Monday, 19 August 2019

Mariano Nhongo é eleito líder da "Junta Militar da RENAMO"


Major-general foi escolhido por grupo de guerrilheiros que contesta a presidência de Ossufo Momade à frente do maior partido da oposição de Moçambique. "Junta Militar" considera acordo de paz com FRELIMO como nulo. 


O major-general Mariano Nhongo
O major-general Mariano Nhongo
Em Moçambique, a autointitulada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), que contesta a liderança do Presidente do partido, Ossufo Momade, anunciou esta segunda-feira (19.08) a eleição do major-general Mariano Nhongo como novo líder do maior partido da oposição.
O grupo contestatário anunciou a eleição do seu líder para assumir a liderança do partido num ato em que foi candidato único. O anúncio foi feito no final de uma conferência nacional de três dias realizada na serra da Gorongosa. Nhongo disse aos jornalistas que vai respeitar a trégua: "Eu sou presidente da RENAMO e já estou a tomar posse. Não vou fazer brincadeiras, vou defender o partido de toda a maneira. Quem vier com força também vou usar a força."
Por seu turno, o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, reiterou que Ossufo Momade é o Presidente do partido, eleito pelo Congresso, e reafirmou o compromisso com o acordo de paz assinado  com o Governo.
"A RENAMO, partido político devidamente registado e representado pelo presidente eleito no Congresso este ano, o general Ossufo Momade é uma das partes que assinou o acordo definitivo de paz e reconciliação nacional. Outras vozes não vinculam à RENAMO", afirmou.
O grupo contestatário, que afirma ser a estrutura militar da RENAMO, se encontra nas matas com 11 unidades militares provinciais. A Junta Militar exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de isolar os oficiais que estiveram sempre ao lado do antigo líder do partido Afonso Dhlakama.


Excluídos
No sábado passado (17.08), o porta-voz da conferência, João Machava, disse que Ossufo Momade excluiu vários guerrilheiros do processo de desarmamento, desmilitarização e reintegração das forças da RENAMO.
"Ossufo Momade excluiu 60% dos militares, tem que reconhecer isso. Aqueles 60% dos militares excluídos em todo o processo amanhã o que é que fazem? Voltam às matas, porque não sabem fazer mais nada fazer senão pegar em armas", disse.
Segundo Machava, o objetivo do grupo não é retornar à guerra ou desestabilizar o país. "Queremos um processo justo onde os verdadeiros guerrilheiros da RENAMO e, sem exceção, sejam efetivamente reintegrados na sociedade e contribuam na reconciliação nacional. Queremos ser membros ativos neste processo", sublinhou.
O líder do grupo contestatário, Mariano Nhongo,informou que vai iniciar contatos com o Governo para prosseguir com o processo de desarmamento do braço armado do partido. Por seu turno, o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, afirma que as informações indicando a exclusão de 60% dos guerrilheiros são falsas.
"É falso, porque o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) está em curso e, que eu saiba, não está concluído. Portanto, não corresponde à verdade. O que foi acordado é um DDR que está, neste momento, a ser executado", afirma.
Acordo de paz 'nulo'
A Junta Militar considerou nulo o acordo de paz assinado recentemente entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da RENAMO, Ossufo Momade.
O grupo quer ainda o adiamento das eleições de 15 de outubro próximo e a realização de um novo recenseamento de raiz. Pede também aos Governos de Portugal e Ruanda e à Cruz Vermelha Internacional para mediarem o processo de pacificação do país junto da comunidade internacional.

A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder, apela à RENAMO para que encontre formas de resolver o problema com o grupo contestatário. "Esses são problemas internos da RENAMO, acredito que não são problemas do Governo. Esperamos que a RENAMO se reencontre e compreenda que o Presidente Nyusi está a fazer a sua parte, e eles também precisam de fazer a sua parte", afirmou o secretário-geral da FRELIMO, Roque Silva.
O ex-Presidente de Moçambique Joaquim Chissano e signatário do acordo geral de paz assinado entre o Governo e a RENAMO em Roma em 1992 considera que a situação do partido deve ser analisada para ver se há um real perigo de ameaça à paz e se as razões que possam levar a isso merecem ser respeitadas.
"Se merecem respeito, então, o caminho é mesmo de encontrar uma dissuasão pacífica conhecendo as razões profundas", disse. 
Já o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, afirmou que "as portas da RENAMO estão abertas". "Esses são nossos irmãos e o apelo que o Presidente Ossufo Momade faz é que esses irmãos voltem para casa e nos unamos para trabalharmos no sentido de vencermos as eleições", finalizou.


DW

Tuesday, 6 August 2019

O Governo e a Renamo assinam hoje o acordo final de paz e reconciliação, na capital do país.

Governo e Renamo assinam hoje acordo final de paz
Lusa
A assinatura está marcada para as 16:00 na Praça da Paz, e contará com a presença da Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini.
Portugal estará representado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro.
O acordo terá de ser depois ratificado no parlamento.
Na passada quinta-feira, o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, assinaram o acordo de cessação das hostilidades na Gorongosa, província de Sofala, centro do país, para acabar, formalmente, com os confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do principal partido da oposição.
Trata-se do terceiro acordo entre o Governo e a Renamo, depois da assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma de 1992 e do acordo de cessação das hostilidades militares em 2014, na sequência de uma nova vaga de confrontos entre as duas partes.
No domingo, o líder do braço armado da Renamo que contesta a liderança do partido recusou entregar as armas no quadro do acordo de cessação de hostilidades assinado com o Governo sem que seja eleito um novo presidente da formação política.
“Nós vamos eleger o nosso presidente e só depois é que vamos entregar as armas”, disse Mariano Nhongo, general da Renamo, que deixou um aviso ao Governo e ao actual líder do partido, Ossufo Momade: “Não [nos] enganem, os militares estão do meu lado”.


Lusa

Monday, 5 August 2019

A FRENAMO e os novos “bandidos armados” da Renamo



Com o acordo de cessação das hostilidades, rubricado pelo PR Filipe Nyusi e pelo líder da Renamo Ossufo Momade, surgiu um grupo se colocando como o único empecilho para que Nyusi celebre eternamente o estatuto do derradeiro pacificador de um conflito que mergulhou Moçambique no sangue durante décadas a fio: os dissidentes da Renamo. Há quem acredita que estes dissidentes têm potencial para perigar a paz. Até é possível.
O grupo é composto por generais do “innner circle” da guerrilha de Afonso Dhlakama, que deram seu corpo e alma às “causas” da luta. Queriam o poder de veto no processo decisório interno, mas Ossufo Momade deu-lhes costas. Têm armas e controlam bases do interior. Mas as possibilidades da sua persistência na hostilização violenta contra o poder do Estado (reivindicando um poder dentro da Renamo) parece-me limitada.
O acordo Nyusi-Momade carimbou também uma aliança FRENAMO (Frelimo/Renamo), que agora se junta, em coligação, contra os dissidentes. Ou seja, o grupo que insiste na rebeldia tem agora o Estado e boa parte da Renamo do outro lado da barricada. O acordo Nyusi-Momade foi celebrado por parte da facção guerrilheira da Renamo e pela totalidade da facção política da Renamo, desde os “tachistas” parlamentares a toda uma panóplia de políticos, dhlakamistas ou não, espalhados pelas capitais provinciais.
Por outras palavras, os dissidentes actuais da Renamo não têm suporte político (a não ser que depois das eleições apareçam políticos se juntando aos guerrilheiros nas matas numa reivindicação contra a fraude – coisa que só Afonso Dhlakama sabia fazer). Mas ainda ontem vimos a Ivone Soares marchando em celebração do acordo. Os dissidentes têm, pois, uma capacidade de barganha limitada. A opinião pública é contra mais matança nas estradas e a comunidade internacional também está cansada das nossas desavenças de sangue.
Os anteriores acordos entre o Governo e a Renamo, como o de 2014, falharam por causa da capacidade de Afonso Dhlakama de enxergar a maracutaias da Frelimo e mobilizar, ao mesmo tempo, suas energias políticas e militares. Dhlakama foi-se e não deixou um sucessor com sua dimensão e carisma para dar continuidade ao seu estilo de luta.
Os dissidentes reivindicam um espaço dentro da Renamo, acusando Momade de falta de legitimidade. Mas o acordo FRENAMO mostrou que isso já não interessa. Quem da Renamo não entrou na onda do acordo não passa agora de um bandido atirando contra a segurança do Estado. São os novos “bandidos armados”, sem qualquer tipo de legitimidade. Depois da assinatura em Chitengo, quando se soube de novos ataques nas estradas, Nyusi frisou que esse banditismo vai ser combatido ferreamente. Aliás, tudo vale agora para que a paz aconteça dentro dos anos de vigência do nyussismo.
a dissidência na Renamo vai ser mesmo capitalizada pela Frelimo, para eliminar todos os vestígios bélicos da guerrilha. Simbolicamente, para os novos “bandidos armados”, seria como que uma segunda morte de Dhlakama, com o beneplácito de toda a facção política traidora da Renamo, que ambiciona o conforto de Maputo.
Nos próximos meses, vamos ter algum sangue nas matas, com eleições de permeio. Depois o teste crucial será ver com que armas é que a Renamo fará a reclamação da fraude eleitoral, de que é useira e vezeira. A Renamo da FRENAMO está mesmo preparada para fazer a luta política nos espaços tradicionais, tal como em Angola a Unita aceitou as benesses do poder e se restringiu ao parlamento, ou vai tentar fazer renascer, depois de Outubro, o novo “banditismo armado”? Alô Novembro!



( Marcelo Mosse )

www.cartamz.com

Thursday, 1 August 2019

Peritos militares no terreno para identificar autoria de ataque armado no centro do país

O secretário-geral da Renamo disse hoje à Lusa que peritos militares do partido, Governo e da comunidade internacional estão a trabalhar para a identificação dos autores de um ataque armado na quarta-feira a dois veículos, no centro de Moçambique.
Peritos militares no terreno para identificar autoria de ataque armado no centro do país
Lusa
Homens armados atacaram na quarta-feira um autocarro de passageiros e um camião em Nhamapadza, distrito de Marínguè, província de Sofala, centro do país, ferindo o motorista e o ajudante de um dos veículos, disseram à Lusa testemunhas.
O local do ataque localiza-se a 200 quilómetros do distrito de Gorongosa, onde o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, principal partido da oposição, Ossufo Momade, assinam hoje o acordo de cessação das hostilidades militares.
Em declarações hoje à Lusa em Gorongosa, o secretário-geral da Renamo, André Majibire, disse que peritos militares do seu partido, do Governo e do Grupo de Contacto Internacional estão a trabalhar na identificação dos autores do ataque.
"A Renamo não tem conhecimento dos autores dessa acção, mas sabe que o Grupo de Verificação de Cessação das Hostilidades militares está a trabalhar para a identificação dos autores", declarou André Majibire.
O camião ficou imobilizado na sequência dos tiros e o autocarro conseguiu seguir viagem, mas foi atingido por balas, apresentando furos de projécteis nos lados.
O troço onde ocorreu o ataque foi palco de ataques regulares a veículos durante os confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, entre 2013 e 2015.
Os veículos alvejados seguiam na direção Nhamapadza - Gorongosa.
Um jornalista que vive na Beira, capital da província de Sofala, disse à Lusa que, na sequência do ataque ocorrido em Nhampadza, a tripulação de um autocarro de passageiros que devia ter viajado para a cidade de Quelimane, província da Zambézia, também na região centro, adiou a viagem por medo.
O ataque ocorreu algumas horas após o Presidente moçambicano ter anunciado no parlamento que vai assinar hoje o acordo de cessação das hostilidades militares com o líder da Renamo.
Nas últimas semanas, um grupo de guerrilheiros do braço armado do principal partido da oposição alertou o Governo para a continuação da instabilidade militar no país, caso assine o acordo de cessação das hostilidades militares com Ossufo Momade, exigindo a renúncia deste do cargo de presidente da Renamo.
O grupo avisou que não vai aceitar o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração que se iniciou na segunda-feira, enquanto Momade continuar presidente da Renamo.


Lusa 

Thursday, 11 July 2019

Sociedade civil vai contestar em tribunal decisão de extradição de Manuel Chang

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), que congrega organizações da sociedade civil, vai contestar no próximo dia 16 em tribunal a decisão do Governo sul-africano de extraditar o ex-ministro das Finanças Manuel Chang para Moçambique.
Sociedade civil vai contestar em tribunal decisão de extradição de Manuel Chang
Reuters/S. Tassiem
A intervenção do FMO foi acolhida pelo Tribunal Superior de Justiça da África do Sul, numa resposta datada de 09 de julho, depois de a organização ter submetido um pedido nesse sentido na semana passada, lê-se na resposta do tribunal ao pedido da entidade não governamental moçambicana.A resposta da justiça sul-africana foi divulgada hoje pelo FMO.

Lusa

Monday, 24 June 2019

Independência!

Amanhã, Moçambique completa 44 anos independente. Portanto, trata-se de um País adulto. Que avaliação damos ao País? Péssimo! Não nos podemos contentar, 44 anos depois, em termos um País onde mais da metade da população continua a viver em condições de extrema pobreza. Não nos podemos contentar com um País à saque onde os malfeitores continuam impunes, por compadrio e nepotismo reinantes no seio do partido do Governo, a pretexto de políticas de protecção dos camaradas do partido, como, hoje, é uma inegável realidade.
44 anos depois, Moçambique não possui uma estratégia económica exequível, para se libertar da dependência económica externa. Para um País independente há 44 anos, é uma humilhação que o seu Orçamento do Estado dependa de doações de países de boa vontade cujos, por qualquer prevaricação nossa, nos podem cortar o financiamento, como o que se vive agora em virtude do odioso calote que deixou Moçambique de rastos.
É inacreditável que 44 anos depois ainda tenhamos um Estado que não consiga pagar, atempadamente, os salários míseros aos seus funcionários. 44 anos depois, o salário mínimo na Função Pública ainda não chega a cinco mil meticais.
Em 44 anos, Moçambique ainda não conseguiu acertar uma estratégia, publicamente conhecida para, pelo menos, produzir o que precisa para comer. O País ainda continua com fome. Moçambique não consegue produzir a sua própria alimentação, em quantidades satisfatórias para o seu povo.
44 anos depois, Moçambique ainda é um País-mendigo. Mais da metade da sua população activa continua no desemprego. 44 anos depois, a população ainda continua a ser transportada em carinhas caixa aberta, vulgos "My Love". Ainda temos centenas de famílias a viverem em lixeiras sob risco de contraírem qualquer doença ou serem vitimadas pelo próprio lixo, como o que aconteceu na Lixeira de Hulene.
44 anos depois, em Moçambique ainda morre-se de doenças como a malária. Ainda falta água potável para todos neste País, inclusivamente na cidade capital. Escangalhamos a cidade de Maputo. Hoje, os restaurantes são aqueles carros estacionados nas principais artérias da cidade que vendem comida de origem duvidosa e as autoridades fazem vista grossa porque sabem que isto deriva da sua própria incompetência em governar de forma correcta o País.
Há muito que se pode dizer desses 44 anos de independência que, em rigor, só ajudaram os que libertaram o País. São eles que abocanham toda a riqueza de Moçambique, como o que acontece nas minas de rubis em Cabo Delgado. 
44 anos depois, o desenvolvimento de Moçambique só existe em discursos políticos. Não existem exemplos, acções concretas.

Moçambique é uma pátria mal-amada. Destruída por pessoas que discursam em seu nome e da moçambicanidade. São os mesmos indivíduos que um dia chamamos de heróis e hoje só nos provam que não passam de ladrões vulgares!
(Justiça Nacional,  no Facebook)

Wednesday, 12 June 2019

Guerrilheiros da Renamo pedem demissão de Ossufo Momade


Fiéis a Afonso Dhlakama dão ultimato ao seu sucessor



Os guerrilheiros da Renamo, fiéis ao ex-líder Afonso Dhlakama, exigiram nesta quarta-feira, 12, a demissão do presidente do partido, Ossumo Momade, supostamente por estar a perseguir e a executar oficiais do Estado Maior General do principal partido da oposição em Moçambique.


No seu ultimato, apresentado em conferência de imprensa na Gorongosa, Sofala, centro de Moçambique, o líder do grupo, general Mariano Chissungo", exige que Ossufo Momad, eleito num Congresso do partido em Janeiro, renuncie o cargo até 10 de Julho, e seja indicado um novo candidato do partido as eleições de 15 de Outubro.
Em comunicado, a Renamo prometeu pronunciar-se amanhã 13.
Desde o início da semana, informações não confirmadas oficialmente têm denunciado execuções de guerrilheiros da Renamo, no que, em determinados círculos, está a ser considerado como um acerto de contas entre as alas do partido.


VOA

Wednesday, 29 May 2019

RENAMO fala de cumplicidade dos Órgãos de Gestão Eleitoral com a Frelimo e exige prorrogação do recenseamento eleitoral


O presidente da Renamo denunciou, em teleconfência havida hoje(29/05), em Maputo, que a maioria dos problemas que marcam o recenseamento eleitoral em curso no país se devem à cumplicidade do STAE e da CNE com o partido Frelimo.
"Redução programada de brigadas, não emissão de cartões de eleitores e elaboração de listas fantasmas nos cadernos eleitorais foram medidas tomadas pelos Órgãos de Gestão Eleitoral para impedir o registo de eleitores nas províncias de influência da Renamo, disse Ossufo Momade, em teleconfência havida, nesta quarta feira, em Maputo".
A RENAMO exige a alocação de meios para o funcionamento efectivo dos postos de Recenseamento Eleitoral,
A RENAMO exige a demissão imediata do Director Geral do STAE por não estar a defender os interestes mais nobres dos moçambicanos,
E reitera mais uma vez e com urgência a actuação da Procuradoria Geral da República no sentido de levar a barra do tribunal os lesa-patrias em salvaguarda dos direotos fundamentais dos moçambicanos.
Disse o Presidente da RENAMO, Ossufo Momade, em teleconferência de imprensa em Maputo.


FONTE : CIP Eleições

Friday, 24 May 2019

Delegação norte-americana na África do Sul "focada" na extradição de Manuel Chang




A extradição para Maputo do ex-ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang, detido na África do Sul desde dezembro a pedido dos EUA, está no topo da agenda da visita de uma delegação governamental norte-americana a Pretória, disse hoje à Lusa fonte diplomática. 

A delegação da Casa Branca, liderada pela presidente do Export-Import Bank dos Estados Unidos, Kimberley Reed, "encontra-se no país, e está focada nesse assunto", explicou à Lusa fonte diplomática norte-americana, referindo-se à decisão anunciada terça-feira pelo ministro da Justiça e Serviços Correcionais sul-africano, Michael Masutha, de extraditar para Moçambique o antigo governante e atual deputado da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no âmbito das investigações às denominadas "dívidas ocultas" do país.

A delegação presidencial norte-americana foi indicada pelo Presidente Donald Trump para estar presente, sábado, em Pretória, na cerimónia de posse de Cyril Ramaphosa como Presidente da África do Sul.
A Lusa noticiou na quarta-feira que os Estados Unidos estão a equacionar pedir a revisão da decisão do ministro da Justiça sul-africano, de extraditar o ex-ministro das Finanças moçambicano para Maputo.
"Estamos em discussões com o governo sul-Africano e a explorar opções para solicitar uma revisão desta decisão", disse na altura, em declarações à Lusa, Robert Mearkle, porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos em Pretória.
"O ministro [Michael Masutha] decidiu extraditar o ex-ministro moçambicano da Finanças Manuel Chang para Moçambique apesar de ter recebido o nosso pedido formal de extradição primeiro do que o da República de Moçambique", salientou.
"Instamos o Governo da África do Sul a enviar o Sr. Chang para os Estados Unidos para ser julgado por estes alegados crimes", afirmou à Lusa Robert Mearkle.
O anúncio do ministro Michael Masutha, através de um comunicado divulgado terça-feira pelo Ministério da Justiça e Serviços Correcionais, aconteceu a poucos dias da cerimónia de posse de Cyril Ramaphosa e do anúncio de novo governo na África do Sul, na sequência da maioria de 57,5% obtida pelo Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês) nas eleições de 08 de maio.
"Eu decidi que o acusado, o senhor Manuel Chang, será extraditado para enfrentar julgamento pelos seus alegados crimes em Moçambique", lê-se no comunicado do ministro Michael Masutha.
Manuel Chang, 63 anos, antigo governante moçambicano e atual deputado da Frelimo, partido no poder em Moçambique desde 1975, encontra-se detido desde dezembro na África do Sul, a pedido dos EUA, por fraude e lavagem de dinheiro.
Em causa estão os empréstimos no valor de 2,2 mil milhões de dólares (1,97 mil milhões de euros) para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM pelas subsidiárias londrinas dos bancos Credit Suisse e do russo VTB.
Os indícios de suborno, lavagem de dinheiro e fraude levaram a justiça norte-americana a processar vários intervenientes, nomeadamente o mediador da Privinvest Jean Boustani, os antigos banqueiros do Credit Suisse Detelina Subeva, Andrew Pearse e Surjan Singh e o antigo ministro das Finanças Manuel Chang.
Só em fevereiro, depois da ação dos EUA, foram detidas várias figuras públicas pela justiça moçambicana - entre as quais pessoas próximas do ex-chefe de Estado Armando Guebuza - que tinha o caso aberto desde 2015, mas sem nenhuma detenção.
No entanto, o ex-governante moçambicano continua a gozar de imunidade parlamentar e não será julgado em Moçambique, segundo o pedido concorrencial de extradição submetido por Moçambique à justiça sul-africana, consultado pela Lusa.


Lusa

Sunday, 12 May 2019

Sobe para 17 número de óbitos por naufrágio na Zambézia

Sobe para 17 número de óbitos por naufrágio na Zambézia
O número de vítimas mortais na sequência do naufrágio da última quarta-feira subiu para 17, ontem. Especialista que efectuam trabalhos de buscas no terreno acharam ontem um total de oito corpos nas zonas de Bento, Centro e Chacuma ao longo do rio Zambeze, nas proximidades do oceano Índico.
Sexta-feira foram achados três corpos. A embarcação que naufragou tinha um total de 52 ocupantes, 34 sobreviveram à tragédia e uma pessoa continua desaparecida. O administrador de Chinde, Pedro Vírgula, quem facultou a informação, fez saber que neste momento há trabalhos que decorrem para esclarecer o último ocupante que estava abordo da embarcação até aqui desaparecido.
No sábado, o partido Frelimo exigiu ao governo provincial no sentido de alocar uma embarcação para garantir travessia em segurança das pessoas que pretendem ir ou sair do distrito do Chinde.


O País

Sunday, 24 March 2019

É imperativo que exista um controlo cerrado sobre a ajuda canalizada por via do INGC em todas as suas fases

Vários cidadãos, instituições públicas e privadas nacionais e internacionais têm estado nos últimos dias a canalizar ajuda de diversas formas: valores monetários, bens alimentares não facilmente perecíveis e outros destinados às vítimas do ciclone IDAI na região centro de Moçambique, com particular ênfase para as províncias de Sofala (de longe a mais seve- ramente afectada por este desastre natural, quer pela perda de vidas humanas, destruição de infra-estruturas públicas e privadas e extensão), Manica e Zambézia. É de realçar que até ao momento ainda não se conhece a real dimensão dos danos causados pelo ciclone, estando as autoridades públicas a fazer a actualização constante das consequências ad- vindas do mesmo.
Nesse âmbito, tem surgido um clamor público que se vai generalizando e, amiúde, tem como denominador comum a desconfiança de que essa mesma ajuda possa não chegar às populações afectadas. Os motivos para tal estão relacionados com a falta de clareza no controle e gestão da ajuda por parte da entidade encarregada para o efeito, designa- damente o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

Leia o comunicado na íntegra

Thursday, 21 March 2019

Monday, 18 March 2019

Última Hora*Última Hora*Última Hora*Última Hora*


Um voo (de carga) com suprimentos humanitários do “Humanitarian Response Depot (UNHRD)” chegou ontem (domingo) à cidade da Beira com 22 toneladas de biscoitos, descritos como sendo “super-nutritivos”. A quantidade segundo o Programa das Nações Unidas para a Alimentação dá para assistir mais de 22 mil pessoas nos próximos três dias na região Centro. Quatro toneladas já foram despachadas na manhã desta segunda-feira para as zonas isoladas, em Nhamatanda. As Nações Unidas alugaram inclusive um helicóptero de transporte MI-8 para conduzir operações aéreas de emergência em locais remotos inacessíveis por estrada. O PMA também financiou 30 pilotos de barcos que foram mobilizados para transportar alimentos.

Canalmoz


Leia aqui 

Número de mortos à passagem de ciclone por Moçambique sobe para 73

A cidade da Beira está parcialmente destruída, continua sem eletricidade e comunicações e está desde sábado isolada.

O número de mortes provocadas pela passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique subiu para 73 e milhares precisam de ajuda humanitária, de acordo com o mais recente balanço das autoridades.
A prioridade "é resgatar as pessoas que estão por cima das árvores, por cima das casas" nas zonas alagadas que cobrem quase toda a região, disse este domingo Rita Almeida, dirigente do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), à televisão estatal.
Rita Almeida referiu que o socorro prestado pelo INGC e parceiros, como as agências das Nações Unidas, tem sido limitado devido à destruição das vias de acesso e falta de redes de comunicações.
"Vamos ter muita dificuldade em fazer movimentação da assistência", reconheceu.

As equipas montaram 28 centros de acolhimento na cidade da Beira e Dondo, as zonas mais afetadas, onde milhares de pessoas têm procurado abrigo e comida.
A reportagem do canal privado STV ouviu desalojados num centro de apoio que se queixam de fome devido à falta de alimentos, depois de terem perdido os campos de cultivo e de ficarem sem o que tinham armazenado em casa.
A contabilidade oficial do INGC registava este domingo 68 mortes na província de Sofala, cinco em Manica e centenas de feridos.
As autoridades alertam para o agravamento das cheias nos próximos dias devido à continuação de chuvas fortes, à saturação dos solos e às descargas de barragens.
A cidade da Beira, capital provincial de Sofala e uma das principais do país, está parcialmente destruída, continua sem eletricidade e comunicações e está desde sábado isolada por terra devido ao corte de vários troços da estrada nacional 6, alguns dos quais arrastados pelas correntes.
A via é a espinha dorsal do centro de Moçambique e liga o porto da Beira aos países do centro da África Austral, nomeadamente ao Zimbábue.
Toda a zona urbana tem sinais de destruição causada pelo vento e chuva forte e as forças de defesa e segurança tem estado a trabalhar na desobstrução de vias.

Lusa

Friday, 15 March 2019

IDAI perde força deixando 21 mortos, centenas de feridos e danos materiais "preocupantes"



Pelo menos 21 pessoas morreram e centenas ficaram feridas no rescaldo preliminar da passagem do Ciclone tropical IDAI pelas províncias de Sofala e Manica onde deixou "danos materiais muito preocupantes", de acordo com o Presidente da República, e inundações por toda a cidade da Beira.
As inundações registadas nos bairros de Alto Manga, Ndunda, Manga Mascarrenha, Vaz, Munhava, Macurrungo, Chipangara, Chaimite (Praia Nova), Maraza, Pioneiros, Matacuane, Mananga, Chota, Muhava, Esturo, Matador, Vila Massane, Maganza, Inhamizua, Chingussura, Nhaconjo, Pontagea e Macuti (na cidade da Beira), a queda de árvores e chapas de cobertura soltas pelos ventos fortes resultaram em 13 vítimas mortais enquanto outros seis cidadãos perderam a vida no distrito do Dondo.
"A parte mais difícil registou-se ao longo da noite (de quinta-feira, 14) e durou até a manhã (de sexta-feira, 15) e fez muitos estragos que ainda não fizemos o balanço, mas são muitas casas sem tecto" disse à Rádio Moçambique o Governador da província de Sofala, Alberto Mondlane.
Há também danos a assinalar no bloco operatório e em algumas enfermarias do Hospital Central da Beira que aumentaram a incapacidade da Unidade tratar dos centenas de feridos que ali estavam a acorrer com o amainar do Ciclone.
Em Manica o porta-voz do Governo provincial, Ronaldo Naico, relatou a existência de pelo menos duas vítimas mortais, menores de idade, atingidas por chapas de cobertura no distrito de Gondola e na cidade do Chimoio.
No distrito de Sussundenga uma outra criança ficou gravemente ferida devido a queda da parede da habitação onde se encontrava.
Pelo menos três centenas de feridos foram atendidos no Hospital provincial do Chimoio.
Entretanto o Instituto Nacional de Meteorologia actualizou que o Ciclone perdeu de força mas continuará a causar chuvas fortes a muito fortes (mais de150 milímetros em 24 horas), ventos com rajadas fortes até 70 quilómetros por hora e trovoadas severas nas províncias da Zambézia (distritos de Chinde, Luabo, Inhassuge, Morrumbala e Mopeia), Sofala (todos os distritos), Manica (todos os distritos), Tete (distritos de Changara, Mutarara, Doa, Marara, Cahora Bassa, Moatize, Chiuta e Cidade de Tete) e Inhambane (distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo e Massinga).
Na manhã desta sexta-feira (15), antes de embarcar para o Reino de Eswatini, o Presidente Filipe Nyusi declarou que "os danos materiais verificados até ao momento são maiores e muito preocupantes, devido a problema de comunicação não é possível ainda estimar o tamanho dos danos causados".
As autoridades de emergência previram que pelo menos 80 mil famílias poderiam necessitar de assistência humanitária urgente devido a esta calamidade natural.
Com as vítimas mortais registadas nos dois últimos dias elevam-se para 87 o número de óbitos desde que a época de chuvas iniciou em Moçambique.
A Electricidade de Moçambique (EDM) revelou ao @Verdade que a sua sub-estação da Munhava foi desligada preventivamente após os ventos fortes danificarem vidros e cobertura e a água da chuva intensa ter inundado o local onde funcionam transformadores.
Fonte da Administração da EDM disse que equipas de Quelimane e de Maputo estão a caminho da Região Centro para apoiar o restabelecimento do fornecimento de energia. "Quando as linhas estão em tensão, havendo linhas caídas como aconteceu com várias, pode causar acidentes que podem ser fatais", explicou.
Entretanto durante a tarde as comunicações de voz fixa foi restabelecida pela empresa estatal Tmcel. As restantes comunicações móvel, dados e internet continuavam interrompidas desde a noite de quinta-feira (14).

Residentes relatam mortes após passagem do ciclone Idai na Beira

Residentes no Bairro da Munhava, na cidade da Beira relataram hoje à Lusa haver vítimas mortais naquela zona devido à destruição causada pela passagem do ciclone Idai.
Residentes relatam mortes após passagem do ciclone Idai na Beira
"A minha casa caiu, a minha filha sofreu e estou no hospital. A filha duma vizinha morreu [quando] a casa caiu", relatou Miquelina Mugaua, moradora na Munhava, onde proliferam as habitações precárias.
Mateus Silvério, outro residente, disse à Lusa que "a situação é mais crítica no interior" do bairro.
"Tem uma criança que morreu e, próximo da maternidade da Munhava, um outro homem está lá morto", descreveu.
As entidades oficiais remetem para mais tarde um levantamento detalhado das ocorrências relacionadas com a tempestade.
O canal de televisão privado STV relatou ainda haver pelo menos uma morte com o desabamento de uma casa no distrito de Nhamatanda, a cerca de 100 quilómetros da capital provincial.
Na cidade, a chuva intensa e os ventos ciclónicos destruíram várias habitações e outras estruturas do bairro carenciado da Munhava, como um posto de saúde, onde a Lusa verificou haver várias pessoas a procurar atendimento, poucas horas depois do dia clarear.
Só pelas 08:00 é que o vento e a chuva diminuíram de intensidade.
A cidade da Beira é uma das principais de Moçambique, com cerca de meio milhão de habitantes e capital da província de Sofala, tendo ficado sem electricidade e sem comunicações devido ao ciclone.
Por toda a zona urbana há marcas de destruição, com edifícios sem telhado e muitos vidros partidos.
Há árvores, painéis publicitários e outras estruturas caídas nas estradas, impedindo a circulação.
Há residentes que tentam prestar assistência à população, circulando de bicicleta que, nalguns casos, substitui as ambulâncias para transportar feridos.
Pela cidade e bairros em redor veem-se residentes a deixar para trás casas precárias e a procurar refúgio em locais mais abrigados.
Equipas de socorro do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e agências das Nações Unidas estão no terreno a avaliar a situação, referiu fonte oficial.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) anunciou que o ciclone está a enfraquecer desde que entrou em terra, proveniente do oceano Índico, ao princípio da noite de quinta-feira.
Para hoje prevê-se que continue a avançar em direcção a oeste com ventos de 140 a 160 quilómetros por hora, chuva e trovoadas intensas, que afectam sobretudo as províncias no seu percurso - Sofala, Manica -, mas também Zambézia, Inhambane e Tete.
Karin Mantente, representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) no país, disse hoje à Lusa que há produtos alimentares e cinco helicópteros de diferentes entidades de socorro prontos a entrar em acção na região centro logo que haja condições meteorológicas para operarem.
Uma caravana com os diferentes membros das operações deverá circular hoje entre Caia e Beira para avaliar os danos e necessidades.
O ciclone só deverá dissipar-se sobre o Zimbábue, no sábado, de acordo com as previsões.
Esta é a segunda tempestade forte a assolar o centro e norte do país em pouco mais de uma semana.
Desde dia 06 de Março, pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 103.000 foram afectadas pelas chuvas fortes e inundações no centro e norte de Moçambique, anunciou o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA).