Thursday, 15 December 2011

Metical forte -Afirma o economista João Mosca


Manutenção de um metical forte é apenas um favor do banco central ao governo, diz economista João Mosca.
O metical, a moeda nacional continua forte face as principais moedas de troca no país nomeadamente o rand e o dólar. E isso segundo o economista João Mosca deriva da entrada de capitais do investimento directo estrangeiro que no entanto não representam a estabilidade da economia nacional podendo resultar no que em economia se chama de doença holandesa.
O economista diz por isso que o banco de Moçambique não esta a ser criterioso no exercício da sua função de banco central pois apenas presta um favor ao estado que receia convulsões sociais com uma eventual escalada de preços. Aliás os temores do governo em relação a instabilidade social segundo Mosca sentem-se também nas verbas do orçamento do estado atribuídas a sectores como o da defesa Nacional no Ministério do Interior ou serviços de informações e segurança do Estado (SISE).

Fonte: TIM

Reabilitação do Mercado Central: Primeira fase concluída em Março próximo


A primeira fase de obras de reconstrução do Mercado Central, na baixa da cidade do Maputo, deverá estar concluída em Março próximo segundo garantias do pelouro de Mercados e Feiras.

Maputo, Quinta-Feira, 15 de Dezembro de 2011:: Notícias

“A conclusão da primeira fase estava prevista para finais do presente mês, mas verificou-se que os trabalhos técnicos a realizar são mais complexos. Além das bancas, do chão e tecto, era preciso renovar as lojas do lado exterior do mercado. Tivemos, de igual forma, de esperar pelo fiscal das obras à luz das regras administrativas”, disse-nos Arnaldo Monteiro, director de Mercados e Feiras no Conselho Municipal da capital.
No quadro das obras, está já em curso a montagem de novas bancas de betão no edifício principal do Mercado Central do Maputo no quadro do projecto de reabilitação que arrancou em Julho passado. As obras da primeira fase abrangem a infra-estrutura frontal, do lado da Avenida 25 de Setembro, erguida em 1901.
De acordo com Arnaldo Monteiro, o empreiteiro tem estado a executar os trabalhos dentro do contrato.
A nossa Reportagem visitou aquela infra-estrutura, tendo encontrado os técnicos da empresa Soares da Costa, empenhados na montagem das bancas. Outros ocupavam-se da reabilitação do tecto que contará com um novo revestimento. Parte do chão já foi renovado com um novo betão.
Orçada em 62 milhões de meticais, a reabilitação do Mercado Central será feita em três fases. A primeira é aquela que está em marcha que consiste na regeneração da parte frontal. Na segunda, será feita a cobertura e na última prevê-se que sejam feitos retoques visando devolver a imagem original, visto que a ideia é manter a estrutura arquitectónica centenária.
Enquanto isso, os vendedores colocados em bancas provisórias do lado da Avenida 25 de Setembro, manifestaram a sua apreensão com relação ao ritmo das obras pois esperavam retornar às suas actividades no interior do mercado, ainda no mês corrente.
Segundo disseram, a reabilitação é bem-vinda, mas perderam parte dos seus clientes tudo porque os compradores estavam habituados a encontrá-los nas antigas bancas. Como tal, instaram ao empreiteiro no sentido de acelerar a execução dos trabalhos.

Wednesday, 14 December 2011

Auto (in)estima1

Auto estima é provavelmente a palavra mais presente nos discursos políticos e nas intervenções com ou sem caixas de ressonância (neste caso batuques). Não me parece mal. A auto estima, segundo os psicólogos, é o gosto e o amor que cada um tem consigo próprio, individual ou colectivo, assente nas suas identidades, percurso, mérito e diferenciação dos restantes indivíduos ou colectivos. Este é o olhar de um sobre si próprio. É necessário também conhecer o olhar do(s) outro(s) sobre o auto estimado.
No caso em apreço, a construção da auto estima tem sido utilizada principalmente como forma de criar patriotismo, nacionalismo, unidade nacional. Mas em redor a que valores, objectivos, ideais, etc.(?).É indesejável tentar criar-se auto estimas com base em exercícios de culto de personalidade, criação de figuras emblemáticas e ícones, isto é, imagens simbólicas e voláteis no tempo. A manipulação de informação e a sobre valorização ou a distorção de fenómenos para a criação da auto estima torna-se perigosa e contra producente.
É difícil a auto destruição da estima individual ou colectiva. Seria não gostar de si próprio, individual ou colectivo, a possibilidade de instabilidades emocionais que, a se agravar, poderia conduzir-se à categoria que os psicólogos designam de bi-polarismo e, com maior agravamento, ao possível suicídio. Naturalmente que isso não acontece a um país e a um povo. É assim mais acertado falar de confiança. Confiança de um povo em si mesmo, assente na história, na capacidade de ultrapassar dificuldades e de promover desenvolvimento. Confiança na economia e nos sistemas políticos que assegurem a liberdade dos cidadãos, a participação nos desígnios da pátria, na criação de riqueza com aproximação de oportunidades. Confiança nas elites e nos políticos e destes com os povos a que pertencem e a quem devem prestar serviços com responsabilidade social do que a sociedade lhes permitiu ser o que são. Confiança no Estado na condução do país e em políticas ajustadas, inclusivas, equitativas e que seja solidário em relação aos grupos sociais mais vulneráveis. Confiança na construção de uma sociedade assente em valores duradouros da ética, justiça, igualdade, do universalismo e da modernidade. Confiança em ambientes de liberdade, respeito pelas diferenças e tolerância pelas diversidades.
São estas e outras confianças que poderão configurar a auto estima individual.
Este artigo apenas se refere à confiança (auto estima) nas e das elites políticas, particularmente da governação. Este texto foi motivado pelos índices económicos e sociais internacionais que têm sido dados a conhecer nas últimas semanas.
O doing business de 2012, indica o retrocesso de Moçambique no ranking internacional e no contexto da África Austral. Pretendia-se que Moçambique fosse o país com melhor ambiente de negócios na SADC. Era uma ambição aparentemente alcançável considerando a posição da penúltima avaliação. A queda de Moçambique no ranking não foi uma boa notícia.
Seguiu-se o anúncio do Índice de Desenvolvimento Humano que refere que Moçambique se localiza na 184ª posição entre 187 países avaliados. O índice melhorou mas a posição de Moçambique comparativamente com outros países piorou, o que significa que outros países estão melhorando a um ritmo superior que Moçambique.
Foi um violento golpe na confiança (isto é, na auto estima) de grande parte da elite moçambicana, sobretudo da que envolve o sistema do poder e dos menos informados. Saltaram para o palco das televisões técnicos de alguns organismos governamentais, contestando as estatísticas e o método de cálculo. O IDH possui realmente lacunas e não representa, como qualquer outro índice sintético existente ou a construir, a globalidade das realidades. Mas o IDH está reconhecido como um dos indicadores menos imperfeitos e tem sido utilizado por diversas organizações internacionais. O método de cálculo e as fontes utilizadas para Moçambique são similares para os restantes países avaliados e, por isso, como indicador relativo, coloca todos os países em igualdade comparativa.
Surgiram depois os resultados do Índice de Percepção da Corrupção, indicando que em Moçambique a situação não melhorou. Várias vozes moçambicanas têm referido de forma fundamentada o que a Transparência Internacional confirma no seu último relatório.
Um último relatório Regional Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional (Outubro de 2011) que, além de elogiar o comportamento da economia moçambicana pela persistência do crescimento económico e o acerto (na perspectiva do FMI) das politicas económicas conjunturais para fazer face à crise internacional, volta a sublinhar que o tão elogiado crescimento económico gera mais pobreza e agrava as desigualdades sociais. Nada do que, desde 2008, não seja mencionado consistentemente por diversos estudos realizados em Moçambique e por moçambicanos.
Simultaneamente, o governo de Moçambique reafirma que a economia está saudável (novo slogan). Que é necessário ter-se paciência porque os resultados dos mega projectos chegarão. Em ciclos fechados e em reuniões a vários níveis da governação, alguns dos chamados críticos são tidos como anti patriotas, reaccionários e que só sabem criticar e nada contribuem de positivo. Por coincidência de resultados dos estudos, as organizações serão designadas de quê? Anti patriotas, pelas suas próprias condições não o podem ser.
Reaccionários? Neo-liberais, aliados do capitalismo? Inimigos externos? Complot internacional?
Quando uma governação ganha elevados níveis de autismo e a isso se junta o autoritarismo, a incapacidade de gerir o país de forma planificada e com gestão previsional e pró activa, a falta de ideias (apesar dos “planos” quinquenais do governo), a utilização de métodos repressivos e outros comportamentos, então pode-se pensar que se está perante sinais que perigam os pilares da democracia. Estes são comportamentos que não criam credibilidade e confiança (auto estima). Há cada vez mais cidadãos formados e informados. A comunidade internacional sabe o que se passa e tem apontado situações que é necessário melhorar ou evitar.
Seria dignificante que se reconhecesse que apesar do crescimento, do investimento estrangeiro e de algum controlo macroeconómico mesmo que com indicadores não favoráveis ao desenvolvimento, a economia vai mal.
Este assunto está mais que fundamentado em trabalhos de moçambicanos, de estrangeiros e de organizações internacionais. Menos para o governo.
É desejável que a governação, aos diferentes níveis, tome nota dos resultados dos estudos sérios e fundamentados. Sobretudo quando vários estudos indicam as mesmas ou semelhantes conclusões. Sugere-se que não se diga que “esse estudo aí está mal… porque basta andar por aí para ver que a pobreza não aumentou”. Que não se guardem estudos nas gavetas durante meses e que só são tornados públicos por imperativos de uma reunião internacional. É saudável evitar que se chamem pessoas para se lhes perguntar “de que lado é que você está”. Que não se rotule de reaccionários a cidadãos que apresentam estudos sérios e fundamentados, mesmo que os resultados não sejam cómodos para ninguém, nem para os próprios pesquisadores. Cidadãos que não só não são anti patriotas, como não têm nada mais a provar quanto ao seu patriotismo. E o mesmo se poderia dizer relativamente a serem progressistas e não reaccionários. Quem é reaccionário? Os que defendem a equidade, um crescimento inclusivo e mais democraticidade, ou os que praticam ou deixam praticar um capitalismo selvagem, corrupto, com crescentes níveis de desigualdade, elites que ficam endinheiradas por vezes de forma pouco transparente?
É urgente a criação de um clima de diálogo aberto e franco por mais duro que seja o debate, na única condição de ser honesto e fundamentado. Debate para se ouvir e não para fingir que se ouve. Participação em vários níveis num exercício de democracia inclusiva. Assim se contribuirá para a confiança (auto estima) individual e colectiva.
Caso contrário, haverá cada vez menos confiança (auto estima) por mais ressonância que os batuques façam.

João Mosca, SAVANA – 09.12.2011, citado no Moçambique para todos

Tuesday, 13 December 2011

Comissão do Plano e Orçamento diz que há pouco dinheiro para sectores prioritários

Parlamento debate desde ontem PES e OE 2012.

Os deputados defendem que os sectores de educação, saúde, abastecimento de água, infra-estruturas e acção social deviam merecer mais recursos para o sucesso na sua implementação. A Renamo, na CPO, diz que o PES e OE não respondem às preocupações básicas do povo.
A Comissão de Plano e Orçamento (CPO) considera que o Governo não privilegia os sectores prioritários, nomeadamente, educação, saúde, abastecimento de água e infra-estruturas, na alocação de recursos.
Este facto, segundo o presidente da referida Comissão, Eneas Comiche, dificulta a implementação dos programas e projectos destes sectores.
“A comissão (do Plano e Orçamento) continua preocupada com as áreas onde as acções prioritárias são necessárias, nomeadamente, assistência social básica e infra-estruturas na componente de estradas e de abastecimento de água, e insta o Governo a incrementar a alocação de recursos para viabilizar a implementação das acções destes sectores críticos da economia”, afirmou Eneas Comiche, na qualidade de presidente da referida comissão.
A Comissão do Plano e Orçamento sublinhou ainda a necessidade da redução da despesa pública, melhoria da qualidade de informação sobre a dívida externa e descentralização da gestão dos recursos a nível dos distritos.
Contudo, apesar destas críticas, o parecer daquela comissão sugere que o plenário aprove o Orçamento por considerá-lo exequível, realista e realizável.
“As projecções inclusas na proposta do PES 2012 mostram-se adequadas e irão requerer do Governo uma monitoria constante do Governo a par de um melhoramento e sofisticação dos instrumentos de recolha de dados quantitativos e qualitativos de monitoria e avaliação, constribuindo, deste modo, para o alcance dos objectivos do programa Quinquenal do Governo”, afirmou.
Contudo, a Renamo, neste grupo de trabalho, diz que o PES e OE não respondem às preocupações elementares do povo e, por isso, “devem de ser chumbados”.
“O Governo atribui enormes verbas do orçamento a sectores como Presidência da República, SISE, Casa Militar, Defesa, Ministério dos Negócios Estrangeiros e cooperação, quando aquelas poderiam reforçar os sectores de saúde, educação e agricultura”, defendem os deputados da “perdiz” na CPO.

Orçamento de 2012

A proposta de orçamento para o próximo ano, em debate no Parlamento, indica que todos os gastos do Estado vão situar-se nos 163 mil milhões de meticais, sendo 84 146,2 milhões de meticais destinados para despesas de funcionamento; pouco mais de 65 mil milhões para o investimento; e 13 371,4 milhões alocados para as operações financeiras do Estado.
Na essência, os sectores que vão absorver a maior fatia do bolo são agricultura, infra-estruturas e saúde.

Governo defende-se

Manuel Chang, ministro das Finanças, disse que, para a elaboração destes dois instrumentos imprescindíveis para o país, o Governo tomou como base a actual crise financeira internacional, bem como o desempenho da economia nacional em 2011.
“A proposta do Orçamento do Estado para 2012 foi elaborada num quadro conjuntural doméstico e internacional, caracterizado pelo crescente espectro de incertezas a nível da economia mundial, pela volatilidade dos preços dos produtos primários, incluindo os combustíveis fósseis, pela previsão de desaceleração do ritmo de crescimento económico mundial e expectativas de expansão de procura de investimento, em consequência da recessão a nível global e ainda pelo ambiente de incerteza decorrente da instabilidade sócio-política, que ainda paira sobre economias do norte de África e Médio Oriente”, disse. Coma a redução da ajuda externa por causa da crise financeira internacional, o Governo vai continuar a apertar o cinto e gastar o racional, para além de estar a investir na cobrança de impostos como alternativa.

André Manhice e Orlando Macuácua, O País


Nota do José: No Canalmoz de hoje:

Orçamento de Estado para 2012
Avultados investimentos nas instituições de repressão
Governo atribui quase 7.5 biliões de meticais às Forças Armadas e ao Ministério do Interior
SISE e Presidência da República vão “consumir” mais de 2 biliões, enquanto o Fundo de Desenvolvimento Agrário e o Centro de Promoção da Agricultura terão que dividir a humilde quantia de 133 milhões de meticais

Leia aqui.

Quatro polícias na mira da expulsão, acusados de terem feito campanha a favor do MDM em Quelimane

Quatro agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia, em particular a trabalharem na cidade de Quelimane, vão responder por um processo interno acusados de terem feito campanha eleitoral pelo candidato vencedor das últimas eleições autárquicas intercalares, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Manuel de Araújo.
Fontes que forneceram essa informação ao jornal Diário da Zambézia avançaram que um dos agentes envolvidos nesta acção é o antigo comandante distrital da PRM em Nicoadala, que conhecemos apenas por Bispo.
De acordo com as mesmas fontes, estes agentes, para além de serem acusados de terem feito campanha, não no período laboral, vão pagar também a factura de os seus familiares terem trajado material de campanha do vencedor das eleições. Num outro passo, ficamos a saber que um destes quatro agentes, havia sido preso, mas depois ficou liberto.

Agentes entregam fardamento

Para além do processo disciplinar que está a correr contra estes quatro agentes da PRM, que também podem ser expulsos, os mesmos foram obrigados a entregar o uniforme policial que tinham em sua posse como instrumento de trabalho.
Quando o Diário da Zambézia contactou um dos agentes envolvidos neste caso, este disse que de facto “a chefia disse para entregar o uniforme e tudo aquilo que eu tinha da polícia”. Questionado se de facto ele havia sido encontrado com algum material do MDM, entrevistado negou tal facto, mas sublinhou que “eu não usei material, quer de um quer do outro por causa da minha profissão, mas então, se a minha família usou, qual é o mal?” - questionou o agente visivelmente chocado.
Num outro passo, a mesma fonte policial fez saber que esta acção dos seus superiores só visa intimidar, visto que eles próprios, neste caso, a chefia, tem familiares que usam material de campanha do partido no poder.

Porta-voz não confirma nem desmente

A informação de que os quatro agentes da polícia estão na mira da expulsão é do consumo público na cidade de Quelimane, dai que para confrontar a matéria dos factos, fomos ouvir a parte protagonista, neste caso, o Comando Provincial da PRM. Ernesto Serrote é o porta-voz da corporação.
Quando o DZ perguntou sobre este assunto, Serrote limitou-se em dizer que este caso é interno, dai que não confirmava. Mesmo com argumentos esgrimidos, Serrote continuou a dizer que não podia falar nada em volta disso. Aliás, disse ele que não confirmava nem desmentia, deixando claro que algo não está bem no seio da polícia.
Recorde-se que a polícia foi tida, neste processo eleitoral, que culminou com a eleição esmagadora do Manuel de Araújo para o cargo de edil de Quelimane, como sendo a que péssimo trabalho prestou.

Diário da Zambézia, citado em A Verdade

Monday, 12 December 2011

O hara-kiri da Frelimo

O banho Araújo em Quelimane não só se ficou a dever à sua “performance” mas também a um verdadeiro apagão verificado na candidatura do frelimista Aboobacar Bico.
Segundo as contagens paralelas disponíveis à hora do fecho do jornal *, Manuel de Araújo, apesar dos votos nas urnas terem baixado em 12%, o candidato da oposição fez subir os votos do renamista Latifo Xarifo em 2008, de 19.236 para a fasquia dos 22 mil votos, um aumento de 16%.
Mas foi sobretudo porque o eleitorado da Frelimo ficou em casa que Araújo ganhou. Em 2008 votaram em Pio Matos 24.201 apoiantes, enquanto Bico se deve situar na fasquia dos 13.500 votos, 56% por cento do “score” do edil que foi dado com “problemas do foro psiquiátrico”. Em aritmética simples, se os eleitores de Pio Matos tivessem ido votar, eram suficientes para derrotar Araújo.
Mas o que fez os quelimanenses ficarem em casa e sobretudo virarem a cara ao “cinzento” Bico, um empresário, que dizem os jornalistas que acompanharam a campanha, não terá falado mais de 15 minutos em toda a campanha?
Em primeiro lugar ainda ninguém percebeu a demissão de Pio Matos. Para além da conspiração Gruveta-Paúnde-Macuácua-Namashilua e das auditorias pouco ilustres às contas do município, ninguém sabe porque Pio teve que sair e expor a Frelimo a um verdadeiro hara-kiri político.
Nos aspectos seguintes, aventa-se a possibilidade de a Frelimo ter sido obrigada a ter de correr atrás do prejuízo inicial. Araújo, claramente um “candidato forte”, surpreendeu o partidão que, em desvantagem, tentou chamar à contenda o académico Manecas Morais, o director do pólo local de uma das universidades estatais do país. Depois da primeira nega, Bico terá sido literalmente empurrado para a candidatura, não gozando inicialmente nem sequer do apoio da comunidade muçulmana.
Dado que desde cedo se constatou que o candidato era “cavalo que não corria”, optou-se pela importação massiva da “Frelimo de Maputo” para vir dar uma ajuda em terras de machuabos. E lá veio Verónica Macamo, Filipe Paúnde, Manuel Tomé, José Pacheco e vários ministros de menor peso partidário. Até a governadora da cidade de Maputo e o edil da Matola vieram em excursão política a Quelimane. O que irritou ainda mais as hostes machuabos. Não só foram secundarizados nos problemas internos do partido como foram paternalisticamente tratados pela direcção comandista de Maputo. A partir daí foi o “deixa-andar” com um pesado “sindroma Bulha” transferido da Beira para Quelimane. Ou seja, os militantes públicos que no secretismo da urna de voto optaram pelo outro candidato ou, pura e simplesmente, não foram votar.
O resto são pecados antigos. Uso massivo de viaturas do Estado, uso de “sms” encomendados à operadora estatal para disseminação entre os utentes de telemóvel pós-pago, a população arregimentada em camiões de comício em comício, os consumidores de camisetes por troca com desfiles e passeatas partidárias.
A juntar a isso, algumas pérolas de campanha, como a descoberta da “família do candidato”, esquecendo-se a actual Frelimo que muito pouco tem a fazer a diferença no que à moral e aos costumes concerne. O mesmo desespero que em Cuamba teve o rótulo racial contra a candidata Maria Moreno, mais clara de pele que o candidato maçaroca, um comportamento autista de um partido que tem problemas em se olhar ao espelho e olhar para dentro do seu próprio guarda-fatos.
Aliás, em 1997, surpreendidos com o à vontade do candidato Phillipe Gagnaux no domínio dos vocábulos tsongas em Maputo, Manuel Tomé também decidiu usar a carta racial esquecendo-se da aliança no dedo, ou um indicativo que na Frelimo do capital o vale tudo e o maquiavelismo político está acima de todos os outros valores.
Por último, mas não menos importante, a Frelimo está habituada a lidar com a Renamo, um partido com muitos tiques semelhantes à Frelimo, muito populista e pouco dada a um trabalho de casa criterioso. Quelimane sempre esteve à mercê da oposição mas a Renamo foi completamente inepta em conseguir conquistar a cidade. A vitória de Araújo fica a dever-se em grande parte ao “trabalho operário” de Daviz Simango e os seus colaboradores que da Beira vieram apoiar a campanha do MDM na capital da Zambézia.
Resta agora saber, se se cumpre a segunda parte da profecia Pio Matos. Será que a cidade implantada à beira do Rio dos Bons Sinais vai ser mesmo governada por um machuabo que gosta realmente de Quelimane?
Araújo tem dois anos para responder a esse repto.

Fernando Lima, Savana, citado aqui.

MDM queixa-se à CNE

O MDM alega terem desaparecidos 20 cadernos com cerca de 1 000 eleitores cada e esta situação permitiu que os eleitores pró-Maria Moreno não conseguissem votar.
O MDM reúne-se, hoje, em Cuamba, para concertar sobre o expediente a submeter à CNE distrital. No mesmo, o MDM alega terem desaparecidos 20 cadernos com cerca de 1 000 eleitores cada e esta situação permitiu que os eleitores pró-Maria Moreno não conseguissem votar. Diz ainda que o STAE introduziu 8 mil eleitores “fantasmas” nos cadernos digitalizados para facilitar a fraude a favor da Frelimo.

O País

Castanha de cajú: Moçambique pretende reconquistar o lugar de um dos maiores produtores do mundo


Moçambique tenciona aumentar em 80 por cento a quantidade de castanha de caju comercializada no país até a campanha agrícola 2019/2020.

O Plano Director do Caju 2011/2020 prevê que a quantidade de castanha comercializada no país aumente das actuais cerca de 100 mil toneladas ano para 180 mil toneladas até àquela campanha agrícola, segundo indica um comunicado de imprensa do Instituto de Fomento do Caju (INCAJU).
Igualmente, o sector pretende aumentar a quantidade de castanha processada pela indústria nacional, passando das actuais 30 mil toneladas para 100 mil.
Dentre vários impactos, esse crescimento irá aumentar o número de pessoas com emprego na indústria de processamento do caju, podendo passar dos actuais oito mil trabalhadores para mais de 35 mil.
O comunicado daquela instituição subordinada ao Ministério da Agricultura (MINAG) indica que o Plano Director do Caju 2011/2020 será matéria de divulgação numa conferência a ter lugar em Maputo na próxima Segunda-feira.
Neste encontro será apresentas as principais opções estratégicas e operacionais do subsector do caju durante o período coberto pelo Plano Director (10 anos) bem como as necessidades de investimento para os próximos quatro anos.
Este plano constitui um esforço visando reerguer a produção e processamento de caju em Moçambique. Na década de 1970, o país chegou a ser o maior produtor de castanha de caju ao nível mundial, ao atingir uma comercialização recorde de mais de 200 mil toneladas.
Contudo, a produção nacional foi regredindo ao longo do tempo devido a vários factores, incluindo a guerra dos 16 anos que tornou difícil o tratamento dos cajueiros, a prevalência de pragas, envelhecimento das árvores e falta da sua reposição.
Estes factores associados ao seguimento das imposições do Banco Mundial de exportação da castanha em bruto resultaram no colapso quase total da indústria nacional, empurrando-se milhares de trabalhadores ao desemprego.

(RM/AIM)

Mudar é possível

Terminadas que estão as eleições intercalares, depois do candidato da Frelimo já ter reconhecido a sua derrota e felicitado o vencedor depois da Comissão de Eleições da Zambézia ter anunciado ontem os resultados, falta agora apenas esperar pelo “carimbo” da CNE, que deverá ocorrer nos próximos 15 de dias. Manuel de Araújo está exausto. Daviz Simango é uma espécie de messias. Quelimane e Beira preparam já um acordo de gemelagem autárquica.
A juventude inunda a sede do MDM em Quelimane de onde a policia fortemente armada já se retirou certamente envergonhada do ridículo a que o seu comando a sujeitou nestas eleições.
As ruas de Quelimane estão cheias de gente alegre.
Ninguém guarda rancor.

Editorial do Canalmoz. Leia aqui.

Sunday, 11 December 2011

Com fundos luso-moçambicanos: Investimoz estabelece critérios de elegibilidade

OS mecanismos de elegibilidade aos fundos da Investimoz, um instrumento financeiro criado pela CTA-Confederação das Associações Económicas de Moçambique, AICEP Portugal Global, SOFID e a Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, em colaboração com os governos de Moçambique e Portugal, foram ontem divulgados em Maputo.


Maputo, Sábado, 10 de Dezembro de 2011:: Notícias


O Investimoz está dotado de 94 milhões de euros para apoiar investimentos desenvolvidos por empresas portuguesas e luso-moçambicanas e, falando num seminário, o presidente da Comissão Executiva da SOFID, Diogo de Araújo, disse serem elegíveis para o fundo “todos os sectores que criem emprego e contribuam para a transferência de competências para os quadros moçambicanos, ficando de fora os sectores especulativos, como o imobiliário destinado para a venda a curto prazo”.
“Com este encontro, pretendemos dar a conhecer às empresas portuguesas e luso-moçambicanas, os instrumentos financeiros que existem ao seu dispor para investimentos a médio e longo prazos”, segundo indicou Diogo de Araújo, acrescentando que, “neste processo, o sector privado moçambicano e português têm que se unir para, numa atitude mutuamente vantajosa, tentar desenvolver o país e contribuir para que Moçambique continue a crescer”.
Por seu turno, o vice-presidente da CTA, para a Antena Regional Sul, Agostinho Vuma, referiu que “sendo a CTA o único interlocutor válido do sector privado no país, tem a obrigação de difundir os produtos financeiros oferecidos pela SOFID”.
“Praticamente, queremos transmitir aos empresários moçambicanos a necessidade de capitalizarmos este novo produto financeiro”, finalizou Agostinho Vuma.
Refira-se que esta iniciativa vai envolver cerca de 150 empresários que operam em sectores como energia incluindo as renováveis, infra-estruturas incluindo construção e habitação social, sector agrário (agro-negócios e pecuária), indústria, turismo, transportes, manufactura, indústria, entre outros.

Saturday, 10 December 2011

Em Maputo: Guebuza e Zuma discutem investimentos com empresários

Os presidentes de Moçambique, Armando Guebuza, e da África do Sul, Jacob Zuma, reúnem-se, próxima quarta-feira, em Maputo, com empresários dos dois países.
A reunião tem como objectivo procurar mais investimentos para as áreas da Agricultura, Minas, Turismo, Energia, Infra-estruturas, Banca e Construção Civil.
O encontro terá lugar durante a visita à Moçambique de Jacob Zuma que está a ser preparada, conjuntamente, pelo Ministério da Indústria e Comércio, Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e Centro de Promoção de Investimentos (CPI) do Ministério de Planificação e Desenvolvimento (MPD), segundo fonte envolvida nos preparativos desta visita, ouvida esta quinta-feira, em Maputo.

RM

Friday, 9 December 2011

Erros que penalizaram a Frelimo em Quelimane!

A Frelimo, apesar de ter vencido as eleições em dois municípios (Pemba e Cuamba), foi o grande derrotado das intercalares desta semana, ao deixar Quelimane cair nas mãos do jovem “Movimento Democrático de Moçambique”. O que me impressionou foi o envolvimento da juventude nas eleições de Quelimane. Até às 04h00, já havia jovens acampados à volta das mesas de voto. Este comportamento da juventude constitui um requerimento do pedido de mudança do discurso político de que os “jovens são o futuro de Moçambique” para “jovens são o presente de Moçambique”.
Nestas eleições, a Frelimo terá sido penalizada pelos seus próprios erros. Ora vejamos: mobilizou figuras que levam uma vida de ostentação e viaturas de luxo para desfilar e pedir votos a uma população castigada pela miséria, que até tem dificuldade de acesso à água potável, num município em que pouco fez em cerca de 13 anos; as figuras que mobilizou acabaram comportando-se como os principais candidatos do que o próprio candidato, que ficou eclipsado, ou seja, andou escondido; sobrevalorizou a imagem do candidato do MDM, Manuel de Araujo, ao destacar figuras de topo para enfrentar um jovem que, até na altura, tinha pouco peso, além de que fazia campanha sozinho contra os pesos-pesados da Frelimo. Por outro lado, não teve em conta as questões tribais de Quelimane, devidamente, exploradas pelo MDM. Também terá pesado o facto de ter obrigado Pio Matos a demitir-se em nome de problemas de saúde mental, para, volta e meia, aparecer como rosto de apoio à campanha de Aboobacar, sem apresentar sintomas de problemas de saúde.
Mais: a Frelimo levou a cabo uma campanha de ataques pessoais à figura do candidato do MDM, à semelhança do que tem sido as campanhas da Renamo.
Pareceu-me que a Frelimo não tinha definido o objecto da sua campanha para Quelimane.

Lázaro Mabunda, O País

Quelimane, zona libertada da Frelimo

1. Não foi Lourenço Abubacar que perdeu. Foi todo o partido Frelimo, a sua poderosíssima máquina logística e os rostos mais salientes da sua estrutura dirigente que quase fixaram residência em Quelimane.

2. Não foi apenas uma vitória de Manuel de Araújo ou do povo de Quelimane. Toda a juventude nacional esclarecida e que não se revê na Frelimo, a classe intelectual apartidária e as massas das zonas urbanas pobres de todo o país apoiavam moralmente a sua candidatura e ansiavam com fé a sua vitória.

Com efeito, a eleição de Manuel de Araújo constituía um imperativo nacional para contrabalançar a prepotência, a insensibilidade e indiferença de um sistema que tende, nos últimos tempos, a olhar mais para o seu umbigo e a distanciar-se cada vez mais do povo.

3. A vitória de Manuel de Araújo nestas Eleições Intercalares estimula a emergência de mais jovens “aventureiros” que possam contrapor a imponência plástica de uma juventude subserviente ao sistema, alheias às aspirações do grosso da camada juvenil geral e repugnantemente virada para a prossecução de interesses egocentristas e clubistas.

4. Nunca se viu o povo de verdade, maioritariamente composto por jovens entre os 18 e os 30 anos, a celebrar efusivamente a vitória de um candidato da Oposição que, até há um par de meses atrás, era um indivíduo praticamente “desconhecido” na cidade de Quelimane.

5. O povo de Quelimane votou contra a mentira que já perdurava há mais de 12 anos. Aquele povo mostrou unidade e não se deixou impressionar pela “brigada de elite” vinda especialmente de Maputo para ajudar a perpetuar a marginalização eternizada dos bairros periféricos e a deterioração infraestrutural crescente da cidade de cimento.

Manteve-se vigilante e esteve nas ruas até ao último momento para assegurar que o sistema não lhes roubasse as únicas armas que lhes restavam: o voto e a dignidade.

6. Mensagem para os governantes: o povo mudou. É hoje composto maioritariamente por uma juventude que está cada vez mais esclarecida da sua condição marginalizada (muitos não têm como prosseguir os seus estudos ou a possibilidade de arranjar um emprego formal, vivem em bairros degradados e mal se alimentam), não têm nenhuma relação umbilical ou ideológica à Frelimo e têm estado a aprender pela televisão, nestes últimos tempos, como é que se faz uma revolução.

Dito de outra forma, Quelimane foi um golpe certeiro nos testículos da arrogância de um sistema excludente, distanciado do povo e que gravita em torno de si mesmo. Abriu-se uma luz no fundo do túnel da esperança, e a libertação presente dos libertadores do passado pode ser um facto à médio prazo, se a lição de Quelimane for devidamente aprendida e apreendida por outras regiões geográfi cas deste país.

Editorial, A Verdade

Inédito: Guebuza e Dhlakama reuniram-se em Nampula


O Presidente da República, Armando Guebuza, reuniu-se hoje, na cidade de Nampula, norte de Moçambique, com o líder da Renamo, o maior partido da oposição no país, Afonso Dhlakama.
O encontro realizou-se a pedido de Dhlakama e é o primeiro em privado desde que Guebuza tomou posse como Chefe de Estado em 2005.
No fim do encontro, Dhlakama, que fixou residência em Nampula em 2009, disse a jornalistas que foram discutidos vários assuntos de indole politico, social e económico.
“Acabei de falar com o Presidente da República, que ao mesmo tempo é Presidente da FRELIMO, sobre aspectos que afectam o país ao nível político, económico, social e democrático, reconciliação nacional neste país”, disse.
Dhlakama considera que a conversa 'foi boa porque o Presidente da República ouviu e tomou nota sobre todas as questões tratadas, tendo se chegado ao consenso de criar equipas de trabalho que vão tratar dos assuntos que preocupam a Renamo'.
Afirmou que houve consenso de que vai haver grupos de trabalho constituídos por representantes da Frelimo e da Renamo que irão prosseguir com diálogo para resolver problemas do país.
“Vai haver um grupo de trabalho para continuar o diálogo entre a Frelimo e a Renamo porque há agenda que deve ser esgotada. Temos tido problema de fraudes em Moçambique e é preciso parar com isso porque não podemos continuar a chamar Presidente da Republica a pessoas que ganham na base de enchimento de urnas. Tive coragem de lhe dizer para pararmos e criarmos uma base para a democracia', disse Dhlakama.
'Falei-lhe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, sabe que a Renamo meteu os seus homens após o Acordo Geral de Paz e a Frelimo já retirou os nossos oficiais todos e só ficaram lá os da Frelimo. Os da Renamo que ficaram lá são usados apenas como ajudantes dos comandantes da Frelimo. Isso não pode acontecer e tem que mudar', detalhou.
Dhlakama acrescentou que também falou com o Presidente Guebuza sobre a alegada partidarização do Aparelho do Estado.
'Para ser professor do ensino primário é preciso ser membro do parido Frelimo e isto tem que mudar porque o país tem intelectuais que estão a estudar mas estão a abandonar o país porque não querem ser políticos, porque para continuarem a trabalhar devem ser do partido. E tem que haver uma acção de despartidarização nas escolas, hospitais, tribunais e até nas empresas privadas”, referiu.
A questão dos mega-projectos também constou na lista dos assuntos debatidos entre Guebuza e Dhlakama, segundo este, uma vez que a Renamo considera que só beneficiam os membros da Frelimo.
“Os mega-projectos só vão para a Frelimo e seus membros quando vocês, os outros moçambicanos e eu também queremos virar empresários”, disse.
No encontro, Dhlakama disse que também falou-se das eleições, particularmente no que se refere à revisão do pacote eleitoral, a composição dos órgãos de administração eleitoral e das mudanças que, na perspectiva da Renamo, devem ser revistas para conferir mais transparência e credibilidade aos processos.
“Falamos muito de fraude. Há discussão da revisão da lei eleitoral e não há consenso porque a Frelimo quer manter o artigo 85 que oficializa a fraude. O artigo diz claramente que conta-se aquilo que foi encontrado na urna, o que quer dizer que se as pessoas nao foram votar num determinado posto de votação, mas abrindo a urna e forem encontrados um milhão de votos eles são reconhecidos. É preciso se chegar a um acordo neste aspecto e mudar as coisas”, defendeu.
“O Secretariado Técnicio de Administração Eleitoral (STAE) é um órgão importante de apoio da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que prepara todo o processo eleitoral, mas é composto só por membros da Frelimo disfarçados em funcionários do Estado. Nós dizemos que não devemos partidarizar os órgão de administração eleitoral e se os funcionários são todos membros da Frelimo temos que despartidarizar o Aparelho do Estado para que estes órgãos desempenhem o seu papel”, argumentou o líder da Renamo.
Apesar deste encontro, em que a Renamo foi apresentar as suas preocupações ao Chefe de Estado, Dhlakama insiste que as manifestações ainda podem acontecer no país neste mês de Dezembro.
“Pode haver manifestações sim. Neste encontro não se acordou o fim das manifestações. Se até lá as coisas desenvolverem bem... Estes encontros são para chegar a um acordo e as manifestações são uma forma de fazer pressão para a Frelimo aceitar o que nós queremos”, declarou.
Dhlakama manifestou-se satisfeito com a abertura do Presidente da Republica e disse acreditar que este encontro vai produzir bons resultados.
'Está é a primeira vez que conversamos e tiramos fotografias', disse.
De referir que o Chefe do Estado mocambicano, Armando Guebuza, já convidou o líder da Renamo para alguns encontros aos quais Dhlakama preferiu não comparecer.

(RM/AIM)

RENAMO felicita MDM pela vitória no município de Quelimane

A RENAMO, o principal partido da oposição em Moçambique, felicitou hoje o candidato do MDM, Manuel de Araújo, pela vitória no município de Quelimane, considerando-a "um rastilho" para a saída da FRELIMO do poder.
Contagens dos canais públicos RM e TVM e do privado STV dão uma clara vantagem a Manuel de Araújo, candidato do terceiro maior partido da oposição moçambicana, o Movimento Democrático de Moçambique, na eleição para a presidência de Quelimane, centro do país, e vitória à FRELIMO, em Pemba e Cuamba, norte.
Comentando hoje a vitória do MDM, partido que resultou de uma cisão na RENAMO, na quarta maior cidade do país, o porta-voz do principal partido da oposição congratulou-se com o resultado da eleição em Quelimane, considerando-a "histórica".

RM

Thursday, 8 December 2011

Manuel Araújo do MDM vence com 62%

A “grande máquina” da Frelimo avariou em Quelimane

Canalmoz. Leia
aqui.

Eleições “Intercalares” em Cuamba

Vicente Lourenço da Frelimo vence Maria Moreno do MDM
Irregularidades e abstenção marcam processo de votação

Continue lendo aqui.

Nota do José = O candidato da Frelimo, Tagir Carimo, venceu em Pemba.

Wednesday, 7 December 2011

Um histórico de abstenções nas três autarquias hoje em disputa


Eleições Intercalares 2011

Quelimane, Cuamba e Pemba registaram, entre 1998 e 2008, uma fraca participação dos eleitores inscritos. O cenário tem vindo a melhorar gradualmente, mas ainda está longe da realidade de outros municípios.
As três eleições autárquicas nos municípios de Quelimane, Cuamba e Pemba demonstram “um rosto” de assustadoras abstenções, e os números estiveram sempre acima de 50 por cento. Ou seja, em todos os pleitos, a saber, 1998, 2003 e 2008, acima da metade dos eleitores inscritores não se dirigiram às urnas no dia de votação.
Tomando como exemplo Quelimane, actualmente o mais concorrido de todos em disputa nestas “intercalares”, os dados mostram que, em 1998, a edilidade tinha um total de 93 514 inscritos, no dia da votação apenas 5 351 eleitores foram às urnas, o que significa dizer que 94,28 por cento de eleitores se furtaram ao voto. Nas autárquicas de 19 de Novembro de 2009, a mesma edilidade registou 56.4 por cento de abstenções. Cuamba não foge dessa fórmula. Em 1998, registou uma abstenção de 88,82 por cento, mas em 2008 houve um interesse relativamente maior por parte dos munícipes, e as abstenções situaram-se em 66,7. Apesar disso, este número continua alto em relação ao desejável numa eleição, que é as abstenções estarem abaixo da metade.
Por fim, Pemba saiu de uma abstenção de 79,38 por cento, para 59,2.
Os dados das três edilidades demonstram, nos últimos tempos, uma tendência a reduzir os níveis de munícipes que se furtam ao voto. Entretanto, o cenário das abstenções não esteve apenas nos três municípios.
Em 1998, a abstenção geral foi de 85.42 por cento; em 2003 foi de 75,84 por cento; e, em 2008 foi de 53,6 pontos percentuais. Muitos dos argumentos usados em 1998 para justificar a fraca afluência já não podem ser usados nas eleições de 2003 e 2008, já que nesses pleitos não houve nenhum boicote da oposição.

O País

Quelimane: uma disputa entre a continuidade e a mudança! Leia aqui!

Pemba: três candidatos para um posto. Leia aqui!

Cuamba: entre a “veterania” de Moreno e a “novidade” Lourenço. Leia aqui!

Tuesday, 6 December 2011

Maputo fascina-me – Bridget Hilton Barber


A sul-africana, Bridget Hilton-Barber, acaba de lançar no seu país um livro sobre as suas visitas à cidade de Maputo e a algumas zonas da região sul de Moçambique.
Na verdade, ela descreve a publicação mais como um Guia turístico da capital moçambicana e a, enriquecida com bonitas imagens do seu parceiro, Richard Chipps.
Hilton-Barber explicou, no lançamento da obra, as razões que a levaram a publicar o livro. Ela Disse: "Depois dos muitos anos de viagens por várias cidades do mundo, conclui que para algumas delas o prazer é instântaneo e se esquece e outras você tem que regressar sempre; é o caso de Maputo. Visitei esta cidade e fiquei encantada. Percebi que tinha de partilhar esse amor e essa foi a chama por detrás da escrita deste livro”.
Acrescenta que, todas as vezes que retorna à capital moçambicana, fica espantada com o quanto ela muda de dia para dia, ano para ano. Fica fascinada com o que chama de “uma interessante mistura do africano, português, as influências indianas e brasileiras na cidade”.
Chama depois a atenção para um renascimento cultural que vai acontecendo na cidade. E destaca que “você pode sair de casa a qualquer hora da noite e vagar de lugar para lugar e haverá sempre uma banda a tocar ao vivo. As actividades culturais são fantásticas. Há uma positiva colaboração internacional com países como Espanha, Portugal e França. É muito inspirador”.
Na cerimónia que marcou o lançamento do livro, Hilton-Barber fez questão de exibir, com orgulho, uma peça de arte do escultor moçambicano Gonzalo Mabunda, construída a partir de artefactos de guerra enferrujados, simbolizando a paz, a natureza não-violenta dos moçambicanos e dos residentes de Maputo.

RM

Acreditados mais de 300 observadores para eleições intercalares de amanhã

Em Quelimane, Cuamba e Pemba

A cidade de Quelimane “bate recorde” em termos de observadores nacionais. Ela só tem 210. O facto demonstra que realmente o epicentro destas intercalares está na província da Zambézia.
As eleições intercalares que amanhã se realizam já contam com 326 observadores acreditados para acompanhar a justeza e transparência do escrutínio. Desse número, 304 são nacionais e 22 estrangeiros.
Dos observadores nacionais, o município de Quelimane movimenta 210; em seguida, está a autarquia de Cuamba com 64 e, depois, Pemba, com apenas 30.
Quanto aos observadores internacionais, a maior interessada é a União Europeia que até agora enviou 12 observadores, enquanto os Estados Unidos da América têm, nos locais, 10.
A afluência dos observadores em Quelimane vem provar o que já adiantávamos nas edições anteriores: Quelimane é o centro das atenções nestas eleições.
Segundo o director-geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), Felisberto Naife, está tudo a postos para a votação de amanhã nos municípios de Quelimane, Cuamba e Pemba.

O País

Monday, 5 December 2011

Munícipes decidem esta quarta-feira seu futuro

Eleições intercalares-2011.

Terminou, ontem, a campanha eleitoral. Hoje e amanhã são dias de reflexão. Quarta-feira, os munícipes vão decidir com quem fica cada um dos três municípios: se com a Frelimo, MDM ou Pahumo!
É já esta quarta-feira que os munícipes de Quelimane, Pemba e Cuamba vão às urnas para escolher os próximos edis das suas autarquias, naquilo que vai constituir as primeiras eleições intercalares da história do multipartidarismo em Moçambique.
Com efeito, terminou, ontem, a campanha eleitoral de 15 dias que tinha como objectivo fundamental divulgar o programa de governação dos candidatos e convencer os eleitores a votarem neles.
Hoje e amanhã são dias de reflexão, de acordo com a lei 18/2007 de 18 de Julho, lei da eleição dos órgãos das autarquias locais.

Sérgio Banze, O País