Sunday, 7 September 2014

Novos edifícios e a nova face de Maputo

DE olhos vistos assiste-se na capital do país, a um novo fenómeno no ramo da construção, com a implantação de novos edifícios. Eles nascem aos cogumelos um pouco por toda a cidade, com particular destaque para a zona de cimento onde resta muito pouco de edifícios de construção horizontal.
Na sua maioria os prédio vêm substituir as antigas vivendas algumas das quais em perfeitas condições mas que foram destruídas para dar lugar a novas construções. Outros são erguidos nas antigas ruínas que já feriam a estética da cidade e nalguns casos eram autênticos albergues de marginais que nelas, para além de ganhar tecto, praticavam outras acções, como por exemplo assaltos aos transeuntes.
É naquelas ruínas onde os malfeitores melhor se organizavam e facilmente surpreendiam os incautos seja a luz do dia seja ao cair da noite.
Com a nova tendência, os espaços abandonados e ou em ruínas tendem a passar para a história os poucos que ainda restam continuam a ser disputados pelos sem tecto mas que, a este ritmo de corrida pela edificação, estão na eminência de desaparecer. 
A corrida pela construção de novos edifício só vem reprovar a técnica da construção horizontal, fenómeno que actualmente caracteriza os bairros em expansão.
Quem conheceu Maputo e não mais voltou há cerca de 10 anos, certamente que terá dificuldades em distinguir certas zonas desta urbe, marcada por edifícios novos e modernos.
 

Reflexão


Saturday, 6 September 2014

Tolerância zero

 

Coisas da Campanha Eleitoral

Logo no primeiro dia da campanha eleitoral que teve início domin­go passado, começaram a “chover” relatos de irregularidades diver­sas, fundamentalmente protagonizadas pelos “autores de costume”, com as autoridades a pautarem pela dualidade de critérios.
Vimos políticos “ca­çando votos” em igre­jas, em salas de aula, afixando propaganda eleitoral em locais proi­bidos por lei, usando abusivamente bens e meios do Estado, sem que quem de direito mexa uma palha. Aliás, casos há em que os pró­prios agentes da Lei e Ordem, que era suposto impedirem tais práticas, aparecem envolvidos em ilicitudes.
Exemplo disso vem de Nacala-à-Velha, onde um membro da PRM fardado a rigor e em pleno exer­cício das suas funções foi flagrado conduzindo uma motorizada totalmente condecorada com pan­fletos do partido Frelimo e em frente da sede do partido no poder.
Mas ai de quem “mi­jar fora do penico” sem ser membro do partido no poder ou sem estar em caravanas a este envolvido. Leva, e pela medida grande.
Em Nampula, por exemplo, cinco membros da Renamo foram detidos no segundo dia de cam­panha eleitoral, indiciados de obstruírem material de propaganda da Frelimo e do seu candidato, Filipe Jacinto Nhusi.
Em Chimoio, dois jo­vens do MDM foram de­tidos, um por destruir material de propaganda da Frelimo e se ter envol­vido em violência durante o cruzamento de grupos adversários, e outro por condução ilegal, que pro­vocou a queda de um dos membros.
No distrito de Chibuto, um jovem de nome Zaba­deu Ofisso, membro da OJM e do partido Frelimo, foi flagrado no mercado central local a destruir material propagandístico do MDM. Trata-se de 20panfletos do candidato Daviz Simango e 10 do MDM. Consta que o MDM já apresentou formal­mente o caso aos órgãos eleitorais.
Em Inharrime, na pro­víncia de Inhambane, no segundo dia da campa­nha eleitoral, no povoado de Ngulela, a três quiló­metros da vila-sede, dois jovens simpatizantes da Frelimo foram encontra­dos pelos membros da Renamo a rasgar panfle­tos deste partido, tendo sido encaminhados para a esquadra da vila.
Mas quando a PRM foi alertada por membros da Renamo, em Mabote (Inhambane), de que cerca de 50 indivíduos presumivelmente mem­bros do partido Frelimo (trajavam indumentária e transportavam mate­rial de campanha desta organização) estavam a vandalizar propaganda eleitoral da “perdiz”e do respectivo líder, nada lhes aconteceu.
Este facto foi reco­nhecido pelo próprio Pe­dro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República. “Dispersá­mo-los apenas”, disse o oficial policial.
De resto a PRM sem­pre disse e repetiu que de­clarava “tolerância zero” para os prevaricadores durante este processo eleitoral.
Está a se ver para quem é destinada a dita tolerância zero...

CORREIO DA MANHÃ – 04.09.2014, citado no Moçambique para todos

Sondagem?


Friday, 5 September 2014

Ratificado cessar-fogo entre Armando Guebuza e Afonso Dhlakama


Faltavam cerca de vinte minutos para o 12h (hora local) quando  se encontraram no Gabinete da Presidência da República para ratificar o acordo de cessar-fogo. O fim das hostilidades no país ficou marcado com uma assinatura e um abraço.
 

A cerimónia, que marca um dos momentos mais importantes da política moçambicana, foi iniciada por Lourenço de Rosario e terminou com uma assinatura e um abraço entre o Presidente da República, Armando Guebuza, e o Líder do principal partido da oposição, Afonso Dhlakama.
Ainda nesta cerimónia, Afonso Dhlakama agradeceu aos diplomatas que participaram neste processo e fez votos para o sucesso deste acordo.
“Agradeço aos diplomatas, embaixadores de Portugal, Estados Unidos e Inglaterra, que se empenharam muito para este processo e para a minha segurança neste país”, disse o Líder da Renamo, acrescentando que tem a expectativa que este acordo “abra muitos caminhos”.
 



Armando Guebuza, por seu turno, salientou nesta cerimónia que sempre se sentiu confiante no sucesso do diálogo entre Governo e Renamo.
“Sabíamos que íamos nos entender no dialogo (…). Mesmo no desespero esperamos pacientemente e firmemente. (…) No diálogo todas as nossas preocupações são atendidas. (…) Não podíamos resolver nada com as forças militares ”, disse o Presidente, que garantiu ainda a criação de um Fundo da Paz, que visa formar e viabilizar a reintegração dos militares desmobilizados da Renamo.
Depois dos discursos, os dois líderes políticos decidiram marcar o momento tirando uma fotografia numa sala decorada com um quadro de Malangatana, um dos maiores artistas plásticos moçambicanos.
 



Este acto irá permitir que Afonso Dhlakama participe na campanha eleitoral, já em curso, para as eleições gerais (presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais) de 15 de Outubro.
De recordar que a crise político-militar, que provocou um número indeterminado de mortos e de feridos, foi desencadeada por divergências sobre a lei eleitoral e em torno do desarmamento do braço armado da Renamo.
Afonso Dhlakama chegou quinta-feira à capital do país, onde foi recebido por milhares de simpatizantes do partido no Aeroporto Internacional de Maputo, diante de um forte cordão de segurança dividido entre as autoridades moçambicanas e os seguranças do líder do partido.



Especial Regresso de Dhlakama



 Grande Reportagem


No dia em que o “Messias” voltou a Maputo

Maputo (Canalmoz) – 12 horas. O Aeroporto Internacional de Maputo começa a ter uma movimentação incomum. Crianças, jovens e adultos junt...am-se num descampado ao lado da Sala VIP do aeroporto, com camisetes e cartazes com palavras de ordem a favor da Renamo e do seu líder Afonso Dhlakama.
13 horas. O movimento intensifica-se e, num piscar de olhos, já havia um mar de gente, simpatizantes, curiosos, e passageiros que iam embarcar, ou que acabavam de desembarcar, mas que preferiram juntar-se à moldura humana. Entre a população, surge um cartaz que se tornou atracção pelo dia todo. “Dhlakama não é Savimbi. Moçambique não é Angola. Viva Dhlakama”, lia-se no cartaz, escrito a tinta encarnada empunhado por um grupo de jovens.

Tempo depois, uma viatura da marca americana Ford, de cabine dupla, chega em frente à Sala VIP transportando a guarda da Renamo. A chegada da viatura e a forma como os oito membros da segurança de Dhlakama saíram da viatura fez recordar as epopeias de Jonh Rambo. Inconfundíveis: boina preta, fardamento verde-oliva e uma cabeleira de quem não não se cruza com o barbeiro há já um bom tempo. Um detalhe: as botas não são idênticas, criando contraindicação ao conceito de uniforme. O mais extravagante calça umas botas da gigante de calçado de Massachusetts. É Timberland. O povo atinge a loucura, entre aplausos e gritos. “Tropas da liberdade”, grita um jovem estudante, que envergava uma bata da escola de aviação civil, que funciona a alguns metros do aeroporto. Ele e os seus colegas simplesmente abandonaram as aulas para verem chegar Afonso Dhlakama. A polícia foi mobilizada em peso e Jorge Khalau comanda, por alguns instantes, pessoalmente as operações.

15 horas. Uma outra agitação criada pela chegada de dirigentes da Renamo dá a ideia de que o avião está para aterrar em Mavalane. A imprensa acotovela-se, e a Polícia começa com a sua habitual “caça ao protagonismo”, naquele empurra-empurra para organizar os jornalistas. Falso alarme. Não havia avião a aterrar nem Dhlakama nenhum. Do outro lado, o povo, alheio a esta bagunça toda, dança ao som de uma canção feita para a ocasião, com o refrão “Dhlakama é o homem do povo”. Dançam, cantam, abraçam-se. “Está a vir o Messias”, grita um jovem lá mais para o fundo, palavras que, de seguida, se tornam coro geral: “O Messias está de volta”, respondiam outros, e assim ficou sentenciado. Era mesmo o regresso do “Messias” da Renamo.

Nisso, a Polícia tenta controlar a multidão, que quase se juntou à imprensa para, com recurso a telemóveis e outras plataformas, conseguir tirar uma foto para o infalível Facebook, ou mesmo para a mais recente das redes sociais, o Instagram.

“Afastem-se e deixem este lugar só para a imprensa”, ordena um agente da Polícia da República de Moçambique, com ares de estar a gostar do momento ímpar e de loucura popular que se vive. “O senhor não nos deve mandar embora daqui, porque queremos receber o Messias. Se não fosse o Messias, vocês estariam todos na escravatura”, grita em changana um jovem entre a multidão, que depois corre, para não ser apanhado pela Polícia. O agente olha para o jovem e fica a sorrir. Não sabemos se o sorriso concordava com os ditos do jovem, ou não. Mas sorriu.

Momentos depois, estaciona à saída da Sala VIP uma viatura de alta cilindrada Toyota Prado VX, de cor preta. A agitação aumenta, e os jornalistas correm de um lado para o outro, na falsa certeza de que seria aquela a viatura a transportar Afonso Dhlakama. “Lembre-se que Dhlakama disse que quer um “by four by four” [como ele diz], comenta o meu colega André Mulungo, recordando uma das entrevistas dada por Afonso Dhlakama, em que deixou claro o seu pendor para viaturas “four by four” [“quatro por quatro”]. Tudo muito agitado.

Nesse momento, saem da sala VIP dois dirigentes do partido Frelimo, nomeadamente Manuel Tomé, antigo Chefe da bancada, e o porta-voz da Comissão Permanente da Assembleia da República, Mateus Katupha, que acabavam de chegar de viagem. Não acreditavam no que viam. Mas, como o evento não lhes dizia respeito, a imprensa tratou de ignorá-los. Queriam o “Messias”. A viatura Prado de alta cilindrada era daqueles quadros da Frelimo, que, pela dimensão do evento, passaram despercebidos.

Tempo depois, uma outra viatura de marca Toyota Prado, com a parte frontal coberta com uma bandeira da Renamo e com fotografias do líder da Renamo, também estaciona à saída da Sala VIP. “Este carro só pode ser o que vai levar o líder”, comenta um colega da televisão. A agitação volta a instalar-se. Da viatura, sai Manuel Bissopo, o secretário-geral da Renamo. Desde aí, ficou claro que o “Messias”, aliás Afonso Dhlakama, estava mesmo para chegar. A agitação aumenta de forma impressionante. Pessoas que estavam ali naquele local há mais de quatro horas continuavam com energia para cantar e dançar. Enquanto isso, António Muchanga organiza as pessoas para dar um cunho de civismo à recepção. Uma nota: contrariamente aos eventos do partido no poder em que o chamariz é a comida e músicos financeiramente capturados, ali não foi dada comida de borla nem havia artistas famosos para atrair pessoas. Os cidadãos mobilizaram-se por si, de coração, consciência e alma para verem o líder da Renamo. Passaram fome e frio para testemunhar a chegada do seu “Messias”.

A imprensa volta a acotovelar-se, quando dirigentes da Renamo entram na sala e depois se vão perfilar à boca da placa. As certezas de que a vinda do “Messias” era dado adquirido começaram a ganhar mais corpo. Do lado de fora rufam os tambores, acompanhados por palmas, entre cânticos e palavras de ordem. A agitação da imprensa é uma nota constante. Os colegas de uma cadeia de televisão estrangeira, a Al Jazeera, quase que entram numa crise de nervos. Estão naquele local desde as 11 horas e já enviaram uns sete despachos em que em nenhum deles anunciavam a chegada do líder “do movimento rebelde”, como diziam. O operador de câmara, que até se divertia com as danças dos grupos culturais, parecia mais calmo. O repórter, nem tanto, porque tinha a dura missão de ir idealizando a intervenção a seguir, logo que o seu Smartphone chamasse a dar indicação para entrarem em directo. Intercalava o aborrecimento da espera com um maço de cigarros, até que um cidadão do protocolo começa a chamar os órgãos de comunicação que deviam entrar para a pista para registarem imagens. Só podiam entrar as câmaras de filmagem e as câmaras fotográficas. Os jornalistas deviam permanecer do lado de fora. Entrei em desespero, porque não queria perder aquele momento. Foi aí que encontrei um jovem afecto ao protocolo, que leu o meu nome no crachá que eu trazia ao pescoço e disse ser um grande fã meu e leitor assíduo do “Canalmoz” e do “Canal de Moçambique”. “Entra Guente, e não fui eu quem te deixou passar”, disse ele, olhando para outro lado. Nem mais, contornei os agentes da Polícia e lá estava eu dentro da pista.

Uma olhada atenta, e consigo reconhecer uns três agentes dos serviços secretos disfarçados de jornalistas e com câmaras fotográficas e de filmar. Não é necessariamente nova a aparição de agentes dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) em eventos da oposição e tratei logo de fingir que nem os tinha visto, até porque o evento era grande demais para que o destaque fosse dado aos espiões do regime. O mais agitado trazia um colete de imprensa oferecido por umas das companhias de telefonia móvel no âmbito do seu marketing e empunhava uma pequena câmera de filmar que o auto denunciava que era ele, um cidadão a mais naquele lugar.

18:02. Já estamos perfilados na placa, para registar as imagens. O agente da Polícia volta a repisar: “Só estão aqui fotógrafos e ‘cameramans’. Não quero confusão”. O enunciado leva-me ao desespero e sou obrigado a pedir emprestado uma maquineta fotográfica não profissional, só para ludibriar o agente. Mas como a máquina era pequena, juntei-a a um carregador de um computador para dar uma impressão mais aparatosa e confundir o agente, que queria ver máquina ou câmara grande nas mãos dos que lá estavam.

18:10. Um Embraer da LAM, operado pela Mex, aterra em Mavalane e cria agitação. “Não é esse”, sossega-nos António Muchanga, com ares de muita felicidade pelo que se estava a passar.

18:15. Mais um Embraer, operado pela MEX, também aterra em Mavalane e agita a imprensa. “Também não é esse”, sossegou-nos um agente do protocolo do Estado, que havia sido afecto ao grande evento.

“Afinal, o ‘Messias’ chega, ou não chega?”, perguntou um colega estrangeiro. Respondi-lhe que tinha a certeza de que Dhalakama chegaria num Embraer operado pela Mex, tendo como base a última actualização feita no “timeline” do Facebook da deputada Ivone Soares, que estava na comitiva.

18:25. Chega o avião transportando o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Era mesmo um Embraer operado pela Mex. “É este o avião que traz o presidente”, informa o protocolo. Histeria total em Mavalane. Quase todos os trabalhadores do aeroporto abandonam os seus postos e entram para a placa para testemunhar a chegada ou o regresso do “Messias”. O acontecimento contagiou toda a gente. Mas a porta do avião ainda permanece fechada. Abre-se a porta, e atrás de uma senhorita da tripulação bem parecida e com cabelos importados vulgo “extensões”, sai o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Toda a gente presente na zona da placa, incluindo os trabalhadores do aeroporto, que haviam abandonado os seus postos, começam a aplaudir. “É o líder. Viva o líder. Está aí o grande velho. O velho Dhlakas está de volta”, foram as formulações frásicas que conseguimos registar. Dhlakama acena com o seu braço direito, e a comitiva de recepção atinge vai à loucura.

Já fora do avião, Dhlakama recebe uma coroa de flores de duas crianças devidamente “protocoladas” e retribui o carinho com dois beijinhos. Aliás, deu também beijinhos à criança do sexo masculino. Entre beijos e abraços, o mais demorado foi com António Muchanga, seu porta-voz, que ficou detido mais de um mês e foi “salvo” pela amnistia. A imprensa desorganiza-se, na tentativa de colher a primeira reacção do líder, que abandonou a capital em 2009. Na pista, Dhlakama só disse “obrigado” e pediu licença para passar.

Foi até à Sala VIP, onde manteve um breve encontro com os embaixadores dos EUA, da Grã-Bretanha, da Itália e de Portugal, que o acompanharam na viagem. À saída da Sala VIP, deu uma curta entrevista e, no seu jeito característico, tratou de desmentir informações de que estaria doente, tal como a propaganda pró-Frelimo tratou de inventar. “Estou bem. Estou gordinho, bonitinho e com gravata”, fez questão de clarificar. Enquanto dá a entrevista, a comitiva de recepção canta: “A sua ida à Gorongosa foi importante para a nossa liberdade. A sua história é a história do povo”. Com o coro como som de fundo, Dhlakama fala à imprensa e diz que está satisfeito com a luta que travou, porque cada moçambicano consegue agora ver que a Frelimo estava a explorar o povo. Disse que a sua luta era para os jovens, para que tenham um futuro menos sofrido do que a sua juventude.

Já do lado de fora, o povo atingia a loucura. “Messias, Messias, Messias”, gritava a população, mesmo antes de ver Afonso Dhlakama. Quando Afonso Dhlakama sai da Sala VIP e acena, toda a população quis tocar-lhe e saudá-lo. A segurança não permitiu excessos, e quem teve sorte conseguiu. “Viva Papá Dhlakama. Pai da democracia”, cantava a população. Dhlakama subiu para uma viatura improvisada e fez o seu primeiro discurso em Maputo. Loucura total. “É, É, É papá”. “É, É, É papá”, “É, É, É papá” cantava a população que não se continha de emoção. “Obrigado pela recepção. Eu sou Dhlakama e estou aqui”, disse Dhlakama, enquanto a população entrava em delírio. “Dhlakama é carismático”, comentou um jovem que não conseguia ver o líder da Renamo, mas fazia de tudo para ouvi-lo. Depois do discurso amplamente ovacionado, Dhlakama entrou numa viatura Ford escoltada pela Polícia de Protecção, pela FIR e pela sua guarda pessoal, e seguiu-se uma longa caravana, do aeroporto até à Praça da OMM, zona em que se desfez, porque Dhlakama, daí, seguiu para a sua residência. Pelo caminho, os automobilistas imobilizaram as viaturas e com as buzinas saudavam o líder da Renamo, criando engarrafamento do lado contrário da avenida. “Este Dhlakama dá-nos maçada”, comentou um agente da Polícia que organizava o trânsito na Avenida Joaquim Chissano. E Era maçada mesmo. Nunca depois de Samora Machel, um outro cidadão criou agitação semelhante. Por todas as avenidas em que Dhlakama passou, o trânsito simplesmente parou. Este é o retrato mais aproximado do regresso de Afonso Dhlakama a Maputo, cinco anos depois. Fica o registo. Afonso Dhlakama paralisou a capital e ficou a merecer o título de “o bestial que não aceitou ser besta”!


(Matias Guente, Canalmoz)

Thursday, 4 September 2014

Dlhakama diz que a sua ausência tornou Moçambique pacífico e democrático

O líder da Renamo, Afonso Dlhakama, assegurou hoje, no seu reaparecimento público, que a sua ausência, por um ano e meio em parte incerta, serviu para tornar Moçambique mais pacífico e democrático, e rejuvenescer o multipartidarismo.
Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reapareceu hoje nas matas da serra da Gorongosa, na província de Sofala (centro do país), e garantiu que vai cumprir o acordo de cessar-fogo.
"A minha ausência foi necessária para repor o multipartidarismo. Vou às eleições para lutar contra a má gestão do país", disse aos jornalistas em Chimoio, a capital de Manica, a cerca de 190 quilómetros a sul de Sadjundjira (Gorongosa), de onde reapareceu hoje de manhã.
Dhlakama dispensou o carro protocolar enviado pelo governo para o acompanhar de Sadjundjira ao aeródromo de Chimoio, optando por uma viatura particular todo-o-terreno.
O líder da Renamo também manteve a sua guarda, fortemente armada, que o escoltou em simultâneo com a força governamental, juntamente com a delegação de embaixadores que negociou a sua viagem a Maputo.
Fazem parte da delegação de diplomatas, os embaixadores de Portugal, Itália, Estados Unidos, Botsuana e a comissária da Grã-Bretanha.
Contudo o líder da Renamo não anunciou se vai fixar residência em Maputo, assegurando apenas que vai escolher uma das três casas disponíveis, sendo uma em Maputo (sul), a segunda em Nampula (norte) e a terceira em Sadjundjira (Gorongosa, sul), deixando em aberto a possibilidade de regressar às encostas da serra da Gorongoza.
"Eu vou escolher para viver uma das três casas que tenho, incluindo a de Sadjundjira", disse Afonso Dhlakama, que ao longo do percurso saudou populares em múltiplas ocasiões.
Ao longo dos cerca de 70 quilómetros de terra batida que ligam Sadjundjira à vila da Gorongosa, a população saudou efusivamente Afonso Dlhakama com cânticos e palavras de ordem: "obrigado pela salvação, ide pensando em nós". Centenas de pessoas observaram a passagem do líder da Renamo durante o trajeto.
Em Chimoio, o trânsito ficou temporariamente paralisado nos locais por onde passou, e teve que ser fortemente escoltado pela sua guarda e embaixadores à saída do hotel, devido ao grande número de populares.
Na capital provincial de Manica, Afonso Dhlakama apanhou uma avioneta da Moçambique Expressos (Mex), operada pela companhia de bandeira nacional, fretada e mantida desde quarta-feira no aeródromo, junto com a sua guarda, a maioria mulheres, e a delegação de embaixadores.
Os elementos da sua segurançsa foi desarmada no aeródromo, e as armas e munições empacotadas em caixas de madeira, seladas pela Polícia moçambicana.
Afonso Dhlakama é esperado capital moçambicana depois de uma ausência de cerca de cinco anos.
Lusa

"Dhlakama já chegou, o povo de Moçambique ganhou, a democracia ganhou", líder da Renamo na capital de Moçambique



O líder da Renamo Afonso Dhlakama desembarcou no princípio da noite desta quinta-feira (04), no Aeroporto Internacional de Mavalane, na capital moçambicana, onde foi recebido com apoteose e ovações por centenas de membros, simpatizantes e curiosos. Ele regressa a Maputo quase cinco anos depois e nesta sexta-feira (05) deverá manter um encontro com o Presidente da República, Armando Guebuza, para homologarem a declaração do cessar-fogo e dos três documentos consensualizados na mesa do diálogo político.
Afonso Dhlakama abandonou o seu esconderijo algures nas matas de Gorongosa, na província de Sofala, e viajou até à cidade de Chimoio, em Manica, onde manteve um encontro com a população local, acto que marcou o início de campanha eleitoral que já vai no quinto dia.
Na sua aparição pública depois de anos escondidos, supostamente algures em Sofala, diga-se em abono da verdade, o presidente da Renamo foi recebido de forma pomposa, aos gritos e emoção e aplausos. Num comício, ele disse que vai participar nas eleições para lutar contra a má gestão do país. "A minha ausência foi necessária para repor o multipartidarismo".
Horas depois, Dhlakama, que se considera "pai da democracia", abandonou o centro da cidade de Chimoio em direcção ao aeroporto local, a partir de onde voou até Maputo.
A partir da da bagageira de uma carinha, o líder da Renamo dirigiu para a multidão que o aguardava durante horas a fio, tendo dito que quando disse que ia obrigar a Frelimo sentar para dialogar ninguém acreditava mas eis a prova. E agradeceu ao povo pela sua paciência com vista a alcançar a democracia.
"Dhlakama já chegou, o povo de Moçambique ganhou, a democracia ganhou, Dhlakama trouxe a democracia", disse Dhlakama a centenas de membros e simpatizantes do seu partido que afluíram ao Aeroporto Internacional de Maputo.
Após o discurso, Dhlakama foi conduzido para o Indy Village, sito quase nas proximidades da sua residência, onde deverá passar a noite.
Nesta sexta-feira o líder da Renamo vai encontrar-se com o Presiente de Moçambique, Armando Guebuza, nas instalações da Presidência onde os dois líderes deverão ratificar o acordo assinado pelas delegações negociais da Renamo e do Governo moçambicano, com vista à cessação das hostilidades militares, que eclodiram no país há cerca de um ano e meio.
Afonso Dhlakama deixou a capital moçambicana no contexto da crise política que se seguiu à derrota da Renamo nas eleições gerais de 2009, instalando-se, primeiro, na cidade de Nampula, e depois em Satungira de onde foi obrigado retirar-se, após um ataque das Forças Governamentais, refugiando-se algures na Serra da Gorongosa.
O líder da Renamo não anunciou se, após o encontro com o Presidente Guebuza, vai fixar residência na cidade de Maputo, assegurando apenas que vai escolher uma das três casas disponíveis, sendo uma em Maputo (sul), a segunda em Nampula (norte) e a terceira em Satunjira (Gorongosa, sul), deixando em aberto a possibilidade de regressar às encostas da serra da Gorongosa.



A Verdade

Dhlakama chega hoje a Maputo


O lider da Renamo, Afonso Dhlakama, chega ao principio desta tarde ao Aeroporto de Maputo, num voo que sai do Chimoio! Sera acompanhado nesse voo pelos Embaixadores da Italia, Portugal, Estados Unidos, Reino Unido, Botswana  e pela deputada da Renamo Ivone Soares!


Foto de Ivone Soares na chegada a Chimoio!

FLAGRANTE ABUSO DO PODER E DE FUNDOS DO ESTADO

Administrador e Secretário Permanente do Distrito usam dinheiro público para financiar a campanha eleitoral do Partido Frelimo
 
- Com as provas anexadas, cabe ao Ministério Público responsabilizar criminalmente aos infractores.
Por : Borges Nhamire

O Administrador do Distrito de Barué, Joaquim Zefanias, e o Secretário Permanente do mesmo distrito, Francisco Conde, sacaram da conta bancária da Administração do Distrito de Barué, no Millennium BIM de Chimoio, o valor de 67 mil meticais para financiar actividades eleitorais e pagar facturas do partido Frelimo.
A  iniciativa de sacar fundos do Estado partiu do Administrador do Distrito
(AD), segundo nota  manuscrita datada de 29 de Agosto de 2014 – anexada neste documento.
Na nota que passamos a transcrever na íntegra, o administrador dirige-se ao Secretário Permanente Distrital (SPD), informando-o da urgente necessidade de contribuir para a campanha eleitoral. No fim da nota, o AD exorta o SP para que "…trabalhe com urgência nestes aspectos pelo nosso nome e imagem".




Fonte: CIP. Leia aqui!
 

Wednesday, 3 September 2014

Membros da Frelimo invadem showmício da Renamo mas a Polícia não faz qualquer detenção


Distrito de Mabote, província de Inhambane

Apesar de, no cômputo geral, a campanha eleitoral estar a ser caracterizada por alguma acalmia e conduta cívica adequada em todo o país, casos esporádicos e isolados de tumultos, agressões e outro tipo de violência entre os “caçadores de votos”, estão a ser registados em alguns pontos do país. Por exemplo, logo no segundo dia da campanha eleitoral, esta segunda-feira, uma brigada de campanha eleitoral da Frelimo, maioritariamente composta por jovens, decidiu invadir o local que acolhia um pequeno showmício da Renamo, no distrito de Mabote, província de Inhambane. A brigada da Frelimo era composta por pouco mais de 50 pessoas.
No local, os jovens da Frelimo pura e simplesmente decidiram rasgar e vandalizar os cartazes da Renamo e outros materiais de campanha, alegadamente porque “o território não era para a oposição”.
Este acontecimento foi-nos confirmado, na manhã desta terça-feira, pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, Pedro Cossa, que esclareceu que a missão da Polícia foi intervir para evitar danos maiores e estabelecer ordem no local.
Sem explicar as razões exactas para o posicionamento policial, Cossa disse que as autoridades policiais não chegaram a deter ninguém, nem qualquer membro do grupo invasor. Isto acontece numa altura em que relatos de alguns cantos do território nacional indicam a detenção de alguns membros da oposição (particularmente da Renamo e MDM), alegadamente por destruição de material de campanha do partido no poder, a Frelimo.
 
MediaFax, 03.09.2014

UE e Carter Centre a observar eleições

 
Depois de inicialmente ter dito que não iria observar as eleições, a União Europeia (UE) vai observar as eleições de 15 de outubro, com algumas das embaixadas europeias sediadas em Maputo à custear parte das despesas e fornecendo alguns observadores. O Centro Carter (dos Estados Unidos) também vai enviar observadores, assim como a SADC, a União Africana, e a Commonwealth.
Originariamente, os funcionários em Bruxelas haviam dito que os cortes no orçamento significavam o não financiamento de uma missão de observação. Esta decisão foi incentivada por alguns pessoas da UE em Maputo que não estavam entusiasmados com a observação. Mas embaixadas membros da UE em Maputo, particularmente do norte da Europa, ficaram irritadas com a decisão e concordaram em custear as despesas. Em 19 de Agosto, a UE anunciou que vai realizar a observação: http://ec.europa.eu/dgs/fpi/announcements/jobs/eueom/20140819_en.htm
O prazo para as candidaturas à cargos superiores é quarta-feira 03 de setembro e os primeiros experts têm chegada à Maputo prevista para quarta-feira 10 de Setembro. Especialistas de longo prazo permaneceram até 23 de outubro e os especialistas principais até 05 de novembro.


Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique Número EN 37 - 2 de setembro de 2014

No diálogo político : Delegações do Governo e da Renamo garantem frente-a-frente entre Guebuza e Dhlakama na sexta-feira


 As delegações do Governo e da Renamo voltaram a reunir-se ontem em mais uma ronda de negociações, a 76a,para concluírem as discussões em torno do encontro entre o Presidente da Repúblicae o presidente da Renamo, AfonsoDhlakama. As delegações garantem que o encontro se realizaráno princípio da manhã desta sexta-feira, 5 de Setembro, na Presidência da República.
Em declarações a jornalistas no final do encontro, o chefe-adjunto da delegação do Governo no diálogo e ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, disse que o encontro de ontem serviu para aprofundar a preparação logística, protocolar e de segurança para o encontro entre o Presidente da República e o presidente da Renamo.Segundo Muthisse, as partes discutiram também os passos subsequentesàhomologação dos documentos por Guebuza e Dhlakama. Muthisse disse também que a Renamo reafirmou que Afonso Dhlakama vai mesmo se reunir-se com Guebuza.
Estarão presentes no encontro dirigentesdo Estado, entre os quais a presidente da Assembleia da República, os vice-presidentes, os membros da Comissão Permanente da AR, chefes das bancadas parlamentares. Estarão também representantes da magistratura, da sociedade civil, militares, membros do Governo, membros da Renamo, e representantes do corpo diplomático.
Segundo Muthisse, o Governo já endereçou convites aos países propostos para fazerem parte da missão dos observadores militares internacionais.



Saimone Macuiana


O chefe da delegação da Renamo, Saimone Macuiana, disseque o encontro de ontem serviu basicamente para “a preparação do encontro ao alto nível e para a finalização de actas importantes dos nossos encontros”. Macuianalembrou também que,“depois do encontro,a Assembleia da República deverá deliberar e legislar sobre tudo o que já foi discutido e ‘consensualizado’”.
Para aAR serão levados os seguintes documentos: “Memorando de Entendimento”, “Termos de Referência da Missão dos Observadores Internacionais”, “Declaração de Cessar-Fogo” e “Mecanismos de Garantias”.



(Bernardo Álvaro, Canalmoz)

GOVERNO CONVIDA OBSERVADORES MILITARES INTERNACIONAIS

 O Governo moçambicano anunciou hoje, em Maputo, que já convidou os observadores militares internacionais que deverão fiscalizar a cessação das hostilidades no país, na sequência do acordo alcançado a 24 de Agosto com a Renamo, o maior partido da oposição.
Falando durante uma conferência de imprensa havida no fim 76ª ronda do diálogo político, o chefe adjunto da delegação do governo e ministro dos transportes e comunicação, Gabriel Muthisse, disse que “temos a expectativas que dentro em breve eles possam estar no nosso país para monitorar este processo de estabilização do nosso país”.
O convite já foi feito. Estamos em articulação com eles para ver as datas da chegada e logística (…) e todas essas questões que vão facilitar o trabalho quando eles chegarem”, explicou.
Por seu turno, o chefe da delegação da Renamo e deputado na bancada da Renamo, Saimone Macuiana, afirma que o líder do partido Afonso Dhlakama decidiu vir a Maputo porque ele coloca os interesses do povo acima de tudo.
O nosso povo é importante. É por isso que ele virá a Maputo.”
A missão de observadores internacionais inclui representantes da Itália, EUA, Portugal, Botswana, Africa Sul, Quénia.
Refira-se que o Presidente da República, Armando Guebuza, e Afonso Dhlakama deverão reunir-se na sexta-feira em Maputo, para homologar os acordos rubricados pelas chefias de ambas as delegações, em sede do diálogo político.
Para o efeito, aguarda-se a chegada do líder da Renamo a Maputo, que deverá acontecer na quinta-feira.
Aliás, António Muchanga, porta-voz do líder da Renamo anunciou em conferência de imprensa na semana passada que Dhlakama iria permanecer algures numa base da Renamo na Serra da Gorongosa, onde se encontra refugiado desde finais de Outubro de 2013.
Segundo Muchanga, o lider da Renamo condicionava a sua saída de Gorongosa para iniciar a campanha a aprovação do projecto de lei que ratifica a declaração sobre a cessação de hostilidades assinado na noite de domingo último entre o governo e a Renamo.
Aparentemente, a Renamo queria garantir uma maior segurança para o seu líder.
Contudo, o discurso mudou de tom depois do encontro havido sábado, algures na Serra da Gorongosa, na província central de Sofala, entre Dhlakama e uma delegação do governo italiano, composta por Dom Matteo Zuppi, da Comunidade Sant Egídio, o embaixador da Itália, acreditado em Moçambique, Roberto Vellano, e o vice-ministro do desenvolvimento económico, Carlo Callenda.



(AIM)

Tuesday, 2 September 2014

LDH defende criação da comissão de verdade e reconciliação para cimentar a paz

     
Alice Mabota


A presidente da Liga dos Direitos Humanos (LDH) de Moçambique, Alice Mabota, defendeu, ontem, a pertinência da criação da Comissão de Verdade e Reconciliação (CVR), que possa assegurar a compensação das vítimas da violência militar no país.
Trata-se de uma ideia lançada pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, em entrevista à Lusa. A presidente da LDH concorda que para que o país poder viver, efectivamente, uma paz definitiva, a criação de uma CVR é fundamental.
A CRV estaria encarregue de averiguar todos os factos ocorridos durante a tensão político-militar, da qual resultaram mortes de civis e militares das duas trincheiras (Governo e Renamo), mas que até ao momento não é conhecido o número.
Este tipo de comissão havia sido cogitada em 1992, depois da assinatura do Acordo de Roma, mas não chegou a avançar, precisamente porque prevaleceu a ideia de que não era necessária.
Nos dias que correm, vem ganhando força a ideia de que uma CVR é fundamental em países saídos de confrontos militares internos, em particular em África.
Um dos casos de sucesso foi a África do Sul no período pós- Apartheid, onde foi “lavada toda a roupa suja”.



O País

ADMINISTRADOR DA BÁRUÈ ACUSADO DE FINANCIAR ILEGALMENTE CAMPANHA ELEITORAL

O Centro de Integridade Pública (CIP), uma Organização-não-Governamental (ONG) vocacionada ao combate a corrupção, acusa o administrador do distrito de Báruè, na província central de Manica, Joaquim Zefanias, e o secretário permanente, Francisco Conde, pelo desvio de 67 mil meticais (cerca de 2.200 dólares ao câmbio corrente) da conta bancária da administração do distrito para financiar a campanha eleitoral da Frelimo e outras despesas do partido no poder em Moçambique.
A Frelimo, no entanto, desmente as acusações, e diz que durante os últimos quatro anos trabalhou arduamente numa campanha de angariação de fundos para estas eleições, razão pela qual não faz sentido violar a lei apenas pela soma módica de dois mil dólares.
No seu último boletim sobre o processo político em Mocambique, o CIP publica uma carta de Zefanias endereçada a Conde, datada 29 de Agosto de 2014, através da qual o administrador de Báruè solicita o pagamento de uma factura de telecomunicações da Frelimo no valor de pouco mais de 8.000 meticais, dinheiro para pagar três cabeças de gado e combustível para o camião que “irá levantar os materiais de campanha em Chimoio (capital provincial)”.
'Somos solicitados a contribuir na alimentação dos VIPs que vão escalar o distrito pela razão da campanha eleitoral (alimentação, etc... etc);', acrescentou Zefanias, para de seguida pedir a Conde para tratar com urgência os assuntos já referidos.
A resposta de Conde foi uma nota manuscrita com a indicação de 'muito urgente', propondo a retirada de 67 mil meticais da conta da administração. Além da factura de telecomunicações, esta soma era para pagar 30 mil meticais para a aquisição de três cabeças de gado e 27.755 meticais para 700 litros de combustível.
Zefanias e Conde terão alegadamente assinado três cheques para retirar o dinheiro da conta de administração do distrito. Um cheque era para pagar a empresa pública Telecomunicações de Moçambique (TDM), no valor de 8.189,23 meticais. Outro para pagar a Amílcar Hussein, o fornecedor das cabeças de gado que, presumivelmente, seriam usadas para confeccionar as refeições para alimentar os VIPs mencionados por Zefanias.
O terceiro cheque, no valor de 31.046,77 meticais foi emitido a favor do próprio governo distrital, e destinava-se a pagar as despesas da campanha, sobretudo combustível.
Como prova destas alegações, o CIP publica as cópias dos três cheques, e da correspondência manuscrita entre Zefanias e Conde. Estes documentos têm o selo oficial do governo distrital Báruè.
Os documentos parecem genuínos, e, portanto, sugerem que os dois funcionários violaram a lei eleitoral, que proíbe os partidos políticos de utilizar bens do Estado em suas campanhas eleitorais.
Por isso, o CIP afirma que 'face a esta situação flagrante de desvio de fundos do Estado para fins privados, a Procuradoria-Geral da República (PGR) devia agir, com urgência, para responsabilizar o infractores'.
Prosseguindo, o CIP exige ainda que “a acção da PGR seja pública e transparente para servir como exemplo aos demais dirigentes do Estado de que os fundos do Estado não devem ser descaminhados para servir interesses do partido no poder”.
Contactado pela AIM, o secretário do Comité Central da Frelimo para a Mobilização e Propaganda, Damião José, disse que estas acusações não correspondem a verdade.
O nosso partido é muito organizado”, disse José. “A Frelimo tem vindo a preparar para estas eleições gerais desde as últimas de 2009. Temos vindo a angariar dinheiro junto dos membros do partido. Além das quotas normais dos membros do partido, temos uma quota adicional paga por militantes para cobrir as despesas eleitorais”.
Nós não temos nenhuma necessidade de violar a lei', acrescentou. “A Frelimo não precisa de uns extras 67 mil meticais”, vincou.
Sobre os cheques, José acredita que deve existir uma explicação legítima para os mesmos.
Por seu turno, Paulo Cuinica, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), disse à AIM que a CNE está a estudar as alegações do CIP.
'Nós ainda não temos os dados suficientes', disse.
'Já accionamos os nossos mecanismos para apurar o que na verdade terá acontecido em Báruè', concluiu.


(AIM)

Governo e Renamo confirmam reaparecimento de Afonso Dhlakama em Maputo

Para encontro com Armando Guebuza


O Governo e a Renamo confirmaram na segunda-feira, no final da 75a ronda de negociações, o reaparecimento e a chegada a Maputo na próxima quinta-feira, 4 de Setembro, do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, para um encontro com o Presidente da República, Armando Guebuza.
O encontro, segundo anunciaram as partes, deverá realizar-se na sexta-feira, 5 de Setembro, em lugar que será anunciado pelo Governo mediante o entendimento com a Renamo.
As partes reuniram-se ontem para discutirem aspectos relacionados com “o encontro de alto nível” entre Dhlakama e Guebuza, visando homologar os documentos assinados, designadamente a declaração do cessar-fogo.
O “Canalmoz” soube que, para além da homologação, Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, vão discutir outros aspectos importantes da vida política, económica e social do país.
O ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, que chefiou a delegação do Governo, disse a jornalistas que a segurança e as condições logísticas e protocolares já estão criadas.
Segundo o ministro Muthisse, quando acontecer o encontro entre Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, “todos aqueles que ainda têm dúvidas se podem viajar, fazer negócios e outras actividades, sobretudo no troço Save-Muxúnguè, sentir-se-ão mais encorajados”.
Por outro lado, o chefe da delegação da Renamo, o deputado Saimone Macuiana, também disse que a essência da 75a ronda foi a preparação do encontro e a discussão sobre as garantias e todas as condições, sobretudo de segurança para que “o encontro não falhe”.
Confirmou que Afonso Dhlakama chega na quinta-feira a Maputo para, no dia seguinte, sexta-feira, se encontrar com o Presidente da República.
Segundo Macuiana, deste modo Afonso Dhlakama está a criar um ambiente para a paz, harmonia, reconciliação nacional e estabilidade.
O negociador-chefe da Renamo disse que recebeu garantias do Governo de que “as condições logísticas, protocolares e de segurança estão sendo criadas”.
A Renamo continua a insistir em que os documentos assinados sejam levados à Assembleia da República para a sua aprovação, de modo a torná-los documentos jurídicos de cumprimento obrigatório.
As partes voltam a reunir-se na tarde desta terça-feira para a assinatura das actas do encontro da segunda-feira e para discutirem outros aspectos relacionados com o presente processo de negociações.
Na quarta-feira, completam-se os dez dias dos previstos nos Termos de Referência adoptados pelas partes para o início da chegada da missão dos observadores militares internacionais comandados pelo Botswana, coadjuvado pela Itália, e que integram a África do Sul, Cabo-Verde, o Reino Unido da Grã-Bretanha, Portugal, o Quénia e o Zimbabwe.
Segundo os referidos Termos de Referência, os observadores internacionais começam a chegar, para uma missão de 135 dias, dez dias depois da assinatura da declaração do cessar-fogo, que aconteceu no passado dia 18 de Agosto, e deverão estar instalados em Maputo, Inhambane, Sofala, Tete e Nampula, para a supervisão da implementação dos acordos e fases subsequentes.



(Bernardo Álvaro, Canalmoz)

Monday, 1 September 2014

Políticas públicas moçambicanas não asseguram justiça social em Moçambique

As políticas públicas em Moçambique não asseguram a justiça social, económica e política em resultado serem traçadas não para responder aos anseios dos cidadãos, mas, sim, aos interesses dos órgãos externos consideradas principais investidores e que asseguram o seu funcionamento e das instituições que as implementam, segundo o pesquisador e docente universitário, Alexandrino Forquilha, em declarações ao @Verdade.
De acordo com ele, Moçambique precisa de criar políticas públicas que estejam em conformidade com as necessidades da população e de todo o sistema estatal, e não para a satisfação dos interesses económicos e políticos dos financiadores.
Na óptica do pesquisador a justiça social só será alcançada quando houver vontade política, redução da dependência externa, realização de acções concretas para o efeito, fortalecimento das instituições públicas cujo funcionamento é ainda deficientes, bem como discursos orientados para os resultados.
Alexandrino Forquilha explica ainda que, por exemplo, não basta expandir o sistema de ensino superior, as unidades sanitárias e outros serviços sociais básicos para os distritos, é necessário, também, que o Governo aposte na criação e alocação de recursos humanos qualificados e assegurar que tenham habitação condigna para evitar a depreciação da qualidade do ensino, dos serviços de saúde nos locais de trabalho.
Forquilha fez estas declarações nesta segunda-feira (25), em Maputo, no âmbito de um debate promovido pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) sobre "políticas públicas como factor de exclusão social".
De referir que, por exemplo, somente no sector da Educação o país tem um défice de 788 mil carteiras, o que faz com que milhares de instruendos assistam às aulas sentados no chão ou em tronco de árvores, um médico está para 100 mil habitantes, entre outras limitações supostamente decorrentes da exiguidade de fundo por parte do Executivo.



A Verdade

Ao mandar prender pessoas Victor Igreja diz que Armando Guebuza perdeu o debate ideológico


 O académico Victor Igreja, professor de “Estudos de Paz e Conflitos, Justiça em Transição e Antropologia” na Universidade de Queensland na Austrália diz que Armando Guebuza abandona a Presidência da República “para baixo”. Segundo o académico, ao mandar prender as pessoas co...m as quais devia dialogar e ao servir-se da lei para resolver os seus conflitos, Armando Guebuza revela ter perdido o debate ideológico. Em breves declarações ao “Canalmoz”, o académico disse que o erro que a Frelimo cometeu nos últimos 30 anos, cometeu-o durante a governação de Guebuza, quando nega dialogar com Renamo. Victor Igreja considera que não havia necessidade de derramamento de sangue para se alcançar consensos.
“O presidente Guebuza ‘sai para baixo’, porque ele perdeu o debate ideológico”, considerou o académico, e a seguir afirmou: “Um dos fundamentos da democracia é a criação de oportunidades para debate e troca de ideias”. Igreja diz que “o presidente Guebuza perde a batalha das ideias quando começa a prender pessoas”. Foi durante o mandato de Guebuza que foram detidos os membros da Renamo, Jerónimo Malagaueta e António Muchanga. Há também cidadãos que foram intimados por expressar publicamente as suas ideias, como são os casos do professor Castel-Branco, a activista dos Direitos Humanos Alice Mabota e o músico Azagaia. Para o Victor Igreja, “quando um dirigente político começa a olhar para as leis como forma de resolver os seus conflitos, quer dizer que perdeu a capacidade de transmitir uma mensagem que possa ser discutida na sociedade”. Entretanto, explica: “Institucionalmente não podemos dizer que é ele quem manda, mas, porque todos os órgãos de soberania estão sob controlo da Frelimo, há uma tendência de as pessoas dizerem que ele é quem manda”. Victor Igreja acha que “nada pode acontecer sem que ele saiba”, e que o Presidente da República “saiu bastante lesado”.


O erro da Frelimo com Guebuza no poder


Para Victor Igreja, “um dos erros mais graves que a Frelimo cometeu nos últimos 30 anos, comete-o quando o presidente Guebuza está no poder”. O professor aponta o facto de o Presidente da República ter negado “dialogar com a Renamo”, o que “originou uma nova guerra”. “O presidente Guebuza recusou-se muitas vezes encontrar-se com o presidente da Renamo, mesmo sabendo que o presidente e a própria Renamo são um dos pilares da unidade”, disse. O erro, segundo o professor, tem a ver com o facto de o Governo ter aceitado dialogar com a Renamo depois de começar o conflito. O que era desnecessário. O professor defende que, por causa do seu lado “radical”, Guebuza quis acabar com a Renamo de forma rápida, contrariando a ideia da “morte lenta” defendida por Joaquim Chissano. “Os radicais nunca fazem mudanças de forma estratégica. Para fazer mudanças, é preciso reconhecer a existência do seu adversário político”, declara Victor Igreja. Segundo o nosso interlocutor, “os radicais ignoram a existência dos adversários políticos”.


Frelimo dá um valor político à Guerra


Recentemente foi rubricado o memorando de entendimento entre o Governo e a Renamo, colocando fim à guerra que o país viveu nos últimos tempos. Sobre o assunto, o Victor Igreja considera que a Frelimo “deixa um legado de que as verdadeiras transformações que podem ocorrer num país não vêm do debate de ideias, mas da guerra”. As declarações do chefe da delegação do Governo nas negociações, José Pacheco, de reconhecer a justeza das reivindicações da Renamo depois de a guerra começar, indicam que “um dos instrumentos para a mudança no país é por via da violência”. Victor Igreja considera que esta é a mensagem que a Frelimo transmite. “Eles não dizem isso, mas, quando fazemos a leitura dos seus procedimentos, é isso que sobressai. Victor Igreja foi orador no tema “Resources of Violence and War for Political Negociations and Legitimacy in Mozambique” [Recursos de Violência e de Guerra para Negociações Políticas em Moçambique], na II Conferência do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), realizada nos dias 27 e 28 de Agosto em Maputo.



(André Mulungo, Canalmoz)

Síria: Dez portugueses entre os novos jihadistas internacionais

Desde que o conflito na Síria começou, foram já dez os portugueses que decidiram fazer parte dos jihadistas. Segundo o Diário de Notícias (DN), nos últimos três anos foram 12.000 os ocidentais que se alistaram nestes grupos terroristas, muitos criados por membros da Al-Qaeda.
 
                                  
Dez portugueses entre os novos jihadistas internacionais

 
Existem dez portugueses entre os 12.000 estrangeiros que se alistaram por grupos jihadistas nos últimos três anos.
       
Segundo o Diário de Notícias (DN), o número de ocidentais a juntarem-se a estes grupos terroristas aumentou desde o início do conflito na Síria e a grande maioria vem dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e até mesmo Rússia. Ao todo, são 12.000 mil cidadãos de 81 países.
No que diz respeito aos portugueses, continua a publicação, os que se juntaram aos jihadistas nasceram em Portugal mas a conversão ao islão e a radicalização aconteceu noutro país.
Ao jornal, o presidente do conselho consultivo do OSCOT, Manuel Anes, explicou que Portugal não deve temer o regresso destes cidadãos, até porque “o nosso país não discrimina”.
Ontem, o Expresso deu a conhecer o caso de Ângela. Uma jovem de 19 anos e filha de pais alentejanos que fugiu para a Síria para casar com um português agora jihadista.
Os jihadistas internacionais são, normalmente, jovens, mais concretamente adolescente, e vêm de países de maioria não muçulmana.



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