Sunday, 11 April 2010

Fifa apresenta modelo de bilhete para o Mundial 2010


Numa cerimônia realizada esta sexta-feira em Johannesburgo, a Fifa apresentou o modelo de bilhete que será utilizado no Campeonato do Mundo da África do Sul este ano.

As entradas estarão disponíveis ao público a partir do dia 15 de abril, altura em que começa a última fase de vendas. Essa data coincide com a abertura dos centros de venda de bilhetes para Copa do Mundo nas nove cidades sul-africanas que serão sedes de partida.

“Nesta última fase, temos nos esforçado para ajudar os adeptos, oferecendo a eles diversas maneiras de se comprar os bilhetes”, disse Valcke. “Queremos facilitar os trâmites para todos e lhes dar a oportunidade de assistir à partidas do Mundial e viver a experiência de participar da primeira Copa do Mundo na África.”

O bilhete para o Mundial traz as seguintes informações, em inglês: 1) Local da partida; 2) Número da partida; 3) Data da partida; 4) Categoria do assento; 5) Horário local de início da partida; 6) Preço (em rand ou dólar); 7) Confronto; 8) Nome do comprador do ingresso; 9) Indicação da cor do setor do estádio; 10) Localização do assento.

No total, serão disponibilizadas 500 mil entradas para as 63 partidas do Mundial – em todas as cidades e incluindo os jogos a eliminar, exceto para a final. Durante essa quinta e última fase de venda - do dia 15 de abril até o dia da final, dia 11 de julho – os adeptos poderão adquirir ingressos para as partidas de cinco formas:

- Em 11 pontos de vendas nas cidades-sedes, abertos os sete dias da semana, nas 9 as 18 horas, no horário local;

- Nas 600 sucursais do banco FNB na África do Sul, de segunda a quinta-feira;

- No site oficial da Fifa (www.fifa.com);

- Pelo serviço telefônico criado exclusivamente para o serviço – na África do Sul o telefone é 083 123 2010; para o resto do mundo, 0041445832010;

- Nos 18 pontos de venda da loja Shoprite/Checkers; a partir dos dia 19 de abril.

“Estas novas possibilidades farão o processo muito mais fácil para os torcedores. Sempre temos dito que é importante que essa Copa do Mundo esteja ao alcance de todos e acreditamos a venda de ingressos em bilheterias corresponde à necessidade de todos os interessados”, afirmou Danny Jordaan.

Na quarta fase de vendas, foram comercializadas cerca de 240 mil entradas, sendo 85% delas para residentes na África do Sul. No total, deverão ser vendidas 2,2 milhões de ingressos para o Mundial.


FONTE: A Verdade

SA still has time to defy the history of our continent

What a sorry disappointment our World Cup year has so far been. We sought the global spotlight with our bid to host the world's biggest sports event in South Africa and fully expected to showcase a democratic triumph, but the glare now upon us reveals only a demeaning stand-off between the extremes of our shattered society, set against a backdrop of mediocrity and corruption.

Where we had the right to expect a surge of hope, we now see only despair.

It is not too late, though, to reverse the slide. We are better as a nation than either Julius Malema or Eugene Terre Blanche.

The true character of our republic is determined by ordinary South Africans, who must decide whether to tolerate or to repudiate the disappointment of 2010.

As the clock ticks down to the kickoff in June, some in the world's media are openly mocking our attempt to defy the history of our continent. Others are voicing genuine concern about our ability to be who we say we are: the best hope for a developing, democratic Africa.

Causes for concern are stacking up far faster than reasons for optimism.

Malema - the spoilt trust-fund child of a brave revolution he is too young to have known - represents the very worst of the venality that is corrupting our public service and the ruling African National Congress. Spewing ethnic venom, he tramples our successes underfoot, ruins our reputation for insightful regional leadership and fuels the dormant fires of racial hatred.

At the opposite extreme is the legacy of separatist leader Eugene Terre Blanche, whose murder gives a negrophobic bully the undeserved aura of a martyr in a fight against minority oppression. His lieutenants clearly hope to rebuild their lost racist cause on the tomb of a man whose death appears to have nothing to do with the ideals he claimed to represent and everything to do with the South African scourge of crime.

Then a judgeship is awarded as a political favour, and the National Director of Public Prosecutions, Menzi Simelane, wastes no time in confirming the fears of those who opposed his inappropriate appointment. He has sidelined professionals with experience and proven track records and distorted the administration of justice.

The government talks endlessly about a crackdown on corruption, but goes after only the minnows, while the tenderpreneur sharks continue to swallow whole the big deals. As reported to parliament this week, one government department preferred to pay off a suspect official with more than R2-million, rather than mount the disciplinary processes that would, if he was guilty, have proved its commitment to clean government.

Willie Hofmeyr, the shining example of service before self, is told to choose between the two vehicles he has used to do good. He may remain head of the Asset Forfeiture Unit or the Special Investigating Unit, but the acquisitive elite cannot bear his scrutiny in both.

The ruling party continues, meanwhile, to build its election war chest with the profits of doing business with the government at the expense of civilians already reeling from the surge in taxes and user charges like road tolls and electricity bills.

We have lost Nelson Mandela's moral compass, and he no longer commands the presence to help us find it.

Self-interest trumps the national interest. Right and wrong are defined as profit and loss, not good and evil. The poor take priority in policy speeches, but come last in the implementation of state plans.

President Jacob Zuma remains largely silent on the issues that divide or concern the society he was elected to lead. When Malema trashes Zuma's efforts in Zimbabwe, the president says nothing. And when he does intervene, as he did after Terre Blanche's murder, Zuma falls far short of providing the inspirational leadership the nation craves.

It is a time to be very worried about this republic. But challenge can bring opportunity. The introspection following the murder of Terre Blanche and the debate about Malema's Shoot the Boer song are such opportunities.

There is reason to hope that these awful few weeks have jolted South Africans into reality. We are asking important questions about race and reconciliation, but we don't know yet whether we have the courage to face up to what we find. Our introspection must go beyond the issues of the retro-Right, Malema's foolishness and the squalid manifestations of racial intolerance.

We need to ask why we expect so little of ourselves and our leaders and what we - not they - are going to do about it?


EDITORIAL do SUNDAY TIMES

Saturday, 10 April 2010

As mentiras


ESTAMOS AVISADOS!!!

Friday, 9 April 2010

«Fora daqui! Sacana!», disse Julius Malema, uma ordinária versão negra de Terreblanche



A tensão racial na África do Sul está a atingir níveis preocupantes, sobretudo porque os supostos discípulos de Nelson Mandela esqueceram os seus universais ensinamentos. É pena.


Dos seguidores do dirigente racista branco sul-africano Eugene Terreblanche nada há a esperar. Nada de válido. O mesmo não se pode dizer de Julius Malema (foto), líder da juventude do ANC, partido no poder no país, que parece cada vez mais um Eugene Terreblanche negro.

Julius Malema, entre muitas outras tentativas de lançar gasolina para a fogueira, continua a insultar Nelson Mandela, esquecendo – por exemplo – que o ex-presidente sul-africano, pai da pátria e Nobel da Paz, que passou 27 anos nas cadeias sul-africanas por ousar resistir ao regime de minoria branca, afirma que "está nas nossas mãos criar um mundo melhor para todos os que nele vivem".

Desta vez, Julius Malema regressou às copas das árvores e resolveu insultar e ameaçar um jornalista da BBC durante uma conferência de imprensa.

O jornalista confrontou Malema com a vida de luxo por ele usufruída, ao mesmo tempo que condenava a riqueza dos brancos. O líder da juventude do ANC, mostrando o seu nanismo intelectual, não gostou e respondeu, visivelmente irritado.

«Não venhas para aqui com essas tendências brancas. Aqui não. Podes fazê-lo noutro lado. Aqui não! Se tens uma tendência para minar negros mesmo no teu trabalho, estás no local errado! Estás no local errado! E podes sair. Põe-te a andar!», disse o membro do ANC.

Perante a estupefacção dos presentes na conferência de imprensa, Malema partiu para o insulto mostrando que, de facto, está mais perto de Robert Mugabe do que de Nelson Mandela.

«Lixo é o que tu tens nas calças! Isso é que é porcaria O que tens nas calças é que é porcaria. Ouviste? És um miúdo, não sabes fazer nada», disse o líder da juventude do ANC, bem ao estilo de Eugene Terreblanche.

O jornalista começou a arrumar o material para retirar-se e murmurou que não tinha ido ali «para ser insultado».

«Fora daqui! Sacana!», vociferou, por fim Julius Malema.

Entretanto, porque ao contrário de Julius Malema, o Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) tem gente que pensa com a cabeça certa, condenou hoje em tom enérgico a forma como o presidente da sua Liga Jovem, se dirigiu ao jornalista da BBC.

Em comunicado divulgado em Joanesburgo, o partido no poder salienta que «o comportamento agressivo e insultuoso em relação ao referido jornalista (Jonah Fisher), e que o levou a abandonar a conferência de Imprensa, não pode de forma alguma ser sancionado pelo partido».

«O comportamento em questão, do presidente da Liga Jovem do ANC, não está de acordo com a cultura e tradições, bem com o código de conduta de um quadro e líder do ANC. Nenhum tipo de alegada provocação dirigida a Julius Malema poderia justificar tal resposta», diz o comunicado

Falta agora saber se Julius Malema vai continuar a publicamente mostrar que é, pelo menos, tão racista quanto Eugene Terreblanche, ou se vai regressar ao local de onde nunca deveria ter saído: uma jaula do jardim zoológico.


FONTE: Orlando Castro, no Alto Hama. Confira aqui.

Assassínio de Blanche não retira credibilidade à RSA

MAPUTO – Graça Machel recusa que a África do Sul tenha perdido credibilidade, depois do assassínio do líder da extrema direita, Eugéne Terre`Blanche, e pediu aos portugueses que apoiem a sua selecção, no próximo mundial de futebol.

“Ficou claro, desde primeiro momento, que se tratava de um crime normal, não há qualquer motivação política. Não acredito que haja uma perturbação que leve a desacreditar o país”, disse, à Agência Lusa, Graça Mandela, de visita a Portugal, na qualidade de presidente do grupo moçambicano Whatana, para uma acção de promoção do investimento português, na África Austral.
Questionada sobre os cânticos de apelo à “morte ao Boer’, entoados por jovens do ANC, o partido actualmente no poder, e se colocam em causa a herança do seu marido, Nelson Mandela, a também activista de direitos humanos afirma que esta não é nem a “posição do partido” nem da “população em geral”.
“Aceito que tenha sido fácil fazer a relação, tendo havido esses cânticos e o assassinato mas felizmente foi pura coincidência”, garantiu a viúva do ex-Presidente moçambicano Samora Machel.
Apesar desta convicção, Graça Machel reconhece que 20 anos depois do fim do apartheid a questão racial não está resolvida na África do Sul e avisa que este é um “grande desafio” não só no país mas em todo o mundo, inclusivamente na Europa.
“Na África do Sul, onde houve um sistema que tinha institucionalizado a divisão racial, é muito mais presente no universo cultural das pessoas. Mas a questão racial está presente em todo o lado, e não é somente de negros para brancos. Na Europa há rejeição de pessoas da antiga Europa de Leste”, declarou.
Garantindo que “o país está calmo” e que a comunidade portuguesa na África do Sul não tem motivo para estar receosa, Graça Machel apelou à ida dos portugueses ao país para assistirem ao Mundial de Futebol, em Junho.
“As preparações para o campeonato do mundo continuam a todo o vapor e, esperamos que os fãs portugueses se façam representar para, pelo menos, ver o jogo Portugal-Brasil”, apelou.
O Whatana Investment Group é uma sociedade de investimentos criada, em 2005, que tem interesses e participações em várias empresas dos sectores da logística, telecomunicações, sector financeiro, recursos minerais e energia.

(Lusa/A Tribuna Fax, o8/04/10)


Nota do José - Graça Machel emite aqui uma opinião muito válida, mas discordo quando compara os casos de racismo na África do Sul com a alegada rejeição de cidadãos da antiga Europa do Leste. O País na realidade está calmo mas há tensões que devem ser discutidas e resolvidas.

África do Sul: crise ao vivo (2)




Um programa televisivo com a presença de Andre Visagie, Secretário do grupo de extrema-direita AWB, terminou com cenas lamentáveis e ridículas.
Visagie, irritado com as interrupções de uma comentadora, abandonou a sala, proferindo ameaças. O comportamento de Visagie é inaceitável e revoltante mas acho também lamentável a falta de profissionalismo de alguns intervenientes neste programa.

África do Sul: crise ao vivo (1)



Este vídeo relata o incidente ontem numa conferencia de imprensa promovida por Julius Malema onde Jonathan Fisher, jornalista da BBC, foi expulso e insultado por Malema.
Este incidente foi duramente criticado pelo SANEF, o fórum dos editores sul-africanos. Por incrível que pareça, Malema afirmou que está aberto para um pedido de desculpas por parte do jornalista.

Constituição da bancada do MDM: Comissão da AR considera legal proposta da Frelimo


A COMISSÃO dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República concluiu ontem que a proposta do partido Frelimo para a revisão do Regimento do órgão legislativo com vista a acomodar o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) como bancada parlamentar não enferma de nenhuma inconstitucionalidade nem ilegalidade.

Maputo, Sexta-Feira, 9 de Abril de 2010:: Notícias

A Comissão reuniu-se ontem para elaborar o parecer em torno da proposta da Frelimo para a revisão do Regimento da Assembleia da República com destaque para a retirada do artigo que estabelece a condição para a constituição da bancada parlamentar. Refira-se que o MDM escreveu uma carta ao Parlamento manifestando a preocupação em se constituir bancada, com o argumento de que a Constituição da República não estabelece balizas para o efeito.

O Movimento Democrático de Moçambique conseguiu eleger, no pleito de 28 de Outubro de 2009, oito deputados. Uma vez constituído em bancada parlamentar, o MDM passará a usufruir de todos os direitos previstos no Regimento da Assembleia da República. Não se sabe, no entanto, se a constituição da bancada do MDM será efectivada ainda na presente sessão parlamentar, que termina a 24 de Maio próximo.



Nota do José: Certos círculos continuam a passar a ideia de que a constituição da bancada do MDM é apenas fruto do empenho da Frelimo. Não é verdade!

Thursday, 8 April 2010

Continua a desvirtuação do real significado do “7 de Abril”

Maputo (Canalmoz) – Na Praça dos Heróis Moçambicanos, na cidade de Maputo, estão hasteadas bandeiras com símbolos da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), uma organização social do partido Frelimo. A televisão do Estado (TVM) noticia que hoje (ontem) é Dia da OMM. A Agência de Informação de Moçambique (AIM) escreve, pelo punho do próprio director, que “A política de emancipação da mulher moçambicana, abraçada com determinação pela FRELIMO no início da luta contra o colonialismo português (…) é um dos maiores feitos, senão o maior, registados ao longo dos 35 anos da nossa independência…”. Diversas empresas públicas nacionais, com destaque para a Electricidade de Moçambique (EDM) mandaram produzir “t-shirts”, para a celebração desta data, com logótipo da OMM. Ora, se o dia 7 de Abril é dia da organização social da Frelimo – OMM , por que razão as demais mulheres moçambicanas (não membros do partido Frelimo) são chamadas a celebrar a data?
Não pretendo questionar, muito menos desvalorizar o papel da Frente de Libertação de Moçambique na emancipação da mulher moçambicana durante a luta pela independência nacional, nem negar à OMM direito de fundadora do “7 de Abril”. Exijo apenas que se diga a verdade: Se o “7 de Abril” é Dia da Mulher Moçambicana ou Dia da Mulher da Frelimo.
Que o “7 de Abril” é uma conquista do partido Frelimo, disso sabemos, mas é uma conquista feita em nome do Estado moçambicano, tal como a independência nacional. Hastear bandeiras da OMM na praça dos Heróis Moçambicanos é o mesmo que hastear bandeiras da Frelimo no mesmo local, no dia da celebração da independência nacional.
Quem conquistou a independência nacional até pode ser a Frelimo – como assim o reclamam os actuais membros deste partido – mas a conquista foi em nome do Estado. O Estado é constituído por um povo, que vai para além dos membros da Frelimo. Se a independência é da Frelimo, então é preciso que os moçambicanos continuem a lutar pela independência total e não de alguns.
O mesmo se recomenda sobre o Dia da Mulher Moçambicana. Se o “7 de Abril” é Dia da Mulher da Frelimo, que seja oficialmente declarado, para que as demais mulheres não filiadas neste partido possam celebrar a sua data no dia 8 de Março, ou inventem outra data exclusiva para a celebração do Dia da Mulher Moçambicana.

(Marcelina Moisés, CANALMOZ, 08/04/10)

Sing of life or sing of death



The choice is ours - the chorus master is struck dumb

Jonathan Jansen: Every now and again something happens that forces South Africa to stare its still unresolved racial troubles in the face.

So it was with the death at the weekend of Eugene Terre Blanche - as it was with the St James Church massacre, the Skierlik shootings and the Reitz incident, to name but a few. At such points, as angry white citizens face off against angry black citizens, the nation has a choice.

It can descend into a racial feeding frenzy of bitterness, accusation and retaliation. Or it can draw people together in common cause to learn from an atrocity and to build lasting foundations for peace and social justice.

For the latter to happen, strong leadership needs to be asserted that brings people together into dialogue and deliberation. Sadly, time after time, such leadership is in short supply.

The easy part is the shouting, the threats, the reaction to what seems obvious. "He lived and died by the sword," many said; "Served him right," I heard often.

The difficult part is asking what was really going on. Let's take another look at the murder of South Africa's most emboldened white supremacist.

Few people deliberate on the still untransformed race relations that characterise the rural landscape of the country.

On many farms in this land, old relations of white baasskap and black servitude remain unchanged despite the broader democratisation of society.

This is where physical intimidation, assault and insult remain the experiences of many farm workers.

Black anger has been building up steadily. Small wonder people around the farm rejoiced at the murder of Terre Blanche. It is from these rural farmlands that many white students come to university demanding the same kinds of relationships. Placed inside the intimate confines of shared residences, trouble is unavoidable.

But take another look at the farmlands of South Africa. Now change your spectacles. On plots and smallholdings, on small and large farms, sit an increasingly scared people. They are white, and more of them are becoming poor. They have erected all kinds of barricades and organised local security teams to protect them against the invasion of farms by black criminals who maim and murder on a regular basis. The police are slow to respond; murderers are seldom caught.

Day after day, the Afrikaans dailies carry gruesome photographs and lead stories about white people, Afrikaners, murdered on their farms. Afrikaans radio stations, such as Radio Pretoria, repeat the details of these massacres over and over again.

Then, to further stress and strain the nerves of these vulnerable farmers, they hear a song with unmistakable murderous lyrics being revived from within the ruling party. It is not only that [ANC Youth League leader] Julius Malema leads the singing; it is that his seniors, including the secretary-general of the party, defend it.

Worse, the president of the country is silent on the matter. Does this mean that the killing of Boers again enjoys official sanction? No amount of re-interpreting of the song in its historical context helps those who feel the heat of exposure and attack on these farms. It is like the security forces of old trying to tell black people that "permanently remove from society" (as erstwhile security documents revealed) does not mean kill the activists. Kill means kill.

Then another farmer dies, his face hacked into pieces through the systematic blows of panga and knobkierrie in his dilapidated farmhouse. A movement that was slowly dying out, the AWB, suddenly gets 3000 new signatories, if the beweging's leaders are to be believed. Racial hatred and confrontation are back in public view.

"Should I pack my bags and leave now?" a (black) stranger asked me in a shop the other day.

The country will not implode. The AWB has no force any longer. The middle ground of decent white and black South Africans is too strong. But these incidents of racial attack slowly but surely erode the confidence of the economic classes that keeps the country afloat. Without leadership that deals with underlying causes, and not only symbolic acts (important though they are), such as visiting white squatters, these incidents will recur.

What can be done?

Stop the singing of that pernicious song immediately. It is hurting all our people. Intervene in the rural farming areas, not by threatening white farmers with confiscation of their land, but by building relationships between farmers and farm workers that are dignified and respectful. This will eventually lead to a peaceful resolution of the land problem.

By Jonathan Jansen , The Times.


Nota do José - Leia o artigo e os comentários aqui.

Wednesday, 7 April 2010

Graça Machel desafia empresários portugueses a investir na África Austral


Graça Machel, líder do grupo Whatana e mulher de Nelson Mandela, desafiou hoje em Lisboa as empresas portuguesas a investirem na África Austral, sobretudo nos sectores da agricultura e agroindústria.
A presidente do grupo financeiro moçambicano Whatana falava à margem de uma audiência com o Presidente português, Cavaco Silva.
"Apesar de a África Austral ser uma região com grandes potencialidades ainda não nos alimentamos a nós próprios, temos de importar comida. Se houver empresas portuguesas interessadas em investir na agroindústria em qualquer dos países (Moçambique e África do Sul), temos potencialidades enormes", disse, em declarações à Lusa.
Graça Machel deslocou-se a Portugal para promover o grupo empresarial e promover contactos entre empresas portuguesas e entidades oficiais de países como Moçambique, África do Sul, Zimbabwe, Tanzania ou Angola.
"Quem investe em Moçambique tem um mercado mais amplo de penetração em qualquer um dos países vizinhos. As oportunidades são ilimitadas", afirmou.
A empresária está em Portugal a convite do AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, com o qual o grupo Whatana assinou recentemente um memorando de entendimento com vista a impulsionar investimentos portugueses na região africana.
Em 2009, o grupo Whatana esteve envolvido em negociações com o BCP para a compra de parte do capital do Millenium bim, o banco líder do mercado em Moçambique, sem ter conseguido chegar a um acordo.
Depois de encontro com Cavaco Silva, que serviu sobretudo para "renovar as relações de amizade e solidariedade entre os países", Graça Machel encontrou-se com o primeiro ministro, José Sócrates. 
Nesta quinta feira participa no encontro "O mercado da África Austral", organizado pelo AICEP no Hotel Pestana Palace.
Viúva do ex-presidente moçambicano Samora Machel e actual mulher de Nelson Mandela, Graça Machel tem-se destacado como activista na defesa dos direitos humanos. No final de 2009 foi galardoada, junto com o actual marido, por uma organização sueca pelo papel junto das crianças.

FONTE: RM

África com prognóstico reservado

A situação em África deverá piorar antes de … piorar. Essa é a opinião do JOE. Não um Joe qualquer mas sim o Joint Operating Environment (JOE), um estudo efectuado pelo Comando Con­junto das Forças Armadas americanas sobre o que nos aguarda a todos no futuro.

Claro que todos nós sabemos que - como disse alguém - é difícil fazer previsões principalmente sobre o futuro e que muitas vezes as previsões só servem para tornar a leitura dos signos em algo de respeitável. Mas de qualquer modo previsões – principalmente quando feitas pelo Comando Conjunto das forças do império – não devem ser totalmente ignoradas e este estudo abrange um pouco de tudo e de todos, desde a Europa á China e Índia, aos movimentos extremistas, ao ciber-espaço e mais. Mais senso comum (que na verdade deveria ser chamado de senso raro) do que qualquer revelação extraordinária

Para aqueles que mantêm ligações com África, o estudo é no entanto particularmente sombrio porque afirmam que mesmo em países onde se está a registar algum avanço (vem à mente claro está Moçambique) poderá haver recuos.

Há que dizer que o estudo denota muito pouco espaço a África, só por si indicativo que para o comando das forças armadas americanas, África vai continuar a ser nas próximas décadas algo de marginal.

“ A África subsaariana representa um conjunto único de desafios que incluem factores económicos, sociais e de­mográficos, muitas vezes exacerbados pela má governação, interferência de potências estrangeiras e crises de saúde tais como a SIDA,” diz o documento.

“Mesmo bolsas de crescimento económico estão sob pressão e poderão recuar devido a múltiplos problemas que constituem obstáculos à capacidade do governo responder a esses problemas,” acrescenta para afirmar ainda que “poderá haver algum progresso na região mas é quase uma certeza que muitas dessas nações continuarão na lista das nações mais pobres do mundo”.

O documento nota que os recursos naturais de África são uma faca de dois gumes. Esses recursos “atraem a atenção de Estados poderosos” e muitos estados africanos têm dificuldades em resistir à pressão e interferência desses Estados e de forças “não estatais”, situação que o estudo diz poderá afectar os Estados fracos e pobres”.

Mas ao mesmo tempo o envolvimento desses “Estados poderosos” em África devido aos recursos do continente poderá ser um desenvolvimento positivo porque com o seu envolvimento poderá vir também investimento, tecnologia e conhecimentos.

“A importância dos recursos da região irá assegurar que as grandes potências mantenham o seu interesse na es­tabilidade e desenvolvimento da região,” diz o estudo.

E o papel das forças armadas americanas? A acreditar no estudo, até haver “estabilidade e segurança” em África, o envolvimento militar americano será o de “impedir desastres humanitários e mesmo genocidas numa situação em que Estados africanos e grupos tribais lutam pelo poder e por controlo”.

Até agora isso parece ser verdade. Mas como disse certa vez um treinador de futebol … “prognósticos só no fim do jogo”.



Por Jota Esse Erre, SAVANA, 02/04/10

Mandela’s legacy ‘now marred’

JOHANNESBURG - Former President Nelson Mandela’s efforts to promote a non-racial society have been marred by the ANC’s failure to prevent scathing racial public slurs, according to the CEO of the South African Institute of Race Relations, Frans Cronje.

Speaking to The Citizen yesterday, Cronje said in 1994 Mandela and other leaders had succeeded in bringing various factions out of their racial “comfort zones”.

“What we are now seeing is people going back to what Mandela brought them out of,” he said, adding that the current racial tensions in the country had reached a serious level of concern.

Comments by Cronje come in the wake of the murder of Afrikaner Weerstandsbeweging (AWB) leader Eugene Terre’Blanche.

At the weekend President Jacob Zuma and leaders of political parties called for calm while members of the AWB collectively blamed the continuous singing of Shoot the boer for the murder of their leader.

In a statement, Cronje further said that the ANC’s exhortations to violence had created a context where the killings of white people would see a degree of suspicion falling around the party and its supporters.

“It is of concern, therefore, that the police’s senior management are on record as saying that they will not consider a political motive or partial motive for the killing of Terre’Blanche.

“This suggests an early effort to cover up the ANC’s possible culpability for inciting the crime.”

Meanwhile, more mixed reaction on Terre’Blanche’s death has continued to pour in.

Democratic Alliance leader Helen Zille yesterday said Terre’Blanche’s murder had unleashed a “tidal wave of pent-up rage and frustration” in certain sections of SA society.

She further pointed out that the ANC’s view that there is no link between its struggle song sang by ANC Youth League president Julius Malema and Terre’Blanche’s murder, was unhelpful.

“We must acknowledge the fact that songs inciting people to kill others creates a climate in which murder is legitimised and romanticised. We must understand why people are angered and alienated by a song that calls for their murder.”

Congress of the People’s Ndzipho Kalipa said the party welcomed the undertaking by AWB members not to avenge the death of their leader.

“Racist statements and slurs can only polarise our community and we hope that the AWB is sincere in its statement,” Kalipa said, adding the murder had necessitated that the country’s Labour Relations Act be transformed.


NONI MOKATI, The citizen, 06/04/10

Feliz Dia da Mulher Moçambicana!



Se este poema fosse


Se este poema fosse mais do que simples
Sonho de criança...
Se nada lhe faltasse para ser total realidade
Em vez de apenas esperança...
Se este poema fosse a imagem crua da verdade,
Eu nada mais pediria à vida
E passaria a cantar a beleza garrida
Das aves e das flores
E esqueceria os homens e as suas dores...
– se este poema fosse mais do que mero
sonho de criança.

Ai meu sonho...
Ai minha terra moçambicana erguida –
Com uma nova consciência, digna e amadurecida...
A minha terra cortada em sua extensão
Por todas essas realizações que a civilização
Inventa para tomar a vida humana mais feliz...
Luz e progresso para cada povoação perdida
No sertão imenso, escolas para crianças,
Para cada doente, e assistência da ciência consoladora,
Para cada braço de homem, uma lida
Honrada e compensadora,
Para cada dúvida uma explicação,
E para os homens, Paz e Fraternidade!

Ah, se este poema fosse realidade
E não apenas esperança!
Ah, se o fosse o destino da nova humanidade
A cantar então a beleza das flores,
Das aves, do céu, de tudo que é futilidade –
Porque a dor humana então não existiria,
Nem, a infelicidade, nem a insatisfação,
Na nova vida plena de harmonia!


(Noémia de Sousa)

Tráfico de seres humanos: Uma causa perdida?

Na nossa última edição retratamos os intricados contornos do lucrativo negócio de tráfico de mulheres, envolvendo Moçambique, a África do Sul e a China. Os relatos dessa reportagem baseavam-se num trabalho de investigação feita por jornalistas sul africanos pertencentes ao Grupo MEDIA24, e que foi publicado num dos seus jornais, o City Press, de Joanesburgo.

A natureza deste tipo de investigações, aliada ao tipo de pessoas com quem se está a trabalhar, não deixa muito espaço para falar dos detalhes da operação, para além do facto de que câmaras e gravadores de som ocultos serviram de instrumentos de apoio. Assim, foram captadas imagens de intervenientes no negócio, e gravadas as suas vozes. O que disseram ficou registado e depois transcrito.

O nosso jornal, depois de tomar todas as diligências necessárias para se certificar da autenticidade da história retomou-a, valendo-se da cortesia dos colegas sul africanos para aceder às respectivas fotografias.

Mas mal a história saiu no SAVANA não se fez demorar a campanha de desinformação para implantar na mente do público, a ideia de que a história não passava de uma falsidade. Pessoas cujas fotografias apareciam na história surgiam de todos os lados a protestar a sua inocência; algumas raparigas que eram dadas como tendo sido traficadas apareceram nas instalações do nosso jornal para dizer que era tudo mentira, e que a prova disso é que elas estavam cá em Moçambique, acabadas de regressar da África do Sul no dia anterior.

Mas se tudo isso não era suficiente, as declarações de Arnaldo Chefo, um prestável jovem oficial da polícia, afecto ao Comando da Cidade de Maputo, foram o golpe fatal que deu por totalmente desacreditada a história que o SAVANA tinha publicado. Falando à STV na Segunda-Feira, Chefo, com ar muito sério, disse que não havia nenhum grão de verdade no que o jornal havia dito. Não era verdade que havia pessoas detidas em conexão com o tráfico de pessoas. Era tudo especulação.

Mas Chefo deve ter se apressado a pensar pela boca do que pelo cérebro. O cérebro teria lhe aconselhado a consultar outros sectores da vasta corporação onde ele trabalha, e informar-se devidamente do que estava a acontecer ao seu redor.

Alguém acima dele teve de se encarregar de dizer a verdade no dia seguinte. Foi Pedro Cossa, Porta-Voz do Comando Geral da Polícia, que não só confirmou a detenção de sete indivíduos em conexão com o alegado tráfico de seres humanos, como também encarregou-se de explicar que esses mesmos indivíduos tinham sido postos em liberdade por um juíz, sob caução.

E aqui reside o cerne de toda a questão sobre o tráfico de pessoas em Moçambique. Não duvidamos que o juíz lá tenha tido as suas razões em matéria de Direito para ordenar a libertação dos acusados. Importa, porém, salientar que três destes indivíduos foram detidos pela polícia numa situação de flagrante delito, quando já tinham concluído a transacção de uma jovem moçambicana, esta prestes a partir para a sua nova vida na África do Sul, na companhia dos seus supostos compradores.

Para estes indivíduos é, portanto, uma presunção de inocência mais de cariz académico do que factual. E aqui a luta contra o tráfico de seres humanos perde o seu futuro.

Com uma média de 30 a 40 mulheres vendidas mensalmente ao preço de 5 mil randes cada, esta é certamente uma indústria altamente lucrativa. Nunca lhe faltará dinheiro para pagar quantas cauções lhe forem exigidas, a qualquer momento. O que significa que temos uma lei que proíbe o tráfico de seres humanos, mas nos intricados meandros da justiça haverá outras leis que tornarão essa mesma lei um elefante branco.


Editorial do Savana, o2/04/10


Nota do José - Este é um assunto muito sério que merece reflexão neste Dia da Mulher Moçambicana.

Zuma, Mantashe muzzle Malema


Cape Town - Julius Malema is no longer allowed to sing the words "shoot the boer" in a controversial struggle song, the ANC said on Tuesday.
He is also not allowed to make any statements about murder victim Eugene Terre'Blanche or do anything provocative.
Gwede Mantashe, secretary-general of the ANC, confirmed to Beeld on Tuesday night that he and President Jacob Zuma met with the ANC youth league leader.
"I've just come from Ma¬hlambandlopfu (Zuma's official residence in Pretoria), where I told Malema to refrain from making inflammatory statements. He is also not allowed to sing the song ("Ayesab' amagwala") in its entirety," said Mantashe.
"There will be very clear outcomes regarding Malema after our conversation with him. People will be able to see the result. The ANC and the youth league will restrain him."
He said if singing the words "shoot the boer" is leading to polarisation in society, the ANC will put a stop to it.
However, only the ANC can make such a decision and only after internal discussions, "because it is we as the ruling party who are leading society".
"However, we are convinced that a political solution, as opposed to a legal one, will provide a holistic solution.
"I'm no protector of Malema, but the irritation he causes and the problem... needs to be isolated and solved," said Mantashe.

- Beeld/News24

Tuesday, 6 April 2010

Plano Quinquenal do Governo aprovado com “ditadura de voto”


– a Renamo votou contra e o MDM acabou por se abster

Maputo (Canalmoz) – Tal como vem acontecendo nas legislaturas anteriores, o Plano Quinquenal do Governo (PQG) para 2010-2014, foi aprovado apenas pelos deputados do partido no poder, o partido Frelimo. A Renamo não mudou a forma como vem procedendo nos anos anteriores, votando contra a aprovação da proposta do Governo, enquanto o estreante MDM depois de pela voz do seu deputado Lutero Simango ter assumido na sexta-feira, publicamente, que iria votar a favor, optou, em do acontecimento, por se abster na votação.
A aprovação definitiva do Plano foi através da votação da resolução produzida pela comissão parlamentar do Plano e Orçamento, recomendando a aprovação deste, observando as recomendações formuladas pelos deputados, durante o debate parlamentar do documento em plenário.
A proposta do Governo foi aprovada com o voto maioritário do partido Frelimo (186 votos), superando os insuficientes 47 votos contra da Renamo.
A abstenção do MDM na votação do Plano causou alguma estranheza, na medida em que, durante os três dias do debate parlamentar, que antecederam a aprovação deste documento, este grupo de deputados pronunciou-se em sentido favorável à aprovação da proposta do Governo.
A mudança da orientação dos deputados do MDM é agora justificada como estando relacionada com a emenda que se efectuou no Projecto de Resolução que aprova o Plano Quinquenal, proposta pelo partido Frelimo, segundo a qual o Governo não precisava de ter em conta as recomendações formuladas pelas comissões especializadas da AR. No entanto, amplos sectores do MDM, estiveram todo o fim-de-semana agitados com a possibilidade dos deputados do partido virem a votar a favor do PQG proposto pela Frelimo.

Renamo justifica a rejeição

Justificando a causa da rejeição da proposta do Plano, o deputado José Palaço, da Renamo, disse que o Governo devia levar ao plenário da AR a versão corrigida do texto do Plano Quinquenal do Governo, contendo as recomendações dos pareceres das comissões especializadas, porque, segundo o deputado Palaço, o Governo disse ter acolhido as recomendações, e seria lógico incorporá-las antes da sua aprovação.

(Matias Guente, CANALMOZ, 06/04/10)

Os dilemas da sucessão

Afinal a questão do terceiro mandato e os apetites despertados pela maioria qualificada de 2009 não são apenas vox populi.

E o último conclave da Frelimo mostrou que, mesmo no topo da hierarquia, há preocupações sobre a potencial recondução do actual presidente a um terceiro mandato.

São tentações a que a região não está imune. Já aconteceu na Zâmbia, no Malawi, na Namíbia, mesmo na sofisticada África do Sul. O Zimbabwe claramente chumbou na transição e Angola, como a nova Constituição parece dar indicações, sugere que dos Santos continuará no Futungo de Belas por muitos mais anos.

Se a agenda é a mesma, os pressupostos são diferentes. Guebuza, a cumprir-se o que está na Constituição, será o primeiro presidente de Moçambique a quedar-se no poder por apenas 10 anos, dois mandatos portanto. Os círculos que lhe são próximos, contestam tempo tão reduzido com o exemplo que vem detrás e com o estafado estribilho da tradição africana, do chefe sábio vitalício por oposição aos mandatos limitados, tradicionais nas democracias ocidentais. Os mesmos sectores, em última análise, têm dúvidas da capacidade interna de se fazer a primeira passagem de testemunho para alguém que não venha da tradição dos “ten years”, vulgo “antigos combatentes e que, por outro lado, não tenha o cordão e a tradição hereditária sepultada no sul.

Não deixa de ser verdade que o novo sempre assusta e é mais reconfortante pensar nas coisas que damos como certas. Por isso também, a opção mais rocambolesca, a possibilidade de candidatarem a sua esposa, elegível constitucionalmente e com a estrelinha politicamente correcta de vir das terras de Manica, um dos pontos cardinais do paradigma não oficial estabelecido para futuros sucessores. A opção primeira-dama seria a “solução Argentina” .

Publicamente e, também agora na reunião da Matola, Guebuza tem sido inequívoco: é presidente para os mandatos estipulados pela Constituição.

Por muitos sobressaltos que a transição provoque, a Frelimo tem de olhar para a frente e enfrentar os desafios com opções de modernidade, como o tem demonstrado em algumas outras facetas. Mesmo com as suas próprias especificidades, a Tanzânia, o Botswana e as Maurícias têm completado os seus ciclos de poder sem sobressaltos de maior. Não é por acaso que estes últimos países lideram muitos dos rankings internacionais de democracia, transparência, boa governação e ambiente de negócios. A Tanzânia partindo de trás, tem vindo a galgar lugares nas estatísticas e claramente é um dos adversários directos de Moçambique nesses rankings.

Os sectores mais conservadores e retrógrados no partido do poder devem procurar compreender que o país não é uma ilha e a Frelimo não é a dona dos destinos do país.

A adesão ao multipartidarismo e às regras de alternância democrática implicam a aceitação de princípios que estão para além das eleições periódicas e semi-fraudulentas em cada cinco anos.

A falta de compreensão de novas regras e princípios ocasiona lamentáveis colisões de parceiros, como aconteceu recentemente no braço de ferro com os apoiantes do Orçamento de Estado.

Através do debate – sério ou induzido – da sucessão, o presidente Guebuza tem de mostrar-se à altura dos desafios e demonstrar que a passagem do testemunho é parte integrante da visão de modernidade que queremos para o país.



Por Fernando Lima, SAVANA, 02/04/10

Para o desenvolvimento da nação: Precisa-se reconciliação entre políticos do país - arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves

AINDA precisa-se uma reconciliação entre os políticos do nosso país para dinamizar o desenvolvimento nacional. Este facto foi defendido pelo arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves, por ocasião da festa da Páscoa, tendo apelado para que se evite a criação de uma sociedade onde o uso da influência de cargos administrativos é aplicado para cometer falcatruas e consequente impunidade.

Maputo, Terça-Feira, 6 de Abril de 2010:: Notícias

Dom Jaime Gonçalves fez este pronunciamento sábado passado, em conferência de Imprensa que tinha como objectivo explicar a importância da festa da Páscoa comemorada final de semana em todo o mundo. Na ocasião, aquele prelado disse existir ainda tanto em Moçambique como em África alguns líderes políticos que continuam a dificultar o desenvolvimento.

Com efeito, Dom Jaime disse haver necessidade de uma reconciliação entre os políticos nacionais, e para que isso aconteça, segundo acrescentou, é preciso promover o diálogo no seio dos visados.

“Liderança reconciliada facilita o desenvolvimento. Somos chamados a colocar Moçambique num caminho iluminado, optando pela filosofia africana, que defende que o valor primário é a vida humana” - referiu Dom Jaime.

O chefe da Igreja Católica na região centro do país disse ainda ser necessário que os políticos vivam na ordem de Deus que, entre outras coisas, defende que o Homem deve viver na glória. Para o efeito, reconheceu que a liderança política deve promover cada vez mais os Direitos Humanos, sem no entanto esperar pela pressão da comunidade internacional para que tal seja implementado.

“Seria bom que as nossas lideranças adiantassem nos Direitos Humanos” - disse o arcebispo da Beira, que num outro desenvolvimento reconheceu existirem ainda políticos que pautam pelo totalitarismo no lugar da democracia.

Em todo o caso, reconheceu existir algum trabalho por parte de alguns políticos que visa procurar dar uma outra imagem, positiva neste caso, em África, abrindo uma esperança para o nosso continente.

“Precisa-se uma África mais bonita. Um continente cheio de esperança. Já se enumera à dedos países africanos que fazem eleições transparentes, livres e justas” - afirmou o arcebispo, sem no entanto indicar os nomes dos referidos Estados.

  • Eduardo Sixpence

Monday, 5 April 2010

Frelimo “captura” MDM


– suspeitam militantes do partido

Plano Quinquenal do Governo é votado hoje na AR


Beira (Canalmoz) - Este fim-de-semana que precedeu a votação, hoje, na Assembleia da República, do Plano Quinquenal do Governo, ouviram-se, na Beira, fortes críticas de vários sectores das bases do partido liderado por Daviz Simango pela intenção de voto favorável manifestada sexta-feira por Lutero Simango na Assembleia da República. “O MDM deixou-se capturar pela Frelimo”, foi uma das frases que registámos num dos acesos debates que o tema suscitou na Beira.
O facto dos 8 deputados daquele partido da oposição parlamentar se terem decidido a votar a favor do plano quinquenal do partido dos “camaradas”, ainda não está consumado, mas tudo indica que hoje na Assembleia da República (AR) o MDM vai votar no programa da Frelimo, para o desespero de muitos dos seus apoiantes.
Não está posta de lado, no entanto, a hipótese de haver quem se abstenha entre os 8 deputados do MDM que ainda não possuem bancada formal por esse ponto de agenda que altera o Regimento estar para depois da votação do Plano Quinquenal do Governo.
Com esta “captura” de “um partido que parecia promissor”, a memória de vários segmentos da sociedade beirense por nós contactados recorda o fenómeno idêntico, ainda fresco, que ocorreu no país, por exemplo, com a “Oposição Construtiva”, um bloco liderado por Yacub Sibindy, ele próprio também presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), e que nas eleições passadas capitulou e rendeu-se à Frelimo, depois de receber luvas do empresário Momad Bachir, do Grupo MBS.
Fontes oficiais do MDM recusam as insinuações mas amplos segmentos do partido estão a suspeitar que o “voto de confiança” do MDM no Plano Quinquenal do Governo do partido Frelimo liderado por Aires Aly, é sintomático de que “algo ocorreu debaixo da mesa”, neste país onde é normal ocorrerem subornos na classe política.
“A Frelimo tem a maioria na AR e não precisava dos votos do MDM para fazer passar o seu plano quinquenal”, dizia-nos um militante na Beira que ao mesmo tempo alega que a anunciada intenção do grupo parlamentar do MDM na Assembleia da República votar a favor está a ser vista por amplos sectores do MDM como uma autêntica capitulação.
Se num passado recente todos os partidos que capitularam à Frelimo o fizeram porque estavam sufocados de dívidas, quanto ao MDM as vozes críticas de dentro do partido afirmam que o grupo de oito deputados irá votar no plano da Frelimo para serem acomodados nos seus desígnios de se enriquecerem com o apadrinhamento dos “camaradas” que controlam toda a economia.
Um dos membros do MDM que participou no recente Conselho Nacional do “galo” em Quelimane afirmou que naquele evento foi levado à discussão a questão de subordinação dos deputados ao partido. Um grupo de deputados era pelo não a essa ideia, mas Daviz Simango acabou impondo o sim.
“Isto leva a crer que as figuras cimeiras e mais influentes foram capturados pela Frelimo, pois não cremos que nisto pesou a opinião da Comissão Política do MDM. Há partidos que subordinados à Frelimo proferem discursos que recebem do comité central da Frelimo. Perante esta realidade, o MDM não está longe disso”, assim comentava um dos depoentes, que preferiu anonimato por temer consequências.
Na Beira várias fontes lançaram um aviso à navegação do grupo dos deputados que hoje está na AR. Fizeram questão de lhes lembrar que o MDM nasceu da revolução de 28 de Agosto ocorrida por Dhlakama se ter alegadamente aliado à Frelimo para trair Daviz Simango. Com este pensamento foram dezenas os militantes do MDM que nunca simpatizaram com a Frelimo que estão indignados por os deputados do partido na AR ir votar a favor do Plano Quinquenal da Frelimo. “A acontecer hoje o voto do MDM ao plano da Frelimo será um insulto à nossa inteligência, e por conseguinte, à memória do reverendo Uria Simango e Celina Muchanga, ambos progenitores de Daviz Simango, assassinados pela Frelimo em M’telela, ainda sem esclarecimento, lá vão quase quatro décadas”, recordou um dos nossos interlocutores, que afirmou apesar de o partido não se inspirar no pensamento do reverendo e esposa, há nos apoiantes de Simango muita compaixão por causa da injustiça do passado que atinge ainda hoje este clã.

O que diz Daviz Simango

Contactado para reagir às referidas acusações o presidente do MDM, Daviz Simango, recomendou-nos que falássemos com o secretário-geral do “galo”, nesse sentido.

O que diz o Secretário-Geral do MDM

Por seu turno, o secretário-geral do “galo”, Ismael Mussá, afirmou que aquando da campanha eleitoral ao escrutínio de 28 de Outubro passado o MDM apresentou o seu programa, em que se comprometia a construir doze mil casas por ano para jovens e o Governo agora prevê construir 100 mil casas para os jovens. “Isto não constava do programa da Frelimo antes das eleições, sendo sinal de que os influenciámos. Seria incoerente da nossa parte votarmos contra um programa inspirado em nós”.
Mussá acrescentou que outro assunto que constava do manifesto do MDM tinha a ver com as nomeações na função pública, de que ressaltava que os lugares deveriam ser ocupados por gente de confiança em detrimento da competência. “Na semana finda surgiram anúncios públicos abrindo vagas aos secretários permanentes. Há outras coisas em que o plano do Governo se inspira no do MDM: a revisão do pacote eleitoral, linha férrea ligando norte-sul do país, construção da barragem Moamba-Major. Nós referimos também o combate à pobreza urbana, quando a Frelimo dava primazia ao distrito. E isto consta do plano quinquenal do Governo. Isto representa uma vitória do MDM”.
O SG do MDM afirmou que “damos ao Governo um voto de confiança com benefício da dúvida”.
“Agora vamos nos concentrar, centrarmos na fiscalização da execução do plano económico e social anual. Se nada do prometido pelo Governo for feito, então votaremos contra”.
Acrescentou que “há um outro aspecto que estava contido no nosso manifesto: os mega-projectos de areias pesadas de Moma, Mozal e Sasol não pagavam impostos ao Estado. O MDM se referia à renegociação com estes parceiros. Isto está já no plano do Governo. Estamos a receber críticas negativas e positivas à cerca deste nosso posicionamento, isto é por irmos votar a favor. Mas lembro: fazer oposição não significa necessariamente chumbar tudo do Governo”.
Por último, Mussá recordou que “durante a campanha nos Estados Unidos, uma das linhas de força da campanha de Barack Obama foi reforçar o sistema de saúde. Ele conseguiu votos dos democráticas e republicanos. Quando se trata de questões nacionais, as pessoas podem votar para questões de interesse nacional. Não deixam de ser oposição”.
“Não tem a ver com o facto de MDM estar a ser engolido pela Frelimo”, rematou Ismael Mussa, deputado e SG na Frelimo na Assembleia da República.
Está visto, assim, que o MDM vai hoje votar favoravelmente o Plano Quinquenal do Governo, se bem que sob fortes críticas de amplos segmentos do partido que admitiam que o voto se bem que não fosse contra se ficasse por ser de abstenção.


(Adelino Timóteo, CANALMOZ, 05/04/10)