Sunday, 5 October 2008

Um pensamento e um abraço

"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo,muito longo para os que lamentam,muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eternidade."
(William Shakespeare)

Saturday, 4 October 2008

Humor




Vinha o Presidente da República das Bananas e uma comitiva de seguranças caminhando por uma rua abaixo quando o Presidente se viu apertado para urinar :
- E agora, companheiros, o que faço?
- Faça aí mesmo, senhor Presidente, disse um dos seus assessores. Nós fazemos uma barreirinha!
Nisto, um polícia que passava viu o acto na via pública:
- Ahá ! Apanhei-te! Isso é atentado ao pudor! Oh! Desculpe-me senhor Presidente, não vi que era o senhor...
- Não, companheiro, a lei é para todos. O que eu estava a fazer é errado e você vai multar-me e até prender se for o caso.
- Senhor Presidente, não o vou prender...!
- Vai sim, se estiver na lei.
- Não, não vou...
- Vai!
- Senhor Presidente... o senhor já fez tanta cagada, acha que eu vou prendê-lo por uma mijadinha de nada... ?

Friday, 3 October 2008

Ilegalidade: Renamo premeia fofoqueiros

Quem me conhece pode corroborar que o meu grande vício é o fanatismo com que persigo as notícias, principalmente as que emanam de Moçambique, bebendo sequiosamente em diversas fontes. Felizmente tenho acesso aos mais variados meios de informação e gosto de pensar que sou uma pessoa bem informada. PURA ILUSÃO, é impossível acompanhar todos os fluxos de informação, simplesmente não há tempo para absorver tantas notícias!
No passado fim-de-semana, veio a lume uma notícia que considero importantíssima mas que quase se me escapava. O Allafrica.com, um site informativo considerado credível e idóneo, informou que Fernando Mbararano, Faque Inacio e Moises Machava foram nomeados para o Conselho Nacional da Renamo. Ora bem, quem são estes indivíduos? Nem mais nem menos que os fofoqueiros da Beira, os intriguistas que causaram a presente crise na Renamo, crise essa que está a ter consequências dramáticas para o Partido. Eu quase que ia caindo da cadeira quando li esta triste notícia, ao invés de investigar e disciplinar estes fofoqueiros a Renamo decidiu dar-lhes um prémio. Isto é demasiado mau para um Partido que se diz democrático, e se insistir em copiar os erros mais grosseiros da Frelimo jamais será alternativa, pois na Frelimo é prática corrente premiar os imcompetentes e a Renamo está a aprender bem.
Esta notícia é revoltante mas tem uma vertente ainda mais preocupante, as nomeações foram feitas à margem dos estatutos da Renamo. Vejamos calmamente, o Artigo 25 dos Estatutos do Partido Renamo afirma o seguinte: “O Conselho Nacional é composto por 60 membros eleitos pelo Congresso. No processo de eleição dos seus membros observa-se o princípio de representação das províncias e do género.” Penso que está bem claro, os membros do Conselho Nacional são eleitos pelo Congresso, como não há Congresso há muitos anos torna-se evidente que estas nomeações violam os próprios Estatutos do Partido, sendo assim ilegais. Recuando no tempo, este estratagema ilegal foi usado no ano passado quando Rui de Sousa e Maria Inês Martins foram nomeados para o Conselho Nacional. Esta é uma situação extremamente alarmante pois decisões importantes estão a ser tomadas por pessoas nomeadas ilegalmente.
Eu não sou jurista mas os Estatutos são bem claros, não precisam de interpretação especial. Curiosamente, o Artigo 26 no ponto 4, indica que é competência do Conselho Nacional “Velar pela observância rigorosa dos Estatutos e do Programa do Partido”. Como pode velar se o Conselho Nacional é o principal prevaricador?
Eu não vi a notícia da nomeação dos intriguistas em outros meios de informação, se não foi amplamente divulgada isso revela que na Renamo não há comunicação nem transparência. A propósito, porque não houve um comunicado explicando o que se passou em Quelimane? A Renamo é uma organização secreta?

FONTES: http://allafrica.com/stories/200809240128.html
Os Estatutos podem ser consultados em: www.comunidademocambicana.blogspot.com

Thursday, 2 October 2008

Do poder da Comunicaçao Social ao poder do dinheiro




Maputo(Canal de Moçambique) - Na semana findou, o jornalismo independente moçambicano viveu um facto, de alguma forma, inédito. A última edição do jornal «Zambeze» foi praticamente “retirada das bancas” - estou a citar o semanário «Savana» - aparentemente por figuras que se sentem visadas nos artigos que o jornalista Luís Nhachote tem estado a publicar no semanário «Zambeze» sobre os “contornos do narcotráfico em Moçambique”. Como já deve ser público sofreu ameaças pelos referidos artigos. Inclusive remeteu uma queixa à «PGR- Procuradoria Geral da República». Mas fora o que foi acima dito o que mais intriga o autor destas linhas é o nível de baixaria de quem “retirou o jornal Zambeze das bancas”. Os indivíduos foram ao ponto de comprar o jornal em causa, retirar as páginas que lhe interessavam, e devolver os mesmo exemplares aos ardinas que lhes venderam. Estes últimos na sua ingenuidade voltaram a colocar o mesmo jornal, sem algumas páginas, no mercado. Que algumas pessoas tenham dinheiro para comprar o número de jornais que lhes convêm é com elas. Mas tamanha baixaria deve ser um indício de que os artigos de Luís Nhachote estão a incomodar, como razão, determinadas pessoas que acreditam que o poder do seu dinheiro pode incomodar o poder da comunicação social. São os que não tiveram tempo para saber que a comunicação social também é um poder. E agora que a «PGR» está com a cara mais ou menos limpa, com a detenção do ex-«super ministro» do governo de Joaquim Chissano, Almerino Manhenje, e dos seus oito colaboradores, facto que devolveu, de certo modo, algum crédito à instituição dirigida por Augusto Paulino, penso que a mesma tem obrigação de investigar quem são as pessoas a quem os artigos de Nhachote incomodam. E porquê? Nem que seja para que os cidadãos mais comuns não continuem a perguntar no «Chapa-Cem»» como é que proprietários de minúsculas tabacarias circulam em carros do último grito e vivem em mansões de sonho!?...

(Celso Manguana) – CANALMOZ, 30-09-08



É vergonhoso e estranho!

A expulsão da Renamo de Daviz Simango - estrela da governação municipal - foi, na minha opinião, mais é um erro grave, é sinal de muita fraqueza no seio do partido de Afonso Dhlakama. Tenho chamado a Renamo para encontrar uma outra maneira de resolver os seus problemas, evitar, por todos os meios, recorrer a formulas mágica de aguardar em casa, isolar e não chegar à extrema medida de expulsar militantes, como é prática.
Sou por uma Renamo forte e ligada às bases, que não embarca em mentiras de pessoas com agendas ocultas. Gostaria de ver a Renamo disputando, de igual para igual, o acesso ao poder com o seu adversário, Frelimo, e não perder tempo a gerir guerras intestinais provocadas por intriguistas e fofoqueiros. Se o líder da Renamo tiver, no seu horizonte, a esperança de vir ser governo, é urgente que abandone os métodos autodestruição e autocrático.
Tem que se mostrar inconformado por aquecer o banco da oposição e dar a mensagem de que tem programa para governar melhor que a Frelimo. Ser um partido de esperança e não onde os melhores militantes são esmagados e humilhados. Se agir de tal modo, a Renamo vai ser a escolha preferida do povo. Enquanto continuar a infernizar seus militantes, dificilmente será governo. Ninguém confia num partido que se digladia ao invés de planificar vitórias eleitorais, reorganizando-se.
A Renamo tem que debater ideias, deixar várias correntes de pensamento, fluírem, livremente. Em eleições, em caso de dúvidas, entre um diabo conhecido e outro desconhecido, o povo escolhe o conhecido. As novas gerações não conhecem o colonialismo nem viveram os terrores do comunismo. Precisam de uma nova mensagem da causa pela qual a Renamo diz se bater. Quando se apercebem de que na Renamo não há espaço para se afirmarem, apartam- se que nem o diabo foge da cruz. A expulsão de Raul Domingos foi horrível. O isolamento sujeito a membros proeminentes que poderiam dar um contributo significativo, tais como Jafar Jafar, Benjamim Pequenino, David Aloni, recentemente falecido, Joaquim Vaz, Chico Francisco, Benjamim Cortês, Raimundo Samuge, etc., amedronta aderir a qualquer um. A expulsão, com base em fofocas, de Daviz Simango, consolida a ideia de que a Renamo caiu no abismo.
Chama a atenção a qualquer indivíduo que o grupo Mbararano ande colado à polícia e o seu discurso contra Simango seja coincidente com o da Frelimo. Pode-se deduzir que o afastamento de Simango obedeceu a uma agenda estranha à Renamo. É contra os interesses dos beirenses.
Manuel Tomé, chefe da bancada parlamentar da Frelimo, por diversas vezes, disse que a representação parlamentar da Renamo corre o risco de ser reduzida para metade, na próxima legislatura, devido à forma como a perdiz não faz política. Nas próximas eleições, certificar-nosemos desta previsão. A democracia anima quando há igualdade. Agora, o desequilíbrio com tendência a aumentar. Meus avisos ao líder da Renamo para mudar de postura, nunca faltaram.

Por Edwin Hounnou, na TribunaFax de 30/09/08

Wednesday, 1 October 2008

Dhlakama, assim não

Os tempos dos saneamentos pertencem à história. O partido Frelimo ficou conhecido como dos poucos tolerantes. Por qualquer coisa, choviam comunicados de expulsão de membros de todos os tamanhos, ministros incluídos, não escapavam ao crivo. Comandantes e comissários caiam na desgraça. Não era importante investigar para se saber se a acusação tinha algum mérito. Eram métodos revolucionários que tardaram em incendiaram o País. O descontentamento tomou conta dos combatentes e dos que haviam aderido ao movimento libertador.
Tais métodos demonstram-se inadequados numa situação de política multipartidária. A continuar assim, corria o risco de esvaziar suas fileiras, reforçar o exército de descontentes. A Frelimo sabe o valor de cada voto para não descer do poleiro. Atrás de um desafectado, estão os familiares, amigos e seguidores que, não encontrando razões da medida draconiana, passam a detestar o partido com tais práticas. Apercebeu-se do perigo e parou de expulsar seus membros. Hoje, usa todos os meios – partidariza o emprego e o Estado – para assegurar sua supremacia.
Os gigantes da Renamo desapareceram. Andam desavindos com o líder. Até aqui não estão explicadas as razões que ditaram a expulsão de Raul Domingos. Pensa-se que tenha sido vítima de intrigas entre gente da Renamo e dirigentes da Frelimo, designadamente, o seu então presidente, Joaquim Chissano, que foi quem denunciam, cordialmente, ao seu irmão, os pedidos de financiamento de Domingos ao, também, seu irmão, Tomás Salomão. Expulsar Domingos foi um erro político grave. David Aloni, intelectual de vulto que qualquer partido gostaria ter nas suas fileiras, foi vítima de intrigas dos bajuladores. Quando Aloni foi irradiado, o círculo eleitoral de Tete foi assaltado pelo partido no poder. Colocar no banco Dionísio Quelhas é o mesmo que mandar ao balneário Ronaldino Gaucho e substituí-lo por um jogador do Atlético de Muxatazina. Jeremias Pondeca, apesar de, politicamente, queimado, pelas suas danças e apitadelas, no parlamento, continuaria imprescindível na linha de ataque.
Jafar Jafar é uma figura incontornável quando se pensa na vitória. Caíu fora, fulminado por intrigas dos que bajulam o líder. Mentiam que Jafar fazia jogo duplo. Era tudo falso. É um escândalo julgar que Benjamim Pequenino não seja importante na organização, estruturação e valorização da Renamo. Demonstrou, na vida, que é um gestor de gabarito. Tem capacidade para melhor o desempenho do Renamo.
Raimundo Samuge, quadro sénior do partido, mandado, pelo líder, aguardar novas, através de sms de um cellular emprestado a um oficial menor. Depois de um ano de indefinição, decidiu saltar para fora da carroça. O que está a acontecer na Renamo? Dizem haver um enorme défice de diálogo. As ideias não fluem. Quem não discutem, com o seu comando, estratégia de combate, não ganha qualquer batalha, por muito bom comandante que seja. Um partido de crises não ganha uma eleição.

(Edwin Hounnou, A Tribuna Fax, 25/08/08)
NOTA: Isto foi antes do caso Simango, portanto a crise já vem de longe.

A crise Global dos Bancos

Ontem falhou o Comunismo – Hoje começa a falhar o Capitalismo

Estamos a assistir ao colapso do Capitalismo! Precisamente no país do liberalismo económico mais radical. Os accionistas vampiros das finanças serviram-se do sistema financeiro até ao máximo e à sombra de gerents usurários dos grandes bancos e duma política também ela sedenta de dinheiro.
Tal como o sistema económico comunista falhou há 20 anos, falha agora a ordem económica actual. As ideologias revelam-se precárias. Que se aproveita delas são sobretudo as nomenclaturas dirigentes. O povo é quem paga a fava! Políticos e banqueiros procurarão manter o rebanho calmo no redil. Seria pior ainda se as ovelhas escoicinhassem ao serem tosquiadas, na opinião de politicos e de banqueiros. Estes esperam da política que esta encha os bancos falidos com o dinheiro dos contribuintes para que os que vivem do dinheiro irreal especulativo não vejam diminuir o dinheiro e continuem a operar no seu Olimpo.
“Toda a nossa economia está em perigo”, confessa o presidente americano. Para que os bancos não deem bancarrota os estados têm de os apoiar com somas astronómicas. A USA começa dando o exemplo disponibilizando 700. 000.000.000 Dólares. É discutível mas se o não fizer mais cara ficará a crise para nós. Mesmo assim as consequências serão desastrosas, por muitos
anos. Haverá um decréscimo da produtividade e dos investimentos.

O desemprego aumentará

O contribuinte e os fornecedores do capital real ao banco terão de pagar a factura das especulações feitas pelos jogadores das notas falsas da bolsa (economias irreais).
Seremos informados a conta-gotas sobre as perdas reais dos bancos. Seria catastrófico se o povo se apercebesse do problema e perdesse a confiança nos bancos!... Então até os bancos mais saudáveis faliriam. Eles trazem mais dinheiro emprestado do que o dinheiro que possuem.
Antigamente tinham o correspondente das notas em ouro. No tempo duma democracia mal gerida basta a confiança e o povo como fiador.
O Doutor Heiner Geißler, antigo ministro do Governo federal alemão e antigo secretário-geral do partido “União Democrática Cristã” (CDU) apregoa a criação duma nova ordem económica mundial, e uma economia internacional de mercado ecológicosocial. Para não ser sempre o contribuinte a acarretar com as despesas, defende a criação de um imposto sobre as transacções na Bolsa. Este imposto poderia financiar um Marshall- Plan global.
Precisa-se de uma competição regulada, dum sistema mitigado humano. Segundo Geißler o volume de mercado financeiro mundial é de 140 bilhões de dólares enquanto que o produto nacional mundial bruto é apenas de 50 bilhões de euros. Isto significa que há 90 bilhões a mais (falsos) que são usados apenas para fins especulativos e a que falta uma base económica real. A dominância incontrolada dos bancos tornou-se um perigo para os Estados.
A privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos torna o capitalismo liberal ainda mais desumano.Há 20 anos deu-se o colapso sistema económico dos estados comunistas. Pensava-se que o Capitalismo tinha vencido apostando-se no mercado financeiro desregulado. Os resultados estão à vista. A “dolorosa” teremos nós que a pagar!
A aposta dos políticos num Mercado que tudo regularia, vê-se agora perdida. Se a política não intervir reduz-se a acólita da ideologia económica. Para evitar males maiores o Estado fica para já como fiador e o contribuinte paga a conta.

A confiança é boa mas o controlo sempre parece ser melhor


(António da Cunha Justo,no Diário do País, com a data de 29/09/08)

Tuesday, 30 September 2008

Mão estranha ameaça Estado de Direito

Temos em nosso poder uma prosa, cujos autores - Assembleia Geral Ordinária da Confederação das Associações Económicas de Cabo Delgado, CAECAD – chamam de acta, de 2/2008, lida no encontro promovido pela Primeira-Ministra, aos 18 de Setembro do corrente ano, com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA. É uma afronta à lei, portanto, inaceitável num Estado de Direito. A CTA e quem anuiu a leitura da carta fazem campanha de conspiração contra os que não pactuam com ilegalidades.
Aos esquecidos e mal intencionados recordar que, num Estado de Direito, impera a lei. Ela está acima de qualquer outro interesse. Num Estado de Direito ninguém está acima da lei. Todos os cidadãos são iguais perante a lei. Os interesses tanto particulares como públicos devem sujeitar-se à lei. Não nos admira que os novos ricos protestem contra a lei por estarem habituados a fazer o que melhor lhes convém.
Assistimos a devastação das dunas das nossas praias e a discriminação racial que acontece nas estâncias turísticas, exibindo, impunemente, a placa no black allowed (proibido a pretos) ou ainda pior no black children allowed (proibido a crianças negras). Em 2005, a governadora de Maputo, Telmina Pereira, quis mandar demolir casas construídas por cima das dunas, porém, a mão estranha – governantes corruptos - impediu-a de aplicar a lei.
Tais práticas não são combatidas por quem tem o dever profissional de impedir, alegadamente, para não afugentar o investimento e não permitirem que moçambicanos sejam discriminados na sua própria terra. É estranho que a reunião da CAECAD tivesse lugar no Pemba Beach Hotel – um antro de racismo e contratação ilegal de trabalhadores estrangeiros – para reclamar contra aplicação da lei. Se isso não for estranho para os seus mentores, para nós é mau. Só pode ser a mão estranha que faz governantes ficar moles, surdos, mudos e cegos perante atropelos à lei.
Nenhum investimento deve ser autorizado a operar quando viola as leis nacionais. A inspecção do Trabalho na província de Cabo Delgado desvendou graves ilegalidades protagonizadas por empresários que reclamam a aplicação da lei. Gostariam eles de pagar salário abaixo do estipulado por lei. Não hesitam em abandonar seus trabalhadores feridos, em serviço. Poupariam se não dessem protecção nem assistência previstas na lei. Colectar as contribuições dos trabalhadores para engordar seus bolsos seria maningui nice.
Alguns empresários multados, conscientes do mal praticado, começaram a pagar as multas aplicadas, enquanto outros, assistidos pela mão estranha, desenvolvem conspiração, denegrindo a inspecção. Fazer cumprir a lei não é uma verdadeira campanha pessoal. Querem Moçambique sem fronteiras nem leis dissuasoras. Querem uma república das bananas onde o cumprimento da lei seja um acto voluntário. Outros interesses estranhos movem os autores dos protestos. Gostaríamos de saber quem patrocina os protestos desses empresários.

(Edwin Hounnou, na Tribuna Fax de 22/09/08)

Monday, 29 September 2008

Governo está "arrasca"

A prisão, no dia 22.09.2008, do exministro do Interior, Almerino Manhenje e oito seus amigos, acusados de desfalque de 220 milhões de meticais, incluindo o PCA do Instituto Nacional de Segurança Social, Armando Pedro, é visto como resultado da pressão da comunidade doadora e de consubstanciar o discurso de combate à corrupção. A Suécia e Noruega anunciaram cortes substanciais do seu apoio ao orçamento do Estado, por falta de avanços, no combate à corrupção, em Moçambique.
A ministra da Função Pública, Vitória Diogo, revelou, em entrevista à TVM, que, no ano passado, expulsou quase 900 funcionários, por indisciplina, mau comportamento, absentismo. Em nenhum momento disse ter encaminhado à Procuradoria casos de roubos de fundos públicos, apesar de estarem a ocorrer todos os dias. Diogo lança poeira aos olhos do povo para impressionar alguém. A TVM, por razões ainda por descortinar, voltou a pôr no ar esta publicidade enganosa. Sugerimos, oportunamente, ao PCA da TVM, para poupar os telespectadores com brincadeiras.
O governo combate o polícia de trânsito que pede refresco ao automobilista, para anular a multa. Ao professor primário que quer mata-bicho, para deixar o menino transitar de classe. Castiga ao enfermeiro que solicita oriento ao paciente para não bichar. A detenção de funcionários da primeira linha é um sinal de que o aviso dos doadores vai continuar a fechar as torneiras que jorram leite e mel que engordam os novos ricos. Se medidas enérgicas de combate à corrupção não forem tomadas, os momentos mais difíceis estarão próximos e o governo sairá derrotado da sua pena com gente corrupta.
Ficou mal a defesa pública, na TVM, proporcionada pelo antigo chefe do Estado, Joaquim Chissano, a favor dos detidos, sugerindo que aguardassem julgamento em liberdade, comparando a situação com a do líder do ANC, da África do Sul, Jacob Zuma. Esta comparação é absurda e inoportuna. Siba-Siba Macuácua foi morto por cobrar dinheiros roubados ao Estado. O governo de Joaquim Chissano fingiu perseguir os assassinos, quando, de facto, enganava o povo. Até ensaiou ajuda de peritos sul-africanos.
Recentemente, foram absolvidos, pelo tribunal, oito cidadãos indiciados no suposto atentado à vida do marido da Primeira-Ministra, depois de oito anos de reclusão. Ninguém ouviu Chissano a solicitar que aqueles cidadãos aguardassem julgamento em liberdade. Gostaríamos que todos os corruptos, com provas documentadas, fossem encarcerados, julgados e condenados. A prisão de Manhenje e seus comparsas na suposta roubalheira dos fundos do Estado no Ministério do Interior, é uma amostra não significativa dos roedores do bem comum.
Continuamos insatisfeitos com a Procuradoria Geral da República devido ao seu fraco desempenho no combate à gatunagem, nas instituições públicas. Empresas fantasmas de dirigentes são infiltradas nas instituições do Estado para sugarem fundos. Foi assim como roubaram no Ministério do Interior. Vimos isso, recentemente, no INSS.

(Edwin Hounnou, na Tribuna Fax com a data de 29/09/08)

Sunday, 28 September 2008

Meditação dominical




Aos Domingos, costumo colocar neste espaço algo que inspire e/ou faça pensar. Hoje, sem querer fugir ao tema e porque acredito ser importante meditarmos em certas coisas que preocupam os democratas, deixo aqui em baixo duas opiniões que carecem de profunda meditação.

NOTA: Esta foto foi tirada na minha recente visita a Maputo num dos sítios emblemáticos para mim, Jardim dos Namorados.

Incesto consumado! Obrigado papa Dhlakama

Ou, Roteiro do Velório em câmara ardente

Como era previsto, o Presidente da Renamo acabou mesmo expulsando Davis Simango da Renamo, confirmando por outro lado a candidatura de Manuel Pereira pela Renamo.
Ao assim proceder, Afonso Dhlakama, Presidente da Renamo, acaba de fazer algo que mais gosta: afundar a própria Renamo, cimentando por outro lado o seu reinado. Dhlakama acaba também de lançar mais um recado aos intelectuais e todos aqueles que clamam pela mudança dentro do Partido: aqui mando eu. Ou obedece, ou expulso-te.

Consequências de curto, médio e longo prazos

1

Os cinco deputados mais cotados da Renamo irão declarar-se independentes brevemente, como forma de manifestar a sua indignação em relação ao despotismo praticado pelo papá Dhlakama. Isso obviamente, terá implicações muito graves no desempenho da Renamo nas próximas sessões da Assembleia da República. António Namburete, já que é candidato oficial da Renamo pela cidade de Maputo, permanecerá calado até perder as eleições a favor de David Simango em Novembro próximo. Depois, também se juntará ao grupo. Se não for por livre vontade, será por vontade do líder, já que Dhlakama tem um especial pavor por intelectuais e pessoas letradas.

2

Na Beira, Simango e Bulha levarão vantagem em relação a Manuel Pereira. Sem recursos, a Renamo perderá as eleições. Bulha com a máquina do Governo provincial e central bem como do Partido Frelimo, levará a campanha eleitoral mais cara de sempre! Bulha não poupará seus recursos pessoais para ganhar pela primeira vez a Beira. Para Bulha, Beira constitui um dos achievements políticos que o levará às nuvens. E para a Frelimo arrancar a Beira da Renamo, constituirá um marco fundamental, rumo à maioria qualificada nas gerais de 2009! Terá apoio pessoal de Filipe Paúnde, como SG e de toda máquina propagandística, incluindo alguns colunistas do Noticias!
Por seu turno, Davis Simango, com o Município nas mãos e toda a infra-estrutura política da Renamo, terá mais para redistribuir do que Manuel Pereira. Usará como é mister recursos humanos e materiais do Município (carros, salas de reunião, chefes do bairro, etc.) ao serviço da sua campanha. A propósito, quantos mais membros deverão ser expulsos do Partido, já que a maioria dos apoiantes de Simango são da Renamo? Haverá outros Conselhos nacionais para expulsar os restantes? Quando?
Em Novembro, ou Bulha, ou Simango Goevrnará a Beira. Será o princípio do fim da Renamo, rumo a derrota final em 2009.
Mesmo que Simango perca (50% de probabilidade) o Grupo de Reflexão e Mudança constituirá a principal força de oposição na Beira e a Renamo a terceira. Haverá balanço de poder na Assembleia e a Frelimo não terá maioria absoluta para governar livremente. Terá assim que cortejar a GRM.

3

Sem Beira nem bastião e com menos deputados na Assembleia da República (provavelmente 80-83 contra os actuais 90); desorganizada e com poucos recursos, assim irá a Renamo as eleições gerais de 2009.
Sabendo que um dos aspectos que penaliza a Renamo em pleitos eleitorais é a falta de organização e escrutínio pelos seus membros, nas Assembleias de Voto bem como a montagem de um sistema de contagem paralela (factores que ditaram em grande medida a vitória de Davis na Beira. Na Zambézia, deveu-se ao empenho pessoal dos deputados Manuel Araújo e Carlos Colaço e sua equipa) a Renamo consentirá a pior derrota de sempre. Por outro lado, a Frelimo obterá pela primeira vez, a maioria absoluta! Sim maioria absoluta! Aí sim, Afonso Dhlakama descansará em paz! Terá conseguido o que sempre quis em 30+ anos de militância.

4

Por causa da derrota, Dhlakama encenará uma reorganização político-partidária para, alegadamente revitalizar as bases. Mas antes demitirá Mazanga do cargo de Porta-voz. Mais uma vez viajará para Quelimane – cidade Santa – (em 2010 ou 2011), para um Congresso, onde dará o último golpe a todos aqueles que ele achar constituírem ameaça. Redistribuirá cargos de chefia pelos seus yessmen. Recuperará figuras outrora por ele marginalizadas mas que teriam se mantido calados.
Ao longo de todo este processo sempre haverá espaço para um e outra reunião de fachada, seja para redistribuir dinheiros, seja para demitir um e outro. Em 2009 Dhlakama dirá que as eleições foram fraudulentas. Só que ninguém lhe prestará ouvidos. A SADC como sempre, declarará as eleições livres, justas e transparentes mesmo antes dos postos de votação fecharem.
Diplomaticamente, Dhlakama estará isolado em 2009. Financeiramente continuará a ganhar como líder da oposição; fará parte do Conselho do Estado e continuará a manter os seus homens armados em Maríngue.
Só que para estes, a Frelimo tem um plano: a cidade se lhes aproxima a cada dia que passa. E o rádio que Dhlakama os proibia de escutar em tempos de guerra, está todo o dia ao ouvido destes. Ouvem e sabem a cada dia que passa, que o seu mestre os ludibria; que há oportunidades sérias e duradoiras para além de Dhlakama. E um dia não mais haverá homens armados. E não será preciso a FIR. O desenvolvimento do país se encarregará em desmantela-los.
Politicamente, Afonso Dhlakama estará cada vez mais fraco. Pela primeira vez na História, teremos um Dhlakama protestado pelas bases. E a Junta para a Salvação da Renamo ganhará coerência. Tarde ou cedo, PDD e Renamo fundirão num partido só. Desta vez sem Afonso Dhlakama. Mas para que isso aconteça teremos que aguardar por uns 15-20 anos, ou 4 eleições gerais. Até que alguém declare-se incapaz de dirigir o partido, por força da natureza.
PS: Há uma coisa que não consigo entender no caso Davis-Dhlakama: Será que Lutero Simango vive neste planeta? Estranho o seu silêncio e serenidade ante o assassinato político do irmão mais novo, com o agravante de ter sido ele que o convidou à vida política! Lutero Simango, diga algo! É seu irmão Davis! Acima de tudo. Acima do seu sucesso.

FONTE: www.ideiasdemocambique.blogspot.com

NOTA: Uma opinião perturbadora, concordemos ou não isto não é ficção científica!

Dhlakama deixou-se enganar!


Fernando Mbararano, Faque Fararia, Lucas Machava e Manuel Bissopo mentem quando dizem que as bases da Renamo pedem para que troque Davis Simango por Manuel Pereira. O tempo vai provar que o Presidente foi fintado ou finge que está sendo enganado por gananciosos. A fúria dos beirenses tem razão. Como jogar ao lixo o melhor edil do País? O Presidente deveria deixar de ouvir fofoqueiros, relançando o partido para combates eleitorais.
O que está a acontecer não honra a Renamo. Mancha a imagem do presidente. Ninguém confia em si, porque, hoje, diz uma coisa, amanhã, afirma outra, mas, contrária. Simango não é nenhum perigo para o líder como pensam os fofoqueiros. Há muita gente a dizer que o líder tem medo da projecção que Simango tem. É verdade mesmo? É uma pergunta e perguntar não ofende. Se for verdade, fique tranquilo que se trata de mentira de perigosos mutantes.
A competência de Dhlakama como comandante da guerrilha é inquestionável. Em nome dos sem voz, estamos reconhecidos, por ter combatido o sistema comunista, que havia sido implantado na nossa terra. Quem lhe escreve a carta é um amigo que o admira, que não consegue ficar calado perante erros imperdoáveis que vem cometendo.
A história regista que grandes homens, com impactos fortes para seus países, são pessoas humildes que se curvam quando se reconhecem errados. A vida ensina que, só, se ergue quem sabe as razões que o levaram ao chão. Os orgulhosos não fazem história. O presidente tem cometido erros graves que custam caro à democracia.
Simango é um exemplo de uma administração isenta e competente que a Renamo deveria acarinhar. Quando os mais dedicados são sacrificados, a Renamo fica esquelética. A riqueza de um partido reside nas qualidades humana e intellectual dos seus quadros. A história não reza engraxadores que facilitam o retorno ao monopartidarismo.
Os caluniadores não explicam ao líder a razão dos constantes desaires eleitorais do partido? Dizem que Dhlakama é o melhor líder do mundo. Não dizem que a base rural da Renamo está sendo assaltada nem que o partido não aproveita o potencial das elites urbanas. Não exigem congresso nem questionam o défice democrático. Sabem dizer que Simango estava a preparar um golpe ao presidente num hipotético congresso. Será por isso que o tal congresso vem sendo adiado?
Retirar Manuel Pereira da corrida da corrida é sinal de humildade e reconciliação com as bases do partido. A gente diz que o presidente foi comprado pela Frelimo. Será verdade ou é mentira? O entusiasmo das pessoas em relação à figura do líder tem vindo a baixar, de forma drástica, por perder eleições de maneira estranha.
A Renamo precisa evitar o que acaba de acontecer com a UNITA, em Angola. Envolvida em lutas intestinais, deixou o processo entregue ao MPLA, que cozinhou os resultados como lhe convinha. Se a postura do presidente Dhlakama não for alterada, os acontecimentos de Angola, serão reeditados em Moçambique.


( Edwin Hounnou, A Tribuna Fax, 15/09/08 )

NOTA: Os sinais e avisos são bem evidentes! Se houvesse transparência e humildade....

Saturday, 27 September 2008

Humor: Solução para Moçambique?

Na prova do Curso de Química, foi perguntado:
-Qual a diferença entre SOLUÇÃO e DISSOLUÇÃO?
Resposta de um aluno:
- Colocar UM dos NOSSOS POLÍTICOS num TANQUE DE ÁCIDO para que DISSOLVA, é uma DISSOLUÇÃO. Colocar TODOS, é uma SOLUÇÃO!

Porque Tsvangirai assinou o Acordo com Mugabe


Recebido via e-mail, desconheço a fonte.

Thursday, 25 September 2008

Renamo desintegra-se

BEIRA – Depois de Daviz Simango a candidatar-se como independente, para o município da Beira, mais dois membros seniores da Renamo seguem seu exemplo, nos municípios de Marromeu, em Sofala, e Gurué na província da Zambézia.
Trata-se de Camiro Dambe, exguerrilheiro da Renamo que, Segundo soube o A TribunaFax, foi promulgado pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral, STAE, e pela Comissão Nacional de Eleições, CNE.
Dambe era vereador para a área de Urbanização, Água e Saneamento, no Conselho Municipal de Marromeu e, porque não gostou da posição tomada pelo líder, Afonso Dlakama, de manter o actual edil para concorrer à sua sucessão decidiu avançar com sua candidatura independente.
Dambe foi proposto pelo Grupo para Mudança de Marromeu, GMM, um movimento criado dentro da Renamo para combater aquilo que chamaram de ditadura do líder da Renamo. Dambe diz estarem criadas condições para vencer o pleito autárquico, pois, goza de aceitação, no seio dos munícipes daquela autarquia.
“Decidi desafiar o partido, porque o dirigente máximo da Renamo não gosta da democracia. Não se realizaram eleições internas, porque o presidente Dhlakama decidiu manter o João Germano, actual edil para se recandidaturar. Vou ganhar as eleições e envergonhar o partido”, disse Dambe, frisando que a sua candidatura foi aprovada depois de reunir acima de 600 assinaturas das 180 exigidas. Caso vença, tudo fará para mudar a face do município que, segundo a fonte, está em péssimas condições.
Uma ex-deputada do partido de Afonso Dhlakama, Isabel Lino, considerada dama-de-ferro, vai concorrer como independente, para o município de Gurué, província da Zambézia.
Toda a documentação de Isabel já deu entrada nos órgãos eleitorais. Fontes que apoiam a ex-deputada contaram que a candidata vai ser apoiada por uma coligação denominada União para a Mudança, dirigida por Carlos Reis, presidente da União Nacional Moçambicana, UNAMO. (R)
FONTE: TRIBUNA FAX, de 22/09/08

Wednesday, 24 September 2008

Perdiz: o símbolo e a legalidade


De acordo com a oportuna explicação do sempre atento Reflectindo, (confira em www.comunidademocambicana.blogspot.com), o Artigo 10 dos Estatutos da Renamo, revela que a Perdiz “simboliza a identidade, autenticidade, a negação da subjugação e a afirmação da Liberdade”. Este Artigo 10 dos Estatutos da Renamo é bem claro!
Os pseudo-democratas decidiram usar esse mesmo Artigo contra Daviz Simango e ele está interdito de usar os símbolos da Renamo na sua campanha, medida que abrange os seus apoiantes. O ridículo da situação é que continuaremos a ver esses símbolos nos comícios de Simango pelo simples facto de que os seus apoiantes são maioritariamente membros e simpatizantes da Renamo. Quem os pode impedir? É incontestável que a verdadeira Renamo está com Simango, os intriguistas querem atirar areia para os olhos do Povo!
Analisando com atenção este Artigo 10, torna-se evidente que Daviz Simango tem toda a legitimidade em usar orgulhosamente a Perdiz. Simango representa “ a identidade, autenticidade, a negação da subjugação e a afirmação da Liberdade”.
Eu não sou jurista, mas prosseguindo nesta linha de pensamento, torna-se demasiado evidente que a maioria dos que estiveram em Quelimane, incluindo a liderança, não podem usar a PERDIZ, se usarem esse símbolo devem ser processados judicialmente por uso abusivo e ilegítimo de um símbolo que não lhes pertence, pois contrariam o significado desse mesmo símbolo.
Estou errado?
TRIBUNAL COM ELES!

Tuesday, 23 September 2008

Este blog recomenda-se

Já há muito tempo que conheço os escritos de Josué Bila, via e-mails encaminhados por mão amiga, e os seus artigos impressionam-me pela lucidez e profundidade do seu pensamento. Em boa hora, Bila resolveu abrir um blog onde poderemos emcontrar artigos estimulantes.
Eis Josué Bila em sua próprias palavras:

Mocambicano, de nacionalidade. Actualmente, estou no exilio academico-teologico-filosofico, em Sao Paulo. Sonho individual: que seja cultural e intelectualmente cosmopolita. Sonho pro-colectivo: que os mocambicanos, todos, um dia sejam cidadaos. Penso que, hoje por hoje, sao habitantes. A maioria dos mocambicanos vegeta bastante. Sonho, ainda, para que se estabeca a justica social, em todo o planeta. O portugues Boaventura de Sousa Santos e o norte-americano Richard Falk propoem ideias brilhantes na luta pela justica social e no escangalhamento hegemonico do norte, que dilapida, carcome e aleija as aspiracoes dos excluidos do mundo.

Delicie-se com este trecho do artigo intitulado: “Moçambicanos: habitantes ou cidadãos?”

Em meio ao debate moçambicano, vítima da nudez intelectual e preconceito político-ideológico, posso parecer herético e reaccionário-oposicionista, ao afirmar que, no nosso país, superabundam habitantes que cidadãos. Meu argumento básico surge da supernotável diferença comportamental entre habitantes e cidadãos. Moçambique tem um pouco mais de 20 milhões de habitantes. Isso não pressupõe que tenha, em essência, igual número de cidadãos, porém.

... comecemos, hoje, a industrializar bugalhos-habitantes; amanhã, longínquo, transformar-se-ão em alhos cidadânicos, certamente. Deste modo, Moçambique vai tornar-se liberdade. Hoje, Moçambique é antónimo de liberdade. O que é indesejável. O desejo é que Moçambique seja liberdade. Liberdade significa aceitarmos ser dominados pela ética e respeitarmos o nosso próximo na mesma proporção que desejamos ser respeitados e cumprir as leis republicanas, construindo e solidificando aquilo que o filósofo Emmanuel Kant apelidara de “República Moral”.

Monday, 22 September 2008

Conselho Nacional da Renamo pronuncia-se sobre Daviz Simango


O Engenheiro Daviz Mbepo Simango, que já está inscrito na Comissão Nacional de Eleições como candidato a suceder a ele próprio nas 3.ªas Eleições Autárquicas já marcadas para 19 de Novembro próximo, levou o Conselho Nacional da Renamo, reunido sexta e sábado em Quelimane, a alegar que o ainda Edil da Beira já não faz parte do “baralho” da responsabilidade da Direcção do Partido Renamo.
Na tarde de ontem o «Canal de Moçambique» tentou obter a “resolução” do Conselho Nacional daquela organização política sobre a desavença entre as bases da Renamo na Beira e a Direcção do Partido, suscitada pelo facto das bases terem dado, em massa, suporte à candidatura de Daviz Simango à sua própria sucessão e a Direcção da Renamo ter indicado Manuel Pereira como candidato oficial do partido a edil da Beira.
Duas versões
Há duas versões a correr sobre o caso Daviz Simango. Uma diz que o Conselho Nacional expulsou o edil da Beira por este ter avançado com uma candidatura independente e outra que diz que ele saiu sozinho do partido. Falta conhecer exactamente os termos da resolução tomada pelo Conselho Nacional.
Contactada Ivone Soares, porta-voz do Gabinete Eleitoral da Renamo, ela disse que só Fernando Mazanga, na sua qualidade de porta-voz da Direcção do Partido poderia fornecer ao «Canal de Moçambique» a resolução sobre o caso mas que não tinham nem fax nem internet para nos poderem enviar para Maputo. Ela frisou, no entanto, que Fernando Mazanga era a pessoa autorizada a divulgar a “resolução” mas que se encontrava em reunião.
O anúncio do afastamento oficial de Daviz Simango do partido foi feito pelo próprio líder daquela formação política, Afonso Dhlakama, no acto de encerramento do Conselho Nacional da Renamo, sábado à noite, na capital provincial da Zambézia.
“Os membros do Conselho Nacional, de boa-fé interpretando os estatutos do partido e analisando, viu-se que o nosso irmão Eng. Daviz Simango abandonou o partido Renamo por livre vontade. Tendo feito isto e aderindo a um grupo Reflexão e Mudança que está inscrito na Comissão Nacional de Eleições, significa que está num outro grupo que tem fins políticos” – disse Afonso Dhlakama num discurso feito de improviso tentando demonstrar que ele próprio, o presidente do Partido não tem nada a ver com a posição tomada pelos membros do Conselho Nacional a que por sinal preside nos termos dos Estatutos que constam do Boletim da República de 22 de Agosto de 1994, segundo nos informou Ivone Soares.
Para Dhlakama, os tais conselheiros da Renamo analisaram de forma “democrática” os estatutos da Renamo e “viram que não tinham outra maneira porque o nosso irmão infelizmente abandonou o partido por sua livre vontade”.
Segundo o presidente da Renamo, Daviz Simango foi igualmente intimado pelos ditos conselheiros, a não usar os símbolos do Partido Renamo a partir daquele momento em que Dhlakama discursava.
“Os conselheiros decidiram ainda que a resolução seja distribuída a todos os órgãos do partido, membros, simpatizantes e a população em geral” referiu Dhlakama.
Dhlakama “carimba” as opiniões de Mbararano e seus seguidores
Entretanto, o “Canal de Moçambique”, que se fez presente em Quelimane por um seu colaborador, soube de fontes próximas ao Conselho Nacional da Renamo, que decorreu à porta-fechada, que na realidade, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama carimbou as opiniões emitidas por um grupo onde se destacavam figuras como Fernando Mbararano, delegado político da Renamo na província de Sofala, brigadeiro Moisés Machava, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, e Fernando Carrelo, que se perfilam na linha da frente contra o actual edil da Cidade da Beira.
Entre os argumentos apresentados pelos indivíduos que previamente foram inscritos para usar da palavra durante o encontro, foi nota saliente que Daviz Siamngo estaria a preparar “um golpe contra Afonso Dhlakama na liderança do Partido e que para tal contava com vários grupos de membros da Renamo espalhados no país e na vizinha África do Sul”.
Foi ainda dito que Daviz Simango pertence ao Partido de Convenção Nacional (PCN) e que o mesmo usou a sua influência como edil da Beira para alimentar as suas ambições políticas. Este facto só por si faz com que se questione se ele de facto é do PCN porque se discute no Conselho Nacional da Renamo a sua expulsão ou se fala em auto-afastamento.
Seja como for foi com estes argumentos que se acabaria por justificar o que uns dizem ter sido a “expulsão” de Daviz Simango da Renamo e outros digam apenas que “ele saiu sozinho”.
As mesmas fontes do «Canal de Moçambique» que estiveram presentes nas reuniões do “Conselho Nacional” à porta fechada, disseram-nos igualmente que a maior parte dos membros do Conselho Nacional da Renamo presentes, incluindo alguns dos poucos intelectuais do partido que lá estiveram, optaram pelo silêncio, alinhando apenas com palmas de aprovação do que já estava traçado e não havia como impedir dado não ter sido dada a possibilidade de alguém se pronunciar sem estar sujeito a consequências.
Foi-nos contado que Afonso Dhlakama já teria lançado, logo no primeiro dia do encontro, achas na fogueira contra Daviz Siamngo, quando no momento em que se procedia à análise da situação política no país, referiu que nem na Frelimo a sucessão do poder está a ser feita sem ser entre as figuras da velha guarda, numa clara alusão à passagem da liderança de Joaquim Chissano a Armando Guebuza, e sem se pensar que essa possibilidade seja admitida a qualquer outra figura mais jovem.
Dhlakama é citado como tendo questionado os porquês da Frelimo não ter entregue o poder ao antigo ministro da Agricultura, Helder Muteia, que se chegou a atrever a candidatar-se a candidato a presidente da Frelimo que acabaria por resultar numa espécie de suicídio político que acabaria por levar Muteia a emigrar. As palavras de Dhlakama, contextualizadas, foram para as fontes do «Canal de Moçambique» presentes na sala onde decorreu a 10ª Sessão do Conselho Nacional da Renamo, uma espécie de recado que o presidente passou aos presentes para lhes dizer que a sua liderança no partido não pode ser sequer discutida.
Dhlakama chegou mesmo a dizer em frente de câmaras de televisão que de facto ele é um “ditador”.
Além do caso Daviz Simango, o Conselho Nacional da Renamo abordou também a questão da participação daquele partido nas eleições autárquicas que se avizinham e passou em revista a actual situação política e económica que o país atravessa.
Sobre as eleições autárquicas, Afonso Dhlakama disse que o Conselho Nacional da Renamo “deliberou que gostaríamos de ganhá-las”. “Não dizemos ganhá-las em todos os 43 municípios, mas aumentar os 5. Não sabemos para quantos. Para tal temos que ir trabalhar”, concluiu Afonso Dhlakama.
Legitimidade dos membros do Conselho Nacional
A legitimidade dos membros do Conselho Nacional da Renamo e do próprio presidente do partido está agora a ser posta em causa por alguns membros do partido nas bases.
Confirmando-se que no Conselho Nacional de Quelimane os presentes se socorreram dos estatutos do partido para afastar Daviz Simango da organização ou para sustentar que de acordo com eles Simango não poderia ter-se candidatado como independente, agora está a ser questionado, pelas bases do partido, que legitimidade legal terão os membros do Conselho Nacional da Renamo para se dizerem membros daquele órgão quando eles devem ser eleitos pelo congresso do partido de cinco em cinco anos e a Renamo não realiza qualquer congresso de 2001. O próprio presidente do partido, segundo os mesmos estatutos obrigam, é eleito em congresso e há sete anos que não se realiza qualquer congresso. Sendo assim começa-se inclusivamente a questionar se o presidente do partido tem ainda alguma legitimidade para deliberar seja o que for.
As bases da Renamo na Beira reivindicam para si toda a legitimidade de agir como bem entendem e a continuar a apoiar a candidatura independente de Daviz Simango à sua própria sucessão como presidente do Município da Beira.
Um quadro da Renamo na Beira, do grupo dos que apoia a candidatura do Eng. Daviz Simango como independente mas em nome informal das bases da Renamo, disse ontem ao «Canal de Moçambique», na Beira, que pelo facto dos membros do Conselho Nacional da Renamo estarem “fora de prazo” assiste às bases do partido na Beira continuarem a promover a “desobediência democrática” por alegadamente eles serem membros de base do partido, com cartões assinados pelo presidente e pelo secretário-geral, e como tal não carecerem de mais legitimidade do que essa para alegarem que são eles os únicos que estão em condições legais para indicar quem querem que seja o candidato a edil da Beira apesar de haver quem tenha inscrito outro nome como candidato oficial do partido.
“Não vou recuar”
No seu último pronunciamento público, perante cerca de cinco mil pessoas, entre pessoas das chamadas “bases” da Renamo na Cidade da Beira e munícipes daquela que é a segunda maior cidade do país, que lotavam no passado dia 17 de Setembro o pavilhão de desportos do Clube Estrela Vermelha, Daviz Simango reiterou que não vai recuar independentemente da decisão que o Conselho Nacional da Renamo haveria de tomar sobre o seu futuro na Renamo.
“Como vosso filho não vou recuar. Aprendi a não ter medo. Por isso não tenho medo. Contem comigo para tudo o que vier à frente” dizia Simango prevendo já o que haveria de lhe acontecer no encontro que culminou este fim-de-semana com o seu afastamento da Renamo.
“As pessoas que não acreditam num povo, as pessoas que não respondem ao choro de um povo, são aquelas que andam por aí escondidas. Eu Daviz Simango farei o que o povo mandar”- referiu. Simango aproveitou ainda a ocasião para apelar para que cada um dos presentes trabalhe no seu bairro e no seu local de residência com sentido de vitória de modo a que quando chegar a data das eleições autárquicas no dia 19 de Novembro próximo, “as pessoas que não acreditam neste povo, chorem para sempre”.
“Quero agora cantar e dançar porque sei que neste mundo não estou sozinho”, frisou depois Daviz Simango, fortemente correspondido pelos presentes.
Daviz Simango continuava na altura a dizer que é membro de base da Renamo e prometia apelar ao voto na Renamo para que esta vença a maioria como bancada na Assembleia Municipal da Beira.
Como surgiu a Reflexão pela Mudança?
Simango disse há dias ao «Canal de Moçambique» que ele apenas se serviu do facto do Grupo Reflexão para a Mudança estar legalizado, para poder, dentro do reduzido espaço de tempo que por lei restava para qualquer candidato poder legalizar a candidatura junto da Comissão Nacional de Eleições. Segundo ele não havia maneira de se inscrever, de acordo com as exigências legais, se ainda tivesse que promover a legalização de um grupo de munícipes para patrocinarem a sua candidatura como independente. “O tempo era muito curto”.
Daviz Simango afirmou por outro lado que o Grupo de Reflexão para a Mudança não candidata ninguém à Assembleia Municipal da Beira pois a ideia é apoiar a lista da Renamo para que possa vencer as eleições e ter maioria folgada para lhe permitir que possa continuar a governar a Beira com tranquilidade.
Dhlakama na Beira esta semana?
O «Canal de Moçambique» soube, entretanto, que Afonso Dhlakama poderá estar de visita à Beira ainda esta semana para promover a candidatura de Manuel Pereira, candidato oficial da Renamo.
A visita do presidente do partido que até aqui sempre reivindicou que a Beira é o seu grande bastião, se se concretizar a visita esta semana à capital de Sofala, irá permitir aferir o grau de simpatia que ainda tem e ainda quais as reais possibilidades que Manuel Pereira pode alimentar no pleito que se avizinha.

(Redacção / Zaqueu Ndawina) - CANALMOZ, 22/09/08

Sunday, 21 September 2008

Quelimane: o Carnaval e as máscaras


Quando me perco nas minhas reminiscências, algumas das imagens recorrentes fazem parte da minha idílica infância passada na Zambézia, embora essas imagens não sejam muito claras quase cinco décadas mais tarde. Ficou sempre em mim o desejo de visitar essas maravilhosas paragens e tenciono concretizar esse sonho um dia.
Sei que em tempos longínquos, Quelimane foi famosa por ter o melhor Carnaval de Moçambique, com os cortejos, festas e máscaras. Não sei se Quelimane ainda mantém algumas dessas tradições, mas este ano o Carnaval chegou à cidade muito mais cedo.
Acontece que um grupo de foliões esteve em Quelimane neste fim-de-semana com a finalidade de se divertirem e entreterem a opinião pública, encetando uma caça às bruxas e cometendo suicídio político, tudo em nome da democracia.
Quelimane, amada Princesa do Zambeze, perdoa, tu não mereces ser palco de manobras sujas, mas há uma realidade inescapável: depois do Carnaval, as máscaras são inúteis. Caíram as máscaras em Quelimane, os intriguistas e oportunistas foram desmascarados, sabemos bem quem são os anti-democratas e o panorama político em Moçambique jamais será o mesmo!

Meditação dominical

LINDOOO! SEM PALAVRAS!!!
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O Pedreiro

Um velho pedreiro que construía casas estava pronto para se aposentar... Ele informou o chefe do seu desejo de se aposentar e passar mais tempo com a família. Ele ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria se aposentar. A empresa não seria muito afectada pela saída do pedreiro, mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo e pediu ao pedreiro para trabalhar em mais um projecto, como um favor.
O pedreiro não gostou mas acabou concordando. Foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia. Assim ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados.
Quando o pedreiro acabou, o chefe veio fazer a inspeção da casa construída.Depois de inspeccioná-la, deu a chave da casa ao pedreiro e disse:
-Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para você!
O pedreiro ficou muito surpreso. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito tudo diferente…
O mesmo acontece connosco…
Nós construímos a nossa vida, um dia de cada vez e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção. Depois, com surpresa, nós descobrimos que precisamos viver na casa que nós construímos. Se pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas não podemos voltar atrás.Você é o pedreiro! Todo dia martela pregos, ajusta tabuas e constrói paredes. Alguém já disse que: 'A vida e um projecto que você mesmo constrói.Suas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a 'casa' em que vai morar amanhã. Portanto construa com sabedoria!