Wednesday, 7 May 2008

PGR intimida cantor Azagaia

A Procuradoria Geral da República, PGR, tem estado a incomodar o rapper Azagaia pelo facto de ter composto e cantar a sua música denominada o povo no poder. A PGR entende que Azagaia está a incitar à violência, por isso, se encarregou de o torturar numa inconfortável placa giratória de ter que
responder perguntas enfadonhas.
Quando se trata de admoestar, reprimir e condenar jornais e jornalistas, a PGR é muito hábil e célere.
Argumentam que a lei diz para PGR não dormir quando o bom nome estiver em causa. Quando se trata de corrupção, não é uma questão urgente para a PGR.
Mesmo em férias judiciais, para tramar jornais e jornalistas, a PGR e os Tribunais estão abertos. Tal celeridade foi evidente na queixa que o Procurador-geral da República, Augusto Paulino, move contra o ZAMBEZE que, em menos de 24 horas, estava no banco dos réus. O tribunal, há quase dois anos, ia paralisar a Stv.
Os jornais e jornalistas são condenados e sujeitos a indemnizações com a intenção de os abafar. Os que procedem de tal modo, vimo-los a bater palmas, no Centro de Conferência Joaquim Chissano, a 03 de Maio, na cerimónia da atribuição do prémio mundial da liberdade de imprensa, à jornalista mexicana, Lídia Ribeiro.
Editores dos independentes queixam-se da intranquilidade suscitada pelas inundações de notificações judiciais, em momentos inapropriados. O voluntarismo de alguns magistrados limita a liberdade de opinião e de imprensa. A PGR e os Tribunais actuam como se tivessem recado do Governo para intimidar e censurar os media. Esta virose já faz outras vítimas - os músicos.
Qualquer dia, seremos obrigados a submeter à PGR o que pretendemos publicar ou o que os músicos quiserem cantar. Em Moçambique, a PGR e os Tribunais não são órgãos de censura. Nem mesmo o voluntarioso Conselho Superior de Comunicação Social tem prerrogativas para incitar a PGR a processar jornais e jornalistas.
É espantosa a agilidade da PGR e Tribunais contra a liberdade de opinião
e de Imprensa porquanto existem processos que jazem, sem desfecho, mais de uma década nas gavetas dos procuradores e juízes. Há casos graves de corrupção denunciados pelo Tribunal Administrativo em que o Estado ficou bastante lesado, mas a PGR faz ouvidos de mercado.
O caso da venda, a preço de banana, da TEXMOQUE demonstra a ausência de Estado de Direito. O IGEPE ofereceu 300 mil dólares do Estado à Multiplier, depois de uma distribuição proporcional pelos sócios. As notícias do MAGAZINE sobre os roubos no INSS não preocupam a PGR?
O ex-ministro do Interior, Almerino Manhenje, é indiciado de ter desviado
220 biliões de meticais da antiga família. Recentemente, Anibalzinho disse ter sido protegido por ele para as fugas misteriosas que protagonizava. Não acontece nada a Manhenje?
Quem incita à violência é a PGR e os Tribunais que não capturam os corruptos e fazem-se de cegos, perante ilegalidades. Deixem Azagaia cantar em paz o seu povo no poder!

( Edwin Hounnou, em “ A TribunaFax ‘, de 05-05-08, retirado com a devida vénia )

Editorial do "Zambeze"

O caso da 1.ª Ministra Luísa Diogo carece de esclarecimento oficial do Governo de Moçambique

O caso de Luísa Dias Diogo, 1.ª Ministra do Governo de Moçambique, é um caso que certamente vai fazer com que a sociedade moçambicana se interrogue e pergunte em que País vivemos nós? Vai levantar tal polémica que até será legítimo perguntarmos se vivemos numa real República ou numa «república das bananas», num País a sério ou simplesmente num sítio. Mas, mais importante do que isso, pelo menos para já, é sabermos tudo direitinho sobre a condição de cidadania da Senhora Doutora Luísa Dias Diogo pois ela não é uma figura qualquer. É a Primeira-Ministra do Estado Moçambicano.
Estas coisas não podem ficar assim como nos filmes de banda desenhada.
Depois de confirmadas as suspeitas que há muito pairavam, agora com provas documentais e de valor evidente, porque reconhecidas por entidades competentes nos registos e notariado de Portugal, como se reporta nesta edição do ZAMBEZE, a pergunta que fica é: quem virá a público, oficialmente esclarecer toda esta situação?
As tentativas que fizemos colocaram-nos perante seres completamente atrapalhados.
Luísa Diogo exerceu vários cargos públicos a alto nível do Estado desde o tempo em que Joaquim Chissano era chefe de Estado. Foi reconduzida como Primeira-Ministra pelo Presidente da República em exercício, Armando Guebuza. Sob suspeita de nem sequer ser moçambicana pelo facto de ter perdido a nacionalidade por força de casamento com um cidadão português ao abrigo da deliberação sobre a nacionalidade tomada a 20 de Junho de 1975 pelo Comité Central da Frelimo, cabe agora à própria Senhora dar uma conferência de Imprensa e retratar-se ou simplesmente demitir-se e deixar o Chefe de Estado livre para agir como melhor e muito bem entender na sua mais alta magistratura da Nação.
Caberá, eventualmente, ao senhor Ministro do Interior vir dar um esclarecimento ao País. Cabe ao Ministério do Interior, por lei, lidar com estas coisas da nacionalidade. Tratando-se da Primeira-Ministra caberá até ao Conselho de Ministro vir a público esclarecer. O porta-voz já se eximiu.
Como é óbvio não é a nós que compete saber quem pode falar deste caso, tão caricato só por si que ninguém sabe por onde começar por lhe pegar.
Para nós, na posse de documentos da República Portuguesa com os nomes de António Albano Silva (Marido/Pai), Luísa Dias Diogo (Esposa/Mãe) e Nelson Diogo da Silva (Filho), o que subsiste é que estamos perante um caso muito bicudo e insólito.
Nós como Imprensa levantamos aqui nesta edição a questão. Não caberá sequer a nós indicar quem deva vir esclarecer ao País toda a trajectória jurídica que diz respeito à senhora Dra. Luísa Diogo que exerce as nobres funções de Primeira-Ministra do Governo do Estado de que somos cidadãos.
Certa Imprensa levantou há dias a questão da dupla, tripla, múltipla nacionalidade de uma das assessoras do Chefe de Estado. A AIM, agência de informação dependente do Gabinete de Informação (GABINFO), que por seu turno é um departamento dependente do Gabinete do Primeiro-Ministro (no caso a Dra. Luísa Dias Diogo), pela pena do seu director Gustavo Mavie, veio no mesmo dia, no oficioso «Notícias», em jeito de opinião, propor que se ultrapassem os preconceitos que foram criados, legislados e de certa forma proporcionaram que muitos moçambicanos perdessem os seus bens no País por imposição legal que implicou a perda forçada de nacionalidade.
Nós não temos preconceitos de nacionalidade. Surpreendeu-nos até que em pleno Século XXI haja quem levante problemas sobre a nacionalidade de pessoas que possam ter mais do que uma nacionalidade quando se conhece bem o que diz agora a Constituição da República de Moçambique.
Contudo, o caso de Luísa Diogo não é se ela tem a dupla. O caso é se ela é moçambicana. Que foi, não há dúvidas. Ainda é? Depois de se casar com um português e de acordo com a lei de então ela continuou a ser moçambicana?
Só depois disto se esclarecer então se poderá suscitar outro nível de debate que poderá ir até saber-se se quem tem mais do que uma nacionalidade pode ser o ministro mais categorizado do Conselho de Ministros.
A deliberação que assume forma legal e terá feito com que a cidadã Luísa Dias Diogo possa ter deixado de ser moçambicana por força do casamento com um estrangeiro foi produzida até pelo Comité Central do Partido de que ela é membro. É do Comité Central do Partido Frelimo de que ela presentemente faz parte; é do CC do Partido e a Dra. Luísa Dias Diogo para além de ser membro desse órgão é até agora membro da sua Comissão Política Permanente.
Luísa Diogo de nacionalidade portuguesa pode não ser. Se é ou não, não sabemos. Tudo sugere que possa sê-lo. Não conhecemos bem as leis daquele País. Embora registada em Portugal, como confirmam documentos oficiais portugueses obtidos junto de entidades competentes daquele país, autenticados por quem de direito e na posse do ZAMBEZE, pode ser que ela até mesmo assim não seja portuguesa. Mas alguém é português entre os três. Toda a história começa no marido, o prestigiado causídico António Albano Silva, que é até advogado e certamente não desconhece as leis por que se regula este caso. Ele assume que é português e tem muito orgulho disso, como só lhe fica bem. Mas o que será a Senhora Dra. Luísa Diogo?
Às zero hora de 25 de Junho de 1975 entrou em vigor uma deliberação do Comité Central do Partido Frelimo que diz, no seu art.º 14, n.º 1, alínea E.), que “perde a nacionalidade moçambicana” (…) “a mulher moçambicana que após a independência contrair casamento com um estrangeiro”. Esta deliberação está assinada por Samora Machel.
A cidadã Luísa Dias Diogo contraiu matrimónio com Albano Silva, cidadão português natural de Cabanelas, Mirandela, Bragança, Portugal, onde nasceu às 16 horas do dia 14 de Outubro de 1950, e a quem coube a cédula n.º 105357 sob o registo n.º 802. Luísa Diogo contraiu matrimónio com o cidadão português António Albano Silva. “Casou civilmente” com ele, em “07 de Novembro de 1981, na 1.ª Conservatória do Registo Civil de Maputo, República Popular de Moçambique”. A imposição da perda de nacionalidade por casamento estava em vigor. No registo de nascimento de Albano Silva, em Portugal, também não consta que tenha renunciado à nacionalidade.
Não se conhecem processos que tenham culminado com publicação em BR de aquisição ou reaquisição de nacionalidade.
Fica aqui a questão. A partir de hoje é um assunto público. Vai certamente suscitar um debate estridente. Quando tudo devidamente esclarecido poder-se-á acabar, de uma vez por todas, com preconceitos que tanto mal tem feito a milhares, senão mesmo milhões de moçambicanos, impedidos por leis aplicadas, por quem tem «telhados de vidro», de serem o que querem ser para além de também amarem este nobre País que se chama Moçambique.
Siga o espectáculo. Assim também se constrói um País. A falar é que a gente se entende. Vamos lá falar!!!...
ZAMBEZE – 02.05.2008 ( Retirado, com a devida vénia )

Tuesday, 6 May 2008

Burlar Estado através de construções

Obras do INSS, na delegação provincial de Maputo, drenam fundos do Estado. Dez milhões de meticais “custeiam” uma obra avaliada em um milhão de meticais. Ministra do Trabalho suspende chefe do património e fiscal das obras que ele mesmo “adjudicou”, assim escreve o MAGAZINE Independente, de 09 de
Abril corrente, página 13. Esta prática consubstancia-se em burla. Se há alguém, na nossa praça política, com coragem para combater a corrupção, tem a oportunidade para demonstrar
que tem capacidade de passar da palavra à acção, afastando as nossas dúvidas sobre os fastidiosos discursos de intenção.
A direcção do Instituto Nacional de
Segurança Social, INSS, mandou passear o empreiteiro Martins Construções, indicado pelo Conselho Municipal da Matola, que apresentou um orçamento de 1.329.956,40 meticais,
e chamou a TECNIL à festança, que custou 10.488.198,99 meticais aos cofres do Estado. Pelos vistos, só poderia ser uma empresa de amigos, que, invariavelmente, vence os concursos
lançados pelo INSS. Quando as chuvas começaram a cair, essas obras, supostamente, para a contenção da erosão não resistiram à fúria das águas. As populações que viram-se inundadas pelas águas.
Dulcínio Loforte, chefe do departamento do património, no INSS,
portanto, dono da obra e entidade que dirigiu o concurso, de modo algum poderia ser o fiscal da empreitada. O conflito de interesses é evidente e a lei não permite. Porém, como os interesses pessoais ou do grupo falam mais alto que a lei, apesar do valor da
obra ter sido extrapolado em mais de 10 vezes e não foi conferida nenhuma qualidade. Parece que, no INSS, não há, ou melhor, não havia regras nem princípios ético-morais que permitam distinguir o bem do mal e o verdadeiro do falso. O festival de ilegalidades
ainda vai no adro.
Ficamos à espera que a Procuradoria, exímia em processar jornais e jornalistas, acuse e leva para responder em juízo indivíduos que burlam, de tal modo, o Estado. A experiência
manda dizer que pouco se pode esperar da Procuradoria que sempre arranja uma maneira para não prender os corruptos que comandam a máquina administrativa do Estado.
Há casos de corrupção muito mais graves que são do domínio público, mas, tolerados por quem deveria velar pela legalidade. Estamos lembrados do caso do IGEPE/TEXMOQUE em queo Estado foi burlado, segundo o Relatório sobre a Conta Geral do Estado referente ao ano de 2006.
O que mais nos preocupa não é o grito dos maus. O que mais nos preocupa é o silêncio dos bons – dizia Martin Luther
King. Repetimos de forma reiterada que o que mais nos preocupa é o silêncio sepulcral da Procuradoria Geral da República e, de modo particular, do seu pretenso Gabinete Central de Combate à Corrupção que assiste como qualquer cidadão comum o agravamento da corrupção. É a partir destes factos que o povo fica a saber quem está interessado no combate à corrupção e quem faz simples discursos de diversão política para hipnotizar o público.

( Edwin Hounnou, em “ A TribunaFax “, de 13-04-08 )

MOZ IT suga INSS



A entrada da MOZ IT, uma empresa fantasma contratada pelo ex –director-geral do Instituto Nacional de Segurança Social, INSS, Abílio Mussane, para, supostamente, informatizar aquela instituição, faz inveja a qualquer indivíduo que conhece os procedimentos legais para prestar serviços ao Estado.
O episódio que parece ter sido montado por especialistas, com todas as características de corrupção de colarinho branco, desliza como uma bola num plano inclinado. A novela vai desvendar muita gente grande escondida, porém, com o rabo de fora.
As irregularidades cometidas esclarecem, só por si, que se trata de uma empresa de um individuo graúdo ou com ele relacionado, habituado a estar por cima da lei, associado a corruptos instalados no INSS, que se pretende protectora das classes mais desfavorecidas – os trabalhadores – segundo ilustra a peça do MAGAZINE INDEPENDENTE, de 2 de Abril de 2008, pp. 12/13.
A MOZ IT não entrou para o INSS por concurso público, como recomenda a lei. Não estava vocacionada a prestar o tipo de serviços que executava. Não tinha licença, portanto, era uma empresa ilegal. Trabalhava, desde 6 de Dezembro de 2007 até a 01 de Abril de 2008, com base num contrato de prestação de serviço não visado pelo Tribunal Administrativo. Os equipamentos são do INSS e os 150 operadores de computadores não tinham contratos de trabalho.
Aos 06 de Dezembro de 2007, data de celebração do pretenso contrato, a MOZ IT recebeu do INSS 3.802.500 meticais, para pagar o que, só, os contratantes conheciam. Com tal dinheiro a MOZ IT não pagou os salários devidos aos digitalizadores. A quem o INSS pagou, se a MOZ IT e uma empresa inexistente e ilegal? Este truque pode-se chamar cambalacho, saque ou enriquecimento sem causa.
Para enganar o público, correram à Imprensa para denunciar o que chamaram de uso indevido dos fundos do INSS pela ministra do Trabalho, em viagens de serviço, quando, de facto, eles sacavam fundos do Estado, infiltrando empresas suas e de seus
amigos. A ministra a quem acusam de excessiva interferência, se agisse segundo as exigências dos delapidarás do bem comum, não teria detectado essas falcatruas nem teria descoberto a rede de mafiosos que faziam do INSS um saco azul.
Os denunciantes esqueceram-se de mencionar o pagamento ilegal que o INSS fez à MOZ IT, lesando o Estado em quase quatro milhões de meticais, valor muito superior ao que alegam ter
sido usado pela ministra, em serviço do Ministério e INSS. Agora, entendese as motivações da sua fúria – não queriam ser controlados para continuarem a sugar à vontade.
Como última cartada, diz uma fonte do INSS, os corruptos juntaram-se à célula da Frelimo, para que esta se juntasse a causa dos malandros, mas, o secretario desarmou-os e chamou atenção para separarem um acto administrativo do politico. A mentira tem pernas curtas. Não resiste à lógica da verdade. A sociedade vai compreendendo melhor os contornos da rede que comia a vida como uma colher grande, no INSS.

( O autor é Edwin Hounnou, em “ A Tribuna Fax “, de 09-04-08, retirado com a devida vénia)

Sunday, 4 May 2008

A propósio do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Persistem restrições camufladas.
A Imprensa é parcialmente livre em Moçambique, porém regista -se um estranho assédio policial aos jornalistas, tanto como há restrições camuflados no acesso as fontes de informação.
A Constituíção moçambicana estabelece a liberdade de expressão
e da Imprensa , todavia verificam-se ameaças aos jornalistas e publicações que denunciam violações da Lei, ou que criticam o Governo e outras autoridades, o que faz com que, haja um ambiente constragedor, comforme relata o último relatório da MISA: MÉDIA Institute of Southern Africa .
Os meios de comunicação independentes foram activos e expressaram uma gama variada de pontos de vista enquanto o Governo tem proferido veicular as informações mais relevantes atravês do principal diário, Notícias, que é o único com distribuição nacional , seguido do Diário de Moçambique e o semanário Domingo, que não tem demonstrado vontade de fazer cobertura ou reportagens dos partidos da oposição.
Em Moçambique, regista-se actualmente o funcionamento de várias estações de rádios privadas, pese a Rádio Moçambique ser o serviço de comunicação social com mais influência e com maior audiência no País. A RM tem exibido nas suas emissões diverso tipo de programas e debatido questões importantes do País, e manifesta uma tendência frequente, de não convidar participantes que critiquem abertamente o Governo.
A MISA refere que o processo para a obtenção de uma licença de operação de radio tem sido muitas vezes moroso, complicado e politicamente orientado, o que demonstra a necessidade da
elaboração duma nova Lei que melhor delineasse a diferença entre uma radio comercial e rádio pública , como a RM tem estado a receber cerca de 60 por cento do seu orçamento operacional do
Governo que também faculta 80 por cento do orçamento operacional da Televisão de Moçambique,TVM, que básicamente assume-se como a estação televisiva que emite para a maior percentagem da população . A sua linha editorial é mais inclinada a FRELIMO.
A principal concorrente da TVM é a privada STV que em tempos idos chegou a ver a ser apreendida todo o seu equipamento,
alegadamente pela querela relacionada com a disputa de propriedade das instalações onde funciona na baixa da cidade de Maputo. Por outro lado, alguns jornalistas, como o autor deste texto, sofreram a privação de liberdade e de fazer cobertura a actos publicos, por excesso de ignorancia dos agentes policiais/segurança face aos direitos primários dos jornalistas de recolher informações úteis para a Opinião Pública nacional e estrangeira.

( E. Amaral, em “ Matinal “, de 10-04-08 )




Em Moçambique não há condições
para jornalismo investigativo

Jornalistas moçambicanos consideram que não existem condições mínimas para o exercício de um jornalismo de investigação no país, devido aos elevados custos que este género acarreta, limitando a sua acção para a mera descriçao dos factos constatados, sem poder aprofundá-los até ao pormenor.
Esta constatação foi feita durante o seminário sobre “Jornalismo Investigativo Carlos Cardoso”, ontem iniciado na Cidade de Maputo, cujo objectivo é promover a cultura de transparência na gestão dos bens públicos, através do reforço da capacidade técnica do trabalho jornalístico em matéria de investigação.
Para Jeremias Langa, director da Informação da Soico, «as pessoas que gerem os orgãos de comunicação no país preferem investir num jornalismo descritivo, para ganhar tranquilamente dinheiro evitando a abordagem aprofundada dos chamados temas quentes que são muito onerosos». Referiu que tal acontece não por falta de assuntos para investigar, por parte da imprensa, pois estes remetem-se a um «autoflagelamento ».
Fernando Gonçalves, Editor do Savana, outro painelista presente no encontro, especificou que «os fundamentos básicos para um jornalismo investigativo bem sucedido passam pela criação duma base legal que permita que o jornalista exerça a sua actividade de maneira ilimitada, ter capacidade de captar fontes de alto nível, e ainda a necessidade de a empresa jornalística garantir a protecção do seu repórter em caso de perseguição».

Experiências portuguesa e sulafricana
Por seu turno, Eduardo Namburete, deputado da Assembleia da República, afirmou que com a morte de Carlos Cardoso, considerado ícone do jornalismo investigativo em Moçambique, este género sofreu um retraimento acentuado, provocando desânimo por parte de doadores dispostos a financiar projectos de investigação dos media, o que se reflectiu na baixa qualidade das notícias publicadas por todos os órgãos de comunicação social. Desafiou os jornalistas a recorrerem ao Boletim da República, onde na sua opinião existem inúmeras informações sobre os verdadeiros donos das grandes empresas no país.
O seminário, organizado conjuntamente pelo SNJ e MISA-Moçambique, e financiado pelas Embaixadas da Suiça e do Reino dos Paises Baixos, tem a participação de jornalistas, editores, académicos e estudantes de comunicação social, tendo como convidados o reputado jornalista José Rodrigues dos Santos, da RTP, e Wisani Ngobeni, Editor de investigação do “Sunday Times”, o maior jornal sul-africano, que transmitiram as suas experiências.

( E. Muchine em “ Matinal “, de 30-04-08, retirado com a devida vénia )

Tsvangirai: o dilema



Após quase cinco semanas de manobras dilatórias, finalmente foram divulgados os resultados das eleições no Zimbabwe: Tsvangirai venceu mas sem conseguir a maioria, sendo assim obrigado a disputar a segunda volta com Mugabe.
Em circunstâncias normais Mugabe seria humilhado numa segunda volta, mas este cenário já tinha sido planeado antecipadamente, daí a campanha de terrorismo estatal desencadeada pela Zanu-PF.
Tsvangirai afirma que obteve a maioria e a realidade é que participar na segunda volta neste clima de violência e sem observadores internacionais será um autêntico suicídio. O MDC está divido sobre a participação de Tsvangirai na segunda volta mas existe o perigo de Mugabe se declarar vencedor caso Tsvangirai não aceite participar.
Entretanto, enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido qustionam a credibilidade dos resultados oficiais, os líderes africanos continuam silenciosos e Thabo Mbeki afirmou que a interferência de Gordon Brown e George Bush prejudicam o seu esforço de mediaçã entre o ZANU-PF eo MDC.

Meditação: Acertei... errei!

A ÚLTIMA PEDRA


Gosto de uma música que Frank Sinatra costumava cantar, My Way. O curioso é que só fui prestar atenção na letra dessa canção quandoescrevia este texto. Ela diz mais ou menos assim:
“ Se acertei ou se errei, fiz isso da minha maneira”.
Quando olho para trás, percebo que fiz muitas bobagens. Acertei bastante, mas também errei bastante. Quando olho para diante, tenho certeza de que vou acertar e errar bastante também. É impossível acertar sempre. Mas o importante é que não gastemos nosso tempo nem nossa energia nos torturando. A autocrítica pelo que não deu certo, além de ser nociva para a saúde, faz que a gente perca os passarinhos que a vida nos oferece no presente.
Um dia destes, um dos meus filhos perguntou porque eu tomei determinada decisão estúpida tempos atrás. Respondi que me arrependia do que tinha feito, mas expliquei que, naquele momento, minha atitude me parecia lógica. Se eu tivesse o conhecimento e a maturidade de hoje, certamente a decisão seria diferente. Por isso é que lhe digo: não se torture por algo que não deu certo no passado.
Talvez você tenha escolhido a pessoa errada para casar. Talvez tenha saído da melhor empresa onde poderia trabalhar. Talvez tenha mandado uma filha grávida embora de casa. Não importa o que você fez, não se torture.
Apenas perceba, o que é possível fazer para consertar essa situação e faça. Se você sente culpa, perdoe-se.
E, principalmente, compreenda que agiu assim porque, na ocasião, era o que achava melhor fazer.
Há uma história de que gosto muito: um pescador chegou à praia de madrugada para o trabalho e encontrou um saquinho cheio de pedras. Ainda no escuro começou a jogar as pedras no mar. Enquanto fazia isso, o dia foi clareando até que, ao se preparar para jogar a última pedra, percebeu que era preciosa! Ficou arrependido e comentou o incidente com um amigo que lhe disse:
- Realmente, seria melhor se você prestasse mais atenção no que faz, mas ainda bem que sobrou a última pedra!
Existem pessoas que não prestam atenção no que fazem e depois passam a vida inteira arrependidas pelo que não fizeram, mas poderia ter feito, e se martirizam por seus erros.
Se você está agindo assim, deixo-lhe uma mensagem especial: não gaste seu tempo com remorsos nem arrependimentos. Reconheça o erro que cometeu, peça desculpas e continue sua vida.
Você ainda tem muitas pedras preciosas no coração: muitos momentos lindos para viver e muitos erros para cometer.
Aproveite as oportunidades e curta plenamente a vida. Curta os passarinhos. Eles são os presentes do universo para você!

TENHA UM LINDO DIA !!!


Roberto Shinyashiki

( Préstimos de Laura )

Saturday, 3 May 2008

Poema de um amor africano

POEMA DE UM AMOR… AFRICANO

* Noite de Amor*

Satânico é meu pensamento a teu respeito,
e ardente é meu desejo de apertar-te em minhas mãos,
Numa sede de vingança incontestável pelo que fizeste ontem.
A noite era quente e calma,
Eu estava em minha cama quando, sorrateiramente,
te aproximaste.
Encostaste teu corpo sem roupa no meu corpo nu,
sem o mínimo pudor.
Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim
e mordeste-me sem escrúpulos
Até nos mínimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente,
Mas em vão.
Deixaste no meu corpo e no lençol provas irrefutáveis
do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama,
Te esperar.
Quando chegares, quero agarrar-te com avidez.
Quero apertar-te com todas as forças de minhas mãos.
Não haverá parte do teu corpo em que meus dedos não passarão.
Só descansarei quando vir sair sangue quente do teu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti...

Mosquito, seu filho da p*** !


( Préstimos de A. Costa )

Piadas

Na fila do autocarro estavam um pai e seus 16 filhos. Junto a eles, um senhor de meia-idade, com uma das pernas de pau. O autocarro chegou, a criançada entrou primeiro e ocupou os bancos que estavam disponíveis. Os dois senhores entraram e ficaram em pé. Na arrancada, o senhor da perna de pau, com a visível dificuldade, desequilibrou-se para trás, e o barulho foi inconfundível: TOC... TOC... TOC...TOC... Quando o autocarro travou, a mesma coisa conteceu: TOC... TOC... TOC...TOC... Na arrancada, novamente: TOC... TOC... TOC...TOC... E assim foi, várias vezes... Num determinado momento, já incomodado com o barulho e ao mesmo tempo tentando ser gentil, o pai das 16 crianças disse ao perneta:
- Perdão, senhor, gostaria de fazer uma sugestão. Por que o senhor não coloca uma borrachinha na ponta do pau? Com certeza vai diminuir o barulho e incomodar menos as pessoas... De imediato, o cavalheiro da perna de pau respondeu:
- Agradeço a sugestão, mas se o senhor tivesse colocado uma borrachinha na ponta do seu... há alguns anos atrás.... estaríamos todos sentados…


Chibanga...

Como te chamas? - Pergunta a professora.
– "Chibanga" – responde o puto.
- "Estamos em Portugal e não há cá Chibangas, isso era lá em Angola. Daqui para a frente chamas-te Manuel" -diz a professora. À tarde Chibanga volta a casa.
- "Correu-te bem o dia Chibanga?" – pergunta a mãe.
- "Já não me chamo Chibanga, mas sim Manuel, porque agora vivo em Portugal."
- "Ah, tu tens vergonha do teu nome, da tua raça e renegas os teus pais!"
A mãe fica danada e enfia-lhe uma galheta bem aviada.
Chega o pai a casa e faz a mesma pergunta.
- "Correu-te bem o dia Chibanga?"
– "Já não me chamo Chibanga, mas sim Manuel, porque agora vivo em Portugal."
- "Ah, tu tens vergonha do teu nome, da tua raça e renegas os teus pais!" Chibanga oferece a outra face e leva mais uma galheta. No dia seguinte quando chega à escola, a professora reparando nas marcas dos dedos na cara do miúdo, pergunta:
- "O que é que te aconteceu Manelinho?"
– "Bem professora, ainda não era português há duas horas e fui logo agredido por dois pretos".

Roubo

Uma loira liga para o 112 para participar um assalto ao seu carro.
Completamente histérica gritava:
- Roubaram-me o tablier, o volante, o travão, até o acelerador levaram!
- Calma - diz a voz do outro lado - dentro de 5 minutos estará aí um agente da PSP.
Ainda não tinham passado 2 minutos, a loira liga novamente e diz:
-Olhe, deixe estar! Afinal sentei-me no banco de trás por engano...


Um grupo de cubanos abandona a ilha rumo a Miami. 'No meio da viagem, um dos cubanos, o mais velho, sofre um ataque cardíaco e pede como último desejo uma bandeira para se despedir da sua querida Cuba.
Os outros, sensibilizados, começam a procurar em bolsas, sacolas e em
todos os lugares onde pudesse estar guardada uma bandeira de Cuba.
Depois de algum tempo, deram-se conta de que não havia nenhuma bandeira de Cuba com eles.
Nisto, uma jovem de vinte anos, linda, vendo o sofrimento do velho disse que tinha uma tatuagem com a bandeira de Cuba no bumbum.
Muito constrangida, movida pelo sentimento de solidariedade, ofereceu-se para mostrá-la.
A moça virou-se de costas para o moribundo, baixou as calças e mostrou o bumbum com a bandeira tatuada.
Numa situação inusitada, o velho agarrou a moça com força e beijou a
bandeira, emocionado, enquanto gritava:
- Mi querida Cuba, me despido con recuerdos, mi vieja Havana, mi Linda 'tierra!
O velho continuou com beijos e mais beijos na bandeira, até que, em lágrimas, disse à moça:
- Ahora vira de frente, que quiero despedir-me de Fidel !!

Thursday, 1 May 2008

Pajume politiza problemas da Beira

A vice-ministra da Agricultura, Catarina Pajume, não foge à regra dos governantes que dão pinos quando se sentem incapazes de solucionar um problema. Deslocou-se à Beira, para socorrer o director provincial da Agricultura, António Limbau, que se encontra no fogo cruzado, acusado, por cerca de 500 funcionários da sua direcção de ser um gestor desastrado.
Pajume, ao invés de ajudar a repor a justiça, optou por se meter em politiquices, acusando de membros da Renamo aqueles que reivindicam seus direitos e exigem boa gestão da coisa pública, escreve o MAGAZINE INDEPENDENTE, de 02 de Abril de 2008, pp.05.
Pajume transmitiu a sua mensagem segundo a qual todo o indivíduo que reivindica contra as amarguras das injustiças sociais, políticas e económicas é pró-Renamo. O País a continuar a ter governantes com pensamento tão raquítico assim e com uma visão partidária afunlada, é de prever que Moçambique se vai afundar no matope, de onde não sairá dentro dos próximos anos.
Durante algum tempo tínhamos alguma simpatia com o seu discurso, mas, tão cedo descobrimos que Pajume é um tigre de papel. É um saco de falsidades que consegue sobreviver aos despedimentos presidenciais.
Fazer conotações políticas a uma reivindicação laboral é ridículo e revela ou incompetência ou existência de uma teia de compromissos obscuros e inconfessáveis. A situação de injustiças
e má gestão na Direcção Provincial da Agricultura, em Sofala, não é nova. No início do ano em curso, chamamos a atenção sobre as altas temperaturas que se verificam naquele sector, parece que nem Pajume e, também, duvidamos que o seu chefe teria lido a nossa advertência.
Como muitos dirigentes não lêem os avisos dos tempos, acabam caindo na vergonha de ser apanhados de surpresa pelos acontecimentos que poderiam evitar ou proferem verdadeiras
asneiras de que os que reclamam sejam da Renamo. A ser verdadeira esta afirmação, podemos arriscar afirmando que todo o povo pertence à Renamo, o que não pode ser.
Não é incorrecto dizer que muito do que não se realiza a nível nacional é devido à politização do sector público, com contratações não obedecendo a critérios de competência e profissionalismo, assim escreve Noé Nhantumbo, no seu livro SEM COERÊNCIA NÃO HÁ BOA GOVERNAÇÃO, 2007.
Este é o problema de que padecem as nossas instituições públicas. Os seus chefes não conseguem fazer a separação entre o partido a que dizem pertencer do aparelho do Estado, uma instituição pertença de todos os cidadãos.
Se uma vice-ministra mistura as coisas, então, a níveis mais baixos as coisas devem mesmo horríveis. Ninguém pode reclamar para não ser confundido com a Renamo. Quem disse que a Renamo não é uma organização de patriotas? Existem patriotas tanto no partido Frelimo quanto na Renamo. Não há nenhum partido que seja apenas um viveiro de patriotas e outro, apenas, de ant-patriotas.iPajume politiza problemas da Beira. Só uma manifesta incompetência pode levar a fazer tais conclusões.

( Edwin Hounnou, em “ A TribunaFax “, de 28-04-08, retirado com a devida vénia)

Viva o Dia do Trabalhador!

Hoje, Dia do Trabalhador, tive direito a folga e devo confessar que mereço mesmo este feriado pois trabalho muito e ando sempre ocupado. Quando reclamo que ando sempre cansado, as pessoas não acreditam! Pois bem, aqui está uma foto do meu local de trabalho, como podem verificar tudo está programado para que não perca nem um minuto. Acreditam agora?

Monday, 28 April 2008

Coisas de que não me importo

A autora de um dos meus blogues favoritos (www.digitalnoindico.blogspot.com), resolveu surpreendentemente “mimar-me” ao incluir-me na corrente do “ Não me importo...”. Eu geralmente não entro em correntes mas vou fazer uma excepção pois esta está a ter uma certa adesão. Sendo assim, aqui deixo 6 das coisas que não me importo:

- Não me importo de afirmar que família e amigos são muito importantes para mim.
- Não me importo de assumir as minhas convicções, mesmo que não sejam populares.
- Não me importo de confessar que não sou perfeito e de que com a ajuda de Deus amanhã serei melhor do que sou hoje, pois o meu destino está nas Suas mãos, embora eu tenha de colaborar.
- Não me importo de ser indiferente ao materialismo que me rodeia.
- Não me importo de sofrer as consequências por ser sensível, sincero e frontal.
- Não me importo de que me chamem masoquista por gostar de Moçambique e do Sporting.

De acordo com as regras, nomeio os autores dos seguintes blogues:
www.mariaivonesoares.blogspot.com
www.pensartransgredir.blogspot.com
www.comunidademocambicana.blogspot.com
www.ondeteencontrar26072007.blogspot.com
www.ximbitane.blogspot.com
www.meumundonelsonleve.blogspot.com

Regras:
- Colocar o link da pessoa que nos "mimou"
- Colocar as regras no blog
- Partilhar 6 coisas que não nos importamos de fazer
- Mimar 6 pessoas para fazer o mesmo
- Avisar essas pessoas,deixando um comentário nos seus blogs

Sunday, 27 April 2008

Paulina Chiziane: O Alegre Canto da Perdiz










Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de Amor ao Vento, 1990), mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte. Nasci em 1955 em Manjacaze. Frequentei estudos superiores que não concluí. Actualmente vivo e trabalho na Zambézia.
Paulina Chiziane

As obras de Paulina Chiziane encontram-se traduzidas nos seguintes países:Alemanha, Espanha, EUA, França e Itália

Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou Linguística, em Maputo. Ficcionista, publicou vários contos na imprensa (Domingo, na «Página literária», e na revista Tempo). Publicou o seu primeiro romance, Balada de Amor ao Vento, depois da independência (1990), e é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana.






Delfina é uma mulher bonita, «uma negra daquelas que os brancos gostam». A história de vida desta Delfina, «dos contrates, dos conflitos, das confusões e contradições», é a história da mulher africana, a história da apocalíptica perda do sonho. Esta mulher debate-se entre «escolher o caminho do sofrimento», o amor que sente por José dos Montes, e eliminar a sua raça para ganhar a liberdade», procurando o homem branco que lhe dará o alimento e o conforto que deseja. Mas o que é o amor para a mulher negra? Na terra onde as mulheres se casam por encomenda na adolescência? O problema arrasta-se ao longo do livro, aparentemente sem solução: «viver em dois mundos é o mesmo que viver em dois corpos, não se pode. Tu és negra, jamais serás branca». Mesmo assim a mulher negra «procura um filho mulato, para aliviar o negro da sua pele como quem alivia as roupas de luto».O sufoco das palavras outrora silenciadas, a valentia e a frontalidade gritam alto nos romances de Paulina Chiziane. Neste diálogo consigo própria, a conhecida escritora moçambicana, mistura imaginação, fantástico, misticismo, num retrato poderoso e peculiar da sociedade e da mulher africanas.

(Tirado da Internet)

Marco de correio: Machado da Graça

Olá Manuel
Tudo bem contigo, meu amigo?
Do meu lado está tudo nos conformes.
Queria-te falar hoje de uma coisa que se está a passar lá bem longe, nas altas montanhas que separam a China do Nepal e da Índia.
Isto é, da situação no Tibete.
Como sabes, ninguém me pode acusar de ser um
seguidor do Dalai Lama nem de andar pelo mundo,
de cabeça rapada, enrolado nuns panos cor de açafrão.
Mais do que isso, poucas simpatias tenho por sistemas políticos baseados numa religião, seja ela qual for.
Para mim religião e política devem estar higienicamente separadas, porque a História demonstra que, sempre que as duas se misturam, o resultado é péssimo.
No caso concreto do Tibete, o pouco que sei é que se tratava de um país extremamente atrasado, vivendo numa espécie de idade média asiática onde, fosse ele qual fosse, o aspecto de modernidade era proibido pelos monges dominadores.
Depois chegou a China e aquilo levou uma grande
volta, saltando, de repente, muitos séculos para a frente.
O que, assim contado, até parece uma coisa óptima.
Só que, ao que parece, os chineses não chegaram como amigos, com as mãos cheias de enciclopédias, motores e laboratórios. Até porque não podiam, na medida em que já tinham as mãos ocupadas a segurar espingardas e metralhadoras ou a conduzir veículos militares.
O meu pai costumava contar a história do pai que dizia ao filho: “Queiras ou não queiras hás-de ser bombeiro voluntário!”. Pois com o Tibete aconteceu mais ou menos a mesma coisa: Quisessem ou não quisessem lá tiveram de se modernizar.
E, depois da violência militar da conquista ter abrandado, seguiu-se a violência cultural da modernização acelerada.
Entretanto a China, orgulhosa do seu enorme avanço económico, meteu-se na aventura da candidatura à organização dos Jogos Olímpicos. Esquecendo-se de que tinha lá, nos confins do seu imenso território, um problema adormecido.
E ganhou a sua oposta em hospedar as Olimpíadas de 2008.
Só que não deu importância aos livros de História em que se relata como as Olimpíadas têm sido usadas para fazer propaganda a questões políticas, desde o ataque palestino aos atletas israelitas em Munique, ao massacre na Cidade do México e aos boicotes cruzados dos Estados Unidos e da União Soviética aos Jogos Olímpicos realizados no país adversário.
Outros mais atentos à História lembraram-se e fizeram agora ressuscitar a questão da autonomia/ independência do Tibete. Com um levantamento violento que fez a China responder com uma repressão muitíssimo mais violenta.
E aqui estamos, em vésperas dos jogos, com inflamados discursos a favor de boicotes aos Jogos, com tochas olímpicas a serem apagadas em Paris e todo um cortejo de outras coisas que, se calhar, só agora estão a começar.
E tudo porque a China não teve a paciência de fazer os tibetanos apreciarem a modernidade que lhes oferecia, de boa maneira. Preferiu impô-la debaixo das botas dos seus militares invasores. E isso, como sabes, raramente dá bons resultados.
Deu apenas aos tibetanos meios mais modernos
de se oporem à China.
No cimo daquelas montanhas, cheias de neve, muito provavelmente os dirigentes de Beijing vão conseguir, de novo, impor o silêncio e a calma. A desproporção de forças é esmagadora.
Mas os independentistas tibetanos já tiveram a sua vitória: Ao fim de décadas de serem ignorados, todo o mundo fala hoje do seu problema. Todo o mundo recorda a sua situação.
O que pode, se tiverem sorte, acabar por levar à vitória da sua causa. Não esqueçamos que, em Timor Leste, também foi o massacre num cemitério de Dili que fez o assunto voltar a sair das sombras e conduziu à independência.
Quem sabe se, nos Jogos Olímpicos de Beijing, o Tibete não acaba por ganhar uma medalha de ouro?
Um abraço para ti, do

( Machado da Graça, em “Correio da Manhã”, de 17/04/08), retirado com a devida vénia)











Estou aprendendo!

Um dia desses, enquanto esperava a vez na sala de espera de um consultório médico, percebi, solta entre as revistas, uma folha de papel. A curiosidade fez com que a tomasse para ler o conteúdo. Era uma bela mensagem que alguém havia escrito. O título, interessante e curioso: “ APRENDI “... Dizia o seguinte:

Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

Aprendi que não importa o quanto certas coisas certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.

Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos... depois disso, preciso saber do que estou falando.

Eu aprendi... que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.

Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pâo continua tendo duas faces...e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

Aprendi... que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser... e devo ter paciência.

Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloque.

Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.

Que os heróis são pessoas que fazem o que devem fazer “naquele” momento, independentemente do medo que sentem.

Aprendi que perdoar exige muita prática.

Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Aprendi... Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava iria tentar piorar as coisas.

Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.

Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.

Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando... E que eu tenho que me acostumar com isso.

Que não é o bastante ser perdoado, pelos outros... eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi... Que as circunstâncias da minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.

Aprendi que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver.

Que quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiam, e quando duas pessoas não discutem, não significa que elas se amem.

Aprendi que, por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão-se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.

Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

Aprendi também que que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.

E que os amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.

Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.

Com essa folha de papel eu aprendi que ainda tenho muito a aprender. E você??

Uma óptima semana para você!!! E continue aprendendo...


( Préstimos de Maria Helena )

Saturday, 26 April 2008

Humor: guerra entre faculdades

GUERRA ENTRE FACULDADES
Tudo começou quando...A turma de Direito resolveu colocar uma frase numa t-shirt quevirou moda no Campo Universitário: " O teu namorado não faz Direito? Vem cá que eu faço".
Em seguida, o pessoal de Medicina largou a seguinte:"Ele pode até fazer Direito, mas ninguém conhece teu corpo melhor que eu."
O pessoal de Administração não deixou para menos:"Não adianta conhecer o corpo, fazer Direito se não souber Administrar o que tem"
O pessoal de Administração ficou bem na fita até que a turma de Agronomia apareceu com a seguinte frase:"Uns conhecem bem, outros fazem direito e alguns sabem administrar o que têm, mas plantar a mandioca como nós ninguém consegue!"
Aí o pessoal da Publicidade largou esta: "De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar e plantar a mandioca, se depois não puder contar pra todo mundo?"
A turma da Engenharia, não se deu por achada, e saiu-se com esta:"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, e poder contar para todo mundo, se não tiver energia e potência para fazer várias vezes?"
Mas a frase que ficou e se tornou campeã foi a da Economia (É k só podia!!!!"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, poder contar para todo mundo, ter energia e potência para fazer várias vezes, se a mulher gosta mesmo é de dinheiro?"
Ninguém discutiu por um tempo, até que, as MENINAS do Curso de NUTRIÇÃO saíram-se MUITO BEM (mas, MUUUUUUITO BEM, MESMO!) com esta:"De que adianta conhecer bem, fazer Direito, saber administrar, plantar a mandioca, poder contar para todo mundo, ter energia e potência para fazer várias vezes e, ter dinheiro... Se, no final das contas... nós precisamos sempre de ensinar a comer!!!!!"


( Préstimos de A. Velho )

Humor: orgulho de pai!

Quatro amigos encontraram-se numa festa, após trinta anos sem se verem.
Uns copos daqui, conversa de lá e de cá até que um deles resolve ir à
casa de banho. Os que ficaram, começam a falar sobre os filhos.

O primeiro diz:

- O meu filho é o meu orgulho! Ele começou a trabalhar como paquete
numa empresa, estudou, formou-se em Administração, foi promovido a
gerente da empresa, e hoje ele é o Presidente. Ele ficou tão rico, tão
rico, que no aniversário de um amigo ele deu-lhe um Mercedes novinho.

O outro disse:

- Que maravilha! Mas o meu filho também é motivo de orgulho. Ele
começou a trabalhar a entregar passagens. Estudou e tornou-se piloto.
Foi trabalhar numa grande companhia aérea. Resolveu entrar de sociedade
da empresa, e hoje ele é o dono! Ele ficou tão rico que no aniversário
de um amigo ele deu-lhe um 737 de presente!

O terceiro falou:

- Estão ambos de parabéns! Mas o meu filho também ficou muito rico. Ele
estudou, formou-se em engenharia, abriu uma construtora e deu-se tão
bem que ficou milionário. Ele também deu um presente para um amigo que
fez anos há pouco tempo. Ele construiu-lhe uma casa de 500m2!

O quarto amigo que entretanto chega da casa de banho, perguntou:

- Qual é o assunto?!?

- Estamos a falar do orgulho que temos dos nossos filhos. E o seu? O
que é que ele faz?

- O meu filho é 'gay', ganha a vida a fazer programas.

E os amigos disseram:

- Fogo, que decepção...

E ele respondeu:

- Qual quê... ele é o meu orgulho, é um grande sortudo! Sabem que no
último aniversário, ele recebeu uma casa com 500m2, um avião 737 e um
Mercedes, tudo presentes de três 'bichonas' que ele anda a comer!!


( Préstimos de Mag )

Friday, 25 April 2008

Mugabe golpeia instituições democráticas

Mugabe não reconhece que foi derrotado por Tsivangiray, não acredita que a ZANU-PF perdeu a favor do MDC, por isso, ensaia manobras dilatórias que, pelos seus cálculos, desaguarão no estado de emergência. O ditador espera prender a liderança do MDC, proibir actividades políticas, restringir a livre circulação de pessoas, impedir aglomerações de pessoas e golpear as instituições democráticas.
A recente cimeira da SADC, em Lusaka, foi branda com Mugabe. Não o obrigou a agir com racionalidade, abandonando o poder, por ter sido preterido. Mugabe conta com padrinhos e afilhados, a quem ajudou a manter ou a colocar no poder – Frelimo, de Moçambique, SWAPO, da Namíbia, e ANC, da Africa do Sul. Os compromissos que unem os governantes dos países da SADC não permitem condenação mútua.
O apoio deve ser aos povos e não aos governantes para se manterem no poleiro. Estes passam, os povos permanecem para sempre. É de bom senso que os libertadores assumam as consequências do princípio de que a soberania reside no povo. Nenhum dirigente foi enviado por Deus para governar seja qual for o povo.
O ditador diaboliza o vencedor como agente da Inglaterra e Ocidente. Chama a seus adversários de agentes do inimigo quando vencem as eleições e cidadãos comuns quando as perdem. Mugabe exige a recontagem e uma segunda volta antes da divulgação dos resultados. É um absurdo.
Os exemplos da Costa de Marfim e Quénia, destruídos pela ganância dos seus líderes, deveriam servir de lição. A derrapagem da economia do Zimbabwe custa a Moçambique uma pesada factura, com o corredor da Beira desfeito, devido ao belicismo de Mugabe e sua falsa reforma agrária.
Mugabe perde a ocasião de perpetuar seu nome no pedestal dos heróis. De combatente passa a vilão, odiado pelo povo que ajudou a se libertar do regime minoritário de Ian Smith. O ditador prefere morrer agarrado ao poder, apesar de ter visto um cartão vermelho directo.
Os tempos de Fidel Castro, que indicou seu irmão, Raul Castro, para o substituir na chefia do estado, passaram à história. Democracia é alternância ao poder. Se for julgado favorável, é reconduzido. Caso contrário, cede lugar a outro. Democracia não é, só, fazer eleições cíclicas e vencê-las, de forma retumbante, para agradar o Ocidente.
A SADC perdeu tempo, em Lusaka, elaborando um comunicado frouxo, ao invés de se despedir de Mugabe. Se a táctica mugabista pegar moda, estamos lixados. Não são claras as razões por que regimes africanos organizam eleições, se não respeitam o veredicto popular! Ninguém duvida de que Mugabe perdeu as eleições de 29 de Março.
Tememos que a arrogância e prepotência da Frelimo instale uma crise pior que à do Zimbabwe, em Moçambique, quando for confrontada por uma oposição organizada e laboriosa, capaz de lhe tirar o tapete dos pés. Se a Renamo fosse uma oposição séria, em 1999, teríamos uma situação simular, no País. Os ditadores não deixam o poder por via eleitoral.

( Edwin Hounnou, em “ A TribunaFax “, de 21 de Abril de 2008, retirado com a devida vénia)

Tuesday, 22 April 2008

Paulina Chiziane: um livro polémico?

http://dn.sapo.pt/2008/03/24/artes/muitas_mocambicanas_olham_homem_bran.html
"Muitas moçambicanas olham homem branco como salvação", ISABEL LUCAS, Paulina Chiziane, ESCRITORA
O romance que publicou agora em Portugal e será editado em Moçambique questiona o envolvimento dos indígenas na colonização.
Polémica garantida?

É um livro polémico. Tenho consciência, mas era preciso começar a discutir o problema. Olhávamos para o invasor como a causa dos problemas. A Zambézia é das províncias mais ricas, um lugar onde a exploração portuguesa foi muito forte. Se os portugueses eram tão poucos ali, como dominaram a província e o país? Qual a participação dos indígenas? Se parar para uma reflexão interna, a mão dos indígenas foi muito forte. A Zambézia foi a parcela do território com maior miscigenação. Como aconteceu? Será que as mulheres foram violadas? Será que se entregaram? Como é que a Zambézia tem tantos mulatos?Este livro, O Alegre Canto da Perdiz, parte de uma teoria.Segundo a tradição oral eram as mulheres negras que procuravam o homem branco para ter um filho mulato para que este não fosse depois deportado. Ainda há essa busca do homem branco. Muitas raparigas de 15 e 16 anos olham o homem branco como uma salvação. Sou observadora social e fui coleccionando estas questões.

Como explica, 30 anos após a independência, que essa busca do homem branco continue?

Estamos a assistir a qualquer coisa que não consigo interpretar. Os mulatos parecem estar de novo a assumir o controlo da situação. Com a economia de mercado aparecem os antigos portugueses a assumir o comando das infra-estruturas e o filho mulato ressurge no poder. Ainda não sei muito bem o que estou a fazer. Abro uma polémica para reflectir sobre o futuro do país. A reflexão sobre o que é ser moçambicano parou. Como nos vamos relacionar, que país estamos a construir? De forma suave tento levantar questões.E o que é ser moçambicano?Temos uma consciência nacional que não é comum aos outros países africanos. Moçambique está muito mais próximo da unidade nacional do que a maior parte das nações africanas. Aqui não há divisões tribais. Estamos todos misturados. Essa é das maiores relíquias de Moçambique.

Teme as reacções ao livro?

Tenho medo. Nem quero ser heroína nem mártir. Quero ser uma cidadã comum, mas não me sentiria bem se não escrevesse o que sei. Há gente que não vai gostar. Pode haver quem se zangue comigo. Acima de tudo quero contribuir para a reflexão da moçambicanidade.

O escritor Francisco José Viegas chama-lhe "a escritora mais divertida de África"...

Isso tem um pouco a ver com a estética da tradição oral. Quando os assuntos são muito profundos é preciso aligeirar. Já fiz isso com o livro anterior, em que o tema era a poligamia. De vez em quando tenho de fazer paragens para suavizar e dar um equilíbrio emocional ao leitor.

Mão estranha nas denúncias sobre INSS

Na guerra clássica, a luta pela posse de um território ou objecto estratégico, os comandantes designam os melhores soldados, atribuindo-lhes armas especiais, munidas de visor de longo alcance, destinadas a abater alvos seleccionados — membros do alto comando de exércitos inimigos, incendiar tanques de reservas de combustíveis ou munições. Abatendo tais alvos, deixa as tropas confundidas e neutralizadas. As forças ficam expostas às investidas inimigas.
As pretensas denúncias publicadas no SAVANA. de 21 de Março de 2008, com o título INSS: um saco azul, sobre o alegado uso indevido dos fundos do Instituto Nacional da Segurança Social, reflectem a intenção dos seus autores de atingir alvos que, noutras circunstâncias, não podem atingir nem provocar escoriações. Querem confundir a opinião pública e cortar a iniciativa da ministra do Trabalho, cuja acção ameaça os acomodados, que comiam a vida com uma colher grande.
Uma análise atenta ao arrolamento, feito às pressas, é fácil notar repetições de viagens e de atribuição, chegam a mencionar mais três vezes, do que chamam de despesas de representação. Deixa exposta a terceira intenção dos seus denunciantes. Se a denúncia fosse para corrigir o que anda mal, teriam tido o cuidado de elaborar bem o arrolamento que pretendiam transmitir ao público e não levantar uma cortina de poeira.
Para nos certificarmos da notícia, deslocámo-nos aos serviços da Migração e Aeroporto de Mavalane, onde verificámos que as viagens, tanto para Angola como para Suiça e França, foram extrapoladas. Para os dois arrolamentos, há repetições em 16/10, 8/1, 10/3 e 13/7. Há mais casos que poderiam ser citados. Gostaríamos de perceber o que este fenómeno, de facto, encerra. A relação das despesas de representação não diz quando isso aconteceu, o que deixa transparecer o que se pretende – transmitir uma imagem negativa da ministra.
Nós esperamos pela melhor denúncia para acreditar no conteúdo da sua mensagem. Uma denúncia consistente teria que mencionar a ordem de requisição, entrega dos fundos e a data.
Como faltam elementos essenciais que corporizam uma denúncia, a noticia não e digna de crédito. É um acto de má-fé. Helena Taipo é objecto de simpatia popular, devido à sua coragem e medidas de grande impacto social, que tem vindo a tomar para reestruturar a inspecção do Trabalho e o INSS.
Os detractores de Helena Taipo insatisfeitos pelo aperto do cerco, juntam-se aos seus “sócios” com quem sugam o INSS, queixam-se de excessiva interferência da ministra, na gestão da instituição. Porém, quando as coisas correm as mil maravilhas, são eles que anunciam os louros. Agora, que as torneiras estão a secar, falam de interferências. Os denunciantes esqueceram-se de anunciar que meteram empresas de seus amigos, no INSS, para sugarem, sem obedecer a concurso público, como manda a lei.
Nas investigações que fizemos, notámos mão estranha nas denúncias publicadas no SAVANA, visando denegrir, de forma dolosa, a ministra do Trabalho, devido ao seu empenho.

( Edwin Hounnou, em “ A TribunaFax “, 31 – 03 – 08 )