Saturday, 4 October 2014

Maputo: Centenas marcharam contra caça furtiva de elefantes e rinocerontes

Centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Maputo contra a caça furtiva de rinocerontes e de elefantes, numa marcha em que se alertou para os impactos deste crescente fenómeno, que a organização da iniciativa assegura estar a "colocar em causa a soberania de Moçambique".
              
Centenas marcharam contra caça furtiva de elefantes e rinocerontes
Lusa
Ao início da manhã, várias dezenas de pessoas começaram a reunir-se na avenida Kenneth Kaunda, no centro da capital moçambicana, dando corpo ao cortejo que partiu rumo à baixa da cidade, ladeado por "txopelas" [motociclos de transporte] com cartazes com figuras de rinocerontes e de elefantes.
       
"Uma marcha não gera mudanças, mas chama a atenção da sociedade e quiçá dos políticos e das pessoas que tomam decisões. Um sozinho não consegue dizer nada, mas muitos conseguem transmitir uma mensagem", afirmou à Lusa Margarethe Aragão, sublinhado "que é um dever de todos fazer frente à matança indiscriminada que está a acontecer".
Já extinto pelo menos na região sul de Moçambique, o rinoceronte tem sido alvo de ataques de caçadores furtivos moçambicanos no Parque Nacional Kruger, da África do Sul, mas pela relação contígua desta reserva com a do Limpopo, de Moçambique, a preservação da espécie é também uma preocupação das autoridades locais.
"Acho que é importante que as gerações futuras conheçam estes animais, que são uma parte importante da nossa biodiversidade e merecem ser protegidos", considerou a jovem sul-africana Alexandra Jetá, defendendo que "cada um deve dar a sua contribuição, seja em donativos, seja em marchas como esta, seja com mais policiamento nos parques" por esta causa.
"É triste vermos os nossos animais serem abatidos", lamentou Lione Chitzungo, assinalando que "uma marcha como esta pode combater o que está a acontecer em Moçambique".
Pelo segundo ano consecutivo, a Marcha pela Preservação dos Rinocerontes e dos Elefantes de Maputo esteve associada a um movimento global, que se assinalou em cerca de 100 cidades, segundo informações dos promotores da iniciativa em Moçambique.
"O ano passado foi o pontapé de saída. Naturalmente, aprendemos as lições, juntamos muitas mais organizações e cidadãos, e as notícias sobre a caça furtiva foram vitais para conseguirmos reunir esta enchente", disse aos jornalistas o ambientalista moçambicano Carlos Serra, da organização.
Enfatizando que objetivo da iniciativa "é colocar o assunto" da caça furtiva "na agenda nacional, porque este é um assunto não apenas da classe política e dirigente, mas de todos os cidadãos", Carlos Serra considerou que o fenómeno representa um "ataque à soberania do país".
"É preciso repensar todo o sistema de fiscalização e entender isto como um assunto de soberania. Aliás, a lei de conservação aprovada este ano tem o princípio de soberania, que está em causa, porque estamos a ser invadidos por caçadores e traficantes. Além dos fiscais e da polícia, temos de colocar no terreno o nosso exército", apelou.
Dados recentes divulgados por organizações de proteção ambiental referem que, em Moçambique, pelo menos quatro elefantes são abatidos todos os dias, "mais de 1500 todos os anos".
A crescente procura de presas de marfim e do corno de rinoceronte em mercados asiáticos, como a China e o Vietname, está na origem do aumento exponencial do fenómeno da caça furtiva em Moçambique, onde, na década de 1970 existiam cerca de 50 mil elefantes, população entretanto reduzida a menos de metade.



Notícias ao  Minuto

ELEIÇÕES 2014 : ROUBADAS 26 CAIXAS CONTENDO BOLETINS DE VOTO

Indivíduos desconhecidos roubaram 26 caixas contendo boletins de voto que deveriam ser usados na província central da Zambézia, durante as eleições para as assembleias provinciais, agendadas para 15 do mês corrente.
Num breve contacto telefónico estabelecido com a AIM, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica, disse que as referidas caixas foram retiradas do interior de um contentor que seguia num camião alugado para transportar os boletins de voto de Maputo para a Zambézia.
As autoridades acreditam que o roubo poderá ter ocorrido entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira no cruzamento de Inchope, na província central de Manica.
Em conexão com o caso encontram-se detidos na cidade de Chimoio, capital da província central de Manica, o motorista do camião e os dois agentes da Polícia moçambicana (PRM) que tinham a missão de garantir a segurança dos materiais de votação.
Segundo Cuinica, o caso está a ser investigado pela PRM, tendo também sido notificado à Procuradoria-Geral da República.
As caixas extraviadas 25 continham boletins de voto para o distrito de Pebane e as restantes para Namacurra.
Felisberto Naife, director-geral do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), o braço executivo da Comissão Nacional de Eleições, disse à AIM que já foi ordenada a substituição dos boletins de voto. Os mesmos foram produzidos na vizinha África do Sul, mas ainda existe tempo suficiente para a sua chegada a Zambézia antes da data das eleições.
Naife manifestou a sua confiança de que os boletins de voto não poderão ser usados nas eleições de 15 de Outubro, pelo facto de os respectivos números de série também servirem de código de segurança.
Assim sendo, qualquer boletim de voto com um número de série errado será automaticamente rejeitado durante a contagem nas assembleias de voto.




(AIM)

Recordando






Roma , 4 de Outubro de 1992

Friday, 3 October 2014

Líder do MDM disponível para acordos pós-eleitorais


O presidente do MDM, terceira força política moçambicana, disse que os resultados das eleições gerais podem conduzir a acordos após a votação, dando preferência à Renamo, na oposição, embora não fale com o seu líder há seis anos.
Em entrevista à Lusa, Daviz Simango, líder do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) e candidato presidencial às eleições gerais de 15 de outubro, afirmou que, "dependendo dos resultados, se precisar de buscar alguma simpatia dos partidos eleitos, vai querer constituir-se governo e não há necessidade nenhuma de se fazer outra eleição para isso".
O presidente do MDM, que conheceu uma forte ascensão em Moçambique desde o seu nascimento em 2009, disse que, entre o partido no poder, Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e a oposição da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), teria de analisar "prós e contras" e relações "win-win", para que o país "saia a ganhar sem custos desnecessários numa nova eleição que pode prejudicar todos".
 

MDM apresenta queixas por incidentes em Gaza

O MDM (Movimento Democrático de Moçambique) anunciou hoje que já começou a apresentar queixas às procuradorias distritais na província de Gaza, devido a incidentes ocorridos durante a campanha para as eleições gerais moçambicanas de 15 de Outubro.


"Fizemos queixas às procuradorias distritais de Macia, Xai-Xai, Chokwe, Chibuto, Magude e Bilene por causa dos incidentes com a nossa campanha", disse à Lusa Ernesto Stefane, presidente da Comissão de Jurisdição Nacional da terceira maior força política moçambicana.
A campanha do líder do MDM, Daviz Simango, em Gaza, um bastião da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), foi marcada por graves incidentes em vários pontos da província, com elementos do partido no poder a fazer esperas à caravana eleitoral, resultando em confrontos entre apoiantes das duas partes.
A 24 de Setembro, um dia depois dos primeiros incidentes, o chefe do gabinete eleitoral do MDM em Maputo, Venâncio Mondlane, acusou a Frelimo de seguir uma estratégia de violência e ter colocado em risco a vida de Daviz Simango, durante a ação de campanha em Gaza.
Em declarações à Lusa, Miguel Jamisse, secretário permanente para a província de Gaza do MDM, afirmou que membros da Frelimo queimaram o interior da sede do seu partido em abril em Macia e que desde então a intimidação tem vindo a crescer.
"Peço à Comunidade Europeia que veja o que se está aqui a passar e não deixe haver eleições aqui em Gaza". Se foi assim durante a campanha, "imagine-se o dia da votação", declarou.
Em relação às acusações de estar a fomentar a violência, a Frelimo considerou os confrontos "actos isolados", declarando que os membros do partido têm pautado a sua conduta pelo respeito à lei.
Apesar da "boa colaboração da procuradoria", Ernesto Stefane disse que duvida que ainda assim os processos tenham andamento, acusando a polícia de se demitir do seu papel e o partido no poder de "desestabilizar o trabalho da oposição".
"Com este ambiente de intimidação, vamos ter imensas dificuldades em arranjar pessoas para o dia da votação. Para membros das mesas de voto não teremos problemas, mas para delegados de candidatura, aí sim, vamos ter complicações", alertou.
"Não é fácil arranjar delegados em Chibuto", vincou, referindo-se a um distritos que tem registado queixas de perseguição e intimidação aos membros da oposição, "porque as pessoas têm de salvaguardar as suas vidas".
Também a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) manifestou preocupação com o ambiente que se vive durante a campanha eleitoral em Gaza e anunciou que em vários distritos não vai conseguir vigiar o processo.
"Os nossos representantes foram escorraçados de Chicualacuala, Massangena, Chigubo e Mabalane", disse à Lusa o representante do maior partido de oposição em Gaza e "nesses distritos a Renamo não vai vigiar o processo, nem como membros das mesas de voto nem com delegados de candidatura".
Bento Carlos Mavie afirmou que, devido ao ambiente de intimidação, "ninguém está disponível para se sacrificar" pelo processo eleitoral na província de Gaza.
Na quinta-feira, o presidente da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique, Abdul Carimo, afirmou à Lusa que o órgão eleitoral desconhece quaisquer denúncias dos partidos da oposição sobre actos de intimidação em Gaza.
Moçambique realiza eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) a 15 de Outubro.




Lusa

CIP vai processar autores de violência durante a campanha eleitoral em Moçambique

 
Após um inicio pacífico e ordeiro, a campanha eleitoral tem vindo a caracterizar-se por actos de violência sobretudo nas províncias de Gaza e de Nampula.

              
O Centro de Integridade Pública(CIP), uma instituição de promoção da boa governação, transparência e integridade em Moçambique, em parceria com a Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, vai instaurar processos-crime contra as pessoas responsáveis pela onda de violência eleitoral que se tem registado nos últimos dias.
Após um inicio pacífico e ordeiro, a campanha para as eleições gerais de 15 de Outubro próximo, tem vindo a caracterizar-se por actos de violência, sobretudo nas províncias de Gaza e Nampula.
Teles Ribeiro, pesquisador para a área de eleições do CIP critica as autoridades pela fraca resposta a esses actos. Ribeiro diz que o CIP vai fazer a vez das autoridades para desencorajar a violência eleitoral.
"Nós vamos instaurar processos para responsabilizar as pessoas que estão à frente da violência. A constatação que nós temos é que todos os ilícitos eleitorais, tanto a violência como o uso de bens do Estado, continuam a acontecer porque não há responsabilização das pessoas", enfatizou Teles Ribeiro.
Por seu turno, o sociólogo Rogério Sitoi considera que a violência eleitoral resulta da falta de uma acção efectiva das lideranças politicas no sentido de aconselhar os militantes ou simpatizantes a não se enveredarem pela violência.
Sitoi, jornalista e antigo director editorial do Jornal Notícias, diz que as lideranças politicas, sabendo que as situações que ocorreram por exemplo na província de Gaza e Nampula não são novas, não foram capazes de dizerem às pessoas "que estamos em momento de campanha eleitoral e a violência pode manchar o nosso partido, seja qual for o partido".
Refira-se que a violência eleitoral resultou já em alguns feridos graves, incluindo um agente policial, para além de elevados danos materiais.


Ramos Miguel, VOA

Em Portugal



ENTROU  EM VIGOR A NOVA LEI
Entra em vigor no  dia 1 de Outubro de 2014,  a lei n.º 69/2014 de 29 de Agosto, que altera o código penal, criminalizando os maus tratos a animais de companhia.
A lei prevê que:
"Quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos a um animal de companhia é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias".
Se dos maus tratos resultar a morte do animal de companhia, "a privação de importante órgão ou membro ou a afectação grave e permanente da sua capacidade de locomoção, o agente é punido com a pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias".
Em caso de abandono, está prevista uma "pena de prisão até seis meses de prisão ou com pena de multa até 120 dias".

Termos de Referência da Equipa Militar de Observadores Internacionais da Cessação das Hostilidades Militares – EMOCHM

 
Ponto 3:
As delegações concordaram:

Em promover e garantir o espírito de reconciliação cessando todas as manifestações hostis incluindo na comunicação social;
A TVM, Noticias, RM, Domingo, etc, conhecem esse Ponto acordado?
As manifestaçoes hostis violam o Acordo!

Organizações da sociedade civil condenam violência eleitoral e acção tendenciosa da PRM



Um grupo de organizações da sociedade civil convocou, ontem, a imprensa para manifestar o seu repúdio contra os casos de violência eleitoral entre os partidos políticos, sobretudo os que têm representação parlamentar. Na ocasião, essas organizações da sociedade civil condenaram a postura tendenciosa da Polícia da República de Moçambique, caracterizada pela indiferença e impunidade, quando se trata de casos que envolvem o partido Frelimo, e uma mão pesada, quando se trata da oposição. Condenaram igualmente a inoperância dos órgãos eleitorais e da Justiça.
“A violência eleitoral a que se assiste em diversos pontos do país constitui uma ameaça para a construção e consolidação da tão almejada democracia participativa e inclusiva em Moçambique”, lê-se no comunicado dessas organizações da sociedade civil.



Acção tendenciosa da Polícia

Essas organizações da sociedade civil repudiam a acção da PRM pela sua postura pró-Governo. Segundo essas organizações da sociedade civil, os dados da Polícia sobre a violência “indicam maior número de detidos da Renamo e do MDM, quando comparados com os membros da Frelimo”. Essas organizações da sociedade civil consideram que o cenário é preocupante, “visto que há situações em que membros da Frelimo promoveram e praticam violência eleitoral, com destaque para a província de Gaza”, e a PRM abstém-se de actuar.
Essas organizações da sociedade civil levantam-se também contra o facto de a Polícia não dar protecção policial adequada à oposição, sobretudo ao candidato do MDM. Dizem que a PRM tem siso implacável em reprimir os membros do MDM e da Renamo, e bastante apática relativamente a acções de violência física e de vandalização de material de campanha praticadas pelos membros e simpatizantes do partido Frelimo.



Falta de actuação exemplar da CNE e da Justiça pode aumentar a violência



Aquelas organizações da sociedade civil entendem que a falta de uma actuação exemplar por parte dos órgãos eleitorais e da Justiça pode elevar os casos de violência nos próximos dias, incluído no dia da votação. Segundo declaram aquelas organizações da sociedade civil, “a Comissão Nacional e Eleições e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, faltando ao cumprimento das suas atribuições, não têm interpelado os partidos políticos e os candidatos em campanha eleitoral sobre os actos de vandalização de material de campanha e de inviabilização da campanha”.
Face a esta situação, aquelas organizações da sociedade civil apelam aos partidos políticos para respeitarem a Constituição e a lei. Aos cidadãos, apelam para não se deixarem instrumentalizar. Os apelos são extensivos à Polícia e à Justiça, para agirem com isenção e imparcialidade, aplicando a Constituição na responsabilização dos promotores da violência.



(André Mulungo, Canalmoz)

Olhar para a floresta e não ver as árvores



 Mais do que probidade pública, temos o conflito de interesses cancerígeno

 Muita tinta correu sobre o Mercedes Bens da CTA e a sua devolução pelo Presidente da República. Foi um importante exercício de cidadania e, ao mesmo tempo, uma prova irrefutável de que a opinião pública tem valor. Afinal, nem sempre a caravana passa…
Mas em Moçambique há assuntos que, pela sua dimensão e importância, ultrapassam questões como aquela viatura. Embora concorde que todo o passo que for dado no sentido da democratização e moralização seja importante, convém não ficarmos por aqui.
Moçambique está atrasado e praticamente na cauda das estatísticas que vêm sendo publicadas, porque as suas opções governativas apresentam-se inquinadas pelo conflito de interesses entre o público e o privado.
Uma miríade de alianças e de conluios estabelecidos para delinquir e drenar fundos públicos existe e vegeta à vista de um parlamento impávido e sereno.
As falcatruas documentadas e conhecidas ao nível de ministérios, empresas públicas e fundos de fomento disto ou daquilo minam os cofres do Estado e instilam na sociedade uma cultura de rapina.
Quando ministros se tornam ministros-empresários e estabelecem negócios com o Estado, isso não só é pernicioso, como, de todo, ilegal.
O barulho do MB não aconteceu quando o nosso “Tatagate” emergiu e os pagamentos foram feitos.
Quantas vezes se toma conhecimento de que negócios envolvendo fundos do Estado são fechados sem que o parlamento os sancione e nem as leis sobre “procurement” estatal sejam respeitadas?
Logo que se instaurou o mercado livre no país, ocorreram transformações profundas tanto económicas como sociais.
Ninguém está contra o enriquecimento dos moçambicanos, mas a riqueza que não resulte do trabalho, da diligência e cometimento dos cidadãos tem origens sinistras que importa impedir que se generalize.
Um país não pode coabitar com uma falsa economia que se alimenta do tráfico de influências e de outros tráficos ilícitos.
Quando o antigo PGR, Augusto Paulino afirmava que o “boom” na construção civil pronunciava a existência de mecanismos de enriquecimento fora-da-lei, convenhamos que não estava mentindo.
Não se disse nem se explorou a possibilidade aberta, e os paladinos habituais, os defensores do perdão da dívida pública, as ong’s e os profissionais do “lambebotismo” ignoraram positivamente os factos apresentados.
Este Moçambique cimentou uma cultura de impunidade e de desvios de recursos públicos que é manifestamente um cancro que impede o seu desenvolvimento harmonioso.
Os reflexos disso tudo na situação política, na emergência de conflitos político-militares não podem ser ignorados.
Aquela oposição feroz a uma democracia efectiva no país é o expediente encontrado para garantir que se continue a abocanhar o país com exclusividade.
Temos motivos suficientes para preocupação e, enquanto não houver uma clarificação e definição definitiva de agendas, continuaremos tendo problemas.
Avançar com a despartidarização do Estado e com uma discussão profunda dos “dossiers” económicos públicos é de importância estratégica.
Desenvolver Moçambique requer que se assuma uma postura de respeito pelas leis, mas, sobretudo, que ninguém esteja acima das leis.
A marcha para 15 de Outubro é uma oportunidade que os moçambicanos têm de escolher novos caminhos, caminhos para um progresso que se viva, um desenvolvimento que se reflicta na qualidade vida de milhões, e não só de uma elite de rapina plantada nos cofres do Estado.



(Noé Nhantumbo, Canlmoz)

Thursday, 2 October 2014

Antigo guerrilheiro da FRELIMO denuncia onda de execuções sumárias durante a luta armada




Numa entrevista em exclusivo ao Canal de Moçambique, Zeca Caliate, antigo guerrilheiro da Frelimo fala-nos do livro de memórias prestes a ser lançado na Europa. Vem com o título, «Zeca Caliate – Odisseia de Guerrilheiro». No livro, o autor narra episódios da luta armada de libertação nacional e das razões que o levaram a abandonar as fileiras do exército libertador quando operava na Província do Niassa*. O CANAL DE MOÇAMBIQUE entrevistou o autor.


 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:  Da leitura do livro, ressalta a determinacao de um jovem de 15 anos em juntar-se a uma frente de libertação nacional que se propunha a conquista da independência. Para além desse ideal, que outros factores o influenciaram ?
Caliate:  Sim, as alterações da situação política no país vizinho que naquele tempo era conhecido por Niassalandia, hoje Malawi, e a notícia sobre a formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), caíram como uma avalanche, tendo  surpreendido toda a gente, em especial os jovens da minha geração naquela época em algumas províncias, nomeadamente em Manica, Tete, Zambézia e Niassa. Após esta notícia da independência do país vizinho as escolas foram simplesmente abandonadas, e os estudos seguiram rumo ao Malawi à procura da FRELIMO que tinha a sua sede em Dar-es-salam no então Tanganica. Como eu, muitos outros jovens não sabiam diferenciar uma independência pacífica e outra violenta por via das armas. Tudo o que nós queríamos era a independência de Moçambique.

 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:   O seu livro narra uma série de episódios ocorridos no seio da Frelimo que vão ao encontro daquilo que Mariano Matsinhe admitiu publicamente: «na Frelimo era norma matar». Um caso incontornável é o de Filipe Magaia, chefe do Departamento de Defesa e Segurança.  O que motivou exactamente a eliminação de Magaia ? Consta que a decisão de se afastar Magaia contou com a anuência do próprio presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane.
Caliate:  O meu livro relata toda a história verídica e esclarecedora, para aqueles que têm dúvidas sobre vários acontecimentos no seio da FRELIMO. Esta obra, não tem comparação com algumas afirmações do Sr. Mariano Matsinhe na entrevista que concedeu ao jornal SAVANA. Os fuzilamentos e assassinatos no seio da Frelimo foram iniciados com o Samora Machel, no seio da Organização e com o consentimento do próprio Eduardo Mondlane, presidente da FRELIMO, aplaudido pelos seus cúmplices e seguidores que planearam assassinar Filipe Magaia, Chefe dos Departamentos de Defesa e de Segurança (DSD) coisa que não existia antes do seu assassinato!


 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:  Refere no seu livro o caso de soldados do exército colonial que desertaram para a Frelimo. Por exemplo, Pedro Câmara oriundo da Zambézia, Boaventura de Manica e Sofala, e Daniel de Tete, todos eles pertencentes à unidade GEP (Grupos Especiais Pára-quedistas). Segundo o senhor afirma, Pedro Câmara foi posteriormente fuzilado em Cabo Delgado.  No entanto, Sérgio Vieira, autor do livro, «Participei por isso testemunho», alega que Pedro Câmara era um agente infiltrado do colonialismo, que já havia operado na Guiné-Bissau e que era sua intenção assassinar dirigentes da FRELIMO. O que se passou exactamente para Frelimo ter decidido fuzilar Pedro Câmara ?
Caliate:  O furriel Pedro Câmara natural da Zambézia, o Socorrista Boaventura natural de Manica e Sofala e o soldado Daniel natural de Tete pertenciam aos GEP. Tudo está esclarecido no meu livro, fui testemunha desse episódio, pois isso reforçou a minha revolta contra os dirigentes da FRELIMO, porque não foram apresentadas provas se sim ou não o Pedro Câmara era um agente infiltrado. Eu sabia que na FRELIMO havia uma política de clemência para alguns como o caso do Cara Alegre Tembe que beneficiou dessa política e por ser do Sul.


 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:  Durante a guerra em Tete, o senhor aponta Tomé Eduardo, mais conhecido por Omar Juma, como sendo o chefe da segurança nessa província. Omar Juma é um makonde como tantos outros responsáveis do sector da Segurança da Frelimo, nomeadamente Lagos Lidimo, Salésio Nalyambipano, para apenas citar alguns nomes. Trata-se apenas de uma coincidência ou a área da Segurança foi propositadamente preenchida por makondes? E em caso afirmativo, porquê?
CALIATE:  A história ensina-nos que o agressor nunca se lançou numa aventura sem aliados. Quando os irmãos do sul do rio Save planearam dominar o norte de Moçambique, tiveram que encontrar um aliado e este teria que ser uma tribo minoritária localizada no chamado planalto dos Macondes e nas portas de Tanganica que também se interessa e ambiciona as riquezas do nosso país. Por isso, Eduardo Mondlane o primeiro presidente da FRELIMO e o seu grupo de sulistas em especial os da sua terra natal (Gaza),encontraram uma facilidade em penetrar o interior de Moçambique através do norte, para o domínio total do centro onde se localizava a maioria. Por esta razão, os macondes, foram colocados como chefes do sector da segurança da Organização e desde sempre foram eles que serviram como pontas de lança dos sulistas.


 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:  Um dos episódios mais marcantes da guerra da independência foi o massacre de Wiriamo. Mas no seu livro menciona que logo a seguir houve um outro massacre em Lucamba que não mereceu – e continua a não merecer – a mesma atenção da comunidade internacional e de
individualidades que têm tido uma postura de solidariedade para com o povo moçambicano Em sua opinião qual a razão desta dualidade de critérios ?
CALIATE:  Esta é uma verdade: FRELIMO e os seus cúmplices souberam aproveitar a fraqueza e os erros cometidos por aquilo que chamaram de tropas colonialistas, para manipular a opinião pública internacional e ao mesmo tempo procurar esconder todo o mal por ela praticado. Não é segredo para ninguém que a FRELIMO cometeu muitos crimes em vários locais dentro de Moçambique em nome da Libertação, crimes estes que continua a praticar até aos dias de hoje e que conta com vários apoios vindos do exterior!


 
CANAL DE MOÇAMBIQUE:  Entre o golpe de 25 de Abril de 1974 e a assinatura do Acordo de Lusaka, em Setembro desse ano, ocorre o que o senhor descreve como «massacre de Vila Pery». A Frelimo, em comunicado emitido pela sua delegação em Argel, acusa-o de ter sido o autor desse massacre.
CALIATE:  Quanto a este assunto, deixei bem claro no meu livro Odisseia de um guerrilheiro: Os líderes da FRELIMO pensam que eles que são incorruptíveis, quando cometem atrocidades procuram sempre alguém para ser responsabilizado, no caso de Zeca Caliate, deixaram cair a sua máscara pois cometeram vários crimes hediondos em Vila Pery (Chimoio), ou Vila Gouveia, que são terras as quais nunca conheci no passado ou no presente, foi o exército da FRELIMO que lá andou e deixou um rasto de banho de sangue de inocentes, que não quer assumir. Foi sempre assim por onde essa Organização passou!


*Na “Província de Tete” é que está correcto

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 24.09.2014  




Fontes: Canal de Moçambique e Moçambique para todos

Grupos de choque


No início da campanha eleitoral ouvi, na Rádio Moçambique, um responsável do partidoFrelimo, em Gaza, apelando à organização dos seus militantes para as tarefas que os esperavam,incluindo os “grupos de choque” (cito de memória).
Fiquei a pensar no que seriam os tais “grupos de choque” de que esse responsável falava. Com um nome desses não auguravam boa coisa mas, enfim, poderiam ser variadíssimas coisas diferentes. Agora começo a entender melhor.
O que se está a passar, não só em Gaza mas em todo o território nacional, com bandos de arruaceiros do partido Frelimo a tentarem boicotar a campanha do MDM e de Daviz Simango, mostra claramente para que foram criados esses grupos. E não tenho ouvido notícias de actos idênticos contra a Renamo porque sabem que esses continuam armados e pode-lhes sair caro.
A Polícia não faz nenhum esforço para esconder de quelado está. Pelo contrário, parece ajudar os arruaceiros. Segundo circula na internet, frelimistas e polícias tentaram impedir a passagem da comitiva de Daviz Simango pela ponte de Xai-Xai. Tentativa de repetir o que os seus camaradas da Zambézia fizeram ao paralisarem um batelão, obrigando o candidato a fazer mais cerca de 200 quilómetros do que o previsto?
O que aconteceu na Macia não está ainda muito claro mas, nas entrelinhas, lê-se que os tais malfeitores tentaram, mais uma vez, impedir a campanha do MDM e este foi obrigado a usar de alguma violência, incluindo tiros para o ar, para acabar com aquilo. A Polícia está a investigar o caso, segundo um dos seus responsáveis, que salienta a estranheza de os militantes do MDM terem armas consigo. O mesmo responsável policial não mostrou qualquer estranheza pela presença dos militantes do partido Frelimo no local onde o MDM trabalhava.
Tudo isto é sintomático do grande receio de os resultados eleitorais de 15 de Outubro serem retumbantes, sim, mas contra o batuque e a maçaroca. Se formos a avaliar pelas multidões que os três candidatos presidenciais arrastam, as campanhas parecem estar equilibradas entre eles. E isso significa que é possível, ou mesmo provável, que se tenha que ir a uma segunda volta nas eleições presidenciais. E, nesse caso, não me restam grandes dúvidas que vencerá um candidato da oposição, seja ele Dhlakama ou Simango.
E isso não deve deixar dormir os dirigentes do partido Frelimo. A possibilidade de perderem o poder e as respectivas “marregalias” é um pesadelo terrível para quem sempre pensou que essas coisas eram eternas.
Mas talvez tudo isto ajude os militantes frelimistas a pensarem bem e não voltarem a embarcar em formas de governação como as que nos trouxe o clarividente e visionário actual dirigente. Se assim for todos ficamos a ganhar...

Machado da Graça, Savana,  26-09-2014

Campanha


Presidente Guebuza tem uma péssima assessoria de imagem


O caso do Mercedes da CTA foi apenas, quanto a mim, o transbordo do copo de água num enredo que se vem arrastando em quase todo o mandato do actual inquilino da Ponta Vermelha. A meu ver, não há absolutamente nenhum problema em alguém oferecer um carro ou qualquer outro tipo de prenda ao Ma...ndatário do Povo, independentemente do seu valor e alcance.
O problema começa quando um político da dimensão de Armando Guebuza, após receber e constatar que incorre num ilícito, leva mais de 72 horas a tomar uma decisão que, nestas situações, para evitar qualquer tipo de suspeição, devia ser tomada na manhã do dia seguinte à oferta. Se considerarmos que foi no consulado do Presidente Guebuza que a Lei da Probidade Pública (LPP) foi introduzida no ordenamento jurídico moçambicano e foi ele quem mandou promulgar, logo, trata-se de alguém que conhece o espírito e o alcance da mesma.
Quer dizer, não é uma questão de o Senhor Presidente ficar à espera de assessoria jurídica de instituições que a deviam prestar. Aliás, a LPP, como todos devem estar recordados, é uma lei que criou fricções entre dirigentes de órgãos de soberania do Estado, Parlamento, Governo e a sociedade civil.
Quem não se lembra das famosas declarações da senhora Margarida Talapa, chefe da bancada do partido Frelimo, que, de plenos pulmões, fez referência “aos de dentro e aos de fora....”, em sede da Assembleia da República.
Sendo compreensível que o Presidente Guebuza não queria ser indelicado, declinando o Mercedes no dia e na hora da oferta, no dia seguinte de manhã, uma carta da Presidência da República devia ter seguido para a CTA, comunicando a devolução. Isso não aconteceu, e tal mostra – claramente – que alguém pago pelos impostos de todos nós para cuidar da imagem do Presidente Guebuza ficou a sornar.
A carta de quem cuida da imagem do Presidente Guebuza devia ter seguido para a CTA, comunicando que o presenteado agradece o gesto daquela agremiação económica e declina pelos motivos que a LPP impõe.
A este propósito importa recordar que, querendo, como acontece nestas situações, o Presidente Guebuza tinha a faculdade de, sendo ele o presenteado, mas não podendo receber a oferta, sugerir que a mesma fosse vendida, e o valor daí proveniente que revertesse para obras de beneficência, como soa acontecer em outras paragens por este mundo fora. Uma doação destas poderia ser canalizada, por exemplo, para a Cruz Vermelha de Moçambique, Casa do Gaiato ou qualquer instituição de caridade.
Este gesto, em momentos eleitorais como este em que estamos, seria uma grande ajuda que iria captar alguma simpatia e, por tabela, mais alguns votos para a Frelimo e seu candidato. Porque, quer queiramos quer não, se alguém quiser ser honesto consigo, vai concordar se se disser que, mesmo com tantas realizações, o Presidente Guebuza tem a sua imagem nas ruas da amargura. Dizer o contrário seria o mesmo que tentar descobrir o sexo dos anjos!
Todos falam do desgaste da imagem do Presidente Guebuza, desde dirigentes de instituições do Estado, membros da Frelimo a todos os níveis, jornalistas, etc., e, se o fazem, é que reconhecem que a mesma provoca muita indignação a parte considerável do “maravilhoso povo”.
Alguns integrantes do “tal” G40 falam da imagem do Presidente Guebuza nos cafés e dizem a mesma coisa que se diz em vários círculos de opinião deste país: que a imagem do Presidente inspira cuidados especiais, ainda que em público se comportem no “politicamente correcto”.
Por outro lado, a lei de Probidade Pública visa(va) servir de freio a comportamentos que configurassem conflitos de interesse sobretudo na área socio-económica. Assim sendo, seria de esperar que o Gabinete Jurídico da CTA tivesse alertado ao respectivo responsável máximo da organização, que com o seu gesto estava a comprar uma “saia justa” para o Presidente Guebuza.
Independentemente de o Presidente ter devolvido o Mercedes, aos olhos do povo, sempre mantém-se uma curiosidade, que é a de saber qual foi o objectivo de empurrar o presidente até este nível?
Será que a Assessoria Jurídica da CTA não aconselhou o senhor Rogério Manuel e seu “board” das consequências que o seu acto iria causar, sujeitando o Presidente a toda esta chacota e repreensão públicas.
Será que existirão interesses obscuros de alguns integrantes da direcção da CTA que estão por detrás da queima da imagem do Presidente? Já o outro dizia: os fins não olham a meios. Mesmo que para tal se pinte o Presidente com a cor de carvão de Moatize.




(Rafael Bié, Canalmoz)

Wednesday, 1 October 2014

Boletim sobre o processo político em Moçambique

Dhlakama arrasta multidões em Quelimane

A presença do candidato da Renamo, último sábado (27), paralisou a cidade de Quelimane. Consta que a avenida que parte do aeroporto de Quelimane, ficou literalmente intransitável devido ao número de pessoas que afluiu aquele local e se manteve ao longo da avenida para receber e ver o líder da Renamo. Para além de uma enorme multidão, faziam parte da caravana da Renamo, centenas de bicicletas, motorizadas e cerca de 24 viaturas ligeiras, que abrilhantavam a chegada de Afonso Dhlakama.
Os nossos correspondentes relataram, que durante o seu percurso, na avenida do aeroporto, a comitiva da Renamo cruzou com uma caravana do MDM, que vinha em número significativo, ocupando quase todas as faixas. Mas apercebendo-se da presença dos membros da Renamo, a caravana do MDM cedeu uma parte da via, permitindo que Afonso Dhlakama passasse sem registo de incidentes


Futebol em Vilanculos

Na localidade da Mapinhane, distrito de Vilanculos, o trigésimo dia da campanha eleitoral, foi marcado por um jogo de futebol envolvendo membros e simpatizantes da Frelimo e do MDM, cujo equipamento eram as camisetes dos seus partidos. O jogo terminou empatado a 2 golos.



Somente membros da Renamo e MDM detidos por ilícitos Eleitorais, segundo o balanço semanal da PRM

Foram detidos em todo o país, 10 membros do MDM e da Renamo durante a semana de 20 à 26 de Setembro, devido a prática de ilícitos eleitorais. Estes dados, foram avançados pelo porta-voz do Comando da PRM na Cidade de Maputo, Pedro Cossa.
Apesar dos actos de violência e tentativas de inviabilização da campanha do MDM, registados na semana finda em Xai-Xai, Chókwè, Macia, Chibuto e Manjacaze, perpetrados por simpatizantes da Frelimo, Cossa afirmou que não há registo de detenções de membros ou simpatizantes deste partido.

Durante a semana em finda, foram registadas as seguintes ocorrências, segundo o Comando da PRM:

Sofala: no dia 20 ficou detido no comando de  em Dondo, o membro do MDM Félix Domingos, em virtude de se ter dirigido a sede do comité da Frelimo em Mafambisse, onde ofendeu corporalmente membros da Frelimo.

No dia 20 ficou detido na segunda esquadra da cidade da Beira, Costa Sousa do MDM em virtude de sido surpreendido em cima de um poste de iluminação no bairro da Ponta Gea a destruir e danificar panfletos da Frelimo.

No dia 21 ficou detido o cidadão Ibraimo, em virtude de ter sido surpreendido a retirar e danificar panfletos da Frelimo.

Zambézia: no dia 20, Isaac César, membro da Renamo, terá sido detido quando encontrado em flagrante a destruir o material de propagada da Frelimo.

Em Gurúè no dia 21, deteve Samito Varela, em virtude de ter furtado o material de propaganda eleitor numa viatura da Frelimo.

No dia 22, no Posto policial de Caromane, Distrito de Molumbo, foram detidos os nacionais Nanias e Francisco, por terem sido encontrados a rasgar o material de propaganda, pertencente ao partido Frelimo.

No dia 23, na sede do posto administrativo de Lugela foi detido Bonifácio, simpatizante da Renamo, encontrado em flagrante a destruir o material de propaganda eleitoral da Frelimo.

Tete: na cidade de Tete, o cidadão Tito meteu uma queixa a polícia contra o Delegado Politico da Frelimo, Arlindo, alegando ter agredido por este.

No posto administrativo de Zambué, Distrito de Zumbo, foi detido o nacional Joaquim, da Renamo, por ter sido encontrado a destruir material de propaganda da Frelimo

Nampula: no dia 25 membros e simpatizantes do MDM em número não quantificado transportando uma urna coberta com cartazes do partido Frelimo e fotografias do candidato com alguns dizeres: Frelimo e Filipe Nyusi morreram.

Niassa: No dia 25 a polícia deteve um membro do MDM por ter sido encontrado a destruir cartazes da Renamo.

Gaza: na cidade Xai-Xai, indivíduos não identificados agrediram em plena campanha eleitoral o nacional Stelio, membro do MDM.

Na vila sede de Chókwè, caravanas da Frelimo e do MDM envolveram-se em escaramuças caracterizadas em ofensas corporais e danificação de viaturas que resultaram em 10 ferimentos ligeiros e danos materiais em quatro viaturas de ambas as partes, os feridos foram socorridos e levados ao hospital local.

Em Bilene caravanas da Frelimo e do MDM envolveram-se em escaramuças que resultaram em dois feridos ligeiros e danos materiais avultados em três viaturas, sendo duas da Frelimo e uma do MDM. O membro do MDM, António Frangoulis, munido de uma arma do tipo pistola disparou seis tiros. Decorrem diligências para se apurar as causas que levaram ao disparo.

Em Chibuto, membros da Frelimo e do MDM envolveram-se em escaramuças, tendo resultado em oito feridos incluindo membros da PRM.

Em Manjacaze, indivíduos não identificados montaram barricadas na via de acesso a vila de Manjacaze como intuito da impedir a passagem da caravana eleitoral do MDM.

Fotos da preparação dos distúrbios da Frelimo contra o MDM em Chibuto foram publicadas no macua.blogs: http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2014/09/prepara%C3%A7%C3%A3o-dos-dist%C3%BArbios-da-frelimo-contra-o-mdm-em-chibuto.html



Posto policial na casa da Frelimo

Um posto policial está repleto de cartazes de propaganda eleitoral do partido Frelimo e do seu candidato presidencial Filipe Nyusi. Os nossos correspondentes visitaram as instalações da esquadra, na zona de Baião, Bunhiça, Machava, na Matola, depois de denúncias populares.

O porta-voz da PRM na província de Maputo, Emídio Mabunda, confirmou a situação, tendo justificado que tal estava acontecer porque o sector policial local está anexo ao círculo do partido Frelimo, por falta de instalações. Segundo ele, os panfletos colocados são da inteira responsabilidade da Frelimo, a polícia não tem nenhuma ligação com os mesmos. Mabunda não colocou a possibilidade destes panfletos serem removidos.



E na campanha eleitoral:

Em Nacala- A-Velh

Os três principais partidos, Em Nacala- A-Velha  fizeram um balanco positivo da campanha eleitoral, quando já correm 30 dias, depois do início da mesma.

O porta-voz da Frelimo, Celestino Linha, disse na manhã desta segunda-feira (29), que apesar de algumas acusações vindas dos outros partidos políticos, a sua formação esta a fazer campanha ordeira e respeitando os outros.

Por sua vez, Artur Lenco, da Renamo, referiu que o seu partido ao longo dos 30 dias foi vítima de provocações, mas o bom espirito que caracteriza os militantes da sua formação, faz com que não respondam, para que não manchem a Renamo em Nacala velha.

E o MDM, na pessoa do delegado distrital, Marcelino Nassopera, disse que apesar das inviabilizações e intimidações que alguns membros do seu partido estão passando, ainda não existiram casos tão graves que manchem o processo em Nacala-a-velha.

Em Balama

Em Balama, Cabo Delgado, tem-se registado boa convivência entre os  envolvidos na campanha eleitoral rumo as eleições de 15 de Outubro.

O MDM saiu hoje na rua nalgumas aldeias para mais um dia de campanha eleitoral, enquanto preparam a recepção do candidato deste Partido que chega nesta parcela da Província as 9h00 de amanhã dia 01 de Outubro para reforçar a sua caça ao voto.

A RENAMO depois dos trabalhos internos feitos neste final de semana, hoje retomou a sua maratona de caça ao voto saindo em marcha em algumas aldeias difundindo as mensagens do seu manifesto eleitoral para o seu Candidato e seu Partido.

A FRELIMO continua a trabalhar a todo gás priorizando encontros populares nas aldeias através das brigadas fixas dos Postos Administrativos e Localidades e também a festa é feita em todos os dias na sede desta formação política em Balama.

O PAHUMO, priorizou a sua campanha porta a porta e contactos interpessoal.

Em Funhalouro, província de Inhambane, a FRELIMO, o MDM, e a RENAMO fazem campanha eleitoral, ordeira e sem ilícitos eleitorais.

Em Alto Molòcué, província da Zambézia, o MDM desfilou esta terça-feira pelas nas principais ruas da vila. A Frelimo e a Renamo, optaram pelo contacto interpessoal. E até ao momento são os únicos partidos em campanha eleitoral neste distrito.

Em Mandinba, província de Niassa, a Renamo esperou pelo seu líder este sábado (27), mas este não apareceu. No entanto dirigiu algumas palavras a moldura humana que ali o aguardava, via teleconferência. A Frelimo continuou a intensificar a sua campanha porta a porta e colando panfletos. O MDM está mais calmo fazendo comícios e campanha porta a porta.

No distrito de Mavago, Niassa, foi detido este domingo (28), um membro do MDM, de nome Jafar Daiton, acusado de ter vandalizado o material propagandístico do partido Frelimo. Issa Matife, chefe distrital da campanha do MDM, disse aos nossos correspondentes que a polícia está a ser instrumentalizada pela Frelimo. Contactada a PRM, pelos nossos correspondentes para pronunciar-se sobre o assunto, alegou não ter autorização provincial para tecer algum comentário.


Eleições 2014: Um candidato omnipresente, outro messiânico e violência marcam mês de campanha

O primeiro mês de 45 dias de campanha para as eleições gerais em Moçambique mostrou a massificação do candidato do partido no poder, o renascimento do líder da oposição, assim como actos de violência e intolerância.



"Começou por ser pacífica mas mudou muito", comentou à Lusa António Francisco, economista e investigador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESE), referindo-se à "tensão lamentável" entre membros da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e do MDM (Movimento Democrático de Moçambique, terceira força) durante a campanha para eleições presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais do dia 15 de Outubro.
António Francisco vê nas esperas que a Frelimo fez à caravana do líder do MDM em Gaza e nas confrontações provocadas pela simulação de uma urna com a imagem do candidato do partido no poder em Nampula sinais de que "a violência está na rua".
Apesar dos incidentes, ocorridos na terceira semana da campanha iniciada a 31 de Agosto, o comentador político Tomás Vieira Mário entende que o processo " tem corrido razoavelmente bem, atendendo a que as eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) de 15 de Outubro "seguem-se a um conflito que quase colocou o país em chamas".
"Esta é a eleição mais difícil para Moçambique", sustentou o comentador regular no canal televisivo privado STV, argumentando que as primeiras eleições multipartidárias aconteceram em 1994, dois anos depois do fim da guerra civil e do Acordo de Paz celebrado entre o Governo e a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), e que a próxima votação realiza-se menos de dois meses após os mesmos protagonistas cessarem novas hostilidades.
A violência, observou, acabou por "chamar a atenção das lideranças políticas para se dissociarem dessas situações", alertando porém que "os apelos para a calma têm de valer em todo o processo, inclusive nos momentos de maior nervosismo", como o anúncio dos resultados.
A campanha está a ser também marcada pelo "bombardeamento da imagem do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi, quase omnipresente na propaganda do partido no poder em todo o país, e que, para António Francisco, "até pode estar a torná-lo conhecido mas que também começar a ficar incomodativo".
Segundo o investigador, além da aposta num candidato quase desconhecido na sucessão ao actual Presidente, Armando Guebuza, a Frelimo enfrenta também um precedente aberto pelas autárquicas realizadas há um ano, em que o MDM conquistou três dos maiores municípios, e que acentuou "um desgaste criado pelas suas atitudes"
Para Tomás Vieira Mário, este desgaste "é natural", ao fim de 40 anos no Governo, "em que sempre se adaptou a cada momento histórico no país e no mundo, mas chega uma altura em que fica difícil e pode ser isso que o eleitorado esteja a pedir".
Além da força crescente do MDM, o líder da Renamo saiu do refúgio na Gorongosa, onde se manteve durante o recente conflito, e ressurgiu em força já com a campanha em marcha.
Este aparecimento pode ter sido tardio, "mas, do ponto de vista da disseminação da sua mensagem, Dhlakama esteve sempre presente justamente devido ao conflito", disse o comentador político, lembrando que "as suas ideias andaram constantemente no ar, porque eram discutidas nas reuniões de diálogo com o Governo, altamente mediatizadas".
António Francisco destacou, por sua vez, que o eleitorado até podia ter sido afastado pelo conflito que Dhlakama protagonizou ao longo de mais de um ano e meio, "no entanto, acabou por ter uma recepção espantosa".
"Ele perdeu Claramente grande parte do eleitorado nas duas eleições anteriores, agora volta com esta pose messiânica e, se conseguir recuperar os dois milhões que desapareceram, isso muda tudo", comentou.
As eleições gerais "estão bastante renhidas e os resultados são algo imprevisíveis", disse ainda o investigador do IESE, face ao que se passou há cinco anos, quando "não havia grandes dúvidas".
A mobilização da Renamo e a influência crescente do MDM fazem antever mudanças, prevê por seu lado Tomás Vieira Mário, e que vão não só alterar a natureza bipartidária" da política nacional como criar um parlamento mais equilibrado.

Os cães ladraram, a caravana não passou!

 
No mundo forense e à luz da Lei da Probidade Pública caiu como uma bomba a oferta de um Mercedes Benz modelo S350-2014, feita pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) a favor do Presidente da República, Armando Guebuza.
Para quase 90 por cento de juristas que publicamente pronunciou-se à volta do assunto, dúvidas não havia em relação à violação da lei que o próprio Chefe deEstado promulgou e mandou publicar. Entretanto, apesar de a violação da leiter-se apresetado como verdade irrefutável, um grupinho de juristas claramente identificados tentou remar contra a maré procurando dar a entender que não havia violação de lei nenhuma, tendo em conta que a viatura poderia ter sido comprada, não porfundos de doadores ou do orçamento interno da CTA, mas sim de pessoas singulares ligadas à organização. Pouca coisa disseram os que defendiam a normalidade do acto, pois não havia argumentos possíveis para tamanha e clara violação da lei pelo alto magistrado da nação.
Estando claro que a lei foi violada, as pessoas começavam a questionar por que razões, o PR tinha decidido pontapear a lei que ele próprio promulgou e mandou publicar. Muita coisa se disse e sequestionou nos cafés, nas redes sociais,nos dumbanengues nos “chapas” e em outros variadíssimos lugares. Na falta de respostas, nem da CTA, nem da Presidência da República, a única coisa que restava às pessoas era especular. Euma das teses da especulação é que o PR tinha recebido a viatura porque está de saída e o “povo” falando como não, mas muito rapidamente o assunto seria esquecido. Outras pessoas diziam que era normal, pois era cultura deste governo, aprovar leis para serem implementadas e aplicadas para uns e para os outros não. Ou então serem aplicadas para uns sempreque essas leis se mostrem convenientes erespondam aos interesses de quem estáno poder ou tenha ligações umbilicaiscom o poder do dia. Outros ainda diziam que o governo já há muito estava semarimbando para os críticos, ou seja, os críticos de tudo poderiam falar mas a caravana, essa ia passando.
Isto tudo acontece porque os assessores do governo, nalgum momento, parecem ter parado no tempo e no espaço. É que a ideia de que os cães ladram, a caravana passa já não se aplica, tendo em conta a mentalidade do século XXI. Hoje em dia, quando os cães ladram, a caravana não anda, nem passa, simplesmente pára.
Assim, os cães ladraram, tanto ladraram, aumentaram o tom do barulho e a caravana não tinhacondições para passar. No chapa, nas escolas secundárias, nas universidades, nas ruas, nas repartições públicas, nas redacções, de todas as direcções “choviam” críticas e mais críticas.
E estando em momento eleitoral, apesar de algumas mentes já terem definido a sua direcção de voto, mantendo a viatura em suas mãos, Armando Guebuza estaria a exibir publicamente o nível de desrespeito em relação ao seu “maravilhoso povo”.
Nisto e vendo-se num beco sem saída, o presidente não poderia mais nada fazer, senão aplicar a máxima: enquanto vivos, há tempo para nos arrependermos. Guebuza arrependeu-se e devolveu a viatura. Deixou das justificações tão esfarrapadas de que tinha sido encontrado de surpresa e devolveu a viatura. Na sua argumentação, disse que efectivamente a recepção da viatura feriu a Lei de Probidade Pública. A mancha da recepção ficou, mas pior teria sido fazer ouvidos de mercador diante de um refrão popular contra.
Essa é a postura que se exigisse de um estadista. Desta vez, Guebuza não deu ouvidos a esterilidade mental do famigerado G40, que já tinha começado demarches para encontrar argumentos falaciosos da legalidade na oferta e recepção da viatura.
Felizmente, Guebuza, o país, enfim, todos os moçambicanos estão de parabéns porque a CTA poderá dar um melhor encaminhamento à viatura. Talvez doar a quem mesmo precisa, a exemplo de uma instituição de caridade.

Editorial do MediaFax, 01.10.14

Ex-número dois da Renamo acusa Frelimo de investir na violência para se manter no poder

 O ex-número dois da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) Raul Domingos acusou a Frelimo de apostar na violência durante a campanha eleitoral, como forma de se manter no poder, porque sente que "o tapete do poder está a fugir-lhe".

Em entrevista à Lusa, para um balanço do primeiro mês de 45 dias de campanha para as eleições gerais de 15 de outubro, Domingos, igualmente líder do extraparlamentar Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), afirmou que as últimas semanas têm sido marcadas por violência física e psicológica alegadamente instigados pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), com o suposto propósito de inviabilizar o trabalho da oposição e assegurar a continuação do monopólio do poder.
"A Frelimo sente que o seu tempo no poder está a chegar ao fim, o tapete do poder está a fugir-lhe. São 39 anos de governação e o país está farto de ver os mesmos a acumular fracassos atrás de fracassos. O partido no poder está claramente a instigar à violência física e psicológica para inviabilizar a ação dos partidos da oposição", afirmou Raul Domingos, cujo partido concorre às eleições legislativas e às assembleias provinciais.


Lusa

Sorriso matinal


Chefe de Estado tem obrigação de conhecer a Lei de Probidade Pública

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) ofereceu ao Chefe de Estado do uma viatura luxuosa da marca Mercedes-Benz, alegadamente como reconhecimento da melhoria do diálogo com o Governo como sendo a maior conquista ao longo da existência desta agremiação de empresários. Quatro dias depois, a Presidência da República anunciou a devolução da viatura, justificando que foi assim recomendado por pareceres jurídicos. Será que o Presidente da República não conhece a Lei? Seja como for, é obrigação de todo o servidor público conhecer as disposições legais que regem a sua actividade.

O Servidor Público deve conhecer as disposições legais e regulamentares sobre impedimentos, incompatibilidades e proibições, e qualquer outro regime especial que lhe seja aplicável, e assegurar-se de cumprir com as acções necessárias para determinarse está ou não abrangido pelas proibições nele estabelecidas”, artigo 18 da lei 16/2012, de 14 de Agosto."



CIP

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