Sunday, 16 January 2011

Tunísia


MUNDO ÁRABE TEME CONTÁGIO

A deposição do presidente tunisino Ben Ali, afastado por uma revolta popular em todo o país, está a criar uma onda de choque que ameaça alastrar-se pelo mundo árabe.
A revolta tunisina contra a corrupção, o desemprego e o aumento do custo de vida começou em Dezembro e foi acompanhada de manifestações semelhantes na vizinha Argélia. Agora, a Jordânia foi palco de desfiles em várias cidades contra o governo do primeiro--ministro Samir Rifai, e ontem o Egipto deu os primeiros sinais de instabilidade. Cerca de uma centena de opositores ao presidente Hosni Mubarak reuniram-se junto à embaixada da Tunísia no Cairo entoando cânticos de provocação: "Ben Ali, diz a Mubarak que ele também tem um avião à espera." Em países como Marrocos e Líbia, o receio de revoltas como as da Argélia e Tunísia levou os respectivos governos a anunciarem descidas de preços de bens essenciais. Na Síria, o descontentamento só não é ainda visível graças ao controlo da segurança do Estado.

(Correio da manhã)

Comissão de inquérito vai investigar responsabilidades

O primeiro-ministro cessante informou também que “foram tomadas medidas preventivas” para lidar com a família de Ben Ali, suspeita de corrupção. Ghannouchi deu a entender que já teriam sido feitas várias detenções, mas não disse de quem. “Uma comissão de inquérito vai ser criada para estabelecer as responsabilidades de cada indivíduo”, adiantou.

(Público)

Brasil: Balanço do mau tempo excede os 600 mortos perto do Rio de Janeiro - oficial


Rio de Janeiro, 16 jan - Pelo menos 610 pessoas morreram na região montanhosa perto do Rio de Janeiro após as chuvas torrenciais que caíram na madrugada de quarta-feira, indicou sábado à noite a Proteção Civil.
Para além disso, cerca de 14.000 pessoas estão sem abrigo nesta região agrícola e de veraneio, a uma centena de quilómetros do Rio de Janeiro.
Nova Friburgo, 140 Km a norte do Rio de Janeiro, foi a cidade mais afetada com 274 mortos.

Lusa

Saturday, 15 January 2011

Candongueiros” versus “elite” no Poder


Com estes predadores “o pouco que temos torna-se ainda menos”

Maputo (Canalmoz) As famílias moçambicanas continuam a pagar mais impostos do que as empresas. Do valor total das receitas de rendimento, arrecadado pela Autoridade Tributária de Moçambique em 2010, as pessoas singulares contribuíram com 98%, enquanto as empresas tiveram um contributo de apenas 2%. Isto significa que o Estado cobra mais às pessoas singulares, que trabalham para o sustento das suas famílias, e deixa na “frescura” certas empresas, entre elas os grandes projectos, obviamente. Mas mais caricato ainda é que apenas 10% da população activa paga impostos. E é este o tal País de “sucesso” governado por pessoas de “sucesso” há 35 anos. Francamente! Andam a querer enganar quem?

(Editorial do Canalmoz / Canal de Moçambique)

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Adeus, mestre da cultura!

O GRANDE mestre das artes e cultura, Malangatana Valente Ngwenya, falecido a 5 de Janeiro em Matosinhos, Portugal, foi a enterrar ontem em Matalana, sua terra natal, numa cerimónia de Estado testemunhada por milhares de pessoas convergindo de diferentes pontos do país e do mundo.

Maputo, Sábado, 15 de Janeiro de 2011:: Notícias


A moldura humana que acorreu a Matalana reflecte as múltiplas facetas do mestre Malangatana, como pintor, escultor, poeta, bailarino, trovador, dinamizador das artes e cultura, promotor de paz e de harmonia entre os homens, mas acima de tudo a sua forma de viver e estar na arte que o fez granjear simpatias nos quatro cantos do mundo.
Malangatana, que há muito deixou de pertencer a Matalana e a Moçambique e aos moçambicanos, pertence a todos os povos do mundo. A sua arte é património da humanidade, mesmo sem uma declaração oficial, pois as suas telas e outros produtos artísticos que saíram do seu génio, inundaram o panorama pictórico moçambicano, africano e mundial.
Testemunho é o reconhecimento vindo de todos os cantos do globo. A sua morte não foi somente chorada no país, em Matalana, terra da qual nunca se desligou. A grandiosidade de Malangatana é testemunhada pelas imagens do nosso colega Amadeu Marrengula, recolhidas ao longo dos últimos dias, em Maputo e em Matalana, desde a chegada da urna no Aeroporto Internacional do Maputo, até ontem, dia em que foi sepultado o corpo do embondeiro das artes e cultura moçambicana.

Arte e Cultura: Malangatana enriqueceu o acervo da humanidade - Presidente Guebuza no elogio fúnebre ao pinto-mor em Matalana

MALANGATANA, figura tutelar e emblemática do nosso património cultural continua vivo e no nosso convívio pois, a sua heroicidade imortaliza-o, disse ontem em Matalana, o Presidente Armando Guebuza, no elogio fúnebre ao mestre de artes e cultura, cujos restos mortais foram sepultados na sua terra natal.

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Nkaima enaltece papel de Portugal

O EMBAIXADOR de Moçambique em Portugal, Miguel Nkaima, afirmou que as autoridades portuguesas desempenharam um papel impecável na forma como trataram o mestre Malangatana, gesto que engrandece cada vez mais o nome do pintor-mor e das relações entre os dois países.

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Friday, 14 January 2011

Presidente da Tunísia abandona o país

O presidente da Tunísia abandonou o poder por entre crescentes distúrbios nas ruas da capital e outras cidades do país.
Numa comunicação televisiva na noite desta sexta-feira, o Primeiro Ministro Mohammed Ghannouchi, disse que iria substuir interinamente o Presidente Zine al-Abidine Ben Ali.
Um estado de emergência tinha sido declarado antes na sequência de semanas de violentos protestos contra a corrupção, desemprego e os altos preços dos alimentos.
O presidente Ben Ali tinha também demitido esta noite o seu governo e dissolvido o parlamento, convocando eleições para os próximos seis meses.
Antes a polícia disparou gás lacrimogéneo contra os milheres de manifestantes concentados em frente ao Ministério do Interior exigindo que o presidente Ben Ali abandonasse o cargo imediatamente.

BBC

É preciso saber quem vai fazer revisão constitucional - Bispo do Xai-Xai

O presidente da Conferencia Episcopal de Moçambique, D. Francisco Chimoio, disse que é preciso saber quem vai fazer parte do processo de revisão constitucional no país.
Numa entrevista á Voz da América o Bispo disse que há zonas em Moçambique que o único interlocutor é o partido no poder o que levou os bispos a avisarem recentemente para a possibilidade do regresso ao mono partidarismo.
Nessa entrevista o bispo abordou também a questão do tráfico de seres e órgãos humanos em Moçambique e também a questão do combate à pobreza.
Reconhecendo terem havido progressos pontuais na construção de escolas e na electrificação de algumas aldeias, o Bispo disse no entanto que isso não é só por si um sinal de que o combate à pobreza está a ter sucesso.
Recordou os distúrbios do ano passado no Maputo e Matola afirmando que isso espelha a pobreza no país.
Ouça a longa entrevista com o Bispo Francisco Chimoio transmitida no nosso Temas e Debates

(João Santa Rita, Voz da América)

Escute aqui.

SOBERANIA NACIONAL OU SIMPLESMENTE ALEGAÇOES?

Onde estão o Conselho de Estado, o Conselho Nacional de Defesa e Segurança e quejandos? Ontem uma traineira e amanhã o que será?

Beira (Canalmoz) - O actual quadro nacional no que refere a sua política de defesa e segurança deixa de facto muito a desejar. Um país que se queira funcional e estável não pode continuar a guiar-se por fórmulas que revelam a ausência de políticas para os diversos sectores que conformam o Estado.

Noé Nhantumbo, no Canalmoz. Leia mais aqui.

EDITORIAL: O Setembro tunisino

A Tunísia está a viver em Dezembro/Janeiro o que nós vivemos aqui em Setembro.
O que se está a passar por estes dias naquela país é grave, muito grave, e talvez, devido à distância geográfica, (será só por isso?) – o país fica na chamada região do Magrebe, lá bem no norte de África – não estamos a prestar a devida atenção aos acontecimentos. No último mês morreram, dependendo da fonte – o governo fala em 21 e as organizações da sociedade civil e os sindicatos em 50 – dezenas de pessoas em violentíssimos protestos de rua contra o elevado custo de vida e a falta de perspectivas.
A Tunísia, que até há pouco era dos países mais estáveis de África, com um turismo altamente desenvolvido e com índices de pobreza que se assemelhavam mais aos seus vizinhos europeus do que aos africanos, mergulhou desde o passado mês de Dezembro numa crise profunda com a população a sair à rua em manifestações tumultuosas.
Actualmente, o presidente Zine El Abidine Ben Ali, enfrenta o maior desafio de sempre e a contestação, que começou por ser social, é agora política, com um forte cunho anti-governamental.
Ben Ali é um Hosni Mubarak à dimensão do seu país. Militar de carreira, subiu ao poder em 1987 para nunca mais o largar. E se nos primeiros anos imprimiu uma forte repressão e um elevado culto da personalidade, com a onda da democracia deu ares de democrata, organizando periodicamente escrutínios que vence com percentagens que só as ditaduras permitem.
Tal como os nossos dirigentes nas manifestações do passado dia 1 de Setembro, também Ben Ali proferiu declarações infelizes, apelidando os manifestantes de arruaceiros, agitadores e anti-patriotas.
Tal como aqui, também lá estas declarações só vieram acirrar os ânimos e redobrar os protestos. Mas lá, em vez de se fecharem ruas, fecharam-se as escolas secundárias e as universidades, esses antros onde os tais arruaceiros se reúnem para conspirar contra um poder que se julga ‘imbeliscável’.
Porque lá, ao contrário do cá, quem engrossa as ‘manifs’ são os jovens estudantes, a classe média, as organizações da sociedade civil, os licenciados que estão no desemprego e, devido à crise profunda que a Europa atravessa, – a Tunísia depende sobretudo do mercado deste continente –, não vislumbram qualquer saída para as suas vidas.
Lá, ao invés de cá, quem está na rua a dar literalmente o corpo ao manifesto, é gente esclarecida, gente que conhece os seus direitos, gente que já viveu relativamente bem e que agora passa fome. E essa gente é sempre mais perigosa para o poder do que a outra que só conheceu a miséria e mal sabe juntar duas letras.
Porém a razão de fundo é comum às duas realidades: o divórcio cada vez maior entre governantes e governados.
O desconhecimento profundo de como vive o povo, esse ‘não tou nem aí’, como dizem os brasileiros, é indesculpável em governantes que são eleitos pelo mesmo povo que desprezam.

Escrito por João Vaz de Almada, A Verdade

“Uma visão libertária e actuante para fiscalizar os governantes”

Plano estratégico 2011-2014 do Parlamento Juvenil

Inicia hoje, na cidade de Xai-xai, província de Gaza, a terceira sessão ordinária do Parlamento Juvenil (PJ), um encontro que vai juntar 120 jovens de todo o país. A mesma vai configurar as linhas gerais das actividades daquela organização juvenil para o presente ano, uma base estruturante para a elaboração do Plano Estratégico 2011-2014.
De acordo com o presidente do PJ, Salomão Muchanga, a ideia é que, à saída daquela sessão, os jovens assumam uma visão crítica sobre as lides de governação do país.
“A partir deste encontro, vamos dar corpo à nossa agenda libertadora da juventude, para que os jovens possuam também uma visão libertária e atuante na fiscalização e monitoria dos governantes”, explicou Muchanga.
Num encontro de dois dias, as delegações juvenis de todas as províncias vão debater e aprovar as linhas-mestras para a sua actuação em 2011, com enfoque para o envolvimento de jovens no desenvolvimento do país e na transformação do distrito como pólo de desenvolvimento democrático.
O Plano Estratégico do PJ está assente em três pilares, os quais serão alvo de debate e harmonização de posições e visões. Trata-se de mecanismos tendentes à promoção da participação política nos centros de tomada de decisão, nos assuntos de género, direitos sexuais, reprodutivos e no combate ao HIV e Sida.

O País

Thursday, 13 January 2011

MALANGATANA: O HOMEM QUE MATERIALIZOU OS SEUS OLHARES


CRÓNICA Por: Gento Roque Cheleca Jr., em Bruxelas

Agora, poderão vir discursos dizendo que morreu o homem, mas ficou o sonho, que nunca desmaia, porque permanece sempre acesa em toda a parte do nosso caminhar. São as tais almofadas que não acomodam a ninguém. Trecho extraído da conversa com amigos.
Desde os tempos airosos da escola primária que “Linette Mackenzi” (primeiro como minha professora na 5ª classe e mais tarde, em 2005, já como minha colega na saudosa Universidade Pedagógica em Maputo) contagiou-me com a sua profunda admiração por este “vulto humano” da cultura moçambicana e mundial (o “picasso africano”, o “Shakespeare da pérola do Índico”, o filantropo dos órfãos e dos pobres de Matalene, o justiceiro, o nosso Malangatana Valente Ngwenya).
O sonho de infância, por vezes incontrolável, de conhecer Malangatana (quer como homem quer como artista) só muito recentemente é que foi realizado. Foi quando o falecido recebeu das mãos do então reitor da Universidade de Évora Prof°. Dr. Jorge Araújo (a 11 de fevereiro do pretérito ano de 2010) a mais alta distinção académica daquela universidade, com o grau de doutoramento honoris causa. Eu estive lá!
A integração de Malangatana no claustro dos doutores honoris causa mereceu, por parte do Prof. Dr. Jorge Araújo, a indelével frase: Malangatana é um dos mais eminentes artistas plásticos africanos e poeta moçambicano. A luta pela independência do seu País e, uma vez esta alcançada, prossegue, com o pincel e a palavra, a sua luta pelo direito dos meninos à educação, dos moçambicanos à sua identidade cultural, e dos povos, à paz. Um homem assim, com as qualidades de Malangatana, deve merecer, na minha modésta opinião, ainda que postumamente, um prémio nobel. Não é por mero acaso que a UÉ colocou a bandeira a meia haste, em sinal de luto.
Reconhecendo o inquestionável talento de Malangatana, e, enquanto domiciliado na pacata cidade histórica de Évora (Património Mundial da Humanidade) aceitei o nobre convite da Embaixada de Moçambique em Portugal para participar da efeméride a Malangatana. Feito “carapau de corrida” e com os pulmões cheios de fôlego, motivado que estava, depressa desemboquei nos claustros adentro da
UÉ onde já lá estavam, com o mesmo propósito que o meu, à espera que o homenageado Malangatana (que se fez acompanhado da sua família, da classe política e diplomática moçambicana e portuguesa e pelos “deuses da ciência” de várias universidades do mundo), entrasse pela sala adentro - a Sala dos Actos (que foi pequena para tanto desiderato humano). Foi então nesse breve instante, ali na arcada da Sala dos Actos da UÉ que “matei”, como sói dizer-se, “dois coelhos numa só cajadada”: o de conhecer pessoalmente o homem e o artista Malangatana!
Naquela manhã do dia 11 de fevereiro a UÉ parecia uma colmeia cheia de “gente” (e que “gente”!!!) todos os que ali estávamos, sem exagero nenhum, procurávamos (cada qual com o seu ângulo e cada um à sua maneira) a sorte de apertar a mão ao artista Malangatana. Nunca tinha visto, em toda a minha vida, o ser humano na sua pura habilidade física e mental: doutores, engenheiros, homens das letras, académicos, estudantes, operários, “messias do anonimato”, enfim, TODOS, esticávamos as mãos e os pés (parecia uma fuga ao rei leão) fazendo um ângulo de 180° graus, desejávamos, pois, trocar nem que fosse em uma ou duas palavras do latim, alguns débitos com Malangatana, era esse o motivo de tanta loucura! De facto, muito sofre quem ama.
Na sua lucubração à Assembleia, Malangatana falou do papel das mulheres. Disse (cito de memória) “a mulher é um fermento de amor eterno, o homem que não ama a sua esposa é um homem sem leme. O amor de mãe não falece, não tem feriado, nem final-desemana, é um amor eterno”. Nesta passagem, para além de ver lágrimas cair no rosto de algumas mulheres ali presentes, como quem dissesse “que valentia deste homem que é Malangatana Valente…”, confesso, eu também lacrimejei, lembrando-me das sábias palavras do meu tio, o “velho” Avelino Mucipo (cuja verticalidade moral é vinho de outra odre) que dizia, no esplendor do seu “arsenal moral”, “o amor que devemos dar a nossa mãe não deve ter ziguezague, deve ser eterno como o amor da camaleoa que escala o último ramo da árvore e se joga, mortalmente, para baixo, podendo assim dar a luz à sua cria”.
Malangatana também falou do perdão e citou uma conversa que ele próprio teve com Eduardo Mondlane.
Quanta vezes precisarás tu, Malangatana, de ajustares as contas com os teus inimigos se não tiverdes a capacidade de te perdoar a ti próprio? Perguntou Mondlane ao visado. O mundo não é só de santos, é também de pecadores, por isso tens de saber engolir as mágoas. Disse estas palavras olhando para a plateia que o respondia com um “yes man” mudo. Os silêncios também falam. Há que esquecer o passado colonial e estabelecer a charneira do diálogo! O perdão deve fazer parte do nosso cardápio diário da generosidade, disse Malangatana. O homem que não é capaz de perdoar o próximo, digo eu, quebra a ponte para onde quererá passar. É preciso saber perdoar e, acima de tudo, saber enterrar o ferro velho do passado e continuar a olhar o futuro com prosperidade.
Malangatana sabia e conhecia perfeitamente o custo do amor, que só é pago com o amor. Aquilo que ele via e acreditava, pintava em quadros, desenhava e escrevia. Malangatana era a verdadeira arte em pessoa.
A notícia da sua morte quebrou a minha paz de espírito. Aquele colosso humano da cultura mundial, mesmo sem antes o conhecer de perto, já habita no melhor e único compartimento do meu coração. Concordo plenamente com o músico zimbabweano, Oliver Mtukuzi quando diz que no túmulo não há oração que salve o defundo. O Homem é salvo pelas suas obras e não depois de ele falecer.
Malangatana será salvo pelas suas próprias obras (de dimensão incomensurável) e pela bondade de coração que teve, e não pelo oportunismo político que algum partido político procura (dele) pescar.

POR FAVOR, SENHORES, NÃO PINTEM NADA EM CIMA DO HOMEM QUE FOI MALANGATANA. NADA MESMO. DEIXEM-NO MORRER COMO ARTISTA, SEM TER DE COLOCAREM EPÍTETOS “REVOLUCIONÁRIOS” NA SUA FIGURA. ‘Kochikuro’ (Obrigado).

gentoroquechaleca@gmail.com

PS: À família enlutada os meus pêsames.

WAMPHULAFAX – 13.01.2011

Malangatana é o apogeu da cultura moçambicana


O MESTRE das artes plásticas Malangatana Valente Nguenha, falecido semana passada em Portugal, vítima de doença, atingiu o cume da cultura moçambicana.

Maputo, Quinta-Feira, 13 de Janeiro de 2011:: Notícias

Políticos ontem ouvidos pela nossa Reportagem, em Maputo, a propósito das exéquias, que amanhã têm lugar em Matalane, sua terra natal, destacaram as qualidades humanas do artista, bem como a sua entrega à causa da independência nacional, construção da nação e o seu contributo à democratização do país.
O secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Paúnde, afirmou, categoricamente, que o país está de luto e a organização política no poder perdeu um dos seus militantes de primeira hora.
Acrescentou que Malangatana Valente Nguenha dedicou-se à causa moçambicana. Através dos seus quadros transmitia ao mundo a causa dos moçambicanos. Por isso, foi detido pela PIDE, mas não vacilou. Manteve-se firme e convicto de tal forma que esteve envolvido nos preparativos da independência nacional.
“Com a proclamação da independência, ele destacou-se na mobilização e formação de jovens sobretudo na área da pintura. Malangatana não só era pintor mas também um poeta, músico e dançarino. Era uma pessoa dotada de todas as virtudes”, disse aquele dirigente do partido Frelimo, apelando para que os moçambicanos valorizem a vida e obra do malogrado mestre, sobretudo a camada jovem.

ÍCONE DA CULTURA - Fernando Mazanga

Para Fernando Mazanga, chefe da bancada da Renamo na Assembleia Municipal da Cidade do Maputo, Moçambique perdeu imenso com o desaparecimento físico de Malangatana Valente Nguenha.
“Nós todos temos que nos sentir órfãos do ícone da cultura e sobretudo das artes plásticas. Ele transcende a dimensão de um partido, porque valorizava a mocambicanidade através da arte. Malangatana é uma rima de contrastes. Sabia estar no frio e no calor. Conjugava o primado que a natureza nos dá que é poder estar num determinado estágio e não estar. Praticou o curandeirismo mas rezou a bíblia. Ele marcou uma determinada época, uma forma de estar, um estágio e o Estado. Acompanhou as gerações colonial, pós-independencia e da democracia e soube estar. Um homem como Malangatana não morre”, disse.

MERECE RECONHECIMENTO DO ESTADO - Ismail Mussa

Para o secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique, o deputado Ismail Mussa, Malangatana Valente Nguenha é uma referência nacional e, por isso, merece todo o reconhecimento do Estado. Deu o seu contributo para o desenvolvimento da arte e cultura e projectou o país além-fronteiras.
“Nós partilhamos o mesmo sentimento dos vários segmentos da sociedade de que se deve atribuir um estatuto a esta figura”, disse, lembrando, aliás, que o estatuto de herói não só deve ser atribuído a alguém após a sua morte.
Segundo Ismail Mussa, urge a criação de uma comissão multidisciplinar que se dedique à elaboração de critérios de atribuição de títulos honoríficos e definição do perfil de pessoas a serem homenageadas, em função do seu contributo à causa do país.

Suspeito traficante somáli detido em Moçambique

Em Moçambique, um comerciante de origem somali está a ser investigado em ligação com o tráfico de pessoas, depois de ter sido detido em Nampula, no norte do país, com perto de duzentos mil dólares americanos não declarados.
A polícia disse à BBC suspeitar que ele possa estar implicado em tráfico de imigrantes ilegais.
O portavoz da polícia naquela província do norte de Moçambique confirmou à BBC a detenção de Mohamed Omar, um cidadão de origem somali e portador de passaporte britânico.
O episódiu deu-se no Aeroporto Internacional de Nampula, quando Omar, que se diz ser proprietário de vários estabelecimentos comerciais na cidade do mesmo, pretendia seguir viagem para Nairobi, no Quénia.
Dissimulados na sua bagagem estavam cerca de duzentos mil dólares americanos não declarados.
O portavoz da Polícia da República de Moçambique, em Nampula, Inácio João Dina disse que na investigação preliminar o detido teria justificado a posse daquela avultada quantida dizendo que iria viajar para a China para comprar mercadoria.
Com efeito nos últimos tempos tem-se multiplicado a entrada no países de imigrantes ilegais, atingindo por vezes as várias centenas no espaço de apenas uma semana.
Contam-se também às dezenas, naufrágios de embarcações e viaturas interceptadas no norte do país ao serviço de redes de tráfico de pessoas, sobretudo cidadãos oriundos da Somália.«.
O destino é, na maior parte dos casos, a África do Sul, onde serão usados como mão de obra barata.
Em tudo isto a província de Nampula é um ponto de passagem obrigatório, neste negócio criminoso descrito como altamente lucrativo e ao qual a polícia suspeita possa estar ligado o homem de negócios somali ora detido.
Nampula é actualmente usada por redes criminosas como ponto de trânsito de milhares de imigrantes ilegais, que têm como destino a África do Sul.
Há dias onze cidadãos somalis morreram afogados, depois de terem sido abandonados junto à costa.

Eluetério Fenita, Correspondente da BBC, em Maputo

Wednesday, 12 January 2011

Restos mortais de Malangana já estão em Maputo


A urna que contém os resto mortais do pintor Malangatana Valente Ngwenha chegaram na manhã de hoje no Aerporto de Mavalane, em Maputo. Familiares, amigos, admiradores, membros do Governo e do Corpo Diplimático acreditados em Moçambique, testemunharam a chegada do pintor –mor acompanhada dos filhos do artista e a viúva.
Curvando-se ao artista multifacetado, que era Malangatana, foram feitas honras militares, antes do cortejo fúnebre seguir para sua residência no bairro do Aeroporto, onde foi velado por familiares e amigos.
Na ocasião, falando a imprensa Miguel Mkaima, embaixador de Moçambique em Portugal disse que “quando tomámos conhecimento do desaparecimento físico do mestre Malangatana, ficámos apreensívos com a situação mas é preciso dizer que as autoridades portuguesas nos surpreenderam com a forma com que procuraram salvar a vida do mestre Malangatana. Se não foi possivel salvar a sua vida é porque estava escrito o dia do seu desaparecimento físico. As autoridades portuguesas desempenharam o seu papel de forma impecável, tratando Malagatana de forma humana e amigável. Mas depois da morte de Malangatana as autoridades portuguesas ofereceram-se em fazer tudo em honra e homenagem a Malangatana, estamos a falar das duas cerimónias que tivemos em Portugal, uma no Porto e outra em Lisboa, os potugueses fizeram tudo incluindo as despesas de caixão, urna, transporte, apoio a família e é preciso louvar esse esforço”.
Entretanto, depois de ser velado na sua residência no bairro do Aeroporto, o cortejo fúnebre seguiu para os Paços do Conselho Municipal de Maputo, onde se prestou o último adeus ao mestre, na capital moçambicana, Maputo, na presença de colgeas das artes, jornalistas, membros do governo, familiares e amgigos, para depois seguir para a terra natal do mestre, em Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo.
Importa referir que Malangatana vai repousar em entre a sua residência e a futura Fundação Malagatana Valente Ngwenha e não no cimitério familiar ao lado de seus pais, como anteriormente se previa. Tal como apurámos, a sugestão de ali repousar foi do mestre de Malangatana, o arquitecto Pancho Guedes.
Dados que nos chegam a apartir de Matalana, a última morada do pintor-mor está numa fase estremamente avançada, tal que às 16h00 horas de hoje quando o corpo seguir para Matalana será velado pela comunidade local no Centro Cultural de Matalana. Na sexta-feira, o Presidente da República Armando Guebuza vai orientar o Funeral de Estado em Matalana. Contudo, o Executivo decidiu em Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros, havida na Sexta-feira passada, luto nacional de dois dias, a partir da data do funeral e a bandeira nacional será içada a meia haste em todas as instituições públicas, missões diplomáticas e Consuldos acreditados no País.

O País

Moçambique: Conferência Episcopal alerta para perigo do mono-partidarismo

Bispos dizem que revisão constitucional é oportunidade para "maturidade" mas avisam que há que saber quem vai participar nessa revisão

Os bispos católicos de Moçambique alertaram para a possibilidade do regresso do país ao mono partidarismo.
Por isso, disseram que a próxima revisão constitucional é um momento e um exercício delicado que poderá no entanto ser um exemplo de maturidade politica e uma oportunidade para se dar um verdadeiro exemplo de democracia.
D. Lúcio Muandula, Presidente da Conferência Episcopal, disse à Voz da América que, ao faklar do mono-partidariosmo, a Conferencia não expressa uma preocupação mas constata, sim, que o dia a dia do país faz intuir uma tendência muito forte em direcção ao mono-partidarismo.
A este respeito fez notar, como exemplo, a situação na província de Gaza onde a presença de partidos políticos da oposição é quase que inexistente tornando o mono partidarismo algo que existe na prática.
No que diz respeito á revisão constitucional D. Lúcio disse que embora se fale muito na revisão não se saber ainda o que se pretende modificar.
Para o presidente da Conferência há que mudar, para simplificar e aprofundar a democracia. Em qualquer revisão constitucional deve-se também saber quem vai fazer a revisão e quem vai contribuir.

Ouça as declarações do bispo aqui.

( João Santa Rita, Voz da América)

“Não vou deixar a Frelimo rever a Constituição sem referendo”


Grande entrevista com Afonso Dhlakama

Nampula (Canalmoz) - O líder do maior partido da oposição concedeu uma entrevista exclusiva ao Canalmoz, sobre as perspectivas do ano 2011, que iniciou há pouco mais dez dias. Dhlakama fala dos seus planos como líder do partido Renamo, dos planos partidários e da situação sócio política e económica do país no geral. Quanto à revisão da Constituição da República que está a ser preparada pelo partido Frelimo, Dhlakama diz que “não vai permitir a revisão” unilateral da Constituição sem antes haver uma consulta ao povo, através de referendo.

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ADENDA =
Renamo não vai indicar deputados para comissão ad-hoc , O País. Leia mais aqui.

Polícia moçambicana descobre 11 cadáveres de imigrantes ilegais sepultados em Cabo Delgado

A Polícia moçambicana (PRM) confirmou em Maputo a morte de 11 imigrantes por afogamento quando entravam ao país através do distrito de Palma, província nortenha de Cabo Delgado.
Segundo o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Pedro Cossa, o caso ocorreu no Domingo da semana passada, 02 de Janeiro, quando uma embarcação de origem desconhecida descarregou um número incerto de pessoas em águas relativamente profundas.
“Deste grupo de pessoas, 11 morreram, dos quais oito etíopes e três somalis, por afogamento. Eles devem ter sido descarregados em águas profundas”, disse Cossa, falando hoje durante o habitual briefing com jornalistas.
Das pessoas descarregadas pela embarcação, 12 etíopes encontram-se detidos pela PRM e a sua informação serviu como base de investigação da sua origem.
“Quando uma equipa da PRM e da administração marítima se deslocou ao local só encontrou 11 túmulos”, disse Cossa, acrescentando que a Polícia não exumou os corpos dos imigrantes enterrados.
Até agora não se sabe o paradeiro dos outros membros do grupo de imigrantes que eventualmente escaparam da morte.
Contudo, calcula-se que este grupo terá procurado meios para alcançar as habituais rotas usadas pelos imigrantes que entram a Moçambique, parte dos quais passam pelo país como ponto de trânsito para chegar a vizinha Africa do Sul.
Esta é uma tendência que tem vindo a agravar nos últimos anos, sendo as províncias nortenhas de Cabo Delgado e Nampula os principais pontos de entrada de imigrantes ilegais.
Em Junho do ano passado, uma embarcação transportando 82 somalis ilegais naufragou em Mocímboa da Praia, também na província de Cabo Delgado, matando nove pessoas e provocando o desaparecimento de 40 outros passageiros que seguiam abordo do barco.
De lá para cá a situação tende a piorar. Em Novembro passado, as autoridades policiais da província de Nampula neutralizaram um grupo de 141 imigrantes ilegais de nacionalidade somali, que se faziam transportar a noite em dois camiões, escondidos debaixo de uma lona.
De 4 a 10 do mês seguinte (Dezembro), a PRM deteve 140 imigrantes ilegais na província central da Zambézia, incluindo somalis, paquistaneses, etíopes, congoleses e bengalis.

(RM/AIM)

Avião com urna de Malangatana deixou Lisboa com destino a Maputo

O corpo do artista Malangatana, falecido há seis dias, seguiu esta Terça-feira às 18h05 num voo comercial de Lisboa para Moçambique, onde deverá ser enterrado. Acompanham a urna os familiares do pintor falecido aos 74 anos, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença prolongada. O avião que transporta o corpo do pintor chega a Maputo cerca das 09:20 de quarta-feira e no local serão prestadas as primeiras homenagens em solo patrio a Malangatana, com música e danças.
De acordo com fonte familiar, o corpo segue depois para a casa onde o artista vivia em Maputo, no bairro do Aeroporto, onde haverá uma cerimónia restrita. Ainda na manhã de quarta-feira a urna será levada para o edifício do Conselho Municipal, onde Malangatana será homenageado publicamente, devendo depois o corpo ser levado para Matalana, sua terra natal, a cerca de 40 quilómetros de Maputo. Ao longo de todo o dia de quinta-feira vão decorrer no local homenagens ao pintor, quer com danças e cantares quer com poemas e outras formas de expressão artística. Na manhã de sexta-feira será realizado o enterro, com honras de Estado e com a presença do Presidente de Moçambique, Armando Guebuza. Malangatana Valente Ngwenya, nascido a 06 de junho de 1936, em Matalana, Maputo, fez do português a língua da sua criação artística, salientou na altura o embaixador de Moçambique em Lisboa Miguel Costa Mkaima. Como pintor, o artista moçambicano cuja arte se estendeu à cerâmica, escultura, tapeçaria ou gravura, “fazia uma pintura que era só dele, não precisando que ninguém lha ensinasse ou a interpretasse”, disse á Lusa Pancho Guedes que lhe deu o primeiro espaço para se dedicar à pintura.

A Verdade

Tuesday, 11 January 2011

Para libertar tripulantes do “Vega 5”: Missão militar da EU descarta uso da força

A missão aero-naval da União Europeia de combate à pirataria na costa da Somália (Atalanta) não vai intervir militarmente para resgatar os tripulantes da embarcação pesqueira moçambicana “Vega 5” sequestrada a 27 de Dezembro último por piratas somális, receando que tal opção possa colocar em risco a vida dos 19 moçambicanos, três indonésios e dois espanhóis que se encontram a bordo.

Maputo, Terça-Feira, 11 de Janeiro de 2011:: Notícias

O barco já se encontra desde o último fim de semana na costa da Somália, numa área controlada pelos piratas onde estão concentrados outras 28 embarcações e 664 reféns sequestrados em diversas partes do mundo, segundo escreve o jornal espanhol El Pais na sua edição do último Sábado, citando um porta-voz da missão Atalanta.
Segundo a fonte, o “Vega 5” encontra-se dentro da área de actuação da missão Atalanta, uma força militar composta por 1980 soldados e equipada com pelo menos treze navios e dois aviões de patrulha marítima, cuja missão é proteger embarcações do Programa Mundial da Alimentação (PMA) que transportam ajuda para a população afectada pelos conflitos internos na Somália.
“ Não sabemos se os tripulantes estão bem ou não porque não temos contacto com o barco. Apesar de estar na nossa área de acção não vamos intervir porque a nossa experiência nestes casos é que quando nos aproximamos de um navio sequestrado os piratas logo começam a ameaçar matar os reféns. E a nossa prioridade agora é a segurança deles. Agora tudo terá de ser negociado”, disse o porta-voz militar.
Para chegar ao seu reduto os piratas atravessaram, sem quaisquer dificuldades, um cordão de segurança construído com esforço de investimento combinado de nove países da União Europeia, uma vez sabendo que ameaçariam matar os reféns ao mínimo gesto ou intenção de intervir.
A missão Atalanta tem logrado impedir muitos ataques de piratas a barcos que navegam no oceano Índico mas, segundo o seu porta-voz, a pirataria tende a fortalecer-se cada vez mais. Segundo ele, os piratas nunca tiveram tantos navios sequestrados em seu poder.
“ É um recorde! Os 664 reféns nas mãos dos piratas são uma enorme quantidade de dinheiro em operações de resgate potencial para, em seguida, investir em tecnologia e armas para futuros sequestros. Além disso, os navios capturados são um instrumento de trabalho para futuros ataques a barcos que se movimentam naquela área”, disse a fonte.
O barco Vega 5 cumpre hoje 16 dias desde que foi sequestrado ao largo de Bazaruto, sem que haja alguma informação sobre o estado da tripulação. Entretanto, a embarcação vem sendo vigiada a partir de uma aeronave que, de seis em seis horas envia dados sobre a sua localização aos militares da missão Atalanta.

Verbas para educação

"Muito recentemente tomámos conhecimento de escolas onde havia reprovações em massa. Depois de receber esta informação fiquei aterrada." Graça Machel

Aterrada está Graça Machel e está toda a gente que olha com alguma atenção para os problemas do ensino.
Principalmente quando o assunto é a qualidade desse ensino. Quando se olha para a preparação que os alunos recebem nas nossas escolas.
As reprovações em massa são um alerta, um sinal de alarme a que devemos prestar toda a atenção. De alguma maneira são ainda um sinal de alguma saúde no sistema. Pior é quando os alunos, sabendo tanto ou tão pouco como esses que agora reprovaram, passam de classe. E isso, infelizmente, também continua a acontecer por todo o lado, quer por incompetência dos responsáveis, quer por corrupção quer mesmo porque o sistema está assim montado.
Mas será que a tendência é no sentido de estes problemas serem enfrentados e a situação melhorar?
Não me parece.
Neste momento estamos em fase de matrículas nas escolas e, a esse propósito, muitos responsáveis pela educação têm sido entrevistados. E o que dizem é, de uma forma geral, assustador:
. Necessidade de aumentar o número de alunos em cada turma (número que já é altíssimo);
. Necessidade de cada professor dar 2 e até 3 turnos;
. Diminuição do número de horas que os alunos passam na escola, devido à multiplicação dos turnos.
Mas, talvez ainda mais grave, é o problema dos professores.
Há poucos dias ouvi uma responsável, creio que de Nampula, a explicar que não há verba para contratar todos os professores necessários. Muito longe disso. Portanto, para fazer esticar a pouca verba existente, vão ser contratados professores que têm a 10ª. Classe mais 1 para leccionar o ensino secundário. Já a contratação de professores com a 12ª. Classe mais 1 está vedada e, pior ainda, professores com o bacharelato ou licenciatura.
Quer dizer, as múltiplas universidades do país estão a formar milhares de pessoas com preparação para o ensino secundário mas essas pessoas vão ficar desempregadas enquanto as escolas se vão enchendo de professores que pouco mais sabem do que os alunos que vão enfrentar, em dois ou três turnos, em salas cheias como um ovo.
E a explicação é sempre a mesma: Não há dinheiro, a verba não chega.
Não há muito tempo, durante o debate do Orçamento Geral do Estado, os papagaios do costume, e mesmo uma ou outra pessoa que respeito, comentavam triunfalmente que, para a Educação e para a Saúde, iam cerca de 25% dos dinheiros públicos.
Pois parece óbvio que isso não chega. Que é mesmo preciso cortar nas verbas dos sectores não produtivos para o dinheiro chegar onde é necessário.
Porque mesmo na Saúde as coisas estão difíceis. Neste momento há ruptura de medicamentos essenciais nos hospitais do país. Até mesmo os anti-rectrovirais, necessários para evitar a morte de muitíssimos moçambicanos, acabaram ou estão muito perto disso. Os responsáveis do Ministério da Saúde dizem que os medicamentos já foram encomendados e, brevemente, vão começar a chegar ao país. Mas quem se responsabiliza pelas mortes que já ocorreram e por aquelas que ainda possam ocorrer até os medicamentos chegarem?
Entretanto os membros da Comissão Nacional de Eleições acabam de receber novas viaturas, compatíveis com o seu estatuto de vice-ministros. Viaturas muito necessárias para o seu trabalho, terá dito o Ministro Cuereneia. Só não explicou, como salientava um jornal da praça, que trabalho é esse, dado que as próximas eleições serão só em 2013.
E, se estes são poucos, o regabofe vai ser a seguir pois parece que os 250 deputados da Assembleia da República também vão ter carrinhos novos. E devem ser carros bem confortáveis, para eles poderem fazer, no seu interior, o mesmo trabalho que, grande parte deles, faz na sala de sessões: dormir uma soneca.
Não se pode dizer que não há dinheiro para medicamentos e professores de qualidade, quando se esbanja em regalias para os poderosos.
E, já que iniciei esta crónica com uma citação de Graça Machel,. Vou terminar com outra: "Hoje, o problema é que os dirigentes não dão exemplo de honestidade nem respeitam os bens públicos." Graça Machel

Machado da Graça, SAVANA, no Diário de um sociólogo (07.01.2011)

Monday, 10 January 2011

Empresário britânico detido no aeroporto de Nampula com 190 mil dólares

A Polícia moçambicana (PRM) deteve, há dias, em Nampula, um empresário britânico residente naquela província de Norte do país, acusado de transporte de 190 mil dólares americanos não declarados as autoridades.
Em Moçambique é considerado crime o transporte de somas em dinheiro superiores a cinco mil dólares, sem a declaração do mesmo junto das autoridades.
Segundo o jornal “O País”, na sua edição de hoje, o referido cidadão britânico foi interpelado pela PRM no Aeroporto Internacional de Nampula, quando se preparava para embarcar com destino ao Quénia.
Na ocasião, ele terá se recusado passar a sua mala de viagem pelo scanner montado naquele aeroporto, facto que despertou certa desconfiança por parte das autoridades policiais.
Durante a revista compulsiva, a Polícia detectou a existência de dinheiro no interior da mala, dissimulado entre as peças de vestuário.
Face a esta situação, o empresário tentou, sem sucesso, subornar o agente da polícia que se encontrava em serviço, com uma nota de 100 dólares norte-americanos.
O porta-voz do Comando provincial da PRM em Nampula, Inácio Dina, disse que actualmente decorre um processo-crime contra o referido empresário, por transporte ilegal de somas avultadas em dinheiro e tentativa de suborno a um agente da PRM.
“Neste momento estamos a trabalhar em conjunto com a Polícia de Investigação Criminal (PIC) e com as autoridades tributárias, para que se apure, de facto, o fim a que se destinava o valor em referência”, disse Dina.

(RM/AIM)