Friday, 14 September 2012

Leis fiscais não devem ser nem "benevolentes" nem "penalizadoras" para o capital estrangeiro - auditora

As leis fiscais moçambicanas não devem ser "benevolentes" com as multinacionais, para poderem gerar benefícios para o país, nem "penalizadoras", para evitar a retracção, defendeu em Maputo a empresa de auditoria Pricewaterhouse Coopers.
Os incentivos fiscais nos países africanos onde opera a Pricewaterhouse Coopers, empresa com sede em Londres, será um dos temas centrais do Simpósio Impostos e Negócios em África, que se realiza entre 16 a 19 de setembro em Maputo.
Falando esta quinta-feira em conferência de imprensa de anúncio do simpósio, João Martins, gestor sénior da auditora em Moçambique, assinalou que o Governo está a ser alvo de pressões para reduzir os incentivos fiscais concedidos às multinacionais envolvidas na exploração de recursos naturais.
"O debate sobre os incentivos fiscais é antigo e recorrente em toda a África. Há pressão para que o Governo moçambicano reduza os incentivos fiscais que concede às multinacionais", enfatizou João Martins.
Reconhecendo a legitimidade dessas pressões, o gestor sénior da Pricewaterhouse Coopers defendeu que as leis fiscais do país não devem ser "benevolentes nem penalizadoras" para as multinacionais para permitir ganhos ao país e evitar a retracção.
"É uma questão muito sensível, porque se os incentivos fiscais forem benevolentes, podem retirar os benefícios sociais que se esperam aceitáveis dos investimentos. Mas se forem penalizadores, podem levar à retracção dos investidores", sublinhou João Martins.
Nessa perspetiva, defendeu o gestor sénior da Pricewaterhouse Coopers, a abordagem fiscal deve ser no sentido de promover o equilíbrio nas vantagens entre os investidores estrangeiros, as comunidades residentes nas áreas de exploração de recursos naturais.
"Deve haver um balanceamento que garante a reciprocidade de interesses, porque os investidores também investem muito dinheiro", sublinhou João Martins.
Além dos incentivos fiscais, o Simpósio Impostos e Negócios em África vai debater igualmente temas sobre transparência fiscal, ambiente de negócios em África e situação política no continente.
(RM/Lusa)

Thursday, 13 September 2012

“Houve tentativas de manipulação nas reivindicações dos muçulmanos”


“Houve tentativas de manipulação nas reivindicações dos muçulmanos”Segundo o sociólogo Gulamo Tajú
O sociólogo Gulamo Tajú concedeu-nos uma entrevista onde, de entre outros temas, analisa o movimento de reivindicação dos muçulmanos, desencadeado nas últimas semanas. Tajú diz que este movimento não é alheio ao X congresso da Frelimo, que se avizinha

Como é que explica a emergência do Movimento Islâmico de Moçambique?
O movimento desta natureza não é algo linear. Em primeiro lugar, a criminalidade que nos últimos tempos se manifestou, particularmente sentida entre alguns elementos da comunidade muçulmana sob forma de raptos. Então, o elemento inicial despoletado deste movimento é esta situação de que a onda de criminalidade recrudesceu nos últimos tempos, com esta manifestação de raptos em reivindicação de pagamentos de dinheiro para libertação dessas pessoas.
O que se procedeu nos encontros, depois de algumas exigências, começando com o reforço da segurança, foi caminhando para um nível político mais prático. Segundo o discurso público, nesta estação, de Amad Camal, um dos aspectos fulcrais é negociar a participação, a inclusão dos muçulmanos.
Esta é a expressão. Negociar com a Frelimo a inclusão dos muçulmanos no poder, porque a Frelimo nos próximos 10 anos vai ser o partido no poder. É o que eu ouvi. Saiu da simples exigência do reforço da segurança da criminalidade para uma exigência da inclusão dos muçulmanos no poder.
Acha que a questão de segurança foi um protesto?
Pode não ter sido, provavelmente para um conjunto de movimentos sociais. Nem toda a gente tem a mesma agenda que toca a todos. Com o tempo, alguns passam a não se identificar com o mesmo. Não sei se será para todos ou um processo para alguns.
Sob ponto de vista de liderança, ir buscar um elemento aglutinador como a segurança era um elemento fundamental sob ponto de vista das pessoas?
Penso que lá dentro há pessoas que, genuinamente, foram por razões de segurança e aquela era a melhor forma de exigirem, mas há outros que não era essa a visão. Como se disse nas reuniões convocadas, apareceram pessoas de outras congregações religiosas e de partidos políticos. Um segmento naturalmente faz uso deste para outras oportunidades e começa acentuar esta questão de negociar com a Frelimo a inclusão dos muçulmanos no poder, porque a Frelimo nos próximos 10 anos é previsível que seja o partido no poder. Portanto, esta é a linguagem de Camal. Estamos à beira de um congresso, não há melhor oportunidade para fazer passar alguma ideia e reivindicação para isso, mas depois ele acrescenta: diz que muito por culpa dos intelectuais e dos media está a racializar-se, adjectizar-se este movimento. Estas são as palavras de Camal e que 98% dos muçulmanos deste país são negros e pobres.
Qual é o alcance desta mensagem?
Em primeiro lugar, por que a história dos muçulmanos no poder? Temos um país em que o poder não está constituído de forma linear, racial, regional e nem religiosamente, muito menos de outra natureza, não é esse o princípio.
Como explica este súbito apetite dos muçulmanos?
De que muçulmanos? Essa é a pergunta! Eu sou muçulmano de origem familiar, pelo menos até à geração dos meus bisavós, do que me contaram, são todos muçulmanos, tanto do meu pai assim como da minha mãe. Mas temos parentes cristãos, a mãe das minhas filhas é católica apostólica Romana. A questão é: de que muçulmanos estão a falar, embora o poder não esteja constituído em linhas religiosas. Temos um primeiro-ministro que é muçulmano; temos um provedor da justiça que é muçulmano; temos um ministro da planificação e desenvolvimento; vice-ministro dos recursos minerais e energia; vereadores das assembleias municipais e deputados que são muçulmanos e não foram para lá por serem muçulmanos, mas como cidadãos moçambicanos. Agora, qual o muçulmano que está a reivindicar? Este grupo com certeza categoriza muçulmanos e muçulmanos. Que fique claro de que muçulmanos se trata.
Este movimento não se afirma como partido político, mas comporta-se como tal: fazem exigências ao estado. Há ali um grupo político em embrião de uma irmandade Islâmica como acontece no Egipto?
Embora ele diga que 98% são negros e pobres, as imagens eram de 2%. O que predominava ali eram os 2% e é um grupo bem definido. Este grupo é que diz que o Ide é hoje e não amanhã, contrariando todo o resto, é um grupo extremamente bem realizado. É um grupo de pertença. Uma identidade é um sentido de pertença ao grupo que convoca alguns recursos, podem ser a língua, a religião, a terra de origem, a irmandade.
Nós temos múltiplas identidades. Eu sou Islâmico, mas sou de Inhambane, sou da UEM e da Matola. Provavelmente, entre o grupo islâmico, haja outros elementos de identidade que são convocados. Não se olhe a comunidade Islâmica como identidade única.
Sobre a questão das identidades, que é a questão central, o grupo mostrou pouca homogenidade. Pareceram homogéneos mas desagregaram-se à medida que o processo foi desenvolvendo. Há distanciamento dos Hindus e Ismaelitas, depois fica a percepção de que são os muçulmanos de Maputo. O que isto significa?
É exactamente esta questão da multiplicidade de identidade e de recursos identitários que são convocados a formar grupos... dentro da comunidade há elementos de pertença que distinguem e grupalizam ainda mais. Quer dizer que, eventualmente, o Camal convocava para dizer que vocês estão a racializar. A presença não é discurso, foi a própria configuração da comunidade que dá. Isto é mau.

Há uma questão racial dentro da própria comunidade?
Eventualmente que sim. Isto é algo que mesmo nas nossas práticas religiosas sentimos. Em Inhambane existia uma mesquita velha, mais Afro e outra nova mais Ásia. Hoje, provavelmente, as coisas não sejam às mesmas. Alguns seguem o Islão, mas, na verdade, fazem parte de um grupo, os outros fazem por empréstimos.
A relação religiosa e a política tem sido problemáticas desde séculos, muitas vezes por instrumentalização da religião. Estaremos a encaminhar-nos por aí?
Espero que não encaminhemos por aí. Espero que aquelas pessoas tenham ido genuinamente na sua maioria porque o seu primo, amigos e tios foram raptados. Espero que esta solidariedade humana tenha sido a fonte motivadora e que Camal e o seu grupo sejam um grupo pequeno e isolado. Provavelmente o Camal e o seu grupo tinham os seus interesses, que os colocaram dentro de um grupo que estava preocupado com outros problemas.
Voltamos à questão de identidade: Amin Maalouf escreveu um livro com o título “identidades assassinas”, em que ele diz que na história da humanidade a afirmação de si próprio segue tantas vezes a ponte da negação do outro. Estamos perante esta situação?
Toda a identidade é construída para agregação aos semelhantes e por diferenciação dos outros. Eu sou islâmico porque não sou cristão e identifico-me como islâmico e por oposição de diferença do outro. Esta questão da identidade não é natural, biológica, hereditária, é qualquer coisa que é construída em relações sociais e contextuais, num espaço que me identifico com um e outro.

O País

Wednesday, 12 September 2012

Sobre condimentos necessários à paz e unidade nacional (1)

Actualmente, em vez falarmos abstractamente da paz, estabilidade e unidade nacional, como algo “veio para ficar”, talvez seria muito importante reflectirmos se a sociedade no seu todo e sobretudo o ESTADO, através do seu braço executivo que é o GOVERNO, hoje em dia produzem condimentos visíveis para alimentar e fortificar estes três elementos tão necessários como indispensáveis à vida em sociedade.
Como ser humano que sou, admito que posso estar errado, mas o meu instinto diz-me que para quem está atento aos fenómenos sociais que nestes últimos tempos vêm ocorrendo, sabe muito bem que o nível de descontentamento no nosso País é bastante elevado, envolvendo diversas franjas da sociedade.
Entre os motivos do descontentamento aqui referido, avultam práticas tais como: 1) violações sistemáticas e quantas vezes impunes dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da pessoa humana; 2) ignorância indesculpável, corrupção generalizada e tolerada, a notória falta de observância da ética governativa, de que resultam gritantes injustiças contra cidadãos pacíficos, sendo protagonistas confessos dirigentes de órgãos e instituições do Estado aos vários níveis territoriais; 3) espoliação de propriedades individuais, com os respectivos espoliados quase sempre mal indemnizados e/ou reassentados; 4) exclusão social mancomunada com a intolerância político-partidária; 5) ostentação da riqueza e da força bruta, abuso de poder e arrogância, que põem em permanente estado de desespero e insegurança os demais cidadãos nacionais; 6) falta de consideração e de satisfação dos interesses daqueles que, durante muito tempo, prestaram serviços excepcionais relevantes ao ESTADO e a PÁTRIA moçambicana; etc.
Perante esta situação assaz injusta e sombria, o bom senso aconselha maior abstenção na prática de actos e/ou procedimentos que, muito embora à primeira vista possam parecer inofensivos ou insignificantes, entretanto ofendem deveras as suas vítimas, podendo até concorrer sobremaneira para transbordar os ânimos e comprometer a paz e a convivência harmoniosa entre os homens!
É que a paz, que não se concebe como apenas a ausência de guerra das armas, tem que ser alimentada com actos que envolvam rigorosamente os princípios da justiça, da legalidade e da ética, por todos os cidadãos mas principalmente pelos governantes ou dirigentes de órgãos e instituições do ESTADO a todos os níveis, a começar pelo Chefe do Estado, que aliás é o garante da Constituição da República.
Parece exagero, mas devo dizer que hoje em dia existem no nosso País muitos que sentem insegurança de toda a ordem, em função dos malefícios acima denunciados. E dizia no antanho o ilustre Professor Doutor Marques Guedes:
i. (…) A Lei não está à mercê da boa ou má disposição do governante, da simpatia ou antipatia que nutra por umas ou outras pessoas, dos acidentes e percalços da sua vida pessoal, que podem levá-lo a decidir por forma de que será o primeiro a arrepender-se.
ii. A Lei tem, ao menos, a virtude de ser sempre igual a si própria. É penhor de certeza e, por aí, da segurança que é a condição primeira para a justiça, ainda que a justiça imperfeitíssima que humanamente é possível alcançar.
iii. Sem segurança, não há sequer possibilidade de aspirar a realizar um mínimo de justiça. O Governo justo só pode por isso ser um Governo de leis.

Em jogo amistoso: Moçambique perde diante da África do Sul

Mambas-bafana-bafanana-setembro-nelspruit-12Com dois golos de Bernard Parker, a selecção sul-africana de futebol derrotou a sua congénere de Moçambique, numa partida amistosa no Estádio Mbombela, na cidade de Nelspruit, na noite desta terça-feira.
O atacante dos Kaizer Chiefs marcou logo no início do primeiro período do jogo e depois novamente no final da partida, naquela que é a primeira vitória do treinador Gordon Igesund nas duas partidas que já realizou como timoneiro da África do Sul, país que em 2013 vai acolher a Copa das Nações Africanas.
Os anfitriões abriram o placar logo na sua primeira chance aos sete minutos, quando Siphiwe Tshabalala recolheu uma bola perdida na esquerda e tocou para Parker, que terminou com um remate de pé esquerdo, batendo o guarda-redes moçambicano, fazendo assim o 1-0 (na imagem).
Moçambique quase empatou a partida quando ao jogador Hélder Pelembe foi dado espaço suficiente para fazer um poderoso remate, mas o seu esforço saiu a alguns centímetros por cima da trave.
Os dois lados começaram a fazer algumas mudanças e foi na sequência que o guarda-redes moçambicano então realizou uma grande defesa, negando um golo certo de Tshabalala, depois de um venenoso passe de George Maluleka.
O segundo golo dos sul-africanos chegou finalmente no minuto 87 após uma grande corrida de Thamsanqa Gabuza que passou a bola para Parker disparar, fazendo o 2-0 final.
Os Mambas ainda tiveram uma última chance de golo no terceiro minuto de tempo extra quando o jogador Clésio Bauque ‘roubou’ a bola a Josephs Moeneeb. Valeu a intervenção oportuna do seu colega Bevan Fransman que conseguiu emendar o erro.
A África do Sul vinha de uma derrota frente ao Brasil, em jogo realizado na cidade de São Paulo, na sexta-feira, onde os Bafana Bafana perderam por 1 a 0, com golo do ex-portista Hulk. Já Moçambique vinha de uma boa vitória sobre o Marrocos, num jogo disputado em Maputo, onde os Mambas venceram por 2 a 0.

RM

Tuesday, 11 September 2012

Grande Entrevista com Daviz Simango


“Há medo do clã Simango”

Usamos os 105 anos de elevação da Beira à categoria de cidade como pretexto para a presente entrevista.
Daviz Simango, presidente da autarquia, é o entrevistado. Aborda sucessos que a Beira logrou sob sua direcção e traça desafios espinhosos numa cidade onde convive com um governador e uma cosmética administradora, ambos fazendo oposição pela Frelimo. Daviz diz que um dos maiores desafios é a criação de uma empresa municipal de transportes com fins sociais para acabar com um dos maiores dramas dos beirenses, visto que os actuais Transportes Públicos da Beira (TPB), geridos pelo Ministério dos Transportes e Comunicações, estão a desviar-se dos objectivos da sua criação. Só que o projecto de Daviz não tem pernas para andar porque carece do aval da Assembleia Municipal controlada pela Frelimo e a Renamo. E como não deixaria de ser, falámos do partido e das mais recentes polémicas: Ismael Mussa, gestão familiar do partido e o recente anúncio da Autoridade Tributária da existência de partidos que importam viaturas para particulares usando ilegalmente as isenções fiscais concedidas pela Lei dos Partidos Políticos. E aqui Simango diz que o MDM não está metido nessas “vigarices” e encoraja Rosário Fernandes e companhia a divulgarem a lista dos partidos vigaristas. A bola volta às alfândegas. Em nenhum momento nos pediu para falar em off, tudo o que disse foi gravado e até comentou sobre a aversão que o chefe de Estado tem do Facebook. Acompanhe, nos próximos parágrafos e no clássico pergunta e resposta a entrevista na íntegra que de resto valerá a pena investir o seu precioso tempo.



. (Matias Guente, Canalmoz). Leia aqui.

Dom Alexandre indignado com gestão dos recursos naturais no país


Cardeal Dom Alexandre Maria dos Santos
“O país está a dormir, enquanto os mais espertos tiram a nossa riqueza”.

“Temos de ser nós a estar à frente da gestão dos nossos recursos, para evitar que venham tirá-los de nós. O problema é que nós ainda estamos a dormir, enquanto os outros tomam os nossos recursos”.
O cardeal Dom Alexandre Maria dos Santos diz que o país está a dormir, enquanto os mais espertos estão a retirar a nossa riqueza, o que para ele é uma nova forma de colonialismo.
Durante vários anos, Dom Alexandre desempenhou as funções de arcebispo de Maputo e reformou por ter atingido a idade máxima para desempenhar tais funções, mas continua conselheiro do Estado, e com propriedade para apontar os caminhos que o país em 37 anos de independência não seguiu.
“Um bebé, quando nasce, deve saber qual é a sua missão e nós também sabemos qual é a nossa: lutarmos para desenvolvermos o nosso país. Temos de ser nós a estar à frente da gestão dos nossos recursos, para evitar que venham tirá-los de nós. O problema é que nós ainda estamos a dormir, enquanto os outros tomam nossos recursos... acordem!”, considerou.

Expulsos da RAS cerca de 7000 moçambicanos em situação ilegal

MAIS de 6900 moçambicanos emigrados ilegalmente para a África do Sul foram repatriados entre Janeiro e Agosto deste ano, segundo dados confirmados recentemente por Damasco Mathe, cônsul-geral de Moçambique naquele país vizinho.
Até semana passada, 878 moçambicanos detidos por imigração ilegal em diversos pontos da África do Sul, continuavam retidos no Centro de Trânsito de Lindela, próximo de Joanesburgo, à espera do dia e hora para ser repatriados. O último grupo de imigrantes ilegais, em número de 111, foi entregue às autoridades moçambicanas a 23 de Agosto passado.
Afinal, segundo Damasco Mathe, a saída ilegal de moçambicanos para a África do Sul continua a ser fonte de preocupação para as autoridades diplomáticas de ambos países, uma vez que são muitos os moçambicanos que ainda acreditam que a solução para os seus problemas está do outro lado da fronteira.
“A emigração ilegal de moçambicanos continua. As detenções e operações de repatriamento também continuam. O que na verdade mudou são os procedimentos, porque agora não há a mesma regularidade que havia no passado…”, explica Mathe.
No passado, segundo a fonte, as operações ocorriam com regularidade porque as autoridades sul-africanas tinham contrato com um transportador que evacuava os repatriados desde o centro de Lindela até à fronteira de Ressano Garcia, a partir de onde ficavam ao cuidado das autoridades moçambicanas.
Actualmente, ainda de acordo com Mathe, as autoridades sul-africanas já não têm contrato com nenhum transportador, além de que, havendo, o mesmo deve ser seleccionado em concurso público cujo lançamento depende da disponibilidade de fundos para custear as despesas inerentes.
“O que sentimos que é preciso intensificar e garantir maior eficácia na sensibilização dos cidadãos para que percebam que a África do Sul não é mais o Eldorado que alguma vez foi para os moçambicanos. As coisas aqui também estão muito difíceis. Muitas vezes a pessoa pode vir aqui e sujeitar-se a condições bem piores do que aquelas por que passaria se estivesse em Moçambique, na sua terra”, disse.
Para ilustrar esta realidade, a nossa fonte referiu-se aos elevados índices de desemprego que se registam naquele país. Segundo ele, perante tal situação, as autoridades sul- africanas procuram, sempre, proteger os seus cidadãos quando se trata de prover vagas no mercado de emprego.
“Mesmo ao nível do sector mineiro, onde o trabalho dos moçambicanos é regulado através de um acordo, a situação não está nada boa. Repare, por exemplo, que se algum moçambicano atinge a reforma já não é mais substituído pelo seu filho ou familiar directo, como era no passado. Agora a lei impõe que a vaga seja ocupada por um sul-africano. Nalgum momento isso gera desconforto porque as próprias companhias têm um fraco pelos moçambicanos e isso acaba propiciando choques com os locais, que julgam que os seus empregos estão a ser usurpados por estrangeiros, no caso por moçambicanos”, explica o diplomata.

 

Monday, 10 September 2012

“Mambas” a um passo do CAN-2013

Dominguez atira o 2º golo dos Mambas

A SELECÇÃO nacional de futebol está a um passo do CAN-2013, cuja fase final será disputada na vizinha África do Sul, depois de ontem ter ganho o Marrocos, por 2-0, no Estádio da Machava, em partida da primeira “mão” da segunda e última eliminatória de apuramento para a prova continental.
Os “Mambas” garantiram a vitória na segunda parte, com golos de Miro e Dominguez, depois de uma primeira parte bastante concorrida, em que o domínio pertenceu à turma moçambicana, mas com poucas oportunidades de golo, destacando-se o lance em que Jerry, completamente isolado, atirou à figura do guarda-redes marroquino.
Jogando abertamente ao ataque e de forma destemida, o combinado nacional destacou-se pelo colectivo, tendo sempre no médio-ofensivo Dominguez o comandante das manobras ofensivas. Nota de realce vai, a título individual, também para o lateral esquerdo Miro que, com algumas subidas, ensaiou jogadas de ataque. Teve mérito no golo que abriu o caminho da vitória num momento crucial.
O tento elevou os níveis de confiança da equipa, apesar de várias tentativas de o Marrocos chegar ao golo de empate. Como a força de vontade era maior, os “Mambas” conseguiram o golo da tranquilidade já no período das compensações da contenda, com o “maestro” Dominguez a confirmar, mais uma vez, a sua frieza nos momentos determinantes.
Com este triunfo, os “Mambas” partem para a segunda “mão”, agendada para princípios de Outubro próximo, seguros. Precisam apenas de manter a vantagem. É claro que, jogando no terreno do adversário, serão sujeitos a muito sacrifício, porque o Marrocos vai procurar, a todo custo, aproveitar o factor casa para dar a volta ao resultado, tendo o público como sua bengala.
Cabe, deste modo, ao seleccionador nacional, o alemão Gert Engels, aproveitar as ilações tiradas deste encontro para que, com uma preparação mais planificada, consiga ter uma equipa à altura de fazer face às adversidades que serão encontradas no terreno alheio. Aliás, os jovens jogadores que estão sendo lançados vão demonstrando alguma capacidade e qualidade competitiva.
Caberá, no entanto, a Gert Engels explorar o leque de opções à sua disposição para que, de facto, os “Mambas” encarem a segunda “mão” com maior determinação para que Moçambique faça parte das 16 selecções que disputarão a fase final do próximo CAN, na vizinha África do Sul.
De salientar que Moçambique já esteve quatro vezes no CAN. A última presença moçambicana no CAN foi em 2010, em Angola, quando o seleccionador nacional era o holandês Mart Nooij.


Notícias

Ausência de política agrícola clara aumenta pobreza - estudo

Moçambique precisa de uma política agrícola clara, sem ser vulnerável a interesses de momento, porque alguns projetos surgiram sem uma análise das suas implicações, aumentando a pobreza, defende-se na obra "Desafios para Moçambique-2012", publicada esta semana.
Esta conclusão vem expressa num artigo intitulado "Investimento Direto Estrangeiro e o combate à pobreza em Moçambique: Uma leitura a partir do investimento chinês na agricultura", da autoria de Sérgio Chichava pesquisador sénior do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) de Moçambique.
No texto, o académico retrata a situação real do setor agrícola e os desafios que se impõem ao governo no que diz respeito à agricultura, apresentando duas conclusões:
"A primeira, é a de que a produção alimentar não é o foco central dos investimentos na agricultura", pelo que "tal obriga obviamente o Governo a redobrar esforços para atrair investimentos interessados na produção alimentar, não apenas em florestas (tal como a de investidores chineses) e biocombustíveis".
Sérgio Chichava refere que, apesar de, constitucionalmente, a agricultura ser apontada como a base de desenvolvimento do país, as autoridades moçambicanas não dão prioridade à produção de alimentos, porém entre 2011-2014 espera-se que a agricultura cresça 10,8 por cento, num contexto em que a economia moçambicana irá crescer anualmente 7,7 por cento.
Mesmo a aposta de atrair o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) da China, a chamada "economia emergente", que mais se comprometeu em investir na agricultura em África, não está a trazer bons resultados no que diz respeito à produção de alimentos.
A segunda conclusão a que o investigador chegou foi a de que o IDE chinês se concentra "maioritariamente na exploração e comércio florestal", embora possua o mesmo padrão e tendências que o resto dos investimentos externos na agricultura moçambicana.
Citando dados do Centro de Promoção de Investimento (CPI) moçambicano, Sérgio Chichava lembra que "apesar de a agricultura, juntamente com os recursos naturais, terem sido os setores que mais investimentos atraíram no período 2000-2010, a maior parte do IDE realizado na agricultura não foi dirigido à produção alimentar, mas sim à exploração florestal (67 por cento) e à produção de biocombustíveis (18 por cento)".
Exemplificando com o investimento chinês neste período, o investigador aponta que dos "oito projetos autorizados (pelo CPI), quatro estavam ligados ao setor agroflorestal, mais concretamente à exploração e comércio de madeira, dois estavam ligados à produção alimentar e o objetivo dos restantes dois projetos não era indicado".
Para o investigador, "esse esforço (da produção de alimentos) passa, entre outros, pela conceção de políticas visando incentivar diretamente este tipo de investimentos", o que "até ao momento as ações no terreno mostram não ser o caso".
De acordo com a pesquisa do IESE, Moçambique precisa de "ter uma política agrícola clara e não vulnerável a interesses de momento, como foi o caso da jatrofa, cujo cultivo foi propagandeado sem uma análise das suas implicações, redundando em mais pobreza".
Por isso, "é preciso insistir num ponto crucial: sendo a economia moçambicana dependente do IDE, desenhar política que permitam atrair investimento com características diferentes das atuais é o principal desafio neste setor", afirma.
Mas, assinala, "isto também depende muito da vontade política, o que até ao momento as ações no terreno mostram não ser o caso. Embora não seja fácil, dado o fator de, por ser dominante, o IDE determinar as caraterísticas do investimento em Moçambique, é necessário fazer coincidir o gesto e a palavra, para que o discurso de combate à pobreza, de enfoque na produção de alimentos, não seja apenas retórica".


Lusa

Sunday, 9 September 2012

Relatório da Competitividade Mundial

Moçambique é o pior país da África Austral
... e sexto pior do mundo
Depois do Programa das Nações Unidas (PNUD) avaliar Moçambique como o quarto pior Estado do mundo, no Índice do Desenvolvimento Humano, agora é o Fórum Económico Mundial que avalia o país como o sexto pior do mundo, em termos de competitividade da sua economia. Nada que espante a quem conhece a dura realidade que se vive neste País, onde quase toda a actividade económica está concentrada nas mãos de um restrito grupo de “ricos”, que simultaneamente são os decisores políticos, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, considerado o mais bem sucedido empresário moçambicano, até aos seus ministros, também “empreendedores de sucesso”, na sua maioria, passando pelos generais e outros camaradas de renome.


Canalmoz. Leia aqui.

Saturday, 8 September 2012

Chimoio: Jovens da Frelimo e do MDM envolvem-se em pancadaria

Jovens ligados aos partidos Frelimo, no poder, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na oposição, envolveram-se hoje em pancadaria em plena Praça dos Heróis, na cidade de Chimoio, província de Manica. Um jovem do MDM está detido numa esquadra da PRM.
O facto ocorreu em plena cerimónia pública que assinalava 7 de Setembro, dia que marca a assinatura dos Acordos de Lusaka, em 1974, entre a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o Governo português, em que este reconhecia o princípio da Independência dos moçambicanos e aceitava pôr fim à guerra.
De acordo com a Rádio Moçambique em Chimoio, as cenas de pancadaria começaram quando um grupo de jovens da Liga Juvenil do MDM, empunhando bandeiras do seu partido, inrromperam pela praça, o que, aparentemente, não terá sido bem visto pelos jovens da Frelimo.
Os jovens da Frelimo, na discussão que se seguiu, alegaram que a atitude dos do MDM estava a manchar o espírito das festividades, tentando tirar dividendos políticos.
Manuel de Sousa, Delegado do MDM em Manica, e outros membros do seu partido, encontram-se posicionados na esquadra onde se encontra o seu colega. Afirmou que só abandonarão o local após a libertação do detido.
“Levamos as nossas bandeiras. Mas também existiam no local bandeiras da Frelimo”, justificou-se de Sousa, em declarações à Rádio Moçambique em Chimoio.
Fonte da PRM confirmou o ocorrido, afirmando que a detenção do jovem não tinha nada a ver com o facto de ser militante do MDM mas por ter estado envolvido num desacto em local público.

RM

A culpa é nossa

@Verdade saiu à rua e constatou uma verdade atroz: o transporte público no país é uma vergonha. Porém, mais vergonhoso é o nosso cruzar de braços. É a forma como aceitamos ser espezinhados. Isso é que causa estranheza e, também, justifica o estado do país.
Ninguém questiona, protesta ou vocifera contra a instalação desta condição sub-humana. O estranho é que, como bons moçambicanos que somos, estamos historicamente habituados a ser do contra, mas apenas quando o assunto gira em torno do futebol.
Lutamos contra o seleccionador nacional, contra o Dário Monteiro, contra Faizal Sidat, contra a Liga Muçulmana ou contra a corrupção na arbitragem, mas nunca questionamos as coisas que vêm mexer com os nossos “brandos costumes”. Só nos indignamos quando o assunto é futebol, mas esquecemos o custo de vida, o salário indigno, o mau atendimento no hospital, a falta de medicamentos, sementes e derivados.
Este carácter de guerrilha que se apodera da população geral atinge o acessório e passa, regra geral, ao lado do mais importante. Somos, neste sentido, demasiado bairristas, demasiado agarrados ao efémero. Se por um lado isso é uma demonstração da ausência de instrução popular, da falta de união, por outro condena o moçambicano à escravidão. O que é triste.
Destituídos de razão, achamos que somos desvalorizados pelo problema do transporte. Murmuramos, resmungamos, mas isso apenas dentro das comportas da nossa cobardia. Não somos capazes de impedir o encurtamento de rotas.
Não somos capazes de cobrar transporte digno. Não somos capazes de desobedecer. Não somos capazes de, tal como a Comunidade Mu- çulmana, falar de orientação de voto. Andamos preocupados com a nossa vidinha.
Admitimos que haja falta de vontade do Governo nessa injustiça de que somos vítimas, mas há, da nossa parte, um exagero tremendo em considerar que as coisas vão mudar sem movermos uma palha.
Como povo, temos tendência para achar que muitos dos nossos insucessos se explicam pelo muito que os governantes roubam. Não dizemos que não seja assim, mas há que pensar bem nas coisas e nem tudo tem a mesma explicação.
Portanto, antes de apontarmos o dedo aos corruptos de turno temos de nos lembrar das nossas escolhas. Nós é que legitimamos certos comportamentos. Nós é que permitimos certas maiorias.
O que devíamos fazer é assumir a nossa culpa e esperar pelo momento certo para reivindicar melhores condições. Quem nos colocou nesta situação não pode merecer o nosso respeito e muito menos a nossa confiança. Nunca é tarde...

Editorial, A Verdade

Wednesday, 5 September 2012

MDM intensifica actividades de “caça” a novos membros em todo o país

Preparação de eleições autárquicas e gerais.

 
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) está a intensificar as suas actividades de “caça” a novos membros para esta formação política, visando alargar a sua carteira de militantes, no âmbito da preparação das eleições autárquicas de 2013; as gerais e das assembleias provinciais de 2014.
Assim, os quadros seniores e influentes ao nível do partido estão a deslocar-se a todos os distritos do país para difundir as mensagens e objectivos do partido, visando convencer as pessoas a aderirem a este movimento. “Como sabem, a lei eleitoral poderá ser aprovada nesta próxima sessão, por isso, nós temos de estar preparados, quer com programas a apresentar, quer com o número de membros que se deverão mobilizar nas campanhas eleitorais”, explicou o porta-voz nacional do MDM, Manuel José de Sousa.
Uma das formas para conseguir este objectivo, diz José de Sousa, é a instalação de comités políticos distritais e outras representações de base.

 

Tuesday, 4 September 2012

Intensifica busca pelos minerais em Moçambique

Neste momento, as reservas de gás são estimadas em 150 triliões de pés cúbicos e as pesquisas no terreno continuam.
Neste ano, o Governo deverá lançar um novo concurso público internacional para a prospecção de hidrocarbonetos. No que se refere ao carvão, as coisas também começam a aquecer, com a burguesia moçambicana a participar também da corrida.
Todos marcaram presença na Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2012. O sector dos recursos minerais também fez parte da feira, onde, no sector dos hidrocarbonetos, apesar de muita mediatização da bacia do Rovuma, Mpande e Temane (na província de Inhambane) continuam a ser os únicos locais de exploração propriamente dita.
As reservas nestes furos sob gestão da sul-africana Sasol estimam-se em cinco triliões de pés cúbicos de gás natural. Neste momento, estão a ser explorados 183 milhões de gigajoules, por ano. Refira-se que a maior parte do gás produzido em Mpande e Temane é exportado para a vizinha África do Sul, e Moçambique continua sem transformar este recurso em gás de cozinha para o seu próprio consumo, recorrendo aos sul-africanos para se abastecer deste recurso.
Na província de Sofala, uma empresa de capitais indonésios e a moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) encontram-se a fazer uma pesquisa sísmica em Inhamiga, com vista a apurar onde é possível abrir um furo para posterior prospecção de hidrocarbonetos. Trata-se de um local que, nos anos 60 do século XX, foi descoberta a ocorrência de gás natural.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional de Petróleo, Arsénio Mabote, a Sasol e a Petronas (da Malásia) encontram-se a pesquisar hidrocarbonetos no Bloco M10 da bacia do Buzi.
Bacia de Rovuma
Arsénio Mabote revelou que, neste momento, as reservas de gás natural na bacia de Rovuma (norte do país) são estimadas em 150 triliões de pés cúbicos, onde as pesquisas intensificam e prevê-se que haja mais descobertas de gás natural no local.
A ideia do Governo é desenhar uma estratégia sobre como explorar estes recursos em benefício da economia moçambicana, em sintonia com o objectivo de combate à pobreza. “Se começarmos a produzir Gás Natural Liquefeito (GNL), a partir de 2018, conforme o previsto por algumas concessionárias, estamos a dizer que deverão entrar vários biliões de dólares para o cofre de Estado, a partir dos anos 2019 e 2020”, garantiu Mabote.
O PCA do INP diz ainda que Moçambique tem que estar atento às tendências mundiais de produção de gás natural, porque não está sozinho nesta corrida de produção de GNL, na medida em que países como a Tanzania e Austrália também têm projectos similares de produção do recurso.
Há, neste contexto, um plano-director que está a ser elaborado pelo Executivo com vista a apurar como será transformado o GNL que ficará no território nacional. “Este documento vai permitir que definamos prioridades de implementação de projectos de aproveitamento de gás natural, ou seja, se vamos utilizar grande parte do gás para produzir fertilizantes, metanol, produtos petroquímicos, ou vermos a possibilidade de gerar energia com uma parte do gás”, acrescentou Mabote.

Exploração de recursos exige plano adequado - defende economista Paulo Haddad

O investimento em infra-estruturas e a implementação de medidas adequadas de planificação pode contribuir para a redução dos desequilíbrios regionais que podem se agudizar durante a fase de exploração dos recursos naturais abundantes em Moçambique.
Esta é posição defendida ontem em Maputo, pelo economista Paulo Roberto Haddad quando falava durante um seminário de capacitação em planeamento mineiro para o desenvolvimento económico sustentável de Moçambique.
O encontro de um dia, era dirigido a funcionários do Ministério dos Recursos Minerais e outros sectores relevantes do Governo para a área dos recursos naturais.
Paulo Haddad que também é consultor e docente universitário, considera que o facto de Moçambique dispor de um enorme potencial de recursos naturais não significa, necessariamente, que possa sofrer da chamada maldição dos recursos.
O importante é que haja um programa de planificação capaz de garantir um desenvolvimento sustentável ou seja, que os projectos desenvolvidos sejam integradores e não sirvam para a criação de enclaves.
Olhando para o comportamento actual da economia moçambicana, Paulo Haddad entende que é natural que os mega-projectos hoje, estejam a contribuir para o aumento do volume das exportações mas também das importações, o que é normal para uma fase de arranque.
“O importante é que no futuro, o país seja capaz de substituir as importações em exportação de modo que tenha uma balança comercial equilibrada”, referiu.
A fonte também se referiu à necessidade de o país ter que manter um clima de investimento favorável, sobretudo através da manutenção da estabilidade nos principais indicadores macro-económicos.
“É preciso estruturar para melhor aproveitar as potencialidades. Moçambique está a dar passos importantes nisso. Os planos para a construção do corredor de Nacala e reforço do da Beira são bons exemplos de infra-estruturas que podem ajudar a reduzir os desequilíbrios que são gerados pela exploração dos recursos”, fundamentou.
O economista entende ainda que numa primeira fase, a concentração espacial dos projectos pode levar a criação de movimentos separatistas sendo que tudo deve ser feito para que tal não aconteça no país.
Refira-se que o seminário sobre o planeamento mineiro para o desenvolvimento sustentável em Moçambique, enquadra-se no leque dos vários eventos que o sector de mineração tem vindo a organizar com vista a capacitar os quadros do sector mineiro e outros sectores relevantes para a regulamentação e gestão eficaz das actividades mineiras;   
Neste sentido, o sector esta revendo e fortificando sua política e seu quadro legal, como indicativos para consolidação de um conjunto de grandes escolhas que orientam a construção do futuro de Moçambique, em um horizonte de longo prazo.

Mais de 90 mil pessoas visitaram a FACIM

A Feira Internacional de Maputo (FACIM), que encerrou no domingo, foi visitada por 93 mil pessoas, superando a expectativa inicial de 62 mil visitantes, revelou hoje a organização da maior exposição industrial e comercial moçambicana.
O presidente do Instituto de Exportações de Moçambique (IPEX), João Macaringue, disse em conferência de imprensa que, durante os sete dias da FACIM, foram realizadas 4.050 bolsas de contacto, dos quais 3010 com "forte potencial para se traduzir" em parcerias
"Como tínhamos previsto, foi uma feira altamente bem sucedida, pois tínhamos estimado 62 mil visitantes, mas conseguimos 93 mil, dos quais 35 mil no último dia", afirmou João Macaringue.
Na FACIM 2012, participaram 1.800 expositores, mil dos quais moçambicanos e os restantes estrangeiros em representação de 19 países, acrescentou o presidente do IPEX.
Portugal foi a maior delegação estrangeira no certame, com a participação de 140 empresas portuguesas ou luso-moçambicanas.

 
(RM/Lusa)

Monday, 3 September 2012

Um perigo anunciado

O Comité Central do partido Frelimo decidiu, domingo último, no encerramento da sua VII e última sessão antes do congresso, que o membro Armando Guebuza, actual presidente da República e do partido, é o único candidato à sua própria sucessão na liderança do partido.
É, na verdade, uma decisão há muito anunciada pelos seus fanáticos – Filipe Chimoio Paúnde, Margarida Talapa e outros.
A confirmação foi efusivamente festejada nos círculos mais próximos a Guebuza, mas também foi contestada em outros círculos no seio dos camaradas. Os que comemoraram a eternização de Guebuza no poder, são pessoas ou grupos de pessoas que desde que Guebuza assumiu a liderança do partido e do Estado, cresceram social e financeiramente, de uma forma tão rápida e repentina como se de cogumelos em tempo de chuva se tratassem.
Enquanto os “amigos do rei” comemoram a vitória do “status quo”, há também muitos que lamentam. Há muitos moçambicanos que estão preocupados com esta tentativa de Guebuza de se manter no poder.
A partir de dentro do próprio partido Frelimo, há personalidades que estão agastadas com a intenção de Guebuza de ignorar o costume do partido e querer, por meios ortodoxos, se manter no poder após terminar o mandato na Presidência da República.
Argumenta-se que na história da Frelimo, o presidente da República sempre foi o presidente do partido Frelimo. Mas Guebuza quer quebrar esse princípio costumeiro e a partir da próxima governação (2014) quer se manter como presidente do partido e controlar o Presidente da República – óbvio, caso este seja do partido Frelimo.
Esta situação preocupa muitos camaradas, mas não só. Preocupa muitos moçambicanos porque conhecem o carácter de Guebuza. As suas obras já foram vistas durante os 8 anos que esteve no poder, e ninguém quer continuar a viver essa situação.
Nesta edição do Canal de Moçambique, trazemos muitos exemplos de porquê as pessoas estão preocupadas com a manutenção de Guebuza no poder. De dentro do partido Frelimo, o coronel Sérgio Vieira, um membro histórico do partido Frelimo, fala de “oportunistas” e explica que há “tentativa de utilizar o partido para se servir a si próprio e não ao povo”. Por uma questão de bom-senso, o coronel Sérgio Vieira não diz quem está a usar o partido para fins pessoais, mas é óbvio que só pode “utilizar o partido” quem o tem sob sua alçada. Um membro que não dirige o partido não poderá usá-lo.
Sérgio Vieira é quem teve coragem de abrir a boca e falar publicamente através do nosso jornal. Mas há tantos outros membros irritados com a liderança de Guebuza. Por exemplo, fala-se que Guebuza dividiu a comissão política da Frelimo em dois grupos. O grupo dos “amigos do rei” que se reúne na Ponta Vermelha, toma decisões e depois vai anunciá-las à comissão política “alargada” a outros membros.
Isso é interpretado como tentativa do actual presidente da Frelimo de controlar o poder, optando pela velha táctica de “dividir para reinar”.
Ainda nesta edição trazemos a preocupação da Conferência Episcopal de Moçambique, representando órgão que integra os bispos católicos de Moçambique. Em Nota Pastoral, os bispos denunciam que ganância de acumular a riqueza pela parte de quem está no poder está a perigar a paz em Moçambique.
“A ganância é sinónimo de ‘pobreza espiritual’. Ela é a raiz da injustiça e de outros males e crimes. Por isso, urge falar-se não só de combater a pobreza económica, mas também a pobreza do coração, a pobreza moral e espiritual. É a ‘pobreza do espírito’, ou seja, a falta e a subversão dos valores que leva a pensar que com a acumulação do dinheiro e de bens materiais em quantidades excessivas teremos todos os nossos problemas resolvidos e viveremos em paz. É necessário impedir a transformação de Moçambique num supermercado, a comercialização do nosso país e dos seus recursos naturais”, escrevem entretanto os bispos numa nota que pode ler as partes que julgamos mais interessantes nesta edição.
Mais uma vez, esta mensagem dos bispos é dirigida a quem detém o poder. Só quem está no poder pode “transformar o país em supermercado”, só quem está a controlar o poder estatal pode “vender os nossos recursos naturais” e como se pode ver ainda neste jornal, só quem está no poder pode acumular e de facto “acumula riquezas excessivas”.
Nesta edição, tratamos ainda da princesa milionária, como a revista norte-americana FORBES descreve a filha de quem está no poder, a filha de Guebuza, a princesa Valentina.
Nesta revista, que trata geralmente de personalidades ricas a custa de trabalho socialmente reconhecidos, como actores, músicos, apresentadores de televisão, desportistas, magnatas que acumularam dinheiro com o trabalho, na sua edição de Agosto destacou uma personalidade rica, mas que nunca fez um trabalho que alguém conheça.
A FORBES diz que Valentina Guebuza iniciou a gestão empresarial em 2006, quando assumiu a gestão da empresa familiar ‘FOCUS 21’.
Ora, o empreendedorismo da “princesa milionária” desponta precisamente quando o seu pai já era chefe de Estado. Em 2006, Armando Guebuza ia no segundo ano do mandato. Que bela “coincidência”!
Outra “coincidência” é que a expansão dos negócios do grupo ‘FOCUS 21’ acontece também no período em que Guebuza está no poder.
As parcerias da ‘FOCUS 21’ com a Star Time e Cervejas de Moçambique são do período em que o patriarca da família Guebuza, Armando Guebuza, já assumira o cargo do topo da gestão dos impostos dos moçambicanos, como chefe de Estado.
A revista FORBES fala de uma “princesa milionária”, cujo seu trabalho se desconhece. Na Reportagem, a “princesa” diz que antes de sê-la, enquanto estudante, trabalhou em restaurante e como secretária, mas estranhamente não menciona os nomes nem do restaurante nem da empresa onde desempenhou tais funções de secretária.
Na verdade, o trabalho da revista FORBES não traz muitas novidades sobre a riqueza de Valentina Guebuza bem como de toda a família Guebuza, que não seja de domínio de muitos moçambicanos. A Reportagem que ocupou três páginas (51, 52 e 53) da famosa revista FORBES parece mais uma encomenda da família Guebuza para elevar o nome de Valentina para patamares internacionais.
O autor da Reportagem não se preocupou em investigar e mencionar onde Valentina teria conseguido tanta riqueza para hoje perfilar nas páginas de uma revista que geralmente publicita personalidade que ganharam riqueza com trabalho próprio e visível.
Toda esta situação faz pensar em quem será a pessoa que ou as pessoas que “estão a tentar usar o partido para se servir a si próprios”, como disse Sérgio Vieira. Faz pensar em quem são os “dirigentes gananciosos que acumulam a riqueza e fazem do país um supermercado”.
Afinal a resposta pode estar na revista FORBES.
A perpetuação de Guebuza no poder pode ser um perigo anunciado.
Não falta(ra)m sinais de aviso.
Editorial do Canal de Moçambique – 29.08.2012, citado no Moçambique para todos

Saturday, 1 September 2012

ONU premeia Beira

A CIDADE da Beira acaba de ser premiada pelas Nações Unidas devido ao envolvimento da sua população e das autoridades na prevenção dos desastres naturais.
Cem mil euros é o valor pecuniário que a edilidade arrecadou a propósito, devendo o mesmo ser usado para a formação de técnicos e capacitação das comunidades na prevenção de riscos. Falando à margem do XVIII Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da Beira, o presidente do Conselho Municipal, Daviz Simango, disse que apesar do prémio arrecadado há muitos desafios por ultrapassar no que toca à prevenção de riscos. Referiu que a localização geográfica da urbe (por estar abaixo do nível do mar) exige das comunidades e das autoridades uma grande entrega no que tange à prevenção de riscos. “Temos estado a lutar na protecção costeira, criámos grupos de gestão de riscos, entre outras actividades” -explicou Daviz Simango a jornalistas, tendo ainda dedicado o prémio à população, por estar a acatar muitos apelos no sentido de mitigar as mudanças climáticas. O edil disse ainda que a direcção municipal poderá nos próximos dias rumar para os escritórios das Nações Unidas para a recepção do referido galardão.

Notícias

Moçambique lidera na luta contra "branqueamento de capitais"

Moçambique assumiu a presidência o grupo de prevenção e combate ao branqueamento de capitais na África Austral e Oriental.

Moçambique assumiu a presidência do conselho de ministros do grupo de prevenção e combate ao branqueamento de capitais na África Austral e Oriental.
É uma tarefa espinhosa para um país considerado corredor de narco-tráfico, uma actividade ligada ao branqueamento de capitais.
Os ministros das finanças da África Austral e Oriental juntaram-se na cidade de Maputo para avaliarem as acções realizadas no passado e preparem medidas para o futuro sob a liderança de Moçambique.
O fenómeno de lavagem de dinheiro é considerado preocupante no Mundo e na região da África Austral e Oriental.


Segundo o Primeiro-Ministro, Aires Ali, Moçambique já deu passos largos em termos de legislação rumo ao combate ao branqueamento de capitais.
“Moçambique tem alcançado progressos na resolução de matérias relativas ao branqueamento de capitais, dos quais destacamos: programa abrangente e compreensivo da reforma da legislação que inclui, entre outros, a revisão da lei sobre prevenção e combate ao branqueamento de capitais e que actualmente aguarda aprovação pelo Parlamento.
Assinatura de um memorando de entendimento em Junho de 2011 entre Moçambique e África do Sul, tendo em vista a patrulha conjunta do canal ao longo do Oceano Índico para o combate à pirataria marítima, abordagem à qual se juntou a Tanzania.
Aprovação da estratégia nacional para o combate ao branqueamento de capitais” – palavras do Primeiro-Ministro de Moçambique, Aires Ali, na abertura da reunião do Conselho de Ministros das Finanças da África Austral e Oriental.
No entanto, Moçambique não tem estatísticas quantitativas do dinheiro que perde com o crime de branqueamento de capitais.
Este ano, o procurador-geral da república, Augusto Paulino, agitou os ânimos dos narcotraficantes ao dizer que muitas obras privadas de construção civil de grande vulto em curso na cidade de Maputo e arredores podem ser de lavagem de dinheiro.
Para o juiz Augusto Paulino, a economia nacional sozinha ainda não está em condições de suportar os elevados custos das luxuosas mansões que estão sendo erguidas na capital do País e arredores.
Mas a instituição dirigida por Augusto Paulino ilibou no ano passado o empresário Momad Bachir Sulemane, acusado pelos Estados Unidos de ser um dos maiores barões de droga em África e no Mundo.
Uma equipa policial investigou o assunto em nome procuradoria-geral da república e depois disse que não encontrou indícios suficientes de prática de actos que consubstanciem o tráfico de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas pelo empresário, que investiu sozinho 35 milhões de dólares na construção de um dos maiores complexos comerciais de Moçambique.


Simeão Pongoane, Voz da América

Islâmicos suspendem marcha de sábado

O Movimento Islámico de Moçambique acaba de anunciar a suspensão “sine die” da anunciada marcha em direcção ao Ministério do Interior e a realização, a 1 de Setembro, de manifestações em todas as 11 capitais provinciais de Mocambique, em protesto contra o alegado indice crescente da criminalidade.
Amade Camal, porta-voz do movimento, diz estar na razão da suspensão do protesto o facto de a organização ter tido um encontro com o Presidente da Republica, Armando Guebuza, durante o qual foram discutidos assuntos contidos no manifesto que seria entregue ao Goveno e que este foi bastante receptivo.
O manifesto, que foi apresentado hoje em conferencia de imprensa em Maputo, apresenta como questões que afligem aquela comunidade o crescente índice de criminalidade, discriminação étnica, racial, tribal e religiosa, produção de políticas sócio-económicas inclusivas, capacitação dos moçambicanos, justiça e liberdade de imprensa.
“Em relação às questões que apresentamos, o Presidente da República demonstrou estar a par de alguns mas também ficou surpreendido com outros, mas prometeu que o Goveno iria empenhar-se a fundo para a sua solução”, disse Camal.
Refira-se que antes da marcha e manifestações que haviam sido agendadas para o dia 1 de Setembro, reunidos sexta-feira última em Maputo, os representantes deste movimento tinham anunciado medidas de desobediencia civil, dentre as quais o encerramento do comércio de segunda a quarta-feira últimas, medida que acabou ficando sem efeito.
Segundo Camal, houve um mal entendido, pois o motivo das manifestações não foram os sequestros mas a criminalidade em geral com ênfase no assassinato macabro de uma jovem no bairro do Jardim, cujos autores foram capturados pela polícia a venderem o seu carro.
“Nós somos um grupo de pressao normal em democracias que pretende alertar a quem de direito sobre os problemas sociais que não são discutidos a todos os níveis por parte da sociedade civil“, disse Camal.
Camal, que afirmou saber muito pouco sobre os sequestros, disse que a jovem Henna Ayob, de 17 anos, que havia sido raptada há dias em Maputo, foi encontrada e entregue a família pela polícia.
Alegando que foi a imprensa que trouxe ao de cima os sequestros como justificativo para a revolta e as propaladas manifestações e onda de desobediencia, Camal alegou que alguns sectores da comunicação social, sobretudo pública, não são totalmente livres e que deviam ser mais equitativos.
“O objectivo da manifestação era simplesmente o de entregar este manifesto ao Governo”, frisou.
(RM/AIM)