Wednesday, 23 January 2013

Cheias “engolem”, Chókwè, Guijá e Xai-Xai

A província de Gaza, Sul de Moçambique, está eminentemente a ser fustigada pela água da chuva que transborda de algumas bacias e rios, sobretudo do Limpopo. As cidades de Chókwè e de Xai-Xai estão submersas. Mais de 55 mil pessoas residentes em áreas consideradas de maior risco foram evacuadas para as áreas seguras.
Esta terça-feira (22), o Governo declarou um alerta vermelho para as regiões sul e centro. No mesmo dia foram disponibilizados 10 barcos e um grupo da Unidade de Protecção Civil (UNAPROC) para evacuar compulsivamente as pessoas que recusavam abandonar os locais considerados críticos, como é o caso dos bairros 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 em Chókwè. Os serviços públicos e privados encontram-se encerrados.
No rio Limpopo, sobretudo na estação de Chókwè, o caudal extravasou os limites de alerta e tende a inundar completamente a província de Gaza. Centenas de famílias estão a ser movimentadas os lugares seguros. Para além do caso de Pafuri, onde 2.000 pessoas permaneceram horam isoladas devido à intransitabilidades das vias de acesso locais, tantas pessoas foram sitiadas pela água esta quarta-feira e algumas desaparecidas.
A Ligação entre Chókwè e Macarretane está interrompida porque a água alagou tudo. Para além de destruição de hectares de culturas diversas há relatos de muito gado morto. A situação é descrita como deveras crítica. A água já atingiu os distritos de Guijá e Chibuto. Na bacia de Incomáti, existe também preocupação em relação à estação de Magude.
Na madrugada desta quarta-feira (23), mais de 60 doentes internados no Hospital Rural de Chókwè foram evacuados para outros centros hospitalares porque Xai-Xai, capital provincial está também inabitável.
Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Calamidade (INGC), no Limpopo (onde já foram ultrapassados os cinco metros de alerta) os níveis de água aproximam-se aos oito metros e as cheias irão abranger igualmente as aldeias de Chihaquelane, Chiguidela, Chalucuane, Chinangue, Conhane, Marrambandjane, Malhazene, Mapapa, Muianga, Muzumuia, Sangene e Zuza.
Na bacia do Zambeze, o caudal do rio continua acima do nível de alerta, mas com tendência a baixar nas estações de Mutarara e Caia, e para subir em Marromeu. A bacia do Save está tambem com uma tendência crescente.
A porta-voz do Conselho Técnico de Calamidades, um órgão subordinado INGC, Rita Almeida, disse que apesar do abrandamento da chuva em alguns pontos do país, “vamos continuar com cheias nas províncias de Gaza e Inhambane e um pouco mais para o centro. O alerta vermelho foi lançado porque as bacias do Incomáti, Save, Púnguè e Zambeze atingiram níveis de alerta.”
O Governo apela à população para que mantenha a calma e observe os avisos e alertas que estão a ser emitidos pelas autoridades competentes. Neste momento, 40 pessoas morreram em todo o país e outras 25.557 estão afectadas pela chuva que cai desde Janeiro em curso. Destas 8.500 vivem nos centros de acomodação. Foram ainda contabilizadas 5.230 casas e 79 salas de aulas destruídas parcialmente.
Ainda de acordo com os dados do INGC, em Maputo, cerca de quatro mil pessoas são vítimas da chuva, das quais 2.740 estão acolhidos em 10 centros de acomodação.



A Verdade

Tuesday, 22 January 2013

Oposição critica “insensibilidade efalta de humanismo dos governantes”


“Banquete faustuoso” dos 70 anos e milhares de vítimas das chuvas.

“O presidente devia ter cancelado aquela festança toda, uma vez que sabe que há muita gente que perdeu familiares, outros não sabem o que comer, nem onde dormir. Não faz sentido aquilo”, diz Fernando Mazanga.
Os dois maiores partidos da oposição, nomeadamente a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), criticam severamente o que chamam de “insensibilidade e falta de humanismo dos governantes”, por terem realizado um “banquete faustuoso” pela passagem dos 70 anos do Presidente da República, Armando Guebuza, quando muitos cidadãos moçambicanos estão na miséria e precisam de ajuda devido à acção devastadora das chuvas.
Para agravar ainda mais o fenómeno, a alegada “festança” foi transmitida em directo pela Televisão Pública, onde foi possível ver tamanha felicidade, glamour e requinte dos dirigentes.
De acordo com Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, o que inquieta a oposição é o facto de se ter realizado um evento desta natureza (exibicionista) numa altura em que as intensas chuvas já provocaram 35 mortos e milhares de desalojados em todo o país: sem o que comer, nem onde dormir.
chocado! Esperava ver uma outra atitude do Chefe de Estado. É que quando há problemas em casa, o pai deve ficar compenetrado e mostrar carinho pelos filhos, o que não aconteceu”, criticou Mazanga, acrescentando que “como é que o presidente da República e os seus assessores deixam acontecer aquilo, quando maior parte da população está a sofrer? Não tem o que comer, não sabe onde dormir, houve mortos, vias cortadas. Uma pessoa normal não pode dançar e comer faustuosamente onde há mortos”.
Para Mazanga, o presidente devia ter mostrado o seu lado humano, cancelando e aproximando-se das pessoas que realmente precisam de uma mensagem de esperança.
“Aquela festança, glamour, não devia acontecer. Aquele dinheiro gasto ali poderia ter ajudado todos os que precisam de locais para se abrigar. Aquilo é completamente condenável e ele caiu mal na fotografia. Caiu mal para alguém que completa 70 anos, que seria sinal de maturidade”, rematou.


 O País

Os vendilhões da pátria!

“Os Nobres patriotas (…) põem a pátria acima do interesse, da ambição, da gloríola; e se têm por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paixão diviniza-os. Tudo o que é seu o dão à pátria: sacrificam-lhe vida, trabalho, saúde, força, o melhor de si mesmo. Dão-lhe sobretudo o que as nações necessitam mais, e o que só as faz grandes: dão-lhe a verdade” – Eça de Queirós, in ‘Notas Contemporâneas’

É com este trecho do escritor Eça de Queiroz que começamos a nossa reflexão, porque achamos nós que é a pessoa mais indicada para nos subsidiar perante o assunto que trazemos hoje à liça.
A imprensa pública usurpada pelas ligações, de quem a dirige, ao Partido Frelimo, sempre quis fazer os comuns dos cidadãos acreditarem que eles são mais patriotas do que o resto dos moçambicanos; que as suas acções estão dotadas de um patriotismo tal, capaz de representar a vontade de todo um povo soberano. E, infelizmente, são muitos os incautos que foram arrebatados por esta ideia que na verdade tem propósitos demoníacos que só a fornalha da moribunda ditadura, disfarçada por uma Constituição democrática, pode confeccionar.
Desde que entrou para o debate público a questão da (não) distribuição da riqueza, surgiram nos discursos oficiais os teóricos do “mais patriotas” e dos “anti-patriotas”.
E trataram eles próprios de fundamentar a sua teorização. Passaram deles próprios a ideia de que os “mais patriotas” são como eles e todos os demais são “anti-patriotas”.
Esqueceram-se de que para os que eles desprezam, ou sejam os que eles apelidam de “anti-patriotas”, os tais auto-proclamados “patriotas” não passam de espertalhões, e são de facto os que vivem da ilusão e mentira; os que por migalhas do banquete elitista contrabandeiam as suas próprias consciências, qual condição sine qua non para acreditar que o País está a desenvolver-se e que os moçambicanos estão todos felizes com a forma como as coisas (não) andam.
Esqueceram de que já todos concluíram que tais “mais patriotas” são aqueles que fingem que não sabem que as empresas do Chefe de Estado estão a sufocar o Estado e a existência sã do sector privado propriamente dito.
Para os que se convenceram que os “patriotas” são eles, os “anti-patriotas” são aqueles moçambicanos que não sabem ler o cenário actual, não sabem ler a realidade do país e por isso concluem que o povo está a ser empobrecido por um conjunto de pessoas que se acha dona do País.
Para esses auto-proclamados “patriotas” os que já têm capacidade de perceber que os recursos minerais estão a ser tirados do nosso subsolo sem que isso se traduza em melhoria das condições de vida para os moçambicanos, são “anti-patriotas”.
Para os auto-proclamados “patriotas” os “anti-patriotas” são os que denunciam que o Estado está a pagar máquinas de ginástica para a senhora Verónica Macamo, presidente da Assembleia da República enquanto o povo é transportado em carrinhas de caixa aberta como que se de gado se trate.
Foram essas ideias subvertidas que os vendilhões da pátria, iluminados pelos interesses umbilicais, decidiram construir.
Para esses, ser patriota deixou de ser o sentimento descrito por Eça de Queirós como de amor e devoção à pátria e aos seus símbolos.
Para certos senhores auto proclamados “patriotas” já não é através de atitudes de devoção para com a sua pátria, que se pode aferir um patriota, mas, sim, por actos de sabotagem contra a República e contra os seus compatriotas.
Esta semana trazemos para o estimado leitor as razões mais do que suficientes que explicam porquê é que estes senhores se consideram mais patriotas que qualquer outro moçambicano (pag. 2 e 4). Na verdade só a prostituição intelectual a que se prestam é que explica as suas incursões.
No primeiro caso um cidadão (se é que ainda se pode considerar) de quem se espera um comportamento honesto afirma claramente que com os seus escritos pretendia levar a população a acreditar que a greve dos médicos não foi precipitada pela arrogância do Governo e que o seu impacto seria nulo.
O acordo conseguido ontem entre a Associação dos Médicos de Moçambique e o Governo veio a provar que os médicos tinham razão e que os papagaios do regime estavam equivocados quando desprezaram a luta de quem justamente apenas apelava por igualdade de tratamento e equiparação de trato no quadro da função pública.
Não cabe na cabeça de qualquer cidadão minimamente honesto, que um jornalista, pai de família, tenha coragem de escrever que a greve dos médicos, que durou nove dias e só ontem terminou, não teve impacto no atendimento aos doentes e que os hospitais continuaram a funcionar normalmente.
Só um mentiroso é capaz de dizer isso.
Só a crise de carácter é que pode explicar tão desviante comportamento, logo à priori impróprio para um jornalista. Este cidadão está a vender seus próprios irmãos, doentes como se não bastasse, a preço de amendoim, em nome das benesses pagas pelo Governo. Mente para ter privilégios.
Como era do interesse do Governo fazer crer que a greve teve impacto zero, para continuar com a sua “boa” imagem os mercenários imediatamente se prestaram a trair o povo…
Só um vendilhão da pior espécie pode submeter-se a tal exercício!
No caso da distribuição da riqueza, os autores da propaganda governamental agem com a mesma intenção dolosa. Enveredam pela contra-informação. Trapaceiam para tentar levar a população a acreditar em mentiras. Dizem-se eles próprios “patriotas” e acusam de “anti-patriotismo” os outros quando eles próprios mentem ao afirmar que a discussão sobre questão da distribuição da riqueza, gerada pelos recursos minerais, é um “falso problema”.
Para esses tais “patriotas” só os falsos moçambicanos pensam que as abismais assimetrias na distribuição da riqueza do País é um falso problema.
Para os tais auto-proclamados “patriotas” todos os moçambicanos à escala nacional têm estado a se beneficiar da entrada das multinacionais em Moçambique, embora nada mais falso do que isso suceda de facto.
Para esses tais auto-proclamados “patriotas” as constatações de um estudo publicado pela Jubilee Debt Campaign UK, uma organização britânica, Tax Justice Network e Justiça Ambiental de Moçambique, a conclusão a que chegaram de que os mega-projectos estão a beneficiar os que estão directamente envolvidos na escritura dos contratos, ou seja a elite do poder, em prejuízo dos 22 milhões de moçambicanos, é um falso problema.
Multiplicam-se estudos com tal tese e invariavelmente bem fundamentados, mas para os tais auto-proclamados “patriotas” os mentirosos são os outros.
Pensamos que não é papel da imprensa pública desinformar o povo. Não é tarefa da imprensa do sector público prostituir-se com o regime.
O papel da imprensa pública é, de acordo com todos os manais de serviço público, informar a sociedade com isenção de modo a que os cidadãos tenham meios para dispor de uma opinião própria com a qual possam tomar decisões e fazer escolhas responsáveis quando se trata de avaliar a governação e os governantes.
Se os dirigentes dos órgão de comunicação públicos não sabem disto, que se afastem.
Os dirigentes dos órgãos de comunicação social do Estado não são para se submeterem ao poder político do dia e desinformarem o público.
Os órgãos de comunicação do Estado não existem para que quem os dirige blasfeme os cidadãos.
Os órgãos de comunicação social do Estado não podem servir contra outros moçambicanos para caírem em graça de quem os nomeou, Não podem ofender quem lhes paga, os cidadãos contribuintes que são constitucionalmente livres de terem opções politicas que não agradem a jornalistas do sector público e suas hierarquias.
Os órgãos de comunicação social do Estado não podem continuar a serem moleques de recados infernais para agradar a quem está circunstancialmente no poder.
O que trazemos nesta edição sobre o comportamento servil de dirigentes da AIM e da RM é prova evidente de que os órgãos de comunicação do Estado servem para propaganda de algumas pessoas e do regime, em vez de servirem para informar com a independência que exige o respeito pela diversidade de opiniões dos cidadãos que com os seus impostos contribuem para que eles existam.



Canal de Moçambique – 16.01.2013 , no Moçambique para todos

Mobilizemos o País contra o culto da personalidade a Armando Guebuza!

Estamos chocados e profundamente preocupados com o rumo que as coisas estão a tomar no nosso País! A transmissão pela Televisão de Moçambique, a TV pública nacional, da festa dos 70 anos de aniversário de Armando Guebuza que é actualmente o Presidente da República, é, quanto a nós, a prova mais evidente de que se está a enveredar no País pelo culto da personalidade a um figura que só encontra paralelo no ridículo ambiente político norte coreano, em pleno século XXI.



Editorial do Canalmoz. Leia aqui.

MAU TEMPO CONTINUARÁ AFECTAR A REGIÃO SUL DO PAÍS

A região sul do país continuará a registar mau tempo, caracterizado por períodos de aguaceiros e chuvas em regime forte, nas próximas 48 horas.
Segundo o comunicado de imprensa do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) recebido, hoje, pela AIM, as precipitações poderão atingir, em 24 horas, mais de 50 milímetros e acompanhadas de trovoadas e ventos moderados a fortes (50 a 70 quilómetros por hora).
As trovoadas severas e os ventos fortes far-se-ão sentir com maior intensidade nos distritos de Manjacaze, Chibuto e Chigubo, na província meridional de Gaza, enquanto em Inhambane os efeitos serão mais visíveis nos distritos de Zavala, Inharrime, Homoíne, Jangamo, Panda e Morrumbene.
As chuvas, que caíram durante o final de semana, agravaram ainda o manto de destruição que a capital moçambicana, Maputo, tem vindo a sofrer sobretudo na componente infra-estrutural quer social quer económica.
Os bairros periurbanos, frequentemente assolados pela acção das chuvas, voltaram a conhecer um novo “pesadelo”, na sequência das descargas pluviométricas registadas durante o final de semana que se saldou no aumento das águas pluviais sobre os solos já saturados.
As descargas pluviométricas, que caíram durante o domingo inteiro até a manhã de segunda-feira, deixaram as vias de acesso aos bairros periféricos muito lamacentas, dificultando, em demasia, circulação, grosso modo, das viaturas ligeiras que são o alívio da maioria para a falta de transporte.
As primeiras horas de hoje era possível avistar em vários bairros viaturas atoladas nas vias lamacentas e, na sua maioria, não estão dotadas do sistema de tracção as quatro rodas para melhor enfrentar um terreno difícil.
As chuvas prolongadas não constituem um empecilho apenas às viaturas ligeiras, mas também às pessoas cuja subsistência depende, grosso modo, do comércio informal que fica interrompido enquanto persistirem as descargas.

(AIM)

Monday, 21 January 2013

Guebuzaismo-pagão

Nos últimos dias, os múltiplos cultos públicos do Guebuzaismo-pagão já começam a atingir a raia do ridículo. Mais do que a generalizada busca incessante pela satisfação do insaciável estômago, ajeitando a gravata do chefe de Estado. Há, hoje, generalizada idolatria ao todo financeira e economicamente poderoso Presidente da República, $enhor Armando Guebuza que hoje completa 70 anos de idade.
A situação é, sem dúvida, tão nacional e apresenta-se tão furiosa que a sensatez e a vergonha na cara tendem a desaparecer das práticas de alguns moçambicanos. Diga-se em abono da verdade, como moçambicanos o que mais nos têm faltado - e que vai ficando bem à vista a cada dia que se levanta – é a Consciência e a Graça, algo que deveria fazer corar de vergonha a todos nós.
A televisão pública, TVM, é exemplo mais acabado de uma máquina de estupidificação da sociedade moçambicana. Fazendo o usufruto dos nossos impostos, condena milhares de moçambicanos a assistirem ao (péssimo) espectáculo de culto de personalidade. O que mais intriga nessa história não é o mau serviço prestado por aquela estação televisiva que de pública só tem os nossos impostos e nem a festa de aniversário "patrocinado" pelo suor e sangue do povo, porém, o deprimente exercício de louvores ao $enhor Presidente da República.
Não temos nada contra a celebração de uma festa de aniversário. Aliás, nem é de bom tom impedir que as pessoas celebrem uma data tão importante como o dia do seu nascimento. Porém, quando tal aniversário invade a casa de pessoas comuns e que pagam impostos, por via de uma televisão que é suposto prestar informação de interesse público, as coisas mudam de figura. Ou seja, essa transmissão nada mais é do que um convite e, por via disso, a nossa apreciação é legítima. Ainda mais quando o aniversariante é nada mais nada menos do que Armando Guebuza, o filho mais querido da Nação.
A transmissão em directo do aniversário do chefe do Estado é o maior erro televisivo da história do país, sobretudo numa altura em que famílias choram pela perda dos seus bens no país inteiro.
A Televisão de Moçambique não para de surpreender e com esse gesto genuflexivo, quanto baste, deixou de pertencer aos órgãos esquisitos estilo AIM e Notícias. A TVM é um perigo público. Fornicou a informação do interesse público para prestar louvores rasgados ao filho mais querido da Nação. A TVM é um órgão de informação criminoso. Devia ser banida.
Contudo, pior do que o comportamento da TVM é a figura de um sisentinho da auto-estima que, nas redes sociais, tenta defender a legitimidade da festança. Isso, meu caro, nunca esteve em causa. Guebuza tem o direito e a obrigação de festejar o seu aniversário. O que não pode acontecer e nem deve ser aceite, de forma alguma, é a transmissão gratuita do descaso que tem pelo povo.
Este defende Guebuza e diz que a festa tinha de ser televisionada. Não fala do momento em que isso ocorre e da mensagem que pode passar aos vândalos deste país toda aquela pomposidade. Não sabemos se essa defesa denota a sua natureza camaleónica e antecipa o seu carácter egoísta e escovinha, tão vincado naquilo que procura defender. Sabemos, contudo, que o culambismo nacional tão em voga ao redor de quem tem o poder, tem por patologia o não perceber nada do que diz e, como muito gente, o querer defender o indefensável.



Editorial, A Verdade

Não há democracia com cultos de personalidade à mistura

Respeitamos nossos dirigentes, nossos governantes mas está jamais aceitaremos que sejam “deuses”. Não escondam a porcaria “proclamando santo” quem até pecador é. Moçambique não precisa de “heróis inventados” por uma agenda política de manutenção no poder.
O culto de personalidade tão característico de regimes políticos fundados em tudo menos Democracia é um fenómeno preocupante. Em Moçambique algumas correntes entendem de que perseguir tal forma de actuação constitui garantia de conquista de espaço político. Alguns quadrantes ou estrategas políticos consideram que a manutenção do poder deve socorrer-se às práticas declaradamente corrosivas dos preceitos democráticos.


Noé Nhantumbo, Canalmoz.

Sunday, 20 January 2013

UKANYI: ode à bebida do povo

A REGIÃO sul do país, em particular as províncias de Maputo e Gaza vivem momentos de euforia com a chegada da época de ukanyi, bebida mítica que nos meses de Janeiro e Fevereiro proporciona ambiente único e raro de convivência e harmonia social. É momento único que, inclusive, gente de diferentes classes sociais se junta no mesmo espaço e bebe do mesmo copo.
Ukanyi, vinho tradicional produzido a partir da fermentação do suco do fruto do canhoeiro, é uma bebida bastante apreciada, sobretudo, pelo seu valor sociocultural. Agrega vários preceitos emanados pela tradição e pela moral cívica.
A frutificação, fabrico e posterior consumo de ukanyi marca o início do novo ano, mas a sua grande importância está associada ao fortalecimento das relações sociais e criação de novos laços de solidariedade. É durante a época de ukanyi que se registam com maior frequência visitas entre indivíduos pertencentes a uma mesma família, incluindo membros de diferentes comunidades.
O ritual de ukanyi cria e fortifica as redes de solidariedade entre habitantes de diferentes ecossistemas, o que por sua vez se revela importante na resposta às crises provocadas por calamidades naturais, no âmbito da segurança alimentar ou ruptura de reservas de sementes para a agricultura.
Mas também o ukanyi se reveste de uma importância crucial a nível da dimensão espiritual, nomeadamente na manutenção do equilíbrio social. A época de ukanyi é vista com a fase de maior aproximação das populações locais aos espíritos dos seus antepassados, para fazer preces de vária ordem, tendo como finalidade a busca de um equilíbrio cosmológico.
O consumo de ukanyi segue algumas regras costumeiras, nomeadamente três rituais fundamentais (kuphahla ukanyi, xikuwha e kuhayeka mindzeko), ou seja, as fases de abertura, festa e encerramento, respectivamente.
Estes rituais condicionam, na visão comunitária, o sucesso de toda a época de ukanyi, pois, supõe-se que esta bebida também alimenta os antepassados.
Com efeito, a partir do pretérito fim-de-semana iniciou em algumas comunidades o processo de “kuphahla ukanyi” (cerimónia tradicional de abertura da época de ukanyi), a exemplo do distrito de Marracuene, onde o acto teve lugar sábado.
Entretanto, a precipitação que vem se registando nos últimos dias pode vir a comprometer a presente época pois, segundo os entendidos, a chuva faz apodrecer rapidamente o fruto do canhoeiro.
Em consequência antevê-se um período curto de consumo de ukanyi, dada a pouca oferta do fruto.
Também aponta-se em algumas regiões, a problemática de acesso aos locais onde abunda o canhoeiro, na sequência das inundações, entre outras situações provocadas pelas chuvas.
Importa, entretanto frisar, numa situação normal a época do ukanyi também é breve, não vai para além das seis/oito semanas.



Notícias

Governo alerta para perigo das chuvas


O Governo moçanbicano chama atenção para a tomada de precauções face as chuvas que já estão a cair desde a noite de sexta-feira, particularmente nas províncias de Maputo e Gaza, bem como na cidade de Maputo, pois podem provocar mais inundações, deslizamentos de terra e outras consequências para a população.
Durante o Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades dirigido pelo Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, foi recomendado ao Município de Maputo para retirar todas as pessoas que estão em zonas de risco até a manhã deste sábado.
Na cidade de Maputo, a maior parte dos bairros localizados na periferia, constituem zonas de risco devido ao deficiente sistema de saneamento.
“Estamos muito atentos para com as zonas sobejamente conhecidas na cidade de Maputo, como são os exemplos dos bairros Ferroviário, Costa do Sol, Laulane, Polana Caniço e outros, onde há ocorrência de desabamento de terra e outras situações em que as pessoas acabam ficando despojadas dos seus bens quando ocorre uma pequena chuva’, disse a Ministra.
A governante assegurou que, até este sábado, todas as pessoas que estão em zonas de risco na cidade de Maputo deverão ser retiradas para não deteriorar a sua situação.
Na sequência das chuvas que ocorreram no início desta semana, três pessoas morreram na Cidade de Maputo. Desde Outubro passado, as fortes chuvas que vem caindo em Moçambique provocaram a morte de 35 pessoas, 13 das quais durante este mês de Janeiro.
Por outro lado, o número de pessoas afectadas subiu para 4.342, sendo que algumas se encontram em centros de acolhimento.
“Precisamos monitorar a situação para que nas zonas de alto risco as pessoas não estejam lá. Há que melhorar os meios de articulação com o Município para não se repetir o que aconteceu nas últimas chuvas registadas no fim-de-semana e no dia 16 de Janeiro corrente”, defendeu.
Até ao momento, há registo de vários danos causados pelas enxurradas, havendo estradas e pontes destruídas, distritos isolados, alunos sem poderem estudar.



(AIM)

Saturday, 19 January 2013

CHUVAS NO PAÍS - Cenário preocupante mas ainda controlável

A SITUAÇÃO gerada pelas chuvas na presente época é preocupante, mas ainda controlável, segundo o balanço feito ontem, em Maputo, pelo Conselho Coordenador de Gestão das Calamidades.
Dados fornecidos pela Ministra da Administração Estatal, Carmelita Namashulua, momentos depois do encontro orientado pelo Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, indicam que até ao momento foi registado um total de 35 óbitos, dos quais 13 no período de Janeiro a esta parte. De igual modo, foram contabilizados perto de 26 mil afectados.
De acordo com a avaliação mais recente, há um abrandamento das chuvas no centro e norte, enquanto no sul há a probabilidade da ocorrência de chuvas em regime moderado a forte a partir de hoje, facto que faz com que as autoridades estejam em prontidão para atender a possíveis afectados.
A maior preocupação presentemente tem a ver com a cidade de Maputo, onde ainda prevalecem situações de aflição geradas pelas chuvas da última terça-feira. O Conselho Coordenador orientou, neste sentido, para que todas as pessoas fossem evacuadas das zonas de risco de forma a prevenir a ocorrência de desastres que possam resultar em mortes.
A Unidade de Protecção Civil (UNAPROC) foi mobilizada já para proteger os bens das pessoas, tanto nas zonas afectadas assim como nos locais para onde serão destinadas.
No quadro do acompanhamento da situação, o Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, que é igualmente Presidente do Conselho Coordenador da Gestão das Calamidades, desloca-se a partir de amanhã, domingo, às zonas afectadas nas províncias da Zambézia, Sofala, Manica, Tete e Inhambane.
Com relação às chuvas, fonte do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) deu conta que um total de 16 distritos da zona sul poderá registar entre hoje e segunda-feira chuvas em regime moderado a forte, chamando-se, por isso, atenção à população para a tomada de medidas de precaução face à possibilidade da ocorrência de inundações localizadas, particularmente nas grandes cidades, e erosão de solos nas encostas.
Estas chuvas ocorrem menos de uma semana depois de a cidade de Maputo ter sido sacudida por precipitação na ordem de 157.8 milímetros de que a urbe ainda não está refeita.
Um alerta lançado ontem pelo INAM dá conta para a ocorrência de aguaceiros e chuvas em regime moderado a forte (30 a 50 milímetros em 24 horas) acompanhadas de trovoadas para toda a zona sul do país.
Segundo o alerta lançado pelo INAM, nos distritos de Magude, Moamba, Boane e Manhiça, em Maputo, Mapai, Chicualacuala, Chigubo, Massingir, Chibuto, Guijá, Xai-Xai e Bilene, em Gaza, e Mabote, Homoíne, Panda e Funhalouro, em Inhambane, as chuvas deverão ocorrer em regime muito forte, o que significa mais de 75 milímetros em 24 horas. A maior intensidade deverá registar-se amanhã, domingo.
Entretanto, devido ao agravamento da situação hidrológica a montante a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) irá proceder a partir de hoje à abertura gradual de uma comporta, o que deverá representar um incremento das descargas das anteriores 1900 para 3500 metros cúbicos por segundo.
Como consequência, as autoridades da HCB esperam uma ligeira subida do nível hidrométrico, pelo que se recomenda aos utilizadores e à população em geral, ao longo do rio Zambeze, para que tomem as devidas medidas de precaução face à possibilidade do agravamento do cenário das inundações.
Neste momento o rio Zambeze regista altos volumes de escoamento particularmente no baixo Zambeze (Mutarara, Caia e Marromeu), onde os níveis mantêm-se acima do alerta e continuam a subir como resultado das chuvas ocorridas ao longo da bacia.
O Conselho Coordenador de Gestão das Calamidades, reunido ontem em Maputo, decidiu activar o alerta vermelho, atendendo ao agravamento da situação, particularmente na bacia do Zambeze, Save, Messalo, Licungo, Púnguè e Inhanombe.



Notícias

"Mas tudo isso as autoridades foram obrigadas a engolir, como se de sapos se tratasse, perante a firmeza demonstrada pelos médicos em todo o país"

Olá,Julião
Como vais, meu bom amigo?
Do meu lado está tudo bem, felizmente.
E tive a sorte de não ter tido nenhum problema de saúde durante o tempo que durou a greve dos médicos, que agora terminou. Ao que me parece com grande vantagem para a classe médica.
E que decorreu dentro do maior civismo, por parte dos médicos. Do lado das estruturas da Saúde, e outras, houve tentativas de coacção e mesmo a utilização da força policial para obrigar médicos a interromper a greve. Houve ameaças de processos disciplinares e de chumbos para os médicos estagiários.
Mas tudo isso as autoridades foram obrigadas a engolir, como se de sapos se tratasse, perante a firmeza demonstrada pelos médicos em todo o país.
Falei acima do civismo porque, como já escrevi várias vezes, a palavra greve tem sido associada, com demasiada frequência, a desordem, violência e destruição. Nas notícias dos primeiros dias da greve, as autoridades salientavam sempre que, nos hospitais, estava tudo calmo, como se estivessem à espera de ver uma multidão de médicos a entrar pelas enfermarias destruindo equipamento e vandalisando as instalações.
E é bom que essa ideia vá sendo combatida por atitudes como, agora, a dos médicos e, antes, dos trabalhadores do Shoprite.
Até onde vai o meu conhecimento, nenhuma das partes deu grandes pormenores sobre os acordos que foram alcançados, mas deu para perceber que os médicos conseguiram o seu Estatuto e vão conseguir uma substancial subida dos salários. Acima de outras classes com posições similares. É verdade que será apenas a partir de 1 de Abril, mas Abril está já ali ao virar da esquina.
E conseguiram que se calassem as trombetas da propaganda governamental. Que se calassem os comentadores/papagaios, que terminasse a tentativa de diabolizar os grevistas e de afirmar que a greve era ilegal.
Mas, neste último aspecto, há que a sociedade estar atenta. Os vários juristas que se referiram ao assunto argumentaram que a greve era legal porque prevista na Constituição. O facto de não estar regulamentada era por falta de acção do Governo e não anulava o direito. O vazio legal era por culpa do Governo.
Ora não nos admiremos se o Governo se apressar, agora, a regulamentar o direito à greve dos funcionários, como forma de a tornar o mais difícil possível.
De qualquer forma dou os meus parabéns à classe médica pelo que fez, pelo modo como o fez e pelo que conseguiu.
Quanto aos senhores do Poder, espero que tenham aprendido esta importante lição para se tiverem que lidar com situações semelhantes no futuro.

Um abraço para ti do
Machado da Graça



CORREIO DA MANHÃ – 18.01.2013, no Moçambique para todos.

Friday, 18 January 2013

Previstas para amanhã e domingo: Chuvas podem agravar prejuízos


AS chuvas intensas previstas para este final de semana poderão agravar a já precária situação da cidade de Maputo, que ainda não conseguiu se refazer dos efeitos dos cerca de 157.8 milímetros de precipitação registados na passada terça-feira.
A preocupação com relação à cidade de Maputo deve-se sobretudo à prevalência da saturação dos solos e à erosão gerada pelas últimas chuvas, o que poderá resultar no agravamento do cenário das inundações nos bairros periféricos e novos desabamentos de casas em razão do aprofundamento das crateras abertas.
Com efeito, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê para amanhã e domingo chuvas de mais de 50 milímetros em 24 horas, podendo ser superiores a 75 milímetros nalgumas regiões.
Sérgio Buque, chefe do Departamento de Análise e Previsão do Tempo, deu conta que a precipitação poderá prolongar-se até às primeiras horas de segunda-feira, devendo afectar, para além de países a montante, como sejam a África do Sul e a Suazilândia, as províncias e cidade de Maputo e Gaza.
A-propósito das chuvas a montante, Sérgio Buque deu conta que poderão influenciar os caudais de rios como o Limpopo, Incomáti, Maputo e Umbelúzi, que por enquanto ainda não atingiram níveis de alerta.
Das regiões que deverão ter precipitação superior a 75 milímetros, entre outras, constam o distrito de Massingir e o sul da província de Maputo. Nos restantes pontos do país espera-se continuação de chuvas em regime fraco a moderado (até 30 milímetros em 24 horas).
Para a zona sul a previsão sazonal aponta para chuvas abaixo do normal com tendência para a normal durante o período de Janeiro a Março, de acordo com a previsão sazonal avançada nos finais do ano passado. No entanto, a precipitação ocorrida a 1 de Janeiro, na ordem de 32 milímetros, e a de terça-feira (158 milímetros) já é igual àquilo que tem sido normal para o período.
“No final da época poderemos ter chuvas acima do normal para Maputo, porque ainda vai chover nos próximos dias”, disse.
Segundo explicou, a fase neutra do fenómeno El Niño Oscilação Sul (ENSO) é caracterizada por irregularidade na distribuição e chuvas localizadas, variando entre valores altos e baixos. A título de exemplo, Changalane registou apenas uma precipitação de 4.1 milímetros no passado dia 15 de Janeiro corrente.
A precipitação da última terça-feira deveu-se à passagem de uma frente fria no Canal de Moçambique. A maior parte da precipitação, cerca de 150 milímetros, caiu num intervalo de três horas.
Várias famílias vítimas das inundações estão a abandonar voluntariamente as casas, refugiando-se em zonas consideradas seguras. Por essa razão, os fuzileiros navais destacados para a região ainda não intervieram no resgate, porque da monitoria feita não foi constatada a presença de pessoas em locais impróprios.
Teixeira Almeida, delegado do INGC, diz que tal deve-se a uma prévia acção de sensibilização da população.
Sobre a linha do Limpopo danificada, os Caminhos de Ferro de Moçambique deu conta que esforços estão em curso para restabelecê-la o mais breve possível. Ela tinha sido interrompida em três troços.



Notícias

Crescimento económico acima de sete por cento é enganador

Moçambique registou, em 2012, um crescimento económico na ordem dos cerca de 7.5 por cento, um índice considerado por muitos economistas e instituições financeiras nacionais e internacionais como sendo muito bom para o alcance do desenvolvimento almejado.
Mas, para dois renomados economistas moçambicanos, entrevistados pelo “Diário de Moçambique”, em jeito de balanço económico, este crescimento é enganador, uma vez que em termos reais foi ofuscado pela inflação, que foi alta.
Para o ano passado as previsões tinham fixado em cerca de 6.5 por cento a taxa da inflação acumulada, o que quer dizer que na realidade, a economia nacional cresceu muito pouco, apenas um por cento, facto que contribui para que o mesmo não se reflicta na vida da população, que continua maioritariamente pobre. Para eles, a economia não cresceu, apenas ficou estável.
“Os níveis de crescimento económico, que rondam sete a oito por cento, parecem bons, mas quando olhamos para a taxa de inflação que rondou entre seis e oito por cento, vê-se logo que o crescimento real da economia foi de um ou dois por cento”, referiu o economista e académico Firmino Mucavele, acrescentando que, nesta ordem, a economia nacional apenas ficou estabilizada, como poderá acontecer em 2013 em que se espera um crescimento de 8,4 por cento e uma inflação de 7,5 por cento.
Isto explica-se, segundo ele, pelo facto de os níveis de pobreza não reduzirem, continuarem acima dos 50 por cento.
Considerou que para o país registar bons níveis de desempenho económico, precisa de manter o crescimento na actual linha e conter a inflação para três por cento ou menos.
“Assim teríamos um crescimento económico real de quatro por cento ou mais e isso poderia ajudar no desenvolvimento”, sublinhou Firmino Mucavele.
Para um desenvolvimento humano significativo, o país precisa de um crescimento real acima de cinco por cento e isso permitiria ter um diferencial maior para que haja transmissão daqueles rendimentos nacionais para as camadas mais pobres.
Por seu lado, o economista Luís Magaço considera que o crescimento económico verificado não tem sinais de desenvolvimento, por isso não se reflecte na vida das pessoas.
Firmino Mucavele explicou que na área económica o ano de 2012 foi difícil, devido a uma série de realizações de âmbito social, económico e produtivo que influenciaram a falta de financiamento para cobrir várias actividades. Isso contribuiu para que “a economia continuasse a progredir com ritmos desacelerados”.
Por outro lado, o ambiente de negócios não melhorou ao nível do que se esperava e a produtividade não atingiu os níveis desejados.
“No geral, não houve um crescimento económico salutar em termos do que se esperava. Mas já se esperava que o ano fosse difícil devido à conjuntura internacional, tendo em conta os desafios que se colocaram ao nível económico, social e político”, referiu.
Do ponto de vista social, Mucavele classificou o ano 2012 como tendo sido mau, devido à deterioração do sistema de transportes, baixos salários e a contínua precariedade da vida rural.
“Algo não está a bater bem nas políticas sociais e isso está a provocar muita convulsão. Os sindicatos estão a travar uma grande batalha para manter os empregos, temos greves de todo o lado exigindo aumentos salariais”, lamentou aquele académico, acrescentando ser necessário fazer alguma coisa para mudar esta situação.
Para o efeito, o nosso entrevistado sugere que seja aumentada a taxa de emprego, sobretudo nas populações de renda baixa, bem como continuar a manter o ritmo e a tendência do crescimento económico.
Enquanto isso, Luís Magaço referiu que o ano de 2012 correu dentro das previsões em termos económicos, tanto do ponto de vista de crescimento assim como do comportamento do mercado e dos vários factores que influenciam o desempenho.
Para ele, na política monetária, o Banco de Moçambique conseguiu rever em baixa as taxas directoras, o que é um bom sinal e uma forma de pressionar o sector bancário a melhorar as taxas de juro para o sector produtivo.
De acordo com o nosso interlocutor, do ponto de vista da taxa de câmbio, o país registou uma estabilidade importante, que dá algumas garantias aos operadores do comércio externo de que as suas operações não terão turbulências, cenários imprevistos, tanto em relação aos seus compromissos como dos seus planos de negócio.
Em relação à inflação, segundo Luís Magaço, Moçambique manteve-se dentro dos padrões, o que implica que os produtos estão a ser comprados a preços mais ou menos baratos.
“Penso que a confiança do negócio em 2012 evoluiu positivamente”, disse, acrescentando que registou-se uma certa desvalorização da moeda, o que foi bom para os exportadores e as pequenas e médias empresas.
Por outro lado, aquele economista salientou que apesar de o país continuar a centrar atenções na atracção de investimentos estrangeiros, devido à descoberta de recursos minerais, sobretudo o gás e o carvão, continua a cair nos vários índices internacionais, o que afirma é um mau sinal.
Em dois anos consecutivos, Moçambique decresceu 13 lugares no Doing Business, dos quais seis perdeu em 2012 e outros sete em 2011. Também continuou a registar queda nos índices de Competitividade Global da World Economic Forum e de Desenvolvimento Económico das Nações Unidas.
“Tudo isto mostra que o país, apesar de ter sinais de crescimento, não tem sinais de desenvolvimento. Falta qualquer coisa para que o desenvolvimento inclusivo seja uma realidade, e o desenvolvimento inclusivo significa que toda a sociedade tem que ganhar”, anotou, salientando que alguns sectores económicos tendem a progredir melhor que os outros.
O emprego continua instável e por isso a qualidade de vida das pessoas, mesmo melhorando, não segue os mesmos ritmos dos grandes sectores económicos, ao mesmo tempo que as pequenas e médias empresas continuam vulneráveis e têm grandes dificuldades para funcionar, devido ao sistema.
“Há progressos, crescimento, mas o desenvolvimento não é tão acelerado e não está a acompanhar o crescimento. Tem que haver um enorme esforço de crescimento do desenvolvimento inclusivo, onde, sobretudo, os salários, as remunerações e a competitividade têm que crescer significativamente”, frisou.



MEDIDAS PARA DESENVOLVIMENTO INCLUSIVO



Luís Magaço afirma ser necessário tomar medidas para que o crescimento económico que se regista no país, a um ritmo de sete por cento nos últimos dez anos, beneficie a população e se torne num desenvolvimento inclusivo.
Tais medidas, de acordo com o nosso entrevistado, devem incluir a criação de postos de trabalho para a maior parte da população jovem, bem como aumentar a competitividade das pequenas e médias empresas.
“É preciso aumentar a competitividade das PME, o que significa que estas têm que ter maiores níveis de produção e produtividade, com menos custos e melhor qualidade. Tudo isto não se faz com um vazio, mas com programas de promoção e através da política monetária”, explicou, acrescentando que a actual tendência é de aniquilamento dos pequenos negócios por via de altas taxas de juro.
Tal deve ser feito também através de uma política cambial que não asfixie o pequeno negócio, normalmente por via de uma valorização excessiva do metical.
“As pequenas e médias empresas, que são o maior empregador, se não crescerem e não empregarem, o emprego reduz e se assim for o rendimento baixa. Mesmo que o emprego se mantenha, se as PME não se desenvolverem, o rendimento pago por elas não cresce. Desenvolvimento inclusivo é isto”, disse Luís Magaço, salientando que o crescimento do rendimento e do salário só é possível através da promoção e estímulo deste grande sector de emprego.
Referiu que esta promoção deverá ser feita no campo, porque é nele onde vive maior parte da população e a praticar comércio informal. “Isto significa que o campo tem acesso aos mercados e tem oportunidades acrescidas de iniciar pequenos negócios”, vincou.
No mesmo diapasão, Firmino Mucavele defende que o desenvolvimento inclusivo que se pretende deve passar pela redistribuição do rendimento.
“A redistribuição do rendimento de que se fala muito é criar mais emprego, é fazer com que os nacionais sejam empresários”, explicou, salientando que com mais empresários nacionais mais gente será empregue, sobretudo no sector de produção.
“Isso vai criar uma rede de mais-valias no país que possibilita o desenvolvimento, tanto económico como das instituições e das empresas nacionais”, sublinhou.



MEGA-PROJECTOS DEVEM PAGAR MAIS IMPOSTOS


Moçambique registou, nos últimos anos o estabelecimento, de mega-projectos tais como Mozal, Rio Tinto, Vale Moçambique, Kenmare, Sasol, entre outros, mas a sua contribuição para o desenvolvimento do país é considerado diminuta. Tal deve-se ao facto de a maior parte destas companhias entrar no país por via de um regime de isenção quase total de impostos.
O economista Luís Magaço defende que para que estes empreendimentos possam contribuir para o desenvolvimento do país, é preciso que sejam tributados, pagando impostos.
Para o nosso interlocutor, os mega-projectos têm de ser bons cidadãos corporativos, pagar impostos, respeitar o meio ambiente, fazer investimento social e apoiar os provedores de serviços locais a aumentar o seu negócio, como o que a Mozal fez através do seu programa de capacitação de fornecedores nacionais.
“A Mozal criou 11 milhões de dólares do negócio que não existia na praça e são fornecimentos de empresas locais. Ela não só criou oportunidades, como inclusivamente formou essas empresas, equipou-as e deu-lhes mercado”, salientou, observando que é o que está a faltar nas novas companhias, que até podem adoptar várias formas para contribuírem para o desenvolvimento.
“É o momento do país ter um instrumento que obriga as empresas de grande porte, com mais de mil trabalhadores, a terem uma política corporativa e publicarem relatórios anuais, não apenas financeiros, mas sobre o que fazem como cidadãos corporativos no mercado”, disse.
Entretanto, Firmino Mucavele apela à calma sobre este assunto, sobretudo na exploração dos recursos minerais, uma vez que os operadores ainda estão na fase de estudo e implantação de projectos.



APOSTAR NA AGRICULTURA


De acordo com Mucavele, no lugar de se prestar mais atenção aos recursos minerais, que são esgotáveis, o país tem que apostar mais na agricultura, que é o verdadeiro sector para o desenvolvimento sustentável.
Para o efeito, ele defende a mudança de abordagem, o que já está a dar sinais de se evidenciar com a criação de um banco de desenvolvimento, que se vai dedicar ao financiamento de actividades agrícolas e da indústria alimentar virada ao processamento.
Para o nosso entrevistado, a abordagem que se pretende neste sector tem que estar centrada em três pilares. Primeiro, garantir que as famílias possam produzir o suficiente para a segurança alimentar. Neste aspecto, segundo ele, há o desafio do fornecimento de sementes com alta percentagem de germinação.
O segundo pilar está relacionado com a comercialização, tanto do excedente do sector familiar, como dos outros produtores.
“É preciso aliar os sectores da produção, transporte, comercialização e de armazenamento”, afirmou, salientando haver necessidade de fortalecer o sector da comercialização agrária.
Para o efeito, sugere a capitalização dos compradores existentes neste momento, grande parte dos quais são informais e sem capital.
“Tem que haver uma harmonização entre a banca e os sectores da agricultura e comercial, de modo a que se garanta o escoamento de toda a produção existente nas zonas rurais”, reiterou.
O terceiro pilar é a redução das perdas pós-colheita, que se situam, actualmente, acima de 30 por cento, especialmente nos cereais e feijões. “As condições de armazenamento precisam de ser melhorado no sector familiar”, realçou.
O académico entende que para o país ter um desenvolvimento agrário sério, é preciso promover as pequenas e médias, juntando jovens recém-formados em agro-pecuária, agro-negócios e florestas com agricultores experientes e dotá-los de financiamento para que possam arrancar.
Explicou que tal não pode acontecer recorrendo aos bancos comerciais, uma vez que o sector agrícola possui muitas peculiaridades de sazonalidade, com grandes riscos relacionados não só com a produção, mas também com a comercialização.



Diário de Moçambique

Imprensa privada queixa-se a Alberto Vaquina de dificuldades de vária ordem


Os órgãos de informação privados que o Primeiro-Ministro (PM), Alberto Vaquina, visitou na semana corrente aproveitaram a oportunidade para apresentar as dificuldades que enfrentam o exercício da sua actividade em Moçambique.
Destacam-se, entre as várias dificuldades, o acesso às fontes (oficiais), altos custos do papel usado para a impressão dos jornais, exclusão no acesso aos anúncios de instituições públicas e na participação das viagens oficiais dos governantes moçambicanos.
Falando durante a visita do PM ao “Zambeze”, o editor deste semanário Ângelo Munguambe, disse que a dificuldade no acesso às fontes “mutila as nossas agendas” e essa é a principal razão de “haver grandes títulos, cujos textos não são muito aprofundados devido a falta de fontes”.
Sobre os elevados custos de papel, os gestores de empresas jornalísticas referem que, apesar de os jornais gozarem de isenção no pagamento do Imposto do Valor Acrescentado (IVA), o mesmo não sucede com a importação do papel usado na produção do jornal.
Essa foi a mesma preocupação apresentada pelos gestores da Sociedade do Notícias – empresa participada pelo Estado que é considerada como das mais privilegiadas no mercado – durante a visita do PM a esta empresa na Quarta-feira última.
Segundo o administrador delegado do Notícias, Jorge Matine, uma tonelada de papel custa cerca de mil dólares, e só pode ser importado da Europa ou da Ásia.
O director editorial do “Canal de Moçambique”, Fernando Veloso, disse que os custos de produção do jornal são comparativamente mais baixos na vizinha África do Sul, com graves consequências para a indústria gráfica nacional.
“Há muitos colegas da área de gráfica que ficaram desempregados por causa da importação do livro e do jornal”, disse Veloso, falando durante a visita do PM efectuada ao “Canal de Moçambique”.
Para Veloso, este problema também dificulta o enquadramento profissional dos estudantes formados pela Escola de Artes Visuais, no curso de Gráfica, que muitas vezes encontravam emprego na indústria gráfica nacional.
Sobre a alegada exclusão no acesso aos anúncios de instituições públicas, os gestores das empresas privadas reivindicam um tratamento igual e fim do favoritismo atribuído ao jornal “Notícias” no acesso a publicidade proveniente de instituições do Estado.
Os privados alegam que algumas empresas dizem ter sido instruídas no sentido de colocar anúncios exclusivamente no jornal “Noticias”. Outros afirmam que a sua decisão deriva do facto da imprensa privada ter uma linha editorial hostil ao governo.
Por isso, o director do jornal “Magazine Independente”, Salomão Moyana, sugere que, a semelhança do que acontece noutros países, Moçambique deveria ter uma lei que regula a publicação de anúncios publicitários de instituições do Estado.
“Isso (o favoritismo do jornal Notícias) pode matar e já matou muitos jornais porque é muito difícil conseguir publicidade”, disse Moyana, anotando que “isso limita bastante a capacidade de sobrevivência dos órgãos privados e também limita a possibilidade do seu crescimento”.
Em resposta a estas preocupações, o PM disse que as questões apresentadas serão analisadas pelo governo e em função das várias respostas as duas partes (governo e empresas jornalísticas) irão manter o diálogo.
Alberto Vaquina disse que as mensagens encontradas nessas instituições – tanto na imprensa privada e na pública - são encorajadoras para a aceleração do processo da libertação do país da pobreza em que se encontra.
“Há um grande elo para a transmissão da unidade nacional, para a transmissão das mensagens sobre o desenvolvimento do nosso país e também de consolidação da nossa experiência democrática em Moçambique”, disse Vaquina.
“O que estamos a ver é que existem órgãos tanto públicos como privados determinados a continuar a levar avante a sua tarefa de comunicar o melhor possível, assim como a levar avante a sua tarefa de, como empresas, empregando pessoas, participando no desenvolvimento através da promoção do bem-estar das famílias dessas mesmos trabalhadores”, acrescentou.
Na sua intervenção na sede da Mediacoop – a mais antiga empresa privada de comunicação proprietária dos jornais Mediafax e Savana - Alberto Vaquina sublinhou a necessidade de se acabar com a percepção de que na imprensa “existem duas trincheiras opostas”.
“Podem até usar armas diferentes, mas todos disparam contra um inimigo comum”, disse ele, sublinhando que “esta visita surge para abrirmos o debate e haver maior aproximação. As diferenças devem existir para que juntos possamos construir um Moçambique forte, onde existe a auto-estima e respeito comum”.
Refira-se que Vaquina encontra-se, desde terça-feira, a efectuar uma visita aos órgãos de informação públicos e privados para inteirar do seu funcionamento e dos desafios que enfrentam.
A visita abrange todos os órgãos de informação com instalações físicas e que operam na cidade de Maputo.
Para a maioria destas empresas – incluindo as do sector público – esta é a primeira vez que tem a oportunidade de receber uma visita de um Primeiro-Ministro, algo que constitui um momento de grande encorajamento e indicador de possível solução para as suas preocupações.



(RM/AIM)

Thursday, 17 January 2013

Governo moçambicano admite "mais zelo" na distribuição de vistos, mas lei é a mesma

Maputo, 17 jan (Lusa) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique assegurou hoje que não há alteração nas regras de visto de entrada, mas admitiu que existe "um bocado mais de zelo na aplicação da lei".
Reagindo às notícias sobre eventuais mudanças de obtenção de vistos, uma fonte diplomática moçambicana disse hoje à Lusa em Maputo que "aqui não há nenhum alteração às regras. Os vistos de fronteira também seus requisitos: o que está a acontecer é um bocado mais de zelo na aplicação da lei".
Na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal disse que está em contacto com as autoridades de Maputo no sentido de se encontrarem soluções para os "problemas pontuais" relacionados com vistos.
"Estamos a trabalhar com as autoridades moçambicanas para encontrarmos soluções para estes problemas pontuais que têm surgido", disse à Lusa o porta-voz do MNE. O porta-voz da TAP, António Monteiro, disse na quarta-feira à Lusa que a transportadora portuguesa está a informar os passageiros com destino a Maputo que só podem embarcar se forem portadores do visto de entrada válido, na sequência de uma "mudança de prática" das autoridades moçambicanas.
"Há problemas com os vistos. Até agora eram concedidos também à entrada e, por isso, neste momento estamos a aconselhar os passageiros a munirem-se do respetivo visto ainda em Portugal porque as pessoas que chegam ao país sem visto são devolvidas à procedência", disse à Lusa António Monteiro, porta-voz da TAP.
"Há uma mudança brusca dessa prática. É evidente que as autoridades moçambicanas têm o direito de proceder como acham melhor e o normal até é o visto ser obtido por antecedência. Aqui o problema é que foi uma prática alterada de uma forma um pouco abrupta", acrescentou António Monteiro, sublinhando que a TAP está a alertar os agentes de viagem e os passageiros.
Uma informação difundida quarta-feira pela TAP através da conta da companhia aérea na rede social Facebook indica que todos os passageiros de nacionalidade portuguesa com destino a Maputo que não sejam portadores de cartão de residente em Moçambique só poderão embarcar nos voos para Maputo se estiverem em posse de visto de entrada válido, bem como de bilhete de ida e volta.
"Esta medida surge no seguimento de os Serviços de Migração do Aeroporto de Maputo estarem a recusar emitir vistos à chegada, obrigando a TAP a efetuar o retorno dos passageiros que não cumpram as condições referidas", indica a mesma informação da companhia aérea.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique considerou, a propósito, que a decisão da TAP "resulta, eventualmente, dos prejuízos que terá tido com o retorno, no dia 07 de janeiro, de oito portugueses impedidos de entrar em Moçambique por irregularidades a nível de vistos".
Na ocasião, António Pinheiro, vice-cônsul de Portugal em Maputo, disse que seis portugueses tinham visto turístico, mas pretendiam trabalhar em Moçambique, enquanto outros dois portugueses não tinham bilhetes de regresso para Portugal.
As autoridades moçambicanas decidiram, por isso, recambiar os oitos portugueses no mesmo voo da TAP em que chegaram a Maputo.


Cinco óbitos, 309 casas totalmente devastadas e 486 parcialmente destruídas...


Cenário dramático das chuvas em Maputo...

1 192 casas estão alagadas e, como consequências, 222 pessoas estão nos centros de acomodação temporária. O presidente do município descreve o cenário como grave. Aliás, estes números são ainda um balanço preliminar. Até amanhã, sexta-feira, as autoridades terão a informação sobre a situação geral dos estragos provocados pelas enxurradas na cidade de Maputo. Mas a chuva ainda vai continuar a cair..
O presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, David Simango, diz que o número de óbitos devido às enxurradas subiu para cinco na capital do país. São quatro crianças e um adulto. Mais; 309 casas foram totalmente devastadas e 486 tiveram uma destruição parcial, sendo que 1 192 casas estão totalmente inundadas.
Em consequência, 222 pessoas estão, desde ontem, nos centros de acomodação temporária. São, no total, cinco centros de alojamento que se encontram espalhados nos bairros 25 de Junho, Laulane, Escola Secundária Força do povo, entre outros.
O presidente do município descreve a situação como grave e pede a compreensão de todos, tendo em contas que a queda de chuva não terminou, já que ainda se está numa época chuvosa.
Neste momento, David Simango diz que a prioridade é salvar vidas. E, por isso, o município está a trabalhar com o governo da cidade e o Central no sentido de garantir que as pessoas que estão nos centros de alojamento tenham as mínimas condições de vida.
O edil da capital diz que, além das vítimas humanas, houve danos materiais avultados. O sistema de abastecimento de água do FIPAG foi arrasado, os postes da EDM também não escaparam, incluindo a linha-férrea dos CFM.
A linha-férrea dos Caminhos de Ferros de Moçambique foi afectada em três pontos, nomeadamente, na zona do mercado vulcão, no bairro do Aeroporto, dois pontos na zona do Costa do Sol, na zona da ex-rua Dona Alice.
Para já, a linha do limpopo encontra-se encerrada. Os CFM, tal como disse Simango, garantem que, até sexta-feira, o comboio voltará a apitar nos locais em causa.
As águas de Moçambique também já restabeleceram o abastecimento de água nalgumas zonas, mas no distrito municipal Kamavota, concretamente nos bairros de Laulane, Ferroviário, Costa do Sol, ainda não foi possível, não só devido à gravidade dos danos lá provocados, como também e, sobretudo, porque alguns pontos ainda se encontram alagados, não sendo por isso aconselhável fazer a ligação da água.
O mesmo cenário acontece com a electricidade de Moçambique (EDM). A empresa teve que romper o fornecimento de energia eléctrica como forma de evitar danos maiores.
Algumas estradas em número não especificado também foram penalizadas. Buracos agravaram-se. A transitabilidade tornou-se complicada. Simango diz que há empresas que já se prontificaram para dar apoio no tapamento dos buracos bem como a limpeza da areia que se acumulou no meio de alguns troços.



Tiago Valoi ,  O País

Moçambique é 2º maior receptor da ajuda pública portuguesa

Moçambique foi o segundo país maior receptor da ajuda pública de Portugal, a seguir a Cabo Verde, que lidera o grupo de 10 países que mais fundos de apoio ao desenvolvimento socioeconómico receberam entre 2011/2012 daquele país europeu.
No período em referência, Moçambique recebeu de Portugal cerca de USD170 milhões, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), realçando que, apesar da crise financeira que abala aquele país, “Portugal contrariou a tendência de alguns doadores cuja ajuda aos países em desenvolvimento tende a reduzir”.
Os restantes países que mais receberam ajuda pública lusa apresentaram valores individuais que “não chegam à casa da centena de milhões de dólares norte-americanos” e são, entre eles, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné-Bissau, da África Subsaariana, tida como a região que mais se beneficiou da ajuda de Portugal no mundo no período em apreço.



Equidade de género



Por outro lado, a OCDE considera que Moçambique é o 39.º mais equitativo no que respeita à observância dos princípios de género dos 86 países emergentes analisados, posição que coloca o país como um dos “mais exemplares em termos de criação de oportunidades entre homens e mulheres”.
Refira-se, entretanto, que, em 2003, a situação era grave, pois cerca de 43% das raparigas moçambicanas, com idades compreendidas entre 15 e 19 anos, estavam na condição de casadas, divorciadas e/ou viúvas, contra 52% de taxa de 1980.
A OCDE realça que a situação é indicativa de que a “aceitação social do casamento precoce está a diminuir no país”.
A OCDE foi criada em 1948 e é constituída por países que partilham princípios da democracia representativa e de economia de livre mercado visando solucionar problemas comuns e coordenar políticas económicas domésticas e internacionais.



Correio da Manhã, em A Verdade

CHUVAS NA CAPITAL - Cenário simplesmente catastrófico

Casas inundadas, arrastadas, destruídas, outras enterradas em crateras de mais de três metros, linha férrea suspensa, postes de energia eléctrica derrubados, condutas de água rompidas e pessoas ao relento são aspectos que caracterizam os estragos causados pela queda de chuvas na cidade de Maputo.
O pânico instalou-se nos bairros mais propensos à ocorrência de calamidades da capital. O cenário que se viveu assemelha-se a um terramoto, segundo contam os moradores entrevistados pela nossa Reportagem.



Notícias. Leia aqui.



Wednesday, 16 January 2013

Investimento estrangeiro em Moçambique com quebra de 26% em 2012

O investimento directo estrangeiro aprovado pelo Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique em 2012 registou uma quebra de 26% em termos homólogos para 725,8 milhões de dólares, informou a instituição.
Em 2011, o investimento directo estrangeiro aprovado pelo Centro de Promoção de Investimento ascendeu a 974,5 milhões de dólares.
Os projectos de investimento directo estrangeiro aprovados pelo CPI em 2012 concentraram-se na agricultura, banca, construção civil e turismo.



(rm/macauhub)

Tuesday, 15 January 2013

Chuvas torrenciais inundam Maputo

Casas alagadas devido a insuficências dos sistemas de drenagem
Moçambique está sendo fustigado por chuvas torrenciais há cerca de uma semana, que já provocaram pelo menos dez óbitos, cortes de estradas, casas destruídas, gado perdido e diversas culturas submersas.
Oficiais dos serviços de meteorologia dizem que as chuvas que se registam estão dentro da previsão da época chuvosa que termina em Abril próximo.
Mas na cidade de Maputo, ninguém esperava que as ruas e os bairros residenciais da capital do País ficariam alagados nesta Terça-feira com uma precipitação de 40 milímetros registada em cerca de três horas.
O sistema de drenagem foi testado e chumbou no escoamento das águas pluviais em tempo útil.
Na baixa da cidade, o sistema de drenagem que sofreu uma reabilitação de raiz há cinco anos, no reinado do Edil economista Eneas Comiche, consegue resistir, mas a falta de manutenção e limpeza regulares exacerbada por produção de lixo por vendedores ambulantes complica a situação provocando verdadeiros oceanos nas ruas.
No entanto, a situação é muito mais grave nos bairros residenciais de Mafalala, Chamanculo e Xipamanine, onde o sistema de drenagem é obsoleto.
Muitas residências estão alagadas e dezenas de famílias vão passar a noite em casas de amigos ou escolas.
Entretanto, até hora do envio deste despacho não havia notícias de vítimas humanas, mas os danos materiais são enormes, sobretudo de bens domésticos.
As vítimas humanas foram reportadas na zona centro, a mais afectada pelas chuvas torrenciais, segundo oficiais do Instituto de Gestão de Calamidades Naturais.
A época chuvosa termina em Abril próximo. Até muita coisa vai acontecer no chamado País de extremos.

 
Simião Pongoane, VOA. Escute aqui.