Tuesday, 17 February 2009

Com Daviz Simango na liderança : Novo partido político começa a desenhar-se

FOI oficialmente confirmada a criação de mais um partido político no país e que será dirigido pelo o actual edil da Beira, Daviz Simango. Com efeito, a primeira Assembleia Constituinte será realizada num prazo não superior a trinta dias contados desde a passada quarta-feira, numa das províncias do centro do país.
O facto foi revelado pelo porta-voz do gabinete de candidatura de Daviz Simango, Geraldo Carvalho, que assegurou existirem já três nomes propostos para o referido partido, nomeadamente Frente Democrática de Moçambique (FREDEMO), Revolução Democrática de Moçambique (REDEMO) e Movimento Democrático de Moçambique (MODEMO e/ou MDM).
Carvalho explicou que a criação da aludida formação política é fruto da pressão das bases da Renamo pró-Daviz. Assim, brigadas deste movimento efectuaram recentemente consultas populares em todas as províncias do país, uma acção que, segundo a nossa fonte, resultou na angariação de 292.000 assinaturas.
“O que mais nos encorajou foi o facto de na província de Gaza termos conseguido mais de nove mil assinaturas. Não era de esperar tendo em conta que é uma região onde a oposição não tem muita expressão. Sofala, Manica e Nampula foram as províncias em que mais assinaturas conseguimos. Em Manica, angariámos mais de 26 mil”- revelou.Geraldo Carvalho disse que concorrer às eleições provinciais e gerais deste ano é a grande aposta da formação política em formação.
“Está confirmado, o engenheiro Daviz Simango vai concorrer às presidenciais deste ano para satisfazer a vontade das bases. Por isso, a Assembleia Constituinte será realizada daqui a menos de 30 dias, para permitir que cumpramos com outros procedimentos legais em tempo útil e entrarmos na corrida eleitoral”- referiu.
O nosso informador assegurou que a confirmação da criação do partido político em referência marca oficialmente o divórcio entre os pró-Daviz e a Renamo, incluindo o seu líder, Afonso Dhlakama.
Questionado se Daviz vai ou não renunciar ao seu mandato no Conselho Municipal para acomodar essa intenção, Carvalho escusou-se a entrar em detalhes, mas assegurou que tudo será feito em cumprimento das leis vigentes.
Carvalho fez saber também que a base da criação deste partido está sediada na vila do Dondo, em Sofala.
Na vizinha África do Sul, para onde Daviz efectuou recentemente três viagens consecutivas, existe um núcleo forte deste movimento.
A actual chefe da bancada da Renamo na Assembleia da República e candidata derrotada à presidência do município de Cuamba, Maria Moreno, os ex-assessores de Dhlakama, Ismail Mussá e Agostinho Ussori, são, entre outras, as figuras que estão a dinamizar a criação deste partido.Para além destes, constam ainda nomes como o do presidente da MONAMO, Máximo Dias, e o advogado beirense Eduardo Elias, que estão a assegurar os aspectos jurídicosdo processo de formação do novo partido.
( Noticias, 17 de Fevereiro de 2009 )

A Opiniao de Noe Nhantumbo

ANO ELEITORAL, RESPONSABILIDADES ACRESCIDAS
De contrário vai-se continuar a “entregar o ouro aos bandidos”…


O subtítulo é um pouco uma força de expressão que alguns até podem considerar de bem colocado.
Nada como o propagandista chefe do partido no poder por vezes quer dar a entender quando diz que a vitória de seu partido em tudo o que haja em disputa, é um impetrativo nacional.
Não há imperativo nacional algum que seja superior ao interesse genuíno dos moçambicanos independentemente da cor de sua bandeira partidária. E é exactamente aí que o homem dos imperativos se começa a dar mal.São muitos os problemas que ele nem se atreve a abordar porque sabe de antemão que não tem explicação plausível para oferecer aos moçambicanos. As únicas aparições que existem da sua parte são aquelas previamente orquestradas e organizadas de modo a dar o ponto de vista inócuo de seu partido. Quando o jogo é com amendoins não é difícil vê-lo nas câmaras da sempre solícita TVM. Quando se trata de intervir em relação a alguma coisa pesada o comum é não ver-se ninguém de seu partido dando a cara. São muitos os casos em que tal já sucedeu e não se viu nem ele nem o secretário-geral dizendo aquilo que os moçambicanos esperavam ouvir ou saber. Sabe-se a partida que quando são pronunciamentos de peso as coisas não fazem da sua descrição de tarefas. Compreende-se, afinal não passam de funcionários menores de um partido que faz a renovação na continuidade mas que continua com as rédeas perfeitamente controladas pelos que fazem parte da maturidade.Só que estes joguinhos políticos já não servem nem interessam a larga maioria dos moçambicanos, cansados de sofrer num país que oferece e possui tudo para se viver com dignidade que o estatuto de vendedor de esquina não confere.Não queremos agitar as águas nem proclamar que todos devemos ser ricos de um dia para o outro. A única coisa que queremos dizer alto e com bom som é que com trabalho os moçambicanos podem construir a sua riqueza e deixarem de mendigar por camisetes ou capulanas em período eleitoral. Os moçambicanos podem e querem comprar roupa nova, calçado e livros para os seus filhos. Os moçambicanos querem ter uma habitação condigna que não tenha que ser adquirida depois de abaterem-se sobre eles ciclones ou outra calamidade natural ou artificial.As promessas eleitorais até aqui desenvolvidas tem se mostrado de tão curta duração como as próprias campanhas eleitorais em si. Após os votos todos abandonam os moçambicanos a sua sorte e nem se deixam no local instruemtos que permitam que os mesmos exijam e fiscalizem o trabalho dos obreiros das promessas. Fica tudo como sempre. É só visitar qualquer distrito que ainda não tenha visto os seus recursos se solo ou subslolo objecto do interesse de alguma multinacional para se ter a ideia de que em alguns destes, as coisas continuam exactamente como os protugueses deixaram, senão pior.
Estamos em Ferereiro de 2009 e como tudo indica dentro de pouco tempo vamos ter a oportunidade de ver partidos se preparando publicamente para entrar nas diferentes corridas eleitorais. O que é interessante é a capacidade que as mesmas pessoas tem de copiar mudando algumas palavras ou a ordem delas, os mesmos manifestos que antes não foram cumpridos e oferecerem a um povo aparentemente dócil, a mesma ração como alimento.
Só que infelizmente para os políticos de pacotilha as coisas jamais serão as mesmas em Moçambique. Agora que o povo acordou de um longo perído de hibernação que já durava a cerca de 35 anos nada será mais igual ao passado.Há que contar com novos protagonistas e um discursdo novo que quer os moçambicanos realmente como centros da agenda política nacional. Os que pensavam que tinham o monopólio da opinião política, que podiam com o uso dos meios públicos ao seu dispor, distorcer a vontade dos votantes já começam a apanhar pela medida grande, sendo derrotados quando pensavam que tinham montado todo o cenário para obliterar a oposição. Em lugar de obliterar uma oposição que já conheciam e dominavam, sua teimosia em aceitar um jogo democrático transparente deu lugar ao nascimento de uma nova corrente de políticos apetrechados com conhecimentos, tecnologia e determinação para inverter o quadro pobre e sofrível da política em Moçambique.É como dizer-se que o tiro saíu pela culatra. No lugar de oposição dócil satisfeita e comodamente instalada ao longo dos anos, em que uma fatia do parlamento lhe pertencia, agora tem de se contar com forças desconhecidas e com um vigor que tanto a frescura da idade como a determinação e empenho demonstrados tornam, a prior, num adversário de respeito. Já nada será como antes. Mesmo os próprios orgãos eleitorais e os centros de estudos estratégicos locais já se aperceberam que algo deve ser rapidamente feito no sentido de garantir que não aconteça um autêntico terramoto político no país.É evidente que quem está preocupado foi e é quem durante estes anos usou da demagogia e de outros artifícios para se subtrair a vontade do povo. Quem nunca se preocupou com a real situação dos moçambicanos desde que seus interesses privados estivessem protegidos tem razão de estar preocupado. Pois uma vitória de uma nova força política vai trazer desenvolvimentos até aqui considerados inéditos entre nós.O campo para transformações é vasto e a necessidade de trabalho também imensa. Muito há que fazer neste ano eleitoral para que a real vontade dos moçambicanos acabe prevalecendo nas urnas. É das urnas que se darão os passos decisisos para levar o povo ao exercício do poder através de seus legítimos representantes. O momento nunca foi tão grave para as aspirações dos moçambicanos e todo o cuidado é pouco numa altura que decerto será aproveitada para ensaio de todo o tipo de manobras destinadas a perpetuar determinadas pessoas num poder que já há algum tempo não merecem, pois não tem, servido os moçambicanos como as possibilidades do país o possibilitam...

( Noé Nhantumbo, citado em http://www.manueldearaujo.blogspot.com/ )

Monday, 16 February 2009

Chale vence, a democracia perde!

Em democracia há vencedores e vencidos mas a vida prossegue normalmente porque o importante mesmo é que a vontade do povo seja cumprida. Em Moçambique nem sempre é assim, frequentemente os resultados são manipulados a favor da Frelimo. Nas recentes eleições em Nacala há indícios de irregularidades que beneficiaram o candidato da Frelimo. O que torna esta fraude ainda mais grave, é que se sabe quem foram os autores das irregularidades, mas todos fecham os olhos e os prevaricadores continuam em liberdade como se nada tivesse acontecido.
Para além de a fraude ser sempre um crime, a vontade do Povo é atraiçoada e a imagem do País fica manchada. A longo prazo, as fraudes prejudicam a Frelimo, pois fica sempre a dúvida se os seus candidatos, mesmo aqueles com qualidade, se vencem honestamente ou fraudulentamente. Não interessa ao País que a CNE e STAE sejam desacreditadas e manipuladas pela Frelimo. O único meio de combater este cancro é denunciar e castigar severamente todos os que cometem ilegalidades nos processos eleitorais.
Em ano de eleições, é preocupante constatar que a Frelimo continua a apostar em campanhas sujas e na fraude eleitoral!

O guarda-chuva da moçambicanidade!

O País está a comemorar os 40 anos do desaparecimento físico de Eduardo Chivambo Mondlane, filho insigne desta pátria, espécimen raro do génio de um povo aguerrido, mentor da nacionalidade e dignidade dos moçambicanos, o idealizador e materializador do projecto de construção do Estado moçambicano independente e soberano, enfim, o guarda-chuva da moçambicanidade.
A imensa e exuberante figura de Eduardo Mondlane constitui a sombra refrescante e o cobertor aconchegante que a todos os moçambicanos acolhe e conforta, independentemente do pluralismo das visões político-ideológicas que os possam caracterizar na prossecução da sua vida diária.
Eduardo Mondlane foi o catalisador e aglutinador, não só dos três movimentos então existentes, mas, sobretudo, das esperanças e das expectativas libertadoras do povo moçambicano, rumo a um futuro inteira- mente dependente da sua capacidade criadora.
Mais do que o timoneiro da luta pela liberdade do seu povo. Mondlane foi um líder inspirador de uma vasta teia de gerações de combatentes por um Moçambique melhor.
Mondlane foi o moldador da consciência libertadora do povo moçambicano.
Mondlane foi aquele homem que disse ao povo moçambicano que sim, "nós podemos vencer o colonialismo Sim. nós podemos ser donos do nosso próprio destino. Sim, nós temos capacidade para construirmos o nosso próprio caminho de liberdade e de felicidade".
Desse modo, Eduardo Mondlane entrou nos anais da História Nacional como o arquitecto da cidadania moçambicana, o fundador e o patrono da nossa identidade, enquanto elementos do povo moçambicano.
Por isso, celebrar a passagem dos 40 anos após a morte, em combate, de Eduardo Mondlane é reviver momentos empolgantes da gesta libertadora do povo moçambicano, é relembrar a História recente de Moçambique, é esboçar uma reflexão profunda, necessariamente crítica, sobre como este País tem tratado o legado intelectual e político do guarda-chuva da moçambicanidade
Dos diversos depoimentos, transmitidos pelos diferentes órgãos de comunicação social do País, ressalta a triste realidade de que parte significativa do povo moçambicano, sobretudo nas camadas mais jovens, não possui uma informação oficial correcta sobre a vida e obra de Eduardo Mondlane, porquanto as pessoas exprimem uma vaga ideia de um Eduardo Mondlane qualquer de quem ouviram falar, apenas na escola primária, sem nenhuma continuidade, quer através de livros retratando a sua vida e obra, quer através de filmes e/ou outros meios de transmissão habitual de informação
Aliás, convém dizer, aqui e agora, que a visão religiosa de Eduardo Mondlane chocou, profundamente, nos primeiros anos da Independência, com a ideologia marxista-leninista, oficialmente adoptada como sendo a do Partido Frelimo, em Fevereiro de 1977, no decurso do seu congresso constitutivo, realizado em Maputo.
Talvez tenha sido por isso que não era conveniente, para a Frelimo marxista-leninista, divulgar, em pormenor, o pensamento político, social e cultural de Eduardo Mondlane, na nova realidade moçambicana. Talvez tenha sido por isso que. nos primeiros anos da Independência, sobretudo entre os anos 1977 e 1987, se não tenha dado ênfase, quer nas escolas, quer no discurso politico oficial, então vigente, ao pensamento político de Eduardo Mondlane
Aliás, em Fevereiro de 1979, o Departamento do Trabalho Ideológico do Partido Frelimo mandou confiscar, das bancas e das pessoas, na rua a edição da revista Tempo comemorativa do décimo aniversário da morte de Mondlane, pois essa edição trazia uma entrevista inédita de Mondlane, concedida a Aquino de Bragança, em que Mondlane declarava não ver nenhuma contradição entre religiosos e marxistas e que na óptica dele os religiosos também podiam ser marxistas e que os dois grupos podiam colaborar na construção de uma sociedade socialista!
Isso entrava em flagrante contradição com a prática ideológica de uma Frelimo anti-religiosa, uma Frelimo que pregava que a religião era "ópio do povo", uma Frelimo que devido à sua intolerância religiosa, tinha vários religiosos detidos e marginalizados da vida pública, só porque eram religiosos! Então, a entrevista de Mondlane, a ser amplamente consumida pelo público, iria subverter a ordem política estabelecida, iria desacreditar o discurso dos "continuadores" de Mondlane, pelo que a Única saída encontrada foi a recolha compulsiva de uma edição inteira da revista Tempo, nas bancas e na rua para os armazéns do tenebroso Serviço Nacional de Segurança Popular (SNASP).
Portanto, comemoremos os 40 anos da morte de Mondlane, mas sem passar por cima de factos históricos sérios, que indicam que houve, num certo período da História do País, um esforço oficial visível para se apagar a imagem e o pensamento político de Mondlane por o mesmo colidir com ideologias políticas abraçadas após a morte do arquitecto da Unidade Nacional.
Por isso mesmo, seria curial, em nossa opinião, que o "Ano Eduardo Mondlane", oficialmente, declarado peio Governo, não se cingisse a eventos folclóricos de tipo festa "com cerca de 30 mil pessoas" aqui e acolá, mas que fosse uma oportunidade soberana para a reposição da verdade sobre o pensamento político, económico e social de Eduardo Mondlane, reposição essa incentivada pelo Governo, mas a ser efectivada por intelectuais honestos e com alguma independência, política e económica, em relação ao próprio Governo, pois, de contrário, continuaremos a ter versões convenientes e "autorizadas" sobre quem foi Mondlane e o que ele realmente, pensava sobre a organização e administração do Pais após a Independência Nacional.
Por exemplo, nós pensamos ser insultuoso para o gabarito académico e intelectual de Eduardo Mondlane que a única Universidade com o seu nome esteja a ser gerida como se de uma barraca se tratasse, esforçando-se mais por produzir quantidades de doutores ignorantes do que por aprofundar conhecimentos científicos que possam dignificar o perfil académico, político e intelectual do seu patrono e do Pais
Eduardo Mondlane era um homem muito sério, organizado e profundo em tudo o que pensava e fazia. Como é que, em homenagem a esse homem tão sério, o Governo consegue encontrar gestores aventureiros, que mais não fazem que vilipendiar o nome de Eduardo Mondlane na maior universidade pública do País, introduzindo licenciaturas de carácter duvidoso? Como é que se faz uma Licenciatura em três anos? Como é que a Licenciatura dura o mesmo tempo que um curso médio de ensino técnicoprofissional? Em quê e a quem é que prejudica o modelo actual de uma Licenciatura de quatro anos?
Qual é a razão desta pressa toda, na formação de quadros? Será porque o País precisa, urgentemente, de licenciados? Ou será porque os actuais gestores da UEM tem pressa, eles próprios, de mostrar serviço a alguém7
No tempo em que o País, de facto, carecia de quadros, porque só havia um único estabelecimento do ensino superior, a Licenciatura fazia-se em cinco anos e era bastante difícil à maioria chegar ao fim.
Agora que o País conta com mais de 25 instituições de ensino superior, entre públicas e privadas, oferecendo uma variada gama de cursos com a duração de quatro anos, surgem aventureiros "revolucionários", altamente patrocinados pelo MEC, a escangalhar a maior universidade pública do Pais. por sinal, tudo isso a acontecer no "Ano Eduardo Mondlane!
Nós exigimos que o Governo intervenha, urgentemente, na UEM, exonerando o actual reitor e mandando restaurar a paz e a solenidade académicas que devem caracterizar uma universidade séria.
Não se pode gerir seriamente uma universidade moderna com pessoas apressadas em mostrar serviço a alguém, com pessoas dispostas a trocar a qualidade académica por modelos, economicamente, mais lucrativos, porque tiram muitos ignorantes em pouco tempo para o mercado de trabalho, onde vão matar pessoas, umas nos hospitais, outras debaixo de prédios que desabarão, outras, : ainda, na travessia de pontes mal feitas ou que vão levar empresas e governos à falência, porque mal administrados.
Afinal, o que é que este País quer?
Será verdade que o Pais pretende, realmente, homenagear Eduardo Mondlane este ano?
Então, se sim, aguardemos por actos concretos, condizentes e dignificantes da personalidade política, académica e humana do guarda-chuva da nossa moçambicanidade! Não se pode aceitar que, precisamente, no ano da sua homenagem nacional, Eduardo Mondlane seja vilipendiado por actos irresponsáveis, que acabam por transformar a universidade tom o seu nome numa fábrica de produção rápida de enchidos sem garantia de qualidade.
Quem quer experimentar se a sua cabeça está boa ou não, que crie a sua própria escola e não faça isso com a maior referência universitária deste País.
É verdade que nos devemos inspirar em Nachingweia, mas não para tudo!

DIÁRIO INDEPENDENTE – 04.02.2009

Sunday, 15 February 2009

Silêncio...


Uma arreliadora avaria no meu sistema de Internet, provocada por uma faísca que danificou o meu modem/router, forçou-me a estar ausente.
Embora esta frase do Fernando Pessoa faça sentido, vou ter de recuperar rapidamente o tempo perdido lendo notícias, comentários e dando atenção a cerca de uma centena de e-mails recebidos.

Wednesday, 11 February 2009

Nacala: Disputa-se hoje a segunda volta



Realiza-se hoje em Nacala-Porto a segunda volta das eleições autárquicas para a escolha do seu Edil.
Frente-a-frente estão os candidatos Manuel dos Santos, da Renamo, e Chale Ossufo, da Frelimo. A campanha decorreu com varios incidentes de violencia e a Frelimo usou todos os truques para influenciar a população.
Acredito na vitória de Manuel dos Santos pois o Povo desconfia da mentira e da demagogia.
A contagem dos votos deverá ocorrer logo após o fecho das assembleias de votos, pelo que talvez seja possível sabermos a tendencia do voto ainda no final desta noite.

Azagaia escreve

Quando pensei em escrever-vos, pretendia falar-vos de dois acontecimentos. Primeiro sobre a minha ida a Cabo Verde onde realizou-se o III Acampamento Lusófono dos Direitos Humanos. Segundo, sobre a vitória da Beira, coroada no dia 7 de Fevereiro pela tomada de posse o Eng. Davis Simango. Entretanto, surgiu um paralelismo interessante entre estes dois acontecimentos, que na minha opinião, vale a pena partilhar, abordando de uma só vez os dois assuntos.
De 2 a 6 de Fevereiro na cidade da Praia-Cabo Verde, jovens activistas, juristas, economistas, jornalistas, estudantes (e eu músico) de todos os países lusófonos, sendo que Moçambique e Angola tiveram maior representatividade em termos de número, estiveram reunidos para discutir direitos humanos. Irmanados pela língua e pela mesma causa, trocamos experiências enriquecedoras e interessantes. Senão vejamos: fiquei a saber que em Guiné-Bissau também trafica-se crianças, e conscidentemente, são levadas para aprender o Alcorão nas Madrassas em Dakar-Senegal. Essas crianças são posteriormente obrigadas (pelos Sheikes) a mendigar nas ruas, chegando estes a estipular um valor base que cada uma deve trazer ao fim do dia e claro, as que não cumprem as “metas” são violentadas. Fiquei a saber que em Angola, as sessões do parlamento não são exibidas em directo pela televisão nacional e que pela maioria parlamentar que a MPLA detém, chega a ficar com 80% do tempo durante as sessões…imaginem o que resta para a oposição. Fiquei também a saber que provavelmente, o parlamento angolano é que vai passar a eleger directamente o Presidente da República, parece que a lei já foi proposta, e como o MPLA tem a maioria, penso que o Zédu vai continuar a mandar por lá. Imaginem só se a FRELIMO decide fazer o mesmo!!...Um pouco por toda a lusofonia existem coisas do género que merecem toda a nossa atenção.
Foram dias de discussão e acredito que para além da carta ou comunicado de Praia que foi produzido, penso que através dos órgãos de informação chegará a si, cada um dos participantes tirou as suas próprias conclusões sobre o encontro. De entre as várias conclusões, penso que as mais importantes são: a necessidade urgente de fortalecer a sociedade civil para poder fiscalizar a governação, visto que a democracia em África é usada para favorecer apenas a classe governante. Atenção, isto não é pessimismo, é realidade. Os processos eleitorais, alicerces da democracia em África, são extremamente fraudulentos e o povo não participa na governação desta maneira. O Zimbabué é um exemplo disto. Angola e Moçambique também. Esses políticos não hesitam em trapacear, comprar votos e até mesmo ignorar relatórios internacionais sobre os processos eleitorais, só para se manterem no poder. Por isso, urge a criação de uma nova maneira de nós, povo, participarmos da governação de nossas nações. Fortalecer a sociedade civil é essencial. A regra é: PARA CADA LADRÃO(seja ele político ou não), UM CIDADÃO-POLÍCIA. Isso implica a denúncia constante dos desmandos, roubos e rombos, crimes contra os direitos humanos. Temos jornais independentes (queremos acreditar!), temos a Internet, tudo isto para facilitar o fluxo de informação alternativa, uma vez que os governos africanos controlam boa parte da imprensa. Quem sabe escrever,escreve. Quem sabe falar, fala. Quem sabe fazer, faz. Desde os meios clássicos ao mais tradicionais, podemos e devemos dar o nosso contributo, disseminando informação útil para o cidadão. Sim, esta é a era da informação. De que estamos a espera para usá-la em nosso benefício? O que preocupa não é grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Já dizia Martin Luther King. E digo-vos, o silêncio é uma arma a favor dos maus, quando quebrado, encomenda a todos eles. Esse é o nosso objectivo como sociedade civil, ENCOMODAR. Como num jogo de futebol onde não se deixa o adversário respirar, pensar, e quanto mais atacar.
Chegados aqui, é altura de falar-vos como o Acampamento de Praia está ligado a vitória da Beira. Muito simples: a Beira só conseguiu eleger a pessoa que confiava porque tem um povo vigilante, soberano. Uma sociedade civil forte, controladora, atenta. Sim, esses são os adjectivos de que nós precisamos. Não duvido das tentativas de fraude que lá ocorreram. Resultados preliminares contraditórios. Mas a vontade daquele povo foi tão grande e esmagadora, que foi impossível enganá-los. Sim, esse é o exemplo a seguir. É de actos dessa natureza que vos falo. Desde as eleições ao dia a dia. Não basta eleger, é preciso também fiscalizar, estarmos atentos e denunciarmos as irregularidades, exigirmos a punição. Estes sãos os nossos deveres que salvaguardam os nossos direitos.
Por último, quero dizer duas coisas: uma é, que a Corrupção passe a ser considerada Crime Contra os Direitos Humanos porque promove a pobreza, a desigualdade de oportunidades para as pessoas. A segunda é: parabéns à Beira e ao Daviz Simango, continue fiel ao povo que te elegeu e a todos os moçambicanos. É para todos os beirensesses e moçambicanos a música “Corre e avisa”*.

Mano Azagaia
*"Corre e avisa", estará disponível para download aqui no blog da Cotonete já amanha.

Tuesday, 10 February 2009

Daviz Simango



“Aliás, não são simplesmente os Beirenses que ganharam estas eleições. A Pátria Amada e a sua democracia ganharam estas eleições, porque nós mostrámos ao mundo que é possível fazer democracia em Africa. É possível implantar mecanismos que possam garantir uma boa governação. É possível fazer as rupturas com a velha politica e lançar bases para o futuro. Mostrámos que é possível repolitizar a sociedade, mobilizá-la para o combate e vencer. E isto tudo só é possível fazer com a Democracia”.
( Discurso de Daviz Simango na tomada de posse como Edil da Beira, no passado Sábado).

Monday, 9 February 2009

Obama errou! E em Moçambique?

Tom Daschle e Nancy Killefer foram nomeados para a administração de Obama mas acabaram por recuar devido a alegações de fuga ao fisco.
O Presidente Obama afirmou publicamnete que tinha errado e que é importante para a sua administração apresentar a imagem de que todos são iguais perante a lei. Isso mesmo, para Obama ninguém está acima da lei!
Ao admitir o seu erro, Obama mostra que afinal errar é humano, fiquei muito impressionado com a sua honestidade. Eu desconfio muito dos políticos que pensam que são perfeitos e que nunca erram. Porque não vemos esta atitude em outras latitudes?
No caso concreto de Moçambique, será possível que o Presidente venha a público reconhecer que errou na sua política em relação a Mugabe e ao Zimbabwe?
Podemos esperar que Armando Guebuza admita que foi um erro grosseiro a partidarização da sociedade, os abusos dos direitos humanos, a tentativa de silenciar a Oposição, a fraude e manipulação das eleições e a interferencia no poder judicial?
Guebuza vai admitir que errou em certas nomeações e que falhou no combate ao crime e à corrupção?Se estamos felizes com a eleição de Obama, penso que deviamos copiar os seus bons exemplos.

Sunday, 8 February 2009

Recordando...


Maputo: a estação ferroviaria mais bela de África.
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Saturday, 7 February 2009

YES, WE CAN!

Daviz Simango toma posse hoje como Edil do Município da Beira.

O circo da Frelimo chegou a Nacala

O partido Frelimo, considera-se vencedor das eleições de segunda volta, na Cidade de Nacala-Porto. O secretário-geral desta formação política, Filipe Paunde, diz estar convicto na vitória do candidato do seu partido, Chale Ossufo. Paunde referiu que Chale Ossufo “é um presidente adiado, por força da lei eleitoral”. Sustentou sua certeza, na vitória, referindo que os munícipes já estão a usufruir de parte das suas promessas eleito- rais e, por isso, não vacilarão votar no candidato da Frelimo.
“Chale Ossufo goza de popularidade, pelo seu carácter sério, na interpretação clara do manifesto do partido Frelimo, que tem linhas de força viradas para a promoção do bem-estar social dos munícipes e isso já está a acontecer. Basta olharmos para os esforços visando ampliar o acesso ao consumo de água potável por parte das comunidades da cidade de Nacala” — disse Paunde, falando, numa Conferência de Imprensa, frisando que notou uma grande motivação, no seio dos militantes do partido e da população, no geral, na cidade de Nacala-Porto, o que o leva a acreditar que haverá uma grande afluência às urnas e todos estão animados em eleger a figura que vai mudar a face daquele município. “Voltaremos um dia a esta cidade para festejar juntos a vitória do candidato da Frelimo, nestas eleições, que ocorrem em segunda volta”, reiterou Filipe Paunde. ( A TribunaFax, com data de 04/02/09 ).
As declarações de certos brincalhões da Frelimo não deixam de ser curiosas, ficamos a saber que afinal Chale Ossufe tem feito muito por Nacala e continua a fazer. Não percebo, onde estao as obras de Chale Ossufo? Será que ele faz parte da administração paralela em Nacala? Afinal, essa não é uma ideia original da Renamo, a administração paralela já está implementada pela Frelimo em Nacala.
Uma coisa é certa, esta campanha promete ser bem divertida, espera-se a chegada de outros pesos-pesados da Frelimo, aguardo impacientemente pelas suas declarações.

Humor aos quadradinhos










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Friday, 6 February 2009

É preciso reflectir sobre este caos em ano de eleições

Maputo (Canal de Moçambique) - Em Maputo, Matola e arredores, este 3 de Fevereiro foi quente. Muito quente. Um calor abrasador. Insuportável. Ao fim da tarde o céu, a Sul, começou a ficar cor de chumbo e ainda a noite acabava de se instalar já estava a chover imenso, mas nada que não aconteça todos os anos normais – muita água mas próprio da época húmida. As mazelas, a precariedade das infra-estruturas, entretanto, ficaram à vista, um pouco por todo o lado. O Estado “ficou despido”. O caos, do que tem sido a propalada “boa governação”, ficou a nu.
Já não bastava as prisões dos altos “galifões” que andaram a estropiar o Estado com fins pessoais e outros ainda inconfessos, e o caos nas instituições que devem zelar pela nossa segurança. Agora veio mais esta desgraça mostrar-nos que ou mudamos mesmo, sem fingir que mudamos, ou o futuro vai ser ainda pior.
Ficou à vista a “boa governação” que tantos elogios tem merecido de quem fala em causa própria e já tem acesso aos bens materiais que permitem uma vida confortável. Os outros, mais uma vez, experimentam os habituais transtornos e o agravamento do eterno sofrimento que com chuvas intensas e sucessivos governos incompetentes não pode, naturalmente, ser vencido. A tal “boa governação” ficou à vista com poucos milímetros de chuva a mais: avarias eléctricas por todo o lado e horas a fio sem energia; telecomunicações mais deficientes do que é vulgar ultimamente; estradas, avenidas, ruas e ruelas intransitáveis; trânsito automóvel totalmente desgovernado; danos incalculáveis em viaturas de laboriosos cidadãos que pagam o manifesto automóvel para depois o governo lhes proporcionar apenas autênticos “caminhos de cabras”; casas cheias de água por inexistência de drenagem em condições ou por causa de sistemas de drenagem de construção deficiente; enfim… um role de marcas do que uma autêntica fanfarra governativa nos anda a “oferecer” com gastos exorbitantes e sem resultados que nos convençam. Está patente, para quem agora pode ver com os seus próprios olhos, que mais vale uma boa imagem do que mil palavras. Está mais uma vez à vista de todos nós o que têm sido os sucessivos governos a quem temos vindo a entregar os cuidados do Estado. Poucos milímetros de chuva a mais, foi, é o suficiente para o caos se instalar em qualquer cidade do país. Não é preciso chover muito. Um pouco mais do que uns chuviscos é constantemente o caos. As tais obras estruturantes para além de poucas são tão bem feitas que não resolvem nada. O drama repete-se, a mesma conversa repete-se…Sempre as mesmas obras…um ciclo vicioso que teima em persistir. Enquanto nós deixarmos!...
Todos os anos entra a época húmida e tudo volta a complicar-se. Durante a época seca são raras as obras estruturantes. As poucas que há são tão bem feitas – passe a ironia – que fica tudo na mesma. É num instante. Basta uns pingos de chuva a mais, que na época húmida até o que caiu esta terça e quarta feiras nem foi nada por aí além, e não há quem possa desmentir que um governo sendo uma entidade para prevenir o caos no nosso caso não consegue mostrar-nos que tomou medidas adequadas para prevenir o caos. É óbvio que continua a não tomar decisões atempadas e eficientes. Há dinheiro para grandes carros, grandes casas para satisfazer o ego de funcionários superiores do Estado, mas não há resultados convincentes. Rodeiam-se os funcionários superiores do Estado de luxos incalculáveis e no fim apercebemo-nos de que as “catorzinhas” e os “catorzinhos” e o ego deram-lhes cabo da cabeça…Rodeiam-se os altos funcionários do Estado de conforto para supostamente terem um ambiente sereno para trabalharem para o bem comum da cidadania, para servirem bem os cidadãos, e no fim de contas fica tudo na mesma, com tendência a piorar. A consistência dos auto-elogios e elogios de conveniência aos sucessivos governos que temos vindo a ter, vê-se nestes momentos que não passa de conversa refinada e bem afiada. Trinta e tal anos depois da Independência, em dias de um pouco mais chuva do que é normal, fica logo à vista o que o Estado governado continuamente pelos mesmos eternos “sabichões” é capaz de fazer para nos transtornar a vida. No fim de contas, o que se constata é que os anos passam e não há nenhum alívio ao sofrimento. É só isto que se vê: o caos. O alívio à pobreza é mesmo uma treta. Com isto se vê até onde vai o descaramento de quem nos anda a deitar poeira nos olhos com a conversa da auto-estima. Que auto-estima pode ter um povo tratado desta maneira, sujeito a estas condições de vida por sucessivos governos que não conseguem prevenir o caos? Veja-se a capital do país e arredores como fica, como ficou impraticável com umas poucas horas de chuva persistente em cima: um descalabro, um horror, um martírio. Sobretudo para quem vive na periferia onde sucessivos governos ainda continuam a desprezar quem lá mora e a só considerar essa tanta gente quando se trata de lá ir pedir-lhes o voto para continuarem a fanfarra da desgovernação com que nos brindam já sem vergonha na cara. Isto acontece em todas as cidades do país onde o dinheiro do Estado só existe para subornar as consciências dos eleitores em períodos eleitorais. E que podemos fazer para que os anos passem e a vida melhore? – Cabe, naturalmente a cada um pensar nisso e ver como pode dar mais utilidade prática ao seu voto. Cada cidadão tem direito a um voto e em estados de direito os cidadãos já se aperceberam que não há governos bons. Por isso jogam com o seu voto. Obrigam os políticos a trabalhar. Como? – Nunca dão os votos ao mesmo partido, ao mesmo presidente. Começam por mudar o ambiente governativo para se experimentar nova gente. O funcionalismo do Estado é sempre o mesmo, mas mudam quem governa. Mudam o partido no poder. Nós temos gente que estudou, nova gente ou gente nova que ainda está disposta a trabalhar para o bem comum e não apenas continuar sentada nos pelouros do Estado para nos extorquir boa vida com os nossos impostos. Há em Moçambique muito boa gente, com ideias novas, com projectos novos, com outra visão da governação. Há gente nova capaz, aberta ao mundo, com ideias novas, com olhos postos no futuro e não sempre pendurados no passado e nas mentiras como a que durante anos nos andaram a contar sobre a morte do presidente da Frente de Libertação de Moçambique que aglutinou vontades que hoje já não se revêem no projecto partidarizado da dita continuidade que mais não é do que o projecto falido que hoje nos serve este caos sempre que chove.
Quem quer ser bem governado, quem não quer ver o Governo de Moçambique a fazer sempre as mesmas obras porque as anteriores foram mal feitas, não pode continuar a apostar no caos. Em tempo de eleições o cidadão tem de se deixar de ficar em casa a dormir. Um cidadão que não quer viver no caos não pode chorar depois da desgraça acontecer. Tem de se prevenir. Este é ano de eleições. Pense sobre o caos. Recuse-se a ter memória curta. Moçambique só poderá evoluir se os seus cidadãos quiserem. Quem não vai votar, ou quem não aprende o pouco que vale uma T-shirt ou uma capulana depois das eleições, pode queixar-se, mas de nada lhe vale “depois de casa arrombada meter trancas na porta”. Fique a pensar no assunto!

(Canal de Moçambique e Zambeze), 5/2/09 )

Thursday, 5 February 2009

“Não existe liberdade dos povos sem liberdade dos indivíduos”


O pensamento de Mondlane sobre o futuro de Moçambique enquanto país livre tem alimentado muitos debates. Entretanto, alguns membros destacados do partido Frelimo, como o historiador Alexandrino José, sustentam que Mondlane morreu sem ter revelado o seu ponto de vista político sobre Moçambique independente.
Os mesmos invocam a seguinte passagem do livro Lutar por Moçambique, como o único texto de Eduardo Mondlane:
“Uma vez que a finalidade da guerra é construir um Moçambique novo, e não apenas destruir o regime colonial, todos temos que ter ideias acerca do modo de organizar a futura nação; mas isso ainda está muito longe para podermos discutir formalmente nesta fase.
A nossa política quanto às questões imediatas pode apenas dar alguns tópicos para o futuro. A estrutura da FRELIMO pode também ser olhada como precursora dum corpo político nacional. Faz parte da essência desta estrutura, porém, que as ideias venham do povo; que os membros dos Comités Executivo e Central sejam livremente eleitos e possam, portanto, mudar.
O eleitorado vai crescendo à medida que novas áreas vão sendo libertadas e que novos chefes vão surgindo a todos os níveis. Daqui por dez anos todo o executivo pode ter mudado. Assim, ao discutir o futuro, posso apenas invocar as minhas próprias convicções; não posso predizer o que será decidido por um Comité Central que ainda não existe”.
Todavia, a visão subjacente no texto supracitado, que é, sem dúvidas, bastante elegante para um político hábil como Mondlane, testemunha uma fé inquebrável na democracia e na capacidade do povo de Moçambique para se regenerar e decidir o seu próprio destino.
Mondlane aparece na visão de Alexandrino José como claudicante, devido ao facto de a abundante obra que nos deixou escrita carecer de uma divulgação adequada, facto que também serviu para ocultar o seu verdadeiro projecto político e atrelá-lo, de forma velada, ao marxismo que tomou o país logo após a independência.
Na verdade, basta o sobredito para se adivinhar que Mondlane é um pensador político liberal, cujas teoria e acção se enquadram e se percebem só num contexto de liberalismo político de feição americana progressista. Mas, felizmente, Mondlane foi suficientemente claro e legou-nos por escrito a sua perspectiva filosófica e política, pelo que não existem margens para dúvidas nem lugar para especulações.
Assim, ao falar de um Mondlane liberal em oposição aos clichés marxistas a que quiseram associar-se-lhe, embora possa parecer para alguns exagerado, na medida em que devido ao silêncio que se criou à volta das suas ideias políticas, desenvolveu-se a ideia de que morreu sem ter tido tempo para clarificar o seu posicionamento político e filosófico.
Esta é uma opinião defendida, como disse, até por alguns estudiosos, como Alexandrino José que diz: “embora não tivesse arquitectado um modelo da sociedade pós-colonial, deixou algumas indicações das perplexidades que tinha quanto aos males que caracterizavam a sociedade e o Estado pós-colonial em África ”.
Pedro Borges Graça, que fez um estudo apreciável sobre Eduardo Mondlane, embora com o mérito de denunciar o silêncio cúmplice que se instalou à volta do ideário político de Mondlane, não foi para além de especulações acerca do projecto político de Mondlane, como pôde sugerir esta passagem da viúva de Mondlane, Janet Mondlane, citada por Graça: “Com base no seu livro, não é possível dizer o que teria acontecido em Moçambique se ele tivesse sobrevivido, e não é importante sabê-lo” .
Para nós, é importante sabê-lo e não só com base num único livro, por cima organizado, embora tenha sido revisto pelo autor e por Sérgio Viera, um político conhecido.
Sem sombra de dúvida, este estudioso não poderia ter sido mais contundente e estar mais certo. Não obstante, não deixa de se mostrar bastante equivocado, quando sugere que sobre o projecto de Mondlane apenas é possível especular. Diz mesmo que os seus conhecimentos, enquanto psicólogo social e antropólogo, teriam-no conduzido para uma orientação diferente daquela que foi seguida depois da independência.
Desta feita, longe de confrontar o liberalismo tal como fez a geração de políticos que comandou o país depois de Mondlane, as suas aspirações estavam de comum acordo com esta teoria social e é ela que vai orientar e inspirar Mondlane na formação da primeira força política que dirigiu, mesmo antes de embarcar aos Estados Unidos: o Núcleo dos Estudantes do Ensino Secundário de Moçambique (NESAM).
Eduardo Mondlane era entre todos, o único líder africano formado em ciências sociais, por isso mesmo, teoricamente, o mais capacitado para pôr e discutir a questão colonial não só em termos políticos da partilha de poder, mas também em termos filosóficos e intelectuais de toda a problemática que ora se impunha, que era a das relações internacionais entre povos, por um lado, e, por outro, a das relações no interior dos estados, de nações e povos de raças e etnias diferentes, bem como entre as várias classes sociais que se instauram dentro de uma sociedade complexa.
Para Mondlane, o problema colonial não era uma extensão da luta de classes, como queriam aqueles jovens próximos do partido comunista português e inspirados pela resistência portuguesa contra o regime de Salazar. Na óptica de Mondlane, a questão colonial revestia-se de uma forte componente racial e a sua solução não estava fora, mas sim dentro do liberalismo. A questão colonial não era económica como queria Marx, mas sim, tinha que ver com a liberdade e a igualdade entre todos os seres humanos.
Isto explica a razão pela qual Marcelino dos Santos, que já tinha ocupado postos de relevo no contexto dos movimentos de libertação da África, dita portuguesa, só conseguiu maior visibilidade, para não dizer um controlo absoluto da Frelimo, depois da morte de Mondlane. A sua visão marxista e leninista entrava em rota de colisão com o chefe tradicional e ideólogo liberal que era Mondlane.
Para todos os efeitos, Mondlane ficou conhecido como o primeiro presidente da Frelimo, Movimento de Libertação de Moçambique, que, dez anos mais tarde, exactamente em 1975, proclamou a República de Moçambique e, dois anos depois, em 1977, adoptou o marxismo como sua política oficial.
Aqui está o pano de fundo com o qual é preciso lidar sem preconceitos nem complexos, se quisermos repor a verdade sobre esta personalidade histórica e lendária do nacionalismo africano, em geral, e moçambicano, em particular.
Mondlane, primeiro presidente da Frelimo, afigurar-se como o pai da pátria moçambicana, apesar dessa ideia ser, hoje em dia, muito discutida e posta em causa.
Embora, a verdade seja dita, Mondlane não seja o fundador único daquele movimento político, ao menos, é um dos seus co-fundadores.
João M. Cabrita, no seu livro Mozambique, The Tortuous Road to Democracy, tem o mérito de demonstrar, uma vez por todas, dissipando todas as dúvidas, que Eduardo Mondlane é, de facto, um nacionalista moçambicano de inspiração americana e com ligações muito fortes com a administração Kennedy. Mondlane sente-se ligado à América mais pelas ideias do que por agendas políticas.
Assim, quando, em Abril de 1962, Eduardo Chivambro Mondlane, numa dissertação acerca da melhor forma de Governo, como se depreende no título mais que sugestivo desse seu trabalho, Woodrow Wilson and the Idea of Self-Determination in África, apenas concretiza, politicamente, aquilo que já estava cristalizado na sua mente, fruto de muitos e aturados anos de socialização americana e liberal, na verdade, nesse seu trabalho emblemático, declara sem rodeios:
“Defendemos que um Estado moderno deve conter na sua Constituição o seguinte: a) divisão de poderes; b) garantia dos direitos básicos; c) garantir aos tribunais um desempenho o mais independente possível do Governo; d) duas câmaras legislativas, uma na Câmara dos Representantes a ser eleita directamente, e um Senado ou Câmara dos Deputados representando as regiões, esta última com poder de veto para impedir determinadas propostas de lei de serem aprovadas prematuramente; e) finalmente, deve haver um governo central forte, que estaria encarregue de cumprir as decisões quer da legislatura, quer dos tribunais, bem como desenvolver políticas para todo o país.
Por isso, o pensamento político de Eduardo Mondlane tem que ser feito, parafraseando o documento supracitado, porque pode ser considerado a chave das suas ideias políticas, não só em virtude de ser o mais completo e rico em pormenores daquilo que ele sonhava vir ser Moçambique do futuro, mas também e, sobretudo, porque foi escrito em 1962, o ano em que nasce a Frelimo, tendo Mondlane se tornado o seu primeiro presidente. por isso é considerado um texto programático e fundacional. Na verdade, o documento em causa é escrito em Abril de 1962 e, dois meses depois, em Junho, a Frelimo, Frente de Libertação de Moçambique, é constituída formalmente como instrumento de pressão para a independência de Moçambique.
Nesta óptica, podemos afirmar, sem margem para dúvida, que Woodrow Wilson and the Idea of Self-Determination funciona como testamento do pensador que, nesse mesmo ano, vai dar lugar ao guerrilheiro. Este artigo é, portanto, portador das ideias e dos ideais que Mondlane quis ver aplicados num Moçambique independente. É assim que o primeiro parágrafo deste último artigo será o manifesto que o presidente da Frelimo colocará no seu livro de combate Lutar por Moçambique:
“É costume entre os Europeus e Americanos conceber todo o pensamento humano como derivado do pensamento Ocidental. Os não europeus, especialmente os africanos, são supostos como não tendo tido nenhuma contribuição para o pensamento moderno, excepto aquele adquirido no período colonial. Pelo contrário, os intelectuais africanos têm uma opinião muito diferente da dos europeus. Uma grande parte dos conhecimentos científicos e humanísticos foram descobertos e iniciados em África milhares de anos antes do desenvolvimento da civilização europeia. Quando os Europeus ainda vegetavam nas cinturas das florestas nórdicas, os Africanos do Norte estavam usando métodos complicados da matemática para dominar a técnica e o movimento das estrelas” .
Assim, no documento Woodrow Wilson and the Idea the Self-Determination of África, que Mondlane nos legou, a sua visão política mostra-se bastante próxima de um sistema político bastante descentralizado, com largos poderes para as bases, conseguidos através de um sistema federalista à semelhança do que acontecia nos Estados Unidos e, por conseguinte, bastante afastada do centralismo soviético. Na verdade, Mondlane depois de apresentar alguns princípios gerais para assegurar uma boa autodeterminação para a África moderna, admite o federalismo como resposta.
Para o fundador da nacionalidade moçambicana, “não existe liberdade dos povos sem liberdade dos indivíduos”. Quer dizer, a liberdade dos povos tem de ser a soma, se bem que não necessariamente aritmética, das liberdades individuais. É, por isso, que Liberdade e Democracia estão em Mondlane estreitamente ligados: “O mais básico princípio donde proveio a ideia de autodeterminação deriva das proposições do século dezoito, de que os governos devem apoiar-se no consentimento do governado, com a pretensão adicional de que, já que o homem é um animal nacional, o governo para o qual ele dará o seu consentimento é aquele que representa a sua própria nação” .
Portanto, fica a indicação de que a escolha do liberalismo, que a temática da liberdade nos moldes que temos vindo a descrever supõe, não se cinge numa preferência política, mas sim é consequência de uma visão do homem e da sociedade. Assim sendo, são os seguintes os princípios que, na óptica de Mondlane, deveriam presidir a constituição de um governo, verdadeiramente, democrático: “sistemas de governo que tivessem em conta, primeiro que tudo, os direitos humanos gerais; em segundo lugar, os direitos das várias secções geográficas, assim como os agrupamentos étnicos que compõem a maioria dos estados modernos de África. E, em conexão com estes princípios, Mondlane retoma a clássica divisão de poderes proposta por Montesquieu.
É esta partilha de poderes por vários órgãos independentes que permitirá uma maior transparência e, consequentemente, uma maior participação dos indivíduos, bem como um controlo mais eficaz sobre os detentores dos cargos públicos. Aliás, a colegialidade foi a nota dominante do exercício do seu mandato enquanto presidente da Frelimo.
Depois de descrever o seu sistema de governo e de indicar a sua finalidade, Mondlane termina o documento que temos vindo a citar, por uma definição da democracia: “Democracia é um sistema de Governo onde a sociedade é ordenada por meio de leis feitas e interpretadas por indivíduos que são, em última instância, responsáveis e renováveis na comunidade. Logo, apesar de afirmar o primado das leis que garantam um tratamento igualitário e justo, não descura a influência dos indivíduos que são, em última instância, os juízes dessas mesmas leis. E o indivíduo aqui é entendido nas suas várias manifestações e especificidades individuais concretas”.

Fontes:

Ronguane, Samuel. Pensamento Político Liberal de Eduardo Mondlane;
Graça, Borges Pedro. O projecto de Eduardo Mondlane”, Edição da Universidade Técnica, 2000;
Mondlane, Eduardo. Woodrow Wilson and the ideia of self Determination in Africa; Boston, 1962;
José, Alexandrino. (Nota introdutória de)in: Lutar por Moçambique de Eduardo Mondlane, Edição dos CEA.
José Belmiro - O PAÍS – 03.02.2009
NOTA:
A melhor homenagem que podemos prestar a Eduardo Mondlane é aprofundarmos o estudo sobre a sua vida e pensamento.
Eu, por exemplo, gostaria de saber como foi possível a Frelimo transformar-se num movimento tribalista e marxista apóa a morte de Mondlane.
Também gostava de saber todos os pormenores sobre a morte de Mondlane, a história da Frelimo não é fiável, so recentemente ficamos a saber que a bomba que vitimou Mondlane afinal deflagrou em casa de Betty King.

África do Sul



A Juíza Leona Theron adiou ontem o julgamento de Jacob Zuma para o dia 25 de Agosto, isto é, depois das próximas eleições, quando Zuma já for Presidente. Sendo assim, vários cenários são possíveis, mas subsistem muitas dúvidas se alguma vez iremos saber a verdade sobre o possível envolvimento de Zuma em graves casos de corrupçâo.
Entretanto, o Presidente Kgalema Motlanthe vai amanhã ao Parlamento onde deverá falar do Estado da Nação (certamente vai dizer que é muito bom) e divulgar a data das próximas eleições.

Wednesday, 4 February 2009

Um vídeo emocionante



( Roubado de carlinha1959.multiply.com )

Tuesday, 3 February 2009

Uma história mal contada


Cidadão português “manda passear” Pacheco

Um cidadão português que residia, ilegalmente, na Beira, onde trabalhava, supostamente, no Município, está a contas com as autoridades moçambicanas, por ter violado um despacho exarado pelo ministro do Interior, José Pacheco, que o interdita entrar, em Moçambique, por um período de 10 anos.
Trata-se de Alexandre Júnior, de 55 anos de idade, mais conhecido por Alex, que, em Agosto do ano passado, foi expulso de Moçambique, alegadamente, por não possuir autorização para fixar sua residência.
Segundo dados em poder do A TribunaFax, nos últimos quatro anos, Alex era visto, constantemente, no edifício do Conselho Municipal da Beira, CMB, onde trabalhava, presumivelmente, exercendo funções de assessor do presidente daquela autarquia, Daviz Simango.
O Jornal apurou que Alex partilhava um apartamento com outros assessors do edil da Beira e era tratado como chefe, por funcionários daquela edilidade.
“Alex trabalhava na área do Marketing e Imagem do CMB e, embora não tendo firmado contrato de trabalho, auferia salários, no Município”, contam fontes do CMB, que solicitaram anonimato.
Contra todas as expectativas, nos finais de Julho de 2008, Alex foi detido, pelas autoridades policiais de Sofala, acusado de residir, ilegalmente, em Moçambique. Na altura da sua detenção, Alex foi encontrado na posse de documentos que o atribuíam as nacionalidades portuguesa e angolana.
Também, estava na posse de um certidão de nascimento falso, que o identificava como natural de um dos distritos da província de Zambézia e uma declaração passada, pelo CMB, que o autorizava a tratar uma outra certidão de nascimento, como tendo nascido na cidade da Beira.
Das investigações feitas, apurou-se que Alex já residiu na Holanda, onde se formou num curso de televisão.
Em Agosto do ano passado, as autoridades moçambicanas concluíram que Alex era de nacionalidade portuguesa, vivia, ilegalmente, em Moçambique, dai que foi expulso e repatriado para o seu País de origem.
Quando das investigações, o CMB negou, a pés juntos, que Alex fosse seu funcionário, exercendo funções de assessor de Simango. O chefe dos Recursos Humanos negou, igualmente, que aquele português tenha auferido salários, no Conselho Municipal da Beira.
Alex havia sido repatriado para o seu País, mas, volvidos dois meses depois da sua expulsão, regressou, a Moçambique, com documentos falsos e, na cidade da Beira, está detido, nas celas da Polícia de Investigação Criminal, PIC, onde decorrem investigações para a posterior remissão do processo, ao Ministério Público, instituição que vai encaminhá-lo, ao Tribunal, onde o cidadão português será julgado, acusado de uso e falsificação de documentos.
Para entrar novamente, em Moçambique, Alex obteve dois vistos de entrada, nas fronteiras de Ressano Garcia, em Maputo e na de Machipanda, em Manica. “Alex foi detido na posse de um passaporte falso e dois vistos de permanência, em Moçambique, cujo prazo expirou”.
A directora dos Serviços de Migração, em Sofala, Maria Hamede, confirmou a detenção de Alex, por ter sido surpreendido com documentos falsos e dois vistos de permanência, em Moçambique, mas que se encontravam fora do prazo. De acordo com Maria Hamede, os vistos foram forjados, dai que aquele cidadão vai ser julgado e responderá pelos crimes de que lhe são acusados.
Usando das competências que lhe são conferidas, pelo nº 4 do artigo 36 do Decreto 38/2006, de 27 de Setembro, o ministro do Interior exarou o despacho que interdita Alexandre Júnior de voltar à Moçambique, por um período de 10 anos, mas este conseguiu voltar à “Pátria Amada”, violando, deste modo, a medida de Pacheco.
“O caso foi entregue à Procuradoria Geral da República e, ao que tudo indica, depois de julgado, Alex sera repatriado, novamente, para Portugal”. Alexandre Júnior foi detido, no dia 1 de Dezembro de 2008, no luxuoso bairro do Macuti, na cidade da Beira, a partir de onde a Polícia da República de Moçambique, PRM, já tinha informações das suas movimentações clandestinas”.

( A TribunaFax, de 19/01/09 )
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Cidadão português detido pela segunda vez na Beira

Contradições em volta da detenção de assessor de Daviz Simango


Encontra-se detido na cadeia de Savane, na cidade da Beira, província de Sofala, um cidadão de nacionalidade portuguesa acusado de tentar adquirir ilegalmente a nacionalidade moçambicana. Assessor directo do presidente do Conselho Municipal da Cidade da Beira, o referido cidadão, identificado por Alex Júnior, aguarda julgamento no meio de contradições entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Consulado Português na cidade da Beira. No dia 19 de Agosto de 2008, Alex Gonçalves Júnior, de 55 anos de idade, foi acusado pelas autoridades moçambicanas de permanecer ilegalmente no país, facto que deu lugar ao seu repatriamento. Passados sensivelmente dois meses e meio, Júnior regressou para junto da companheira e do filho recém-nascido, ambos de nacionalidade moçambicana, residentes na cidade da Beira. O assessor de Daviz Simango voltou a ser detido nos finais do mês de Dezembro último, desta vez não só sob acusação de permanência ilegal no país, mas também indiciado de tentativa de obtenção ilegal de nacionalidade moçambicana. De acordo com a Polícia, a detenção de Gonçalves Júnior aconteceu na sequência de indícios que apontavam que ele preparava-se para contrair matrimónio com a sua companheira, apenas identificada por Maria.O casamento civil, segundo a Polícia, estava marcado para o dia posterior à sua segunda detenção, algo que, se se tivesse consumado, teria-lhe proporcionado a obtenção da nacionalidade moçambicana, mas de forma ilegal. As autoridades policiais referem que apreenderam dois vistos de entrada na posse do cidadão português, um obtido na fronteira de Ressano Garcia, em Maputo, e outro na fronteira de Machipanda, província de Manica. O chefe das relações públicas do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Feliciano Dique, garantiu que o cidadão Alex permanece no país ilegalmente visto que não possui nenhum documento que lhe credencia a legalidade de permanência.Medidas administrativas, segundo Dique, obrigaram que ele fosse repatriado, mas depois foi visto novamente a circular na cidade da Beira, em menos de três meses. Dique acrescentou que o processo que neste momento corre poderá culminar com a expulsão daquele estrangeiro.“Não está ilegalmente em Moçambique”, consulado português.Por seu turno, o cônsul-geral de Portugal na Beira, José Rosa, disse ao SAVANA que o seu compatriota é portador de passaporte e visto de entrada legal e válido.O cônsul acrescentou que a directora dos serviços de migração de Sofala, Maria Hamede, exibiu-lhe a documentação de Alex. No seu entender, Alex deve ter sido detido por ter desafiado a medida de expulsão tomada pelo Ministério do Interior, em acto assinado pelo respectivo ministro, José Pacheco.De acordo com aquele diplomata, a medida do ministro impede o cidadão português de pisar o solo moçambicano durante 10 anos consecutivos, a contar a partir de Novembro passado. Na conversa que diz ter mantido com o seu compatriota, o cônsul diz que ficou a saber que a pessoa dos serviços de migração que executou o documento da expulsão não deu a conhecer a decisão a Alex. José Rosa desconfia que tenha sido por desconhecimento que Alex voltou ao país.O consulado contactou um advogado na Beira, através do Instituto do Patrocínio de Assistência Jurídica (IPAJ), enquanto que um outro advogado na cidade do Maputo está a tratar da situação junto do Conselho de Ministros e do Tribunal Supremo.

( Eurico Dança, no Savana de 30/01/09 )
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NOTA
Esta história está muito mal contada e é necessário que se saiba a verdade, pois este caso mexe com a nossa consciência colectiva.
Voltarei a este assunto numa das próximas postagens, mas, levantando um pouco o véu, deixo já aqui a ideia de que o Alex tem direito à nacionalidade moçambicana e que este é um caso de oportunismo político, abuso de poder e dualidade de critérios.

Monday, 2 February 2009

Dead Aid




Why Aid Is Not Working and How There Is a Better Way for Africa

Dambisa Moyo

In the past fifty years, more than $1 trillion in development-related aid has been transferred from rich countries to Africa. Has this assistance improved the lives of Africans? No. In fact, across the continent, the recipients of this aid are not better off as a result of it, but worse—much worse.
In Dead Aid, Dambisa Moyo describes the state of postwar development policy in Africa today and unflinchingly confronts one of the greatest myths of our time: that billions of dollars in aid sent from wealthy countries to developing African nations has helped to reduce poverty and increase growth.
In fact, poverty levels continue to escalate and growth rates have steadily declined—and millions continue to suffer. Provocatively drawing a sharp contrast between African countries that have rejected the aid route and prospered and others that have become aid-dependent and seen poverty increase, Moyo illuminates the way in which overreliance on aid has trapped developing nations in a vicious circle of aid dependency, corruption, market distortion, and further poverty, leaving them with nothing but the “need” for more aid.
Debunking the current model of international aid promoted by both Hollywood celebrities and policy makers, Moyo offers a bold new road map for financing development of the world’s poorest countries that guarantees economic growth and a significant decline in poverty—without reliance on foreign aid or aid-related assistance.
Dead Aid is an unsettling yet optimistic work, a powerful challenge to the assumptions and arguments that support a profoundly misguided development policy in Africa. And it is a clarion call to a new, more hopeful vision of how to address the desperate poverty that plagues millions.


Rebel with a cause: Dambisa Moyo

A global economic strategist at the investment bank Goldman Sachs in London, Dambisa Moyo formerly worked as a consultant at the World Bank in Washington DC. She grew up in Lusaka, Zambia, and studied economics at Harvard University and then (for a doctorate) at Oxford. Kofi Annan has praised 'Dead Aid', her first book, as a "compelling case for a new approach to Africa". Historian Niall Ferguson's response to it was that "This reader was left wanting a lot more Moyo, and a lot less Bono".
FONTES:www.theindependent.co.uk; www.dambisamoyo.org; www.oficinadesociologia.blogspot.com.

NOTA: Dambisa Moyo é uma prestigiada economista zambiana, educada em Oxford e Harvard, que questiona seriamente a ajuda massiva a África, apontando novos caminhos.


Sunday, 1 February 2009

Paradoxos dos nossos dias

Hoje temos casa maiores e famílias mais pequenas. Mais comodidades, mas menos tempo.
Temos mais diplomas, mas menos senso comum. Mais conhecimento, mas menos discernimento.
Temos mais especialistas, mas mais problemas. Mais medicina, mas menos vigor.
Gastamos imprudentemente. Rimos muito pouco. Guiamos muito depressa. Zangamo-nos demasiado e muito facilmente. Ficamos acordados até muito tarde. Lemos muito pouco. Vemos demasiada TV. E rezamos muito raramente.
Multiplicamos as nossas posses, mas reduzimos os nossos valores.
Falamos demais, amamos de menos e mentimos muitas vezes.
Aprendemos a ganhar dinheiro, mas não a vida.
Acrescentámos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos.
Temos prédios maiores, mas fervemos em pouca água. Estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos.
Fomos à lua e voltámos, mas temos dificuldade em atravessar a rua para nos encontrarmos com os nossos vizinhos. Conquistámos o espaço sideral, mas não o espaço interior. Cindimos o átomo, mas não os nossos preconceitos.
Escrevemos mais, aprendemos menos, planeamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a ter pressa, mas não a esperar. Temos maiores salários, mas menos ética.
Construímos mais computadores para conter mais informação, para produzir mais cópias, mas comunicamos menos.
Temos demasiada quantidade, mas qualidade a menos.
Estes são tempos de comida rápida e digestão lenta. Homens altos e baixeza de carácter. Mais lazer e menos divertimento. Mais tipos de alimentos, mas pior nutrição.
Dois salários, mas mais divórcio. Casas mais luxuosas, mas lares desfeitos.
Por isso eu proponho que, a partir de hoje, não guardes nada para uma ocasião especial, porque cada dia que vives é uma ocasião especial. Busca o conhecimento, lê mais, senta-te à tua porta e admira a vista sem prestar atenção às tuas necessidades. Passa mais tempo com a tua família e amigos, come as tuas comidas favoritas e visita os lugares de que gostas. A vida é uma cadeia de momentos de prazer, e não apenas sobrevivência. Usa os teus copos de cristal, não poupes o teu melhor perfume e usa-o sempre que te apetecer. Retira do teu vocabulário frases como " um dia destes " e " qualquer dia ". Vamos escrever essa carta que pensamos escrever " um destes dias ". Vamos dizer à nossa família e amigos o quanto gostamos deles. Não adies nada que te traga risos e alegria à tua vida. Cada dia, cada hora e cada minuto é especial, e não sabes se não vai ser o teu último.


( Autor desconhecido, recebido via e-mail. )