Tuesday, 15 March 2011

Vega 5 recuperado com 13 moçambicanos


A EMBARCAÇÃO de pesca Vega 5 foi recuperada com 74 pessoas, das quais 13 tripulantes moçambicanos e 61 piratas, pela Marinha de Guerra Indiana no Mar Arábico.

Maputo, Terça-Feira, 15 de Março de 2011:: Notícias

O barco, já a caminho do porto de Mumbai, na Índia, havia sido sequestrado a 27 de Dezembro ao largo da costa moçambicana por piratas somalis, com 24 tripulantes, 19 dos quais moçambicanos, três indonésios e dois espanhóis.
A imobilização da embarcação, que culminou com a detenção dos piratas e resgate dos tripulantes, ocorreu sábado a 600 milhas náuticas (cerca de 1. 111 quilómetros) a oeste da costa indiana, num ambiente de troca de tiros, depois de um alerta de ataque ter sido emitido pelo navio mercante MV Vancouver Bridge, para a base da marinha indiana.
Em reacção, o Ministro das Pescas, Victor Borges, deu conta ontem, em conferência de imprensa, na capital, de que decorrem investigações para se apurar a identidade dos tripulantes e dos piratas que, actualmente, se encontram sob responsabilidade dos indianos. As demarches incluem saber do paradeiro dos restantes membros da tripulação.
Borges disse que a embaixada moçambicana naquele país já está a trabalhar para apurar mais detalhes, tendo enviado uma equipa a Mumbai afim de contactar com as autoridades e os moçambicanos sob custódia, o que deverá terminar com o seu repatriamento.
O Vega 5 vinha sendo utilizado pelos piratas nas suas incursões, o que constituía um risco para a marinha internacional nos últimos quatro meses, segundo uma declaração de fonte militar indiana.
A nota aponta ainda que “na noite de 12 de Março de 2011, cerca das 21 horas, o INS Kalpeni (navio de guerra indiano) interceptou um navio mãe-pirata com o nome de 'Vega 5', no Mar Arábico, a cerca de 600 milhas náuticas, a oeste da costa da Índia. Foram resgatados 13 membros da tripulação e detidos 61 piratas”.
Informações adicionais, fornecidas pelo Ministro Victor Borges, indicam que na sexta-feira última, um avião de patrulha do tipo “Dornier” recebeu uma chamada do navio MV Vancouver Bridge que, na altura, era alvo de uma tentativa de sequestro. O avião foi em seu socorro e ao ser avistado pelos piratas, estes abortaram o ataque, empreendendo, sem sucesso, uma fuga, tendo a embarcação sido apreendida já em chamas como consequência da acção que se seguiu entre os militares e os piratas.
Por seu turno, o director da Pescamar na Beira, Felisberto Manuel, disse que tinha informações segundo as quais a embarcação tinha sido ancorada num dos portos a norte da Somália, enquanto outros dados referiam que a mesma estava a ser usada pelos piratas.
Manuel admitiu que tal pudesse a acontecer, talvez por a embarcação ser pequena e de pesca, servindo os tripulantes como escudos humanos.
Entretanto, apesar deste desenvolvimento, os familiares dos marinheiros que ontem se estiveram na Pescamar, manifestaram preocupação sobre a sorte dos seus entes. No entanto, preferiram deixar tudo nas “mãos de Deus”.

Indicada por Luís Mondlane: Tribunal Administrativo "Chumba" Ana Juliana no cargo de SG do Conselho Constituciona

Luís Mondlane, Presidente do CC alvo de inquérito em torno de alegações de práticas corruptas

O Tribunal Administrativo recusa dar visto a Ana Juliana Lucas para o cargo de Secretária-geral do Conselho Constitucional (CC), o mais alto órgão responsável por matérias de constitucionalidade em Moçambique, disse hoje, a AIM, fonte judicial.
Refira-se que o presidente do CC, Luís Mondlane exonerou, unilateralmente, o secretário-geral daquela instituição, Geraldo Saranga, tendo indicado para ocupar o mesmo cargo, Ana Juliana Lucas, mesmo não tendo o requisito de cinco anos de experiência exigido para o cargo.
Os outros seis juízes do Constitucional rejeitaram a nomeação da Juliana, mas Mondlane ignorou o protesto e no dia 25 de Fevereiro último empossou a nova Secretária-geral daquele órgão de soberania numa cerimónia boicotada pelos restantes juízes.
Contudo, a decisão do Tribunal Administrativo vem anular a decisão de Mondlane que, actualmente, enfrenta varias acusações de corrupção.
Aliás, já foi criada uma Comissão de Inquérito para investigar Mondlane, que tem vindo a ser acusado pela imprensa de comportamento corrupto e ilegal.
Uma fonte do CC disse hoje a AIM que a Comissão de Inquérito tem como função de “averiguar os factos”.
A comissão é constituída por três dos sete juízes do Constitucional, designadamente Lúcia Ribeiro, Manuel Franque e Norbeto Carrilho. Os dois primeiros juízes que foram indicados para aqueles cargos pelo parlamento moçambicano, a Assembleia da Republica (AR), enquanto Carrilho chegou aquele posto por via do Conselho Superior de Magistratura Judicial (CSMJ).
A comissão foi constituída na última Sexta-feira e tem 10 dias de prazo para apresentar os resultados da sua investigação.
O CC exerce a sua própria acção disciplinar sobre os seus membros e, dependendo dos resultados apurados pela Comissão de Inquérito, poderá decidir sobre as possíveis medidas disciplinares a tomar contra Luís Mondlane.

(RM/AIM)


ADENDA
Conselho Constitucional cria comissão de inquérito contra Mondlane , O País. Leia aqui.

Assaltaram o Estado, esgalharam o seu aparelho,desvirtuaram a sua natureza

Agora criaram mais um apêndice, a “Associação 8 de Março”…

Não tenhamos peneiras em afirmá-lo pois não passa da verdade. A ‘Associação 8 de Março’ recentemente criada é mais uma daquelas organizações democráticas de massas filiadas e superiormente geridas pela Frelimo. Um esforço de moçambicanos que até nem tinham ideologia alguma foi mais uma vez apropriado por um partido que se pretende omnipresente e omnipotente. As manobras do passado estão sendo recuperadas na actualidade embora com uma nova pintura. Clama-se por inclusão para esta nova associação mas sabe-se à partida que só os que alinham abertamente com as directrizes e directivas do partido no poder é que terão espaço de manifestação nela. Ao dizermos isto não estamos inventando nada. É o modus vivendi e o modus operandi de todas as organizações criadas nos “sovacos” da Frelimo.

Noé Nhantumbo, no Canalmoz. Continue lendo aqui.

Monday, 14 March 2011

Eles conduzem-nos à desgraça

O Governo de turno tem uma grande oportunidade de entrar para a história como um bom exemplo de incapacidade e incompetência. Só há uma possibilidade para que isso não aconteça: que o povo morra de fome muito antes que a tempestade económica comece a manifestar-se.
O ministro de Planificação e Desenvolvimento já fez o alerta de sempre: dias piores estão por vir. Num país em que o primeiro-ministro não manda – a sua função é meramente cosmética, quais as bolas na árvore de natal –, Aires qualquer coisa Ali, no seu estilo sacerdotal, lembrou-nos que caminhamos alegremente para o abismo. Estávamos a precisar dessa informação! Não é mesmo!!?
O ministro das Finanças ainda não falou se está a ser preparada em silêncio uma outra proposta de corte nas despesas, apesar de se saber que a inflação anda nos dois dígitos, além de caminharmos em direcção à hiperflação. Até porque não há mais nada para cortar do lado do povo, a não ser que queiram levar as cuecas rotas – por sinal, o único bem que resta e dá um mínimo de dignidade aos moçambicanos. A mensagem que essa turma que tem à frente o Presidente da República, também conhecido por Armando qualquer coisa Guebuza, pretende transmitir é: “Agarrem-se, ó bando de povo-parvo! Pois, vão cair. O país vai a pique, qual Titanic”. Só não dizem ao que o povo se deve agarrar.
Está história lembra a velha anedota, segundo a qual um homem está ao alto de uma escada a pintar a fachada do prédio e o seu auxiliar pedi-lhe para se agarrar ao pincel porque ele pretende levar a escada. Enquanto os moçambicanos têm de se agarrar ao pincel, Guebuza e a sua turma não falam em cortes nas “mesadas” que os permitem fazer travessuras nos hipermercados de Nelspruit, o parque de diversões de quem está à frente deste país, além de levarem uma vida principesca (leia-se folgada).
O povo ingenuamente tem-lhes confiado a resolução dos seus problemas e o destino da nação. Eles estão preocupados em ampliar os seus impérios económicos e, por isso, colocam o povo a ocupar-se de futebóis deprimentes e novelas anestesiantes, para não falar das Chamas-estupidificantes da Unidade Nacional e Anos fulano X e Y.
O PR tem alergia aos meios de comunicação social nacional. Prefere emitir esgares no estrangeiro, como fez recentemente na entrevista que concedeu ao canal de TV “Euronews”. Ainda não fez um pronunciamento público sobre a situação desgraçada a que nos leva. Aliás, quando aparece nos (tele ou rádio) jornais, é porque está a fazer as suas brincadeiras de estimação: inaugurar isto e aquilo.
Hoje parece que ninguém tem dúvida que o país continua a apostar no atraso. Moçambique nunca teve um dos melhores índices de qualidade de vida, nem uma economia próspera e controlada e tão-pouco conseguiu ser auto-sustentáveis na produção de alimentos. O nosso país importa anualmente quase um milhão de toneladas de cereais, o que o torna vulnerável a choques externos, uma vez que a produção nacional permanece incapaz de satisfazer as necessidades de consumo interno.
Moçambique tem défices notáveis em produtos que poderia produzir para o consumo interno e até ter excedente para exportar. Sabe o leitor o porquê desse défice? O país acostumou-se, nos últimos anos, a caridadezinhas, denominadas de ajuda externa, e a importar tudo que consome e, por isso, pouco ou quase nada foi feito para desenvolver a agricultura.
Quando o povo necessita de pão e água para boca, o Governo serve, de forma crua, overdoses de discursos sobre o combate à pobreza absoluta proferidos, curiosamente, de barriga cheia para domestica-lo. Eles – PR e os ministros disto e daquilo – conduzem-nos à desgraça.

Escrito por Hélder Xavier, A Verdade

Nota do José
=
Este texto marca o regresso do Shir à blogosfera. Leia A ÚLTIMA CEIA aqui.

Sunday, 13 March 2011

Zapiro e o discurso racista

Nestes dois desenhos, o caricaturista sul-africano Zapiro, várias vezes mencionado aqui, retrata a situação do discurso racista que tem agitado a opinião pública sul-africana.


No primeiro desenho, observamos o porta-voz governamental Jimmy Manyi usando o mesmo discurso racista de Verwoerd, o arquitecto do apartheid. Podemos ver outros exmplos desse tipo de discurso, como por exemplo a jornalista Kuli Roberts que escreveu um artigo ofensivo sobre as mulheres mestiças.



Jimmy Manyi fez comentários sobre os mestiços e o Ministro Trevor Manuel escreveu uma carta criticando Manyii e chamando-o de racista. Neste desenho observamos o Presidente Jacob Zuma tentando convencer Trevor Manuel de que ainda há lugar para a política de não-racialismo. Segundo Zapiro, esse lugar é a casa-de-banho, onde se encontra Manyi urinando sobre a Carta da Liberdade que consagra o princípio de não-racialismo.
Hilariante como Zapiro Zapiro trata este assunto tão sério!

Cartoons no Sunday Times, semanário sul-africano

Saturday, 12 March 2011

Luís Mondlane está em maus lençóis


Renamo exige demissão do presidente do Conselho Constitucional, acusado de esbanjar 400 mil dólares

O Presidente do Conselho Constitucional, Luís Mondlane, está em maus lençóis, devido a gastos considerados excessivos do dinheiro do erário público, numa altura em que o País vive momentos de aperto de cinto.
Segundo os semanários Magazine Independente e Savana, em apenas 18 meses no poder, Luís Mondlane gastou 12 milhões de meticais, cerca de 400 mil dólares norte-americanos em bens e serviços.
Mondlane é acusado de ter viajado com a sua esposa em missão de serviço para Portugal e de lha ter pago ajudas de custo por dinheiro do Conselho Constitucional quando não é funcionária da instituição.
Luís Mondlane é igualmente acusado de estar a comprar uma casa, através dos fundos do Conselho Constitucional. O jornal Savana reporta que o Presidente do Conselho Constitucional de Moçambique gastou no ano passado nove milhões de meticais, cerca de 300 mil dólares norte-americanos em despesas pessoais.
A Renamo, principal partido da oposição, diz que está muito desapontada com a atitude de Luís Mondlane, e exige a sua cabeça. O protesto foi apresentado em voz alta na abertura da sessão parlamentar pelo Vice-Presidente da Assembleia da República, Viana Magalhães.
“Estamos profundamente decepcionados e tristes, porque nos sentimos traídos. Nesta casa, todos tivermos alguma palavra para a ocupação de tão alto cargo de Presidente do Conselho Constitucional” – lamentou Viana Magalhães no pódio do Parlamento.
As falcatruas de Luís Mondlane não terminam apenas nos gastos excessivos do dinheiro do erário público. Ele nomeou recentemente uma jurista com menos de 5 anos na magistratura para o cargo de Secretária-Geral do Conselho Constitucional. Os magistrados mais antigos estão revoltados. Tudo indica que Luís Mondlane poderá ser afastado do cargo, porque as acusações são consideradas muito graves para a imagem da instituição que dirige e do Presidente da República, Armando Guebuza, que o nomeou.
O semanário Savana reporta que o Presidente do Conselho Constitucional deverá ser alvo de inquérito e de processo disciplinar. Luís Mondlane não comenta.

Simião Ponguane, Voz da América

Os austeros esbanjadores


Um país pobre como Moçambique, cujo orçamento é financiado exteriormente em 45%, não pode dar-se ao luxo de ter um presidente do Conselho Constitucional que esbanje cerca de 36 milhões de meticais dos nossos impostos, em 18 meses
O semanário Savana publicou, na semana passada e esta, os gastos que o presidente do Conselho Constitucional, Luís Mondlane, fez em um ano e meio naquele organismo.
São 24.3 milhões Mt (de compra de casa) e cerca de 12 milhões Mt (de dispesas várias), o que totaliza cerca de 36 milhões de meticais, pouco mais de 1 milhão de dólares. Isso mesmo, cerca de 36 milhões de meticais, qualquer coisa como 2 milhões de meticais por mês. Os gastos, de uma só figura, são um ultraje aos pobres moçambicanos, aos funcionários públicos que ganham salários baixos, sobretudo à polícia, aos médicos, professores, guardas, militares, jovens formados e não formados sem casas próprias, nem terreno para erguer casinha de construção precária. E, acima de tudo, isto vem provar que o discurso de austeridade que os nossos governantes pregam é uma falsidade de bradar aos céus.
Um país pobre como Moçambique, cujo orçamento é financiado exteriormente em 45%, não pode dar-se ao luxo de ter um presidente do Conselho Constitucional que esbanje cerca de 36 milhões de meticais dos nossos impostos, em 18 meses, dos quais 1 milhão pela aquisição de cortinado e decoração;
2 milhões pelos imóveis de decoração; 1.5 milhão pelo mobiliário importado da África do Sul, entre outras despesas. “fechar à classe mais numerosa e mais útil o acesso aos empregos e cargos honrosos é sufocar o génio e o talento (...). só os nobres gozam de todos os privilégios. Desta forma, a nobreza beneficia de tudo, possui tudo (...). Entretanto, se é a nobreza que comanda o exército, é o terceiro estado (povo) que os compõe; se a nobreza verte uma gota de sangue, o povo derrama torrente; a nobreza esvazia o tesouro, o povo enche-o; numa palavra, o povo paga tudo e não beneficia de nada”, caderno reivindicativo do terceiro Estado (povo), nas vésperas da Revolução Francesa de 1789.
O semanário Savana já havia publicado, a 29 Janeiro do ano passado, que o Governo iria custar, aos cofres do Estado, 300 milhões de meticais, cerca de 10 milhões de dólares, nos próximos cinco anos, só de salários e regalias. São algumas das regalias as seguintes: despesas de representação, empregados domésticos, telefone fixo e celulares, água e luz, viaturas (duas) e combustível.
“Em 60 meses, cada ministro e cada vice-ministro recebe, de regarias referentes a despesas de representação, empregados domésticos, telefone fixo e água e luz, aproximadamente, dois milhões de meticais (1 945 320, 00 meticais). Em cinco anos, os 28 ministros e 23 – agora são 25 vice-ministros – custariam aos cofres do Estado, somente com estas quatro ‘linhas’ de regalias, cerca de 100 milhões de meticais (99 211 320, 00)”, escrevera o Savana, sem incluir duas viaturas por cada elemento – uma de campo e outra de casa – e o combustível.
O que torna pesada a máquina executiva não são os elevados salários, mas a quantidade de dirigentes que compõem os governos central, provinciais e distritais. Nos últimos dois mandatos, o Governo evoluiu de 21 ministérios para 28. Assim, temos 28 ministros e 25 vice-ministros, dos quais três são do Ministério da Educação (Arlindo Chilundo, Augusto Luís e Leda Hugo), dois do Ministério dos Transportes e Comunicações (Manuela Rebelo e Eusébio Saíde) e outros dois do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (Henrique Banze e Eduardo Koloma). Ainda não possuem vice-ministros seis ministérios.
À semelhança de governadores provinciais, os ministérios deviam funcionar com uma estrutura composta por ministro, auxiliado por um número restrito e rigorosamente determinado de directores nacionais. Deve-se diminuir o número de direcções nacionais para evitar congestionamento e improdutividades, além de que isso reduziria drasticamente os custos – e um secretário permanente, suprimindo, assim, os cargos de vice-ministros.
A nível das províncias e distritos, o Governo deve eliminar os cargos que inventou, dos secretários permanentes provinciais e distritais – são 11 e 128, respectivamente, o que totaliza uma pilha de 139 secretários permanentes, todos com salários e uma série de regalias. Depois, a estrutura ficaria assim: governador provincial, administradores distritais e directores provinciais e distritais rigorosamente determinados.
Deve eliminar-se o governo paralelo na cidade de Maputo, o único que não possui administradores, uma vez que estes pertencem ao Conselho Municipal de Maputo.
Igualmente, no âmbito da revisão constitucional, deve propor-se a extinção das assembleias provinciais – invenção nossa – cujos custos são insuportáveis.
Trata-se de organismos com custos elevados com os seus 812 membros, os gastos com energia, água, entre outras despesas de funcionamento.
O Governo deverá passar a subsidiar a agricultura, tida na nossa Constituição como a base do desenvolvimento, ao invés do pão, um custo fixo que pode agravar-se em função dos preços no mercado internacional.

Lázaro Mabunda, O País

Friday, 11 March 2011

Quem pega na vassoura para varrer este lixo?

A “farra” chegou à “lixeira”

Isto de facto está lindo. Muito honestamente, no seio deste regime andam todos “loucos”. Já ninguém conhece limites. Os abusos são intoleráveis. A todos os níveis. O País nas mãos deste tipo de senhores está realmente podre. Se havia dúvidas agora já há só praticamente certezas. A farra chegou à lixeira. Mas se para uns isto pode parecer o fim da esperança, para outros parece antes o fim da bagunça. Porque o Povo já abriu os olhos e só resta saber se saberá usar de inteligência para mudar as coisas manifestando-se sem estragar ou se se sente bem assim no meio desta bagunça e vai levar-nos para pior do que já estamos. A “mamada” já chegou ao Conselho Constitucional. Até aqui ainda ia conseguindo dar um ar da sua graça. Acabou. O próprio presidente do órgão já fez dos fundos do Estado a sua machamba. Uma pouca vergonha!

Editorial do Canalmoz/Canal de Moçambique

Continue lendo aqui.

A educação não é a chave do sucesso económico

Os empregos eliminados pelos computadores não são os manuais, mas os que envolvem rotinas. Estudar, como ter assistência médica, é um direito, mas não resolve o problema do desemprego

A ideia de que a educação é a chave do sucesso económico é aceite por toda a gente; todos concordam que os empregos do futuro vão exigir um maior grau de qualificação. Foi por isso que, numa aparição pública na última sexta-feira com o antigo governador da Florida Jeb Bush, o presidente Barack Obama declarou que, "se quisermos melhores notícias na frente do emprego, temos de investir mais na educação".
Só que toda a gente está enganada.
No dia a seguir ao do evento Obama-Bush, o "The Times" publicou um artigo acerca do uso crescente de software em pesquisas de natureza jurídica. Acontece que os computadores podem analisar rapidamente milhares de documentos, desempenhando por um custo baixíssimo uma tarefa que antigamente exigia verdadeiros exércitos de advogados.
A investigação jurídica não é um exemplo isolado. Como o artigo indica, o software também está a substituir os engenheiros em tarefas como a concepção de novos chips. De uma maneira mais geral, a ideia de que a tecnologia moderna elimina apenas empregos pouco qualificados, de que as pessoas com formação académica sofisticada não têm nada com que se preocupar, pode dominar a imprensa popular mas é claramente anacrónica - várias décadas.
A realidade é que desde o início dos anos 90, mais ou menos, o mercado de trabalho dos Estados Unidos se tem caracterizado não por um aumento generalizado de competências, mas por um fenómeno diferente: tanto os empregos muito bem como muito mal pagos têm crescido imensamente, mas não os de remuneração média - aqueles com que contamos para alimentar uma classe média forte -, que têm ficado claramente para trás. E o fosso está a alargar-se: muitas das ocupações que cresceram de forma rápida nos anos 90 têm crescido de forma mais lenta nos últimos anos, ao mesmo tempo que o emprego mal pago e pouco qualificado tem aumentado.
Por que razão está isto a acontecer? A ideia de que a formação académica se está a tornar cada vez mais importante assenta na noção aparentemente razoável de que os avanços da tecnologia aumentam as oportunidades de emprego para aqueles que trabalham com informação - em sentido lato, que os computadores favorecem aqueles que trabalham com a mente, prejudicando os que fazem trabalho manual.
No entanto, há alguns anos, os economistas David Autor, Frank Levy e Richard Murnane defenderam que esta maneira de encarar o assunto está errada. Os computadores, dizem, são excelentes em tarefas de rotina, "de tipo cognitivo ou manual, que possam ser executadas seguindo regras explícitas". Assim, qualquer tarefa de rotina - uma categoria de que fazem parte muitos trabalhos não manuais - está na linha de fogo. Pelo contrário, qualquer trabalho que não possa ser executado seguindo regras explícitas - uma categoria que inclui muitos tipos de trabalho manual, de camionista a empregado da limpeza - vai tender a crescer com o progresso tecnológico.
E é aqui que bate o ponto. A maior parte do trabalho manual que ainda não desapareceu na economia norte-americana é do tipo que é difícil de automatizar. Numa altura em que a força de trabalho em linhas de montagem nos Estados Unidos está reduzida a 6% da população activa, já não há muitos empregos deste tipo que possam ser eliminados. No entanto, muitos trabalhos de pessoas com formação e relativamente bem pagos podem vir a ser informatizados em breve. Os robôs domésticos são engraçados, mas os empregados domésticos ainda estão longe de passar à história; a investigação jurídica computorizada e o diagnóstico médico com ajuda computacional também já existem.
E depois há a globalização. Em tempos só os operários tinham de se preocupar com a concorrência dos operários de outros países, mas a combinação entre informática e telecomunicações tornou possível transferir muitos trabalhos para outros países. A pesquisa dos meus colegas da Universidade de Princeton Alan Blinder e Alan Krueger sugere que os trabalhos altamente qualificados e muito bem pagos são, em certo sentido, mais facilmente deslocalizáveis que os menos qualificados e mais mal pagos. Se eles tiverem razão, o crescimento do comércio de serviços vai afectar ainda mais o mercado de trabalho norte-americano.
De que maneira é que isto afecta a educação nos Estados Unidos?
É um facto que temos um problema com a educação. O mais preocupante são as desigualdades à partida - as crianças inteligentes de famílias pobres têm menos probabilidades de concluir a faculdade que crianças muito menos inteligentes de meios mais ricos. Isto não só é escandaloso como representa um desperdício imenso do potencial humano do país.
Mesmo assim, há coisas que a educação não tem capacidade de fazer. A ideia de que mandar mais jovens para a universidade poderia recuperar a nossa classe média é pura fantasia. Se hoje já não se pode dizer que um curso universitário assegura um bom emprego, a cada nova década isso vai sendo mais evidente.
Assim, se quisermos uma sociedade em que a prosperidade é amplamente partilhada, a educação não é a resposta - teremos de construir essa sociedade directamente, pelas nossas mãos. Temos de devolver à força de trabalho o poder negocial que ele perdeu ao longo dos últimos 30 anos, de maneira que tanto um vulgar operário como uma superestrela possam exigir bons salários. Temos de garantir os direitos essenciais a todos os cidadãos, em especial o direito à saúde.
O que não podemos é chegar onde queremos distribuindo mais formação universitária a torto e a direito. Podemos estar apenas a vender bilhetes para empregos que já não existem, ou então que não asseguram salários de classe média.

Paul Krugman, Economista Nobel 2008

Jornal i/The New York Times

Thursday, 10 March 2011

E agora UA?


É ASSIM que se pode perguntar neste momento. É isso, dizem que a história é irreversível, aceite-se ou não. Por mais que um dirigente honesto um dia vire ditador, espera “colher” os ventos da mudança. Por mais que uma organização que agrupa todos os países de um continente, como o nosso, tenha existência de muitos anos e por conseguinte a “ludibriar” politicamente os seus habitantes, quanto à concretização dos objectivos essenciais da sua criação, espera “colher” os ventos de mudança, pois que quando a desilusão é muita, os povos costumam encontrar uma saída. Quando menos se espera, há ventos de mudança, capazes de varrer as incertezas.

Maputo, Quinta-Feira, 10 de Março de 2011:: Notícias

É assim que, por aparentes outras razões nunca se pensou que em alguns países de África, considerados estáveis em termos políticos e noutros aspectos da vida social, como o Egipto, Tunísia e Líbia, estivessem um dia como hoje, no centro das atenções mundiais devido a eclosão de manifestações violentas de protestos contra os regimes ditatoriais que governam aquelas nações.
Com a eclosão da revolta na Líbia, as coisas tornam-se mais complicadas no contexto político do continente, dado que este país do norte de África é dirigido por, enquanto, Muammar Kadhaffi, arquitecto do projecto da criação da União Africana, que ditou a extinção da então Organização da Unidade Africana (OUA).
As coisas tornam-se mais complicadas porque, em meu modesto entender, não parece que este projecto terá mais credibilidade que tinha antes de as “falcatruas” do coronel Kadhaffi terem sido postas a “nu” pelo povo que ele governa há mais de 40 anos. Não parece igualmente que haverá um outro “Kadhaffi” que terá a capacidade de levar avante o projecto depois da eventual saída do dirigente líbio. Não digo que a UA já é um projecto falhado, por falta de um dinamizador, mas o que os nossos dirigentes devem perceber é que a África precisa de uma organização que sirva os verdadeiros interesses dos seus povos e não um agrupamento de diversão política.
É que, Kadhaffi já demonstrou que não é um dirigente que ama o seu próprio povo, por isso não pode merecer a confiança dos povos do continente. Ele tomou uma atitude sabendo que lança o seu país no caos absoluto do ponto de vista tanto político como económico. Até porque alguns dos grandes líderes africanos já condenaram a matança de civis naquele país, dizendo que é inaceitável o que se assiste todos os dias na Líbia. Como é que a Líbia dirigida por Kadhaffi se pode considerar como arauto da defesa dos direitos humanos quando ele tem, no seu seio, tal abominável pena: matar pessoas em nome da ditadura.
O problema é que mesmo que se tenha uma organização que reúne todos os países de África, como a UA, no campo político as coisas não vão melhor. O culto de uma verdadeira soberania continua um mito, com os extremos da escala socioeconómica e ética cada vez mais distantes.
Os pobres são cada vez mais pobres e os opulentos cada vez mais nutridos, chorando lágrimas de crocodilo pelos mais carenciados. O futuro não parece ser problema para a maior parte dos dirigentes do nosso continente, que organizam eleições só porque querem o voto almejando benesses pessoais e dos seus familiares sem olhar o futuro e o bem colectivo.

Mouzinho de Albuquerque

Moçambique: Oposição exige renegociação de mega projectos

A solução para o aumento das receitas necessárias e assegurar um desenvolvimento harmonioso

Na abertura da terceira sessão do parlamento: Oposição converge no fim de isenções fiscais aos mega projectos
Os partidos da oposição parlamentar em Moçambique exigiram esta quarta-feira a renegociação dos contractos assinados com os mega projectos que implantados no país, marcando deste modo a entrada ao parlamento, deste debate que até agora era apenas ao nível académico e da sociedade civil.
Discursando na abertura da terceira sessão ordinária da Assembleia da República (AR), as bancadas da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), convergiram na necessidade do fim das isenções fiscais à Mozal, Sasol, Kenmare e as mineradoras Vale e Riversdale, é a solução para o aumento das receitas do Estado, necessárias para assegurar um desenvolvimento harmonioso, através de uma redistribuição da renda, evitando convulsões sociais futuras, tal como acontece nos países do norte da África.
Segundo Viana Magalhães, deputado da Renamo e membro da Comissão Permanente da AR, a intransigência do governo em renegociar os contractos com as multinacionais visa apenas manter os interesses da minoria e o actual “status quo” do partido.
“Existe um desencontro entre o discurso de aumentar a colecta de receita interna com a prática. Ao recusar a renegociação, o nosso governo está a desejar manter o actual status quo. Este assunto, quanto a nós, é tão cristalino. Não nos parece haver outra opção entre o acentuar do clima de tensão social, que poderá resvalar em manifestações com consequências imprevisíveis”, realçou.
O Chefe da Bancada do MDM, Lutero Simango, considera que a renegociação dos contractos com os mega projectos “é um imperativo nacional”. A Renamo criticou ainda os gastos em volta da celebração do ano Samora Machel, decretada recentemente pelo governo, considerando que a melhor homenagem que se pode fazer ao primeiro presidente de Moçambique independente, falecido há 25anos, seria a revelação das causas reais da sua morte.
No seu discurso de ocasião, a chefe da bancada da Frelimo, que detém a maioria absoluta no parlamento moçambicano, destacou os avanços ao nível económico e a estabilidade económica, social e política que o país vive, considerando que a manutenção destes aspectos é o verdadeiro imperativo·nacional.

William Mopote, Voz da América

Treze Generais da PRM acusados de desvio de fundos

Um grupo de treze generais da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi acusado recentemente pelo Ministério Público (MP) de desvio de fundos da corporação.
O jornal Notícias de Maputo, que noticia o facto na sua edição de hoje, não revela os nomes dos implicados no caso, nem os valores e o período em que os factos ocorreram
O processo relacionado com o assunto, identificado sob o número 773/PRC/07, já se encontra no Tribunal Judicial da Cidade do Maputo e nas mãos de um juiz para a devida tramitação. A partir daí, de acordo com a fonte, caberá ao juiz pronunciar os arguidos, abrindo espaço ao contraditório, caso os interessados assim o solicitarem, ou marcar a data do julgamento.
Os fundos que teriam sido desviados pelos generais em causa destinavam-se, entre outras prioridades, à aquisição de equipamento, uniformes, rações e outros apetrechos necessários à actividade operativa policial. Ao invés, escreve o matutino de maior tiragem em Moçambique, os dinheiros em causa acabaram por ir parar indevidamente nas mãos de oficiais superiores da corporação, que na altura dos factos ocupavam cargos de chefia no Comando-Geral da PRM.
Informações apuradas pelo jornal dão ainda conta que a retirada de fundos terá acontecido pela via da Direcção de Logística e Finanças, que na altura estava encarregue de adquirir equipamento e uniforme de trabalho para os agentes e apetrechar diferentes unidades operativas. Porque tal nunca chegou a acontecer, os agentes da Polícia passaram , em consequência, a confrontar-se com enormes dificuldades para realizar o seu trabalho.
Outros dados apurados pelo Notícias indicam que os generais em causa foram acusados em torno de matérias ligadas a uma empresa supostamente fictícia criada pelo Ministério do Interior e que posteriormente viria a ser usada para drenar parte das verbas.
A Chicamba Investimentos, uma empresa que durante o tempo de vigência só se reuniu uma vez, tinha como sócios os elementos do Comando-Geral da Polícia agora na barra da justiça.
Esta empresa chegou a ser matéria de discussão no julgamento do ex-Ministro do Interior, Almerino Manhenje, com sentença marcada para o próximo dia 22 do mês em curso.
“Devo clarificar que o presente caso não deriva do ‘caso 220 biliões do MINT’. São situações completamente diferentes, embora o primeiro tenha nascido a partir do segundo. Nalguns casos temos as mesmas pessoas a serem ouvidas nos dois processos, mas isso não quer dizer que um dependa do outro. Muita gente já foi e está a ser ouvida neste processo do Comando-Geral e aguarda-se a qualquer momento pelo pronunciamento do juiz” – esclareceu a fonte do Notícias, acrescentando que até aqui nenhum general implicado se encontra detido.

RM

Wednesday, 9 March 2011

Jornalismo ou diversionismo em Moçambique?

Agora chegou a vez dos “independentes” mostrarem a sua verdadeira cara... Vergonhoso e nojento…

É deveras engraçado o que certos editores de jornais fazem para cumprir com suas agendas. Numa clara tomada de posição a favor do establishment" arrogam-se a servir de porta-vozes de quem paga mais numa tendência perigosa e de manifesto abandono das regras e deontologia da sua nobre profissão. Que os jornais vendem-se pelas suas capas já toda a gente sabe. Que os conteúdos contam também è verdade. Agora o que não conta e não é digno è que haja editores que aceitem ser "moços de recados" de supostas fontes afectas aos serviços de segurança do país.
Ou será que os fundos que serviram para criar certos órgãos de imprensa são de proveniência precisamente daquelas fontes sempre secretas? Conjecturar é direito e duvidar também cabe em qualquer análise.
Os factos falam por si. Quando se folheiam alguns jornais da praça toda a trama e jogo tomam-se evidentes. E convém não esquecer que os serviços prestados são bem pagos. Cargos no governo, viagens, "pocket money" são concedidos e contratos de publicidade renovados. A fome toma a dimensão de critério que ultrapassa qualquer aspecto ético e deontológico.
Se è comum jornalistas virarem consultores e assessores de políticos em tempo de campanha outra coisa igualmente inaceitável é que os mesmos entrem ou se embrenhem pela via da mentira e do encobrimento de factos. As mudanças que os políticos afirmam perseguir jamais se concretizara sem que o "Quarto Poder" cumpra as suas obrigações. E a principal obrigação da comunicação social è informar em plenitude e factualmente o que acontece.
Cada um caça com os meios ao seu dispor e cada um tem as suas preferências político-partidárias. Mas nesta vida e numa sociedade que se quer democrática em que os cidadãos gozem de seus direitos plenamente, é preciso que se respeitem mínimos e máximos. "Nem tudo o que cai na rede é peixe”.
A isenção informativa e a equidistância com que deve actuar o governo e todos os seus departamentos é uma responsabilidade inalienável face aos cidadãos. O que o erário público paga aos funcionários públicos aos mais diversos níveis é para que estes garantam serviços de qualidade.
No jogo político nacional é preciso que as pessoas aprendam que o Estado não é o governo do dia e que partido no poder não é e jamais será o povo deste país. Aquela confusão propositada dos tempos do partido único servia para que alguns abocanhassem o poder e o exercem de maneira a servir suas agendas particulares. A burocracia partidária daqueles tempos visava a implementação de uma agenda dupla. De um lado cumprir com as orientações da internacional Comunista dirigida pelo Partido Comunista da URSS e por outro lado constituir uma base para o surgimento de uma liderança político-govemamental guiada pelos preceitos do chamado "centralismo democrático"que como sabemos é uma ditadura de uma minoria de um circulo restrito de políticos militarizados.
Quando nos dias de hoje em situação completamente diferente se encontram jornalistas prestando serviços para uma suposta Inteligência" nacional só se pode dizer que é uma regressão aos tempos do Departamento de Informação e Propaganda do partido único. É preciso denunciar esse "cabritismo" que condena os cidadãos a consumirem informações "podres, recozidas" em aberta agressão aos seus direitos.
É preciso não esquecer que foram complots entre um certo partido e grande parte dos "jornalistas" que por esse país fora se querem apresentar como tal que furou ou diminuiu senão mesmo inviabilizou a vitória da democracia. O mandato e voto popular foram chamuscados por violentas ofensivas informativas. Só se comunicava o que interessava ao partido declarado vencedor das eleições e não aquilo que acontecia no terreno real.
É importante não esquecer o blackout informativo sobre a actuação da PRM abertamente favorável a Frelimo em Gaza e noutros lugares do país. Prender mandatários de partidos opositores e ordenar a limitação do seu acesso aos postos de votação, jamais recebeu destaque nos serviços informativos de certa imprensa, televisão ou rádio.
Hoje são estes mesmos órgãos e outros criados como "cogumelos após uma chuva de verão" que aparecem com notícias sensacionalistas e de fraco rigor informativo. O objectivo ê o mesmo de ontem. Ruir ou contribuir para corroer os partidos da oposição e beneficiar o partido no poder. Os editoriais repetidamente escritos de elogio ao PR são como que uma orientação do defunto DIP para aumentar a exposição do líder do partido no poder e garantir assim que suas intenções e procedimentos sejam aceites como a única verdade que os moçambicanos devem aceitar e cumprir.
Jornalismo é uma profissão de honra e de ética que e faz cumprindo um certo número de preceitos. A encomenda ou aceitação de dinheiros como garantia de ver determinado artigo ou ponto de vista publicado num jornal contraria de maneira violenta os mais básicos princípios do jornalismo.
Sempre que aparece a possibilidade de algum "peso-pesado" da nomenclatura ou de alguém com ela relacionado perder pontos na face dos cidadãos verificam-se autênticas corridas de produção de textos em sua defesa e condenando quem com provas objectivas ou subjectivas apresenta informações consideradas com potenciai prejudicial.
Esta nossa imprensa "independente" se esquece rapidamente de factos altamente danosos a economia e finanças nacionais como o branqueamento de capitais, a exportação ilegal de divisas, as redes de tráfico de imigrantes, os esquemas ilícitos que garantem a continua entra de imigrantes asiáticos e de África.
Na febre de obterem-se vantagens financeiras, jornalistas" que tinham granjeado estima, apreço e consideração entre seus leitores trocaram de camisa" e passaram a comer na “mão" de quem paga mais.
Este mercantilismo e mercenarismo que se desenvolve nas "barbas de todos" é perigoso e extremamente nocivo para a democracia e estabilidade nacional. Lembram-se que aquando das últimas manifestações populares em Maputo certo jornal apareceu revelando que supostos generais na reserva e membros de certo partido político faziam parte da organização daquele levantamento? As fontes eram também dos serviços secretos oficiais. São estas fontes que durante muito tempo levaram a que ministros e outros governantes aparecessem em público declarando que toda e qualquer discordância manifestada pelos moçambicanos só podiam ser obra de uma mão externa".
O encobrimento cúmplice da corrupção que grassa no país em nome de objectivos inconfessáveis é uma das "marcas registadas" que caracteriza a actuação de tristemente famosos órgãos independentes da comunicação.
Haja vergonha e haja coragem de denunciar os "vermes" que sugam o sangue da democracia nacional utilizando a falsa capa de "jornalistas independentes".

Noé Nhanthumbo, Diário da Zambézia – 09.03.2011, citado no Moçambique para todos e no Diário de um Sociólogo

Será o islão o problema?

A Irmandade Muçulmana tem usado muitas vezes o slogan "A solução é o islão". No Ocidente tira-se quase sempre a conclusão oposta: "O problema é o islão"

CAIRO - Um extraterrestre perspicaz que tivesse vindo parar à Terra há um milénio teria partido do princípio de que as Américas acabariam por ser colonizadas, não por europeus primitivos, mas pela civilização árabe, mais avançada - e que em resultado disso hoje todos nós falaríamos árabe.
No entanto, depois de 1200, mais ou ou menos, o Médio Oriente estagnou economicamente e hoje o que o distingue são os níveis elevados de analfabetismo e os poderes autocráticos. Assim, os recentes movimentos pró-democracia conduzem-nos a uma questão básica: porque demorou tanto? E também a uma outra, politicamente incorrecta: a razão do atraso do Médio Oriente poderá ser o islão?
O sociólogo Max Weber, entre outros, argumentou que o islão é por natureza um mau fundamento para o capitalismo, e alguns apontaram em particular os pruridos do islamismo em relação ao pagamento de juros sobre empréstimos.
No entanto, esta ideia não me parece correcta. Já houve outros especialistas que observaram que em muitos sentidos o islão favorece mais o comércio que as outras grandes religiões. O profeta Maomet foi um comerciante bem-sucedido e com uma simpatia pelos ricos que Jesus não teve. Além disso, se pensarmos, por exemplo, no século xii, o Médio Oriente é um centro de cultura e comércio de importância global. Se o islão hoje é um travão da actividade económica, porque não o foi então?
No que diz respeito à hostilidade aos juros e ao sistema de empréstimos, encontramos ensinamentos semelhantes em textos judaicos e cristãos, além de que aquilo que o Alcorão proíbe não não são os juros enquanto tais, mas a "riba", uma forma extrema de usura que podia conduzir à escravização dos que não conseguiam pagar as dívidas. Até ao fim do século xviii, houve tantos árabes como cristãos ou judeus a emprestar dinheiro no Médio Oriente. Ainda hoje, mesmo nos países muçulmanos mais conservadores, os empréstimos a juros são correntes.
Muitos árabes têm uma explicação alternativa do atraso da região, que é o colonialismo ocidental. Parece-me igualmente falaciosa, além de que a cronologia não bate certo. "Apesar de todos os motivos de descontentamento, o período colonial operou uma transformação fundamental da região, e não a estagnação. Os níveis de alfabetização e de escolarização melhoraram, e não os de analfabetismo, e o mesmo aconteceu com o bem-estar económico", escreve Timur Kuran, historiador da economia da Duke University, num livro meticulosamente documentado, "The Long Divergence: How Islamic Law Held Back the Middle East".
O livro de Kuran oferece a melhor explicação que conheço da razão por que o Médio Oriente ficou para trás. Depois de muito esgaravatar em velhos documentos comerciais, Kuran chegou à conclusão de que aquilo que atrasou o Médio Oriente não foi o islão enquanto tal, ou sequer o colonialismo, mas várias práticas islâmicas que hoje deixaram de ser relevantes.
Trata-se de uma argumentação sofisticada, a que uma simples coluna de jornal não pode fazer justiça, mas um dos seus exemplos é o direito de transmissões. De maneira geral, os sistemas ocidentais passavam todas as propriedades, intactas, para o filho mais velho, o que preservou os grandes domínios. Pelo contrário, a lei islâmica estipulava uma divisão muito mais equitativa dos bens (incluindo entre as filhas), o que fragmentava as grandes fortunas. Uma das consequências foi não se ter dado o processo de acumulação de capital, o que impediu grandes investimentos numa revolução industrial.
Kuran também estuda as sociedades islâmicas, que tenderam a tornar-se veículos de comércio. Tinham a característica de se dissolver com a morte de qualquer membro, de maneira que habitualmente incluíam poucos elementos - o que dificultou a concorrência com as empresas industriais e financeiras europeias, apoiadas em centenas de accionistas.
O aparecimento de bancos na Europa fez as taxas de juro britânicas baixarem dois terços, o que esteve na origem da Revolução Industrial. Esta queda só aconteceu no mundo árabe durante o período colonial.
No século xxi estes obstáculos tradicionais já deixaram de o ser. Actualmente os países muçulmanos têm bancos, empresas e bolsas de valores, além de que a lei das heranças deixou de ser um obstáculo à acumulação. Assim, se o diagnóstico de Kuran estiver correcto, podem retirar-se dele consequências positivas para a região - e o boom recente da Turquia faz pensar num renascimento próximo.
Contudo, continua a haver um desafio psicológico a vencer. Muitos árabes acusam os estrangeiros de serem responsáveis pelo seu atraso, e isso leva-os a rejeitar a modernidade e o mundo exterior. É uma pena que uma região onde em tempos se fez ciência de vanguarda (o que explica por exemplo a origem árabe da palavra "álgebra") esteja actualmente numa posição de tão grande atraso na educação, em especial no que diz respeito às raparigas.
A crise do mundo árabe pode proporcionar a oportunidade de um novo começo. Espero poder conversar de forma aberta com partidários de todas as posições acerca do que correu mal, e que isso constitua um novo ponto de partida para uma trajectória de esperança.
A Irmandade Muçulmana tem usado muitas vezes o slogan "A solução é o islão". No Ocidente, qualquer panorama do que se passa no Médio Oriente tem conduzido à conclusão oposta: "O problema é o islão." O trabalho de Kuran sugere, pelo menos no que diz respeito ao futuro, que a visão mais correcta é que o islão não é nem o problema nem a solução. É simplesmente uma religião - o que significa que o abismo deixou de existir, as desculpas também, e o melhor é voltar a seguir em frente.

Nicholas Kristof, Jornal i/The New York Times

Tuesday, 8 March 2011

8 de Março - Dia Internacional da Mulher


A todas as mulheres desejo FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Mais de 650 mil pessoas deixaram de visitar Moçambique entre 2009 e 2010

Turismo de lazer e férias e visita a familiares e amigos cai

As chegadas internacionais a Moçambique reduziram em 668 421 visitantes entre 2009 e 2010, de acordo com Indicadores de Referência na Área do Turismo, um documento disponibilizado ontem pelo sector. O número de pessoas que visitam o país caiu de  2 386 326 para 1 717 895 e refere-se, principalmente, ao turismo de lazer e férias, visita a familiares e amigos, entre outros tipos de visitantes.
Em 2009,  mais de um milhão de pessoas escalou Moçambique para lazer e férias, número que veio a cair para 405 mil no ano seguinte. Ao mesmo tempo, o número de viajantes a Moçambique com o objectivo de visitar familiares e amigos reduziu em 400 mil pessoas. Mas não só: outros tipos de turistas também deixaram de vir ao país.
Os dados do Ministério do Turismo indicam que o segmento de outros visantes verificou uma quebra de 83,7%, saindo de 724 mil visitantes para 118 mil. Os turistas que deixaram de vir a Moçambique são, maioritariamente, do Zimbabwe, África do Sul, Suazilândia, Portugal, Reino Unido e Alemanha. Por exemplo, o número de visitantes portugueses caiu 69,7%, o que representa uma queda de 85 mil para 25 mil entre 2009 e 2010. Já as chegadas internacionais a partir do Zimbabwe reduziram 84,8% e as alemãs 45,9%.
Do lado zimbabweno, cerca de 700 mil pessoas não escalaram Moçambique e do da Alemanha verificou-se uma descida de 20 mil visitantes.
O ministro do Turismo, Fernando Sumbana, reage aos números, afirmando que os dados são preliminares e servem para a gestão interna. Diz Fernando Sumbana que dos contactos havidos com os operadores da área tinha-se a percepção de que o desempenho seria bom. “Normalmente, logo no princípio do ano, há províncias que demoram entregar os dados. A acontecer a redução teria que ser só em Dezembro e os números de Dezembro saem agora. Vamos observar e ver o que está a acontecer”, afirmou. Questionado se as manifestações de 5 de Fevereiro de 2008 e 1 e 2 de Setembro de 2010, assim como a crise financeira internacional não estariam por detrás da quebra da actividade turística, o ministro concordou. Disse que a crise financeira internacional “teve um impacto grande e as manifestações poderão ter tido impacto no curto prazo”. Fernando Sumbana entende que os turistas que planeavam viajar para Moçambique nos dias em que ocorreram as manifestações e pouco depois do fenómeno adiaram-na, por razões de segurança. Mas afirma que a situação não abalou a actividade e acrescenta que nos eventos internacionais que a instituição participa nota-se que o ambiente “continua a ser bom”, sobretudo nos países vizinhos. As manifestações de 5 de Fevereiro de 2008 e 1  e 2 de Setembro de 2010 resultaram na morte de mais de 20 pessoas, danos materiais vários a propriedade privada e pública, entre viaturas, estradas, entre outros.

Contudo, receita cresce

Apesar da redução do número de viajantes que entraram em Moçambique, as receitas arrecadas no sector cresceram 0,9%, passando de 195,6 milhões de dólares norte-americanos para 197,3 milhões. Aliás, as receitas sempre subiram desde 2005 a esta parte na área de turismo. Entre 2005 e 2010 calcula-se que o encaixe tenha tido subida de quase 70 milhões de dólares.

Gastos com turismo

Em cada quatro dias, os turistas gastaram em média 4 688 meticais em 2008, mais ou menos dois salários mínimos, indicam ainda os Indicadores de Referência na Área do Turismo. Dados mais actualizados, processados em 2010, indicam que em sete dias os turistas aplicam 9 490 meticais.

Boaventura Mucipo, O País

Monday, 7 March 2011

Moçambique e as parecenças com a Líbia, Tunísia, Egipto & Company

Da mesma maneira que as lideranças de vários países do Magreb e Médio Oriente se apoderam ou apoderaram da riqueza dos respectivos territórios para proveito próprio, fingindo governar, mas subtilmente mantendo o nível de educação formal muito baixo e evitando a todo o transe a profissionalização dos cidadãos, os povos entenderam perfeitamente que a sua primeira grande opção de luta era auto-formarem-se para depois assumirem o poder. Ainda que formados têm estado continuamente a serem atirados para o desemprego e a serem subalternizados por quem tem armas numa mão e a cátedra de analfabetos na outra.
Em Moçambique os sucessivos governos têm estado a iludir o povo. Promessas não cumpridas enquanto as elites engordam é o que se tem visto.
As elites enriquecem cada vez mais, não só em termos de controlo das riquezas minerais, do controlo de amplas áreas de terra arável fértil e da manipulação da pobreza, como bem constatou o professor doutor Castel-Branco quando alertava há dias que “a pobreza é rentável em Moçambique”, como agora até o FMI já o admite.
É afinal a elite política a fazer dinheiro à custa dos doadores que dão para os pobres mas acaba tudo nos bolsos dessa mesma pequena elite arrogante e predadora. É a tal elite que de “PARPA” (Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta) em “PARP” (Plano de Acção para Redução da Pobreza) vai-nos PA(R)PANDO como fizeram as elites do Magreb e do Médio Oriente com os recursos naturais. Os povos daqueles territórios estão a por fim ao PA(R)PANÇO com manifestações e está-se a ver quem falando todos os dias de paz, na hora da verdade perde o verniz e ataca com grande potencial bélico os seus próprios compatriotas. Lá como cá a música para entreter e manter os povos distraídos é sempre a mesma: “o nosso maravilhoso Povo”… Lá como cá a mesma treta: sistemático impedimento de manifestações cívicas, controlo de internet e de sms, balas reais em cima do Povo para depois cantarem: “o povo gosta de mim”…

(Canalmoz / Canal de Moçambique, 04/03/11)

Angola



‘Manif’ desafia regime. Correio da Manhã. Leia aqui.

Angola: Movimento para a Paz e Democracia exige libertação imediata dos manifestantes detidos. Diário de Notícias. Leia aqui.

Angola: Cerca de 20 pessoas detidas em Luanda quando se concentravam para manifestação anti-Governo. Diário de Notícias. Leia aqui.

Manifestação em Angola desvalorizada mas contra-atacada. Sol. Leia aqui.

Angola: No interior há medo de nova guerra .Club-K. Leia aqui.

MPLA tenta disfarçar o medo de protestos. O País. Leia aqui.

Sunday, 6 March 2011

Saturday, 5 March 2011

A Líbia de Khadafi




Imagens na Internet