Monday, 15 December 2014

Hoje é o último dia para a CNE entregar editais ao Conselho Constitucional



 Até à tarde de ontem continuavam desaparecidos dos armazéns do STAE central os editais originais de 9 dos 11 círculos eleitorais internos e do círculo de África e Europa.
A CNE e o STAE deverão socorrer-se das cópias dos editais enviados pelas províncias por fax.



Termina hoje, segunda-feira, o prazo de 48 horas determinado pelo Conselho Constitucional para a Comissão Nacional de Eleições enviar os editais da centralização e apuramento dos resultados das eleições elaborados pelas Comissões Provinciais de Eleições e pela própria CNE, como “elementos necessários para a instrução e decisão do processo de validação e proclamação dos resultados das eleições de 15 de Outubro de 2014”. O “Canalmoz” contactou, na tarde de ontem, o presidente da CNE, o “sheik” Abdul Carimo, para saber se havia conseguido reunir os editais. Mas o “sheik” não aceitou prestar qualquer declaração.
“Ligue-me amanhã. Hoje não o posso atender”, disse o presidente da CNE. Informações disponíveis indicavam que, até ontem, a CNE tinha conseguido as cópias dos editais solicitados, com excepção dos da província de Maputo e da cidade de Maputo. Segundo as nossas fontes, até à tarde ontem a CNE trabalhava no sentido de verificar a autenticidade das assinaturas dos editais enviados pelas províncias.
A CNE foi notificada na sexta-feira. Uma Nota/Processo n.o 17/CC/2014, em poder do “Canalmoz”, datada de 11 de Dezembro, deu entrada na CNE. O despacho do Conselho Constitucional é assinado pelo juiz João André Ubisse Guenha (eleito pela Assembleia da República, em Agosto deste ano, por indicação da bancada parlamentar da Frelimo) e pelo oficial de diligências Samuel Chaguala. O Conselho Constitucional solicita também os editais de apuramento distrital ou de cidade dos resultados eleitorais, elaborados pelas Comissões de Eleições da cidade de Quelimane e dos distritos de Alto Molócue, Ile, Inhassunge, Lugela, Maganja da Costa, Milange, Mocuba, Namacurra, Namarrói, Nicoadala e Pebane, todos da província da Zambézia.
Por outro lado, o Conselho Constitucional, fundamentando-se no disposto no n.o 1 do Artigo 44 da Lei n.o 6/2006, de 2 de Agosto, ordena a entrega das cópias originais dos editais considerados improcessáveis, referidos na alínea a) do ponto 8.2 do ofício n.o 85/CNE/2014, de 11 de Novembro, enviado pela CNE ao Conselho Constitucional.
Por fim, o Conselho Constitucional pede “esclarecimento sobre a questão do suposto desaparecimento de editais, reiteradamente suscitada pelo jornal “Canal de Moçambique”, nomeadamente, edição de 10 de Dezembro de 2014, página 2.
O “Canalmoz” apurou de fontes da CNE que este órgão não enviou os editais ao Conselho Constitucional, tendo apenas enviado as actas assinadas pelos vogais e os resultados, o que agora leva o Conselho Constitucional a solicitar os editais.

Nove dos onze editais de apuramentos provinciais continuam desaparecidos dos armazéns do STAE

Fontes da CNE disseram que, na tarde de sexta-feira, foram abertos os armazéns centrais do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral para responder à solicitação do Conselho Constitucional. Nos armazéns, apenas foram encontrados editais dos apuramentos provinciais das províncias de Nampula, Zambézia e Manica, e foram dados como desaparecidos os editais dos apuramentos provinciais referentes às províncias de Cabo Delgado, Niassa, Tete, Sofala, Inhambane, Gaza, Maputo e cidade de Maputo.
Desde a noite de sábado, a CNE e o STAE central foram telefonando para as províncias, a solicitar o envio das cópias dos editais. Há indicações de que as cópias dos editais dos apuramentos provinciais e dos distritos da Zambézia já se encontram em Maputo, devendo ser entregues hoje, segunda-feira, pela CNE ao Conselho Constitucional.
O Conselho Constitucional está neste momento a avaliar os resultados do apuramento central das eleições de 15 de Outubro passado. Em princípio devia produzir o acórdão final, hoje, dia 15 de Dezembro, que atribui a vitória ao partido Frelimo e ao seu candidato presidencial, Filipe Nyusi.
Segundo observadores independentes e segundo a oposição, as eleições foram gravemente viciadas, o que levou a Renamo e o MDM, os dois principais partidos da oposição, a rejeitarem os resultados.




(Bernardo Álvaro e André Mulungo, Canalmoz)

PROCURAMOS UM LUGAR BONITO PARA O VIOLENTAR!

Carlos Serra's photo.
Carlos Serra's photo.

Carlos Serra's photo.

Carlos Serra's photo.

E a praia da Costa do Sol também não resistiu ao Domingo muito quente, tendo sido literalmente mal tratada, regada com urina, álcool e vomitado, inundada dos mais diversos tipos e categorias de resíduos. Uma gigantesca marca ecológica, revelando o enorme desafio que ainda temos pela frente na mudança das mentes. Pena que nao seixa possível partilhar também o cheiro nauseabundo que senti naquele lugar... Não deixa de ser paradoxal: PROCURAMOS UM LUGAR BONITO PARA O VIOLENTAR!



Carlos Serra, Facebook

Sunday, 14 December 2014

Miss Mundo

Rolene Strauss, Miss Africa do Sul, foi coroada hoje Miss Mundo!

O Ministro Ali

Uma das personagens mais ridiculas da Historia contemporanea é sem duvida o Mohammed Saeed al-Sahhaf, tambem conhecido por Comico Ali, Ministro da Informaçao de Saddam Hussein! Mesmo com a evidencia da eminente queda do regime, ele negava a realidade da invasao, a poucos metros de onde ele falava.
Quando vejo os argumentos de muitos sobre a realidade moçambicana e quando vejo alguns a negarem o obvio, recordo-me sempre deste ministro.

ESTRADA CIRCULAR DE MAPUTO PRONTA ATÉ PRIMEIRO SEMESTRE DE 2015

A estrada circular de Maputo, com uma extensão de cerca de 74 quilómetros, só será concluída no primeiro semestre de 2015, e não em Dezembro deste ano, prazo alterado devido alguns constrangimentos relacionados com os reassentamentos.
Não obstante o prolongamento do período de execução, o engenheiro da obra, Ismael Sulemane, garante que não haverá nenhum custo adicional. Assim, os custos totais mantêm-se nos cerca de 315 milhões de dólares norte-americanos.
Segundo Sulemane, o nível de execução total das obras situa-se nos cerca de 75 por cento. O remanescente corresponde às pontes e nós. As estradas estão asfaltadas em 84 por cento.
Tudo indica que vamos concluir a partir do primeiro semestre de 2015. Não haverá custos adicionais”, assegurou a fonte, falando esta sexta-feira a jornalistas.
O projecto da Estrada Circular de Maputo enquadra-se nas políticas do governo de Moçambique com vista ao desenvolvimento do sector das infra-estruturas rodoviárias a nível nacional e regional. O projecto é levado a cabo pela empresa pública Maputo Sul, que também gere a construção da ponte Maputo-KaTembe.
A estrada subdivide-se em seis secções, designadamente Hotel Radisson-Ponte Costa do Sol, 1; Ponte Costa do Sol-Bairro Chiango, 2. A segunda secção subdivide-se ainda em 2.1, que compreende o troço entre o Bairro Chiango-Marracuene.
A secção 3 é Bairro Chiango-Zimpeto (N1); Seccao 4, Zimpeto-Marracuene; secção 5 é Zimpeto-Bairro Tchumene (N4); e a secção 6 Nó da Machava-Praça 16 de Junho (N4).
Um grupo de jornalistas visitou o empreendimento, nesta sexta-feira, em toda a sua extensão, a convite da Maputo Sul. Segundo constatou a AIM a secção 1 tem a estrada totalmente aberta ao tráfego. Este troço conta com quatro faixas de rodagem, sendo duas para cada sentido e um corredor central.
Questionado sobre o passo seguinte, Sulemaneir disse ser a colocação de iluminação, passeios, separador central, quatro parques de estacionamento e protecção costeira.
Em relação à secção 2, subdividida por questões organizativas, constatou-se que a primeira subsecção, que parte da ponte Costa do Sol até à rotunda do Chiango, está ligeiramente atrasada, em relação às outras.
Neste ponto já há alguma extensão revestida e aberta ao tráfego, faltando cerca de dois quilómetros por desmatar e se fazer a limpeza e as respectivas fundações.
O segundo ponto está totalmente revestido. As quatro faixas de rodagem estão funcionais. As obras apenas decorrem no local onde está em construção a ponte ferroviária, já nas proximidades de Marracuene.
A secção 3 está totalmente revestida, exceptuando alguns pontos, nas proximidades da ponte ferroviária do da região do Grande Maputo e a ligação com o nó de Zimpeto.
A secção IV está concluída do lado direito, no sentido sul norte, e já está aberta ao tráfego. Do lado esquerdo, também no mesmo sentido, está concluída em cerca de 80 por cento.
Acreditamos que, em pouco tempo, vamos concluir e abrir as quatro faixas de rodagem (duas para cada sentido) ”, assegurou Sulemane.
A secção 5 está revestida, exceptuando três pequenos pontos, que podem estar concluídos dentro dos próximos dias.
Entretanto, no troço Costa do Sol-Chiango, portanto a secção 2, ainda se notam lá alguns edifícios em construção.
Sulemane esclareceu a situação e disse que, depois de muitas discussões com o empreiteiro, concluiu-se que a melhor opção é “puxar” a estrada para o lado do mar.
É uma pequena porção, de cerca de 1,5 quilómetros. Estão em obras dois aquedutos, sendo que um já está concluído. A limpeza já foi feita e decorre neste momento a fundação da estrada e colocação de sub-base e a respectiva base”, concluiu ele.
A construção da Estrada Circular de Maputo está a cargo da Companhia Chinesa de Estradas e Pontes (CRBC, sigla em inglês).



(AIM)

Os Editais


Saturday, 13 December 2014

Última hora* Última hora* Última hora


 
Conselho Constitucional exige editais à CNE


O Conselho Constitucional (CC) acaba de notificar a Comis...são Nacional de Eleições (CNE) para enviar dentro das próximas 48 horas (contados a partir deste sábado) os editais da centralização e apuramento dos resultados das eleições elaborados pelas comissões províncias de eleições e pela própria CNE.
Segundo a Nota/Processo n.17/CC/2014, em poder do Canalmoz com a data de 11 de Dezembro e que deu entrada na CNE no dia 12 de Dezembro (sexta-feira), o Conselho Constitucional através de um despacho assinado por João André Ubisse Guenha e pelo oficial de Diligências Samuel Chaguala, solicita igualmente os editais de apuramento distrital ou de cidade dos resultados eleitorais, elaborados pelas comissões das eleições da cidade de Quelimane, Alto Molócue, Ile, Inhassunge, Lugela, Maganja da Costa, Milange, Mocuba, Namacurra, Namarrói, Nicoadala e Pebane, todos da província da Zambézia.
Por outro lado, o CC fundamentando-se no disposto no n.1 do artigo 44 da Lei n.6/2006, de 2 de Agosto, ordena a entrega das cópias originais dos editais considerados improcessáveis referidos na alínea a) do ponto 8.2 do oficio n.85/CNE/2014, de 11 de Novembro, enviado pela CNE ao Conselho Constitucional.
Por fim, o CC pede “esclarecimento sobre a questão do suposto desaparecimento de editais, reiteradamente suscitada pelo jornal Canal de Moçambique, nomeadamente, edição de 10de Dezembro de 2014, página 2.
O Canalmoz apurou de fontes da CNE, que este órgão não enviou os editais ao CC tendo apenas enviado as actas assinadas pelos vogais e os resultados, o que gora leva o CC a solicitar os editais. A CNE tem o prazo até segunda-feira para entregar os editais solicitados e esclarecer as dúvidas ao CC.
Nove dos onze editais de apuramentos provinciais somem dos armazéns do STAE
Fontes da CNE, disseram que na tarde d sexta-feira foram abertos os armazéns centrais do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) a fim de serem libertos os editais solicitados pelo CC.
Mas segundo as mesmas fontes, nos armazéns apenas foram encontrados editais dos apuramentos provinciais, das províncias de Nampula, Zambézia e Manica e dados como desaparecidos os editais dos apuramentos provinciais referentes as províncias de Cabo-Delgado, Niassa, Tete, Sofala, Inhambane, Gaza, Maputo Cidade e Maputo-Província que se supunham estarem guardados naqueles armazéns.
Na sequência, desde a noite de sábado, a CNE e o STAE centrais, tem estado a telefonar para as províncias a solicitar o envio das cópias dos editais. Para já, a oposição na CNE diz que vai inviabilizar a entrada dessas cópias, alegando que deviam ter entrado há muito tempo para serem usados no apuramento centralizado.



( Bernardo Álvaro, Canalmoz)

O Ministro comico

Uma das personagens mais ridiculas da Historia contemporanea é sem duvida o Mohammed Saeed al-Sahhaf, tambem conhecido por Comico Ali, Ministro da Informaçao de Saddam Hussein! Mesmo com a evidencia da eminente queda do regime, ele negava a realidade da invasao, a poucos metros de onde ele falava.
Quando vejo os argumentos de muitos sobre a realidade moçambicana e quando vejo alguns a negarem o obvio, recordo-me sempre deste ministro.

Friday, 12 December 2014

Alerta para mau tempo em Maputo e Gaza a partir de hoje


                                                
                                                                                                                                     
As províncias de Maputo e Gaza poderão registar chuva forte, acompanhada de trovoadas, a partir de hoje (sexta-feira) até domingo.
 Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, em vinte e quatro horas, a queda pluviométrica poderá atingir 50 milímetros, com ventos até 70 quilómetros por hora.
Em Maputo, prevê-se que o mau tempo assole os distritos de Matutuine, Boane, Moamba, Marracuene, Manhiça, Magude e cidades de Maputo e Matola.
Em Gaza serão afectados os distritos de Massingir, Mabalane, Guijá, Chibuto, Chókwe, Mandlakazi, Bilene e cidade de Xai-Xai.
O fenómeno poderá ainda influenciar o estado do tempo nas províncias de Inhambane, Sofala, Manica, Tete e Zambézia, onde se espera a queda de chuva forte, acompanhada de trovoadas e ventos com rajadas até 60 quilómetros por hora, a partir da noite de Sábado.
O INAM recomenda a difusão de mensagens de alerta para a  tomada de medidas de precaução e segurança face ao risco associado as descargas atmosféricas, chuvas e ventos fortes.


RM

Dhlakama admite referendo sobre divisão de Moçambique

 
O líder da RENAMO avisa que a população exigirá um referendo para dividir o país se o Governo da FRELIMO continuar a rejeitar a criação de um Governo de gestão. Mas para o partido no poder, este é um caso encerrado.
"Eu chamaria a atenção da FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique, no poder] para não tentar formar Governo à força. Porque vai haver violência e desobediência", avisou esta quarta-feira (10.12) o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Afonso Dhlakama, numa entrevista à agência de notícias Lusa, em Maputo. "A FRELIMO vai querer mandar disparar, usar polícia, e a RENAMO não vai deixar as populações serem massacradas. Nessa batalha iremos voluntariamente entrar, e ao entrarmos nisto, pronto, estragou-se".
Esta quinta-feira, Dhlakama seguiu novamente para o norte de Moçambique, desta vez para a província do Niassa, onde também vai falar ao seu eleitorado sobre a sua proposta de criar um Governo de gestão.
A RENAMO rejeita os resultados das eleições de 15 de outubro por considerar o processo fraudulento, dizendo que é o legítimo vencedor do escrutínio. Mas, tendo em conta que as suas queixas foram invalidadas pelo Conselho Constitucional moçambicano, o partido vê agora como alternativa a formação de um Governo de gestão que administraria o país nos próximos cinco anos.
 

Recusa insistente da FRELIMO
A FRELIMO já disse várias vezes que isso está fora de questão e, esta quinta-feira, repetiu-o mais uma vez à DW África.
"O nosso partido rejeita categoricamente uma proposta dessa natureza”, disse o porta-voz do partido no poder, Damião José. "Em primeiro lugar, porque ainda não sabemos o que é um Governo de gestão. Além disso, porque as eleições, num sistema multipartidário, são regidas por princípios muito claros. Há uma lei eleitoral que é clara, praticamente partidarizada, mas tudo a pedido da RENAMO, que queria garantir maior transparência no processo."
 
 
Extremar de posições
 
 
O receio agora é de que um novo confronto volte a eclodir já que há um extremar de posições dos dois lados. Afonso Dhlakama garante que não quer voltar a guerra, mas deixa claro que reagirá se se sentir provocado: "Eu já disse que nem quero ver armas, mas se alguém disparar contra mim vou responder, vou-me defender como um direito à vida, como um ser humano."
Até ao momento, um encontro entre a RENAMO e a FRELIMO para discutir o assunto não está previsto. O líder do maior partido da oposição, entretanto, revelou à Lusa que tem mantido conversas informais com o ainda Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, sobre a situação. Dhlakama pondera ainda solicitar um encontro oficial para debater a formação de um Governo de gestão.
O porta-voz da FRELIMO, Damião José, concorda que o diálogo é a melhor forma de dirimir conflitos. No entanto, para José, este é um caso encerrado: "Não há nem vai haver nenhum diálogo em relação ao dito Governo de gestão. Tem é de haver um diálogo sobre o desenvolvimento do nosso país, sobre a consolidação da paz e da unidade nacional. Cada um de nós, defendendo a sua ideologia política, tem de se comprometer a observar e respeitar as leis vigentes no nosso país."
 
 
Referendo
 
 
A outra alternativa da RENAMO, caso a sua proposta continue a ser rejeitada, é a divisão do país. Nesse caso, o partido governaria nas províncias onde venceu.
Segundo Afonso Dhlakama, é essa a vontade da população nos locais que tem visitado, no centro e norte do país. Se a FRELIMO não aprovar o Governo de gestão, os populares vão exigir um referendo sobre a divisão de Moçambique "à semelhança daquilo que aconteceu no Sudão", diz Dhlakama. "Embora eu não esteja a favor, tenho de seguir aquilo que a maioria deseja."

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Fonte: Deusche Welle – 11.12.2014

Apelo muito sério!


Thursday, 11 December 2014

Não queremos mais homens do primeiro tiro


Estranhamente, mais uma semana se passou e os editais continuam no “segredo dos deuses” – no caso, dos que se julgam, por sua alta recreação, acima de qualquer suspeita. Os editais continuam até mesmo inclusivamente a serem segredo para os membros da CNE, embora alguns, ou por preguiça ou por verem no fechar de olhos vantagens pessoais, prefiram deixar as coisas a andar, sem os quererem ver. Não é, contudo, o caso de milhares, senão mesmo milhões de cidadãos, que querem que a absoluta transparência se torne um dado adquirido, tanto quanto essencial, para que Moçambique tenha uma democracia credível e não apenas aparente, como o pretendem os gatunos e seus associados.
A nossa insistência, por isso, vai manter-se, para que finalmente os editais apareçam à vista de todos, porque somos realmente a favor de uma democracia em que não haja sala VIP para os abutres e seus associados de além-fronteiras.
O Estado tem instituições para servir os donos desse mesmo Estado, que são os cidadãos, como preconiza taxativamente o Artigo 2 da Constituição da República de Moçambique. E, sendo os cidadãos os patrões do Estado, é a todos os cidadãos que as instituições devem prestar contas, e dessas contas eleitorais ainda só nos anunciaram o saldo, mas, no meio de imensas e justificadas suspeitas, ainda não nos mostraram o extracto, que é o conjunto dos editais e actas.
O que a CNE apresentou é altamente suspeito e nada credível.
Milhões de moçambicanos duvidam das contas feitas pelo STAE, tenha esse STAE, ou não, no seu aparelho, representantes de certos partidos concorrentes. E duvidando da CNE pela forma como as coisas foram aprovadas internamente, fica tudo ainda mais complicado.
Os partidos têm os seus interesses e saberão o que fazer, mas, neste caso concreto das eleições, foram todos os cidadãos chamados a votar, logo, havendo justificadas dúvidas relativamente aos diversos níveis de apuramento, por estrito respeito ao Estado, as instituições incumbidas não podem esconder a verdade aos eleitores e a todos os outros cidadãos em quem reside a soberania.
Ao quererem saber toda a verdade com toda a clareza e transparência, que ainda nem sequer para os membros da CNE houve, os cidadãos estão apenas, e tão-somente isso, a reivindicar um direito constitucional. Por alguma razão o artigo da Constituição da República de Moçambique que diz que “a soberania reside no Povo” é o número dois (Art. 2) e não o último.
A CNE (Comissão Nacional de Eleições) não pode fazer um golpe de Estado. Pior: uma parte dos membros da CNE não pode fazer um golpe de Estado, sem que haja consequências.
Os militares fazem golpes de Estado com armas, e isso geralmente resulta de algum fraccionamento. Metade dos membros da CNE estão a querer fazer um golpe de Estado, escondendo aos moçambicanos toda a verdade, com o seu presidente a fazer um papel de bobo, contrário ao que seria de esperar de alguém que exerce tal cargo com a missão de trazer toda a verdade, que só se consegue satisfazendo o conjunto dos membros do órgão, para que tudo seja posto claramente em cima da mesa, e não seja forçando uma votação que acaba por transformar a CNE numa instituição que elege sem respeitar o voto directo dos cidadãos.
Os resultados destas eleições são a soma dos votos nas urnas, não pode ser a soma dos votos da maioria da CNE.
Os votos de membros da CNE não podem sobrepor-se à soma dos votos dos cidadãos. Não se pode obrigar certos membros da CNE a aprovarem resultados de uma aritmética da qual eles não conseguiram ver as parcelas. Isto não tem de vir escrito na lei. É óbvio que, se uns não viram, os outros também não, e aqueles que na CNE votaram às cegas só podem estar a partidarizar o órgão.
Os bandidos têm sempre a tendência de se vitimizarem e, depois de fazerem as suas habilidades, aparecerem a quererem fazer crer que os malandros são os outros.
Na loja do “Senhor do Cofió” também não se vai a votos com os empregados, quando falta dinheiro na caixa! Vai-se a contas. O “Senhor do Cofió” sabe bem que contas são contas. Ou será que não sabe?
Quem está a criar instabilidade no país são certos senhores dos órgãos eleitorais, não são aqueles que querem que tudo seja posto à vista de todos.
Ao esconderem a verdade eleitoral, está à vista de todos quem é o malandro. Ao governador do Banco de Moçambique nunca seria admitido esconder o dinheiro das reservas do Estado. Era o que mais faltava, ele querer esconder as contas. Como é o que mais nos faltava acreditar numa pessoa da CNE que quer ser ele e a sua trupe a elegerem os órgãos de soberania.
Ainda não vimos qual vai ser a decisão do Conselho Constitucional, mas já chega de virem-nos com a conversa do voto vencido. O voto vencido só pode ser o das urnas, resultante da aritmética das assembleias de voto. Não pode ser essa a aritmética dos votos dos juízes do Conselho Constitucional.
Enquanto nestes órgãos se for a votos, está-se mesmo a ver que democracia continuaremos a ter: nenhuma!
Se o Conselho Constitucional anular as eleições sem que aos cidadãos seja dado o direito de ver as contas resultantes da soma de edital por edital, os cidadãos que queriam que ganhasse a Frelimo têm tanto direito como os outros, que agora protestam, de manifestarem a sua indignação e não aceitarem isso.
O que se exige para uns, tem de se exigir para outros. Os argumentos de uns têm de valer para todos. Só com tudo à vista se pode apurar a verdade nas urnas.
Numa circunstância em que os editais não aparecem à vista de todos, subsistirão dúvidas, e todo e qualquer cidadão, seja simplesmente cidadão, ou tenha interesses partidários, tem o direito de exigir toda a verdade, que só pode ser provada com transparência absoluta.
A transparência absoluta é também fundamental e indispensável para se poder aferir a responsabilidade dos membros dos órgãos eleitorais à luz do Estatuto do Funcionalismo Público e demais legislação disciplinar que se aplique aos membros do aparelho eleitoral que tiverem andado a falsificar ou inventar editais, ou a permitir que alguém tenha agido com esse mesmo propósito de viciar os resultados finais de eleições. Este tipo de gente que tolera e é cúmplice de fraudes não pode pertencer a estes órgãos.
Não é admissível que alguém pretenda que os cidadãos acreditem em gente que já provou que não é idónea. Chegou-se a um ponto sem outra saída: só com tudo à vista, só com os editais à vista, para se poder começar por aferir se são mesmo os que saíram das assembleias de voto, e depois serem somados, é que isto pode terminar.
Não é o polícia, por andar atrás do ladrão, que instabiliza o país. É o ladrão.
Não há melhor forma de nos levarem a toda a verdade do que publicarem-se os editais e actas num “website” da CNE ou do Conselho Constitucional. É inclusivamente muito barato e acessível a quem quiser ver. Todos, desde os editais das assembleias de voto aos dos apuramentos distritais, provinciais ou de círculos, até ao apuramento nacional ou geral.
O Estado não pode estar na mão de gente desonesta. Nem as nossas eleições podem ser mais ou menos válidas porque os presidentes de certos países que se relacionam com Moçambique já deram o seu aval às eleições.
As eleições não podem ser mais ou menos credíveis porque os observadores e alguém de ONG’s veio dar o seu aval.
O único aval de qualquer eleição é a verdade, e a verdade está na soma de editais verdadeiros.
Gente honesta evidencia-se. Se há suspeitas sobre o apuramento eleitoral – que começam em muitos membros da CNE, que dizem não terem visto os editais e contestam que os queiram obrigar a assinar um cheque em branco –, porque é que não aparece o Estado a tirar dúvidas, deixando tudo transparente como água, para evitar-se violência?
Onde estão os homens da paz? Os homens da paz são os que escondem os editais?
Um juiz, afinal, só segue a lei, ou também segue a sua consciência?
Um juiz alguma vez pode julgar sem ver reunidas todas as evidências?
O Conselho Constitucional irá julgar sem garantir que estejam em sua presença todas as peças do processo e sem se certificar que elas não são falsas?
Sabe-se que a maior parte dos juízes do Conselho Constitucional são da Frelimo e até têm negócios de que tiraram sempre vantagens por serem da Frelimo. Será que os cidadãos podem acreditar que eles julgarão com mérito e idoneidade, se não forem absolutamente transparentes? Veremos o que por aí vem!
O MDM e a Renamo – no caso da Renamo, pelo menos a deputada Ivone Soares – já vieram a público exigir que os editais sejam mostrados. Se a Frelimo e o seu candidato tivessem sido dados como derrotados, será que não quereriam também ver os editais?
Faça-se tudo para evitar mais violência, por favor, meus senhores. Não queremos que na nossa história sejam precisos mais homens do primeiro tiro.


(Editorial do Canal de Moçambique)

Estatísticas escondem assimetrias e injustiças - Graça Machel

Estatísticas escondem assimetrias e injustiças - Graça Machel Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade

A activista social moçambicana Graça Machel considerou ontem que as estatísticas sobre avanços no combate à pobreza em Moçambique escondem injustiças, defendendo uma acção governativa centrada no ser humano e não apenas nos números.
 “As médias nacionais escondem assimetrias e até injustiças, temos de olhar para as assimetrias geográficas, mas também temos de olhar por grupos, como o acesso aos serviços para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos e, dentro disso, olhar por género”, disse Graça Machel, intervindo na conferência “Moçambique: que visão para o futuro”, promovida pelo Fórum Económico e Social de Moçambique (Mozefo).
Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), é citada pelo jornal Notícias a dizer que o verdadeiro retrato sobre a elevação da qualidade de vida em Moçambique só pode ser obtido com a desagregação das estatísticas seguindo critérios fiáveis.
“Crescimento económico, sim, e precisamos, talvez, de aumentar esse crescimento económico, mas o desenvolvimento é medido e deve ser medido pela qualidade de vida dos seus cidadãos”, enfatizou Graça Machel.
Defendeu ainda o imperativo de instituições fortes e à altura das suas funções como instrumento para a satisfação das necessidades dos cidadãos, observando que “nenhum país se pode considerar desenvolvido sem instituições fortes”.
Por seu turno, o escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana apontou a necessidade de inclusão no usufruto dos benefícios materiais gerados pelo crescimento económico do país, como um dos principais desafios.
“Uma das questões que se colocam é a qualidade de inclusão necessária para que o país possa responder com sucesso aos desafios que nos apresentam e esses desafios são dilacerantes”, disse Luís Bernardo Honwana, citado pelo Notícias na sua edição de hoje, quinta-feira.
Para o escritor, a crise política e militar que o país atravessou entre meados de 2013 e Setembro do ano em curso demonstra que o projecto político moçambicano pode estar em perigo.
“Se não houver um esforço no sentido de corrigir aquilo que o nosso viver vai fazendo de danos, temos consciência que se põe em perigo o nosso projecto político”, destacou Honwana.
Por seu turno, o reitor da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário, criticou o alegado descuramento da condição humana pelas políticas públicas implementadas pelo Estado.
Anabela Rodrigues, directora do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), defende por sua vez que Moçambique tem a oportunidade de explorar os recursos energéticos que têm sido descobertos com sustentabilidade, seguindo os melhores modelos neste domínio.
“Não há incompatibilidade entre desenvolvimento e sustentabilidade, não são valores opostos, tenho receio que talvez não se sigam as melhores práticas já estabelecidas no mundo”, afirmou.



RM

Wednesday, 10 December 2014

MARCO DO CORREIO, por Machado da Graça


Olá António
Espero que estejas bem de saúde, assim como toda a tua família. Do meu lado está tudo bem, felizmente.
Só que, mais uma vez, com a sensação de que estamos a caminhar, de novo, para o desastre.
Estamos perto do prazo para o Conselho Consti­tucional emitir o seu acórdão sobre os resultados das eleições e tudo leva a acreditar que ele irá validar as vitórias do partido Frelimo e de Filipe Nyusi. Com mais ou menos citações em latim...
Entretanto, no Centro e Norte do país milhares de pessoas continuam a comparecer nos locais dos comícios de Afonso Dhlakama e o tom das interven­ções endurece de dia para dia.
A proposta do dirigente da Renamo de um go­verno de gestão negociado, que poderia ser uma saída pacífica para o impasse, é liminarmente negada pelo Governo e pelo partido Frelimo.
Como contrapartida é feita uma, pouco subtil, proposta de comprar Dhlakama com um título me­ramente protocolar e a possibilidade de decidir o seu próprio salário e mordomias. No entanto, retira-se da proposta o único ponto verdadeiramente político que era a obrigação de o Chefe de Estado o consultar previamente em questões de importância nacional.
Perante isto o que nos resta?
Ou a Renamo engole, mais uma vez, o sapo e dei­xa a Frelimo e Nyusi governarem ou, pelo contrário, recorre a meios que podem ir da desobediência civil até a uma nova guerra civil, passando por manifes­tações mais ou menos violentas.
E as multidões que recebem Dhlakama podem estar a animá-lo para seguir esta segunda via. O que pode significar muito maus tempos para o país.
Mas, do lado governamental, parece que ninguém está a equacionar todos estes aspectos. Tendo espe­zinhado a lei eleitoral, as instituições governamen­tais abrigam-se agora por trás das várias leis para tentarem impor a aceitação dos resultados eleitorais, em grande medida fraudulentos.
Não estou a ver uma saída pacífica para esta situação e, se se instalar a desordem em todo o país, aí sim veremos o que é a anarquia. E não gos­taremos nada.
Um abraço para ti do
Machado da Graça


 CORREIO DA MANHÃ – 09.12.2014

Bichos com asas e democracia asinina



 O pai da Mafalda começa a ler em voz alta um texto do jornal que tem nas mãos:
– “O eleito abriu uma nova esperança, ao dizer, no seu discurso, que esperava incorporar na sua governação algumas…
E a Mafalda adianta a conclusão da frase:
– “… algumas pessoas que não pertencem ao seu partido!”...
E o pai da Mafalda conclui a leitura da frase:
– “… algumas das ideias que fluíram de todos os quadrantes.”
O certo é que os escritos que aparecem em certos jornais já só fazem lembrar as tiras da querida Mafalda criada por Quino.
No jornal que o pai da Mafalda está a ler, aparece anunciado um novo tipo de democracia, que vai ser inaugurado pelo dito eleito: é a democracia melosa, que consiste em fazer peditórios de mel. A democracia melosa consiste em que os direitos constitucionais dos cidadãos são substituídos por ofertas de mel.
Já houve quem dissesse que alguém disse que ficou rico como criador de patos. Parece que o país vai agora ser entregue a um apicultor. Quando a perspectiva seria a de evoluir de ave para mamífero, acaba de ser agora anunciada a perspectiva de regredir de ave para insecto.
A democracia melosa não é uma ditadura, é uma democracia ditada, e já que é uma democracia ditada, dita-se que nela não há fraude, nem sequer a mínima dúvida ou suspeita, há apenas “discurso da fraude”. Na democracia ditada, o poder da lei consiste na existência de um certa quantidade de palavras escritas numa certa quantidade de papéis, e não na aplicação dessas palavras. Na democracia ditada, o que conta é o que se diz, não é o que se faz.
Os geniais criadores da democracia melosa estão em fase de campanha pós-eleitoral, tentando convencer que o ex-candidato, agora dito eleito, não é o mesmo que fez a campanha eleitoral.
Pôde ser observado publicamente quem compunha os cortejos de campanha e os participantes em sessões de angariação de fundos. São esses que se sentem representados pelo ex-candidato, sabem que ele serve os seus interesses, ele é aquele que lhes convém. Fez uma campanha a dizer que ia resolver problemas que nunca antes disse que existiam, e muito menos apontou quem os criou. A sua primeira acção de campanha consistiu em espezinhar a Constituição da República, ao aceitar participar em sessões em que foi utilizado um órgão de soberania do Estado para fazer apresentações de um candidato partidário. E agora os democratas melosos querem convencer os cidadãos de que este ex-candidato vai respeitar essa Constituição durante a ocupação do cargo! No dia em que tomar posse, talvez por efeito de um milagre da seita de terrorismo psicológico que o “abençoou”, transforma-se no oposto daquilo que é, e trai todos os que financiaram a sua campanha.
Convém aqui salientar que isto não pretende ser um comentário sobre os actos do ex-candidato, o qual até tem dado todas as provas de grande coerência consigo próprio e com os interesses imutáveis da sua organização. O que se está aqui a comentar é a atitude daqueles que estão a atribuir ao ex-candidato o estatuto de apicultor.
Por outro lado, no panorama do carnaval nacional, um grupo de foliões que gosta de se mascarar de ilusionista, aparece agora a mascarar-se de saltitante no tempo.
No calendário convencional, neste fim de ano, seria de supor que se estivesse a falar nas perspectivas para 2015, mas isso não é o que está a acontecer. Por acção dos saltitantes no tempo, dá a impressão de que do ano de 2014 salta-se para o ano de 2019. Quem deseje mudanças, que espere mais cinco anos.
Alguns vão mais longe, e já fazem projecções de um segundo mandato. É uma cópia fiel do que se passou há cinco anos. Nessa altura, mesmo antes do início de um segundo mandato, os saltitantes no tempo logo começaram a lançar projecções sobre um hipotético terceiro mandato. Ou seja, antes do início do segundo mandato, já estava feito o balanço positivo do mesmo, de tal modo que já se justificava pensar num terceiro mandato. A partir daí, o eleito pode dedicar-se a fazer turismo externo e interno, seja de helicóptero, de bicicleta ou de triciclo, porque o balanço já está feito.
Esta democracia melosa representa um avanço extraordinário, porque, entretanto, já foram recentemente anunciados os resultados antecipados dos próximos dez actos eleitorais. Pode presumir-se que este anúncio tem peso oficial, visto que foi feito, e até aplaudido, na presença do Presidente-da-República-Eleito, que é um novo órgão constitucional criado pelos democratas melosos.
E todos aqueles que anseiam por uma vida digna, aguardem calmamente até ao ano de 2064, que depois logo se vê. Pode ser que o plano seja renovado por mais cinquenta anos.
Este anúncio antecipado dos resultados dos próximos cinquenta anos já não deixa qualquer dúvida de que o resultado eleitoral de 2014 já estava inscrito nesse plano.
Os criadores da democracia melosa, ou se sentem acossados e estão desesperados, ou então estes melosos democratas pacifistas confiam plenamente na força da organização armada que tem o poder nas mãos, sendo esta segunda hipótese a mais provável, e por isso dão-se ao luxo de fazer paródia, parindo a democracia do mel, que também pode ser definida como democracia asinina.
A democracia asinina, ao contrário do que a ortografia desta última palavra possa fazer crer, não é uma democracia para bichos com asas – aves ou insectos – é, segundo elucida o dicionário, uma democracia para os burros. Por outras palavras, é uma democracia apropriada para aqueles que querem convencer o povo de que a democracia consiste em andar a pedir mel.




(Afonso dos Santos, Canalmoz)

Tuesday, 9 December 2014

Dhlakama volta a Maputo e reitera exigência de Governo de gestão


Maputo, 09 dez (Lusa) - O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, voltou hoje a Maputo após duas semanas no centro e norte do país, reiterando a exigência de um Governo de gestão, como solução para a alegada fraude nas eleições gerais moçambicanas.
"Vamos governar juntos, ou governamos juntos ou governamos sozinhos. A bola está do lado da Frelimo, do lado do Governo e do Presidente Armando Guebuza", disse Dhlakama, a algumas centenas de simpatizantes da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), à chegada ao Aeroporto Internacional de Maputo, proveniente da província de Cabo Delgado, norte do país, onde manteve encontros populares para explicar a sua ideia do Governo de gestão.
Considerando fraudulentos os resultados das eleições gerais de 15 de outubro, o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) enfatizou que caso a exigência de um Governo de inclusão não seja satisfeita, o movimento vai governar nas províncias onde ganhou nas presidenciais.

Mais um dia de marchas, discursos e mais nada

 

Combate à Corrupção

Comemora-se hoje, em todo o mundo, o Dia Internacional de Luta Contra a Corrupção. É um momento em que os governantes e governados reflectem sobre as acções em curso em cada país no âmbito de combate à corrupção que, em todo o mundo, continua a constituir, por um lado, uma das principais causas da pobreza e penúria de milhares e milhares de pessoas mas, por outro, afigura-se como fonte de alto e rápido enriquecimento ilícito de muitas pessoas, normalmente coladas ao poder politico.
Em Moçambique, a data é comemorada uma semana depois de o relatório da Transparência Internacional ter voltado a colocar Moçambique na lista dos mais corruptos do mundo, situando-se, por isso, a meio da tabela. Pior ainda é que o relatório da Amnistia Internacional indica e denuncia a apatia quase total das autoridades moçambicanas em relação à necessidade de se avançar com acções corajosas de combate a práticas corruptas, particularmente na administração público-estatal.
O relatório referente a 2014, abrangendo um total de 175 países, coloca
Moçambique na posição 119, com um total de 31 pontos, os mesmos pontos conseguidos em 2012. Em 2013, o país tinha quedado para 30 pontos.
Na verdade, para a Transparência Internacional, de 2012 até ao presente  momento, Moçambique não conseguiu fazer quaisquer esforços no que diz
respeito à implementação de acções  eficazes e eficientes que possam ajudar
a reduzir os actuais índices de corrupção no território nacional.

 
 

Marchas e discursos

No sentido de comemorar a passagem da data, as autoridades moçambicanas programaram, como sempre, marchas e passeatas ao longo
de vários cantos do país.
Nos comícios, as autoridades moçambicanas voltarão a anunciar numericamente os casos julgados, mas  reconhecerão o longo caminho que ainda há por percorrer no combate à corrupção.
Um comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR), indica que as cerimónias centrais decorrerão hoje, na Escola Secundária Francisco Manyanga, na cidade de Maputo. O lema das comemorações, refere o comunicado, é: “por um Moçambique livre da corrupção”.



MediaFax, 09.12.2014

"Corrupção em Moçambique está a ficar mais sofisticada", dizem analistas

 
O Centro de Integridade Pública de Moçambique diz que os casos de corrupção não só aumentam como também se tornam mais sofisticados.

Assinala-se amanhã, ( HOJE) 9 de Dezembro, o Dia Internacional Contra a Corrupção, numa altura em que em Moçambique, segundo analistas, sofisticam-se as formas de praticar este fenómeno, pondo em causa o desenvolvimento do país.
O Gabinete Central de Combate à Corrupção, do Governo,) diz ter recebido, nos últimos anos, 1958 denúncias populares, das quais 109 deram lugar a igual número de processos-crime e à detenção de 120 indivíduos, em pleno recebimento de dinheiro resultante da corrupção.
A instituição sublinha que este elevado número de casos não significa, necessariamente, que os índices de corrupção estejam a aumentar, explicando que isso pode corresponder a uma maior consciência dos cidadãos, relativamente à necessidade de denunciar este fenómeno.
Entretanto, o Centro de Integridade Pública de Moçambique (CIP) discorda e diz que os casos não só aumentam como também se sofisticam as formas de praticar a corrupção.
Segundo Baltazar Fael, coordenador do pelouro "Anticorrupção" no CIP, este fenómeno tende sempre a ganhar outros contornos, "sofisticam-se as formas de praticar este tipo de actos e há mesmo questões ligadas aos recursos naturais em que há uma corrupção um pouco mais sofisticada, com tráfico de influências e conflitos de interesse ligados a esta área".
Fael referiu que Moçambique, sendo um país emergente na exploração de recursos naturais, é preciso olhar com muito mais atenção para o que está a acontecer neste sector, "mas, claramente, não aqui progressos significativos" na luta contra a corrupção.



     RamosMiguel, VOA

O desrespeito pelo interesse público

As leis que entre Maio e Junho deste ano causaram sérios alaridos por serem consideradas o “cúmulo do abuso do poder, falta de respeito e consideração, mau uso dos recursos do povo”, entre outras qualificações, e que foram devolvidas à Assembleia da República pelo Chefe de Estado, Armando Guebuza, para reexame, foram aprovadas. Deverão, novamente, ser submetidas ao mais alto magistrado da Nação para efeitos de promulgação.
Trata-se da Lei da Revisão da Lei do Estatuto, Segurança e Previdência do Deputado, designada Estatuto do Deputado, e da Lei da Revisão da Lei 21/92, de 31 de Dezembro, que estabelece os Direitos e Deveres do Presidente da República em Exercício e após a Cessação de Funções, que foram reanalisadas e aprovadas com recurso à ditadura da maioria absoluta da Frelimo, que ao longo da presente legislatura sufocou a oposição no Parlamento.
Armando Guebuza devolvera os dois dispositivos para reexame por entender que deviam merecer uma reapreciação pela Assembleia da República, “atendendo especialmente ao impacto socioeconómico que possam causar e às dificuldades em implementá-las em termos financeiros e orçamentais”.
Vai, agora, Guebuza, promulgar tais leis? Todavia, os nossos deputados, que já auferem por ano o que um trabalhador do sector agrícola, por exemplo, ganha em 30 anos e têm direito a tantos outras benesses, não se coibiram de aprovar tais leis que fixam outras mordomias, que até certo ponto são promíscuas num país onde o povo ainda se queixa de problemas básicos, tais como transporte, saúde e educação com qualidade.
Este desrespeito pelo interesse público levar-nos-á ao caos, um dia! A Assembleia da República é soberana, mas algumas decisões, que deviam ser tomadas em nome do povo, denunciam uma tamanha preocupação com a aparência e acomodação dos deputados, bem como o desejo de encher as panças de outra gente, pese embora tenha funções directivas no país.
Aliás, com a aprovação do Estatuto de Líder de Oposição (o segundo candidato mais votado ao cargo de Presidente da República), o Orçamento do Estado vai sofrer um encargo adicional de pouco mais de 71 milhões de meticais anualmente para garantir uma residência oficial ao visado, gabinete de trabalho, meios de transporte, ajudas de custo, entre outras despesas, para além da prerrogativa de o tal líder da oposição estipular o seu próprio salário e subsídios. Que prova mais cabal se pode exigir de que o país tem dinheiro a rodos, mas não para assegurar uma vida digna ao povo?
A competência política, legislativa e de fiscalização do nosso Parlamento está em causa, pois deixa-se avassalar pela apetência de meter a mão nos cofres do Estado com o intuito de cimentar ainda mais as desigualdades sociais entre os governantes e os governados. Acabou a era de austeridade que o Governo apregoava há poucos anos? Afinal só não existe dinheiro para os profissionais da Saúde, professores, agentes da Polícia, por exemplo, mas há para os deputados, Chefes de Estado fora do activo e para o líder de oposição com assento no Parlamento?




Editorial, A Verdade

 Caçam, pescam, dissecam, mas raramente acertam.

 Com escassez estonteante de análises dignas desse nome e com resultados eleitorais rebuscados e paridos por cesariana, com o futuro próximo declaradamente incerto, muita é a apetência para a adivinhação.
 De certas latitudes, surgem sugestões para que, no sentido de se ver a democracia consubstanciada na Renamo, o seu líder deveria dar o lugar a outras pessoas.
 Como se o problema das repetidas fraudes e manipulações eleitorais em Moçambique fosse lavra ou machamba da Renamo e do seu líder.
 A tentativa de obliterar a Renamo consta nos anais da história recente do país.
 Corroer a Renamo ou criar condições para a sua implosão foi tentado e executado.
 A tese de que Dhlakama se encontra há três décadas na liderança da Renamo é apontada por alguns como manifestação de democracia no seio daquele partido.
 Corroer e desestruturar o MDM foi concebido e executado com prontidão e algum sucesso por via de uma ofensiva mediática que tinha como base de partida questões de foro interno como listas de candidatos à AR, prerrogativas do secretário-geral, a suposta hegemonia familiar do líder. De maneira articulada, mas dispersa, “pivots” agiram e os resultados surgiram.
 Outra via seguida para se manter o “status” foi a da criação de partidos relâmpagos sempre que se aproxima eleições. Partidos muitas vezes com símbolos parecidos ou idênticos aos de outros que fazem a diferença e que se mostram uma oposição realmente forte e com pernas para andar.
 Na linha da frente de toda a orquestração, ensaio e execução de tarefas na frente da corrosão da oposição, conta-se com préstimos de académicos, intelectuais, comunicadores sociais que, controlados pelos serviços de inteligência afectos ao partido no poder, se multiplicam na produção de mensagens que coloquem a oposição como suspeita de objectivos que não são de interesse nacional.
 Até se chega a extremos de publicitar, por exemplo, que uma vitória da oposição, Renamo, MDM, seria colocar o país na dependência dos ex-colonizadores. Repetem que haveria manifestações de vingança e que se entraria num período de caça às bruxas ou fantasmas.
 Há muito que se tornou evidente que intelectuais esfomeados são perigosos para a democracia.
 Há muito que se sabe que em Moçambique reina a impunidade e que o sistema judicial não tem garras nem dentes para se impor e cumprir com o seu papel.
 Há muito que se diz que os cargos de direcção são de confiança política.
 Há muito que se contrabandeia com a verdade e que se impõe a todo um povo aquilo que este não escolheu como seu governante ou representante.
 Quando os mancomunados triunfam não significa que a democracia triunfou, mas sim o contrário.
 As tentativas de aproximação e aterragem de figuras sinistras do passado e os préstimos repentinos de gente com culpas no cartório, utilizando o argumento de análise objectiva de uma realidade por demais conhecida, procurando fazer-se indispensável ao candidato declarado vencer das eleições presidenciais, personifica uma preocupação visível por parte destes franco-atiradores.
 Sentem que o terreno está movediço e que qualquer passo em falso pode ser fatal. Outros aparecem até elogiando posturas de Dhlakama, vítima da sua diabolização ontem.
 Convenhamos que é uma altura em que os “ratos sentem que o barco está meter água e que o seu naufrágio é iminente”.
É estranho e preocupante o facto de um número considerável de intelectuais e académicos bem como comunicadores sociais não se importar em investir na moralização política do país.
 Preocupante, suspeito, estranho e perigoso é que no país se esteja semeando a burla e a fraude como cultura perene, e a sociedade civil, na posse de elementos comprovativos disso, prefira manifestações cosméticas como forma de reclamação.
 Compreende-se de que de certos quadrantes não surjam sinais de preocupação com o rumo dos acontecimentos, pois isso está de acordo com a sua lógica de garantir a todo o custo uma sobrevivência colorida com mordomias e cargos.
 Estar na lista dos elegíveis para a próxima safra ou momento de distribuição de cargos está na mente de muitos.
 Enquanto de organizam pleitos eleitorais para conferir legitimidade a quem governa, outros estão maquinando no sentido de se manterem no poder.
 É um “braço-de-ferro” indecoroso, desnecessário ou, pelo menos, revelador de ausência de lucidez, hombridade e do apregoado sentido de Estado.
 Mercantilismo político, mercenários à vista, cooperação mais profunda com países aliados e outros prontos a ganhar posições na esfera geoestratégica de Moçambique podem ser condimentos para o colapso da actual paz frágil, já cheirando a ovo podre.
 Existirá alguma saída consensual e airosa que mantenha o “machado de guerra enterrado”?
Entre discursos e disparos, cabe aos ex-beligerantes escolher, mas é aos moçambicanos que não interessam mais balas perdidas ou dirigidas contra quem quer que seja.
 O povo moçambicano, neste momento grave de sua história, dispensa os que se engajam e dedicam a jogos de palavras e passam o tempo exigindo provas.
 Estes arautos estão promovendo situações de conflito que ceifarão vidas de inocentes.
 Vaticinar cenários de hostilidade aberta e renovada é o que uma pequena dose de realismo leva a concluir.
 Dizer “não” a mais “carne para canhão” é obrigação moral e patriótica de todos.

( Noé Nhantumbo, Canalmoz )