Thursday, 4 September 2008

Requiem



Afirmar que o desaparecimento físico de David Aloni é uma perda irreparável talvez possa parecer algo trivial e um lugar comum, mas estamos a falar de uma figura incontornável e os adjectivos escasseiam para descreverem este HOMEM.
Todos os que lidaram com o Dr. David Aloni atestam que era uma pessoa íntegra e com grande capacidade intelectual. Numa sociedade em que a mediocridade não só é tolerada como frequentemente é recompensada, Aloni nunca precisou de usar a bajulação ou de se pôr em bicos de pés para se salientar. Enquanto muitos pseudo-políticos e pseudo-intelectuais optam pela intriga, golpada e truculência, Aloni manteve sempre a sua postura exemplar de patriota e esta verticalidade incomoda muita gente. Ele sentiu na pele os excessos da Frelimo no tempo de Graça Machel e nem sempre foi compreendido, pois era um crítico corajoso que não pactuava com situações dúbias.
Era membro do Conselho de Estado e cumpriu com zelo todas as tarefas que a Renamo lhe confiou. Porém, fica a ideia que David Aloni nunca teve oportunidade de mostrar o seu real valor, num país normal ele teria atingido os mais altos cargos, independentemente da sua cor política.As pessoas partem mas as ideias permanecem, e David Aloni continuará a ser uma referência para os que sonham com um Moçambique livre, democrático, justo e próspero. David Aloni não teve tempo de ver esse Moçambique mas cabe a todas as pessoas de bem , como forma de homenagearem este gigante da nossa história, contribuirem para que essa visão seja uma realidade.

Aplaudimos as "bases"

Pasma-nos a forma como muitos digeriram as atitudes dos partidos FRELIMO e RENAMO, relativamente aos seus actuais edis nas cidades de Maputo e da Beira, respectivamente. É que está mais que provado que Eneas Comiche e Daviz Simango tiveram desempenhos visíveis muito acima do dos seus “chefes”, Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, respectivamente, e por isso no lhes agradou de jeito nenhum, daí usar as “bases” para destroná-los, democrática ou ditatorialmente.Convém lembrar que em diversas paragens do mundo excelentes edis acabaram em bons estadistas. Como estamos numa democracia de faz-de-contas, o melhor que um líder “prudente” neste caso deve fazer, ao ver um edil hierarquicamente inferior a brilhar, é tudo fazer para ofuscá-lo e se tal não der resultados afastá-lo do palco político-social. Assim ter-se-ão inspirado Guebuza e Dhlakama, para proceder em relação a Comiche e a Simango’. Portanto, nada de espantoso, a nosso ver.
O que se passa na FRELIMO e na RENAMO hoje é mais uma evidência de que Moçambique e os moçambicanos, em termos de partidos políticos de verdade, ainda terão de esperar por algum tempo, porque, por enquanto, parece que tanto uma como outra são organizações que se consolidam para servir interesses de poucos e nada têm a ver com a maioria.Resta-nos aplaudir as “bases” da FRELIMO e da RENAMO que deram um aviso claro a qualquer militante seu, laborioso ou a tal aspirante, para que se cuide e evite tal postura, primando por ruidosos e vistosos hossanas ao chefe, sob pena de ser corrido do local de trabalho.

Refinaldo Chilengue , CORREIO DA MANHÃ - 02.09.2008

Wednesday, 3 September 2008

Tombou o embondeiro de Ulongue!

Foi com incredulidade e consternacao que recebi Sabado ultimo, a noticia do desaparecimento fisico do Dr. David Aloni, membro do Conselho de Estado, ex-deputado e membro da Comissao Permanente da Assembleia da Republica, Conselheiro da Agenda 2025, membro do Conselho Nacional e Ministro da Industria e Comercio no Governo-Sombra da Renamo.

A morte de David Aloni, e uma perda irreparavel nao apenas para o pais, mas tambem para a oposicao, para os cidadaos das provincias da Zambezia e Tete e da populacao do Distrito de Ulongue, sua terra natal. E uma perda para a juventude mocambicana que via em David Aloni, um modelo singular de dirigente comprometido com a causa do seu povo! Um dos poucos dirigentes deste pais, que sabia colocar os interesses do pais acima dos interesses partidarios, regionais, familiares ou pessoais. David Aloni era um mocambicano de raiz, um patriota que amava o seu povo e a sua cultura! Um patriota que amava as suas gentes e que nao discurava suas origens camponeses mas aristocraticas dentro da 'estrutura filosofica negro-africana', como ele propria e muito bem o sabia definir. dono de uma escrita peculiar, David aloni sabia destruir com razao, sem ofender nem beliscar o adversario. Os seus lendarios discursos e intervencoes do pulpito da nossa Casa Magna, a Assembleia da Republica, seus artigos imortalizados nos semanarios Zambeze, Magazine Independente e Savana sao disso testemunha. A sua obra intelectual iniciada ao longo da sua formacao quer no seminario, quer em Portugal ou no Reino dos Paises Pais onde se doutorou (PhD)em Sociologia e Relacoes Internacionais e uma autentica biblioteca e passa pela publicacao ainda antes da independencia nacional ou pouco depois de duas obras de valor inestimavel. Oxala a academia mocambicana saiba valorizar o trabalho intelectual deste filho da patria mocambicana, que teve o 'azar' e por isso pagou o preco, de estar do 'lado errado da historia' e amar seu povo e suas origens, segundo seus detratores, que o idolatravam em surdina mas o odiavam e invejavam pela fulminencia e lucidez de seu raciocinio.

Apagou-se uma estrela na noite intelectual mocambicana. Morreu David Aloni, Um homem de grande caracter e inteligencia. Um homem que representava a integridade moral e coerencia.

Morreu David Aloni sem ter realizado dois dos seus sonhos. Leccionar e ver sua terra respirar o ar puro da democracia materializada na alternancia do poder, liberdade de opiniao e de expressao. Para meu desconforto, varias faculdades deste pais, publicas e privadas negaram-lhe o direito simples defendido pela nossa Constituicao da Republica- o direito de leccionar! Vi e vivi como isso lhe corroia a alma. Mas mesmo assim, nunca o vi desistir ou desfalecer ou curvar-se perante seus adversarios, quer internos quer externos!

. A sua ultima aparicao publica foi na ultima Quinta Feira no Hotel VIP, no debate sobre o 'Impacto da Zona de comercio Livre na economia Mocambicana;, organizada pelo Centro de Estudos Mocambicanos e Internacionais (CEMO) de que era fervoroso apoiante e conselheiro. Aloni, como sempre, leu a sua intervencao.Morreu David Aloni – meu modelo de academico, professor, mentor e quica pai ideologico! Conheci o Dr. David Aloni na Cidade de Quelimane. Andava eu na 7a classe na Escola Secundaria 25 de Setembro, vulgo ‘Liceu’. Aloni era director da Enacomo, uma empresa que procedia a distribuicao e comercializacao de produtos alimentares na provincia da Zambezia e mais tarde da Companhia da Zambezia ou vice-versa.Na altura andava eu 'apaixonado' pela poesia e fazia parte de um grupo de estudantes do ‘liceu’ que faziam parte do Nucleo de Artistas e Escritores da Zambezia (NEAZA). E logico que com catorze anos nao eramos membros efectivos, eramos uma especie de aprendizes de sapateiro, de ‘continuadores’ da NEAZA. Faziam parte do grupo o Armando, o Belarmino Varela de Barros, o Octavio e outros. Uma vez por mes, aos Sabados a tarde reunia-mo-nos nas traseiras do Gabinete do Governador, no Restaurante Aquario, para algumas tertulias poeticas, acompanhadas de poesia e quica de alguns comes e bebes, sempre e infalivelmente, gentilmente patrocinadas por David Aloni, na companhia do tambem sempre jovem poeta e escritor Joao Inroga-Pai.David Aloni notabilizava-se nao apenas na direccao do nucleo, mas essencialmente na simplicidade, no carinho e esperanca com que tratava os seus 'continuadores', os continuadores do seu sonho de poeta. Lembro-me das inumeras vezes em que David Aloni, com a paciencia de chines, corrigia e nos mandava redigir de novo os poemas e contos, ate atingir os 'minimos exigidos para uma apresentacao em publico'. Era um pedagogo exemplar de se lhe tirar o chapeu.

Estavamos em Guerra. Lembro-me do dia em que o Dr. Aloni nos levou para um apartamento, no Predio Bulha para vermos ‘in loco’ um video que mostrava como os ‘bandidos armados’ haviam arrasado a Vila de Milange e com eles levado todos os zincos da vila. Na altura contavam-se as pessoas que na Cidade de Quelimane possuiam um video. E ele era dos poucos e vivia, se a memoria nao me trai, numa casa da Companhia da Zambezia, a alguns metros do palacio do governador provincial.Essa imagem de uma vila sem zincos nunca mais saiu do meu imaginario, tendo marcado toda a minha vida! Tinha sido, a primeira percepcao vivida por mim, sobre os efeitos nefastos da Guerra, que apenas ouviamos falar na rua, ou entao pela radio, pois na altura nao havia sinais de televisao na Cidade de Quelimane.

Confesso que uma das maiores decepcoes que tive na minha curta mas excitante vida politica foi ter sido eleito deputado da AR foi o nao ter podido estar lado a lado com a sabedoria do “meu professor” e mentor social e politico.

Do Dr Aloni aprendi uma coisa que prezo e prezarei ate ao fim dos meus dias de vivente neste vale de lagrimas: a ser coerente comigo meso e nunca manter-me calado! Todas as vezes que nos encontravamos, e a ultima foi quando o convidei para dar uma palestra majestral no Hotel Rovuma sob os auspicios do CEMO sobre 'A xenofobia na Africa do Sul', o Dr Aloni perguntava-me. continuas a dar aulas? -meu filho, 'nunca abandones a academia'!.A avaliar pelos recentes acontecimentos no Municipio da Beira, sem querer ser advinho, posso imaginar que deve ter-lhe doido a alma! Aloni defendia a cultura democratica com unhas e dentes. Na obra Mocambique 10 Anos de Paz, de Brazao Mazula, Aloni disse sem papas na lingua: 'Na dimensao politica, importa referir que, aquilo que seria de desejar-a reconciliacao nacional entre os mocambicanos a luz do artigo 66 da Constituicao da Republica, ainda nao se efectivou. E ainda uma miragem porque ainda persistem os resquicios dos anos da Guerra agravados por preconceitos que levam a exclusao social de uma boa parte da sociedade mocambicana, porque se institucionalizou o espirito de clube', para depois rematar: 'Multipartidarismo, sim; democracia, sim, mas tudo quase so no papel. De boas intencoes estao cheios os nossos dirigentes politicos, mas, na pratica, nada acontece, porque o principio e: 'quem nao esta comigo, esta ipso facto, contra mim”.

E dificil aceitar esta orfandade. A natureza e por vezes injusta. Muito injusta!Saibamos pois valorizar esta dadiva humana. Saibamos preservar a obra, a memoria e o legado deste 'homem incompreedido pelos seus e pelos demais.'David Aloni era a reserva moral e intelectual do oposicao em Mocambique! Os seus ensinamentos ficaram indelevelmente registados na historia desta patria indica.Em memoria deste grande HOMEM, deste PATRIOTA de credenciais indescritiveis, deste nacionalista ferrenho, intelectual e academico de finura e perspicacia inigualavel, homem de uma verticalidade estonteante, parlamentar e debatedor de primeira agua, lider incontestavel de massas como o demonstrou quando cabeca de lista nas provincias da Zambezia e de Tete com vitorias estonteantes, africanista de gema, ficaremos ate Quarta feira dia previsto para o seu enterro, sem blogar!

A familia enlutada, a esposa, ao Paulo, Carlitos, Miguel e Arlete, vao os nossos mais sentidos pesames! Estamos de luto: Perdemos um pai, biologico para voces, mas ideologico para mim!

Saibamos valorizar e preservar o pensamento, a imagem, a luta, a causa, a memoria e fundamentalmente o legado deste Embondeiro de Ulungue!

Onde tomba um combatente pela liberdade, nascem milhares de combatentes! Que o caule do seu giganteco tronco, adube o solo de onde nascerao milhares de embondeiros com caules ainda mais pujantes, eloquentes e frondosos! Continuaremos com a luta. Porque a nossa luta é JUSTA!

PAZ À SUA ALMA!

BAYETE, COMANDANTE ALONI!

Manuel de Araujo (Londres)

Fonte: http://www.manueldearaujo.blogspot.com/

Daviz Simango avançará com canditatura independente


• Actual Edil defenderá eleição de uma maioria da Renamo na Assembleia Municipal

O eng.º Daviz Simango, actual presidente do Conselho Municipal da Beira, poderá candidatar-se como independente à sua própria sucessão, mas apoiando simultaneamente, como membro da Renamo, a candidatura do seu partido à assembleia da cidade, pondo assim de parte a hipótese de uma cisão no partido liderado por Afonso Dhlakama. Esta informação foi apurada na Beira por um dos correspondentes do «Canal de Moçambique» que confirma apenas ter-se já iniciado a recolha de assinaturas para que se siga a formalização da candidatura de Simango junto da CNE.
O presidente Dhlakama, a 08 de Agosto confirmara à imprensa que Daviz Simango seria o candidato da Renamo a Edil da Beira, mas, na quarta-feira da semana passada, Dhlakama instruiu, em Maputo, o delegado provincial da Renamo em Sofala, Fernando Mbararano, para voltar à Beira e anunciar na quinta-feira, em conferência de imprensa, que afinal o seu partido iria antes candidatar em seu nome Manuel Pereira, actualmente um seu deputado à Assembleia da República. Tal anúncio viria a suscitar uma autentica revolta das bases da Renamo que apoiam inequivocamente a manutenção de Daviz Simango no cargo que vem ocupando desde as últimas eleições autárquicas.
A confirmar-se o cenário que se desenha, Manuel Pereira será o candidato oficial da Renamo a Edil da Beira, mas um outro membro da Renamo, Daviz Simango, concorrerá como independente ao cargo de presidente do Município da Beira. Se ambos apoiarem o partido presidido por Afonso Dhlakama, desse modo poderá estar afastada a hipótese da Renamo vir a perder a maioria absoluta que detém nesta legislatura na Assembleia Municipal da capital da província de Sofala, pois embora Pereira concorra em oposição a Simango, ambos apoiarão a Renamo que sairá a ganhar dessa posição comum de um candidato formal do partido e de um munícipe independente mas com alma renamista.
O partido Frelimo já proclamava vitória antecipada pelo facto de Daviz Simango não ter sido indicado pela Renamo para se candidatar à sua própria sucessão e daí, consequentemente, poder vir a resultar mais uma cisão na Renamo. Contudo, parece estar confirmado que o secretário provincial do Partido Frelimo em Sofala, Lourenço Bulha, candidato indicado pelo partido liderado por Armando Guebuza, não terá a vida tão facilitada como se podia há dias imaginar com a indicação de Manuel Pereira como candidato a Edil pela Renamo.
O prazo para inscrição de candidatos termina na próxima sexta-feira. Se o presidente Afonso Dhlakama mantiver Manuel Pereira como candidato da Renamo à presidência do Município da Beira e Daviz Simango avançar mesmo como independente, Lourenço Bulha, o candidato a Edil da Beira pelo Partido terá a vida muito dificultada.
Não está, no entanto, posta de parte a possibilidade de Afonso Dhlakama poder vir a declarar Daviz Simango personna non grata na Renamo e expulsá-lo, mas isso, a suceder, poderá custar-lhe mais uma derrota nas presidenciais do ano que vem e uma fatal perda de assentos nas eleições para formação da Assembleia da República que funcionará entre 2010 e 2015, atendendo ao grande prestigio de Simango em todo o país.
Se Daviz Simango avançar é de esperar que possa vencer a corrida a presidente do Município da Beira pois apesar das simpatias que se reconhecem tanto por Manuel Pereira como por Lourenço Bulha, em nenhum dos casos se podem comparar com o prestígio, competência e simpatia que hoje beneficia Simango, filho do primeiro e único vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Reverendo Urias Simango, e da fundadora da primeira organização da mulher moçambicana, LIFEMO – Liga Feminina de Moçambique, Celina Simango.
O edil beirense Daviz Simango, há dias afastado do concurso tendo em vista a revalidação do seu mandato como candidato oficial do seu partido, goza de solidariedade crescente por parte de diversos citadinos entre os quais grande parte dos apoiante de Dhlakama que estão já a apoiar a candidatura independente de Simango não contra o líder da Renamo mas sobretudo em oposição a Manuel Pereira que embora sendo um elemento que goza de simpatias é tido como pessoa mais indicada para estar na Assembleia da República do que à frente de um município.
A hipótese de um ataque de nervos em Dhlakama não está posta de parte, pois significativa parte dos membros da Renamo prepara-se na Beira para lançar o seu apoio a Simango e mesmo até munícipes que diziam publicamente que não iriam votar começam a manifestar-se a favor da candidatura do actual presidente do município à sua sucessão. Até membros da Frelimo se declaram a favor da reeleição de Daviz Simango por o reconheceram como o munícipe que mais fez pela cidade desde que o país se tornou independente.
Se o presidente Dhlakama não entender que Daviz Simango poderá ser a sua salvação em vez da sua desgraça, vaticinam fontes contactadas pelo «Canal de Moçambique», na Beira, que a Renamo poderá sofrer mais uma cisão, à semelhança do que aconteceu após o afastamento de Raul Domingos, na sequência do dossier eleitoral de 1999.
As verdadeiras bases da Renamo na Beira opõem-se abertamente a Manuel Pereira e seus seguidores. Colhidas de surpresa pelo anúncio feito por Fernando Mbararano a retirar o tapete a Daviz Simango, estão apostadas em voltar as costas a Afonso Dhlakama. A credibilidade do líder da Renamo está agora muito afectada no seu “santuário e bastião politico. A atitude de Dhlakama foi muito mal recebida pelas bases da Renamo e o apoio ao líder decaiu nos últimos dias.


HISTORIAL DA CRISE

Há pouco mais de dois meses Manuel Pereira lançara a sua candidatura a candidato a edil da Beira pela Renamo, e esta fora recusada pela Praça de Marínguè (em alusão ao local onde está estabelecida a residência oficial de Dhlakama, em Maputo). A questão da candidatura de Simango parecia resolvida, desde que o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, referira sobre a não aceitação da candidatura de Pereira pelo “commando” central da “perdiz”. O volte-face anunciado por Mbararano colheu de surpresa as bases da Renamo, na Beira, e perante tal decisão exigiram explicações claras de Dhlakama que mantém uma tal crispação em volta do assunto, que na sede do partido, na capital de Sofala, os membros acabam por manifestar abertamente uma certa lealdade a Simango mas aguardam um novo volte face do líder que não surge e tudo indica que não irá surgir.
A pressão agora vem das bases. Querem que Daviz Simango avance com a candidatura. Mas o Edil recusa-se a admitir que a sua candidatura seja no contexto de qualquer outra organização que não seja o seu partido – Renamo. Admite concorrer como independente mas a favor de uma maioria da Renamo na Assembleia Municipal.
Tanto quanto se sabe amplamente, duas razoes estão por detrás do afastamento da candidatura de Simango. A primeira, Dhlakama foi industriado por duas figuras que da Beira saíram e lhe foram dizer em Maputo que Daviz Simango não estava a “olhar” (leia-se dar benesses) pelos que combateram do lado da “perdiz” (hipotéticas bases) na guerra de 16 anos, mas, sim, em benefício de outros quadros, tidos como afins seus e sobretudo familiares seus. Isto “irritou o suficiente a Dlhakama que decidiu pelo lançamento da candidatura de Manuel Pereira”. A segunda razão: Dhlakama não conseguiu convencer os seus correligionários da imprescindibilidade de Simango e enquanto isso os outros acusam, entretanto, Simango de estar a querer roubar o lugar a Dhlakama, mas vão dizendo também que Simango está a montar células do PCN para recriar o partido de seu Pai, tudo invenções segundo próximos de Simango.
As relações Dhlakama/Daviz Simango que sempre foram cordiais quando Simango ascendeu a Edil da Beira, acabaram por estar na mira de uma certa ala conservadora da “perdiz”, que nunca saudou o facto do líder ter apostado num dito elemento do PCN, Daviz Simango, agora membro da Renamo, para o lugar. Essa ala chegou mesmo ao ponto de afirmar que o objectivo chave do PCN (liderado por Lutero Simango – irmão de Daviz) era o de golpear a liderança da “perdiz”, ou seja, substituir Dhlakama por Daviz. E as relações Lutero/Dhlakama ajudaram a que a ala instigadora de conflito na Renamo, como também se diz nos bastidores, passasse a ser “abastecida” pela Frelimo para dividir o mais que possível a Renamo e as boas relações de Daviz Simango com o seu presidente, Afonso Dhlakama.
Os aduladores de Dhlakama acabam por encontrarem terreno fértil e vão minando as figuras proeminentes. E conseguem agora que a Renamo entre de novo num processo de auto-flagelação sem contar com a robustez do chamado “partidão”, Frelimo.

Porquê Manuel Pereira?

Pereira está sendo resgatado depois de passar por um período cinzento dentro da “perdiz”. Pereira, conhecido como o “homem da cancela no Save”, foi quem lançou a Renamo em Sofala, depois de no final de 1980 e limiar de 90 ter sido detido por actividades clandestinas a favor da antiga guerrilha, contratando, através do aliciamento, jovens para prosseguirem estudos no exterior do país. Mas se até então detinha relações amistosas com Dlhakama, em 1999 chegaram a esfriar-se. Foi visível nas eleições gerais de 1999. Dhlakama manteve-o a leste e foi nessas eleições que Dhlakama venceu com larga margem mas foi enganado ou “deixou-se subornar” como também se foi dizendo. E nessa altura como delegado político local Pereira começa a deixar de saber da agenda do seu líder, tendo chegado ao ridículo de se envolver em constantes desmentidos na imprensa, ao ser acusado de relações comerciais com membros da Frelimo.
No auge da campanha eleitoral às eleições de 2004 correm rumores nas hostes da “perdiz” de que Pereira estava na iminência de se filiar na Frelimo, o que ele viria a desmentir pessoalmente. Agora afiança-se que ele avançou numa negociata da Frelimo para acabar com a Renamo.
Depois daquele período gélido e de quezílias pessoais entre ambos, Dhlakama decide agora bafejar Pereira com a sua candidatura a presidente do município da Beira, mas não está posta de parte a hipótese de Daviz Simango lhe vir a dar a estocada final que convém a Dhlakama embora a este comece a parecer interessar muito mais ver-se livre de Daviz que as bases em todo o país começam a ver como um valor acrescentado para as pretensões da Renamo, se bem que Daviz defenda antes uma forte aliança entre ele e o seu líder, facto que Dhlakama parece não conseguir entender,
Mas sobre Daviz Simango, Manuel Pereira tem um precedente. Diz que foi a ele a quem a Mãe do edil beirense, na véspera de ser morta pela Frelimo, num campo de reeducação em Niassa, dissera para transmitir aos filhos que “estudassem muito”.

Dados das eleições de 2003

Nas eleições de 2003 o candidato da RENAMO-UE, Daviz Simango, obteve um total de 29.535 votos, ou seja 53,4 por cento de um total de 57.309 eleitores que exerceram o seu direito de voto, num universo de 215.326 cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais. Djalma Lourenço, concorrente pela FRELIMO, obteve 23.378 votos (42.03 por cento) contra 943 votos (1.07 por cento) do candidato do PIMO, Pedro Langa, e 1440 votos (2.6 por cento) do concorrente do IPADE, AntónioRomão.Para a Assembleia Municipal, a RENAMO arrecadou o maior número de votos: 30.826 (54.6 por cento). A FRELIMO teve 23.304 (41.2 por cento), IPADE 1.735 votos (3.1 por cento), e o PIMO 628 votos (1.1 por cento). Nas eleições de 2003 o índice de votantes foi de 24,16 por cento. Agora das duas uma: ou as abstenções da parte dos apoiantes da Renamo se agravam em razão da forma pouco transparente como ocorreu o afastamento de Daviz Simango, ou então incidirá a seu favor o voto solidário, conforme se começa a perceber que venha a ser possível acontecer, pela percepção popular, em diversos bairros.
A não ser que a Renamo tenha um argumento convencível em torno desta querela que divide o partido, nas bases as obras que Daviz Simango fez na urbe poderão ser suficiente motivo para nem Pereira, nem Lourenço Bulha terem a mais pequena hipótese de vencer na Beira.
Algumas percepções, em torno da candidatura de Lourenço Bulha, indicam que embora ele seja bastante conhecido na Beira, reúne a desvantagem de estar a concorrer com um homem que tem obra visível.
Quanto aos que mantém a fé no voto tribal, tudo indica que este factor quase ou nenhum peso representará no sufrágio que se avizinha, pois o denominador comum do grosso dos apoiantes de Dhlakama é atribuir-lhe um cartão vermelho porque a causa beirense, fundada em não ceder de novo a Beira à Frelimo, é um objectivo de que a população não quer abdicar, “custe o que custar”.
Mas como em política a matemática pouco releva, o que se aconselha é esperar e ver para crer.
CANAL DE MOÇAMBIQUE – 02.09.2008

Sunday, 31 August 2008

Financiamento de campanhas eleitorais, acesso à comunicação social pública

A democracia de que frequentemente se fala e se contesta que não esta sendo aplicada ou exercida é um processo com dinâmica e leis próprias. As leis ou preceitos são por muitos sobejamente conhecidos mas a aplicação prática dos mesmos não acontece em geral por vontade e poder de quem exerce o poder numa determinada altura.
Em Moçambique já ficou evidente que um modus vivendi verdadeiramente democrático faria perigar e mesmo desaparecer um reinado de cidadãos especiais com direito a tudo e mais alguma coisa em resultado da sua participação no processo de libertação de Moçambique. Está claro que todos os que beneficiam dos privilégios que a sua posição oferece ou concede não estão minimamente interessados em que a democracia se concretize.
Como estamos num pais multipartidário e em que ainda é permitido questionar seria interessante ver os partidos políticos, por inerência da sua natureza, virem a público manifestarem-se por aquilo que são os garantes da democracia. Embora seja um ideal, democracia faz-se através da soma de todo um conjunto de passos. Requer que se tenha em atenção todos os aspectos que lhe dizem respeito sob pena da sua implementação não acontecer. Assim sendo as consequências que prejudicam todo o processo não se fazem esperar.
Na esteira das questões que compõem o mosaico democrático nacional há assuntos que com frequência são esquecidos ou relegados para a margem como se não tivessem importância.
Os partidos políticos da oposição queixam-se muitas vezes do tratamento a que são sujeitos mas quando assim procedem poucas são as vezes em que mencionam as causas disso.
Os resultados do que fazemos em geral dependem da maneira como concebemos essas acções. No processo de concepção define-se o que se pretende quase sempre tendo em mente que não coincidência completa entre objectivos e resultados.
A diferença entre o que se consegue ao nível dos resultados depende muitas vezes não só do domínio que se possui ou conhecimento do «dossier» em mão mas também de imponderáveis.
Definir objectivos é o ponto de partida. E definir com sentido de realizar tais objectivos passa por assumir seus conteúdos e fazer deles guias da respectiva acção.
Brevemente teremos campanhas eleitorais para diversos pleitos eleitorais.
Parece que a maioria dos partidos da oposição no país estão se está queixando de que não tem fundos e que suas sedes funcionam em casa dos presidentes de tais agremiações. Mais do que tais carências tudo indica que a esses partidos falta algum entendimento do que é um partido politico e quais são as suas fontes de financiamento.
Está claro que o aprofundamento da democracia no país exige que se nivele o campo de actuação politica dos partidos. Mas são os partidos que devem conquistar aderência de mais membros e através de quotas constituírem a sua base financeira. É assim em todo o mundo. Quanto menos o governo der para os partidos melhor para o partido no poder.
Nada do que se disse invalida a necessidade de urgentemente se tornar os mecanismos de financiamento das campanhas dos partidos transparentes. Se há leis específicas elas devem ser conhecidas e se não existem então há que criar legislação apropriada. Não há que inventar nada. Há no mundo exemplos de onde colher. Tudo no sentido de se garantir que a soberania nacional e os interesse do país sejam acautelados.
Outro aspecto essencial para que eliminem as causas das dúvidas e alegações de fraudes ou mesmo fraudes nos processos eleitorais, tem a haver com o acesso aos meios de comunicação pública. Exige-se igualdade e é isso que os partidos devem garantir desde já que aconteça. Espera-se que os partidos moçambicanos definam sua conduta através de um código que respeite os valores da ética e os interesses superiores da nação.
A origem dos fundos, sua quantidade, distribuição é de extrema importância para a efectiva democratização da vida nacional.
Quanto mais cedo tudo isso ficar esclarecido quem ganha é a democracia em Moçambique.

FONTE:
(Noé Nhantumbo)
CANAL DE MOÇAMBIQUE – 28.08.2008

Oração dominical




Senhor Deus meu e Pai meu, que neste momento o Senhor estenda suas mãos para que abençoe abundantemente a pessoa lendo esta mensagem.
Que em sua vida, o Senhor lhe dê muita prosperidade. Se por ventura se encontrar doente, que desapareça toda a enfermidade e que se cure.
Seja quem for esta pessoa, que os teus anjos, Senhor, a protejam como a menina dos teus olhos.
Novamente eu te peço Senhor, abençoa esta pessoa e à sua família, dando-lhe Saúde, Paz, Amor e Harmonia.
Amen!

Carroças que encontramos no caminho

Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:
'- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa??'
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
'- Estou ouvindo o barulho de uma carroça'.
'- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia!
'Perguntei a meu pai:
'- Como pode saber se é uma carroça vazia, se ainda não a vimos?
E ele respondeu:
'- Ora, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia, mais barulho ela faz.

'Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando para intimidar, tratando o próximo com grossura de forma inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz de meu pai dizendo:
' - Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz....


( Retirado de um e-mail recebido )

Saturday, 30 August 2008

Humor

Regras no Casamento Ai se a moda pega!!!

Um casal recém-casado vai viver na sua nova casa e o homem diz:
- Se você quer viver comigo as minhas regras são estas:- As 2as. e 3as. à noite, vou tomar café com os amigos;- As 4as. à noite vou ao cinema com o pessoal;- E as 5as., 6as e Sábados à noite, vou ao bar com os colegas.- Aos Domingos vou deitar cedo porque preciso descansar!- Se queres, queres, se não queres ...
Então a mulher responde:
-Para mim só existe uma regra:- Aqui em casa todas as noites tem sexo; Quem está, está ....Quem não está..... AZAR ....

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ESTA FOI A PERGUNTA DE UMA CALOIRA DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SAÚDE DO PORTO SOBRE PAPILAS GUSTATIVAS.

Esta história é verídica. Numa aula de biologia, o professor estava a falar sobre o alto teor de glicose encontrado no sémen, quando uma caloira levantou o braço e perguntou:
- Se eu entendi bem, o professor está a dizer que se encontra muita glicose no sémen. - Seria tanto quanto no açúcar?
- Sim. Respondeu o professor.
- Então por que é que o gosto não é doce?
Após um silêncio de estupefacção, a turma toda escangalhou-se a rir. A pobre caloira ficou roxa de vergonha assim que percebeu quão impensada foi sua pergunta. A resposta do professor, entretanto, foi clássica:
- O gosto não é doce porque as papilas gustativas que reconhecem o sabor doce, encontram-se na ponta da língua e não no fundo da garganta...

Thursday, 28 August 2008

Fauvet da AIM de novo contra o Zambeze

Num artigo da AIM com data de 21 de Agosto Paul Fauvet volta a carga contra o semanário ZAMBEZE na sequência do processo que o Ministério entendeu levantar contra aquele semanário devido ao artigo publicado em Maio em que questionava a nacionalidade da actual Primeira Ministra, Luísa Diogo com base na lei da nacionalidade que foi aplicada na altura a milhares de mulheres de moçambicanas para as fazer perder a nacionalidade por via do casamento com estrangeiros mas que no caso desta ilustre cidadã se está a querer fazer passar a ideia de que a lei para ela não se aplica.
Como sempre, Fauvet começa por chamar o jornal como sendo da extrema direita. Quer ignorar a lei e passar por si do caso de milhares de outras mulheres que perderam a nacionalidade por causa do casamento com estrangeiros. Essas outras mulheres não contam?
Fauvet na sua prosa, sob pretexto de reportar a conferência de Imprensa convocada pelo acusador do Ministério Público para justificar a decisão do aludido julgamento ter sido à porta fechada, entre várias situações, classifica de “absurda” a história contada pelo ZAMBEZE.
Diz Fauvet, funcionário da AIM que está sob alçada de Luisa Diogo e é como quem diz sua chefe, que “em Maio o ZAMBEZE publicou uma história com uma sugestão absurda de que a mulher moçambicana, nascida de parentes moçambicanos, na província moçambicana de Tete, não era moçambicana de todo”. “A base para isso é de que Diogo contraiu matrimónio com um cidadão português na altura em que vigorava uma lei de nacionalidade discriminatória que forçava a perca de nacionalidade moçambicana a toda mulher que casasse com um estrangeiro caso este não tivesse apelado pela nacionalidade moçambicana. O artigo assume que o esposo da Luísa Diogo, não tinha nacionalidade moçambicana quando em 1981 contraíram matrimónio”, refere Fauvet e prossegue afirmando ser “fácil provar que o ZAMBEZE não fez nenhum dos procedimentos básicos para apurar os factos”. “De facto, documentos existem que demonstram que Albano Silva apelou pela nacionalidade moçambicana em 1975” e que “de facto a mesma viria a ser-lhe concedida em 1977”, adianta ainda Fauvet. Ainda segundo Fauvet “a matéria do ZAMBEZE e seus repórteres parecia idiota até que o Ministério Público os transformou em mártires ao acusá-los como tendo cometido crime contra a segurança do Estado”. Vou-me concentrar no ponto onde Fauvet alega existirem documentos que provam que Albano Silva adquiriu a nacionalidade moçambicana, questionando o seguinte: Onde está a portaria do ministro do Interior publicada no Boletim da República a autorizar a aquisição da nacionalidade ao senhor Albano Silva? Saberá ou lembrar-se à Paul Fauvet que Albano Silva casou a 7 de Novembro de 1981 com Luisa Dias Diogo e que nessa altura a única lei que existia discriminatória ou não era a lei que havia e foi aplicada para milhares de outras mulheres e não foi aplicada neste caso? O ZAMBEZE apresenta documentos que até os publicou. Os leitores ficaram a saber que Albano Silva nunca deixou de ser português. Apresenta uma certidão de nascimento obtida nos serviços apropriados portugueses em cujo assento nada consta que Albano Silva tenha perdido a nacionalidade portuguesa. Ou seja, para o Estado português ele ainda é tido como cidadão luso. Por outro lado, tanto Albano Silva, assim como o próprio Ministério Público não apresentam nenhum Boletim da República onde conste a concessão da nacionalidade moçambicana a Albano Silva, tal como a lei manda. Onde está o BR a anunciar publicamente que ao cidadão que viria a casar com a cidadã Luísa Dias Diogo foi autorizada por portaria a aquisição da nacionalidade moçambicana? Importa alertar os leitores que estamos perante um caso em que o ZAMBEZE apresenta provas documentais que ninguém contesta serem verdadeiras e que provam sem margem para dúvidas que o marido da primeira-ministra nunca deixou de ter a nacionalidade do país onde nasceu e de onde saiu apenas aos oito anos para ir fixar residência em Vila Trigo de Morais, hoje Chókwe. Onde está a portaria do ministro do Interior da época que até era o actual chefe de Estado Armando Guebuza? Foi Guebuza que não cumpriu a lei e não fez publicar em BR a portaria a autorizar a aquisição da nacionalidade moçambicana ao cidadão Albano Silva?
O que faz correr Fauvet, sempre à carga contra o ZAMBEZE? Ora chama o jornal de anti-governamental, ora da extrema direita, ora o de menor circulação no país como diz no seu artigo de 21 de Agosto. Porque em vez de insultar não vai aos factos, à lei? Só falta chamar ao Zambeze de assassino de Samora… E mais não disse!

Canal de Opinião (João Chamusse) CANAL DE MOÇAMBIQUE – 26.08.2008

Assessor de Davis Simango preso ilegalmente

Alexandre Gonçalves Jr., mais conhecido por Alex, natural de Inhassunge, província da Zambézia, filho de uma moçambicana de etnia chuabo e de um cidadão luso-angolano, assessor de marketing do presidente do Município da Beira, está preso, desde 20 de Agosto do ano em curso, pelos serviços de Migração, denunciado como estrangeiro sem identificação. Alex é pai de dois filhos de maioridade. O mais velho está em Maputo e o outro na Beira, na companhia do pai. Esta prisão é interpretada como uma perseguição política para atingir Davis Simango.

Mesmo que fosse estrangeiro, nada justifica que seja tratado como criminoso. Alex conhece Moçambique – sua pátria amada - de lés-a-lés, melhor que seus detractores, não fazendo turismo, mas a trabalhar, ora como professor, ora com uma máquina fotográfica a tiracolo. Alguns dinassauros da fotografia moçambicana conhecem-no. Juntos captaram imagens bonitas e, outras veze, incríveis. É um profissional de mão cheia. Algumas pessoas odeiam-no devido à sua abnegação ao trabalho e respeito pelo próximo, qualidade em extinção, entre nós.

A polícia diz que alguém o denunciou como estrangeiro, vivendo no País, sem autorização. Isso pode vir de quem não vê a governação de Simango com bons olhos. Revela que a PRM é comandada por incompetentes que prendem para investigar, o que é ilegal. Conheço os filhos de Alex, tal como o pai - um mestre de mão cheia de imagem de televisão e fotografia – bons profissionais, respeitados pelos seus colegas e superiores hierárquicos. Alex - homem de bem - está a pagar a factura de ser pacífico e honesto.

No Município, ninguém ousa acusálo de nada. Não luta por regalias, apesar de competente. Trabalha sem olhar para o relógio. Os colegas admiram-no pelas coisas boas que faz. Os inimigos de Simango começaram atacá-lo pelos flancos –neutralizando seus colaboradores mais próximos. O alvo que pretendem abater é Simango – um obstáculo às ambições de aventureiros que pretendem apanhar peixe na rede. A prisão de Alex é para tornar Simango incapaz de vencer as eleições.

A táctica de fazer barulho no Sul para atacar o Norte, é antiga. Se a intenção da Migração é de recolher os estrangeiros ilegais, na Beira, nós nos dispomos a acompanhar seus agents ao mercado do Goto para ver a quantidade de estrangeiros indocumentados que existem. A prisão de Alex é uma manobra que usam services públicos para atingir fins inconfessáveis. Denunciamos, com veemência, este baixo jogo político. Alex, a ser deportado, será enviado para Inhassunge, junto à sua mãe, para a vergonha das nossas autoridades.

Denunciamos que é ilegal manter um cidadão encarcerado. Mantém-se na prisão, apenas, indivíduos perigosos e Alex não é constitui nenhum perigo nem
mesmo para os seus inimigos. Se a campanha é para expulsar moçambicanos da sua terra, então que prendam Sérgio Vieira, Óscar Monteiro, Jacinto Veloso, Hélder Martins. Libertem Alex!

( Texto da autoria de Edwin Hounnou, publicado na Tribuna Fax de 27/08/08, retirado com a devida vénia )

Tuesday, 26 August 2008

Clientelismo!

O julgamento dos jornalistas Fernando Veloso, Alvarito de Carvalho e Luís Nhachote, do ZAMBEZE, pelo Tribunal do Distrito Urbano N°1, da Cidade de Maputo, aos 11.08.2008, acusados de intentarem contra a segurança do Estado, por perguntarem se Luísa Diogo, com funçoes de primeira-ministra, ainda continua com a nacionalidade moçambicana apôs casar, em 1981, com Albano Silva, cidadão estrangeiro. É uma farsa e troca de favores entre o Procurador-geral da República, Augusto Paulino, e Diogo. É descarado acusar o ZAMBEZE nesses termos.
A Lei 19/91, de 16 de Agosto, sobre os crimes contra a segurança do Estado, no seu artigo 22, número 1, diz : os crimes de difamaçao, calúnia e injúria cometidos contra o Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, os membros do governo, os juízes do Tribunal Supremo e os membros do Conselho Constitucional, serao punidos com a pena mínima de um ano até dois anos de prisão e multa correspondente. O mais caricato é o facto de não haver crime. Perguntar não é crime.
Perguntar se os cidadãos Armando Guebuza, Eduardo Mulembwe, Mário Mangaze ou Rui Baltazar são moçambicanos, não é um atentado contra a segurança do Estado. Diogo não se mostrou ofendida. O Ministério Público advinhou que ela está ofendida. Ela não queixou contra o ZAMBEZE. Se o tivesse feito, seria um crime particular e não contra a segurança do Estado. A confusão de Paulino entre um crime particular e público é propositada – visa, apenas, vingar-se do ZAMBEZE.
Um Estado não contrai matrimónio. Quem casou foi Diogo e anotou seu matromónio em Portugal. Não foi o Estado que registou o filho de Diogo e Albano Silva em Lisboa. Foram seus pais que o fizeram. Não se compreende quem, de facto, intenta contra a segurança do Estado. Inten-tam contra a segurança do Estado os dirigentes que abusam do poder do Estado que detêm para intimidar jornalistas. Recorrer a leis fascistas ou comunistas, é antidemocrático.
É ridículo perseguir jornalistas com base em leis obsoletas. Se essas leis ainda não foram revogadas deve-se ao facto de, até ao momento, nenhum deputado ou membro do governo ter sido molestado com recurso a elas. No dia em que um parlamentar ou ministro se confrontarem com essas aberrações serão reformuladas.Como, só, incomodam a jornalistas, a Assembleia da República pode continuar a dormir. Augusto Paulino entrou no mato sem saída, de onde sairá com graves escoriações.
Os magistrados não têm coragem de enfrentar corruptos que pululam na praça, por isso, se divertem com jornalistas. As cadeias estão repletas de presos clamando pela justiça, porém, perdem muito tempo perseguindo os media que não se deixam vergar. Há magistrados que procuram promoção fazendo vida negra aos jornalistas. Podemos garantir a esses meritíssimos magistrados e ilustres governantes que se meteram numa guerra sem futuro. O Estado não é uma cantina só para compadres.
( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax de 26/08/08, retirado com a devida vénia )

Sunday, 24 August 2008

Eleições: Mais vale prevenir do que remediar...


Votar é um direito e uma obrigação para os cidadãos com capacidade eleitoral. A democracia afirma-se quando os cidadãos têm a oportunidade de exercer seu direito de escolher quem querem que governe o país ou a sua cidade.
Aos partidos ou grupos cívicos cabe trabalhar no sentido de apresentar plataformas políticas que convençam o cidadão de que merecem ser eleitos.
No caso moçambicano e para que os processos eleitorais que se avizinham decorram dentro da chamada normalidade e não haja zonas de penumbra que suscitem dúvidas quanto a credibilidade, importa que os cidadãos e os partidos políticos estejam atentos. O estado de alerta deve ser máximo quanto a manobras ilícitas que porventura alguém esteja planeando.
O ideal em democracia é que os eleitos o sejam sem recurso a procedimentos duvidosos ou fraudulentos. A tentativa e mesmo o uso de meios ilícitos está bem presente na memória colectiva dos moçambicanos, sobretudo em 1999, mas não só.
O passado recente no capítulo eleitoral mostra que não se deve confiar. Com cumplicidade de órgãos eleitorais, de organizações da sociedade civil, de doadores internacionais foram cometidas e testemunhadas irregularidades que não seriam aceites em qualquer outro país que se diga democrático.
Permitir que irregularidades e práticas claramente ilícitas passassem à vista de todos não pode ser imputado aos outros mas sim a fraquezas internas dos partidos concorrentes.
Para os doadores internacionais o mais fácil é carimbarem os pleitos como justos e transparentes se não houver objecções fortes e fundamentadas em tempo útil pelos protagonistas dos processos.
A capacidade dos partidos políticos apresentarem casos sólidos de violação da legislação eleitoral faz parte dos esforços para implantar uma democracia não só credível para os moçambicanos como também para o resto do mundo.
Não se pode ficar à espera que os outros partidos actuem dentro daquilo que são os limites do razoável e que não recorram a manobras obscuras para que os resultados finais sejam a seu favor.
A política é também uma batalha sem quartel. Mesmo quando se diz que ela acontece com ausência de armas isso não é totalmente verdade porque sempre que possível os detentores do poder fazem uso delas.
Os conflitos pós-eleitorais de Montepuez que levaram a asfixia de muitos moçambicanos são uma manifestação do uso das armas para fazer política e garantir que resultados contestados passem.
A responsabilidade de dar corpo e alma a todo um projecto de construção de um país viável é de todos os moçambicanos, especialmente daqueles que se colocam na posição de líderes políticos e de organizações sociais.
Há todo um acumular de evidências, mais ou menos a descoberto algumas delas, de que a luta pelo voto popular que se avizinha terá muitos condimentos ilícitos. Já se começam a observar sinais preocupantes de que há gente que não desiste de usar meios do Estado para financiar campanhas políticas. Os meios de comunicação social públicos já aparecem abertamente a privilegiar uma parte em detrimento de outras interessadas nos pleitos eleitorais. É evidente a armação que distintas personalidades ligadas ao poder se prestam a executar. A manutenção do poder está cegando mesmo gente que se julga acima de todas as suspeitas. Existem muitos moçambicanos que se estão beneficiando de todo um status e mordomias à custa de alinhamentos políticos circunstanciais. A distribuição de favores e posições no aparelho de Estado faz-se a velocidade das conveniências e dos serviços prestados. Sabe-se que neste país houve reitores de universidades públicas que jamais teriam exercido essas funções se não tivessem tido um desempenho de crucial importância no quadro dos processos eleitorais. É preciso que a ingenuidade não nos deixe confundir competências técnicas e profissionais com desempenhos politicamente favoráveis.
Os partidos políticos em presença se não sabem com que linhas se cozem as coisas no cenário nacional estão verdadeiramente perdidos.
Muitos dos procedimentos que se podem testemunhar revelam falta de escrúpulos de um lado e uma verdadeira ingenuidade e moralismos deslocados de outro. Parece que há gente que espera que os políticos tenham um comportamento limpo e isento de máculas como aquelas que caracterizam a actuação de organizações do sub-mundo da máfia. Isso não é verdade nem acontece. Os golpes mais baixos possíveis são também parte do arsenal pronto a ser usado pelos políticos nas batalhas pelo voto dos cidadãos. A maneira como se conquistam os resultados eleitorais fala por si e na verdade tem havido e acontecido o que toda a gente sabe, devido a fraquezas na actuação dos políticos que fazem parte da oposição. Sem uma mudança célere e profunda na maneira dos políticos se situarem e agirem no seu quotidiano não haverá como reverter esta situação de falsificação continuada dos resultados eleitorais. Falar deste modo não é mentir pois está documentado e é do conhecimento de todos, que em Moçambique os resultados que servem para validar a vitória de uns e a derrota de outros são fruto de manobras ilícitas. Não é estranho que depois de votos favoráveis a uma das partes terem sido anulados e supostamente deitados no mar ou em rios, depois de votos de círculos eleitorais, importantes do ponto de vista demográfico, terem sido esquecidos na altura da contagem, que os resultados não cheguem a expressar a vontade popular. Também o silêncio cúmplice de grande parte dos observadores nacionais e internacionais não é obra do acaso.
A situação denominada de democracia entre nós é ridícula e insustentável devido ao modo como se governa o país e devido ao modo como as pessoas chegam às cadeiras do poder.
Toda a glória que cobria uma parte considerável dos nossos libertadores se esfumou conforme os anos foram passando. Agora o jogo aberto é agarrar e manter o poder sem olhar a meios. Também há que sermos francos e afirmar que muitos dos opositores não dispõem de argumentos e apresentam-se com tal ingenuidade que não coincide nem corresponde aos desafios nacionais e muito menos às aspirações dos moçambicanos.
Toda a embrulhada de teorias, primeiro marxistas e depois liberais mostra a fibra de que é feita muita da nossa classe política.
Deixemo-nos de ilusões quanto a integridade, substância e verticalidade de muitos daqueles que por uns meios ou outros chegaram ao poder. Os ideais que muitos diziam defender estão todos esburacados. Fica à mostra toda uma motivação política que em virtude da sua implementação abriu feridas profundas no tecido social do país. Egocentrismo, ambição desmedida, uma luta de libertação feita sob dependência e manipulação de parceiros interessados em aumentar a sua zona de influência, as inconsistências no posicionamento do Ocidente, tudo isso favoreceu o surgimento de manifestações e um ordenamento político contrários às lógicas de normalidade governativa. As condições de edificação de um Estado fundado na democracia começaram a ruir por aí. Os programas inscritos nos estatutos da principal força de libertação jamais foram postos em prática. O que infelizmente se pode verificar em termos de opções políticas concretizadas no país, não passa de políticas feitas por arrastamento ou cópias pouco fiáveis de modelos aplicados noutros países. Debilidade ideológica associada à própria debilidade do país tem colocado os moçambicanos à mercê da conjuntura. Uma globalização galopante e que não se compadece com fraquezas e lamúrias dos que se dizem fracos e desprotegidos piora o quadro em que se faz politica no país.
Qualquer pretensão de se por termo ao subdesenvolvimento e a criação de condições concretas para que a democracia eleitoral se traduza em desenvolvimento e normalização requer que os políticos se situem no país real e procedam de acordo com as exigências e as dificuldades existentes.
O fim das batotas e do jogo sujo institucional só pode acontecer com a atenção e trabalho político bem como técnico consistente e não com actuações esporádicas.
As maquinações organizam-se e os partidos concorrentes às eleições devem-se preparar de maneira adequada em tudo o que diga respeito ao processo eleitoral.
Os aspectos de tecnologia informática não devem ser deixados unicamente para o STAE. A fiscalização não pode ser descurada e confiada a quadros medíocres em momento algum. Partidos e observadores devem com a sua insistência e denúncia colocar a polícia no lugar que lhe cabe estar no âmbito eleitoral.
As organizações da sociedade civil tem de manter a equidistância necessária e evitar por todos os meios transformarem-se em mais uma organização de massas do partido no poder ou de outro.
Importa que todos nos compenetremos de que a possibilidade de alternância democrática do poder continuará de remota realização enquanto não houver trabalho com afinco.
Qualquer distracção no processo paga-se com a derrota eleitoral. Os detentores do poder jamais facilitarão. Eles se estão preparando e afinando a sua máquina no sentido de garantir a continuação no poder. Aos eleitores cabe não deixar as águas correrem sem que sejam eles a dirigirem-nas sob pena de depois ser tarde demais.

( Noé Nhantumbo, no Canal de Moçambique de 19/08/08, retirado com a devida vénia)

Noé Nhantumbo fez aqui uma lúcida e exaustiva análise da actual conjuntura política moçambicana. Numa altura em que os próximos pleitos eleitorais se aproximam velozmente, fica o aviso de que as pessoas de boa vontade estão atentas às manobras da Frelimo e de que é tempo de a Oposição arregaçar as mangas para o árduo trabalho em frente.

Meditação dominical

PENSAMENTO DO DIA


"Se você acha que a instrução é cara, experimente a ignorância."

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PRINCÍPIO 90/10 DE STEPHEN COVEY

Stephen Covey é autor de alguns dos livros mais vendidos nos últimos anos.Que princípio é este?Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.O que isto quer dizer?Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede.Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho, mas, você é quem determinará os outros 90%.Como? Com a sua reacção.
Exemplo 1:Você está tomando o café da manhã com sua família.Sua filha, ao pegar a chávena, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho.Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação.Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar.Você censura sua esposa por ter colocado a chávena muito na beira da mesa.E tem prosseguimento uma batalha verbal.Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa.Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo oautocarro para a escola.Sua esposa vai para o trabalho, também contrariada.Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola.Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado.Depois de 15 min. de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e umamulta, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem se despedir de você.Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu de sua maleta.Seu dia começou mal e parece que ficará pior.Você fica ansioso para o dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você.Por quê? Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense: Por que seu dia foi péssimo?
A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua causa?
A resposta correcta é:Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.
Exemplo 2:Você está tomando o café da manhã com sua família.O café cai na sua camisa.Sua filha começa a chorar.Então, você diz a ela, gentilmente: "está bem, querida, você só precisa ter maiscuidado".Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha entrando no autocarro. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a mão.Notou a diferença?Duas situações iguais, que terminam muito diferente.Por quê?Porque os outros 90% são determinados por sua reação.Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10.
Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que oscomentários negativos o afectem.Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.Como reagir a alguém que o atrapalha no trânsito?Você fica transtornado?Golpeia o volante? Insulta?Sua tensão sobe?O que acontece se você perder o emprego?Por que perder o sono e ficar tão chateado?Isto não funcionará.Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho.Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por que manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros.Estressar-se só piora as coisas.Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o.Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo...
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UMA LINDA MENSAGEM


Hoje, ao atender ao telefone que insistentemente exigia atenção, o meu mundo desabou...
Entre soluços e lamentos, a voz do outro lado da linha me informava que o meu melhor amigo, meu companheiro de jornada, meu ombro camarada, havia sofrido um grave acidente, vindo a falecer quase que instantaneamente...
Lembro de ter desligado o telefone, e caminhado a passos lentos para meu quarto, meu refúgio particular... As imagens de minha juventude vieram quase que instantaneamente à minha mente...Os amores não correspondidos...
AHHHHH... Os sorrisos.... Como eram fáceis de surgir naquela época!!.....
Lembrei da formatura... De um novo horizonte surgindo... Das lágrimas e despedidas... E principalmente, das promessas de novos encontros...
Lembro perfeitamente de cada feição do melhor amigo que já tive em toda a vida... Em seus olhos a promessa de que EU nunca seria esquecido. E realmente, nunca fui...
Perdi a conta as vezes em que ele carinhosamente me ligava quando eu estava no fundo do poço... ...ou das mensagens, que nunca respondi, as quais constantemente me enviava, enchendo minha caixa postal electrónica de esperanças e promessas de um futuro melhor. Lembro que foi o seu rosto preocupado que vi quando acordei de minha cirurgia para retirada do apêndice...
Lembro que foi em seu ombro que chorei a perda de meu amado pai... Foi em seu ouvido que derramei as lamentações do noivado desfeito... Apesar do esforço para vasculhar minha mente, não consegui me lembrar de uma só vez em que tenha pegado o telefone para ligar e dizer a ele o quanto era importante para mim contar com a sua amizade... Afinal....
Afinal, eu era muito ocupado!!! EU NÃO TINHA TEMPO!!!
Não lembro de uma só vez em que me preocupei de procurar um texto edificante e enviar para ele...
Não lembro de ter feito qualquer tipo de surpresa, como aparecer de repente com uma garrafa de vinho e um coração aberto disposto a ouvir.Não lembro de qualquer dia em que eu estivesse disposto a ouvir os seus problemas. Não me dignei a reparar que constantemente meu amigo passava da conta na bebida... Só agora vejo com clareza o meu egoísmo. Talvez se eu tivesse saído de meu pedestal egocêntrico e prestado um pouco de atenção...E despendido um pouquinho do meu sagrado tempo, meu grande amigo não teria bebido até não aguentar mais e não teria jogado sua vida fora ao perder o controle de um carro que com certeza, não tinha a mínima condição de dirigir...
Talvez ele, que sempre inundou o meu mundo com sua iluminada presença, estivesse se sentindo sozinho... Até mesmo as mensagens engraçadas que ele constantemente deixava em minha secretária electrónica, poderiam ser seu jeito de pedir ajuda...
Aquelas mesmas mensagens que simplesmente apaguei da secretaria electrónica, jamais se apagarão da minha consciência.
Agora, lentamente, escolho uma roupa preta - digna do meu estado de espírito - e pego o telefone. ...pois irei tirar o dia para Homenagear com meu pranto a uma das pessoas que mais amei nesta vida.
Agora trabalho com o mesmo afinco de sempre, mas sou somente "o profissional" durante o expediente normal. Fora dele, sou um ser humano!!
Nunca mais uma mensagem da minha secretaria electrónica, ficou sem pelo menos um "oi" de retorno. Escrevo cartões de Aniversário e de Natal, sempre lembrando as pessoas de como elas são importantes para mim...
Abraço constantemente meus irmãos e minha família, pois os laços que nos unem são eternos. Distribuo sorrisos e abraços a todos que me rodeiam, afinal, PARA QUE GUARDÁ-LOS?
Você achou um tempinho para ler isto.... Agora, disponha de outro minuto para mostrar para os seus amigos e familiares que você está pensando neles e que eles significam algo.... E são importantes na sua vida!!! Mostre a elas que sempre existe “um tempinho” no qual você pensa nelas.... Não espere o dia em que as pessoas mais importantes de sua vida serão tiradas de você para que você possa demonstrar o quanto elas significam...
O AMANHÃ PODE NÃO CHEGAR...
Deixe alguém feliz...
Hoje...
E sempre!!!
E principalmente...
( TIRADO DE E-MAILS RECEBIDOS )

Saturday, 23 August 2008

Teste de língua portuguesa

Qual destas palavras é feminina?

A) Bandeira
B) Directoria
C) Farinha
D) Matemática

Se respondeu todas, errou! Pense bem…
Bandeira: Não é feminina porque tem pau.
Directoria: Não é feminina porque tem membro.
Farinha: Não é feminina porque tem saco.
Então…
Matemática é a única feminina porque tem:
REGRAS demais,
PROBLEMAS demais
e…
quase ninguém entende!!!

Humor para o fim-de-semana

O Moçambicano e o Angolano

Um Moçambicano estava calmamente sentado a tomar o seu Sumol numa pastelaria na baixa de Lisboa, quando um Angolano, a mascar pastilha elástica senta-se ao seu lado. O Moçambicano ignora o Angolano que não se conforma e começa a puxar conversa:
Angolano: - Comes esse pão inteirinho?
Moçambicano (com mau humor): - Claro.
Angolano: - Nós não. Nós comemos só o miolo, a codea juntamos num contentor, depois processamos, transformamos em croissants e vendemos para Moçambique.
O Moçambicano ouve calado.
O Angolano insiste: - Tu comes esta geleia com o pão?
Moçambicano: - Claro.
Angolano: - Nós não. Nós comemos a frutas fresca com o café da manhã, e mandamos todas as cascas e sementes para contentores, depois processamos, transformamos em geleia e vendemos para Moçambique
Moçambicano:- E o que e que vocês fazem com os preservativos depois das relações sexuais?
Angolano: Deitamos fora, claro! Moçambicano : - Nós não. Vamos guardando tudo em contentores, processamos, transformamos em pastilhas elasticas e vendemos para Angola .

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PILOTO RACISTA

Num avião, o piloto informa:
- Senhoras e Senhores, o avião está a perder altitude e toda a bagagem
deve ser atirada fora!
Apesar de mais coisas serem lançadas fora, o avião continua a perder altitude.
- Estamos ainda a baixar! Teremos que atirar fora algumas pessoas...- avisa o piloto.
Há um grande reboliço entre os passageiros. E continua o piloto...
- Para fazer isso, de forma imparcial, os passageiros serão atiradosparafora,por ordem alfabética!- Assim, começamos pela letra A:- Há algum'Afro' a bordo?
Ninguém se move.
-'B'.... algum'Black' a bordo?'
Nada.
-'C'... algum'Crioulo' a bordo?'
Continua nada.
-'D'...alguém'De cor '?
De novo ninguém se mexe.
-'E'....algum mais 'Escurinho'?
Nada...- Nisto, um pequeno menino negro pergunta ao pai:
- Pai? Afinal, o que nós somos?
- ZULUS, meu filho, ZULUS!!!!...

Thursday, 21 August 2008

Uma opinião muito séria

O auto proclamado presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, havia proposto ao líder do Movimento para Mudanças Democráticas, MDC, Morgan Tsvangirai, o posto de terceiro vice-presidente da República. A proposta foi rejeitada, por falta de seriedade. Tal gesto não resolve os problemas que assolam o país. Visa esvaziar a legitimidade de Tsvangirai. A impopularidade de Mugabe ficou comprovada nas últimas eleições – derrotado nas presidenciais e a sua ZANU-PF rendida pelo MDC.
Pegou moda os perdedores imporem governos de unidade nacional. Este tipo de governo é chamado quando os perdedores são os que detêm o poder. No Quénia, o povo mostrou cartão vermelho a Mwai Kibaki que, às corridas, se investiu, antes do fim da contagem. O país debate-se com um governo de 90 ministros, para acomodar os interesses dos perdedores. Em Angola, o MPLA e a UNITA formaram um governo com 80 ministros, muitos deles sem tarefas.
No País, se houvesse uma oposição séria, não tardaríamos em conviverr com um governo de unidade nacional. O partido Frelimo poderá não aceitar uma derrota a si averbada. O sinal de recusa foi dado nas eleições de 1999, quando a Frelimo foi derrotada. Devido à falta de estratégia da Renamo, os libertadores
não foram removidos. O líder da Renamo diz que não luta pelo poder, mas, pela democracia. Isso é um paradoxo. Um partido que não quer chegar ao poder,é uma instituição filantrópica.
Quem luta pela democracia e está indisponível para governar, está enganado. O poder é o meio para pôr em prática as ideias democráticas, aprovando leis favoráveis à liberdade. Assim se democratiza uma sociedade. Não é sentado no banco da oposição, nem é fugindo sempre que se aproximo do poder, como, geralmente, faz Afonso Dhlakama, através dos seus actos, que se democratiza o país.
Não imponham ao País algo parecido com governo de unidade nacional. Quem perder eleições, deve cair fora, como se faz nos países onde a democracia é uma realidade. Quem não trabalha para ganhar uma eleição, não tem o direito a reclamar seja o que for.

( Tribuna Fax datado de 15/08/08 )

Abuso do poder!

O Tribunal do Distrito Urbano N°1, da Cidade de Maputo, julgou, no dia 11.08.2008, os jornalistas do ZAMBEZE — Fernando Veloso, Alvarito de Carvalho e Luís Nhachote — acusados de intentarem contra a segurança do Estado, por divulgarem documentos que sugerem que a primeira-ministra, PM, Luísa Diogo, perdeu a nacionalidade moçambicana ao casar, em 1981, com Albano Silva, cidadão estrangeiro. A então constituição era peremptória que a mulher moçambicana que casasse com um estrangeiro perdia, automaticamente, a nacionalidade.
O procurador-geral da República, PGR, Augusto Paulino, tem contas a acertar com o ZAMBEZE, por ter dado ênfase ao processo em que o magistrado era arguido no caso dos 300 mil meticais do Tribunal Judicial da Província de Maputo. Paulino, familiarmente, assistido por Albano Silva, marido de Diogo, meteu uma acção judicial contra o jornal, alegando ter sido difamado e exige 10 milhões de meticais de indemnização, mola considerada como vontade política para extinguir o ZAMBEZE.
A coincidência das indemnizações exigidas nos casos Paulino e Diogo – 10 milhões de meticais – não é casual. A Magistratura do Ministério Público está estruturada de forma vertical. Quem está acima pode dar ordens a quem esteja abaixo. Advinhar que o Estado esteja ofendido é, a todos os níveis, suspeito. É um ajuste de contas de Paulino para resolver problemas de fórum pessoal.
Apenas Armando Guebuza representa o Estado, mas, lemos, vemos e ouvimos o Presidente da República, PR, a ser jogado na praça pública. Em nenhum momento o MP saiu em sua defesa. No caso da PM o MP é voluntarioso. Os interesses de família cantam mais alto que os do Estado! Estão a abusar a máquina do Estado para se defenderem. Assim, não!
A PM não representa o Estado moçambicano e Diogo não se queixou. A iniciativa do MP é anormal. Tal prática transmite a ideia de que altos funcionários do governo, judiciário e parlamento se escondem por detrás da couraça do Estado, para se tornarem insuspeitos. Isso não é salutar num Estado que se pretende de Direito. Paulino e Diogo estão a vingar-se do ZAMBEZE.
Silva é português. Ele di-lo, em público. O registo do casamento deles, em Portugal, é uma prova irrefutável. Ele não provou que adquiriu a nacionalidade moçambicana, exibindo Boletim da República que lhe confira tal estatuto, porque, se o tivesse, tê-lo-ia feito em sede do julgamento. Diogo perdeu a nacionalidade moçambicana, ao casar com Silva. Se não a readquiriu é, no mínimo, apátrida e nessa qualidade não deve exercer funções de direcção no governo, forças de defesa e segurança nem na diplomacia.
Quando da nomeação de Paulino para Procurador, houve deputados que duvidavam da sua idoneidade. Agora, devem restar poucas dúvidas. Pedimos ao PR para, antes que seja tarde demais, não deixar o Estado deslizar no plano inclinado ao saber de pessoas que se chamam Estado, para servirem seus objectivos.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax de 18/08/08, retirado com a devida vénia )

Wednesday, 20 August 2008

Governo é hipócrita!


No dia 25 de Julho de 2008, na província do Niassa, a caminho do Matchedje, para as celebrações dos 40 anos do 2° Congresso da FRELIMO, realizado em 1968, o ministro da Defesa Nacional, Filipe Nyussi e acompanhantes da viatura em que seguia, tiveram um acidente de viação. Nyussi, partiu o braço, fracturado duas costelas, foi, de imediato, evacuado para uma clínica, na África do Sul. O ministro da Agricultura, Soares Nhaca, saiu ileso. O motorista, que ficou gravemente ferido, continua internado no Hospital Provincial de Lichinga.
Os dirigentes exortam o público com um slogan bonito — produza moçambicano, consuma moçambicano. Distribuem certificados às instituições que se mostrem ter assumido o seu conteúdo. Uma coisa é falar para impressionar e outra coisa, bem diferente, é o que se faz no quotidiano. Os dirigentes quando têm dor de cabeça, metem-se no avião, para irem tomar paracetamol do outro. Gastam divisas para irem, ao estrangeiro, palitar os dentes, como se não tivéssemos médicos. Temo-los que, por vezes, fazem milagres, trabalhando em condições precárias.
Não estamos contra a evacuação de Nyussi, mas, condenamos a hipocrisia do governo. Nyussi poderia ter sido assistido em qualquer hospital do País. Temos médicos competentes para tratarem da saúde de qualquer dirigente. Se os nossos técnicos não têm capacidade, o que duvidamos, o culpado seria o governo que não cria condições para que a competência que procuram além-fronteira seja instalada no País. O governo apercebe-se da falta de algum equipamento imprescindível, no hospital da última referência, quando um dirigente ou seu parente cai doente.
Sob o ponto de vista do governo, o hospital de Lichinga tem condições para tratar o doente que ficou, gravemente, ferido, porém, não vale para concertar o braço e as costelas do ministro. É um paradoxo. Existirá uma vida que tenha maior peso que outra? Nenhuma vida é superior a outra. Duvidamos se o governo pensa como nós, porque, de outro modo, não teria feito discriminação. Se o governo apostasse na formação do pessoal técnico nacional, há muito que os membros do Executivo teriam deixado de ir à África do Sul à procura de cuidados médicos básicos.
Os dirigentes mandam seus filhos para as melhores escolas do planeta, apesar de lindos discursos que proferem de que o nosso sistema de educação, que eles conceberam, é um dos melhores do mundo. É pura mentira! Se fosse tão bom como dizem, não mandariam seus meninos para Europa e América à procura de melhor educação. Ficariam nas escolas onde os filhos do povo estudam – encurvados no chão, por vezes, sem vidros, nem quadro, nem giz.
Se a hipocrisia do governo – dois pesos, duas medidas - não for afastada com actos concretos, o produza moçambicano, consuma moçambicano cheira a burla. Falar é uma coisa, fazer é outra, bem diferente. Na hora da verdade, esta coisa de produza moçambicano, consuma moçambicano resta, para o povo chuchar o dedo.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax, de 08/08/08, retirado com a devida vénia )

Tuesday, 19 August 2008

Um livro importante

O Governo moçambicano afirma frequentemente que tem tido grande sucesso no combate à pobreza absoluta, porém, um livro lançado em Maputo recentemente , revela que metade das pessoas nas zonas rurais são hoje tão pobres quanto no período logo após o fim da guerra há 16 anos e que o nível de pobreza nas zonas rurais está a aumentar.
A referida obra tem o sugestivo título “ Há mais bicicletas-mas há desenvolvimento?” e os autores são Joseph Hanlon, conhecido jornalista britânico especialista em questões sobre Moçambique, e a investigadora Teresa Smart. O livro baseia-se em pesquisas feitas no terreno, principalmente nas Províncias de Nampula e Manica, passando em revista o desenvolvimento de Moçambique desde a independência.
Os autores afirmam:
“Não concordamos com as estatísticas oficiais que indicam uma redução de 15% da pobreza absoluta. Para nós é uma manipulação das estatísticas. Há mais bicicletas, as estradas melhoraram, há escolas. Mas também as escolas estão a formar muitos jovens com a décima classe e que saem com vontade de trabalhar mas que não têm a possibilidade de utilizar o conhecmento adquirido.”
Esta obra põe a nú uma verdade que conhecemos: o Governo moçambicano manipula estatísticas.
O livro, publicado pela editora moçambicana Missanga, está dividido em 3 partes, com 18 capítulos e 2 apêndices, dá um panorama aos desafios do desenvolvimento em Moçambique.Os autores criticam as políticas ditadas pelos organismos financeiros internacionais mas consderam negativa e irrealista a exagerada expectative emtorno do investimento estrangeiro como promotor do desenvolvimento do país.

Sunday, 17 August 2008

Quem ainda se lembra?

Primeiro governo de Moçambique, eu lembro-me muito bem! Jamais me esquecerei!