Friday, 9 November 2012

MDM e presidente da câmara recebem nota positiva em Quelimane

Habitantes da cidade consideram que infraestruturas e recolha de lixo estão a melhorar



De acordo com entrevistas na cidade o município parece estar a fazer progressos substanciais na qualidade dos serviços básicos e os residentes
Volvido aproximadamente um ano de governação de Manuel de Araújo, do MDM, no Município de Quelimane, os residentes da autarquia atribuem uma nota positiva ao presidente da câmara Manuel de Araújo pela forma como tem conseguido resolver e ultrapassar os problemas que apoquentam os cidadãos.
A degradação das vias de acesso e do meio ambiente – originado pela falta de recolha de resíduos sólidos – e a falta de colaboração entre as autoridades municipais e os operadores do comércio informal, apontados outrora como grandes preocupações, já estão a ser superados
Falando à VOA, munícipes de Quelimane disseram que o processo de recolha do lixo em todas as zonas melhorou de forma satisfatória.
Odécio Marfio, disse a titulo de exemplo que, “o Mercado Central de Quelimane que em tempos ficava meses e meses degradado, sem remoção de lixo, hoje está a beneficiar de uma limpeza diária e permanente”
Este munícipe, observou ainda que actualmente é possível efectuar compras até às 20h00 horas nos mercados locais, uma situação que não era possível no tempo de Pio Matos da Frelimo. É que segundo explicou o nosso entrevistado, o município gerido por Manuel de Araújo, acabou colocando na maior parte dos mercados, iluminação através da rede Nacional de Energia Eléctrica.
“Antes, (depois das) até 17h00 horas era impossível efectuar compras nos mercados de Quelimane devido à escuridão”, disseram vários entrevistados.
Quanto à mobilidade, segundo os nossos interlocutores, há sensivelmente um ano, era impossível transitar de autocarro nas avenidas de Quelimane, porque, como disseram, as estradas “estava muito esburacadas”.
“Antes havia aqui em Quelimane, enormes buracos. Mas como vê, hoje estamos a circular sem grandes problemas nesta cidade” disse um taxista contactado pela VOA.
Recorde-se que, este ano, Quelimane conheceu o sistema de regulação automática de trânsito, vulgo semáforos.
A cidade de Quelimane também é conhecida no país como a terra da bicicleta, sobretudo pela forma como os seus residentes usam este velocípede para gerar rendimentos através de transporte de pessoas e bens. Mas, apesar disso, segundo os nossos entrevistados, antes de Manuel de Araújo, os operadores de bicicletas estavam sujeitos ao pagamento de vários impostos, situação que hoje ficou minimizada.
Taxi e cliente em Quelimane ( Foto Faizal Ibramugy)
 
​​“Nós os vendedores ambulantes, incluindo taxistas de bicicletas éramos constantemente caçados e proibidos de realizar nossas actividades normalmente pelas autoridades municipais. Hoje, realizamos as nossas actividades sem medo, graças ao Araújo”, disse um comerciante informal.
Para os munícipes de Quelimane, o abastecimento de água também melhorou nos últimos meses, com a construção, nos diferentes bairros, de fontenários públicos.


Faizal Ibramugy, VOA

Moçambique: Finlândia abandona projectos e reduz apoios

A Finlândia vai cessar o apoio ao sector florestal moçambicano, devido ao "uso indevido de fundos", e reduzir a ajuda ao Orçamento estatal, por estar "desapontada" com os resultados do combate à pobreza", disse hoje (quinta-feira) o embaixador finlandês.
Em declarações à agência Lusa em Maputo sobre as informações veiculadas pela imprensa moçambicana a dar conta da insatisfação do Governo finlandês com os resultados da cooperação com Moçambique, Kääriäinen Matti afirmou que Helsínquia decidiu abandonar o apoio ao sector das florestas e reduzir, a partir de 2014, a ajuda ao Orçamento Geral do Estado (OGE), "devido aos resultados desapontantes na redução da pobreza e na governação".
A decisão do Governo finlandês foi comunicada em Outubro às autoridades moçambicanas pela ministra para o Desenvolvimento Internacional, Heidi Hautala, durante a visita que efectuou a Moçambique.
"No sector florestal, o projecto bilateral será interrompido, devido ao detectado uso indevido de fundos, excepto para a cooperação institucional em pesquisa florestal", afirmou Kääriäinen Matti, com base num comunicado anunciando a medida.
O embaixador declarou ainda que o executivo finlandês vai diminuir anualmente o apoio ao OGE a partir de 2014, para 1.280.500 dólares, devido aos fracos progressos no combate à corrupção e melhoria da governação.
Para o OGE deste ano, a Finlândia desembolsou sete milhões de dólares, refere a embaixada finlandesa em Maputo.
"A Finlândia sente que os desvios de fundos podem ter um carácter sistemático e não necessariamente limitado ao mencionado sector florestal. Para a decisão futura, aguardamos pelos resultados da avaliação contínua do orçamento", enfatizou o diplomata finlandês.
Realçando que Moçambique ainda está entre os países mais pobres do mundo, a Finlândia exortou o Governo moçambicano a potenciar as receitas provenientes dos recursos naturais na redução da dependência em relação à ajuda externa e a repartir esses ganhos pela população.




RM

Moçambique pode falhar segundo financiamento do MCA por incumprimento de prazos

Perante a falta de resultados, os americanos cortarão a possibilidade de um segundo financiamento e vão acompanhar de perto a utilização do dinheiro que restar no primeiro programa.
Mas em caso de o governo moçambicano atingir progressos significativos durante os últimos 11 meses do primeiro compacto, poderá estar em melhor posição para ser considerado no segundo pelo conselho de Administração do MCC.

Moçambique poderá falhar uma segunda linha de financiamento do programa Millennium Challenge Account (MCA) destinado a combater a pobreza nas zonas rurais. O governo norte-americano diz que poderá cortar o apoio devido ao incumprimento dos prazos na construção de estradas e fontes de abastecimento de água.
O crónico problema de atraso dos empreiteiros pode comprometer o país a receber uma segunda tranche de mais de 500 milhões de dólares para o combate à pobreza. A Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique enviou, na noite de ontem, um comunicado à nossa Redacção, onde afirma que o Millennium Challenge Corporation não recomenda ao seu Conselho de Administração que Moçambique seja seleccionado para um segundo compacto.
O projecto mais crítico no sector da construção é o que envolve os empreiteiros portugueses, Monte Adriano e grupo Casais, que ganharam o concurso para reabilitar o troço de 75 quilómetros entre Mecutuchi e rio Lúrio, no distrito de Eráti, província de Nampula, que, neste momento, depara com imensas dificuldades de conclusão da obra.
As obras de construção do empreendimento iniciaram em Agosto do ano passado e a sua finalização está marcada para Janeiro de 2013. Mas, de acordo com o vice-ministro das Obras Públicas e Habitação, Francisco Pereira, este prazo não será cumprido, porque, até à data, foram cumpridos apenas 14% do empreendimento.
O governo já se tinha apercebido de que os americanos não estavam satisfeitos com as obras e escalou todos os projectos em Nampula e Zambézia. Ontem, o director-executivo do Millennium Challenge Account, Paulo Fumane, abriu todo o jogo e apontou o dedo às empresas.

 O País

Tomaz Salomão a caminho de Gorongosa para negociar com Dhlakama

Informações não confirmadas oficialmente indicam que o secretário-executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), o moçambicano Tomaz Salomão, partiu nesta terça-feira para o distrito de Gorongosa, província de Sofala, onde vai procurar manter contacto com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.


Bernardo Álvaro, Canalmoz. Leia aqui.

Thursday, 8 November 2012

Continuamos presos... reféns de um acordo assinado em 1992”

 
Lourenço do Rosário em Grande Entrevista.
Há muita gente que nasceu depois da guerra e já está no mercado de trabalho, mas que também ainda está presa ao Acordo Geral de Paz, porque, de facto, alguns aspectos não foram devidamente implementados, não podemos negar isto.
O Relatório do MARP diz, a dada altura, que a implementação inconclusiva dos aspectos-chave do Acordo Geral de Paz e a existência de práticas que desviam o seu espírito e letra levam a um recuo do compromisso e concessões acordadas em Roma. Que aspectos e práticas são essas?
Estão aí na mesa... só quem não leu o relatório que foi apresentado em 2009 é que pode não perceber que houve recuo em relação àquilo que era a euforia da assinatura do Acordo Geral de Paz. Eu acredito que há um grande número de cidadãos neste país, que têm muita responsabilidade e que não têm consciência do que está, de facto, em jogo. Em 2009, nós não fomos capazes de ver que alguns aspectos não foram adequadamente atendidos. Há problemas concretos que foram apresentados, do ponto de vista do Acordo sobre a paridade nas forças armadas, nas forças policiais, e que, naturalmente, foram sendo postergados. por isso, estamos com problemas sérios neste momento e que colocam o país, praticamente, sob tensão (...). Também temos a problemática do pacote eleitoral que gera, constantemente, quando temos um calendário eleitoral, conflitos pré e pós-eleitoral, nem que sejam eleições num município. Já não faz sentido, neste momento, em eleições num município, termos conflitos desta natureza: pré e pós-eleitoral. Portanto, há de facto problemas, daí ser necessária uma revisão.
Está a dizer que os problemas que vivemos são decorrentes da má implementação do Acordo Geral de Paz?
Pelo menos o processo depois do Acordo Geral de paz não foi devidamente implementado, de modo a que nós possamos, 20 anos depois, viver completamente em paz e esquecermos o acordo. O problema é esse! Continuamos presos (...), reféns de um acordo que foi assinado em 1992, quando estamos em 2012. Se as coisas tivessem sido aplicadas como devia ser, e julgo que há responsabilidade aqui, provavelmente já nem nos íamos lembrar dele. Há muita gente que nasceu depois da guerra e já está no mercado de trabalho, mas que também ainda está presa ao Acordo Geral de Paz (AGP), porque, de facto, alguns aspectos não foram devidamente implementados, não podemos negar isto.
Terá razão o presidente da Renamo ao pedir uma renegociação do Acordo?
Quando ele levanta estas questões não está a levantar no ar, temos de ser justos, ele não está a inventar absolutamente nada, está a levantar estas questões porque, de facto, há algumas lacunas na implementação do AGP. Por isso, o nosso trabalho quer no MARP, quer na Agenda 2025, na análise da situação actual do país, mostra esse aspecto. O que deve ver-se é, de que forma ele levanta, podemos discutir isto: por que ele levanta desta maneira. Se calhar, ele tem um estilo, uma forma de estar que não é entendida. Por exemplo, o Presidente Samora chamava, constantemente, as pessoas de macacos (dizia: seus macacos), e nós não tínhamos que nos incomodar, porque aquilo era uma expressão que ele usava sempre. Lembro-me que Tomás Vieira Mário chamou à atenção sobre a retórica do presidente da Renamo, no sentido de que não devemos levar à letra determinadas situações e, provavelmente, foi levado à letra na sua retórica e foi sendo empurrado, acusado até chegar a este extremo e, neste momento, ele esticou a corda. Agora que não haja dúvidas que há elementos legítimos, há, não se pode negar. O relatório está claro, não é a minha opinião, é o que vem no Relatório do MARP.
O próprio líder da Renamo está aquartelado, com mais de 700 homens e com demonstração de manobras militares, um facto antes visto no período pós-guerra dos 16 anos. Julga que o Governo tem estado a dar respostas de forma adequada?
O Governo não tem que nos dizer que respostas está a dar, porque é um assunto tão delicado, que me parece estar a tomar uma atitude de prudência natural para não pôr as pessoas em pânico, ou seja, numa situação de pré-guerra, não me parece que seja isso. Eu penso que, na mais alta instância, as coisas estão a movimentar-se naturalmente. Temos os mega-projectos aí, grandes investimentos estrangeiros e o país está a respirar, está a andar, por isso, não nos interessa a todos que o país recue, nem interessa ao próprio presidente da Renamo. Agora, nós estamos em África e estamos habituados a passar do óptimo para o péssimo, em pouco tempo, e sabemos também que a presença de grandes riquezas naturais tende sempre a fazer eclodir conflitos que favorecem, não aos cidadãos do país, e, sim, a outros interesses. Que isso pode ser aproveitado, pode ser aproveitado, sim, se nós não formos suficientemente patriotas para desenvolver acções para neutralizar esta situação.
Neste momento, há este risco de aproveitamento da situação?
Totalmente!
Haverá grupos interessados na desestabilização do nosso país e que possam financiar a própria Renamo?
É só ver o Congo, olhar o Sudão e ver outros países. Por exemplo, Angola, por quanto tempo ficou em conflito por causa deste tipo de problemas? Olhar a Libéria, a Serra Leoa, e todos os países que viveram ou que vivem em conflitos devido aos recursos. Então, não podemos pensar que nós somos uma excepção. Está aí a confusão entre a Tanzania e o Malawi. portanto, basta haver riquezas naturais, é preciso evitar os factores de instabilidade, porque, senão, são aproveitados.
Como país, será que estamos mesmo a levar esta questão a sério para, rapidamente, ultrapassarmos o problema?
Eu fico preocupado quando as pessoas continuam a tecer discursos de incompreensão do que está na mesa a ser discutido, mas isso não é por falta de aviso. Está aí o relatório do MARP de 2009, que é nosso: fomos nós que produzimos e não somos anti-patriotas. Fizemos um relatório ouvindo vários cidadãos, de diferentes estruturas sociais, de várias cores partidárias e foi apresentado na mais alta instância da União Africana (...). As pessoas sabem o que está lá escrito, não foi por falta de aviso. E se as pessoas continuam hoje a fazer o mesmo tipo de discurso, então estamos completamente mal. Há um outro aspecto, extremamente importante, que também vem no relatório, que é a expressão eleitoral. O nosso eleitorado está gradualmente a faltar aos pleitos eleitorais. A legitimidade dos governos democráticos é dada pela expressão eleitoral que, neste momento, corresponde a apenas 30 por cento dos cidadãos em idade de votar e os correspondentes a 70 por cento não votam. Por isso é preciso sentar e discutir isto. Há muitos que ficam satisfeitos por terem uma grande expressão eleitoral, 60 a 70 por cento do voto ganho, mas são apenas dos 30 por cento dos que votaram, e os outros? Isso tem que ser debatido, tem que ser entendido e analisado.
Isso, por si só, pode representar um grande perigo para o país?
Exactamente! Ou neste país leva-se as coisas a sério ou somos uma presa fácil de qualquer aventureiro que venha a financiar este tipo de instabilidade.
Uma das questões que não foram resolvidas e de que a Renamo se tem queixado é a inclusão dos homens que eram da guarda pessoal de Dhlakama na polícia e o enquadramento dos que deviam estar nas Forças Armadas. Também se fala de três mil homens em Marínguè e que os poucos que estão nas Forças Armadas são passados para reserva, despromovidos (...), simplesmente por serem da Renamo, facto que levanta a questão da partidarização do Estado. Perante esta realidade, julga que há condições para acomodar as reclamações da Renamo?
Comecemos pela partidarização do Estado. Nós sabemos que a Frelimo ganhou as eleições e, por isso, o Governo é da Frelimo e, naturalmente, vai implementar o seu manifesto eleitoral. Isso não está em causa. Agora, não vamos confundir governo com administração do Estado. Normalmente, aqueles cidadãos mais distraídos e que são os mais agressivos, dizem que se a Frelimo ganhou as eleições, com certeza, tem que governar e tem que estar no Estado. Uma coisa é o governo, que tem que implementar o manifesto eleitoral da Frelimo, e está correcto. Quando o relatório fala da partidarização do Estado, recomenda que os mecanismos de administração do Estado sejam despartidarizados: ingressos, nomeações, promoções, progressões, etc. e o problema não está na existência ou reunião de uma célula, este não é o problema. A questão é o peso que o partido pode ter no comportamento do Aparelho do Estado, o comportamento na contratação das pessoas, na priorização das acções do Estado ou do partido num dado momento. Mesmo os membros mais lúcidos e seniores do partido Frelimo reconhecem este aspecto como sendo corrigíveis, mas há aqueles que, dentro do partido, têm excesso de zelo e confundem o Governo com o Aparelho do Estado. Muitas vezes, estes aspectos acontecem sobretudo nos órgãos locais do Estado e não nos órgãos centrais. Há vontade de ultrapassar isso, mas ainda não está a reflectir-se.
Nos últimos anos, alguns membros da Renamo foram afastados de algumas funções em determinadas instituições, com destaque para os Aeroportos de Moçambique, INAV e Universidade Eduardo Mondlane. Para alguns, bastou assumirem-se membros da Renamo para serem afastados dos cargos. Não estamos a regredir?
Isso é reconhecido dentro do partido Frelimo que o mesmo tinha vindo a perder o seu fôlego, até à eleição do presidente Guebuza.
Mas era perder o fôlego ou estava aos poucos a admitir que era preciso não escolher quadros para o Aparelho do Estado na base de cor partidária?
É preciso ver isso do ponto de vista do partido Frelimo. Efectivamente, quando o presidente Guebuza foi eleito secretário-geral e, depois, presidente do partido, reestruturou o partido e. Ao fazer isso, não quer dizer que ele não controla o partido todo, pois há, naturalmente, aqueles pretorianos que vêem nisto um partido forte que se instala onde pode efectivamente exercer o poder. Eu vejo que há esta confusão. Sem dúvidas, reconheço que no passado houve exemplos concretos que, agora, raramente podem ocorrer. E, depois, há o recuo dos meios de comunicação, há uma mudança, há um pudor, digamos assim. E voltamos a dizer que este é nosso ou não é nosso, está connosco ou não. portanto, são formas de ser que não são correctas numa sociedade.
Perigam a própria democracia?
Trazem estas situações que vivemos. E, depois, vão dizer que é falta de diálogo, etc... mas achamos que há muita coisa que é preciso corrigir.
Voltamos à questão militar...
Isto é um problema recorrente. A própria Frelimo, depois da Luta de Libertação Nacional, não conseguiu resolver totalmente a questão dos desmobilizados, não foi resolvida como as pessoas esperavam que fosse resolvida, dentro do próprio partido. Fica muito mais complicado ter que resolver, neste momento, a questão dos desmobilizados das Forças Populares da Luta de Libertação e dos homens da Renamo e compor um novo exército e forças policiais, a partir da letra dos AGP, que dizia 50 por cento de homens de cada parte. E você, depois, coloca o governo como árbitro e jogador, ao mesmo tempo, para poder decidir isso. Em qualquer jogo em que você é arbitro e jogador, o jogo não vai correr segundo as regras. Nesse caso concreto, o problema começa aí.
E isto representa uma ameaça à paz em Moçambique, uma vez que se trata de homens armados - embora haja desmobilizados sem armas -, além de estarmos num país onde, facilmente, se pode ter armas. Como resolver isto?
Do meu ponto de vista, o Governo deve transmitir aos cidadãos sinais de que está empenhado seriamente em resolver este problema e não sinal de que este problema não existe. E, em segundo lugar, o governo deve reconhecer que é muito difícil resolver sozinho este problema, razão pela qual é preciso ter a contraparte que esteja em condições de poder dizer que vamos transformar este problema numa agenda comum. Em terceiro lugar, deve recorrer-se também aos parceiros de cooperação para que nos ajudem a resolver o problema.
Seria o caso de o presidente da República se sentar com o líder da Renamo e discutirem esta questão?
Não é necessário que o presidente da República se desloque a Gorongosa, como o líder da Renamo diz, não vejo a questão por aí. Sem dúvidas, defendo, como cidadão e como membro do MARP, que se deve reconhecer o problema e se discutir formas de ultrapassá-lo.
Um dos vossos relatórios diz que, “exceptuando as eleições municipais de 2003, as restantes foram rejeitadas pela oposição e este facto constitui um desafio para a continuidade das eleições periódicas. O que se pretende dizer com isso?
Eu disse, há momentos, que não faz sentido termos sempre conflitos pré e pós-eleitorais, mesmo quando é para um município, e isso é um problema do pacote eleitoral. É que havia o artigo 85 que permitia o enchimento de urnas e estava lá. Distraidamente, alguém colocou e passou, como aquele de que o presidente se pode recandidatar duas vezes. Havia várias coisas no pacote eleitoral que não permitiam que se vivessem as eleições como momentos de festa.
Acredita que esta revisão vai trazer mudanças?
Acredito que haja passos importantes para que haja menos conflitos.
X CONGRESSO
A Frelimo realizou, recentemente, o seu X Congresso e sei que esteve lá como convidado. Será que houve uma discussão séria sobre este e outros problemas do país?
Para mim, o grande debate estava contido no relatório do Comité Central, na apresentação do programa e nos Estatutos da Frelimo e, depois, no processo eleitoral. Aí é que é o congresso. Muita gente dizia que se perdeu muito tempo com os cânticos, saudações de partidos amigos, do que propriamente com o debate e, aliás, diziam que não havia uma sequência das questões a levantar: um falava de um aspecto e outro de algo muito diferente e não havia um debate real. Eu acho que, na verdade já não havia nada a debater, porque tudo aquilo já tinha sido incorporado, essa é a leitura que faço, no relatório do Comité Central, no programa e nos Estatutos da Frelimo e que, depois, teve a expressão das eleições internas.
Havia muita expectativa à volta do X Congresso. Será que a mesma se esvaziou ou foi satisfeita?
A expectativa era exterior ao partido: era dos cidadãos. O problema de que o presidente Guebuza não se ia recandidatar e se queria ver a nova cara, essa era uma das expectativas. a questão de quem sobe, quem desce nos vários patamares do partido e, naturalmente, os problemas internos, que existem, e há várias opiniões no partido, e os protagonistas das várias opiniões como iriam dirimir as suas posições no Congresso e isso não apareceu. e, como tal não aconteceu, a expectativa acabou esvaziando-se neste aspecto. Do meu ponto de vista, o Congresso começou muito antes com o debate das teses.
Olhando para os órgãos eleitos, a sua composição, etc., considera que estão preparados para enfrentar estes desafios que o país atravessa?
A primeira tese que defendo é que a visão do presidente Guebuza vai continuar, estando ele ou não e, como tudo indica, ele não vai estar na presidência da República. O caso de combate à pobreza, etc., que ele iniciou em 2005, vai continuar porque ele procurou reforçar, à sua volta, uma equipa que comunga das suas convicções, ele estreitou este núcleo de coesão e penso que em 2017, no XI Congresso, provavelmente, vai haver a efectiva passagem de testemunho. Porque a geração de 25 de Setembro, biologicamente não estará em condições de ir para além de 2017, alguns mais resistentes, sim. Em 2014, vamos viver uma situação de perfeita passagem de testumunho, porque esta visão, este programa vai continuar mesmo sem ele na presidência da República, e mesmo na do partido.
NEGÓCIOS NO PAÍS
O país definiu que até 2015 tem que ser o melhor país para fazer negócios na região austral da África. Porém, nos últimos dois anos, temos estado a cair num índice internacional denominado “Doing Business” e a maior queda foi este ano: sete lugares. Será que estamos a caminhar certo?
Não! Não estamos a caminhar certo. É que a democraticidade de acesso ao negócio está a minguar. Há grupos de negócios que estão neste momento a assambarcar as oportunidades de negócios e, naturalmente, vão criando obstâculos a todos os outros que queiram chegar aos negócios. Faz-se holdings que têm interesses nas minas, nos transportes, na energia, etc. e, se for a ver, são os mesmos grupos que se vão ramificando, dificultando os pequenos para chegarem a este campo. Quando se fala de distribuição, está-se a falar nos vários patamares de bem-estar, mas também se fala de distribuição de oportunidades de negócios. De facto, nós estamos a descer porque a governação corporativa não está bem neste momento.
Em reacção, os governantes dizem que estes relatórios não reflectem o que se passa no nosso país. será que estamos preparados para ver os problemas e agirmos para resolver esta situação.
Nós temos instituições de pesquisa neste país com muita credibilidade, que fazem pesquisa real e podem fazer o levantamento de grupos económicos que existem e verifica-se que estes grupos são muito estreitos em relação a grandes pretendentes que querem entrar no mundo dos negócios no país, e isso vai provocando um recuo.
No fim do dia, podemos dizer que a riqueza do país está a ficar num grupo reduzido de pessoas?
Claro, porque você não tem acesso ao financiamento, você tem juros altíssimos, você não tem como criar a empresa que sobreviva. Uma série de coisas relacionadas com desenvolvimento corporativo. Por isso, não há democraticidade, é real isto, não é preciso olhar para longe.
Como sair disto, porque periga a nossa prosperidade e a própria paz?
Periga, essencialmente, a estabilidade social. O que está a passar-se em relação a transporte urbano é horrível, em relação a vias de comunicação é horrível, em termos de políticas agrícolas, não é bom. Portanto, estes grupos não podem responder por toda a economia do país. E o namoro aos mega-projectos é um namoro quase que indecente. O debate da opinião pública forte pode mudar a face do país.


O País

Wednesday, 7 November 2012

Portugueses, sul-africanos e chineses lideram 11.800 pedidos para trabalhar em Moçambique

Portugueses, sul-africanos e chineses constituem a maioria dos 11.800 estrangeiros que pediram autorização para trabalhar em Moçambique, entre janeiro e setembro deste ano, indicou hoje o Ministério do Trabalho moçambicano.
Um comunicado de imprensa do Ministério do Trabalho de Moçambique refere, sem especificar números, que a maioria dos estrangeiros que pediu licença de trabalho no país é de nacionalidade portuguesa, sul-africana e chinesa.
Em termos de local de trabalho escolhido pelos estrangeiros, de janeiro a setembro, Maputo, no sul do país, Sofala, centro, e Cabo Delgado, norte, figuram como os principais destinos.
"Dos cerca de 12 mil estrangeiros que pediram para trabalhar em Moçambique este ano, 4.395 vieram para trabalho de curta duração, sobretudo até aos 30 dias, enquanto os projetos de investimento foram responsáveis pela vinda de 664 cidadãos estrangeiros", refere a nota de imprensa.
Moçambique está a conhecer nos últimos anos um fluxo sem precedentes de trabalhadores estrangeiros, devido ao crescimento da sua economia e descoberta de importantes reservas de recursos naturais, principalmente gás e carvão.


Lusa

Parlamentares bajuladores conspurcando a “casa do povo”

É tempo de preparar uma limpeza geral… Antes de votar em listas olhe-se para a sua composição…
Como as coisas estão organizadas está claro e mais do evidente que a maioria dos moçambicanos que ostentam o título de representantes do povo na Assembleia da República não merece tão importante nome.



Noé Nhantumbo, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 6 November 2012

Liga de Juventude do MDM acusa Governo moçambicano de excluir os jovens

O líder da Liga da Juventude do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), oposição, exigiu hoje ao Governo a criação de oportunidades iguais de emprego para jovens, acusando o executivo de exclusão.
Em declaração à Lusa, Sande Carmona, presidente da Liga da Juventude do MDM, disse que as políticas da juventude do Governo "estão longe de representar e satisfazer os anseios dos jovens moçambicanos", que agravam os problemas de acesso ao emprego, saúde, educação, habitação.
"As cores políticas continuam a determinar o acesso ao emprego, e esta sessão que reúne jovens de todo o país, desde a base, pretende juntar os problemas da juventude e os alinhavar em sínteses das discussões para o Congresso, para que sejam tratados com um punho de realidade", disse à Lusa Sande Carmona.
A Liga da Juventude do MDM está reunida na cidade da Beira, centro de Moçambique, na segunda sessão política nacional, para "traçar diretrizes que respondam as exigências atuais do país", para posterior debate no I Congresso do partido, a realizar-se em dezembro naquela cidade, cuja autarquia é dirigida pelo MDM.
"Estamos a viver um ambiente político especial, pois temos expetativas que o congresso do MDM analise, não só a vida do partido, mas todos os problemas da sociedade. E nós, jovens, somos chamados a participar no momento das grandes decisões", afirmou Sande, que pretende "uma alternativa de governação e um veículo para a criação de oportunidades em todas as esferas".
A Liga da Juventude do MDM apelou ainda ao executivo de Maputo para "deixar de camuflar os jovens, fazendo com que estes venham a público expressar a vontade dos dirigentes".
Radiografando os dois anos da criação da Liga, Sande Carmona disse estar num bom caminho, pela participação da juventude, admitindo que a sua massificação vai construir as vitórias do partido nas próximas eleições autárquicas, de 2013.


LUSA

Paz inseparável da justiça - defende Raul Domingos

 
 
Raul Manuel Domingos
Raul Manuel Domingos

A PAZ não é algo separado da justiça, verdade, solidariedade, equidade e liberdade. É um processo que leva tempo para se enraizar. Ela não envelhece e é essencial para a democracia e desenvolvimento. Quem assim o afirmou foi Raul Manuel Domingos, líder do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), negociador do AGP, na conferência nacional sobre “a consolidação da paz e democracia em Moçambique: O papel dos partidos políticos”, cujos trabalhos terminaram ontem em Maputo.
Orador do tema “20 anos de paz: Ganhos, constrangimentos, desafios e lições aprendidas”, Raul Domingos afirmou que o Acordo de Roma deu início ao processo de construção duma sociedade assente na paz, liberdade, justiça, harmonia, respeito pelos direitos humanos e o Estado social de Direito democrático.
Disse que a paz alcançada na capital italiana, Roma, pelo povo moçambicano não visava apenas o silêncio das armas e outros artefactos de guerra, e muito menos um intervalo para, de seguida, se iniciar um outro conflito.
“É comum designar-se a paz que se limita ao calar das armas como uma paz mínima, ou seja, uma paz negativa que se traduz apenas no aquartelamento dos militares e introdução de paliativos de mudanças”, declarou, acrescentando que em Roma foi acordado construir um Moçambique unido e próspero, no qual reine a igualdade de oportunidades, a primazia da lei, o diálogo, a inclusão e a participação política através de uma democracia representativa e participativa efectiva, conforme documentam os protocolos I a VII do AGP.
Para o líder do PDD, a letra e o espírito do Acordo Geral de Paz, assinado em Roma entre o Governo de Moçambique e a Renamo a 4 de Outubro de 1992, obtiveram a admiração, simpatia e o acolhimento do povo moçambicano e de muitos outros povos, nações e organizações amantes da paz no mundo. O testemunho dado pelos moçambicanos com a assinatura do AGP e a sua efectiva implementação trouxe a Moçambique vários políticos, estudiosos e admiradores ávidos em apreender da experiência dos moçambicanos pelos sucessos alcançados.
Segundo o orador, volvidos 20 anos, o povo moçambicano regozija-se pelos ganhos conseguidos e que são frutos da paz. Apesar de ténues avanços, disse, lamenta-se e deplora-se a insensatez de certos políticos que à luz do dia gritam e clamam pela paz, mas em privado conspiram contra a paz, aprovando leis, regulamentos e normas que promovem a exclusão, a discriminação e a repressão de milhões de moçambicanos sob o argumento de que o AGP já é um instrumento caduco e fora de uso.
Raul Domingos afirmou que esta dura realidade mostra que nem sempre a paz tem amigos e apoiantes, pois são enormes as ameaças à sua manutenção e consolidação. Disse que os funcionários públicos, os aldeões, os estudantes, os detentores de cargos de chefia e direcção na Administração Pública estão continuamente a serem coagidos a ostentarem um cartão de filiação ao partido do Governo, sob pena de perderem seus empregos e suas bases de sustento, em clara violação da Constituição e da lei.
“A negação e ou sonegação da Constituição e das leis atinge o seu auge quando as instituições vocacionadas a fazerem justiça se mantém ou permanecem indiferentes às violações à lei, desde que a vítima da injustiça seja tido como apoiante de um outro partido e não o partido do Governo, ou desde que não tenha laços de parentesco com quem governa”, afiançou.
Disse que nos anos recentes, o advento e ou a retoma da exploração do carvão e dos hidrocarbonetos trouxeram desafios aos quais os moçambicanos não podem permanecer indiferentes, perante as acções intolerantes de usurpação da riqueza nacional em benefício de um determinado partido político e seus seguidores.
“Estas e outras lições impelem-nos a relembrar que a verdadeira paz deve ser acompanhada da igualdade, verdade, justiça e solidariedade. A paz é inseparável da liberdade e da democracia participativa. O medo e a violência não coabitam com a verdadeira paz”, afirmou.
Disse ser imperioso que se façam esforços para implantar a paz nas mentes dos homens, tendo presente que são as mentes dos homens que criam as guerras. Segundo Raul Domingos, daqui resulta a urgência de se ensinar a paz e os direitos humanos nas escolas para que as crianças e jovens que não experimentaram os horrores das guerras vividas no país cresçam como verdadeiros embaixadores da paz em Moçambique.
Defendeu, aliás, que o futuro da paz no país depende dum forte investimento na educação da população sobre os princípios da paz e direitos humanos. A outra área preocupante é que Moçambique deve ser apoiado para introduzir uma reforma aos seus servidores públicos, estabelecendo uma clara diferença entre o partido no poder e o Estado, em que os funcionários públicos devem ser neutros, apartidários e proibidos de se envolver em actividades políticas nos seus locais de trabalho.
O presidente do PDD afirmou que a classe política governante continua obstinada em construir uma sociedade dividida e orientada para a discriminação política, económica, cultural e social, corroendo deste modo e por opção própria a unidade nacional, a harmonia, o prestígio e o sucesso outrora alcançados. Também são frequentes, no país, os casos de limitações dos direitos e liberdades fundamentais.
Persistem ainda a intolerância, a exclusão social, a partidarizaçao da Administração Pública, que é reflectida pela falta de respeito pelas leis e pela justiça, bem como a multiplicação de células partidárias nas repartições públicas para exercer a vigilância ideológica de funcionários e demais colaboradores.
Raul Domingos afirmou que esta situação da partidarizaçao da Função Pública goza de apoio e silêncio cúmplice de académicos e destacados intelectuais a quem competia ensinar a toda a sociedade que ela tem a função de servir a todo o povo e não um partido político. Lembrou que a Função Pública guia-se pelos princípios de legalidade, igualdade, imparcialidade, continuidade, celeridade e neutralidade política, o que significa que o funcionário não deve, no seu local de trabalho, exercer qualquer actividade política e nem beneficiar, prejudicar e perseguir alguém por razoes políticas ou outras similares.
“Nós acreditamos nos valores e benefícios da paz, da liberdade, da democracia, justiça, verdade e da solidariedade. Apelamos, por isso, a todo o povo moçambicano a contribuir, de forma resoluta, para que a paz e a reconciliação se tornem realidade e não sejam ameaçados e nem postos em perigo no nosso país”, disse.
Afirmou que na óptica dos amantes da paz, o processo de reconciliação, de diálogo permanente, de busca do consenso em questões de interesse nacional e de participação efectiva são essenciais para que se prepare o futuro com optimismo, pois aos 20 anos de paz não é tolerável que se tenha no país uma Lei Eleitoral e organismos de administração eleitoral que não promovam a competição entre candidatos com regras de jogo iguais, transparentes e válidas para todos.
Assim, segundo Raul Domingos, para o bem da paz positiva, é importante que nos próximos pleitos eleitorais, todos os actores interessados possam conhecer os detalhes da nova Lei Eleitoral e os mecanismos de funcionamento dos órgãos de direcção do processo eleitoral, para que se erradiquem as práticas de fraude e ilegalidades que desde 1999 ameaçam o processo eleitoral no país.
“Convida-se a todos os moçambicanos a se envolverem com afinco na preparação dos 25 anos de paz, com a firme convicção de que, unidos, somos capazes de construir em Moçambique um Estado social de Direito democrático, erradicar as desigualdades e as assimetrias, fortalecer a unidade e a identidade nacionais, adoptar como prática corrente a neutralidade na Função Pública, a igualdade de acesso à riqueza nacional, a cultura de paz e de democracia social de direito”, disse.

Dos protocolos do AGP

Numa análise aos protocolos I (dos princípios fundamentais), II (sobre os partidos políticos) e III (sobre a Lei Eleitoral), Raul Domingos afirmou que a situação é que o Governo de Moçambique governa o país sob os princípios de exclusão social e económica, discriminação política, supremacia das instituições partidárias sobre o Estado, uso ilimitado dos fundos públicos para as iniciativas internas do partido no poder e a criação de células do partido em todas as instituições públicas para monitorar a lealdade dos funcionários.
Segundo o orador, sobre as eleições, a conclusão que se tira é que em certas circunstâncias, elas são realizadas para satisfazer a comunidade doadora. Não são realizadas para promover a democracia, uma ampla participação da população, mas apenas uma falsidade para transformar um sistema autoritário de partido único num sistema autoritário multipartidário.
“O autoritarismo eleitoral é uma forma comum de autocracia em que as eleições são realizadas e que nunca permite a alternância do poder”, disse, acrescentando que as eleições devem orientar-se por regras e normas iguais para todos os candidatos, igual acesso ao financiamento, liberdade de associação, expressão, opinião, voto, movimento, acesso igual à imprensa e acesso igual ao direito de protecção pelas autoridades.
No concernente ao Protocolo IV, sobre questões militares, Raul Domingos disse lamentar que o objectivo de constituir um exército nacional com 30 mil soldados, sendo 50 por cento de cada parte, não foi alcançado. Quanto ao SISE e a Polícia Pública, não houve nenhumas mudanças.
Um outro nó de estrangulamento é que o acordo para formar um pequeno número de militares para garantir a segurança da liderança da Renamo como polícias não foi implementado. Disse não ser verdade que a Renamo mantém um exército escondido em Marínguè, pois o Governo está na posse de listas contendo os nomes de todos os soldados indicados pela Renamo para o efeito.




Notícias

Monday, 5 November 2012

Revisão da Lei Eleitoral: Antevê-se dissensão na AR

ANTEVÉ-SE falta de consenso na aprovação da Lei Eleitoral, sobretudo entre as bancadas parlamentares da Frelimo e da Renamo, apesar das recomendações feitas pelos deputados e dos apelos da sociedade civil no sentido de que sejam sanadas as divergências ainda prevalecentes em torno de cinco questões consideradas fundamentais no âmbito da revisão em curso.
Essa antevisão fundamenta-se no facto de, sexta-feira, os porta-vozes das bancadas da Frelimo e da Renamo terem manifestado à Imprensa posições diametralmente opostas do ponto de vista político, sobre a incumbência dada pelo plenário da Assembleia da República às chefias dos três grupos parlamentares no sentido de, até ao dia 14 de Novembro corrente, consensualizarem as divergências que ainda subsistem à volta de cinco pontos que constam da Lei Eleitoral.
Trata-se, com efeito, das questões relativas à entrega de cadernos eleitorais aos concorrentes às eleições, uma proposta da Renamo; a composição e formas de designação dos membros da Comissão Nacional de Eleições (CNE); formato e formas de recrutamento do pessoal do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE); e a institucionalização da figura de director-geral do órgão, a ser indicado pelos partidos políticos com assento parlamentar, uma proposta também da bancada da “perdiz”, que ainda pretende que seja coadjuvado por directores-adjuntos em toda a sua extensão.
Edmundo Galiza Matos Júnior
Edmundo Galiza Matos Júnior

Renamo pretende partidarizar a CNE - Edmundo Galiza Matos Júnior, porta-voz da bancada da Frelimo

FALANDO à Imprensa no habitual balanço semanal da prestação da bancada, o porta-voz da maioria parlamentar, Edmundo Galiza Matos Júnior, acusou a Renamo de continuar renitente na sua forma de ser e estar, ao ter optado pela abstenção sobre a resolução que incumbe as chefias para consensualizarem as cinco questões divergentes de forma a que a comissão encarregue de rever a legislação eleitoral possa apresentar, em sede do plenário da AR, uma informação atinente à conclusão do trabalho por elas realizado até ao dia 14 de Novembro.
Edmundo Galiza Matos Júnior reafirmou a posição tomada pelo plenário do órgão legislativo, afirmando que às chefias das três bancadas foi incumbida a missão de consensualizar os pontos divergentes. Sobre a composição, formas de designação, formato e formas de recrutamento do pessoal dos órgãos de gestão eleitoral, o porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo manifestou-se convicto de que a CNE será composta por 13 membros, como é até agora, em estrita observância das recomendações e apelos feitos pelo Conselho Constitucional, através dos seus acórdãos, pela sociedade civil e pelos observadores nacionais e estrangeiros.
Parte desses membros seriam indicados pelos partidos políticos com assento na Assembleia da República, segundo o princípio da representatividade e proporcionalidade, como, aliás, preconiza o sistema político do país. Sobre a entrega dos cadernos eleitorais aos concorrentes, disse ser impraticável que centenas ou milhares de cadernos sejam distribuídos aos partidos. Ademais, há que se proteger os dados dos cidadãos, entre os quais a residência, uma tarefa que cabe estritamente ao Estado.
Quanto ao director-geral do STAE, Edmundo Galiza Matos Júnior afirmou que deve prevalecer o princípio preconizado no âmbito da Administração Pública, que é o de concurso público de avaliação curricular, tendo em vista garantir a transparência.
“A Renamo pretende partidarizar os órgãos eleitorais, contra todas as recomendações feitas pelos observadores nacionais e estrangeiros. Além disso, ela diz que em Moçambique não existe sociedade civil. Ora, isso é desprezo total às organizações da sociedade civil. Julgamos nós que nas negociações que vão decorrer a nível das chefias das bancadas deve prevalecer o bom senso”, disse, acrescentando que a tentativa de dilatar o prazo para que a Comissão de Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social preste uma informação ao plenário da AR sobre o trabalho e a conclusão a que terão chegado as chefias é uma pura manobra de diversão.
Ivone Soares
Ivone Soares

Somos pela paridade - Ivone Soares, da bancada da Renamo


 
A RENAMO não arreda o pé. Quer paridade na indicação dos membros da CNE pelo Parlamento. A deputada Ivone Soares assim o reafirmou ontem em contacto com a nossa Reportagem.
Fundamentando a posição da bancada, ela disse que a Frelimo tem estado em vantagem em relação aos outros partidos, em nome do princípio da representatividade e proporcionalidade.
“Quando lhe convém, a Frelimo esquece as regras. Eles estão a invocar uma regra que só os beneficia. O que se pretende é que todos concorram em pé de igualdade. Vamos continuar a apelar para o bom senso e esperamos que as chefias das bancadas façam valer o interesse nacional”, disse.
Segundo Ivone Soares, um importante e gigantesco passo foi dado com a eliminação do artigo 85 da Lei Eleitoral, sobre a contagem dos votos. Disse que este articulado era um atentado à democracia multipartidária. Ressalvou que o que se deseja é que prevaleça o consenso nas negociações sobre as cinco questões.
“O pacote eleitoral é o coração das eleições”, rematou.
José de Sousa
José de Sousa

Não adiar aprovação - José de Sousa, do MDM

 
A BANCADA do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) defende que não se deve adiar a aprovação do pacote eleitoral, pois se isso acontecer irá comprometer o calendário.
“A aprovação do pacote eleitoral agora é importante para os desafios que temos pela frente, nomeadamente as eleições autárquicas de 2013 e gerais de 2014. Já atingimos o limite. Só o plenário da Assembleia da República é que poderá decidir. Julgamos que não teremos outro resultado senão aquilo que prevalecer a nível das chefias das bancadas”, disse, acrescentando que a revisão da legislação eleitoral envolveu grande parte da população moçambicana.
Sobre a CNE, disse que o MDM defende uma comissão menos onerosa e menos partidarizada. José de Sousa recordou que foram dois anos de discussão em sede do Parlamento da revisão da Lei Eleitoral, pelo que neste momento não há mais espaço para dilatação dos prazos.


Renamo nega rendição dos seus homens

Fernando Mazanga diz que a meta é “acabar com colonialismo Frelimista”
 O porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse ontem ao Canalmoz, que a “perdiz” não vai vacilar relativamente ao posicionamento que levou o seu líder, Afonso Dhlakama e antigos guerrilheiros a se concentrarem na antiga base, na localidade de Vunduzi, distrito de Gongorongosa, província de Sofala.
Mazanga desmentia assim rumores postos a circular, dando conta que alguns dos antigos soldados da “perdiz” tinham-se entregue às autoridades daquele ponto do país, por manifesta rendição.



Adelino Timóteo, Canalmoz.Leia aqui.

Maxaquene é novo campeão de Moçambique

"Tricolores" vencem Moçambola2012, quando faltam duas jornadas para o fim.

Maxaquene é novo campeão de Moçambique
O Maxaquene é o novo campeão moçambicano de futebol. Os "tricolores" venceram o Têxtil de Punguè por 1-0 e beneficiaram do empate do Ferroviário de Maputo para celebrar a conquista do Moçambola, quando faltam duas jornadas para o fim.
Os "tricolores" passam a somar 48 pontos, contra 42 dos "locomotivas" da capital moçambicana. O Ferroviário ainda pode fazer 48 pontos, os mesmos que têm agora o Maxaquene. Mas no confronto direto, a vantagem é dos "tricolores", que venceram na 1ª e 2ª volta a formação do Ferroviário de Maputo.
A equipa treinada por Arnaldo Salvado, o homem que já tinha levado o clube ao último título conquistado em 2003, foi a mais regular.
Nos duelos com os principais candidatos ao título, o Maxaquene venceu o Ferroviário de Maputo, o Costa do Sol, o Desportivo e o bicampeão, Liga Muçulmana.
Dos 24 jogos já disputados, os comandados de Arnaldo Salvado venceram 13, empataram nove e perderam apenas dois. O Maxaquene tem o terceiro melhor ataque e a segunda melhor defesa.
Depois de ter sido vice-campeão na época passada, os "tricolores" conseguem o título, nove anos depois.
Nos jogos da tarde deste domingo, destaque para a vitória do Desportivo Maputo sobre o Incomati por 1-0, o que faz com que a formação da capital moçambicana ainda sonhe com a permanência. O Desportivo é antepenúltimo, com 25 pontos, a dois do Chingale de Tete que está acima da linha de água.
O Ferroviário de Maputo empatou a zeros com o Chibuto. Vilankulo e Costa do Sol também não saíram do zero, tal como o Ferroviário de Pemba e o Chingale de Tete.



Sapo

Sunday, 4 November 2012

Engajamento multiforme de “parceiros relevantes” em defesa da paz e estabilidade

- Interesse público, responsabilidade política e governamental supera as vantagens e aproveitamentos individuais…

“As cartas estão todas na mesa”. Tornar-se imediatamente obrigatório que os protagonistas políticos moçambicanos se entreguem e se empenhem em descobrir os caminhos que conduzam a um diálogo sobre as preocupações das partes.
Compreendem-se algumas hesitações e relutância da parte do partido governamental, Frelimo, em sentar-se a mesa com os seus adversários políticos. Isso deriva claramente de percepções que apontam para resultados que significariam cedência de posições na esfera governativa, institucional, económica e financeira.


Noé Nhantumbo, Canal. Leia aqui.

Saturday, 3 November 2012

Democracia e boa governação: Conferência da juventude de 10 a 14 de Dezembro

 
Juventude africana reunir-se-á em Maputo
Juventude africana reunir-se-á em Maputo

A CONFERÊNCIA Africana da Juventude sobre a Democracia e Boa Governação vai ter lugar de 10 a 14 de Dezembro, segundo anunciou o presidente do Parlamento Juvenil, Salomão Muchanga.
Falando quinta-feira última em Maputo, no decurso do lançamento oficial dos preparativos da reunião, Muchanga explicou que a conferência se insere nas preocupações da juventude devido à crise política e económica que assola o continente, caracterizada pelo subdesenvolvimento, por conflitos entre povos e enormes desigualdades sociais, associado às elevadas taxas de desemprego, pobreza, natalidade e mortalidade, num cenário de crise internacional abrangendo maioritariamente jovens, os quais perfazem cerca de 60 por cento da população africana.
Os jovens manifestam-se firmemente convencidos de que o maior recurso de que o continente se dispõe é a sua população, igualmente jovem, e que pela sua participação activa e plena pode se ultrapassar as dificuldades que a região enfrenta.
Salomão Muchanga explicou que para esta conferencia serão convidados antigos chefes de Estado do continente, sendo que “os antigos estadistas africanos exemplos de boa governação são o repositório de um legado em extinção e subaproveitado, ávido de ser partilhado com a juventude para fazer face aos desafios do continente”.
Segundo Salomão Muchanga, para esta conferência o Parlamento Juvenil evoca os direitos humanos, os direitos da juventude e as liberdades fundamentais plasmados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, na Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Boa Governação, na Carta Africana da Juventude, na Constituição da República de Moçambique e nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
O Parlamento Juvenil, segundo Muchanga, acredita que esta conferência se distingue por resultar da iniciativa de jovens africanos, sem intervenção activa de governos internos ou de agendas externas, em promover um diálogo permanente, aberto, inclusivo, intersectorial, vibrante e sem reservas entre jovens africanos com potencial de liderança, cuja acção se faz sentir nas vertentes política, económica e social do país.
Inspira-se o PJ na valorização da diversidade cultural, espírito de sacrifício, do diálogo, do colectivismo, da solidariedade e do convívio harmonioso, características do povo africano e também na qualidade de vida, democracia e índices de desenvolvimento médios que caracterizam países tais como a África do Sul, Maurícias, Seychelles, Botswana, Gana, Cabo Verde e São Tomé.
“Inspiramo-nos também nos 20 anos de paz em Moçambique, que constituem um exemplo de reconciliação pacífica em África e no mundo”, disse.
Os jovens estão preocupados em aprofundar a democracia e restabelecer a justiça social entre os cidadãos e os detentores do poder político.



Notícias

Friday, 2 November 2012

Doadores do G-19 preocupados com índices de corrupção no país


 
Governo liderado por Guebuza pressionado por doadores


...pensamos que o quadro jurídico existente permite desenvolver acções concretas em matéria de prevenção e combate à corrupção.
O grupo dos 19 países e organizações que apoiam directamente o Orçamento do Estado moçambicano manifestou, na segunda-feira, preocupação com a persistência da corrupção no país, instando o Governo a aplicar com celeridade as novas leis anti-corrupção.
O descontentamento do que em Moçambique é chamado G-19, que integra Portugal, foi transmitido ao Governo, em Maputo, num encontro entre as duas partes.
Falando em nome dos doadores, o embaixador da Dinamarca, Morgens Perdersen, afirmou que a comunidade internacional mantém as suas já antigas preocupações com o elevado índice de corrupção em Moçambique. “Enquanto não são criadas condições para a criação das leis contra a corrupção já aprovadas, pensamos que o quadro jurídico existente permite desenvolver acções concretas em matéria de prevenção e combate à corrupção.

Para quê morrer para conhecer o inferno?

Mahatma Ghandi já dizia que “aquele que não é capaz de se governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros”.
A sessão de informações ao Governo (na semana passada) veio mais uma vez mostrar que a mentira anda de mãos dadas com a Frelimo e a sua implicação na forma como vamos construindo este País, que se diz albergar um povo que na língua de uns teima em ser “maravilhoso”, muito em função da sua generosidade em proporcionar aos políticos, principalmente aos que estão no poder, uma vida muito folgada sem precisarem de trabalhar. Mas cá por mim é um exercício de pura demagogia da nossa parte esperar um debate político de qualidade com gente, regra geral, de má qualidade.

Dhlakama cercado do lado norte e do lado sul

- Num verdadeiro cenário que recorda os momentos áureos de guerra civil no país, o cruzamento do Inchope (lado sul) e Nhamapadza (lado norte), na N1, estão fortemente guarnecidos por unidades policiais especiais e qualquer passagem só é possível depois de uma minuciosa vasculha
Um eminente dirigente de um grupo religioso nacional já publicamente veio dizer que se os dirigentes e as populações deste país amam a paz não podem continuar a fingir que nada está a acontecer, em torno da instalação, já vão 3 semanas, de Afonso Dhlakama nas matas da Gorongosa, quase no exacto local onde há tempos albergou o primeiro quartel general do então movimento armado. Efectivamente, o SAVANA/media mediaFAX pôde ver no terreno que a partir do cruzamento do Inchope, a cerca de 70 quilómetros a sul da vila sede do distrito da Gorongosa e em Nhamapadza, a 130 quilómetros a norte da vila sede do mesmo distrito, unidades especiais e especializadas em na repreensão de motins populares está estacionada, devidamente equipada e em posição de guerra. Já na vila sede de Gorongosa, também se pôde observar movimentações constantes das forças especializadas da polícia moçambicana, assim como de agentes à paisana, muito provavelmente fazendo parte dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE).
Enquanto isso, exactamente no posto administrativo de Vunduzi, local onde Dhlakama está instalado, o território está dividido em dois.
Na estrada que liga Vunduzi da sede distrital, a patrulhada da polícia é reforçada e os blindados da polícia estão escondidos no meio de tendas montadas pouco depois do mercado daquele posto administrativo.
Um pequeno rio separa o território de Vunduzi. Uma parte controlada pelas forças policiais e a outra parte do território controlada por Afonso Dhlakama e seus homens, cujo número actualmente se pode estimar em cerca de 3 mil, segundo relatos de pessoas que tem acesso ao actual quartel general.
Há informações de que o número de homens que se juntam a Afonso Dhlakama está a aumentar diariamente.
Os jovens estão em maioria no grupo dos “voluntários”.
Os jornalistas não tem acesso ao território depois do rio, para quem segue a norte do posto administrativo de Vunduzi.
O repórter do SAVANA/media mediaFAX tentou negociar, por todas as vias, esta quarta, para ter acesso ao actual quartel general, pedido que lhe foi prontamente negado pelos Homens da Renamo. Foram horas de negociação mas debalde porque os homens da Renamo com quem o repórter do SAVANA/mediaFAX tentou negociar sempre justificaram a inoportunidade de seguir até ao “quartel general”de Afonso Dhlakama.
Lamentação e meditação
Desde a entrada da FIR, quarta feira da semana passada no Inchope, implantou-se uma disciplina no cruzamento, mas a cada dia que passa ficam evidentes verdadeiros cenários de guerra.
“A guerra esta para voltar mesmo?” indagou Gimo Macuanja, um vendedor ambulante no posto administrativo de Inchope, que estranha a presença de muita gente nova no local, que “fareja” bares, quiosques, mercados e outros lugares de aglomerado.
A partir das 19 horas, as viaturas passam a pente fino em Nhamapadza, patrulhadas pela FIR, segundo soube o SAVANA/media mediaFAX dos utentes da via.
“Há vezes que mandam arrumar o carro com passageiros, e se conseguires passar com sorte”, disse Cândido Bento, um transportador público.(André Catueira)
MEDIAFAX– 01.11.2012, no Moçambique para todos.

Thursday, 1 November 2012

Governo diz que haverá seca no sul e inundações no centro e norte

Época chuvosa 2012/2013.
O executivo que parte para uma acção financeiramente fragilizado aprovou, na última terça-feira, o plano de Contingência para a época chuvosa 2012/2013. Para o efeito, tem disponíveis 120 milhões de meticais, contra os 373 456 mil meticais que seriam o ideal.
Normalmente quando chega esta fase do ano, o governo tem feito a análise da época chuvosa, a localização das zonas de risco e protecção, para além de definir as actividades a realizar. No rol das suas medidas, faz ainda a verificação do material que será necessário e aloca os recursos necessários para a sua intervenção.
Neste sentido, e porque a época chuvosa já começou, o executivo apresentou, na última terça-feira, dados segundo os quais, até Dezembro, haverá a ocorrência de chuvas normais com tendência para baixo do normal na zona sul e nas províncias de Manica e Sofala, bem como na parte sul das províncias de Tete e da Zambézia.
Enquanto isso, para a zona norte e numa grande extensão da Zambézia, prevê-se a ocorrência de chuvas normais com tendência para cima do normal.
Quanto à entrada ao novo ano, os meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 2013 poderão registar a ocorrência de chuvas com tendência para cima do normal nas zonas centro e norte e chuvas normais com tendência para baixo do normal na zona sul.
Em relação às bacias, o governo garantiu que, até Agosto deste ano, se encontravam todas abaixo do nível de alerta e, por isso, não constituem perigo até agora. Todavia, para Janeiro e Março de 2013, o cenário poderá inverter-se, pois poderá haver um risco médio nas bacias do Lúrio, Mucuburi, Monapo, Meluli, Ligonha, Milela, Púnguè, Búzi, Save e Mabuti; e poderá haver um risco muito alto nas bacias de Zambeze, Licungo e Missalo e nas bacias hidrográficas da Orla Marítima de Nampula.
Perante este cenário e, em relação à agricultura, tida como base de desenvolvimento e que é praticada pela maioria da nossa população, o governo diz prever um nível de satisfação das necessidades hídricas nas culturas de Outubro a Dezembro de 2012. Mas nem todo o país poderá beneficiar desta acção da chuva, pois, na região sul, há uma grande probabilidade de ocorrência de seca, particularmente nas províncias de Gaza e Inhambane.
Outro risco iminente na presente época chuvosa tem que ver com a probabilidade de ocorrência de ciclones em toda a nossa costa, com maior incidência nas províncias de Nampula, Sofala, Inhambane e, em certas ocasiões, acompanhados de vendavais em todo o país.
Haverá, igualmente, inundações nas cidades, particularmente da Beira e de Quelimane, e algumas vilas como de Nicoadala, Maganja da Costa, Mutarara, Machanga, Zumbo, Marromeu, Nacala, Búzi. É possível também que ocorram sismos em baixa magnitude.
Em face deste cenário inquietante, o executivo, através da ministra da Administração Estatal, Carmelita Namashulua, chamou atenção para alguns factores que concorrem para a vulnerabilidade ou risco das populações, principalmente, a questão das construções precárias das habitações nas zonas rurais e peri-urbanas e a existência de bairros informais.
Entretanto, tendo em conta o drama registado na época passada, onde mais de mil salas de aulas ficaram destruídas, o Ministério da Educação está em alerta, sobretudo na situação de ocorrência de ventos fortes e ciclones.
Para fazer face a estes cenários, Namashulua disse que “temos realizado várias acções como, por exemplo, a criação dos comités locais de gestão de risco e, neste momento, temos 760 em todo o país, que ajudam a prevenção. Até este momento, temos feito simulações, e faremos uma outra simulação no dia 2 de Novembro, em Govuro, na província de Inhambane. Há melhoria no sistema de aviso prévio nas bacias do Zambeze e é por isso que melhorámos bastante a questão de pessoas que são afectadas nessa época. não só no Zambeze, mas também na bacia do Búzi, Licungo e Save”.
Arsénio Henriques,  O País

Moçambique prepara quadros para as indústrias extractivas

Há cada vez mais recursos minerais, cada vez mais multinacionais interessadas, e no terreno, mas a mão-de-obra local é ainda escassa e pouco qualificada.

Pesquisa-se petróleo, descobre-se grandes quantidades de hidrocarbonetos, muito gás e já se explora carvão. Carvão mineral.


Há cada vez mais recursos minerais, cada vez mais multinacionais interessadas, e no terreno, mas a mão-de-obra local é ainda escassa e pouco qualificada.
E foi para dar respostas a esse grande desafio que o Ministério de tutela decidiu elaborar e aprovar uma estratégia. A estratégia de formação e capacitação de recursos humanos para o sector dos recursos minerais.
Uma estratégia desenhada para o período compreendido entre os anos 2010/2020, década durante a qual se espera formar um total de 4 220 técnicos; dentro e além-fronteiras.
E já começou a maratona.
Neste momento, há pelo menos 118 bolseiros a participarem em cursos de nível médio e superior em Moçambique e no estrangeiro. Só no estrangeiro são 82, enviados para dois países: Angola e Malásia.
Na Malásia estão na Universidade de Petronas e em Angola no Instituto Nacional de Petróleos, uma instituição elogiada por Marta Pecado, chefe do Departamento de Recursos Humanos, no Ministério Moçambicano dos Recursos Minerais:
“Uma boa, muito boa instituição. Tencionam abrir até 2014 um instituto superior. Uma boa parte dos estudantes que o frequentam agora vai transitar para o instituto superior.”
Segundo Marta Pecado, a ideia é enviar, para Angola pelo menos 15 estudantes por ano e para Malásia 25.
Por enquanto, são apenas estes dois países, mas, para 2013, há outras perspectivas, outros destinos; a Chefe do Departamento de Recursos Humanos, no Ministério Moçambicano dos Recursos Minerais mencionou Trinidade e Tobago e Noruega. Há contactos com as autoridades daqueles dois países. A ideia é enviar também para lá outros grupos de estudantes:
“Estamos a trabalhar com as autoridades de Trinidad e Tobago, inscrevemos lá 10 estudantes numa primeira fase….estamos também a ver a possibilidade de mandar alguns estudantes para a Noruega para tirarem cursos em áreas especialmente viradas para os petróleos.”
Em Angola, por cada estudante, o Estado moçambicano paga 6 mil dólares americanos, por ano, e, na Malásia, 5 a 8 mil.
Para além de cursos específicos, como geologia, engenharia de petróleos ou perfuração, há outros considerados transversais e nos quais os moçambicanos se estão igualmente a formar, como economia, direito e mesmo psicologia.
A estratégia de formação de recursos humanos para o sector dos recursos minerais em Moçambique tem a duração de 10 anos e está orçada em cerca de 138 milhões de dólares americanos.
Para além da formação de estudantes, a estratégia prevê também a capacitação de técnicos que já estão a trabalhar nas grandes empresas ligadas à indústria extractiva em Moçambique.


Francisco Júnior, Voz da América

Os ardinas da “Joaquim Lapa”

Vejo-os religiosamente todos os dias às primeiras horas, à excepção dos sábados e domingos. Como que de um impulso, sempre que chego ao aconchego do trabalho assomo a janela e vejo-os, como se os estivesse a espiar.
Os mesmos de sempre, sentados ou “empeados”. Emprestam uma estranha contradição semântica: são barulhentos e zaragateiros, mas, sobretudo, simpáticos e, mais do que isso, são tipos suficientemente letrados. Do alto da simplicidade das suas vestes e falas que denunciam algum desacato para com o verbo e a língua de Camões nada leva a crer que saibam mais do que vender jornais. Mas sabem mais do que pensamos. É só vê-los folheando e degustando gulosamente os jornais enquanto esperam por clientes. Vejo-os, mas sobretudo ouço-os, comentando as mais importantes notícias. Falam dos Mambas e da vergonha de Marraquexe, da remodelação governamental, das quezílias do Parlamento, do Desportivo de Maputo, do preço dos transportes, das mortes encomendadas, do jogo Real Madrid-Barcelona e discutem, com convicções diferentes, se Ronaldo ou Messi, qual deles tem o estatuto de rei do futebol. Enfim, é uma malta que vive o dia-a-dia procurando sobreviver às agruras da vida e, por isso, buscando honestamente o pão de cada dia. Percebo, do canto da janela de onde os espreito, que desfrutam de ambiente amigo, pois há muitos anos que andam nesta empreitada, o que os torna cúmplices entre si. É interessante perceber que alguns se assumem como verdadeiros patrões, uma vez o tempo os ter conferido o estatuto de mais experimentados na actividade. Estes vão à esquina dos ardinas apenas para monitorar a distribuição dos jornais pelos “putos” que se encarregarão de “bater a cidade” para a revenda. No fim do dia os “putos” deverão prestar contas ao “boss”, que estará em algum canto triturando as amarguras da vida com outros afazeres.
Sempre que chega o carro carregado de jornais os tipos exultam freneticamente de alegria, como que “dopados” pela ânsia de tê-los à mão. Emitem estrondosos assobios e ululam palavras guerreiras acercando-se do veículo. Formam um estranho exército de guerreiros do ébano. Em sacos bojudos e com os jornais empilhados ao ombro, saltam acrobaticamente do veículo para fazerem as primeiras e rápidas conferências, primeiro da sequência do jornal, e, depois, dos principais títulos, de onde depois partirão para “ziguezaguear” a cidade. 
Dali da Rua Joaquim Lapa (agora Rua Joe Slovo ) partem extasiados pelo cheiro acre do jornal e vão pela cidade fora apregoando as manchetes do dia, envergando blusões de ganga e sempre de “olho vivo” e esperto. Conhecem todos os cantos da cidade, são trabalhadores incansáveis, vendem jornais todos os dias, sem folga e, muito menos, férias.
Não há rua ou beco onde não cheguem os ardinas com as notícias frescas. Têm uma vida difícil. A grande maioria vive na periferia, mas às primeiras horas é vê-los já de prontidão combativa. Os ardinas da “Joaquim Lapa” são zaragateiros e brigões mas também simpáticos e ganham a vida honestamente. Da janela os espio todos os dias e já me habituei a eles.
Fazem parte da minha paisagem psicoterapêutica.
Shalom.