Friday, 11 February 2011

A opinião de Gento Roque Cheleca Jr

Esta semana ouvimos o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano dizer que a guerra dos 16 anos foi para reintroduzir o colonialismo em Moçambique e não, ao que se sabe, acabar com o Comunismo. Chissano deve saber «reformar» a sua mente. Fica mal a um antigo Chefe do Estado de um país como o nosso, com aspirações democráticas, recusar algo de tão evidente que ele próprio, em Roma, ajudou a combater o comunismo. Quando uma pessoa não pode dizer aquilo que sabe, o melhor a fazer é saber aquilo que diz. Já que não pode calar, o pior é meter a boca na 'vuvuzela' para dizer asneiras. Calar também é uma virtude dos diplomatas.


WAMPHULA FAX – 10.02.2011

África vista por 100 fotógrafos

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Demora a abrir, mas vale a pena ver África em todo o seu esplendor.Ligue o som!

Thursday, 10 February 2011

Revolta como a egípcia não seria possível em Moçambique

Sociólogo moçambicano diz que levantamentos verificados no país tiveram objectivos limitados e não a mudança de regime.

Manifestações expontâneas com o impacto das que acontecem no Egipto... não seriam possíveis em Moçambique, a menos que fossem convocadas por sindicatos, ou partidos políticos - diz à VOA o sociólogo Egídio Vaz.
O académico moçambicano compara o Egipto com as manifestaçoõs em Moçambique, em Setembro passado e conclui que são de natureza diferente.
Em Moçambique a manifestação dirigia-se ao objectivo básico de protestar contra o custo de vida. No Egipto, as dificuldades do dia-a-dia foram alavanca para exigências da demissão do governo e reforma do regime.
"Comparando... os cidadãos egípcios estão um pouco mais acima do ponto de vista do nivel de exigência do que deve ser o desemprenho do Estado e do tipo de lideres que se pretendem. São exigências que estão para além dos alimentos", afirma o sociólogo.
Do seu ponto de vista, as manifestações em Moçambique, em Setembro passado, "eram um grito para o governo resolver os problemas do povo, o elevado custo de vida. Aqui temos um grito imediato pela resolução de problemas como a pobreza".
Egídio Vaz nota que os acontecimentos do Egipto e da Tunísia alertam África para um nível de cidadania mais elevado, ensinando que "é possivel mudar os presidentes quando eles já não conseguem responder à expectativas do seu povo".
Afirma, ainda, que fica demonstrado pelas manifestações da Tunísia e do Egipto que um povo organizado pode "fazer exigências com sucesso".
O facto de as manifestações moçambicanas não terem progredido para a contestação do regime político tem que ver com o tipo de opinião pública que existe nos dois países.
Em Moçambique, diz Egidio Vaz, seria preciso uma entidade que organizasse os protestos, dando como exemplos partidos políticos e sindicatos - organizações necessárias para dar que expressão e credibilidade a qualquer movimento.

Voz da América. Escute a entrevista com Egídio Vaz aqui.

Editorial do Canal de Moçambique

Quando os arautos dos Direitos Humanos preferem fazer-se de cegos

A solução é o caos?

Os ventos de mudança que sopram no norte do nosso continente e que se alastram às regiões vizinhas, com tendência para descer até ao Sul, começam a colocar os governos de países, com alegados regimes democráticos sólidos, na embaraçosa situação de terem, de repente, de colocar, nas respectivas agendas, questões tão elementares como o direito a eleições livres e justas, e/ou o fim de regimes totalitários ou autocráticos em países com constituições democráticas mas com práticas insanas.
Os Direitos Humanos não podem continuar sujeitos a dois pesos e duas medidas.
No que toca a nós – povos da região Austral do continente africano – aqueles que têm por dever e obrigação induzir a que se salvaguardem os mais elementares direitos dos cidadãos, com o seu silêncio cúmplice perante os mais infames abusos, estão a permitir a consolidação gradual, mas segura, de novas ditaduras. Basta olharmos para o Zimbabwe!
Pelo facto de se terem tornado o suporte financeiro de alguns dos governos no poder, como é o caso de Moçambique, quem tanto fala de Direitos Humanos – e ainda bem – não só tem o dever, mas também a responsabilidade acrescida de ser coerente.
No caso concreto de Moçambique, de eleição em eleição, o ténue tecido da nossa democracia conquistada a ferro e fogo, vai-se esfarrapando mercê de fraudes sistemáticas que têm como objectivo central a eternização no poder de uma verdadeira seita política que se confunde com o Estado.
Os arautos da Democracia e dos Direitos Humanos, com a sua incoerência facilmente constatada na prática, estão a destruir a oposição democrática em África, mediante a sua descredibilização perante os eleitorados.
Com processos eleitorais viciados em muitos países africanos, as “derrotas” das oposições não se registam à boca das urnas, mas nos centros de informática e de bases de dados criados e sustentados financeiramente pela chamada comunidade doadora. Até querem saber, bem antes dos cidadãos irem votar, quem é a alternativa aos poderes instalados, como se a democracia pelo sistema de um homem um voto não fosse precisamente para se apurar qual é a alternativa pela soma dos votos.
A benevolência perante a fraude está a desacreditar a democracia.
A democracia moçambicana, concretamente, está em perigo. Está desacreditada. É um dos muitos casos em África e no Mundo que está em perigo. Mas nos fóruns formais internacionais de Direitos Humanos não se escutam as vozes daqueles que, por princípio, deviam há muito ter-se colocado ao lado dos que são defraudados. Não o fazem hoje, como não o fizeram ontem, ao avalizar a legitimidade de um regime apoiado no desrespeito dos direitos sacrossantos dos cidadãos moçambicanos.
Em Moçambique ainda estão no Poder senhores de um regime que literalmente afogou a oposição em sangue, depois de ter conspurcado o conceito de Direito, organizando pseudo julgamentos em campos militares transformados em tribunais, em que senhores da guerra envergaram as vestes de procuradores e juízes – além de carrascos.
Os desaparecidos de Nachingwea, de M’telela, do Destacamento Namuli ou de outros redutos da morte, em que se incluem o Reverendo Uria Simango, Joana Simeão, Mateus Gwengere, e muitos outros, nunca causou espécie às organizações de Direitos Humanos, designadamente às Nações Unidas, não obstante os faustos orçamentos de que dispõem para periodicamente organizarem encontros, reuniões, conferências e fóruns (fora) e outras coisas mais, mas que traduzido na prática de nada valem para quem no terreno sofre e testemunha os abusos, o desrespeito e a prepotência dos que fizeram e querem continuar a viver com recurso à fraude política e aos crimes de Estado.
A palavra de ordem dos organismos de Direitos Humanos não é a garantia dos Direitos Humanos.
“Não fazer ondas” para não se por em “perigo o equilíbrio delicado” das “experiências de sucesso”, como é apresentado o caso Moçambique nesses fóruns (fora), tem sido o outro lado da moeda para os arautos do discurso da necessidade de se respeitarem os Direitos Humanos. Quando muito, dizem-nos em relatórios que “há ainda caminho a percorrer”, mas a alternativa é a burla, a vigarice e o jogo viciado dos plebiscitos. Acima de tudo não querem que se ponha em cheque a estabilidade e a ordem regionais, para que a trupe continue a poder falar em casos “de sucesso”.
As instituições de Direitos Humanos estão a perder a credibilidade, salvo raras e honrosas excepções. É urgente corrigir isso. A promoção da Paz virou uma indústria que compete com a indústria da guerra. Há hoje autênticas empresas e organizações sob os disfarces mais variados – designadamente sob a designação de fundações e organizações não governamentais. Mas, entretanto, os direitos humanos não estão a ser devidamente protegidos pela conspurcação a que hoje está submetida a Carta Universal dos Direitos Humanos e dos Povos.
O caminho que a discussão sobre os Direitos Humanos está a tomar, é perigoso.
Os povos estão a chegar à triste conclusão que o seu sofrimento não acabará se não protestarem.
Será que só a luta dos povos na rua, como está a empreender o Povo Egípcio, e como antes outros fizeram, designadamente na Tunísia, pode de facto inverter as coisas e por termo a esta enorme mentira em que a miséria e ofensas mais variadas à dignidade humana passaram a alimentar as confrarias mais infames por esse mundo afora?

A solução é o caos?

(Canalmoz / Canal de Moçambique) , 08.02.2011

Agricultura nacional não evoluiu nos últimos 50 anos

De acordo com o pesquisador Rafael Uaiene

O pesquisador moçambicano Rafael Uaiene afirmou ontem, em Maputo, que, nos últimos 50 anos, o país não conheceu progressos significativos na área da agricultura, segundo a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Falando particularmente sobre a produtividade agrícola, Uaiene disse que os agricultores moçambicanos produzem menos de uma tonelada de milho por hectare, contrariamente ao vizinho Malawi, onde se produz mais de 2,5 toneladas por hectare, segundo estatísticas de 2007. Estas informações constam da apresentação feita ontem pelo pesquisador Uaiene durante um seminário em Maputo.
Para melhor sustentar os seus argumentos, Uaiene apresentou, segundo a nossa fonte, uma tabela comparativa dos níveis de produtividade de milho em Moçambique e no Malawi, no período 1961/2007.
“Em 50 anos, nós não fizemos ainda grandes transformações nesta área”, disse Uaiene, na sua comunicação intitulada “O Estado da Agricultura em Moçambique e Desafios”, inserida no seminário sobre os “Desafios do Crescimento Económico e do Emprego”, que termina amanhã.
O cenário repete-se na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), onde a produção, na maioria dos países membros desta organização regional, atinge níveis acima de uma tonelada de milho por hectare.
Segundo o pesquisador, que trabalha para o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), o nível de produção atingido nos países vizinhos deve-se ao uso de fertilizantes, pesticidas e tracção animal.
Prosseguindo, Uaiene explicou que o uso de sementes melhoradas pelos agricultores moçambicanos ainda é baixo, particularmente nas culturas consideradas prioritárias para o país.
Por exemplo, dados de 2007 indicam que apenas 10 por cento dos agricultores moçambicanos usavam sementes melhoradas de milho, o que já era bom, considerando que no ano anterior apenas nove por cento tinham acesso e, em 2005, as sementes melhoradas só eram usadas por seis por cento dos agricultores.
No que se refere à cultura de arroz, o índice de uso de sementes melhoradas era de apenas três por cento em 2007, contra quatro por cento do ano anterior.
Na cultura de amendoim grande, o índice de uso de sementes melhoradas era de seis por cento em 2007, contra quatro por cento do ano anterior e dois por cento em 2005.

O País

Wednesday, 9 February 2011

Oposição e religiosos exigem desculpas a Jacob Zuma

Partidos da oposição e o Conselho das Igrejas da África do Sul apelam ao Presidente sul-africano, Jacob Zuma, para pedir desculpas pelo seu discurso segundo o qual só os membros do Congresso Nacional Africano (ANC) é que serão aceites no “paraíso”.
Zuma discursava fim-de-semana num comício realizado em Mthatha, província do Cabo Oriental (terra natal do primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela), inserido numa campanha eleitoral do seu partido para as autarquias deste ano, cuja data ainda não foi anunciada.
Na reunião, ele declarou que somente os militantes do ANC é que têm lugar assegurado no paraíso, o que para as organizações religiosas é uma blasfémia.
Eddie Makue, Secretário- Geral do Conselho das Igrejas da África do Sul, convidou assim ao Presidente a pedir desculpas pela blasfémia, que pode separar os sul-africanos.
Disse ser preocupante ouvir do Presidente um discurso do género, pedindo aos dirigentes sul-africanos que se distanciem deste tipo de declarações.
O líder do Partido Cristão Democrático Africano (ACDP), Kenneth Meshoe, descreveu o pronunciamento de Zuma de uma “desgraça”. Meshoe disse que a declaração não é mais senão um engano aos sul-africanos e um “insulto” às congregações religiosas.
Por seu turno, a líder da Aliança Democrática (DA), na oposição, Helen Zille, disse que as palavras de Zuma são “totalmente incendiárias, perigosas por dividirem as comunidades sul-africanas”. Zille afirmou que o discurso do Presidente é uma “vergonha e chantagem a organizações religosas”.
No comício, o estadista sulafricano afirmou que quem estiver a votar a favor do seu partido estava automaticamente a entrar no paraíso, acrescentando que quem tiver o cartão de membro do ANC estava abençoado. Em 2008, Zuma foi alvo de críticas depois de afirmar que o ANC iria governar até a vinda de Jesus Cristo.

A Verdade

Frelimo ataca e distancia-se das declarações de Marcelino dos Santos


“Capitalismo e comércio privado atentam à unidade nacional”

As declarações do camarada Marcelino dos Santos não reflectem o posicionamento do partido, são, sim, uma opinião pessoal, diz Paúnde
A Frelimo, através do seu secretário-geral, Filipe Paúnde, veio, ontem, distanciar-se das declarações do antigo vice-presidente deste partido, Marcelino dos Santos, segundo as quais o capitalismo e o comércio privado podem atentar contra a unidade nacional.

O País. Leia mais aqui.

Nota do José
= Filipe Paúnde não teve coragem de se distanciar das declarações de Marcelino sobre os "reacionários" Uria Simango e Kavandame.

Zapiro e o céu de Jacob Zuma


Jacob Zuma, Presidente da África do Sul, afirmou recentemente que só os membros do seu Partido, o ANC, entrariam no céu.
O caricaturista Zapiro, várias vezes mencionando neste blog, mostra neste cartoon a possível visão de Zuma sobre o céu.
Para ampliar o desenho, coloque o rato sobre a imagem, premindo o lado esquerdo.

Cartoon no Timeslive

Tuesday, 8 February 2011

O Egipto e as contradições do Ocidente


Não será arriscado dizer-se que muito do futuro do Ocidente se vai jogar no Egipto nos próximos meses. E alguns cenários não são nada risonhos

O que está em jogo no Egipto não é só o destino de um povo. Nem é só o destino da nação que construiu as pirâmides 2500 anos antes de os imperadores romanos as terem admirado. O que está em causa no Egipto é a relação do Ocidente com o islão. É a relação que produziu os ataques do 11 de Setembro e as guerras do Afeganistão e do Iraque. Não é coisa pequena.
O problema com que se depara o Ocidente é simples. Por um lado, gostaríamos de promover a democracia e o de-senvolvimento egípcio. Por outro, uma democracia egípcia poderia produzir um governo islamita e antiocidental. Esta tensão, impossível de resolver, obriga o Ocidente a correr riscos que não controla inteiramente.
A chave do problema encontra-se nas mãos das forças armadas egípcias. Mubarak sempre dependeu delas. E elas dependem em larga medida dos EUA. Desde o acordo de Camp David entre Israel e o Egipto em 1978, os EUA dão anualmente aos militares egípcios cerca de mil milhões de euros em treino e equipamento. Os tanques nas ruas do Cairo são M1 americanos, tal como o são os aviões F-16 que os sobrevoam. Isto faz com que as chefias militares egípcias tenham interesse em manter o apoio de Washington. É por isso que as forças estacionadas na capital têm sido tão passivas. Ora o Ocidente pode usar esta alavanca para influenciar o futuro do Egipto numa de duas direcções.
O cenário prudente é a continuação do actual regime com um novo ditador. De facto, parece ser esta a estratégia de Mubarak. Por um lado, colocou um homem da confiança dos militares, Omar Suleiman, na linha de sucessão. Por outro, não ordenou às tropas que dispersassem os manifestantes, deixando esse trabalho sujo a esquadrões dos seus "apoiantes". Com esta manobra dupla, mantém o exército do lado do regime - e do lado do aliado americano, que não quer violência. No Outono, as eleições serão comme d''habitude manipuladas, e delas sairá um novo homem forte do Cairo, com muitas promessas ocas de reforma e o apoio da máquina militar. Garante-se um Egipto pró-ocidental, mas garante-se também o reforço do desencanto do mundo islâmico em relação ao Ocidente.
O cenário arriscado começa por pressionar Mubarak a sair já. Depois os EUA pressionam Suleiman e as chefias militares para que não interfiram no processo eleitoral do Outono. Entretanto o Ocidente apoia a formação de partidos políticos seculares, moderados, e genuinamente reformistas. Por fim, resta-nos rezar para que a coisa corra bem. Se assim for, o Egipto terá dentro de meses um governo democrático secular com uma agenda progressista e uma postura internacional pró-Ocidente. A Irmandade Muçulmana sairá das eleições com uma representação parlamentar suficientemente forte para lhe dar voz no sistema político, mas não tão forte que lhe permita controlar o governo.
E se as coisas correrem mal?
Aí configura-se o pior cenário possível. O que acontece se a Irmandade Muçulmana abandonar a sua actual retórica moderada? Ou se o seu apoio ao candidato reformista Mohamed ElBaradei for apenas uma tentativa de infiltrar a democracia para depois a subverter? Ou simplesmente se a Irmandade Muçulmana ganhar as eleições sozinha? O que farão os militares egípcios? E o que fará o Ocidente? Fecha os olhos a um golpe militar que assegure os interesses estratégicos ocidentais mas devolva o Egipto à ditadura e enraiveça muçulmanos pelo mundo fora? Ou aceita que um dos seus principais aliados na região se torne um bastião de fundamentalismo e instabilidade? São estes os riscos.
Neste momento nada é certo. Apenas que é este o cenário que melhor expõe as contradições do Ocidente. E essas contradições são as nossas. De cada um de nós.

Nuno Monteiro, Professor de Relações Internacionais, Universidade de Yale

Senadora propõe greve de sexo para resolver impasse político na Bélgica


Uma senadora belga sugeriu uma forma inédita de tentar acabar com o impasse político em que o seu país se encontra, depois de quase oito meses sem Governo.
Ao jornal De Morgen, a senador Marleen Temmerman disse que os negociadores deviam abster-se de sexo até ser formada uma nova coligação de Governo.
Membro do partido socialista flamengo, e também reputada ginecologista, Temmerman disse ter-se inspirado num caso a que assistiu no Quénia.
A senadora explicou: «Após um ano de debate, um grupo de mulheres pediu às mulheres dos negociadores para deixarem de ter sexo até que se chegasse a um entendimento. Uma semana depois, o acordo estava em cima da mesa».
Temmerman citou ainda o antigo texto grego, Lisistrata, de Aristófanes, que descreve uma bem sucedida greve de sexo decidida por mulheres para acabar uma guerra entre Atenas e Esparta.
As negociações na Bélgica estão bloqueadas desde Junho de 2010, por causa das disputas entre partidos flamengos e francófonos.

SOL

Monday, 7 February 2011

Daviz Simango critica despesa com estátuas de Machel

O próprio Machel seria contrário aquela iniciativa que vai custar ao país o equivalente ao valor de quinze escolas

“O regime de apartheid era um regime anti-humano mas, pelo menos, não fuzilou os seus opositores políticos, razão porque temos, hoje, Nelson Mandela, conseguindo unir os sul-africanos e fazer uma África do Sul moderna, em que os brancos e os negros mutuamente conseguiram reconciliar-se”. A afirmação foi feita por Davis Simango, líder do MDM e filho de Urias Simango, um dos líderes fundadores da Frelimo, que foi fuzilado depois da independência num dos chamados “campos de reeducação”, durante a presidência de Samora Machel.
Daviz falava à Voz da América, a propósito do Dia dos Heróis, sublinhando que ainda há muitos heróis moçambicanos que não foram reconhecidos “porque ou nunca estiveram ligados ao regime ou porque o regime continua a partidarizar o processo de identificação desses mesmos heróis”. O líder do MDM e presidente da Câmara da Beira propõe a criação de uma instância apropriada, devidamente reconhecida pela Assembleia da República, para definir os critérios para escolher os heróis moçambicanos.
Sobre a decisão do governo moçambicano de mandar erigir estátuas de Samora Machel em todas as províncias do país, Daviz Simango manifestou a sua discordância e comentou que o próprio Machel seria contrário aquela iniciativa que vai custar ao país o equivalente ao valor de quinze escolas que não serão construídas, quando se sabe que em Moçambique “700 mil crianças vão estudar debaixo das árvores ou ao relento”.

Filipe Vieira, Voz da América

Escute a entrevista aqui.

Ditadores estão de pedra e cal: Eduardo dos Santos dirige a CPLP e Teodoro Obiang a UA

Enquanto há países que estão a “decapitar” os ditadores, outros há onde eles continua – perante a criminosa indiferença da comunidade internacional – de pedra e cal.

E se isso acontece nos países, o mesmo se passa nas organizações. A Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, é presidida pelo dirigente máximo de Angola, José Eduardo dos Santos, que está no poder há 31 anos sem nunca ter sido eleito, e a União Africana tem na presidência a Guiné-Equatorial, cujo chefe de Estado, Teodoro Obiang, está no poder há mais de 31 anos, onde chegou através de um golpe de Estado.
Reconheça-se, contudo, que tomando como exemplo Angola, a Guiné-Equatorial preenche todas as regras para dirigir a UA como, um dia destes, integrar a CPLP. Não sabe o que é democracia mas, por outro lado, tem fartura de petróleo, o que é condição “sine qua non” para comprar o que bem entender.
Obiang, que a revista norte-americana “Forbes” já apresentou como o oitavo governante mais rico do mundo, e que depositou centenas de milhões de dólares no Riggs Bank, dos EUA, tem sido acusado (tal como como o seu homólogo angolano, por exemplo) de manipular as eleições e de ser altamente corrupto, tal como o que se passa em Angola.
Obiang, que chegou ao poder em 1979, derrubando o tio, Francisco Macias, foi reeleito (isso é que é democracia) com 95 por cento dos votos oficialmente expressos (também contou, como em Angola, com os votos dos mortos), mantendo-se no poder graças a um forte aparelho repressivo, do qual fazem parte os seus guarda-costas marroquinos.
Os vastos proventos que a Guiné-Equatorial recebe da exploração do petróleo e do gás natural poderiam dar uma vida melhor aos 600 mil habitantes dessa antiga colónia espanhola, mas a verdade é que a maior parte deles vive abaixo da linha de pobreza. Em Angola são 70% os pobres...
A Amnistia Internaciona (AI) diz que no país do Presidente Teodoro Obiang ainda se registam “vários casos de detenções e reclusões arbitrárias por motivos políticos”, que normalmente ocorrem “sem que a culpa dos detidos seja formada e formalizada”, e sem que haja “um julgamento justo”.
Estas alusões a Teodoro Obiang e ao seu país encaixam que nem uma luva ao caso de Angola, até mesmo quanto aos anos que os dois presidentes estão no poder.
“Tais práticas não constituem apenas violação dos padrões internacionais de Direitos Humanos aplicáveis às regras processuais policiais, penais e jurisdicionais, mas constituem também forma grave de restrição à liberdade de expressão”, afirma a AI.
As “fortes restrições à liberdade de expressão, associação e manifestação”, os “desaparecimentos forçados de opositores ao Governo”, os “desalojamentos forçados” e a existência de “tortura e outros maus tratos perpetrados pelas forças policiais” são outras das preocupações expressas pela AI referentes a Angola... perdão, referentes à Guiné-Equatorial.
Não se tivesse a certeza que a AI estava a falar da Guiné-Equatorial (formalmente é uma democracia constitucional) e, com extrema facilidade, todos pensariam que estaria a fazer o retrato do reino de José Eduardo dos Santos.
Por outro lado, a AI destaca que “60 por cento” da população da Guiné-Equatorial vive “abaixo do limiar da pobreza”, ou seja, com “menos de um dólar americano por dia”, apesar dos “elevados níveis de crescimento económico do país, da elevada produção de petróleo e de ser um dos países com o rendimento per capita mais elevado do mundo”.
Tal como o seu homólogo angolano, Teodoro Obiang quando fala de princípios democráticos bate aos pontos, entre muitos outros, Jean-Bédel Bokassa, Idi Amin Dada, Mobutu Sese Seko, Robert Mugabe ou Muammar Kadafi.
Atente-se, contudo, no que diz o moçambicano Tomaz Salomão, secretário executivo da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral): "São ditadores, mas pronto, paciência... são as pessoas que estão lá. E os critérios da liderança da organização não obrigam à realização de eleições democráticas”.

Orlando Castro, Alto Hama


ADENDA

“É inevitável que União Africana seja por vezes dirigida por ditadores” - Tomaz Salomão. Leia mais aqui.

Sunday, 6 February 2011

Poema do Futuro Cidadão

Vim de qualquer parte
de uma Nação que ainda não existe,
Vim e estou aqui!

Nã0 nasci apenas eu
nem tu nem nenhum outro...
mas Irmão...

Mas
tenho amor para dar às mãos-cheias.
Amor do que sou
e nada mais.

E
tenho no coração
gritos que não são meus somente
porque venho de um País que ainda não existe.

Ah! Tenho meu Amor a todos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
cidadão de uma Nação que ainda não existe.

José Craveirinha

Nota do José = Assinala-se hoje o oitavo aniversário da morte de José Craveirinha

Um cartoon e uma frase


Augusto Cid, Sol

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E um governo que se revela incapaz de oferecer aos seus cidadãos um modelo de transporte público cómodo, seguro e fiável não pode continuar a dar-nos a pretensão de que foi eleito para servir o povo.

Editorial do Savana

Saturday, 5 February 2011

“Quem escolhe os heróis é o povo”

Telesfério Nhapulo lançou, no ano passado, o Atlas Histórico de Moçambique. O académico olha para o debate em torno dos heróis nacionais de forma desapaixonada. Diz que a História é uma ciência e “está permanentemente à procura da verdade.” Ou seja, o que “está a ser ignorado hoje, amanhã pode ser venerado.”
Aliás, os heróis, diz, devem ser construções do povo. A Revolução de Jasmim, diz o historiador, pode, mais tarde, criar heróis legitimados pelo contexto daquele episódio. Há, então, sempre o reverso da moeda. Por tudo isto, os manuais de História já não falam de Urias Simango como reaccionário. Quanto à obra de Bernabé Lucas Nkomo, afirma que não pode ser posta de parte. Até porque ela faz parte do processo de construção da nossa História.

@VERDADE (@V) – Como se define um herói nacional? Telesfério Nhapulo

(TN) - Isso é difícil de responder porque há vários objectivos que estão subjacentes quando falamos de heróis nacionais. No sentido lato, os heróis são homens extraordinários pelas suas qualidades e pelos seus feitos. São pessoas de grandes valores e magnitude.
Isto significa dizer que, no seio do seu meio social, se destacaram pelas suas acções. Recuando um pouco na história, os gregos chamavam de heróis aos homens divinizados.
Heróis também são homens notáveis pelos seus desmandos, por exemplo, existe uma ordem instituída num determinado país e esses indivíduos contrariam as leis ou impõem-se à ordem instituída, esses indivíduos são também heróis. Olhemos o caso da Tunísia e do Egipto, os acontecimentos que estão a ter lugar hoje, dali podem nascer vários heróis, heróis daquele facto identificado.
É um pouco complexo vermos na essência quem são os heróis. A ciência histórica não aconselha a nomeação de heróis, temos de falar de grandes figuras que se notabilizaram com as suas acções. Mas uma nação tem de ter heróis. Oficialmente podemos indicar, mas o povo é que reconhece os verdadeiros heróis.

(@V) - Tem havido debates sobre a atribuição do estatuto de herói a figuras vivas. Que comentário faz em torno dessa questão?

(TN) - Os heróis têm funções diversas e usam-se para várias finalidades. E falar de eles é como falar da História. Olhemos, por exemplo, para o ensino de História em Moçambique. Porque ensinamos a História às crianças? Um dos grandes desafios que temos hoje em Moçambique é que ela cumpra com a sua função de identificação e de integração num espaço como uma história comum.
A criança tem de se sentir identificada com a pátria, usos e costumes, e a cultura do seu povo. E esse processo de identificação quando for olhar diz, por exemplo, pertenço ao grupo chopi, mas não olha só para esse conjunto olha também para a questão de espaço onde está inserido e a sua história. Então, quando os governantes identificam determinadas figuras políticas, históricas, artísticas ou culturais e outras, o grande dilema em que estão envolvidos é na luta para a construção da unidade nacional.
Buscam essas personagens como figuras integrativas naquilo que se quer como um país. E esse processo da selecção dos heróis pode ser bem feito ou mal feito. Outro grande objectivo é a socialização do Homem. Os indivíduos têm de se identificar com os espaços e os sistemas de valor que dão um carácter moralizante apelando à unidade nacional.
Mas neste processo de apelo à unidade nacional pode-se correr o risco de subverter a própria História. Isto quer dizer que nesta luta para construir o ideal de uma nação una e indivisível se corre sempre o risco de não contar a verdadeira História. Este é o dilema que muitos construtores da nação têm e, muitas vezes, têm de pôr à parte muitas verdades históricas.

(@V) - Podemos dizer que a História de Moçambique cedeu excessivamente ao apelo da unidade nacional, excluindo algumas verdades?

(TN) - A História é uma ciência que permanentemente, por ser história, está sempre a questionar, problematizar e buscar incessantemente a verdade. O que pode ser verdade hoje, amanhã pode não ser como resultado deste questionamento e problematização.
É por isso que eu disse que alguns heróis podem ser ignorados hoje e amanhã podem ser rebuscados porque a História está permanentemente à busca da verdade. O que está a ser ignorado hoje, amanhã pode ser venerado. Se olharmos para as figuras heróicas que hoje estão na proa não significa que daqui a 30 ou 40 anos elas continuarão, não é necessariamente isso. Podem estar outros. Este é que é o problema.

(@V) – Num dos seus artigos de opinião, o analista político escreve “hoje, ao olhar a nossa Praça dos Heróis, sinto que ela corre o risco de, na verdade, se tornar um SIMPLES CEMITÉRIO FAMILIAR, visto que os que lá repousam pertencem quase à mesma linhagem etnolinguística, regional e cultural”. Esta é uma questão oportuna?

(TN) - Esses são debates que se fazem mas o importante não é isso. O problema é que todas as escolhas que forem feitas nunca vão satisfazer as vontades de todos, daí que está sempre presente, no processo da selecção, a crítica e a problematização. A História abre este campo e significa que aqueles heróis podem ser representativos assim como não. Ao longo do tempo, uns vão sendo eliminados pela História e outros vão sobreviver, isso depende muito daquilo que representa na memória das pessoas.

(@V) - Podemos considerar o livro de Bernabé Lucas Nkomo um manual de História para consulta, uma vez que nos traz uma outra versão da História de Moçambique e apresenta-nos um Uria Simango diferente daquele que nos foi dado a conhecer?

(TN) – Nos últimos 10 anos, os manuais de História já não falam assim, significa que houve uma correcção, é aquilo que digo que a História está permanentemente a autocensurar- se e auto-criticar-se.
Isto para dizer que, se olhar para os vários acontecimentos da nossa História, há muita informação que temos hoje que não havia há 10 anos. Então, a obra de Bernabé Nkomo é mais uma obra que contribui, digamos, para uma reflexão histórica, para o debate e ela não pode ser posta à parte. Ela faz parte do processo da construção da nossa História.
A História não se esgota com o livro de Nkomo, com o manual de História publicado pela UEM, com a obra de Teresa Cruz e Silva ou de António Sopa. A construção da nossa História é um processo que vai evolver estudiosos que vão trazendo coisas novas para a nossa História e nesse percurso vão trazer novos heróis e eliminando alguns. É a dinâmica do processo da construção da História.

(@V) - Diversas pessoas têm vindo a questionar a heroicidade de algumas figuras, tal como Samora Machel…

(TN) - Este é o grande problema da nomeação de heróis. Quando o poder político indica que fulano é herói, sicrano é herói, cria esses questionamentos, esses debates e não só. Também faz surgir diferentes linhas de interpretação. Mas olhando para aquilo que são os grandes objectivos da construção da nação moçambicana, Samora Machel foi uma personalidade marcante na História de Moçambique.
Foi o primeiro Presidente da República, independentemente de as pessoas quererem ou não. O nascimento de Moçambique como República nasce com esta grande figura política. Ele está intimamente ligado a esta nação e, para alguns círculos políticos, ele é um grande herói moçambicano, uma figura política de destaque para a nação. O debate que se levanta à volta da heroicidade se recuarmos e olharmos para aqueles conceitos, existem várias interpretações.
Se consideramos herói nacional uma pessoa que soube enfrentar o sistema de dominação colonial, nesta perspectiva ele é herói. Podemos ver noutros quadrantes: a questão da moralidade e outros elementos que são trazidos para a classificação da personalidade.
Pode ser aprovado numa e desqualificado noutras, porque para aceitarmos uma determinada figura como herói tínhamos de trazer uma série de critérios. Se os critérios forem claros é fácil chegarmos a esta conclusão, mas esses preceitos também com o andar de tempo podem ser postos em causa. Este debate é extremamente complexo.

(@V) – Que critérios deveriam ser usados de modo a ter-se um consenso?

(TN) - Sou um professor de História e, como professor de História, o que devo ensinar às crianças é a olharem para as figuras e as personalidades políticas e analisarem os seus feitos e cada aluno chegar à sua conclusão. Esta é a linha mais correcta.

(@V) - Existe uma outra forma de reconhecer os feitos de certas pessoas que não seja atribuir os seus nomes a escolas, avenidas, ruas e praças.

(TN) - Este é um debate que ultrapassa o meu nível de análise porque se olharmos para a História do mundo as grandes figuras mereceram atenção por parte dos seus concidadãos. O problema de atribuição de nomes a figuras tem a ver com o reconhecimento que as pessoas têm para com aquela personalidades e isso acontece em quase todo o mundo e Moçambique não seria uma excepção. Seria um absurdo que as nossas avenidas, ruas, jardins não tivessem os nomes das grandes figuras que se notabilizaram em diversas áreas.
As pessoas devem perceber que em qualquer país os heróis estão ao serviço das finalidades moralizadoras. Por exemplo, quando enaltecemos Malangatana estamos a mostrar às gerações vindouras que você como jovem pode ser como Malangatana, desde o momento que siga o exemplo dele como homem íntegro, trabalhador e aplicado.
Os políticos no seu exercício buscam sempre figuras para ajudá- los no processo da gestão da política de Estado. Mas não significa que estas figuras não cometeram erros na vida, afinal, eles também são humanos.

A Verdade

Friday, 4 February 2011

Sebastianismo político

Tem andado por aí na blogosfera um corropio de possíveis candidatos à PR. Ainda a procissão não vai no adro e já se jogam no tabuleiro político as mais diferentes previsões. Espantosa esta maneira de se medir a predilecção dos eleitores. Oportunista a percepção dos intelectuais do Governo para quem, um povo, tal como as moscas, pesca-se com mel e não com vinagre. É preciso semear para colher. E para tal, nem que se tenham de inventar pseudo-sondagens na síndrome de um congresso, vale tudo para se vestir agora de trajes garridos e femininos a tese peregrina do novo Messias moçambicano, triunfalmente cavalgando em bubus e lantejoulas, as esperanças de um ansiado bem-estar.
Obviamente, todas as figuras até aqui servidas aos comensais pertencem ao mesmo conjunto universal. Seria mesmo utópico, à luz desta sociedade, pensar-se que uma mudança política poderá acontecer aqui, tal como sucede na Tunísia ou até no Egipto. Aqui, onde até já tivemos duas grandes erupções sociais por motivos parecidos, para cedo nos apercebermos quão fraccionada é a sociedade moçambicana. Daí achar natural que muita gente, mesmo reconhecendo que escolhe mal, prefere manter a sua escolha, a ter que navegar na incerteza entre o mau e o péssimo.
Em qualquer sociedade política evoluída, a acumulação simultânea de cargos políticos e empresariais seria o suficiente para ditar a rejeição de uma candidatura por parte de seus eleitores. Porque na definição original, governar um país é funcionalismo público. É missão e não acumulação primitiva de capital. Nos EUA, o país de todos os defeitos para alguns de nós, o presidente recebe ao longo do seu mandato muitas ofertas materiais e pecuniárias, todavia os seus rendimentos são limitados por lei. O que significa dizer que se o valor da oferta ultrapassar o limiar permitido, ela deverá ser entregue ao Tesouro para ser transferida para Fort Knox ou oferecida a instituições de caridade. Note-se que o salário anual do Presidente dos EUA é de conhecimento público. Ronda os 400 mil USD e inclui 50 mil USD para despesas pessoais justificadas durante a comissão de serviço, 100 mil USD não taxáveis para viagens, além de 19 mil USD para entretenimento pessoal e habitação. Por seu turno, a Primeira-Dama dos EUA recebe cerca de 20 mil USD. Após o mandato presidencial, o título e algumas regalias oficiais são mantidas de acordo com a lei, cabendo ao ex-presidente 150 mil USD de pensão vitalícia, mais 150 mil USD para manutenção de algum staff que a dignidade do título lhe confere. E nem vale a pena comparar isto com o custo de vida médio local, ou até o PIB. Percebe-se que é um salário digno, mas não se compara com os rendimentos de um empresário médio norte-americano. Aliás, importa salientar que, de um modo geral, antes e depois dos mandatos, salvo motivos de força maior, os presidentes do EUA continuam a exercer a sua carreira profissional. Como é evidente, uma passagem pela Casa Branca é portfolio mais do que suficiente para não se morrer pobre, à custa de conferências e autógrafos.
Mas o Presidente dos EUA pode perder imediatamente o seu cargo se sonegar alguma coisa fora deste grupo de regalias. Ora, que grande contraste para quem, como eu, puder ler no BR que até é legal receber 10%252525 como estímulo salarial de um investimento qualquer, traduzidos num punhado de dólares, para se autorizar a concessão de uma coutada luxuosa de caça, uma fábrica de pasta de papel, uma barragem, um simples projecto para crianças desfavorecidas ou educação da rapariga, uma fabriqueta de abre-latas ou até, a manutenção ad aeternum de um projecto anti-malária num distrito qualquer para fidelizar o mercado local de consumidores de redes mosquiteiras e insecticidas avulsos, incluindo o perigoso DDT. E o pior, ainda se vem a terreiro e com cobertura mediática reclamar grandes feitos para a nação!
Tudo isto é absolutamente surrealista, mas é o modo de se pensar e viver hoje em Moçambique. Habituou-se neste país a contentar-se sebastianicamente com rótulos. Um consultor de imagem é agora o dono da profissão mais lucrativa do nosso mercado. Há uma profusão de firmas de marketing e de comunicação e imagem. Paga-se para se ter uma imagem limpa e antiséptica, pouco se trabalha para não se emporcalhar a própria imagem. Dane-se o desempenho das instituições e quiçá do próprio país. Não há problema, um pornocrático sistema publicitário, umas t-shirts e uns bonés na dose certa resolvem.
Um enxame de consultoras legais e financeiras nos cerca, com os mais espantosos gurus da gestão e das leis cintilando no seu quadro, especialistas em soluções do tempo da pedra lascada, com o propósito uno de preservar o monopólio e a cartelização de franjas do mercado. Nada de positivo trazem para a economia real de Moçambique, porque não produzem nada, senão relatórios e muito parlatório. Questionam a venda da Riversdale à Rio Tinto por 3800 milhões de dólares norte-americanos, pelo facto do Estado moçambicano não ter encaixado nem sequer um centavo, tendo em conta que as reservas de carvão, o negócio em causa, encontrarem-se em território nacional. Ora, desde os primórdios da Revolução Industrial que é sabido que uma multinacional nunca foi uma instituição de caridade. Inclusive a Banca. E tão surpreendidos ficam com as suas descobertas, que mal se aperceberam que a siderúrgica sul-coreana Posco e a brasileira Vale estão prestes a fazer o mesmo. E que depois delas, muitas outras o farão.
Estuda-se nas nossas universidades contabilidade clássica, para criativamente se maquilhar no dia-a-dia prejuízos financeiros e penalizar-se o fomento da boa gestão com rodriguinhos de burocracia inaudita. Encoraja-se sobretudo a desonestidade intelectual, que vai ao ponto de nos dizer que nos últimos oito anos, o saldo do endividamento externo, excluindo os grandes projectos, foi além do dobro, passando de 377,2 milhões de dólares em 2002 para 907 milhões em 2009. E que a dívida global das empresas privadas, excluindo os mega-projectos, aumentou cerca de 28 porcento do PIB em 2002 para 41, porcento em 2009. Concluindo-se que isto indicia a estabilidade macroeconómica que caracteriza o país. Não sou economista, mas dificilmente perceberei se algum deles me disser que um crescente endividamento externo é economicamente próspero e simpático para os demais moçambicanos.
Todas empresas têm passivos cíclicos ou mesmos permanentes. Perfeitamente natural numa economia de mercado, já Marx o diria. Quantas vezes não ouvimos falar de grandes multinacionais com um enorme passivo? E porventura vão à falência? Não. Vão ao mercado procurar dinheiro. Fazem OPA’s, vendem acções, refazem a sua estrutura accionista, diminuem a força de trabalho, etc. Agora, o que não vivem é de aparências. Porque é preciso apresentar sempre as contas certas para se ter credibilidade. Porque a qualidade do seu trabalho deve justificar socialmente a sua existência. Quando assim não é sucumbe-se na crise que tudo e todos arrasa como um rolo compressor, incluindo os messias novos ou recauchutados, cavalgando em manhãs de nevoeiro...

Ricardo Santos, Notícias

Seriedade-precisa-se


Leio, na imprensa desta semana, que o Estádio Nacional, essa obra que devia ser o orgulho de todos os moçambicanos – pelo menos foi essa a imagem que sempre nos quiseram fazer passar – reprovou na inspecção dos senhores da FIFA. Nada mais natural.
O estranho, conhecendo os critérios rigorosos dos inspectores do órgão que rege o futebol mundial, era mesmo se passasse. Porque aqui, meus caros, ao contrário da escola em que o aluno suborna o professor com 50 meticais para passar no exame ou na obra que é desembargada com uns poucos milhares de meticais porque não há tempo a perder, negócio oblige, os senhores da FIFA são à prova de bala no que aos critérios de aprovação de um recinto desportivo diz respeito.
Os critérios estão muito bem especificados, está tudo escrito tintim por tintim, como se costuma dizer. Ninguém pode alegar que não os conhece.
Parece que as irregularidades do Estádio Nacional são tantas, o chumbo é tão redondo, que nem vale a pena apelar para uma revisão de provas, numa tentativa de irmos à prova oral.
Desde as dimensões do campo (imagine-se!), passando pelo deficiente posicionamento das máquinas electrónicas de controlo de entradas, até à falta de estacionamento e ao dumba nengue em redor, nada obedece aos critérios dos tempos de hoje.
E agora a quem se pede responsabilidades? Ao Governo? À Federação? À empresa chinesa que construiu o recinto? Uns mais outros menos, ninguém deverá estar isento de culpas, mas ela, a culpa, como em tudo o que se passa neste país, irá morrer solteira.
Sem qualquer laivo de racismo, que know how possuem os chineses em matéria de construção de estádios? Porque lhes foi entregue uma obra desta responsabilidade? Terá sido uma proposta tão mais barata do que as outras que valesse a pena correr todos estes riscos?
Um dos critérios a favor da empresa chinesa era a rápida conclusão da obra que supostamente deveria estar pronta a tempo de ser aproveitada para o Mundial da África do Sul, o que, como se sabe, falhou redondamente. Depois desse primeiro fracasso, somaram-se todos os outros – demasiado exaustivos para citá-los – culminando no chumbo, também ele redondo, da FIFA.
Um dos gravíssimos problemas deste país é a falta de seriedade que invadiu toda a pirâmide económicosocial, desde a morte de Samora. Ninguém trata as coisas com seriedade. A seriedade, essa base que existe em muitas sociedades de outros países, aqui, no nosso, deixou de existir.
Desde as balanças com que pesamos a fruta na rua – muitas estão adiantadas meio quilo –, passando pelas bombas de gasolina onde os litros possuem várias medidas, pelos sacos de cimento ou pelo bife no restaurante, até às grandes obras, tudo é, como se diz na gíria popular, mafiado.
Somos um país de mafiosos, pequenos e grandes. Gato por lebre é o nosso prato do dia. Parece que meio Moçambique acorda de manhã para enganar o outro meio Moçambique. A mentira virou regra e a verdade excepção. O Estádio Nacional é só mais um paradigma desta falta de seriedade.
Aproveitemos, já que o Governo decretou 2011 como o ano de Samora Machel, para sermos um pouco mais sérios. É uma merecida homenagem que lhe prestamos.

João Vaz de Almada, A Verdade

Thursday, 3 February 2011

QUEM MENTE? O Poder ou os historiadores?

Muitos actos impor­tantes da nossa Histó­ria têm duas vertentes e como é óbvio, um mes­mo facto não pode ter acontecido de duas ma­neiras diferentes, se isso se verificar, significa que uma ou todas são falsas!
Às vezes até são factos simples que não precisam de qualquer es­camoteamento, mas mes­mo assim, aparecem com várias versões, porquê?
Por exemplo, as crian­ças são ensinadas que Samora celebrou a Inde­pendência às zero horas do dia 25 de Junho de 1975, mas hoje aparecem vozes que dizem que quando Machel chegou ao Está­dio da Machava, já pas­sava das zero, logo, não pode ter celebrado àquela hora. Qual é o problema de dizer a hora exacta em que foi celebrada a nossa independência? De facto os Acordos de Lusaka podem rezar isso, mas depois na prática, por di­versos motivos, o funda­dor da nossa República não pôde cumprir, que se diga a verdade, porque isso não retira nada... o mais importante é ter­mos ficado independen­tes,.. (obrigado Samora)!
Uns dizem que Ma­chel se atrasou por causa da chuva que caía naque­le dia, outros que perdeu a hora porque estava num "alto papo" com o Grande Homem Álvaro Cunhal, conhecido de todos nós! Qualquer destes motivos é plausível, se isto é ver­dade, porque não dizer?
Também existem várias versões de quem deu o primeiro tiro e o lugar onde foi dado... porquê tudo isso?!
Mesmo sobre o Massacre de Mueda, já há duas versões. Há quem diga que morre­ram 600 pessoas e ou­tros dizem que foram 30. Qual é o número certo?
Já não digo quando se fala donde morreu o Obreiro da nossa Unida­de Nacional! A História "oficial" sempre disse que o fatídico aconte­cimento deu-se nos es­critórios da Frelimo em Dar-es-Salam, mas ulti­mamente aparecem vo­zes, mesmo de dentro do Partido, que dizem que Dzovo morreu em casa duma sua amiga ameri­cana chamada Bety King!
Algumas vozes fa­zem notar que Bety era amiga no bom sentido da palavra e que tal casa era restaurante e lá King vivia com o seu marido!
Penso que com esta explicação pretende-se dizer que não havia nada de... orgia! Todavia, é uma explicação escusada!
O que está em cau­sa é referir que morreu no escritório quando não é verdade! Não enten­demos porque se oculta que Dzovo morreu fora do escritório porquanto o que fez com que o inimi­go lhe enviasse a bomba, foi o facto de Dzovo que­rer nos libertar a todos nós? (obrigado Dzovo!)
O inimigo não lhe matou porque foi à casa da Bety! Aliás, por mais que Dzovo tivesse perdi­do a vida por uma causa não directamente ligada à Causa Nacional, para nós, o povo, seria o nos­so Herói porque nós não definimos o Herói pela forma como morre, mas sim pelos seus feitos em vida. Um Homem pode ser Herói a vida inteira e depois morrer de ma­lária... vai deixar de ser Herói porque não mor­reu em combate? Não!
Há algum mal em Dzovo ter pegado do­cumentos no escritório para ir dar "uma olhada" num restaurante enquanto "enganava o estômago" talvez com um chazito?! Nós, o povo, sabemos quanto Dzovo por nós se sacrificou ao deixar um trabalho tão bem remunerado na ONU para vir lutar por todos nós, o que é que pode anular tudo isto dos nossos corações?! Os inimigos do povo já descobriram que o Po­der tem... mentido muito (desculpe-me a since­ridade!) para o povo e aproveitam-se disso para criarem suas versões mesmo naquilo em que, excepcionalmente, o Po­der disse-nos a verdade!
Vejam que os inimigos do povo aproveitando-se das frequentes distorções da História têm nos es­tado a dizer que existem dois Heróis Nacionais que saíram da cripta! É claro que não acredita­mos, mas nos faz mal...
E as ossadas que Chelito trouxe da Tuga em Junho de 1985, são ou não de Gungunhana? Os jor­nalistas da Tuga disseram ao saudoso Albino Magaia que Chelito estava a ser fintado, é verdade?! Afi­nal de contas o que é que na nossa História tem uma única versão?! O nosso poder... mente muito...
Ultimamente o País tem novo Hino Nacio­nal, tão lindo quanto o primeiro! Quantas vezes ouvi pessoas a assobia­rem o "Pátria Amada"! Não é por falta de respeito àquele Símbolo Nacional, mas a sua extraordinária beleza, amiúde nos tenta a assobiar... há moçam­bicanos que em pleno içar da bandeira, são tentados a bater compassadamen­te com o pé no chão!
É que o nosso Hino foi bem cozido! Mas como no nosso País já é moda as páginas da História terem duas versões, o "Pátria Amada" também não é excepção, ninguém con­segue dizer-nos ao certo quem é o autor daquela toda maravilha! Alguns dizem que é co-autoria do Dr. Salomão Manhiça e do Maestro Chemana, mas outros dizem que não é nenhuma co-auto­ria, tudo aquilo é fruto da extraordinária massa cinzenta do Dr. Manhiça!
Curiosamente, na Homenagem organizada pelo B.M., a título póstu­mo, para o maestro Che­mana no dia 19 de Junho de 2008, mano Guebas disse-nos que aquele era co-autor do Pátria Ama­da! Mas, muitos enten­didos continuam a dizer que Manhiça, sozinho, esmerou o Pátria Amada!
Eu, como doente de música, um dia telefo­nei para um entendido a perguntar quem na ver­dade era o autor do Pá­tria Amada, em resposta disse-me: "o de Portugal é Alfredo Kheil, o daqui não sei bem se é Ma­nhiça sozinho ou Ma­nhiça com Chemana!"
Não é isto uma ver­gonha?! Conhecemos o autor do Hino dum Pais irmão e não conhecemos o do nosso?! A culpa é do Poder que mente muito!
Quem é na verdade o autor do Pátria Amada? Digam-nos a verdade, só queremos saber!

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 02.02.2011 , citado no Moçambique para todos

Só "vontade política" travará pirataria em Moçambique

Analistas em Moçambique consideram que o tráfico de pessoas e a pirataria do mar só poderão ser contidos se houver "vontade política" do Governo.
A advertência segue-a à recente cimeira da União Africana, durante a qual terá sido defendida uma abordagem conjunta para fazer frente a uma situação da qual Moçambique começa a ressentir-se.
"Moçambique é dos poucos países do mundo que não dá nenhuma importância à Defesa.
"Então Moçambique passou a ter as fronteiras tanto marítimas, como terrestres completamente abertas", considera o analisa Edwin Honou que falou com a BBC sobre a pirataria.
Edwin Honou referia-se à utilização de Moçambique como corredor do tráfico internacional de pessoas e ainda a ataques ao largo da costa, atribuídos ao alastramento para sul do Oceano Ìndico das acções de piratas do mar.

Eleutério Finita, BBC

Wednesday, 2 February 2011

Renamo não vai participar nas comemorações do Dia dos Heróis Nacionais

Não reconhece os critérios usados na qualificação de heróis

Maputo – A Renamo não vai participar nas comemorações do Dia dos Heróis Nacionais assinalado a 3 de Fevereiro confirmou à PNN o porta-voz do partido, Fernando Mazanga.
O mesmo responsável do maior partido da oposição moçambicano disse que a Renamo não reconhece os critérios usados na atribuição do heroísmo em Moçambique. «Os verdadeiros heróis estão a viver na extrema pobreza, tudo porque a Frelimo apodera-se de tudo aquilo que pertence ao povo para beneficiar um grupo gente que intitula-se dono do país. Esquecem-se de todos os moçambicanos que lutaram pela independência deste país através da arte, música, dança entre outras acções» disse Fernando Mazanga..
Assim, a Renamo sugere que a definição do herói em Moçambique seja revista. «Com esta medida acredito que vamos encontrar heróis da Renamo, da Frelimo, de outros partidos e da sociedade civil. Não podemos considerar heróis, apenas um grupo de gente que diz ter lutado pela independência. Logo, não faz sentido para a Renamo participar num acto discriminatório», disse Fernando Mazanga.
Movimento Democrático de Moçambique, MDM, já confirmou a sua presença nas celebrações do 3 de Fevereiro, alegando que respeita a Constituição da República, apesar das contrariedades cometidas pelo partido no poder. Reconhece, todavia, que é necessário «criar uma comissão constituída por académicos e sociedade civil para uma reflexão profunda sobre quem deve ser homenageado como herói, quando, como e porquê», sublinhou Ismael Mussa, Secretário-geral do partido.
Para Ismael Mussá a distinção do herói não deve apenas basear-se nas pessoas que lutaram pela independência nacional, mas, em todo aquele que faz algo que dignificou o país, por exemplo o bom professor, enfermeiro, camponês, jornalista entre outros. Mussá defendeu que Moçambique deve «reconhecer as pessoas enquanto vivas para sentirem o mérito que lhes é atribuído» e perder o hábito de homenagear só após a morte destes, devendo também adoptar novos métodos de reconhecer os heróis.
«Não se pode gastar dinheiro num país pobre como Moçambique para construir estátuas como forma de homenagear heróis, ao invés de investir para infra estruturas públicas como escolas, hospitais que beneficiam directamente o povo», criticou Mussá.

(c) PNN Portuguese News Network, Maputo Digital