Monday, 19 January 2009

Parabéns a ...

Um ano após o aparecimento deste blog, justifica-se um pequeno balanço.
Este blog teve origem num desafio que me foi lançado e posso afirmar que os seus modestos objectivos foram alcançados. Porém, devo confessar que me sinto um pouco saturado com a blogosfera, tem sido muito positiva esta experiencia mas também me apercebi de algumas situações bem negativas, tanto mais que alguns distintos bloguistas, por vários motivos, praticamente deixaram de blogar.
Quando me sinto assaltado por sentimentos negativos, lembro-me que usei uma afirmação do Fernando Pessoa na minha primeira postagem: “ Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Modéstia à parte, a minha alma não é pequena, sendo assim, valeu mesmo a pena!
Parabéns a Vocês!

Sunday, 18 January 2009

Saturday, 17 January 2009

Fotocópias!

Numa certa empresa, por causa das fotocópias, foi emitida a seguinte circular:

Caros colegas:
Pede-se encarnecidamente ao pessoal desta Empresa, que no momento de solicitar fotocópias ao colega Senhor João, o façam de uma forma clara e objectiva, completando as frases que escreverem.
Acontece que os “post it” adjuntos aos documentos para fotocopiar e os pedidos escritos, têm causado causado problemas ao nosso colega de trabalho que nos faz o favor de tirar as cópias, chegando ao extremo de criar problemas conjugais.
Como exemplo, citamos algumas notas de “post it” encontradas nos bolsos do nosso colega pela sua esposa.

João!…
Faz-me como o fizeste da outra vez!

João!…
Dá-me duas, rapidinho!

João!…
Pelos dois lados… e presta atenção que por trás tem que ficar tudo!

Por favor, João!
Primeiro a mim, que estou aflita!

João, quando tirares, faz com que se veja o melhor possível.

João, pode ser sem pressa, mas que fique bem feito!

João! … Urgente!
Podes meter-me no meio sem que ninguém perceba e faz rapidinho!

João!…
Pode ser pela frente e por trás. Se não conseguires, dá-me duas separadas.

Então João, quando é que me fazes o trabalhinho? Estou a ficar aflita!

Percebem agora a grave situação em que se encontra o nosso colega?

Adivinha!

O que mede 18 centímetros e faz felizes todas as mulheres?

NÃO, não é o que está a pensar!

Resposta em baixo!




Friday, 16 January 2009

Nepotismo no governo de Guebuza

O governo esteve, na manhã do passado dia 27 do corrente mês, na Rádio Moçambique/Televisão de Moçambique, no programa Linha Directa, a fazer balanço das suas actividades referentes ao ano 2008 e a responder perguntas dos profissionais das duas estações e por telespectadores/radio ouvintes. Saltou à vista a ausência de muitas ministras e evidenciou-se a presença das duas manas – a Primeira- ministra, Luísa Diogo, e da ministra da Função Pública, Vitória Diogo.
Esta atitude é deliberada por quem indicou os ministros para esse programa, designadamente, o Presidente da República, Armando Guebuza, que o é Chefe do Executivo, ou a PM, num gesto de favorecer à irmã. É falso falar da indisponibilidade das ministras, eventualmente, convidadas.
O governo tem 21 ministros e oito ministras. Não é verdade dizer que seis ministras se mostraram indisponíveis e, apenas, as duas irmãs poderiam aparecer ao programa. Não é preciso ser um iluminado para concluir que não é verdade que seis ministras tivessem preferido outras ocupações a ir à Rádio/Televisão. Se for verdade, o que não parece que o seja, concluise que Guebuza chamou, para o governo, pessoas sem tempo. A continuação delas, no Executivo, não traz nenhum valor acrescentado. É improvável que governantes comprometidas com a acção governativa não tenham tempo para falar ao público.
A estória de indisponibilidade está mal contada. A tentativa da PM de justificar a razão de haver uma cadeira desocupada não convenceu. Ou as ministras não foram convidadas, por motivos que não se conhecem ou, se o convite foi formulado pela PM, a intenção era de pôr a irmã em destaque, em detrimento das demais ministras. Dizer que não se pode trazer todo o governo por motivos de espaço, foi infeliz. Mas, houve espaço e tempo para as duas irmãs! Os actos falam mais alto que as palavras. O marketing político faz-se produzindo resultados palpáveis e não obstruindo.
Um dos presentes, no auditório, perguntou à PM a razão de não dar briefings à Imprensa, como era prática corrente – iniciativa louvável - no tempo do seu antecessor, Pascoal Mocumbi que, de forma invariável, se encontrava com jornalistas, às quintas-feiras, para dar a conhecer as realizações do governo. Quando Diogo chegou a PM, disse que tal prática prosseguiria, mas, tal nunca aconteceu. Diogo não respondeu a pergunta, apesar da insistência dos moderadores.
Se o convite, aos ministros, foi formulado por Guebuza, cometeu um erro crasso, ao excluir ministras. Se feito pela PM, fez nepotismo - favoritismo de alguns governantes aos seus parentes e familiares.
A uma pergunta de rádio ouvinte/ telespectador sobre a ausência de
ministros e ministras com grande visibilidade pública, Ricardo Dimande, um dos moderadores, mostrou-se nervoso e, algo estranho, em tom ameaçador, alertou para não se fugir do tema. Quem, de facto, fugiu do tema foi Dimande, por intimidar aos que telefonavam, em defesa, talvez, de interesses obscuros.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax, de 14/01/09 )

Thursday, 15 January 2009

Comemora-se hoje o nascimento de Martin Luther King




Martin Luther King

Martin Luther King foi um dos três filhos de um ministro baptista negro, Martin Luther King Sénior, e de Alberta King, professora, e nasceu a 15 de Janeiro de 1929.Sabias que quando nasceu deram-lhe o nome de Michael? Por volta dos 6 anos mudaram-lhe o nome para Martin.
Era muito bom aluno e licenciou-se em Teologia (estudo da religião e questões religiosas), na Pensilvânia, em 1951. Mais tarde, doutorou-se na Universidade de Boston, em 1955.
Casou com Coretta Scott, em 1953, e tiveram quatro filhos.
Em 1954 tornou-se ministro da igreja baptista de Montgomery, no Alabama.
Em 1955, Rosa Parks, membro da sua paróquia, foi presa por se ter recusado a dar lugar a uma pessoa branca no autocarro.Na altura, nos EUA, sobretudo nos estados do Sul havia segregação (separação) nos locais e transportes públicos entre negros e brancos.
Surgiram grandes protestos e a comunidade negra decidiu recusar-se a usar os transportes públicos da cidade enquanto a segregação se mantivesse.
Martin atraiu as atenções do país e do mundo como líder daquilo que ficou conhecido como o «boicote dos autocarros de Montgomery».
Iniciou-se assim uma resistência pacífica para alcançar a igualdade entre negros e brancos, inspirada nos ensinamentos de Gandhi.
Esse boicote durou 382 dias (mais de um ano!). King foi preso, espancado, e até puseram uma bomba na sua casa...Terminou quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou inconstitucional a separação racial nos transportes públicos (a 21 de Dezembro de 1956).
Martin obteve assim a sua primeira vitória pelos direitos civis.
Em 1957, fundou e foi eleito presidente da Conferência de Líderes Cristãos Sulistas, uma organização pacifista de defesa dos direitos civis.Os ideiais eram os cristãos e as técnicas de protesto eram inspiradas nas de Gandhi.
Entre 1957 e 1968, Martin viajou mais de nove milhões e seiscentos mil quilómetros e discursou mais de 2500 vezes, aparecendo onde havia injustiças, protestos e acção. Nesse período escreveu cinco livros e numerosos artigos.
Nesses anos, para além dos protestos em Birmingham, Alabama, (brutalmente reprimidos pela polícia), Martin escreveu a «Carta de uma Prisão de Birmingham», um manifesto contra a discriminação racial, e planeou marchas para que os negros pudessem votar.
Em 1960 mudou-se para Atlanta, capital do Estado da Georgia (um dos Estados Sul dos EUA com mais negros descendentes dos escravos).
Foi um dos organizadores da marcha pacífica que reuniu mais de 250 000 pessoas (de todas as raças) até Washington DC (em Agosto de 1963), em que exigia igualdade racial.
Foi em Washington, com um enorme público, que proferiu o seu famoso discurso l Have a Dream («Eu tenho um sonho»).Clica aqui para leres o discurso. É muito bonito!
Encontrou-se com o presidente John F. Kennedy e fez campanha para o presidente Lyndon B. Johnson.Foi preso mais de vinte vezes e agredido pelo menos quatro!Mas nunca desistiu.
Recebeu títulos honorários e foi a «Personalidade do Ano» da revista Time, em 1963.Em 1964, Martin viu a sua acção reconhecida com a atribuição do Prémio Nobel da Paz. Com 35 anos foi o mais jovem galardoado com esse prémio!
Em 1968, quando se deslocou a Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve, foi assassinado a tiro por um fanático branco, James Earl Ray.
Mas a sua luta não morreu.Em 1969, a sua viúva, Coretta Scott King, organizou o Martin Luther King Jr. Center for Non-Violent Social Change (Centro Martin Luther King Jr. para a Mudança Não-Violenta) que actualmente está situado perto da sua igreja baptista, a Ebenezer Baptist Church, em Atlanta.
O dia do seu aniversário (15 de Janeiro) é feriado nacional nos EUA, comemorado anualmente na terceira segunda-feira do mês de Janeiro.O Hotel Lorraine, onde Martin Luther King foi assassinado, é hoje o Museu Nacional dos Direitos Civis.

Wednesday, 14 January 2009

Opinião de Afonso Dhlakama

Em Moçambique não há Sociedade Civil. Não estamos a dizer que os intelectuais não são bons, são académicos, são bons, com o respeito que eu tenho por eles, mas eles não têm a oportunidade de fazer funcionar aquilo que eles aprenderam. Moçambique não está em condições de falar da Sociedade Civil, porque mais de 80 por cento dos licenciados só encontram trabalho no aparelho do Estado, e são esses que constituem a Sociedade Civil e como é que me vão convencer que, de facto, são Sociedade Civil, quando a Frelimo não dá liberdade aos funcionários públicos?

(Magazine Independente, de 07/01/09)

Tuesday, 13 January 2009

Hermínio Morais: "Não há alternativa a Dhlakama na Renamo"

Nesta entrevista exclusiva ao nosso jornal, Hermínio Morais fala da partidarização dentro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, dos problemas dentro da Renamo, do futuro do partido e de muito mais.
Chama-se Hermínio Morais ou simplesmente Bob Shalton, sua alcunha nos tempos da guerra que a Renamo moveu contra o governo da Frelimo. Shalton foi o arquitecto das acções de sabotagem ao longo do corredor da Beira, que culminaram com o espectacular assalto a um comboio com 46 vagões contendo armamento.

Sr. general, é membro sénior da Renamo e certamente acompanha com alguma intensidade a vida do partido. Na sua óptica, a Renamo está bem de saúde?
A Renamo, na minha óptica, está bem de saúde, apesar de todas as dificuldades inerentes à actividade política na oposição em Moçambique. Estamos, neste momento, a constituir brigadas a nível de todo o país, por forma a nos organizarmos para as eleições gerais.

Tendo a Renamo perdido em toda a linha as últimas eleições autárquicas, continua a achar que o partido está bem de saúde?
Sim...realmente, reconheço que é preciso fazermos um trabalho mais a sério. Muitas vezes, nos iludimos pensando, logo à partida, que já ganhámos e o resultado foi este que vimos. Mas a derrota da Renamo não pode ser vista como fruto da alegada desorganização dentro do partido. A Frelimo mobilizou todos os meios ao seu dispor para estas eleições, com especial enfoque para os bens do Estado. Nós da oposição não tínhamos nada a fazer face à Frelimo.

Logo após o "desaire" eleitoral de 19 de Novembro, vários membros seniores da Renamo vieram a público exigir a realização de um congresso extraordinário que teria como objectivo fazer uma reflexão interna e quiçá, sufragar uma nova liderança. De que lado está?
Respeito a opinião destes colegas, mas não concordo com a sua posição. A Renamo não precisa de nenhuma revolução profunda. Concordo que a Renamo deve, urgentemente, adaptar-se à actual conjuntura política do país e abrir-se mais para o diálogo construtivo.

Quando fala em adaptar-se à actual conjuntura, está a pretender dizer que o partido e o seu líder estão ultrapassados?
Não. O que vejo é que muitos membros da Renamo, que entraram depois dos acordos de paz, estão lá para tirar dividendos e não contribuem em nada para o partido. É preciso que as pessoas percebam que a Renamo não é nenhum posto de trabalho para acomodar interesses de pessoas preguiçosas.

Mas sente que existem condições para o diálogo dentro do partido, tendo em conta que a Renamo está centrada no seu líder Afonso Dhlakama?
A Renamo não está centrada no seu líder como alguns pretendem fazer crer. A Renamo está centrada nos milhões dos seus membros. Dentro da Renamo, existe espaço para o diálogo e para livre expressão.

Dhlakama está há mais de 30 anos a frente da Renamo. Há quem defenda a sua reforma. Acha que Dhlakama ainda tem legitimidade para se manter na liderança da Renamo?
Creio que ainda tem capacidade e legitimidade. A Renamo não é dirigida apenas pelo presidente Dhlakama. Existem outros dirigentes e membros que são importantes na Renamo.

Raul Domingos veio a público mostrar a sua disponibilidade para voltar à Renamo, mas sob algumas condições que não chegou a especificar. Estaria preparado para receber o seu antigo chefe do Estado Maior no tempo da guerilha?
Quem decide o retorno dos membros afastados é o Congresso. Se os membros acharem que o bom filho deve voltar à casa, acho que é bem vindo.

Para além de Raul Domingos, Daviz Simango é outro membro expulso, que várias vozes dentro do partido defendem o seu retorno e eventualmente concorrer à presidência do partido. A ala militar da Renamo, na qual o general Morais faz parte, estaria disponível para aceitá-lo como líder?
Eu não tenho nenhuma opinião formada sobre este assunto.

A Renamo anunciou para este ano a realização do seu Congresso. Certamente, Afonso Dhlakama será candidato à presidente do partido. Vai apoiá-lo?
Sim, vou apoiá-lo. Não vejo nenhum outro candidato credível para levar a Renamo à frente.

Mesmo com estas derrotas?
Sim. Dhlakama é carismático e querido pelo povo. O importante é trabalharmos seriamente para a vitória. Dhlakama não pode vencer sozinho. É preciso sermos vigilantes contra a fraude.

Como é que a Renamo pode vencer a Frelimo se, nestas eleições autárquicas, o seu presidente nem se dignou a fazer campanha eleitoral pelos seus candidatos. É este líder que apoia?
O que lhe posso dizer é que todos os membros da Renamo se devem empenhar nestas eleições. A vitória é possível com Afonso Dhlakama.

O general Morais apoia o presidente Dhlakama por convicções políticas ou por ter sido seu camarada de trincheira?
Apoio-o por ser o único líder com qualidades para liderar o nosso partido para a vitória. Não existe alternativa dentro da Renamo. A única Alternativa é Dhlakama.

Mas não é Dhlakama que cria condições para que não haja alternativas internas?
Não. O que acontece é que as pessoas ainda não estão preparadas para suceder a um líder da craveira de Dhlakama.

Em tempos, o general morais disse que as Forças Armadas estavam a ser partidarizadas pela Frelimo em flagrante violação ao Acordo Geral de Paz. Mantém o mesmo fio de pensamento?
Não tiro nenhuma vírgula sobre o que disse no passado. A maior parte dos oficiais superiores oriundos da Renamo não estão ainda enquadrados dentro da nova orgânica das FADM. Chamam-lhes de assesssores, mas os mesmos não têm nenhuma tarefa dentro do Ministério da Defesa ou das FADM. Só vão ao serviço ler jornais.

Mas temos o caso do vice-chefe do Estado-Maior das FADM, que é da Renamo...
Aquele cargo não passa de decorativo. Olímpio Cardozo não toma nenhuma decisão de relevo dentro do Estado-Maior das FADM. Limita-se a ir ao gabinete receber ordens do chefe de Estado-Maior. Não existe um membro oriundo da Renamo que tenha um cargo de relevo dentro das FADM.

Quem está por detrás desta alegada partidarização?
Existe uma ala de ortodoxos dentro das Forças Armadas, constituída por antigos combatentes e membros das extintas FPLM. São estes que não querem a unidade dentro das Forças Armadas. Acham que as Forças Armadas são propriedade sua e da Frelimo.

O general Hermínio Morais faz parte do Conselho de Defesa e Segurança, liderado pelo Chefe do Estado, na sua qualidade de Comandante-em-Chefe das FADM. Terá colocado esta questão e qual foi a sua reacção?
Já alertei o Chefe do Estado sobre esta questão. Ele garantiu-me que ía trabalhar no sentido de unificar as Forças Armadas.

De quando em vez, Afonso Dhlakama tem vido a público ameaçar retornar à guerra. Sendo uma peça fundamental para um eventual retorno à guerra, acha que existem condições para tal cenário?
O que lhe posso garantir é que, neste momento, não há espaço para o retorno à guerra. Temos que investir no diálogo permanente.

Mas a Renamo tem capacidade para retornar às matas e sobreviver por longo período de tempo na expectativa de negociações?
Trata-se de um segredo militar nosso. Sobre este assunto, não lhe poderei ser útil. Insisto na necessidade do diálogo.

Uma das coisas curiosas em si é que, sendo um destacado general da guerilha da Renamo, não foi integrado no exército. Há quem diga que se tratou de uma estratégia de Afonso Dhlakama para não cair na cilada montada a Jonas Savimbi em Angola, onde proeminentes generais da UNITA foram mortos em 1992. É verdade?
Não é verdade. Eu é que não quis. Há várias testemunhas como Mateus Ngonhamo, que foi ocupar o lugar que me era destinado. Estava cansado da guerra e de receber ordens militares. Preferi descansar. Existiam jovens como o Ngonhamo e outros que achei que deviam integrar as FADM.

Volvidos estes anos, está arrependido?
Nem tão pouco.

Hoje fala-se muito dos homens armados da Renamo. Existem de facto estes homens e se existem constituem um real perigo para a paz?
Não existem homens armados da Renamo, mas sim guardas dos altos dirigentes da Renamo. Não são uma ameaça a ninguém muito menos à paz. Curioso é que só se fala destes homens nos períodos eleitorais.

Há relatos de que estes homens estão envolvidos em actividades de terror em Marínguè e em Inhaminga.
Não há provas. É propaganda eleitoral.

Alguns olham para estes homens como uma suposta retaguarda da Renamo...
Se fossem nossa retaguarda estariam todos aqui na cidade e não em Marínguè, onde são camponeses.

Movimentos como a Renamo sempre procuraram chegar ao poder pela via da força, quando gorada a possibilidade de chegar pela via das urnas. Já pensaram nessa possibilidade ou seja, olhando para trás, estão arrependidos por terem assinado o Acordo Geral de Paz?
Não estamos arrependidos. A guerra tinha já morto muita gente e separado famílias inteiras.

Há quem diga que o líder da Renamo teve medo de chegar ao poder pela força. É verdade?
De um lado é verdade. Se fores a notar, a Renamo já estava a operar na Catembe e na Matola. Fui um dos generais que queriam que prosseguíssemos a guerra até à vitória final, que já estava ao nosso alcance.

Mas o que aconteceu para recuarem?
O presidente da Renamo é que disse para nós recuarmos, para salvaguardarmos a integridade territorial do país e para evitarmos mais banhos de sangue. Eu achava que o poder devia ser tomado à força.

Não se sentiu frustrado com as ordens superiores?
Fiquei, mas o presidente chamou-nos e explicou-nos tudo. Eu era um dos generais que estavam a avançar a caminho da cidade da Beira. Estava motivado e empenhado para tomar a cidade da Beira à força.

Há quem diga que a Renamo contou com o apoio de oficiais seniores da Frelimo nesta guerra. É verdade?
É verdade. Nos últimos anos da guerra, vários oficiais estavam já com um pé atrás e acreditavam na nossa vitória. Houve até oficiais seniores da Frelimo, que não quero aqui mencioná-los, que nos forneciam material bélico.

O senhor ingressou na Renamo com a nona classe e vinha de uma família minimamente estável. O que o fez abraçar a causa da Renamo, na altura conhecidos como "bandidos armados"?
Olha, já não suportava. Vivíamos num país com um sistema que impunha terror a todos e não havia liberdade para as pessoas. Havia necessidade de se pegar em armas e contestar-se o sistema que vigorou no país depois da independência.

Como é que chegou a Gorongosa?
Via África do Sul. Depois fui à Rodesia e, por fim, cheguei a Gorongosa.

Está feliz com o seu contributo nesta guerra pela "liberdade", sendo uma pessoa famosa por causa das suas actividades militares durante a guerra?
Claro. É um combate que acho que valeu a pena. Hoje, apesar de ainda enfrentarmos dificuldades, já é possivel viver livremente neste país. Certamente que ainda existe um longo caminho por rumar.

Quantos anos esteve na mata?
16 anos.

Como é que chegou à patente de Major-General em apenas 16 anos de guerra?
Olha, fui um dos agentes que realmente ascenderam muito rapidamente dentro da hierarquia militar da Renamo. Veja que todos os anos era promovido. Tive o privilégio de operar numa zona de guerra total, que era a Gorongosa. Neste local, realizávamos, em média, três combates por dia. E foi lá onde me destaquei.

Foram anos difíceis da sua vida?
Do ponto de vista material foram terríveis, mas do ponto de vista espiritual, sinto que fiz o que um jovem na minha idade e naquela época tinha a fazer em prol da minha pátria. Devo dizer que a população sempre esteve do nosso lado.

Equaciona a possibilidade de um dia candidatar-se à liderança da Renamo?
Não. Existem quadros.

Acredita que a Renamo vai a tempo de chegar ao poder?
Claro que acredito, enquanto estivermos vivos há esperança.
(Escrito por Atanásio Marcos e José Belmiro, em O PAÍS de 11/01/09)
Muito interessante esta entrevista, mas afirmar que as coisas estão bem na Renamo é a mesma coisa que Armando Guebuza dizer que o estado da nação é bom! NINGUÉM ACREDITA!
Não deixa de ser preocupante a constatação de que num Partido democrático, e após tantos anos, não haja nenhuma alternativa ao líder. ALGO TEM DE ESTAR MUITO ERRADO!

Monday, 12 January 2009

Última hora

No recurso que o NPO interpôs contra Jacob Zuma, o juíz Harmse afirmou há momentos que o juíz Nicholson errou ao fazer pronunciamentos políticos no recente caso que ilibou Zuma no caso de corrupção.
Recorde-se que o referido julgamento causou o afastamento do Presidente Thabo Mbeki.
O Procurador fica agora com o caminho aberto para reabrir o processo contra Jacob Zuma.

Sunday, 11 January 2009

Grace Mugabe

Segundo o jornal sul-africano “Saturday Star”, Grace Mugabe, esposa de Robert Mugabe, levantou 92000 dólares americanos (cerca de 890000 Randes) para financiar as suas férias na Malásia.

Recorde-se que em Junho, a senhora Mugabe gastou 80000 dólares na sua passagem por Roma.
SEM COMENTÁRIOS!
ADENDA:

JOHANNESBURG, Jan 11 (Reuters) - South African Nobel peace laureate Desmond Tutu has called on all South Africans to join his weekly fasting in protest at the humanitarian crisis in neighbouring Zimbabwe, the 702 radio station reported on Sunday.The 78-year-old Anglican archbishop said he had been fasting once a week in solidarity with the hundreds of thousands of Zimbabweans facing food shortages and a cholera outbreak."If we would have more people saying 'I will fast' maybe one day a week, just to identify myself with my sisters and brothers in Zimbabwe," the radio station quoted him as saying.Zimbabweans are suffering from hyper-inflation and severe food, fuel and foreign currency shortages. Cholera has killed more than 1,800 people. (Reporting by Agnieszka Flak; Editing by Charles Dick). REUTERS

Mensagem aos Pais

Falando sobre o conflito de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quarto frases:

1 – A nossa juventude adora o luxo, é mal educada, goza da autoridade e não tem o menor respeito pelos velhos.. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.

2 – Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje assumir o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.

3 – Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não deve estar muito longe.

4 – Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então revelou a origem delas:
A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.).
A Segunda é de Hesíodo (720 a.C.).
A Terceira é de um sacerdote do ano 2.000 a.C.
A Quarta está escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia (Iraque) e tem mais de 4.000 anos de existência.
Portanto, um recadinho aos que são pais:

RELAXEM!
SEMPRE FOI ASSIM!

Saturday, 10 January 2009

Humor

Na República das Bananas


Numa visita a uma escola, o Presidente da República das Bananas entra na sala da quarta classe. As crianças estão a discutir as palavras e os seus significados.
O professor pergunta ao Presidente se ele quer moderar o debate, sobre o significado da palavra 'tragédia'.
Então o Presidente pede à turma um exemplo de uma 'tragédia'.
Um rapazinho levanta a mão e diz, 'se o meu melhor amigo, que mora na casa ao lado, atravessar a rua e for atropelado por um carro, isso era uma tragédia'.
'Não', diz o Presidente, 'isso seria um acidente, pois ninguém teve culpa'.
Uma menina diz: 'se um autocarro cair duma ponte por culpa do motorista, e todos os que lá iam morrerem, isso seria uma tragédia'.
'Também não', explica o Presidente 'isso seria o que nós chamamos UMA GRANDE PERDA'.
A sala fica silenciosa. Mais nenhuma criança quer arriscar. O Presidente da República das Bananas pergunta outra vez: 'Há aqui alguém que me possa dar um exemplo de uma tragédia?'
Finalmente, no fundo da sala, o Joãozinho levanta a mão. Muito baixinho, diz 'se o sr. Presidente regressar ao País no avião do Governo e ele for atingido por um míssil dos terroristas, e explodir no céu, isso seria uma tragédia'.
'Correcto!', exclama o Presidente 'muito bem. E podes dizer-nos PORQUE É QUE isso seria uma tragédia?''Bem', começa o Joãozinho, 'porque, como o sr.Presidente explicou, não seria um acidente, e, como toda a gente sabe, não seria uma grande perda!'
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Os velhinhos conversando:
- Nestes 60 anos de casamento eu te trai 3 vezes... - desabafa a velhinha- mas foi por amor a você e posso explicar...
- Como?? Retruca o velhinho...
A velhinha balançando a cadeira começa a explicar:- A 1ª vez, você lembra quando a gente era RECEM CASADOS, e você reclamava muito do seu emprego, você gostava muito do emprego mas estava ganhando pouco, não estava dando pra mobiliar a casa??
- Lembro - responde o velhinho...
- Você lembra que em um determinado dia o seu patrão te chamou e te deu um aumento de salário bem grande??
- Lembro - responde o velhinho...
- Então!! Eu fui ate seu emprego, expliquei nossa situação para seu patrão... mas tive que transar com ele...
- E a 2ª vez? - pergunta o velhinho...
- Você se lembra daquela vez que você estava muito doente? mas muito doente mesmo e tinha que ser operado urgentemente?
- Ah!!! Me lembro...
- Você se lembra que tinha uma fila de espera muito grande, e se você fosse esperar morreria?
- Lembro - responde o velhinho...
- Você se lembra que um médico te chamou... Te operou e você esta vivo até hoje graças a essa operação?
- Lembro - responde o velhinho...
- Então... Fui até o hospital... expliquei sua situação pro médico... mas tive que transar com ele...
Houve um silêncio sepulcral entre os dois...O velhinho então pergunta:
- E a 3ª vez??
-Você se lembra de quando foi candidato a prefeito daquela cidadezinha onde moramos?
- Lembro - responde o velhinho...
- Você se lembra que precisava de 3 mil votos pra ser eleito?

Friday, 9 January 2009

Pensamento do dia

"Um Estado que tolhe o crescimento dos seus homens para que eles possam ser instrumentos mais dóceis nas suas mãos mesmo com fins benéficos, descobrirá que com homens pequenos nada de grande se pode realmente realizar".
( John Stuart Mill, citado em http://www.athiopia.blogspot.com/ )

NOTA: Alguém está a ouvir?

Thursday, 8 January 2009

Xenofobia: uma opinião

O discurso xenófobo e anti-estrangeiro, discretamente acarinhado nos círculos oficiais, previne o país de se abrir à globalização e ao desafio de competências e habilidades, como acontece noutras latitudes. É o mercado fechado e hostil à competitividade que permite o absurdo de um técnico médio, de duvidosas competências e capacidades, exigir dois mil dólares e viatura 4x4 para trabalhar em Montepuez ou Marrupa. Por um quarto do salário, o mesmo trabalho pode ser feito por alguém da Índia ou do Brasil. Mais subversivo. Se houver essa possibilidade, mais e mais moçambicanos estariam a caminho dos distritos para disputar trabalho e emprego.


Machado da Graça, Savana, 02-01-09.

Wednesday, 7 January 2009

Quadra festiva passou ficou a nossa pobreza



Mais uma vez passou, o período em que o Homem de propósito criou para se enganar, de festas, durante o qual não parece o mesmo que todos os dias luta incessantemente contra as vicissitudes que a vida lhe coloca no dia-a-dia, em razão de, no nosso caso, pertencer a um país pobre, cujo dia-a-dia, é tentar lutar para que seja possível conseguir pelo menos duas refeições.O homem que em cada dia não sabe o que vai ser o jantar, já que o mata-bicho dispensou(?) e o almoço aconteceu algures numa barraca. Durante quase duas semanas estava relativamente abastado. Teve todos os mata-bichos, introduziu o pequeno almoço, almoçou todos os dias e os jantares foram à hora e perante toda a família, como gostaria de fazer todos os dias, não fosse pobre, em consequência de pertencer a um país, outrossim, pobre em absoluto.

Um país que ele, mais alguns outros, não ajuda a desenvolver, mudando a sua atitude perante o trabalho, produzindo mais e com produtividade, tirando-se do subemprego, fazendo coisas suas para resolver os seus problemas, e assim, diminuindo o número daqueles que só dependem do que o Estado mal consegue.

Que os seus dirigentes políticos e governativos, os operadores económicos, não ajudam a desenvolver porque metidos em teias de favoritismos, nepotismo, “primeiroeurismo”, enfim, duma corrupção que produz mais e deveras desenvolvida do que produzem todos os esforços dos não-corruptos, contra toda a generosidade, espírito trabalhador e humildade do nosso povo. É uma teia que parte, inclusive, dos doadores, que foram responsáveis por também ensinar como se rouba ao povo através dos “perdiens”, ajudas de custo, honorários, despesas de representação, palavras que o vocabulário moçambicano não tinha…

Então, o homem durante duas semanas enganou-se que tinha melhorado a sua vida, com o advento do décimo terceiro salário, depois de, de propósito, o seu salário de Dezembro ter vindo muito cedo, que nos outros 11 meses, vem sempre atrasado. Assim adquiriu produtos e bens cujos valores se situam muito acima da sua média e das capacidades reais individuais. Comeu por um dia um frango, e não por mês! Comeu três frangos no Natal e cinco na passagem do ano. Não “batia” uma média por dia nas barracas, como faz normalmente, havia levantado dez caixas de cerveja para casa.

O vizinho que não poderia ser o mais-mais, ao mandar matar um cabrito, recebeu a resposta do outro com entrada no seu quintal, de uma perna de vaca e alguns galos “macuas” a fazerem barulho de propósito, apenas para que chamassem à atenção da vizinhança. Foram dias de opulência(?), digamos, abastança postiça…

Mas já depois da festa do Natal, havia sinais de que nem todos se aguentariam na passagem do ano. É que a coincidência de termos tido 9 dias de ócio, em resultado do posicionamento dos dias festivos no calendário da semana laboral, criou condições para mais consumo e gastos desnecessários, aí os bolsos, há muito furados, nem sequer conseguiram travar a mola, que foi caindo, sem nenhum controlo.

Talvez por aí se possa entender a razão porque na passagem do ano houve muita violência doméstica e inter-familiar na cidade de Pemba. Se na quadra natalícia registaram-se nove casos de agressões físicas, esse número subiu para 23 na viragem de 2008 para 2009. Não foram agressões na rua, mas sim, em círculos familiares e de amigos, algumas das quais, graves, como seja, traumatismos sérios, incluindo alguém que pôs fora todas as tripas de um parente, por meio duma faca!...

É que as expectativas na passagem do ano não ficaram satisfeitas, a mudança de opulência, durante o Natal, para a pobreza na passagem do ano, num curto espaço de tempo, foi violenta. As acusações subiram de tom, do jeito “ houve algum desvio de aplicação” que poderia haver outras casas financiadas para a festa ou que alguém foi apanhado a oferecer uma prenda a uma pessoa estranha da família e daí a razão do fraco cabaz, para o fim do ano.

Houve telefones celulares pilados ou ameaçados de pilar, culpados de conterem mensagens que poderiam estar por detrás da fraca assistência à casa, do tipo “amor, a minha viagem é já amanhã” ou “ obrigado por tudo que me proporcionaste durante o ano que está a terminar e espero que continuemos assim em 2009” ou ainda “ sem você a minha vida em 2008, seria em vão, obrigado pela ajuda…”

Quando visto o facto de todas as 23 agressões sérias terem se registado das 4 às 7 horas, fica-nos a sensação de que as pessoas prolongaram as suas desinteligências, aguentaram durante longo período da noite e os ânimos elevaram-se já à madrugada, quando na falta de cerveja já se recorreria a “Royal”, Tentação, na falta do Barone, se alinhara com Barão, no lugar do Nederburg, se decidiu pelo Tintão, etc.

Hoje é 3 de Janeiro, desde dia 1 que a alegria desapareceu das casas, apesar de termos tido mais três dias reservados ao barulho festivo. A música foi-se, e como, volto a citar o meu falecido amigo, o musicólogo e antropólogo cultural, Aveni Awendila, a “alegria é que manda”, a disciplina forçada voltou a ocupar o seu lugar.

Sendo Janeiro, mais um mês de 31 dias, tendo em conta a nossa capacidade de nos enganarmos facilmente e assim gastamos para cima do que podemos e porque se não se pode morrer de fome, prevê-se um cenário em que cada um de nós vai contrair dívida aonde achar melhor. E como quem tem dinheiro neste país de pobres é geralmente gente desonesta, teremos que nos ajoelhar junto aos corruptos para nos salvarem da ressaca infeliz das festas do Natal e Fim do Ano. E para alguns casos, voltar-se-á a espreitar o bolso estatal, não para salvar a maioria, mas para retomar o ciclo vicioso de alimentação da corrupção…assim até ao fim deste ano.

Na verdade, as festas lá se foram, o ambiente de opulência e abastança postiça já se foi, vamos gerir a consequência da quadra festiva, quer dizer, voltamos a ficar como na verdade somos, pobres!

PEDRO NACUO, em Notícias de 03/01/09.

Tuesday, 6 January 2009

Ano de 2009 e o Exercício de Uma Cidadania Sem Medo




Tenho para mim que o presente ano de 2009 será de grandes realizações. Para começar, é neste ano que teremos pela primeira vez as eleições provinciais, que embora menos esclarecidas ao povo, parecem significar um avanço no fortalecimento da democracia moçambicana. Mais do que isso esperamos a realização das quartas eleições presidenciais.

Ao falar de eleições, temos é que parabenizar Moçambique por cumprir quase à risca o calendário eleitoral, facto que as democracias africanas pouco conseguem fazer. Com uma idade inferior a 20 anos e, independentemente de todos os vícios apontados, a democracia moçambicana conseguiu realizar à tempo, seis eleições multipartidárias.

Quando a democracia formal vai crescendo na idade, o seu exercício efectivo não cresce. Temos uma democracia bastante enfraquecida pela ausência de forças políticas capazes de competir com a Frelimo que é o partido mais velho na senda política moçambicana.

Assiste-se uma democracia enfraquecida sob todos os sentidos, se calhar seja inclusive a responsabilidade do tal maior partido que ao querer manter a sua hegemonia vai apagando os mais pequenos.

Tomo como exemplo alguns dos chamados intelectuais, académicos ou a massa pensante do país. Estes temem contrapor a Frelimo, temem criticar o poder e acima de tudo temem assumir qualquer outra cor partidária neste país que não seja a da Frelimo. Lembro que alguns dissidentes da Frelimo, que há alguns anos filiaram-se na Renamo, foram severamente açoitados na função pública onde trabalhavam e duramente condenados pela opinião.

Por outro lado, o partido Renamo, que se visualizava força capaz de fazer frente a Frelimo no dialogo político, acabou mostrando a sua falência irreversível. Esperar uma possível ressurreição da Renamo é não querer ser realista. O que pode eventualmente acontecer é uma renovação interna através de fundação de um outro partido constituído pelos seus dissidentes.

A ser assim, com o surgimento de uma força política vinda da Renamo desfalecida, constituída somente pelos anteriores membros, o cenário não pode ser diferente porque seria uma mudança de nome e de líder e não de postura. O que a Renamo precisa e esperamos em 2009 é que não tenha medo de renovar sua própria mentalidade e convicções.

O mesmo se pode dizer da Frelimo, um partido que se pretenda maior e democrático deve ser capaz de conviver pacificamente com a oposição. Aceitar que o facto de um cidadão ser membro de um partido da oposição não significa que é inimigo do poder ou do sistema. Ser diferente é um direito fundamental que o cidadão tem. Espero que em 2009 a Frelimo não tema conviver com os outros, para que ela mesma não seja vítima da sua grandeza.

Espero um 2009 onde os académicos não tenham medo da verdade, não tenham medo de criticar as injustiças, não tenham medo de criticar e condenar a hipocrisia, a mediocridade e a falta de competência. Mais do que servir ao estômago e à aparência é desafio de todos nós construir um Moçambique cada vez mais responsável e inclusivo.

Espero uma mídia menos tímida e sobretudo menos manipulada. A mídia pode ser manipulada tanto pela opinião pública, que ela muito bem sabe influenciar, pode ser manipulada pelos empresários, pelo poder ou pelo contra poder e pelos interesses do mercado, perdendo assim a verticalidade, a isenção, a imparcialidade e a objectividade. Uma mídia manipulada constitui veneno à democracia.

Espero em 2009 uma sociedade civil menos partidarizada, menos assustada, mais profissionalizada e capaz de inovar e de levar a cabo a sua missão de representação dos sem voz e sem vez. Uma sociedade civil diluída nos interesses políticos e mercantilistas perde de imediato o seu norte e passa a representar a classe dominante, ou seja, passa a servir o inverso das suas convicções fundadoras.

A vida de puxa sacos não nos leva a lado nenhum, alias, puxar saco ou bajular é antes de mais, ser falso consigo mesmo e com quem é bajulado. Um puxa saco esconde nos seus actos a sua cobardia, a sua ambição e os seus medos. Ao invés de contribuir para o bem da nação ele contribui para a sua própria manutenção em detrimento da maioria. Espero um 2009 com menos puxa sacos e menos bajuladores.

Com a morte e o sepultamento dos nossos medos poderemos muito bem e com facilidade, assumir fervorosamente o nosso papel social e político. Poderemos ter uma Assembleia da República que acima dos interesses da bancada decide a favor do povo e poderemos ter um governo com políticas públicas inclusivas e participativas. Um bom desempenho dos órgãos do Estado depende muito do quanto nós podemos ser verdadeiros connosco mesmos enquanto actores políticos e sociais.

Moçambique precisa de um movimento social mais actuante e mais militante. Considero ser muito positivo o papel de reconstrução nacional levada a cabo por uma boa parte da sociedade civil moçambicana, contudo, para alem de essa ser por excelência, uma missão do governo, o país clama por um movimento que fiscalize o poder e contribui na feitura e implementação das políticas públicas.

Espero assim um 2009 com espaço para todos nós, onde todos nós temos voz e onde podemos nos sentir representados. Não queiramos em pleno século XXI construir regimes que representam interesses de minorias, deixando de fora a maior parte da população.

Espero um 2009 onde não teremos medo de condenar e criticar a exclusão. Nem a exclusão social nem a exclusão política, mas onde todos nós podemos participar com as nossas experiências, os nossos conhecimentos e a nossa visão na construção de um Moçambique para todos. Espero um 2009 onde poderemos ter coragem de condenar situações como as provocadas pelo regime do Zimbabwe.

Espero um 2009 menos repressivo, onde as armas de fogo são usadas no último dos últimos casos. Espero um 2009 de unidade e de diversidade nacional. Espero um 2009 com assentos para homens e mulheres, jovens, crianças e idosos. Um 2009 com assentos para gays e lésbicas, com assentos para membros da oposição, com assentos para portadores de deficiência, com assentos para artistas e desportistas.

Espero um 2009 em que finalmente teremos uma Comissão Nacional para os Direitos Humanos e um Provedor de Justiça.

Espero um 2009 essencialmente sem medo!!

( Custódio Duma em http://www.athiopia.blogspot.com/ )


NOTA:
O Custódio Duma apresenta aqui de forma bem lúcida o verdadeiro estado da nação, apontando as soluções necessárias. O importante mesmo é que se perca o medo.

Monday, 5 January 2009

2009 PODE MUITO BEM SER O ANO DA VIRAGEM…

Importa ter a capacidade de fazer a leitura adequada ao momento e agir em conformidade sem ter receios de ofender A ou B. O momento é de tal gravidade que se impõe que cada cidadão assuma com integridade essa qualidade. O ano promete se nós quisermos fazer o país mudar realmente. Os moçambicanos estão ansiosos de ver emergir uma liderança que substitua de maneira inequívoca uma classe política que se apresenta cansada e sem alternativas para lidar com os assuntos nacionais mais prementes. Porque as verdadeiras bases estão acordando da longa letargia; porque os moçambicanos estão aprendendo a conhecer os políticos que têm; porque os resultados da governação não coincidem com o que os actuais governantes não se cansam de propagandear; porque as condições reais de vida dos moçambicanos não correspondem ao que se diz; porque efectivamente os moçambicanos estão se tornando adultos e exigentes para consigo próprios e exigindo uma demarcação clara entre governar e servir-se das posições governamentais, julgo que 2009 tem muito a oferecer aos moçambicanos. À classe política que temos cabe fazer tudo o que se mostra necessário para devolver dignidade e respeito para com eles e para com a governação deste país. Mas, este bico-de-obra tem de ser realizado e não só falado e prometido repetidamente. Os cidadãos estão fartos de promessas. Querem resultados. O país está farto de ser enganado e estamos suficientemente falados. Urge trazer normalidade para a vida pública, respeito e honra. Por aí passa o que o país tem de realizar antes de se avançar para declarações de intenções sobre combates à pobreza ou contra a corrupção. Moçambique pode superar e ultrapassar os travões e constrangimentos à realização plena do que falta aos seus cidadãos. Basta que realmente os cidadãos se envolvam na escolha dos seus governantes. Exijam junto da CNE e do STAE, nos períodos de recenseamento, que não lhe seja negada a possibilidade de estarem com capacidade eleitoral nos dias de votação. Por outras palavras, exijam que nos postos de recenseamento os atendam com eficiência de modo a que saiam de lá registados para poderem eleger. E depois não fiquem em casa quando chega o dia de eleger, nem se deixem enganar nas assembleias de voto pois o voto de cada um é indispensável para que o País mude. A coragem de enveredar por esse caminho tem de vir dos políticos que não estão na política para se manterem a eles próprios eternamente sentados nas cadeiras das benesses. Os políticos alternativos têm de transmitir aos cidadãos, como se de corrente eléctrica se tratasse, a necessidade de se ir votar para que as coisas mudem realmente. Mudar um país requer coragem firme e decidida É imperativo que se aceite confrontar os “demónios”. Nada faz com que isso se torne mais óbvio e necessário do que o falhanço das abordagens até aqui feitas ou “eleitas” por minorias. As maiorias têm de deixar de ficar em casa no dia de eleições. O país para mudar exige que os seus cidadãos assumam a cidadania com responsabilidade e não de deixem ficar em casa. A promiscuidade dos poderes e a impunidade tem servido para enriquecer uns. E os empobrecidos, a maioria não pode ficar em casa a assistir ao processo de destruição do país. O que está em causa não é a incapacidade dos moçambicanos tomarem conta dos seus assuntos. Há que ter a coragem de mencionar e reafirmar que a falta de liderança constitui o principal problema. A insistência em escolhas e nomeações de recursos humanos gastos e esgotados, comprometidos ou conspurcados por passados suspeitos, tem deixado suas marcas na governação nacional. Não se pode governar um país com recurso a governantes que não possuam a autoridade política e moral necessária. Quando não se registam avanços em processos essenciais deve-se procurar pelas causas de uma maneira consequente e à altura dos acontecimentos. Tem-se verificado uma tendência para se negar que existam irregularidades ou incompatibilidades entre alguns dos nossos governantes. Não se deveria continuar por aí. É preciso que haja mudança de facto.


2. - Se uma coisa é a idade relativamente nova da nossa democracia outra coisa são os preceitos que caracterizam uma democracia. A democracia não tem de ter características diferentes consoante se esteja em África, em Moçambique, na Europa ou em qualquer outro continente. A partir da altura em que um membro do executivo de um país oferece favores ou crédito a um familiar seu, isso se torna em conflito insanável de interesses. Não é por acaso que por exemplo Hillary Clinton, tendo votado como senadora dos EUA sobre uma aumento salarial para o cargo de Secretário de Estado de seu país, não virá a beneficiar do mesmo aumento em caso de ela ser aceite pelo Congresso para ocupar aquela pasta no governo americano para o qual o presidente eleito Barack Obama a apontou. Se há busca e investigação profunda das possíveis ligações financeiras internacionais do marido em relação à futura posição da esposa no governo, isso faz-se para evitar que os interesses americanos possam estar em risco de sofrer influências de entidades estrangeiras. Pelas mesmas razões Luísa Diogo tem de ir andando, entanto que primeira-ministra. A democracia não se faz no abstracto nem com proclamações. É algo que tem de ser vivido e sentido pelos cidadãos. Ela, Luísa Diogo, em virtude de ter participado na decisão de atribuição de crédito com fundos do tesouro nacional a uma empresa em que o marido é um dos accionistas, perdeu a independência e a imparcialidade para agir como membro do executivo nacional. Esse é um facto indesmentível. Isso enquadra-se naquilo que a ética democrática não permite. Por essa razão, pelo formalismo que também deve existir em democracia, a senhora Luisa Diogo já deveria ter-se demitido do cargo e nunca renovado a sua posição. Pode ser difícil de engolir. Mas quando se prende um antigo ministro em nome de alegado desvio de fundos governamentais, como é o caso de Almerino Manhenje, não se pode deixar de tocar em outras situações não menos melindrosas. Todos devem ser responsabilizados pelas suas decisões menos apropriadas independentemente do estatuto e do tipo de relações que existam entre integrantes de uma mesma administração e os que têm desavenças com outras alas. É em momentos cruciais como este que se vê a desenvoltura ou o contrário de um Chefe de Estado. É nestas pequenas grandes coisas que se vê se ele age em conformidade com o interesse nacional ou se bem pelo contrário age a olhar só para o seu umbigo. Dois pesos e duas medidas!?... Ou será que o presidente não impõe a ética democrática ao caso da PM que fez favores com dinheiros públicos ao seu marido, beneficiando ela própria disso, ainda que indirectamente, pelo facto do próprio PR também ter, no que respeita a fundos públicos, os seus rabos de palha bem compridos? Porque não age o Presidente? Proclamar que se pretende fazer uma descolagem consequente na governação deste país e ultrapassar os constrangimentos de um passado menos transparente, requer que se aprofundem as acções e isso não se compadece com alianças estabelecidas através da distribuição de favores financeiros a uns e outros. E muito menos cadeia para uns e palácio para outros. Não fica bem a quem dirige… Quando o PR não consegue separar o trigo do joio quem paga é o País e seu Povo. A maré de corrupção em que o país está mergulhado tem as suas origens na permissividade, tolerância e compadrios para com procedimentos ilícitos. O exemplo veio de cima e espalhou-se pela plebe. O mau exemplo, reconheça-se. Deixou-se de actuar e de combater os crocodilos nas margens do rio quando estes eram pequenos ou ainda estavam no ovo. Agora os mesmos estão crescidos e no meio do rio a comer-nos. “A comerem o sangue fresco da manada”… Aquela avalanche de criação de empresas privadas à custa da privatização do parque industrial estatal está-se revelando fatal para o país. Não digo isto pela privatização em si. Falo destas privatizações a favor de quem não foi capaz de manter as empresas estatais e os empregos e foi o que se viu depois a gerirem já como proprietários: a mesma ou pior desgraça ainda. Tudo tem origem naqueles dias. Aqueles tempos em que a corrupção não possuía oficialmente rosto. O que se tolerou provavelmente em nome do empoderamento negro e não só, hoje constitui um cancro social autêntico para o país em que a maioria vítima disso também é negra – à parte os preconceitos, entendam-me por favor. Se o compromisso dos nossos políticos é salvar Moçambique e devolver a dignidade e auto-estima ao seu povo então eles precisam de encorajar comportamentos correspondentes. Há que cortar umbilicalmente com aquilo que efectivamente contraria o combate pelo desenvolvimento. E isso faz-se com actos inequívocos. O exemplo tem de vir de cima. E “a pureza e justeza da causa” tem de ter sustentação acima. O exemplo tem de vir de cima. A imagem de quem está em cima não pode estar beliscada… Sabemos que vai ser muito difícil cortar com alguém que em determinada altura foi prestável para a concretização de ambições de muitos nomes sonantes da praça. Mas um país faz-se com sacrifícios. Um Chefe de Estado tem a responsabilidade de induzir justiça e promover equidade para todos. O caso de Moçambique não pode ser diferente. Os vínculos que o PR tem para com o seu partido não podem impedi-lo de agir em defesa da causa nacional. Se for parcial só ele pode acreditar que é o presidente de todos os moçambicanos… Alterações de vulto se impõem. Para já o Executivo e o próprio actual chefe de Estado têm de mostrar-se à altura dos acontecimentos. O chefe de Estado tem de dar o exemplo e não deixar margem para que se pense que ele age diferentemente quando se trata de filhos, de enteados e dos outros. O momento é de atacar sem quartel toda uma série de factores e situações conhecidas. Se não há coerência ninguém pode acreditar em farsas. E os partidos políticos, se pretendem continuar a ser a vanguarda necessária para a realização das aspirações dos moçambicanos têm de ser capazes de superar comportamentos comprovadamente lesivos para a causa nacional e situar-se de maneira clara ao lado dos moçambicanos. Não tem havido mudança, nem as pessoas vão às urnas porque as moscas têm sido sempre as mesmas. Já basta de mediocridade e de mentir aos moçambicanos. Vamos experimentar outras coisas em 2009. Não acham?
Feliz e Próspero Ano Novo.

(Noé Nhantumbo) – CANAL DE MOÇAMBIQUE – 29.12.2008

Sunday, 4 January 2009

Minha oração no Final do Ano


Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade, teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.

Ao acabar mais um ano, quero te dizer obrigado por tudo aquilo que recebi de Ti.

Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar e pelo sol, pela alegria e pela dor, pelo que foi possível e pelo que não foi.

Ofereço-te tudo o que fiz neste ano, o trabalho que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e o que com elas pude construir.

Apresento-te as pessoas que ao longo destes meses amei, as amizades novas e os antigos amores.

Os que estão perto de mim e aqueles que pude ajudar, os com quem compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria.

Mas também, Senhor, hoje quero te pedir perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto, pela palavra inútil e o amor desperdiçado.

Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito, perdão por viver sem entusiasmo.

Também pela oração que aos poucos fui adiando e que agora venho apresentar-Te, por todos meus olvidos, descuidos e silêncios, novamente te peço perdão.

Para a minha vida diante do novo calendário, te apresento estes dias, que somente Tu sabes se chegarei a vivê-los.

Hoje, te peço para mim, meus parentes e amigos, a paz e alegria, a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.

Quero viver cada dia com optimismo e bondade, levando a toda a parte um coração cheio de compreensão e paz.

Fecha meus ouvidos a toda a falsidade e meus lábios a palavras mentirosas, egoístas ou que magoam.

Abre sim, meu ser a tudo o que é bom.

Que meu espírito seja repleto somente de bençãos para que as derrame por onde passar.

Senhor, a meua amigos que lêem esta mensagem, enche-os de Sabedoria, Paz e Amor.

E que a nossa amizade dure para sempre em nossos corações.

Enche-me também de bondade e alegria para que todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho possam descobrir em mim um pouquinho de Ti…

Dá-nos um ano feliz e ensina-nos a repartir felicidade.

AMÈN!
( Autor desconhecido )

Saturday, 3 January 2009

Humor

Poço dos desejos

Enema

Friday, 2 January 2009

Helen Suzman dies






Johannesburg - Helen Suzman has died at the age of 91, her daughter said on Thursday.
Her daughter Frances Jowell said she died peacefully on Thursday morning at the age of 91 at her home in Johannesburg.
Jowell added, "We are waiting for family and all grandchildren to arrive."
Jowell said a private funeral would take place this weekend.
A public memorial would be held in February and details would be announced nearer the time.

Special place

Helen Suzman has a special place in South African history, being generally recognised as the most effective parliamentary fighter against the old National Party's apartheid policies when the NP was at the heyday of its power.
For 13 years - from 1961 to 1974 - she was the sole representative in Parliament of the liberal Progressive Party, forerunner of the Democratic Party.
Suzman was born in Germiston, Gauteng, on November 7 1917 to a Jewish Lithuanian immigrant couple, Samuel and Frieda Gavronsky.
Her mother died two weeks later and her father remarried a few years afterward.
Suzman matriculated in 1933 from Parktown Convent, Johannesburg, where a rose garden honouring "her lifelong struggle for justice and human rights for all South Africans" was unveiled 70 years later in 2003.
A rose was also named after her later in her life. The Helen Suzman Rose (Foxy Lady) has baby pink buds unfolding to light pink-white flowers with a strong fragrance.

Married at 19

After school, Suzman went on to register at the University of the Witwatersrand for a degree, but following a trip to Europe, felt unsettled about her studies and did not complete her degree at that stage.
In 1937, aged 19, she married Moses Meyer Suzman, a specialist physician.
The couple had two daughters.
In 1941, following the birth of her first child, Suzman returned to university to complete her degree and then worked as a statistician with the War Supplies Board until 1944.
In 1945 she was appointed tutor and then lecturer in Economic History at the University of the Witwatersrand, a post she held until becoming MP for the opposition United Party (UP) in the Houghton constituency in 1953.
By 1959 the UP was deeply divided between conservative and progressive groups and following the party's decision to oppose further purchases of land by the government for African settlement, 11 MPs, including Suzman, resigned.

Retained her seat

It was agreed that a new Progressive Party (PP) be formed and at its inaugural congress Dr Jan Steytler was elected leader.
In the 1961 general election Suzman was the only PP MP to retain her seat.
She remained the party's only representative until 1974, when she was joined by seven colleagues.
This was a turning point for Suzman, who had been considering resigning on the basis that if the party could only retain one seat after 15 years of existence, it should perhaps accept the realities of the situation and disband.
In 1977 the PP's successor, the Progressive Federal Party, became the official opposition.
Suzman retired from politics in 1989, with former Democratic Alliance leader Tony Leon succeeding her as MP for Houghton.

Most effective critic

During her parliamentary career she was hailed as apartheid's most effective parliamentary critic and a thorn in the flesh of the NP government.
This earned her the accolade "cricket in the thorn tree".
It was a role she played even after leaving formal politics, describing former state president PW Botha as a "bad-tempered, irate debater and a bully", after his death at the age of 90 in October 2006.
They had never had an amiable relationship, she told the media of her relationship with the man who accused her of complicity in the assassination of former prime minister Dr Hendrik Verwoerd, the architect of apartheid.
Botha was often very personal in his attacks, she said. "I disliked him personally very much. He was so bad-tempered and discourteous, to me anyway.
"Notwithstanding, I do send condolences to his family."

UN Award for Human Rights

In recognition of her role, Suzman received honorary doctorates from a number of leading universities throughout the world and South Africa.
Among them were Oxford, Cambridge, Columbia (New York), Harvard, Witwatersrand and Cape Town.
She also received an honorary Fellowship of the London School of Economics.
Suzman was twice nominated for the Nobel Peace Prize and for the Chancellorship of the University of the Witwatersrand.
In 1978 she received the United Nations Award for Human Rights, and she was honoured with an exhibition showcasing her life and work in film, print and photography at the South African Jewish Museum in March 2005.
Former South African president Nelson Mandela, whom Suzman visited on Robben Island during his imprisonment there, has referred to her as "a remarkable South African woman".

Combative manner

"It was an odd and wonderful sight to see this courageous woman peering into our cells and strolling around our courtyard. She was the first and only woman ever to grace our cells," said Mandela in his autobiography Long Walk to Freedom of Suzman.
In retirement she occasionally strayed back into the limelight in her characteristically combative manner.
In May 2001, she pooh-poohed public outrage after five national cricketers were caught smoking dagga in their West Indies hotel room.
She incensed anti-drugs activists when she said she knew of no crime associated with smoking dagga.
She replied with a feisty "so what" to one activist's charge that 44% of criminals tested positive for dagga use.
-( SAPA )