Wednesday, 27 January 2016

Marco do Correio

 
Olá amiga Luiza


Como estás tu? E a tua família? De meu lado está tudo bem, felizmente....

Mas bastante surpreendido.
Vou-te explicar porquê:
Acabo de ler que o Banco de Moçambique vai realizar, no fim deste mês, o seu 40º. Conselho Consultivo. Na cidade de Tete!
Precisamente o Banco de Moçambique, que anda a recomendar-nos diariamente que poupemos dinheiro evitando despesas desnecessárias, vai deslocar para Tete uma porção de moradores de Maputo para fazer uma reunião que poderia perfeitamente realizar na sua sede?!
Quanto é que vai ser gasto em viagens, alojamento e alimentação de todas essas pessoas?
Costuma-se dizer que “bem prega o frei Tomaz. Façam o que ele diz mas não façam o que ele faz!”
Diz-se que vários membros do Governo estão a passar férias em partes longínquas (e caras) do mundo. Será que também têm restrições ao dinheiro que podem gastar com os seus cartões bancários? E porque não passarem férias nas nossas estâncias turísticas, que estão às moscas?
Entretanto vamos importar centenas de milhões milhões de Meticais de viaturas de luxo ainda não se sabe bem para que excelentíssimos rabos. E depois vem o sr. Ministro das Finanças dizer, com ar alarmado, que gastamos um dinheirão a importar viaturas. Será isto poupar para vencer a crise económica?
Andam a brincar connosco, não há dúvida!
Talvez não fosse mau uma troca de experiências com o novo governo da Tanzania para pararem com estas brincadeiras de mau gosto.
Entretanto estou feliz com a promessa do comandante Khalau de capturar quem baleou Manuel Bissopo. Como sabes a minha confiança nas palavras e na eficiência do nosso polícia-mor é total.
E ele está sempre a garantir que a sua corporação está em prontidão para manter a ordem e segurança públicas. Ora evitar e/ou punir assassinos faz parte dessa manutenção, não faz?
Um beijo para ti do
Machado da Graça
Correio da manhã, 26/01/2016

Primeira polemica de Marcelo







Marcelo Reebelo de Sousa, eleito Presi
dente da Republica, esta a ser criticado por usar estacionamento para deficientes e nao usar cinto de segurança! Caso para dizer que em Portugal ninguem esta isento de ser criticado!



Confira aqui !

Polícia admite que usa balas reais para conter manifestações de cidadãos desarmados



Na manifestação dos residentes das Palmeiras, no distrito da Manhiça, província de Maputo, na passada sexta-feira (22), contra a alegada ineficácia dos agentes da Lei e Ordem no combate ao crime que tem aumentado de forma alarmante, a Polícia voltou a utilizar, deliberadamente, balas verdadeiras para dispersar gente desarmada e desprotegida. Todavia, Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), minimiza a situação e ignora que se violou um dos princípios básicos de Direitos Humanos – o direito à vida – quando os seus colegas atingiram mortalmente um jovem cuja família não terá, certamente, ressarcimento por parte do Estado. Inácio Dina parece achar isso normal, ao declarar que “a utilização de balas reais” faz parte dos “meios que a Polícia detém e utiliza” sempre “nas suas actuações”.
O porta-voz classificou igualmente as pessoas que exteriorizavam o seu desagrado em relação à ineficiência da Polícia no combate ao crime de “um punhado de cidadãos” que colocara “em causa a tranquilidade de tantos milhões de outros cidadãos (...)”. No seu entender, os moradores aproveitaram-se do facto de a Estrada Nacional número um (EN1) ser vital para a ligação do sul/centro e norte de Moçambique e montaram barricadas para impedir a circulação de pessoas de bens, durante três horas, uma “situação grave” que pretensamente ditou a “paralisação de um Estado”.
Inácio Dina, ignorando ainda o facto de a Polícia ter o dever de na sua actuação, mesmo em casos de desobediência civil notória, respeitar os padrões universalmente aceites, sobretudo de garantia de integridade física dos cidadãos, disse que a Polícia “usou a força que se julgou proporcional ao tipo de manifestação que estava ocorrer no local”.
Contudo, pese embora estas declarações de sacudir a água do capote, em Palmeiras observou-se o contrário. Algum policial disparou para matar e não será responsabilizado. Aliás, é por esta e outras razões macabras que a Amnistia Internacional rotula a Polícia moçambicana como a que “parece pensar que tem licença para matar e o fraco sistema de responsabilização permite isto”.
Em Palmeiras, os agentes da Lei e Ordem locais, incapazes de conter a fúria popular, pediram o reforço da capital do país, de onde foram destacados elementos da força anti-motim armados até aos dentes, que, para além de não saberem dialogar com as multidões, fizeram das suas, à semelhança do que tem acontecido um pouco por todo o país quando há alvoroços.
Um indivíduo morreu e Inácio Dina disse que “infelizmente lamentamos a perca de vida (...). Não era intenção policial” que as coisas acabasse de forma trágica, mas, sim, “repor a ordem pública e restabelecer a circulação que estava obstruída nalgum troco da EN1.
Ademais, alegou o porta-voz do Comando-Geral da PRM, à medida que algumas pessoas eram persuadidas para não se envolverem na agitação, as outras ganhavam ânimo e ensaiavam exibir a sua “musculatura na tentativa de incapacitar a Polícia, o que não pode acontecer. A Polícia é um órgão do Estado com poder para que nenhum cidadão perturbe a tranquilidade dos outros (...)”.
“Repudiamos as manifestações, ainda que esporádicas, que têm vindo a ganhar terreno em alguns pontos do país. Populares que pretendia ver feita a justiça decidiram manifestar-se, infelizmente, de forma violenta. Na manifestação, de acordo com os colegas posicionados naquele ponto, os populares exigiam que a Polícia, detivesse um indivíduo suspeito de ter cometido um crime”, porque os seus comparsas já se encontravam a ver o sol aos quadradinhos, segundo Dina.
Para a PRM, o sensato, em caso de alguma “ilegalidade e necessidade de a Polícia intervir”, seria uma “comunicação civilizada para que o suspeito fosse identificado e detido caso fosse necessário”, explicou o agente da Lei e Ordem, reiterando que “colocar barricadas numa estrada e impedir a circulação numa via pública é um crime grave”.
O porta-voz disse que é também condenável a justiça pelas próprias mãos, sobretudo o que acontece na Beira, onde populares lincham impiedosamente supostos ladrões porque, de acordo com eles, a Polícia coloca-lhes em liberdade e novamente protagonizam assaltos, violações sexuais e vários tipos de agressões físicas nos bairros.
“Não é assim como se colabora com a Polícia para garantir a segurança pública. As esquadras são acessíveis e não deve haver receio” de se dirigir a elas para comunicar quaisquer anomalias. “Só acreditando na Polícia é que se poder ter o conforto e segurança” almejados.




Emildo Sambo, A Verdade

Legal ou ilegal?

 
O estendal de forças policiais nas ruas de Maputo, com blindados armados de metralhadoras, cães polícias e inúmeros membros da FIR, armados até aos dentes, sempre que a Renamo anuncia alguma actividade política, e as declarações de moçambicanos refugiados no Malawi, segundo os quais fogem das forças governamentais que incendeiam as suas casas e celeiros, acusando-os de ser apoiantes da Renamo, levantam questões sérias na nossa vida política.
Para começar há que saber se a Renamo é um partido legal ou ilegal em Moçambique. E a resposta a esta questão levanta uma série de outras.
Vamos partir do princípio que a resposta é que a Renamo é um partido legal.
Nesse caso tem o direito de exercer a sua actividade política sem entraves, desde que o faça sem alterar a ordem pública e a segurança dos cidadãos.
Ora, os dirigentes desse partido têm informado, por escrito, as autoridades das actividades que pretendem realizar em Maputo com indicação dos locais e das datas. E apresentam-se desarmados e apenas prontos a dialogar com os cidadãos falando-lhes do seu programa político e convidando-os a aderirem. Actividade perfeitamente normal num partido político que pretende ser conhecido do eleitorado.
Por outro lado, os moçambicanos refugiados no Malawi parecem estar a ver os seus bens destruídos por forças governamentais, acusados de serem apoiantes da Renamo em Tete.
E volto a perguntar: se a Renamo é um partido legal qual é o crime de alguém apoiar esse partido? De acordo com os números das últimas eleições, no centro e norte do país a Renamo é apoiada pela maioria da população. Será que o Governo vai deitar fogo às casas de toda essa gente?
Quer num caso quer no outro me parece que a actuação das autoridades é totalmente ilegal. Mas já vamos estando habituados a que as leis do país são de cumprimento obrigatório quando isso interessa ao Governo/Frelimo mas são deitadas para o lixo quando atrapalham os camaradas.
Mas pode ser que, sem eu dar por isso, a Renamo tenha sido ilegalizada. E aí já se compreenderiam as atitudes agressivas das autoridades. Só que, assim como eu não dei pela tal ilegalização, aparentemente os próprios dirigentes da Renamo também não deram e continuam convencidos de que são um partido com actividade legal.
E, já agora, se a Renamo foi ilegalizada, qual foi a entidade que a ilegalizou? Em que data? Com base em que legislação? Decisão publicada em que número do Boletim da República?
Penso que seria bom que toda esta questão fosse esclarecida para evitarmos sair à rua todos os dias e darmos com ela ocupada por um autêntico exército em pé de guerra.
Então, em que ficamos?
 
 
Machado da Graça, Savana,  22-01-2016

CPAR recomenda punição aos do baleamento do SG da Renamo

A Comissão Permanente da Assembleia da República (CPAR), o parlamento moçambicano, recomendou as instituições de justiça a perseguir e responsabilizar os autores do baleamento, semana passada, na cidade central da Beira, do deputado do parlamento e Secretario - Geral da Renamo, o maior partido da oposição, Manuel Bissopo.
Falando `a imprensa, hoje em Maputo, momentos após o término da nona sessão ordinária da CPAR, o porta-voz daquele órgão, Mateus Katupha, disse que a presidente do parlamento, Verónica Macamo, que preside as sessões deste mesmo órgão, condenou e repudiou o acto, através de uma informação lida no encontro.
Da apresentação desta informação, a Comissão Permanente condenou o acto e recomendou as instituições responsáveis para encontrarem formas de descobrir as pessoas envolvidas neste acto”, disse Katupha.
Acrescentou que a CPAR solidariza-se com Bissopo e condena o acto que culminou com o seu baleamento.
Entretanto, a Polícia moçambicana (PRM) anunciou nesta terça-feira possuir elementos que poderão ajudar a neutralizar os atiradores que feriram Bissopo e mataram o seu ajudante de campo.
Semana passada, a PRM anunciou, por outro lado, a criação de uma comissão de inquérito para ajudar a investigar os contornos deste mesmo acto.
Bissopo encontra-se a receber tratamento médico na África do Sul, para onde foi transferido depois de ter sido internado numa clínica privada na cidade da Beira.



PINC

Tuesday, 26 January 2016

Jornal Magazine desaparece das bancas supostamente a mando dos visados na capa



Indivíduos ainda desconhecidos estão desde a madrugada de hoje (26) a recolher o Jornal Magazine Independente das principais bancas de jornais da capital do país, numa tentativa de tirar de circulação um dos semanários mais importantes da praça, não se sabendo do propósito.
Segundo alguns ardinas contactados pelo Magazine, os mesmos se fazem transportar em duas viaturas e estão dispostos a pagar qualquer custo para comprar todos os exemplares da edição desta semana do Jornal Magazine Independente.
De acordo com os ardinas, o jornal, nalgumas bancas, chegou a ser comprado a um preço especulado de 70 meticais, o que fez com que até as 9 horas de hoje já não houvesse jornal nas bancas.
Curiosamente, essa acção surge num dia em que o Magazine Independente, dentre várias estórias publicadas na edição desta semana, trás como capa um assunto que tem a ver com o negócio mal parado entre INSS e CR Aviation Lda, do empresário Rogério Manuel, cujo titulo de destaque é “Ministra obriga Rogério Manuel a devolver 7 milhões de dólares do INSS”.


Monteiro e Khálau contrariam-se sobre situação do país

Moçambicanos fugindo da tensão política


Numa altura em que há infor­mações de confrontos entre as forças governamentais e homens armados da Renamo, as autori­dades divergem em relação ao que está a acontecer no terreno. Na última terça-feira, Basílio Monteiro, ministro do Interior, disse na Zambézia que a Rena­mo não constituía ameaça e que a movimentação das Forças de Defesa e Segurança faz parte do aprimoramento da prontidão combativa das forças. “A Rena­mo não é ameaça nenhuma, o que acontece em algumas oca­siões é o exercício do aprimora­mento da prontidão das forças, isso acontece em qualquer parte do mundo. A Renamo é um par­tido político, tem existência le­gal e está presente no Parlamen­to, tratamos este partido como qualquer outro”, assegurou o dirigente.
Entretanto, três dias depois, Jorge Khálau, comandante-ge­ral da Polícia, veio contrariar o discurso dizendo que a Rena­mo constitui, sim, uma ameaça, uma vez que tem vindo a atacar posições das Forças de Defesa e Segurança e a espalhar terror em alguns povoados. “Preocupa­-nos a movimentação de homens armados da Renamo. Nas zonas por onde passam, criam insta­bilidade e terror às populações, concretamente em Nhamatan­da, Gorongosa, Muanza e Che­ringoma. Extorquem os bens da população, violam mulheres e criam terror, limitando a mo­vimentação da população”, refe­riu.


EUA querem investigação transparente ao atentado contra Bissopo

 
Os Estado Unidos da América, através da sua Embaixada em Maputo, manifestam a sua profunda preocupação e condenam “veementemente” a tentativa de assassinato de Manuel Bissopo, secretário- geral da Renamo, no passado dia 20 de Janeiro, na cidade da Beira.
Bissopo está agora internado numa clínica na África de Sul e fora de perigo, segundo informam dirigentes da Renamo. Fazendo eco das afirmações feitas por representantes do Governo e de organizações não-governamentais, a Embaixada dos Estados Unidos da América diz que aguarda que as autoridades moçambicanas conduzam uma
investigação exaustiva e transparente e assegurem que os responsáveis por este crime compareçam perante a justiça.
No fim, o comunicado da Embaixada dos EUA recebido na nossa Redacção condena igualmente os assassinatos e perseguições recentemente reportados contra representantes de vários níveis de autoridades locais e políticas.
Canalmoz





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A União Europeia (UE) pediu igualmente na sexta-feira o apuramento da responsabilidade pela "tendência de violência" e está a acompanhar de perto a situação em Moçambique, disse à Lusa um porta-voz da UE.
( Lusa )

Revoltante!

 
Revoltante! A palavra não define estritamente as situações que se vivem nos últimos dias no nosso país, mas pode exprimir parte do sentimento dos moçambicanos diante da sucessão de acontecimentos vergonhosos promovidos pelo Governo que dirige inescrupulosamente o destino desta nação. Aliás, com o andar da carruagem, hoje parece que ninguém tem dúvidas que o Governo de Nyusi concorre ao título de “Pior Governo” da história de Moçambique, quiça de África, devido ao ...seu bom exemplo de incompetência, insanidade e falta de coerência em tão pouco tempo. Só há uma possibilidade para que isso não acontece: que Jesus Cristo volte à terra antes do final do mês em curso.
Numa cabal demonstração de incoerência do discurso do Presidente Nyusi, o ministro da Economia e Finanças, conhecido por Adriano qualquer coisa Maleiane, acabou de provar a insanidade, mesclada com a incompetência e a falta de seriedade do Governo de turno, ao autorizar a adjudicação de quase uma centena de viaturas luxuosas, provocando um rombo de 250 milhões de meticais. Num país onde, milhares de pessoas morrem de doenças curáveis nas filas do hospital, outros não sabem o que vão comer no dia seguinte e milhares de crianças que estudam debaixo de uma árvore sentadas no chão, a aquisição desses carros é um estupro (leia-se insulto) à dignidade dos moçambicanos.
Numa altura em que se esperava do Governo, uma proposta de corte de despesas e medidas para travar a inflação, os símios – perdão, os dirigentes deste país – fazem o contrário: eles preocupam-se em ir ao alfaite para aumentar o tamanho das calças e casacos, devido ao crescimento descomunal das suas barrigas às custas dos nossos impostos.
Quando ainda digeríamos o saque aos cofres públicos, eis que o Governo, através dos seus cães de guarda armados até aos dentes, veio exibir a sua ignorância congénita, revelando que não está preocupado com a paz dos moçambicanos. O baleamento do Secretário-Geral da Renamo, Manuel Bissopo, é prova disso. Não se trata de uma acção isolada. É evidente que é obra de pessoas no poder que pretendem postergar o desenvolvimento desta jovem nação.
Na verdade, os dirigentes que hoje temos são um verdadeiro perigo público, ou seja, são vampiros políticos que medram à custa do sofrimento e do generalizado subdesenvolvimento dos moçambicanos. Afogados em massificados almoços e jantares, regados com vinho e whisky, apertados em ternos italianos e acomodados em viaturas protocolares de luxo pagos com sangue, suor e lágrimas do povo, contribuem, no Governo, para levar o país ao abismo.
Como um povo, não podemos deixar que o futuro do país continue a ser hipotecado. É, portanto, chegada a hora dos moçambicanos saírem à rua para mostrar a sua indignação e revolta contra esse regabofe antes que seja tarde. Destronemos o bando de necrófago que assaltou o poder nas últimas eleições!

Editorial, A Verdade

Monday, 25 January 2016

Moçambique: “Secretário-geral da Renamo tem “bala alojada junto à aorta”




24/01 11:29 CET
 
Moçambique: “Secretário-geral da Renamo tem “bala alojada junto à aorta”


Manuel Bissopo, secretário-geral da Renamo, está sob cuidados intensivos no hospital sul-africano para onde foi transportado na sequência do atentado de quarta-feira. O político moçambicano foi atingido por uma bala que “passou pela 6a costela e a dois centímetros da aorta, estando alojada muito perto da artéria”, explicou à Euronews um membro do maior partido da oposição.
Ainda de acordo com a mesma fonte, no ataque, que vitimou mortalmente o seu guarda-costas, “foram disparadas balas de fragmentação num total de 16 tiros”.
Após o atentado e segundo a imprensa local, Manuel Bissopo, ainda consciente, descreveu o ataque, referindo que foi usada uma espingarda automática “Kalashnikov” numa viatura em movimento. Bissopo tinha acabado de dar uma conferência de imprensa.
A Renamo aponta o dedo acusador ao partido no poder, a Frelimo.
Numa reação ao atentado, a Frelimo condenou a ação. “É mais uma ação criminosa que lamentamos profundamente e condenamos naturalmente este tipo de ações que põem em causa a integridade física dos cidadãos”, afirmou à agência Lusa, Damião José, porta-voz da Frelimo.
A antagonismo entre as duas fações moçambicanas tem subido de tom nos últimos tempos.
O maior partido da oposição exige governar nas regiões onde afirma ter tido maior expressão eleitoral nas legislativas de 2014.
O governo defende que a Renamo tem de ser desarmada.



Euronews

FMI confirma o que Nyusi não quer reconhecer a EMATUM é uma das causas da crise económica e financeira em Moçambique


O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma, o que o Governo de Filipe Nyusi prefere não reconhecer, a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), que endividou ilegalmente o nosso país em 850 milhões de dólares norte-americanos, é uma das causas da crise económica e financeira que Moçambique está a enfrentar. “O serviço da dívida tornou-se mais complexo, já que o início dos pagamentos relativos às obrigações da EMATUM fez duplicar os compromissos relativos ao serviço da dívida em termos nominais”, afirma a instituição no primeiro relatório de 2016 onde recomenda “a necessidade urgente de formular um plano de acção para melhorar a rendibilidade”. Com a faina aquém das suas projecções a EMATUM não pára de acumular prejuízos e há indicações de estar a falhar compromissos inclusive com os seus trabalhadores.
No relatório 16/9 o FMI explica que o pagamento em Setembro pelo Governo de Nyusi do serviço da dívida da EMATUM originou a queda das reservas internacionais líquidas para USD 2,1 mil milhões, no final de Outubro, altura em que a depreciação do metical em relação ao dólar norte-americano acentuou-se. “Com a maioria da dívida pública emitida em moeda estrangeira, a depreciação aumentou o valor presente da dívida externa para quase 40% do PIB no final de 2015 (contra 30% no final de 2014)”, refere o relatório do Fundo Monetário Internacional.
O Executivo de Filipe Nyusi herdou a Empresa Moçambicana de Atum, que foi criada durante o último mandato de Armando Guebuza pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), pela Empresa Moçambicana de Pesca ( Emopesca) e também pela sociedade Gestão de Investimentos, Participações e Serviços, Limitada - uma entidade unicamente participada pelos Serviços Sociais do Serviço de Informação e Segurança do Estado (a polícia secreta) -, mas não reconhece o seu impacto nas contas do país e nem tomou nenhuma iniciativa com vista a responsabilizar os gestores públicos que ilegalmente (sem a autorização da Assembleia da República) avalizaram os empréstimos que essa empresa contraiu junto aos bancos Credit Suisse e Vnesh Torg.
Para o Presidente de Moçambique a crise económica e financeira que enfrentamos deve-se a “sérias e pesadas condicionantes externas que pesam sobre a nossa economia”, as calamidades naturais e ao atraso na aprovação “dos instrumentos de gestão económica e social do novo ciclo de governação”.
Entretanto a EMATUM desde a sua criação tem estado a acumular prejuízos e nem mesmo a chegada das 24 embarcações de pesca de atum, compradas neste negócio que inclui também seis embarcações de guerra, têm contribuído para melhorar as suas contas.
De acordo com o jornal Canal de Moçambique desde Setembro de 2015 que os cerca de 50 trabalhadores da empresa não têm estado a auferir os seus salários atempadamente e ainda aguardam o salário referente ao mês de Dezembro do ano findo.
Segundo o semanário a então directora executiva da EMATUM, Cristina Matavele, que projectara receitas anuais de 90 milhões de dólares e estimara em 1500 os postos de trabalho que a empresa poderia criar, foi demitida numa assembleia-geral que aconteceu no passado dia 8.
Na verdade a faina também não tem sido muita e as embarcações têm sido vista mais tempo ancoradas no porto de Maputo do que fora dele. Das 200 mil toneladas de atum projectadas para serem pescadas por ano a frota pescou somente 6 mil toneladas. No primeiro ano de actividade a EMATUM registou perdas no valor de 25,3 milhões de dólares norte-americanos. A primeira prestação dos empréstimos aos bancos suíço e russo, no valor de 105 milhões de dólares norte-americanos (77 milhões de dólares da dívida mais 27 milhões de juros), foram pagas em Setembro de 2015 com fundos do erário.
O relatório do FMI revela ainda que o Governo de Nyusi tem em curso um plano de acção para melhorar a rentabilidade da EMATUM que será adoptado até ao final de Abril de 2016, uma medida considerada “prioridade” e “urgente” pela instituição dirigida por Christine Lagarde que em finais de Dezembro aprovou um empréstimo no valor de 286 milhões de dólares norte-americanos ao Estado moçambicano.





Sunday, 24 January 2016

Cabo Verde é o país de língua portuguesa mais democrático, diz EIU.

Cabo Verde é o país de língua portuguesa mais democrático, diz EIU.


Economist Intelligence Unit coloca Moçambique no grupo das democracias híbridas e Angola entre os regimes ditatoriais.

Cabo Verde é o país de língua portuguesa melhor colocado no Índice de Democracia de 2015 da revista The Economist Intelligence Unit (EUI) divulgado neste sábado.
No documento “Democracia em época de ansiedade”, o arquipélago ocupa a 32a. posição, seguido de Portugal, enquanto Moçambique fica na categoria das democracias híbridas, na posição 109, e Angola, no grupo de regimes ditatoriais, é o 131 da lista.
No relatório “Democracia em época de ansiedade”, lê-se que “há mais democracia do que simplesmente realizar eleições”.
O documento procura avaliar o estado da democracia por parte dos países e pontuar vários critérios que considera importantes para o funcionamento de uma sociedade democrática.
Com uma média de 7,81 pontos num total de 10, Cabo Verde integra o segundo grupo do “Democracy Index 2015", o de Democracias Imperfeitas, liderado pela Itália, Coreia do Sul, Japão, Costa Rica, Bélgica e França.
O arquipélago obteve 9,17 pontos nos itens Processo Eleitoral e Pluralismo, 7,86 em Governança, 6,67 em Participação Política, 6,88 em Cultura Política e 9,12 em Liberdades Civis.
Entre os países africanos, Cabo Verde é superado apenas pelas Ilhas Maurícias (18), que integra o grupo de elite das 20 democracias perfeitas, e Botsuana (28).
Logo a seguir, na 33a. posição, encontra-se Portugal com os mesmos 7,81 pontos, enquanto Timor Leste (41) é terceiro país lusófono da lista.
O Brasil, desde 2013, caiu sete posições e ocupa agora o 51º lugar, no mesmo grupo de Cabo Verde e Portugal.
Rodrigo Aguilera, analista-chefe para a América Latina da EIU, revela que as respostas dos entrevistados brasileiros foram “marcadas pelo desânimo” e que, envolvido no estudo há oito anos, ele não lembra “de ter visto uma atmosfera tão pessimista no Brasil”.
A terceira categoria é a de Democracias Híbridas e nela se encontra Moçambique que, com 4,6 pontos, ou seja menos da metade da pontuação, ocupa a 109a. posição.
As melhores pontuações acontecem nos items Participação Política e Cultura Políica, com 5,6, enquanto em Processo Eleitoral e Puralismo, Moçambique consegue 4,4, Liberdades Civis, 3,8, e Funcionamento do Governo, 3,6.
Angola aparece no lugar 131 e na categoria de Regimes Ditatoriais, com apenas 3,4 pontos.
O item Processo Eleitoral e Plurarismo recebe uma nota muito negativa, com 0,9 ponto, enquanto a melhor é na Participação Política, com 5 pontos.
Nos demais, Cultura Política consegue 4,4 pontos, Liberdades Civis e Funcionamento do Governo totalizam 3,2.
O pior país de língua portuguesa em matéria de democracia de acordo com a EIU é a Guiné-Bissau que, em 167 países, fica na 160a. posição.
Com uma pontuação de apenas 1.9 no geral, Bissau não consegue nenhum ponto no item Funcionamento do Governo, enquanto na Cultura Política chega a 3.1 pontos.
Nos demais, totaliza 2.8 pontos na Participação Política, 2,1 nas Liberdades Civis e 1,7 no Processo Eleitoral e Pluralismo.
São Tomé e Príncipe não aparece no Índice de Democracia de 2015 da EIU.
A lista é encabeçada pela Noruega, Islândia, Suécia, Nova Zelândia e Dinamarca e nos primeiros lugares é dominada pelos países europeus.
Os Estados Unidos ocupam a 20a. posição.
Na cauda estão Chade, Siria e Coreia do Norte. VOA

Terceiro maior partido moçambicano preocupado com instalação de "cultura de violência"



Maputo, 21 jan (Lusa) - O líder da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) condenou hoje o ataque a tiro na quarta-feira contra o secretário-geral do partido Renamo, Manuel Bissopo, considerando que Moçambique está a criar uma "cultura de violência".
"Nós estamos a promover a cultura de violência neste país e isso deve ser combatido por parte de quem está dirigir o Estado", afirmou à Lusa Lutero Simango, apontando, a título de exemplo, assassínios não esclarecidos de jornalistas e académicos com opiniões desfavoráveis ao poder nos últimos tempos ou um membro do MDM alegadamente queimado vivo na província de Tete.
"Isto não pode continuar assim", referiu o líder parlamentar do MDM, reiterando a necessidade de as autoridades criarem uma comissão para investigação do ataque ao dirigente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e exigindo um posicionamento mais pujante face ao que considera ser "uma cultura de violência a tomar o país".
Manuel Bissopo foi baleado no princípio da tarde de quarta-feira na Beira, no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, após uma conferência de imprensa para denunciar alegados raptos e assassínios de quadros da Renamo.
Jornalistas locais ouvidos pela Lusa disseram que os atiradores, que se faziam transportar em duas viaturas, bloquearam o carro em que seguia Bissopo e abriram fogo, tendo alvejado mortalmente o seu segurança.
O dirigente da Renamo e deputado mantinha-se hoje numa clínica privada na Beira e o seu quadro de saúde era considerado, por fontes do seu partido, como estacionário.
"Qualquer atentado contra a vida de um cidadão é condenável", disse à Lusa Lutero Simango, acrescentando, no entanto, que as informações são ainda escassas e contraditórias para formular conclusões definitivas sobre o incidente que envolveu o secretário-geral do maior partido de oposição.
Em conferência de imprensa, nas primeiras horas do dia, o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Daniel Macuácua, disse que já estão em curso as investigações para o esclarecimento do crime, admitindo, no entanto, que as informações ainda são escassas e baseiam-se em testemunhos que presenciaram o incidente.
"A PRM continua a trabalhar afincadamente para o esclarecimento deste caso", reiterou o porta-voz.
A Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder) e a Renamo têm vindo a acusar-se mutuamente de rapto e assassínio dos seus dirigentes na província de Sofala.
Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.
O líder da Renamo não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda.
Nos pronunciamentos públicos que tem feito nos últimos dias, Dhlakama afirma ter voltado para Sadjundjira, distrito de Gorongosa, mas alguns círculos questionam a fiabilidade dessa informação, tendo em conta uma alegada forte presença das forças de defesa e segurança moçambicanas nessa zona.
A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição.


Saturday, 23 January 2016

Xiconhoquices da semana: Criminalidade; Prontidão da Polícia contra qualquer reunião da Renamo; Filipe Nyusi não visita vítimas da seca

 
 

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

Criminalidade

A onda de crime que vem aterrorizando os moçambicanos é bastante preocupante. Quando a situação parecia um assunto ultrapassado, eis que novos casos surgem colocando a nu a inoperância da nossa Polícia. Nos últimos dias, pelo menos três corpos foram encontrados em Chiango, em Maputo, não se sabendo ainda as motivações por detrás daqueles crimes. Os assassinatos que têm sido frequentes naquele ponto do país demonstram, por um lado, a cumplicidade das autoridades policiais e, por outra, o fortalecimento do crime organizado. Outra situação preocupante tem a ver com o indultado que voltou ao crime, o que mostra a fragilidade do nosso sistema de justiça que permitiu que um sujeito extremamente perigoso para a sociedade voltasse ao convivívio familiar. Aliadas a essas Xiconhoquices, assiste-se ao recrudescimento de raptos de pessoas com problemas de pigmentação da pele (albinos) para fins dos obscurantismos.

Prontidão da Polícia contra qualquer reunião da Renamo

É vergonhoso a atitude da Polícia da República de Moçambique, sob ordens do Governo de turno, relativamente ao partido Renamo. Nos últimos tempos, a Polícia moçambicana, sobretudo a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), tornou-se especialista em inviabilizar as actividades daquela força política. A título de exemplo, na última segunda-feira, o Governo enviou um contingente de forças combinadas da Unidade de Intervenção Rápida e do Grupo de Operações Especiais para cercar a delegação política da Renamo na cidade de Maputo. Não se sabe qual era o objectivo do cerco. É a segunda vez que o regime manda cercar aquela delegação em menos de 30 dias. Até em funeral o Governo envia UIR e blindados, ignorando que em Tete centenas de moçambicanos fogem para Malawi devido ao seu desmando.

Filipe Nyusi não visita vítimas da seca

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, continua a marimbar-se da situação por que passa as populações da região Sul do país. O Chefe de Estado ainda não foi visitar as zonas afectadas pela seca desde o ano passado, à semelhança do que fez aquando das cheias no Centro e Norte do país. O auto-intitulado “empregado do povo” anda encafifado no seu gabinete, enquanto colocou em insegurança alimentar mais de 176 mil moçambicanos. Tudo indica que Nyusi está à espera que a situação pior, à semelhança das inundações do ano passado, para se deslocar até às zonas afectadas e proferir discursos vazios. Além da apatia do Presidente da República, é deveras preocupante o seu silêncio relativamente às medidas que o Governo irá tomar para minimizar a situação. Quanta Xiconhoquice, senhor Presidente!



Friday, 22 January 2016

As suspeitas contra a Polícia e a sua versão

 
Caso “Manuel Bissopo
Enquanto se digere com algum sentimento de alívio as informações de que o quadro clínico do secretário-geral da Renamo melhorou bastante, estando fora de perigo, começam também a ser construídas várias teorias sobre os suspeitos do atentado contra Manuel Bissopo, que resultou na morte de um dos seus guarda-costas.
Depois de terem sido colocadas a circular informações sobre a presença de um carro da Polícia no local do crime instantes antes dos disparos, a Polícia está num exercício de provar a sua inocência, tarefa que está a ser difícil, quando se junta o facto de agentes da Polícia fardados e à paisana terem sido vistos na sede da Renamo enquanto o secretário-geral deste partido dava a conferência de imprensa.
Os referidos agentes desapareceram sem deixar rasto logo depois de ter sido anunciado o fim da conferência de imprensa. Sob esta nuvem de suspeita, o porta-voz do Comando
Provincial da PRM, Daniel Macucua, veio a público na manhã de ontem, na Beira, informar que os agentes da PRM que foram vistos na sede da Renamo estavam a fazer o seu trabalho normal. “Os agentes da Polícia estavam a fazer o seu trabalho normal. Ali via-se uma movimentação estranhas de pessoas e viaturas, foi por isso que estavam lá”, declarou o porta-voz da Polícia.
Afastar toda a suspeita
Num exercício considerado como visando afastar toda a suspeita que pesa sobre a Polícia, Daniel Macucua trouxe uma nova teoria sobre o atentado. Segundo a Polícia, os membros da Renamo dispararam contra os assassinos, e estes responderam, causando a morte de um dos guarda-costas, e os ferimentos de Bissopo.
O porta-voz do Comando Provincial da PRM citou alegados trabalhos de peritagem da PIC e diz que houve troca de tiros. Mas testemunhas dizem que os malfeitores não deram tempo de reacção aos guardas da Renamo, pois foi apenas uma descarga de balas para alvo identificado.
A Polícia diz que estão em curso trabalhos de base com vista a neutralizar os presumíveis criminosos. (José Jeco, na Beira)
CANALMOZ – 22.01.2016

Afonso Dhlakama acusa Frelimo de “terrorismo de Estado”

 
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, responsabilizou hoje a Frelimo pelo baleamento do número dois do maior partido de oposição em Moçambique, acusando a força política no poder de fomentar "terrorismo de estado".
 
 
"Acuso o regime da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique], a Frelimo tornou-se num partido terrorista, num estado terrorista - o partido, o regime, o governo. Nunca vimos isto", afirmou em entrevista por telefone à Lusa Afonso Dhlakama, nas suas primeiras declarações públicas após o baleamento por desconhecidos do secretário-geral da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana).
Para o presidente do maior partido de oposição, o baleamento de Manuel Bissopo, ocorrido na quarta-feira na cidade da Beira, pode levar a uma mudança no tom do discurso político e ao agravamento da atual crise política, mas afastou um cenário de guerra.
"Posso acreditar que a situação pode deteriorar-se, mas não há guerra", afirmou Dhlakama, declarando que estava a falar a partir da Gorongosa, onde alegadamente se encontra refugiado desde o cerco da polícia à sua residência na Beira, a 09 de outubro, não sendo visto em público desde então.
O crime de que Manuel Bissopo foi vítima, disse o líder da oposição, foi testemunhado por beirenses "e todos ficaram furiosos, quiseram partir casas dos membros da Frelimo", obrigando, no seu relato, a que os dirigentes do partido dissessem "não é por aí".
Afonso Dhlakama observou que ele próprio foi vítima de duas emboscadas na província de Manica em setembro passado, além do cerco à sua residência, e que não foi isso que levou a um cenário de confrontação aberta.
"Claro que todos estão com nervos e dizem-me 'presidente, tem de agir', as pessoas querem pegar e cortar pescoços dos [quadros] da Frelimo", referiu Dhlakama, assegurando que desincentiva retaliações e apenas apela ao partido no poder para parar com episódios de violência contra a oposição.
Renamo e Frelimo têm trocado nas últimas semanas acusações de raptos e assassínios dos seus quadros no centro do país, mas Dhlakama diz que qualquer imputação ao seu partido não passa de "mentira e propaganda".
"Eu sou cristão, dirijo este partido e não temos isso de assassinar alguém, não odiamos ninguém da Frelimo, não temos um inimigo apontado que é o tal fulano, é o regime que odiamos", salientou o presidente da Renamo.
Em contrapartida, atribui à Frelimo episódios de raptos e assassínios de elementos da Renamo, lembrando que o próprio Bissopo denunciara essas situações no dia em que foi baleado,
"A minha preocupação não é só porque balearam o secretário-geral da Renamo, já é uma onda em que oficialmente estão a raptar e a matar os moçambicanos e aqueles que estão a fazer política e a criticar a Frelimo são alvos neste país", defendeu.
O líder da oposição assinalou que, durante a guerra civil de 16 anos, "podiam raptar população ou matar homens da Renamo, mas via-se que eram da Frelimo", porém, agora, sustentou, estas ações são urdidas nos gabinetes do poder.
Dhlakama afirmou que nem vale a pena pedir ao Presidente da República que persiga os culpados, reiterando a acusação de que foi o próprio Filipe Nyusi que ordenou as alegadas emboscadas em Manica.
Essa ordem, prosseguiu, é demonstrada pela recolha de armas supostamente usadas pelas forças de defesa e segurança no segundo tiroteio em Manica, quando a polícia cercou a casa do líder da Renamo na Beira.
Segundo o líder da oposição, o baleamento do número dois do seu partido acontece numa fase em que Dhlakama está "caladinho" e recolhido na Gorongosa e "o secretário-geral é como se fosse o presidente" que importava silenciar.
"Apelo ao regime da Frelimo para parar, é uma pouca vergonha", insistiu Dhlakama, sustentando que estes episódios são "a mesma tática" usada em homicídios com contornos políticos, como o economista Siba Siba Macuácua, o jornalista Carlos Cardoso e o constitucionalista Gilles Cistac.

Dhlakama: Igreja Católica e Zuma disponíveis para mediar crise em Moçambique

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, afirmou hoje estar na posse de respostas positivas por escrito da Igreja Católica e do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, ao pedido que lhes dirigiu para mediarem a crise política em Moçambique.
Afonso Dhlakama, Fonte: Lusa
"Quer a Igreja quer a África do Sul responderam positivamente, esperando que o outro lado manifeste também essa vontade, isto é, que a Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder] aceite a mediação", avançou Dhlakama em entrevista por telefone à Lusa.
O presidente da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) declarou que estava a falar a partir da Gorongosa, onde alegadamente se encontra refugiado desde o cerco da polícia à sua residência na Beira, a 09 de outubro, não sendo visto em público desde então.
Segundo Dhlakama, a África do Sul respondeu através da sua embaixada em Maputo e a Igreja já se pronunciara publicamente através do arcebispo da Beira.
Apesar desta iniciativa, a Renamo considera que o diálogo com o Governo está parado e só espera vir a retomá-lo depois da anunciada intenção da força de oposição tomar o poder, a partir de março, nas seis províncias do centro e norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de outubro de 2014.
"Acredito que tudo sempre terminará em negociações, mas neste momento não há nenhuma indicação, sobretudo depois daqueles ataques, aquelas emboscadas todas", disse o presidente da Renamo, referindo-se aos incidentes com a sua comitiva em setembro na província de Manica e ao cerco da sua residência na Beira.
Antes destes episódios, a Renamo já interrompera a sua participação nas sessões de diálogo de longo-prazo com o Governo, alegando falta de avanços e quando o país já assistia a uma série de confrontos localizados entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da oposição.
Afonso Dhlakama justificou o convite a Jacob Zuma, dirigente do ANC (Congresso Nacional Africano), partido próximo da Frelimo, e antigo exilado em Maputo durante o regime do "apartheid" com a própria segurança da África do Sul.
"A estabilidade em Moçambique pode ajudar também a segurança na África do Sul e foi por aí que decidi indicar o Zuma", explicou o líder da oposição, lembrando que o leste do território sul-africano faz as suas exportações através do Porto de Maputo.
Além disso, o presidente da Renamo referiu-se também ao investimento sul-africano em Moçambique e que o país vizinho importa gás de Inhambane através da petrolífera sul-africana Sasol e também energia de Cahora Bassa.
"Qualquer conflito em Moçambique afeta a economia da África do Sul", reforçou Dhlakama, recusando também a ideia de desarmamento do braço militar do seu partido.
Para o presidente da Renamo, "não há desarmamento, essa palavra não pode existir, é uma palavra que até aborrece", uma vez que, sustenta, a guarda do partido está enquadrada pelo Acordo Geral de Paz, assinado em Roma em 1992 e que terminou 16 anos de guerra civil.
A Frelimo, afirmou Dhlakama, "põe isto como se tratasse de um exército quando diz que a Renamo é um partido armado", acusando o partido no poder de rejeitar a reintegração dos homens da oposição nas forças de defesa e segurança.
"Tudo está parado, o meu irmão [Presidente moçambicano, Filipe] Nyusi que entenda bem que ninguém será desarmado, a Renamo continuará com as armas para se proteger, até que Moçambique tenha de facto um estado de direito, até que a polícia seja realmente para todos os moçambicanos e não para a própria Frelimo", destacou o líder da oposição.
Segundo Dhlakama, "mesmo que a Frelimo quisesse, não tem capacidade militar para desarmar a Renamo", devolvendo a acusação de "partido armado" à força no poder.
"A Frelimo é um partido armado porque nas forças armadas todos os comandantes têm cartão da Frelimo, quem não tem não é promovido", disse ainda o líder da oposição.
Moçambique vive uma situação de incerteza política desde as eleições gerais de 2014, cujos resultados não foram reconhecidos pela Renamo.
 

Thursday, 21 January 2016

O rosto visível das balas que matam no meu país



Por Adelino Timóteo



Beira (Canalmoz) – No meu país, as balas assassinas são telecomandadas. O alvo das balas, no meu país, nunca é, nunca foi os que estão do lado da barricada do regime. No meu país, as balas que vemos matarem passam antes por um estágio de segregação, um crivo, seja lá o que for, partidário. E sempre que elas matam, matam do lado mais vulnerável, do lado onde as vítimas ousaram contestar. Hoje Manuel Bissopo. Ontem o Gilles Cistac, o Paulo Machava, o Carlos Jeque, o Elesson Jonasse, o Sousa Matola. Ontem Afonso Dhlakama. Ontem Carlos Cardoso, Siba-siba Macuácua, José Mascarenhas, os juízes Dinis Silica, Nkutumula e mais a esposa deste. No meu país, as balas mostram terem estagiado num regime comunista, num regime totalitário, antes de para aqui serem exportadas. No meu país, as balas conhecem a identidade de quem elas foram treinadas para eliminar. As balas, no meu país, não erram no seu alvo, não erram no objecto. Elas têm olhos. Têm memória. Cinco dedos com impressão digital, pois sabemos quem se move detrás delas. Nunca elas, depois de executadas, se encontram perante a inidoneidade do objecto. Nunca terminam numa tentativa impossível, algo negligente. Porque as balas que matam no meu país sabem tão bem de discriminação como as balas mortais do “apartheid”, pois se as balas do “apartheid” matavam negros, as balas do meu país matam todo aquele que tem um pensar diferente, um deserdado, pior porque não escolhem.
As balas que matam no meu país são, pois, fruto da segregação, de mentecaptos, dos mesmos que se diziam progressistas e mataram Uria Simango, Gwenjere, Joana Simeão, Unhai, na sua escalada discriminatória e racial. No seu impulso iminentemente tribal e de cegueira pelo poder. No seu impulso iminentemente egoísta e hediondo. 
As balas que sempre mataram e matam no meu país têm sede de sangue alheio, dos filhos de gente humilde, sensata, que acreditam nos seus ideais, que amam o país, do lado oposto daquela barricada. 
As balas que matam no meu país, ontem e hoje, estão do lado daqueles que calam e escondem cadáveres e vítimas em fossas que só eles conhecem, lá vão quatro décadas. Porque só eles conhecem a motivação mental que os leva a matar, que os leva a guardar silêncio e o sigilo ante a sua crueldade. 
No meu país, aqueles que matam advogam o Estado de Direito, na ressaca da sua saga assassina, no rescaldo das suas injustiças, para voltarem impunemente a matar os filhos do povo excluído. 
As balas que matam no meu país são providas de “inteligência”, apenas para silenciar aqueles que pensam o país fora do protótipo do “establishment”. 
Todo o ser racional e que pensa e fala deverá saber que o regime que mata guarda na sua hipocrisia e na sordidez do seu sorriso uma bala a que recorrerá para o silenciar, porque, do ponto de vista do campo de ideais, estão esgotados. Ninguém, nem eles próprios, acreditam no que pensam e no que dizem. 
Estou à espera da bala que me irá matar. Matem-me nem que seja pela vossa incomplacência!

(Adelino Timóteo)


Canalmoz