Wednesday, 7 October 2015

Renamo confirma preparativos para reaparecimento público de Dhlakama




Beira, Moçambique, 07 set (Lusa) - A Renamo, maior partido de oposição em Moçambique, confirmou que está a preparar a retirada do seu líder, Afonso Dhlakama, do local desconhecido onde se encontra desde 25 de setembro e que o seu reaparecimento público pode ocorrer a qualquer momento.
Em declarações à Lusa a partir da cidade da Beira, o porta-voz da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) disse que era esperada ainda hoje a chegada de observadores e membros do Governo para concretizar a operação, escusando-se a precisar o momento em que ela vai ocorrer.
"O Governo disse-nos que ia tratar deste assunto o mais depressa possível", declarou António Muchanga, que não quis identificar os membros do executivo envolvidos neste processo.
Afonso Dhlakama não é visto em público desde 25 de setembro, após um incidente com a sua comitiva em Gondola, província de Manica.
Entre varias especulações sobre o paradeiro de Dhlakama, a Renamo apenas admitiu que ele tinha escapado do local dos incidentes a pé e que estava bem, algures na província de Manica, centro de Moçambique.
Vários jornalistas estão desde hoje no Chimoio, capital de Manica, aguardando mais informações da Renamo sobre a saída de Afonso Dhlakama do lugar onde se mantém escondido há quase duas semanas
Além de jornalistas, a Renamo convidou também observadores e dirigentes da sociedade civil, informou à Lusa António Muchanga.
Afonso Dhlakama já tinha avançado no domingo a existência de contactos para sair do seu esconderijo e reatar negociações com o Governo para ultrapassar a crise política em Moçambique.
"Sim, estamos em contacto e há um grupo que criámos aí em Maputo. Está incluso o meu chefe de gabinete, Mateus Augusto, mais outras pessoas que estão em contacto com o Governo, assim como os mediadores, e vamos convidar alguns jornalistas para testemunhar a minha saída", afirmou em entrevista ao canal privado STV.
Segundo Dhlakama, o seu reaparecimento público foi adiado devido a um reforço de efetivos das forças de defesa e segurança naquela região.
"Não é porque eu tenha medo, é bom haver testemunhas a ver-me sair", declarou o líder da oposição, que reiterou a sua indisponibilidade para a guerra e alegou que, se fosse sua vontade, já tinha incendiado o país.
"Não há guerra em Moçambique. É claro que também não há paz, porque paz não significa apenas o calar das armas. Não há justiça, não há transparência, tudo arrogância", disse o líder da oposição, que voltou a condicionar um encontro com o chefe de Estado, Filipe Nyusi, à fixação de uma agenda concreta.
A violência política aumentou nas últimas semanas e a 02 de outubro forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio e entre rumores sobre a presença no local de Afonso Dhlakama.
Foi no mesmo distrito que, no passado dia 25, Afonso Dhlakama disse ter escapado de uma emboscada das forças de defesa e segurança, que por sua vez acusam os homens da Renamo de ter iniciado o incidente ao abrir fogo sobre uma viatura de transporte semipúblico que ia a passar e alegando que a polícia apenas se dirigiu ao local para repor a ordem.
Dos confrontos morreram pelo menos sete elementos da Renamo e dezenas entre os atacantes, segundo o partido da oposição, e 23 homens de Dhlakama, de acordo com o Governo moçambicano, além do motorista da viatura civil.
Esse foi o segundo incidente em menos de duas semanas envolvendo a comitiva de Afonso Dhlakama, após, a 12 de setembro, a sua caravana ter sido atacada também na província de Manica, num caso que permanece por esclarecer.

Moçambique vive sob o espectro de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo de recorrer à força nas seis províncias do centro e norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro de 2014.





Dhlakama confirma contactos com Governo

   

   

Em entrevista exclusiva ao O País e Stv



Como está e onde?

Estou em Moçambique, na província de Manica, em particular no distrito de Gondola, onde houve aquela tentativa de me assassinar, no dia 25 de Setembro. Aliás, antes, houve outra tentativa, a 12 de Setembro, naquela zona de Zimbata, em Vandúzi. Em menos de um mês, tentaram acabar com a minha vida, mas, porque Deus é grande, não foi possível, porém, morreram meus seguranças. Estamos aqui para continuarmos a missão de trabalhar em prol da paz e democracia no nosso país. É a missão que recebemos há anos, décadas e décadas, não é hoje que nos impedirão de assumir as nossas responsabilidades, porque há gente de má-fé que quer acabar connosco.

Desde 25 de Setembro, não saiu mais de Gondola. continua em Gondola?É quase isso. por razões de segurança, estou em Gondola, não posso andar para nenhum sítio. quando digo Gondola, não estou na vila...

Naquele ataque, foi ferido ou não?
Não, estou bem. embora esse ataque fosse dirigido a mim, felizmente - digo felizmente porque não fui atingido - estou bem. Embora haja feridos ou mortes, alguém estava a telefonar-me ontem, porque teria recebido informação de que fui atingido numa das partes do meu corpo. Mas disse que não, que estava bem e que não havia razões de esconder, caso estivesse ferido. Por acaso não fiquei ferido, estou bem!

Gostava de saber se desde  o dia 25 houve algum contacto do governo ou há alguma negociação?
 Temos o governo que existe. O governo da Frelimo é responsável por isto, embora tente desmentir. mas é uma pouca vergonha, porque todo o mundo vê, o povo moçambicano evoluiu muito, já não é o povo de 1975. hoje, com facebook, internet, as pessoas filmam; um miúdo qualquer filma o combate e põe na internet, nas redes sociais de todo o mundo. Respondendo à sua pergunta, sim, estamos em contacto. E há um grupo que nós criámos aí em Maputo. Está incluso o chefe do meu gabinete, o Mateus Augusto, outras pessoas que estão em contacto com o governo, assim como os mediadores, aqueles facilitadores grupo de Dom Dinis Sengulane, o Lourenço, Chembeze, Padre Couto, e vamos convidar também alguns jornalistas, como da Stv, para testemunharem a minha saída. Estou bem e preparado para continuar a trabalhar, é a missão que tenho. Ainda ontem, estavam a encher mais efectivos no interior de Gondola, saíam de Chimoio com mais viaturas, e isto fez com que, de facto, atrasasse mais, porque já havia um dia indicado em que eu poderia sair com mediadores, jornalistas e outros... Não é por ter medo, é bom que haja testemunhas a ver-me sair, porque também não sou um miúdo qualquer, sou uma pessoa que escapa à morte duas vezes em menos de 30 dias. Eu sou um ser humano, tenho direito à vida e preciso também que as pessoas sintam que algo estava para correr mal. mas por causa dos efectivos que andaram aqui das Forças Armadas, FADM, Intervenção Rápida, alguns escondidos nas esquinas, achei (melhor) dizer que não, vamos estudar outras vias, mas dentro em breve estarei na cidade, para continuarmos o nosso trabalho. Mas dentro em breve, Mandlate, dentro em breve, porque não há guerra, é uma coisa que você deve gravar e pôr em cheio, para os moçambicanos se sentirem tranquilizados. Eu não estou aqui no mato a planificar a guerra. Depois daquele ataque, para evitar o pior e tudo, e porque os meus membros podiam  enervar-se e começar a reagir de uma maneira descontrolada, decidi não continuar a viagem a Nampula ou a Beira e entrei no mato, isto é, sempre estrategicamente, para evitar o perigo. não é porque estava a fugir da morte, porque o combate começou às 11h00 e até às 18h00 e eu estava no sítio, tranquilamente, a comandar os nossos homens para contra-atacarem os das FADM, para capturar armas. Houve muitos mortos, nós perdemos um número de 14 pessoas, tanto motoristas como os meus seguranças, e eles perderam centenas. Embora estejam a esconder, havia alguns coronéis feridos da Frelimo, aí de Maputo mesmo. Mas, pronto, a responsabilidade é deles. Dentro em breve estarei aí, deixe as pessoas ouvirem a minha voz, é o Dhlakama que está a falar e disposto, como sempre. não estou no mato a fazer a guerra, isto podem tirar mesmo da cabeça, tirar mesmo. Se eu quisesse, Moçambique já estaria a arder, não há interesse nisso. A minha idade... já não sou jovem. Cresci na guerra, esta democracia dependeu de luta e de sacrifício. Sinto-me muito emocionado, já há liberdade de um povo, já há parlamento a funcionar, existe investimentos, já há economia de mercado, já há partidos novos, a pena da morte acabou, as aldeias comunais acabaram, guias de marcha acabaram, campos de reeducação... tudo desapareceu, pelo menos há um bocado de liberdade de imprensa. Isto deveu-se também ao sacrifício da minha juventude. Portanto, Mandlate, eu quero dizer-te: não tenho intenção de me vingar desses ataques, claro que tenho que ser prudente, sou um ser humano, tenho família, tenho filhos, os meus filhos, por eu estar no mato, ligam todos os dias a chorar. Mas eu não sou escravo da Frelimo. Quero garantir que eu, entanto que Dhlakama, embora seja líder da rebeldia moçambicana e de tudo, não vou vingar-me com guerra, mas com a luta pacífica, com discursos, comícios, diálogo, palestras e tudo. Entanto que um líder, eu vou continuar, porque é preciso que Moçambique continue a ter um homem como Dhlakama.

Homens da FIR vivem extorquindo aos passageiros

 
Estacionados no Posto de controlo de Nampevo



Os homens da ex-Força de Intervenção Rápida (FIR), agora Unidade de Intervenção Rápida (UIR), estacionados no posto de controlo de Nampevo, ao longo da Estrada Nacional nr. 1, vivem extorquindo cidadãos, sobretudo passageiros, que se fazem naquele troço.
Segundo viveu de perto a nossa equipa de Reportagem que seguia numa viatura na tarde do passado dia (01), sexta-feira, tudo tem acontecido quando os homens da FIR orientam as viaturas a terem que parar e os passageiros todos descerem e depois dai, são exigidos documentos de identificação individual.
Mais adiante, segue-se então a vasculha minuciosa das pastas de cada um dos passageiros, como de uma ofensiva fosse. Posto isso, quem não os possuir documentos é obrigado a ficar naquele ponto sob pena de não continuar com a viagem.
O mais incrível que aconteceu, neste dia em que o nosso repórter estava de viagem, foi um grupo de jovens com idades compreendidas entre 15 aos 18 anos que não possuíam um documento sequer, que muito rapidamente foram orientados a se distanciarem da viatura onde seguiam.
Curiosamente durante essa acção toda, um dos agentes disse num tom bastante ameaçador "não quero dinheiro de ninguém quem experimentar vou dar chamboco fiquem ai, e os do carro podem seguir", disse o homem da FIR.
Depois de o carro seguir lentamente como se o condutor conhece-se o "filme" o mesmo agente deu outra orientação, "vão para ali ter com aquele chefe ninguém pode vir onde estou", orientação cumprida.
Dai, os jovens em número de três voltaram a correr e felizes e se fizeram a viatura, onde todos os passageiros que com eles seguiam viagem inclusive a nossa equipa de Reportagem foram unânimes em questiona-los, o que teria acontecido para que logo fossem "soltos" pelo que responderam "demos dinheiro, este deu 10 Mt, eu 20 e este também 10 Mt", disseram visivelmente satisfeitos.
Seguimos a viagem e o assunto tomou conta de todos onde cada um tirava as suas ilações, tais como porque fazer demorar pessoas a vasculhar pastas se eles sabem o que vem fazer naquele controlo, e se a ideia é mostrar as pessoas que há controlo cerrado nos cruzamentos estão enganados, esta claro que alguém com aquela coragem de levar 10 meticais de um pobre, pode deixar passar muita coisa ilícita por milhões.
Apesar de ser pouco dinheiro que levara, outros chegaram até a considerar a atitude como sendo um negócio rentável, visto que durante o dia dada a natureza da estrada passam por ali muitas viaturas, pessoas e bens. (António Munaíta)




DIÁRIO DA ZAMBÉZIA – 06.10.2015

Tuesday, 6 October 2015

Renamo insiste que só negoceia “coisas concretas”

 

A Renamo reafirmou no domingo, 4 de Outubro, que está disponível para negociar com o Governo da Frelimo a alternância governativa e a partilha do poder. Numa mensagem dirigida aos moçambicanos por ocasião da passagem dos 23 anos da assinatura do Acordo Geral Paz, assinado em Roma, a Renamo anuncia: “Estamos disponíveis para negociar coisas concretas”.
A Renamo quer “alternância governativa e a partilha do poder”.
A Renamo garante que não irá demitir-se da sua responsabilidade de continuar a lutar pela preservação da democracia e da paz em Moçambique e diz que nunca a Renamo e o povo chamarão democracia ao que não é democracia, mas sim uma fantochada daqueles que querem governar o país sem democracia.
“Estamos a comemorar os 23 anos desde que a Renamo conseguiu convencer o regime da Frelimo, de partido único, que não aceitava liberdades fundamentais das pessoas e o direito à vida, acesso à educação, à saúde e a economia de mercado. Foi preciso a Renamo, como representante legítimo e defensor do povo, pegar em armas e lutar duramente durante 16 anos, não apenas contra as forças da Frelimo, mas também contra todos os países que a apoiavam, como russos, cubanos, tanzanianos, zimbabweanos e outros mercenários”, refere a mensagem.
Acrescenta que foi graças ao apoio do povo moçambicano e à força de Deus que a Renamo venceu e conseguiu estabelecer a democracia multipartidária, que era tão necessária em Moçambique.
“Com a democracia trazida pela Renamo vimos nascer várias instituições do ensino superior. Embora estas instituições sejam ainda privadas não é o ideal para a solução.
Cabe ao Estado multiplicar as faculdades do ensino superior satisfazendo assim a procura de ensino superior pela maioria dos jovens moçambicanos”, diz a mensagem.
A Renamo considera que o dia 4 de Outubro, é realmente o Dia da Democracia em Moçambique, por este ser o dia em que Afonso Dhlakama assinou, em 1992, na cidade de Roma, na Itália, o Acordo Geral de Paz com o ex-Presidente da República, Joaquim Chissano.
“O Acordo Geral de Paz foi o marco para o estabelecimento da democracia no país.
Por termos lutado com sacrifício naquela altura em que no continente africano a agenda era a luta pelas independências, o continente não queria saber nada da democracia. A Renamo sofreu perseguições do continente africano e do resto do mundo.
Apesar deste facto, a Renamo, enquanto movimento político-militar, com o apoio do seu povo, conseguiu ultrapassar as barreiras que lhe impunham”, afirma a mensagem.
A Renamo reafirma que é pioneira na luta pela democracia multipartidária em Moçambique e no continente africano.
Contudo lamenta que, ao comemorar-se os 23 anos da entrada do multipartidarismo no país, a Frelimo ainda considera Afonso Dhlakama, o alvo principal para se abater.
“Como é do conhecimento de todos, no mês de Setembro findo, o presidente Afonso Dhlakama sofreu dois ataques. O primeiro ataque foi feito no dia 12 de Setembro, na província de Manica, na zona de Chibata, a escassos quilómetros da cidade de Chimoio.
O segundo ataque, o mais violento, no dia 25 de Setembro, na localidade de Zimpinga, também a escassos quilómetros da cidade de Chimoio, a caravana do Presidente foi atacada e a sua viatura foi baleada”, lê-se na mensagem da Renamo, que afirma que, neste último ataque, participaram como atacantes os membros das FADM e da FIR, escolhidos secretamente sem o conhecimento daqueles poucos elementos provenientes da Renamo que estão no Exército, para levarem a cabo “esta acção criminosa”, mas que falhou.
“Queremos lamentar que nos dois ataques foram ceifadas vidas de alguns elementos da segurança da Renamo e motoristas. Contudo grande parte das baixas aconteceu do lado atacante, que são as FADM e FIR, embora o governo não esteja a falar em público, para as famílias tomarem conhecimento. Isto é cobardia”, diz a Renamo na sua mensagem.
A Renamo descreve que os atacantes não usavam fardamentos, mas sim calças ou calções, chinelos ou sapatilhas, coletes à prova de bala, cartucheiras para carregamento de munições e capacetes, como autênticos marginais.


(Bernardo Álvaro)

 

CANALMOZ – 06.10.2015, citado no Moçambique para todos

Caça a Afonso Dhlakama continua em Manica e em Tete

 
Enquanto na capital do país, Maputo, decorriam preparações para a celebração do Dia da Paz (4 de Outubro), com discursos de apelo à paz, os tiros ecoavam na região centro, concretamente nas províncias de Manica e Tete, causando desespero aos cidadãos residentes nessas zonas. Durante o fim-de-semana, as tropas governamentais desdobraram-se em várias frentes no distrito de Gondola, à procura do esconderijo de Afonso Dhlakama.
Na madrugada de sexta-feira, houve vários confrontos entre as forças militares do Governo e os homens da Renamo na região de Chitalu, localidade de Mupindonhanga, distrito de Gondola, província de Manica. A população esteve sob fogo cruzado e a sua maioria abandonou a região.
Tudo começou quando um batalhão das Forças Armadas, na caça a Afonso Dhlakama, deslocou-se para aquele povoado e co começou a violentar a população, acusando-a de estar a proteger o presidente da Renamo, que está em parte incerta. Várias casas da população foram incendiadas na caça a Afonso Dhlakama.
O porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Manica, Belmiro Mutandiua, confirmou ao “Canalmoz” que houve confrontos, mas não indicou os motivos nem o número de vítimas. Belmiro Mutandiua também não quis comentar sobre a acção dos militares das tropas governamentais que estão a incendiar as palhotas da população.
O deputado António Muchanga, porta-voz da Renamo, também confirmou os confrontos. Muchanga denunciou “movimentações militares de forças combinadas com vista a eliminar fisicamente Afonso Dhlakama, contrariando deste modo os apelos da comunidade nacional e internacional para um compromisso de um diálogo sério de modo a restabelecer a paz e a democracia”.
Em Tete, na passada sexta-feira, as tropas da Renamo souberam que um batalhão das forças governamentais ia render o outro na região de Nkondedzi, em Moatize, no mesmo ponto onde, na semana passada, o delegado local da Renamo foi assassinado em frente da sua esposa e filhos, uma acção cuja autoria é atribuída às forças do Governo. Homens armados que se acredita serem da Renamo emboscaram o referido batalhão e houve mortes do lado das Forças de Defesa e Segurança. O incidente ocorreu na zona alta de Ndande.
No sábado, as tropas governamentais voltaram ao local e incendiaram várias casas da população, alegando serem esconderijos dos homens da Renamo. Entretanto ainda não se sabe do paradeiro do presidente da Renamo, que desapareceu, depois de as forças governamentais terem voltado a tentar assassiná-lo, no dia 25 de Setembro.


CANALMOZ – 06.10.2015

Esquadrões da morte?

 

Testemunhas dos dois atentados, recentes, contra Afonso Dhlakama, descrevem os atacantes como homens vestidos à civil, com coletes à prova de bala, fortemente armados com armas de guerra e com aspecto de quem tem treino militar.
Qual será o significado disto?
A quem obedecem esses homens? Quem lhes fornece os coletes, as armas e as munições, quem lhes define os alvos a abater e o momento da acção?
Quem lhes paga?
Tudo perguntas a que não é fácil responder. São poucas as provas para que se possa apontar o dedo sem dúvidas em o fazer.
O único aspecto curioso é que disparam sistematicamente contra quem incomoda a direcção do Partido Frelimo e o seu Governo. Foi assim com Gilles Cistac e está a ser agora com Afonso Dhlakama. E, nos dois casos, depois de uma intensa campanha de diabolização da futura vítima através dos órgãos de informação do sector público.
Coincidências? É muito possível. E quem sou eu para dizer que é mais do que isso? Muito mais do que isso?
Sérgio Vieira, há poucos dias, apelou à “savimbização de Dhlakama” demonstrado que, apesar das aparências, ainda não rapou o bigode farfalhudo à moda do antigo Pai dos Povos, o José Bemvindo das Neves.
Mas, muito provavelmente, bigodes desses continuam a proliferar nos salões onde se tomam as verdadeiras decisões, embora o Sérgio já não lhes pise as alcatifas.
Vozes há que afirmam que os tais esquadrões da morte mais não são do que polícias e militares a quem se retira as fardas dado o melindre das operações a executar. Não faço ideia se com razão ou não. Mas, apenas em termos teóricos, vamos admitir por momentos que sim, que essas vozes têm razão. Será que os tais militares e polícias desfardados obedecem às ordens do seu Comandante em Chefe ou actuam ao serviço de outras quaisquer entidades? E, no segundo caso, o tal Comandante em Chefe sabe disso e sente-se confortável?
Adaptando uma velha frase espanhola à nossa realidade, eu diria que não acredito em esquadrões da morte, mas que eles existem, existem!


Machado da Graça, Savana 02-10-2015

Monday, 5 October 2015

EUA manifestam abertura da comunidade internacional para resolução de crise política em Moçambique


Maputo, 04 out (Lusa) - O embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, Douglas Griffiths, manifestou hoje a abertura da comunidade internacional para a resolução da crise política em Moçambique, considerando a situação preocupante 23 anos após o Acordo Geral de Paz.
"A situação é preocupante. Em qualquer país, quando um membro da oposição está envolvido em atentados é sempre preocupante. A comunidade internacional está pronta para ajudar", disse à Lusa Douglas Griffiths, falando em Maputo à margem da cerimónia da comemoração do acordo de Roma, assinado há 23 anos, encerrando uma década e meia de guerra civil.
Para Douglas Griffiths, a data que hoje se assinala remete os moçambicanos para uma reflexão sobre a necessidade da manutenção da paz, quando o país vive sob o espetro de uma nova guerra, com registo de três confrontações militares em três semanas, que levaram o líder da oposição para parte incerta.
"O diálogo é a única maneira de resolver o problema, não se pode usar violência", afirmou o diplomata norte-americano, acrescentando que este é o momento de o país aplicar as lições aprendidas há 23 anos e destacando o papel da cooperação entre as nações.
"Em qualquer situação, as pessoas as vezes pedem ajuda aos amigos", declarou Griffiths, lembrando que o seu país investiu mais de cinco mil milhões de dólares em projetos de cooperação nos últimos 20 anos.
Também Sven von Burgsdorff, chefe da missão da União Europeia em Moçambique, disse à Lusa que os últimos incidentes envolvendo a caravana do líder da Renamo colocam o país numa situação preocupante, considerando que os episódios precisam ser esclarecidos e os autores responsabilizados, como forma de o país criar um clima de paz e estabilidade, condição para o desenvolvimento.
"É necessário que o Governo e maior partido de oposição encontrem mecanismos para restabelecer a confiança, um elemento indispensável no processo do diálogo", considerou.
Para o chefe da missão da UE em Moçambique, a ausência de dirigentes do maior partido da oposição na cerimónia de hoje é um sinal de que o diálogo ainda constitui um desafio, um obstáculo que só pode ser ultrapassado se houver vontade entre os atores políticos.
"Nós [UE] estamos prontos para apoiar, como sempre fizemos, mas a solução é endógena e só pode ser encontrada nos próprios moçambicanos ", acrescentou o diplomata.
A violência política aumentou nas últimas semanas e na sexta-feira forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.
Após este último incidente, que forçou a fuga de dezenas de habitantes na região, não houve registo de novos confrontos, apesar da permanência no local de forças da polícia e presumivelmente também de homens armados da Renamo.
Foi no mesmo distrito que, no passado dia 25, Afonso Dhlakama disse ter escapado de uma emboscada das forças de defesa e segurança, que por sua vez acusam os homens da Renamo de ter iniciado o incidente ao abrir fogo sobre uma viatura de transporte semipúblico que ia a passar e alegando que a polícia apenas se dirigiu ao local para repor a ordem.
Destes confrontos, morreram pelo menos sete elementos da Renamo, segundo o partido da oposição, e 23 homens de Dhlakama, de acordo com o Governo moçambicano, além do motorista da viatura civil.
Esse foi o segundo incidente em menos de duas semanas envolvendo a comitiva de Afonso Dhlakama, após, a 12 de setembro, a sua caravana ter sido atacada também na província de Manica, num caso que permanece por esclarecer.
Moçambique vive sob a ameaça de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo, que quer governar pela força as seis províncias do centro e norte do país onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro do ano passado.

Luís Bernardo: “Derrota humilhante e o político que perdeu o respeito por si próprio

A grande dúvida desta noite foi se a Coligação conseguiria chegar à maioria absoluta ou não. Acontece que este resultado era impensável até há um ano.
Por isso e pelo volume dos resultados foi uma grande vitória da Coligação que apesar de perder mais de 10% em relação a 2011 (juntando resultados do PSD e CDS/PP) conseguiu uma vantagem muito significativa sobre o PS, o grande derrotado da noite.
Mas o mais confrangedor desta noite foi verificar o desespero com que o líder do PS se agarrou ao poder, não tirando qualquer consequência das suas responsabilidades e caindo na figura incompreensível do derrotado mais satisfeito da história da democracia portuguesa.
Num discurso confuso, em que não se percebeu até onde pretende ir num eventual acordo à sua esquerda, deu mais uma prova porque não mereceu a confiança dos portugueses.
António Costa falhou em toda a linha e partindo com o objetivo de obter uma maioria absoluta não sai porque, afinal, a coligação não conseguiu obter essa mesma maioria.
A forma como conquistou o partido, a contradição de líder que vence por poucochinho ter que sair e líder que perde claramente querer continuar, numa perspetiva lamentável de colocar os seus interesses pessoais, acima dos interesses do PS e do país é o elemento mais caracterizável do político que perde o respeito por si próprio.
Por tudo o que disse, pela forma como conquistou o partido, e não se iluda, pela enorme desilusão que constituiu para milhares de socialistas, António Costa só tinha uma saída digna, demitir-se.
E tenha como certo que aquele ambiente artificial triunfal do Altis contrasta com o sentimento do país. Dos militantes do seu partido e dos portugueses que ansiavam por uma mudança.
O PS tem de virar a página.
Terminar este seu ciclo Santanista, com uma liderança sustentada por uma elite que a todo o custo se quer perpetuar na política.
Respeitando a sua história, mas não sendo refém dela, o que a tem levado a derrotas sucessivas – com exceção do ciclo liderado por António José Seguro.
O papel de uma oposição construtiva e responsável é tanto mais importante quando se perspetiva um Governo de maioria relativa.
A capacidade de influenciar o Governo de direita será tanto maior, quanto for a capacidade do PS saber qual o seu papel para o futuro de Portugal.
Por contraste, vencedores da noite de forma indiscutível, foi a Coligação, apesar dos quatro anos de enorme austeridade impostas aos portugueses, Passos Coelho e Paulo Portas, mas também, o Bloco de Esquerda que surgiu aos olhos de muitos como a alternativa mais consistente ao Governo.
O PCP manteve e não cresceu, o que é pouco perante o quadro de contestação que o pais conheceu e os pequenos partidos desiludiram.
Em conclusão, a coligação tem que ter a humildade de perceber, o que os portugueses lhes disseram, perderam mais de 600 mil votos porque muitos  estão cansados de tanta austeridade, mas deram-lhes uma nova hipótese para que possam governar numa fase mais próspera para o país.
Quanto ao PS  que esteja a altura das suas responsabilidades, pois só com um projeto reformista e de futuro poderá voltar a ter a confiança da maioria dos Portugueses.




* Luís Bernardo, consultor de comunicação, ex-assessor de José Sócrates e António Guterres e ex-consultor de António José Seguro.

Mediadores apontam manutenção de linhas de diálogo como solução para crise política em Moçambique




 Mediadores das negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo apontaram a manutenção das linhas diálogo como condição para que se ultrapasse a crise política no país.
"É necessário continuar a nutrir as linhas de diálogo e próprio Acordo de Paz", disse hoje à Lusa Dinis Sengulane, bispo jubilado da igreja anglicana em Maputo, falando à margem da cerimónia da comemoração do Acordo Geral de Paz, assinado há 23 anos em Roma, encerrando uma década e meia de guerra civil.
O 23.º aniversário da assinatura do acordo de paz em Moçambique é celebrado num clima de crise política, com registo de três confrontações militares em três semanas, que levaram o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, para parte incerta.
Para Dinis Sengulane, os últimos incidentes envolvendo o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) mostraram que a paz ainda não foi atingida na sua plenitude e é preciso que Moçambique preste maior atenção para a existência de "grupos armados não autorizados".
"O desarmar das mãos e das mentes não se completou", alertou Dinis Sengulane, acrescentando, no entanto, que ninguém está arrependido por ter assinado o Acordo Geral de Paz e é preciso encontrar formas de fazer com que a mensagem chegue a todos moçambicanos.
Após mais de cem rondas negociais no Centro de Conferência Joaquim Chissano, as partes não chegaram a um consenso sobre a desmilitarização do braço armado da Renamo, uma das principais cláusulas do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, assinado a 05 de setembro, e o partido de Afonso Dhlakama acabou por suspender as sessões de diálogo.
Outro mediador, reverendo Anastácio Chembeze disse, no entanto, à Lusa que não há motivo para desespero, sustentando, sem avançar mais detalhes, que há um trabalho que está em curso para manter a linha de diálogo, elemento crucial para manutenção da paz.
"Estamos a fazer esforços para reatar o diálogo e estamos esperançados", afirmou o reverendo, acrescentando que a manutenção da paz é a condição basilar no quadro do desenvolvimento do país.

"Não há motivos para desesperos, o processo do diálogo vai continuar, mesmo que seja de forma diferenciada", declarou o reverendo, salientando que há um trabalho que está sendo feito para se reativar a linha de contacto com o líder da Renamo, que está em parte incerta.
A violência política aumentou nas últimas semanas e na sexta-feira forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.
Após este último incidente, que forçou a fuga de dezenas de habitantes na região, não houve registo de novos confrontos, apesar da permanência no local de forças da polícia e presumivelmente também de homens armados da Renamo.
Foi no mesmo distrito que, no passado dia 25, Afonso Dhlakama disse ter escapado de uma emboscada das forças de defesa e segurança, que por sua vez acusam os homens da Renamo de ter iniciado o incidente ao abrir fogo sobre uma viatura de transporte semipúblico que ia a passar e alegando que a polícia apenas se dirigiu ao local para repor a ordem.
Destes confrontos, morreram pelo menos sete elementos da Renamo, segundo o partido da oposição, e 23 homens de Dhlakama, de acordo com o Governo moçambicano, além do motorista da viatura civil.
Esse foi o segundo incidente em menos de duas semanas envolvendo a comitiva de Afonso Dhlakama, após, a 12 de setembro, a sua caravana ter sido atacada também na província de Manica, num caso que permanece por esclarecer.Moçambique vive sob a ameaça de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo, que quer governar pela força as seis províncias do centro e norte do país onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro do ano passado.




Sunday, 4 October 2015

MENSAGEM DO PRESIDENTE DO MDM POR OCASIÃO DO DIA 4 DE OUTUBRO – DIA DA PAZ


Compatriotas,
Celebramos hoje 23 anos dos acordos de Roma, que colocaram ponto final a Guerra Civil, trazendo aos moçambicanos um alívio, e uma esperança aos novos desafios de reconstrução nacional e um Estado de Direito.
Após a assinatura do Acordo Geral da Paz em Roma entrou-se para uma situação de silêncio das armas mas infelizmente de continuação de jogos dúbios e manobras que com o tempo se constituíram em verdadeiros factores de produção de crises e conflitos em Moçambique.
A paz, sossego, tranquilidade, estabilidade, progresso, desenvolvimento nacional que a maioria sonhou que se tornaria realidade com a assinatura histórica do fim das hostilidades entre o governo da Frelimo e a Renamo não se concretizaram.
A crise actual é a consequência do modo como os ex-beligerantes fazem a política, resultantes da má gestão e erros políticos, e como não há humildade, a arrogância assume o controlo, atraindo desta forma conflitos armados.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Lembrar de que em qualquer nação civilizada, em primeira instancia a responsabilidade primordial pela prevenção dos conflitos recai ao Governo, pois as medidas preventivas deviam ter sido tomadas no cumprimento dos Acordos de Paz, no ataque das causas estruturais profundas que estão frequentemente subjacentes aos sintomas políticos.
Uma estratégia de prevenção eficaz exige uma abordagem global, envolvendo todas as forças vivas da sociedade, pois prevenir é muito melhor e mais barato do que remediar, daí urge enfrentar os problemas de frente no lugar de menospreza-los.
Por outro lado, os custos de não prevenir a violência são enormes. Os custos humanos da guerra incluem não apenas o visível e o imediato – os mortos, os feridos, a destruição, a deslocação da população – mas também as repercussões distantes e indirectas nas famílias, nas comunidades, nas instituições nacionais e nas empresas, na economia e nas oportunidades de investimento que se perdem.
Por isso o país precisa de políticos responsáveis e cidadãos que não vivem na ilusão de “yes man ou dos lambe botas”, perpetuando a discriminação sistemática, desigualdades ou injustiças socioeconómicas, desrespeito pelos direitos humanos e diferendos ligados à participação política.
O País precisa de homens e mulheres não escravos do ‘sim, chefe’ bajuladores e cobardes. O nosso país tem pago um preço muito elevado pela cultura de bajulação e do medo, e de ser prisioneira de esquemas prefabricados.
O País precisa de adoptar mecanismos apropriados e eficazes para enfrentar os problemas, nomeadamente instituições que assegurem uma boa governação e o Estado de Direito Democrático, instituições democráticas interdependentes e uma imprensa livre das amarras partidárias.
Precisamos de alcançar a Paz, e para tal tudo deve ser feito para se educar para a Paz, o espetáculo diário das guerras, das tensões, das divisões, semeia dúvidas e quebram a confiança. Infelizmente os gestos de Paz das autoridades governamentais são irrisoriamente impotentes para mudar o rumo das coisas, devido a resistência de introduzir reformas necessárias para a convivência democrata.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
O cidadão moçambicano consciente não quer a guerra, nem apologia da guerra, nem os riscos da guerra ofensiva. O cidadão moçambicano quer que assuntos dos homens sejam tratados com humanidade e não por meio de violência; as tensões, os casos contenciosos e os conflitos devem ser compostos por negociações razoáveis, e não com a força; as oposições ideológicas devem confrontar-se num clima de diálogo e discussão livre; os interesses legítimos de determinados grupos devem ter em consideração também os interesses legítimos de outros grupos aos quais digam respeito e as exigências do bem comum; o recurso as armas para silenciar seja quem for, ou para procura de protagonismo muscular não deve ser instrumento para solucionar o conflito; temos que salvaguardar os direitos humanos em todas as circunstâncias; não se deve matar e nem tolerar matança para impor solução.
Gostaria de desafiar aqui as congregações religiosas para que deem maior contributo para educação da Paz e rezarem pela Paz o que requere acção corajosa e solidária, e que realizem gestos de Paz, dando o maior relevo possível às missões pacificas que impõem a família humana. Pois precisamos de consolidar instituições capazes de fazerem crescer a unidade da família humana.
Temos que por em prática a Paz que leva a Paz, buscar o tesouro da Paz, e oferecer esta dádiva o dia-a-dia a cada um de nós.
Termino clamando A Paz “ Bem-aventurados os artífices de Paz”.
Beira, 4 de Outubro de 2015
Daviz Simango

MENSAGEM DA RENAMO PELA OCASIÃO DO 4 DE OUTUBRO DE 2015

 4 DE OUTUBRO DE 2015
DIA DA DEMOCRACIA EM MOÇAMBIQUE
VIGÉSIMO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DA VITÓRIA DA RENAMO NA LUTA PELA DEMOCRACIA MULTIPARTIDÁRIA PARA O POVO MOÇAMBICANO
MENSAGEM DA RENAMO PELA OCASIÃO DO 4 DE OUTUBRO DE 2015











Estamos a comemorar os 23 anos desde que a Renamo conseguiu convencer o regime da Frelimo, de partido único, que não aceitava liberdades fundamentais das pessoas e o direito à vida, acesso à educação, à saúde e a economia de mercado. Foi preciso que a Renamo, como representante legítimo e defensor do Povo pegar em armas e lutar duramente durante 16 anos, não apenas contra as forças da Frelimo mas também contra todos os países que a apoiavam, como russos, cubanos, tanzanianos, zimbabweanos  e outros mercenários.
Mas, graças ao apoio do povo moçambicano e à força de Deus, a Renamo venceu. Com esta vitória a Renamo conseguiu estabelecer a democracia multipartidária, que era tão precisada no solo pátrio moçambicano. 
É evidente que foi a Renamo quem lutou, aceitou todo o tipo de sacrifício e que conseguiu mudar o estado das coisas no País. O monopartidarismo desapareceu. A lei da pena de morte desapareceu. O controlo através de guias de marcha desapareceu. O sistema de economia estatal e de cooperativas do regime da Frelimo acabou. A barreira que existia sobre a liberdade religiosa terminou. Morreu a República Popular de Moçambique e nasceu a República de Moçambique, que permite as práticas da economia de mercado, que é o único modelo de economia aplicado para o desenvolvimento económico do mundo inteiro. 
Com a democracia trazida pela Renamo vimos nascer várias instituições do ensino superior. Embora estas instituições sejam ainda privadas não é o ideal para a solução. Cabe ao Estado multiplicar as faculdades do ensino superior satisfazendo assim a procura de ensino superior pela maioria dos jovens moçambicanos.
Este dia 4 de Outubro, é realmente o Dia da Democracia em Moçambique. É o dia em que o nosso querido Presidente, Afonso Macacho Marceta Dhlakama, assinou em 1992, na cidade de Roma, na Itália, o Acordo Geral de Paz com o ex-Presidente Joaquim Chissano. O Acordo Geral de Paz foi o marco para o estabelecimento da democracia no País. 
Por termos lutado com sacrifício naquela altura em que no continente africano a agenda era a luta pelas independências, o continente não queria saber nada da democracia. A Renamo sofreu perseguições do continente africano e do resto do mundo. Apesar deste facto, a Renamo, entanto que movimento político militar, com o apoio do seu povo, conseguiu ultrapassar as barreiras que lhe impunham.
Estamos aqui hoje para reafirmarmos que a Renamo é pioneira na luta pela democracia multipartidária em Moçambique e no continente africano. Lamentamos bastante que ao estarmos aqui a comemorar os 23 anos da entrada do multipartidarismo no nosso País, a Frelimo ainda considera o nosso querido presidente Afonso Macacho Marceta Dhlakama, o alvo principal para se abater.
Como é do conhecimento de todos, no mês de Setembro findo, o nosso querido presidente, Afonso Macacho Marceta Dhlakama  o presidente do Povo Moçambicano, sofreu 2 ataques. O primeiro ataque foi feito no dia 12 de Setembro, na Província de Manica, na zona de Chibata, a escassos quilómetros da cidade de Chimoio.  
O segundo ataque, o mais violento, no dia 25 de Setembro, na localidade de Zimpinga, também a escassos quilómetros da cidade de Chimoio, a caravana do Presidente foi atacada e a sua viatura foi baleada.
Neste ataque participaram como atacantes os membros das FADM e da FIR, escolhidos secretamente sem o conhecimento daqueles poucos elementos provenientes da Renamo que estão no exército para levarem a cabo esta acção criminosa, mas que falhou. 
Queremos lamentar que nos dois ataques foram ceifadas vidas de alguns elementos da segurança da Renamo e motoristas. Contudo, grande parte das baixas aconteceu do lado atacante, que são as FADM e FIR, embora o governo não esteja a falar em público, para as famílias tomarem conhecimento. Isto é cobardia.
Os atacantes identificados não usavam fardamentos. Usavam sim, calças ou calções, chinelos ou sapatilhas, colete de balas, cartucheiras para carregamento de munições, capacetes, como autênticos marginais.
Na óptica da Frelimo esta era a forma de esconder a identidade dos atacantes. O Povo, no mesmo dia, ficou a saber que o seu filho da FIR ou das  FADM morreu. Todas as pessoas sabem que foi a Frelimo que organizaou e mandou executar o ataque. Porquê precisa de esconder?
Queremos dizer a todos que a Renamo não irá demitir-se da sua responsabilidade de continuar a lutar pela preservação da democracia e a paz em Moçambique, liderada pelo nosso querido Presidente, Afonso Macacho Marceta Dhlakama. 
Estamos disponíveis a negociar coisas concretas para resolvermos tudo aquilo que afecta a vida do povo moçambicano, como alternância governativa e a partilha do poder. Queremos chamar a atenção que nunca a Renamo e o Povo chamará de democracia o que não é democracia, mas sim uma fantochada daqueles que querem governar o País sem democracia.
Muito obrigado.
Maputo, 4 de Outubro de 2015

Mensagem do Presidente da República por ocasião do dia 4 de Outubro, Dia da Paz e Reconciliação Nacional

Paulo Bouene's photo.
 
Comemoramos, hoje, dia 04 de Outubro de 2015, mais um aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, que marcou o fim de 16 anos de um conflito armado entre irmãos muito devastador. O dia 4 de Outubro é a expressão da suprema vontade dos moçambicanos de viverem em harmonia consigo mesmos e entre si, unidos e reconciliados na diferença e empenhados na construção da paz em todas as dimensões, através do diálogo, porque a paz é a condição indispensável para o bem-estar e felicidade.
Hoje, 23 anos depois do calar das armas, temos a responsabilidade colectiva e individual de zelar por este bem comum que, para além de mensagens que contribuam para preservar, promover e difundir a cultura de paz e do diálogo em todas as circunstâncias, o façamos com actos concretos. O Governo reafirma a sua disponibilidade e abertura incondicional para o diálogo com todas as forças vivas da sociedade para que a paz e reconciliação prevaleçam, no lugar do medo e da ameaça, bem como no estrito respeito à nossa Lei Mãe, a Constituição da República de Moçambique. Em meu nome pessoal e em nome do Governo desejo a todos festas felizes, e que o 4 de Outubro continue a inspirar-nos para harmonia, amor e, sobretudo para a promoção da cultura da Paz e de diálogo permanente.


Filipe Jacinto Nyusi
Presidente da República de Moçambique

Friday, 2 October 2015

Confrontos tornam-se regulares em Moçambique

Em Moçambique, as forças de defesa e segurança terão descoberto e atacado o local onde se encontra o líder da RENAMO. O ataque aconteceu na madrugada desta sexta-feira (02.10) em Pindanganga, província de Manica.
Viatura queimada no ataque contra a caravana do líder da RENAMO em Manica, Moçambique (26.09)
Sofrimento Efraime Matequenha, da direção provincial da RENAMO, o maior partido da oposição na província central de Manica, disse que os soldados do exército nacional dirigiram-se logo pela manhã desta sexta-feira (02.10) ao local onde se encontra refugiado o líder do partido.
O membro do partido relata: "A informação que eu tive um bocado cedo, é de que as forças armadas, por volta das quatro e meia da madrugada, chegaram lá e começaram a fazer as suas ações militares. Finalmente, ouvi da população que me estava a telefonar que aqui na zona de Pindaganga havia tiroteio. Pensam que o líder da RENAMO esteja nessa área."
Há uma semana que se desconhece o paradeiro de Afonso Dhlakama, que saiu ileso de um ataque quando a sua caravana se envolveu num incidente no distrito de Gondola, província de Manica. A RENAMO considerou ter-se tratado de um ataque das forças moçambicanas de defesa e segurança.
Matequenha confirmou ainda à DW África que o líder da principal força política de oposição se encontra em Manica, e goza de boa saúde. E acrescentou que "quando os militares descobriram foram para lá em sete carros, um grande e seis pequenos."

Afonso Dhlakama, líder da RENAMO
Polícia não sabe dos ataques

Contactado pela DW África, o porta-voz da polícia moçambicana em Manica, Vasco Matusse disse nao ter informação sobre este ataque à localidade de Pindanganga: "Eu não tenho informação em relação a isso. Assim que tiver, acho que não há segredo nenhum, poderei compartilhar. Mas por enquanto não tenho nenhuma informação."
Entretanto, a DW África entrevistou algumas pessoas que seguiam num autocarro que passou na manhã desta sexta-feira (02.10) pela estrada nacional número 6.
Eles garantiram que a situação era calma nessa rodovia, mas que ouviram relatos de novos confrontos no interior de Zimpinga.
Inês da Conceição Elias conta: "Ouvimos dizer que estão a atacar mais no interior, no campo, e não na estrada."
João Joaquim Machado também conta o que ouviu: "Eu carreguei às nove e passei bem até chegar, só agora é que estou a ouvir aqui de que lá a situação é má."


Porta-voz da RENAMO fala de "consequências imprevisíveis"
Também em conferência de imprensa o porta-voz da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), António Muchanga disse que "esta manhã, as tais forças combinadas, fazendo-se transportar em sete viaturas, chegaram a Chitaka, localidade de Mpindanhanga, distrito de Gondola, onde atacaram as populações locais, acusando-as de proteger o presidente Afonso Dhlakama".
Estas movimentações, prosseguiu Muchanga, resultaram em confrontos com as forças da RENAMO.
Segundo o porta-voz do partido da oposição, os sistemáticos e alegados atentados e ataques ao líder do movimento e outros membros do partido podem resultar em confrontos de maior proporção, com consequências imprevisíveis.
António Muchanga porta-voz da RENAMO





DW

Gondola debaixo de fogo e população em desespero

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Maputo (Canalmoz) - Desde a noite de ontem, que as forças militares do Governo estão a confrontar-se, com os homens da Renamo na região de Chitalu, localidade de Mupindonhanga, distrito de Gondola, província de Manica. A população está sob fogo cruzado e em total desespero.
Tudo começou quando um batalhão das forças armadas escalou aquele povoado em caça a Afonso Dhlakama e começaram a violentar a população acusando-a de estar a proteger o líder da Renamo que está em parte incerta. Várias casas da população foram incendiadas na alegada caça a Afonso Dhlakama.
O porta-voz da comando provincial da Polícia da República de Moçambique em Manica, Belmiro Mutandiua confirmou ao CanalMoz o registo dos confrontos mas não avançou os motivos nem o número de vítimas. A fonte também não quis comentar sobre a acção dos agentes das tropas governamentais que estão a incendiar as palhotas da população.
Entretanto, o porta-voz da Renamo, o deputado António Muchanga confirmou também os confrontos. Muchanga denunciou “movimentações militares de forças combinadas com vista a eliminar fisicamente Afonso Dhlakama, contrariando deste modo os apelos da comunidade nacional e internacional para um compromisso de um diálogo sério de modo a restabelecer a Paz e a democracia”.



Canalmoz

Renamo denuncia novos confrontos hoje no centro

A Renamo acusou hoje as forças de defesa e segurança de novos ataques hoje no distrito de Gondola, província de Manica, centro do país, para matar Afonso Dhlakama.

"Esta manhã, hoje, 02 de Outubro, as tais forças combinadas, fazendo-se transportar em sete viaturas, chegaram a Chitaka, localidade de Mpindanhanga, distrito de Gondola, onde atacaram as populações locais, acusando-as de proteger o presidente Afonso Dhlakama", afirmou hoje, em conferência de imprensa, o porta-voz da Renamo, António Muchanga.
Estas movimentações, prosseguiu Muchanga, resultaram em confrontos com as forças da Renamo.
Segundo o porta-voz do partido da oposição, os sistemáticos e alegados atentados e ataques ao líder do movimento e outros membros do partido podem resultar em confrontos de maior proporção, com consequências imprevisíveis.
António Muchanga disse que Afonso Dhlakama está bem, escusando-se a indicar o seu paradeiro, depois de em entrevistas anteriores ter afirmado que se encontrava algures na província de Manica.
Dhlakama não é visto em público desde o passado dia 26, quando a sua caravana se envolveu num incidente no distrito de Gondola, que o partido considerou ter-se tratado de um ataque das forças de defesa e segurança.
O Governo afirmou, por seu lado, que estas se deslocaram ao local apenas para repor a ordem, acusando a escolta do líder da Renamo de ter matado o motorista de um carro de transporte passageiros.
A Renamo afirmou que resultaram deste incidente sete mortos entre a comitiva de Dhlakama e dezenas entre os alegados atacantes, um balanço bastante abaixo dos 24 divulgados pelo Governo, 23 elementos da oposição e um civil.
Na terça-feira, a polícia anunciou a abertura de um processo criminal, por homicídio do motorista da viatura de transportes, contra o líder da Renamo, cujo porta-voz já reagiu, considerando que se trata de "uma palhaçada" e questionando quem vai acusar os autores das alegadas 23 mortes dos homens da oposição.
Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no passado dia 12 de Setembro a comitiva de Dhlakama ter sido atacada perto do Chimoio, também na província de Manica.
Na altura, a Frelimo acusou a Renamo de simular a emboscada, enquanto a polícia negou o seu envolvimento, acrescentando que estava a investigar.
Em entrevista ao semanário Savana, o ministro da Defesa, Salvador Mtumuke, também negou o envolvimento do exército.

Avaria em subestação da Electricidade de Moçambique causa apagão e corte no fornecimento de água a Maputo e Matola

A capital de Moçambique está a enfrentar sérias restrições no fornecimento de energia eléctrica desde a manhã da passada quarta-feira (30) na sequência de uma avaria na subestação da Electricidade de Moçambique (EDM) localizada no bairro do Fomento, no município da Matola. Devido ao apagão o fornecimento de água às cidades de Maputo e da Matola também esteve condicionado.
De acordo com a empresa estatal que detém o monopólio do fornecimento de energia eléctrica em Moçambique, estas restrições devem-se a uma avaria no transformador de energia eléctrica na subestação da Matola.
O porta-voz da EDM, Luís Amado, explicou ao jornal Notícias que esta subestação está interligada em forma de anel com as subestações do Infulene e da Motraco sendo que a paralisação de uma perturba o normal funcionamento da rede. Devido à avaria, o eixo que vai do bairro da Malanga, passando pela zona do Ferroviário, Mercado Central, bairro Central (Município de Maputo) até à antiga FACIM, continua sob restrições até à solução definitiva do problema, acrescentou Luís Amado.
Além dos transtornos e prejuízos que a EDM está a causar aos milhões de citadinos de Maputo e da Matola o apagão eléctrico afecta também o fornecimento de água potável. Segundo a empresa Águas da Região de Maputo os níveis de produção na Estação de Tratamento do Umbeluzi baixaram drasticamente, afectando em cadeia o fluxo de transporte para os centros distribuidores e a capacidade destes de lançar este recurso aos consumidores.
Não se sabem as causas da avaria do transformador da subestação da Matola. Segundo a empresa, o equipamento funciona há dez anos e tem um período de vida útil de 25 anos.
Em Março deste ano um problema na mesma subestação deixou sem energia toda a zona sul de Moçambique. As cidades moçambicanas e outras zonas do território com acesso à rede eléctrica, oficialmente só 45,3% dos habitantes tem electricidade, são frequentemente atingidas por cortes, para alguns entendidos, devido à degradação da infra-estrutura de transporte e de distribuição de energia, resultante da falta de manutenção e da sobrecarga de todo o sistema, dado o aumento do número de consumidores que ultrapassa a quantidade de corrente eléctrica disponível.
Um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP) de 2014 concluiu que a empresa monopolista do fornecimento de energia em Moçambique "deixou de prestar serviços que lhe competem, e passou a funcionar como uma rede ou agência de concessão de empreitadas, que servem os interesses da elite política (do partido Frelimo). Exemplo disso são os simples trabalhos de substituição de cabos eléctricos e electrificação cedidos a empresas de antigos dirigentes e desta forma despendendo mais dinheiro desnecessariamente. A falta de transparência e de integridade nas actividades desenvolvidas pela EDM serve de fonte de negócio para as elites políticas do país. "



A Verdade

Desaparecimento de Dhlakama e movimentação de artilharia para Gorongora empurram Moçambique para mais uma guerra...


Ao afastamento de Afonso Dhlakama do espaço público e mediático, desde a última sexta-feira (25), após o ataque ocorrido na Estrada Nacional número seis (EN6), em Zimpinga, no distrito de Gondola, província de Manica, segue-se uma suposta movimentação de artilharia para Gorongosa pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), à semelhança do que aconteceu entre 2013 e 2014, aquando dos confrontos que terminaram com a assinatura do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, o qual foi praticamente atirado para o caixote de lixo em virtude da insatisfação de uma das partes signatárias, a Renamo.
Paulatinamente, estão a ganhar consistência as informações segundo as quais o Governo, aparentemente preocupado com o “sumiço” do líder da “Perdiz” e por este ser considerado uma ameaça à almejada paz – que não passa de um chavão político –, está a preparar-se para uma eventual incursão militar que possa estar a ser engendrada por Dhlakama, a partir de Sathungira, local onde se encontra, de acordo com o que tem sido veiculado, sobretudo em Sofala e nas hostes militares.
Um outro dado, ainda sobre Dhlakama, indica que ele saiu ferido num dos membros inferiores naquela emboscada; porém, António Muchanga, porta-voz desta formação política, desmente e assegura que o seu presidente “está bem e goza de boa saúde”, mas não diz em que lugar concreto se encontra. Sobre a saúde do líder da “Perdiz” já se disse muitas coisas durante o último conflito militar que cessou oficialmente em Setembro de 2014. Até como morto ele já foi dado.
Após o assalto à base da Renamo, em Outubro de 2013, liderado por Filipe Nyusi, que altura era ministro da Defesa, Dhlakama embrenhou-se na Serra da Gorongosa, local que passou a registar intensas batalhas diárias e mortíferas. As populações das comunidades à volta viviam preparadas para fugir até que um dia abandonaram efectivamente as suas casas. Os reais danos humanos e materiais dessa tragédia são desconhecidos até hoje. A velocidade a que as coisas andam, em consequência da falta de entendimento entre o Governo e a Renamo, coloca Moçambique na iminência de mais uma guerra...
A tensão político-militar que persiste no país é o reflexo de que os problemas que opõem a Renamo ao Governo estão longe de serem resolvidos. Aliás, a 05 de Setembro de 2014, quando o antigo Presidente da República, Armando Guebuza, e Dhlakama assinaram o acordo de paz em Maputo, depois de vários “namoros” fracassados, ficou patente que o assentimento não punha necessariamente fim à violência, mas, sim, abria o caminho para a realização das eleições gerais que já estavam marcadas para 15 de Outubro do mesmo ano. Para além de receios, não faltaram avisos de que caso a “Perdiz” não lograsse êxito no processo desencadear-se-ia uma nova guerra, a qual já iniciou nos mesmos moldes da recém-terminada.
O “futuro de esperança, entre irmãos”, se cada um assumisse “as suas responsabilidades e os compromissos forem respeitados dia-a-dia nas palavras e nos actos”, a que Dhlakama se referiu naquele dia antes dos abraços e apertos de mão com Guebuza, parecem esfumar-se. A arrogância e as armas tendem a falar mais alto que as palavras e/ou o diálogo...
“Hoje é um dia muito importante para o nosso povo, que esperou pacientemente, sabendo que as soluções dos nossos problemas passavam pelo diálogo”, disse Guebuza, mas, na verdade, tudo isso, hoje, não passa de uma mentira perante o clima de incerteza que o país vive.
Enquanto isso, o condutor do minibus baleado mortalmente na EN6, num ataque atribuído ao partido Renamo pelo Governo e pelas suas forças militares, chamava-se Carlos Quipiço Guihole, pai de uma antiga atleta internacional moçambicana identificada pelo nome de Argentina da Glória, ora radicada na Itália, de acordo com o Diário de Moçambique.



A Verdade

Raúl Domingos: Dhlakama é quem dá as ordens

Raul Domingos
Raul Domingos
 
 
O antigo braço direito do líder da Renamo, diz que Moçambique está prestes a atingir um ponto sem retorno para a guerra e exortou o presidente Nyusi a tomar a iniciativa para inverter a situação. Numa entrevista a VOA, Raul Domingos desmentiu a tese das autoridades, segundo as quais, homens da Renamo estariam por detrás da emboscada a Afonso Dhlakama. Domingos diz que podem existir alas dentro da Renamo, mas que Dhlakama ainda é a voz de comando.





William Mapote, VOA



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Thursday, 1 October 2015

Homens armados assassinam delegado da Renamo em Tete perante os filhos e a esposa


A 25 de Setembro, quando se celebrava o Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, os assassinatos não aconteceram apenas em Zimpinga, no distrito de Gondola, província de Manica. Na localidade de Nkondezi, no distrito de Moatize, em Tete, presumíveis homens armados ainda por identificar irromperam pela residência de Elesson Jonasse, de 47 anos de idade, delegado político da Renamo, e assassinaram-no, a sangue frio, com recurso a uma arma de fogo, em frente dos seus filhos, menores de idade, e da sua esposa.
António Muchanga, porta-voz da Renamo, parco em palavras e aparentemente agastado com a situação, declarou ao @Verdade: “É verdade”. Um pouco irreconhecível pela sua contenção demasiada – facto a que não estamos habituados – Muchanga prosseguiu: “Assassinaram o homem na sua casa diante dos filhos e da mulher (...)”.
Os supostos bandidos fizeram-se passar por elementos da “Perdiz” que necessitavam de ajuda urgente de Elesson Jonasse, escreve o Canal de Moçambique na sua última edição, e cita Marcos Vululu, vizinho e pastor de uma igreja local, a testemunhar que “um grupo armado” dirigiu-se ao domicílio do malogrado, bateu à porta em nome dos membros da Renamo mas não foi autorizado a entrar devido à desconfiança dos donos da casa.
Por via disso, os malfeitores recorreram à musculatura, deitaram a porta abaixo, pegaram no delegado desta formação política e abriram fogo contra ele perante a família, tendo-o alvejado com dois tiros, um na testa e outro no tórax, o que ditou a sua morte imediata.
A mulher da vítima pôs-se aos gritos e banhou-se em lágrimas, o que despertou a atenção das pessoas mais próximas. Féliz Assomati, delegado provincial deste partido em Tete, confirmou o caso àquele semanário e acrescentou que os seus colegas sofrem perseguições encetadas pela Frelimo nos distritos de Tsangano, Macanga, Moatize e Angónia. Por causa disso, os visados pernoitam nas matas.




Relatos díspares alimentam dúvidas sobre incidente com a RENAMO

Ainda há várias questões por responder sobre o que aconteceu na sexta-feira (25.09) – o dia do incidente com a comitiva em que seguia Afonso Dhlakama. Número de mortos apontado por Governo, polícia e moradores difere.
Agentes da polícia moçambicana (Foto de arquivo: 2013)
Afinal, quem começou os confrontos entre as autoridades de segurança moçambicanas e a comitiva do líder da RENAMO, Afonso Dhlakama? A polícia diz que a culpa é do maior partido da oposição em Moçambique. No entanto, testemunhas do tiroteio garantem que esta foi uma emboscada protagonizada por elementos das Forças de Defesa e Segurança.
Outra questão em aberto diz respeito ao número de vítimas mortais. Têm sido avançados dados diferentes. As testemunhas dizem que morreram mais pessoas do que as anunciadas até agora. 
No povoado de Maforga, perto do local do incidente, muitas casas continuam vazias. Apesar dos apelos para retornarem às zonas de origem, no distrito de Gondola, no centro de Moçambique, os habitantes têm medo de regressar.

Quem iniciou os confrontos?

A polícia afirma que homens armados da RENAMO atacaram um autocarro e que, por isso, os agentes dirigiram-se ao local para repor a ordem. Depois, acabaram por envolver-se em confrontos com os militantes do partido da oposição.
No entanto, as testemunhas do ataque têm uma versão diferente. Félix Luís é guarda numa empresa que acolheu muitos populares em fuga. “Eu estava aqui em casa e vi 15 carros a subir a montanha. Fui para lá, tentar ver, e um vizinho disse-me que havia uma confusão”, conta Félix Luís, que acrescenta, sem hesitar, que os veículos “eram da FRELIMO”.
“Estavam cheios de pessoas da FRELIMO, que não estavam fardados. Estavam à civil, traziam armas, e mal subiram a montanha começámos a ouvir os tiros”, diz.
Elias José João, morador de Maforga, posto administrativo de Zimpinga, acredita que a emboscada foi programada. Segundo este habitante, o povoado começou a ser frequentado por pessoas estranhas dias antes do ataque. “Chineses, pessoas que começaram a subir a montanha com vidros fumados”, descreve.
Vasco Matusse, porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Manica, desmente a informação, afirmando que “tudo indica que se tratava de uma caravana acompanhando o líder da RENAMO”.
“Quando chegaram à zona de Amatongas, por aquilo que pudemos averiguar com base nos relatos de testemunhas locais, os homens armados da RENAMO abriram fogo contra uma viatura”, explica o porta-voz.


Diferenças no número de vítimas

Segundo a RENAMO, sete militantes morreram no ataque, registando-se dezenas de vítimas mortais entre os alegados atacantes.
Esta terça-feira (29.09), o Governo moçambicano anunciou que um civil e vinte e três militares da RENAMO morreram no incidente. No entanto, à DW África, a polícia em Manica apresentou outros números.
“Os últimos dados que recebemos davam conta de onze indivíduos que perderam a vida no local. Trajavam uma farda verde, pelo que supomos que sejam elementos ligados ao presidente do partido RENAMO”, diz Vasco Matusse. A polícia, acrescenta o porta-voz, encontrou ainda “onze corpos que não vestiam farda. Presume-se que sejam civis”.
Os moradores dizem, no entanto, que o número de vítimas mortais será bastante mais elevado do que foi, até agora, anunciado – incluindo civis.
“Muitas pessoas estão a sair da aldeia, com medo, porque muitos morreram aqui, outros ainda não foram vistos, outros estão escondidos no mato”, diz Félix Luís.




DW