Saturday, 8 January 2011

Homenageado em Portugal: pintor moçambicano era Valente de nome e na vida, elogia ministra da Cultura portuguesa


A ministra portuguesa da Cultura, Gabriela Canavilhas, referiu hoje em Lisboa que o artista moçambicano Malangatana, que morreu na quarta-feira aos 74 anos, "era não só Valente de nome como foi valente na vida".
Na cerimónia que antecedeu a missa de corpo presente, hoje no Mosteiro dos Jerónimos, a ministra referiu-se ao artista plástico como "um modelo de cidadania activa, mas pacificadora".
Malangatana Valente é "um ícone nacional [de Moçambique], mas também Portugal reconheceu o carácter emblemático da sua obra", disse Canavilhas acerca do pintor que faleceu há dois dias no hospital, em Matosinhos e que deverá ser trasladado para o seu país na próxima terça-feira.
Referindo-se à poesia que o pintor escreveu, a ministra da Cultura afirmou ser uma "obra desafiante e comovente".
O discurso mais emotivo da cerimónia, que durou cerca de uma hora e à qual assistiram perto de 300 pessoas, foi do psiquiatra Afonso de Albuquerque, amigo de há longa data do pintor, desde os tempos do colonialismo, que discursou dirigindo-se directamente a Malangatana.
O médico referiu a "generosidade, alegria e naturalidade, quase ingenuidade, e inocência semelhante à das crianças" que caracterizavam Malangatana.
Afonso Albuquerque recordou ainda o empenho do pintor quando o convidou a passar uns dias no hospital psiquiátrico Júlio de Matos, onde pintou e conviveu com os doentes.
Segundo o médico, Malangatana empenhou-se e foi feliz nesses dias em que as paredes das salas da instituição foram cobertas com folhas de desenho.
O ex-presidente da República portuguesa Mário Soares, amigo do pintor desde a independência de Moçambique, afirmou que o artista era "espontâneo, natural e humano".
Soares disse ainda que o artista "prestou grandes serviços a Moçambique", não só como "o maior pintor moçambicano", como também um "pintor universal".
O embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Costa Mkaima, disse, por seu lado, que Malangatana fez do português a língua da sua criação artística e sublinhou o facto do seu corpo ter sido velado num monumento onde estão sepultados alguns dos mais ilustres portugueses.
Para o diplomata, esta honra é "o reconhecimento inequívoco da irmandade e das excelentes relações entre o povo português e moçambicano".
Malangatana tinha "a capacidade de fazer simpatias e arranjar amigos, o que facilitava a acção diplomática de Moçambique", reconheceu Mkaima.

(RM/Lusa)

Friday, 7 January 2011

Portugal despede-se do pintor Malangatana nos Jerónimos


Amigos de Malangatana Valente recordaram esta sexta-feira em Lisboa "o grande homem" nascido em Moçambique, mas "um cidadão do mundo" e representante da língua portuguesa e da cultura africana fora do seu país de origem.
Desde o início da manhã de hoje passaram várias dezenas de pessoas pela sala do antigo refeitório do Mosteiro dos Jerónimos, onde o corpo do artista se encontra em câmara ardente para as cerimónias fúnebres em Portugal.
Ainda não está confirmado o programa das exéquias fúnebres do pintor mor moçambicano, contudo hoje o Conselho de Ministros reuniu-se especialmente para ponderar as cerimónias que deverão decorrer em Maputo na próxima semana.
À saída do Conselho de Ministros extraordinário o Presidente da República, Armando Guebuza, garantiu que Malangatana terá um funeral à altura da sua grandiosidade.
O corpo de Malangatana deverá chegar a capital do país por via aérea na terça-feira.

A Verdade

Em 2011 é preciso continuar-se a acreditar

A luta continua e o Povo vai de novo vencer

Em 2011, o que gostaríamos de ver? Ver o disco a tocar a mesma “marrabenta”? Não terá chegado a hora de se passar a exigir que neste País os outros ritmos também se dancem? “Sungura” não dá? “Mbira” não dá? “Tufo” não dá? “Mapiko” não dá? Continuarmos a ver em 2011 o Povo a sofrer e a elite do poder, depravada e enclausurada em Maputo – agora até já metida em “guetos” a que chamam de “condomínios” –, convencida que é com ela que o País vai sair deste estado de coisas? Acham mesmo que é possível por muito mais tempo a Paz manter-se deste jeito?

Editorial do Canalmoz / Canal de Moçambique. Leia mais aqui.

Dhlakama nas bases


O LÍDER da Renamo, Afonso Dhlakama, realiza a partir deste mês um périplo por todas as províncias do país, com o objectivo de avaliar a actual a situação económica, política e social do país.
Maputo, Sexta-Feira, 7 de Janeiro de 2011:: Notícias

De acordo com Fernando Mazanga, porta-voz do partido, a deslocação surge também na sequência das recomendações do último encontro da Comissão Política Nacional, realizado no último trimestre do ano transacto na cidade de Nampula.
“Neste encontro, os participantes recomendaram à presidência do partido no sentido de se continuar com o trabalho de contacto com a população no sentido de se medir o pulsar da vida política, económica e social do país”, afirmou Mazanga.
Segundo a fonte, a questão das manifestações de repúdio aos resultados eleitorais de 2009 “continuam na nossa ordem do dia”, sendo por isso de admitir que o assunto seja aflorado nos encontros que Dhlakama irá manter com as suas bases de apoio.
Mazanga disse que o trabalho nesse sentido teve início no ano passado, quando nos meses de Novembro e Dezembro, Afonso Dhlakama visitou os distritos de Nacala-Porto, Moma, Angoche e cidade de Nampula, todos na província de Nampula.
Por outro lado, o porta-voz da Renamo revelou que o seu partido tomou a iniciativa de formar um grupo de trabalho que irá dialogar com o partido no poder, a Frelimo, sobre o desenvolvimento da democracia multipartidária no país.
“Queremos propor conversações, muito embora a actual liderança da Frelimo não goste de chamar conversações mas diálogo. Prendemos abordar três pontos, sendo que o primeiro relaciona-se com a preservação da democracia multipartidária no país que deveria ser construída à base do Acordo Geral de Paz (AGP) mas que agora está a ser escamoteada nessa vertente.

O segundo ponto tem a ver com a necessidade de se criar uma nova ordem política nacional que deve ter como base a entrega da independência nacional aos moçambicanos e não a um grupo de indivíduos que se auto-intitula donos do país porque, alegadamente, estiveram em Nachingweia e lutaram pela independência, esquecendo-se que moçambicanos houve que lutaram na clandestinidade pelo fim do colonialismo no país”, disse Mazanga.
O terceiro ponto de diálogo que a Renamo deseja realizar com a Frelimo, prende-se com a situação social e económica que o país atravessa.

“Não temos uma cultura jurídica e do primado da lei”

Quem também não tem dúvidas que aquela nomeação fere a Constituição da República é o jurista António Frangoulis, ex-deputado da Frelimo na Assembleia da República. “É incompatível. O governador substituto exerce o cargo e pratica actos de governador, portanto, a incompatibilidade está lá. Mas esta não é a primeira vez. Tivemos o caso dos vogais da CNE, onde Leopoldo da Costa era presidente do órgão e acumulava com cargo de reitor do ISCTEM. O próprio vogal António Chipanga era, na altura, director-adjunto da Faculdade de Direito da UEM. A própria Lúcia Ribeiro era juíza Conselheira do Conselho Constitucional e continuava a auferir salários na UEM. Nós não temos uma cultura jurídica e do primado da lei neste país. Outro exemplo é do vice-presidente do Tribunal Supremo. Faz parte da plenária do ‘Supremo’ e, por isso, tem de ser um juiz conselheiro na função jurisdicional. Para ser juiz conselheiro existem duas fontes: nomeadamente a carreira, ou através de um concurso público, e este não veio das duas fontes. Na função jurisdicional, os actos deste são nulos e sem nenhum efeito”, diz Frangoulis.

O País

Nomeação de Muária para governador substituto de Sofala é inconstitucional

Mantendo o cargo de vice-ministro das Obras Públicas

“Os cargos de Presidente da República, vice-ministro, deputado, governador provincial (...) são incompatíveis entre si”, diz o artigo 137 da Constituição da República.
O Presidente da República, Armando Guebuza, nomeou há sensivelmente oito meses o vice-ministro das Obras Públicas e Habitação, Carvalho Muária, para o cargo de governador substituto da província de Sofala, sem, no entanto, exonerá-lo do anterior cargo, acto que se afigura manifestamente inconstitucional. A nomeação de Muária para o cargo de governador de Sofala tinha a ver com a necessidade do mesmo substituir temporariamente Maurício Vieira, então titular da pasta que se encontrava gravemente doente. Maurício Vieira viria a falecer num hospital sul-africano, em Dezembro do ano passado.

Nomeação inconstitucional


Dispõe o número 1 do artigo 137 da Constituição da República, que versa sobre as incompatibilidades que: “Os cargos de Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, presidente do Tribunal Supremo, presidente do Conselho Constitucional, presidente do Tribunal Administrativo, procurador-geral da República, provedor da Justiça, vice-presidente do Tribunal Supremo, vice-procurador-geral da República, deputado, vice-ministro, secretário de Estado, governador provincial, administrador distrital e militar no activo são incompatíveis entre si”.
Ora, ao que se sabe até agora, Muária em nenhum momento suspendeu, nem foi exonerado do cargo de vice-ministro das Obras Públicas e Habitação. Pelo contrário, acumula com o cargo de governador substituto de Sofala, exercendo também aqui todas as competências atribuídas a um governador provincial.

José Belmiro, O País

Thursday, 6 January 2011

Pensar alto

Sim
às marrabentas
...às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra

mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.

MALANGATANA NGWENYA VALENTE
(06.06.1936 - 05.01.2011)

2011 é ano novo?


O homem é o único animal que é intrinsecamente descontente; daí o seu sentimento de vergonha – porque ele sabe que pode ser livre”, Osho.

A salada de acontecimentos esteve bem recheada em 2010, apenas não conseguiu aguçar o meu apetite para dela me degustar aspirando prosperidade. Meu olhar atento apenas captou inquietações cada vez que procurava o nexo de cada acontecimento. Aflições nascidas da incerteza do futuro.
Ano novo! Ano novo! Ano novo! (...). Na memória fresca do meu passado, não muito distante, ecoa este lúbrico grito que sempre soltava na passagem de um ano para o outro, com uma euforia desmedida. Era um grito inocente e cheio de esperança vindo de uma criança despreocupada com os problemas da vida e da nação. O tempo passou e, pouco a pouco, a frenética emoção de menina arrefeceu com o aproximar da vida adulta. As cores do mundo perderam-se entre o preto e branco num cinza indecifrável e hoje o grito é mais baixo. O verde da esperança já não está acessível aos meus sonhos e a cada ano que passa mais no horizonte ele se coloca e sem bússola para me direccionar. Estou triste.
Este é o sentimento que hoje adia o meu alegro. Em claras palavras, a minha tristeza nasce por não perceber em que direcção caminha o meu país. Falo de um país que acaba de deixar um ano marcado por fortes acontecimentos. Inaugurado pela crispação entre o Governo e doadores, culminou com desembolso e com a histórica redução para menos da metade a dependência do nosso orçamento em relação aos recursos externos; a inflação chegou a atingir dois dígitos ao fixar-se acima de 14% no princípio do segundo semestre, roendo com o poder de compra dos moçambicanos, que viram o custo de vida agravar-se para além do suportável; a conjuntura internacional denunciou, uma vez mais, as nossas fraquezas na produção, ao fortificar as principais moedas com as quais transaccionámos, deixando a nossa sem muito valor; os dados da pobreza que se esperava virem a fixar-se nos 45% saído dos 54.1% agravaram 0.6%, passando para 54.7%; também foi no ano 2010 que se descobriu mais reservas de carvão em Tete e outros minérios de alto valor internacional, como ouro e cobre capazes de catapultar o crescimento da nossa economia; também descobriu-se ao longo do ano a ocorrência de gás e petróleo na Bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado; foi também em 2010 que assistimos à reedição das manifestações de 5 de Fevereiro de 2008, a 1 e 2 de Setembro em reacção ao elevado custo de vida e, na sequência disso, testemunhámos a pseudo-austeridade do Governo, etc.
Enfim, a salada de acontecimentos esteve bem recheada, apenas não conseguiu aguçar o meu apetite para dela me degustar aspirando prosperidade. Meu olhar atento apenas captou inquietações cada vez que procurava o nexo de cada acontecimento. Aflições nascidas da incerteza do futuro. Infelizmente, a felicidade do ser humano não depende apenas do bem estar do presente, mas da certeza de que o encontrará também no futuro. E este prognóstico o homem não precisa que lhe seja feito, apenas precisa ter ao ser dispor um conjunto de informações que lhe permitam chegar a essa conclusão.
A explicação menos feliz que recebi foi a de que “a nação estava no bom caminho, rumo à prosperidade”, dada pelo Chefe do Estado no seu informe anual, proferido na Assembleia da República em Dezembro último. Bonito foi ouvir, mas difícil foi assimilar. Afinal, tratava-se de um discurso político, minuciosamente idealizado para soar de forma aprazível. E a réplica desta conveniente convicção foi dada pelo primeiro-ministro, Aires Ali, numa entrevista à STV e ao “O País” quarta-feira última, explicando que no ano passado as bases foram lançadas e que nos próximos anos vamos sentir o voo rumo à prosperidade.
Este analgésico não fez efeito em mim porque ao largar a forma e descer à essência o discurso perdia a franqueza. Em que bom caminho, rumo à prosperidade, estamos? O que é bom caminho quando se permanece sete anos nos mesmos níveis de pobreza? Quem discursa é a medida da probreza no país? Como estão articuladas as acções encentadas para alimentar esta convicção segundo a qual as bases estão criadas. Que eu saiba só na multiplicação e adição é que a ordem dos factores não altera o produto.
Ao longo de 2010 esteve em voga o tema de pobreza em várias conferências. Ainda que se questione a qualidade do debate, é indubitável que o tema se revestia de uma inequívoca relevância. A começar pelo facto de 35 anos após a independência e 18 após os Acordos Gerais de Paz os níveis de pobreza ainda estarem acima dos 50%. Este indicador é dos mais preciosos para radiografar a forma como somos governados. Paradoxalmente, esta pobreza é de ano em ano escamoteada pelos dados macroeconómicos que apontam para um crescimento da nossa economia sempre muito acima das previsões. Como pode, sermos um país das marravilhas com tanta pobreza?
O primeiro-ministro dizia na entrevista, acima citada, que os dados do Inquérito do Orçamento Familiar sobre a pobreza não reflectem toda a realidade do país e que devíamos fazer um estudo que se aproximasse mais ao senso comum, que reconhece que muita coisa mudou na vida das pessoas. De facto, muita coisa mudou no país. Mas se essas coisas conduziram a mudanças na vida das pessoas não sei. Mais estradas, escolas e hospitais foram construídos, mas não sei se nessas escolas há professores para leccionarem, se nos hospitais há técnicos de saúde e equipamentos para servir a população, se a maioria das infra-estruturas servem os interesses da população naquilo que são as suas necessidades prementes de produzir e ter acesso aos mercados. Quem monitora e avalia o impacto dessas infra-estruturas? Que estudos são feitos para definir a prioridade de uma ou outra infra-estrutura? E mais ainda, até que ponto há participação comunitária na definição das estratégias adoptadas. E quando há auscultação quem é ouvido?
A factura de tudo que está mal é sempre depositada na conta do Executivo que, aliás, democraticamente elegemos. E isto não acontece à toa. O Governo é o representante do povo e tem poderes para conduzir o nosso destino, pelo menos enquanto se mantiver legítima a sua posição. Se padecer de alguma anemia governativa cabe a si renunciar e deixar quem se sente capaz tomar a vez. Nós não queremos ser chefiados, queremos ser liderados e conduzidos a bom porto. Queremos caminhar sempre longe da doença económica mais temida: hiperinflação. Queremos preparar o pior para poder evitá-lo, transformando as riquezas que o país dispõe em riquezas de facto. Queremos deixar de ser muito ricos no discurso e muito pobres na prática.
A abundância de recursos naturais alimenta um optimismo muito grande em relação ao futuro, mas se não definimos hoje o caminho a seguir, certamente que caminharemos sempre ao lado de uma grande oportunidade na história do tempo, alimentado o ego com discursos armadilhados. Não queremos ser ricos por ter muitos recursos valiosos e uma posição geográfica estratégica, mas por usufruir de tudo que temos e tornarmo-nos valiosos e parceiros estratégicos. Que 2011 seja o ano da esperança renovada. Que o Governo seja mais transparente na gestão do destino do país e que saiba emprestar os ouvidos à nação. Que 2011 seja um ano novo na superação dos desafios.
Feliz 2011!

Olívia Massango, O País

Governo não dá informação sobre o sequestro do navio pesqueiro na Beira

Maputo (Canalmoz) – O Governo moçambicano está fechado em si mesmo em relação às informações sobre o sequestro do navio pesqueiro “Vega 5”, pertencente à PESCAMAR. A embarcação desapareceu sexta-feira última. Dados disponíveis indicam que foi sequestrado e foi visto a ser escoltado por supostos piratas somalis. Nas instituições do Estado que lidam com a fiscalização marítima, ninguém dá informações sobre o caso.

Leia mais aqui.

Wednesday, 5 January 2011

Morreu Malangatana


O pintor moçambicano Malangatana morreu aos 74 anos às 03:30 (05:30 horário de Maputo) no Hospital Pedro Hispano, na cidade portuguesa de Matosinhos, vítima de doença prolongada, segundo a direcção do hospital.
O pintor, de 74 anos, encontrava-se internado há vários dias naquele estabelecimento.
Malangatana vendeu os primeiros quadros há 50 anos e com o dinheiro arranjou uma casa e foi buscar a família para Maputo. Meio século depois, morreu um homem do mundo, um dos moçambicanos mais famosos.
Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936 em Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene, às portas da então Lourenço Marques, hoje Maputo. Foi pastor, aprendiz de curandeiro (tinha uma tia curandeira) e mainato (empregado doméstico).
A mãe bordava cabaças e afiava os dentes das jovens locais (uma moda da altura), o pai era mineiro na África do Sul. Com a mãe doente e um pai ausente, Malangatana foi viver com o tio paterno e estudou até à terceira classe. Só. Aos 11 anos começou a trabalhar porque já era «adulto» e podia fazer tudo, de cuidador de meninos a apanha-bolas no clube de ténis.
Nos últimos 50 anos foi também muito mais do que pintor. Fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência.
Ainda que o seu lado político seja o menos conhecido, Malangatana chegou a estar preso, pela PIDE, acusado de pertencer ao então movimento de libertação FRELIMO, sendo libertado ao fim de 18 meses, por não se provar qualquer vínculo à resistência colonial.
Na verdade Malangatana viveu parte da sua adolescência junto dos colonos portugueses, os mesmos que o iniciaram na pintura, primeiro o artista plástico e biólogo Augusto Cabral (morreu em 2006) e depois o arquitecto Pancho Guedes.
Augusto Cabral era sócio do Clube de Ténis, onde trabalhava um tio do pintor. «Um apanha-bolas nas partidas de ténis era um tal Malangatana Ngwenya (crocodilo), que, no fim de uma tarde de desporto, se acercou de mim para me pedir se, por acaso, eu não teria em casa um par de sapatilhas velhas que lhe desse», contou Augusto Cabral em 1999.
O pintor iria nascer nessa noite, quando Malangatana foi a casa de Augusto Cabral e o viu a pintar um painel. «Ensine-me a pintar», pediu. E Augusto Cabral deu-lhe tintas, pincéis e placas de contraplacado. «Agora pinta», disse ao jovem, ao que este perguntou: «pinto o quê?». «O que está dentro da tua cabeça», respondeu Augusto Cabral.
O jovem viria a ter também o apoio de outro português, o arquitecto Pancho Guedes, que lhe disponibilizou um espaço na garagem de sua casa de Maputo e lhe comprava dois quadros por mês, a preços inflacionados. Em poucos meses Malangatana quis fazer uma exposição e foi, para espanto confesso de Augusto Cabral, um enorme sucesso.
Nas pinturas, nessa altura e sempre, Matalana, onde nasceu e cresceu e onde frequentou a escola da missão suíça até à segunda classe. Menino pastor, agricultor, caçador de ratos com azagaia, viria a estudar só mais um ano. Fica-lhe Matalana no pincel, a opressão colonial, a guerra civil. A paz reflecte-se numa pintura mais optimista e nos últimos anos foi um carácter mais sensual que a caracterizou.
E sempre o quotidiano. «Há sempre um manancial de temas a abordar. São os acontecimentos do mundo, às vezes tristes, outras alegres, e eu não fico indiferente. Seja em Moçambique, ou noutra parte do mundo, a dor humana é a mesma», disse numa entrevista à agência de notícias Lusa, ainda recentemente.
Já homem, com a pintura como profissão, confessou ao jornalista Machado da Graça que sentia grande aproximação com os artistas portugueses desde os anos 70, quando foi pela primeira a Portugal, como bolseiro da Gulbenkian.
Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na 'sua' Matalana.
E exposições, muitas, em Moçambique e em Portugal mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia. Tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Swazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.
Contando com as obras em museus e galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo, parte do qual conheceu como membro de júri de bienais, inaugurando exposições, fazendo palestras, até recebendo o doutoramento honoris causa, como aconteceu recentemente em Évora, Portugal.
Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique. Em Portugal morreria também o pastor, mainato e pintor. Malangatana. Valente.

Lusa/RM

AS "MÁSCARAS" DOS (NOSSOS)PRESIDENTES E DO BARÃO

Enquanto os nossos telhados forem de vidro, temos de continuar a praticar a submissão, vivendo e calando, sem direito a fazer ouvir qualquer tipo de revolta. Embora custe muito a reconhecer que os defeitos dos outros em nada se comparam com os nossos próprios defeitos. A pior das injustiças é aquela que sai das nossas mãos.
A Sociedade é um lugar de portas fechadas, só lá entra quem souber "as senhas" da Hipocrisia e da Conviniência. Estamos de tal maneira habituados às "ajudinhas" que vêm daqui e dali, que já nem sabemos andar sem muletas.
O empenhamento com que se fazem as coisas, a verticalidade de caráceter, o querer agir com isenção em todas as circunstâncias, tudo isso são valores que na prática vão sendo despromovidos. O único que deve constar do "curriculum vitae" é a nossa "agenda de telefones"...
Poder falar abertamente, com a verdade na boca, é um luxo que, à medida que o tempo passa, menos pessoas conseguem sustentar. A censura mais insuportável é aquela que risca as linhas do nosso próprio pensamento.
Quando se pretente alcançar uma meta, a tendência é de procurar atalhos em vez de se ir em frente, pelo caminho correcto. Somos voluntários à força, sem forças para ter uma vontade.
Indignamo-nos com as transgressões dos outros, com os abusos dos outros, com a indisciplina dos outros, com a sua prepotência, com a sua falta de escrúpulos... mas sempre que nos surge uma oportunidade, não hesitamos em pagar-lhes na mesma moeda.
As nossas máscaras. São elas que nos protegem, que nos emprestam uma ilusória personalidade, que nos fazem ganhar o jogo das escondidas - independentemente de envolverem Presidentes da República ou vulgos «Barões» do que quer que seja -, de vivemos de subentendidos, de meias palavras, negando o que nos vem à flor da pele. Cada vez temos menos coragem para gritar que "o rei vai nú!..."
E quantos "reis" não andarão "nús"desde há muito na Sociedade Moçambicana, proliferando pelas grandes empresas (estatais ou não!), neste ou naquele sector de actividade, em suma, pelos gabinetes dos nossos Governantes, do Poder Instituido e das Forças Políticas?!... Foi preciso surgir, inesperadamente do nada, a Wikileaks para que as máscaras começassem a cair por terra...
E o pior disto tudo é que a "vergonha" das "máscaras" se dá «à escala» mundial.
Mas há máscaras e... máscaras.
Em suma: muito "boa gente" moçambicana, ao mais alto nível da sociedade, não "escapa" a esta vergonha que a todos devia envergonhar e empobrecer...
Vive-se mais de aparências que de verdades, é um facto inquestionável.
Eis o mundo de hoje, com o qual temos de viver.
Mas como podemos nós combater o que está mal (ou aparentemente) menos mal?! (x)

Afonso Brandão, Wamphula Fax, citado no Diário de um Sociólogo

A promiscuidade entre o Governo e os interesses privados

Armando Inroga, ministro da Indústria e Comércio, encontra-se claramente numa situação de conflito de interesses. José Pacheco fez um exercício de purificação de imagem, mas será que a sua ex-empresa não vai mesmo continuar a fazer altos negócios com o Ministério da Agricultura?

Luís Nhachote no Canalmoz. Leia mais aqui.

Tuesday, 4 January 2011

Costa do Marfim: Laurent Gbagbo aceitou abandonar o poder

O presidente cessante terá aceite a proposta de segurança e protecção da CEDEAO e dos Estados Unidos

Washington, 04 Jan - A CEDEAO anunciou que o presidente cessante da Costa do Marfim aceitou negociar o fim da crise política que tem abalado o país desde as eleições de Novembro.
O anúncio foi feito pela organização regional, isto depois do chefe de Estado nigeriano Goodluck Jonathan ter dito inicialmente continuar a haver um bloqueio nas negociações.
Os líderes da CEDEAO disseram também hoje que as forças de Gbagbo vão levantar o cerco ao hotel onde se instalou o seu rival, Alassane Ouattara.
Segundo a agência portuguesa lusa, citando um dos mediadores, “Gbagbo terá aceitado negociar uma saída pacífica da crise sem condições prévias.” A mesma agência confirma igualmente o levantamento imediato das barricadas junto ao Hotel Golf em Abidjan.
Este anúncio surgiu apenas horas depois de os presidentes da Serra Leoa, Benim e Cabo-Verde se terem reunido na capital nigeriana para analisar os resultados das conversações em Abidjan.
Os três chefes de Estados fizeram o ponto de situação ao líder da Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental - CEDEAO – o presidente nigeriano Goodluck Jonathan, sustentando, na altura, que havia um impasse.
“Existe ainda um bloqueio. E vamos continuar com a discussão. Mas a posição da CEDEAO expressa no seu comunicado ainda continua de pé,” afirmou Jonathan.
Nas conversações de ontem com o ainda presidente Gbagbo, os chefes de Estados ofereceram-lhe protecção e segurança se abandonasse o poder. Mas Gbagbo respondeu que não iria ceder, e que estava a defender o seu país contra a ingerência estrangeira. Desconhece-se o que o possa ter feito mudar de opinião.
Alguns analistas afirmam que Angola poderá ter de desempenhado um papel importante, nos bastidores, dada a relação próxima entre José Eduardo dos Santos e Laurent Gbagbo. Fontes oficiais americanas admitiram, por outro lado, que Gbagbo possa deslocar-se para Estados Unidos e viver no Estado da Geórgia, onde tem familiares.
A CEDEAO ameaçou em recorrer a força contra Laurent Gbagbo, que conta ainda com o apoio das forças armadas, o que leva a crer que um combate para o controlo de Abidjan iria ter um alto custo.
Entretanto membros do Partido Democrático da Costa do Marfim disseram que forças de segurança cercaram a sede dessa formação política acusando-os de estarem a esconder armas. A mesma fonte disse que um número indeterminado de pessoas ficou ferido.
O partido democrático faz parte da coligação que apoiou Alassane Ouattara nas eleições presidenciais de Novembro.


Voz da América

Oposição antevê um 2011 difícil para os moçambicanos

Custo de vida

Enquanto isso, a Frelimo diz que será um ano de desafios e grandes realizações a todos os níveis, apontando para o aumento do nível de investimentos que “terão impacto na luta contra a pobreza” “O Governo adoptou a não produção como política”. “O país não produz e vive de importações. E numa altura de crise é difícil manter um custo de vida estável vivendo de importações” – Ismael Mussa, deputado à AR e Secretário-geral do MDM

Maputo (Canalmoz) – O elevado custo de vida que marcou o ano 2010 e que suscitou o descontentamento e indignação patenteado nas manifestações que paralisaram as cidades de Maputo e Matola, nos dias 01 e 02 de Setembro e parte do dia 03, é apontado pela oposição como um cenário que irá prevalecer no presente ano, alegadamente porque as estratégias do Governo estão a revelar-se “insustentáveis e irreais”.
A oposição prevê um ano de sacrifícios a que serão sujeitos os que mais necessitam.
A oposição considera, entretanto, que as medidas de austeridade que foram prolongadas pelo Conselho de Ministros para continuarem até Março deste novo ano, são mais um exercício de “puro entretenimento”, porque ultimamente o Governo está a tomar medidas que contradizem ao espírito da austeridade. Exemplificam e falam da oferta de viaturas aos membros da CNE, a manutenção das “presidências abertas” e de instituições supérfluas. Mas, curiosamente, nenhum dos partidos fala do aumento do subsídio da renda de casa (no valor de 12 mil meticais) aos deputados na Assembleia da República de que todos beneficiam. Nem mesmo de carros que em breve os deputados irão receber do Estado, ainda que pagos a preços bonificados e isentos de direitos. Disso ninguém fala. Aí há uma cumplicidade total entre a oposição e a bancada maioritária, facto que já está a suscitar grandes movimentos de protesto das bases dos partidos da oposição.
A Frelimo, traz para este ano uma visão e expectativa diferentes da oposição que está a criticar o despesismo em tempo de crise. Olha para 2011 com “muita esperança a todos os níveis” e fala de um “ano de grandes realizações”.

Faltam estratégias realistas e cultura de trabalho por parte do Governo

Para a Renamo, será “sem dúvidas um ano de sacrifícios para os que nada tem”. Segundo o deputado José Manteigas, 2011 será mais difícil para os moçambicanos que o ano passado já deram mostras do seus crescente descontentamento pelo rumo que a economia está a levar com as opções do Governo da Frelimo. Diz que o facto o preocupa, porque é um único partido que “não consegue, desde há muitos anos, melhorar a vida dos moçambicanos”.
Manteigas fala de uma situação “difícil”, “sem esperança” a que, “infelizmente os moçambicanos vão se habituando de ano em ano”.
Para Manteigas, o Governo falha no simples facto de não ter estratégias realistas de melhoramento da vida dos moçambicanos. “Estamos sempre a viver de estratégias e planos que não passam de ensaios para justificar fundos. Ora ensaiam o PARPA (Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta), depois o mesmo PARPA tem módulos: PARPA I, PARPA II e depois transforma-se em PAPA (Plano de Acção de Produção de Alimentos) e o resultado dessas estratégias é que a pobreza só aumenta. No tocante ao investimento, aquele parlamentar da Renamo, na oposição, fala de projectos que não tem impacto directo na vida das populações como é o caso de mega projectos. Assim, José Manteigas não prevê bom cenário para os moçambicanos em 2011. “Não antevejo cenário diferente, e nem alguma esperança na estratégia de combate
à pobreza urbana porque é mais um aliciamento político direccionado sem transparência, tal como o são os sete milhões nos distritos”, disse a terminar referindo-se à locação agora decidia de 7 milhões também aos municípios.

O problema é que o Governo da Frelimo ainda não escolheu a prioridade

Por seu turno, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) fala de falta de clareza nas prioridades do Governo da Frelimo. Ismael Mussa, deputado e Secretário-Geral (SG) diz que em 2011, o Governo tem a dura missão de encontrar a “fórmula mágica” para tirar o País da crise em que se encontra. Mussa advinha não ser fácil esta tarefa por se estar num País que “adoptou a não produção como política”. “O país não produz e vive de importações. E numa altura de crise é difícil manter um custo de vida estável vivendo de importações”.
Prosseguindo, aquele parlamentar do MDM diz que “temos um Ministério da Indústria e Comércio, num País onde não há indústrias. O que faz esse ministério? “É preciso encontrar mecanismos para baratear os custos de produção”. Ismael Mussa fala da necessidade da revolução na agricultura e na indústria de processamento. “Faltam estratégias de desenvolvimento. Fala-se de políticas de incentivo das pequenas e médias empresas, mas que não se reflectem no número das mesmas PME’s que são criadas. As pessoas estão a preterir Moçambique. Moçambique ainda não definiu a sua prioridade de desenvolvimento, se é a agricultura ou a indústria”.
O SG do MDM diz que o seu partido continua a defender a mudança de políticas em relação aos sete milhões, “porque defendemos que devia ser um Fundo de Desenvolvimento que financiasse o crescimento da classe média, através das PME’s, pois são elas que criam mais postos de trabalho e criam rendas”, disse a terminar.

Ano de grandes realizações e de aumento da auto-estima

A Frelimo reconhece que os efeitos da crise poderão fazer do ano 2011 um ano atípico, mas prefere, como sempre, botar uma acentuada dose de “esperança no futuro” que se avizinha. O porta-voz do partido no poder, Edson Macuácua, que é deputado e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República, diz que será um ano de grandes realizações quer a nível socioeconómico quer político. Fala dos Jogos Africanos que “elevarão a auto-estima dos moçambicanos”. Contrariando a oposição que fala de falta de estratégias, Edson Macuácua fala de um 2011 em que o Governo dedicará “toda energia na agricultura”, destacando o amplamente famosos estribilhos do “aumento da produção e produtividade”, e a “consolidação dos passos rumo ao combate à pobreza”. Macuácua fala de uma série de investimentos, como na barragem de Mpanda Nkua, ponte Maputo-Katembe, conclusão da ponte Samora Machel, construção de quatro fábricas de cimento (Sofala, Beleluane, Matutuíne e Moamba), o aumento de investimento no sector da exploração do carvão que, aliás, lhe valeu o baptismo de “ano do carvão”, entre outras realizações. Nesta ordem de realizações, a Frelimo, segundo Macuácua, não vê dificuldades e o consequente aumento do custo de vida em proporções calculadas pela oposição. A Frelimo prefere falar de desafios que serão vencidos.

E o que o Governo diz?

Perante todas as adversidades, o Governo, recorde-se, prevê crescimento. De acordo com o Plano Económico e Social para 2011 estão definidos como principais objectivos, os seguintes: alcançar um crescimento económico de 7,2 porcento, conter a taxa de inflação média anual em cerca de 8 porcento, atingir um nível de 2.402 milhões de dólares em exportações de bens, o que representará um crescimento de 15 porcento em relação às projecções de 2010, atingir um nível de reservas internacionais líquidas que financiem cerca de 4,3 meses de importações de bens e serviços não factoriais, incluindo os grandes projectos. E é neste quadro que entramos em 2011. Só o tempo nos permitirá ver quem tem os vaticínios que mais se conjugarão com a realidade. Hoje ainda é Janeiro e em 2011 está-se apenas no segundo dia de trabalho efectivo.

(Matias Guente, Canalmoz)

2011: no rescaldo da borrasca

O ano de 2010 foi um ano particularmente difícil.
Parece um lugar comum, pois as famílias moçambicanas e os agentes económicos sentiram na pele os efeitos da crise. A crise que veio de fora e a crise que foi provocada pela inépcia da Frelimo e o seu Governo em lidar com os factores conjunturais.
Foi um terrível erro de cálculo a “falsa” crise entre o Governo e os principais parceiros de cooperação, conhecidos por G-19. Os atrasos nos desembolsos que baralharam as contas governamentais e puseram o banco central a “fazer política” em vez do ministério das Finanças. Apesar dos aplausos fariseus das instituições de Bretton Woods, ainda está para ser provada a certitude das medidas de contenção da inflação e da circulação da massa monetária que levaram as taxas de juro, uma vez mais, a disparar para tectos desesperantes.
O autismo Frelimo/Governo levou à repetição dos erros de 2008 e a população saiu mais uma vez à rua de forma anárquica e desesperada. As respostas de carácter económico e securitário, mostraram uma direcção política do país fraca, pouco competente e saudosista dos tempos da omnipresente segurança do Estado. O episódio - não encerrado ainda - do registo dos telefones pré-pagos é anedótico e sinónimo da insegurança que se apossou das hostes da elite política.
Não é líquido que o perigoso afundamento da petrolífera nacional para subsidiar os combustíveis ao público corresponda a um imperativo nacional, quando os sectores mais abastados da sociedade se beneficiam exactamente desse subsídio prodigamente oferecido pelo Governo.
Tal como cereja no topo do bolo, os elementos devastadores do Inquérito aos Orçamentos Familiares (IOF) 2008-09 mostram que a pobreza de consumo não diminuiu nos últimos sete anos, um embaraço que atinge não só o governo mas toda a comunidade internacional que apoia mais ou menos acriticamente as políticas oficiais.
A forma como em privado se reagiu à nomeação de um barão da droga moçambicano pela administração Obama, as pressões sobre a banca e a despudorada histeria da imprensa, são outro indicador do desnorte que atingiu sectores sensíveis do poder político em Moçambique.
Nem só a frente governamental deve ser motivo de preocupação dos moçambicanos: das famílias e dos agentes económicos.
A nossa democracia constrói-se com uma oposição forte e com uma sociedade civil vibrante.
2010 foi talvez o “ano horribilis” da Renamo com o seu líder auto-exilado em Nampula. O MDM (Movimento Democrático de Moçambique) começou bem, mas a sua acção está muito circunscrita ao Parlamento e os seus representantes parecem mais preocupados em obter certificados de bom comportamento do que fazer oposição a sério. As organizações da sociedade civil - salvo honrosas excepções - continuam a reboque do partido governamental, o que é pouco salutar para a democracia moçambicana. A imprensa, outro pilar fundamental e que, muitas vezes, tem de fazer papéis múltiplos, começa a dar preocupantes sinais de cansaço e fraqueza, perante a crise económico-financeira, mas também pela crise de valores que corrói (também) as redacções.
Com tal pano de fundo, torna-se difícil prognosticar um melhor 2011.
A crise económica vai continuar a roer os orçamentos familiares e a vida das empresas. O governo está pressionado a encontrar e a implantar medidas de médio e longo prazo que substituam os “pensos rápidos” adoptados em Setembro, sem contar com os esperados “milagres” dos rendimentos das indústrias extractivas, a nova miragem que faz com que as elites acreditem que melhores dias virão.
É difícil enfrentarmos uma realidade pior que 2010.
Mas não tenhamos dúvidas. Esperam-nos dias difíceis em 2011.

Editorial do Savana, citado no Diário de um Sociólogo

O maior país africano poderá partir-se em dois

Sul cristão e animista do Sudão poderá tornar-se num estado independente

Votação que se inicia no próximo domingo pode ditar nascimento de um novo país, em Julho. O Presidente do Sudão, Al-Bashir, promete respeitar decisão de eleitores do Sul. Fracasso poderia fazer regressar a guerra.
Na praça principal de Juba, a poeirenta capital do Sul do Sudão, há um relógio que conta os dias, horas e minutos que faltam: hoje está-se a uma semana do início do referendo que, todos os sinais o dizem, deverá ditar a divisão em dois do maior país africano. "Por vezes passo por lá para me lembrar", confessou, sem esconder a excitação, Morri Francis, estudante e jornalista de uma rádio católica local, num blogue da agência humanitária Cafod. "Agora sinto que sou muito importante e influente no país. Agora mal posso esperar pela histórica data: 9 de Janeiro de 2011", escreveu, depois de se ter recenseado.
O referendo sobre a autodeterminação do Sul, a realizar entre os próximos dias 9 e 15, é o ponto-chave do acordo que, em 2005, pôs fim a duas décadas de uma guerra que matou pelo menos dois milhões de pessoas. Os sudaneses do Sul, predominantemente cristão e animista, vão decidir se permanecem unidos ao Norte islâmico, ou optam pela secessão e dão forma a um novo Estado com um tamanho semelhante ao da Península Ibérica. Seria o primeiro a nascer em África desde que, em 1993, a Eritreia se separou da Etiópia.
Salva Kiir, Presidente do Sul do Sudão e vice-chefe de Estado, chegou a dizer a enviados do Conselho de Segurança da ONU que, se o Norte procurasse perturbar a votação, o Sul, autónomo desde o acordo de paz, organizaria o seu próprio referendo.
Mas pelo menos os receios de um adiamento parecem afastados. O embaixador português António Monteiro, um dos três membros do painel designado pelo secretário-geral da ONU para acompanhar o processo eleitoral, faz uma avaliação positiva e acredita que não será necessário mudar a data do referendo, um cenário que, se não fosse justificado por razões técnicas, "só iria aumentar a intranquilidade". "O passo mais importante era o registo eleitoral. Não era fácil. Havia dúvidas sobre a colaboração das autoridades. Correu bem. De forma pacífica, com muito poucas objecções. Tivemos poucas reclamações, poucos recursos, que podem ficar esclarecidos até ao início da votação", disse ao PÚBLICO.
Uma das grandes dúvidas tem sido saber se o Presidente sudanês, Omar al-Bashir, acusado de genocídio e crimes contra a humanidade na região do Darfur, estará disposto a prescindir de um quarto do território, onde se concentra 80 por cento da produção petrolífera. Há perto de um ano, afirmou que seria o primeiro a reconhecer uma eventual independência do Sul. E na semana passada proferiu novas palavras de apaziguamento: prometeu "ajudar" a "construir" um país "irmão", "seguro e estável", se for essa a escolha dos mais de três milhões de eleitores. "Agora dizemos aos nossos irmãos do Sudão-Sul: "A bola está do vosso lado e a decisão é vossa. Se escolherem a unidade, sejam bem-vindos, e se escolherem a secessão, bem-vindos sejam"", disse, citado pela AFP.

Secessão é "provável"

Para que o país se divida, e em Julho nasça um novo Estado, a opção independentista deve ter a maioria dos votos, mas terão que ir às urnas pelo menos 60 por cento dos inscritos.
Os observadores prevêem o triunfo da opção secessionista, cenário também já tido como "provável" pelos responsáveis políticos em Cartum. "Todos os esforços para manter a unidade com o Sul fracassaram, a secessão do Sul tornou-se provável", reconheceu à AFP um influente colaborador de Bashir, Nafie Ali Nafie.
"Se estiverem atentos, verão que mais de 80 por cento da população já manifestou a sua preferência", afirmou Anne Itto, vice-secretária-geral dos ex-rebeldes sulistas do SPLM, Movimento Popular de Libertação do Sudão, que controla o Governo autónomo com sede em Juba, subscrevendo a ideia de que "a unidade não se tornou atraente" para os eleitores. Nas rádios locais da região, as canções pró-secessão multiplicam-se.
Muitos habitantes do Sul não só se vêem religiosa e etnicamente diferentes como responsabilizam o poder sediado a norte pelo seu subdesenvolvimento. E ainda que as palavras sejam de paz, o historial de ressentimentos e confrontos que marcou quase todo o tempo decorrido desde a independência do antigo domínio anglo-egípcio, em 1956, alimenta preocupações. "Não vejo nenhuma indicação de que o Norte e o Sul tenham intenção de retomar a guerra", tranquilizou, porém, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que nos últimos dias visitou o país.O referendo não mexe apenas com os sudaneses. Se o processo corresse mal e a guerra voltasse, seria o regresso de mais um foco de instabilidade a uma zona onde a Somália e a República Democrática do Congo são já problemas sérios. É por isso que os países ocidentais não poupam incentivos ao Governo de Cartum, incluindo o levantamento de sanções e a reintegração em instituições internacionais, como o Banco Mundial e o FMI.
O Presidente norte-americano, Barack Obama, propôs mesmo retirar o Sudão da lista de Estados que apoiam o terrorismo. Também outros países africanos seguem com preocupação o que está a acontecer porque o exemplo sudanês pode estimular separatismos em territórios de fronteiras traçadas a régua e esquadro.
Como previsto em 2005, o NCP, partido de Bashir, e os ex-rebeldes sulistas têm mantido negociações sobre assuntos como o traçado fronteiriço e a partilha de recursos. Um dos nós mais complexos é a discussão sobre a região petrolífera de Abyei, onde não haverá um previsto referendo paralelo sobre a pertença ao Norte ou ao Sul. Mas essa e outras sombras não parecem, por estes dias, diminuir em Juba o entusiasmo pela aproximação do 9 de Janeiro. "Qualquer que seja o resultado, unidade ou separação, para todos nós no Sul do Sudão será um dia de que sempre nos havemos de lembrar como aquele em que finalmente tivemos oportunidade de escolher", escreveu Morri Francis.


Por João Manuel Rocha , Público

Monday, 3 January 2011

O gamasutra


A miséria é, infelizmente, fértil nesse paradoxo: em vez de produzirmos riqueza, produzimos ricos. Antes fossem ricos. Porque são apenas endinheirados. E endinheirados que não produzem.

O Kamasutra não seria a prenda mais apropriada para a presente quadra. Nem sequer seria oferta original. Se é para dar um presente que seja algo que fale do gosto de nos darmos, da identidade de quem dá. Por isso, este Natal vou dar um livro que traduza a nossa originalidade e que, sendo publicação recente, cedo rivalizará com o célebre livro sobre os prazeres do amor. A longa lista de tentadoras posições sexuais do Kamasutra cedo ficará esquecida perante o rasgão criativo desta outra obra. Falo, é claro, do “Gamasutra, a infinita arte do gamanço”. Um manual ilustrado sobre a roubalheira como modo de viver. Começo deste modo, fazendo paródia junto à fronteira do solene e do sagrado. Não o faço gratuitamente. Tenho uma intenção. Entenderão ao lerem, se assim tiverem paciência. O melhor do Natal é a festa, a família, a sugestão de um mundo solidário. O tempo do verbo terá que ser, no entanto, alterado: o melhor do Natal já foi o Natal. Porque uma descarada subversão do espírito natalício foi convertendo em mercadoria e comércio aquilo que parecia ser generosidade pura e simples: darmo-nos nós, como somos, e tornarmo-nos mais próximos dos outros. Se ressuscitasse hoje, Cristo não teria que abordar apenas os vendilhões de um templo. O mundo inteiro é um bazar onde tudo se compra e se vende. Incluindo o chamado espírito natalício.
Rectifico o início desta crónica: o melhor do Natal é o espírito do Natal. Esse espírito não resiste à manipulação oportunista que a imagem de um simpático mas estafado Pai Natal, vestido com as cores da Coca Cola, apenas confirma a lógica de lucro a que nem os mitos escaparam. Um dos piores tormentos dos novos tempos de Natal são as mensagens feitas a metro. Por via de email, de telefone celular, as mensagenzinhas entopem as caixas de correio e obrigam-nos a um exercício penoso de as apagar às dúzias. Corro o risco de ser ingrato. Mas eu peço aos meus amigos: não me enviem mensagens natalícias. Mandem-mas ao longo do ano, sobretudo, mandem-nas sem necessidade de data especial, com a originalidade e a graça que a verdadeira amizade requerem. A obrigação de trocar mensagens com amigos é algo de nobre. Mas também aqui aconteceu a banalização. Fórmulas repetidas, clichés sem gosto, fizeram da humana troca de emoções aquilo que os maus políticos fizeram ao discurso oficial: um desfile de frases feitas, em construção previsível, vazio de ideias, incapaz de comunicar ou de comover o mais ingénuo dos cidadãos. Pediram-me há dias, num programa de televisão, que formulasse um desejo para o nosso país. A dificuldade primeira é escolher um único desejo quando os votos que trazemos são sempre múltiplos. Sentado ante a câmara de filmar demorei um tempo, navegando entre brumas e luzes. Acabei escolhendo uma meia fórmula, optei pelo seguro. Fiz mal. Porque o que mais queria ter formulado era uma espécie de anti-voto. Ou seja, eu devia ter falado daquilo que eu não queria que acontecesse. Seria o meu voto pela negativa. Disse o que todos dizemos: que o ano próximo seja um momento de construção de riqueza. Mas de riqueza nacional. E não de uns poucos. A miséria é, infelizmente, fértil nesse paradoxo: em vez de produzirmos riqueza, produzimos ricos. Antes fossem ricos. Porque são apenas endinheirados. E endinheirados que não produzem. Faço aqui, pois, o voto pela via da negação: o que eu mais queria que deixássemos de ser. E escolho: que virássemos costas ao roubo. Já não falo da prática generalizada que tomou conta das colunas dos jornais. Não falo apenas desse roubo que se estende dos medicamentos, aos cabos de fibra óptica, dos passaportes ao carris de comboio, das condutas de combustível a painéis solares para fontes de água. Não falo só do furto que causa milhões de dólares de prejuízo a companhias de electricidade, telefone e águas. E que nos torna mais pobres a todos nós. Não falo sequer desse outro espantoso roubo que faz com que, na berma das estradas, se comece por roubar os pertences dos sinistrados em lugar de lhes prestar socorro. Falo de outra roubalheira que se infiltrou no tutano do nosso corpo enquanto nação: a ideia que roubar é legítimo por causa da pobreza. Ou por causa da escassez de tempo que o político tem por mandato. Ou por causa de qualquer outra razão. Falo de outros níveis de roubo: o roubo da esperança pelos políticos, o roubo da propriedade pública pelo gestor, o roubo da História e da memória por aqueles que se acham a geração de estreia nacional. Falo dessa roubalheira que é a corrupção, lenta hemorragia que nos pede insidiosa habituação. Falo do roubo do pensamento crítico por aqueles que fazem uso da ameaça velada, da censura subtil ou da arrogância e desprezo pelo debate aberto. Numa palavra, o roubo no nosso país já não é um simples somatório de casos policiais, uma onda crescente que se destaca de um mar são. O furto tornou-se numa cultura, num sistema. Tornou-se regra. Somos hoje um país em permanente assalto a si mesmo. E nenhuma nação, por mais bem que esteja no caminho do progresso, pode conviver com uma doença assim.

Mia Couto, O País

Mais um Caso

Segundo o mediaFAX, mais uma vez aconteceu, há poucos dias, a mistura a que estamos, cada vez mais, habituados.
Eu explico. Trata-se da mistura de muito dinheiro, pessoas de origem paquistanesa, casas de câmbios, hotéis, baleamentos e polícia aflita, sem saber o que dizer.
Com a agravante de que a vítima destes dias já tinha sido, há alguns meses, o alvo de um atentado, na Avenida do Zimbabwe, com uma motorizada armadilhada.
Tudo isto, como me parece claro, cheira a droga por todos os lados.
E é apenas mais um exemplo da série de crimes, violentos ou não, que são a evidência da existência, entre nós, de todo um mundo paralelo, de toda uma economia paralela, baseados no asqueroso negócio da droga.
E baseados também, é preciso que se diga, na impunidade total de que estes criminosos beneficiam.
Só para usar o exemplo actual, eu pergunto: Depois da notícia sobre a explosão da motorizada armadilhada, há longos meses, o caro leitor ouviu mais alguma notícia sobre esse caso? Não ouviu, pois não?
Sobre todos os casos do mesmo género cai sempre, sem excepções, um manto de silêncio, total e pesando toneladas.
E isto não pode estar a acontecer por acaso. Uma ou outra vez, vá que não vá. Mas todas? 100% dos casos? Há anos e anos e anos?
Só a mais ingénua das criaturas é que pode acreditar que é pela dificuldade dos casos que nenhum dos criminosos, ligados ao narcotráfico, está nas nossas cadeias. Eu diria mesmo que, nesta altura do campeonato, já nem a mais ingénua das criaturas acredita nisso.
Tudo tem os seus limites e, nestes casos, os limites já foram, há muitíssimo tempo, ultrapassados, cilindrados.
Por tudo isso não nos podemos admirar que personalidades como os dois mais recentes Chefes de Estado sejam, internacionalmente, associados ao narcotráfico.
É verdade que não há provas, claras e insofismáveis, dessa associação. Mas, no nosso país, o Presidente da República é o Comandante em Chefe de todas as forças de defesa e segurança. E se estas forças não conseguem, nunca, capturar e punir os narcotraficantes, o cidadão tem todo o direito de perguntar ao seu Comandante em Chefe por que raio é que esta situação continua.
Ser responsável tem um significado muito concreto. Significa responder publicamente por uma determinada área.
Não significa luxos e privilégios.
Ora a maioria dos nossos dirigentes parece entender tudo ao contrário. Parece achar que “estarem no poleiro” é uma forma de enriquecerem sem nenhum controlo, aproveitando todas as oportunidades, legais ou ilegais, justas ou injustas, que o cargo lhes dá.
E responder pela sua área de responsabilidade é a mais pequena das suas preocupações.
Se forem muito apertados fazem como o antigo Ministro do Interior e dizem que não podem falar para não porem em causa a segurança do Estado.
E acham que isso chega para justificar tudo.
Mas, para a opinião pública atenta, não chega. E, um dia, se vai ver onde isto está a conduzir.
E tenho medo que não seja a bom porto...

Machado da Graça, Savana de 31-12-10, citado no Diário de um Sociólogo

Novo ano recebido com euforia em todo o país


Uma noite em cheio para receber 2011

A cidade de Maputo viveu com euforia a viragem do ano. A festa foi colorida em várias estâncias turísticas, casas de pasto e até em pacatas residências nos arredores da cidade.
As festas de fim do ano são sinónimo de fartura na mesa em todos os lugares do mundo e o nosso país não foi excepção. Muita música, alegria e dança marcaram a noite da passagem de ano em todos os cantos de Moçambique. Várias estâncias turísticas, com especial enfoque para as que se situam nas praias, estiveram abarrotadas de cidadãos nacionais e estrangeiros, ávidos em celebrar a chegada do novo ano em ambiente colectivo. O traje escolhido para a viragem do ano foi, na essência, o branco, símbolo de paz. Para os bolsos menos privilegiados, a festa foi em casa ou no bairro na companhia de amigos e familiares. O momento mais marcante da transição do ano foi, sem dúvidas, a meia noite, altura em que os céus ficaram coloridos por conta dos fogos de artifícios e outros objectos pirotécnicos. A emoção e o delírio tomaram conta de adultos, crianças e idosos. Houve quem não conseguiu segurar as lágrimas e deixou a emoção da transição expressar-se.
Nos arredores da cidade de Maputo, por exemplo, a festa foi ao estilo característico de uma sociedade que sabe conviver em harmonia, apesar das dificuldades, muitas delas associadas ao custo de vida e à pobreza. Todavia, nos bairros mais problemáticos, tais como Chamanculo, Luís cabral, Hulene, Xiquelene, Mafalala (...) a nossa equipa de reportagem deparou-se com situações relativas a excessos de bebidas alcoólicas. Crianças com garrafas e copos na mão, mesmo sob o olhar de pessoas adultas, que ignoraram o facto, sobre pretexto de que a festa é para todos, perfilavam as ruas.

Ercílio Zacarias & José Belmiro , O País

Milhares de pessoas escolheram praia da Costa do sol

O primeiro dia do ano foi aproveitado por muitos maputenses e turistas para escalar a praia da Costa do Sol.
Depois de uma noite de festa, várias pessoas aproveitaram o calor e sol que se fizeram sentir no sábado para deleitar da praia da Costa do Sol.
Em família ou com grupo de amigos, as pessoas juntaram-se e no local preparavam a refeição, onde, uma vez mais, provou-se que o moçambicano não dispensa um bom peixe, boa carne, chima e muita cerveja. Por isso, a praia esteve repleta de fogões e muitos colmanes contendo bebidas de todos os tipos.
Por outro lado, e de máquinas fotográficas em punho, os turistas que nos visitam nesta altura - nacionais e estrangeiros - guardavam estes cenários para a posteridade.
O Mercado do Peixe foi o local mais frequentado por turistas para passarem uma das primeiras refeições de 2011. A forma “informal” do Mercado do Peixe fez as delícias dos nossos visitantes, que disseram ter ficado maravilhados com a simplicidade e hospitalidade dos moçambicanos.
No meio de muita festa, a delinquência também marcou presença, com vários jovens em aparente estado de embriaguez a protagonizarem actos de vandalismo e pequenos assaltos, com especial enfoque para roubo de telemóveis.

José Belmiro, O País

Sunday, 2 January 2011

Mensagem



Uma linda e apropriada mensagem!
LIGUE O SOM para ouvir esta mensagem na voz de Elvis Presley, num tema de Simon and Garfunkel.

Eis a letra original desta canção:

Bridge over troubled water

When you're weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all

I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you

I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on Silver Girl,
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way

See how they shine
If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind


VOTOS RENOVADOS DE UM FABULOSO 2011