Saturday, 9 February 2013

CHUVAS UM POUCO POR TODO O PAÍS - Precipitação recorde registada em Janeiro

O MÊS de Janeiro da presente época chuvosa (2012-2013) foi caracterizado por queda de chuvas intensas e intermitentes em quase todo o território nacional, mas com maior destaque para as zonas sul e centro do país com precipitação total em 10 dias superior a 300 milímetros.
De acordo com a análise feita pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), a precipitação acumulada de algumas regiões representadas pelas estações meteorológicas superou não só a climatologia do passado mês de Janeiro, como também a do trimestre Janeiro a Março.
Com efeito, regiões como Ndindiza (726 milímetros), Xai-Xai (575mm), Panda (643mm), Espungabera (558mm), Chimoio (468mm), Milange (512mm), Quelimane (473mm), Nampula (478mm), Marrupa (433mm) e Mueda (312mm) espelham o tipo de padrão que prevaleceu durante o referido período, explicando em parte o drama das cheias e inundações que se vive actualmente nalgumas regiões do país.
A antevisão para o período Fevereiro/Março/Abril (FMA) mostra maior probabilidade de ocorrência de chuvas normais com tendência para acima do normal em quase todo o país, com excepção de uma parte da faixa litoral da província de Nampula e parte do oeste da província de Tete, onde espera-se maior probabilidade de ocorrência de chuvas normais com tendência para abaixo do normal.
Segundo a monitoria feita pelo INAM, o início da segunda metade da época chuvosa 2012-2013, que decorre de Janeiro a Março, foi caracterizada por chuvas intensas e intermitentes em todo o território nacional, em curto espaço de tempo, o que contribuiu significativamente para as inundações, destruições de infra-estruturas e perdas de vidas com maior destaque para as zonas sul e centro.
Esta constatação também é bem patente com anomalias acima de 200 milímetros de precipitação registada no mês de Janeiro em relação a climatologia do mesmo mês, sobretudo na faixa costeira da província de Gaza (nordeste do distrito de Bilene-Macia, Xai-Xai, sul de Chibuto, Mandlakazi e Chicualacuala), e província de Inhambane (partes dos distritos de Zavala, Inharrime e Panda) e entre 100 e 200 milímetros nos distritos de Mossurize e Sussundenga, na província de Manica junto à fronteira com o Zimbabwe e na faixa costeira da província da Zambézia (distritos de Nicoadala) e Nampula (distritos de Angoche e Mogincual).
O estado actual do ENSO (El Niño Oscilação Sul), um dos principais indicadores de precipitação da África Austral, mostra que apesar do ligeiro arrefecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, prevalece na situação neutral e os modelos indicam a continuação desta situação até ao fim da época chuvosa.
Até ao momento, pelos dados partilhados ontem no Conselho Técnico de Gestão das Calamidades, realizado em Maputo, as intempéries causaram a morte de 105 pessoas, a maioria das quais em Gaza (41) na sequência das cheias, 19 na Zambézia e 17 em Nampula. Outros locais que já registaram óbitos de Outubro até ao momento são a cidade e província de Maputo (7), Sofala (3), igual número em Tete e Manica, 5 em Cabo Delgado e 7 em Niassa.Apesar da elevada concentração de pessoas nos centros de acomodação, particularmente em Gaza, onde totalizam 172598, as autoridades estão satisfeitas por até ao momento não ter ocorrido óbitos.O número de doentes registados na passada quinta-feira era de 1369 padecendo de doenças comuns como diarreias, malária (a maior parte dos casos), conjuntivite, hipertensão, doenças de pele, entre outras. Desde que foram abertos os centros de acomodação a 24 de Janeiro foi registado um cumulativo de 9805 casos de doença.


Notícias

Friday, 8 February 2013

“Há falta de políticas para inverter o cenário”

Daviz Simango visita zonas afectadas pelas cheias:

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) afirma que o Governo de Armando Guebuza não tem políticas concretas para reduzir os impactos das calamidades naturais, com destaque para as cheias e inundações que, anualmente, dizimam vidas humanas.
Segundo disse, no país, há diques e barragens que podiam ser viabilizados para minimizar os efeitos da Chuva. O presidente do MDM entende que o governo deve desenhar políticas visíveis para desencorajar construções em zonas propensas às inundações (...).
“Eventualmente, em Moçambique, falhamos nas políticas das águas. é verdade que situações naturais deste nível são difíceis de evitar, mas a que reduzir as consequências das inundações”, disse.
O presidente do MDM, que esteve Zambézia onde doou diversos quites de alimento com destaque para arroz, açúcar, óleo alimentar, entre outros, para pouco mais de sete mil pessoas que se encontram nos centros de acomodação de Nicoadala e Quelimane, constatou haver pouco alimento nos armazéns do INGC capaz de satisfazer às necessidades das populações.



O País

Nova vaga de chuvas à vista: Áreas de inundações devem ser desocupadas

ELEVADOS escoamentos provenientes a montante, nomeadamente da Zâmbia e do centro e nordeste do Zimbabwe, poderão criar um impacto significativo no aumento dos níveis de água em rios como Zambeze, Save, Púnguè e Limpopo. É neste quadro que as autoridades gestoras dos recursos hídricos chamam a atenção para que a população se retire das áreas susceptíveis a inundações
Estes impactos, segundo Rute Nhamucho, chefe do Departamento de Recursos Hídricos na Direcção Nacional de Águas, poderão se fazer sentir em território nacional a partir do próximo domingo.
Na análise feita por Sérgio Buque, do Instituto Nacional de Meteorologia, estas chuvas resultam da actividade da chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que nos meses de Janeiro a Março é responsável pela abundante pluviosidade na região Centro/Norte do país e em nações como Zimbabwe, Malawi e Zâmbia.
É neste quadro que até o dia nove de Fevereiro esperam-se chuvas em regime forte e localmente muito fortes em Tete, Zambézia e parte sul da província de Nampula.
As trovoadas e chuvas fortes (mais de 50 milímetros em 24 horas) far-se-ão sentir com maior intensidade no norte de Tete (distritos de Zumbo, Marávia, Chifunde, Macanga, Angónia e Tsangano), extremo norte da Zambézia (distritos de Milange, Lugela, Namarrói, Gurué e Alto Molócuè) e sul de Nampula (Malema e Ribáuè).
Face a esta previsão, as autoridades na Zambézia estão a acelerar a retirada das pessoas das áreas de risco para os bairros de reassentamento e a intensificar a divulgação de medidas de prevenção.
Aliás, o director-geral do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC), João Ribeiro, encontra-se desde terça-feira na Zambézia para com as autoridades locais articular os mecanismos de reforço das medidas de mitigação num quadro da crescente fragilidade devido à persistência das chuvas na região.
Em termos gerais, segundo dados partilhados ontem na reunião do Conselho Técnico de Gestão das Calamidades em Maputo, Nampula, Zambézia, Inhambane, Gaza e Maputo são as províncias que ainda mantêm vivas as marcas da presente época chuvosa que afectou, em todo o país, 212.943 pessoas, das quais 151.122 estão nos centros de acomodação.
A província de Gaza, particularmente, é a mais afectada, porque as cheias assolaram o vale do Limpopo, bastante povoado, conhecidas que são as suas potencialidades agrícolas.
Basta dizer que mesmo num quadro de melhoria geral da situação (os níveis dos rios baixaram significativamente) continuam nos centros de acomodação 140.213 pessoas, um quadro motivado pelo facto de a maioria ter perdido tudo, tendo que recomeçar a vida preferencialmente em zonas consideradas seguras.
No terreno os esforços estão direccionados para o programa de reassentamento, identificação de áreas e parcelamento de terra para início do processo de reconstrução e recuperação dos deslocados.
No entanto, ainda prevalecem alguns desafios, nomeadamente no que se refere às infra-estruturas, cuja recuperação vai levar tempo, apesar da urgência que já se sente, particularmente no que se refere às vias de acesso, que permitem a movimentação de pessoas e bens.
Basta referir que devido ao mau estado das vias carvoeiros há que continuam retidos nas zonas de corte, muitas delas situadas a norte de Gaza, porque ainda não é possível transportar a mercadoria para os grandes centros de consumo situados na cidade de Maputo, onde o preço do carvão e lenha mostra sinais de incremento.
Nas zonas de reassentamento também faltam estacas para acelerar a construção de abrigos e também de latrinas. Neste momento estão em curso diligências para trazer aquele material de construção a partir da província de Inhambane.

Osvaldo Gêmo, Notícias

Liga dos Direitos Humanos sai em defesa dos médicos estagiários

Reprovados pelo director da Faculdade de Medicina da UEM.

Para a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, trata-se de um acto administrativo inquinado de arbitrariedade e má fé. A Liga diz que a legalidade da greve foi reconhecida por escrito no acordo celebrado entre a Associação Médica e o Ministério da Saúde.
A Liga dos Direitos Humanos (LDH) veio ontem, através de uma nota de imprensa, manifestar a sua indignação com a decisão do director da faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que numa sentada chumbou 100 médicos estagiários por terem aderido à greve convocada pela Associação Médica de Moçambique, visando exigir melhores condições de trabalho.
Diz a Liga dos Direitos Humanos que se trata de um “acto administrativo inquinado de arbitrariedade e de má fé”. Por outro lado, a LDH diz que o despacho emitido pelo director da faculdade, Mohsin Sidat, preteriu, à luz do Regulamento Pedagógico da UEM e do regime do estágio médico integrado, os requisitos essenciais exigidos para a reprovação dos visados.
“O acto não apresenta todos os requisitos legais que fundamentam a sua legalidade. A avaliação final do médico estagiário carece, também, da apreciação do médico supervisor e de um júri que integra médicos que acompanharam o estágio, que possam fazer uma avaliação consensual e objectiva”, refere a nota de imprensa.
A instituição liderada por Alice Mabota lembra ainda que a avaliação do desempenho do médico estagiário em cada estágio parcelar do estágio final integrado deve ser feita em duas partes interligadas a saber: (a): qualidade das actividades desempenhadas pelo médico estagiário, no serviço onde estagia 50% e (b): grau de cumprimento das habilidades técnicas, realizadas no departamento ou sector onde estagia 50%.
“Os reprovados são, simultaneamente, estudantes do 6º ano de Medicina, médicos estagiários e membros associados da Associação Médica de Moçambique (AMM) nos termos do disposto no art. 12 do Estatutos da AMM e do art. 20 dos Estatutos da Ordem dos Médicos de Moçambique (OrMM). Por força disso, estão sob a direcção tanto da Faculdade de Medicina como do Ministério da Saúde (MISAU)”.
“Os mesmos têm um contrato com o MISAU, através do qual auferem um subsídio e estão sob a direcção desta instituição nos termos desse contrato. Ademais, o despacho em questão determina que a data do início de repetição do estágio fica ao critério dos departamentos onde o mesmo deve decorrer, o que significa que reconhece o vínculo entre o MISAU e os médicos estagiários (estudantes de 6º ano”).
A Liga dos Direitos Humanos recorda ainda que a legitimidade da greve dos médicos é reconhecida no acordo celebrado entre o MISAU e AMM no dia 15 de Janeiro de 2013 e com efeitos imediatos. “O acordo resultou de um encontro de trabalho entre o MISAU, representado pelo ministro da Saúde, e a AMM com vista à suspensão efectiva do exercício da greve dos médicos, a qual integrava médicos estagiários. Este acordo beneficiou de assessoria jurídica para evitar a prática de ilegalidades e arbitrariedades, pelo que deve ser cumprida em respeito às condições e direitos reivindicados pelos médicos, sem nenhum tipo de represálias”.
Assim sendo, a Liga dos Direitos Humanos conclui que “os médicos não praticaram nenhuma irregularidade que justifique a medida tomada pelo despacho em apreço. Aliás, as faltas cometidas pelos médicos estagiários fundam-se na greve realizada, cuja legitimidade foi reconhecida, por autoridade pública, o MISAU, no acordo em referência, através da qual garantiu que os visados não serão vítimas de represálias de qualquer natureza. Este acordo, pelo seu conteúdo, justificou as faltas cometidas, tanto pelos médicos, como pelos estagiários”.



 O País

Thursday, 7 February 2013

Portugal envia ajuda humanitária para auxílio às vítimas das cheias em Moçambique



Portugal vai enviar uma equipa médica, medicamentos e equipamento para auxílio às vítimas das cheias em Moçambique, anunciou hoje em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“Esta ação da cooperação portuguesa resulta da coordenação de esforços do Ministério da Saúde, do Ministério da Administração Interna e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e está a ser operacionalizada pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua”, indica a nota do MNE.
No comunicado, que não especifica a data do envio da ajuda humanitária o Governo português “expressa o seu reconhecimento à TAP por apoiar esta ação humanitária”, por ter facilitado, “gratuitamente” o transporte do material em questão, bem como às “empresas farmacêuticas que se associaram a esta iniciativa”.



Ionline

Para aflição geral de Gaza: Limpopo volta a subir

A BACIA do Limpopo poderá registar um novo pico de caudal, mas as autoridades gestoras dos recursos hídricos tranquilizam dizendo que não se prevê impactos muito significativos para a vida das pessoas.
De acordo com as informações avançadas ontem, em Maputo, por Rute Nhamucho, chefe do Departamento dos Recursos Hídricos, entre terça e quarta-feira, foi registado um pico do caudal na ordem de 1300 metros cúbicos por segundo na estação de Beit Bridge, na fronteira com a África do Sul.
Face à previsão da continuação da ocorrência de chuva intensa sobre a Bacia do Limpopo nos países a montante, em particular no Zimbabwe, e a contribuição do pico de caudal na ordem de 1300 metros cúbicos registado em Beit Bridge, prevê-se que passe por Combumune uma onda de 4000 metros cúbicos por segundo nos próximos dois dias.
Este escoamento deve chegar à zona do Chókwè/Caniçado na ordem de 3000 metros cúbicos por segundo nos próximos quatro dias.
Nesta ordem, o nível medido no Chókwè, que já se encontrava abaixo do alerta ontem, poderá voltar a subir ultrapassando a escala de cinco metros considerado como sendo o ponto de aviso.
Entretanto, dadas as fragilidades ainda prevalecentes na Bacia do Limpopo, Rute Nhamucho aconselha para a necessidade de vigilância permanente e máxima atenção aos avisos.
“Em condições normais, este caudal pode ser absorvido no leito do rio, mas na situação actual é difícil prever o que pode acontecer”, disse Nhamucho.
Em consequência das cheias registadas naquela bacia, perto de 140 mil pessoas continuam nos centros de acomodação temporários à espera dum melhor momento para regressarem às zonas de origem. A maior parte desta população provém do distrito do Chókwè, um dos mais flagelados.
O caudal medido em Macarretane, na altura da última inundação do Chókwè, era de cerca de nove mil metros cúbicos por segundo. O avaliado junto à fronteira com a África do Sul foi de oito mil metros cúbicos por segundo e o que entrou no território moçambicano atingia 10 mil metros cúbicos por segundo no dia 19 de Janeiro, contando com contribuições provenientes do rio Limpopo.
Segundo as contas da DNA, o pico previsto para os próximos dias está muito abaixo em relação à última cheia.
Outro motivo de alarme, de acordo com Rute Nhamucho, é o Rio Umbelúzi, que tem estado a registar elevados escoamentos de tal modo que dos cinco metros cúbicos por segundo que normalmente são libertados pela Barragem dos Pequenos Libombos passou-se para 24 metros cúbicos por segundo.
Explicações dadas pela nossa fonte apontam que as descargas podem vir a aumentar nos próximos dias na medida em que a Barragem dos Pequenos Libombos já atingiu a chamada curva-guia que corresponde à quantidade de água que deve estar disponível por estas alturas do ano para que continue a manter a necessária capacidade de encaixe. Dados a que a nossa Reportagem teve acesso dão conta que aquela infra-estrutura estava já a 90,2 por cento da sua capacidade de enchimento.
Em resultado dos elevados escoamentos gerados a montante, já há alguns reflexos a nível da água que abastece a cidade de Maputo que se apresenta turva. As autoridades chamam a atenção que a coloração não constitui problema, sendo que a mesma está apta para o consumo porque foi previamente tratada.
Relativamente às zonas centro e norte do país, nas bacias do Zambeze, Púnguè, Licungo, Búzi e Messalo, os níveis hidrométricos estão abaixo do alerta mas com tendência de subir face à precipitação prevista nesta região.


Notícias

Wednesday, 6 February 2013

Presidente da República não se pode esconder no silêncio

O povo moçambicano clama por liderança e o seu Presidente não pode ser embrulhado em “paninhos quentes” por um conjunto de pessoas cobertas por estatuto de assessores e conselheiros cumprindo agendas muitas vezes desconexas com os reais interesses nacionais.




Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 5 February 2013

Catástrofe humanitária em Gaza ou cooperação regional inexistente?

Tanta Tecnologia de Informação e Comunicação para nada…

Com investimentos vultuosos sendo feito na área de Tecnologias e Informação e Comunicação, com tanto contacto político entre o governo sul-africano e o moçambicano ainda se mostra longe o dia em que aquela comunicação efectiva e útil vai acontecer.
Os gestores das bacias hidrográficas compartilhadas, os serviços de meteorologia, os governos de países vizinhos têm obrigações inalienáveis. As chuvas e as suas previsões existem e são monitoráveis.
As infraestruturas hidráulicas são conhecidas e seus limites também. Não constitui surpresa ou ninguém pode alegar que não havia conhecimento de que as barragens sul-africanas iriam abrir suas comportas se modos a protegerem--se. Também a barragem de Massingir tem os seus planos ligados a ocorrência de chuvas a montante e de descargas dos vizinhos.
Na mesma altura em que se prévia uma catástrofe os governantes, responsáveis do pelouro de águas que fizeram entre nós? Quem não possui informação procura-a. Cabe aos vizinhos estabelecerem canais fluídos de comunicação para atempadamente decidirem o que se deve fazer no momento oportuno.
Não se pode ficar a espera de que as catástrofes aconteçam e que depois se “comece a chorar”.
Do governo espera-se uma acção proactiva, inteligente, diligente, com impactos visíveis. Agora que a desgraça chegou a Chokwe numa repetição dantesca do que aconteceu em 2000 provam-se capacidades e desempenhos de que exerce funções governativas.
Todo o aparato posto à disposição de nossos governantes, telefonia fixa, móvel, via satélite, internet, gabinetes de estudo, assessores das diversas áreas para que servem afinal? Quem é rápido a orçamentar e a assegurar que os recursos sejam fornecidos pelo Orçamento Geral do Estado deve ser responsabilizado quando as coisas correm mal.
É tão simples como isso.
A comunicação entre as autoridades do pelouro de águas da África do Sul e Moçambique está aquém daquela que deveria existir.
Se em questões nevrálgicas como o controlo das bacias hidrográficas compartilhadas não se consegue fluidez comunicativa, rapidez e eficiência para que servem os recursos gastos em consultorias e montagem de estacoes higrométricas?
A SADC é o organismo regional que se entende que gere e coordena acções regionais visando promover o desenvolvimento económico e politico da África Austral. Os povos pagam para que a SADC exista e que seus funcionários sejam pagos a tempo. Tomas Salomao, Secretario Executivo da SADC até é moçambicano e tem responsabilidade em tudo o que acontece ao nível da região.
Os diversos gabinetes técnicos, os ministérios de obras públicas, de águas e outros dos governos regionais são responsáveis pela gestão dos assuntos correntes.
Há coisas da natureza que não se podem evitar mas há outras em que uma comunicação atenta, atempada pode servir para colmatar e diminuir os efeitos de catástrofes naturais.
O momento é de trabalhar-se para o salvamento de pessoas e seus bens. É tempo de lançamento de campanhas de solidariedade social de âmbito nacional, regional e internacional.
Mas convém que se aprendam as lições em momentos como este em que as chuvas numa ampla região fazem os seus efeitos.
Em outras latitudes e países, na Rússia e nos EUA a gestão de catástrofes naturais fez cair directores de emergência e ministros.
Katrina e outras crises foram suficientes para se entender que a burocracia em que funcionavam instituições vitais para o socorro humanitário e a sua prevenção estavam adormecidas.
A decisão política inadiável foi se responsabilizarem os titulares de tais órgãos. Politicamente é necessário que prossigam acções de socorro e organização de todo um esquema que minore o sofrimento de milhares de pessoas.
Agora o epicentro da crise humanitária é Gaza mas rapidamente a situação pode evolui para outras bacias hidrográficas nacionais.
O caracter cíclico das cheias, conhecido tanto pelo governo como pela população exige que medidas proactivas sejam tomadas.
A planície de Gaza agora inundada, em que se localizam alguma cidades e outros aglomerados populacionais requer uma profunda revisão no seu ordenamento territorial. É uma questão de sobrevivência e de sentido de prevenção.
Uma planificação dos recursos hídricos deve ser feita de modo a que as infraestruturas de defesa necessárias sejam consideradas e fundos alocados para a sua edificação. O futuro começa hoje e aquilo que é tecnicamente aconselhável, deve ser executado sob pena de Moçambique viver sempre sobressaltado por inundações e outros fenómenos naturais.
Não é tempo de aproveitamentos políticos mas os parlamentares devem ser os primeiros a unirem-se em defesa dos cidadãos, descontando de seus salários para aliviar seu sofrimento, pressionando o governo a libertar recursos em socorro as vítimas das cheias, preparando planos de contingência a altura das necessidades.
Enquanto isso convém que o governo de Moçambique abra os olhos e institua uma comissão de inquérito sobre a gestão da bacia do rio Limpopo.
Quem tem telefone pago pelo estado e responsável pelo pelouro de águas deve responder ao que sabe e explicar o que fez antes da declaração da cheias e depois.
A ARA SUL, o Ministério das Obras Públicas e Habitação, o INGC, o governo em si, deve explicar devem explicar aos moçambicanos o que aconteceu, o que falhou, quem falhou ou quem não fez o que deveria fazer.
É preciso passarmos de um governo faz de conta para um governo que realmente faz.
Os “compadres” que existam fora daquilo que são as responsabilidades inerentes aos cargos públicos que exercem.
Assistir-se serena e impavidamente ao avanço das águas e a destruição não é o que os moçambicanos esperam de seu governo…



Noé Nhantumbo, Canal de Moçambique – 30.01.2013, citado no Moçambique para todos

Portugal não vai abrandar relações com Moçambique

O EMBAIXADOR de Portugal, Mário Godinho de Matos garantiu que apesar da contenção orçamental no contexto da crise da zona do Euro, o seu país não vai abrandar a cooperação com Moçambique.
Mário Godinho de Matos, que falava há dias, em Maputo, durante uma conferência de imprensa, disse ainda que apesar da necessidade de racionalizar os gastos e independentemente de outras acções que temos que tomar, a cooperação portuguesa em relação com Moçambique não sofreu qualquer redução”.
“A cooperação com Moçambique nas suas variadíssimas vertentes é um dado adquirido e um dado fixo que nós não queremos, de maneira nenhuma, deixar que seja afectado por essa contenção orçamental. Felizmente, os peritos dizem que parece que estamos a sair dessa crise, pelo menos da fase mais aguda e, portanto, creio que daqui para frente teremos ainda mais possibilidades de incrementar ainda mais a nossa cooperação”, disse Godinho de Matos.
No ano passado, as trocas comerciais entre os dois países aumentaram, com as exportações de Moçambique para Portugal a registarem um incremento de cerca de 10 por cento e as importações do nosso país a partir daquele país europeu a conhecerem um crescimento de cerca de 20 por cento. De referir que as exportações portuguesas para Moçambique, em 2012, ultrapassaram 150 milhões de dólares norte-americanos.
O diplomata português falava no âmbito de uma cerimónia de formalização da Comissão de Gestão do Protocolo de Coperação entre a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) de Moçambique e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) de Portugal.
Na ocasião, Mário Godinho de Matos, explicou que a formalização da Comissão foi o culminar de um processo iniciado em 2010, com a assinatura de um protocolo entre os governos dos dois países.
“Foi necessário aguardar pela legislação necessária à criação da INAE; pela respectiva regulamentação e pela sua criação, congregando departamento de vários ministérios nas respectivas áreas de competência”, afirmou o diplomata português.

Notícias

Associação Médica de Moçambique critica "reprovação em massa" de estagiários


Os estagiários que participaram na greve dos médicos, em Janeiro, poderão reprovar. A Associação Médica de Moçambique considera a decisão "ilegal, injusta e ilegítima".
A Associação Médica de Moçambique quer dialogar com a Faculdade de Medicina e o Ministério da Saúde para verificar a legalidade da reprovação de uma centena de estagiários. Os finalistas de medicina da Universidade Eduardo Mondlane poderão não concluir o curso por terem faltado ao estágio nos dias da greve dos médicos, em Janeiro, em Moçambique. Em causa, um despacho do director da Faculdade de Medicina, emitido a 1 de Fevereiro, que estipula que "todos os estudantes do 6° ano que comprovadamente faltaram às suas obrigações académicas consideram-se reprovados no segmento do estágio onde se encontravam".
Em entrevista à RFI, Paulo Samo Gudo, porta-voz da Associação Médica de Moçambique, diz que a decisão é "ilegal, injusta e ilegítima", mas promete dialogar com a faculdade e o ministério da Saúde para "que a situação legal seja restabelecida".


RFI

Escute Paulo Samo Gudo, porta-voz da Associação Médica de Moçambique, aqui


Em Maputo, Beira e Nampula: Cerca de 200 empresas portuguesas participam na Quinzena Empresarial

Cerca de 200 empresas portuguesas vão participar na Quinzena Empresarial Moçambique Portugal, que decorre de 25 de Fevereiro a 7 de Março em Maputo, Beira e Nampula, avançou nesta segunda-feira o presidente da Fundação AIP, Jorge Rocha de Matos.
A iniciativa insere-se na missão de apoio à internacionalização da economia portuguesa da AIP – Feiras Congressos e Eventos e englobará a Tektónica Moçambique, Intercasa Concept Moçambique e o Fórum Agro-Alimentar Moçambique, explicou à agência Lusa o responsável.
Segundo Rocha de Matos, a AIP – Feiras Congressos e Eventos, no quadro da sua missão de apoio à internacionalização das empresas portuguesas, vai proporcionar às empresas portuguesas “um programa completo” que tem como objectivo "recolher e partilhar informação", além de "identificar e concretizar oportunidades e parcerias de negócios e de exportação".
“Moçambique é um mercado muito importante, com um grande potencial e um forte ritmo de crescimento”, disse à Lusa Rocha de Matos, que destacou a possibilidade de os sectores económicos que integram a quinzena empresarial poderem vir a aumentar as suas exportações para este país.
“A construção, imobiliário, segurança, ambiente, mobiliário e decoração (fileira Casa e o canal Horeca – hotelaria, restaurantes e cafés), agricultura e pescas e agro-indústria com encontros empresariais em Nampula/Nacala, Beira e Maputo/Matola são os sectores presentes na grande quinzena empresarial”, frisou.
O presidente da Fundação AIP disse ainda à Lusa que da parte dos empresários portugueses há “um grande empenho na procura de novos mercados”, caso dos países lusófonos, pois só assim podem defender o desenvolvimento económico das suas organizações empresariais e contribuir para assegurar alguma sustentabilidade social.
Segundo as projecções do Governo moçambicano, a produção global deste país africano deverá crescer 8,9% em 2013 e entre os sectores com maiores oportunidades para as empresas portuguesas sobressaem a agricultura, energia, obras públicas e construção civil, metalomecânica, logística, formação profissional e educação, consultoria e as novas tecnologias de informação e comunicação.
Num formato “inédito e único”, a quinzena empresarial vai incluir em simultâneo a primeira edição da Intercasa Concept Moçambique e a segunda edição da Tektónica Moçambique, de 28 de Fevereiro a 3 de Março, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
O Fórum Agro-Alimentar Moçambique – Investimento e Oportunidades de Negócio/Mostra de Produtos e Tecnologias, que decorrerá entre 5 e 6 de Março, encerrará a Quinzena Empresarial Moçambique-Portugal, que contará com a presença da ministra da Agricultura, Ambiente, Mar e do Ordenamento do Território portuguesa, Assunção Cristas.
O programa consagra ainda dois dias de visitas e encontros de negócios entre empresas portuguesas e moçambicanas da Beira e Maputo nos dias 6 a 7 de Março.



(RM/Lusa)

Monday, 4 February 2013

Num mundo em errupções…

Em África chove de uma forma torrencial e descontrolada, criando inundações, fazendo vítimas, estragando culturas e desalojando pessoas, para não falar de outros estragos. Na Europa são as temperaturas baixíssimas, ventos fortes (que tiraram árvores do seu caule) e a neve que tem sido um problema grande, criando transtornos à economia do país. No Verão são as queimadas nas florestas.
O 2012 previsto como o ano do fi m do mundo felizmente não aconteceu. Mas a profecia dos maias não estará muito longe da verdade. Se calhar naquela altura a precisão de cálculo tenha falhado por pouco, pois eles não tinham um computador da nossa era, que lhes desse essa informação apurada, apesar da sua avançada forma de pensar e trabalhar. Basta olharmos em redor para ver que os “dias estão contados”.
Com uma crise económico-fi nanceira bastante aguda no mundo em geral e em particular no velho continente, não haverá alma que sobreviva se alguma coisa boa não for inventada nos próximos anos. A União Europeia foi uma “montanha que pariu um rato”, como soi dizer-se. Não trouxe nada de novo,
pelo contrário, as coisas foram piorando. Hoje a maioria dos países componentes dessa união está de rastos. Nem o facto de os injectar com milhões de euros printados tem dado efeitos necessários, vide a Grécia. Os países que deram vida a essa fusão não querem dar a mão à palmatória. Preferem que a sua
gente morra do que aceitar que eles falharam nesse projecto. Os ingleses já estão a pensar em abandonar a UE. Aliás, para fazerem parte desta “comédia”, desde o início que impuseram as suas condições. Uma delas foi que a sua moeda – a Libra – seria inegociável perante o Euro, uma nova moeda criada para o efeito. Neste momento o governo do Reino Unido está a pensar em fazer um referendo, para saber se deve ou não continuar nesta “fantochada” da UE que só beneficia alguns países, estando a maioria na bancarrota. Veja, pois, por exemplo, a quantidade dos nossos amigos portugueses que abandonam Portugal para procurar melhor vida noutros destinos, Moçambique e Angola com maior ênfase, onde todos os dias desembarcam em aviões superlotados.
A União Europeia só trouxe problemas aos seus. Criou desempregos, fome e o nível de vida aumentou de uma forma drástica. Os preços de combustível, principal fonte de tudo, inacreditavelmente não pára de subir, isto mesmo depois das guerras inventadas contra o Iraque. Antes da União Europeia, por exemplo, não havia mendigos nas ruas do Reino Unido. Hoje é diferente, e podemos vê-los em muitas esquinas. Esta
crise europeia também afectou outros continentes e o mundo em geral, aumentando em demasia o crime. A cada instante ouvem-se histórias de raptos, violações sexuais, assassinatos e também de suicídios.
Como se isto não bastasse, eis que as calamidades naturais intensificaram as suas acções em seis continentes, causando o caos. Se na Antártica o gelo vai-se derretendo a cada minuto, provocando o aumento do nível das águas, em África chove de uma forma torrencial e descontrolada, criando inundações,
fazendo vítimas, estragando culturas e desalojando pessoas, para não falar de outros estragos. Na Europa são as temperaturas baixíssimas, ventos fortes (que tiraram árvores do seu caule), e a neve que tem sido um problema grande, criando transtornos à economia do país. No Verão são as queimadas nas florestas. Na Ásia são os tremores de terra, tsunamis e as inundações que dizimam tudo e todos. Nem a mais rica e forte
América escapa dessa tormenta, pois, apesar de portador de tecnologia de ponta, não consegue travar, combater ou desviar a força dos ciclones, tsunamis e furacões. O continente australiano é o que parece mais protegido por estas calamidades, apesar da seca que se faz sentir.
Mas os humanos também não têm ajudado muito para que estas pragas vindas de Deus possam ser amainadas. Estamos a fazer tudo ao contrário do que nos foi legado. A guerra é o outro capítulo do apocalipse deste belo planeta azul. O ego está a matar-nos. Só para ter uma ideia: veja os países que estão em conflito, uns mais que outros: Argélia, Angola, Burundi, Chade, RD Congo, Costa do Marfi m, Egipto, Eritreia, Guiné-Bissau, Libéria, Líbia, Mali, Mauritânia, Nigéria, Rwanda, Serra Leoa, Somália, Sudão, Tunísia, Nicarágua, Guatemala, México, Venezuela, Paquistão, Afegnistão, Birmânia, Iraque, Síria, Israel, Líbano, Sri Lanka, Yemen, Cuba, Coreia do Norte, Albânia, Bósnia, Croácia, Timor, Indonésia, é de facto muita gente a lutar contra… o nada!
Se as pessoas tivessem a consciência de que não irão levar nada deste mundo apenas um trapo que os cubra (isso também quem tiver a sorte), certamente que muitos corações abraçariam o amor.
Devíamos parar e refl ectir por alguns momentos para podermos fazer uma avaliação dos nossos actos e penitenciarmonos perante o nosso Criador, porque Ele gosta da nossa remissão.
O espectro do fi m do mundo não acabou, está aí, mesmo ao virar da esquina.
Que Deus nos proteje a todos. Ámen!


Correio da manhã Nº 4004  de 30/01/2013,  Fahed Sacoor – fsacoor03@yahoo.com.br

Sr. presidente, dispense os “seus” 6 helicópteros ao “maravilhoso povo”

Desde os primeiros dias do corrente mês, a região austral de África bem como outras partes do mundo assiste o pico da época chuvosa. Moçambique não é excepção. Chove e choveu muito, tanto no território nacional assim como nos países vizinhos. E ainda vai continuar a chover
. Pior o facto de o país, estando a jusante, ser o receptor de toda água que cai nos países vizinhos. É um fenómeno natural sobre o qual o Homem não tem capacidade de ter o pleno controlo, mas pode sim minimizar as suas consequências, a partir da construção de barragens em cursos críticos de água, construção de diques e muros de protecção e, por fim, assegurar que todos os meios estejam em prontidão no sentido de garantir que, na hora da verdade, as consequências sejam mínimas. O Instituto Nacional de Meteorologia e a Direcção Nacional de Águas, em coordenação e colaboração com as homólogas instituições da região tinham indicações mais ou menos precisas sobre o que iria efectivamente acontecer. E de facto alertaram e os jornais escreveram alertando a quem de direito no sentido de armar-se para fazer face ao cenário que se iria registar logo a seguir.
Entretanto, tal como aconteceu nas históricas e tristes cheias de 2000, mais uma vez, quem de direito ficou no cantinho estando a aguardar que em Março, no final da época chuvosa, faça o levantamento estatístico dos mortos, das infra estruturas públicas e privadas destruídas e dos campos agrícolas inundados para à posterior usar estes números para pedir “esmola” à comunidade internacional. Pedido em nome de quem sofre e tudo perdeu, mas que, muitas vezes, acaba por ficar com os mais espertos, como diria o presidente Chissano, quando nalgum momento, vangloriou-se pelo facto de ter conseguido driblar o dorminhoco do Afonso Dhlakama no AGP.
A “mão estendida” que tanto o presidente Guebuza critica desde que ascendeu ao poder, funcionou em 2000 e o mundo que não é insensível ao sofrimento do “maravilhoso povo”, mandou helicópteros para o resgate, mandou o que vestir e o que comer. Foi “mão estendida” porque “o deixa andar” estava no auge. Anos seguintes assistiu-se, uma vez mais, a capacidade reactiva e não activa das autoridades moçambicanas e a “mão estendida” voltou a funcionar. Guebuza está no poder há quase 9 anos apregoando a necessidade de se parar com a “mão estendida”, mas ele é o primeiro a estender a sua mão pedindo aos vizinhos e ao mundo. Não estamos, de maneira nenhuma, a querer dizer que não se pode lançar um apelo internacional para minimizar as consequências das cheias no país. Estamos, isso sim, a dizer que é necessário que o país esteja dotado de meios mínimos para responder a situações de emergência como é o caso das cheias. Para nós, não é admissível, que como país que se preze, tenha uma força aérea que não tem um helicóptero sequer que, muito bem, poderia ser usado nestes casos. Pelo que nos consta, a nossa força aérea tem apenas um aviãozinho de treino doando pela Força Área Portuguesa. Todo o resto da invejável frota aérea Samoriana foi vendido aos pedaços, pelos mais espertos e o bolo resultante ficou nos bolsos desses espertos.
Quem não se recorda dos camiões interceptados com motores de avião e helicópteros, idos de Moçambique, a caminho da África do Sul? O Ministério da Defesa não sabe dizer o que efectivamente aconteceu com aquilo que havia, mas nos corredores, diz-se que os motores foram vendidos a um dos mais conceituados mercenários sul africano.
Não é admissível que em momentos das chamadas Presidências Abertas, o país tenha, aliás que o presidente tenha, 6 helicópteros à sua disposição 24 horas por dia durante várias semanas, mas, neste momento que o “maravilhoso povo” está a precisar de resgate, estes helicópteros não estejam disponíveis. Aliás, estão dois disponíveis para servir Sua Excia, nas visitas que faz ou fez ao centro de Chihaquelane, no distrito do Chókwè. Não é admissível que sempre que temos chuva, estendamos a mão à solidariedade da Força Aérea sul africana. Não é admissível que neste momento que o “maravilhoso povo” precisa de resgate alguns barcos do INGC e da Marinha de Guerra de Moçambique não tenham combustível.
Além de continuar a usar o truque “faça o que eu digo não o que eu faço”, pensamos nós que é altura de o Presidente Guebuza dar exemplo, mandar vir imediatamente os 6 helicópteros para servirem no resgate do “maravilhoso povo”, ao invés de continuarmos com a “mão estendida” esperando pela solidariedade sul africana.
Acreditamos nós que uma pequenina parte dos 1.2 bilião de Meticais que correspondem ao bolo do OE - 2013 para a Presidência da República, pode, muito bem fazer diferença alugando e pondo os 6 helicópteros em prontidão porque efectivamente o “maravilhoso povo” está a precisar.
Assim, o Presidente Guebuza estaria a mostrar e a provar a sua real sensibilidade para com o povo moçambicano e calar, de uma vez por todas, os demagogos como diria um ilustre comentador de assuntos internacionais na rádio pública. Também calaria, de uma vez por todas, a boca dos milhares de “apóstolos da desgraça” que continuam a criticar Sua Excia só pelo facto de ter completado 70 anos e ter promovido um super banquete com direito a transmissão televisiva directa no sentido de o “maravilhoso povo”, concentrado nos campos de acolhimento, sem o que comer, o que beber, o que vestir, o que calçar...ver Sua Excia, com os seus, a comemorar.
Caso o valor que sair do bolo da Presidência da República para pagar o aluguer dos helicópteros para resgatar o “maravilhoso povo” crie um buraco financeiro na verba reservada ao aluguer de helicópteros para as Presidências Abertas, pode, muito bem Sr. presidente, viajar neste país imenso de um bom Land Cruiser que, certamente, se sentirá confortável. A agir assim, o presidente calaria, de uma vez por todas, a boca daqueles “apóstolos da desgraça” que dizem que o Sr. Presidente usa helicópteros como estratégia de marketing aos seus comícios do Zumbo ao Indico e do Rovuma ao Maputo. O Sr. presidente poderia, assim provar, de uma vez por todas, que o povo não vai aos comícios para ver uma frota de 6 helicópteros, mas sim, para ouvir o carismático presidente a discursar e a pedir o fim de “mão estendida” ao “maravilhoso povo”.
Serenidade, compaixão, discurso verdadeiro e acção em tempo real pode, muito bem, evitar o drama e a desolação assistida em 2000, cujos números finais fixaram qualquer coisa como 640 mortos e 2 milhões de afectados. Agora estamos em pouco mais de 100 mil afectados e cerca de 45 mortos. Parece pouco mas o pico da época chuvosa está só a começar. Vamos parar de nos vangloriar com os números de um estéril crescimento do Produto Interno Bruto, enquanto todos os dias contabilizamos números de mortos por falta do mínimo para sobreviver e por falta de um helicóptero de resgate.


SAVANA. Leia aqui.

Sunday, 3 February 2013

A mulher moçambicana e a capulana

Com o desenvolvimento do comércio na África Oriental o pano passou a desnudar o corpo
Fonte: Por Teresa Cotrim




 

As cores que pintam as ruas de Moçambique são coloridas pelas vestes das mulheres, que usam a tradicional capulana. Um pano de algodão, fibra sintética ou seda que serve para cobrir o corpo.
“Normalmente de cores vivas, com motivos africanos, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos variáveis”, explica Suzette Honwana, empreendedora que montou um negócio de bonecas reproduzindo fielmente a forma de vestir da mulher moçambicana por Província.
Mas esta não serve apenas como indumentária, ela é usada em todas as fases da vida: nos rituais de iniciação, para carregar os bébes – uma capulana especial chamada ntehe, para cobrir o defunto, para decorar a casa, para carregar doentes, para cobrir o corpo. É usada por ambos os sexos, sendo, porém, a mulher que lhe dá mais destaque.
Não há registos sobre a proveniência da palavra mas segundo o catálogo de Suzette da sua exposição "Festa na Ilha" há referências escritas. Em 1890 numa narrativa sobre a Baía de Delagoa é referido o seu uso.
Sabe-se ainda que várias regiões de Moçambique produziram têxteis. Durante os Séc. XVIII e XIX, os Estados Marave do Norte de Moçambique produziam panos de algodão de cor branca, as machiras que faziam parte do comércio internacional na costa oriental de África. Do Séc. XVIII em diante começa o período de importação de tecido.
“No princípio do Séc. XX, no litoral de Cabo Delgado as mulheres com possibilidades financeiras, vestiam as capulanas intituladas tuukwe ou succa. A primeira tem cor preta e a segunda, branca. Os comerciantes vendiam-nas, cortando-as em duas peças de tecido com um comprimento de quatro metros”, refere a mesma fonte. Já no Sul de Moçambique, na região de Delagoa as mulheres com posses vestiam-se com pano azul-escuro sem qualquer padrão. O uso das cores indicava ainda a posição social, rituais e convicções culturais e religiosas. Só a partir de 1920 é que a capulana começa a ser vestida à escala nacional.



Como a capulana entrou na indumentária moçambicana?


O comércio de longa distância com os asiáticos trouxe para a África Oriental uma variedade de tecidos, incluindo a capulana. Estes eram trocados por produtos de grande valor, caso de ouro, marfim e escravos.
“A presença indiana é um factor decisivo no de envolvimento do traje da mulher moçambicana”, refere o documento da exposição de Suzette à Festa na Ilha. O mesmo documento diz ainda que mais tarde, em meados do Séc. XIX, no Sul do Save, as transacções comerciais envolviam capulanas ou um jogo completo de dois panos e lenços.
Ou seja, os comerciantes estrangeiros tinham por obrigação oferecer panos às mulheres dos líderes moçambicanos. Esta oferta era conhecida por saguate.
Dos anos de 1930 em diante, em todo o território moçambicano generalizou-se o uso da capulana. A mulher agrícola passou a ter acesso a estes panos mediante a troca de castanha de caju, amendoim, gergelim e outros produtos.



©www.sapo.mz. Leia aqui.

Chude Mondlane




Today is Mozambique’s National Heroes Day and the anniversary of my father’s death...
There was a story my father often told about of an eagle that grew up in a chicken coup but couldn’t fly because he only knew the life of a chicken. One ...day he was told that his wings were made to fly, and through much encouragement and with some trepidation, he flew! He would tell the story as a metaphor for the Mozambique of his childhood and the promise it held for it’s future. Today we celebrate the courage of those who gave their lives to tear down the barriers that confined the immense possibilities this country has to offer not only to the world but to it’s citizens. We celebrate those women and men who encourage us to look at ourselves and know that we can change the world within which we lived for the better.
When I see the eagle fly I remember riding high on my father’s shoulders. As he took he strode along, with me perched atop him, I felt as if I was among the clouds – souring through the air with gleeful joy. It is one of my dearest memories of him even in the hardest of times. Here we are in 2013 and we are still a struggling nation. And, as the waters rose along the Limpopo river and the devastation left after the waters receded exposes again just how difficult times can become, for so many. For my mother, my siblings, and me, for my daughter and her cousins, the 3rd of February will always a difficult day. Although he would never lift us up onto his broad shoulders again, in this life - his life, gave us the strength to spread our wings and fly in the hardest of times. To those trying to survive each day may these celebrations in memory of our heroes breath strength into all you must do to rebuild your lives!


Chude Mondlane, Facebook

Saturday, 2 February 2013

A opinião de Machado da Graça

Olá Manuel, meu bom amigo
Como estás tu de saúde? E a tua família? Do meu lado tudo bem, felizmente
Queria hoje falar-te de uma coisa que, há poucos dias, o nosso Primeiro-ministro afirmou, e de que não gostei.
Falava ele sobre a solidariedade interna que deve haver entre os moçambicanos para com as vítimas das calamidades naturais. Dizia que cada um deve dar um pouco do pouco que tem. E acrescentou, cito de memória, “porque, no nosso país, ninguém tem muito”.
Ora isto, meu caro Manuel, para além de ser uma enorme mentira, serve apenas para esconder uma realidade terrível: é que se pede solidariedade aos pobres mas não se vê solidariedade nenhuma a partir dos ricos e dos riquíssimos.
Diz-se que o cidadão Armando Guebuza é a pessoa mais rica do país. Alguma vez ouviste falar de ele ter contribuído com alguma coisa, tirada do seu bolso, para amparar os mais desfavorecidos?
Eu também não.
Pelo contrário, assistimos àquela chocante festa de aniversário, cujos custos exorbitantes saíram do nosso bolso comum. Saíram de onde devia estar, agora, a sair dinheiro para o apoio às vítimas. Nem a festa de aniversário ele foi capaz de pagar do seu próprio bolso. Eu, que sou quase da idade dele, nunca tive nenhum emprego que me pagasse as festas dos meus aniversários. Tu já tiveste?
E quando falo do cidadão Armando Guebuza, estou a falar de todos quantos estão a enriquecer, escandalosamente, à custa das benesses do poder político. Todos esses que, há vinte e poucos anos,
eram tão pobres, como éramos todos nós, e hoje ostentam inacreditáveis fortunas. Fortunas cuja origem muitos deles teriam, decerto, bastante dificuldade em explicar.
Alguma vez um deles ofereceu alguma coisa, do seu bolso, para aliviar o sofrimento dos que estão na desgraça total? De que eu tenha ouvido falar, nem um centavo.
Por tudo isto, a minha sugestão ao nosso Primeiro-ministro seria que ele iniciasse o peditório por cima, dando ele próprio o exemplo através de um cheque “compatível”. Ganharia assim alguma autoridade para, depois, também pedir a contribuição dos pobres.
Desta maneira, a mim caiu-me bastante mal.
O que achas tu?

Um abraço para ti do


Machado da Graça,


Correio da manhã Nº 4001, 25/01/2013



PGR de Moçambique denuncia existência de magistrados "serviçais do crime organizado"

O procurador-geral da República de Moçambique, Augusto Paulino, denunciou a existência de magistrados ao serviço do crime organizado, que fazem "despiste dos elementos de provas", mas avisou que será "implacável" contra os "agentes infiltrados" ao sistema judicial.
Falando na cerimónia de tomada de posse de novos magistrados do Ministério Público para as procuradorias distritais, Augusto Paulino reconheceu que há "felizmente poucos, entre procuradores, juízes e advogados, os que são autênticos serviçais do crime organizado".
De acordo com Augusto Paulino, no sistema judicial moçambicano, "há casos de ´sumiço` de processos com conivência de juízes, procuradores, advogados e funcionários dos cartórios".
Também há situações de "permanência inusitada de processos nos gabinetes de juízes e procuradores, meses a fio, sem despacho, para ganhar tempo para as manobras programadas pelo crime organizado, nomeadamente a transferência de valores, a fuga do país, o despiste de elementos de prova".
Mas, disse, "contra o crime organizado não pode haver meio-termo: ou ela acaba com o modelo social de organização do Estado que estamos a edificar ou o Estado acaba com ele".
Por isso, "continuaremos a ser implacáveis, intolerantes e absolutamente resolutos para combater este tipo de manobras de agentes infiltrados no nosso seio ao serviço do inimigo, custe o que custar", disse.



Lusa

Friday, 1 February 2013

Faculdade de Medicina quebra acordo com AMM

Médicos podem voltar à greve. A Faculdade de Medicina quebra acordo com os médicos e reprova estudantes finalistas que faltaram durante os 8 dias que a greve durou.
Quando os médicos chegaram a acordo para o fim da greve uma das exigências foi a retirada das ameaças e das faltas marcadas durante a vigência da paralisação das actividades. Porém, a Faculdade de Medicina, através de uma circular assinada pelo seu director, fez saber que os médicos estagiários que participaram na greve foram reprovados.
Contudo, na assinatura do acordo que pôs fim a greve o ministro da Saúde, Alexandre Manguele, tinha dito que este assunto seria resolvido pelo órgão que lidera.
"Em relação à questão atinente ao termo e retirada das ameaças, intimidações e futuras represálias aos médicos e médicos estagiários e o tratamento a dar em relação às ausências de médicos no período de paralisação das actividades, a questão será objecto de uma circular do Ministério da Saúde", ressalvou o ministro da saúde.
O Ministério da Saúde sublinhou, na altura, que as instituições do Serviço Nacional de Saúde "serão orientadas" sobre como "proceder de imediato no sentido de salvaguardar que não estejam a ser tomadas quaisquer medidas administrativas" em relação aos médicos e médicos estagiários que não se apresentaram no local de trabalho até à data da assinatura do acordo.
Alexandre Manguele resumiu o entendimento que ditou o fim da paralisação dos médicos, como resultando de compreensão de parte-a-parte e não propriamente de cedências.
Agora, o entendimento é outro e a Faculdade de Medicina já tomou a dianteira com esta medida que pode abrir velhas feridas e provocar uma nova greve.


A Verdade


Nota do José -  O Canalmoz tambem se refere a este assunto. Leia aqui.

“A riqueza não está a ser distribuída com justiça em Moçambique”, alerta o padre Diamantino Antunes

A riqueza em Moçambique está sobretudo concentrada numa elite e não está a ser distribuída com justiça no pais.
O alerta é do padre Diamantino Antunes, missionário da Consolata, que lançou em Lisboa o livro “Véu de morte numa noite de luar”, uma obra que narra a história dos 23 catequistas assassinados há 20 anos por militares da Renamo no Cento Catequético de Guiúa.
Mártires que reforçaram o papel da igreja para a consolidação da paz e para a promoção do povo moçambicano, diz em entrevista ao nosso correspondente em Portugal, Domingos Pinto, o director daquele centro catequético em Inhambane.
Foi uma entrevista onde este missionário português reconhece que Moçambique deu passos importantes no seu desenvolvimento, mas ainda há muitos indicadores que exigem reflexão e mudança, como a corrupção, o desemprego e a pobreza absoluta, sinais preocupantes a que se somam outras chagas sociais como o tráfico humano, uma denúncia antiga da igreja católica, diz o padre Diamantino Antunes, missionário da Consolata e director do Cento Catequético de Guiúa em Moçambique, onde teve lugar há duas décadas o massacre de 23 catequistas pela Resistência Nacional Moçambicana.



O País

Número de mortos devido às cheias aumenta para 81



O número de pessoas que morreram devido às cheias em Moçambique subiu para 81 e o de refugiados em centros de acomodação é de 150 mil, indicou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).
Em declarações à Lusa, a porta-voz do INGC, Rita Almeida, apontou a província de Gaza, no sul do pais, como a que registou até agora o maior número de mortes devido às calamidades naturais, com 41 óbitos.
Rita Almeida afirmou que a crise humanitária provocada pelas calamidades naturais está longe de ser ultrapassada, porque a época chuvosa continua.


LUSA