Friday, 10 April 2015

ULTIMA HORA :dois moçambicas mortos em ataques xenofobos na Africa do Sul

Xenophobic Wave Kills Two Mozambicans in Durban, South Africa




clubofmozambique











(2015-04-10) Two Mozambicans were killed in the xenophobic attacks in Durban South Africa, a source from the Mozambican Consulate in Pretoria confirmed to Rádio Moçambique. In the meanwhile, South African Media today warns that the victims may still grow as police is investigating whether the "several dead bodies" found in Durban "are foreign nationals or South Africans".
Over 70 Mozambican citizens, women and children included, have abandoned their homes and seek shelter in temporary camps or police stations in the Durban area.
South African Business Day Live reports today that “at least three foreign nationals, and possibly several more, died in a wave of suspected xenophobic violence that swept through Durban and surrounding areas on Thursday."
According to BD Live, "the deaths were reported in Chatsworth and Umlazi." Elsewhere in Durban, reads the article, the police found several bodies, "but it is unclear whether they are of foreign nationals or South Africans."
Police spokesman Major Thulani Zwane said: "We don’t know how many foreigners have been killed so far but cases of murder have been opened. We are still collating information from police stations."
In Isipingo and in townships, businesses owned by foreign nationals were closed on Thursday.
AFP cites Durban police sources, reporting that “over a thousand immigrants in South Africa have fled their homes following a series of violent attacks by locals.”
The news agency adds that “the immigrants, mostly African, have been housed at police stations and tents, as angry locals vowed to push them out."
"They said they were intimidated to vacate their homes by locals and came to us because they feared for their lives," police spokesman Thulani Zwane told AFP.
A Somali shopkeeper is reportedly fighting for his life after he was shot in the chest in KwaMakhutha, south of Durban. The man was rescued by the police from youngsters who are said to have looted his shop, and rushed to a local hospital, informs BD.
Police on Wednesday broke up a march by a group of foreign nationals who were protesting against the violence, firing water cannons and tear gas, AFP reports.
Police said the march was illegal. Spokesman Eugene Msomi told AFP the crowd had to be dispersed when they failed to follow orders to do so.


Ambushed and Beaten Mozambicans Chased Away From Home


In the meanwhile Times Live reported yesterday “a growing crowd of Mozambicans and Zimbabweans at the Sydenham police station after they were chased by locals from their homes in the New Germany Road informal settlement, on Tuesday.
On Monday night, reports Daily News,"a different group gathered at Greenwood Park police station – also after being chased from their homes." On the same day, church leaders had visited a camp in Isipingo after foreigners were hounded out of that area as well as Umlazi.
Many of the affected people are families who have been living in Durban for several years, stresses Times Live.
At Sydenham police station on Tuesday, Joseph Msimango, 36, of Zimbabwe, said the New Germany Road informal settlement residents’ committee had taken a roll call on Monday of all foreign nationals.
“They took down our names and checked our papers. They said they wanted to check that we were all here legally. We had no problem, because they talked to us properly,” he said.
Hours later, the foreign nationals were ambushed in their homes and beaten, many escaping with only the clothes they were wearing, according to Daily News.
Another man who asked not to be named said: “We have been living with them as brothers for 15 years. All of a sudden they herd us out like cows.”
Most of the group work as artisans. Besides their passports and other documents, they are desperate to go back for their tools.
“We just want to take our things, make some money and go home before we are killed,” said another.


Mozambican David Santo: "We want to go back to our homeland"


On Sunday, 28 Mozambicans fled from a Sea Cow Lake shack settlement after a mob of 15 balaclava-clad men allegedly attacked them and are now living in one of the prefabricated offices at the Greenwood Park police station.
One of the victims, David Santo, told Daily News that the mob arrived on Saturday night. They stoned the shacks of the foreigners and looted their homes.
Several men were beaten with sticks, rocks and bottles, Santo said. “They broke whatever they could in our shacks, including our fridges and televisions.
“They threatened to kill (us) on Sunday if they found us still staying there. Some of the residents fled to the CBD. The police took the rest of us to the police station,” he said.
“We want to go back to our homeland.”
Santo said the “landlord” of the rented shacks had tried to help them, but the mob pushed him aside, saying they did not want foreigners in the country.
Another victim, who identified herself as Linda, said they rented the shacks for R350 a month.
Some Mozambicans have been living in the settlement for 10 years, working as tradesmen, shop assistants and domestic workers.

 

Xenophobic Rampage


The attacks came days after Zulu king Goodwill Zwelithini publicly said immigrants should "pack their bags and leave" the country.
The comments made during a traditional event north of KwaZulu Natal province were widely reported.
Similar statements have been made by President Jacob Zuma's son Edward.
These xenophobic attacks follow those in Gauteng, in January.
In 2008, 62 people were killed in xenophobic violence in Johannesburg townships.



 


Photo: Diplomat Somalia (File) / File photo of xenophobic attacks in South Africa

“Transparência total e completa dos contratos de todos os sectores de negócios do Estado”, Adriano Nuvunga


 
 
 













Moçambique tem registado, sob o ponto de vista legal, importantes avanços em prol da transparência do Estado. Contudo “há importantes constrangimentos por uma aceitável prestação de contas”, por isso o Centro de Integridade Pública (CIP), pela voz do seu Director Adriano Nuvunga exige “Transparência total e completa dos contratos de todos os sectores de negócios do Estado”.
Nuvunga, que falava semana passada numa conferência em Maputo cujo tema se relacionava com os desafios para a Economia e Governação em Moçambique, advogou que “não é só no sector extractivo que se impõe transparência, mas é em todo o sector de negócios do Estado incluindo a concessões e particularmente as PPP´s (Parcerias Público Privadas) que operam num quadro de total opacidade, ou seja, falta de transparência”, e citou como exemplo a portagem localizada na auto-estrada que liga os municípios de Maputo e da Matola, concessionada por um período de 30 anos a empresa sul-africana Trans African Concessions (TRAC ). “Os termos daquele contrato não são conhecidos, não são discutidos, quem assinou está escondido está aí escondido entre copas, não cria condições para que haja um debate público sobre afinal até quando será pago o valor ali investido”.
Para o CIP a integridade e transparência são fundamentais para que as políticas públicas não sejam favoráveis às elites predadoras que na última década aguçaram o seu apetite voraz. “Não tínhamos esta delapidação criminosa a que assistimos do recurso público”, enfatizou Adriano Nuvunga que exigiu “transparência total e completa dos contratos de todos os sectores de negócios do Estado, sobretudo da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e suas subsidiárias, do Instituto de Gestão de Participações do Estado, das Concessões e das PPP´s”.
“Grande corrupção é simplesmente posta de lado”
Embora o Presidente Filipe Nyusi tenha prometido “que as instituições estatais e públicas sejam o espelho da integridade e transparência na gestão da coisa pública” a realidade, segundo Adriano Nuvunga, que também é docente no Departamento de Ciência Política e Administração Pública da Universidade Eduardo Mondlane, é que “o procurment público tornou-se num instrumento de viabilização de interesses económicos individuais que se manifesta através dos conflitos de interesses que são transversais a todos os níveis da Função Pública, onde a elite política se concentra nos grandes negócios do Estado, enquanto isso, alguns funcionários públicos dos mais diversos escalões da Administração Pública procuram constituir empresas para participar nos concursos (públicos) lançados pelas instituições onde eles estão afectos”.
Outro constrangimento apontado por Nuvunga é “o tráfico de influências decorrente do acesso à informação privilegiada sobre planos e aquisições” e lamenta afirmando que “nós assistimos a muitas pessoas ligadas ao poder político promulgando as suas próprias prioridades, em função até mesmo dos seus próprios interesses.”
Para o director do CIP, apesar das reformas introduzidas para o combate à corrupção nota-se que falta independência às instituições criadas para a sua implementação e citou como exemplo o Gabinete de Combate à Corrupção (GCC) que “não é uma entidade independente para combater a corrupção” pois “pertence ao Ministério Público, o seu director é designado pelo Procurador-Geral, que por sua vez é designado pelo Presidente da República e como tal o director do Gabinete está vulnerável a ser removido se se mover numa direcção contrária à do poder político.”
“As estatísticas que o Gabinete de Combate à Corrupção apresenta mensalmente mostram claramente que a grande corrupção é simplesmente posta de lado. Desde que vimos os julgamentos do caso Aeroportos e do caso Manheje nunca mais foram julgados casos de grande corrupção (…) provavelmente porque a grande corrupção envolve figuras ligadas à elite política e aos altos funcionários da Administração Pública”, sugeriu Adriano Nuvunga.
Outra instituição da qual se tem muita expectativa é o Tribunal Administrativo, como entidade suprema do controlo administrativo em Moçambique. Contudo, para o docente universitário “nos últimos anos fica-se com a percepção de que o desempenho do Tribunal Administrativo tem vindo a mostrar uma tendência decrescente”. Nuvunga lamentou o facto de que até ao momento “não vimos nenhum pronunciamento sobre o caso EMATUM”.
Em 2013 o Estado moçambicano criou a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) que pouco depois da sua criação se envolveu num negócio de aquisição de embarcações de guerra e outras para pesca, orçado em centenas de milhões de dólares norte-americanos sem a autorização do Parlamento e violando o tecto do valor que, por força da Lei Orçamental, possui como máximo para o caso de garantias do Estado.
No que ao sector extractivo diz respeito Adriano Nuvunga saudou as novas leis em vigor em Moçambique que até “estabelecem que as empresas que operam neste sector sejam registadas em jurisdições transparentes, contrariamente aos paraísos fiscais, o desafio aqui é como implementar isto sobretudo porque neste país já há experiências de empresas internacionais que são registadas em jurisdições transparentes quando chegam mas depois alteram o seu regime para paraísos fiscais.”
O professor Nuvunga chamou ainda a atenção para a atitude, que considerou “progressista”, de privilegiar empresas estrangeiras que se associam a moçambicanos na atribuição de contratos de concessões no sector extractivo. Porém “experiências de outros países em desenvolvimento e ricos em recursos minerais mostram que este requisito de parceiro nacional tem sido frequentemente o mecanismo usado pelas elites políticas da Administração Pública para acumular riqueza sem conhecer qualquer valor acrescentado, constituindo a negação de oportunidades” para a maioria dos moçambicanos.





A Verdade

Compra de fidelidade e de obediência com cargos mata Moçambique



Repetição evidente de erros assim o demonstra


Quarenta anos de Independência são mais do que suficientes para que se aprenda sobre o que não fazer.
Se antes era justo falar-se de “deficits” em recursos humanos tecnicamente qualificados para agir e dinamizar os “dossiers” nacionais, o mesmo já não se pode dizer nos dias de hoje.
É constrangedor e vergonhoso verificar que em todo o país se assiste à imitação e repetição de acções que no passado não deram certo.
Enquanto a governação for vista e entendida como forma concreta de garantir acesso a regalias, salários chorudos e comissões, e enquanto os que decidem quem ocupa os cargos públicos utilizarem as nomeações como forma de garantir obediência e fidelidade, pouco ou nada andará.
No lugar de qualidade e mérito, a mediocridade triunfa, em detrimento da agenda nacional.
Governar sem ter em conta o capital histórico e sem uma visão que se concentre na aprendizagem e no aproveitamento dos conhecimentos institucionais acumulados e experiências, conduz a becos sem saída ou com saídas dispendiosas.
Vamos olhar para o caso da criação de parques de máquinas agrícolas nos distritos. Esta forma de intervenção existiu no passado com o nome de Mecanagro. Era o Governo que tinha os meios circulantes, e estes eram utilizados pelas empresas estatais. Agora pretende-se que estes meios sejam utilizados por agricultores privados e camponeses. Continua a ser o Governo a intervir directamente no sector produtivo. Mas a função do Governo não é produzir.
A produção não se faz ou acontece por via de caridade ou intervenções politizadas.
Fomento agrário difere de injecção de insumos para agricultores politicamente úteis.
Não compete ao Ministério de Agricultura produzir bens de consumo. Este ministério não pode continuar a ser a base ou fonte de enriquecimento dos seus titulares, através de negociatas de insumos e de terras.
Não são os “sete milhões” destinados aos distritos que alteraram o panorama da pobreza e indigência no país.
Comprar votos através de fundos do erário público pode parecer expediente inteligente e prático, mas no fim do dia o resultado é contrário. Distorcer a economia e fomentar esquemas corruptores jamais se traduzirá em desenvolvimento.
Trazer vacas leiteiras e entregá-las a produtores seleccionados através de critérios que “só o diabo conhece” contribui para o prolongamento da promiscuidade criminosa na economia nacional. As ONG’s internacionais que participam em acções dessa natureza devem ser questionadas, escrutinadas e olhadas com séria desconfiança, pois não estão participando no “empoderamento” dos produtores de leite moçambicanos.
É preciso questionar a utilidade e necessidade de apoio de ONG’s nacionais e internacionais na implementação da agenda nacional. Quando o Egipto ou a Rússia reforçam os mecanismos de acreditação de ONG’s nos seus países, alguma coisa se pretende. Quando os Governos começam a exigir reciprocidade no que se refere à entrada e estabelecimento de confissões religiosas, estamos perante um facto real de importância para a segurança nacional. Quem avalia levianamente assuntos importantes corre o risco de acabar gerindo conflitos.
Não se pode dar passaporte livre a ONG’s nem a seitas religiosas que acabam interferindo com assuntos políticos nacionais. Igreja Universal, Observatório Eleitoral, instituições islâmicas apoiadas por países do Golfo Arábico, de uma maneira ou de outra contribuíram para o descalabro eleitoral em Moçambique. Uns, infiltrados por serviços de inteligência, e outros, cumprindo uma missão de apoio ao poder do dia, transformaram a sua actuação em acções de mobilização a favor de um partido político, o que é obviamente inaceitável numa situação de democracia política.
As ONG’s nacionais não podem basear a sua actuação na recepção de doações por organizações mentoras estrangeiras. Também não podem ser receptoras de generosas ajudas do Governo para conseguirem actuar e cumprir as suas missões e agendas. Os gestores das ONG’s nacionais e internacionais no país não podem ser escolhidos através de recomendações do Executivo, pois prolonga os tentáculos de nomeações como forma de garantir o “status”.
Governar requer cooperação mas não ingerência nem desrespeito pela agenda nacional.
A duplicação despesista de funções governativas em algumas cidades e municípios governados pela oposição política é outro caso que nos leva a pensar que a estratégia do partido no poder obedece a um maquiavelismo requintado.
Onde perdeu eleições atrasa a implementação de directivas governamentais referentes à transferência da gestão de escolas, centros de saúde e transportes rodoviários. Nomeia uma governação paralela e dá prioridade orçamental a esta estrutura, com vista a demonstrar que, afinal, o partido no poder sabe governar e que merece, por isso, o voto dos cidadãos.
Isso é um exercício de pura obstrução e atentado grave contra a descentralização efectiva do poder.
Este emaranhado de observações é superficial, mas demonstra que temos problemas que não estão sendo tomados em atenção.
São várias as frentes que importa atacar para resolver problemas urgentes em Moçambique. Não se pode fazer vista grossa e muito menos entender ou conceber a governação como um “jogo de bombeiros acudindo a incêndios” aqui e ali.
Servir os cidadãos é a razão de existência do Governo, e nesse sentido tudo o que for feito para repor a verdade crítica mostra-se pertinente e urgente.
Moçambique precisa de ver o seu Governo agindo com responsabilidade e cumprindo a lei.
Quando, por exemplo, o Tribunal Administrativo identifica desvios de aplicação de verbas públicas por algum departamento governamental, as acções correctivas devem ser implementadas. Não pode aparecer um ministro das Finanças reconhecendo os factos descritos e nada fazendo para corrigi-los.
Trocar ou transferir infractores não pode continuar a ser a decisão.
Um novo Governo que não aproveite a experiência acumulada e prefira ignorar o que é razoável e aconselhável chegará ao fim do mandato sem obra feita.
Não é para isso que os moçambicanos pagam salários chorudos a estes servidores seus.
Fique claro para os que exercem cargos públicos, eles não são mais do que servidores públicos principescamente pagos.





(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Marco do correio, por Machado da Graça


Olá Juliano
Como estás tu, meu amigo, e a tua família? Eu, de saúde, estou bem mas muito assustado.
O episódio militar que aconteceu no Norte de Gaza, há poucos dias, mostra a pouquíssima distância a que estamos de uma nova guerra no país....
Seja quem for que iniciou o confronto, e eu já ouvi diversas versões, todas diferentes, o certo é que a Renamo está a querer deslocar os seus homens para Sul e as forças governamentais estão a tentar impedi-la disso. Independentemente dos discursos, mais ou menos justificativos, dos dois lados.
Ao aproximar os seus homens da capital do país a Renamo está a dizer, com clareza, à Assembleia da República, que quer a sua proposta aprovada, e rapidamente.
Entretanto os defensoresm da posição do Governo, com os fatídicos G40 ainda em acção, continuam a esgrimir com argumentos jurídico-legais numa questão onde, a cada dia que passa, essas questões legalistas vão perdendo mais terreno, enquanto os argumentos politico--militares ganham peso.
Claramente a Renamo acha que foi roubada nas eleições e isso lhe dá o direito a ocupar parte do poder. De preferência a bem mas, se isso não for possivel, a mal. E a isso se resumem os argumentos jurídicos da Renamo: Nyusi e o partido Frelimo foram considerados vencedores sem que os orgãos eleitorais conseguissem apresentar os editais que comprovassem essa vitória.
E a tentativa da Comissão Política do partido Frelimo sabotar o acordo a que tinham chegado Nyusi e Dlakama só veio piorar as coisas.
Falando, há dias, com uma pessoa da Renamo aconselhei aquele partido a ter calma neste momento difícil. Respondeu-me que os homens da Renamo estão fartos de ser aldrabados.
Portanto, se algum conselho eu posso dar a Filipe Nyusi é que lide com Dlakama Dlakama com limpeza. Que não o tente aldrabar, porque isso pode ter consequências desastrosas.
E esteja preparado para fazer concessões sólidas, concretas, palpáveis. Coisas que Dlakama possa mostrar aos seus generais como vitórias da sua política e diplomacia.
De outro modo corremos muito o risco de ter o caldo entornado. E, citando Teodato Hungwana, o Governo corre o risco de ter que conceder à Renamo, para parar a guerra, aquilo que não quer conceder agora para a evitar.
Esperemos que Nyusi, agora com as mãos mais livres, consiga fazer o necessário para evitar o pior.
Se necessário for, que se vão os aneis mas fiquem os dedos.


Um abraço para ti do,


Machado da Graça, Correio da manhã, 08/04/2015

Thursday, 9 April 2015

Maputo organiza primeira feira internacional do livro






O CONSELHO Municipal de Maputo realiza, entre os dias 7 e 10 de Maio próximo, a primeira Feira Internacional do Livro de Maputo, uma iniciativa que visa promover a literatura nacional, facilitar o acesso ao livro e incentivar o gosto pela leitura.
Para além de escritores nacionais, como Paulina Chiziane e Calane da Silva, que vão orientar uma palestra subordinada ao tema “O livro como instrumento de combate à pobreza”, o evento contará com a presença da maioria dos autores nacionais.
Está igualmente confirmada a participação de alguns escritores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tais como Lopito Feijó de Angola, Ana Paula Maia do Brasil, António Marques de Portugal, entre outros.
A Feira Internacional do Livro de Maputo vai consistir na exposição, venda e troca de livros, palestras subordinadas a determinados temas, sessão de conversas com os autores, assinaturas de autógrafos e ainda na criação de oficinas para troca de experiências entre os escritores nacionais, estrangeiros e os leitores.
Para tal, foram convidadas as editoras e produtoras do livro a exporem os seus produtos na feira e criar condições para que se possam reduzir, o máximo possível, os seus preços de modo a que mais pessoas possam adquirí-los.
Numa conferência de imprensa realizada ontem para o lançamento da feira, Simão Mucavel, vereador para a Educação, Cultura e Desportos da autarquia de Maputo, disse que o evento é direccionado a todos os extractos da Sociedade moçambicana, com principal enfoque para a camada juvenil e estudantil.
Mucavel explicou que, de uma forma geral, a feira pretende celebrar a literatura moçambicana, promover debates, formações e recitais com os diversos literatos, nacionais e estrangeiros.
“O município vai levar a cabo esta iniciativa em parceria com algumas instituições como o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, os institutos culturais Português, Alemão, Brasileiro, o Centro Cultural Franco Moçambicano e a British Council, como alguns exemplos”, disse Mucavel.
Por sua vez, o coordenador da feira, Camilo da Silva, explicou que a iniciativa que se espera seja um festival literário, pressupõem-se criar um intercâmbio entre escritores nacionais e internacionais com vista a promover e divulgar a literatura moçambicana na sua complexidade, nas suas variadas formas de actuação, ligando-a com outras áreas artísticas, que têm na literatura sua fonte ou suporte para sua execução, tais como a música, o teatro, o cinema e outras.
“Para além da venda e troca de livros, queremos aproveitar o slogan popular (3/100) para incentivar a compra do livro e promover o gosto pela leitura, mas para tal estamos a trabalhar com as editoras para tornar possível essa intenção”, afirmou Da Silva.
Acrescentou que a iniciativa parte da premissa de que o país é rico em diversidade artístico-cultural, daí pretender-se também com este evento, levar todas estas manifestações a uma inter-contextualidade para, a partir deste intercâmbio, valorizar e homenagear a literatura moçambicana e seus fazedores.



Noticias

Dhlakama diz que o país está a ser dirigido por incompetentes

Num encontro com professores universitários na Beira
 

No prosseguimento da divulgação daquilo a que chama o modelo de Governo das futuras autarquias provinciais, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama reuniu na segunda-feira, na cidade da Beira com professores do ensino superior e com organizações da sociedade civil. No encontro, Dhlakama disse que, para além da descentralização, a...s autarquias provinciais irão resolver o problema do excesso de incompetência no Governo. Dhlakama considera que os problemas nos quais os moçambicanos estão mergulhados são antigos e que, nestes sucessivos anos, há uma manifesta incapacidade do Governo para resolvê-los.
O presidente da Renamo disse que, nestes últimos anos, Maputo só tratou de alinhar incompetentes para abocanhar as riquezas do país.
“Vamos reparar para onde estávamos e onde estamos hoje, 40 anos independentes. Os problemas continuam os mesmos e não há avanços para o povo.”
Dhlakama disse que a Frelimo tem culpado o colono pela sua incapacidade. “Eles culpam o colono, quando, na verdade, eles representam o novo colonialismo, e hoje temos de lutar pela nossa liberdade e prosperidade. Eles estão mais preocupados em espezinhar, torturar e inutilizar as boas mentes que querem ver uma nação unida e com prosperidade”, afirmou Dhlakama.






José Jeco, Canalmoz

 
 

A vez de Filipe Nyusi

Analistas dizem que PR tem de agir e rápido.

Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi
Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi




O Presidente moçambicano Filipe Nyusi reiterou hoje, 7, em Mueda, na província de Cabo Delgado, que todos os esforços devem ser direccionados para a busca da paz efectiva no país, o que passa por uma maior inclusão dos moçambicanos. Analistas, entretanto, dizem que não bastam apenas as boas intenções, mas são necessárias também acções concretas.Nyusi falava no lançamento das cerimónias comemorativas do 40.º aniversário da independência nacional, que se assinala a 25 de Junho, as quais incluíram o acender da Chama da Unidade Nacional, que vai percorrer as 11 províncias até ao dia da independência.
José Óscar Monteiro, histórico da Frelimo e adversário do antigo estadista moçambicano Armando Guebuza, diz que a paz só será efectiva se houver uma nova maneira de pensar Moçambique, realçando que já há condições para isso.
Para o analista Fernando Gonçalves, Filipe Nyussi não pode pensar que quando sair do poder terá resolvido todos os problemas que Moçambique enfrenta: "os níveis de pobreza ainda são muito altos, e ele não tem a varinha mágica para resolver todos os problemas".
Por seu lado, o académico Luiz Mungoi diz que Filipe Nyussi, após assumir a Presidência da Frelimo, tem agora todos os caminhos abertos, para, de forma autónoma, tomar as decisões necessárias relativas ao diálogo com a Renamo.
"Agora, o Presidente Nyussi tem uma grande responsabilidade porque já não vai ter a desculpa de que ele era apenas Presidente da República e o Partido Frelimo fazia outras coisas", disse Mungoi.
As celebrações da independência nacional decorrem sob lema “40 anos de independência, unidade nacional, paz e progresso”.



VOA


Escute aqui

Wednesday, 8 April 2015

Oposição moçambicana dá apreciação negativa ao Programa Quinquenal do Governo



A Renamo e o MDM, principais partidos de oposição em Moçambique, deram hoje "uma apreciação negativa" ao Programa Quinquenal do Governo, enquanto a Frelimo, no poder, advogou a aprovação do documento.
No seu parecer, os representantes da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido de oposição, na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República entendem que o Programa Quinquenal do Governo deve ser alvo de uma apreciação negativa, porque carece de indicadores objetivos para a sua fiscalização.
"Este documento, que deveria ser o instrumento essencial de governação para os próximos cinco anos, carece de indicadores objetivos que possam permitir à Assembleia da República realizar com eficácia o seu mandato de fiscalizador da ação governativa", refere a Renamo, no documento.
Segundo os deputados do principal partido de oposição na comissão, o povo deve ser informado de forma clara e objetiva sobre o que o Governo se propõe realizar ao longo do período de 2015-2019 nas diferentes áreas de intervenção, que serão desagregadas no Plano Económico e Social (PES) a apreciar pelo parlamento.
"Seria de muita utilidade que os moçambicanos soubessem, por exemplo, quantos professores o Governo pretende formar durante o seu mandato e quantas salas de aulas pretende construir ao longo dos cinco anos", diz o parecer da Renamo.
As posições da Renamo, do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) e da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) constam do parecer da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República, lida pelo respetivo presidente, Edson Macuácuá, após a apresentação hoje no parlamento do Programa Quinquenal do Governo pelo primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, e que já vinha sendo divulgado pelos órgãos de comunicação social.
Por seu turno, o MDM considera que o Programa Quinquenal do Governo não obedece ao princípio de equilíbrio regional, dado que não apresenta a materialização ou execução em regiões, incentivando o desequilíbrio económico, social e regional.
A Frelimo, partido com maioria absoluta na Assembleia da República, defende a aprovação do programa, considerando que define claramente as grandes opções globais que concorrem para a melhoria da qualidade e condições de vida do povo moçambicano.
"O Programa Quinquenal do Governo adota uma abordagem integrada e assenta em prioridades tangíveis e materializáveis, concretiza os consensos nacionais alcançados através dos diversos instrumentos de planeamento e monitoria da governação do país, refletidos numa perspetiva de curto, médio e longo prazo", realça o documento.
O Programa Quinquenal prevê que o peso da indústria transformadora no Produto Interno Bruto (PIB) quase duplique dos atuais 11% para 21% em 2019, e também taxas de crescimento económica robustas, entre os 7% e os 8% nos próximos anos, ao mesmo tempo que pretende aumentar a arrecadação de receitas do Estado, dos atuais 27,5% em percentagem do PIB para 32% em 2019, e manter a inflação anual abaixo dos 10%.
É também objetivo do Governo diminuir o impacto de epidemias associadas à qualidade de água e higiene, e levar acesso a fontes seguras deste recurso a 75% da população rural, contra os 52% atuais, e a 90% da população urbana, mais 5% do que em 2014.
Outra das metas do Governo é aumentar a taxa de cura de desnutrição aguda de crianças menores de cinco anos, de 60% para 80%, e também o rácio de profissionais de saúde, de 94 para 113 por cem mil habitantes.
Apesar de a Renamo e o MDM terem sinalizado que poderão votar contra o programa, o mesmo será viabilizado pelo voto a favor da Frelimo, uma vez que esta formação controla uma maioria absoluta de 144 deputados, contra 89 do principal partido de oposição e 17 da terceira maior força política no país, num parlamento com 250 deputados.



Negociações entre Governo e Renamo atingem ronda número 100 sem resultados


 As negociações políticas entre o Governo e a Renamo atingiram, na segunda-feira, a ronda número 100 e continuam sem nenhum resultado. Nos últimos dias, as partes estão mais empenhadas em declarações que visam desgastar-se uma à outra nas negociações e diante da opinião pública.
Em conferência de imprensa, o chefe da delegação do Governo e ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, desdobrou-se em mais acusações contra a Renamo e o seu presidente, Afonso Dhlakama, por alegadamente estarem a violar o Acordo de Cessação das Hostilidades Militares assinado em Setembro de 2014.
Pacheco disse que os confrontos registados na semana passada no Guijá, na província de Gaza, foram o culminar da violação do Acordo, que Afonso Dhlakama tem estado a liderar nos seus discursos.
Por outro lado, José Pacheco acusou a Renamo de pretender instalar um quartel-general em Muxúnguè, o que, segundo Pacheco, pode inserir-se na concretização das ameaças de Afonso Dhlakama de accionar um plano “B”, caso a sua proposta de lei sobre as autarquias provinciais, submetida a discussão na Assembleia da República, seja reprovada pela Frelimo.


Pacheco quer ser porta-voz da Renamo

Reagindo às acusações do chefe da delegação do Governo, o deputado Saimone Macuiana e chefe da delegação da Renamo acusou o ministro de estar a ambicionar ser porta-voz da Renamo.
“As declarações do ministro Pacheco são da sua inteira responsabilidade, sobretudo quando o Governo não quer traduzir as coisas como nós, a Renamo, dissemos”, afirmou Saimone Macuiana, e acrescentou: “O chefe da delegação do Governo, quando acaba com os argumentos nos debates em cima da mesa, sai para o ataque em busca de questões marginais a que nós não podemos responder, porque não fazem parte da agenda deste diálogo”.
A Renamo explicou que o que tem estado a exigir é umas Forças Armadas republicanas, onde todos são tratados por igual.
“Perguntem ao Governo qual é o problema de trabalhar com os oficiais provenientes da Renamo em 1992, e que estão lá nos quartéis, alguns sem nomeação do Tribunal Administrativo”.
Sobre o incidente no Guijá, Saimone Macuiana disse que a Renamo nunca violou o Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, muito menos alguma vez respondeu às provocações das Forças Armadas do Governo.
Desafiou o Governo a aceitar a proposta da Renamo sobre a criação de uma comissão que inclua os peritos militares de ambos os lados e da EMOCHM, para averiguar o que aconteceu no Guijá.
Lembrou que, desde a assinatura do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, nunca houve um trabalho de elaborar o mapa sobre onde estão as tropas do Governo e da Renamo.
“Quando foi assinado o Acordo, não houve nenhum trabalho visando o mapeamento das zonas onde estão os homens residuais da Renamo e as forças do Governo. Significa que, se na mesa chegarmos ao consenso sobre a implementação do Acordo, havemos de esboçar o mapa de todas as regiões onde estão as tropas, com vista ao seu recenseamento e posterior integração e reinserção.”




(Bernardo Álvaro, Canalmoz)

Monday, 6 April 2015

Já não há rinocerontes no “Limpopo”

 








Caça furtiva

A acção dos caçadores furtivos no distrito de Massingir é de tal forma forte que eliminou por completo espécies como o rinoceronte, vítima do seu corno, bastante caro no mercado internacional. Fala-se de cerca de 60 mil dólares o quilograma deste “produto”, que é usado sobretudo na Ásia para a cura de algumas doenças, caso de alguns tipos de cancro.
“A última vez que entraram dois rinocerontes no Parque do Limpopo, vindos do Kruger, foi há dois, três anos, e só sobreviveram dois dias. Quando seguimos as suas pegadas no terceiro dia, já tinham sido mortos”, relatou um sul-africano que trabalha como assessor no Parque Nacional do Limpopo (PNL), que não quis ser identificado.
É um cenário desolador que se vive naquele ponto da província de Gaza. Na inexistência do que mais procuram, os caçadores furtivos fazem as suas incursões, actualmente, no Kruger Park, que fica a pouco mais de 50 km da vila-sede de Massingir. “Os sul-africanos matam”, advertiu Alberto Libombo, administrador de Massingir, que lembra que a polícia daquele país não tolera qualquer movimentação associada à caça furtiva.
De acordo com a fonte governamental, só em 2013, 13 moçambicanos foram mortos naquele país, e em 2014 o número fixou-se em sete. mas há quem diga que a realidade é bem pior do que a que as autoridades dão a conhecer.

Saturday, 4 April 2015

Eu sou Quénia !


Guiné-Bissau - corte de madeira

O MC ROGER disse uma vez que quem nao esta contente deve emigrar para a Guiné-Bissau! Ora parece que afinal a Guine-Bissau esta melhor do que Moçambique em algumas areas!




Bastonário moçambicano “nada surpreendido” com falta de resultados no assassínio de Gilles Cistac

O bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), Tomás Timbane, afirmou à Lusa que "não está nada surpreendido" com a falta de informação sobre as investigações da polícia ao assassínio, ocorrido há um mês, do constitucionalista Gilles Cistac.

"Não estou nada surpreendido com o facto de, um mês após a morte de Gilles Cistac, não haver nenhuma informação sobre o assassinato. Sei como funciona a justiça em Moçambique e com que meios se faz a investigação criminal", afirmou Timbane, referindo-se à lentidão e à falta de recursos por parte da Polícia de Investigação Criminal.
O Bastonário da OAM afirmou, contudo, estar "expectante" em relação à investigação em torno da morte do constitucionalista, recorrendo à máxima: "correr não é chegar".
Gilles Cistac morreu a 03 de Março no centro da capital, depois de ter sido atingido a tiro por desconhecidos.
O constitucionalista, de origem francesa, era conhecido por defender posições jurídicas desfavoráveis ao partido no poder, Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), a última das quais dava cobertura constitucional ao projecto da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido no poder, de concessão de autonomia em seis das 11 províncias moçambicanas.
Alguns dias antes de morrer, Gilles Cistac disse ao semanário Canal de Moçambique que tinha apresentado uma queixa contra uma pessoa que usava o pseudónimo de "Calado Kalachinicov" para o difamar pelas suas posições jurídicas.
Na semana passada, a família de Gilles Cistac apresentou uma queixa à Procuradoria-Geral da República de Paris pelo homicídio do jurista, considerando que um processo aberto no país de origem da vítima pode criar condições para que as autoridades francesas auxiliem a parte moçambicana no esclarecimento do crime.


Lusa

Friday, 3 April 2015

Três guerrilheiros da Renamo detidos na província de Gaza -- Rádio Moçambique

 


 As Forças de Defesa e Segurança moçambicanas capturaram três guerrilheiros da Renamo, maior partido de oposição, na quinta-feira, após um incidente entre as duas partes na província de Gaza, sul do país, informou hoje a Rádio Moçambique.
Segundo a emissora pública moçambicana, os três homens da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), um dos quais estrangeiro, de nacionalidade não divulgada, participaram num ataque a uma posição do exército na quinta-feira em Gaza, mas o principal partido de oposição atribui a responsabilidade às forças do Governo.
Os guerrilheiros, adiantou a Rádio Moçambique, foram detidos no mesmo dia em três pontos distintos da província de Gaza (Macarretane, Chihaquelane e Xai-xai) e eram provenientes da província vizinha de Inhambane, tendo recebido ordens do presidente do partido, Afonso Dhlakama, para se instalarem na província de Maputo.
Contactado pela Lusa, o porta-voz da Renamo, António Muchanga, disse desconhecer as detenções, mas estranha que elas possam ter sido realizadas em lugares bastante distantes do incidente de quinta-feira, em Guijá, na província de Gaza.
A polícia moçambicana na província de Gaza acusou homens armados da Renamo de terem atacado na quinta-feira uma posição do exército do país na região, mas o movimento devolveu a acusação ao exército.
Citando o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Gaza, Jeremias Langa, o Notícias, diário detido pelo Estado, afirma que cerca de cem homens armados da Renamo atacaram na tarde de quinta-feira uma posição das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), no distrito de Guijá, sem provocar vítimas.
Langa afirmou que a força da Renamo que atacou a posição do exército tem vindo a movimentar-se no distrito de Guijá desde março, acrescentando desconhecer as razões da sua presença na zona.
O porta-voz da PRM em Gaza exortou a população de Guijá a manter-se calma, garantindo que as autoridades têm a situação sob controlo.
António Muchanga rejeitou a acusação, acusando o exército de abrir fogo contra os homens armados do movimento.
"Os homens armados da Renamo foram atacados, a iniciativa de abrir fogo não partiu deles", declarou Muchanga.
O porta-voz do principal partido de oposição em Moçambique afirmou que os homens armados da organização se deslocaram à província de Gaza, após terem saído da província de Inhambane, sul do país, para evitar confrontos com as forças de defesa e segurança moçambicanas, que alegadamente se aproximaram das posições do braço militar da Renamo.
"Os homens da Renamo estavam posicionados em Inhambane, no quadro dos acordos de cessação das hostilidades, mas tiveram de se movimentar para evitar confrontos com o exército", afirmou o porta-voz do principal partido de oposição.
A Renamo e o Governo têm vindo a trocar acusações sobre supostos desdobramentos de homens e meios, no quadro da tensão política prevalecente no país, resultante da recusa do movimento de aceitar a derrota nas eleições gerais de 15 de outubro, e da polémica à volta de um projeto de lei do movimento, que exige autonomia nas províncias em que saiu vencedor nas eleições.
O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, ameaça tomar pela força o poder, caso o projeto do seu partido seja chumbado no parlamento, assegurando que a instabilidade não se iria limitar às zonas tradicionais do centro de Moçambique, mas atingiria a própria capital, Maputo.

 

Thursday, 2 April 2015

Sociedade civil reclama inclusão nos rendimentos da exploração dos recursos naturais

Sociedade civil reclama inclusão nos rendimentos da exploração dos recursos naturais

Organizações da sociedade civil consideram que as comunidades das zonas de exploração dos recursos naturais são excluidas dos rendimentos e benefícios destes recursos.-

Estes pronunciamentos foram feitos esta quarta-feita, em Maputo, durante o lançamento de uma plataforma de aliança das organizações da sociedade civil, que vai trabalhar com as comunidades em assuntos ligados aos recursos naturais.
Espera-se que a iniciativa venha coordenar as intervenções das organizações da sociedade civil, na gestão dos recursos naturais, e instruir as comunidades sobre os seus direitos.
O director executivo do fórum das organizações não governamentais, anastácio matavele, disse que as comunidades são excluídas das agendas de exploração dos recursos naturais.
Segundo Anastácio Matavele, há usurpação de terras, reassentamentos mal feitos e, as comunidades são expostas ao sofrimento por via da exploração dos recursos naturais.
Para o director executivo do fórum das ONG,s, com o estabelecimento desta aliança vai-se exigir uma justiça na elaboração dos aspectos de desenvolvimento.
Isso, segundo Anastácio Matavele, vai obrigar a uma inclusão clara da voz das comunidades e a aliança estará como intermediária do processo.
Por seu turno, Tomás Langa, director executivo da associação do meio ambiente da provincia de Cabo Delgado, precisou que as comunidades não podem servir de instrumento para o crescimento económico.
Segundo Tomás Langa, deve haver indícios de desenvolvimento, com o envolvimento das comunidades na partilha dos bens e ganhos, como sujeito participante para que esse desenvolvimento tenha lugar.



(RM)

Sem “caça às bruxas” a escolha é o fim da impunidade

 
 Navegar entre impunes por excelência e a credibilidade governativa é algo de realização impossível.
Se alguém pensava que a relutância em abdicar do poder na Frelimo era uma questão de manutenção do poder em si, enganou-se em certa medida. A relutância deve ser entendida como instrumento para a salvaguarda do património acumulado.
O “demónio tem medo da cruz”. Quem beneficiou da impunidade judicial tem medo que o seu afastamento das hostes dos que detém o poder ponha em causa o usufruto de sua fortuna.
Os jogos nos bastidores, que decorriam e vão continuar a decorrer, têm em vista garantir-se a sobrevivência de esquemas que regem o enriquecimento ilícito. Nunca foi por este gostar daquele ou vice-versa.
Da Primeira República até ao fim da Terceira República, a promiscuidade entre o judiciário e o executivo, com o beneplácito do legislativo, tem assegurado que relações “incestuosas” persistam.
O poder político, visto como forma de controlo dos processos sociopolíticos, avançou para a detenção de grandes fatias da economia e finanças nacionais. Se antes era um partido-Estado de tendências socialistas em que os detentores do poder tinham acesso às benesses do poder e podiam atribuir-se regalias e salários longe das mãos da maioria, nos últimos tempos abandonou-se a máscara “socialista” e avançou-se abertamente para o abocanhamento de quinhões da riqueza nacional.
Entre a Segunda República e a Terceira República houve alguma caça às bruxas entre “camaradas”. O timoneiro da Terceira República terá, em algum momento, decidido que tinha de “recuperar o tempo perdido”.
A adopção e implementação de um sistema clientelista foram afinadas e apuradas ao mais alto nível. Tudo com base numa centralização viva e omnipresente do poder, a influência e condução efectiva dos assuntos da esfera do judiciário tornaram-se marcas registadas de um regime que emergiu.
Aquilo que receavam muitos dos súbditos do “rei morto” deve ser afastado das suas mentes através de acções concretas que mostrem que o Executivo não quer nem vai embarcar numa caça às bruxas.
Queremos que as pessoas enriqueçam com o seu trabalho e não através de comissões em negócios do Estado.
Queremos separar a coisa pública da coisa privada, de tal sorte que não apareçam agentes do Estado favorecendo agendas privadas, para depois se beneficiarem a eles próprios.
Quando digo “queremos”, refiro-me à maioria dos moçambicanos.
Mas não “caçar bruxas” não deve significar paralisação das instâncias judiciais em encetar acções para recuperar bens públicos, patrimoniais ou financeiros.
Tem de ficar claro que a acção governamental não será dirigida a pessoas específicas do regime passado, numa espécie de vingança.
Mas é evidente que o Governo, o parlamento e a PGR devem ter carta-branca para agir na reposição da Justiça no país.
Esta Justiça deve começar por reformular a PRM, no sentido de esta força paramilitar se situar e conhecer o seu foco. É preciso acabar com a interferência dos “grupos dinamizadores”, qualquer que seja seu nível, naquilo que é a agenda oficial da PRM.
Precisa ficar claro que o país está e estava escorregando para o abismo porque os detentores do poder passaram a tratar dos assuntos do Estado como se de interesses privados.
Na sua busca e protecção de interesses privados, responsáveis de pelouros governamentais esqueceram-se das suas responsabilidades. No lugar de antever e executar planos de mitigação de problemas, o seu tempo passou a ser gasto a monitorar a sua agenda privada.
Com tantos recursos hídricos com potencial de gerar energia eléctrica, um orgulhoso ministro da Energia, Namburete, deixa o país a braços com uma crise energética sem precedentes. Este mesmo senhor sempre disse que era segredo de Estado conhecerem-se os detalhes das contrapartidas da reversão da HCB para o estado moçambicano. Onde andava ele quando era aconselhável investir-se na reabilitação de Chicamba e Mavúzi? Que foi feito em tempo útil para evitar roturas no fornecimento de energia eléctrica? Trocar de PCA quase que periodicamente nunca foi a chave da questão.
Quem fala de energia eléctrica pode falar da água. Foi uma excessiva agenda privada sobrepondo-se ao interesse público que trouxeram o colapso de sectores essenciais para o funcionamento da economia e para o bem-estar geral.
Chegados a este ponto em que se conhecem de maneira geral os constrangimentos para um funcionamento mais fluído e menos problemático na esfera pública, há que potenciar as instituições para que exerçam as suas funções.
Nada será conseguido num só dia, e disso todos temos a certeza.
São os partidos políticos e extraparlamentares, os moçambicanos em geral, que terão que trabalhar no sentido de alcançarem consensos funcionais.
Um ponto de partida que ninguém pode ignorar é que sem honestidade continuaremos “andando às voltas sem encontrar a porta”.
Há espaço para todos e trabalho por executar.
Abandonar estilos e posturas promotoras da exclusão é um passo na direcção certa.
A intolerância deve ser abominada, pois semeia discórdia entre compatriotas.
Os ventos sopram do Norte, do Centro e do Sul. São moçambicanos dos mais diferentes quadrantes que se unem, independentemente da sua filiação partidária, e avançam as suas agendas de paz, inclusão e desenvolvimento.
Nunca foi tão claro que isso é possível.
Os que estavam habituados a cavalgar a maioria para realizarem as suas agendas de enriquecimento ilícito já tiveram tempo e oportunidade para entenderem que a “porca estava ficando sem leite”.
Quem for apanhado pelas malhas da rede anticorrupção não se queixe de perseguição.
Já é tempo para parar com negócios das “arábias”. O comércio criminoso de madeira para a China deve ser travado de imediato pelo Executivo moçambicano. O licenciamento da actividade madeireira não é uma troca de favores entre “camaradas-generais” nem contrapartida para o fornecimento de armas por uma China que não se importa com os nossos assuntos ambientais.
É toda uma cultura de rapina que ser erradicada para o bem de Moçambique e do seu povo.
Todos juntos somos mais importantes do que as fortunas individuais de uma meia dúzia de famílias.
Cabe ao Governo de moçambicano com auxílio do parlamento e da PGR estancar a drenagem de fundos das empresas públicas.
As contas de todas as empresas públicas devem ser urgentemente auditadas e conhecidas.
Só haverá democracia sem sacos-azuis para alimentarem operações secretas de engenharia eleitoral.




(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

A DESCULPA ESFARRAPADA DO COLONIALISMO

 




CRÓNICA de: Leonel Marcelino
África tem todas as potencialidades para se tornar num dos continentes mais prósperos do mundo e, no entanto, continua como um dos mais sofredores, vítima de crises de natureza diversa continuadas, de um autoritarismo interesseiro, de racismo, de pobreza, de doenças endémicas, de projectos de apoio ao desenvolvimento falaciosos, de má escolha dos parceiros certos para um desenvolvimento realista, de uma hipocrisia universal muito pouco interessada no bem-estar do povo africano.
Continua a existir uma pobreza degradante, o roubo das terras aos camponeses, agora disfarçado de um apoio ao desenvolvimento, as mulheres e as crianças são alvos fáceis de injustiças, de doenças, da falta dos direitos mais elementares.
A mortalidade materna e infantil é uma trágica realidade em inúmeros países africanos. Os desvios e a corrupção beneficiam alguns privilegiados, o desemprego e a segregação sufocam a maior parte dos países, mesmo dos mais desenvolvidos, como a África do Sul.
Em pleno 2014, a imagem de uma África sofredora agrava-se, sobretudo na África Central, no Sudão do Sul, no Sahel, na República democrática do Congo.
Quinhentos milhões de camponeses vivem carenciados de tudo, na mais cruel miséria, à mercê da lotaria meteorológica, situação agravada pelas mudanças climáticas. Nas cidades, milhões de jovens vivem sem emprego.
E, para agravar ainda mais a pobreza, as famílias continuam a gerar filhos atrás de filhos que não conseguem alimentar, nem tratar das doenças. Os sistemas de protecção social ou não existem ou são de uma tremenda debilidade.
Contudo, África é o potencial celeiro do mundo, com enormes reservas de matérias-primas e de terras aráveis incontáveis, jazidas de energia, de água, enfim, África tem tudo para ser o mais importante continente do mundo.
Mas, infelizmente, há limitações que o condicionam e o impedem de seguir a rota de um desenvolvimento sustentável.
De um modo geral, continuo a confirmar o que apreendi da minha experiência africana, enquanto tive a oportunidade de tentar desenvolver projectos, sobretudo na área da educação e da comunicação social, em Angola e Moçambique: sempre os africanos desculpam os seus fracassos com o recurso aos males causados pelos antigos colonos.
Há um complexo enraizado, diria mesmo, cultural, de que não há nada a fazer e que todos os males vêm da influência dos antigos colonizadores. Isso mesmo confirmei com os conteúdos dos programas e dos livros escolares que teimam em manter textos que mais não conseguem do que persistir no erro do ódio ao branco, fonte de toda a miséria, desde a fome às doenças, dizem. Na minha humilde opinião, e na de inúmeros estudiosos, África, se quer ter um futuro com um desenvolvimento sustentado, não pode continuar a desculpar-se eternamente com um passado de tormenta.
É como continuar a culpar Adão e Eva de todos os males que acontecem à Humanidade, como se o Homem não tivesse capacidade para se emancipar e construir o seu futuro. O primeiro passo para que os africanos caminhem para um desenvolvimento sustentado tem de começar por apagar todos os complexos racistas que não os deixam libertos para, numa atitude de abertura aos outros, tenham eles a cor que tiverem, construírem um desenvolvimento com todos. Um Homem não pode avaliar-se pela cor, como defendem tantos políticos, tantos pseudo-educadores, tantos analistas, tantos jornais, tantos canais de televisão e de rádio que, com as suas tiradas xenófobas só acumulam sofrimento e  destruição. Na verdade, tudo quanto querem, bem lá no fundo, é acirrar ódios contra o outro para desculparem e esconderem os seus erros, a sua incapacidade para construir o autêntico desenvolvimento, um país onde todos tenham direito a viver, a ter opinião, a ser felizes. O mundo está cada vez mais pequeno e a aposta  numa etnicidade isoladora só contribui para o regresso à miséria e a continuação do sofrimento. África precisa de mentes abertas, universalizantes, dialogadoras.
Os seus verdadeiros inimigos são todos quantos pregam o isolacionismo, os ghettos étnicos, as coutadas que os mandantes exploram como machambas próprias, sem vergonha, sem um pingo de solidariedade autêntica pelo povo.
O passado nunca pode ser o responsável pelos erros do presente. O ódio não resolve problema nenhum. O ódio nunca criou nada. O ódio e a hipocrisia sempre estão na origem dos conflitos e das matanças. O diálogo aberto, a tolerância, a fraternidade, o respeito pelas culturas, pelas religiões, pelas convicções e pelos modelos e opiniões dos outros são as chaves do progresso e do verdadeiro desenvolvimento sustentado.





 
WAMPHULA FAX – 02.04.2015, no Moçambique para todos

Wednesday, 1 April 2015

NA ABERTURA DA I SESSÃO DA AR

A FRELIMO reafirma a sua abertura ao diálogo, como via para o debate de ideias e da busca de soluções para a consolidação do Estado, incluindo as instituições democraticamente eleitas, em respeito aos princípios constitucionais de pluralidade de opinião e de liberdade de expressão.
Numa intervenção feita na abertura ontem da I Sessão Ordinária da Assembleia da República (AR), a chefe da bancada parlamentar do partido no poder, Margarida Talapa, sublinhou que todo o processo de construção e consolidação das instituições do Estado tem como base a Constituição, a lei-mãe, aprovada por consenso e que deve ser respeitada por todos, independentemente da sua filiação partidária.
Por isso, disse Margarida Talapa, as vontades individuais ou de grupo não devem, em momento algum, sobrepor-se aos princípios constitucionais adoptados e consagrados. Afirmou que o Parlamento continuará a ser o centro da democracia, o ponto de encontro e de convívio das ideias diversas e divergentes, cujo resultado será sempre a construção de consensos que a bancada da Frelimo reafirma serem os seus lema e divisa, respeitando os mais altos interesses do povo que, justamente, o representa.
Margarida Talapa afiançou que Moçambique é uma nação soberana nascida da resistência secular dos nossos antepassados e da luta heróica e vitoriosa contra a dominação estrangeira. “Orgulhamo-nos, por isso, de sermos uma nação rica na sua diversidade étnica, linguística, cultural, política e religiosa, uma nação unida na sua diversidade”, disse.
Para a chefe da bancada parlamentar da Frelimo, longe de dividirem os moçambicanos, estes aspectos da nossa diversidade devem afirmar-se como factores de reforço e enriquecimento da moçambicanidade, unidade e coesão, exaltados e defendidos por todos.
“Os moçambicanos são um povo trabalhador e de paz. Um povo que valoriza a unidade nacional, a convivência pacífica e o debate de ideias. Para a Frelimo, nada justifica o uso da força, da violência e o derramamento de sangue, porque a Frelimo sempre defendeu que quaisquer que sejam as divergências o diálogo constrói consensos”, indicou, garantindo que a bancada parlamentar da Frelimo pautará pelo cometimento com o diálogo e a procura de consensos na sua actuação.
Pronunciando-se sobre os 40 anos da independência nacional, que a 25 de Junho se assinalam sob o lema “40 Anos, Consolidando a Unidade Nacional, a Paz e o Progresso”, Margarida Talapa afirmou que a celebração da efeméride deve ser um momento de verdadeira festa e, nesta perspectiva, todos os moçambicanos são chamados a participar no movimento comemorativo.
Disse que todos os moçambicanos são convidados a transportar a “Chama da Unidade” que no dia 7 de Abril partirá de Namatil, distrito de Mueda, província de Cabo Delgado, cuja meta, aprazada para o dia 25 de Junho, é a Praça da Independência, na capital do país.
A chefe da bancada parlamentar da Frelimo saudou, em nome dos deputados eleitos por este partido, o Presidente Filipe Jacinto Nyusi, manifestando o seu compromisso de, na medida da sua capacidade colectiva e individual, apoiá-lo na sua nobre missão.
“Daqui (Assembleia da República) desejamos-lhe muita saúde, força e firmeza para dirigir, mais do que o território, as suas gentes que tanto esperam da sua disponibilidade manifestada de trabalhar com todos os que, genuinamente, desejam contribuir para o bem-estar dos moçambicanos”, disse, acrescentando que todos os portadores de boas ideias, sem cor nem credo, de todas as etnias, de todos os partidos políticos apreciam a prontidão do Chefe do Estado e, certamente, canalizarão as suas contribuições para o enriquecimento do seu programa de governação, colocando sempre os interesses dos moçambicanos em primeiro lugar.
Margarida Talapa afirmou ser orgulhoso testemunhar a abertura do Presidente Filipe Nyusi ao diálogo com os líderes dos partidos da oposição, com as organizações da sociedade civil, com líderes religiosos e representantes de outros segmentos sociais, provando o seu compromisso com a paz, a unidade nacional, a inclusão e a participação de todos na tomada de decisões para o bem do povo moçambicano.
Expressou o compromisso da bancada da Frelimo em prestar ao Presidente da República todo o suporte na implementação do programa do Governo e nos planos que, ao longo do presente mandato, serão aprovados.
Falou do Presidente Armando Guebuza, afirmando que incansavelmente esteve em todo o lado, na localidade, na machamba, na fábrica, nas escolas, dialogou com adultos, jovens e crianças, galvanizou os militantes para o árduo trabalho e para a conquista de muitas vitórias. Margarida Talapa afirmou que Guebuza deixa uma economia palpitante, destino apetitoso do investimento seguro e um povo com a consciência de que com a paz, a unidade e coesão, a auto-estima e trabalho árduo é possível alcançar-se o sonho comum de uma nação próspera.
Felicitou a Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, pela sua recondução a mais um mandato à frente dos destinos da Casa do Povo, e manifestou total disponibilidade da bancada da Frelimo para apoiá-la. Felicitou também ao Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, pela sua nomeação ao cargo.
Aludiu aos instrumentos que serão apreciados e aprovados na presente sessão da Assembleia da República, entre os quais o Programa Quinquenal do Governo, o Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado para o ano de 2015, acrescentando que a bancada estará pronta para um debate franco e aberto no sentido de ver integradas todas as boas propostas, vindas de fora das paredes da Casa do Povo e de dentro, fiéis ao ensinamento do Presidente Filipe Jacinto Nyusi, de que “as boas ideias não têm cor partidária”.








PROPOSTA DA RENAMO VISA EVITAR INSTABILIDADE
A proposta da Renamo, de criação de autarquias provinciais, visa evitar as ameaças de instabilidade social e política ou situações de desobediência civil, afirmou a chefe da bancada parlamentar do maior partido da oposição no país.
Ivone Soares acrescentou que o pior será a erosão definitiva das instituições do Estado e a rebelião generalizada de populações que recorrentemente assistem à validação de resultados de eleições que na sua opinião não são transparentes. A chefe da bancada parlamentar da Renamo indicou que tudo dependerá da responsabilidade dos deputados em contribuir, através de um compromisso político inteligente e patriótico, para a paz e estabilidade em todo o país.
Disse que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, aceitou a importante missão de enquadrar politicamente a fúria e os protestos das populações, assumindo o compromisso de lhes devolver o poder democrático.
“Com os olhos postos no supremo interesse do povo, sentimos que é possível realizar já nesta legislatura alguns anseios mais prementes dos moçambicanos”, afirmou Ivone Soares, acrescentando que a bancada parlamentar da Renamo, na presente legislatura, afirma-se aberta para trabalhar em busca de soluções para os problemas do país.
Neste quadro, reafirmou a abertura da Renamo ao diálogo, lançando continuamente pontes para que haja uma paz efectiva em Moçambique. Segundo Ivone Soares, a firmeza das críticas da Renamo à governação e às denúncias das alegadas irregularidades e prepotências praticadas em Moçambique não a colocam no campo da beligerância gratuita nem do belicismo.
“Por isso aqui estamos, confiantes no bom senso e no sentido de responsabilidade de todas as forças políticas, apresentando uma proposta concreta, exequível e democrática para consolidar a paz. A prática da democracia não é um ritual, não é uma liturgia, não é uma coreografia de eleitos que querem fazer prova de vida. A prática da democracia para os eleitos é servir os interesses e responder aos anseios dos eleitores”, disse, acrescentando que a Renamo iniciou esta nova era com uma proposta corajosa que como disse não mudará o paradigma actual de extrema pobreza da maioria do povo.
Ivone Soares justificou que o projecto de criação de autarquias provinciais é o caminho para a correcção das assimetrias regionais gritantes entre o norte e o sul, entre o litoral e o interior de que o povo se lamenta. Para a chefe da bancada parlamentar da Renamo, a descentralização do poder ajudará a combater o amiguismo e a corrupção selvagem que está a destruir a economia do país a olhos vistos.
Num discurso marcado por críticas à governação do partido no poder que, alegadamente, propicia as más condições de vida da maioria dos moçambicanos, a chefe da bancada da Renamo afirmou que os deputados do maior partido da oposição farão na Assembleia da República um escrutínio rigoroso, mas leal, dos actos do poder Executivo, bem como estarão atentos a toda e qualquer iniciativa de lei para garantir que tenha objectivos plausíveis.










UNIDADE NACIONAL COM CONTEÚDO REAL
O chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, disse que o seu partido defende a unidade nacional com conteúdo real, múltiplo, inclusivo e agregador da diversidade de identidades culturais, políticas e sociais.
Num discurso que apresenta algumas propostas a determinadas situações ou factos que se verificam em diversos sectores e instituições do Estado, Lutero Simango afirmou que os moçambicanos precisam da paz como condição necessária para, continuamente, desenvolverem o espírito de irmandade, factor da promoção da reconciliação nacional efectiva.
Disse que a paz é um bem comum que deve ser alimentado com acções de políticas de inclusão, oportunidades sem discriminação, discursos livres de arrogância, intimidação e violência, bem como um discurso oficial de condenação das barbaridades praticadas a partidos da oposição e respectivos militantes.
“As atitudes e comportamentos desviantes, de quem tem a responsabilidade de zelar pelo bem-estar de todos na nossa sociedade, podem perigar a paz. Se incitarmos ao ódio, à vingança e chantagens, estaremos a minar a paz que muitos moçambicanos precisam para garantir a estabilidade das suas famílias, para trabalhar a terra, sonhando sem pesadelos e vencer as dificuldades da vida”, disse, referindo que o diálogo infinito e bipartidário no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano não dá sinais de terminar e de resolver os pendentes do Acordo Geral de Paz assinado em Roma.
Para o MDM, o diálogo em curso entre o Governo e a Renamo promove um clima conducente à instabilidade e alimenta incertezas. Disse que a sua bancada depositou na Assembleia da República o projecto de lei de apartidarização das instituições públicas, que pretende criar separação completa entre o Estado e os partidos políticos, estabelecendo limites precisos sobre a esfera de uma e outra instituição.
O projecto pretende proibir a criação e funcionamento de núcleos de partidos políticos em todas as instituições do Estado e nas empresas públicas ou participadas pelo Estado. Pretende proibir alegados descontos indevidos e de forma abusiva aos funcionários e agentes do Estado em benefício de partidos políticos.
Pretende ainda que nenhum cidadão seja perseguido ou discriminado por causa da sua filiação partidária ou das suas opções políticas, obrigando os responsáveis das instituições públicas e empresas do Estado ou por si participadas a se regerem pelo princípio da meritocracia e profissionalismo, abstendo-se de influências de índole partidária.
Lutero Simango garantiu que o MDM irá liderar iniciativas legislativas e comportamentais para que o país tenha um sistema eficaz de combate à corrupção, à informalidade e a posições dominantes e um sistema de regulação mais coerente e independente.
Defendeu que a Assembleia da República deve passar de simples órgão de produção legislativa para um centro privilegiado de fiscalização desacorrentada da acção governativa e do debate nacional de assuntos importantes da nação sem burocratismos imperantes.




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