Wednesday, 11 January 2012

Manuel de Araújo diz que encontrou cofres do Município de Quelimane desfalcados


Manuel de Araújo já arruma a casa

Na tomada de posse de novos vereadores em Quelimane.

O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, afirmou que na sua chegada à edilidade encontrou os cofres do conselho municipal de Quelimane vazios e com uma dívida avultada, muito acima dos quatro milhões de meticais.
De Araújo falava ontem durante a tomada de posse de cinco dos oito vereadores do seu executivo.
De Araújo diz que, neste momento, o seu executivo está a estudar dívida por dívida, no sentido de apurar em que condições as mesmas foram contraídas.
Segundo o edil, há indícios de que partes dessas dívidas estejam ligadas à corrupção. “Como eu disse, encontrei o cofre vazio e com uma dívida de quatro milhões de meticais”, disse Manuel de Araújo, sem, no entanto, avançar o saldo encontrado nas contas do município de Quelimane, quando tomou posse a 30 de Dezembro do ano passado.
Segundo ele, parte do valor em causa destinou-se a pagamentos de salários fantasmas a alguns membros do partido Frelimo, que se faziam passar de funcionários do conselho municipal e que em nenhum momento assinaram o livro de ponto para a confirmação. “Razão pela qual nós vamos limpar as fileiras do município, por forma a fazer com que o dinheiro do munícipe sirva para criar o seu bem-estar”.
De acordo com um extracto da conta bancária número 11294487 do conselho municipal de Quelimane que tivemos acesso, o saldo da referida conta, que foi solicitado ao banco de proveniência no período de 1 de Outubro a 20 de Dezembro de 2011, era de apenas 63,787.60 meticais.

O País

Edilidade da capital decide ‘atacar’ a problemática da mobilidade

O Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) prevê um aumento de espaços para o estacionamento de viaturas, durante o ano em curso, mercê da construção de silos em curso, que adicionar-se-ão aos cerca de nove mil espaços actualmente disponíveis na urbe.

O Presidente da urbe, David Simango, disse que o município tem vindo a licenciar projectos privados para a construção de edifícios mistos que incluem parques de estacionamento, 'como forma de contribuir para a mobilidade e estacionamento de viaturas'.
Simango referiu que uma das regras definidas no Plano de Estrutura Urbana é a obrigatoriedade de cada flat ter pelo menos um espaço de estacionamento, o que poderá ter um impacto no trânsito, sobretudo no capítulo do estacionamento.
'Para todas as novas construções de prédios é obrigatório que cada flat tenha um espaço de estacionamento, e esta é uma regra que nós não tínhamos na nossa cidade. Hoje, se o projecto não tiver um número de estacionamentos correspondente ao das flats que se edificam, não é aprovado', realçou.
O edil afirma ser necessário corrigir algumas práticas 'em que, por razões históricas, garagens foram transformadas em habitações, escritórios ou salões. Mas aceito que a quantidade de veículos na cidade tem vindo a aumentar a uma velocidade que não acompanha os investimentos que estão a ser feitos'.
Segundo o dirigente, para a questão da mobilidade e acessibilidade ao nível da cidade de Maputo são necessárias várias medidas, uma das quais é o estacionamento rotativo pago, que começou em 2011, na zona baixa da cidade e que de forma gradual vai atingindo outros pontos da urbe.
Em 2010, o CMCM, com o apoio da Coreia do Sul, fez um estudo sobre a mobilidade na cidade de Maputo, que indicou que as avenidas Eduardo Mondlane e 24 de Julho podem ser alargadas ainda mais, eliminando os passeios centrais que, na prática, são reserva de estrada, 'e, em alguns casos, os passeios laterais são muito grandes e também podem ser reduzidos'.
O estudo indicou igualmente ser necessário introduzir na cidade faixas exclusivas ou dedicadas ao transporte público urbano, incluindo privado, 'porque a falta de mobilidade tem a ver também com a anarquia que há nas estradas, pois, se um autocarro, por exemplo, parar, todas as viaturas que vão atrás não podem circular'.
'Esta é uma das principais medidas neste esforço que estamos a fazer para melhorar a mobilidade na nossa cidade', sublinhou o edil, anotando que o município está também a implementar 'o mecanismo de semáforo inteligente'.
Explicou que nos cruzamentos, dependendo do movimento do tráfego, o semáforo pode demorar mais tempo num lado ou noutro, para escoar mais rapidamente o tráfego, encontrando-se neste momento praticamente pronta a construção da sala de controlo.
Seguir-se-à depois o lançamento do concurso para a compra e montagem do equipamento necessário ao funcionamento do sistema, 'e eu penso que isso irá também contribuir para melhorar a questão do trânsito na nossa cidade'.
David Simango, sem entrar em detalhe, revelou que existe já uma proposta concreta sobre Metro de superfície para Maputo e Matola, incluindo Marracuene, no âmbito da ligação metropolitana entre as duas cidades.

(RM/AIM)

Tuesday, 10 January 2012

MDM reúne seus quadros de olhos postos nas “autárquicas” de 2013


Avaliação de 2011 e perspectivas para 2012 na agenda em Manica.

O porta-voz do MDM, José de Sousa, disse ser preocupante que o Governo veja as manifestações como sinónimo de violência. Mesmo assim, não apoia as manifestações da Renamo.
A máquina política do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai concentrar as suas forças, este 2012, nas actividades de preparação dos militantes, nas bases e a todos os níveis, para tentar conquistar mais municípios nas eleições autárquicas agendadas para o ano 2013.
Com efeito, mais de 50 militantes desta formação político-partidária, entre quadros seniores e membros simples do MDM, vão reunir-se dentro de dias na província de Manica, com vista a avaliar o grau do cumprimento das actividades programadas para 2011.
Segundo José de Sousa, porta-voz do MDM, a reunião servirá igualmente para planificar os trabalhos e os próximos passos do partido para este ano de 2012.
“A reunião tem em vista avaliar as actividades planificadas a nível central, das sedes distritais, a sua execução e planificar, para o próximo ano, novas estratégias para as próximas eleições autárquicas de 2013”, afirmou de Sousa, para depois acrescentar que “nós queremos saber como nos posicionar como partido em todo este ano, tendo em conta que, próximo ano, vamos participar nas eleições autárquicas em todos os municípios do país. Queremos com isso trabalhar, este ano, com um único objectivo de participar para conquistar mais municípios”.
Os membros saudaram oficialmente a vitória de Manuel de Araújo, em Quelimane, nas eleições intercalares decorrentes da renúncia forçada de Pio Matos, até então edil pelo partido Frelimo.
Deverão participar da mesma reunião quadros-delegados do níveis central, distritais, presidentes das ligas juvenis, secretários do partido, entre outros membros intervenientes directos desta formação política.

O País

Monday, 9 January 2012

MDM decide sua participação nas eleições intercalares em Inhambane

Numa reunião da Comissão Política.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai anunciar, esta semana, a decisão final sobre a sua participação ou não nas eleições intercalares, nas quais deverá ser escolhido o novo presidente do Conselho Municipal da cidade de Inhambane, na sequência da morte, por doença, do seu último edil, Lourenço Macul.
Para o efeito, a Comissão Política deste partido esteve reunida, este fim-de-semana, na vila fronteiriça de Namaacha, província de Maputo, para avaliar a sua participação neste escrutínio, principal ponto de agenda desta reunião.
A decidir pela participação, a comissão política do MDM deverá delinear, igualmente, um plano estratégico para a sua aparição, o qual inclui a indicação de um candidato, a elaboração do respectivo manifesto eleitoral, o plano da campanha, seu respectivo financiamento, entre outros aspectos.

O País

Manuel de Araújo: O futuro não será mera continuação deste presente

Esta é a primeira mensagem de início de ano, que com reiterado orgulho dirijo na minha qualidade de Presidente do Município da Cidade de Quelimane, ao qual jurei servir e a meus concidadãos, a quem devo tudo e a quem dou o pouco que tenho.

Canalmoz. Leia aqui.

Nigéria: Trinta mortos em ataques no Norte do país

Dirigentes cristãos da Nigéria denunciaram a existência de uma “limpeza étnica e religiosa” em curso no Norte do país, onde desde o Natal dezenas de pessoas, na sua maioria protestantes e católicos, morreram em atentados reivindicados pelo grupo radical islamista Boko Haram.
A violência ganhou nova dimensão depois de quinta-feira, quando expirou um ultimato da organização para que todos os cristãos e animistas vindos do Sul abandonassem a região, maioritariamente muçulmana. O estado de Adamawa, no Leste do país, não estaria abrangido pelo aviso, adianta a BBC, mas foi aí que se concentraram os mais recentes ataques.
Um último balanço dá conta de 29 mortos em apenas 24 horas, incluindo 17 vítimas de um ataque armado na cidade de Mubi, onde decorria um encontro de responsáveis de uma etnia cristã. “Eles estavam reunidos quando chegou um grupo de homens armados e começou a disparar”, disse um residente à BBC. A estação britânica noticiou que outras dez pessoas morreram num ataque contra uma igreja em Yola, a capital provincial.
Numa tentativa para controlar a situação, o governador de Adamawa decretou um recolher obrigatório de 24 horas e o Exército colocou mais homens nas ruas. Medidas que não acalmaram a população, pois há notícias de que centenas de pessoas estão a abandonar as cidades, em busca de refúgio.
“A dimensão desta mortandade faz-nos efectivamente pensar numa limpeza étnica e religiosa sistemática”, disse o chefe da Associação Cristão da Nigéria, um grupo que reúne líderes de igrejas católicas e protestantes do país, citado pela AFP. O reverendo Ayo Oritsejafor disse que a organização, reunida de emergência neste domingo, “decidiu definir os meios necessários para defender [a comunidade] face a estas matanças insanas”.
O Presidente Goodluck Jonathan, ele próprio cristão, comprometeu-se a derrotar o Boko Haram e declarou o estado de emergência em vários estados do Centro e Norte do país. Mas os grupos cristãos acusam-no de não fazer o suficiente para proteger os seus. “Temos o legítimo direito de nos defender, seja a que custo for”, reagiu hoje Oritsejafor, sem revelar que medidas estão a ser ponderadas.
O Boko Haram – cujo nome significa “a educação ocidental é proibida” – luta pelo derrube do Governo e a instauração de um Estado islâmico, com a aplicação estrita da sharia na Nigéria, um país de 160 milhões de habitantes, dividido entre o Norte muçulmano e o Sul de maioria cristã. Inicialmente uma seita, que se dizia inspirada pelos taliban afegãos, o grupo protagonizou em 2009 uma insurreição que foi brutalmente esmagada pelo Exército. Ressurgiu meses depois na forma de guerrilha, responsável por dezenas de ataques contra militares, polícias, responsáveis locais e religiosos que se opõem à sua ideologia.

Radio Moçambique

Sunday, 8 January 2012

Mozambique's 'Mr Guebusiness'


The tentacles of Mozambican President Armando Emilio Guebuza's huge family business empire make Zuma Incorporated look like a spaza-shop operation.
Guebuza has wide-ranging Mozambican interests in the banking, telecommunications, fisheries, transport, mining and property sectors, among others. Critics complain that, as president, he makes critical decisions about economic matters that have a direct bearing on his business activities.
Already a wealthy businessperson when he became president in 2005, Guebuza has steadily expanded his interests, drawing in more and more members of his family. His children Valentina, Armando, Ndambi, Norah and Mussumbuluko, nephews Miguel and Daude, brother-in-law and former defence minister Tobias Dai, Dai's cousin José Eduardo Dai and sister-in-law Maria da Luz Guebuza now share in the spoils.
Known in Mozambique as "Mr Guebusiness", he has also entered into lucrative partnerships with Indian, Chinese, Dutch and Bermuda-registered companies. His most important South African connection is an interest in Trans African Concessions, the company that operates the crucial N4 toll route between Pretoria and Maputo.
Guebuza is on the board of Cornelder, the company that manages the Beira and Quelimane ports. He is also a shareholder in South African cellphone company Vodacom's Mozambique subsidiary through Intelec Holdings, a sprawling group that administers the president's investments.
With interests in electricity transmission and equipment, telecommunications, gas, consulting, cement, tourism, construction, Tata vehicles and fishing, Intelec holds 5% of Vodacom Moçambique, the private cellphone company that competes with the state operator, Cornelder de Moçambique.
Intelec, chaired by the former head of Mozambique's employer body, Confederação das Associações Económicas, also has a stake in Moçambique Capitais, which recently launched the bank Moza Banco in partnership with Macau magnate Stanley Ho's Geocapital.
The group has started a consulting company called Intelec Business Advisory and Consulting, in which a Mozambican resident of Cape Town, Tania Romana Matsinhe, has a 35% stake and serves as chief executive. Among its other shareholders is Guebuza's son, Armando, with a 12.5% stake. Matsinhe served as economic adviser to the Mozambique minister of planning and development and also sits on the board of 1Time airline.
One of Guebuza's business front-men, Intelec director Salimo Amad Abdula, has links to chalk-mining operations in Mozambique and picked up a 15% stake in Elephant Cement Moçambique in May last year. This makes him a partner of Indian cement manufacturer Shree Cement, which holds the rest of the shares in Elephant Cement.
The family member with the widest range of business interests is Guebuza's youngest daughter, 31-year-old Valentina, who already has several directorships under her belt and a growing list of companies linked to her name.
In 2001 Valentina became a shareholder in the family's holding company, Focus 21 Management and Development Limited, with her brothers Armando and Mussumbuluko. In 2007 she took a giant step when she became a shareholder in Beira Grain Terminal, which operates the bulk grain terminal in the Mozambican port.
Valentina has a 2.5% stake in the consortium, the three main shareholders of which are Bermuda-registered company Seaboard Moz Ltd (32.5%), state-owned port and railway company Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (15%) and Cornelder de Moçambique (15%). She is also believed to be a shareholder in Cornelder.
The network of family members that dominates the Guebuza empire also includes José Eduardo Dai, who has partnered Valentina in a range of enterprises. In 2008 the pair joined forces with Carlos Salvador, a Mozambican businessperson with interests in South Africa, in launching computing and telecommunications firm Orbttelcom.
In the same year José Eduardo Dai, Valentina and Mussumbuluko created mining company Dai Servicon Limited. In 2009 they featured as directors in the newly formed import-export company Mozambique Investment and Development Limited, again after its rules were structured to accommodate the two members of the president's family.
Valentina is also joint owner of Imogrupo, which has interests in real estate, engineering, construction, hospitality and tourism. She has an interest in Maputo's Tunduro Botanical Gardens, which are being rehabilitated with municipal funds.
Valentina is chief executive of Chinese-owned TV company StarTimes, which has a joint undertaking with the Guebuza-owned Focus 21 to digitise public broadcasting. There was no public tender for the contract.
Guebuza's oldest son, Armando, has a degree in architecture from a South African university. His name appears among the directors of seven registered companies in Mozambique. With South African and Angolan partners, he registered a company last year called Billion Group Moçambique, which has interests in mining, energy, construction and public works. It appears to be part of the Bongani Investment Holdings empire -- a Christian business network that has close links with South African President Jacob Zuma. Its chief executive, Alph Lukau, is the pastor who officiated at the lavish wedding of Zuma's daughter Duduzane last year.
Guebuza's other son, Mussumbuluko, with siblings Armando and Valentina, is the Maputo representative of Christian Bonja, a Lebanese company owned by Michal Mansou, who is well known in the Middle East and Europe for handmade Lebanese jewellery and Swiss watches.
Linked to four undertakings by the companies register, Mussumbuluko is on the board of Intelec.
Guebuza's oldest daughter, Norah, has also entered the field after her father again amended company rules in 2005 to allow her to become a Focus 21 director. She joined forces with Zimbabwean and Mozambican partners to launch the firm MBT Construçoes Lda, specialising in construction and public works, at the beginning of last year.
Guebuza's nephew, Miguel, launched his business career in 1993 by partnering Guebuza in a furniture and import-export company, Venturin. Miguel is a director in the construction consulting company Englob-Consultores Lda, in which one of his partners is Tendai Mavhunga, Guebuza's son-in-law.
Miguel was recently appointed to the board of newly formed Mozambique Power Industries, a South African-based concern that plans to manufacture and market electrical transformers. Its shareholders include South Africans Wilhelm François Jacobs and Christoffel Cornelius Koch. He is also a shareholder in Vodacom Moçambique.
In 2005 he partnered Dimitrios Perrevos, who has business interests in South Africa, in launching an electrical undertaking called Luminoc. Perrevos, who appears to be Angolan, was a shareholder in the ill-fated Angolan diamond-mining interests pursued by the late Brett Kebble.
The other Guebuza nephew, Daude, has interests in the property, construction, hotel, heavy sand and oil sectors, among others. In 2000, with Guebuza, he launched courier company New Express.
Daude is a partner with another South African, Oded Besserglik, in a waste-disposal company, Wasteman Mozambique. Besserglik, an Israeli who moved to South Africa during the apartheid era, has more recently had several business connections with Zulu King Goodwill Zwelethini and members of his family.


Catching the early bus

The dangers inherent in President Armando Emilio Guebuza holding the reins of government while presiding over a private business empire were thrown into harsh relief by a public-transport contract of the Mozambican government.
In July last year the weekly newspaper Canal de Moçambique reported that the Mozambican government had bought 150 gas-powered buses through a state investment corporation, the Transport and Communications Development Fund, for the use of the Maputo municipality. The trouble is that the buses were manufactured by the Indian group Tata and supplied by its local subsidiary, Tata Mozambique, in which Guebuza has a 25% stake.
According to fund executive director Luis Mula, the transaction was worth R161.4-million.
Canal de Moçambique reported that the contract did not go out to international tender, which is a requirement of Mozambique's procurement law.
From September 29 to October 4 2010 Guebuza travelled to India on a state visit. His delegation included Mozambique's ministers of foreign affairs, interior, mineral resources and transport and communications.

Luis Nhachote, Mail & Guardian. Leia aqui.

Saturday, 7 January 2012

MAPUTO/KA TEMBE/PONTA D’OURO: Projecto de estrada tem aval ambiental

O PROJECTO das estradas Maputo/Ka Tembe/Ponta d’Ouro e Bela Vista/Boane, na província do Maputo, não configura nenhum problema, lacuna ou conflito de natureza ambiental cuja gravidade possa levantar dúvidas sobre a sua sustentabilidade, segundo conclusão do estudo de pré-viabilidade ambiental encomendado pelo proponente do empreendimento.

Maputo, Sábado, 7 de Janeiro de 2012:: Notícias

Trata-se de um projecto que cobre um total de 187 quilómetros de estrada, incluindo obras associadas, divididas em três troços. O primeiro, com uma extensão aproximada de 22 quilómetros, vai do Maputo a Ka Tembe, e inclui a ponte projectada sobre a Baía de Maputo. O segundo troço, com 102 quilómetros de extensão, vai da Ka Tembe até Ponta d’Ouro, com ligação até à fronteira com a África do Sul, na região do Kwazulu-Natal, que vai acomodar tráfego comercial entre Moçambique e aquele país vizinho, em particular de e para o Porto de Durban.
O terceiro troço tem 63 quilómetros de extensão e liga a zona da Bela Vista ao distrito de Boane, pretendendo-se que seja um ramal funcional de acesso directo ao Porto da Matola e à zona industrial daquela urbe, sem precisar de atravessar a cidade do Maputo.
Nos termos da Lei 20/97, de 1 de Outubro (Lei do Ambiente), que estabelece suporte para o licenciamento de iniciativas de desenvolvimento, o projecto foi classificado como sendo de categoria “A”, necessitando, por isso, de um Estudo de Impacto Ambiental completo, já que se acredita que a sua implementação pode causar graves impactos devido ao tipo de actividade proposta e à sensibilidade da zona.
Neste contexto, estão agendados para os dias 10, 11 e 13 de Janeiro corrente, encontros de consulta pública e revisão do estudo de pré-viabilidade, encontros que terão lugar na Ponta d’Ouro, na vila da Bela Vista e no distrito de Boane.
Estes encontros, para os quais foram convidadas todas as partes interessadas e afectadas, destinam-se à auscultação dos participantes à volta do conteúdo do relatório de pré-avaliação, numa perspectiva não só de integrar elementos considerados relevantes que interessam sobretudo às comunidades, como também de corrigir eventuais erros ou omissões resultantes do processo de recolha de informações no terreno.
De acordo com o documento, os impactos mais significativos esperados do projecto serão ao nível socioeconómico com as previsíveis melhorias em áreas como emprego, aumento e diversificação das actividades económicas e melhoria do acesso a serviços sociais como Educação e Saúde.
“Não se identificou qualquer impacto ambiental que possa levantar dúvidas sobre a sustentabilidade do projecto. Os impactos negativos não serão significativos e prevê-se que o projecto possa proporcionar, inclusivamente, benefícios para as comunidades. O projecto é ambientalmente viável…” lê-se no documento cuja cópia o “Notícias” teve acesso.
Com a nova estrada a distância entre a região sul-africana de Kwazulu-Natal e Maputo poderá ser coberta em cerca de hora e meia, facto que vai permitir um forte intercâmbio económico entre os dois países.
No entanto, reconhece-se que haverá alguns impactos negativos de natureza biofísica que, ainda assim, serão menos significativos do que se se tratasse de uma construção de infra-estruturas de raiz. Afinal, grande parte do projecto consiste na requalificação de infra-estruturas já existentes.
Assim, não se prevêem impactos sobre o clima, geologia, recursos hídricos superficiais e subterrâneos, e ecologia, desde que sejam respeitadas todas as recomendações de engenharia contidas nos termos de referência.
Mesmo reconhecendo que o projecto vai trazer um maior movimento em termos de tráfego rodoviário para as regiões abrangidas, não se prevê que o mesmo possa vir a ser responsável, por si só, por uma degradação da qualidade do ar.

Contribuição de megaprojectos nas receitas do Estado e no PIB abaixo de 1% em Moçambique

Os oito megaprojectos existentes em Moçambique contribuíram 0,004% para as receitas globais do Estado, equivalente a 83 milhões de euros, e 0,001% do Produto Interno Bruto em 2010, revela o relatório sobre a Conta Geral do Estado.
Segundo o documento, citado pelo semanário Savana, o Tribunal Administrativo de Moçambique analisou a contribuição fiscal da fundição de alumínio Mozal, da petrolífera Sasol Petroleum Temana, Sasol Petroleum Moçambique, Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Areias Pesadas de Moma, Riversdale, Anadarko e Vale Moçambique.
As oito multinacionais contribuíram nas receitas globais em 83 milhões de euros, tendo a HCB comparticipado com o correspondente a 38,7%, a Anadarko 24,1%, a Mozal 17% e a Vale Moçambique 6,8%.
"Esta preponderância da HCB foi determinada, essencialmente, pela receita proveniente das Taxas de Concessão, já que, em termos de receita fiscal, o seu contributo (5 milhões de euros) é, no contexto dos demais, bem mais modesto", refere o TA.
Em 2010, o Estado moçambicano mobilizou recursos equivalentes a 3,2 milhões de euros para financiar as despesas do Estado, 57,9% dos quais correspondem a receitas internas, 4% a créditos internos e 38,1% a fundos externos.
Mas, neste período, a Mozal e a Sasol, por exemplo, tiveram isenções fiscais estimadas em 59 milhões de euros. Contudo, "o peso dos impostos por eles pagos rondou 0,0002% do PIB, enquanto a respectiva despesa fiscal se situou, também face ao PIB, em 0,6069%", segundo a auditoria do TA.
"Assim, o montante dos benefícios fiscais que estes megaprojetos usufruíram é equivalente a 3034,5 vezes a receita fiscal por eles gerada", acrescenta o auditor das contas do Estado moçambicano.
Economistas moçambicanos advogam a abolição de zonas francas em Moçambique e a renegociação dos acordos com as grandes empresas, principalmente com a Mozal, o maior investimento privado dos últimos anos no país.
A Mozal é avaliada em 1,5 mil milhões de euros mas beneficia de isenção de todas as taxas, excepto o imposto relativo aos rendimentos das pessoas colectivas, em que a empresa paga apenas 1% dos seus lucros.
O economista moçambicano Carlos Nuno Castel-Branco estima que o potencial dos megaprojectos mais conhecidos, se explorado, pode duplicar a receita fiscal do Estado. No entanto, considera que, caso se mantenha, a política governamental de isenção fiscal pode pôr em causa a estabilidade social nacional.
De acordo com os cálculos do académico, se as grandes empresas estiverem sujeitas ao fisco comum, as receitas do Estado cresceriam 60% num curto espaço de tempo.
Recentemente, os bispos católicos de Moçambique apelaram à "reflexão séria" sobre a implantação dos megaprojectos no país e à discussão com uma "abordagem a fundo" para que o trabalho de responsabilidade social das grandes companhias "produza um maior impacto nas comunidades" do país.

RM

Friday, 6 January 2012

Maputo abandonado

SR. DIRECTOR!

As duas semanas que ocorreram entre os dias 20 de Dezembro de 2011 e 2 de Janeiro de 2012, foram marcadas pelas festas de Natal e de passagem de ano. Como é normal acontecer nesta época do ano, ocorreram deslocações de pessoas nos mais diversos sentidos, ora ao encontro de familiares e amigos, ora em busca de lazer e diversão em zonas de sua escolha, nomeadamente zonas turísticas.

Maputo, Sexta-Feira, 6 de Janeiro de 2012:: Notícias

A cidade do Maputo, neste período, comporta-se, regra geral, de quatro formas distintas: uma parte dos seus habitantes, nomeadamente os da classe considerada média alta, abandona-a, demandado instâncias turísticas dentro do país, nomeadamente as belas praias dispersas ao longo da costa ou ainda locais específicos de países vizinhos; uma segunda parte – cada vez crescente, entre a classe média baixa – procura festas organizadas em hotéis, quintas ou “complexos” estabelecidos ao longo dos novos bairros que vão florescendo nos municípios da Matola, Maputo e mesmo Marracuene, enquanto a terceira secção, a maioria da população, junta-se em festas familiares nos subúrbios.
Enquanto isto, uma quarta categoria de cidadãos tomam a cidade, de forma sorrateira, porém em números cada ano crescente, ocupando hotéis e outras casas de acomodação: trata-se de cidadãos estrangeiros que, provenientes de tão longe como os Estados Unidos da América ou de tão perto como a África do Sul, procuram a nossa cidade-capital, como local de sua eleição para o período de Natal e fim-de -ano. E têm chegado às centenas, anos após ano!
Se uns são já visitantes habituais da nossa capital, aonde pretendem reencontrar pessoas, lugares e aromas já conhecidos, já outros – quiçá a maioria – são debutantes, atraídos por imagens e crónicas publicadas em revistas de viagem, pela Internet ou outros meios de comunicação. Seja como for, a escolha de ambos por Maputo transmite-nos uma informação da maior importância: que Maputo é uma cidade turística, por excelência! Com motivos humanos, paisagísticos, arquitectónicos, históricos e culturais que, devidamente estruturados, representam um inestimável potencial económico!
Se é verdade que os nossos visitantes hospedam em hotéis ou outro tipo de casas de acolhimento, também é verdade que estes são locais apenas úteis para dormir e, de manhã tomar o pequeno-almoço. O resto da actividade turística ocorre, obviamente, fora do hotel: nas ruas, feiras, espectáculos musicais, e, muito importante ainda, em torno da gastronomia local, pela qual se provam e apreciam os pratos, o sal e outros temperos da terra.
Chegados aqui, Maputo tem, cada ano que passa, um problema seríssimo! Maputo acha-se quase totalmente abandonado à sua sorte: neste período, exactamente neste período, a quase totalidade dos restaurantes da cidade encontram-se encerrados, sem apelo nem agravo! Constatamos isso mesmo, durante o recente período de festas: toda a cadeia de restaurantes e outro tipo de casas de pasto, situados no largo perímetro da zona metropolitana da cidade, que sobe da Avenida Karl Marx, no bairro central, até à Av. da Marginal, ultrapassando, portanto, a vistosa e agitada Julius Nyerere, estiveram encerrados, desde a semana de 20 de Dezembro de 2011 ao dia 2 de Janeiro do presente ano! No único restaurante que esteve aberto na zona da Polana-Cimento, pudemos testemunhar, envergonhados, a longas filas de turistas e de nacionais, que permaneciam em pé varias horas, à espera de um lugar para se sentarem e comer um simples frango assado!
Fez-nos lembrar os anos de chumbo, em que corríamos para nos inscrevermos às 17.00 horas para o jantar num restaurante da cidade, para depois esperar pela chamada na longa bicha, a partir das 20 horas, com o risco, aliás muito frequente, do carapau acabar, antes da nossa vez chegar!
Parece-nos fazer sentido, lançar aqui um apelo a quem de direito, nomeadamente ao Conselho Municipal da Cidade do Maputo, em associação com os Ministérios do Turismo e da Indústria e Comércio, no sentido de fazerem que se reflicta, também no domínio da restauração, a característica do Maputo como cidade turística! Conhecemos, pelo mundo fora, zonas de determinadas cidades, onde as características e o funcionamento de determinados restaurantes obedecem a critérios específicos, reflectindo a relevância turística ou a nobreza da zona! São os ex-libris da cidade!
Pelas televisões, vimos como várias cidades, pelo mundo fora, atraíram milhares de turistas e divertiram os seus habitantes, através de eventos diversos, como grandes espectáculos musicais e de fogo de artificio, feiras de gastronomia, etc. Caberiam, ai, as tão propaladas parcerias público-privadas. Contudo, na nossa cidade capital, aos turistas apenas sobravam algumas barracas da Feira Popular ou o popular Mercado do Peixe; ou era preciso perguntar à Polícia aonde encontrar um restaurante aberto, para pedir um simples frango assado!

Tomas Vieira Mário

Por um 2012 com mais qualidade de vida e mais respeito por Moçambique

Já estamos em 2012. O período de “festas” passou a voar. Boas entradas são os nossos mais imediatos desejos a todos.
2011 não deixou boas recordações no que respeita a aspectos do interesse comum. Para além de muitas promessas e poucas realizações, fomos brindados com um orçamento do Estado para o corrente ano em que mais uma vez, com a anuência de certos senhores instalados na Assembleia da República e pouco preocupados com o que diz realmente respeito a todos nós, o Governo optou por destinar grandes verbas para as forças de repressão em vez de se preocupar com os que mais precisam e destinar esses fundos a iniciativas que ajudem a eliminar o descontentamento e o desespero dos que continuam a ser os filhos bastardos de Moçambique – muitos milhões, por sinal a esmagadora maioria que não tarda a pôr termo à sua paciência e explodir se nada for feito.

Editorial do Canalmoz / Canal de Moçambique. Continue lendo aqui.


Thursday, 5 January 2012

2012: o que promete?


ESPERO que todos tenhamos entrado em 2012 com ansiedade. Digo que espero porque não posso fazer um juízo seguro por não estar a par do que terá acontecido efectivamente com outros cidadãos. Agora o momento é dado a balanços positivos e negativos. É verdade que cada um tem de fazer, por si só, à sua visão, o seu balanço, mas salta-me o ano passado, à vista, uma conclusão quase unânime: apesar de o país ter registado avanços em várias frentes, ainda há muito por fazer para combater a pobreza absoluta que fustiga o maior número de cidadãos em Moçambique, o desemprego e outros males que estão no centro das preocupações globais.

Maputo, Quinta-Feira, 5 de Janeiro de 2012:: Notícias

Se bem que não pretendo fazer um diagnóstico precoce, tanto mais que estou habituado a encarar as transições de ano com optimismo, sinto também desta vez, profundamente inquieto, o facto de tudo indicar que as consequências nefastas da globalização, o desemprego e o empobrecimento da maior parte das famílias moçambicanas poderem continuar a definir as suas angústias diárias no ano que acabamos de entrar. É uma realidade irrefutável.
Acredito que neste ano muita coisa boa possa resultar da mudança que se venha a dar na implementação de várias acções de desenvolvimento por parte do Governo, tanto é que compete ao Executivo do dia de tudo fazer para que a vida neste país seja possível, mas arrisco-me a dizer que, o que, isso sim, me preocupa é que essa mudança possa ser “estragada” com os discursos do “politicamente correcto” ou transformar-se num fim em si mesmo.
A entrada em 2012 não signifique o que deveria significar para o nosso país: o fim das frustrações que se apoderam dos moçambicanos e das ameaças do retorno à guerra, que ninguém com ideias nobres não seja capaz de desistir ou deixar de criticar de forma frontal, aquilo que vai mal na nossa pátria, na perspectiva de que haja ponderação, com inteiro sentido das responsabilidades e seriedade na tomada de decisões por parte dos que nos dirigem.
É sempre importante entrar num ano novo como o 2012, que promete ser ano de várias e grandes transformações no nosso país e à escala global. O bom senso, que me conste, nunca fez mal a ninguém, daí que espero igualmente que no presente ano o exercício da militância política seja feito com escrúpulos para a consolidação do processo democrático no nosso país. Importante é ainda quando se está consciente sobre a necessidade da renovação dos esforços no desenvolvimento dos nossos municípios, alguns dos quais tendem cada vez mais a abrandar o seu engrandecimento, como é o caso da cidade de Nampula.
Do mesmo modo espero que o ano 2012 faça com que o país económico e o país político possam estar reconhecíveis através de investimentos e maturidade política, a igualdade de direitos conferidos na Constituição da República não seja uma miragem distante, o nosso jornalismo seja sério e responsável, a consolidação da unidade nacional que todos os dias se fala não seja só nas palavras, porque senão fará menos sentido que tenhamos entrado nele.
E porque se diz que quando há crença e convicção num ideal, não há machado que corte a raiz do pensamento, nós aqui continuaremos a dar a nossa contribuição da forma e estilo que damos, partilhando as posições críticas dos outros que também estão interessados em ver este país a andar e chegar onde possa chegar sem hipocrisia de qualquer índole. Que 2012 seja ano de progressos e esperança para todos nós!

Mouzinho de Albuquerque

Eleições africanas não trazem benefícios - analistas

Mais países africanos terão este ano eleições multipartidárias, mas há dúvidas sobre os seus efeitos sociais

“É bom vêr que apesar de haver guerras e confrontos devido ás eleições, é um processo vibrante e que as populações africanas estão a exercer a liberdade.”

Tal como aconteceu em 2011 muitos países africanos vão este ano ser palco de eleições multipartidárias, algo que indica à primeira vista um enraízamento da democracia em África.
Assim estão previstas eleições presidenciais no Gana, Senegal, Quénia, Mali, Madagàscar, Serra Leoa e possívelmente no Zimbabwe.
Angola está também a preparar eleições legislativas em que o líder do partido vencedor será presidente.
Mas apesar do crescente número de países africanos que realizam eleições alguns analsitas africanos afirmam que essas eleiçoes não têm dado grandes benfícios aos eleitores.
Activistas de direitos humanos e organizações anti-corrupção fazem notar por exemplo que na Reoública Democrática do Congo se realizam eleições desde 2006 mas pouco tem mudado em benefício geral das populações.
Leonard Wantchekon, director do Instituto para Investigação Empírica de Economia Política, sediado no Benin diz que as eleições só por si são positivas porque permitem que os eleitores escolham entre vàrios candidatos.
Mas Wantchekon diz que há recente preocupação através de África com o facto das eleições não estarem a provocar mudanças sociais suficientes.
“A desilusão deve-se ao facto de não ser óbvio que a realização de mais eleições tenham melhorado a educação, a saúde ou que tenham resultado em melhor governação e menos corrupção,” disse ele.
“Há agora mais corrupção do que nunca,” acrescentou.
Para além do Congo realizaram-se eleições presidenciais em 2011 no Benin, Camarões, Cabo Verde, República Centro Africana, Chad, Djibouti, Libéria, Níger, São Tomé e Príncipe, Seychelles, Uganda e Zambia. O ano passado acabou tambem por se resolver a questão das eleições presidenciais de 2010 na Costa do Marfim que resultaram no confronto sngrento.
Gnaka Lagoke que dirige o sitio na internet African Diplomacy diz ter esperanças democràticas para o continente africano mas expressa também preocupação sobre o signficado das mesmas.
“É bom vêr que apesar de haver guerras e confrontos devido ás eleições, é um processo vibrante e que as populações africanas estão a exercer a liberdade,” disse ele. Acrescentando no entanto que “o ocidente a fazer todos os possíveis por controlas essas eleições”.
Lagoke alega que governos ocidentais e organizações não-governamentais aplicam diferentes tipo de pressão para que os países africanos escolham candidatos por si favorecidos dando como exemplo a re-eleição de Ellen Johnson Sirleaf na Libéria.
Lagoke disse mesmo que escolher Sirleaf para o Prémio Nobel da Paz fez aumentar a sua popularidade.
O analista acusou observadores enviados por governos e organizações ocidentais de decidirem queeleições foram justas quando os candidatos que favorecem e protegem os seus interesses ganham.
Os países ocidentais negam interferir nessas eleições mas com mais eleições este ano, esse tipo de debate, acusações e mesmo confrontos violentos deverão continuar.

Voz da América

Wednesday, 4 January 2012

MDM exige esclarecimentos a edil de Nampula

Excessivo uso da força pela polícia municipal contra vendedores ambulantes

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em Nampula emitiu, ontem, uma carta a contestar e a exigir esclarecimento sobre o excessivo uso da força pela Polícia Municipal daquela cidade contra vendedores ambulantes e informais indefesos. Nessa carta, dirigida ao presidente do Conselho Municipal de Nampula, Castro Namuaca, assinada pelo seu delegado político provincial naquele ponto do país, Assane Rachid, o MDM relata que, constantemente, a polícia municipal tem vindo a praticar actos violentos, agressões físicas e até disparos de armas de guerra contra indefesos negociantes de pequena escala, com alguma incidência no espaço defronte da padaria Nampula, na avenida do trabalho e na estação do terminal de comboio de passageiros.
O MDM entende que esta actuação “é anti-constitucional”, na medida em que a lei-mãe consagra o direito de trabalho ao povo moçambicano e a acção destes vendedores informais é “uma promoção de auto-emprego”.

Nelson Belarmino, O País

Moçambique pagará USD 105,9 milhões da sua dívida externa este ano

Moçambique deverá desembolsar, ao longo deste ano, cerca de 105,9 milhões de dólares norte-americanos para o pagamento da sua dívida externa actualmente estimada em cerca de 3,6 biliões de dólares norteamericanos.
Por outro lado, projecções do serviço da dívida pública interna indicam que este 2012 serão liquidados cerca de 515 milhões de meticais, depois de terem sido pagos 1,004 milhões de meticais da mesma dívida interna, em 2011, projectando- se pagar 216 milhões de meticais, em 2013.
Fonte competente da Direcção Nacional do Tesouro do Ministério das Finanças indica que, devido ao vencimento progressivo das Obrigações do Tesouro (OTs) já emitidas, o nível do serviço da dívida interna a ser observado passará de 1,456 milhões de meticais, em 2009, para 216 milhões de meticais, em 2013.

Dívida externa

A mesma instituição explica, entretanto, que o aumento progressivo da rubrica de capital da dívida externa moçambicana em cerca de 71%, entre 2009 e 2013, ficará a dever-se ao término dos períodos de graça de alguns empréstimos, o mesmo verificando-se em relação aos juros que aumentarão em 39%, no mesmo período.
Contudo, apesar destes aumentos progressivos do valor de capital e de juros, a dívida externa moçambicana manter-se-á “a níveis sustentáveis”, segundo o ministro das Finanças, Manuel Chang.
A dívida externa moçambicana chegou a registar um saldo de seis biliões de dólares norte-americanos que caiu para os actuais cerca de 3,6 biliões de dólares devido ao perdão parcial da mesma, graças às negociações feitas pelo Governo junto de credores externos, no âmbito das iniciativas HIPC (Países Pobres Altamente Endividados) e MDRI (iniciativa para o Alívio da Dívida Multilateral).
O facto contribuiu para a dívida externa moçambicana passar de 4,8 biliões de dólares, em 2004, para USD 3,6 biliões, em 2008, “melhorando assim todos os indicadores de sustentabilidade da dívida pública”, segundo ainda Manuel Chang.

Correio da Manhã, citado em A Verdade

Tuesday, 3 January 2012

É importante mudarmos de atitude – afirma Dinis Matsolo, do Conselho Cristão de Moçambique

O Reverendo Dinis Matsolo, do Conselho Cristão de Moçambique (CCM), considera que cada ano é diferente do outro, sendo que a atitude de cada cidadão é importante para que o país possa desenvolver.
“A atitude e acção de cada um de nós são importantes neste processo de construção do país. Cada ano que passa sempre acumulamos e renovamos as nossas experiências. Politicamente, o ano de 2011 foi de muita turbulência. Não em Moçambique, mas a nível de África. Na verdade, houve muita turbulência no Continente Africano e no mundo. Houve manifestações na Tunísia, Egipto e Líbia que provocaram o derrube dos regimes locais. Não foram processos pacíficos. Espero que esses processos nos tenham ajudado a reflectir sobre o nosso papel como africanos. O mais importante é o diálogo, que deve ser aberto e inclusivo”, disse, acrescentando que, a nível interno, o ano foi politicamente marcado pela consolidação da paz, democracia e crescimento económico à altura das condições existentes.
“A crise económica e financeira internacional desafiou-nos a tomarmos medidas de contenção. Isso marcou os moçambicanos. Mas não se justifica que um país como Moçambique, com tantos recursos, não tenha sucessos neste domínio. Continuamos, por exemplo, a importar tomate, cebola, repolho e outros produtos. Significa que temos de nos aplicar na produção e produtividade. Temos de responder ao apelo do Presidente da República, para conseguirmos, como povo, desafiar, com sucesso, a pobreza”, afirmou.

Notícias

Por imprepararação dos empreededores: Moçambique ainda não capitaliza integração regional – estudo do MARP

Apesar de Moçambique estar empenhado na integração regional, no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), ainda não está a capitalizar o seu pleno potencial devido a falta de preparação dos seus empreendedores para competir em pé de igualdade com outros países da região.
O facto vem reflectido no último Relatório de Revisão de Pares (Julho 2010) e que foi apresentado nos finais de 2011, explicando que os empreendedores moçambicanos e o público ainda não estão suficientemente informados sobre as actividades da SADC e como colher benefícios desta organização regional.
O MARP aponta o Governo e a Confederação das Actividades Económicas (CTA) como sendo responsáveis por este cenário, avançando que o lançamento da área de comércio livre, em Agosto de 2008, constitui uma boa oportunidade para a solução destes problemas.
O documento, que a AIM teve acesso, adianta que Moçambique adoptou a Iniciativa do Triangulo do Crescimento com o Malawi e o Zimbabwe e assinou acordos com a Suazilândia e a Africa do Sul, mas aparenta não estar a capitalizar no máximo estas iniciativas.
“Em suma, embora Moçambique tenha registado um avanço impressionante na governação e gestão económicas ao longo da última década, persiste um número significativo de desafios que implicam a continuação, a expansão e aprofundamento das reforma e ajustamento estrutural em curso’, destaca o MARP.
A continuidade destas reformas, na visão do MARP, deve ser acompanhada por uma estratégia de desenvolvimento de base ampla em que o sector privado em especial as Pequenas e Media Empresas (PME’s) desempenhem papel mais preponderante porque só assim poderá ser reduzida a dependência de Moçambique em relação a ajuda externa e a sua vulnerabilidade aos choques externos.
Sobre as reformas, o documento recomenda ao reforço das instituições responsáveis pela fiscalização e pela garantia da transparência, bem como a responsabilização de forma particular a autoridade e as capacidades do Parlamento, Tribunal Administrativo e Organizações da Sociedade Civil.
O MARP recomenda ainda um maior esforço para colocar o desenvolvimento económico de Moçambique no quadro da integração económica regional, bem como sensibilizar o sector privado, organizações da sociedade civil e o público sobre a sua importância e seu potencial.
“As medidas que estão a ser tomadas pela SADC com vista a acelerar o processo de integração económica devem também ser assumidas internamente e interiorizadas”, avança o documento.
As conquistas económicas que Moçambique obteve na última década, não são auto-sustentáveis daí a necessidade do fortalecimento das políticas monetária, e fiscal, tendo em conta a estabilidade económica a longo prazo e usá-la como alavanca para o combate a pobreza.

(RM/AIM)

Monday, 2 January 2012

O tiro que saiu pela culatra

No dia 23, Conselho Constitucional validou e proclamou os resultados das eleições intercalares que tiveram lugar nos municípios de Cuamba, Pemba e Quelimane, nas províncias de Niassa, Cabo Delgado e Zambézia, respectivamente. As mesmas tiveram lugar no dia 7 de Dezembro.
Na verdade, foi para cumprir uma mera formalidade pois nada foi acrescentado ao que já tinha sido divulgado pela Comissão Nacional de Eleições. Mas não são a validação e proclamação dos resultados que nos levaram a escrever estas linhas, mas sim o conteúdo do Acórdão n.o 04/CC/2011 de 22 de Dezembro, lido pelo Presidente do Conselho Constitucional, Hermenegildo Gamito.
É que, o capítulo V (Campanha Propaganda Eleitoral) do aludido acórdão faz referência à utilização de viaturas do Estado por parte do partido no poder, a FRELIMO, o que contraria a norma n.o 1 do artigo 44 da Lei n.o 18/2007, que proíbe, expressamente, a utilização de bens públicos em campanhas eleitorais pelos partidos, sejam eles quais forem. Consideramos que reconhecer um erro (entenda-se, irregularidades) já é um passo. Porém, a lei não prevê sanções para este tipo de casos, o que abre espaço para que os seus autores continuem a usar os meios do Estado para fins pessoais e/ou partidários.
Face ao acima exposto, não seria esta uma oportunidade de, o Conselho Constitucional, na qualidade de guardião da legalidade, recomendar a criação de uma lei que tipifique estes actos como crime? Este seria o melhor momento para tal, uma vez que a Lei Eleitoral está a ser revista e, ao que tudo indica, a comissão encarregue de tal missão ainda está na fase de recepção de propostas. Outra questão prende-se com a responsabilização dos funcionários responsáveis pelas referidas viaturas.
Se a lei não prevê que eles sejam punidos criminalmente, o que acontece a nível das instituições às quais pertencem as viaturas? Será que aos referidos funcionários são instaurados processos disciplinares? Se sim, o que falta para que as mesmas (punições) sejam do conhecimento do público, já que estamos habituados a ver casos de corrupção e de desvio de fundos tornados públicos, em nome da transparência?
Não terão sido estas constatações (do Conselho Constitucional) encomendadas pelo partido no poder só para dar a impressão de que existe, pelo menos, um órgão independente e capaz de não fazer vista grossa às irregularidades cometidas pelos cidadãos e pelas organizações (políticas), sejam elas quais forem? Chega a ser corriqueiro e cansativo ouvir o Conselho Constitucional a fazer as mesmas declarações sempre que há eleições. É chegada a altura de fazer cumprir a lei, pois não basta dar o crime como cometido, é preciso identificar o autor e puní-lo exemplarmente para que os outros o não cometam.
Numa altura em que se fala de responsabilidade e responsabilização, qual terá sido a reacção da Procuradoria-Geral da República perante isto? Será que criou uma comissão (como tem sido hábito) para investigar? Este foi mais um trunfo para a(aquela) imprensa que reportou estes casos, apesar de ter sido chamada nomes. Alguns profissionais chegaram a ser ameaçados e outros violentados física e psicologicamente pelos promotores deste espectáculo gratuito.

Editorial, A Verdade

Esperança renovada na recepção ao 2012


COM tranquilidade e alegria contidas, mas de forma contangiante, os moçambicanos receberam o novo ano com esperança renovada de que os velhos problemas transitados de 2011 sejam, com celeridade, resolvidos em 2012.

Maputo, Segunda-Feira, 2 de Janeiro de 2012:: Notícias

A expectativa é ver reduzidas as taxas de desemprego, potenciar a cadeia de valor na produção agrícola, sentir uma maior atenção do Estado para com a juventude e melhorar a habitabilidade nas zonas urbanas. Em resumo, o sonho é experimentar melhorias efectivas e generalizada nas condições de vida dos cidadãos.
O simbolismo dessa esperança, traduziu-se na já tradicional prática de famílias e amigos que se juntaram em sessões de confraternização iniciadas logo ao cair da noite de sábado, e que conheceram o apogeu pouco antes e pouco depois da meia-noite, com contagiantes trocas de abraços e beijos, acompanhados de desejos expressos de um feliz ano novo.
Foi uma festa pacífica. O centro da cidade, que habitualmente não encontra espaço para acolher tanta gente que se cruza em busca da vida, ficou desértico. Num e noutro apartamento ainda se podiam ver sinais de festa mas, o grosso das pessoas preferiu mesmo sair à rua para desfrutar do clima de tranquilidade que a cidade oferece nos últimos dias.
O calor húmido que se fez sentir, foi mais um motivo para levar famílias inteiras à rua em busca de ar fresco e de ambiente mais condizente com a festa. Muitos outros escolheram outros destinos fora da cidade, ora para se juntar a familiares e amigos que por lá residem, ora para experimentar algum destino turístico.
Nos bairros periféricos, o frenesim voltou a ser o de sempre, mas desta vez com as pessoas a movimentarem-se e a fazer de tudo um pouco com um maior à vontade, próprio de lugares onde a paz e tranquilidade são um facto.
Desta vez também reduziram os aparatos de luzes geralmente montados nos bairros para criar mais motivos de festa. Ao contrário, havia mais cidadãos a preferir ligar potentes colunas de som com longos cabos de extensão, tudo para que a música destilada das suas aparelhagens fosse ouvida o mais longe possível. Resultado disso é que em muitos bairros a mistura de sons era tão grande que chegava a ser difícil sentir o gosto da música.
Ainda assim, homens, mulheres, jovens e sobretudo crianças, deleitavam-se ao som desses ruídos, dançado animados em gestos que transmitiam as mais variadas mensagens, independentemente do tipo de música que estivesse a tocar.
O consumo do álcool também deu muito nas vistas, talvez devido à grande oferta do mercado. Na verdade, à excepção do centro da cidade onde os bares e restaurantes formais fecharam as portas no horário definido pelas autoridades, nos bairros onde se concentra maior parte da população as barracas e contentores permaneceram abertos até perto das 3 horas da manhã, vendendo desde produtos de primeira necessidade até às bebidas dos mais variados tipos. Tal como estas barracas, o comércio informal também permaneceu nos passeios e esquinas pela madrugada adentro, com tomate, cebola, alface, pão e outros produtos de fácil preparação, regra geral procurados para resolver problemas “pontuais” das famílias.
A Polícia, que andou presente em praticamente todos os lugares onde se fazia festa, desempenhou um papel de relevo na persuasão dos cidadãos para uma conduta adequada, o que acabou ajudando a manter o ambiente calmo e ordeiro como já não se via há vários anos.
O primeiro bebé de 2012 nasceu pouco depois da meia-noite no Hospital Central de Maputo. A mãe, Fernanda F. Mário, de 21 anos de idade, teve parto a cesariana que, segundo a enfermeira de serviço, nem por isso chegou a causar preocupação na equipa médica que assistiu ao parto.
De todo o país, chegam informações dando conta de um ambiente de tranquilidade na noite da passagem de ano, com nota de destaque para a grande oferta de produtos que este ano caracterizou o mercado.

Guebuza considera “marginais” os que criticam a história do país

Para Armando Guebuza são também “marginais” os que questionam os critérios da atribuição da categoria de herói nacional

Depois de ter já usado vários adjectivos para tentar repelir os que o incomodam, depois de designadamente já ter apelidado os seus críticos como “apóstolos da desgraça”, “tagarelas”, “intriguistas”, o presidente da Frelimo e presidente da República acaba de brindar os moçambicanos com mais um adjectivo: “marginais”.

Bernardo Álvaro, Canalmoz. Leia aqui.