Tuesday, 24 May 2016

NYUSI CONVOCA REUNIÃO DA COMISSÃO MISTA DE PREPARAÇÃO DA RETOMADA DO DIÁLOGO

 

 O Presidente da República, Filipe Nyusi, convocou para esta Quarta-feira a reunião das equipas que constituem a Comissão Mista de preparação dos termos de referência para a retomada do diálogo politico.

Monday, 23 May 2016

Dezenas de pessoas juntam-se em Lisboa em jornada de oração pela paz em Moçambique

Algumas dezenas de pessoas responderam hoje a um apelo dos bispos moçambicanos e de fundações pontifícias e reuniram-se numa igreja de Lisboa para participar na jornada de oração pela paz em Moçambique, constatou a Lusa no local.


“Tendo em conta a situação preocupante que se vive em Moçambique, com sinais de aumento de tensão que poderá eclodir num conflito mais aberto, os bispos de moçambique emitiram uma nota pastoral onde apelam a ambas as partes, Frelimo e Renamo, para procurarem um caminho de paz, e estão muito preocupados com toda a situação”, disse à Lusa Paulo Aido, da fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização dependente da Santa Sé e uma das instituições que organizou a jornada de oração.
“Em simultâneo fizeram um apelo a uma jornada de oração pela paz em Moçambique. A AIS em Portugal agarrou esse projeto e aqui estamos, convocámos a população de Lisboa para que aqui viesse rezar pela paz. Foi um apelo generalizado a todos os cristãos, incluindo os da comunidade moçambicana”.
Alguns membros da comunidade moçambicana em Lisboa também compareceram na igreja de São Tomás de Aquino para se juntarem a esta jornada, num ambiente de recolhimento e alguma apreensão.
Em 10 de abril, num apelo assinado por D. Francisco Chimoio, presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), os prelados moçambicanos emitiram um apelo pela paz, renovaram a “solidariedade com todo o povo moçambicano que continua a sofrer por causa deste clima de guerra (…) e propuseram a todos os católicos que o dia 22 de maio, Dia da Santíssima Trindade, seja um dia especial de oração pela paz”.
Albino, 25 anos, moçambicano, estudante e seminarista, foi um dos membros da comunidade que respondeu ao apelo dos seus bispos.
“Estou aqui para rezar pela paz no nosso país, em Moçambique, e como somos membros da diáspora, somos residentes estrangeiros, quando o nosso país está a enfrentar dificuldades destas temos de rezar muito para que cada vez mais haja paz”, disse em declarações à Lusa.
“Apesar de vivermos em Portugal estamos muito preocupados com a situação de Moçambique, dos nossos governantes e do nosso povo”, assinalou, apesar de emitir um sinal de esperança.
“Segundo o que nos dizem cada vez mais, segundo os meios de comunicação social, os líderes estão cada vez mais com as mãos abertas para um diálogo. O diálogo é a resolução de todos os problemas”, concluiu.

Analista político moçambicano Jaime Macuane estável e fora de perigo diz fonte familiar



O analista político e docente universitário moçambicano Jaime Macuane, ferido hoje a tiro por desconhecidos na província de Maputo, encontra-se estável e fora de perigo, informou à imprensa fonte familiar.
"Ele está estável mas uma das balas que atingiu a coxa direita ficou lá", disse Pedro Guambe, sogro de Jaime Macuana, falando à imprensa no Hospital Privado de Maputo, onde o analista foi internado.
Citando a vítima, Pedro Guambe conta que Macuane foi intercetado por uma viatura na Coop, um bairro nobre da capital moçambicana, quando se encontrava no seu carro.
Macuane, segundo o seu próprio relato citado pelo sogro, foi agredido e levado à força na viatura dos agressores para uma zona isolada de Marracuene, nos arredores da capital, onde foi baleado e abandonado até ser socorrido por populares.
De acordo com o familiar da vítima, Macuane foi atingido por quatro tiros nas duas pernas, tendo uma das balas ficado alojada no fémur, o que exigirá possivelmente uma cirurgia.
"Os criminosos disseram que foram mandados para o pôr coxo", afirmou Pedro Guambe, que descreve, ainda citando Macuane, que os agressores não estavam encapuzados e levaram os documentos e o telemóvel da vítima.
"Até onde sabemos, ele não foi ameaçado [antes do rapto]", frisou o sogro de Macuane, observando que agora cabe às autoridades capturarem os autores deste crime.
Após ser socorrido por populares, o docente de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane foi levado para o Hospital Central de Maputo, de onde foi posteriormente transferido para o Hospital Privado.
Jaime Macuane é regularmente solicitado por órgãos de comunicação para analisar a situação política moçambicana e é também comentador residente do "Pontos de Vista", da STV, um dos programas de debate televisivo mais vistos no país.
Além de familiares e amigos, acorreram ao hospital onde o analista está internado académicos, estudantes, representantes de organizações da sociedade civil e jornalistas.









Última hora: Jaime Macuane baleado


Maputo (Canalmoz) - Acaba de ser baleado em Marracuene-cidade de Maputo, o analista político Jaime José Macuane. Fonte familiar disse ao CanalMoz que Macuane foi raptado em sua casa por desconhecidos que se acredita serem do famoso esquadrão da morte que rapta e assassina indivíduos que não celebram o partido Frelimo e seus dirigentes incluindo membros da oposição. Macuane é painelista residente no programa "Pontos de vista" da STV e professor universitário. Foi baleado e abandonado em Marracuene. Neste momento está internado numa clinica privada na capital. Com os últimos assassinatos por encomenda política, já se fala de estado de terror absoluto em Maputo. (Redacção)

NYUSI SAÚDA ANÚNCIO DE DHLAKAMA E ADVERTE CONTRA DESPERDÍCIO DE TEMPO

Jinan (China), 22 de Maio (AIM) - O Presidente da República, Filipe Nyusi, saúda a decisão de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, de nomear uma equipa constituída por três membros, que irá se juntar a outra nomeada pelo governo, para a retomada do diálogo político.
As mesmas equipas deverão preparar um encontro entre Nyusi e Dhlakama. O estadista moçambicano advertiu, contudo, que isso não pode servir de pretexto para a realização de inúmeras e infrutíferas reuniões preparatórias.
No início de Março do corrente ano, o governo anunciou a constituição de uma equipe com a missão de preparar um encontro entre Nyusi e Dhlakama, tendo convidado a Renamo a fazer o mesmo.
Porém, Dhlakama teimava em insistir numa série de pré-condições, entre as quais a presença de mediadores internacionais, incluindo a Igreja Católica, a União Europeia e o Presidente sul-africano, Jacob Zuma.
O governo, contudo, vincou que não havia a necessidade da presença de mediadores estrangeiros num diferendo que apenas envolve moçambicanos. Na semana passada, Dhlakama decidiu finalmente retirar as pré-condições, anunciando uma equipe composta por três deputados da Renamo, nomeadamente José Manteigas, Eduardo Namburete e André Magibire.
Falando em conferência de imprensa havida no sábado na cidade de Jinan, concedida aos jornalistas moçambicanos que o acompanharam na visita de Estado de cinco dias à China, Nyusi disse que a nomeação da equipe da Renamo 'é a notícia que o povo moçambicano estava à espera'.
A tarefa das delegações do governo e da Renamo é apenas de preparar as condições para a reunião frente-a-frente entre os dois líderes. 'Nós não queremos perder tempo com centenas de reuniões no Centro de Conferências Joaquim Chissano”, disse o Presidente.
Com estas palavras, Nyusi referia-se ao 'diálogo', aparentemente interminável, entre o governo e Renamo no principal centro de conferências de Maputo, que começou em Abril de 2013 e se arrastou sem produzir resultados até Agosto de 2015, quando a Renamo decidiu subitamente abandonar o diálogo.
Mas Nyusi manifestou no sábado muito optimismo no encontro com Dhlakama, que está a criar muita expectativa entre os moçambicanos, afirmando 'vai acontecer e vai ser produtivo'.
Será no encontro entre os dois líderes durante o qual serão tomadas decisões vinculativas. As reuniões preparatórias 'irão definir metas e responsabilizar aqueles que não cumpri-las'.
Nyusi observou que, apesar da nomeação da equipa preparatória, a Renamo continua a perpetrar ataques armados contra alvos civis nas estradas da região centro de Moçambique. 'Fazer pressão através de ataques armados é uma táctica velha que não funciona', acrescentou.
A resposta do governo aos mais recentes ataques, disse Nyusi, foi 'exortar as Forças de Defesa e de Segurança para que mantenham a calma e não responder a provocações, mas sim defender o povo e proteger as colunas nas estradas'.



Por Paul Fauvet, da AIM

5 Benefícios desconhecidos do café que tens de conhecer já!

O café é a bebida preferida de muitas pessoas, e grande parte dessas pessoas toma uma boa chávena (xícara) de café logo pela manhã, faz parte do costume da primeira refeição do dia em todo o país. Ele é a segunda bebida mais consumida do mundo – atrás apenas do chá, consumido largamente na Ásia – e toda a gente que toma café sabe da sua propriedade mais notável: tira o sono, nos deixa alerta e acordados devido às propriedades da cafeína. Mas o café possui muitos outros benefícios para a nossa saúde. Consumido com moderação, ele pode ser um remédio santo.

As propriedades medicinais de um bom café

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1- É um antidepressivo natural

O café é considerado um antidepressivo leve, já que ele consegue regular o nível de stresse para que não evolua para uma possível depressão. Isso acontece porque a cafeína consegue bloquear os receptores de dopamina, um neurotransmissor relacionado à ansiedade que quando está em excesso no corpo, gera o risco de depressão. É importante lembrar que os cafés descafeinados não possuem esse efeito. Para sentir os efeitos antidepressivos do café, basta tomar uma xícara por dia.

  • 2- Previne o envelhecimento precoce

O café é rico em antioxidantes, que combatem os radicais livres prevenindo o envelhecimento precoce. Para se beneficiar dessas propriedades, os especialistas recomendam tomar de uma a três xícaras de café por dia, mas quem possui hipertensão deve limitar a uma xícara por dia. Quanto mais natural for o café, maior a quantidade de antioxidantes que ele vai possuir, portanto prefira os orgânicos.

  • 3- Ajuda a perder peso

Os antioxidantes presentes no café ajudam também a acelerar o nosso metabolismo, combate a retenção de líquidos e acelera a digestão, portanto, ajuda a perder peso. O café mais indicado para utilização com fins de emagrecimento é o café verde. É preciso lembrar também que para emagrecer não adianta colocar açúcar no café, passe a tomar sem açúcar ou utilizar adoçantes naturais como o óleo de coco ou uma pitadinha de canela.

  • 4- Alivia dores de cabeça, dores de pescoço e dos ombros

O café é um vasoconstrutor, por isso ele ajuda a aliviar a dor de cabeça, combate inflamações e sobrecarga muscular, principalmente no pescoço e ombros. Além disso, o café também é rico em vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo, ferro e magnésio.

  • 5- Melhora a memória a curto prazo

O consumo moderado e regular de café tem função essencial no regulamento da conexão neura do nosso hipocampo, que está relacionado à memória. Portanto, se tomamos um café bem cedo pela manhã, nossa capacidade de reter informações até o meio dia ficará muito acentuada. Além disso, a cafeína combate a deterioração cognitiva e a oxidação celular, sendo portanto um excelente remédio contra o Alzheimer. Por outro lado, os refrigerantes fazem o caminho contrário: as suas altas doses de corante e açúcar pioram a nossa memória.



Muito Bom

Sunday, 22 May 2016

Centro norte-americano de Prevenção do Genocídio preocupado com Moçambique

O director do Centro de Prevenção do Genocídio nos Estados Unidos pediu hoje à comunidade internacional actue rapidamente em conflitos locais, como é o caso de Moçambique, para evitar uma escalada de violência que crie problemas maiores.
"Estamos preocupados porque o que hoje se passa em Moçambique” pode transformar o país “numa Síria amanhã”, se não se tomarem “acções no início para evitar uma escalada no conflito”. Quando a “violência deflagrar, a resposta da comunidade internacional será sempre mais lenta", considera Cameron Hudson, chefe do Centro Simon-Skjodt que investiga prevenção de conflitos.
O director do Centro de Prevenção ao Genocídio foi um dos curadores do Fórum Global para o Fim do Genocídio realizado, nesta última quinta-feira, no Museu do Memorial do Holocausto em Washington.
Entre 2005 e 2009, Hudson dirigiu o sector de assuntos africanos no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Em declarações à Lusa, Hudson analisou factores locais de níveis de insegurança para que casos como o de Moçambique não se transformem em conflitos de maior escala.
"A partir de investigações académicas, sabemos que uma das variáveis é o facto de sociedades já terem vivido altos níveis de violência no passado, tendo como alvo a população civil. Este é o indicador número um para que haja um retorno mais forte de violência no futuro", disse à Lusa.
Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência, com relatos de confrontos entre a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados e ainda ataques atribuídos pelas autoridades ao braço militar da oposição a alvos civis no centro do país.
Outros factores que especialistas valorizam para avaliar o grau de risco de possíveis conflitos incluem o tipo de governo de um país, o seu grau de diversidade étnica, religiosa ou tribal.
"Também avaliamos o quanto do orçamento de um Estado é destinado para fins militares, além dos níveis de corrupção. Num país que exibe todos estes indicadores, com altos níveis de desigualdade social entre ricos e pobres, em que a riqueza está concentrada numa elite minoritária, tudo isso pode convergir para um alto nível de risco", analisou.
A Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.
O seu líder, Afonso Dhlakama, exige a investigação de abusos de direitos humanos em Moçambique e alegadas mortes e desaparecimentos de membros e simpatizantes do seu partido.

No centro do país, foram encontrados corpos abandonados na mata, um caso que suscitou a condenação da comunidade internacional. 
No início de Março, estavam mais de 11 mil refugiados moçambicanos no vizinho Malaui. O International Crisis Group colocou Moçambique em "alerta de risco de conflito". 
Segundo o director do Centro de Prevenção ao Genocídio, há uma "enorme variedade" de estratégias de prevenção de atrocidades que são de baixo custo e eficazes. 
"Quanto mais cedo formos capazes de identificar os sinais prematuros de um conflito, mais poderemos tomar acções, através da ajuda ao desenvolvimento, fomento do diálogo político e diplomático e formação de populações como a construção de sociedades mais resilientes". 
No entanto, todas estas acções de prevenção demoram. "Não se muda sociedades de um dia para o outro", avisou. 
Para evitar que o pior ocorra em Moçambique, Hudson defende a criação de sistemas e redes locais de alerta rápido para evitar e mediar conflitos. 
"É muito específico para cada contexto e é um processo que deve ser desenvolvido localmente", disse. 
Duas décadas após os acordos de paz em Moçambique, a sociedade ainda está a "cicatrizar suas feridas", acrescentou.






CPLP/Dívida: Moçambique está em “negação” perante risco de “falência” devido à dívida

O Governo moçambicano está em negação perante a gravidade da dívida pública e à eminência de uma falência, defendeu à Lusa António Francisco, economista e director de pesquisa do Instituto de Estudos Sociais de Moçambique (IESE).
"O Governo prefere a negação perante a gravidade da situação, age com falta de franqueza em relação a esta situação preocupante, que levará à falência, a um incumprimento", afirmou António Francisco, comentando a posição do executivo de que tem a dívida "sob controlo".
Segunda-feira, representantes de entidades estatais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se em Luanda num fórum que vai debater a gestão da dívida pública.
As autoridades moçambicanas, prosseguiu o investigador do IESE, adoptam, em relação à dívida pública, uma atitude de encobrimento das circunstâncias em que o anterior Governo, chefiado por Armando Guebuza, deu garantias a encargos que fizeram disparar a dívida pública para os actuais 11,64 mil milhões de dólares.
"Causa muito incómodo que o Governo tente legitimar um endividamento escondido de todos, inclusive da Assembleia da República, e essa atitude de tranquilidade não se compreende", declarou António Francisco.
Para o economista, não demorará muito tempo até o Governo de Filipe Nyusi admitir que o país é incapaz de pagar os montantes que deve ao exterior.
"Está visto que até ao final do ano a dívida pública estará a 100% do PIB, porque há despesas que têm de ser financiadas com mais dívida, e há incerteza em relação a encargos de dívida que têm de ser cumpridos até ao final deste mês", observou o também docente na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Para António Francisco, é cada vez mais inevitável um incumprimento e uma ajuda internacional para que o país renegoceie a dívida.
"O Fundo Monetário Internacional ainda terá de compreender a extensão do problema e o destino dado ao dinheiro da dívida, porque até agora ainda não está claro, se realmente foi para a finalidade que se diz", alertou.
Na opinião do académico, a opinião do FMI será fundamental para a postura dos parceiros internacionais, incluindo da China, que "pode até dar um balão de oxigénio, para um ou dois meses, mas não assumirá um compromisso maior, perante a opacidade da dívida".
O Governo moçambicano reconheceu no final de Abril a existência de dívidas fora das contas públicas de 1,4 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros), justificando com razões de segurança e infra-estruturas estratégicas do país.
A revelação de empréstimos com aval do Governo, contraídos entre 2013 e 2014, levou o FMI a suspender a segunda parcela de um empréstimo a Moçambique e a deslocação de uma missão a Maputo.
O grupo de 14 doadores do Orçamento do Estado também suspendeu os seus pagamentos, uma medida acompanhada pelos EUA, que anunciaram que vão rever o apoio bilateral ao país.
Com a revelação dos novos empréstimos, a dívida pública de Moçambique é agora de 11,66 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), dos quais 9,89 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros) são dívida externa.
Este valor representa mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e traduz uma escalada de endividamento desde 2012, quando se fixava em 42%.

 

Friday, 20 May 2016

A dívida soberana foi um negócio da família Guebuza, oficiais do SISE, MINT e do MDN

Quando o escândalo da EMATUM rebentou, pouco tempo depois a imprensa internacional, principalmente os franceses, os ingleses e os norte-americanos informaram que o negócio não envolvia apenas barcos. Havia facturas de compra de armamento que foram misturadas com os barcos para evitar questionamentos. Mais tarde, viria a saber-se que a Empresa Moçambicana de Atum, a Proindicus e a Mozambique Magement Asset (MAM) criaram relações incestuosas quer com o Ministério do Interior, com o Ministério da Defesa, e conseguiram comprar armamento usando na sua estrutura accionista os Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE). O que não se sabia até aqui é que quem esteve à frente do expediente da compra de armamento é o filho do ex-Presidente da República Armando Guebuza, Mussumbuluko Guebuza, conhecido como “Shushu” no seu círculo familiar.
Através das suas duas empresas, a “Msumbiji Investiments” (usa a conta 44717836102 domiciliada no Standard Chartered Bank em Hong Kong) e a “Timabes AG” (registada no Liechtenstein onde é titular da conta 10.359180_0.100.USD no Valartis Bank), Mussumbuluko Guebuza importou uma considerável quantidade de armas num processo em que também está envolvido o director-geral do SISE, Gregório Leão, o então ministro do Interior, Alberto Mondlane, e ex-ministro da Defesa, Filipe Jacinto Nyusi.
Através de uma fonte directamente envolvida no negócio, a investigação do “Canal de Moçambique” e do jornal “@ Verdade” teve acesso a várias imagens de reuniões entre Mussumbuluko Guebuza e os fornecedores de armamento.
Uma das principais reuniões realizou-se em Maio 2014 nas instalações da “Israel Weapon Industries” (abreviadamente designada como IWI). Na referida reunião, Mussumbuluko Guebuza está acompanhado por um oficial superior do SISE, identificado pelo único nome de Agy, que foi indicado por Gregório Leão para acompanhar o filho do “Chefe” no processo. Após um breve teste do armamento, a IWI emitiu um certificado de qualificação em nome de Mussumbuluko Guebuza. Quem intermediou o contacto de Mussumbuluko e os israelitas é um cidadão da Bielorrússia identificado pelo nome de Alex que, de resto, participou em quase todo o processo.



A IWI e o armamento vendido


A IWI é um fabricante israelita de diferentes tipos de armas: pistolas, espingardas, tanques. Segundo apurou a investigação do “Canal de Moçambique” e do“@Verdade”, a IWI forneceu a Mussumbuluko Guebuza vários modelos de armas, com destaque para armas de assalto TAVOR, X 95, ACE e GALIL, incluindo pistolas conhecidas como modelo “Jericho”. Nas imagens a que o “Canal de Moçambique” e o “@ Verdade” tiveram acesso, Mussumbuluko Guebuza aprecia e depois experimenta nos estaleiros da IWI uma arma X 95. No certificado emitido pela IWI, Mussumbuluko está apto para manejar rifles X95 NEGEU e pistolas “Jericho”.



Treinos em Boane e na Namaach




Segundo apurou a nossa investigação, depois dos pagamentos, as armas chegaram a Moçambique em Setembro e Outubro de 2014, na altura das eleições. Não vieram só as armas. O contrato previa que os peritos israelitas da academia IWI (uma academia de instrução militar da referida empresa) viessem a Moçambique instruir os beneficiários das armas.
E foi de facto o que aconteceu. Em Outubro e Novembro, dois especialistas israelitas da IWI, cujos nomes não conseguimos apurar, estiveram em Boane e na Namaacha a instruir agentes da Casa Militar (elementos do Ministério do Interior e da Defesa), os famosos “boinas vermelhas”, sobre como usar os novos “assault rifles” e as pistolas. É basicamente uma formação de franco-atiradores, ou seja, “snipers”. As sessões de instrução tinham um convidado especial: Mussumbuluku Guebuza, que também ia aprendendo. Em várias imagens na posse do “Canal de Moçambique”, Mussubuluko aparece empunhando armas pesadas e pistolas, intercalando com agentes da Casa Militar, que também treinam tiro ao alvo. No “website” da IWI, a empresa define a sua academia como sendo uma das melhores do mundo. “A competência central da academia IWI é baseada nos seus instrutores, que são veteranos das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), unidades de elite da Polícia ou de várias agências de inteligência”, lê-se na descrição da academia publicada na internet.




As suspeitas de Dhlakama


Acredita-se que os atiradores que por duas vezes tentaram assassinar Afonso Dhlakama no ano passado tenham recebido tal formação ministrada pelos instrutores da IWI. Aliás, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, denunciou no princípio deste ano a formação de “snipers” para liquidar membros da oposição. Dhlakama falou do envolvimento de coreanos na operação. Um facto é que a “holding”-mãe de que a IWI faz parte é coreana e denomina-se “SK Group”.



Conflito de interesses


O Estado moçambicano pode evocar questões de segurança para justificar a compra de armamento sem concurso público, ou seja, recorrendo ao ajuste directo, tal como preconiza a alínea f) do nº 3 do Artigo 9 da Lei do “Procurement”. Mas não terá como justificar o uso das empresas do filho de Guebuza para aquisição das armas, por se estar numa clara situação de conflito de interesses, pois o negócio beneficiou um familiar directo (filho) do servidor público (Presidente da República) com poder de decisão sobre a matéria.


Nem Mussumbuluko nem o então Chefe da Casa Militar


O “Canal de Moçambique” e o @Verdade tentaram, sem sucesso, obter as explicações de Mussumbuluko Guebuza sobre a enorme e variada quantidade de armas que por si foram negociadas. Tentámos igualmente ouvir o então Chefe da Casa Militar, Jorge Gune, mas todas as nossas tentativas redundaram em fracasso. A equipa de investigação que conduziu este trabalho sabe que o general Jorge Gune foi recentemente nomeado embaixador de Moçambique no Malawi, e para o seu lugar foi nomeado o contra-almirante Joaquim Mangrasse.





A Verdade

Thursday, 19 May 2016

Dhlakama indica três deputados da Renamo para retomar diálogo de paz

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, anunciou hoje os nomes dos deputados José Manteigas, Eduardo Namburete e André Magibire para retomar o diálogo com o Governo sobre o fim da crise política e militar em Moçambique. 


Os nomes dos deputados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) foram divulgados em conferência de imprensa realizada em Maputo pelo porta-voz do maior partido de oposição, António Muchanga, e vão juntar-se à equipa indicada pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para a preparação do diálogo ao mais alto nível.
O anúncio da Renamo foi feito dois dias após o chefe de Estado moçambicano ter pedido ao líder do principal partido de oposição para indicar a sua equipa, após vários meses em que o diálogo entre as partes esteva bloqueada, enquanto se agravava o clima de confrontação militar no centro do país.
"Consideramos que há mínimas condições para que essa indicação seja feita, pois o ofício de 17 de maio do gabinete da Presidência da República apresenta uma pequena evolução, ao deixar claro que o grupo vai preparar os pontos para o diálogo, harmonizando os procedimentos e termos de referência", declarou Muchanga.
Para a Renamo, a carta enviada por Nyusi pedindo a criação de condições para o reatamento do diálogo não ignora a mediação internacional nas fases posteriores ao trabalho da comissão mista e que tem sido uma das condições impostas por Dhlakama para voltar às negociações.
O líder da Renamo anunciou na terça-feira que ia aceitar o convite do Presidente de Moçambique para indicar os nomes do seu partido para o reinício do diálogo de paz, após a deterioração da crise política e militar no país.
"Quanto à criação de uma equipa [de negociadores], quero já tranquilizar: daqui a dois dias, vou anunciar", afirmou Afonso Dhlakama, em entrevista ao principal canal televisivo privado moçambicano, STV.
Na entrevista, Dhlakama, que tem condicionado a retoma das conversações ao envolvimento da comunidade internacional, afirmou que deseja "negociações sérias" para que "isto de uma vez para sempre seja terminado", referindo-se ao longo período de confrontações com o Governo da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), no poder há 40 anos, após uma guerra civil ao longo de mais uma década e meia, terminada como o Acordo Geral de Paz em 1992, e de nova instabilidade política e militar desde 2013.
"Já somos velhos. Temos filhos e já não temos idade para andarmos no mato a matar-nos", declarou o líder da oposição .
Do lado do Governo, Filipe Nyusi já tinha designado em março Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Muteque, quadro da Presidência, para a preparação do encontro com Dhlakama.
As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo estão paralisadas há vários meses, depois de a Renamo se ter retirado do processo, alegando falta de progressos e de seriedade por parte do executivo.
Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados e ainda ataques atribuídos pelas autoridades ao braço militar da oposição a alvos civis no centro do país.
O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.



Notícias ao Minuto
 
 

Wednesday, 18 May 2016

Dhlakama exige comissão para investigar violações de direitos humanos em Moçambique

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, exige uma comissão composta por deputados e sociedade civil para investigar abusos de direitos humanos em Moçambique e alegadas mortes e desaparecimentos de membros e simpatizantes do seu partido.
Em entrevista por telefone concedida ao canal televisivo privado STV e hoje reproduzida no diário O País, pertencente ao mesmo grupo, o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) declina que os 15 corpos descobertos ao abandono nas matas do centro do país tenham sido responsabilidade do maior partido de oposição.
"Isso é brincadeira", reagiu Dhlakama, referindo que as populações da zona onde os corpos foram descobertos, entre os distritos da Gorongosa e Macossa, relatam movimentações de carros de uma força especial da polícia a descarregar cadáveres e a existência de "esquadrões da morte" a atuar na região.
Na entrevista, em que Dhlakama anunciou que vai indicar os nomes dos negociadores da Renamo para retomar o diálogo com o Governo, o líder da oposição declara que uma grande quantidade de membros e simpatizantes do seu partido foi morta ou está desaparecida.
Referindo "centenas de nomes não só da Renamo como de pessoas simpatizantes" perderam a vida ou foram raptadas, o presidente da Renamo disse que o secretário-geral do seu partido, Manuel Bissopo, está a reunir uma lista, que inclui delegados distritais de Manica, Nhamatanda, Caia, Sussundenga e Espungabera, no centro do país.
"É preciso que a Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido maioritário] aceite a criação de uma comissão de inquérito não apenas composta por deputados da Assembleia da República, mas também por membros da sociedade civil e os próprios jornalistas para levarmos uma investigação a sério", afirmou Dhlakama, apontando um caso em que alegadamente 50 jovens de Vila Paiva, na região da Gorongosa, foram mortos sob a acusação de alimentarem militares da Renamo.
O presidente da Renamo insiste que mantém o seu propósito de governar nas seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, que considera fraudulentas, anunciando que vai propor uma nova emenda constitucional para acomodar essa pretensão.
Afonso Dhlakama diz que permanece na sua casa na Gorongosa desde o final do ano passado, descrevendo que caminhou mais de 200 quilómetros no final do ano passado para o local onde se encontra e que, na altura, contraiu malária, mas que agora está "bem de saúde" e conta abandonar as matas em breve.
O líder da oposição referiu-se ainda à revelação de empréstimos garantidos pelo Estado e que fizeram disparar a dívida pública, mencionando que não é a Frelimo que está a ser punida, mas o povo de Moçambique.
"São as pessoas que vão ficar sem medicamentos, os professores sem medicamentos e seria bom que as pessoas fossem responsabilizadas", observa Dhlakama, que diz duvidar que o ex-Presidente Armando Guebuza "tenha recebido sozinho milhões e milhões" e sugerindo que o dinheiro tenha sido usado na campanha eleitoral da Frelimo.
As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo estão paralisadas há vários meses, depois de a Renamo se ter retirado do processo, alegando falta de progressos e de seriedade por parte do executivo.
Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados e ainda ataques atribuídos pelas autoridades ao braço militar da oposição a alvos civis no centro do país.
No final de abril, 15 corpos largados ao abandono nas matas foram descobertos por jornalistas, no centro do país.
Os cadáveres, entretanto sepultados sem que tenham sido identificados, estavam próximos de um local onde camponeses dizem ter visto uma vala comum com mais de cem corpos, mas sem confirmação ainda por outras testemunhas numa região de conflito e com forte presença de militares.


Contra o acordo infame

Regressemos a uma questão que não esmoreceu com o tempo e ganhou nas últimas semanas um novo vigor: o Acordo Ortográfico. Inúteis foram as tentativas dos defensores do AO90 para reduzir a discussão a uma espécie de Querela dos Antigos e dos Modernos, por mais que do lado anti-Acordo se tenha levantado muito ruído, produzido por alguns sectores mais dados à exaltação nacionalista, com o seu débil arsenal ideológico, do que à argumentação racional. Mas esse ruído tornou-se mais audível porque aos defensores do Acordo bastou-lhes ficarem calados ou dizer que o Acordo era bom porque sim. Apenas e sempre porque sim. O máximo risco que correram foi o de ficarem colados à grande operação política que está no início, no meio e no fim de todo o processo. O Acordo entrou em vigor por força da lei, em obediência a uma construção ideológica chamada lusofonia, mas não por força da aceitação pelos cidadãos e da aprovação pelas instâncias de carácter científico. Na história da nossa democracia, não há procedimento tão absurdo e tão próprio de um poder totalitário como este. Assistimos desde o início a manobras visando calar toda a contestação, mesmo a de um órgão de aconselhamento do Governo em matéria de língua, a Comissão Nacional de Língua Portuguesa, coordenada então pelo Professor Vítor Manuel Aguiar e Silva que, por ter elaborado um parecer bastante crítico do anteprojecto de 1988, foi impedido de ter acesso ao texto do AO assinado em 1990. Recordemos as palavras de Aguiar e Silva, quando se demitiu: “Há pontos escandalosos do ponto de vista técnico-linguístico, como o da facultatividade ortográfica, que coloca grandes problemas de natureza pedagógico-didáctica.” De um modo geral, os linguistas portugueses que se pronunciaram sobre o AO90 insistiram na ideia de que a unificação da ortografia do português não passava de uma grande ilusão que iria ser desmentida pelas facultatividades e duplas grafias, dando origem a problemas no sistema ortográfico; e, contra os próprios objectivos do Acordo, criando diferenças onde elas não existiam antes (a provável não ratificação do AO90 por Angola e Moçambique só reforça este argumento). Quem previa a instauração de alguma desordem ortográfica e consequências indesejáveis sobre outros componentes do sistema linguístico viu confirmadas as suas conjecturas em pouquíssimo tempo. Os jornais e as televisões que aderiram ao AO tornaram-se um mostruário de aberrações ortográficas. Os erros induzidos pelo Acordo são legião: abundam, por exemplo, os fatos em vez de factos. Para já não falar das facultatividades que jamais alguém irá respeitar: quem é que sabe que decepção e deceção são facultativas? Só quem conhece a “norma culta” no Brasil, porque é ela que determina essa facultatividade. E quem é que alguma vez pode entender a regra que faz com que cor-de-rosa se escreva com hífen e cor de laranjasem hífen? Quem é que pode confiar num sistema ortográfico que é uma verdadeira máquina de produzir excepções? Que espécie de Acordo é este que, visando a unificação da ortografia, cria grafias duplas e até múltiplas? A demonstração mais eloquente de que se trata de uma aberração está nos próprios documentos oficiais e nas publicações da imprensa que adoptaram o AO90. Mas o mais inquietante é que já começámos a ouvir dizer coisas comoreceção, com o e fechado como se fosse recessão. No caso dereceção, a supressão da consoante muda até é facultativa. Mas como podemos sabê-lo? O AO90 responde: conhecendo a “norma culta” brasileira. Simples, não é?


ANTÓNIO GUERREIRO, PUBLICO

Tuesday, 17 May 2016

Renamo vai apresentar equipa para preparar encontro entre Afonso Dhlakama e Presidente da República


Dhlakama responde à carta do Chefe de Estado 





A Renamo vai apresentar, próxima quinta-feira, a equipa que vai preparar o encontro entre Afonso Dhlakama e o Presidente da República, Filipe Nyusi. A informação foi dada esta tarde e foi divulgada pelo próprio líder da Renamo numa entrevista telefónica exclusiva à Stv.
Dhlakama começou por desmentir rumores de que teria perdido a vida: “eu estou vivo nem fiquei doente, nem estou doente. Estou vivo e de boa saúde. E depois deu a boa nova: “Quanto à criação de uma equipa, quero já tranquilizar, daqui a dois dias vou anunciar. Eu podia anunciar os nomes dos três para a equipa de negociação para a agenda, mas não vou poder anunciar, vou delegar o meu gabinete em Maputo, para poder fazer isso, daqui a dois dias. Na quinta-feira poderão receber, a rádio, a imprensa, a Stv os nomes dos três membros da Renamo que vão dialogar sobre a agenda com o grupo de Jacinto Veloso.
Dhlakama diz que tal é em resposta à carta do Chefe de Estado que recebeu hoje no seu gabinete a pedir que o assunto da mediação internacional poderia ser discutido posteriormente:
“Agora penso que as coisas estão maduras. Por isso que estou a anunciar que recebi esta carta quando eram 11:30h no meu gabinete, em Maputo. Portanto a equipa vai ser criada.




Dhlakama diz estar preocupado com a situação da dívida pública

 

Líder da Renamo defende que a crise vai penalizar o povo

Afonso Dhlakama pronunciou-se sobre a situação da dívida pública e diz que até podia estar satisfeito, alegando que é a Frelimo que estaria a ser punida, mas, na verdade, a situação vai prejudicar todo o povo moçambicano. Por isso, está preocupado com a situação.
“Podíamos dizer, sim, sim a Frelimo está sendo punida, mas, para mim, como político e estratega, não é a Frelimo que está a ser punida, é o povo de Moçambique. São as pessoas que vão ficar sem medicamentos, os professores sem receber, etc, etc. A minha opinião é que seria bom que as pessoas fossem encontradas e responsabilizadas”, disse o líder da perdiz, acrescentando: “Eu sei que as pessoas estão a apontar o Guebuza, eu não quero acreditar que o Guebuza tenha recebido sozinho os milhões e milhões da dívida da EMATUM”, rematou.
Afonso Dhlakama avaliava a situação do país na tarde de hoje, via telephone.




O País

E Eles Sorriem!



Cada dia que passa acordamos com mais uma má notícia
Primeiro foi a divulgação das dívidas escondidas. Uma a uma, sempre através da imprensa estrangeira.
Depois foram as consequências disso. Primeiro o corte de apoio do FMI, depois o do Banco Mundial, depois o do Reino Unido, depois o de todo o Grupo dos 14 que normalmente apoiam o nosso Orçamento de Estado. Agora foram os Estados Unidos a juntar-se ao grupo. Tudo cortes com carácter punitivo em relação à porcaria que o governo anterior andou a fazer e o actual continua hoje.
Dentro do país o segundo partido mais votado nas últimas eleições (de acordo com os números oficiais...) pegou em armas para exigir aquilo a que acha que tem direito.
Fontes falam de valas comuns cheias de cadáveres, mas as autoridades não permitem uma investigação independente.
As organizações não governamentais mais prestigiadas, a começar pela Ordem dos Advogados e continuando na CIP, IESE, MASC, OMR, Parlamento Juvenil, Liga dos Direitos Humanos e várias outras, já manifestaram publicamente a sua indignação e exigiram a responsabilização dos culpados das falcatruas. O mesmo defendeu o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Extractiva e de Transformação.
A inflacção saltou para os dois dígitos em menos de um ano. O investimento  estrangeiro caiu para muito menos de metade. O turismo, nos últimos dois anos, foi um desastre.
Dentro do partido Frelimo temos um  Teodato Hunguana, que afirma, publicamente, que a Constituição tem que ser cumprida, sejam quais forem as circunstâncias, assim desmentindo as desculpas do Primeiro Ministro segundo as quais a Constituição não foi cumprida porque atravessamos um “período atípico”.
Sérgio Vieira declara que foram cometidos “crimes de lesa-pátria”.
Rui Baltazar traça um retrato aterrador do Moçambique actual.
Graça Machel afirma que nem ela, nem os filhos, nem os netos vão pagar as dívidas ilegalmente contraídas. No 1º. de Maio a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos disse o mesmo a respeito dos seus filiados.
Intelectuais de prestígio, como Álvaro Carmo Vaz, choram a impotência de  lutar contra isto tudo.
E, no entanto, eles sorriem. E dizem que está tudo bem, tudo normal. E inauguram coisas, e vão a encontros internacionais, com o ar mais calmo e inocente do mundo. Ou inconscientes do estado efectivo do país ou fingindo muito bem.
Com o cartão vermelho entalado na garganta impedindo-os de dizer o nome dos culpados desta bagunça toda. E os culpados directos contam-se pelos dedos de uma só mão.

E todos nós a assistir, cheios de medo, a um nível tão alto de irresponsabilidade que pode levar o país ao estoiro. A muitíssimo curto prazo...





Machado da Graça, SAVANA , 13.05.2016

A responsabilidade dos doadores



Na semana ante-passada, ficámos a saber que o grupo de doadores que apoiam o Orçamento de Estado, oficialmente conhecidos como Parceiros de Apoio Programático, suspenderam a ajuda financeira ao Governo de Moçambique.
Esta decisão vem juntar-se à do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e do Reino Unido, que, depois de ter sido destapado o escândalo das dívidas ocultas, acharam por bem parar de dar dinheiro a uma governação dedicada à extravagância financeira.
Nós saudamos com vigor a decisão dos doadores. Na nossa opinião, tal decisão só peca por ser tardia, pois avisámos, neste mesmo espaço, que há muito que os doadores, em nome da “ajuda”, estavam a financiar a militarização do Governo da Frelimo e, consequentemente, a liquidação da democracia.
Até aqui, pelo que se sabe, todos os largos milhões de dólares foram usados em actividades pouco claras, entre as quais pontifica a aquisição de armas e meios de repressão, enquanto a outra parte do dinheiro serviu para a criação de empresas e para o enriquecimento da habitual matilha predadora, que se outorgou o poder supremo sobre Moçambique e sobre os moçambicanos.
Não faltaram avisos à comunidade internacional de que estava a financiar e a acarinhar monstros que, de há um tempo para cá, dedicava-se ao canibalismo sobre o povo e a uma agenda insana de destruição. Foi preciso que a insanidade da matilha predadora e o seu voraz apetite pelo dinheiro atingisse níveis inimagináveis para que os doadores acordassem.
Mais vale tarde do que nunca, lá diz o adágio popular. Mas a questão que ainda se deve colocar é: por que é que, com todos os avisos servidos, os doadores permitiram que as coisas chegassem ao ponto a que chegaram? Têm os doadores quota-parte de responsabilidade perante o caos em que estes senhores mergulharam um país inteiro?
Há muito que os doadores sabiam que em Moçambique não havia nenhuma agenda de luta contra a pobreza, mas, sim, de enriquecimento absoluto de certos grupos. Os doadores sabiam que tal riqueza absoluta estava a ser criada com os dinheiros dos contribuintes nacionais e dos seus países, que acreditavam que estavam a ajudar o povo moçambicano.
Os doadores assistiram, aqui, ao apetrechamento da Polícia, que depois foi usada na “vitória” eleitoral “arrancada” e, mais tarde, para a perseguir e matar os opositores políticos. Sabiam disto tudo e, mesmo assim, decidiram tomar posição contra o povo moçambicano e contra Moçambique, mantendo o financiamento a um grupo de criminosos.
As armas que foram usadas em Zimpinga na tentativa de assassinato de Afonso Dhlakama foram compradas com o dinheiro dos doadores. Também os fundos de compensação àqueles criminosos que dali saíram vivos são da comunidade internacional. É o mesmo dinheiro que é usado para compensar os esquadrões da morte. Os doadores sabem disso tudo. Por que é que não pararam com o financiamento destas actividades terroristas, só os doadores nos podem dizer.
Qual é a diferença que existe entre financiar as actividades do grupo terrorista designado “Estado Islâmico”, que decapita pessoas, e financiar um grupo que mata a população e lança os corpos para uma vala comum? Se o Ocidente se arrepia com as imagens das atrocidades cometidas pelo grupo designado “Estado Islâmico”, achamos nós que devia arrepiar-se também com os milhares de irmãos nossos que foram e estão sendo mortos por serem simpatizantes de um partido diferente do partido dos criminosos. A única diferença, aqui, é que o grupo “Estado Islâmico” que actua em Moçambique foi criado e equipado com o dinheiro do Ocidente (embora, em rigor, ainda esteja por apurar devidamente qual o papel da mão do Ocidente na criação do grupo terrorista internacional baptizado como “Estado Islâmico”).
Se a comunidade internacional quer sair disto tudo com alguma dignidade, mais do que suspender a ajuda, deve exigir responsabilização. Ajudar é responsabilidade. O facto de Armando ter colocado uma sobrinha na Procuradoria e um sobrinho no Tribunal Supremo e um amigo de infância no Tribunal Administrativo deve ser um mote para a responsabilização começar. Todo este esquema de administração familiar da Justiça tinha como finalidade bloquear qualquer tipo de responsabilização.
Nem mesmo as promessas de Nyusi de “desinfectar a casa” nos devem hipnotizar. “Desinfectar” significa matar todas as bactérias. Ora, uma das bactérias nesta pandemia da dívida é também Filipe Nyusi, que subscreveu as facturas em nome do Ministério da Defesa, onde era ministro. Se a acção de “desinfectar a casa” significa limpar todas as bactérias, estamos perante um caso de promessa de suicídio político. Nós não acreditamos que Nyusi pretenda envenenar-se e morrer politicamente juntamente com as outras bactérias, pelo que este palavreado de promessas não nos deve desconcentrar na exigência da responsabilização. E os doadores têm aqui uma grande responsabilidade para repararem os danos que já causaram a este povo ao financiarem os seus carrascos.






(Editorial, Canal de Moçambique, Canalmoz )




Monday, 16 May 2016

A Segurança de Estado na ribalta - O poder do SISE nas dívidas escondidas

 
O enredo à volta da misteriosa contratação de uma dívida superior a dois mil milhões de dólares por parte do Governo de Armando Guebuza tem em comum o facto de estarem envolvidas personagens ligadas ao Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), destaca na sua mais recente edição o Indian Ocean Newsletter (ION), uma publicação francesa sobre temas africanos. Segundo a publicação, o papel dos “espiões” do SISE terá sido determinante para persuadir Armando Guebuza a anuir no endividamento clandestino do país, levando ao actual estado periclitante das contas públicas.
Não está claro se a influência dos “SISEs” terá sido apenas meramente persuasiva ou decisiva sobre Guebuza, na resolução que levou ao recurso a avultadas dívidas, ao arrepio das normas e à calada de tudo e todos. “De acordo com informações obtidas pelo Indian Ocean Newsletter em Maputo, foi iniciativa de um pequeno círculo de quadros de topo dos serviços de segurança que esteve por detrás da contratação de empréstimos de cerca de 1,4 biliões de dólares e que provocou a ira dos doadores internacionais”, diz a notícia. São os mesmos “securocratas”, adianta a publicação, que impuseram uma linha mais agressiva em relação à Renamo, levando à deterioração da actual situação política.
Porém, esta versão é contrariada por outras fontes locais contactadas pelo SAVANA que interpretam este “apontar de dedos” aos serviços de inteligência do Estado como uma forma de criar uma “cortina de fumo” em torno de Guebuza e seus aliados, agora sob uma formidável pressão da comunidade doadora para que sejam expostos publicamente e, eventualmente, encaminhados à barra dos tribunais.
Nesta versão, os operativos da segurança foram habilmente utilizados por um círculo restrito de funcionários superiores do Executivo, directamente ligados ao antigo Chefe de Estado, garantindo-lhe lealdade e secretismo. Para demonstrar a sua asserção sobre o envolvimento dos espiões do SISE, o Indian Ocean Newsletter diz que a e Ematum e a Mozambique Asset Management (MAM), criadas entre 2012 e 2014, têm ambas o mesmo accionista, que é a Gestão de Investimentos, Participações e Serviços (GIPS). Esta entidade é, por sua vez, detida pela SERSSE, formalmente os serviços sociais do SISE.
O PCA da Ematum, da Proindicus (e da Mozambique Assets Management-MAM), outra empresa que beneficiou dos empréstimos (USD 622 milhões), é António Carlos do Rosário, um antigo professor no ISRI (Instituto Superior de Relações Internacionais, instituição que dá emprego a muitos quadros do SISE e também é conhecida como fonte de recrutamento para a segurança moçambicana.
Segundo a ION, Rosário criou em 2010, em Maputo, uma empresa de consultoria e investimento, a Jociro Internacional, tendo como sócios Ângela Diniz Buque Leão, mulher de José Gregório Leão de Barros, director geral do SISE, desde 2005, quando foi indicado para o lugar por Armando Guebuza, em substitui- ção de José Castiano Zumbire, que morreu em circunstância até hoje não muito bem esclarecidas. Do Rosário tem plenos poderes na Proindicus e na MAM, mas na Ematum, o CEO é agora Felisberto Manuel, um antigo gestor da Emopesca que substituiu em Janeiro a directora executiva Cristina Matavele. Em Moçambique, é comum encontrarem-se funcionários com ligações à segurança de Estado trabalhando nos mais diversos sectores, desde as administrações de distrito e de província, até ao governo central e à diplomacia.
Uma parte destes quadros foi formada em Cuba e na extinta RDA (Repú- blica Democrática Alemã). Segundo a ION, outro sócio da Jociro Internacional é Cipriano Sisino Mutota, que detém também uma participação na TPCO Mulepe, empresa mineira, em sociedade com o empresário italiano Emiliano Finocchi, um residente em Moçambique há várias décadas. Ao que o SAVANA apurou, a Jociro Internacional é uma sociedade por quotas, registada a 14 de Dezembro de 2010 e publicitada através do BR nº 2, III Série de 12 de Janeiro de 2011.
Com um capital social de 10 mil meticais, a Jociro Internacional dedica-se à prestação de serviços nas áreas de auditoria, contabilidade, revisão e certificação de contas; estudos económicos e financeiros; análise de investimentos; serviços de consultoria compreendendo a assessoria fiscal, jurídica, informática, projectos de viabilização, gestão de empresa e áreas afins; propriedade intelectual; compra e venda de equipamentos e serviços; e importação e exportação de equipamento diverso relativo a área de actividades da empresa.
O SAVANA não conseguiu apurar a eventual ligação da Jociro com a Ematum, Proindicus e MAM, mas é claro o vínculo destas últimas três empresas com o GIPS e, implicitamente os serviços de segurança. As fontes do SAVANA garantem que é falacioso falar em sector privado ou investidores privados nas três empresas onde está claro o vínculo de união com os serviços de inteligência. “Mesmo que existam indivíduos mencionados nas escrituras das empresas, isto era apenas para cumprir preceitos legais relacionados com o número de sócios nas sociedades comerciais”, dizem as mesmas fontes.
“Os privados de que se fala não são sócios, mas eventuais comissionistas nas avultadas transacções que foram feitas”, explicam as fontes. Juntando-se ao coro da sociedade civil, figuras gradas ligadas à Frelimo, têm aparecido a pedir “as cabeças dos responsáveis” da criação secretiva das empresas, mas, ao mesmo tempo, têm evitado mencionar os nomes que andam de boca em boca na praça pública: o presidente Guebuza e o antigo ministro das Finanças Manuel Chang.
Coincidência ou não, de acordo com as fontes da ION, Gregório Leão acompanhou, em Abril, Filipe Nyusi nas visitas a Berlim e Bruxelas para assegurar aos investidores e doadores que os empréstimos serão saldados. Na teia de empresas na órbita da segurança de Estado, a GIPS, MAM e Proindicus juntaram-se este ano para constituir a Vipas, uma empresa de segurança especializada na proteção de embaixadas e diplomatas. A Vipas (Vip and Assets Security, S.A.), criada a 20 de Janeiro de 2016, dedica-se igualmente ao acompanhamento de veículos de transporte de valores; transporte expresso de valores; instalação, assistência e monitoria de sistemas eléctricos de segurança. Possui um capital social de 30 milhões de meticais.
A existência de “um pequeno império empresarial” nas mãos dos serviços de inteligência mostra o ressurgimento e os poderes que o sector adquiriu durante a governação Guebuza e o renascimento do modelo das “empresas da seguran- ça”, como aconteceu logo a seguir à independência, no mandato de Jacinto Veloso e cujo maior baluarte foi a Socimo.


SAVANA