Saturday, 12 November 2011

Eleições Autárquicas, intercalares, em Quelimane


Em decorrência da renúncia forçada dos presidentes dos municípios de Quelimane (Zambézia), Pemba (Cabo Delgado) e Cuamba (Niassa), terão lugar no dia 07 de Dezembro próximo as eleições autárquicas intercalares. Particularmente, na cidade de Quelimane, Lourenço Abubacar Bico, da Frelimo, e Manuel de Araújo, do MDM, são os candidatos que vão disputar as intercalares do próximo mês. A Renamo já declarou que não irá participar.
O próximo edil do considerado “pequeno Brasil”, que sairá do sufrágio de Dezembro do ano em curso, vai herdar um mar de problemas socioeconómicos, nomeadamente degradação das vias de acesso, falta de saneamento e iluminação eléctrica em alguns bairros periféricos, crescimento desordenado, além de crescente nível de criminalidade, negócio informal e o de ciente sistema de recolha dos resíduos sólidos na urbe, que cresce à uma velocidade clamorosa.
A primeira impressão que se tem de Quelimane é de que ainda há muito por fazer, pois a urbe ainda carrega a imagem de uma cidade votada ao abandono, não obstante o trabalho que o edil demissionário Pio Matos vinha fazendo ao longo dos seus 12 anos na direcção deste município. Das quatro principais cidades do país, Quelimane, diga-se em abono da verdade, é a que apresenta uma imagem de uma urbe perdida no tempo, apesar do seu potencial económico.
O desenvolvimento continua adiado e os munícipes não vislumbram quaisquer perspectivas de dias melhores. Portanto, em Dezembro próximo, os “quelimanenses” enfrentarão o duplo desa o de eleger o homem certo e capaz de conduzir a bom porto a cidade, e não permitir que o crescimento económico e o desenvolvimento social continuem eternamente adiados.

Lourenço Abubacar Bico

É engenheiro têxtil e nasceu no distrito de Pebane em 1958. Oriundo de uma família humilde, Lourenço Abubacar Bico não tinha perspectiva de continuar os estudos para além da quarta classe. Porém, um tio levou-lhe para cidade de Quelimane quando tinha nove anos. É militante da Frelimo desde 1980. Fez parte das organizações juvenis, do grupo dinamizador e de comissões de trabalho. Actualmente, é membro do Comité Central da Cidade de Quelimane. Em 2008 foi proposto para encabeçar a lista da Frelimo, mas o edil demissionário, Pio Matos, acabou sendo o candidato a sua própria sucessão.
Em Quelimane frequentou a Escola Comercial e em ‘70 veio para capital do país para fazer 11o ano do antigo sistema. Depois disso trabalhou na FAVEZAL (Fábrica de Vestuários da Zambézia lda.), onde ascendeu à vários cargos de chefi a. Em 1982 foi ao Paquistão, país no qual formou-se em engenharia têxtil, no Instituto Superior de Produtos Têxteis de Karachi, através de um bolsa da FAVEZAL Actualmente, Lourenço Abubacar dedica-se aos ramos da construção civil e da indústria hoteleira. É proprietário do Millenium Hotel na cidade de Quelimane e de residências de praia.
Quanto à sua visão para o Município de Quelimane, neste mandato, é “resgatar o lugar de Quelimane” que já foi a quarta cidade mais importante do país. Embora Lourenço diga que não vai fazer milagres e que dois anos não garantem uma margem para grandes mudanças, alguns problemas já estão identifi cados. “A cidade tem problemas de saneamento, distribuição de água e de energia”. Questionado sobre as vias de acesso, Lourenço diz que é preciso terminar com programa das estradas.
Contudo, o seu plano de governação, no caso de ser eleito, ainda passa por auscultar os munícipes e só depois disso é que poderá fazer reajustes ao programa votado em 2008. “As necessidades actuais podem exigir novos desafi os. Porém, para mudar Quelimane será necessário o empenho de todos. Eu sozinho não posso mudar Quelimane.”
Efectivamente, Lourenço Abubacar Bico está diante do seu maior desafi o na política. Primeiro tem de vencer Manuel de Araújo e depois, no caso de conseguir, governar uma cidade que durante 12 anos teve uma governação aquém das expectativas dos munícipes...

Manuel de Araújo

Nascido a 11 de Outubro de 1970, em Quelimane, província da Zambézia, Manuel de Araújo é o Homem escolhido pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM) para concorrer as eleições autárquicas intercalares na cidade de Quelimane. Estudou na Escola Primária de Coalane, anexa ao Centro de Formação de Professores Primários de Nicoadala, na Escola Secundária 25 de Junho, e na Escola Pré-Universitária 25 de Setembro, todas na cidade de Quelimane.
Fez o ensino superior no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) e nas Universidades do Zimbabwe e Fort Hare (MPS), na Universidade de Londres (MSc SOAS) e na Universidade de East Anglia (PhD), no Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte. Leccionou na Escola Secundária 25 de Setembro, na Francisco Manyanga, no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), na Universidade Pedagógica (UP) e na Universidade A Politécnica, em Maputo.
Manuel de Araújo foi fundador da Associação dos Estudantes de Relações Internacionais, do Conselho Nacional da Juventude, do Conselho Juvenil para o Desenvolvimento do Voluntariado, da Fundação para o Desenvolvimento da Zambézia, da Associação Moçambicana no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, e do Centro do Estudos Moçambicanos Internacionais (CEMO), onde desempenhou até ao dia 8 de Novembro do ano corrente a função de presidente.
Araújo, que também é director do órgão de informação Diário da Zambézia, como fi lho da casa, conhece as difi culdades da cidade de Quelimane e avança com cinco prioridades, das quais o problema de transporte e degradação das vias de acesso, no caso de for eleito edil daquela urbe, onde tem estado a investir em vários projectos, designadamente de turismo na praia de Zalala.
Manuel de Araújo foi deputado pela Renamo, na Assembleia da República, na legislatura 2004/2009. É muito popular na capital da Zambézia, onde mantém com várias forças vivas locais, incluindo a Frelimo, relações que poderão levar a que Quelimane seja a mais próxima autarquia do país a ser governada por um edil do MDM.


@Verdade

Friday, 11 November 2011

Das acácias de ontem ao cimento de hoje





As acácias envelheceram, mas a cidade rejuvenesceu. O mar galgou uns bons metros sobre a terra, o cimento avançou e continua a invadir tudo quanto era espaço vazio. É assim a lei do da vida, é esta a marca do progresso, que arrasta consigo coisas boas e outras menos boas.
Maputo, a princesa do Índico, é uma das mais belas cidades do Sub-Continente Africano. Aos olhos de todos nós, cresce dia-a-dia. Nem sempre com a “urbanidade” com que gostaríamos de a ver florir. As pessoas mudaram, os hábitos também. Como em todo o Mundo. Do Lourenço Marques de então, sobra a “gratidão” de ter sido o embrião de Maputo. Era uma cidade onde a discriminação imperava. Às claras e sem subterfúgios. Cidade para Português (e Inglês) desfrutar e moçambicano servir. O nosso lugar, como donos da terra, eram os subúrbios, o caniço e, para os privilegiados, a madeira-e-zinco. O argumento/cor, sobrepunha-se à inteligência e não dava qualquer oportunidade aos donos da terra.
Maputo, hoje, é um centro de vitalidade. A muita coisa boa começou no resgate de valores humanos, na busca permanente de oportunidades iguais para todos, segundo as capacidades e empenhamento de cada um. O ritmo é frenético. Gente de várias origens. Automóveis que já não cabem nas ruas. Crescimento permanente do número de pessoas. Cidade onde as novas ideias e ideais, se materializam no surgimento de empresas e organizações multifacetadas, para satisfazerem as exigências crescentes dos citadinos.
Mas a capital do País é, também, uma cidade com vícios, onde as acácias vão murchando por terem virado urinóis; os passeios nocturnos dos pacatos cidadãos podem virar pesadelo; o cimento desorganizado a todos “asfixia”, colocando como principais vítimas as crianças, que poucos espaços livres dispõem para as suas brincadeiras.
Mas recordar e registar a história, não é pretender ficar refém das amarras do passado, nem subestimar as (muitas) coisas boas que nos traz a modernidade.
A cada dia, mês e ano que passa, a nossa cidade capital vai envelhecendo. Mas, felizmente, a sua população vai sendo maioritariamente jovem e mais instruída. É neste quadro exaltante da cidade-mãe de Moçambique, que nos temos que situar. Acertando e acelerando o passo com o progresso que nos vai invadindo sem pedir licença, mas participando na rejeição de valores que impedem uma convivência sã.
Parabéns Maputo! Do teu crescimento ordeiro, depende o amanhã dos nossos/teus filhos!

Renato Caldeira, @ Verdade

Maputo celebra 124 anos no meio de dificuldades

Mergulhada nos problemas de sempre

A cidade de Maputo celebrou, ontem, 124 anos desde que foi elevado à categoria de cidade. A festa prolonga-se até dia 17 de Novembro corrente e para trás ficam por resolver as questões relacionadas com ruínas e espaços baldios não aproveitados dentro da cidade, superlotação do cemitério da Lhanguene, crise de transporte semi-colectivos de passageiros, construções desordenadas, o crónico problema de lixo, estradas esburacadas, saneamento deficiente nos bairros periféricos como Mafalala, Chamanculo e Xipamanine, , iluminação pública deficiente, drenagem que não funciona, orla marítima a ruir, entre outros problemas que florescem perante a incapacidade das autoridades municipais.

Cláudio Saúte, Canalmoz. Continue lendo aqui!

Thursday, 10 November 2011

Maputo aos 124 anos: Destino ditado pelas circunstâncias


AINDA na ressaca de ter acolhido dois grandes eventos históricos, nomeadamente os X Jogos Africanos e os 25 anos da tragédia de Mbuzini, Maputo celebra hoje 124 anos após a elevação ao estatuto de cidade. São 124 anos que desafiam a sua existência e história caminhando com vista à afirmação de um destino que as circunstâncias determinam.

Maputo, Quinta-Feira, 10 de Novembro de 2011:: Notícias


Algumas cidades de renome estão fadadas a uma existência normal, previsível. Outras como Maputo não têm, não tiveram e possivelmente terão esse privilégio. Tudo está a acontecer de repente desafiando a tudo e todos. A cidade das acácias está em transformação mesmo por conta das circunstâncias. As autoridades gestoras encontradas em contra-pé tentam a todo o custo remar como forma de pôr ordem e adiar um possível caos.
Muita coisa ainda ficou por fazer. Desde o crónico e incompressível problema de lixo, as estradas esburacadas, sarjetas e drenagens a reclamar limpeza compatível, o controlo do tráfego, estacionamento, o tratamento do parque arbóreo, do qual já derivou o nome de “cidade das acácias”, a urbanização ao já embriagante, marcante e visível problema do transporte.
Aliás, quatro paradigmas marcam neste momento a vida e o quotidiano dos “maputenses”. Trata-se da crónica falta dos transportes que, apesar dos esforços empreendidos, a solução ideal tarda a acontecer, a gestão dos resíduos sólidos que está melhor do que ontem, do solo urbano numa cidade em rápido crescimento e o crescente desemprego, principal fonte do negócio da esquina.
A face mais visível dos problemas que a cidade vive hoje é certamente a dos transportes. Longas e esgotantes filas nas paragens anunciam diariamente o desespero de muitos citadinos. No esforço que os citadinos fazem quotidianamente para se fazerem aos postos de trabalho têm de gastar invariavelmente 50 meticais só num sentido, num cenário em que a insegurança prevalece quando, não raras vezes, tem de se recorrer às camionetas a caixa aberta, que se multiplicam que nem cogumelos e que serpenteiam da cidade do caniço ao cimento.
O ritmo em que as coisas acontecem é estonteante. Muitas destas pessoas demandam a cidade idas de bairros que há um par de anos eram habitat de répteis e corujas. Os serviços do município chegaram para se entrosar na desordem já estabelecida. Faltam arruamentos, as construções desordenadas se impuseram face à falta de um plano de estrutura, privados reinam no abastecimento do precioso líquido e para completar o cenário, faltam espaços para impor bens públicos mais preciosos, como a escola.
Este cenário contrasta, no entanto, com a realidade na zona do cimento. Gruas e mais gruas anunciam a nova moda dos condomínios e escritórios. A cidade virou um gigantesco canteiro de obras a tal ponto que se contam hoje a dedo os espaços vagos. A par e passo os condomínios estão a empurrar o caniço para outros lugares de tal jeito que até se pretenda mudanças de nomes tradicionais como Polana-Caniço para “Sommershield II”, configurando crise de identificação.
Apesar de a cada dia que passa se construírem novos edifícios e proliferarem novos projectos, um dos mais emblemáticos são as duas torres do Banco de Moçambique, cuja construção deve arrancar brevemente, e o edifício de 47 andares em vista no espaço dos Correios de Moçambique, constata-se que ainda persiste um défice em termos de habitação social. A requalificação da Mafalala e agora do Chamanculo é exemplo feliz que tira as nódoas representadas pelos bairros suburbanos na maioria desalinhados.
A construção de silos-auto, os parquímetros e os “sentido único” são um aviso aos tempos que correm e ao previsível caos que se avizinha. O tráfego intenso já é um problema e as artérias da cidade já não têm a fluidez desejada.
Devido ao estilo de vida vigente, várias doenças já se manifestam como sejam a “condomitite aguda”, a “metropolitite” e a “asfixia citadina”. Esta última resultante do entupimento das artérias da cidade. Tal é o efectivo de automóveis que calcorreiam as ruas. Pululam carros de todas as marcas e feitios desde o básico Toyota Corrola, vulgarmente conhecido por “rhambo”, os “assassinos” Mark II, aos cobiçados e temíveis “bêbados”- Audi Q7, os Land Cruiser V8, VX, Navarras, BMW X6, Mercedez CLS 350, ao Licoln Navigator, às mãos de uma classe média alta emergente assente no comércio e na política. Estes potentes carros transitam, no entanto, por estradas apinhadas de vendedores informais que lutam pela sobrevivência.
Enquanto tudo isto acontece no coração da cidade, que se pretende abrir a cada vez maior fluxo de turistas, a erosão e a subida dos níveis do mar carcomem, que nem um cancro, o que de mais belo a cidade tem – as suas praias. O futuro de uma cidade turística que acaba de ganhar um novo símbolo, a estátua de Samora Machel, na Praça mais emblemática da cidade, está pouco a pouco a ser adiado ao ritmo das ondas do mar que são cada vez mais violentas e ao atraso de uma solução à altura dos desafios das mudanças climáticas que não poupam até cidades com apenas 124 anos como Maputo.
Estes são os contrastes de uma cidade em franco crescimento e que cada vez mais requer uma negociação entre o bem e o mal, da pobreza e da riqueza.

Wednesday, 9 November 2011

MDM de Quelimane receia fraude eleitoral

Os fiscais do MDM não têm conseguido acesso aos cadernos eleitorais

Em Quelimane, o candidato do MDM, à presidência do município de Quelimane nas eleições municipais de Dezembro, Manuel Araújo, acusou os órgãos eleitorais de falta de transparência e favorecimento à FRELIMO, no poder.
A Voz da América entrou em contacto com José Lobo, porta-voz do candidato do MDM, que nos começou por dizer os motivos da acusação.
"Durante o processo do recenseamento eleitoral, os nossos fiscais foram impedidos de controlar efectivamente o recenseamento na recolha de dados. Na nossa perspectiva temos um numero de eleitores recenseados, o numero de eleitores transferidos..."
José Lobo acrescentou que o MDM alega ainda que eleitores não residentes no município de Quelimane poderão votar fraudulentamente, mostrando como suposta prova um quadro de eleitores inscritos, compilado pelo seu partido.
"O MDM é a primeira vez que entra neste processo, não teve acesso aos cadernos anteriores, e esses cadernaos não estão a ser seguidos para poder proporcionar ao MDMum melhor conttrolo durante a votação."

Voz da América


NOTA DO JOSÉ - Sobre este assunto, o Canalmoz publicou hoje um texto intitulado:

Nas vésperas das eleições “intercalares”
Indicação de novo director da CNE em Quelimane gera suspeita

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MISAU e sociedade civil propõem decreto para combater o alcoolismo

Visando minimizar os seus efeitos nefastos.

Quem violar a lei poderá incorrer em multa de 10 a 40 salários míninos, se for um consumidor, e 10 a 100 salários míninos por cada dia de actividade e encerramento da instituição para os locais de venda e consumo de tais bebidas, se for um comerciante.
O Governo, através do Ministério da Saúde, e várias organizações da sociedade civil pretendem acabar com o alcoolismo, ou seja, consumo abusivo de bebidas alcoólicas no país, com destaque para a camada juvenil, ainda em idade escolar. Assim, está em curso um debate com a finalidade de se elaborar uma proposta de decreto-lei que, futuramente, irá regular o consumo das bebidas alcoólicas no país.
Ontem, o Ministério da Saúde organizou um workshop que contou com a participação dos representantes da sociedade civil, Instituto Nacional de Viação, no qual foram debatidos alguns pontos do projecto de decreto-lei.
Ainda não se avançou a data em que este instrumento legal poderá ser submetido ao Conselho de Ministros, mas sabe-se que, caso seja aprovado, a venda e o consumo de álcool serão proibidos em vários locais, nomeadamente, parques, jardins, hospitais, transportes públicos e semi-colectivos, entre outros.
No no seu artigo 2, a proposta do decreto diz que “é proibido a venda e o consumo de álcool a menores de 18 anos de idade, a pessoas com perturbações mentais, a pessoas com sinais de embriaguez, nos estabelecimentos ou instituições de saúde, nas instituições de ensino e em todos os locais públicos”.
O decreto poderá, igualmente, proibir a venda de álcool em locais próximos das escolas, nas vias públicas, tais como parques, jardins, estradas, passeios, entre outros. Também proibir-se-á a venda deste tipo de bebidas no período das 20 às 09h00, excepto em casas de pasto, discotecas, bares e outros recintos similares. A medida estende-se também aos mercados vocacionados à venda de produtos agrícolas.
No seu artigo 4, número 1, o decreto diz que passa a ser obrigatório que os proprietários dos estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas exijam, em caso de dúvida, a identificação das pessoas que aparentam ser menores de 18 anos de idade.
Quem for a violar qualquer ponto que estiver estatuído no decreto poderá incorrer em multa de 10 a 40 salários míninos, se for um consumidor; e 10 a 100 salários míninos por cada dia de actividade e encerramento da instituição para os locais de venda e consumo de tais bebidas.
Se forem fábricas produtoras, estas poderão ser multadas por 100 salários mínimos caso infrijam a lei.
Em caso de renitência, a multa será elevada a triplo dos valores iniciais, para além da confiscação do material do estabelecimento à favor do Estado.

Motivos do controlo rigoroso do alcoolismo

O director nacional-adjunto de Saúde Pública, Leonardo Chavane, diz que o consumo nocivo de bebidas alcoólicas representa um grande perigo para a saúde pública, tanto para o próprio consumidor assim como para terceiros. Aliás, a condução sob efeito de álcool é apontada como sendo a principal causa dos acidentes de viação que se registam todos os dias no país, semeando luto no seio das famílias.
Recorde-se que, de acordo com os dados apresentados pelo governo ano passado, em 2008, Moçambique registou 896 casos de consumidores crónicos de álcool, que se apresentaram nas unidades sanitárias para o tratamento. No ano seguinte, o número de pacientes nesta condição disparou para 1 023, o que significa um aumento de 48% de um ano para o outro.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de dois milhões de pessoas morrem, anualmente, por causa de bebidas alcoólicas.

Tiago Valoi, O País

Tuesday, 8 November 2011

O papel da Oposição

Qualquer líder forte apoia-se também numa oposição forte. E para que uma sociedade seja forte, precisa de aglutinar todas as forças que lhe compõem, por mais díspares que elas sejam. Uma oposição frágil, que no lugar de confrontar o governo com políticas alternativas procura a acomodação, é o pior perigo que uma sociedade democrática pode enfrentar.
Uma sociedade forte precisa igualmente de uma sociedade civil forte que contribua com as suas mais variadas ideias para o engrandecimento dessa mesma sociedade. Não é de grupelhos de indivíduos desesperados, perenemente à caça das migalhas deixadas cair debaixo da mesa do poder que se constrõem sociedades fortes, dinâmicas e prósperas.
Por isso se pretendemos construir um Moçambique forte, dinâmico e próspero, uma sociedade moçambicana onde, nas nossas mais diversas expressões todos cabemos, devemos desencorajar as tendências para uma oposição cada vez mais domada e subserviente; uma oposição que, despida de qualquer tipo de ideias construtivas, descapitalizada e sem futuro, oferece-se livremente ao poder, na esperança de que este depois se encarregue da sua eterna sobrevivência.
A oposição não tem que estar necessariamente no parlamento. Uma sociedade heterogénea é feita também de pequenas expressões político-ideológicas, económicas, sociais e culturais cujos números são tão insignificantes que nem sempre podem conseguir corresponder ao rigor matemático imposto pelas leis eleitorais para se posicionarem no parlamento. Mas a insignificância numérica não pode ser confundida com irrelevância total. Esses partidos representam uma determinada franja da sociedade moçambicana, por mais pequena que esta seja.
Esses grupos representam interesses próprios que, devidamente articulados pelos seus legítimos representantes e em fóruns próprios, podem contribuir para a solidificação da unidade nacional e minimizar o potencial para conflitos destrutivos.
A coaptação dos opositores é a arma dos fracos; os pobres de espírito. Os fortes, esses impõem-se através da razão, aceitando que os seus oponentes podem ter razão, mas que os seus argumentos são mais persuasivos.
É triste o que se passa em Moçambique, onde autênticos mendigos, mascarados em políticos da oposição, se curvam perante o poder, oferecendo-se a este de corpo e alma, suplicando para que lhes deixe recolher para a sua tigela os restos do seu último banquete.
Na sua generosidade, e embalado na natureza pseudo correcta dos seus princípios, o poder vai subvertendo toda a sociedade, apropriando-se de recursos e instituições públicas que as coloca ao serviço da sua ideologia partidária, exercida eufemisticamente para servir o povo.
Os que, fazendo uso do seu direito constitucional à livre expressão ousam questionar certas políticas do governo, não são poupados da longa cartilha de rótulos pronto-a-vestir; Va hanta. Uma expressão ronga que quer dizer que estão alucinados. O singular é wa hanta. Assim, conjugada no plural, significa que há muitos alucinados neste país.
Não há nada no mundo político que se assemelhe a uma “oposição construtiva”; nem como bloco, nem como rochedo. O papel da oposição é o permanente questionamento da acção do governo, exigindo que este preste contas ao público sobre as suas actividades. Quando a oposição assume-se como “construtiva”, quer na letra quer no espírito, esvaziam-se todas e quaisquer pretensões de se ser oposição. Uma oposição “construtiva” torna-se, por esse facto, parte integrante do governo do dia.
O espaço deixado vago pela oposição que se deixou transitar para o “construtivo” passa a ser ocupado pela verdeira oposição, aquela que tem questionamentos sobre o governo. É uma oposição que, não dispondo de uma liderança centralizada, é geralmente propensa à anarquia. Num ambiente de anarquia, todos podem falar ao mesmo tempo sobre coisas totalmente diferentes. É neste tipo de ambientes onde se evidencia a violência gratuíta, mas sobre a qual ninguém assume responsabilidades. Porque não há um interlocutor válido, devidamente identificado. É neste tipo de sociedade onde pretendemos viver?

Savana. Leia aqui!

Falta apoio político para implementação do MARP em Moçambique

A crítica enerva regime da Frelimo

A corrupção e o factor “Frelimo” estão no topo dos problemas. Para a questão da corrupção, segundo o relatório da auto-avaliação do MARP, o que está criticamente em falta nas medidas de luta contra a corrupção é uma definição explícita sem ambiguidades do limite ético, o que os membros superiores do partido no poder, Frelimo, e suas famílias não devem atravessar na realização dos seus negócios enquanto se mantêm nos cargos.

Maputo (Canalmoz) - A implementação, em Moçambique, do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), um programa de auto-avaliação da política de desenvolvimento com vista a se alcançar boa governação, continua limitada, muito por culpa da falta de “apoio político” que se traduz na falta de interesse da liderança do País, falta de transparência e falta de participação significativa da sociedade civil. Esta constatação vem expressa num relatório de implementação do MARP lançado ontem em Maputo.

Matias Guente e Raimundo Moiane, Canalmoz. Leia aqui!

Monday, 7 November 2011

A oposição

O Conselho de Ministros constituiu uma comissão encarregada de aconselhar o Presidente da República em todas as questões relacionadas com as condecorações nacionais.
A comissão é formada por 11 elementos e, se bem percebi ao ouvir a lista na rádio, 10 deles são sólidos frelimistas e o décimo primeiro é o Presidente do PIMO, o senhor Yacub Sibindi. Se bem percebo o nome do senhor Sibindi aparece ali porque seria demasiado escandaloso a comissão ser formada totalmente por militantes da Frelimo. Isto é, ele está ali para se poder dizer que a comissão é formada por elementos da Frelimo e da oposição. Está ali, em resumo, a representar a oposição existente no país.
Ora em Moçambique há dois partidos da oposição representados a nível parlamentar, a Renamo e o MDM. Não deixa de ser bizarro, portanto, que a oposição na tal comissão seja representada por um partido praticamente sem nenhuma representatividade eleitoral. A única explicação possível é que a Frelimo, nem estando em maioria de 10 para 1, aceita o risco de envolver a oposições verdadeiramente representativa nessa delicada questão das condecorações e reconhecimento pela Pátria daqueles que melhor a serviram. A Frelimo joga pelo seguro e o seguro é um dos porta-vozes da chamada Oposição Construtiva que, de oposição, não tem absolutamente nada.
De resto isso agora virou moda. Seja qual for o acontecimento solene que ocorra lá estará, como representante da Oposição, o senhor Sibindi ou, mais frequentemente nos últimos tempos, o senhor Mabote, dirigente de um outro partido sem nenhuma representatividade eleitoral, o Partido Trabalhista.
Quer um quer o outro fazem sempre discursos de circunstância, sempre bajulando o poder do dia, uma ou outra vez tocando, ao de leve, algum pequenino ponto em que declaram não estar de acordo com a política oficial, voltando logo a seguir aos elogios e salamaleques. E, com esta manobra, o Governo procura dar um ar de pluralidade, mal se apercebendo do ridículo em que este tipo de coisas o faz cair.
Falsa solução democrática, encontrada sem qualquer espécie de subtileza política, apenas tentando atirar areia para os nossos olhos.
Ora é sabido que areia nos olhos provoca irritação dolorosa.
E é a isso que eu me sinto sujeito neste momento

Machado da Graça, Savana, citado no Bossesblog. Leia aqui!

Reabilitação da orla marítima: Adiamento agrava problemas de erosão



A ZONA da Avenida Marginal da cidade do Maputo, cujas obras de reabilitação e reconstrução voltaram a ser adiadas, continua a degradar-se devido aos efeitos da erosão que ameaça impedir a transitabilidade naquela via.

Maputo, Segunda-Feira, 7 de Novembro de 2011:: Notícias


O fenómeno natural afecta a barreira de protecção da orla e verifica-se no troço entre o bairro Triunfo e a zona do supermercado Game, passando pelo autódromo do Automóvel Touring Clube do Maputo (ATCM), em direcção ao centro da cidade.
No sentido inverso, o problema começa a verificar-se depois da Praça Robert Mugabe, para quem está a sair do centro da cidade, para a zona da Costa do Sol, onde se estão a abrir buracos que, de pequenos, se transformam em crateras.
Para além de provocar problemas na estrada, passeios e nas bermas, a erosão está a resultar na queda de árvores ao longo da orla marítima, temendo-se que esta situação provoque incidentes com os banhistas que frequentam aquelas praias.
O cenário desperta a atenção de qualquer transeunte, numa altura em que diz estar a decorrer um novo processo de selecção do empreiteiro que vai reabilitar os 13 quilómetros da infra-estrutura.
As últimas explicações do município do Maputo dão conta de que já tinha sido seleccionado um consórcio Líbio/Egípcio que, devido às convulsões políticas e sociais que ocorreram naqueles países, não conseguiu mobilizar equipamento para iniciar com as obras.
O projecto de construção e reabilitação da barreira de protecção compreende a zona da ponte-cais do Maputo até ao bairro dos Pescadores, na capital do país, e são financiadas pelo Governo, Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e a Fundo Árabe de Desenvolvimento (SDF).
Os mesmos dados indicam que já foi disponibilizado um financiamento de cerca de 23 milhões de dólares norte-americanos para custear esses trabalhos que consistem na construção de barreiras de protecção de betão com pouco mais de um metro de altura.
O presidente do município do Maputo, David Simango, explicou recentemente que a restauração dos 13 quilómetros da barreira de protecção da baía visa melhorar a imagem daquela infra-estrutura e as obras deverão durar um período máximo de 18 meses a contar do inicio dos trabalhos.

Sunday, 6 November 2011

Pressionar até esburacar-se













O PASSEIO é um espaço concebido para o peão, enquanto o carro circula na faixa de rodagem. Mas, como uma nova maneira de ser e de estar, os carros na cidade do Maputo têm-se tornado inimigos dos passeios. Disputam-no com os peões e sempre vencem, com o peão reduzindo-se ao elo mais fraco e a ceder sempre e com ele essas infra-estruturas.


Maputo, Sábado, 5 de Novembro de 2011:: Notícias

Esta introdução vem, desta feita, a-propósito do que de há algum tempo a esta parte temos vindo a assistir, particularmente no passeio da Avenida 10 de Novembro, do lado da travessia para a Catembe, entre este ponto e o restaurante Water Front. O passeio em causa virou passarela de carros. O desfile é feito não só em função da marca e da potência da viatura, mas também da potência da aparelhagem sonora nela instalada.
São viaturas que, aos fins-de-semana, sobretudo, ficam “apinhadas” naquele passeio, enquanto os seus ocupantes refrescam. E ao ritmo do actual parque automóvel na cidade do Maputo, o passeio vai recebendo um número cada vez maior de viaturas, ao qual não deverá suportar por muito mais tempo. Aliás, o pavimento já denota alguns sinais de danificação por conta da pressão das viaturas que estacionam naquele espaço reservado a peões.
A coisa vai virando moda e parece que ninguém tem consciência de que essa atitude concorre para a destruição daquele lugar, igualmente exposto à acção da natureza: a água do mar com a força que lhe é reconhecida.
Ao que tudo indica, ninguém se preocupa em estancar a situação, a da pressão exercida por viaturas que perfilam ao longo do passeio. Não nos esqueçamos do que aconteceu no passeio da Marginal, entre o viaduto (depois da Escola Náutica) e o Clube Naval, onde foram gastos rios de dinheiro para recuperar o passeio destruído pela acção combinada da pressão de viaturas e da acção da água do mar.
Assim vamos assistindo, impávidos, à destruição dos passeios de uma das áreas mais paradisíacas e sensíveis da cidade do Maputo.
Antes, a situação era mais notória nos dias mortos, como feriados e fins-de-semana, mas nos últimos tempos, mesmo em pleno dia útil, o desfile de viaturas acontece. São coisas que vão acontecendo nesta cidade e que de tanto assistirmos deixam de ser estranhas. Achamos que é preciso uma “mão dura” contra os prevaricadores.

Saturday, 5 November 2011

Falta-nos atitude

Há situações que envergonham por si quem as determina e quem delas é vítima. A isenção concedida aos mega-projectos, apresentada semana passada no Parlamento, é desse jaez.
Se estivermos atentos aos dados fornecidos por fontes alheias à propaganda dos que nos governam ficamos envergonhados com o lugar que nos cabe: povo humilde, subserviente e burrificado. Aqueles que, como nós, nada mandam e a todos os “mandos” devem obediência, também se devem sentir envergonhados.
O pior, no meio desta fantochada, é que partidos como MDM e Renamo, os quais defendiam ferozmente, pelo menos publicamente, a renegociação dos mega-projectos mudaram de posição do dia para a noite.
Efectivamente, na hora de demonstrar o quão detestam, deploram e descordam de tais isenções guardaram a dignidade, a rectidão e os escrúpulos num picador de papel. Consenso assim, só na altura dos Navarras e dos aumentos principescos de que beneficiam anualmente os ilustres deputados.
Nós sentimos vergonha. Não adianta dizer que não mandamos em nada. Todos juntos mandamos muito mais do que aqueles que nos mandam.
Se os olhássemos de frente e lhes disséssemos que basta, que queremos ser respeitados, que não estamos dispostos a viver eternamente à espera de promessas, se não aceitássemos desculpas, se batêssemos o pé a cada tentativa de nos esmagarem com taxas de lucro máximo, com o desbaratamento dos nossos recursos e com tantas outras coisas que todos os dias nos barram o caminho sempre que precisamos de um despacho, outro galo cantaria.
Se disséssemos um rotundo NÃO àquilo que não compreendemos porque nos é imposto, ao arroz de terceira qualidade, à crise do gás e do pão, do transporte e do óleo, da farinha e do tomate, do habitação ao acesso aos cuidados de saúde, se em suma exigíssemos ser respeitados enquanto sujeitos de direitos face a esses que se julgam autorizados pelo voto a fazer tudo e mais alguma coisa, poderíamos estar seguros de que teríamos um país melhor.
É tempo de fazermos alguma coisa diante desta promiscuidade política. As eleições estão à porta e temos uma oportunidade ímpar de demonstrar o nosso descontentamento. Não é segredo para ninguém que paira um sentimento de insegurança generalizado devido à possível manifestação dos desmobilizados, à fuga de cadastrados das celas de um comando policial e a essa eventual prostituição judicial.
Portanto, hoje mais do que nunca, há uma necessidade inadiável de nos levantarmos contra esse estado letárgico de coisas que tem manifestamente favorecido as mesmas gravatas de sempre e sistematicaticamente excluído, marginalizado e asfixiado no marasmo existencial a larga maioria dos “apátridas” nacionais.

Editorial, A Verdade

Friday, 4 November 2011

E de repente Guiné-Bissau fugiu-nos!

O relatório das Nações Unidas sobre o Índice do Desenvolvimento Humano 2011, apresentado na quarta-feira, revela uma situação, no mínimo, hilariante: estamos nos últimos quatro lugares em desenvolvimento humano. Dito de outra forma: somos o 4º pior país em índices de desenvolvimento humano, só acima de Burundi (185º lugar), Níger (186º) e República Democrática do Congo (187º), num total de 187 países avaliados. Olhando para o relatório, nota-se, por exemplo, que países como Guiné-Bissau (176), São Tomé e Príncipe (144), Zimbabwe (173), Malawi (171), Afeganistão (172) Eritréia (177), Serra Leoa (180), Chade (183), estão acima do nosso país. De forma sucinta, Moçambique é o 4º pior país mundo, é o 4º pior em África, é o 2o pior da região da África Austral (SADC), é o pior dos Países Africanos da Língua Portuguesa (PALOP), é o pior da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) e é o pior da Commonwealth.
Na verdade, a partir destes dados, concluí por que razão o Governo, através do Presidente da República, decidiu responder aos seus críticos terra-a-terra, ao invés de retorquir com acções e números que sustentem essas acções. Quando o alertam do perigo que as suas decisões representam para a vida da nação, responde que são “apóstolos da desgraça” que “sentados no muro do comodismo aplaudem, cultivam e sentem-se realizados com a desgraça do povo”. Quando o alertaram sobre a nocividade dos Jogos Africanos para um país improdutivo, chamou-os “preguiçosos, tagarelas e intriguistas que andam a dizer que a pobreza não está a ser vencida” para “nos desanimar”, quando, na verdade – sem apresentar  resultados – “a pobreza está a sofrer duros golpes” do Governo. Estas respostas aos críticos revelam o nível do desespero e o desnorte do Governo. Mostram, igualmente, que o Governo não possui argumentos palpáveis para contradizer a realidade que se lhe revela um nó na garganta. O Chefe do Estado não está a entender, até aqui, que o que nós queremos é que apresente resultados claros da sua governação, e não discursos adornados; que transforme as suas promessas eleitorais em resultados palpáveis.
Os dados vêm provar que o crescimento económico é apenas nos números. Na realidade, esse crescimento económico só se faz sentir em quem detém poder político ou está muito próximo do núcleo de plutocratas.

Lázaro Mabunda, O País

Governo rejeita artigo sobre despartidarização do Estado

Nova Lei Base de Organização da Administração Pública.

A referida lei acabou sendo aprovada pelo voto maioritário da Frelimo, com abstenção da Renamo e voto contra do MDM. Ainda ontem, o parlamento aprovou a criação da Ordem dos Contabilistas e Auditores.
A Assembleia da República aprovou, ontem, na generalidade, a Lei Base de Organização da Administração do Pública, apenas com voto maioritário da Frelimo.
Segundo o Governo, a Lei Base de Organização da Administração Pública vem clarificar a estrutura das instituições do Estado, sua organização, funcionamento e, sobretudo, os mecanismos de fiscalização.
Refira-se que o debate desta lei no Parlamento era a última esperança da oposição para acabar com o que chama de partidarização das instituições do Estado. No entanto, no debate, os nervos estiveram à flor da pele dos deputados, e houve muita animosidade. A Renamo chegou a acusar a Frelimo de pretender perpetuar a injustiça social e discriminação através da cor partidária na Função Pública, por não aceitar a sua proposta de acréscimo de um artigo sobre a despartidarização, criminalizando a instalação de células de partidos nas instituições do Estado.
“Entendemos o porquê de não se acolher a nossa proposta. A ministra não pode opor-se ao presidente da Frelimo, por sinal, quem a colocou nesse cargo. A Frelimo pretende continuar a manchar o funcionamento do estado através da criação de suas células nas suas instituições. No estado, hoje, é necessário ter o ‘cartão vermelho’ para progredir na carreira, ou para subir a um cargo de chefia”, defendeu Anselmo Victor, deputado da Renamo.

André Manhice, O País

Finanças internacionais em crise ou o falhanço de um modelo económico?

Os resgates financeiros nos Estados Unidos e na Europa confirmam: a globalização não conseguiu salvar o capitalismo…

O modelo que governa as finanças internacionais parece cada vez mais moribundo e motivo de preocupação.
Os governos europeus neste momento estão a braços com um problema na zona do Euro que ameaça aquilo que se considerava uma moeda forte e de confiança internacional.
Se politicamente a União Europeia firmar-se com uma organização credível em que países se apresentam unidos por princípios e critérios sólidos bem como democráticos que servem de exemplo indiscutível para o mundo, no domínio da economia e finanças já o cenário é completamente diferente. A confiança no Euro está muito abalada.
Nos Estados Unidos, numa acção quase sem precedentes o governo americano interveio em peso para salvar empresas emblemáticas da bancarrota. Sem aquela intervenção a General Motors Corporation teria sucumbido.
As falências de empresas como a Enron há alguns anos atrás deixaram a mostra que grandes corporações actuavam dentro de esquemas em que dominava a engenharia financeira, fabrico de resultados financeiros falsos e um mundo em que princípios éticos “sagrados” eram constantemente violados.
A teoria de que o mercado é capaz de auto-regulação tem sido posta em causa pelas sucessivas crises que fustigam a arena financeira internacional.
Há uma realidade que dificilmente se pode negar. O capitalismo como forma de organização económica é uma opção válida mas não se pode deixar tudo nas mãos do mercado pois correm-se riscos que podem afectar tanto a estabilidade económica como política dos países.
As manifestações recentes na Grécia e Espanha são exemplo claros de as pessoas que se sentem excluídas e prejudicadas por um sistema de organização económica não hesitam em marchar pelos seus direitos.
A onda de manifestações nos Estados Unidos da América, denominada Wall Street reflecte uma posição de indignação e de desespero face a uma situação concreta.
Nas economias mais fracas e de menor dimensão as consequências já se fazem sentir. Se antes os valores doados ou entregues sob forma de crédito eram de pouca monta para as necessidades destes países, hoje há um recuo e atraso de entrega de fundos prometidos. Governos que baseavam a execução de programas importantes de infra-estruturas públicas agora têm de interromper trabalhos, adiar a sua conclusão ou até mês deixar de lado antes de se iniciar a implementação do projecto.
Modelos de funcionamento na esfera económica sempre foram motivo de divergências e não há experiência que não tenha os seus pontos fracos.
O capitalismo, proclamado o sistema mais apropriado para desenvolver os países, afinal já se tornou evidente que não é bem assim. Tem de sofrer grandes aperfeiçoamentos para se manter como o menos mau dos sistemas económicos, se ainda for a tempo de se salvar.
O capitalismo domina o mundo mas também o perverte na medida em que sua acção corrói os fundamentos da estabilidade internacional.
A sobrevivência das poderosas corporações é feita à base de intervenções que atacam a fibra das economias de muitos países. Partindo de uma posição de força e com o apoio de seus governos assiste-se a uma transferência geográfica de fábricas num esforço para aproveitar condições e ambientes que garantam maiores lucros. A mão-de-obra barata e o relaxamento legislativo, a inexistência de constrangimentos ao nível de leis ambientais, a possibilidade de exportação de capitais assegurada levaram a que a maioria das mais poderosas corporações industriais se instalasse na Ásia e em alguns “paraísos” africanos. Os seus lucros de facto cresceram mas isso teve reflexos inesperados pela negativa. O desenvolvimento dos países receptores de investimentos industriais no domínio das tecnologias de informação e comunicação é notável e o sucesso de alguns como a Coreia do Sul é apreciável.
Onde os investimentos foram feitos na indústria extractiva de minerais, carvão, petróleo há rasto pesado de retrocessos políticos e económicos.
Relações económicas e financeiras estabelecidas na base de acordos pouco transparentes viu-se toda uma série de grandes empresas como a Shell, BP, ExxonMobil Total, ENI invadirem tudo o que seja lugar a procura de petróleo e gás. Regimes políticos pouco democráticos aceitaram acordos claramente desfavoráveis a troco de parte das receitas sem terem em conta, nem o valor de mercado dos produtos explorados, nem os interesses de milhões de seus cidadãos.
Para que no ocidente se consuma cada vez mais a maioria dos habitantes da outra parte do mundo tem sido submetida a condições desumanas.
Quem por exemplo percorre urbes africanas onde exista uma população muçulmana, pode verificar em todas as sextas-feiras, uma marca inconfundível da miséria atroz em que vivem muitas pessoas. Filas intermináveis de pedintes assaltam passeios e posicionam-se em frente de estabelecimentos comerciais pertencentes a pessoas de fé islâmica – normalmente bem sucedidas nos negócios – esperando por um pedaço de pão. Mas estas urbes estão em países que exportam gás, petróleo, ouro, carvão, cobre, madeira, pescado.
Então o que está errado? O capitalismo traz e produz desenvolvimento desequilibrado? As crises financeiras que afectam os países são um produto directo de uma forma de relacionamento desigual e injusta? Para que se viva bem no ocidente isso tem de acontecer à custa do sacrifício do resto do mundo?
Se está claro que politicamente a democracia de inspiração ocidental representa um modelo que promove paz, estabilidade sociopolítica, também se está se tornando evidente que sem democracia económica as crises continuarão acontecendo a ritmos cada vez mais frequentes. No fim de contas a crise bate a porte de todas e nem os ricos sobreviverão se a indignação se tornar geral e endémica.
O enriquecimento de uns poucos por via da manipulação política e pela promoção de práticas pouco transparentes como o pagamento de luvas tem consequências gravosas para os países. Sem consumo não há desenvolvimento e se a maioria dos cidadãos aufere salários baixíssimos não pode adquirir o que as indústrias ocidentais, indianas ou chinesas produzem.
Se o custo pago pelas matérias-primas dos países emergentes é irrisório mas em contrapartida os produtos acabados são caríssimos, logo temos problemas.
Advogando a abertura dos mercados como forma de garantir o desenvolvimento é um slogan enganador porque na verdade enquanto uns abrem seus mercados, outros, os mais poderosos, continuam a subsidiar suas empresas.
Entretanto a globalização vai-se revelando, tem-se revelado uma fórmula que promove desequilíbrios.
As receitas de política económica oferecidas pelo FMI/Banco Mundial provocaram desastres em muitos países.
Quem acreditou nos especialistas e conselheiros internacionais com renome contribuiu para afundar países com recursos.
O “linkage” estabelecido pelos credores internacionais mais influentes sobre a necessidade dos candidatos a créditos aceitaram consultoria e assessoria de certas firmas credenciadas colocou muitos governos “entre a espada e a parede”.
O que os especialistas dizem, os contratos que desenham, os lobbies que fazem são quase sempre direccionados a garantir retornos elevados para os bancos credores e vantagens para companhias estabelecidas nos países de origem dos fundos.
Se Moçambique por exemplo não aceitasse as condições impostas pelos bancos chineses eles decerto que não financiariam a ponte Maputo-Katembe. Só que essas condições tendem a dar vantagens superiores aos credores. A chamada solução win-win dificilmente se traduz em realidade no panorama financeiro mundial. Os mais fracos acabam quase por perder mais do que ganham.
Quem a coberto de seu poder financeiro e com o apadrinhamento de políticos e governantes de países receptores de fundos externos, estabelece negócios fundados em plataformas que excluem ou não garantem benefícios para milhões de pessoas arrecada lucros fabulosos mas ao mesmo tempo insustentáveis.
Sucessivas declarações políticas com os conhecidos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, protocolos da Organização Mundial do Comércio e outras metas no contexto mundial não estão trazendo os resultados esperados ou desejados. Há uma distorção ou génese deformada neste sistema ou modelo económico.
Os governos são rápidos a socorrer empresas falidas tecnicamente e não hesitam quando tem que fazê-lo.
Só que a opção de “nacionalização” de corporações gigantes como Ford Motor Corporation, General Motors Corporation, feita com fundos públicos está em si contra os fundamentos do capitalismo. Então é legítimo afirmar que se princípios básicos de uma política económica não são respeitados, tal política já se alterou profundamente. Estamos perante um morto ou talvez um moribundo.
Quando alguns teóricos defendem o “fim da história” outros aparecem advogando que o mundo está numa encruzilhada requerendo um posicionamento adequado ou apropriado por parte dos governantes. Há responsabilidades inalienáveis para os governos. Gerir estes dossiers não tem sido fácil e ao sabor de saltos ou tentativas de soluções há sinais preocupantes de que a crise financeira actual tem o potencial de alterar o equilíbrio de forças ao nível mundial.
Emitir papel-moeda é uma manobra que alguns governos promovem mas a verdade mostra que suas economias já perderam fôlego e que a competitividade de alguns países ultrapassou as potências tradicionais ocidentais.
Se países como a China, segunda potência económica mundial, são um exemplo de capitalismo de estado baseado num controlo firme do ambiente político e económico, grande mercado de consumo, mão-de-obra tecnologicamente competente, investimento em espionagem industrial e em formação de técnicos altamente qualificados, esta opção dos chineses não resolve todos os problemas.
Logo que os países que exportam seus recursos minerais para a China entenderem que o custo final dos financiamentos chineses é demasiado alto e que seus países na verdade não usufruem do que poderiam se negociassem com maior clarividência, a economia chinesa corre o sério risco de sofrer uma contracção. Sem energia a China não pode funcionar e quem vende petróleo e carvão vai decerto aprender a valorizar seus recursos.
Mesmo que existam exemplos de sucesso que atestam a eficácia do capitalismo também não deixa de ser verdade que só estão livres de crise os países cujos governos adoptaram soluções equilibradas misturando benefícios do capitalismo e do “welfare state”. Uma economia mista em que o estado não deixa tudo nas mãos de privados, com forte mecanismos de controlo da manipulação e com poder de punir infractores e fraudes financeiras é necessária para viabilizar a economia mundial.
O caminho a percorrer é longo e penoso mas uma predisposição de governos e corporações partilharem ideias e actuarem no sentido de salvaguarda do que interessa às partes, é necessária e urgente.
O tempo em que as instituições de Breton Woods controladas maioritariamente pelos Estados Unidos da América ditavam e impunham regras já terminou. Mesmo os esquemas engendrados na Secretaria de Estado norte-americana que ditavam a deposição de governos na década de 1970, não conseguem repetir suas proezas.
Como resultado de uma evolução em todos os sectores da vida internacional mesmo a diplomacia dos canhões de faz-se de outra maneira.
O mundo está mudando profundamente mesmo que nem sempre isso seja perceptível.

Noé Nhantumbo, CANAL DE Moçambique – 02.11.2011, no Moçambique para todos

Thursday, 3 November 2011

Quando é que os alucinados percebem que estamos sentados numa bomba relógio?

Manter sob seu exclusivo controlo os principais dossiers económico-financeiros nacionais, a terra, as concessões mineiras, o cofre do Estado, é a agenda que está a levar a “nomenklatura” que por ora nos governa, a alucinar. Com o pressuposto de que a terra e o que está no subsolo é do Estado, um grupo de autênticos abusadores está a usurpar o País até à exaustão, com o mesmo discurso de que se servia um déspota do norte de África que acabou constituindo uma das maiores riquezas conhecidas em uma única família que se instalou no Poder e fez do Estado a sua machamba, e no seu percurso fez as figuras mais notáveis da política mundial renderem-lhe vassalagem até que um dia todo um Povo foi obrigado a ceder vidas dos seus melhores filhos para naquele País se porem os pontos nos iiis.
Chamam agora “Primavera Árabe” à onda de “indignados”. Ninguém contava com ela. Começa a estender-se até aos países em que se imaginava que estivesse mais garantida a sobrevivência dos respectivos regimes.
A alucinação entre nós já ultrapassa em larga medida tudo o que é humanamente admissível.
O que a Constituição prevê que seja do Estado não passa de um artificio. Quem governa, com o seu poder discricionário, a seu bel-prazer manipula tudo e todos. Subjuga um Povo inteiro aos seus apetites desmedidos.
O que deveria estar na esfera do bem comum se todos se conformassem com o espírito da nossa Constituição, está a ser drenado para o controlo privado de quem governa dos seus afins.
A mais alta “nomenklatura” político-governamental, para manter o equilíbrio entre diversas alas, usa e abusa da terra, das concessões, dos mega-projectos.
No entretanto, todo um Povo cada vez mais depauperado continua a ser adormecido discursos entorpecedores. Sobretudo nas zonas do interior do País, embora obviamente se note alguma diferença relativamente aos tenebrosos anos da guerra civil, proporcionalmente a algumas melhorias substanciais que se nota haver em algumas áreas urbanas, o campo está a regredir quando é de lá que estão a vir os milhões que engordam os que adormecem este nosso “maravilhoso Povo” com apelos sistemáticos e obsessivos à auto-estima e ao patriotismo.
Acreditamos que se não fossem as políticas manipuladoras de certos cidadãos que tomaram o Estado como a sua machamba, Moçambique estaria hoje muito melhor do que aparenta. O “verniz” encobre uma miséria degradante e uma esmagadora maioria populacional espezinhada.
Quem já deu todas as cambalhotas que precisava de dar na vida para nos enganar, para enganar toda uma sociedade civil adormecida por instituições que não passam, ao fim e ao cabo, de organizações castradoras dos mais elementares pressupostos de uma cidadania pró-activa, insiste na mesma estratégia sem se aperceber que “o Povo já abriu os olhos”.
É – cada vez mais – impossível admitir-se que o mesmo método possa continuar a resultar.
O volume de abutres cresceu. O “bolo” está a tornar-se insuficiente para tantas bocas “esfomeadas” e a par disso cresce uma perigosa mas cada vez mais consciente – embora silenciosa – onda de indignados apenas à espera do melhor momento para passar a ditar as regras do jogo.
O “bolo” já está a tornar-se insuficiente para tantos vassalos. Até a classe média começa a sentir que chegou a hora de ser mais solidária com os que já estão na fossa.
Os abusos dos sem vergonha que se montaram no Estado e chamaram a si benefícios que em nenhum Estado governado com seriedade se pode admitir, já estão a ser compreendidos por quem até há pouco parecia ter fé em quem nos governa.
Moçambique está hoje refém de interesses particulares de uma meia dúzia de pessoas que não percebe que só a distribuição mais cuidadosa das oportunidades e dos rendimentos poderá salvar-nos do cataclismo.
Ignoram que com os seus hábeis discursos manipuladores foram já sobejas vezes surpreendidos e de um momento para o outro a revolta pode eclodir ao nível nacional sem que as forças preparadas para reprimir os indignados sejam suficiente para tamanho território.
Não são capazes de entender que as “magias”, com que conseguiram iludir a população durante décadas, mantendo-a na ignorância ou convencida que os diplomas com que estão a ser municiados são suficientes para vencer os desafios neste mundo global, já não funcionam.
Insistem. Não percebem que o mundo mudou e as estratégias de desenvolvimento são outras.
Assaltam os pelouros governamentais recorrendo aos mais odiosos truques para extorquir o Estado.
Alimentam o tráfico de influências.
Cultivam o nepotismo.
Impedem o País de evoluir e desenvolver-se. Intitulam-se salvadores da Pátria. Dizem-se insubstituíveis.
Usam o tribalismo para se arvorarem líderes étnicos.
No Estado, sabe-se, sente-se, que não se trabalha ao mais alto nível. Os grupos apenas
se digladiam a ver quem chega aos postos de decisão para se rodearem de benefícios.
Devemos ser hoje um dos Estados do mundo com o maior volume de despesa pública para manter a “nomenklatura” governamental.
O país está podre!
Os contratos e compras são adjudicados contra prévia recepção de “envelopes”. Os cheques deixam muitos sinais…
A corrupção está a atingir níveis altamente preocupantes. O que se pode antever é de graves consequências.
O escandaloso conflito de interesses entre o público e o privado constitui o principal entrave para o desenvolvimento de Moçambique. Nunca se sabe onde começa o ministro e acaba o empresário…
Do mais alto nível vem o exemplo da bandalheira…
Uma teia incomensurável de interesses está condenando Moçambique.
A situação no aparelho do Estado é hoje inaceitável. Dominam os imorais, quiçá criminosos, não estivesse a Justiça subvertida.
Os cidadãos, com esta forma de governar, são atirados para a indigência. Milhões de pessoas são sujeitas ao que mais desumano se conhece num Estado com os seus altos funcionários a exibirem as mais escandalosas benesses.
Quem governa finge apenas andar preocupado com o bem público e com a população.
As assimetrias, está explícito, são uma situação cultivada por gente que não está interessada em ver a democracia a ganhar espaço.
Uma dita “elite” trabalha a todo o vapor para subverter agendas e colocar o País à sua mercê. Formaram-se autênticas “oligarquias”. O País está dominado por autênticos vândalos que se tornaram insaciáveis. Vestem-se de patriotas mas já saíram do sério.
Andam perdidos por dinheiro e por bens.
O custo da administração do Estado não lhes interessa. O seu desvario não tem limites.
O seu desvario pagam os contribuintes!...
Não abdicam de praticar a exclusão económica e financeira. Querem ter todos os dossiers sob seu controlo. Não perdem uma oportunidade. A sua obsessão pela acumulação desmedida de bens e valores é doentia.
Passam a vida a falar de tolerância, de patriotismo, de auto-estima mas andam compulsivamente obcecados por não deixar uma oportunidade para os outros. Vivem a obstruir os outros.
Assaltam em todos os cantos do País.
Negoceiam contratos fabulosos com empresas mineiras, fazendo uso do seu estatuto no Estado, com os olhos postos no seu umbigo. Já nem conseguem ler os sinais mais óbvios das causas do ódio que está a alastrar-se para África a partir da Tunísia e da Líbia. Não conseguem perceber que a “Primavera Árabe” foi alimentada por comportamentos semelhantes.
Andam tão alucinados com o enriquecimento ilícito impune que não percebem que estão a ser observados silenciosamente e um dia serão surpreendidos mais uma vez por revolta popular de dimensão incontrolável empreendida por aqueles que sofrem de forma proporcional ao desvario desta elite alucinada que se instalou sobretudo a sul do País.
“Quem semeia ventos colhe tempestades”, reza um velho adágio universal. Aqui não será diferente!...
Se não fossemos agnósticos como instituição apelaríamos para que orássemos. Sendo assim limitamo-nos a perguntar: quando é que os alucinados percebem que estamos sentados numa bomba relógio?

Editorial do Canal de Moçambique – 02.11.2011, no Moçambique para todos

Wednesday, 2 November 2011

Moçambique apresenta o 4º pior Índice de Desenvolvimento Humano do mundo

Relatório das Nações Unidas desmente o discurso governamental

É aterrador o relatório das Nações Unidas sobre o Índice de Desenvolvimento Humano 2011. Moçambique apresenta-se como o quarto pior país do mundo em termos de índice de Desenvolvimento Humano e o pior país da Comunidade dos Países falantes de Língua Portuguesa (CPLP). Desceu um grau em ralação à classificação anterior.

Matias Guente, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 1 November 2011

Antigo assessor de Daviz Simango perde a vida em Portugal

Trata-se de Alexandre Júnior (Alex), indivíduo que logo a seguir a independência em Moçambique conviveu bastante com a elite política da Frelimo
O antigo assessor de marketing e imagem de Daviz Simango, presidente do Município da Beira e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), perdeu a vida semana passada (23 de Outubro) em Cascais, Portugal, vítima de doença.
Trata-se de Alexandre Júnior (Alex), 57 anos de idade, nacionalidade portuguesa, uma figura bastante conhecida na cidade da Beira, tendo tornado polémica quando foi expulso do país em 2009 por não possuir autorização para fixar residência em solo pátrio.
O seu funeral foi na passada quinta-feira (27 de Outubro) em Trajouce- Cascais, região de Lisboa, a capital portuguesa.
Muitos cidadãos que o conheceram sobretudo, sobretudo moçambicanos residentes em Portugal, acompanharam o funeral, incluindo a sua antiga esposa que teve de viajar propositadamente de Suíça.
Para confirmar a sua popularidade e simpatia que conquistou entre os moçambicanos logo após a proclamação da independência nacional, em Junho de 1975, Alex como era mais conhecido foi homenageado em Maputo no passado dia 25, tendo várias pessoas que o conheceram, amigos, jornalistas, familiares e filhos nascidos na Beira após a independência participaram de uma Missa em sua recordação.
“O Autarca” soube de uma fonte que nos escreveu de Lisboa, que conheceu bem Alexandre Júnior, para quem foi um indivíduo bastante convivido na Beira, sobretudo com muita gente ligada a elite política da Frelimo logo a seguir a independência do país.
Segundo recordou a fonte, após a independência (após nacionalização do Ensino Privado), em Julho de 1975, Alex tornou-se o primeiro Director do Liceu D. Gonçalo da Silveira-Maristas, no prestigiado bairro do Macúti, nomeado pela Direcção de Educação e Cultura Provincial da Frelimo – Movimento de Libertação, que funcionava no Macúti, perto (hoje) do edifício azul da CPMZ.
Antes e desde então conviveu bastantes vezes com antigos combatentes, como são os casos de Dique Tongane (Matavele – Governador de Sofála); com o político Tomé Eduardo – Omar Juma, mais tarde também Governador de Sofala e adjunto de Sebastião Marcos Mabote; com o comissário Manuel António - que foi Governador da província de Manica e Ministro do Interior no momento da morte de Samora Machel; com o Dr Pascoal Mocumbi – Ministro da Saúde, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Primeiro Ministro, na altura médico no Posto da Munhava; com os comandantes Alfredo Maria; Braga; Cara Alegre; Macece; Gulam Sacoor - director provincial da Educação e Cultura, outras vários outros nomes até hoje sonantes.
Na altura, segundo a fonte que nos escreveu de Lisboa, era tempo "do Frerimo", tempo dos "cambaradas", ele também "camarada Director- Professor Alexandre".
Com o conhecimento quotidiano das "asneiras" que aconteciam na altura, referiu a fonte, cedo Alex se juntou aos combatentes pela democracia.
Nos adventos da democracia, juntou-se a Oposição, e o resto, segundo a mesma fonte, os beirenses renamistas conhecem melhor, entre os quais Fernando Carrelo e Mário Barbito.
Alex esteve preso duas vezes na Beira, em 2008 e 2009.
Para quem pode não ter conhecido, importa frisar que o Liceu D. Gonçalo da Silveira-Maristas, onde Alex foi o primeiro director após a independência, hoje é Universidade Católica de Moçambique (UCM).
A fonte referiu é pouco difícil lembrar tudo sobre Alex depois de 35/6 anos, mas observou alguns "alunos de 75/77" dos Maristas hoje talvez pertencem a vários órgãos governativos em Moçambique.
Este é o resumo do percurso de um homem que nos últimos anos da sua estada na Beira parece ter passado despercebido, talvez devido o seu carácter humilde. (Vera Patrícia)

O AUTARCA, citado no Mocambique para todos


Nota do José: Sobre este caso, leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Fundos da ajuda externa não estão a ser investidos na luta conta pobreza

– conclui a avaliação do Grupo Moçambicano da Dívida (GDM), que diz que entre 2003 e 2009 o Governo moçambicano recebeu mais de 10 biliões de dólares em ajuda externa, mas curiosamente a pobreza aumentou, de acordo com o último Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF).


Depois de Moçambique ter recebido e gasto mais de 10 biliões de dólares em ajuda externa entre 2003 e 2009 esperava-se que o índice de incidência da pobreza diminuísse significativamente, “mas contra todas as expectativas a pobreza aumentou” de 54,1 porcento para 54, 7 porcento.

Matias Guente, Canalmoz. Continue lendo aqui.

Os perigos que nos devem despertar

Pelas caras de muitos deles viu-se que são pessoas que lutam desesperadamente para se manter em vida, e que por isso, cansados das derrotas que as dificuldades do dia-a-dia lhes infligem e lhes afligem, são pessoas sensíveis e susceptíveis de tudo fazer para atingirem os seus intentos. São o que se chama um barril de pólvora, fazem manifestações para que a polícia lhes dê pretextos para vomitarem a sua ira e desencadear violência.


Todos os dias, multiplicam-se notícias de novos investimentos no país, de uma maior estabilidade dos indicadores macroeconómicos, de números que evidenciam que Moçambique é um país que está a mudar, para melhor; que mostram que Moçambique é um país que se recomenda no concerto das nações como um bom lugar para viver e fazer negócio. São factos irrefutáveis, que nos devem orgulhar como moçambicanos, e que nos colocam patamares acima de muitos países africanos.
Mas como não há bela sem senão, há também sintomas sociais que são preocupantes, que é preciso dedicar-lhes toda a atenção, porque podem deitar abaixo todas as coisas boas que conquistámos. Um deles deu-se esta semana. Ou melhor, voltou a manifestar-se esta semana. É o assunto dos antigos combatentes.
O Governo insiste que da sua parte o assunto está resolvido, que mandou aprovar o Estatuto dos Combatentes, no Parlamento, e que o resto não lhe diz respeito. Mas nem sempre a aprovação de uma lei resolve, verdadeiramente, um problema. O dossier dos antigos combatentes é disso exemplo. Para muitas daquelas pessoas não lhes diz, rigorosamente, nada a existência de uma lei, sobretudo porque não atinge o fim que os preocupa e que, no fundo, levou à aprovação daquela lei.
Na verdade, ensinou-nos a vida que uma lei só conta quando vai ao encontro dos anseios das pessoas. Como se tem visto até agora, o Estatuto dos Combatentes, aprovado, recentemente, não se enquadra no contexto dos anseios dos antigos combatentes. O que quer dizer que investimos tempo e recursos para criarmos uma lei que visava resolver um problema, mas continuamos, em rigor, com o problema que queríamos resolver.
Os antigos combatentes querem um subsídio que garanta o mínimo da sua sobrevivência. O país não está em condições de dar esse mínimo. Os antigos combatentes prometem dar luta até onde puderem para ter o que acham ser justo. O Governo insiste que não pode dar mais do que aquilo que não tem. Os antigos combatentes dizem que o Governo tem mais do que oferece, mas não lhes dá porque já não têm a mesma utilidade que tinham, quando combateram.
O problema é que os antigos combatentes são um potencial de instabilidade muito grande e, como se viu pela reacção do próprio Governo, esta semana, o próprio executivo reconhece que podem fazer mossa, daí a ideia de mobilizar todo um aparato de segurança para os controlar.
Só que a via repressiva não parece suficiente para resolver o problema, como já se viu até agora. Pelas caras de muitos deles viu-se que são pessoas que lutam, desesperadamente, para se manter em vida, e que por isso, cansados das derrotas que as dificuldades do dia-a-dia lhes infligem e lhes afligem, são pessoas sensíveis e susceptíveis de tudo fazer para atingirem os seus intentos. São o que se chama um barril de pólvora, fazem manifestações para que a polícia lhes dê pretextos para vomitarem a sua ira e desencadear violência.
Estas pessoas têm pouco a perder, estão convencidas de que têm a razão do seu lado e conseguiram transmitir a justeza da sua causa às esposas, viúvas e descendentes, que os arrastam consigo para as suas vigílias. E pelos números que se falam de antigos combatentes, pelo país todo, se esta mobilização for extensiva a todos, não há efectivos policiais que os segurem. A estes juntam-se os madjermanes, outro dossier mal fechado, e as muitas vozes que se começam a ouvir, questionando a distribuição e ou acesso desigual a recursos e oportunidades. Se todas estas sensibilidades dormentes, estas feridas mal saradas despertarem, que são um potencial de instabilidade enorme, aí teremos uma soma de pequenos problemas que irá dar num problema enorme. Por isso, urge encontrar uma solução para estes pequenos problemas antes que seja tarde.
O que aconteceu nas Palmeiras, há duas semanas – uma população em ira a atirar sobre tudo e todos, bloqueando a Estrada Nacional número 1 e paralisando, por um dia inteiro, a ligação entre o sul e o resto do país, é um exemplo que nos deve servir muito bem, uma prova de que não são precisos grandes pretextos para se desencadear actos gratuítos de violência, nos dias que correm. Muitos cidadãos não vivem esse outro mundo positivo dos números dos investimentos, das taxas de crescimento económico, das sucessivas descobertas de recursos, que deixam eufóricas as elites política e empresarial. Vivem o lado lunar destes modelo económicos, acumulando frustrações, no seu di-a-dia, à espera de pretextos banais para se rebelar. Para estas pessoas, a violência não visa apenas destruir o outro, mas é uma forma de exorcizarem as suas angústias.

Jeremias Langa, O País