Thursday, 14 February 2013

Detido líder dos desmobilizados de guerra

O presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos, está detido nas celas do Tribunal Judicial do Distrito Municipal KaMpfumu, desde a manhã desta quarta-feira (13), acusado de ser o mandante de um grupo de seus agremiados, que agrediu, esta terça-feira (12), um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) no circuito de manutenção António Repinga, na capital moçambicana.
Hermínio dos Santos foi detido na sua residência localizada no bairro do Infulene, arredores da cidade de Matola, por um contingente de policiais. Pesa sobre ele também a acusação de ter dado ordens para o seu grupo arrancar uma arma de um agente supostamente do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), na circunstância trajado à paisana.
Ele poderá ser transferido para um centro prisional, onde vai aguardar pelo julgamento marcado para esta sexta-feira (15) pelas 10 horas. O @Verdade teve a reacção do Hermínio dos Santos, através de um manuscrito que ele enviou a Imprensa por via da sua família.
Na missiva, a vítima escreve que está preso sob acusação de ter mandado agredir e arrancar uma pistola de um membro da SISE que se infiltrou no grupo de desmobilizado que se encontravam concentrado no Repinga para pressionar o Governo e ceder às suas exigências. Dos Santos confirma ter havido agressão contra referido indivíduo e a arma foi posteriormente entregue à Polícia.
O comandante da PRM na cidade de Maputo, que estava em serviço no local na altura da concentração, disse que não conhecia o suposto agente da SISE e não pertencia à corporação. Alegou que se tratava de um bandido.
Segundo a família do líder dos desmobilizados de guerra, o seu parente foi detido por volta das 06 horas desta quarta-feira por um grupo de oito agentes da PRM à paisana. Eles cercaram a sua casa e surpreenderam-no enquanto dormia. Nenhum mandato de prisão foi apresentado, segundo Angacheiro dos Santos, filho do da vítima.



A Verdade

Reposição da energia eléctrica em Maputo vai custar 6 milhões de dólares



A empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) diz ter terminado, Terça-feira última, o trabalho que vai assegurando o fornecimento de energia eléctrica a capital moçambicana, Maputo.
O principal centro urbano do país foi afectado por vários apagões, consequência directa duma explosão havida na madrugada de Sábado último na subestação localizada na antiga Central Térmica da EDM em Maputo. A explosão causou a morte dum trabalhador da EDM.
Falando esta quarta-feira em conferência de imprensa, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da EDM, Augusto de Sousa Fernando, disse que na manhã de Terça-feira ultima concluiu-se a ligação directa para garantir o fornecimento de energia à parte baixa da cidade de Maputo, uma das mais afectadas pelos apagões.
“Desde Terça-feira, temos a situação minimizada. Há algum trabalho que ainda tem de ser feito para normalizar a situação”, disse ele, sublinhando, no entanto, que as ligações alternativas não vão afectar a qualidade de fornecimento de energia.
“Por ser uma solução provisória poderá haver alguns problemas, mas não nas proporções que tivemos no fim-de-semana”, admitiu o engenheiro Augusto Fernando.
A cidade de Maputo é alimentada por duas principais subestações, uma localizada na vizinha cidade da Matola e a outra em Infulene (também no Município da Matola), mas num bairro próximo do local onde se localiza a antiga Central Térmica de Maputo, infra-estrutura a que se encontram ligadas as duas subestações.
Normalmente, a subestação da Matola alimenta a zona baixa da cidade de Maputo e a de Infulene alimenta a zona alta. Há possibilidade de se fazer interligação das duas linhas em caso de emergência. Em caso de falha numa das subestações, passa-se a carga a outra e vice-versa.
Entretanto, com a explosão verificada na “central térmica”, essa interligação entre as duas subestações ficou comprometida.
Apesar disso, o PCA da EDM considera que não haverá problemas de qualidade de energia em Maputo. “Existe o risco, mas é difícil avaliar isso porque a fonte da Matola é fiável e tem uma grande vantagem que é o facto de possuir dois transformadores e três linhas”, disse Fernando.
“Pelo que me lembre, nunca tivemos situações de avarias na Matola. Podemos ter avarias, mas não prolongadas. Em termos de risco, não posso dizer que o risco é zero, mas a semelhança de outras cidades – como Xai-Xai e Inhambane, que dependem duma única fonte, a parte baixa de Maputo passou a depender duma única fonte e não de duas”, acrescentou ele.
Enquanto isso, técnicos da empresa alemã fornecedora do equipamento danificado, a ABB, parte esta Quinta-feira daquele país com destino a Maputo para apurar as causas da explosão ocorrida na central térmica de Maputo.
A EDM diz não saber ainda os prejuízos provocados no equipamento, mas uma avaliação preliminar, considerando os painéis danificados, estima-se que a sua reposição poderá custar entre cinco e seis milhões de dólares.
Contudo, a empresa pública terá que voltar a pagar pelo novo equipamento porque o agora danificado estava já fora do período de garantia (apenas de um ano), apesar de ter sido montado em 2007. Mas Augusto Fernando afirma que a EDM está assegurada.
A questão de indemnizações às ‘vítimas’ ainda é uma incógnita, uma vez que a empresa considera que “foi um incidente imprevisível e não premeditado”. Várias famílias queixam-se de ter perdido electrodomésticos, entre outros danos.
Contudo, a empresa admite a hipótese de se analisar caso a caso e decidir sobre possíveis compensações a atribuir aos consumidores lesados, que além de singulares, inclui empresas, fábricas, empresas de prestação de serviços, entre outros.



(RM/AIM)

Wednesday, 13 February 2013

Reposto fornecimento de energia eléctrica à cidade de Maputo - garante EDM


A Electricidade de Moçambique (EDM) garantiu ontem ter conseguido repor o fornecimento de energia eléctrica a capital do país depois de sucessivos cortes que deixaram a cidade às escuras durante todo o fim-de-semana.
O administrador executivo da empresa, Adriano Jonas, é citado hoje pelo jornal Notícias a dizer que o restabelecimento só foi possível na manhã de ontem quando se concluiu a correcção de um erro detectado no ensaio efectuado na linha que estava instalada para voltar a electrificar Maputo.
“Montamos duas linhas e durante os ensaios descobrimos que uma delas tinha os motores a funcionarem numa rotação contrária a prevista. Tivemos que corrigir o erro para evitar eventuais irregularidades e conseguimos restabelecer corrente à cidade”, disse aquele responsável da EDM.
Acrescentou que para se restabelecer o fornecimento de energia eléctrica foram instaladas linhas que partem da Subestação da Matola, no bairro Fomento, transmitindo corrente às subestações que alimentam a capital do país.
Garantiu que esta era a alternativa encontrada para o problema uma vez que ainda era necessário um trabalho de peritagem para saber qual será a solução da avaria resultante da explosão na Central Térmica.
“Já enviamos cartas ao fabricante dos equipamentos ora danificados e nos próximos dias saberemos qual deve ser a solução para a Central Térmica”, disse Adriano Jonas.
Até ao final da tarde de ontem não tinha sido registada nenhuma interrupção ou oscilação de corrente eléctrica e todas as actividades voltaram a normalidade na cidade.



Carnaval de Quelimane sob o signo da solidariedade

SOB o lema “Carnaval Solidário” encerrou em apoteose na madrugada de domingo a maior destas festas em Moçambique que vinha decorrendo há duas semanas na Praça da Independência na cidade de Quelimane. O carnaval deste ano ultrapassou todas as expectativas do ponto de vista de participação dos grupos foliões, assistência, organização e premiação.
Os grupos foliões entregaram-se de corpo e alma para conquistar a simpatia do júri e o público de Quelimane, Beira, Nampula, Maputo e Malawi marcou presença em grande número que a memória não traz recordações, tornando a Praça de Independência e toda a avenida marginal tão pequeno, não havendo espaço para pôr uma agulha.
Inicialmente, estava prevista a participação de vinte e sete grupos foliões dos bairros e das empresas mas a pressão sobre a organização foi tanta que acabou cedendo. Deste modo, dos vinte e cinco grupos previstos, o número acabou subindo para trinta e oito, sendo vinte e oito dos bairros e doze de empresas, estes últimos, que aproveitaram o evento para divulgar as marcas e produtos para o grande público presente. Mesmo com a abertura, havia grupos informais que não tendo conseguido a sua inscrição oficial não perderam tempo, “mergulharam” na festa do carnaval e conseguiram arrancar uma salva de palmas dos expectadores.
O Carnaval edição 2013 foi assistido por uma grande moldura humana não só de Quelimane, como também de outras cidades do pais e do estrangeiro. O contagiante ambiente de serpeantes danças, cor, luz e alegria a mistura com comes e bebes atraiu pessoas de Maputo, Beira, Nampula e Malawi.
Salvador Grande é um dos expectadores que saiu de Maputo para Quelimane para assistir ao carnaval. Em breve conversa com à nossa Reportagem, Grande disse que nunca na vida tinha visto um movimento tão cálido em torno de uma festa de carnaval. “Este movimento causou em mim uma grande surpresa; nunca tinha visto muita gente, mulheres, homens e crianças a juntar-se a um movimento cultural”, afirmou o nosso entrevistado para quem o evento se depende-se de si deveria acontecer pelo menos duas vezes por ano.
Sónia Nordine viajou de Nampula e afirma ter constatado que de facto o carnaval é uma das maiores festas de Quelimane, porque não tem idade e as pessoas encaram-no com uma alegria de fazer ciúmes. “ Já assiste carnaval em Maputo mas algo assim nunca vi; eu penso que esses momentos deveriam ser registados e documentados através de filmagens e fotografias e outras formas de comunicação para continuar a transmitir essa herança cultural a novas gerações e divulgar para mostrar que realmente o carnaval de Quelimane é o melhor e o maior de Moçambique”, disse.
Para além dos turistas malawianos, o alto Comissario daqueles pais em Maputo e sua esposa estiveram no encerramento do carnaval.Em breves declarações aos convivas aquele diplomata disse que notou muita entrega e estoicismo dos grupos foliões mas apelou para a necessidade de se usar essa energia para programas de desenvolvimento como educação e criação de condições de bem-estar social e económico.
Ainda no local abordamos os membros dos grupos foliões e jornalistas, os quais, manifestaram a sua satisfação com a organização. Para Clacia Mendes, pertencente ao grupo folião da 2M, a festa do carnaval ultrapassou as expectativas do ponto de vista de organização e participação do público, o que resta é a as autoridades municipais divulgarem mais o evento nas outras cidades e no exterior para que o mundo perceba que carnaval em Quelimane é de facto uma grande festa que não idade.
O jornalista da Rádio Moçambique e secretário provincial do SNJ Teófilo Noronha classificou o evento como sendo singular pela forma como os grupos foliões se bateram no palco para conquistar o júri. A documentação deste evento deverá, no dizer do nosso entrevistado, ser tomada a peito pela edilidade como forma de guardar o legado histórico-cultural às futuras gerações. “É preciso transformar as músicas locais no estilo samba para ‘quelimanizar’ mais a festa e não ser exclusivamente o samba brasileiro; noto algum esforço das bandas convidadas a fazer as músicas em samba e isso é agradável para os bons ouvidos”, disse Noronha.

Brasil e Malawi convidados de 2014

Entretanto, grupos foliões do Brasil e do Malawi poderão participar na festa do carnaval edição 2014. O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, disse por ocasião do encerramento da presente edição que com este gesto pretende-se mostrar ao mundo que Quelimane é de facto um pequeno Brasil quando se trata de carnaval. “Os brasileiros estarão aqui, dançando samba de lá e daqui numa miscelânea de músicas do mesmo tipo com sotaques diferentes; moçambicanos e brasileiros são povos com história colonial e comum e poderão fortalecer as relações bilaterais na área de cultura e o carnaval será a porta de entrada”, afirmou Manuel de Araújo bastante ovacionado pelo público presente.
O edil de Quelimane prometeu mais ajuda aos grupos foliões dos bairros na próxima edição. Cada um dos vinte e oito grupos recebeu 15 mil meticais para custear as despesas decorrentes da sua participação e no próximo ano aquele valor será acrescido em mais 10 mil meticais.
Entretanto, Alberto Manharage, director provincial dos Transportes e Comunicações da Zambézia, em representação do governador, considera que o carnaval de Quelimane é dos melhores e maiores de Moçambique, pelo há toda a necessidade de repensar a sua dinamização para ser considerado com um dos pilares culturais da província da Zambézia.



Quelimane gosta do carnaval

O carnaval é a festa de todos os tempos e a maior entre o povo chuabo. Desde dos anos 1950 que Quelimane festeja efusivamente o carnaval. Naquele período, não havia sequer uma instituição que se encarregasse de organizar a festa. Depoimentos de várias pessoas já na terceira idade afirmam que naquela época bastava um grupo de pessoas sair à rua a tocar e dançar ao carnaval, as outras iam aderindo, até o cortejo crescer e chegava-se no ponto onde todos paravam. Com música, comes e bebes as pessoas iam se divertindo. Era o carnaval popular.


Jocas Achar, Notícias

MDM em conselho nacional na Zambézia

Eleições Autárquicas.

O secretário-geral do movimento democrático de Moçambique (MDM) exige mais trabalho em Nacala por parte dos militantes daquela força política, para garantir a vitória do seu partido nas próximas eleições autárquicas, agendadas para Novembro próximo.
Luís Boavida, que falava durante um comício popular na cidade de Nacala, sublinhou que o seu partido está a trabalhar arduamente junto às bases para vencer o maior número dos seis municípios da província de Nampula.
Aliás, esta formação política em Nampula já trabalha de olhos postos nas próximas autarquias de Nampula, e Nacala constitui maior aposta do partido.
Boavida disse, por outro lado, que o início antecipado de preparação das eleições autárquicas no seu partido revela o nível de organização e seriedade com que o MDM encara os processos políticos no país.
Contudo, apesar de se mostrar satisfeito com o trabalho no terreno, este dirigente do partido liderado por Daviz Simango exige mais trabalho e união no seio dos membros e simpatizantes para conseguirem melhores resultados.
Refira-se que o MDM já elegeu os pré-candidatos nos seis municípios da província de Nampula, nomeadamente, cidade de Nampula, Nacala, Ilha de Moçambique, Angoche e vilas de Monapo e Ribáuè.


MDM em conselho nacional na Zambézia


O secretário-geral do movimento democrático de Moçambique anunciou, em Nacala, a realização da sessão ordinária do conselho nacional a ter lugar na cidade de Gurúè, na Zambézia, de olhos postos nas próximas eleições autárquicas deste ano e gerais do próximo ano.
Segundo Boavida, a reunião magna do seu partido, que decorrerá de 15 a 16 do mês em curso, visa afinar a máquina política do partido rumo aos próximos pleitos eleitorais.
Para além de ratificar o secretário-geral e membros da comissão política nacional, a reunião de Gurúè deverá indicar o novo presidente da mesa do conselho nacional, em substituição do Chico José, que perdeu a vida ano passado, em acidente de viação.
Luís Boavida não avança as razões da escolha daquela vila municipal que dista cerca de 400 km da cidade de Quelimane para realizar a referida reunião.



Francisco Bene, O País

Tuesday, 12 February 2013

Cidade de Maputo às escuras pelo quarto dia consecutivo

Falta de energia provocou caos e prejuízos na capital.

Ontem, ao quarto dia sem electricidade, Maputo transformou-se numa cidade fantasma: empresas sem abrir, muitos negócios parados, trânsito caótico, ao que se juntou um calor infernal. Famílias, comércio, indústria e serviços andam com a calculadora na mão a somar prejuízos. A EDM diz que hoje se volta, finalmente, à normalidade, mas o mal há muito que está feito e é tempo de saber se paga a conta.
Técnicos da Electricidade de Moçambique trabalham a todo o vapor, desde sexta-feira, para que Maputo volte a ter energia eléctrica. O próprio presidente do Conselho de Administração da empresa, Augusto Sousa, faz-se ao terreno para acompanhar os trabalhos e até foram contratados técnicos da Alemanha para ajudar na solução, mas o certo é que, até ontem à noite, pelo quarto dia consecutivo, Maputo continuava às escuras, com luz a espaços, aqui e acolá, por algum tempo.
As consequências foram indisfarçáveis: se no fim-de-semana foram os programas sociais que sofreram, ontem foi o trabalho, a produção, pois foi o primeiro dia útil de trabalho pós...crise.
Em toda a cidade foi um vê se te avias. Todos os que têm na energia eléctrica um bem precioso para o seu trabalho não trabalharam. A menos que tivessem geradores, como foi o caso dos bancos, das seguradoras, das telefonias móveis.
O certo é que a capital não se dá, definitivamente, sem energia. A EDM perspectiva uma ligação alternativa à cidade. Experimentou-a a espaços ao longo do dia de ontem, mas há cidades que, pela sua dimensão, já não podem experimentar energia durante algumas horas e, depois, entrarem em apagão.
Por volta das 16 horas de ontem, o administrador da empresa para a área de produção, transporte e operador do mercado, Adriano Jonas, disse que alguns bairros da cidade, nomeadamente a zona da Sommershield, Polana Cimento, já tinham corrente. Mas as zonas dos grandes centros comerciais, casos da baixa e do Alto-Maé, entre outros, ainda estavam às escuras. Jonas garantiu que até às 20h00 de ontem a corrente seria restabelecida, mas isso não sucedeu, pelo menos até ao fecho do nosso jornal.



Tiago Valoi , O País

Problemas de transporte e lixo na capital

SR. DIRECTOR!

Muito obrigado pela oportunidade que V.Excia me concede para a publicação deste texto. Na qualidade de munícipe desta folclórica urbe, a capital do país, sinto-me encorajado em satirizar as qualidades da cidade que me viu nascer. São visíveis os movimentos e a postura que diariamente a cidade tem vindo a mostrar.
Para o tema que aqui pretendo abordar, vou apresentar e desenvolver a outra parte do pacote referente aos dois fenómenos que directamente e diariamente afligem os habitantes desta urbe.
O problema do lixo é dos mais antigos e paradoxalmente menos discutidos na arena social. Seria este um problema de dimensão antropológica, ou seja, uma inquietação cuja solução passa pelo estudo integrado do homem habitante? Seria de dimensão sociológica? Ou seria o problema de dimensão estrutural organizacional da urbe? Seria este problema duma destas dimensões ou das três dimensões aglutinadas? Tecnicamente, estas hipóteses são convergentes num ponto: na questão ÉTICA. A postura urbana sadia tende a respeitar a moral. Citando Japiassú “A moral está mais preocupada na construção de um conjunto de prescrições destinadas a assegurar uma vida comum justa e harmoniosa”. Refiro-me a postura que certos munícipes desta cidade demonstram. É usual observar na cidade das acácias (não obstante o desaparecimento progressivo das ditas acácias), citadinos arremessando lixo em lugares impróprios; nas praias são visíveis latas de lixo saturadas transbordando lixo por todo o lado, clamando pela proliferação de recipientes ou de recolha eficiente; nas ruas, nos pisos, nos carros, etc.
Um dado curioso observa-se nos transportes: tanto nos colectivos de passageiros como nos particulares, onde pessoas sóbrias atiram pela janela objectos sobre a rua. Atitude esta que tende a multiplicar quando tão pouco se vê nos petizes, uma acção contrária a esta, visto que, adquirem este modo de agir nos seus parentes admiradores. Nesta urbe é molestada a MORAL, muito se fala, mas pouco se pensa no futuro.
Ao amanhecer verifica-se um outro fenómeno de carácter desumano, asqueroso, hostil, estridente, o fenómeno dos transportes de passageiros de “caixa aberta”. Transportes com uma roupagem totalmente negativa. Este fenómeno deve-se ao facto dos autocarros colectivos e semi-colectivos não conseguirem ser abrangentes a todas as pessoas desta “bela” urbe? Ou deve-se a voz do povo que está minimizada, de tal modo que, mal se ouve o alarido do tal mais almejado desejo de desenvolver-se mais a nível dos transportes? É de reconhecer o papel dos transportadores que fazem de tudo ao seu alcance para perspectivar maior segurança aos seus passageiros. Para que estes possam sair e chegar nos seus destinos salvos de qualquer sinistralidade nas estradas. A estes intitulo-os heróis, pois, as suas acções derivam de um grande sacrifício. Sacrificam-se para o bem do outro, que também é humano. Estes têm em vista primeiro a segurança, e só depois as receitas monetárias. Coisa esta que não se verifica em outros transportadores, que identificam as pessoas como cargas que valem a tarifa de viagem, e pouco fazem pela segurança das mesmas.
Mais interessante ainda é que ainda assim continua se vendo as enchentes nas paragens da cidade e arredores. Gente que fica horas e horas esperando, em condições desumanas, visto que das poucas paragens que herdaram assentos de espera do tempo de “Lourenço Marques”, maior parte delas estão destruídas e pouco dignas de ser utilizados.
Emmanuel Kant, um expoente moderno no tempo, escreveu uma obra intitulada a Critica da Razão Prática, onde analisa os fundamentos da lei moral. Acaba formulando um famoso princípio do imperativo categórico: «Age de tal forma que a norma da tua acção possa ser tomada como lei universal». É um princípio que nos diz que só devemos basear a nossa conduta em valores que todos possam adoptar. Esta Ética é por muitos vista como um marco contributo para a melhoria do caos alojada no tempo e hoje superada. Se hipoteticamente cultivada nas mentes, transformada no nosso contexto e difundida para todos, quem sabe a postura citadina melhore de forma concreta e se possa efectivamente dizer: “Maputo, cidade próspera, bela e cívica”.
Tenho dito.

Joaquim Matos Pedro Sitole, Notícias

Monday, 11 February 2013

O problema dos sintomas

As notícias que nos chegam de Chókwè, ainda que não possam ser generalizadas, devem deixar triste qualquer cidadão que se preze. O cenário das cheias de 2000, para desgraça dos que sofrem, repete-se. Ou seja, a desgraça virou a força motriz do enriquecimento de um punhado de pessoas. E nós, os tolos do dia, chegamos a pensar que poderia ser diferente. Mas não é e nem vai ser.
O cenário é aterrador e o roubo está institucionalizado. Há quem vai enriquecer desalmadamente desviando a ajuda que devia mitigar os efeitos de uma calamidade que de natural tem muito pouco. Como ninguém trabalhou para impedir que se dessem as condições daquele trágico episódio do passado, seria impossível reduzir o impacto das cheias.
No que toca ao roubo, acabamos por reafirmar que se repetiu a tristeza de há 13 anos, em que as cheias criaram novos ricos com o mesmo padrão de vergonha. Qualquer tentativa de explicar o fenómeno, reconduzir- -nos-ia aos mesmos pontos de partida. O que faltou fazer?
Gestão do curso das águas, políticas regionais, criação de sistemas de drenagem eficazes, eis o que vivemos dizendo, qualquer seja a conjuntura económica nacional. Como qualquer das soluções apontadas vai requer avultados investimentos, acomodamo-nos na justificação destes constrangimentos. “Construir o país leva tempo”, dizem alguns do alta da sua sapiência.
Somos, portanto, um país que se preocupa com sintomas e nunca com as causas. A discussão gira, agora, em torno dos infelizes que desviam as ajudas que foram canalizadas para Chókwè e dos responsáveis que colocaram os seus familiares nas filas.
Esquecemos os outros, aqueles que desviam camiões inteiros antes sequer de pensarem em partir para o lugar onde estão as vítimas o que é, diga-se, também um sintoma. Esquecemo-nos daqueles que pedem comissões chorudas em qualquer obra pública. Esquecemo-nos dos atrasos na reabilitação de estradas e pontes. Esquecemo-nos da má qualidade das obras públicas. Esquecemo-nos que o norte do país é excedentário em cereais.
Andamos contentes com a doação do Japão e com a concessão de seis milhões hectares de terra aos agricultores brasileiros. Eles vão, já se sabe, produzir para o mercado externo. É óbvio que estatisticamente iremos produzir mais comida, mas também é inegável que tal criará mais bolsas de fome.
Afinal qual é o problema do país? Temos de nos abstrair dos sintomas para situar o conjunto de todos os elementos que concorrem para que sejamos impotentes diante de um evento deste género.
O problema, em Chókwè, nem é o roubo em si e o aproveitamento da desgraça alheia. Aquele ladrão de Chókwè foi arrastado pela onda do pensamento estático. Portanto, refugia-se no facto de não ser o maior culpado, de constituir, na verdade, o novo-rico de um sistema que cria pobres, o incompreendido que pode enriquecer na tragédia dos semelhantes.
E não é sem motivo que assim julga, pois alguns dirigentes até são capazes de festejar um aniversário com pompa e circunstância, com direito a transmissão televisiva, num momento de pranto e ranger de dentes. Esse é o problema de atacar os sintomas...



Editorial, A Verdade

Sunday, 10 February 2013

Tráfico de madeira e corrupção em Moçambique

« Laços de primeira classe : Tráfico de madeira e corrupção em Moçambique », assim se intitula o relatório publicado hoje em Londres, que denuncia as ligações de alto nível entre moçambicanos e importadores chineses pouco escrupulosos. No ano passado, Moçambique perdeu 30 milhões de dólares (22 milhões de euros ), devido ao tráfico ilegal de madeira.
Um estudo publicado esta Quinta feira em Londres, pela ong Environmental Investigation Agency, revela que metade das exportações de madeira moçambicana para a China são ilegais.
Intitulado « Laços de primeira classe : Tráfico de madeira e corrupção em Moçambique », o relatório sublinha que em 2012 o valor total das exportações de madeira para a China atingiu 130 milhões de dólares, e que o País poderia ter ganho 29 milhões de dólares de impostos.
Carlos Serra jr., jurista ambiental da ong moçambicana Terra Viva, afirma que Moçambique tem grandes dificuldades em travar este tráfico ilegal.
Ainda segundo o relatório da Environmental Investigation Agency, as autoridades moçambicanas têm desenvolvido esforços para combater o tráfico ilícito de madeira, mas vários homens políticos moçambicanos, em colaboração com comerciantes chineses pouco escrupulosos, têm conseguido contornar as leis. Para o jurista ambiental Carlos Serra jr. , as empresas chinesas operam em Moçambique com condições definidas pelas autoridades moçambicanas, que se têm mostrado demasiadamente brandas.



RFI

Saturday, 9 February 2013

Apagão eléctrico na capital de Moçambique

Uma avaria grossa, causada por uma explosão no aparelho de comando da Central Térmica de Maputo originou um apagão na capital de Moçambique tendo ainda causado a morte de um técnico na noite desta Sexta-feira (8).
Segundo a Electricidade de Moçambique (EDM) já decorrem trabalhos de reparação porém, devido a gravidade da avaria, o fornecimento pleno de energia eléctrica a vários bairros da cidade de Maputo só deverá a acontecer na Segunda-feira (10).
Entretanto a EDM está a usar fontes alternativas para assegurar o fornecimento de energia aos Hospitais e Estação de bombagem de água localizados noS bairros da capital moçambicana afectados e apela para o uso racional enquanto o fornecimento for de forma restritiva.



A Verdade

CHUVAS UM POUCO POR TODO O PAÍS - Precipitação recorde registada em Janeiro

O MÊS de Janeiro da presente época chuvosa (2012-2013) foi caracterizado por queda de chuvas intensas e intermitentes em quase todo o território nacional, mas com maior destaque para as zonas sul e centro do país com precipitação total em 10 dias superior a 300 milímetros.
De acordo com a análise feita pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), a precipitação acumulada de algumas regiões representadas pelas estações meteorológicas superou não só a climatologia do passado mês de Janeiro, como também a do trimestre Janeiro a Março.
Com efeito, regiões como Ndindiza (726 milímetros), Xai-Xai (575mm), Panda (643mm), Espungabera (558mm), Chimoio (468mm), Milange (512mm), Quelimane (473mm), Nampula (478mm), Marrupa (433mm) e Mueda (312mm) espelham o tipo de padrão que prevaleceu durante o referido período, explicando em parte o drama das cheias e inundações que se vive actualmente nalgumas regiões do país.
A antevisão para o período Fevereiro/Março/Abril (FMA) mostra maior probabilidade de ocorrência de chuvas normais com tendência para acima do normal em quase todo o país, com excepção de uma parte da faixa litoral da província de Nampula e parte do oeste da província de Tete, onde espera-se maior probabilidade de ocorrência de chuvas normais com tendência para abaixo do normal.
Segundo a monitoria feita pelo INAM, o início da segunda metade da época chuvosa 2012-2013, que decorre de Janeiro a Março, foi caracterizada por chuvas intensas e intermitentes em todo o território nacional, em curto espaço de tempo, o que contribuiu significativamente para as inundações, destruições de infra-estruturas e perdas de vidas com maior destaque para as zonas sul e centro.
Esta constatação também é bem patente com anomalias acima de 200 milímetros de precipitação registada no mês de Janeiro em relação a climatologia do mesmo mês, sobretudo na faixa costeira da província de Gaza (nordeste do distrito de Bilene-Macia, Xai-Xai, sul de Chibuto, Mandlakazi e Chicualacuala), e província de Inhambane (partes dos distritos de Zavala, Inharrime e Panda) e entre 100 e 200 milímetros nos distritos de Mossurize e Sussundenga, na província de Manica junto à fronteira com o Zimbabwe e na faixa costeira da província da Zambézia (distritos de Nicoadala) e Nampula (distritos de Angoche e Mogincual).
O estado actual do ENSO (El Niño Oscilação Sul), um dos principais indicadores de precipitação da África Austral, mostra que apesar do ligeiro arrefecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, prevalece na situação neutral e os modelos indicam a continuação desta situação até ao fim da época chuvosa.
Até ao momento, pelos dados partilhados ontem no Conselho Técnico de Gestão das Calamidades, realizado em Maputo, as intempéries causaram a morte de 105 pessoas, a maioria das quais em Gaza (41) na sequência das cheias, 19 na Zambézia e 17 em Nampula. Outros locais que já registaram óbitos de Outubro até ao momento são a cidade e província de Maputo (7), Sofala (3), igual número em Tete e Manica, 5 em Cabo Delgado e 7 em Niassa.Apesar da elevada concentração de pessoas nos centros de acomodação, particularmente em Gaza, onde totalizam 172598, as autoridades estão satisfeitas por até ao momento não ter ocorrido óbitos.O número de doentes registados na passada quinta-feira era de 1369 padecendo de doenças comuns como diarreias, malária (a maior parte dos casos), conjuntivite, hipertensão, doenças de pele, entre outras. Desde que foram abertos os centros de acomodação a 24 de Janeiro foi registado um cumulativo de 9805 casos de doença.


Notícias

Friday, 8 February 2013

“Há falta de políticas para inverter o cenário”

Daviz Simango visita zonas afectadas pelas cheias:

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) afirma que o Governo de Armando Guebuza não tem políticas concretas para reduzir os impactos das calamidades naturais, com destaque para as cheias e inundações que, anualmente, dizimam vidas humanas.
Segundo disse, no país, há diques e barragens que podiam ser viabilizados para minimizar os efeitos da Chuva. O presidente do MDM entende que o governo deve desenhar políticas visíveis para desencorajar construções em zonas propensas às inundações (...).
“Eventualmente, em Moçambique, falhamos nas políticas das águas. é verdade que situações naturais deste nível são difíceis de evitar, mas a que reduzir as consequências das inundações”, disse.
O presidente do MDM, que esteve Zambézia onde doou diversos quites de alimento com destaque para arroz, açúcar, óleo alimentar, entre outros, para pouco mais de sete mil pessoas que se encontram nos centros de acomodação de Nicoadala e Quelimane, constatou haver pouco alimento nos armazéns do INGC capaz de satisfazer às necessidades das populações.



O País

Nova vaga de chuvas à vista: Áreas de inundações devem ser desocupadas

ELEVADOS escoamentos provenientes a montante, nomeadamente da Zâmbia e do centro e nordeste do Zimbabwe, poderão criar um impacto significativo no aumento dos níveis de água em rios como Zambeze, Save, Púnguè e Limpopo. É neste quadro que as autoridades gestoras dos recursos hídricos chamam a atenção para que a população se retire das áreas susceptíveis a inundações
Estes impactos, segundo Rute Nhamucho, chefe do Departamento de Recursos Hídricos na Direcção Nacional de Águas, poderão se fazer sentir em território nacional a partir do próximo domingo.
Na análise feita por Sérgio Buque, do Instituto Nacional de Meteorologia, estas chuvas resultam da actividade da chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que nos meses de Janeiro a Março é responsável pela abundante pluviosidade na região Centro/Norte do país e em nações como Zimbabwe, Malawi e Zâmbia.
É neste quadro que até o dia nove de Fevereiro esperam-se chuvas em regime forte e localmente muito fortes em Tete, Zambézia e parte sul da província de Nampula.
As trovoadas e chuvas fortes (mais de 50 milímetros em 24 horas) far-se-ão sentir com maior intensidade no norte de Tete (distritos de Zumbo, Marávia, Chifunde, Macanga, Angónia e Tsangano), extremo norte da Zambézia (distritos de Milange, Lugela, Namarrói, Gurué e Alto Molócuè) e sul de Nampula (Malema e Ribáuè).
Face a esta previsão, as autoridades na Zambézia estão a acelerar a retirada das pessoas das áreas de risco para os bairros de reassentamento e a intensificar a divulgação de medidas de prevenção.
Aliás, o director-geral do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC), João Ribeiro, encontra-se desde terça-feira na Zambézia para com as autoridades locais articular os mecanismos de reforço das medidas de mitigação num quadro da crescente fragilidade devido à persistência das chuvas na região.
Em termos gerais, segundo dados partilhados ontem na reunião do Conselho Técnico de Gestão das Calamidades em Maputo, Nampula, Zambézia, Inhambane, Gaza e Maputo são as províncias que ainda mantêm vivas as marcas da presente época chuvosa que afectou, em todo o país, 212.943 pessoas, das quais 151.122 estão nos centros de acomodação.
A província de Gaza, particularmente, é a mais afectada, porque as cheias assolaram o vale do Limpopo, bastante povoado, conhecidas que são as suas potencialidades agrícolas.
Basta dizer que mesmo num quadro de melhoria geral da situação (os níveis dos rios baixaram significativamente) continuam nos centros de acomodação 140.213 pessoas, um quadro motivado pelo facto de a maioria ter perdido tudo, tendo que recomeçar a vida preferencialmente em zonas consideradas seguras.
No terreno os esforços estão direccionados para o programa de reassentamento, identificação de áreas e parcelamento de terra para início do processo de reconstrução e recuperação dos deslocados.
No entanto, ainda prevalecem alguns desafios, nomeadamente no que se refere às infra-estruturas, cuja recuperação vai levar tempo, apesar da urgência que já se sente, particularmente no que se refere às vias de acesso, que permitem a movimentação de pessoas e bens.
Basta referir que devido ao mau estado das vias carvoeiros há que continuam retidos nas zonas de corte, muitas delas situadas a norte de Gaza, porque ainda não é possível transportar a mercadoria para os grandes centros de consumo situados na cidade de Maputo, onde o preço do carvão e lenha mostra sinais de incremento.
Nas zonas de reassentamento também faltam estacas para acelerar a construção de abrigos e também de latrinas. Neste momento estão em curso diligências para trazer aquele material de construção a partir da província de Inhambane.

Osvaldo Gêmo, Notícias

Liga dos Direitos Humanos sai em defesa dos médicos estagiários

Reprovados pelo director da Faculdade de Medicina da UEM.

Para a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, trata-se de um acto administrativo inquinado de arbitrariedade e má fé. A Liga diz que a legalidade da greve foi reconhecida por escrito no acordo celebrado entre a Associação Médica e o Ministério da Saúde.
A Liga dos Direitos Humanos (LDH) veio ontem, através de uma nota de imprensa, manifestar a sua indignação com a decisão do director da faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que numa sentada chumbou 100 médicos estagiários por terem aderido à greve convocada pela Associação Médica de Moçambique, visando exigir melhores condições de trabalho.
Diz a Liga dos Direitos Humanos que se trata de um “acto administrativo inquinado de arbitrariedade e de má fé”. Por outro lado, a LDH diz que o despacho emitido pelo director da faculdade, Mohsin Sidat, preteriu, à luz do Regulamento Pedagógico da UEM e do regime do estágio médico integrado, os requisitos essenciais exigidos para a reprovação dos visados.
“O acto não apresenta todos os requisitos legais que fundamentam a sua legalidade. A avaliação final do médico estagiário carece, também, da apreciação do médico supervisor e de um júri que integra médicos que acompanharam o estágio, que possam fazer uma avaliação consensual e objectiva”, refere a nota de imprensa.
A instituição liderada por Alice Mabota lembra ainda que a avaliação do desempenho do médico estagiário em cada estágio parcelar do estágio final integrado deve ser feita em duas partes interligadas a saber: (a): qualidade das actividades desempenhadas pelo médico estagiário, no serviço onde estagia 50% e (b): grau de cumprimento das habilidades técnicas, realizadas no departamento ou sector onde estagia 50%.
“Os reprovados são, simultaneamente, estudantes do 6º ano de Medicina, médicos estagiários e membros associados da Associação Médica de Moçambique (AMM) nos termos do disposto no art. 12 do Estatutos da AMM e do art. 20 dos Estatutos da Ordem dos Médicos de Moçambique (OrMM). Por força disso, estão sob a direcção tanto da Faculdade de Medicina como do Ministério da Saúde (MISAU)”.
“Os mesmos têm um contrato com o MISAU, através do qual auferem um subsídio e estão sob a direcção desta instituição nos termos desse contrato. Ademais, o despacho em questão determina que a data do início de repetição do estágio fica ao critério dos departamentos onde o mesmo deve decorrer, o que significa que reconhece o vínculo entre o MISAU e os médicos estagiários (estudantes de 6º ano”).
A Liga dos Direitos Humanos recorda ainda que a legitimidade da greve dos médicos é reconhecida no acordo celebrado entre o MISAU e AMM no dia 15 de Janeiro de 2013 e com efeitos imediatos. “O acordo resultou de um encontro de trabalho entre o MISAU, representado pelo ministro da Saúde, e a AMM com vista à suspensão efectiva do exercício da greve dos médicos, a qual integrava médicos estagiários. Este acordo beneficiou de assessoria jurídica para evitar a prática de ilegalidades e arbitrariedades, pelo que deve ser cumprida em respeito às condições e direitos reivindicados pelos médicos, sem nenhum tipo de represálias”.
Assim sendo, a Liga dos Direitos Humanos conclui que “os médicos não praticaram nenhuma irregularidade que justifique a medida tomada pelo despacho em apreço. Aliás, as faltas cometidas pelos médicos estagiários fundam-se na greve realizada, cuja legitimidade foi reconhecida, por autoridade pública, o MISAU, no acordo em referência, através da qual garantiu que os visados não serão vítimas de represálias de qualquer natureza. Este acordo, pelo seu conteúdo, justificou as faltas cometidas, tanto pelos médicos, como pelos estagiários”.



 O País

Thursday, 7 February 2013

Portugal envia ajuda humanitária para auxílio às vítimas das cheias em Moçambique



Portugal vai enviar uma equipa médica, medicamentos e equipamento para auxílio às vítimas das cheias em Moçambique, anunciou hoje em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“Esta ação da cooperação portuguesa resulta da coordenação de esforços do Ministério da Saúde, do Ministério da Administração Interna e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e está a ser operacionalizada pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua”, indica a nota do MNE.
No comunicado, que não especifica a data do envio da ajuda humanitária o Governo português “expressa o seu reconhecimento à TAP por apoiar esta ação humanitária”, por ter facilitado, “gratuitamente” o transporte do material em questão, bem como às “empresas farmacêuticas que se associaram a esta iniciativa”.



Ionline

Para aflição geral de Gaza: Limpopo volta a subir

A BACIA do Limpopo poderá registar um novo pico de caudal, mas as autoridades gestoras dos recursos hídricos tranquilizam dizendo que não se prevê impactos muito significativos para a vida das pessoas.
De acordo com as informações avançadas ontem, em Maputo, por Rute Nhamucho, chefe do Departamento dos Recursos Hídricos, entre terça e quarta-feira, foi registado um pico do caudal na ordem de 1300 metros cúbicos por segundo na estação de Beit Bridge, na fronteira com a África do Sul.
Face à previsão da continuação da ocorrência de chuva intensa sobre a Bacia do Limpopo nos países a montante, em particular no Zimbabwe, e a contribuição do pico de caudal na ordem de 1300 metros cúbicos registado em Beit Bridge, prevê-se que passe por Combumune uma onda de 4000 metros cúbicos por segundo nos próximos dois dias.
Este escoamento deve chegar à zona do Chókwè/Caniçado na ordem de 3000 metros cúbicos por segundo nos próximos quatro dias.
Nesta ordem, o nível medido no Chókwè, que já se encontrava abaixo do alerta ontem, poderá voltar a subir ultrapassando a escala de cinco metros considerado como sendo o ponto de aviso.
Entretanto, dadas as fragilidades ainda prevalecentes na Bacia do Limpopo, Rute Nhamucho aconselha para a necessidade de vigilância permanente e máxima atenção aos avisos.
“Em condições normais, este caudal pode ser absorvido no leito do rio, mas na situação actual é difícil prever o que pode acontecer”, disse Nhamucho.
Em consequência das cheias registadas naquela bacia, perto de 140 mil pessoas continuam nos centros de acomodação temporários à espera dum melhor momento para regressarem às zonas de origem. A maior parte desta população provém do distrito do Chókwè, um dos mais flagelados.
O caudal medido em Macarretane, na altura da última inundação do Chókwè, era de cerca de nove mil metros cúbicos por segundo. O avaliado junto à fronteira com a África do Sul foi de oito mil metros cúbicos por segundo e o que entrou no território moçambicano atingia 10 mil metros cúbicos por segundo no dia 19 de Janeiro, contando com contribuições provenientes do rio Limpopo.
Segundo as contas da DNA, o pico previsto para os próximos dias está muito abaixo em relação à última cheia.
Outro motivo de alarme, de acordo com Rute Nhamucho, é o Rio Umbelúzi, que tem estado a registar elevados escoamentos de tal modo que dos cinco metros cúbicos por segundo que normalmente são libertados pela Barragem dos Pequenos Libombos passou-se para 24 metros cúbicos por segundo.
Explicações dadas pela nossa fonte apontam que as descargas podem vir a aumentar nos próximos dias na medida em que a Barragem dos Pequenos Libombos já atingiu a chamada curva-guia que corresponde à quantidade de água que deve estar disponível por estas alturas do ano para que continue a manter a necessária capacidade de encaixe. Dados a que a nossa Reportagem teve acesso dão conta que aquela infra-estrutura estava já a 90,2 por cento da sua capacidade de enchimento.
Em resultado dos elevados escoamentos gerados a montante, já há alguns reflexos a nível da água que abastece a cidade de Maputo que se apresenta turva. As autoridades chamam a atenção que a coloração não constitui problema, sendo que a mesma está apta para o consumo porque foi previamente tratada.
Relativamente às zonas centro e norte do país, nas bacias do Zambeze, Púnguè, Licungo, Búzi e Messalo, os níveis hidrométricos estão abaixo do alerta mas com tendência de subir face à precipitação prevista nesta região.


Notícias

Wednesday, 6 February 2013

Presidente da República não se pode esconder no silêncio

O povo moçambicano clama por liderança e o seu Presidente não pode ser embrulhado em “paninhos quentes” por um conjunto de pessoas cobertas por estatuto de assessores e conselheiros cumprindo agendas muitas vezes desconexas com os reais interesses nacionais.




Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 5 February 2013

Catástrofe humanitária em Gaza ou cooperação regional inexistente?

Tanta Tecnologia de Informação e Comunicação para nada…

Com investimentos vultuosos sendo feito na área de Tecnologias e Informação e Comunicação, com tanto contacto político entre o governo sul-africano e o moçambicano ainda se mostra longe o dia em que aquela comunicação efectiva e útil vai acontecer.
Os gestores das bacias hidrográficas compartilhadas, os serviços de meteorologia, os governos de países vizinhos têm obrigações inalienáveis. As chuvas e as suas previsões existem e são monitoráveis.
As infraestruturas hidráulicas são conhecidas e seus limites também. Não constitui surpresa ou ninguém pode alegar que não havia conhecimento de que as barragens sul-africanas iriam abrir suas comportas se modos a protegerem--se. Também a barragem de Massingir tem os seus planos ligados a ocorrência de chuvas a montante e de descargas dos vizinhos.
Na mesma altura em que se prévia uma catástrofe os governantes, responsáveis do pelouro de águas que fizeram entre nós? Quem não possui informação procura-a. Cabe aos vizinhos estabelecerem canais fluídos de comunicação para atempadamente decidirem o que se deve fazer no momento oportuno.
Não se pode ficar a espera de que as catástrofes aconteçam e que depois se “comece a chorar”.
Do governo espera-se uma acção proactiva, inteligente, diligente, com impactos visíveis. Agora que a desgraça chegou a Chokwe numa repetição dantesca do que aconteceu em 2000 provam-se capacidades e desempenhos de que exerce funções governativas.
Todo o aparato posto à disposição de nossos governantes, telefonia fixa, móvel, via satélite, internet, gabinetes de estudo, assessores das diversas áreas para que servem afinal? Quem é rápido a orçamentar e a assegurar que os recursos sejam fornecidos pelo Orçamento Geral do Estado deve ser responsabilizado quando as coisas correm mal.
É tão simples como isso.
A comunicação entre as autoridades do pelouro de águas da África do Sul e Moçambique está aquém daquela que deveria existir.
Se em questões nevrálgicas como o controlo das bacias hidrográficas compartilhadas não se consegue fluidez comunicativa, rapidez e eficiência para que servem os recursos gastos em consultorias e montagem de estacoes higrométricas?
A SADC é o organismo regional que se entende que gere e coordena acções regionais visando promover o desenvolvimento económico e politico da África Austral. Os povos pagam para que a SADC exista e que seus funcionários sejam pagos a tempo. Tomas Salomao, Secretario Executivo da SADC até é moçambicano e tem responsabilidade em tudo o que acontece ao nível da região.
Os diversos gabinetes técnicos, os ministérios de obras públicas, de águas e outros dos governos regionais são responsáveis pela gestão dos assuntos correntes.
Há coisas da natureza que não se podem evitar mas há outras em que uma comunicação atenta, atempada pode servir para colmatar e diminuir os efeitos de catástrofes naturais.
O momento é de trabalhar-se para o salvamento de pessoas e seus bens. É tempo de lançamento de campanhas de solidariedade social de âmbito nacional, regional e internacional.
Mas convém que se aprendam as lições em momentos como este em que as chuvas numa ampla região fazem os seus efeitos.
Em outras latitudes e países, na Rússia e nos EUA a gestão de catástrofes naturais fez cair directores de emergência e ministros.
Katrina e outras crises foram suficientes para se entender que a burocracia em que funcionavam instituições vitais para o socorro humanitário e a sua prevenção estavam adormecidas.
A decisão política inadiável foi se responsabilizarem os titulares de tais órgãos. Politicamente é necessário que prossigam acções de socorro e organização de todo um esquema que minore o sofrimento de milhares de pessoas.
Agora o epicentro da crise humanitária é Gaza mas rapidamente a situação pode evolui para outras bacias hidrográficas nacionais.
O caracter cíclico das cheias, conhecido tanto pelo governo como pela população exige que medidas proactivas sejam tomadas.
A planície de Gaza agora inundada, em que se localizam alguma cidades e outros aglomerados populacionais requer uma profunda revisão no seu ordenamento territorial. É uma questão de sobrevivência e de sentido de prevenção.
Uma planificação dos recursos hídricos deve ser feita de modo a que as infraestruturas de defesa necessárias sejam consideradas e fundos alocados para a sua edificação. O futuro começa hoje e aquilo que é tecnicamente aconselhável, deve ser executado sob pena de Moçambique viver sempre sobressaltado por inundações e outros fenómenos naturais.
Não é tempo de aproveitamentos políticos mas os parlamentares devem ser os primeiros a unirem-se em defesa dos cidadãos, descontando de seus salários para aliviar seu sofrimento, pressionando o governo a libertar recursos em socorro as vítimas das cheias, preparando planos de contingência a altura das necessidades.
Enquanto isso convém que o governo de Moçambique abra os olhos e institua uma comissão de inquérito sobre a gestão da bacia do rio Limpopo.
Quem tem telefone pago pelo estado e responsável pelo pelouro de águas deve responder ao que sabe e explicar o que fez antes da declaração da cheias e depois.
A ARA SUL, o Ministério das Obras Públicas e Habitação, o INGC, o governo em si, deve explicar devem explicar aos moçambicanos o que aconteceu, o que falhou, quem falhou ou quem não fez o que deveria fazer.
É preciso passarmos de um governo faz de conta para um governo que realmente faz.
Os “compadres” que existam fora daquilo que são as responsabilidades inerentes aos cargos públicos que exercem.
Assistir-se serena e impavidamente ao avanço das águas e a destruição não é o que os moçambicanos esperam de seu governo…



Noé Nhantumbo, Canal de Moçambique – 30.01.2013, citado no Moçambique para todos

Portugal não vai abrandar relações com Moçambique

O EMBAIXADOR de Portugal, Mário Godinho de Matos garantiu que apesar da contenção orçamental no contexto da crise da zona do Euro, o seu país não vai abrandar a cooperação com Moçambique.
Mário Godinho de Matos, que falava há dias, em Maputo, durante uma conferência de imprensa, disse ainda que apesar da necessidade de racionalizar os gastos e independentemente de outras acções que temos que tomar, a cooperação portuguesa em relação com Moçambique não sofreu qualquer redução”.
“A cooperação com Moçambique nas suas variadíssimas vertentes é um dado adquirido e um dado fixo que nós não queremos, de maneira nenhuma, deixar que seja afectado por essa contenção orçamental. Felizmente, os peritos dizem que parece que estamos a sair dessa crise, pelo menos da fase mais aguda e, portanto, creio que daqui para frente teremos ainda mais possibilidades de incrementar ainda mais a nossa cooperação”, disse Godinho de Matos.
No ano passado, as trocas comerciais entre os dois países aumentaram, com as exportações de Moçambique para Portugal a registarem um incremento de cerca de 10 por cento e as importações do nosso país a partir daquele país europeu a conhecerem um crescimento de cerca de 20 por cento. De referir que as exportações portuguesas para Moçambique, em 2012, ultrapassaram 150 milhões de dólares norte-americanos.
O diplomata português falava no âmbito de uma cerimónia de formalização da Comissão de Gestão do Protocolo de Coperação entre a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) de Moçambique e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) de Portugal.
Na ocasião, Mário Godinho de Matos, explicou que a formalização da Comissão foi o culminar de um processo iniciado em 2010, com a assinatura de um protocolo entre os governos dos dois países.
“Foi necessário aguardar pela legislação necessária à criação da INAE; pela respectiva regulamentação e pela sua criação, congregando departamento de vários ministérios nas respectivas áreas de competência”, afirmou o diplomata português.

Notícias

Associação Médica de Moçambique critica "reprovação em massa" de estagiários


Os estagiários que participaram na greve dos médicos, em Janeiro, poderão reprovar. A Associação Médica de Moçambique considera a decisão "ilegal, injusta e ilegítima".
A Associação Médica de Moçambique quer dialogar com a Faculdade de Medicina e o Ministério da Saúde para verificar a legalidade da reprovação de uma centena de estagiários. Os finalistas de medicina da Universidade Eduardo Mondlane poderão não concluir o curso por terem faltado ao estágio nos dias da greve dos médicos, em Janeiro, em Moçambique. Em causa, um despacho do director da Faculdade de Medicina, emitido a 1 de Fevereiro, que estipula que "todos os estudantes do 6° ano que comprovadamente faltaram às suas obrigações académicas consideram-se reprovados no segmento do estágio onde se encontravam".
Em entrevista à RFI, Paulo Samo Gudo, porta-voz da Associação Médica de Moçambique, diz que a decisão é "ilegal, injusta e ilegítima", mas promete dialogar com a faculdade e o ministério da Saúde para "que a situação legal seja restabelecida".


RFI

Escute Paulo Samo Gudo, porta-voz da Associação Médica de Moçambique, aqui