Monday, 7 June 2010

A opinião de Machado da Graça

Olá António

Como vai essa saúde? Do meu lado tudo bem, felizmente.
Escrevo-te hoje para comentar uma particular honraria com que foi galardoado um nosso concidadão.
Eu já sabia há muito tempo que é costume a Rainha de Inglaterra atribuir títulos de nobreza aos cidadãos que se destaquem nas suas áreas de actividades.
Escritores como Terry Pratchett, por exemplo, passam a ser tratados por Sir Terry Pratchett a partir do momento em que a Rainha lhes concede o título de Cavaleiro, ou qualquer outro título nobiliárquico.
Não sabia era que o Presidente dos Estados Unidos também tomava esse tipo de decisões.
Descobri-o agora ao saber que Barack Obama atribuiu a um concidadão nosso o título de Barão.
Junto com o novo Barão moçambicano receberam também o mesmo título um cidadão do México, um da Guiné-Bissau e dois do Afeganistão. Todos eles considerados Barões por Barack Obama.
Até onde percebi esta atribuição do título de Barão começou a ser feita nos Estados Unidos a partir do ano 2000 e, até agora, já receberam essa distinção 87 indivíduos das várias partes do mundo.
É, portanto, a esse selecto grupo que o nosso compatriota se vai juntar por decisão do Chefe de Estado americano, transmitida a partir da Casa Branca, em Washington.
Para esse efeito, Obama considerou mesmo a actividade do nosso concidadão como “significativa”, como justificação para a distinção que lhe atribuiu
Para esse efeito o estadista americano invocou a Lei de Designação de Barões da Droga Estrangeiros.
E, ao abrigo da mesma lei, congelou os bens que o Barão, ou as suas empresas, possa ter em territórios sob controlo do Governo Americano e proibiu quaisquer entidades dos Estados Unidos de realizarem quaisquer transacções financeiras ou comerciais com as mesmas.
No caso da Inglaterra, o título de Barão dá direito e a ser designado Sir e a um brasão que alguns penduram, em grande, por cima da porta das suas residências e outros colocam, mais discretamente, nos seus cartões-de-visita. Aguardemos para ver o que vai fazer o nosso novo Barão.
Sendo ele pessoa muito próxima dos nossos dirigentes, aconselha-se o nosso Protocolo a estudar como ele deve passar a ser tratado a partir de agora, que lugares deve ocupar, qual é a sua posição na lista protocolar das personalidades nacionais.
Um aspecto a salientar é o facto de a proibição de transacções com o novo Barão e com as suas empresas funcionar apenas em relação a cidadãos e instituições americanas.
Isso não proíbe, por exemplo, importantes transacções, que se realizam regularmente, de tantos em tantos anos, e que consistem na aquisição, por quantias significativas, de canetas, cachimbos e outros objectos de valor.
Segundo fonte informada me disse, a modéstia do novo Barão pode ser avaliada por declarações que terá feito, recentemente, a alguém que lhe perguntou como tinha iniciado a sua actividade comercial.
– A vender rebuçados – terá ele respondido.
Não informou, no entanto, que tipo de rebuçados vendia nem qual era o recheio deles.
Estamos a crescer, António. Pois se agora até já temos um Barão com reconhecimento internacional!
É obra!
Um abraço para ti, meu bom amigo, do

Machado da Graça

Correio da Manhã, citado no Moçambique para todos

Sunday, 6 June 2010

As músicas do Mundial de Futebol







A primeira música, interpretada por R. Kelly e intitulada Sign of a victory, é considerada o hino deste Mundial.
A segunda música chama-se Waving Flag, interpretada por Knaan, e é cantada em eventos relacionados com este Mundial, o primeiro em solo africano.
Entre as várias opções disponíveis no YOU TUBE, escolhi estas duas versões por conterem as letras das músicas. Deste modo, podemos acompanhar melhor.

Ligue o som!

Vamos celebrar juntos?

Campos de treino para terroristas? - É bem possível , afirma Dhlakama

Líder da RENAMO considera razoáveis as acusações de barão da droga feitas ao empresário moçambicano Mohamed Bachir

Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, admite a existência no país de campos de treino para terroristas e critica a “incapacidade” dos serviços de segurança do Estado.
Falando aos jornalistas em Nampula, norte de Moçambique, Afonso Dhlakama disse estar muito preocupado com a hipótese de haver campos de treino para terroristas no país e apelou às autoridades para intensificarem a investigação.
A existência de três campos de treino para terroristas em Moçambique (nas províncias de Tete e Nampula), da Al-Qaida e da Al-Shabaab, foi noticiada pelo jornal sul-africano Sunday Times, com base num relatório entregue pela Fundação NEFA ao Congresso norte-americano.
Comentando a notícia, o líder da RENAMO disse que a movimentação de estrangeiros em Moçambique, sem qualquer controlo, pode estar na origem dessa eventual presença no país de terroristas.
Esta possibilidade, além de constituir uma ameaça cria descrédito e mina o desenvolvimento socioeconómico do país, no entender de Afonso Dhlakama.
“Em Moçambique há muitos estrangeiros que circulam à vontade. Eu não quero acreditar nas informações segundo as quais as fronteiras são vulneráveis, que não têm proteção, não é nada disso. O país pode ter fronteiras cerradas mas se o regime quer apoiar terroristas apoia na mesma”, observou Afonso Dlhakama.
E acrescentou que “um terrorista não entra num país de forma ilegal mas sim com o conhecimento dos serviços secretos”.

O caso Mohamed Bachir

Em relação ao caso de Mohamed Bachir, cidadão moçambicano acusado de ser um "barão da droga" pelos EUA, Afonso Dlhakama admitiu que os norte-americanos podem ter razão e que pode haver de facto um envolvimento da empresa MBS (que pertence a Bachir) no tráfico de drogas.
O líder da RENAMO considerou a MBS um “comité central da FRELIMO”, o partido no Governo. A MBS não paga taxas ao Estado moçambicano, por se tratar de uma empresa que presta apoio ao partido no poder, disse.
O empresário moçambicano acusado pelos EUA de ser um “barão da droga” é conhecido pela sua generosidade para com o partido no poder em Moçambique, a FRELIMO, ao qual já ofereceu dinheiro publicamente em iniciativas de angariação de fundos.
Mohamed Bachir Suleman é citado num relatório enviado pelo Presidente Barack Obama a várias instituições do Estado norte-americano, incluindo senado, congresso e serviços de segurança, como “um barão da droga”, no âmbito da lista anual do governo norte-americano, elaborada ao abrigo da Lei dos Barões da Droga.
“Em conformidade com a Lei dos Barões da Droga, o Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro (OFAC) designou o Grupo MBS Limitada, Grupo MBS – Kayum Centre, e o Maputo Shopping Centre como Traficantes de Narcóticos Especialmente Designados, devido ao facto de serem da propriedade de Mohamed Bachir Suleman ou estarem sob o seu controlo”, refere um comunicado divulgado terça-feira na página da Internet da Casa Branca -http://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-and-releases, também distribuída pela embaixada dos Estados Unidos em Maputo.
Em Moçambique, principalmente em Maputo, onde tem o seu império empresarial, incluindo o mais moderno hipermercado do país, o Maputo Shopping Centre, avaliado em cerca de 28 milhões de euros, Mohamed Bachir Suleman é considerado o maior mecenas da FRELIMO.
Num leilão para angariação de fundos para o partido, o empresário arrematou por 24 mil euros o cachimbo que o actual chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, na altura candidato presidencial da FRELIMO, usou quando ainda fumava.
Para forte ovação dos convivas desse jantar de angariação de fundos, Mohamed Bachir virou-se para Maria da Luz Guebuza, oferecendo-lhe a caneta do marido.
O mesmo gesto foi repetido alguns anos depois, em mais um evento de angariação de fundos para a FRELIMO, quando o empresário deu à mulher do Presidente a caneta que Armando Guebuza usou na assinatura do Acordo Geral de Paz em Roma e a qual Mohamed Bachir também arrematou por 24 mil euros.
A afinidade com o partido no poder está patente no Maputo Shopping Centre, que batizou um dos seus pátios com o nome Guebuza´s Square.
Na campanha para as eleições gerais de 2009, Mohamed Bachir mandou colocar em grande plano imagens de Armando Guebuza nas fachadas do centro comercial. Alguns classificaram o gesto como de mau gosto, por fazer lembrar um culto de imagem, como a verificada na China no tempo de Mao Tse Tung.
Mas não são só os adultos da FRELIMO que conhecem a generosidade de Mohamed Momad Bachir. No Natal do ano passado, a pequenada da capital foi agrupada no Maputo Shopping Centre para ver o Pai Natal descer de um helicóptero alugado pelo empresário e receber presentes.


FONTE: Notícias Lusófonas

Mundial 2010: esgotados em 12 horas todos os ingressos do amistoso Portugal-Moçambique

Um estádio sul-africano de críquete será a sede do jogo entre as seleções de futebol de Portugal e Moçambique na próxima semana, num duelo de preparação para a Copa do Mundo.
O estádio em Johanesburgo dará lugar ao jogo, já que todas as sedes do Mundial estarão fechadas na próxima semana antes do início do torneio e outras instalações na região tampouco estão disponíveis.
A partida de terça-feira, na qual Portugal enfrentará a selecção do país que viu nascer o treinador Carlos Queiroz e o maior futebolista luso-moçambicano de todos os tempos, Eusébio, será a primeira da seleção portuguesa na África do Sul. Portugal está no Grupo G do Mundial com Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte.
Os organizadores disseram que todos os ingressos para o jogo foram vendidos em 12 horas. O local tem capacidade para 28 mil pessoas.
O diretor-executivo do estádio e ex-jogador de críquete, Alan Kourie, disse que o Wanderers, clube dono do campo, está disposto a acolher mais jogos de futebol no futuro.

Carlos Queiroz confirma Pepe no amistoso contra Moçambique

Recuperado da cirurgia no joelho direito, Pepe deve jogar no amistoso de Portugal contra Moçambique de terça-feira, 8. Segundo o técnico luso, Carlos Queiroz, o defesa estará em campo no último compromisso da selecção antes da estreia na Copa do Mundo, no dia 15, contra a Costa do Marfim.
“De acordo com o plano traçado, pensamos que Pepe vai jogar um pouco”, afirmou Queiroz.
Pepe chegou a ser dúvida para a disputa da primeira fase do Mundial. No entanto, os departamentos médicos da Federação Portuguesa de Futebol e do Real Madrid libertaram o jogador no último domingo.


FONTE: RM

NOTA DO JOSÉ = A Selecção de Portugal chega esta manhã à África do Sul. A chegada ao Aeroporto está prevista para as 9:30, dirigindo-se depois para Magaliesburg, a Oeste de Joanesburgo, onde ficarão instalados. Nesta tarde, os portugueses realizam um treino aberto ao público.

Saturday, 5 June 2010

O país do arco-íris precisa da bola para juntar as cores que tem


No resto do mundo, a sexta é dia de vestir à vontade. Na África do Sul, as sextas-feiras são reservadas para dizer: "Sou sul-africano". Pronuncia-se com o amarelo da camisola dos Bafana Bafana.

O cais da Cidade do Cabo, o Waterfront, é um lugar do primeiríssimo mundo. Ao fundo, um cenário só comparável aos morros do Rio de Janeiro: a Montanha da Mesa cobre-se com uma toalha de nuvens e vai-se deixando destapar ao longo do dia até mostrar o tampo direito do seu cimo. As montras, que expõem madeiras que cheiram a sândalo e ovos de avestruz esquisitamente trabalhados, confinam com docas secas onde berbequins fazem chispar cascos de navio. Num palco ao ar livre, o Cape Town Tango Ensemble, com um búlgaro no bandonéon, toca Por Una Cabeza de Carlos Gardel para um hemiciclo de loiros e negros, indianos e coloureds, mestiços trinetos de mestiços... Música porteña, certa porque estamos num cruzamento do mundo.

Habitualmente as esquinas do Waterfront povoam-se com pequenas bandas de jazz, ou grupos de Iscathamiya, coros de zulus vindos do Norte, dançando de luvas e sapatos de pala branca, como nos anos 30. Mas, por estes dias, as artes, tirando aquele tango, são outras. Um rapaz, com as cores verde e amarela dos Bafana Bafana, dá intermináveis e difíceis toques numa bola. Um grupo, à volta de uma bola no empedrado e também com a camisola da selecção sul-africana, ensaia passos de diski dance, inventados todos a partir dos movimentos do futebol.

As bolas são da FIFA, as oficiais para este campeonato do Mundo. Têm nome próprio, Jabulani, que em zulu, a língua do povo mais numeroso do país, quer dizer "celebrar". E têm onze cores, cada uma lembrando as onze línguas oficiais da África do Sul. Essa é a bola oficial até ao desafio final, a 11 de Julho. Mas, nesse dia, a bola vai mudar de nome, chamar-se Jo'bulani, de Jo', o diminutivo de Joanesburgo, onde os zulus são minoritários - e, nessa final, no Soccer City Stadium, a bola vai ser toda dourada, em homenagem à Cidade do Ouro, o cognome preferido da maior cidade sul-africana. Neste mosaico de cores e compromissos, acontecidos no futebol, mas políticos, está a África do Sul escarrapachada. O mundo concentrado no fundo de um continente. Um mundo instável mas com uma vontade comovedora de se resolver.

Para explicar esse mundo, nada melhor do que o futebol e, para o fazer, podemos começar por virar as costas à bela Montanha da Mesa. Virados assim, do Waterfront vê-se o mar, que ainda é o Oceano Atlântico. À vista, a Robben Island, uma ilha que se alcança num pequeno e velho 'ferry' azul, que ontem levava prisioneiros e hoje, turistas, chamado "Dias". De Bartolomeu Dias, o navegar português, o primeiro não africano que passou por aqui (1488), dobrou o Cabo da Boa Esperança, 50 quilómetros a Sul, e passou o Cabo Agulhas, o extremo Sul de África, já banhado pelo Oceano Índico. Mas, para o futebol, o que interessa é a Robben Island.

A 15 de Maio de 2004, um velho e belo homem, alto, com a elegância que a balalaica de seda com flores e listas mais acentuava, falou para 24 homens de cinzento, do comité executivo da FIFA, em Zurique. Disse-lhes: "Deixem-me ser nostálgico..." E Nelson Mandela contou-lhes que anos antes vivera numa pequena ilha fria, Robben Island. Foi sua prisão entre 1964 e 1982, desde que foi condenado à perpétua até que foi transferido para o continente. E nessa prisão, lugar de conseguimentos pequenos - não ser obrigado a chamar 'baas', mestre, aos guardas, e de ter direito a calças, como os presos indianos e mestiços, e não calções, por ser negro -, nessa prisão, só se lembra dos seus camaradas sorrirem quando jogavam futebol. Via da janela estreita, de 30 centímetros, que dava para o pátio principal.

E das notícias que vinham de fora, nenhumas eram tão animadoras como o sucesso dos clubes do Soweto (subúrbio de Joanesburgo), o Orlando Pirates e o Kaizer Chiefs: "Em Robben Island, a única alegria dos prisioneiros foi-lhes dada pelo futebol", disse Mandela. Esse discurso, diz a lenda, valeu à África do Sul ter sido escolhida para organizadora do Mundial de 2010,o primeiro país africano a consegui-lo. E, hoje, de Robben Island, retiro de focas e destino turístico para ver o museu-prisão, quem olha a cidade vê um ninho imenso, o novo Cape Town Stadium, onde Portugal repetirá, a 21 de Junho, o encontro que teve com a Coreia do Norte em 1966.

Em Março passado, o maior diário da cidade, o Cape Argus, colou cartazes pela Cidade do Cabo: "Vasco é o orgulho da cidade!" O Vasco da Gama, com a camisola com a cruz de Cristo ao peito da equipa brasileira e clube de alma portuguesa, acabava de subir à divisão principal sul-africana, a Premier Soccer League (PSL). "Mas em Agosto, quando o campeonato começar, duvido que joguemos no Cape Town Stadium", diz Avelino de Oliveira, um dos directores do Vasco da Gama. "Eles cobram 50 mil rands por jogo [5 mil euros], e com assistências de 5 a 6 mil pessoas, a 20 rands o bilhete, metade ia para a renda..."

Cada clube tem como que um núcleo duro étnico - a Cidade do Cabo tem mais dois clubes na PSL, o Santos, que é islâmico, e o Ajax, ligado ao clube holandês - mas depois a equipa é o mundo à volta. "O guarda-redes do Ajax é o meu primo André, e no Vasco a maioria dos jogadores são coloureds", diz Oliveira, madeirense de Câmara de Lobos, de 42 anos. Miúdo, ele veio ter com os pais a este destino ilhéu: os paquetes Santa Maria e Infante D. Henrique, quando atracavam no Cabo, a caminho de Lourenço Marques (hoje, Maputo), punham oficiais no portaló para não deixar desembarcar os madeirenses. Os metropolitanos visitavam a cidade e regressavam ao navio, mas os madeirenses era certo que ficavam ilegais na África do Sul.

Dos 29 proprietários do Vasco da Gama, 28 são portugueses e o outro é coloured. A força do clube é ser de um bairro, Parow, no Norte da cidade, e ser reconhecido por isso: nos seus sete campos de treino sucedem-se as 'clinics', onde os jovens dos subúrbios vêm testar a habilidade no futebol. O Cabo Ocidental, cuja capital é a Cidade do Cabo, é a única província onde os negros (30%) não são maioritários: os coloureds (mestiços) são cerca de metade da população e os brancos são perto 18%, o dobro do resto do país. É também a única província que não é governada pelo ANC - uma branca, Helen Zille, da Democratic Alliance, é primeira-ministra.

Uma sondagem feita em Abril pelo jornal Sunday Times punha o Cabo, entre as cidades que vão acolher os jogos, como a de mais gente desinteressada pelo Mundial: 25%. O inquérito nacional também mostrava a separação de interesses dos negros e os indianos, por um lado, e dos brancos e coloureds, por outro. Cerca de 44% dos negros gostaria de ir a um jogo, contra 20% dos brancos.

A aposta oficial no futebol deve ser vista como mais uma prova da forte, embora recente, tradição do país de ter uma política voluntarista de identidade nacional. Frederik De Klerk, que foi o último Presidente do apartheid, e Nelson Mandela protagonizaram essa política e ganharam, por isso, o Nobel da Paz em 1993 - no Waterfront estão ambos no conjunto de quatro estátuas dos sul-africanos que o ganharam, com Albert Lutuli (1960) e Desmond Tutu (1983).

Nessa esteira, Helen Zille, que foi mayor da Cidade do Cabo, antes de presidir ao governo da província, tem-se mostrada adepta feroz do futebol. O antigo estádio de 18 mil espectadores foi demolido, para dar lugar ao novo, de 70 mil lugares... que só teve 20 mil espectadores no jogo inaugural, o derby local Ajax-Santos. Veja-se, nessa cedência dos brancos (que preferem o râguebi e o cricket), a paga do gesto de Nelson Mandela, agora ainda mais célebre com o filme Invictus. Poucos meses depois de se tornar Presidente, nas primeiras eleições com os negros a votar, Mandela foi à final da Taça do Mundo de râguebi, vestindo a camisola dos Springboks, da equipa sul-africana só de brancos com a excepção do ponta Chester Williams.

Matthew Booth não tem a opinião comum dos brancos, até porque é parte interessada: ele é o grandalhão careca (1,98m) que se destaca na defesa dos Bafana Bafana: "É natural todo o apoio que agora se dá ao futebol e à construção do estádios: no tempo do apartheid o râguebi e o cricket eram desportos subsidiados, o futebol, não." Booth nasceu nos arredores da Cidade do Cabo, em Fish Hoek, um porto pesqueiro, mas vive em Joanesburgo, com um negra, Sonia, natural do Soweto. O defesa branco dos Bafana Bafana é tão pouco comum que dá aso a confusões. No ano passado, na Taça das Confederações, onde a África do Sul se treinou para organizar o Mundial e as vuvuzelas, as ensurdecedoras cornetas de plástico, fizeram a sua apresentação ao mundo, alguns jornais internacionais lamentaram a atitude das bancadas, quase só de negros, que gritavam "Buuuuu!", quando o defesa branco da selecção da casa pegava na bola. "Racismo!", decretaram os jornalistas. Mas era só ignorância, o que os adeptos faziam era saudar um dos seus jogadores preferidos, Booth, com um grito de guerra adaptado do seu nome e que soava a insulto.

Mas, na verdade, há uma espécie de complexo de colonizado no futebol sul-africano. A revista Soccer Week publica com mais destaque a tabela da Premier League inglesa do que a da PSL sul-africana. E coloca a listas dos marcadores ingleses - Rooney (Man United), 34 golos, Drogba (Chelsea), 31... - acima dos sul-africanos: Mphela (Sundowns), 17; Olomu (Bloem Celtic), 13... A Original Insight Learning, uma empresa de pesquisa que recentemente estudou a comunidade coloured do Cabo Ocidental, concluiu que as equipas inglesas exercem maior fascínio que as locais: "Em todas as casas há objectos e imagens de clubes ingleses". O mesmo diz Paulo Neves, que jogou no Celta de Vigo e é irmão do treinador do Vasco da Gama, Carlos Neves: "Há demasiados jogos internacionais na televisão. Colonialismo inglês..."

Paulo dizia isso, enquanto levava o jornalista a visitar o museu privado do seu amigo Tony Andrade, o barman do Vasco da Gama. Tony, de 58, anos é de Paul do Mar, na Calheta, Madeira, e veio em 1958 com a mãe e cinco irmãos juntar-se ao pai. Na vivenda modesta do bairro de Parow, numa sala cheia de Cristos, em quadros e estatuetas, a sua irmã Placência Andrade, de 70 anos, fazia queijadas e bolos de chocolate para vender para fora. O lugar do culto de Tony é na garagem, recortes, camisolas, galhardetes, quase monotemáticos, à volta do mesmo clube. Na carteira de Tony Andrade, a cartão de sócio do Manchester United, num dedo, o anel de ouro do Manchester. Fotos ao lado de Alex Ferguson, de Bobby Charlton, de George Best... Cantona com o braço nos ombros dele. Tony é do tempo em que um fã sul-africano tinha de voar sobre continentes para ir ter com o futebol, agora, o futebol vem ter com ele. No dia 18, Rooney (Inglaterra-Argélia) vem visitar Tony Andrade.


Ferreira Fernandes, Diário de Notícias (Portugal)

Obama VS MBS


Obama não prestar.

Nos Bay abrir noso lojinha Zeinab Texteis, vendi capulana baratinha,agora diz Bay é traficante,nos abrir loginha Maputo Shoping dar emprego nosso irmão magrinha,dar pão c/moeda kinhento na 6ª feira, dar carro policia para pegar Chaúque, dar cachimbo mano Guebas,esse irmão nosso k também cresceu c/ pato.


(Recebido via e-mail)

Friday, 4 June 2010

MDM reage ao “caso MBS”


“Governo moçambicano deve agir com urgência e defender a verdade”

– diz Lutero Simango, chefe da bancada do MDM, que exige uma declaração oficial do Governo, para que não pareça cúmplice de traficantes de droga


As reacções em torno do alegado envolvimento do empresário moçambicano e presidente do grupo empresarial MBS, Mohamed Bachir Sulemane, no narcotráfico e branqueamento de capitais já começaram a surgir. O Movimento Democrático de Moçambique convocou, na manhã desta quarta-feira, uma conferência de imprensa na qual disse que o relatório do Departamento do Tesouro norte-americano carece de uma reacção urgente e séria do Governo, porque “não se trata de nenhuma brincadeira”.
Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar daquele partido na Assembleia da República, disse que se trata de uma acusação “muito grave” e que o Governo moçambicano deve agir com “a maior urgência possível”, porque, neste momento, todos os moçambicanos querem saber o lado da verdade e, sobretudo, a responsabilidade do Governo.
O MDM considera que se trata de um assunto “muito sério”, porque a Casa Branca não só declara o cidadão moçambicano Mohamed Bachir Sulemane como “Barão da Droga”, assim como afirma que Moçambique está a tornar-se um corredor de tráfico de drogas, devido a fragilidades nas suas fronteiras, causadas pelo elevado nível de corrupção.
Lutero Simango concorda com a afirmação sobre fragilidades de segurança e elevado nível de corrupção, tendo apontado como exemplo o aparecimento da doca flutuante de origem incerta na praia de Vilankulos. “É verdade que temos sérios problemas de segurança nas nossas fronteiras. Como é que se explica o aparecimento da doca flutuante nas águas em Vilankulos? Alguma coisa está errada”, disse Simango.

Não está em causa um partido e um cidadão, mas sim o Estado

Visto que Mohamed Bachir tem relações muito próximas com o partido Frelimo e com o Presidente da República, Armando Guebuza, e consequentemente com o Governo, perguntámos ao chefe da bancada do MDM sobre o que se podia esperar como intervenção do Governo, tendo este respondido: “É preciso que o Governo tenha consciência de que está em causa um Estado, está em causa uma República e não estão em causa as relações que o partido Frelimo tem com o implicado”. E acrescentar que é aqui onde o MDM sempre defendeu que o partido é uma coisa, o Estado é outra, e a confusão destes termos é grave. Lutero Simango voltou a repisar que é preciso que o Governo trate este assunto com muita seriedade, por não se tratar de nenhuma brincadeira.
Lutero Simango disse que o Governo moçambicano deve, em nome da verdade e só da verdade, accionar mecanismos nacionais e internacionais para trazer aos cidadãos moçambicanos a verdadeira face da história, para não manchar o nome de toda uma República.
Para o MDM, se o Governo não accionar mecanismos urgentes poderá propiciar uma situação económico-financeira que considerou de “muito difícil” em função das medidas previstas contra os “Barões de Droga”. Disse que o facto de estar interdita a relação comercial com qualquer empresa norte-americana poderá afectar muitas empresas e, consequentemente, pessoas que sobrevivem graças ao MBS.
O MDM diz que não pretende fazer nenhum juízo neste momento e prefere deixar que se produzam provas suficientes que mostrem ou neguem o envolvimento de MBS no narcotráfico e na lavagem de dinheiro, tal como afirma o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América.
Entretanto, ao Canalmoz o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse que o líder daquele partido, Afonso Dhlakama, vai reagir nesta sexta-feira, a partir de Nampula.

(Matias Guente, CANALMOZ, 04/06/10)

EUA já responderam a Bachir

Caso MBS


A Embaixada dos Estados Unidos de América (EUA) em Maputo confirmou, ontem, a recepção da carta de Momad Bachir Sulemane, proprietário do grupo MBS, e disse que o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos já lhe respondeu. No entanto, não avança detalhes sobre o conteúdo da resposta daquele Departamento americano.

Todavia, Momad Bachir Sulemane disse que ainda não recebera tal resposta. Aliás, em contacto telefónico, um dos filhos de Bachir Sulemane disse que o seu pai ainda não recebeu tal carta, e que a única informação que possuem é da embaixada que o remete ao Departamento de Tesouro para qualquer explicação. A informação em torno da resposta dada a Bachir foi avançada por Tobias Bradford, adido de imprensa e cultura da Embaixada dos EUA em Maputo.

A carta de Momad Bachir Sulemane foi, imediatamente, encaminhada para o Departamento de Tesouro, em Washington, por ser o órgão que incluiu o nome do empresário moçambicano e suas empresas na lista dos “barões de droga”.

Em entrevista à Agência de Informação de Moçambique, Tobias Brandford disse que “vai depender do Departamento do Tesouro se decide ou não fazer uso da oferta de Bachir de estar disposto a colaborar com as entidades de investigação nacionais e internacionais no esclarecimento do caso, fornecendo todo o tipo de informação sobre a sua actividade empresarial”.

Bradford sublinhou que “a designação de alguém como ‘barão de droga’ não é feita de forma leviana e sem nenhuma investigação prévia”. contudo, dependerá do Tesouro se faz ou não a declaração pública das evidências que tem sobre as acusações contra o empresário moçambicano”.

O diplomata disse ainda que “nas discussões entre as autoridades norte-americanas e moçambicanas, a questão de narcotráfico aparece regularmente, e as acusações contra Bachir foram comunicadas a pessoas importantes do governo moçambicano, a quem cabe decidir sobre as medidas a tomar”

O País, 04/06/10

Carta de Bachir à Embaixada dos EUA

Confira aqui a carta de Bachir enviada à Embaixada dos Estados Unidos


(3) Carta à Embaixada dos EUA.doc



NOTA DO JOSÉ = Muito estranho que a carta de Bachir tenha os carimbos dos Gabinetes da Presidencia da República e do Primeiro-Ministro.

Living in Maputo updates


Living in Maputo Updates - June 3rd.eml


Confira neste link eventos culturais em Maputo.

Thursday, 3 June 2010

Líderes do MDM em digressão pelo país


O SECRETÁRIO-GERAL do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Ismail Mussa, o chefe da bancada parlamentar, Lutero Simango e outros elementos que fazem parte do secretariado deste partido efectuam, a partir de 27 do mês em curso e por um período de 30 dias, uma digressão pelo país para trabalho político-partidário que inclui visitas a instituições locais do Estado.


Maputo, Quinta-Feira, 3 de Junho de 2010:: Notícias

Ismail Mussa disse, ontem ao “Notícias”, que o objectivo é verificar o nível de desempenho das estruturas do partido na base, bem como auscultar as dificuldades com que se confrontam no dia-a-dia. Revelou ainda que o MDM vai realizar, em datas ainda por acertar, visitas a instituições do Estado sediadas na cidade de Maputo, nomeadamente o Ministério da Saúde e a Procuradoria-Geral da República.

Estão igualmente planificadas visitas a alguns órgãos de comunicação social do sector público, empresas com capital público e três universidades também públicas. Ismail Mussa explicou que, no âmbito da visita ao Ministério da Saúde, prevê-se uma deslocação ao Hospital Central de Maputo e Geral de Mavalane.

O secretário-geral do MDM elucidou que se pretende trocar ideias e buscar sensibilidades sobre o funcionamento e as dificuldades com que aquelas instituições se debatem e em que medida os parlamentares desta força política podem contribuir para a solução das mesmas.

Entretanto, Ismail Mussa disse que compete ao Parlamento revogar a Lei 4/90, que estabelece que quando o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro cessam funções e tenham exercido o cargo por mais de dois anos e meio têm direito a uma residência. Aquele parlamentar reagia, como afirmou “à forma pouco saudável” como o debate em torno da questão da residência para o ex-Presidente do Parlamento, Eduardo Mulémbwé, está a ser conduzido, sobretudo na comunicação social.

Na sua opinião, o debate que se está a levantar em torno do assunto tem outras motivações.

“Cumpra-se o que é de lei. Devemos discutir ideias e não pessoas. É provável que a lei esteja desajustada ao momento actual e mereça uma reflexão do plenário da Assembleia da República quanto à pertinência de se revogar ou manter. O plenário é um órgão soberano para decidir quanto a isso, mas enquanto ela vigorar é de carácter obrigatório”, disse.


NOTA DO JOSÉ = Ismael Mussa, Secretário-Geral do MDM, divulgou ontem mais alguns pormenores das actividades do MDM

" Digressao pelo Pais inicia no dia 27 deste mes e contempla as provincias de Gaza, Inhambane,Sofala, Manica, Tete, Zambezia, Nampula, Cabo Delgado.
A provincia Niassa ficara para a segunda fase ou seja pa setembro. Neste momento estamos a trabalhar em Maputo. Semana passada trabalhamos na provincia de Maputo. Amanha (Hoje) iremos visitar os TPM e ate dia 24 iremos realizar visitas a UEM, UP, ISRI, Hospital Central de Maputo, Hospital Geral da Machava, Quartel de Boane e Manhica, Orgaos de comunicacao social publicos e privados, etc.
Amanha (HOJE) as 11 horas realiza-se uma conferencia de imprensa na bancada do MDM na AR para nos pronunciarmos sobre o caso do cidadao Momad Bachir Sulemane".

Banca moçambicana sob investigações de lavagem de moeda

Ainda sobre o “caso Bachir”
Prisão de Bachir só possível após investigação levada a cabo pelo Estado moçambicano, e se houver provas

Despoletado o caso do alegado envolvimento de um dos maiores empresários do país com o mundo do narcotráfico, a seguir será investigado o sector bancário moçambicano, por ser considerado permeável à lavagem de capitais.
Informações em nossa posse indicam que está para breve uma investigação conjunta entre os Serviços Secretos dos EUA e o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) de Moçambique para apurar possíveis casos de lavagem de capital nos bancos moçambicanos.
Antes mesmo da publicação da declaração do presidente Obama sobre os “Barões da Droga”, consta que esta informação foi devidamente encaminhada ao Estado moçambicano, através da Embaixada norte-americana em Moçambique, por isso se decidiu a investigação conjunta entre o SISE e a CIA sobre as contas bancárias do recém-nomeado “Barão da Droga” , bem como sobre todo o sector bancário.
Junto de uma fonte governamental ligada à administração da Justiça, o Canalmoz soube que, perante o anúncio de um cidadãos nacional como “Barão da Droga”, feita por um outro Estado, o Governo não poderá tomar medidas imediatas, para além, apenas, de iniciar a investigação, finda a qual, e, com base nos resultados, o Ministério Público poderá, então, tomar medidas. “Ou, do outro lado, o Estado norte-americano terá que apresentar provas evidentes de que, de facto, Bachir é traficante de drogas, para se ordenar a sua prisão”, explicou a nossa fonte.


(CANALMOZ, 03/06/10)


Entretanto, Bachir nega envolvimento no narcotráfico e em lavagem de dinheiro
Leia mais aqui.

MBS: a queda da máscara

A menção pela Casa Branca de que o proprietário do Maputo Shopping Center, Momed Bachir Suleman (MBS), está envolvido no narcotráfico, simboliza a queda de uma máscara que o Estado moçambicano andou a suportar há mais de duas décadas. MBS é um comerciante do norte de Moçambique que, em meados dos anos 90, no auge da liberalização da economia, começou a prosperar vendendo eletrodomésticos de ponta num mercado sempre sedento de artefactos electrónicos a preços de pechincha.

Bachir tinha um passado modesto, diz-se, de vendedores de capulanas em pequenas cantinas. Em meados de 90, Moçambique era um país completamente mergulhado nas malhas do crime organizado. Abertas as fronteiras e reduzido o poder represssivo e vigilante do Estado, irrompeu uma tentação por dinheiro fácil e o país passou a ser usado como rota de tráfico de droga. Em 1995, quarenta toneladas de haxixe foram encontradas em plena cidade de Maputo mas nunca houve condenados. De la para cá, foram vários os casos de drogas denunciados, ligações expostas, comerciantes que prosperaram nessa maré, mas nunca foram responsabilizados. Numa democracia emergente e um Estado paupérimo, altos oficiais públicos optaram por viver das luvas da impunidade que ofereciam à grande corrupção e ao crime organizado. Em 2001, num artigo em conjunto com Peter Gastrow, descrevemos as principais formas de lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado em Moçambique, identificando a excessiva penetração que as redes criminosas tinham no Estado, nomeadamente na Polícia, nas Alfândegas e na Justiça. Na altura, até dissemos que Moçambique era um Estado criminalizado, devido a essa penetração criminosa nas suas estruturas dirigentes. E acrescentamos que estava a beira do chamado state capture. A mim, chamaram-me de anti-patriota e ao serviço de mão externa. Mas o assassinato de Siba Siba Macuacua pôs freio ao rol de acusações, pois, estava alí, trágica, revoltante, uma evidência sem disfarce de uma realidade que apenas ficou menos pugente porque o assassinato do editor Carlos Cardoso teve julgamento e condenações. Por pressão da comunidade internacional. Os barões moçambicanos sempre cultivaram uma forte consciência de que, para triunfarem, tinham que aliar-se ao Partido no poder, que controla todo o aparato estatal. Desde os tempos de Joaquim Chissano que era normal ver comerciantes ligados a actividades sujas oferecerem enormes quantias de dinheiro ao Partido Frelimo em tempo de eleições, numa prática de financiamento político desarmado de regras, que era o mesmo que comprarem a sua impunidade ou a vista grossa do Estado em matéria fiscal e aduaneira. Lembram-se das jantaradas em que o antigo presidente recebia directamente dinheiros da chamada comunidade empresarial de Maputo? Existem fotos documentando Nini Satar em ofertórios generosos à nata do partidão. MBS cultivou ferozmente esse desiderato. De pequeno cantineiro de venda de capulanas em Nampula, tornou-se em pouco tempo um importante agente económico em Moçambique, um grande contribuinte, como sói dizer-se. A sua Kayum Center, na Karl Marx, era, antes do Maputo Shopping Center, o principal mercado de electrodomésticos de Moçambique, ao mesmo tempo que mantinha algumas lojinhas de capulanas nos subúrbios para cumprir a tradição. Nos corredores de Maputo, o crescimento pujante do seu negócio era algo que assustava e deixava incrédula toda a gente. Amigos na Polícia e nas Alfândegas sussuravam explicações óbvias, mas nunca ninguém ousou levá-las às últimas consequências: MBS triunfava não com negócios limpos, mas porque estava ligado à droga. Por isso, todo o moçambicano que ouviu hoje a bombástica notícia, respira um alívio cumplíce: já sabíamos!!! Todos sabíamos, mas quem ousaria meter a mão num homem que alimentava o partidão? Aliás, esta relação de MBS com o Partido é reveladora da promiscuidade entre política e negócios em Moçambique. E MBS soube usar desse trunfo, da noção de que o Partido era o centro do poder e que para manter esse poder precisaria de dinheiro para aguentar campanhas eleitorais desgastantes e tão caras dada a dimensão do país. Por isso, quando Armando Guebuza emergiu como sucessor de Chissano, quase a contragosto deste, MBS alimentou o novo candidato, comprando os seus cachimbos a preços astronómicos, oferecendo canetas de luxo mas comprando-as logo a seguir, voltando a oferecer os mesmos cachimbos (que Guebuza aparentemente ja não usa), financiando o Congresso do Partido em Quelimane, tornando esta força política numa das suas lavandarias instrumentais para o funcionamento das redes agora desmascaradas. Em 2004, na primeira corrida de Guebuza foi assim. Em 2009, também. Embora as chamadas alas honestas do partido soubessem das cavalgadas sujas de Bachir, nunca ninguém teve a coragem de sugerir que isso era perigoso para o país, para a economia, para a sociedade, para o nosso futuro colectivo. Houve sempre um silêncio cúmplice de todos, porque chefe é chefe. MBS continuou a “progredir” por essa via. Com o partidão na mão, podia fazer sem que ninguém ousasse enfrentá-lo. Nos corredores das Alfândegas, ainda nos tempos em que a corporação aduaneira passava por uma reforma operacional e remoralizadora, os camiões de Bachir, cheios de importações, tinham luz verde para não serem revistados. Mais tarde, quando as Alfândegas regressaram para mãos moçambicanas, e, numa operação obscura em a introdução de scanners de inspecção não intrusiva foi confiada à Kudumba, uma firma de que a SPI (a holding do Partido) é sócia, MBS conseguiu que a sua mercadoria não passasse nesses instrumentos desenhados para impor maior controlo e ordem no comércio internacional, mas que no caso de Bachir nunca foram usados. A impunidade e a evasão aduaneira já haviam sido compradas há tempo mas, ao longo dos anos, uma série de moçambicanos, figuras com cargos de chefia em departamentos do Estado (Alfândegas, Polícia, Finanças) aproveitaram-se da generosidade narcótica de MBS para construirem impérios de dinheiro, evidenciando enriquecimento ilícito e corrupção desenfreada, à qual o Estado não consegue controlar, mesmo depois de uma Lei (6/2004) e uma Estratégia Anti-Corrupção (2006) terem sido aprovadas sob o slogan da tolerância zero. A menção pela Casa Branca do nome de MBS como sendo um dos mais influentes barões de tráfico de droga na África Austral é um golpe tremendo que Moçambique recebe por causa da sua relutância em lutar contra a corrupção e o crime organizado de cabeça erguida. Essa relutância não é inocente. Ela resulta da venda de impunidade que alimentou campanhas eleitorais e outras bizarrias de personalidade e imitações de grandeza. O mesmo lugar onde Barak Obama proíbe agora os cidadãos americanos de consumirem, é onde o Partido Frelimo abriu uma loja a custo zero – contra as centenas de USD/mês que custa o aluguer de um m2 para a prática comercial comum – para fazer merchandising dos seus símbolos e camisolas. E é onde, num acesso de provincianismo desmedido, foi instituída uma Guebuza Square, numa imitação insípida à famosa praça de Sandton City. Esse lugar é o famoso Maputo Shoping Center, que abriu em 2007, depois de um investimento de 32 milhões de USD (segundo tem dito MBS a amigos), alegadamente financiados pela banca. E foi o Presidente Guebuza quem inaugurou o centro. Um dos incentivos dado a esse “grande investimento” foi MBS abastecer a mercearia do centro com produtos importados sem pagarem impostos, numa tremenda concorrência desleal. Vivendo com salários de miséria, os moçambicanos adoram o Maputo Shopping, pelos baixos preços de mercearia, tal como adoravam o Kayum Center antes deste sofrer um incêndio no ano passado. Do incêndio, a polícia nunca revelou as causas, mas os bombeiros tiveram tremenda dificuldade em debelar o fogo e houve quem dissesse que isso tinha a ver com as “substâncias” que la estavam. Quando o fogo deflagrou, um das caras públicas que acorreu ao local foi o ministro Manuel Chang, das Finanças, pois era preciso consolar um “grande contribuinte”. Há meses, antes desta grande relevação da Casa Branca, foi anunciado que MBS conseguiu que o Estado lhe trespassasse o recinto da Marinha de Guerra, que fica mesmo defronte ao Shopping na baixa de Maputo. Não houve hasta nem concurso público, e MBS conseguiu mexendo uns pequenos pauzinhos controlar uma valiosa porção de terra na baixa de Maputo.Tem sido assim em Moçambique. A Lei de Procurement (54/2005) ainda não serviu para impor decência nos negócios do Estado e a gestão do solo urbano é feita sem critérios, servindo apenas para enriquecer figuras bem colocadas num país onde a Constituição estabelece que a terra é do povo. Agora, o Estado moçambicano deve agir para fazer justiça usando as leis nacionais. As autoridades judiciais moçambicanas devem urgentemente solicitar à Justiça americana as evidências que ela diz ter contra MBS e, a partir daí, tomar todas as medidas devidamente enquadradas no direito nacional e no direito internacional aplicável a Moçambique. É uma questão de honra para todos os cidadãos moçambicanos. E é o mínimo que o Presidente Guebuza pode fazer para proteger a nossa dignidade.


Marcelo Mosse/CIP

O caso Bachir

Como complemento da notícia anterior, confira dois links importantes.

Carregue com o rato sobre as imagens.


Comunicado interno da Embaixada norte-americana



Nota do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos




ADENDA: O MDM realiza hoje uma Conferência de Imprensa onde o Partido revela a sua posição sobre este caso.

Mohamed Bachir Suleman indicado como Barão da droga pelo governo dos EUA


O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos congelou esta terça-feira os bens nos EUA, e em territórios sob sua jurisdição, de três empresas relacionadas com o empresário moçambicano Mohamed Bachir Suleman, apontado pela administração Obama como um importante traficante de drogas a nível mundial.

Segundo o Governo norte americano Mohamed Bachir Suleman lidera uma rede de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Moçambique através das empresas do Grupo MBS Lda, nomeadamente Kayum Centre e Maputo Shopping Centre, que são propriedade da família do empresário.

De acordo com a lei dos Estados Unidos, que permite sanções financeiras e económicas a Barões de drogas estrangeiros, os bens relacionados com Mohamed Bachir Suleman poderão ser congelados e os cidadãos americanos ficam proibidos de negociarem com o empresário moçambicano.

"Mohamed Bachir Suleman é um traficante de drogas em larga escala em Moçambique e a sua rede contribui para a tendência de crescimento do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na Àfrica Austral" afirma Adam Szubin Director da OFAC - Treasury's Office of Foreign Assets Control (Departamento do Tesouro para o Controle das Finanças Estrangeiras.

De acordo com o relatório de 2010 do Departamento de Estado norte americano, Moçambique tem se transformado num país de trânsito para carregamentos de narcóticos e outros produtos químicos usados na produção de drogas ilícitas. O mesmo relatório acrescenta que Moçambique é ainda local de passagem de vários tipos de narcóticos tais como canabis, cocaína, heroína e mandrax com destino à Europa e a Àfrica do Sul.

Desde de 2000 a OFAC já aplicou sanções económicas e financeiras a mais de 700 pessoas e entidades no mundo inteiro que estão ligadas a 87 traficantes de drogas.

A Verdade


Nota do José: Vários textos sobre este escandalo foram publicados em diversos órgãos de comunicação.

Notícias Lusófonas: Empresário acusado pelos EUA é considerado um dos maiores mecenas da Frelimo. Leia aqui.

O País: Mohamed Bachir na lista dos "Barões de Droga". Leia aqui.

Recorde aqui um texto de Joseph Hanlon publicado em 2001 no Metical, intitulado "O grande negócio da droga".

Wednesday, 2 June 2010

Durante uma semana Seminário de dirigentes do partido Frelimo paralisa instituições do Estado

Recursos do Estado foram usurpados para servir seminário dos “batuqueiros da maçaroca”


Maputo (Canalmoz) – Desde o passado dia 28 de Maio que os dirigentes de instituições do Estado estão fora dos gabinetes para participar no “seminário de integração de dirigentes” do partido Frelimo, que decorre na Escola Central desse partido, na cidade da Matola, com o término marcado para domingo, dia 6 de Junho. O seminário iniciou-se no dia 28 de Maio, o dia seguinte ao encerramento da primeira sessão ordinária da Assembleia da República, necessariamente para permitir a participação dos deputados da Frelimo.
Acontece, porém, que, para além dos deputados, participam no seminário ministros, vice-ministros, Presidentes de Conselho de Administração das empresas públicas, directores nacionais, presidentes de municípios e demais dirigentes do Estado, que, como se sabe, são todos membros do partido Frelimo.
O seminário decorre das 7:00 às 17:00 horas, o que faz com que as instituições do Estado fiquem sem os seus dirigentes, durante todo o período normal do expediente. Qualquer tentativa de contacto com um dirigente governamental, neste período em que decorre o seminário, redunda num fracasso total.

Uso e abuso dos bens do Estado

Para além da ausência dos dirigentes nas instituições do Estado, onde estão colocados e onde deveriam estar a trabalhar, estes levaram consigo todos os recursos do Estado ao seu serviço. As viaturas e os agentes de segurança são os recursos (materiais e humanos) do Estado mais visíveis, que foram extorquidos para servirem o seminário do partido Frelimo.
A reportagem do Canalmoz esteve na escola desse partido, e pôde constatar que as viaturas protocolares dos ministros e de outros dirigentes governamentais, viaturas essas que são pertencentes ao Estado, foram desviadas para serem usadas no seminário do partido Frelimo.
Agentes de segurança do Estado, entre civis e polícias devidamente fardados, estão também mobilizados para escolta do Partido Frelimo na Matola, onde decorre a reunião dos dirigentes do partido no poder. É esta a crua realidade da usurpação dos recursos do Estado para fins partidários praticada pelo partido Frelimo.


(CANALMOZ, 02/06/10)



Nota do José = Uma situação inaceitável em democracia em que a Frelimo continua a confundir Estado com Partido. Torna-se evidente porque a Frelimo não quer abandonar a vergonhosa partidarização das instituições!

MDM elege membros dos conselhos distritais e provincial

Na província de Maputo

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) prepara-se para eleger internamente os membros que passarão a integrar os conselhos distritais e provincial, órgãos de base do partido a nível da província de Maputo.

De acordo com o secretário-geral do MDM, Ismael Mussá, a constituição destes órgãos acontece na esteira de implantação do partido a nível do país e deverá ocorrer ainda este ano.

Segundo os estatutos do Movimento Democrático de Moçambique, cabe aos conselhos distritais, mediante a um processo democrático, eleger o futuro delegado político provincial do MDM, neste caso, da província de Maputo.

Sábado passado, os membros desta formação política com assentos na Assembleia da República beneficiaram de capacitação, na província de Maputo, em matérias de estratégia eleitoral e mobilização.

O propósito da capacitação é assegurar que os militantes se familiarizem com a estratégia do partido de modo a realizarem, objectivamente, o trabalho político.

Ismael Mussá afirmou ainda que acções de formação de género vão decorrer um pouco por todo o país, e enquadram-se no âmbito de preparação dos próximos pleitos eleitorais.

A partir da próxima semana, o secretário-geral do MDM inicia um périplo pelo país para se inteirar do trabalho político em curso. A delegação que, inicialmente, vai escalar as províncias de Gaza, Inhambane e Sofala inclui ainda o chefe da bancada desta formação política na AR, Lutero Simango, e alguns membros do secretariado.

Queremos medir o pulsar das actividades políticas do MDM através de um contacto directo com as bases para melhor planificarmos as nossas acções, disse Ismael Mussá.


O País

Tuesday, 1 June 2010

Portugal-Moçambique: lotação esgotada!


O jogo amigável entre Portugal e Moçambique a ter lugar em Joanesburgo na próxima semana no dia 8 de Junho, já há algum tempo que tem a lotação esgotada.
Obtive essa informação quando na passada semana tentei obter um bilhete para assistir a esse jogo de futebol.

Zuma: Vem aí o filho Número 21


Correm notícias de que Nompumelelo Ntuli, segunda esposa de Jacob Zuma, está grávida. Consta-se que o Presidente da África do Sul tem pelo menos 20 filhos.
Entretanto, foi revelado que o orçamento para a família de Zuma custa ao Estado a quantia de 15 mulhões de Randes.

Entre a Nação e o partido

Desesperadamente, a Frelimo tem se desdobrado em esforços para provar que o aparelho de Estado que controla há 35 anos não está partidarizado, que não há células do partido nas instituições públicas.

De facto, a persistência de alegações de que a Frelimo dirige o Estado moçambicano como um seu apêndice significa que o assunto já não pode continuar a ser ignorado e simplesmente posto de lado como se tratando de alegações infundadas, cons­truídas por uma oposição que nenhuma con­tribuição tem a dar para a construção do país.

Na última Sexta-Feira, a Frelimo fez-se valer da sua maioria parlamentar para derrotar uma moção proposta pela Renamo visando a institucionalização de uma comissão de inquérito para averiguar tais alegações. O MDM votou contra a moção por considerar que as alegações são tão óbvias que qualquer investigação seria supérflua.

Por agora, só a Frelimo acredita que o Estado moçambicano não está partidarizado. É compreensível este posicionamento defensivo. Precisamente porque as acu­sações são apontadas na sua direcção, a Frelimo vai fazer tudo para tentar provar que não há nenhum fundo de verdade nestas alegações. O que tacticamente aconselharia o partido a aceitar a proposta da comissão de inquérito.

Ao não aceitar, a Frelimo atingiu precisa­mente os objectivos contrários dos que possivelmente pretendia; admissão de culpa. A recusa em aceitar a realização do inquérito será interpretada como um passo para evitar a descoberta da verdade.

Mas em todo este debate filosófico esconde-se uma realidade que deve ser reconhecida com honestidade, o que também ajudará a encontrar as soluções mais ajustadas.

Não basta acusar, mas também não é solução recorrer-se ao comportamento de avestruz, de enterrar a cabeça.

Em princípio não deve constituir nenhum crime a existência de células do partido em qualquer organização, incluindo nas institui­ções públicas. A constituição de Moçambique consagra o direito à liberdade de associação, o que significa que indivíduos que se identifiquem com um determinado ideal ou causa, e que por coincidência estejam a trabalhar no mesmo local, gozam perfei­tamente do direito de se juntar como um grupo organizado e fazer avançar a sua causa. Nesse sentido, qualquer partido político legalmente reconhecido em Mo­çambique tem o direito de ter quantas células quiser, em qualquer parte do território nacional.

O que está sendo posto em causa não é a existência de células partidárias nas instituições públicas. A verdadeira questão é o entremear que se processa entre as células da Frelimo e o funcionamento normal dos órgãos administrativos e de direcção ao nível das instituições do Estado, e o efeito pernicioso que isso produz.

É um sistema que resulta de um passado em que a Frelimo era o único partido legalmente autorizado a operar no país, e em que a lealdade ao partido era a condição para a confiança política que era necessária para se assumir cargos de direcção nas instituições públicas. Nesse ambiente, o secretário da célula local era a peça central por onde gravitava todo o processo de tomada de decisões. Os secretários e os demais membros da célula também exerciam um papel de controlo sobre até que ponto os responsáveis administrativos, estavam em sintonia com a política e os objectivos do partido no seu local de trabalho. Este sistema era extensivo até para as Forças Armadas, onde o lema era de que “os nossos oficiais têm que ser vermelhos por dentro”. “Vermelho”, bom, quando a Frelimo ainda iludia-se de ser vermelha.

A mudança de regime para um sistema multipartidário deveria ter posto fim a esta tradição. Contudo, o facto de essa mudança ter sido feita num ambiente em que a Frelimo continuou no poder, significou a continuação destas práticas até aos dias de hoje. Velhos hábitos levam tempo a morrer.

A Frelimo não tem que tentar nos convencer que as suas células nas instituições do Estado não põem em causa o normal funcionamento da máquina admi­nistração pública. O seu Secretario Geral já o confirmou em público e explicou as suas razões sobre a necessidade da existência destas células.

Só que se a Frelimo estiver na verdade empenhada em modernizar o aparelho de Estado e torná-lo cada vez mais eficiente, como vários dos seus dirigentes no governo têm repetido inúmeras vezes, terá mesmo que aceitar a importância da separação entre o Estado e o partido. É esta supremacia do partido sobre o Estado que muitas vezes cria bloqueios no processo de tomada de decisões cruciais sobre a vida do país, onde funcionários do Estado têm que tomar decisões em função dos benefícios que estas representam para a consolidação e forti­ficação do partido, não necessariamente em função do que tais decisões representam para o progresso da Nação.



Por Fernando Gonçalves, no SAVANA, citado no Diário de um Sociólogo.