Monday, 15 July 2013

Agentes da FIR fazem-se passar por homens da Renamo e assaltam civis

Detidos em Manica
O comando da PRM em Manica não confirmou o facto, mas alguns agentes da corporação reiteraram o facto
Cinco agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR) encontram-se en­carcerados no seu quartel, no Bairro 7 de Abril, no Chimoio, província de Manica, acusados de se fazerem passar por homens armados da Renamo e protago­nizarem assaltos a civis na Estra­da Nacional número 1 (EN1).
Trata-se de elementos envolvi­dos no contingente policial que se encontrava em serviço de guarni­ção no posto de controlo de trá­fego e mercadorias de Inchope, no distrito de Gondola, afectos àquele unidade desde finais do ano passado, altura em que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, fixou-se em Santungira, no posto administrativo de Vunduzi, distri­to de Gorongosa, Sofala.
Fazendo aproveitamento da si­tuação e violando a missão para que foram incumbidos, os agen­tes, envergando roupa civil e em­punhando armas de fogo, simu­laram assaltos na região de Muda Serração, a aproximadamente 10 quilómetros do posto de Inchope.
O comando provincial da PRM de Manica continua a gerir sigi­losamente esta informação. Por isso, negou ter havido detenção de elementos da FIR.
“A polícia não tem nenhuma informação à volta de uma pro­vável detenção que envolva mem­bros da FIR e, se tivéssemos tido, não estaríamos a nos pronunciar porque estas atitudes não dignifi­cam a corporação e não teríamos porquê escondê-los”, disse o chefe do Departamento de Relações Pú­blicas do Comando Provincial da PRM em Manica.
Fontes da corporação em Mani­ca confirmaram à nossa equipa as detenções. De acordo com o nosso inter­locutor, cinco elementos da FIR foram detidos em consequência deste acto. Questionados sobre motivos pelos quais o Comando da PRM preferiu não se pronunciar, as fon­tes garantiram que há receio de que esta informação venha causar impacto negativo, numa altura em que o país vive momentos de tensão.



Saturday, 6 July 2013

Eliminam-se os mitos sobre a origem da Marrabenta

O segundo “workshop” sobre a origem e a evolução da Marrabenta, entre 1930 e 2012, que no dia 21 de Junho juntou estudiosos sobre o assunto, na cidade de Maputo, afasta, por completo, a possibilidade de esse género de música ter sido criado por Dilon Djindje como ele, reiteradas vezes, reivindicou. As pesquisas não revelam fundadores, mas dão conta de que houve precursores e promotores.
Uma mostra documental do director do Instituto de Investigação Sociocultural, o pesquisador João Vilanculo, explica que na segunda metade do século 19, a cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, regista um desenvolvimento económico, ao mesmo tempo que se configura um importante centro político-administrativo.
Nessa época, entre 1950 e 1960, criam-se os primeiros dois planos de fomento económico que promoveram a migração de cidadãos portugueses para a colónia de Moçambique, incluindo a realização de investimentos para a pequena indústria alimentar, as fábricas têxteis, de utensílios domésticos e no campo dos Portos e Caminhos-de-ferro.
Mas antes, ao longo da década de 1930, o franco investimento na urbanização, além de estimular o êxodo rural, a deslocação de populações do campo para a cidade, estimulou o surgimento dos bairros suburbanos de Maxaquene, Munhuana, Mafalala, Chamanculo e Chinhambanine.
O assentamento das populações na cidade, como resultado do sistema colonial, fez-se em função da cor e da raça da pessoa. Assim, os bairros da Polana e Ponta Vermelha são, predominantemente, ocupados por cidadãos europeus, enquanto o Central (que fazia a transição entre a zona da elite, urbanizada e o subúrbio pobre em que habitavam os negros) era ocupada por asiáticos.
Da convivência no mesmo espaço entre os negros moçambicanos, asiáticos e europeus resultou uma mestiçagem que, de acordo com os pesquisadores, contribuiu para o desenvolvimento e divulgação da Marrabenta. Na altura, os fazedores desta música que utilizavam o Xigogogwani/ Xibavane, um instrumento artesanal que nos recorda a viola, começaram a ter ferramentas musicais modernas e sofisticadas, ao mesmo tempo que frequentavam os bailes e as casas de pasto na cidade.
Sobre a mesma discussão, outro aporte é feito pelo jornalista e escritor moçambicano, Samuel Matusse, citado por Vilanculo, que refere que o nome do género provém do vigor (rebentar) que a dança insere. Em conversa com o instrumentista Moisés Manjate, do Conjunto Djambo, o académico Rui Laranjeira, mais uma vez, apurou que o nome Marrabenta tem a ver com a maneira de dançar e de tocar a guitarra até arrebentar as cordas. Por exemplo, Moisés Manjate afirma que enquanto decorriam os concertos, a dado momento, podia- -se ouvir dizer frases como “rebenta o fio”.
Comungam do mesmo argumento personalidades e artísticas como o músico João Domingos que relaciona a origem do termo Marrabenta ao rebentar das cordas da viola, em virtude da forma vigorosa com que se toca o instrumento, bem como o escritor e professor de literatura Calane da Silva que fala da mestiçagem cultural entre as línguas portuguesa e bantu para a formação da palavra.
É importante notar que no “wokshop”, João Vilanculo explicou que o músico Dilon Djindje assegura que o termo Marrabenta surgiu entre o distrito de Marracuene e Bobole. Por outro lado, no seu estudo, o director do Instituto de Investigação Sociocultural, João Vilanculo, propõe uma estrutura hierárquica constituída por dois grupos de actores na história da origem e evolução da Marrabenta.
Entre os precursores do género encontram-se Fani Mpfumo que fez a primeira gravação musical entre 1947 e 1955 na África do Sul; Mahecuane que registou o disco “Yi Xibalo Muni Makhandene”, na Gallo Recording, no mesmo país, em 1945; Alexandre Langa, o autor das composições “Hoyo Hoyo Masseve” e “Hosi ya Kandonga vai Khomile”; Dilon Djindje que criou a canção “Ni Djula Maria va ni Khomba Tereza” e, por fim, os Conjuntos Djambo e João Domingos que, a partir de 1950, interpretaram a composição “Elisa Gomara Saia”.
No segundo grupo, o dos promotores, mencionam-se o Grupo RM, os músicos Wazimbo, Stewart Sukuma, Neyma Alfredo, entre outros.

Influências estrangeiras

Em relação às influências que o dito género sofreu ao longo dos anos, o escritor e músico Hortêncio Langa considera que a Marrabenta é um fenómeno de migração sonora das zonas rurais para as cidades. Diz que o Xigogogwane foi um instrumento com base no qual muitos tocadores dessa criação musical iniciaram as suas carreiras em Gaza.
De acordo com Langa, a adopção de novos elementos musicais por parte das comunidades rurais resulta do processo da aculturação, em que os músicos mesclavam o seu canto, as suas melodias e ritmos tradicionais, com os sons dos instrumentos assimilados. Por exemplo, a assimilação da guitarra no campo proporcionou aos cantores novas formas de expressão artística na criação da Majikha e a sua dança.
O compositor e intérprete da música “Lirhandzo”, Hortêncio Langa, afirma que “com a migração das populações das zonas rurais do sul de Moçambique para as grandes cidades em busca de oportunidades de trabalho ou para cumprir o “Xibalo”, nas décadas de 1940/50, as canções, os ritmos e formas de tocar dos músicos oriundos daquelas regiões fundiram-se às práticas musicais urbanas”.
Nessa época a gravação de algumas composição do género Majikha, sobretudo por parte dos moçambicanos que migraram para a África do Sul, foi o factor que contribuiu para a sua difusão. De uma ou de outra forma, a Marrabenta é um género musical que sofreu e sofre a influência da música estrangeira.
Agnelo Navais, que se refere a músicos como Young Issufo, Jazz Band, João Domingos, Orquestra Djambo, Conjunto Harmonia, cuja produção musical tem tonalidades de blues, jazz, swing, rumba, samba, afirma que a outra característica das músicas dessas bandas é o uso de instrumentos de sopro que era muito típico na época, “o que nos dava a impressão de estar diante de uma música de marcha, uma banda militar, onde se sente muito o rufar dos tambores e a secção de sopro que era dominante”.
Além do mais o facto de o próprio Fani Mpfumo ter vivido na África do Sul fez com que a sua música carregasse rastos dos géneros Kwella, Simandjemandje e Jive entre outras músicas daquele país.
Nos dias actuais, a Marrabenta produzida pelo Projecto Mabulo e por artistas como Stewart Sukuma, Mingas, Neyma Alfredo, Anita Macuácua, Lorena Nhate e muitos outros inclui marcas da música Rap, Jazz e do Ragga.
De uma ou de outra forma, Agnelo Navais afirma que apesar destas influências é importante notar aqui que “essas músicas não perderam a sua base rítmica, principalmente, no que diz respeito ao toque ou ao compasso dos instrumentos como a bateria e a viola-baixo, onde o ritmo do bombo é contínuo, e a “caixa da ré” acentua em cima do quarto tempo”.



A Verdade

Monday, 1 July 2013

Cirurgia de uma intolerância: Entre o Governo e a Renamo

O novo espectro de uma nova guerra civil em Moçambique, entre o Governo da Frelimo e a Renamo, o maior partido da oposição, reabre as feridas da intolerância entre dois ex-beligerantes que durante 16 anos semearam luto, dor e destruição que se acreditava terem sido sanadas em Roma, com a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), em Outubro de 1992.
Vinte e um anos depois, esse cenário parece ter voltado para a mesa dos moçambicanos, onde a ementa é a mesma dos dias sangrentos: Quem paga a factura, na generalidade, são cidadãos civis e indefesos.
Os donos do cardápio – Governo da Frelimo e a Renamo – vão usando argumentos parcos e ocos, para justificarem a intolerância e a arrogância do que ficou por se resolver na capital italiana ao fim de dois e intensos anos de conversações.

Ponto 1: “Homens armados”
Chancelaram e acordaram em Roma, o Governo da Frelimo, que tinha à testa o ex-Presidente Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama, que este último poderia manter uma segurança armada. Apesar do acordo, a Renamo não confiava numa segurança que não fosse a sua. Aliada a isso, uma das adendas do Acordo Geral de Paz(AGP) preconizava a incorporação de 15 mil homens por cada parte dos dois ex-beligerantes que se conflituaram, para a formação de um exército, o que não chegou a acontecer, alegadamente, por questões de natureza socioeconómica.
O país acabava de sair de uma guerra e entrava na rota da reconstrução e da reconciliação da grande família moçambicana. Na divisão que se pretendia equitativa, na destribuição de cargos altos no exército unificado, a Renamo foi acomodada, mas, gradualmente, foi reclamando que as suas altas patentes estavam a ser preteridas, isto é, compulsivamente passadas para a reserva.
No entanto, Afonso Dhlkama foi mantendo os seus “homens armados”, que rotativamente andavam entre Maputo e a sua antiga base central, em Gorongosa. O ex-Presidente Joaquim Chissano, mais dado à diplomacia, terá ordenado durante o seu mandato, após uma missão bem-sucedida de espionagem, uma operação de recolha de material bélico na posse daquele antigo movimento rebelde, facto que levantou as iras da Renamo.
Golpe dado, muito provavelmente, a Renamo ficou na retaguarda. Afinal de contas, a natureza belicista deste partido continuava intacta. Do lado governamental idem!
Ponto 2: Dossiê eleitoral
Desde a realização das primeiras eleições gerais e multipartidárias, em 1994, até as últimas de 2009, que a Renamo sempre proclamou a plenos pulmões que fora vítima de fraudes eleitorais, orquestradas pelos órgãos que organizam os pleitos eleitorais, no caso a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Desde a criação deste órgão, o mesmo foi obedecendo a critérios de paridade, com base na proporcionalidade de assentos na Assembleia da República (AR).
Porém, a Renamo, que gradualmente vai reduzindo os seus assentos na AR, e consequentemente na composição da CNE, acredita que o partido Frelimo – que detém agora a maioria qualificada no Parlamento – tem espaço alargado de manobra para prosseguir com as alegadas “fraudes”. E, deste modo, a Renamo ameaça boicotar os próximos pleitos eleitorais, como já o fizera nas primeiras eleições autárquicas, em 1998.
Outra descofiança da Renamo tem a ver com a sociedade civil nos órgãos eleitorais. Afonso Dlakhama não tem dúvidas de que enquanto o patrão continuar a ser o partido Frelimo, que também é Governo, ela não existe.
“Não é porque não reconhecemos a sociedade civil, não há condições para a sociedade civil porque todos, para viverem, o patrão é sempre a Frelimo. Ainda é cedo para a sociedade civil em Moçambique, talvez daqui a 20 ou 30 anos quando começarmos a ter as indústrias independentes, privadas, para também empregarem os intelectuais”. Estas palavras foram proferidas por Afonso Dhlakama na conferência de imprensa em Gorongosa.
Aquando da tomada de posse dos membros das Comissões Provinciais Eleitorais verificou-se que muitos dos membros da sociedade civil que estão presentes têm ligações umbilicais com o partido no poder, a Frelimo.

Ponto 3: Dhalkama regressa a Gorongosa
Com passagem por Nampula, onde se terá estabelecido depois das últimas eleições, o líder da Renamo, Afonso Dhlkama, regressou a Santhujira, na serra de Gorongosa, sua antiga base central durante os 16 anos da guerra civil.
De mimos em mimos, iniciados em Nampula ano passado, onde os “homens armados” da Renamo que estariam a criar terror em plena capital do norte, o exército acabou por pôr termo ao espectro de guerra que se vivia naquele ponto do país ao desbaratar aqueles ex-guerilheiros. Posto isto, Dhlakama desceu para o lugar aonde se sente como peixe na água: Gorongosa.
Ao que se sabe, Dhlakama terá ido às celebrações do 33º aniversário do passamento físico do movimento rebelde, que se assinala a 17 de Outubro. Foi de Gorongosa que Dhlakama anunciou que a partir de então estava de volta ao seu antigo “lar” e que de lá já não sairia, até que terminasse a exclusão social, económica e cultural de que a maioria dos moçambicanos tem estado a ser vítima em detrimento de uma minoria predadora, com acesso ao Estado e que tem estado a fazer acumulação de capital.
Acusado o golpe, o Governo tratou de mandar o exército para as cercanias da serra de Gorongosa, facto que exarcebou os ânimos da Renamo, que passou a fazer uma demostração de força, fazendo circular pela vila-sede de Gorongosa os seus “homens armados”, facto só igual em cenários hollywoodescos.
A 5 de Abril, em alegada retaliação de um ataque à sua sede, em Muxúnguè e detenção dos seus membros, os “homens armados”da Renamo atacaram uma unidade policial, onde foram mortos militares e, cinco dias depois, o próprio Dhlakama assumiu, a partir de Gorongosa, numa concorrida conferência de imprensa, ter sido dele a ordem do ataque.
Dois meses depois, mais concretamente a 17 de Junho, o caldo entornou-se com um assalto ao paiol de Savane, localizado na província de Sofala, centro do país, que foi invadido e atacado por homens armados, que mataram sete militares e levaram consigo diverso material bélico que as autoridades governamentais ainda não quantificaram.
O Governo atribuiu a autoria desse ataque aos “homens armados” da Renamo, que basicamente se encontram posicionados naquela província central do país, alegadamente para protegerem o seu líder Afondo Dhlkama, que se encontra baseado no distrito de Gorongosa.
Na quarta-feira da semana passada, a Renamo convocou uma conferência de imprensa para dar a conhecer aos moçambicanos e ao mundo que não tinha nada a ver com o referido ataque e que iria encerrrar a estrada nacional número 1, a principal estrada do país que liga o sul ao norte, num troço de cerca de 200 quilómetros, alegadamente para “alargar o perímetro de segurança do presidente Dhlkama”.
Em consequência destas declarações, proferidas pelo brigadeiro Jerónimo Malagueta, este acabou por ser detido pelas autoridades, alegadamente por colocar em causa “a ordem pública e a segurança”.
Esta semana, voltaram a registar-se cenários de ataques e o transporte, na rota rio Save a Muxúnguè, está a ser condicionado por colunas militares, fazendo lembrar os anos oitenta a noventa. Durante as celebrações da independência nacional, esta quarta-feira, o Presidente Guebuza, falando na Praça dos Heróis, disse estar disposto a conversar com Afonso Dhlakama, mas que este se tem furtado a tal encontro. “Ele é que escapa a esses encontros” disse o chefe de Estado, que é igualmente presidente da Frelimo.

Ponto 4: Negociações da intolerância
Desde Dezembro passado que o Governo e a Renamo têm estado em negociações com vista a resolver as reivindicações deste que é o maior partido da oposição no país. As primeiras quatro rondas foram realizadas numa estância turística em Maputo – Indy Village – e naturalmente pagas pelo erário e não produziram nenhum consenso. Chegavam a durar um dia inteiro, com intervalos para cafés e almoços. O diálogo ensurcedor, entre as partes, acabou por marcar a rotura das mesmas, tendo mais tarde sido reatadas depois de o espectro de guerra se ter tornado uma triste e dura realidade.
O Governo não está a ceder às pretensões da Renamo no tocante ao dossiê eleitoral, alegadamente porque quem tem competências para o fazer é o Parlamento, onde a Frelimo tem uma maioria qualificada.
Nesta onda de intolerância, de recusa de cedências de parte a parte, o país vai resvalando para um mar de incertezas, de clima de terror, para gáudio da arrogância de quem possa (re)colocar o país no concerto da nações.



Luís Nhanchote , A Verdade

Sunday, 30 June 2013

Guebuza-Dhlakama próxima semana em Maputo

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, está disposto a reunir-se com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, num encontro que deverá ocorrer próxima semana na capital do país, Maputo.O facto foi anunciado no princípio da tarde de hoje, no palácio presidencial, em Maputo, pelo Conselheiro e Porta-Voz do estadista moçambicano, Edson Macuácua.
“No prosseguimento da sua abertura dentro do diálogo com a Renamo, sua excelência o Presidente da Republica, Armando Guebuza, está disposto a manter um encontro com o dirigente da Renamo, próxima semana, na cidade de Maputo”, disse Macuácua.
De acordo com a fonte, o Presidente Guebuza mandatou a delegação do governo, chefiada pelo Ministro da Agricultura, José Pacheco, para criar condições que resultem na efectivação deste encontro ao mais alto nível.
A agenda do frente-a-frente entre o Presidente Guebuza e o Líder da Renamo será, segundo Macuácua, fixada no quadro da preparação que será feita pelas delegações do Governo e da Renamo que voltam a estar à mesma mesa esta Segunda-feira.
Macuácua anunciou ainda que no encontro de Segunda-feira o governo vai apresentar um ponto prévio que é a desmilitarização da Renamo.
“O Governo vai apresentar no encontro de Segunda-feira um ponto prévio que tem a ver com a desmilitarização da Renamo, para que este movimento se conforme com o quadro de um Estado de direito democrático que regula as actividades dos partidos políticos no país”, frisou Edson Macuácua, nesta sua primeira intervenção na qualidade de Conselheiro e Porta-voz do Presidente Guebuza.
O Presidente Guebuza nomeou, há sensivelmente duas semanas, Edson Macuácua, para este cargo.
Ficou também decidido que esta individualidade passe a fazer pronunciamentos regulares à imprensa em nome do Chefe de Estado.
Para alem de ter sido deputado da Assembleia da Republica, o parlamento moçambicano, Macuácua já exerceu as funções de Porta-Voz do partido governamental, a Frelimo, e de Secretário do Comité Central deste partido para a área de Mobilização e Propaganda.



(RM/AIM)

Xiconhoquices da semana: Diálogo de surdos e a morte de cidadãos indefesos; Camiões do lixo...

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

Diálogo de surdos e a morte de cidadãos indefesos
Os ataques dos homens armados são, de qualquer ângulo de visão, uma Xiconhoquice. Nada justifica a morte de civis, mas nada mesmo. A Renamo, se assim quiser, pode atacar quartéis para pressionar a Frelimo, mas usar pessoas indefesas como escudo não se justifica. A ideia, dizem, é aumentar o círculo de segurança de Dhlakama.
Se a ideia é proteger o líder do partido como é que deixam que as Forças Armadas exibam os músculos no local onde foi proibida a livre circulação de pessoas e bens? Quando morrem civis porque não se reivindicam os ataques? O que o silêncio da Renamo, em relação aos mortos, quer dizer? Como é que ataques contra civis não fazem parte das agendas dos encontros entre a Frelimo e a Renamo? De que valem esses encontros se não servem para resolver a questão da livre circulação de pessoas e bens?
Será que estamos diante de um diálogo de surdos ou de um teatro do engano? A sétima ronda de negociações terminou sem acordo. Dizem-nos que a divergência reside na assinatura da acta em torno do pacote eleitoral. Se a Frelimo ganhou sempre as eleições de forma limpa o que lhe custa tornar o processo mais transparente? Temos de morrer por causa do pacote eleitoral?

Camiões do lixo alugados pelo município da Matola
Uma Xiconhoquice que vai custar nove milhões aos cofres do município da Matola. Ou seja, o edil interino vai alugar carros para resolver o problema do lixo naquela urbe. Um olhar desatento pode concluir que se trata de uma grande medida, mas para quem usa óculos com graduação anti-xiconhoquices não embarca nesse gasto irresponsável de dinheiro público.
Não podemos, contudo, afirmar que se trata de um esquema congeminado no esgoto da sacanice. No entanto, é algo que não cheira bem e que não pode, de forma alguma, livrar-se do rótulo de Xiconhoquice maior. O anúncio feito na televisão pública com pompa e circunstância visava, em última análise, mostrar um trabalho que assalta vergonhosamente o bolso do contribuinte.
Livrar-se de Nhancale, embora faltasse muito pouco para terminar o mandato, foi um golpe de sorte que deixou qualquer matolense feliz. Só que ninguém esperava que no seu lugar fosse colocada uma direcção igual ou muito mais incompetente.
Num período de seis meses alguém vai encaixar nove milhões de meticais para recolher lixo numa cidade que, de certeza, continuará tão porca como agora. Esse roubo premeditado será protagonizado por viaturas em segunda mão que podem ser encontradas em qualquer garagem da província de Maputo.
Com 300 mil dólares é possível adquirir, no Japão, pelo menos 7 carros iguais ou de melhor qualidade. Será que é necessário gastar dinheiro público de forma irresponsável e criminosa? Há com cada Xiconhoquice no país da impunidade…

"Penalização" aos médicos grevistas: Estão a alistar alguns no SMO
Quanto custa uma greve no país das xiconhoquices? O alistamento no Serviço Militar Obrigatório. É isso que acontece com os médicos que aderiram ao chamamento da Associação Médica de Moçambique. Uma das mensagens que recebemos dando conta da Xiconhoquice é clara: “No âmbito do Serviço Militar Obrigatório, estão a recrutar médicos recém-graduados e alguns grevistas em Sofala. Em Maputo existe uma lista de médicos a serem recrutados que inclui membros da Direcção da Associação Médica de Moçambique.
Há duas coisas que devem ser ditas. A primeira é que nenhum cidadão está isento de cumprir o serviço militar. Ou seja, ninguém está acima da lei. A segunda é que a forma e o momento escolhido para alistar os médicos levanta suspeitas e deixa transparecer a ideia de vingança pela greve. Um país não pode ser gerido dessa forma.
É perigoso e pode colocar em causa a nossa democracia. Portanto, o que torna este alistamento compulsivo uma Xiconhoquice é a intenção por detrás da acção. É o desejo de vingança que norteia o acto. Num país com défice de pessoal da Saúde é totalmente contraproducente privar a população de médicos por birra ou vingança.
O tempo que o médico vai levar a correr para pagar pela afronta de reivindicar direitos vai semear luto e a culpa será do Governo. Não se pode brincar com a saúde das pessoas para mostrar força. Isso não. É um crime hediondo e uma Xiconhoquice para adornar a folha de incompetências de quem manda no país de forma tão abjecta.



A Verdade

DIÁLOGO GOVERNO/RENAMO - Observatório sugere encontro ao alto nível




O OBSERVATÓRIO Eleitoral foi ontem ao gabinete de trabalho do Presidente Armando Guebuza, em Maputo, propor-lhe a realização de um encontro com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para ao mais alto nível buscarem as soluções para os problemas que afectam o país, com destaque para a questão da insegurança que se regista na zona centro.
               
Em declarações à Imprensa à saída da audiência, o bispo Dinis Matsolo disse que a ocasião permitiu ainda um momento para uma reflexão conjunta sobre a situação que o país vive, caracterizado por uma tensão política, que já se traduziu na morte de pessoas e destruição de bens.
“Julgamos ser importante que, na medida do possível, houvesse um encontro directo entre o Presidente e o líder da Renamo para se encontrarem formas de se ultrapassar as diferenças prevalecentes”, afirmou o clérigo.
O Observatório Eleitoral, uma plataforma de várias organizações da sociedade civil, defendeu, igualmente, no encontro, a ideia de se achar com a máxima brevidade possível uma saída airosa no processo do diálogo. “Para nós está claro que é preciso investir no diálogo. Num diálogo real, um diálogo que produz resultados e dá os frutos que os moçambicanos desejam”, disse Dinis Matsolo.
Sobre se a situação de insegurança que se vive em algumas zonas de Sofala estaria ou não a afectar o processo eleitoral, ora em curso no país, Dinis Matsolo afirmou não haver dúvidas que quando se está numa situação de desavenças e não há concordância, na forma de fazer as coisas, isto afecta o processo normal do andamento das eleições. “Por isso, achamos que é importante que se encontre uma solução para que possamos avançar sem sobressaltos. Neste momento, as comunidades mostram-se reticentes porque as coisas não estão claras. Não se sabe se se vai ou não para as eleições. É importante que se encontre uma saída que mostre que o país está em paz e está tudo tranquilo para que as pessoas possam ir ao recenseamento”, acrescentou.
Para o Observatório Eleitoral, as eleições constituem um momento de festa e todos os moçambicanos devem participar nesta festa. “Agora, se alguém não participa por vontade própria, temos de respeitar isso, mas se alguém não participa porque existem desavenças que fazem com que essse alguém não participe, então temos de encontrar caminhos para se ultrapassar essas desavenças”, afirmou, comentando as ameaças já proferidas pela Renamo de se furtar aos próximos pleitos eleitorais. 
A “perdiz” decidiu não tomar parte das eleições autárquicas de 20 de Novembro, alegando não existirem condições materiais e legais para a realização do escrutínio. Para a Renamo, é necessário que se realize uma revisão da legislação eleitoral de modo a introduzir-se o princípio de paridade na constituição dos órgãos eleitorais, com destaque para a Comissão Nacional de Eleições (CNE). 



Notícias

Saturday, 29 June 2013

Somos carne de canhão

As negociações já duram há alguns meses. Por aquilo que se vê, a velocidade é mínima e o ritmo para alcançar consensos desarticulado. Numa primeira fase, fez-se uma trabalho de charme para dar a entender que no Indy Village estava a ser discutida uma solução para o país. No entanto, o que veio a acontecer nos últimos dias é algo que esvazia o sentido e a pertinência dos encontros e que indica estar-se perante uma farsa, cuja arquitectura visa entreter os moçambicanos.
Civis morreram e ninguém, salvo as acusações avulsas e a detenção de inválidos mentais, explica aos moçambicanos do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico o que está a acontecer com o país. Portanto, deixou-se a soberania praticamente ao arbítrio dos dois ex-beligerantes?
Constitui, no mínimo, obrigação do Governo usar todos os meios disponíveis para alertar os cidadãos sobre este tipo de intervenções que alteram o ambiente de actividade das pessoas. Não é indiferente aos nacionais morrer no HCM ou numa emboscada em Muxúnguè, pois ninguém nos informou que a paz foi relegada para o passado.
Para mais, o que sabemos é que se encontram no Centro de Conferências Joaquim Chissano para discutir o futuro do país e a liberdade dos moçambicanos. Portanto, quando a Renamo encerra temporariamente uma via deve transferir o conjunto de facilidades e referências para a via alternativa, de modo que os utentes saibam como proceder nas novas circunstâncias para alcançar os tradicionais resultados. A pretensa segurança de Dhlakama não nos pode impedir de circular pelo país.
A não ser que declarem, sem reservas, que somos um país em guerra. Se a ideia da Renamo era proteger Dhlakama e impedir a aproximação de elementos das Forças de Intervenção Rápida e das Forças Armadas, o mais lógico seria atacar alvos militares perfeitamente identificados e posicionados no troço que encerraram. Atacar civis, não nos parece uma grande ideia e, no nosso entender, esvazia a lógica de qualquer negociação.
Naturalmente que esta abordagem vai apontando o dedo ao maior partido da oposição, mas não quer isto dizer que a Frelimo, partido que dirige os destinos do país, não deva ter qualquer responsabilidade nestes atropelos ao nosso direito de sermos livres. Antes pelo contrário.
Tanto mais que deveria garantir maior transparência na gestão da coisa pública, impedir o enriquecimento dos filhos dos seus dirigentes e evitar que Valentina seja a versão moçambicana de Isabel dos Santos. Nada disso fez, porque o povo moçambicano não tem sido respeitado e quem tem qualquer cargo público neste rochedo à beira mar veste autoridade e dita as leis do lugar.
O que vai acontecendo neste país é o seguinte: Qualquer ministro pode criar uma empresa de construção e usar fundos públicos para reabilitar a rua da casa do amigo ou da amante, qualquer um director nacional pode fazer o mesmo sem problemas.
Portanto, com uma governação parasita é normal que o descontentamento ecloda. O que não é normal é que inocentes paguem pelos pecados de Guebuza e Dhlakama. Matem-se, mas deixem-nos fora disso...




Editorial, A Verdade

Friday, 28 June 2013

Dhlakama diz estar disponível para encontro com Guebuza

A Renamo manifestou a disponibilidade do seu líder, Afonso Dhlakama de manter um encontro com o Presidente Armando guebuza para se alcançar um acordo político para pôr um ponto final da tensão política que se vive no país nas últimas semanas.A vontade de Dhlakama foi expressa hoje em Maputo pelo porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, num encontro com jornalistas.
Segundo Mazanga, o partido Renamo está pronto ainda a acolher favorávelmente uma proposta do governo sobre a data e o local do eventual encontro entre o Chefe do Estado e Afonso Dhlakama.
Para já, o governo já manifestou o seu compromisso de continuar o diálogo que vem mantendo com a Renamo, tendo inclusivamente proposto que a próxima ronda se realize na próxima segunda-feira, dia 1 de julho, no Centro Internacional de Conferências Joaquim chissano.
Na última terça-feira, o Presidente Guebuza, falando a jornalistas, disse que sempre esteve disponível para um frente-a-frente com o líder do maior partido da oposição em Moçambique, sublinhando que “quem se furta a um encontro é Dhlakama”.
As acções armadas da Renamo na estrada nacional Nr. 1 e que estão na origem da situação tensa que se vive no país, particularmente na região centro, é interpretada por analistas como forma de pressão sobre governo para responder positivamente às suas exigências no diálogo em curso já há alguns meses.
A principal exigência da Renamo nesse diálogo é a alteração da lei eleitoral – já em vigor – de modo a assegurar uma representação por igual dos partidos políticos na Comissão Nacional de Eleições (CNE). A lei passou em Dezembro último sem o voto a favor na Renamo no parlamento.



RM

Sobre a indolência da nossa razão e a urgência na tomada de posição

A alínea “a” do artigo 161 da Constituição da República reza taxativamente o seguinte: “ [No domínio da defesa nacional e da ordem pública, compete ao Presidente da República] ”
a) Declarar a guerra e a sua cessação, o estado de sítio ou de emergência.
Sendo assim, os moçambicanos [organizados em sociedade civil] não devem antecipar-se ao PR nem força-lo a tomar tal decisão.
Isto não quer dizer que os processos em curso pela busca da normalidade democrática e constitucional me agradem. Pelo contrário, enervam-me os progressos, os métodos e os resultados até aqui alcançados. Porém, não deixaria de fazer notar o desagrado que me causa o enquadramento que se dá a meras acções banditescas por alguma sociedade civil incluindo alguma mídia. O primeiro passo para a busca da paz é a própria serenidade e a sabedoria necessária para melhor enquadrar o que está a acontecer.
Para não alongar-me, queria dizer o seguinte
1. Que as TVs, rádios e jornais parem de reproduzir discursos vagos de apelo a Paz. As pessoas precisam focalizar as suas mensagens e contribuir com ideias concretas (o que fazer, como fazer) quando são abordadas. Prefiro que digam por exemplo: “Sr. Presidente Armando Guebuza, fale com Afonso Dhlakama para resolverem a questão militar; reconsidere a possibilidade de reintegrar as forças residuais ao sistema de pensão dos combatentes” ou “aceite por favor a proposta do princípio de paridade na representação política na CNE” ou “Sr. Dhlakama, reganhe o controlo de seus homens e ordene-os que parem de uma vez com os ataques a civis” ou “aceite a proposta do governo de tratar assuntos em sede própria e busque acordos políticos antecipados junto da Frelimo”. Este tipo de apelo denota não só o domínio dos assuntos que opõem a Renamo e Governo da Frelimo como também clarifica a tomada de posição concretas sobre o diferendo. Este tipo de mensagens também ajudaria os decisores a ter uma ideia concreta sobre a vontade geral dos cidadãos. Apelos generalistas e vagos como “A Paz é importante para o desenvolvimento do Pais, nós queremos a Paz” ou “O diálogo é o melhor instrumento para a solução de problemas”, bla, bla bla, só enerva-me porque na realidade são não-posições. São posições cobardes, de chico-expertos, que não querem tomar posições concretas porque cobardes que são, não querem ser mal vistos por qualquer das partes, mas também, não querem ficar calados decidindo assim fazer “barulho”. Eu gostaria saber dos membros da sociedade civil o que eles pensam. Não que “são pela paz” mas sim quais as soluções para a actual situação político-militar. Não reiterar “o diálogo como única saída” mas “o que deve sair deste diálogo; quais as decisões desejáveis que devem ser comprometidas por todos”. Gostaria de ouvi-los a dirigir mensagens concretas directamente aos envolvidos e não pregarem aos convertidos (o povo em gera da rua, que já conhece a situação em que vivemos). Gostaria de ver mensagens na TV e noutros médiuns dirigidas de forma clara a entidades específicas, com posições e roteiros específicos.
2. As marchas “pela paz” não fazem muito sentido na ausência de uma ideias concreta sobre como alcança-la. Se aos governantes falta uma luz, a sociedade civil deve emprestar esta luz com mensagens e um corpo de soluções arrojados. O tempo para influenciar é justamente este e não outro. Se não conseguem fazer isso, então não convoquem marchas e nem se dignem falar a mídia. Porque ao fazerem, contribuem cada vez mais para sedimentação do medo, da instabilidade emocional dos cidadãos e acima de tudo para o agravamento da situação.
3. SIM, queremos todos a paz. E todos estamos com medo do retorno a guerra. Mas não transformemos os nossos medos em realidade que mais desdenhamos. Esta não é altura do Medo e de cobardia. É altura da coragem e de determinação. Esta é altura para tomar posição e contribuir com ideias superadoras.
4. Quem não está apto para tomar posição deve abster-se em engajar em vozearia barata.
5. Vamos falar da paz SIM mas com propostas claras sobre, por exemplo:
a) Como efectivamente desmilitarizar a Renamo? Quais as possíveis saídas?
b) Será a paridade na representação política em órgãos de administração eleitoral melhor solução? Como garantir uma efectiva justiça eleitoral em Moçambique? Como aproveitar a próxima sessão extraordinária da AR para solucionar alguns dos assuntos pendentes?
c) Que saída para a reforma da lei eleitoral?
d) Como garantir eleições livres e justas?
É respondendo a estas perguntas que a Paz virá. É contribuindo com ideias e roteiros claros que poderemos ajudar aos até agora mentalmente “bloqueados” a encontrarem consensos.
Se um dia a sociedade civil tiver respostas/posições sobre estas questões, pode sim sair a rua e exigir a Paz. Sair a rua só para repudiar os ataques e reforçar a posição em prol da paz é no fundo comportar como eles. Que também querem a paz e são contra os ataques, mas à sua maneira; de acordo com seus princípios e razões. E foram exactamente as suas razões que nos levou até onde estamos hoje. Fujamos deste ciclo vicioso.


, Ideias de Moçambique

Governo de Moçambique envia tropas para combater ameaças da Renamo nas provincias

 


Na cidade da Beira no centro de Moçambique a população diz preocupada com pânico gerado com a presença de centenas de homens armados que chegaram hoje aquela cidade.
Movimentos de tropas foram confirmados hoje na cidade da Beira com a chegada de cerca de meio milhar de homens fortemente armados, como nos descreve o jornalista Constantino André da emissora católica, Rádio Pax.

O governo moçambicano nos seus esforços para conter alegados ataques da Renamo enviou centenas de efectivos militares e de armamento para a região centro do país.
Além das fontes da Voz da América, esta situação pôde igualmente ser confirmada em relatos de alguns jornais na internet.
O Jornal Verdade, na sua edição de ontem descrevia que as forças armadas teriam enviado efectivos e armamento para as províncias centrais de Manica e Sofala, e que tropas governamentais cercaram o aeródromo de Gorongosa estando cada vez mais próximas da região de Satunjira onde se encontra baseado o líder da Renamo. 

Moçambique e Portugal no topo da lista de melhores destinos turísticos

O portal de viagens Globe Spots, desenvolvido com o contributo de viajantes profissionais e amadores, nomeou Moçambique e Portugal como os dois melhores destinos turísticos de 2013, de entre uma lista de 10 países, recentemente divulgada.
Categorizando os países em três tipologias de viagens – clássica, aventura e “hardcore”, designadas, respectivamente, pelas cores verde, amarelo e vermelho, o Globe Spot divulgou, pelo quinto ano consecutivo, a sua lista de 10 melhores destinos turísticos, que se baseia na percepção dos seus utilizadores sobre “o que está a acontecer” no sector a nível mundial.
Com a cor verde, Portugal, e o seu “velho charme europeu”, ocupa o primeiro lugar da classificação e é apontado pelo portal como um país com “grandes pontos turísticos” e de “viagem conveniente”.
Figurando na segunda posição da lista com a cor vermelha, Moçambique é descrito como um destino ideal “para aqueles que estão dispostos a viajar para qualquer lugar”, e que estejam “fatigados” das excursões e safaris dos países vizinhos.
“Moçambique não é um país que possa ser explorado sem esforço (…). Felizmente, as longas viagens são facilitadas pela descontracção e pelo bom humor dos moçambicanos, que são uma das boa razões para visitar este país”, sublinham os autores da lista.
O Quirguistão, também com cor vermelha, é a terceira sugestão do portal, seguido, respectivamente, pelo Panamá (amarelo), Arménia (amarelo), Ruanda (amarelo), Cuba (verde), Ucrânia (amarelo), Malawi (amarelo) e Canadá (verde).




 (rm/macauhub)

Thursday, 27 June 2013

FIR é vigilante da Frelimo

Por Edwin Hounnou
Tomás Vieira Mário, comentador do programa televisivo da stv, Pontos de Vista, disse, na noite de domingo, 23 de Junho, que a Força de Intervenção Rápida, FIR, portou-se bem por não ter distribuído chicotadas e por não ter efectuado prisões aos manifestantes de repúdio aos ataques de supostos homens da Renamo, no troço Muxúnguè/Rio Save, no sábado, dia 22 de Junho. Constitui uma tentativa de enganar a opinião pública porque a FIR não teria permitido se essas manifestações tivessem sido convocadas pela oposição. Embora tivessem participado das manifestações líderes religiosos, elas foram convocadas, organizadas e dirigidas pelo partido governamental, por isso mesmo, a FIR não iria ferrar a mão ma quem lhe dá salários.  
Se essas manifestações tivessem sido convocadas pela oposição, a FIR teria usado bastões e jactos para dispersar os participantes e alguns teriam sido presos, como tem sido sua prática habitual. Até agora, não se conhece nenhuma manifestação da oposição foi autorizada, apesar de a manifestação não carecer da autorização de quem quer que seja. Qualquer administrador distrital, um presidente municipal pode proibir ou inviabilizar uma manifestação de um partido da oposição, alegando qualquer coisa como a sua ausência na autarquia ou não ter visto uma delegação desse partido defronte do seu nariz. Esta intolerância política extrema de governantes do partido no poder acontece um pouco por todo o país, com toda a impunidade.   
No nosso país, o direito à manifestação está, apenas, escrita na Constituição da República, mas, não se efectivam na prática. Quando tolerado, a polícia desvia a rota escolhida pelos organizadores. As autoridades gostariam que as manifestações fossem aos fins-de-semana e longe da sua vista. Fazem manifestações e marcham pelas ruas, sem serem reprimidas pela polícia, as organizações democráticas de massas da Frelimo, como a OJM, a OMM (ligas juvenil e da mulher) e outras similares geradas na mesma maternidade política. Enquanto a Frelimo continuar a comportar-se como proprietário do país, a FIR vai prosseguir a ostracizar a oposição ainda que esteja representada na Assembleia da República. Seria bom que a FIR respeitasse os moçambicanos como o faz em relação à Frelimo.
A violência política a que o povo, tantos os partidos políticos da oposição como os trabalhadores, é vítima tem em vista pôr a Frelimo acima de todos para se eternizar no poder, mesmo sem mérito, como ocorre neste momento. Hoje, assistimos uma escalada de violência militar exercida pela Renamo porque o governo da Frelimo se recusa a aceitar o óbvio e legal que é paridade nos órgãos eleitorais. Como os interesses empresariais privados individuais e de grupo falam mais alto que a vida do povo, na sua mensagem à Nação, pelos 38 anos de independência nacional, o Chefe de Estado não se referiu uma palavra de como pensa resolver o conflito armado instalado entre Muxúngue e Rio Save, que opõe o governo à Renamo.      

 

Tribunal reduz drasticamente acusações ao brigadeiro Malagueta

- Pesavam sobre Malagueta três acusações, nomeadamente morte de pessoas, destruição de bens e incitação à violência, tendo as duas primeiras caído em Tribunal, ficando a terceira sobre “incitação à violência”

Maputo (Canalmoz) – O Tribunal Judicial do Distrito Municipal de KaMpfumo ordenou, nesta quarta...-feira, a legalização da prisão do brigadeiro Jerónimo Malagueta, chefe do Departamento de Informação da Renamo, mas suprimiu as mais graves acusações, mantendo apenas a de "incitação à violência".
Assim, o brigadeiro Malagueta foi conduzido ainda na tarde desta quarta-feira para a Cadeia Central da Machava, município da Matola, onde vai aguardar o julgamento.
Malagueta foi conduzido para aquele tribunal pela primeira vez, onde foi ouvido à porta fechada, depois de ter sido detido na sexta-feira da semana passada, na sequência de uma conferência de Imprensa onde anunciou que a Renamo iria alargar o perímetro de segurança das suas forças de Muxúnguè a rio Save, para interditar a circulação de viaturas na Estrada Nacional N.º1, zona entre Rio Save e Muxúnguè, e a circulação de comboios na Linha de Sena e Marromeu.
Perante o juiz, pesavam sobre Malagueta três acusações, nomeadamente morte de pessoas, destruição de bens e incitação à violência.
Das três acusações, as primeiras duas (morte de pessoas e destruição de bens) foram retiradas.
Deste modo, Malagueta vai ser julgado por “incitação à violência”, uma acusação que a pena pode variar de 2 a 8 anos de prisão maior.
A próxima sessão, mas de julgamento, de princípio poderá ter lugar entre quarta ou quinta-feira da próxima semana.
A defesa de Malagueta está a trabalhar para nesta quinta-feira ou sexta-feira apresentar ao Tribunal um pedido de caução.
O anúncio foi feito no dia 19 de Junho. E dia seguinte, na zona de interdição, houve ataques que resultaram em mortes e feridos. Pouco depois, o brigadeiro da Renamo foi detido e acusado pelo Governo de atentado contra a segurança do Estado, tentativas de interdição de circulação de pessoas e bens naquela região, morte de pessoas e incitação à violência, acusações essas que o Ministério Público resumiu em três.
A Renamo accionou a Liga dos Direitos Humanos, liderada por Alice Mabota, para defender Jerónimo Malagueta, mas o advogado destacado pela Liga dos Direitos Humanos vinha tendo dificuldades até esta quarta-feira de contactar o seu constituinte, uma interdição que estava extensiva à sua família.

Encontro com embaixador da UE

Entretanto, a delegação da Renamo reuniu-se ainda nesta quinta-feira com o embaixador da União Europeia (UE) em Maputo, para analisar os últimos acontecimentos no País, segundo deu a conhecer ao Canalmoz, Jeremias Pondeca.
Posteriormente, segundo a mesma fonte, o embaixador vai manter um encontro com o Governo.



(Bernardo Álvaro, Canalmoz, Facebook)

Fraca afluência obriga STAE a intensificar campanha de educação cívica

O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) vai intensificar a campanha de educação cívica nas autarquias do país, como forma de atrair eleitores ao recenseamento em curso há já um mês e que vai terminar a 23 de Julho próximo.
Esta acção resulta do facto de os postos de recenseamento estarem a registar fraca afluência de potenciais eleitores, sobretudo depois das constantes avarias que se registaram nos primeiros dias do arranque do processo.
Esta informação foi revelada esta semana pelo Presidente da Comissão Nacional de Eleições, Abdul Carimo, em Maputo, depois de testemunhar o recenseamento do Presidente do Tribunal Supremo, Osias Pondja.




Boletim sobre o processo político em Moçambique
Número EA 16 - 26 de Junho de 2013
 
 

Conflito resulta da exclusão política e económica - Daviz Simango

Com vista a terminar com o lima de instabilidade política e militar, no país, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, desafiou o Chefe de Estado, Armando Guebuza, a encontrar-se com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, a restabelecerem a paz e a tranquilidade perturbadas com o recomeço de ataques, no troço de Muxúnguè-Rio Save, de supostos homens armados do partido da perdiz. Simango disse que o conflito tem a base na exclusão política e económica do partido no poder contra os moçambicanos que não pertencem a sua organização política. Para mostrar que o Presidente da República que é solidário com o povo, deveria, imediatamente, interromper as suas presidências abertas e juntar-se ao povo sofredor. Não é compreensível que entre homens que dizem estão a dialogar e haja divergência de quem vai depositar os consensos alcançados. Se isto está acontecer de tal modo é porque existe má-fé de uma das partes, porque o partido no poder sabe que possui a maioria parlamentar e não toma a dianteira do processo. É o mínimo que se pode esperar de um partido responsável pela vida de uma nação inteira. Esta atitude demonstra, de maneira evidente, que não há boa vontade para que haja um processo verdadeiramente democrático no nosso país.



MDM - Gabinete de Informação

Wednesday, 26 June 2013

Soldados das FADM próximos de Santujira; Rio Tinto parou exportação de carvão

O efectivo de militares, assim como de armamento, não pára de aumentar nas províncias centrais de Manica e Sofala. Informações não oficiais indicam que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) cercaram o aeródromo municipal de Gorongosa e estão cada vez mais próximas de controlar a região de Santujira, onde Afonso Dhlakama residente desde Outubro passado. A mineradora Rio Tinto interrompeu a exportação de carvão mineral.
Continua-se a viver em clima de "guerra" na região centro de Moçambique apesar dos últimos ataque armados confirmados terem acontecido na segunda-feira (24). O trânsito de viaturas continua a ser feito à luz do dia e sob forte escolta de soldados das FADM e agentes das Forças de Intervenção Rápida (FIR).
Em Muxúnguè, os cidadãos que não abandonaram o posto admnistrativo, vivem-se em permanente alerta. Esta terça-feira (25) um helicóptero e uma avioneta, cuja origem e ocupantes não foi possível identificar, sobrevoaram durante algum tempo a região.
Sem poder precisar o nosso jornalista na região centro indica que o efectivo de militares das FADM já ultrapassou os mil homens, todos fortemente armados, que poderão estar a preparar um ofensiva ao reduto do líder da Renamo.
Nesta quarta-feira o Tribunal Judicial do Distrito Municipal de KaMpfumo, na capital moçambicana, a legalizou a prisão do brigadeiro Jerónimo Malagueta, chefe do Departamento de Informação da Renamo, que há uma semana fez a declaração de "guerra" do partido de Afonso Dhlakama. Malagueta foi conduzido a Cadeia Central da Machava onde vai aguardar o julgamento.

Rio Tinto parou exportação
A mineradora australiana Rio Tinto refutou notícias que dão conta de um descarrilamento de um comboio seu, no posto administrativo de Dôa, no distrito de Moatize, em resultado da acção de indivíduos desconhecidos que retiraram a agulha que faz o desvio da linha férrea. Contudo a empresa suspendeu a exportação de carvão mineral através da linha de Sena, que conecta a sua mina em Moatize, na província de Tete, ao porto da Beira, na província de Sofala.
Num breve contacto com a nossa reportagem a Rio Tinto, Hélder Ossmane da assessoria de imprensa, disse "Interrompemos as nossas operações na Linha de Sena, enquanto avaliamos a actual situação. A produção na mina de Benga continua."
Entretanto, a mineradora brasileira Vale Moçambique não parou de usar a linha de Sena e continua a exportar carvão mineral. Açucena Paul da assessoria de imprensa afirmou que a Vale Moçambique está alerta "observando os acontecimentos e evitando exposições desnecessárias em zonas de possíveis confrontos ".
A empresa Caminhos de Ferro de Moçambique anunciou a suspensão da venda de bilhetes para os comboios de passageiros, na região centro de Moçambique, devido à insegurança que se vive.

Economia moçambicana continua a resistir à crise financeira mundial - FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o desempenho económico e perspectivas económicas de Moçambique continuam sólidos e que o país está preparado para manter um crescimento económico vigoroso a médio prazo.
Esta apreciação foi feita pelo Subdirector-geral e Presidente em exercício do Conselho de Administração desta instituição financeira, Min Zhu, comentando a conclusão das discussões sobre Moçambique ao abrigo do Instrumento de Apoio à Política Económica (PSI) e aprovou o novo instrumento para os próximos três anos.
Segundo o Min Zhu, a economia moçambicana demonstrou resistência à crise financeira mundial, apoiada por políticas macroeconómicas correctas.
“O país está bem preparado para manter o crescimento económico vigoroso no médio prazo como consequência do alargamento da produção no sector de recursos naturais”, considerou aquele responsável do FMI, citado num comunicado de imprensa da instituição recebido hoje pela AIM.
Contudo, o FMI entende que, embora a inflação continue moderada, é preciso manter as pressões inflacionistas sob vigilância constant e as autoridades devem estar preparadas para adoptar políticas mais restritivas caso a inflação ultrapasse as actuais projecções.
“O Plano de Acção para Redução da Pobreza define uma estratégia de desenvolvimento ambiciosa que visa promover o crescimento inclusivo e melhorar os indicadores do desenvolvimento social. A sua ênfase na diversificação económica e criação de empregos é apropriada”, indica o comunicado.
A instituição considera que a estratégia de desenvolvimento do governo precisa de se adaptar ao aumento da contribuição da indústria extractiva para a economia, pelo que será importante continuar a modernizar a administração tributária e a gestão financeira pública.
“O aproveitamento da riqueza dos recursos naturais de Moçambique exigirá um nível elevado de gastos em infra-estruturas. Contudo, é fundamental que o ritmo do investimento público seja compatível com a capacidade de absorção e a sustentabilidade da dívida. Por conseguinte, recomenda-se que as autoridades reforcem a gestão da dívida a médio prazo, bem como a selecção e execução de projectos”, disse Min Zhu.
A fonte acrescentou ainda que o sistema bancário demonstrou seu poder de resistência diante da crise financeira mundial, tendo por isso elogiado as melhorias recentes no quadro de resolução de crises, na supervisão bancária e na legislação contra o branqueamento de capitais.


(RM/AIM)

Eduardo Mulémbwè defende “honestidade” no diálogo entre Governo e Renamo

Maputo (Canalmoz) – Numa altura em que é unânime a ideia de que o diálogo entre o Governo e a Renamo está feito uma espécie de “conversa entre surdos e mudos” sem resultados palpáveis, Joaquim Mulémbwè, antigo presidente da Assembleia... da República, apela à honestidade de ambas as partes para que as conversações produzam resultados palpáveis.
Falando ao Canalmoz nesta terça-feira, na Praça dos Heróis, o antigo número um do parlamento moçambicano disse que a actual situação política do País não é boa. “Todo o moçambicano de bom senso vê para aquilo que acontece como sinal de algo que não está bem no nosso País”.
Para Mulémbwè, é importante usar as celebrações da independência nacional para reflectir sobre o que não está bem no nosso País. “Devemos fazer das celebrações do dia da independência um momento de reflexão que traga caminhos para resolução do problema que temos hoje”.
Sobre as convulsões político-militares que se registam no centro do País, aquele membro sénior do partido Frelimo disse que é preciso procurar caminhos que garantam uma paz efectiva, “uma paz verdadeira e duradoira”.
Para se atingir esse desiderato, segundo disse, é preciso que ambas as partes cedam e sejam honestas nas negociações. “Tudo passa necessariamente, na minha opinião, por um processo que se parece com a mortificação. Cada uma das partes deve saber perder para que dessa morte possamos ressuscitar todos. É preciso um diálogo franco e honesto, para que o povo volte a sentir a paz”, disse Mulémbwè.



(Matias Guente, Canalmoz, Facebook)

Tuesday, 25 June 2013

Mandela: Família e realeza tribal reunidos na aldeia-natal do ex-presidente

Um vasto grupo de familiares do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela chegou na manhã desta terça-feira, à aldeia-natal do líder da luta contra o "apartheid", Qunu, situada na província do Cabo Oriental.
Segundo a agência sul-africana de notícias, SAPA, inúmeros membros do clã Mandela, entre os quais os mais importantes chefes da realeza local, os Abathembu, estão reunidos na residência de Mandela para discutirem "questões delicadas", nas palavras de um dos anciães da família, Napilisi, citado pela SAPA.
De acordo com a mesma agência, um dos netos de Nelson Mandela, Ndaba, foi visto no local onde está situado o talhão reservado para a sepultura do antigo presidente, de 94 anos, que se encontra em estado crítico num hospital da capital, Pretória.


Lusa

Querer A Paz Significa Lutar Por Ela

Cada um deve assumir as suas responsabilidades...
Que ninguém tenha ilusões sobre o que se passa em nosso país.
As responsabilidades pelo derramamento de sangue inocente devem ser atribuídas aos nossos políticos.
Quando se diz que existe vontade política para abordar e tratar assuntos nacionais isso deve ser visível e não restarem dúvidas de que os envolvidos de facto querem resolver tais assuntos.
Nos dias de hoje, com ataques nas estradas do país, com conversações entupidas entre o governo e a Renamo alguma coisa tem de ser dita de forma veemente.
Numa casa existe uma estrutura ou cadeia de responsabilidade inalienável. Governar significa possuir visão e coerência de assumir o pacote na íntegra. O que é bom, as regalias, as mordomias, os salários, o poder intrínseco estão associados a responsabilidade, deveres e obrigações concretas. Uma das obrigações é trabalhar todos os dias para o bem-estar dos cidadãos, garatindo que a estabilidade e segurança sejam vividas pelos cidadãos, que as leis sejam cumpridas por todos e que o respeito pelos direitos humanos seja uma constante. Essa tarefa é do governo independentemente da situação vivida. Não se admite nem se equaciona que o governo possa delegar ou desistir de fazer o que lhe compete.
Se a mãe dos actuais conflitos é há já muito conhecida importa responsabilizar as partes com objectividade e deixarmos de enganar os cidadãos com supostas razões legais ou outras que não resistem a análise pois na verdade constituem malabarismos justificativos sem consistência nem coerência.
Os problemas de hoje têm a idade do AGP.
Quem não cumpriu deve ser responsabilizado de uma forma dinâmica. Discutir abertamente os pontos em desacordo, de forma patriótica é que se exige aos negociadoresde ambos os lados. Se não possuem experiência socorram-se ao que existe no país e em caso de esgotamento tragam pessoas de gabarito e credibilidade como Desmond Tutu ou Kofii Anan para ajudar. Sem complexos nem orguulho infundado vamos conversar e dissecar todos os problemas que existem no lugar de fingir que não existem.
Uma das consequências da excessiva centralização do poder revela-se quando se procuram soluções como no presente caso. Um Parlamento esvaiado de iniciativa e funcionando com base na ditadura do voto, demasiado influenciado pelas lideranças partidárias, associado a um sistema judicial dependente em excesso do executivo travam a iniciativa institucional e colocam o país numa paralisia efectiva.
É ilusão pretender que as culpas residem na Renamo e que do lado do governo tudo está perfeito e sendo conduzido de modo realístico.
Sabe-se que o governo de Joaquim Chissano assinou o AGP com a Renamo e que AEG, actual PR era negociador chefe do governo. Decerto que ele não pode dizer que ignora as bases de reclamação apresentadas pela Renamo.
Nesse sentido o que os moçammbicanos pretendem é que o governo assuma as suas responsabilidades básicas, aceite abordar o que não foi atempadamente  resolvido  e que se deixe de demagogia ou manobras dilatórias. Da parte da Renamo queremos ver este partido assumindo as suas
responsabilidades históricas e aceittar que se o AGP descarriluou ou não foi integralmentte cumprido  também possui culpas no cartório ao ter aceite adiamento de implementação na íntegra do articulado no AGP.
Ambos tanto o governo e seu partido de suporte a Frelimo como a Renamo devem ser capazes de tranquilizar os moçambicanos pois esse é o maior interesse dos cidadãos governados.
Tem de ficar claro que os governantes não são superiores aos governados e que cabe a estes governantes cumprirem a vontade dos governados. A Paz é o que os governaddos desejam e exigem.
Só isso e não considerações ou estratégias que revelam agendas sinistras, privadas e obscuras. Os interesses dos moçambicanos superam os privados ou partidários.

O AUTARCA – 24.06.2013, citado no Moçambique para todos