Thursday, 11 June 2009

Governantes africanos envergonham

Por atropelos às regras democráticas
– afirma ministro britânico


"...neste momento de recessão mundial é a democracia e prestação de contas que vão, em última instância, conduzir para a estabilidade e crescimento. Temos visto uma tendência realmente positiva em direcção à realização das eleições em países africanos (...), mas esta tendência de eleições, infelizmente ainda não é acompanhada de um profundo compromisso com a democracia e prestação de contas e com a boa governação logo depois que as eleições terminam” - ministro britânico para África, Lorde Mark Malloch-Brown, em palestra que proferiu ontem no Centro de conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
Maputo (Canal de Moçambique) – O ministro britânico para África, Lord Mark Malloch-Brown, disse ontem, em palestra que proferiu em Maputo, que os governantes africanos constituem uma vergonha para o seu país, pela violação clara e propositada de regras democráticas. “... a África coloca de forma consistente o Reino Unido numa vergonha. É que, de uma certa forma muito clara nas eleições, muitos governos (africanos) continuam a não honrar a sua parte de compromisso entre o Estado e o cidadão. Os vencedores continuam demasiado felizes por literalmente levarem tudo”.
Foi assim que se caracterizou a palestra do ministro britânico, que perante um auditório preenchido essencialmente por académicos, imprensa e políticos, não poupou críticas aos governantes africanos, e resumindo disse que a salvação da África perante a crise que afecta a economia mundial “deve vir da própria África e só se vai efectivar com boas práticas dos governantes”. A palestra proferida pelo ministro britânico Mark Malloch-Brown, cujo tema foi “África resistindo a intempéries e mapeando a recuperação”, durou cerca de uma hora e meia. Depois seguiu-se ao momento de debate e a conferência de imprensa. Foi coerente em todas suas intervenções, defendendo essencialmente que a África deve olhar para si mesma para se salvar da crise.

Democracia e prestação de contas


Naquilo que foi um dos últimos pontos da sua abordagem, o ministro apontou para a necessidade dos países africanos abraçarem a democracia no seu verdadeiro sentido, como uma das medidas para salvarem o continente da crise. Disse ser também importante a implementação efectiva da democracia e da prestação de contas aos cidadãos. Criticou os partidos políticos que “continuam a negar o seu acesso aos media”. Disse que em África a liberdade dos media, da sociedade civil e dos parlamentos é bastante limitada e os estados não estão a criar sistemas e instituições de prestação de contas. Foi perante estes factos que o ministro britânico para África concluiu que “os governos africanos envergonham o Reino Unido”.


(Borges Nhamirre, Canal de Moçambique, 10/11/09 )

Pré-campanha


Uma das coisas que vemos, muitas vezes, nos relatórios dos observadores de processos eleitorais no nosso continente é a referência à utilização, por parte do partido governamental, de bens do Estado para a sua propaganda eleitoral.Lamento muito dizê-lo mas a sensação que tenho é que isso está a acontecer, em larga escala, na actual “presidência aberta” de Armando Guebuza por todo o país.
Segundo o SAVANA da semana passada e outros órgãos de informação, uma sondagem da opinião pública revelou uma queda percentual na popularidade do Chefe de Estado. E, coincidindo com esta informação, aí o temos a percorrer todo o país, neste ano eleitoral, província atrás de província, fazendo comícios populares e reuniões, não só com os departamentos do Estado como também com as organizações locais do Partido Frelimo.
E, é óbvio, tudo isto está a ser pago com os dinheiros do Estado, isto é, de todos nós. Quer sejamos militantes e simpatizantes da Frelimo, quer o sejamos da Renamo, do MDM, do Pimo ou de qualquer outro partido. Ou até quer não o sejamos de nenhum partido.E o preço que todo este processo está a custar não deve ser pequeno. Fala-se de seis helicópteros que terão sido alugados para deslocar toda a comitiva que acompanha Armando Guebuza nestas suas deslocações. E alugar helicópteros por este tempo todo (já vão vários meses que começou este carrocel e não sabemos quando ele termina) deve custar, como se costuma dizer, os olhos da cara.
Da nossa cara.
Vão-me dizer que o Presidente da República tem feito “presidências abertas” com frequência mesmo em períodos não eleitorais.É verdade mas, precisamente porque este ano vamos ter eleições, nomeadamente eleições presidenciais, ele deveria evitar fazê-lo neste ano.
Seria de todo útil que os cidadãos fossem capazes de distinguir claramente entre Armando Guebuza – Chefe de Estado e Armando Guebuza – Dirigente da Frelimo e candidato desse partido às eleições presidenciais deste ano.
É compreensível que o candidato Guebuza queira fazer uma pré-campanha eleitoral para reforçar as suas hipóteses de vitória em Outubro.Mas então que o faça com os fundos próprios do seu partido. E, o que seria o ideal, que suspenda o seu mandato presidencial enquanto se dedica à propaganda eleitoral.
Temos tido notícias, de vez em quando, que Afonso Dhlakama também anda por algumas zonas do país a fazer a sua pré-campanha eleitoral. Não me consta, no entanto, que esteja a utilizar, nas suas deslocações, fundos do Estado.
O próprio Dirigente do MDM veio a Maputo para dirigir um comício do seu partido (o que acabou não fazendo por razões de saúde). Será que a viagem da Beira para Maputo foi paga pelo Orçamento Geral do Estado?
Tudo isto mostra que a nossa democracia ainda está muito longe de cumprir os parâmetros daquilo que são os processos democráticos nos países mais desenvolvidos.
Aproveitando-se da falta de cultura democrática da esmagadora maioria da nossa população, quem tem o Poder vai-se beneficiando, na esperança de tirar partido em Outubro, quando chegar o momento de ir colocar os votos nas urnas.
As deslocações permanentes e a cobertura informativa esmagadora que recebem dos órgãos de informação do sector público são, do meu particular ponto de vista, completamente incorrectas em termos democráticos neste ano de eleições.
Tenho plena consciência de que esta minha opinião não vai alterar nada e vamos continuar a assistir a cada vez mais do mesmo.
Mas, pelo menos, fica aqui um alerta para que se não julgue que estamos todos cegos e não vemos, e percebemos, o que se está a passar.



( Machado da Graça, Savana )

Wednesday, 10 June 2009

ATENTADO CONTRA DAVIS!?



Cerca das 19 horas de Terca feira, acabava de sair de um encontro que teve lugar no Ministerio dos Negocios Estrangeiros Britanico (FCO) em Londres, quando comecaram a entrar varias mensagens (sms) com o mesmo teor. Davis havia escapado de um atentado em Nacala!
Fiquei incredulo! Nao poderia acrediar que o meu pais, aquela perola do indico que tanto amo, havia uma vez mais perdido a compustura civilizada e se resvalava para o barbarismo! O que me surpreendeu na noticia nao foi o acto ou o facto, mas sim o espaco e o tempo! Ou seja, nao esperava que o atentado a Davis Simango acontecesse tao ja! Nos meus calculos conservadores, conhecendo a cultura militar dos dois partidos parlamentares em Mocambique, esperava que o uso de meios militares como instrumentos de persuasao e campanha politica e eleitoral comecassem a ser usados a escassos dias do periodo eleitoral! Mas uma vez mais estava eu enganado! O aviso a navegacao fora dado pela Frelimo, quando tentou fazer voar sem sucesso, o quartel da Renamo em Maringue, ha cerca de dez dias atras!
Ai o meu alarme tocou, sabia que a Renamo ripostaria, mas nao sabia que, a ser verdade o que foi reportado pela imprensa, que o tiro seria na direccao errada! Ou seja, que a Renamo ao inves de responder a provocacao da Frelimo, teria mais apetite em responder ao MDM! Ou seja para a Renamo actual, dando fe ao reportado pela imprensa, tem como adversario principal nao a Frelimo mas sim ao MDM! O que em politica nao deixa de ser uma aberracao!
Permitam/me confessar que tambem achei bizarra e sem nexo a atitude do Conselho Nacional do MDM de nao ter escolhido um Secretario Geral!
Desde o acidente que Dhlakama sofreu ha cerca de dois anos na Avenida Eduardo Mondlane, que tenho duvidado da sanidade mental do lider! E que de la para ca, me parece que Dhlakama assumiu que era um ser mortal e que nao chegaria a Ponta Vermelha! Tendo entao comecado a ensaiar uma estrategia de auto/destruicao sua e do Partido, que pelo menos na minha logica, ja nao fazia sentido! Foi nessa altura que suspendi sem ruidos a minha participacao nos trabalhos do famigerado Governo sombra!Sabia e havia recolhido provas mais do que suficientes para ter a certeza que Dhlakama nao aceitaria em vida outro lider da Renamo ou da oposicao que nao ele proprio, mas nao sabia que estivesse preparado para cometer um araquiri politico! Alias so a minha insensatez politica me permitiu entreter por algum tempo cenario diferente Militar que se preze como tal prefere morrer em combate, que render/se as evidencias! Foi assim com Savimbi e assim foi com muitos lideres militares! Porque seria diferente com Dhlakama! Parece que Dhlakama esta preparado para morrer afundando com ele a Renamo e quica a oposicao!
Recebida a mensagem, liguei para varios amigos na Renamo, no MDM e na Frelimo. O sentimento era comum! Incredulidade! Repulsa! E total condenacao do acto!
Em seguida, falei com o porta voz do MDM que me confirmou o ocorrido! Ouvi a Radio Mocambique via internet e por fim falei com Davis! Apesar da confirmacao de todos os intervenientes ainda custava/me acreditar no que estava a ouvir! So quando o proprio Davis de viva voz me confirmou o sucedido ao telefone, respirei fundo! O meu pior medo veio ao de cima! O pior cenario que havia desenhado para este ano estava a revelar/se tres meses mais cedo!
Confesso que perdi a compustuta! Que preciso de pelo menos 24 horas para voltar a entender o meu pais!
De momento tenho duas hipoteses de trabalho. Das duas uma, ou Dhlakama pirou de vez, ou entao eu estou a ficar desqualificado para compreender o meu pais!
A pergunta que faco e muito simples. O que e que a sociedade civil, os partidos politicos, as autoridades competentes e a comunidade internacional vao fazer para evitar que Mocambique volte a guerra? Vamos assistir a um silencio cumplice perante um atentado a vida de um lider partidario pacifico? Ou o MDM devera tambem armar/se para poder competir em igualdade de circunstancias?
Este e um momento serio para qualquer patriota que ame a patria, a paz, e o desenvolvimento de Mocambique! Nao permitamos que Mocambique volte a ser flagelado pelo fantasma da guerra por causa da loucura, da ambicao, do egoismo e da loucura de um homem! A Renamo tem gente boa e de bom senso! Essa gente andou calada durante muito tempo e ajudou a criar o .fenomeno. que hoje temos! E sua responsabilidaee participar na sua domesticacao e ou retirada da vida politica do pais! Na falo por sofisma, conheco a sua dedicacao e amor pela paz, desenvolvimento e bem estar do povo mocambicano, tanto mais que foram colegas durante varios anos de arduo trabalho para a transformacao desta forca politica num partido normal! Nao permitamos que o sacrificio de milhares de mocambicanos, que deram suas vidas e seus membros por uma causa justa seja traido pela ambicao desmedida de um homem!!!
E imperioso que os mandantes deste crime sejam punidos exemplarmente para que situacoes destas nao voltem a acontecer! Somos pela paz, pela democracia e pelo desenvolvimento de Mocambique.
A ser verdade, e importante que membros da propria Renamo denunciem este atentado a paz! O seu silencio sera considerado uma aprovacao tacita ou implicita, pois diz o adagio popular que cala consente!
EU nao me calo e ninguem me fara calar! CONDENO O ATENTADO! E SEUS PERPETRADORES DEVER SER CHAMADOS A JUSTICA! So assim valorizares a vida daquleas que deram suas vidas para que hoje tivessemos o direito a opiniao, de expressao, a liberdade religiosa, a propriedade privada, de movimento, associacao!
E importante que seja nomeada uma comissao de inquerito publica e imparcial para apurar as circusntacias do incidente! E trazidos os resultados da comissao os culpados sejam trazidos a justica!
O dia 9 de Junho der 2009 ficara indelevelmente marcado como o dia da vergonha em Mocambique!
Gostariamos de ouvir a condenacao inequivica deste acto por parte de todas as forcas politicas, e do chefe do estado!E ja que o Ministro Britanico para Africa esta em Maputo, gostaria de ouvir o seu pronunciamento sobre o incidente!
E mais nao disse!
Manuel de Araujo

Atentado a Deviz Simango

Preparava-me eu para escrever um descansado comentário às eleições para o Parlamento Europeu, quando me cruzei com uma notícia dando conta de um atentado, hoje, contra Deviz Simango - eleito o ano passado presidente do Conselho Municipal da Beira como independente , e depois fundador e líder do Movimento Democrático de Moçambique.
Numa notícia que confunde Deviz Simango com o presidente do Conselho Municipal de Maputo (eleito pela Frelimo) e que chama ao porta-voz da polícia "Coça" (em vez de Cossa), não sei muito bem em que é que posso confiar...
Mas a "Rádio Maputo" (carinhosa alcunha do blog de Carlos Serra, por estar sempre "em cima da jogada") tem vindo a actualizar as informações acerca do assunto.
Assim, a caravana do MDM foi atacada em Nacala por dois carros cheios de activistas da Renamo, enquanto assistia a um acontecimento cultural, antes de realizar um comício.
Os indivíduos, apontados como ex-guerrilheiros da Renamo, arrancaram a pistola a um polícia e dispararam sobre a viatura de Simango, sem o atingir.
Depois, espalharam o caos, disparando para o ar com as pistolas que eles próprios traziam.
Estranho: porquê usar a pistola do polícia, se tinham as suas próprias armas?
Para que estas não pudessem ser referenciadas em estudos balísticos?
Para que - em caso de sucesso e contando com o seu ascendente local para não serem denunciados ou, pelo menos, para tornarem o caso suspeito - o atentado pudesse ser assacado à polícia e, consequentemente, à Frelimo?
São as únicas explicações que me surgem, e fazem pensar num acto deliberado e planeado, não numa qualquer altercação de cabeças quentes.
Entretanto, o porta-voz da Renamo negou ter conhecimento directo do incidente, mas aproveitou para "acusar" o MDM de «tentar fazer com que partidários da Renamo se juntassem à nova formação».
Ou seja, ao falar de uma possível tentativa de assassinato político, "vem-lhe à conversa" a justificação de que a vítima (presidente de outro partido) tenta atrair para as hostes dele pessoas que são militantes ou votantes da Renamo. Ou seja, ainda, isso justificaria ou desculparia que o matassem.
Se a vitória de Deviz Simango na Beira demonstrou que, afinal, os votantes não são propriedade de ninguém, essa lição parece custar a ser aprendida, nos estados-maiores partidários que sempre se conceberam como únicos - ou isolados, ou os únicos um face ao outro.
Vários amigos e conhecidos, das mais diversas sensibilidades políticas moçambicanas, me têm feito chegar a ideia de que o MDM está a fazer muito medo aos dois grandes partidos instalados.
É muito compreensível.
Sobretudo em meios urbanos, há muita gente que não vota por não gostar da governação de uns e desconfiar ainda mais dos outros.
Ao mesmo tempo, há quem vote Frelimo não tendo mais nada senão críticas a apontar-lhe, mas que o faz com medo do caos, boçalidade e mãos sangrentas que atribui ao seu opositor. Vota e vota Frelimo, não gostando, para que a Renamo não ganhe.
Tal como há quem vote Renamo, discordando da forma como é dirigida e deconfiando que ela viesse a tornar-se tão corrupta e autoritária como consideram que a Frelimo é, por verem na Frelimo o mesmo diabo que outros vêem na Renamo.
Uma oposição sem sangue nas mãos e uma imagem de competência, honestidade, modernidade e espírito democrático é, de facto, assustadora para quem, de um lado e do outro, geriu a luta política segundo essas regras estáveis de ausência de alternativas, ao longo dos últimos 15 anos.
Mas não sei se será este medo, ou se será a tal visão dos votantes, regiões e pessoas como propriedade partidária (ou se será, ainda, a ideia que ambas as forças partilham de que a liderança na guerra, seja a de libertação ou a civil, legitima por si só o poder), que levarão não só a actos como este atentado, como à ideia de que ele é desculpável ou, quiçá, legítimo.
Suspeito que serão as três coisas, em conjunto.
Mas, se as forças políticas instaladas não conseguirem ver que nenhuma dessas três coisas é simpática aos moçambicanos e ao mundo, que pelo menos uma coisa consigam ver:
Que o homicídio político, por muito normal que tenha sido no passado, é tão execrável como sempre foi - e é, hoje já e para toda a gente fora dos círculos do poder, totalmente inaceitável.

( Paulo Granjo, www.antropocoiso.blogspot.com )

Tuesday, 9 June 2009

Daviz Simango vítima de atentado



O lider MDM foi víitima de atentado quando se preparava para orientar um encontro com membros e simpatizantes do seu partido em Nacala Porto, na zona dos Eucaliptos.
Segundo a RM Daviz Simango acabava de chegar vindo do distrito de Memba quando alguns membros da Renamo, fazendo-se transportar em duas viaturas, invadiram o local criando distúrbios para inviabilizar o encontro que estava ali estava previsto acontecer.
Dois antigos guerrilheiros da Renamo, supostamente identificados como Carlos Paulo e Jonquina, espancaram um agente da PRM, destacado ao local para garantir a ordem e segurança, apoderando-se da sua arma com a qual dispararam para a viatura que transportava Daviz Simango.
Ainda segundo a RM testemunhas oculares relatam que os supostos membros da Renamo eram tambem portadores de pistolas e que dispararam alguns tiros havendo ainda destruido varias cadeiras, bandeiras e apoderado-se de equipamento de som.
Por questões de segurança Daviz Simango foi obrigado a refugiar-se no comando da PRM por algumas horas contudo para além do choque passa bem de saúde. Segundo o delegado distrital do MDM em Nacala Porto, Guilherme Caile, este é um incidente grave pois foi um atentado a vida do Presidente do partido.

@Verdade


Mais pormenores em:

Propagada tentativa de assassinato de Daviz Simango não constitui verdade


– diz Geraldo Carvalho, porta-voz do MDM, confirmando apenas a vandalização do espaço onde decorreu o comício


Nampula (Canal de Moçambique) - O porta-voz do MDM-Movimento Democrático de Moçambique, Geraldo Carvalho, disse à imprensa, esta segunda-feira, na cidade de Nampula, que a notícia posta a circular através de alguns órgãos de informação sobre a tentativa de assassinato do líder daquela formação partidária, Daviz Simango, “não constituí verdade”. Carvalho avançou que o que aconteceu foi a vandalização do espaço onde decorreu o concorrido comício orientado pelo presidente do MDM, Daviz Simango, no bairro de Namicopo, arredores de Nampula.
A mesma fonte disse igualmente que o caso já está nas mãos da Polícia e que os promotores das escaramuças apoderaram-se dos meios sonoros do MDM.
Geraldo Carvalho que é um antigo combatente da Renamo referiu ainda que “os autores dos actos de vandalismo são membros do partido Renamo”.
Segundo o porta-voz do MDM, o grupo que praticou o acto, estava encabeçado por um cidadão de nome Almeida, que é um cadastrado e anda foragido das autoridades da Lei e Ordem e sobre o qual pesa ainda a acusação de que terá arrancado arma a um agente da PRM na cidade ferro-portuária de Nacala. O MDM depois do caso ter sido encaminhado à Polícia, segundo Carvalho, “não está preocupado com partidos caducos, descapitalizados que não têm amparo e estão desprovidos de esperança”.
Carvalho alegou também que “ameaças contra o presidente do Movimento Democrático de Moçambique e seus membros acontecem todos os dias”. “Mas nós não estamos preocupados com líderes caducos e sem esperança, que não tem onde ficar”.
Daviz Simango depois de ter orientado no último fim-de-semana na Cidade de Nampula a 2.ª Sessão do Conselho Nacional do seu partido, trabalha desde ontem nos distritos da província de Nampula. Escalado o distrito de Memba. Hoje prevê-se que trabalhe no distrito de Nacala-a-Velha e no Município de Nacala-Porto. Deverá sucessivamente escalar as cidades da Ilha de Moçambique e Angoche e, ainda o distrito de Mogovolas.

(Aunício da Silva, Canal de Moçambique, 09/06/09)

Mozambique: MDM Expects 50 to 100 Parliamentary Seats

Maputo — The mayor of Beira, Daviz Simango, has predicted that the new opposition party he leads, the Mozambican Democratic Movement (MDM), could win between 50 and 100 seats in the October parliamentary elections.
The Mozambican parliament has 250 seats. Currently, 160 are held by the ruling Frelimo Party and 90 by the former rebel movement Renamo. The MDM is essentially a split from Renamo - Simango himself was expelled from Renamo in September 2008. But he claims that the MDM is recruiting people who previously had no party affiliation, and even some defectors from Frelimo.
Interviewed by Friday's issue of the weekly paper "A Verdade", Simango was asked what he would regard as a good result. "Since the MDM is not currently represented in parliament if it just wins one seat, that will be a novelty, since it will be a third force entering parliament. But we expect to have between 50 and 100 deputies in the next legislature", he replied.
"If we manage between 50 and 100, that will be a good result", he said, "but everything depends on the voters. We could win more than 100 or even get a majority (which would be 126 seats). In these things there are lots of surprises".
Asked if the MDM's main goal was to overtake Renamo, Simango said "we wouldn't like to talk in terms of overtaking Renamo or Frelimo. We want to enter parliament, and if we win a majority, that will be excellent. But if we manage to have an influential voice in the great decisions taken by parliament, that is already grounds for satisfaction".
So was the MDM aiming for power or not? "Obviously we formed a political party to win power", said Simango. "As for the moment when the electorate gives us that power, that will depend on the voters. But we are anxious for that moment".
Simango added that, if the MDM lost the elections, it would not follow Renamo's example and blame defeat on fraud committed by Frelimo. The MDM intended to train polling station monitors to guard against any fraud. "We have to ask ourselves: when there's fraud, where were we? Why did we have no capacity for vigilance? Where did we fail?".
"We have to take responsibility for our own shortcomings", he said. "Because if somebody commits fraud, it's because they had the opportunity to do so. The MDM is not going to lament about frauds as the cause of failure. We have to accept our defeats, our weaknesses".
Asked if he envisaged a post-election coalition between the MDM and Renamo to make it impossible for Frelimo to govern, Simango replied that the MDM approach was quite different. "We will never form a coalition just in order to make it impossible for Frelimo to govern", he said. "We will form coalitions if it is in the interests of the people, if the people benefit from it. But coalitions must be in order to build the country, and not just to block another political organisation. That's not our philosophy".
If the party that won the elections presented a programme that the MDM regarded as viable, then it would be the MDM's responsibility to support it "and turn this project into a national project. But if the winning party presented a project which the MDM regarded as wrong, "then logically we shall present a counter-proposal, hoping that the party in power can take something positive from it".
Simango did not reject the possibility of coalitions, "but they must be clear and objective, and contribute to the development of the country".
As for the presidential election, Simango said that it would be up to the MDM National Council, meeting this weekend in the northern city of Nampula, to choose a candidate - but he admitted that he was likely to be that candidate, and he was prepared to stand.
He declared that the MDM's style of governance would not be discriminatory, and he had already shown that in his five years as mayor of Beira. The MDM was prepared to work with anybody, including Frelimo, and regarded professional competence as more important than political party membership.
"If they're competent, I will appoint general directors and even ministers from other parties", he promised. "If they are competent there is no reason to replace them. What is necessary is that they can meet the expectations of citizens, and that they are loyal to the government's programme".

QUANDO FALAMOS AS MÁSCARAS CAEM

Ou o veneno sai da boca…


É uma das coisas que se podem concluir de determinados articulistas trabalhando em órgãos de informção social como o Diário de Moçambique.
Jornal sediado na Beira tem desde sempre se distinguido em apresentar uma imagem negativa do presidente do Conselho Municipal da Beira desde que a cidade passou a ser governada pela oposição. Nos tempos em que era a Frelimo que governava a Beira nunca se viu este jornal derramar tanto veneno nas suas páginas. O que pode ser considerado de óbvio acaba por ultrapassar as fronteiras do razoável e desembocar numa campanha orquestrada de denegrir a imagem dde alguém que até foi premiado por bom desempenho por entidades internacionais.
Não sou apologista de que se tenha que elogiar alguém quando este procede mal especialmente em relação a coisa pública.
Não estou vendo porque o DM envereda pelo ataque gratuito, puro e simples de tudo o que o eng. Davis Simango faça? O facto de se ter separado da Renamo e criado o seu partido MDM tem merecido velados ataques que o procuram relacionar com retornados portugueses e figuras como o Jorge Jardim pelo facto de ter almoçado com a filha daquele falecido empresário e político português. Quer-se fazer crer a opinião pública o quê? Que os colonos regressarão a Moçambique pela mão do MDM?Qual é o receio e falta de equilíbrio uinformativo que leva pessoas residindo na Beira a escrever algo tão esforçado contra um compatriota que não sendo perfeito trouxe melhorias significativas para esta cidade?
Os moçambicanos sabem que muitos dos orgãos de comuniacção social funcionam debaixo de condicionalismos e sem aquela independência que os poderia permitir informar com verticalidade. A classe dos jornalistas também está influenciada pelos partidos políticos e mesmo eu ao escrever estas linhas sigo uma determinada tendência.
Mas indeopendentemente do que possam ser as nossas inclinações partidárias ao exercermos a nossa função de comentaristas, jornalistas ou simples articulistas não estamos autorizados a mentir aos consumidores de nossas notícias ou comentários.
Com a mentira não se constrói o país e como se pode verificar, tem sido esse tipo de postura acaba lesando a maioria dos cidadãos.Pode-se ser da Frelimo ou da Renamo e não enveredar pela mentira.
E dos jornalistas espera-se clarividência e um sentido de responsabilidade social que não os faça entrar naquilo que se chama de jornalismo de encomenda.
É vergonhoso quando alguém se esforça por vender algo que é obviamente uma encomenda de patrões escondidos ou encobertos. Se existe preocupação com o MDM que sejam os políticos e não os jornalistas a apresentarem os seus factos e posições aos moçambicanos. Nunca os jornalistas aceitarem servir de veículos para a propagação da ideia de só uns moçambicanos é que estão cobertos de razão.
O espaço moçambicano, este país que a todos pertence, deve ser lugar em todos cabemos e em que todos nos possamos expressar e manifestar.
Quem já se levantou contra o facto de por exemplo o governo de Moçambique apoiar Mugabe? Quem autorizou a que tal posição fosse sustentada? Será que a maioria dos moçambicanos concorda com a política externa do governo? O tipo de relação económica e de cooprração que se estabeleceu com países como a China será do agrado dos moçambicanos?
Se falarmos de política de migração será que existe sustentabilidade na proliferação ao se opermitir que entrem e se fixem no país toda uma série de emigrantes que acabam fomentando o narco-tráfico e outros negócios ilícitos?
Mas porque o DM nunca se refere a este tipo de assuntos? Porque está manietado?
Seria interessante saber qual é a verdadeira motivação de alguns moçambicanos quando apontam as suas canetas a pessoas como Davis Simango. A barriga? Alguma ideologia ou pura e simplesmente uma questão de se aceitar ser mercenário a soldo de forças sinistras da esquerda comunista camuflada? Ou será que teremos de ser eternamente governados pelas mesmas pessoas porque elas são os libertadores da pátria?
Temos de olhar para estas e outras questões com olhos de ver.

( Noé Nhantumbo)

Fonte: www.manueldearaujo.blogspot.com

Monday, 8 June 2009

"O povo está cansado do regime”


– Daviz Simango, ao discursar em Nampula, na abertura da II Sessão do Conselho Nacional do MDM

• Não foi eleito o Secretário-Geral • Confirmado que o presidente do partido é candidato à Presidência da República

Nampula (Canal de Moçambique) - Teve lugar no último fim-de-semana, em Nampula, a chamada capital do Norte, a 2.ª Sessão do Conselho Nacional do recém criado «MDM - Movimento Democrático Moçambicano». Falando, no sábado, na abertura do evento, o presidente da organização, eng.º Daviz Simango, que é simultaneamente presidente do Conselho Municipal da Beira, salientou que “o povo está cansado do regime”. E depois de agradecer aos “companheiros” de Nampula o desafio de organizarem o Conselho Nacional, situou o evento como uma iniciativa que iria “definir estratégias importantes num ano eleitoral de risco para a Democracia Moçambicana”.
Ainda na tarde de sábado, logo após a chegada do presidente do MDM a Nampula, alguns membros e simpatizantes da Frelimo passaram em frente do hotel onde decorreu a II Sessão do Conselho Nacional do MDM, com panfletos do «batuque e da maçaroca» colados nos seus carros, mesmo não estando a decorrer nenhum evento da Frelimo. Não houve distúrbios. “Aquilo é medo, eles estão com medo de nos enfrentar, dai pensam que vão nos ameaçar ou até mesmo nos intimidar” – comentavam os membros do MDM. Entretanto, nesta sessão do Conselho Nacional do MDM foi aprovado o Manifesto Eleitoral e a Estratégia Eleitoral, assim como os mecanismos de eleição dos candidatos à Assembleia da República e Assembleias Provinciais, respectivamente.
De acordo com o comunicado final da II Sessão em poder da reportagem da delegação do «Canal de Moçambique» em Nampula, “estas decisões conduzem o Partido a uma outra etapa de luta, em que toda concentração deve residir numa única estratégia: a de participar efectivamente nas eleições e vencê-las”.
O mesmo documento, refere que “ninguém deve excluir outro”. Este detalhe foi a resposta do partido a certas disputas internas protagonizadas por alguns membros que aspiram cargos sem irem por via de eleições internas. Isso tem sido aproveitado pelos adversários da mais nova organização política.
“Devemos ter a consciência de que o Partido precisa de todos. Precisa de mulheres, homens e jovens. Todos são úteis para o engrandecimento do MDM. Ninguém é mais importante do que outro; e ninguém é menos importante do que outro!”, lê-se no documento final que foi passado à imprensa.
A juventude teve um tratamento especial durante os debates.

Daviz candidato presidencial


Um outro dado avançado foi que o presidente do partido, Daviz Simango, foi eleito por unanimidade como candidato às eleições presidências de 28 de Outubro próximo, pelo MDM.
Está assim confirmado que na corrida à Ponta Vermelha Daviz Simango irá disputar o cargo com Armando Guebuza, da Frelimo, Afonso Dhlakama, da Renamo. Nas últimas eleições que Guebuza venceu, em 2004, só teve um adversário: Afonso Dhlakama. “Esta decisão do Conselho Nacional tem um significado importante e histórico, e traduz que o Partido esta pronto para governar, o Partido tem um programa politico e sócio económico para Moçambique e apresenta soluções para os problemas que o pais enfrenta dia a dia derivados da má gestão dos fundos públicos; da politica fiscal punitiva; ausência de politicas de promoção de pequenas e médias empresas; ausência de uma politica agrária; ausência de uma estratégia que possa promover a Juventude e a Mulher dando-lhes a oportunidade de educação e auto emprego”.
No seu discurso de encerramento, Daviz Simango, reconheceu ser “dura a missão” de que foi encarregue, mas disse acreditar que “com o envolvimento de todos será possível vencer todos os obstáculos, assim como a história registou a revolução 28 de Agosto do ano passado”, momento em que houve uma séria cisão na Renamo dando origem a que uma parte viesse a promover a criação do MDM já com a comparticipação de outros cidadãos, com ou sem filiação em outros partidos até então.
Daviz disse que “passados todos estes anos, Moçambique precisa de uma alternância democrática, começando na Ponta Vermelha, passando pela 24 de Julho, onde é exercido o Poder Legislativo, e de uma nova forma de estar de correlação de forças nas Assembleias Provinciais”.
“Os moçambicanos merecem esta nova situação democrática, um governo diferente e um novo presidente, para imprimir uma nova dinâmica”, afirmou o candidato do MDM à Ponta Vermelha salientando que “por isso é correcto dizer que os próximos meses são decisivos para a Democracia e a vida dos Moçambicanos”.
O candidato salientou que “as moçambicanas e moçambicanos terão que decidir o futuro, entre continuar a perder emprego; a assistir a falências das empresas; a ver reduzido o poder de compra; a assistir à discriminação económica e política; a medidas de partidarização do Estado e chantagens permanentes aos funcionários do Estado; e a exclusão social… ou um regime de Democracia participativa, Estado de Direito, Administração Pública Profissional, Solidariedade Social, Credibilidade da Justiça, Defesa da Propriedade Privada e Impostos ao serviço de promoção do Desenvolvimento”.
No fim da tarde de ontem, Daviz Simango e comitiva efectuaram um comício popular no bairro de Namicopo, arredores da capital do norte. Teve uma moldura humana considerável.
Repetidas vezes, o presidente do MDM pediu aos presentes para actualizem os seus cartões de eleitores. “É a condição base para votar”. “Este é um ano decisivo para a democracia moçambicana”. “Todos devem ir votar”. “No voto reside a mudança”, salientou.
No comício, dezenas de cidadãos renunciaram a membros de outros partidos, com destaque para a Renamo e Frelimo e desta forma se juntaram ao MDM. Algumas pessoas pediram a Daviz Simango para não enfraquecer. “Que não seja como os outros políticos que um dia já foram a esperança deste país”.


“Tentativas de sabotagem”


Algo estranho começou a acontecer logo que a comitiva presidencial do MDM chegou à cidade de Nampula. Pela operadora Mcel já não era possível efectuar nenhuma chamada. A situação agravou-se por voltas das 20h de sábado. Entretanto tudo parou, até à noite de ontem. Para o governo ficou o ónus. “São politiquices de quem tem a faca e o queijo na mão”, ouvia-se. “Houve uma mão da Frelimo para que a comunicação dificultasse os trabalhos do MDM”, foi outra afirmação que registámos. Mas se foi essa a intenção, a mesma caiu em terra, porque a Vodacom estava a funcionar em pleno. As TDM ontem à noite esclarecia o sucedido. Alegou que a MCel deixou de funcionar em chamadas do Sul para o Centro e Norte do País devido a uma “avaria no cabo de fibra óptica registada na zona do Tofo”, em Inhambane.
A Mcel, na cidade de Nampula, não produziu qualquer comunicado. No resto do País e a nível central, também não. Ficou por perceber como é que a avaria na fibra óptica só afectou a Mcel e não afectou a Vodacom.
A Renamo, em Nampula, não se conseguiu conter com a presença dos membros do Conselho Nacional do MDM. Arranjou motivos suficientes para criar brigas com os membros e simpatizantes do MDM. Mas foi em vão. Não conseguiram réplica. Elementos que se presuma serem da Renamo destruíram o alpendre do local do comício para tentar a não concretização do evento. Mas Daviz Simango falou da caixa de um 4x4.

( Aunício da Silva, Canal de Moçambique, o8/06/09 )

Sunday, 7 June 2009

A Fábula do Burro




Um dia, o burro de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso o animal chorou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer.
Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o burro de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O burro não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o burro aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou.
O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu.
A cada pá de terra que caía sobre suas costas o burro a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai te jogar muita terra nas costas. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela. Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.
Podemos sair dos mais profundos buracos se não nos dermos por vencidos. Use a terra que te jogam para seguir adiante!

Recorde-se das 5 regras para ser feliz:


1. Liberte o seu coração do ódio.
2. Liberte a sua mente das preocupações.
3. Simplifique a sua vida.
4. Dê mais e espere menos.
5. Ame-se mais e...aceite a terra que lhe jogam. Ela pode ser a solução, não o problema.

( Autor desconhecido )

Saturday, 6 June 2009

A crise chega a todos!




A Economia está definitivamente cada vez pior!!!

Friday, 5 June 2009

Conselho Nacional do MDM

O Conselho Nacional do MDM terá lugar entre sábado e domingo, em Nampula. O presidente do MDM, Daviz Simango, chegou ontem à noite a Maputo onde veio participar em actividades da Associação de Municípios de Moçambique na sua qualidade de presidente do Município da Beira. No Conselho Nacional do MDM em Nampula espera-se que seja designado o Secretário-Geral do novo partido dirigido por Daviz Simango. Pelos estatutos cabe ao presidente do MDM designar o SG, mas o «Canal de Moçambique» apurou que Daviz Simango prefere remeter ao Conselho Nacional a faculdade de eleger três nomes para desses ele então escolher um. No entanto, a nossas fontes indicam que a designação de um SG poderá ser adiada para o 1.º Congresso do MDM a ter lugar depois das eleições gerais, ou para a próxima reunião do Conselho Nacional, em 2009.
A tese que está a prevalecer é que a escolha do SG não é prioritária para já, sendo que a grande prioridade é organizar a participação do MDM nos próximos pleitos.

( Canal de Moçambique, 05/06/09 )

Movimento Democratico de Mocambique-(MDM)

O que e' MDM?
E' certo que existem muitas perguntas sobre o surgemento do MDM e o seus objectivos sobretudo nas cabecas daqueles que nao querem que mocambique se desenlva em democracia. Essas perguntas sao de facto acompanhadas por tipos de esterios que descrevem a MDM com objectivo de desmobilisar a massa popular em receber e aceitar esta nova onda democratica em Mocambique. Contudo pode se confirmar que a massa popular e a base em Mocambique estava desde ja a espera desta oportunidade, uma era marcada por aparecimento de um movimento democratico nascido de uma democracia Mocambicana. Um movimento, fihlo de ambos de dois partidos mais populares em Mocambique, Renamo e frelimo.
Sim, este movimento e' resultado da competicao marcada no mercado democratico entre a Frelimo e a Renamo e os que o formaram conhecem muito bem as estrategias politicas que os dois gigantes sempre usaram e continuam a usar e dai ha' esperanca de que MDM venha ser capaz de capitalizar os erros que os pais praticam e demonstrar uma democracia viavel em Mocambique. Entretanto e' ainda prematuro adiantar que O MDM saira' vitorioso nas proximas eleicoes gerais marcados para Outubro do ano corrente, porem existe ja um sentimento de felecidade nos coracoes daqueles que teriam perdido esperanca democratica e que teriam sido desencourajados pelos FRELIRENAMOS. Eles ja pulam e saltam com a alegria porque o MDM e' e sempre sera' inclusivo e diferente dos dois antagoinistas.
existem aqueles que ja afirmam que o MDM e' um partido da Beira, MDM e' filho da Renamo, MDM e' so um sonho em base. A verdade e' que o MDM e' um partido recemnascido e forte em Mocambique composta por todos tipos de camadas socias do Rovuma ao Maputo. O MDM e' resultado das desparidades democraticas cometidas pela a Frelimo e a Renamo e e' dai onde este partido e' forte.
Porem ha' que realcar que o povo Mocambicano deveria se orgulhar desta maduridade porque ela e' a verdade democratica que se manifestou devido a pratica de democracia iniciadas ja a 17 anos depois de introducao do sistema multidario em Mocambique, dai ha que dar credito os pais deste partido que sao a frelimo e Renamo.
O MDM nao e' apenas partido dos Ndaus, Makuas, changanes, Masenas, Madeues, Manhungues, Maparpatos, Nhanjas,ajawas, Rongas, Machiwabos, Makondes e outros mas tambem ele e' um partido dos Mocambicanos do Rovuma ao Maputo.
Juntos unidos construiremos uma democracia verdadeira em Mocambique.
Avante MDM!


( Raul Novinte, www.vozdenampula.blogspot.com )

Bancada da Frelimo e Governo festejam “realizações” e “morte da Renamo”

… O porta-voz bancada da Renamo-União Eleitoral, José Manteigas, diz que a bancada da Frelimo aliou-se ao governo para fazerem discursos provocadores, evitando dessa forma que o governo respondesse às questões levantadas pelos deputados da oposição .


Maputo (Canal de Moçambique) – A sessão de ontem de insistência ao governo no Parlamento, terminou em festa para a bancada da Frelimo e membros do governo. Os deputados da bancada do partido governamental, Frelimo, despiram-se de qualquer máscara e manifestaram o seu apoio total e incondicional ao governo. Entre os discursos dos deputados da Frelimo e da primeira-ministra, os deputados da Frelimo, com apoio em aplausos e gritos dos ministros presentes, levantavam-se dos seus assentos e entoavam cânticos à mistura com palavrões de provocação aos deputados da bancada da oposição. Foi verdadeira aliança entre o governo e os chamados representantes do povo da bancada da Frelimo. O pretexto da festa era de que “a pobreza está a ser vencida em Moçambique e a Renamo morreu politicamente”.

Elogios ao governo


A sessão de ontem estava reservada às questões de insistência às respostas dadas pelo governo ontem e na véspera. Entretanto, do lado da Frelimo, não houve nenhuma questão de insistência. Houve sim muitos elogios ao desempenho do governo. Para o governo e para a Frelimo está tudo bem no País.
Danilo Ragú, deputado da Frelimo, invocou, por exemplo, “a melhoria do abastecimento de água, das condições de transporte de passageiros e bens na província de Gaza” (seu círculo eleitoral), como sendo sinais de que as condições de vida dos moçambicanos melhoraram. Embora não seja essa a percepção da esmagadora maioria da população, foi assim que se celebraram os sucessos enumerados.
Ragú disse ainda que nos distritos de Mabalane, Massangene e Xigubo “hoje as pessoas são transportadas em condições confortáveis e de comodidade, contrariamente ao que se verificava no início do quinquénio, em que as pessoas eram transportadas em camiões, juntamente com gado”. No quinquénio anterior o País foi governado sob liderança de Joaquim Chissano, presidente da Frelimo e presidente da República que antecedeu Armando Guebuza no poder. Entrando na senda de provocações, o deputado Ragú apelidou os seus pares da bancada da oposição de “míopes e de estarem ao serviço de alguns cidadãos incautos”.
Alegou que “os deputados da Renamo utilizam água canalizada; usam corrente eléctrica; circulam em estradas asfaltadas; usam telemóveis; televisores… no entanto, reclamam que no País não há água, luz, vias de acesso transitáveis…”.

“Nós temos, mas o povo não tem”


A resposta ao deputado da Frelimo não tardou a chegar. Veio de Luís Boavida, da Renamo-UE. O deputado disse que “é verdade que dispomos de tudo o que o senhor deputado Ragú enumerou, mas isso não é o suficiente para nós se o povo ainda não tem acesso a esses bens fundamentais”. “A Renamo preocupa-se com o povo”, rematou Luís Boavida.

Persistência de bolsas de fome


Continuando já com questões dirigidas ao governo, Luís Boavida disse: “não é porque como na minha casa que não vou falar de fome”. Boavida, de seguida questionou a razão porque persistem bolsas de fome no distrito de Memba e na cidade de Nacala-a-Velha, em Nampula, se nos distritos de Ribáuè e Melema, na mesma província, se regista fartura em produtos agrícolas. Considerou que por um lado a “comercialização de produtos agrícolas em Moçambique é garantida por vendedores de «Dumba Nengues», essencialmente constituídos por senhoras provenientes da região sul do país. Questionou, portanto, porque razão o governo não financia a comercialização dos produtos agrícolas.
Continuando, o deputado da Renamo pediu, por outro lado, explicação ao ministro da Agricultura, sobre o que foi desenvolvido no âmbito da “Revolução Verde”. Questionou igualmente porque razão já não se fala da produção de Jatropha.

“São tribalistas e querem dividir o país”


Edmundo Galiza Matos, deputado da Frelimo, já que deputados da sua bancada não faziam nenhuma questão de insistência ao governo, pediu a palavra para acusar seus pares da oposição de “tribalistas, regionalistas e de pretenderem dividir o País”. Disse que “os deputado da Renamo estão em delírio dos seus últimos dias do ciclo de vida”. Aproveitou a notável ausência de muitos deputados da Renamo na sessão, para dizer que os mesmos abandonaram o partido liderado por Afonso Dhlakama.
Assim foi decorrendo a sessão, com os deputados da Frelimo a manifestarem o seu apoio ao governo e elogios ao presidente da República, que é igualmente presidente da Frelimo, e a acusarem a Renamo de falência política. Por sua vez os deputados da Renamo não reconheciam nenhuma realização do governo e acusavam a bancada da Frelimo de estar aliada ao governo para juntos promoverem desmandos.



Cumprimos com o Plano Quinquenal



Entretanto, até ao fim da sessão, os ministros não mais se levantaram para responder às perguntas de insistência levantadas pelos deputados da Renamo, a cada pelouro. Foi a primeira-ministra, Luísa Diogo, que se levantou para encerrar a sessão e dizer que o governo cumpriu com a sua missão. “Nesta que é a última presença do presente governo no Parlamento, na presente legislatura, quero afirmar que o governo sai daqui com o sentimento de que cumprimos com a nossa missão. Cumprimos com o nosso Plano Quinquenal que aqui apresentamos no dia 30 de Março de 2005”, disse a primeira-ministra.

Bancada da Frelimo aliou-se ao governo


Convidado a avaliar aquilo que foi a última presença do governo na Assembleia da República para efeitos de prestação de contas, o porta-voz da Bancada da Renamo-UE acusou os deputados da Frelimo de terem-se aliado ao governo a obstruir a prestação de contas do governo no Parlamento.
Disse não ser verdade que a Renamo não reconhece nada que o governo tenha feito no quinquénio que está prestes a findar, só que no entender da Renamo, “o que se fez é muito pouco em relação ao que se prometeu e nós queríamos que o governo assumisse isso!”, disse o deputado.
Assim terminou a última sessão de prestação de contas do actual governo no parlamento, nesta 6ª legislatura. O próximo governo a apresentar Plano Quinquenal para 2010-2014 será indicado pelo presidente que vencer as próximas eleições já marcadas para 28 de Outubro do corrente ano. Para a Assembleia da República haverá também eleições na mesma data.

( Borges Nharrime, Canal de Moçambique, 05/06/09 )

Glória de Sant´Anna, emblemática e injustamente esquecida, diz Nelson Saúte


Maputo – Moçambique perdeu, com a morte da escritora Glória de Sant´Anna, “uma das vozes mais emblemáticas e injustamente esquecida” da literatura, disse terça-feira à Agência Lusa, em Maputo, o escritor moçambicano Nelson Saúte. “Foi muito importante para a poesia moçambicana, foi de uma grande exigência estética e uma grande poeta da língua portuguesa”, acrescentou Nelson Saúte, autor de uma antologia de poesia, “Nunca mais é sábado”, na qual a escritora está representada. Glória de Sant´Anna morreu terça-feira em Ovar, tendo vivido durante 23 anos em Pemba, no norte de Moçambique, onde foi professora. Nasceu em Lisboa (1925) e viveu em Moçambique de 1951 a 1974, onde escreveu parte da sua poesia, com Nelson Saúte a lembrar o livro “Distância”, “Livro de Água” ou “Poemas do Tempo Agreste”, “na tradição da melhor lírica”, uma “poesia que investe muito na metáfora, no conhecimento da vivência africana, contemplada por exemplo no poema “bairro negro”. “Conheci-a pessoalmente, convivi com ela, era uma escritora de uma grande exigência, também com uma certa inquietude social, de alguém que entende as circunstâncias que a rodeiam”, disse Nelson Saúte, acrescentando que em Pemba os alunos tinham dela também “as melhores referências”. “Pessoalmente tenho dela as melhores lembranças e sinto que ficamos mais pobres”, disse.

FONTE: Lusa, 03/06/09

Thursday, 4 June 2009

Governo foi à Assembleia da República repetir discursos de auto-elogio

• “Moçambique é o único País da África austral onde a cesariana é gratuita” – Ivo Garrido, MISAU • “Aumentámos o número de mulheres nos cargos de comando e da chefia na PRM” – José Pacheco, MINT • “Ligamos todas províncias do País a fibra óptica” – Paulo Zucula, MTC • “Valas comum na berma da N1 atrasam as obras de reabilitação” – Felício Zacarias – MOPH


Maputo (Canal de Moçambique) – Naquilo que constitui a última série de presença nesta legislatura perante dos representantes do Povo ou Assembleia da República, o actual governo esteve ontem lá, em peso, para responder às questões dos deputados. O executivo liderado por Armando Guebuza esteve encabeçado pela primeira-ministra Luísa Diogo e, essencialmente foi lá auto-elogiar-se.
No primeiro dia reservado às 10 questões formuladas pelos deputados das duas bancadas – da Frelimo e da oposição, Renamo-União Eleitoral – o Governo destacou as realizações efectuadas durante o quinquénio entre as últimas eleições gerais de 2004 e as próximas já marcadas para 28 de Outubro. Não houve novidades de facto. Foi a repetição do que tem vindo a dizer nas diversas ocasiões que os governantes do país foram ao Parlamento falar do seu trabalho. Inclusive algumas apresentações ontem feitas pelos ministros são do mesmo teor das que já haviam sido feitas na anterior ida do governo foi ao parlamento, em 2008.

Questões dos deputados

Tal como prevê o artigo 158 do Regimento das Assembleia da República, cada bancada parlamentar formulou 5 questões que foram enviadas com antecedência ao parlamento.
A Frelimo, partido que governa o País, queria saber o estágio actual do abastecimento de água, com destaque nas zonas rurais; quis ouvir sobre a reabilitação e manutenção periódica das estradas; a expansão dos serviços de comunicação; a disponibilização dos serviços de saúde para todos os cidadãos e o impacto das medidas implementadas para a mitigação da crise financeira internacional.
Por sua vez, a Renamo-União Eleitoral, a oposição, quis saber, do governo, o que ele está a fazer de concreto para o combate à criminalidade e os respectivos resultados; as razões do custo de vida estar cada vez mais insuportável para os moçambicanos; a persistência de bolsas de fome em algumas regiões do país; e como se calculam as taxas, os preços da portagem na auto-estrada em Maputo; e das facturas de energia eléctrica. Energia que anda por um preço tal que nem parece que Moçambique é um País com enorme disponibilidade de energia mas que a cobra a preços nunca dantes imaginados levando hoje os cidadãos ao desespero.
Postas as questões dos deputados seguiu-se a fase das respostas pelos ministros. Cada ministro respondeu às questões do seu pelouro. Resumimos as intervenções:

José Pacheco – Ministério do Interior

O ministro do Interior, José Pacheco, por exemplo, nada de essencial disse, a não ser que “entre 2004 a 2008 houve aumento de 121 para 210 mulheres nos cargos de comando e da chefia, na da PRM”.
Pacheco não falou, por exemplo do “mítico” Agostinho Chaúque que continua a não ser localizado pela Polícia. Não falou da fuga de “Aníbalzinho”, um dos confessos autores do assassinato do jornalista Carlos Cardoso que fugiu da Cadeia do Comando da Polícia da Cidade de Maputo e mantém-se em parte incerta. Foi a terceira vez que fugiu das celas, é um dos mais mediáticos cadastrados do País, mas o ministro voltou a não tocar na questão. Como não citou sequer as misteriosas fugas de outros criminosos de cadeias e outras celas de comandos da Polícia. Não falou do polémico caso de Mongicual, em Nampula, onde 12 cidadãos morreram asfixiados nas celas do comando distrital local. Não falou das tortura nas cadeias de Tete. Pacheco fez uma apresentação considerada pelos deputados da Renamo, “infeliz”, contrariamente à visão dos deputados do partido Frelimo que ovacionaram o ministro.

Ivo Garrido

O ministro da Saúde, Ivo Garrido não fugiu à regra dos seus pares. Apresentou o balanço das actividades desenvolvidas pelo seu ministério durante o quinquénio prestes a findar. Falou da eliminação total da lepra, da redução dos casos de contaminação por tuberculose e de aumento da cura da mesma doença. Reconheceu por um lado a persistência da seroprevalência de HIV/Sida e disse que é preocupação do ministério que dirige, reverter o cenário actual. Os números, no entanto, têm vindo a crescer de forma assustadora e mesmo assim suspeita-se que não reflictam bem a realidade. Para Ivo Garrido está-se bem.
Gratuitidade dos serviços de Saúde

O ministro de Saúde enalteceu por exemplo a tendência de gratuitidade dos serviços de saúde prestados aos cidadãos moçambicanos nos hospitais públicos, embora os tempos de espera e mesmo até a qualidade continuem a deixar a desejar e a merecer dos cidadãos os mais vivos protestos. Preferiu, em ano de eleições, o espectáculo e o auto-elogio. Disse que “Moçambique é o único país da Africa Austral onde um parto de cesariana nos hospitais públicos é gratuito”. Falou ainda da gratuitidade do tratamento da malária, tuberculose, entre outros serviços que o Estado fornece aos cidadãos a baixos custos. Não falou, no entanto, do martírio por que têm de passar os doentes para serem atendidos, nem falou da contínua fraca atenção que o pessoal da Saúde dá aos doentes, nem dos tempos de espera a que os doentes têm de se sujeitar até serem atendidos.

Paulo Zucula – Ministro dos Transportes e Comunicações

Por sua vez, Paulo Zucula também subiu ao pódio para falar das realizações nos sectores que tutela. Elegeu a ligação das capitais pela fibra óptica como o elemento mais marcante. Disse que em 2004 a ligação a fibra óptica era entre Maputo e Beira, e hoje todas capitais provinciais estão ligadas através de fibra óptica.
Disse igualmente que “o tempo de espera dos passageiros nas paragens (de autocarros) reduziu de 2h.30min, em 2006, para meia hora, em 2008”.
Falou da aquisição de 6 barcos para a travessia de baías inter-cidades ou inter-zonas como é o caso, por exemplo, da Baixa de Maputo para a Catembe e Maxixe-Cidade de Inhambane. Falou da aquisição de 3 automotoras que agora prestam serviços de e para os arredores da Cidade de Maputo. Também se ficou pela descrição de realizações.
Sobre a preocupação da Renamo-UE relacionada com a forma como é estabelecida a taxa de portagem na “auto-estrada” de Maputo, o ministro disse que a mesma é calculada com base em estudos do IRPC feitos na Africa do Sul e em Moçambique, os dois países que beneficiam da portagem na estrada Maputo-WitBank. Disse ainda que a cobrança de taxas de portagem na N4 será de aproximadamente até de 25 a 30 anos depois da inauguração do empreendimento.

Salvador Namburete

O ministro da Energia, Salvador Namburete, explicou por sua vez, que o cálculo da taxa de consumo da energia eléctrica é feita com base em critérios que permitam a cobrança das mesmas taxas nas zonas urbanas, onde o custo de instalação da rede eléctrica é menor, e nas zonas rurais, onde o custo de instalação é maior. Disse ainda, entretanto, que ao fixarem-se as taxas previu-se uma tarifa para as famílias com menor consumo, ou seja, com um consumo mensal não superior a 100kw, criou-se uma taxa especial, designada por «Tarifa Social». Esta tarifa tem a particularidade de estar parcialmente livre e IVA. Ou seja, é lhe aplicada uma taxa de IVA de 10 % e não de 17% como acontece com os restantes produtos e serviços da Electricidade de Moçambique e outros trespasses comerciais.

MOPH

O ministro das Obras Públicas e Habitação, Felício Zacarias, disse, por sua vez, que no troço Massinga-Nhachengwe, a equipa de trabalho que está a reabilitar e ampliar a Estrada Nacional número1 (N1), está a encontrara restos mortais de seres humanos enterrados em valas comuns, e anunciou por seu turno que isso está a obrigar a paragem das obras, para que se possa previamente remover as ossadas e proceder a novos enterros. O ministro disse que a situação atrasa a reabilitação da rodovia, visto que a remoção e os novos enterros são feitos em cerimónias tradicionais que envolvem as comunidades locais.
Assim foi o primeiro dia de perguntas e respostas ao governo no parlamento, com as intervenções doutros ministros a pautarem-se pelo mesmo diapasão. A sessão continua hoje com as perguntas de insistência dos deputados das duas bancadas.

(Borges Nhamirre, Canal de Moçambique, 04/06/09)

Mobilização de jovens fundamental nas eleições de Outubro

Dos jovens depende o envolvimento popular nas eleições de Outubro.
O envolvimento popular nas eleições de 28 de Outubro em Moçambique dependerá da mobilização dos jovens, que representam cerca de 60 por cento da população do país, defendeu esta terça-feira em Maputo Barnett Rosenberg, especialista norte-americano em campanhas eleitorais.
Falando a jornalistas à margem de uma palestra dedicada ao tema “Cobertura Eleitoral - O Papel dos Media nas Eleições EUA 2008”, Barnett Rosenberg afirmou que o peso dos jovens na composição demográfica de Moçambique impõe uma maior incidência sobre este segmento da população nas acções de mobilização para as eleições gerais deste ano.
Moçambique terá a 28 de Outubro a escolha do Presidente da República, dos deputados da Assembleia da República e dos membros das assembleias provinciais.
“A maior ou menor afluência do eleitorado moçambicano às eleições será condicionada pelo interesse do eleitorado jovem pelo processo. Se poucos jovens acorrerem às urnas, é pouco provável que haja no geral uma forte participação, porque li que os jovens são cerca de 60 por cento da população aqui”, disse o perito norte-americano em campanhas eleitorais.
Barnett Rosenberg fez uma analogia entre as eleições presidenciais de 2008 nos EUA e o processo eleitoral moçambicano deste ano, apontando similaridades “no papel decisivo do eleitorado jovem” nos resultados das duas eleições.
“Barack Obama ganhou porque conseguiu cativar o eleitorado jovem norte-americano, normalmente alheio a estes exercícios. Aqui em Moçambique, a mobilização dos jovens será mais determinante ainda, porque eles são a maioria da população”, observou Barnett Rosenberg.
Propostas de debate sobre questões que afectam especificamente a população juvenil, como o emprego, habitação e educação, é uma das fórmulas indicadas pelo perito norte-americano para atrair os jovens ao processo eleitoral.
“Os problemas dos jovens não são necessariamente os mesmos de outros sectores da população”, sublinhou.
Barnett Rosenberg, que é também gestor de Ética de Grupos e da Conduta de Negócios na Meggit, PLC, uma companhia internacional de tecnologia aeroespacial, acompanhou as campanhas eleitorais de seis Presidentes norte-americanos, desde Dwight Eisenhower até Barack Obama.


( O País, 4/6/09 )

Advogado dos quatro estrangeiros detidos em Tete requer instrução contraditória


Maputo - A defesa dos quatro estrangeiros presos na província moçambicana de Tete, acusados de tentar sabotar a barragem de Cahora Bassa, requer esta semana a instrução contraditória e vai pedir a liberdade dos detidos, entre eles um português. Hermínio Mhatumbo, advogado dos quatro homens, disse terça-feira à Lusa que já foi notificado pelo Tribunal e que os quatro são acusados de sabotagem, contrabando, alteração de bens de consumo e infracção administrativa. Os quatro, um português, um alemão, um tsuana e um sul-africano, detidos desde 21 de Abril, foram presos por terem colocado na barragem um produto que a polícia disse ser “corrosivo a betão e metal” mas que eles garantem ser “orgonite”, um preparado de resina e aparas de metal que transmite boas energias nos locais em que é posto. O advogado disse estar plenamente convicto de que os quatro serão libertados ainda durante a instrução contraditória e que não serão sequer levados a julgamento, porque três das acusações (contrabando, sabotagem e alteração bens de consumo) “são exageradas e não são normais”. “Podem ser pronunciados por não terem pedido autorização para colocar o produto, mas não vejo a nível processual matéria para outro tipo de acusação”, disse à Lusa, acrescentando que mesmo que o juiz decida levar os quatro a Tribunal espera que “aguardem o julgamento em liberdade”.
“Mas estou convicto que um juiz, se não estiver influenciado, deverá libertá-los a nível da instrução contraditória”, afirmou, acrescentando que espera também que o Tribunal cumpra os prazos, o que da parte do Ministério Público também aconteceu.
Hermínio Mhatumbo disse que dentro de duas semanas poderá acontecer a instrução do processo e que os quatro detidos estão também convictos de que sairão em liberdade.
O Ministério Público acusou os quatro homens de sabotagem, por terem deitado na albufeira da barragem um produto “corrosivo”, de contrabando, por terem entrado em Moçambique sem declararem a “orgonite”, de alteração de bens de consumo, por terem deitado o produto na água, e de infracção administrativa, por exercerem uma actividade sem pedido de autorização.
A acusação de sabotagem baseia-se em três análises à “orgonite”, feitas em Moçambique, uma delas pela própria hidroeléctrica, outra pelo Laboratório de Engenharia Química de Moçambique e a terceira pelo Laboratório de Alimentos e Águas de Moçambique.
“O relatório do Laboratório de Alimentos e Águas refere que a água da barragem pode ser consumida e nele nada consta contra os acusados, mas o Laboratório de Engenharia Química fala da existência de acidez que pode influenciar no desgaste de materiais metálicos a longo prazo, enquanto o relatório da HCB conclui que os objectos lançados à barragem são corrosivos e podem perigar a estrutura metálica e o próprio betão”, disse à Lusa fonte judicial.

FONTE: Lusa

Glória de Sant'Anna - o silêncio intimo das coisas


No Moçambique que precedeu a independência, a qual teve lugar em 25 de Junho de 1975, muita coisa aconteceu, como não é sabido de toda a gente. Na realidade, não é sabido de quase ninguém, exceto de uns poucos ( e não todos) que lá viveram.
Muito se tem escrito, sobretudo no pelouro em que impera o "discurso político", acerca do que foi ou não foi o chamado período colonial português. Seja dito de passagem que mais se tem falado do que acertado. É com lindos sentimentos que se faz má literatura, disse-o um dia Gide, irritando Claudel, e é também com angélicas intenções que se trai, frequentemente, os mandatos da história. Não deixa sobretudo de ser curiosa a fácil boa consciência de quem, no chamado Portugal continental, bem mais se aproveitou (e prosperou) com a exploração colonial do que tantos que pelo ultramar tristemente se alienaram, pobre e honradamente viveram e, para o fim, alucinadamente se desintegraram. De gente séria, pobre e perplexa ( e não só da outra), está a história de Moçambique também cheia, como não é do conhecimento confortável de algumas consciências bastante poluídas, que depois facilmente se reconciliaram consigo próprias, por vias mais ou menos expeditas...Com a publicação, em 1961, em Moçambique, do livro de poemas "Livro de Água", laureado com o premio Camilo Pessanha, confirmava-se, para alguns, e revelava-se, para muitos outros, um dos nomes mais importantes da poesia portuguesa, em Moçambique, e um dos poetas mais notáveis, em língua portuguesa, dos últimos vinte e cinco anos: Glória de Sant'Anna. Para o leitor da antiga "metrópole", um livro em língua portuguesa, publicado em Moçambique, Angola ou também em Cabo Verde, era, por assim dizer, um livro "perdido". Os nomes de Rui Knopfli, Sebastião Alba, Glória de Sant'Anna, Lourenço de Carvalho e, até certo ponto, mesmo o de João Pedro Grabato Dias, entre outros, nada ou quase nada significavam para o leitor confinado, como diria Jorge de Sena, entre o Chiado e a Rua Ferreira Borges...Não se sabia muito bem quem eram, o que faziam, o que pensavam... E o fato de estarem a viver "lá" era já, em principio, um motivo de apreensão. ... Glória de Sant'Anna foi, para Moçambique, um produto de importação. Nascida em Lisboa, em 26 de maio de 1925, concluiu o curso complementar de Letras no Colégio de Odivelas, casou em 1949 e, dois anos depois, partiu para aquela colônia portuguesa onde fixou residência, em Nampula. Em 1953 mudou-se, com sua família, para Porto Amélia (hoje Pemba), onde permaneceu, frente à vasta baía, quase até ao regresso definitivo a Portugal, em Dezembro de 1974 ( os dois últimos anos passou-os a poetisa em Vila Pery)....O "seu chão" fora Pemba, o mar, a água, o "vento de prata/manso, manso". O "mar calmo e estranho" tornara-se a presença fraterna, terapêutica, ameaçadora, tranquila, lisa, ominosa, às vezes trágica-densa, sempre vigilante. E os momentos passados à sua beira exprimiam a dignidade de momentos "translúcidos e antigos". Arrancada deste chão onde se encontrava "inteira", o exílio em que, ironicamente, se traduziu o regresso à pátria teve consequências traumáticas. ... ... Isto é, durante cerca de quatro anos, nada produziu.
Em Portugal, de Norte para Sul e do Sul para Norte, entre Ovar e o Algarve, tentando reencontrar o rumo que não havia (o mar, que é bom "porque é concreto", ficara para trás), Glória de Sant'Anna foi sobrevivendo ao rés de um desespero nem sempre inteiramente dominado. Durante vários anos arredada do "seu" mar, que era em Pemba, e da "sua" escrita, que dele se alimentara, Glória de Sant'Anna fixou-se finalmente em Ovar: - "Atualmente, na minha condição de aposentada, reparto o tempo pela casa e pela família e ajudo o meu marido num gabinete de arquitectura e obras, que abriu perto daqui".
A obra de Glória de Sant'Anna, na sua concentração e densidade, na sua liquidez secreta e cheia de pudor, na sua misteriosa claridade, na sua "mortal" e dominada angústia, consta essencialmente de sete livros publicados, seis de poesia ( Distância, 1951; Música Ausente, 1954; Livro de Água, 1961; Poemas do Tempo Agreste, 1964; Um Denso Azul Silêncio, 1965 e Desde que o Mundo e 32 poemas de Intervalo, 1972) e um de crônicas (...Do Tempo Inútil, 1975). Além destes o volume agora editado (1984) inclui 4 livros inéditos: A Escuna Angra (1966-68); Cancioneiro Incompleto (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); Gritoacanto (1970-74 e cantares de Interpretação (1968-73. O resto é trabalho disperso por revistas e jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (L. M.) Diário de Moçambique (Beira) Noticias (L.M.), Tribuna (L.M.), Sul (Brasil) e Caliban (L.M.).
Glória de Sant'Anna tornou-se quase desde o seu "aparecimento" discreto, uma das vozes mais geralmente reverenciadas, no panorama literário de Moçambique. Mas aquilo a que poderíamos, sem exagero, chamar a sua "glória", nada teve de ruidoso. A autora do Livro de Água foi sempre um personagem de um pudor e "retiro" exemplares, na feira intelectual que, em Moçambique, como em todo o lado, tinha os seus profissionais da promoção e da acrobacia. "Serei tão secreta/como o tecido da água" afirmará ela, num dos seus poemas. De fato, toda a sua obra, de um extremo ao outro, é um alongado programa de homenagem à nobreza do "silêncio" e do "falar pouco".
Dizia um grande escritor deste século que sofria por causa dos homens a quem se não dá o lugar que merecem. E acrescentava haver nas letras francesas de hoje alguns exemplos dessa injustiça, por omissão. Há nas letras portuguesas de hoje também alguns exemplos disso. Glória de Sant'Anna é um deles, mas não é caso único. Entre os escritores que a ressaca da descolonização trouxe até estas paragens, há uma boa meia dúzia a pedir que os publiquem, os estudem e os divulguem. Constitui para mim uma honra e um privilégio esta tentativa de procurar a autora dos Poemas do Tempo Agreste "completa dentro desta pura água", para a dar a conhecer a um público distraído, mas eventualmente capaz de lhe reconhecer a estatura. Honra idêntica me daria poder fazê-lo por outros. O silêncio que sobre eles pesa, um silêncio morto, não é por certo o fecundo e "denso azul silêncio" que irriga e impregna o claro e enigmático discurso poético de Glória de Sant'Anna.

EUGÉNIO LISBOA - Londres, Dezembro 1983/Janeiro 1984 - transcrito do Livro Amaranto

FONTE: http://www.pesodaregua.com.br/

GLÓRIA DE SANT'ANNA 1925-2009



Morreu hoje (02/06/09) Glória de Sant’Anna, cuja obra é um testemunho de revalorização do silêncio (cf. Steiner) em meio da balbúrdia universal. Natural de Lisboa, viveu em Moçambique entre 1951 e 1975. Toda a vida foi professora, mantendo regular colaboração na imprensa moçambicana. No regresso a Portugal radicou-se em Ovar. Da sua obra destaco Livro de Água (1961), que recebeu o Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa. O conjunto da sua poesia foi editado em 1988 pela Imprensa Nacional: Amaranto. Poesia 1951-1983, volume que inclui o livro inédito Cantares de Interpretação, escrito depois de deixar África. Glória de Sant'Anna pertence por direito próprio à geração de poetas portugueses que a tradição associa à poesia feita em Moçambique: Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Sebastião Alba, João Pedro Grabato Dias, Lourenço de Carvalho e outros. Em 1975, antes de deixar Moçambique, publicou um livro de crónicas: Do Tempo Inútil.
Deixo aqui quatro versos em que cabe toda a sua ars poetica:

A essência das coisas é senti-las
tão densas e tão claras,
que não possam conter-se por completo
nas palavras.


É preciso dizer mais?