto da ONU e ministro no Reino Unido.
Segundo os fundadores, a ideia foi criar uma nova organização com funcionários altamente profissionais, "agindo como olhos e ouvidos do mundo", para analisar e prevenir conflitos e com poder internacional suficiente para conseguir mobilizar a comunidade internacional nos diferentes processos.
Atualmente, o International Crisis Group é reconhecido como o líder mundial de fontes de informação e análises, bem como conselheiro de políticas de prevenção e resolução de conflitos letais.



DN

Nenhuma detenção um ano depois do assassínio de Gilles Cistac - Polícia moçambicana



Maputo, 03 mar (Lusa) - Um ano após o assassínio do constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac, em 03 de março de 2015, as autoridades moçambicanas ainda não detiveram ninguém relacionado com o caso, segundo o porta-voz da polícia, Inácio Dina.
"Houve pessoas intimadas a prestar depoimentos, algumas por terem testemunhado o crime e outras por suspeitas do seu envolvimento, mas depois soltas", disse o porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), falando na conferência de imprensa semanal da corporação, citado hoje pela imprensa.
Inácio Dina acrescentou que a polícia continua a investigar o caso e a falta de resultados não pode ser encarada como um arquivamento do processo.
"É preciso que a sociedade perceba que as autoridades estão a seguir as pistas que existem neste caso. E quando o tempo passa sem apresentarmos resultados que o povo quer ver, isso não significa que o caso está esquecido", afirmou Dina.
Gilles Cistac, que vivia em Moçambique desde 1993, foi morto a tiro por desconhecidos à saída de um café no centro da capital.
Nos últimos anos da sua vida notabilizou-se por defender teses embaraçosas para a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, a última das quais dando argumentos jurídicos à exigência da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal força de oposição, de criação de províncias autónomas.
De origem francesa, Cistac, que morreu aos 53 anos, foi assessor no Tribunal Administrativo moçambicano e nos ministérios do Trabalho e do Turismo.
No campo académico, foi diretor adjunto para a investigação e expansão na Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, a principal do país, onde também lecionou as cadeiras de Direito Constitucional e Direito Administrativo.
Fora da esfera académica e da assessoria jurídica a entidades governamentais, Gilles Cistac passou a ser conhecido pela opinião pública moçambicana pelas suas análises muitas vezes desfavoráveis ao Governo e à Frelimo.
Pouco antes da sua morte, provocou um vendaval jurídico e político, quando afirmou que a exigência da Renamo de criação de regiões autónomas, para poder governar nas províncias onde ganhou nas eleições gerais de 15 de outubro de 2014, teria cobertura constitucional, se o movimento substituísse a exigência de "regiões autónomas" por "províncias autónomas".
Na opinião de Gilles Cistac, ao prever a possibilidade de criação de escalões municipais acima das cidades, a Constituição da República de Moçambique prevê a hipótese de as províncias poderem ter o estatuto de município, o que coincide com uma província autónoma.
Atento a este pensamento jurídico, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, passou a exigir a criação de províncias autónomas, abandonando a referência a regiões autónomas.
Em 2012, o Governo moçambicano recusou o nome de Gilles Cistac, proposto pela sociedade civil, para juiz do Tribunal Africano dos Direitos Humanos, tendo apresentado em seu lugar um procurador-geral-adjunto que não preenchia todos os requisitos para o cargo.



Elefantes e rinocerontes em risco em Moçambique

Soa o alarme em Moçambique: a população de elefantes caiu para cerca de metade e o rinoceronte está à beira da extinção, tudo devido à caça furtiva. Mas Moçambique não toma as medidas que se impõem.


No momento em que o mundo celebra o Dia Internacional da Fauna Bravia (3.3), de Moçambique chegam notícias preocupantes sobre a deterioração de uma das maiores riquezas do país: a biodiversidade.
O diretor-geral da Administração Nacional de Áreas de Conservação, Bartolomeu Soto, anunciou na quarta-feira, 2 de março, que sobram apenas cerca de 10 mil elefantes, metade do total registado de 2008 para 2009.
A causa do desaparecimento dos elefantes é a caça furtiva, confirmou Bartolomeu Soto na cerimónia de lançamento das comemorações do Dia Mundial da Fauna, cujo lema, este ano é “O futuro dos elefantes e rinocerontes está nas nossas mãos”. Mas no que toca o país, disse Soto: “Não só Moçambique está alarmado mas o resto do mundo também está”.


Rinoceronte já desapareceu

Em conversa com a DW África, Marcelino Foloma, oficial de espécies especiais na organização não governamental, Fundo Mundial para a Natureza (WWF), explicou as razões para o alarme no que toca os elefantes: “Se a incidência da caça furtiva continuar, essa espécie pode desaparecer em pouco tempo”.
Essa seria uma enorme perda para o país, pois, segundo Foloma, o elefante assume aqui um papel económico e ecológico muito importante.
Mais grave ainda é a situação do rinoceronte, acrescentou: “Em tempos, Moçambique tinha uma população considerável de rinoceronte preto e branco. Mas nos dias de hoje esta espécie tende a desaparecer”.
Segundo um relatório do Ministério da Cultura e Turismo, a caça furtiva levou já à extinção do rinoceronte no país, à exceção de alguns locais ao longo da fronteira com o parque nacional do Kruger, na África do Sul.
Caça furtiva cresce

Moçambique é acusado de não tomar as medidas adequadas contra a caça furtive

O aumento da caça furtiva deve-se à crescente procura de chifres de rinocerontes e presas de elefante na Ásia. Na medicina tradicional desta parte do mundo, acredita-se que os chifres e as presas curam muitas doenças, embora a ciência já tenha provado de forma irrefutável que estes benefícios são fictícios. Não obstante, em certas partes da Ásia, os chifres de rinoceronte, por exemplo continuam a atingir preços recorde de mais de 50 mil euros por quilo. Mas não é só a caça furtiva que representa um problema: Moçambique é também um corredor para o tráfico internacional das espécies ameaçadas. Em 2014 o país foi colocado numa lista internacional de nações que menos se esforçam para combater a caça furtiva ao elefante e rinoceronte.
Marcelino Foloma, do WWF, disse à DW África que houve, no ano passado, um período de recuo da caça furtiva. Mas com o aumento da procura e dos preços envolvidos, a incidência do crime subiu em flecha.


Medidas urgentes


Marcelino Foloma enumera uma lista dos passos que o Governo de Maputo deve tomar com urgência para recuperar o controlo da situação. Não se trata apenas de rever as leis em vigor, mas também de “Reforçar a atividade de fiscalização, garantir maior capacidade técnica e maior capacidade em termos de equipamento que possa ser mais eficiente para estancar a situação”.
Além disso, as autoridades que lidam com o crime da caça furtiva devem ser mais agressivas “e mais sensíveis em relação ao agravamento da caça furtiva”. Impõe-se ainda criminalização a todos os níveis das pessoas que beneficiam do crime, incluindo aquelas que trabalham para “as várias instituições que estão envolvidas no controlo da caça furtiva”.




DW

Moçambique perde terreno na defesa da fauna bravia


Medidas do Governo infrutíferas.





As medidas tomadas pelo Governo moçambicano para a proteção da fauna bravia não estão a surtir efeito.
O rinoceronte preto já está extinto e dos 20 mil elefantes que existiam há cinco anos, só restam cerca de cinco mil.No Dia Mundial da Fauna Bravia, 3 de Março, ambientalistas descrevem como dramática a situação em Moçambique e caracterizada por falta de um controlo muito forte na exploração de recursos faunísticos.
A caça furtiva continua a dizimar a fauna um pouco por todo o país e, em algumas espécies, os efectivos foram pura e simplesmente eliminados, enquanto  noutras estão a baixar drasticamente.
O biólogo Carlos Bento diz que praticamente o rinoceronte preto está extinto.
Em relação ao rinoceronte branco, acredita que também está extinto porque há uma pequena faixa da área em que já não aparece.
Mas, de acordo com aquele biólogo, é mais provável que sejam efectivos que vêm do Krueger Park, que passam para o lado de Moçambique e depois voltam à procedência.
"E mesmo assim, quando os furtivos se apercebem disso vão para lá e atacam", explica.
Bento afirmou ainda que, duma maneira geral, o elefante também está em risco, indicando que há cinco anos Moçambique tinha 20 mil elefantes e agora tem cerca de cinco mil, "e se calhar quatro mil porque a matança de elefantes é diária e muito intensa".
Refira-se que o Governo moçambicano criou já a Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Ambiente, que conta com um efecivo significativo mas o país continua a perder a sua fauna.
Bento defende a necessidade de se melhorar alguns aspectos relacionados com o funcionamento dessa força policial, sobretudo no que diz respeito ao seu treinamento.
"Temos que ver se o treinamento que se deu à polícia de protecção de recursos naturais é efectiva ou não, porque, eu acho que esta tinha que ter um treinamento diferente do da polícia de proteção civil" destacou o biólogo.
Para além disso, diz, a polícia de protecção de recursos naturais e ambiente devia ter conhecimento de ecologia, a interação entre as espécies, pois, isso poderia motivar esta polícia a proteger com garra os nossos recursos faunísticos.
Carlos Bento defende ainda a integração daquela força policial no Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e não no do Interior.



VOA

Thursday, 3 March 2016

Je suis Cistac !

Um ano depois, continuamos a ser Cistac !


Jorge Khalau

O Comandante da PRM foi ontem exonerado e ceramente que ja nao vai responder a esta pergunta!

Wednesday, 2 March 2016

Dhlakama: combater, sobreviver e andar de moto na Gorongosa


Afonso Dhlakama fotografado este mês numa base no sopé da Gorongosa
Foi líder de guerrilha aos 27 anos. Soube depor as armas. Hoje, diz-se sem paciência e quer o poder em metade do país.

Um quarto de século após o Acordo de Roma, Afonso Dhlakama está de volta ao mato. Com a promessa de tomar o poder nas seis províncias (num total nacional de 11) onde a Renamo obteve maioria nas legislativas de 2014, correspondentes às regiões de influência histórica do movimento que combateu a Frelimo de armas na mão entre 1977 até 1992, quando foram assinados o acordo de paz na capital italiana. "Eu anunciei a formação do nosso governo, vai entrar em vigor em março, pode ser dia 1, 15 ou 30, mas (...) vamos governar", disse este mês na Gorongosa.
A reivindicação de Dhlakama e suas consequências serão analisadas esta semana no primeiro Conselho de Estado que o presidente Filipe Nyusi convoca desde que chegou ao poder em 2014.
As críticas atuais de Dhlakama não são senão o eco de outras feitas desde 1994, e remetem para situações de intolerância política, discriminação, ausência de equilíbrio e independência na Administração Pública e questões conexas. Um jornalista moçambicano, falando no final da semana numa conferência em Maputo, sintetizou a situação: "Este é um dos únicos países (...) em que não temos nenhum dirigente a nível de uma associação desportiva ou de camponeses que não seja do partido no poder", disse Salomão Maiane, citado pela Lusa.
Quando assumiu a direção da Renamo, o atual líder tinha 27 anos e coube-lhe suceder, após morte em combate, a André Matsangaíssa, um ex-militante da Frelimo que rompeu com esta, tal como Dhlakama. A Renamo chamava-se Resistência Nacional Moçambicana (RNM), abrigava-se na Gorongosa, no centro do país, onde Dhlakama volta sempre que se diz em perigo.
A primeira geração de combatentes da Renamo recebeu formação da Rodésia (atual Zimbabwe) e nas suas fileiras havia de tudo: os que tinham vestido o uniforme português, ex-guerrilheiros da Frelimo, sem partido descontentes com o regime de Maputo.
Já com Dhlakama na liderança, será a África do Sul a assumir responsabilidades na preparação militar e apoio político até ao início do processo de transição do apartheid para o governo da maioria negra. Mas Dhlakama sempre recusou a ideia de ter sido a Renamo criação ou instrumento de Pretória.

Deslocações de motorizada

A natureza do conflito e a escassez de recursos obrigam os guerrilheiros e seu líder a longas caminhadas no mato, uma prática que, desde o regresso das tensões entre Renamo e Frelimo, Dhlakama diz-se forçado a recorrer para escapar a alegadas emboscadas de forças governamentais. Mas as motorizadas parecem ocupar um lugar importante no seu percurso, embora ele negue veracidade a algumas histórias, como aquela posta a circular pela Frelimo que, num assalto à base onde se encontrava, teria escapado num veículo de duas rodas. Mas existem relatos sobre esta faceta, documentada em vídeo e fotografia. Como contou à Lusa o arcebispo emérito da Beira, Jaime Gonçalves, recordando que, no primeiro encontro com Dhlakama numa base da Renamo, este apareceu de moto e o transportou ele próprio até ao local da reunião.
Afonso Dhlakama nasceu a 1 de janeiro de 1953 na localidade de Mangunde, numa família onde o pai era régulo - fator a não descurar na política africana. Não teve grande educação formal. No entanto, nunca desistiu de se cultivar e de ter formação, quer da África do Sul quer de diferentes círculos europeus (entre os quais portugueses) e americanos que apoiam a Renamo. Portugal será, aliás, uma plataforma do movimento, tendo sido palco do assassínio do secretário-geral Evo Fernandes em abril de 1988. Morte atribuída aos serviços secretos de Maputo. No ano seguinte, em julho, começariam as negociações de paz. Raul Domingos representava a Renamo, Armando Guebuza a Frelimo. O Acordo Geral de Paz é assinado a 4 de outubro de 1992.
Casado desde 1980 e pai de oito filhos, Dhlakama vai viver em abril de 1993 para Maputo. Nas primeiras presidenciais, em 1994, tem 33,7 % dos votos; Chissano ganhou com 53,3%. Nas legislativas, a Frelimo somou 44,3%, a Renamo 37,7. No ciclo eleitoral de 1999, Chissano obteve 52,2% e Dhlakama 47,7%. O padrão dos resultados repete-se até 2014, com a Renamo a acusar a Frelimo de fraude. Em 2012, Dhlakama deixou a capital com o argumento de ter a vida em perigo. Seguiu-se um conflito de baixa intensidade entre a Renamo e o governo, com aquele a só reaparecer em 2014 para a assinatura de um acordo de cessação de hostilidades, a 5 de setembro, com o então presidente Armando Guebuza. Mas pouco após as eleições de outubro daquele ano, abandonou Maputo. Agora, diz-se "mais legal que [o atual presidente Filipe] Nyusi. Pelo menos quero governar onde os editais confirmam que Dhlakama e a Renamo tiveram maioria".






Diário de Notícias

União Europeia confirma pedido de mediação da RENAMO em Moçambique

Fonte diplomática comunitária confirmou à agência Lusa que houve de facto um pedido de mediação da RENAMO para a crise em Moçambique. O pedido já teria sido noticiado pelo jornal Mediafax na segunda-feira (29.02).

Filipe Nyusi (esquerda) e Afonso Dhlakama (direita)
Federica Mogherini, alta representate da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e vice-presidente da Comissão Europeia, visitou Maputo na última semana de fevereiro e segundo avançou o jornal Mediafax , na sua edição de segunda-feira (29.02.), houve um pedido da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) à União Europeia para a mediação da crise polítcia e militar que se vive em Moçambique.
Entretento, fonte diplomática jcomunitária já confirmou à agência de notícias Lusa que houve de facto esse pedido por parte da RENAMO. Durante a visita, Federica Mogherini alertou que a instabilidade política em Moçambique ameaça os sucessos alcançados no país nas últimas décadas e considerou decisiva a recuperação de uma dinâmica de reconciliação.
Para além da União Europeia, a RENAMO já teria pedido mediação ao Presidente da África do Sul, Jacob Zuma e à Igreja Católica.



DW

Tuesday, 1 March 2016

Renamo disponível para negociar mas governação em seis províncias moçambicanas "é irreversível"



Maputo, 01 mar (Lusa) - A Renamo manifestou hoje a sua disponibilidade para negociar uma saída para a crise política em Moçambique, mas avisa que é irreversível a sua intenção de governar em seis províncias do país", segundo um comunicado enviado hoje à Lusa.
"A presidência da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] reitera a sua disponibilidade para negociar com o Governo da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique] uma solução definitiva para a atual crise político-militar, que já provocou milhares de refugiados", declara um comunicado do gabinete do líder da oposição, Afonso Dhlakama, no primeiro dia do mês em que o movimento ameaça tomar o poder no centro e norte do país.
A presidência do maior partido de oposição, prossegue o comunicado, "reafirma que o processo de implantação da governação da Renamo é irreversível e será implementado ainda este mês de março", acrescentando que pretende fazê-lo "de forma pacífica e em resposta aos apelos populares".
Ainda sobre a intenção de governar nas seis províncias (Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala), o gabinete de Dhlakama refere-se a "uma movimentação de grandes contingentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique [FADM] e de armamento pesado do sul para o centro e norte do país", bem como à presença de instrutores militares norte-coreanos para formação das tropas governamentais.
Todas estas alegadas ações, afirma o comunicado, têm "o objetivo de inviabilizar o início da governação da Renamo a partir do mês de março", mas que o partido de oposição insiste que vai concretizar, "apesar das incursões militares, dos raptos e assassínios de membros da Renamo e da destruição de habitações e celeiros de cidadãos moçambicanos, principalmente nas províncias de Manica e Tete, perpetrada pelas FADM".
Esta é a pior crise em Moçambique desde o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares, assinado a 05 de setembro de 2014 pelo ex-Presidente Armando Guebuza e o líder da Renamo, que não reconhece os resultados das últimas eleições gerais e pretende tomar o poder nas seis províncias onde reivindica vitória eleitoral.
Apesar de dois encontros entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e Dhlakama no início de 2015, a violência política voltou a Moçambique e agravou-se nas últimas semanas, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios.
Emboscadas atribuídas à Renamo na província de Sofala levaram as autoridades a montar dispositivos de escoltas militares obrigatórias a viaturas civis em dois troços da N1, a principal estrada do país.
A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.
O Presidente Filipe Nyusi tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama, que se encontra numa das bases do movimento na Gorongosa, tem afirmado que só dialogará depois da tomada de poder, a partir de março, no centro e norte do país.

Da evitabilidade da guerra à propaganda barata



Sobre o que está a acontecer, avisos não faltaram.



Multiplicámos, aqui neste espaço, apelos para que se tomasse uma outra postura para inverter a galopante cavalgada da intolerância e da banalização do outro. Avisámos, aqui neste mesmo espaço, que não se podia brincar ao “a ver vamos”, num país em que as feridas do ódio e dos abusos do passado não estavam devidamente saradas nem os machados da anterior confrontação devidamente enterrados.
Fomos ignorados, e hoje estamos aqui, com um país dividido e a alguns palmos para a violência generalizada e o seu oportunismo em anexo.
Mas vale a pena recordar ao estimado leitor que o país não foi arrastado até aqui onde está por mera obra do acaso. Ao investir-se em material de guerra, quando todos pediam tolerância e aproximação, era um prenúncio de que os senhores da guerra no Governo já tinham no horizonte todo este espectáculo de sangue.
Não é por acaso que o Governo vibra com esta ideia de escoltas militares para sair de Moçambique do Norte para Moçambique do Sul, e vice-versa, quando, em contramão, os automobilistas preferem andar sem os homens armados do Governo e enfrentarem, por si sós, os homens armados da Renamo. O que o Governo está a fazer é pura propaganda.
Quer demonstrar que está alegadamente do lado do povo, num exercício bastante inútil, quanto é sabido quem é que, de facto, anda, desde 2013, à procura de uma nova guerra.
E a parte mais triste desta propaganda governamental é supor-nos a todos como tolos. Esquece-se o Governo que todos nós vimos, só no ano passado, e em menos de um mês, três tentativas governamentais para assassinar Afonso Dhlakama, que incluem o cerco à sua residência, para recuperarem as armas que perderam naqueles actos criminais.
O Governo acredita mesmo que os blocos noticiosos e os “cafés da manhã” servidos pela Rádio Moçambique, pela Televisão de Moçambique e pelos seus jornais podem mesmo embrutecer todo um povo e levá-lo a apreciar os verdadeiros promotores da guerra como inocentes?
Acreditam mesmo que o G40 e os seus desdobramentos internacionais serão capazes de apagar a fraude eleitoral, os atentados de Zimpinga e de Gondola, os sequestros dos membros da oposição, a suspensão das actividades da Renamo em Maputo?
Na nossa óptica, é um exercício para lá do acéfalo investir na propaganda numa altura em que se requer responsabilidade para tirar o país do barril de pólvora. O que os moçambicanos querem é paz e não propaganda. As imagens de um homem com os braços atados e com sinais de espancamento exibidas há dias pela TVM como sendo guerrilheiro da Renamo são 
um tiro no próprio pé do Governo.
Primeiro, porque não é novidade que os serviços secretos têm estado a trabalhar nesta questão de propaganda de guerra. Depois de várias vezes o SISE ter apresentado os seus próprios elementos, incluindo presos que se encontram a cumprir penas, como sendo desertores da Renamo, o que nos garante que aquele homem não é um prisioneiro que foi tirado de uma cela qualquer, espancado, amarrado e com pauta indicativa de confissão?
Quem nos garante? Ninguém.
Se as mesmas forças armadas incendiaram casas da população em Tsangano e em Morrumbala, atacaram civis em Manica, e agora, mais recentemente, assaltaram, na semana passada, uma empresa, para espancar trabalhadores, tentaram assassinar um dirigente da oposição, que credibilidade têm agora para vir a público e apresentar um homem torturado como malfeitor?
É que, em matéria de malfeitores, parece-nos que, para o público, já não há qualquer tipo de dúvidas.
Não é a TVM e o SISE que nos vão dar termos de referência sobre bandidos.
Os bandidos desta guerra são conhecidos. Vimo-los quando tentaram recuperar as armas que perderam no assalto à residência do presidente do maior partido da oposição.
Nesta matéria de bandidos desta guerra, estamos conversados.
Apenas insistimos que esta guerra é desnecessária, e alimentá-la, como se está a fazer, pode trazer efeitos desastrosos, como no passado.
Insistir no argumento constitucional parece-nos desculpa de mau pagador, porque o que se exige, pelo menos a nível de espírito, é a descentralização, que, de resto, é progressista e é tudo o que “as províncias” desejam: estar libertas de Maputo, pois acreditam que nesses locais há gente com capacidade de raciocinar e de criar soluções para os seus problemas.
As assimetrias começam ali: quando as pessoas das províncias são vistas como incapacitadas e, por isso, devem esperar pelos iluminados de Maputo. O mais curioso é que os que insistem na parafernália constitucional são os mesmos que, no processo das eleições, executaram o estupro da Constituição.



(Canal de Moçambique)


Editorial do Canalmoz, 29 de Fevereiro de 2016