Sunday, 29 April 2012

A vez dos barraqueiros

Temos ainda presente a fervorosa discussão que o falecido edil Artur Canana travou com vendedores dos mercados Central e Xipamanine, quando na boa das intenções quis fazer passar a mensagem de requalificação daqueles centros comerciais. O actual edil, David Simango, na altura vereador, recorda-se perfeitamente dos apupos e insultos de que o seu então chefe do executivo do Maputo foi alvo e as explicações de como nada andou e nada foi feito.

Maputo, Segunda-Feira, 12 de Março de 2012:: Notícias
O que se passou na sexta-feira passada, a propósito da possível remoção das barracas dos passeios e locais públicos do Maputo é, quanto a nós, um problema muito antigo e que só o tempo se encarregou de fazê-lo adormecer. Agora que – passe a expressão – a porca levantou-se, toca todo o mundo a lançar dos mais variados impropérios.
Ora, infelizmente, nós realmente somos uma sociedade estranha, onde se faz levantamentos populares e com vigorosidade para defender o que está incorrecto, para defender práticas que nada têm de urbano.
Está claro para todo o mundo que há práticas que se enraizaram por aqui, que ferem grandemente as posturas camarárias e que, quando se pretende corrigi-las, o povo levanta-se a dizer que está a ser injustiçado. Esquecem-se muitos quais as causas que os levaram a vir viver aqui na cidade, período em que tudo se permitiu, no beneplácito de que um dia as coisas iriam ser metidas nos carris, mas agora de barriga cheia vêm dizer que o incorrecto é que é correcto.
Do mesmo modo se pode dizer que muita gente ignora que viver numa zona urbana tem custos bastante elevados, por isso que existem os subúrbios onde a lei e a vontade popular imperam sem regra. Será que muita gente estaria em condições de viver numa cidade se o Estado tivesse de cobrar o que justamente tem de se pagar para manter um prédio, um transporte público, a energia, enfim as coisas todas que dão vida à própria cidade?
Esquecem-se muitos que este Estado fechou os olhos a muitas coisas para permitir que as pessoas garantissem a sua sobrevivência, com consciência de que muitas delas chocavam com as regras de urbanidade. Resulta, claro, para todos nós, que barraca próxima da escola é moralmente degradante, que a venda de bebidas nos passeios e locais públicos nobres é vergonhoso, que essas coisas más que foram inventando serviram para destruir o tecido social da nossa sociedade, porque delas deu-se origem a muitos maus hábitos e práticas perigosas.
As pessoas andaram a pedir licenças para montar quiosques para a venda de comidas “take-away” e, com o tempo, mudaram de actividade e passaram a vender bebidas alcoólicas. Nada se disse e a isto tudo o Estado fez vista grossa, mas as pessoas esqueceram-se.
Se havia o beneplácito de que um dia as coisas iriam tomar um rumo certo, que as posturas iam ser postas a valer, por que agora o “zé povão” exalta-se e acha-se injustiçado? Será que o extremo degradante em que a sociedade maputense mergulhou-se por causa das más práticas não é suficiente para vermos que tem de se inverter o rumo?
As autoridades municipais acabam tendo culpa em todo este processo, dado que logo após a entrada da fase da autarcização não procuraram divulgar, em quinhentas se fosse o caso, o que cada postura camarária diz em relação a isto ou aquilo para que os munícipes ficassem sensibilizados sobre o que é bom e o que é mau. Por esta via, teríamos os cidadãos a repreenderem um outro cidadão se o vissem a mijar numa árvore, a lavar o carro sobre o asfalto, tocar música ao som alto e fora de horas, enfim uma lista longa que aqui não cabe.
Somos forçados a sugerir que se coloquem alguns mobilizadores na zona de “Drive-In” para ir explicando a quem entra na cidade aquilo que são as regras urbanísticas, as formas de viver numa urbe. Não estaremos enganados se assumirmos que há muito boa gente que ignora o que é viver numa cidade.
Nós, neste espaço, somos defensores das boas práticas, da boa vivência dentro de uma cidade e somos contra aquilo que não está bem, que seja nocivo ao esplendor de uma urbe.

Mubêdjo Wilson

Por que Simango perdeu a guerra com os informais?

David Simango perdeu a guerra, que ele próprio desnecessariamente provocou, com os vendedores informais, e mais do que isso, mostrou que aprendeu pouco dos erros dos seus antecessores. Por isso, sai manifestamente fragilizado neste confronto. Porque mostrou que é um presidente perfeitamente vulnerável à pressão, que cede no seu primeiro grande teste público como presidente do município.

“Podem vender à vontade, mas deixem as ruas limpas, podem vender, mas deixem as pessoas circular”, David Simango, ontem na reunião com os vendedores informais.
O presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo emendou a mão e fez, ontem, mea culpa no seu diferendo com os vendedores informais. Numa atitude inédita e com objectivos puramente políticos, Simango autorizou publicamente os vendedores a passarem a vender livremente nas ruas da capital.
Para quem cinco dias antes tinha dito que não recuava da sua decisão e seria intransigente no braço-de-ferro com os vendedores informais, é sem dúvida extraordinário este volte-face do mayor de Maputo.
Em palavras mais simples, diríamos que David Simango perdeu a guerra, que ele próprio desnecessariamente provocou, com os vendedores informais, e mais do que isso, mostrou que aprendeu pouco dos erros dos seus antecessores. Por isso, sai manifestamente fragilizado neste confronto. Porque mostrou que é um presidente perfeitamente vulnerável à pressão, que cede no seu primeiro grande teste público como presidente do município, acentuando a ideia de que lhe falta carisma suficiente para o cargo. A sombra de Comiche, pelos vistos, ainda está bem presente naquela casa.
Como dizíamos, desde Baptista Cosme, falharam todas as tentativas de tirar à força os vendedores informais das ruas. E nessa altura, há mais de 20 anos, não havia tantos vendedores nas ruas como os há agora. O que, então, houve de comum entre Cosme, Canana, Comiche e agora Simango?
Faltou a compreensão da verdadeira dimensão do fenómeno “comércio informal”. No caso de Simango, minimizou mesmo a força deste segmento económico-social, como o atesta o excessivo recurso aos mecanismos coercivos e administrativos para o eliminar, só acedendo ao diálogo quando a pressão dos vendedores se tornou absolutamente insustentável, como se viu na televisão, na passada sexta- feira.
Faltou a Simango, tal como aos seus antecessores, perceber que o problema dos informais se resolve compreendendo a sua génese: de onde eles vêm e por que evoluíram tanto, ao longo destes anos, apesar da tensão permanente e quase diária com as autoridades, alimentada muitas vezes pela ambiguidade do município, que por uma mão lhes cobra taxas, e por outra manda-os embora das ruas.
Umas vezes politicamente instrumentalizados e outras vezes ostensivamente ostracizados, os vendedores informais são um produto do nosso modelo de desenvolvimento, goste-se deles ou não. Representam um agrupamento de pessoas socialmente excluídas do processo formal de desenvolvimento, que encontraram na rua uma alternativa para a sobrevivência e melhoria das suas condições de vida.
Maputo cresceu com um inadequado desenvolvimento urbano. Este desenvolvimento descontrolado aliou-se a níveis acentuados de pobreza urbana, ao crescimento das taxas de desemprego, à redução de oportunidades e ao crescimento da exclusão, deixando à maioria dos cidadãos poucas possibilidades de emprego no sector formal, devido ao próprio sistema produtivo urbano, baseado em serviços, comércio e num sistema de capital intensivo. Excluídas dos processos formais da economia, o comércio informal emergiu, então, como a única alternativa para a sobrevivência destas pessoas.
Para gravar, a incapacidade do Estado no provimento de serviços sociais básicos e da economia em criar empregos para a maioria dos seus cidadãos, aliada à falta de articulação das políticas públicas e dos mecanismos integrados de inclusão social, criou terreno fértil para o crescimento destas formas alternativas de gestão social ligadas à produção do bem-estar económico e social dos cidadãos.
Os programas de protecção social introduzidos pelo Estado revelaram-se e continuam a revelar-se manifestamente insuficientes para conter o efeito social e económico do actual modelo de desenvolvimento. Veja-se o potencial de desempregados existente no país – desde os regressados da ex-RDA aos desmobilizados dos exércitos governamental e da Renamo, passando pelos milhares de trabalhadores que perderam empregos nas fábricas têxteis, de descaroçamento de caju e outras indústrias que não resistiram à economia de mercado, até desaguar nos muitos jovens que se formam todos os dias nas nossas escolas e não encontram colocação. Toda esta gente – e suas famílias – precisa de trabalhar para sobreviver, mas o emprego formal não chega para todos. Sobra a rua, a actividade informal. Por isso, para eles, a rua não tem a mesma dimensão que lhe dá quem tem emprego formal e uma vida mais ou menos organizada, que ao fim da jornada, por vezes, passa por ali e compra qualquer coisa. Para eles, a rua é o espaço económico e social que assegura a sua sobrevivência e dos seus. Económico porque lhes assegura a renda. Social porque já não é só o lugar onde vendem, mas também onde desenvolvem redes sociais de solidariedade e grupos de poupança. É como a terra para um camponês. Tirá-los de lá é o mesmo que afrontá-los no espaço sócio-económico essencial para a sua subsistência.
Na verdade, na situação conjuntural do país, o sector informal continua a ser a única alternativa para a sobrevivência de muitas famílias, para a redução da exclusão social. Como dizia uma das vendedeiras, é ali onde cumprem o desiderato de combate à pobreza, onde geram renda para ajudar os maridos e colocar os seus filhos a estudar. Por isso, no lugar de ser combatido com uma musculatura exagerada, como a que se viu nos últimos dias, o informal tem de ser gradualmente integrado, acarinhado, organizado e apoiado. É precisamente aqui onde têm falhado os sucessivos presidentes dos nossos municípios, incluindo o actual.

Jeremias Langa, O País

Incrível: Elefante toma banho em praia de Nacala


Quem pensaria que algum dia poderia ver um elefante a banhar-se no mar... Pois a verdade é que isso não só é possível, como de facto, aconteceu em terras, ou melhor, em mares moçambicanos.
Lá em cima o leitor tem uma notável imagem de um notável momento em que um paquiderme se banha e brinca, descontraido e como que numa piscina, na baía de Nuarro, algures em Nacala, província nortenha de Nampula.
Imagem bizarra?, perguntar-se-a o leitor....
Uma visão extremamente rara - elefantes adoram água mas é muito raro vê-los no mar.
Chris McIntyre, especialista em vida animal africana diz: "É fenomenalmente incomum no sul ou leste de África ver um elefante no oceano. Eu nunca vi e nem sequer ouvir falar dessa possibilidade”.
A verdade é que o elefante-banhista foi visto pelos visitantes acomodados no Lodge Nuarro. O proprietário da estância, Trienke Lodewijk, entusiasmado disse "É tão incrível. Não podíamos acreditar quando vimos a cena".
A princípio, as pessoas acreditavam que o animal era uma baleia que havia se perdido após a tempestade da noite anterior, mas logo perceberam que se tratava de um elefante.
O animal passou várias horas mergulhado nas águas quentes do mar, até desaparecer no mato.
Era um macho jovem, muito brincalhão e parecia estar em perfeitas condições.


RM

Recenseamento em Inhambane acaba mal

Centenas de cidadãos impedidos de se habilitarem devido à morosidade deliberada do processo

Polícia presente dentro dos postos de recenseamento impediu trabalho da imprensa com a cumplicidade do pessoal do STAE e até prendeu jornalistas

Canalmoz. Leia aqui.

Renamo apela à calma e diz ser pela paz

A Renamo, através de Simão Bute, comandante da segurança de Afonso Dhlakama, veio ontem a público apelar à calma por parte dos cidadãos e disse que o seu partido é pela paz, não havendo razões para pânico. Bute revelou que, após os confrontos com as forças policiais, Dhlakama tem estado em contacto permanente com o Presidente da República, Armando Guebuza, com quem acordou a necessidade de se salvaguardar a boa imagem do país evitando a violência.
A fonte referiu que Afonso Dhlakama enviou uma mensagem ao Chefe de Estado, alegadamente porque na altura este estava nas cerimónias do Dia Internacional da Mulher e, em resposta, pediu para que não haja guerra.
“Eu, Bute, vi a mensagem do Presidente Guebuza que diz assim: estou a pedir para tranquilizar os homens e não haver disparos na cidade. Me aguarde em Abril, estarei ai em Nampula para continuarmos com nosso diálogo e chegaremos a uma conclusão”, disse.
“Face a esta mensagem”, prosseguiu Simão Bute, “e porque nós, a Renamo, somos pela paz, o presidente me mandou falar a jornalistas e tranquilizar a população que não há guerra, cada um deve seguir a sua vida normal e aguardar até novas decisões”.
Na ocasião, o comandante da segurança de Dhlakama negou que os 23 indivíduos detidos sejam membros da Renamo, assegurando que a sua força “está saudável” e sob seu controlo.
Acrescentou que sete agentes da Força de Intervenção Rápida perderam a vida durante os confrontos e não apenas um, como é veiculado pela Polícia.

Diário de Moçambique

Renamo diz que "não tem medo da guerra" após raid contra delegação de Nampula

"De todos os quadrantes do partido chegam mensagens que manifestam o desejo de retaliação" - Renamo

Relato do ataque e tensão vivida em Nampula

"A Frelimo declarou guerra em Moçambique, não só Nampula, porque a nossa resposta pode começar em qualquer momento e em qualquer canto deste pais,” disse Simão Bute, da Renamo

A Renamo avisou que "não tem medo da guerra", horas após um raide da polícia contra a sua delegação em Nampula onde estavam acantonados, há três meses, centenas de antigos guerrilheiros do principal partido da oposição.
O secretário-geral da Renamo, Ossufo Momade, disse quinta-feira, em Maputo que o ataque aos "desmobilizados indefesos suscitou a resposta da guarda presidencial (da Renamo)" e que o líder do partido, Afonso Dhlakama, está a ponderar uma resposta: "De todos os quadrantes do partido chegam mensagens que manifestam o desejo de uma reação de retaliação".
Momade apelou à calma, mas avisou que "o futuro de Moçambique está dependente do contacto" entre o Presidente da República, Armando Guebuza, e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, que pediu ao Chefe de Estado explicações sobre o sucedido.
A operação, que foi chefiada pela Força de Intervenção Rápida e o Grupo de Operações Especial, culminou com um forte tiroteio, na madrugada de quinta-feira, colocando frente a frentes estas forças e as antigas tropas de Afonso Dhlakama.
Um agente da polícia foi morto, enquanto o outro foi atingido com muita gravidade, estando desde as primeiras horas a receber tratamentos intensivos, disse a Policia. Porém a Renamo alega que terá morto 7 agentes da policia, um dos quais o comandante que estava a coordenar a operação, contra dois feridos ligeiros nas tropas de Afonso Dhlakama.
Até ao momento, há informação de que 23 antigos guerrilheiros foram detidos pela polícia, que recuperou 6 armas metralhadoras AK47. A Renamo diz que também recuperou uma arma de fogo e desmente as informações policiais.
No seio da população da cidade de Nampula, reina um total pânico, terror, medo e incerteza, tendo em conta o tamanho dos confrontos havidos.
Em Nampula, algumas escolas, mercados, estabelecimentos comercias, instituições governamentais e não governamentais preferiram não abrir as portas para os seus utentes.
Os moradores da zona onde se encontra localiza a delegação da Renamo estão proibidas de circular pela polícia, uma vez que depois da operação, alguns ex-guerilheiros evadiram-se e esconderam em quintas.
Outros recorreram à residência do seu líder, onde ao chegar foram devidamente armados e posicionados.
A polícia rodeou a residência de Afonso Dhlakama, mas não se atreve a invadir, porque este reforçou ao mais alto nível sua segurança pessoal. O carro blindado da polícia foi fortemente atingido, tendo sido penetrado por balas e uma das rodas furadas.
A polícia nega que tenha invadido a delegação da Renamo, porque segundo diz o seu porta-voz, João Inácio Dina, a polícia respondeu apenas à violência que uma equipa de rendição recebeu quando, por volta das 5h00, tentou circular a Rua dos Sem Medos (onde está situada a delegação da Renamo).
O chefe da segurança da Renamo disse numa conferência de imprensa que, a qualquer momento, o seu partido poderá responder a esta provocação do partido no poder.
“A Frelimo declarou guerra em Moçambique, não só Nampula, porque a nossa resposta pode começar em qualquer momento e em qualquer canto deste pais,” disse Simão Bute
O Governador de Nampula encontra-se de visitas aos distritos, mas o Secretario Permanente Provincial, António Maquina disse a nossa reportagem que o executivo não foi colhido de surpresa e não há razão de as comunidades continuarem em pânico, porque tudo foi no período da manhã.

Por Faizal Ibramugi, Nampula, VOA
Escute a reportagem aqui.

Da auto-estima da burla, auto-estima do saque, ao uso e abuso dos bens do Estado

O nosso Estado corre perigo! Com estes defensores da auto-estima a usarem o Estado a seu bel-prazer, como se pode ver no texto que se segue, o que restará aos cidadãos fazer? Ficarem calados? Renderem-se às forças de repressão militarizadas ao serviço de quem acorda e deita-se procurando formas de extorquir o erário público? Que democracia será esta que nos dizem que está a ser construída em Moçambique? Que democracia é esta com todos os sinais de nos estar a fazer andar para trás, e a levar-nos aos tempos dos mesmos abusos da era do mono-partidarismo que para ser interrompida colocou o País a braços com uma tremenda guerra civil?

Editorial do Canalmoz/ Canal de Moçambique. Leia aqui.

“Podem vender, mas deixem as ruas limpas ... e as pessoas a circularem”

David Simango comprou guerra e...rendeu-se!
Simango vergou-se à pressão dos vendedores informais e não conseguiu levar até ao fim a sua própria decisão de os tirar das ruas. Agora, vira-se para as barracas defronte das escolas, mas curiosamente a sua decisão não abrange as do Museu e Estrela Vermelha, os principais focos de venda de álcool.

Uma semana depois de dar ultimato aos vendedores informais para abandonarem as ruas da cidade de Maputo, David Simango colocou ele próprio ponto final às hostilidades, ao convidar os vendedores a continuarem nas ruas... a vender.
“Podem vender, mas deixem as ruas limpas e os passeios em condições para permitir a circulação de pessoas.”
Esta afirmação foi recebida com aplausos e júbilo por centenas de vendedores informais e proprietários das barracas, presentes no encontro com o presidente do município de Maputo, ontem de manhã, no Paços do município.
Este encontro seguia-se ao realizado na passada sexta-feira e que terminou de forma inconclusiva, porque David Simango disse que as pessoas que compareceram não eram as que ele esperava.
Ontem, e ultrapassada a questão de quem deveria estar presente no encontro, o presidente do conselho municipal anunciou a única coisa que os vendedores esperavam ouvir e fumou-se o cachimbo da paz.
Perspicaz, Simango optou por um discurso reconciliatório, fumando o cachimbo da paz e desanuviando um ambiente que chegara a ficar turvo com declarações incendiárias de vendedores enfurecidos.
Eufóricas depois de ouvir a declaração mais importante da reunião, por parte do edil de Maputo, os vendedores lá se prontificaram a ouvir Simango com outro entusiasmo.
O edil disse, por exemplo, que o objectivo do seu elenco não era acabar com o comércio informal na cidade de Maputo, mas sim disciplinar esta actividade.
Disse também que o conselho municipal estava a tentar encontrar formas para que esta actividade seja desenvolvida sem perturbar as outras actividades e a circulação dos munícipes.
David Simango sublinhou que o município que dirige sabe e está ciente de que há falta de emprego, não só em Maputo, mas em todo o Moçambique, e que os informais que estão nas ruas não o fazem pelo seu bel-prazer, mas sim por necessidade.
“Sabemos que só a Associação dos Trabalhadores do Sector Informal, Assotsi, conta com cerca de 60 mil membros. Juntando estes aos membros da segunda associação nesta cidade, estaríamos a falar de cerca de 80 mil pessoas que dependem do comércio informal. Portanto, se alguém pensou que o município queria correr convosco, está enganado”, disse, arrancando aplausos entusiásticos da composta plateia.

Barracas em locais proibidos
Simango retirou a mira dos vendedores informais, mas manteve-a apontada àqueles que têm barracas e ou vendem em locais proibidos por lei. Disse que a luta contra esses vai continuar e aí, sim, não haverá espaço para negociações.
“Há zonas, dentro da nossa cidade, que por decisão das autoridades competentes, esta actividade não pode ser permitida. E aí, o que tenho a dizer aos vendedores aqui presentes é que obedeçam a esta ordem”, atirou.
O presidente do município de Maputo referia-se a escolas, hospitais, infra-estruturas de defesa e segurança, que não podem ter barracas ao seu redor.
Para estes casos, o edil da cidade diz que reafirma a sua decisão e não haverá complacência.
“Analisamos e vimos que estamos a pôr em causa os outros interesses. Por isso, notificámos os proprietários destas barracas para uma retirada voluntária e os que se recusaram houve uma retirada compulsiva”, explicou.

Tiago Valoi, O País

Friday, 27 April 2012

Governo não tem mecanismos coercivos para cobrar dívidas ao tesouro

Metade das empresas em dívida nunca pagou um tostão sequer.

Manuel Chang diz que os devedores do Estado têm um contrato assinado para amortização das suas dívidas, mas, se isso não acontecer, não existe outra forma de cobrar senão esperar pelo tempo.

O ministro das Finanças, Manuel Chang, diz que o Governo não tem como accionar mecanismos coercivos para cobrar dívidas concedidas a empresas com fundos do Tesouro.
Falando ontem na Assembleia da República, no âmbito do debate da Conta Geral do Estado de 2010, Chang reconheceu haver ainda um número considerável de empresas que não está a honrar com os seus compromissos.
O Tribunal Administrativo detectou estas irregularidades na gestão do dinheiro público, por isso, insiste que o governo tem de accionar mecanismos coercivos, mas esta recomendação não convence a Chang.
O Relatório e Parecer sobre a Conta Geral do Estado 2010 revelam que apenas 25,9% das empresas que o Estado emprestou dinheiro pagam regularmente, enquanto 29,6% pagam irregularmente e quase metade nunca pagou.
O governante disse apenas que os devedores do Estado têm um contrato assinado para a amortização das suas dívidas, mas, se isso não acontecer, não existe outra forma de cobrar senão esperar pelo tempo.
“Só a dívida fiscal é que é cobrável coercivamente, mas a dívida ao tesouro não. Ou seja, se alguém não paga imposto, o Governo tem mecanismos próprios, diferentes desta dívida. Deixa-me dizer que para este caso assinámos contratos com estas entidades e cada uma tem um prazo para a amortização da dívida, mas ela não será para hoje, amanhã ou depois de amanhã, mas com o tempo vão pagar”, explicou Chang, acrescentando que “aquele não é dinheiro do Orçamento e sim o que os doadores deram para aquele ano e se não usássemos iriam levar de volta”.
Apesar de admitir que há empresas que até faliram sem saldar a dívida ao Tesouro, o ministro das Finanças garantiu que há mecanismos próprios para reaver o dinheiro público.
“Temos sim o caso de empresas que já faliram, mas existem meios legais para reaver o valor. Aliás, nós contratámos uma empresa que nos vai ajudar neste processo, porque é experiente nesta matéria”, disse.
Chang disse, contudo, que a execução da conta geral de 2010 foi positiva e merece aprovação pelas seguintes razões:
“Nós cumprimos com as recomendações do Tribunal Administrativo e estamos a melhorar cada vez mais a apresentação e as matérias que tratamos na conta, bem como as da Comissão de Plano e Orçamento. Por causa disso, esta conta é uma das melhores que temos”, disse.

André Manhice, O País

Planeta não é sustentável sem controle do consumo e população

O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável.
A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).
Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planeamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida.
O relatório da Royal Society será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cimeira vai acontecer no Rio de Janeiro em junho próximo.
"Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza", disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório.
"Para onde vamos depende da vontade humana - não é algo predestinado, não é um acto de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está nas nossas mãos".
John Sulston ganhou renome internacional ao liderar a equipa britânica que participou do Human Genome Project, projecto responsável pelo mapeamento do genoma humano.
Em 2002, ganhou, juntamente com outro cientista, o prêmio Nobel de Medicina, e hoje é director do Institute for Science Ethics and Innovation, na Manchester University, em Manchester, Grã-Bretanha.

Discussão retomada

Embora o tamanho da população humana da Terra fosse no passado um importante ponto de discussão em debates sobre o meio ambiente, o assunto saiu da pauta de discussões recentemente.
Em parte, isso aconteceu porque alguns cientistas chegaram à conclusão de que a Terra seria capaz de suportar mais pessoas do que o imaginado. Além disso, países em desenvolvimento passaram a considerar a questão como uma cortina de fumaça criada por nações ocidentais para mascarar o problema do excesso de consumo.
Entretanto, o tema voltou à pauta de discussões após novos estudos terem mostrado que mulheres em países mais pobres, de maneira geral, desejam ter acesso ao planeamento familiar, o que traria benefícios à suas comunidades.
Segundo a projecção "média" da ONU, a população do planeta, actualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.
"Dos três bilhões extras de pessoas que esperamos ter, a maioria virá dos países menos desenvolvidos", disse Eliya Zulu, directora execuriva do African Institute for Development Policy, em Nairobi, no Quênia. "Só em África, a população deve aumentar em 2 bilhões".
"Temos de investir em planeamento familiar nesses países - (desta forma,) damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação".
O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planeamento familiar - o que, o estudo calcula, custaria US$ 6 bilhões por ano.
Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo - alerta o documento - a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.
Ultrapassando Fronteiras

O relatório é da opinião de que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias "seguras" em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, sob risco de sérios impactos futuros.
Segundo a Royal Society, além do planeamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar da pobreza extrema 1,3 bilhão de pessoas.
E se isso significa um aumento no consumo de alimentos, água e outros recursos, é isso mesmo o que deve ser feito, dizem os autores do relatório.
Nesse meio tempo, os mais ricos precisam diminuir a quantidade de recursos materiais que consomem, embora isso talvez não afecte o seu padrão de vida.
Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas recomendam para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade dos seus cidadãos.
"Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento", disse Sulston. "A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior".
"Não podemos conceber um mundo que continue a ser tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual".
Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.

PIB

A Royal Society diz que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia.
No seu lugar, os países precisam adoptar um medidor que avalie o "capital natural", ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.
"Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito", diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex.
"O meio ambiente é de certa forma a economia... e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas das pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore", completa.
O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de "metas de desenvolvimento sustentável", para substituir as actuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.
Não está claro se as novas metas vão pedir o compromisso de que os países ricos diminuam os seus níveis de consumo.
Os governos podem ainda concordar durante o encontro no Rio a usar outros indicadores econômicos além do PIB.

RM

Wednesday, 25 April 2012

Frelimo perde 1 000 eleitores nas eleições de Inhambane e oposição ganha 2 000

Em comparação com as autárquicas de 2008.

Apesar do aumento do eleitorado de Inhambane, a Frelimo perdeu 1 000 eleitores nesta eleição, comparando com os resultados das últimas eleições autárquicas (2008). Parte desses votos podem ter “caído” para as mãos do MDM e outros para a abstenção. A sorte coube à oposição que soma e segue.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) divulgou ontem, em definitivo, os resultados das eleições intercalares de Inhambane. Os mesmos revelam um dado curioso: o partido Frelimo perdeu 1 000 eleitores nestas eleições em relação às eleições autárquicas de 2008.
Em contrapartida, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), mesmo concorrendo sozinho, triplicou os votos, ou seja, teve 3 476 (um aumento de 2 103 votos) em relação à oposição que concorreu às eleições de 2008 (Renamo, PDD e Partido Trabalhista) que só conseguiu 1 373 votos.
Em 2008, a Frelimo teve 13 694 (90.94 %), mas, neste escrutínio, o partido no poder conseguiu apenas 12 682 (78.53%) , isto é, uma redução de 1 012 votos.
O cenário, tanto da diminuição dos simpatizantes da Frelimo como do aumento dos do MDM, poderá ter pelo menos duas interpretações:
Primeiro: a Frelimo pode ter perdido os votos em benefício do MDM, já que este, ao invés de perder, duplicou;
Segundo: tendo em conta o aumento da taxa de abstenção nas eleições intercalares de 18 de Abril deste ano, em relação às eleições de 19 de Novembro de 2008, parte dos eleitores da Frelimo pode ter decidido ficar em casa, na mesma altura que outra parte engrossava as fileiras do MDM. De resto, se em 2008 a abstenção foi de 20 555 (56.16 %), nas intercalares deste ano, a abstenção chegou a atingir os 26 444 eleitores (61.20%).

CASO DO MDM

No que diz respeito ao partido de Daviz Simango, este triplicou o total dos votos que a oposição teve em 2008. Ou seja, manteve os 1 373 eleitores da oposição de 2008 e adicionou-lhes 2 103 eleitores, resultando nos actuais 3 476 votos. Estes 2 103 eleitores podem advir de três fontes principais, a saber: 1) o eleitorado da Frelimo; 2) os abstencionistas; e 3) os novos eleitores recenseados para estas “intercalares”.
Com efeito, estes dados poderão ser um prenúncio de que a Frelimo deverá precaver-se nos próximos pleitos, pois a fidelidade dos seus eleitores e o voto quase que “passional” dos eleitores de Inhambane poderão chegar ao fim com o advento duma nova força da oposição – o MDM.

Sérgio Banze,  O País

Polícia sem isenção

Mais uma vez a PRM veio a destacar-se pela negativa no presente processo. A Polícia ignorou todos os preceitos constitucionais e comportou-se como uma força ao serviço da Frelimo.
Em muitas Assembleias de Voto, os agentes da Polícia não cumpriram com o seu dever legal de se instalar a 300 metros dos locais da votação.
O SAVANA testemunhou algumas destas situações nos postos de voto montados nas escolas secundária de Muele e Industrial e comercial Eduardo Mondlane.
Sempre que fosse solicitada para responder a qualquer acto cuja queixa fosse contra membros do MDM, actuava imediatamente não fazendo o mesmo quando fossem membros da Frelimo. O SAVANA testemunhou uma situação em que na Escola Completa Primeiro de Maio, um chefe de quarteirão convidava os eleitores da sua zona de jurisdição a votarem no candidato do partido no poder mas, quando a polícia foi chamada a intervir, manteve-se indiferente.
O mesmo não se verificou quando um activista dos direitos humanos e membro da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Custódio Duma, foi surpreendido a fotografar perto de um posto de votação e foi imediatamente detido e conduzido à segunda esquadra da cidade de Inhambane onde permaneceu cerca de três horas. Foi restituido à liberdade depois da intervenção da Procuradoria da República ao nível da província de Inhambane.
O facto que culminou com a detenção de Duma verificou-se na Escola Primária 25 de Setembro, arredores da urbe.
Falando ao nosso jornal, Duma confirmou-nos que estava de facto a fazer fotos, porém, longe do local proibido por lei.
Para além de Duma, 30 pessoas estiveram sob custódia policial indiciadas de perturbar a ordem eleitoral.
O comportamento dos agentes da PRM foi condenado por várias esferas da sociedade civil moçambicana.
Salomão Muchanga caracterizou o acto como sendo próprio de sociedades onde os respectivos governantes são alérgicos à democracia e ao exercício da cidadania.
Entende Muchanga que a repressão policial em obediência a certas vozes contribuiu para que a juventude não aderisse em massa ao processo eleitoral.
“Veja que a esmagadora maioria dos detidos são jovens. O mais estranho é que estes jovens são detidos sem motivos plausíveis. O acto dos agentes da lei e ordem roça à chantagem e intimidação”, disse.

Savana. Leia aqui.

Policia em Inhambane prossegue intimidação aos jovens do MDM

Agente da Policia, armado de AK47, dentro de uma assembleia de voto, na Escola 25 de Setembro, nas eleições intercalares de Inhambane. A foto ilustra o ambiente de intimidação do eleitorado nas eleições que viriam a ser ganhas por Benedito Guimino, candidato do Partido Frelimo. A Policia prendeu nestas eleições 53 cidadãos do MDM, dos quais 37 do Gabinete de Logística do MDM. Desmontou dessa forma todo o sistema de apoio aos delgados de candidatura de Fernando Nhaca e intimidou o eleitorado que a partir das 10h00 passou a votar a conta gotas suscitando uma abstenção de cerca de 70%. (Foto de Fernando Veloso)

Mais um jovem do MDM foi detido ontem dia 24 de Abril, e “ameaçado durante os interrogatórios”, na cidade de Inhambane, por questões relacionadas com as eleições intercalares de 18 de Abril. Trata-se de Carlos Benildo Cristino, funcionário do CPRD (Centro Provincial de Recursos Digitais).

Luciano Conceição, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 24 April 2012

Cidade do Maputo: Repensar mercados informais e os vendedores ambulantes

A proliferação de mercados informais e de vendedores ambulantes pela cidade do Maputo deve constituir um motivo de preocupação e merecer uma abordagem sociológica, antropológica e também económica, com o envolvimento das partes directamente envolvidas mas sem nunca descurar daquilo que deve ser a postura camarária de qualquer cidade que se preze como tal.
Não podemos ignorar o número de pessoas que dependem, directa ou indirectamente, do rendimento desta actividade para o seu sustendo e das suas famílias. Mas também, convenhamos, não podemos permitir que a anarquia e o total desgoverno imperem sobre as leis e sobre a vida urbana.
É um facto que os mercados do Estrela Vermelha, Mandela, Museu, Fajardo, entre outros, espalhados por toda a cidade, não dispõem do mínimo de higiene e de condições de trabalho e, não raras vezes, comercializam produtos que atentam contra a saúde das pessoas e até mesmo produtos de proveniência ilícita, o que impõe necessariamente que se faça algo visando alterar esta situação sob o risco de também sermos todos nós cúmplices da mesma. Devemos, o mais urgente possível, buscar alternativas que visem inverter este estado de coisas de modo a conferir maior dignidade a todos nós e que se tome, de facto, uma decisão visando repor a governação de uma cidade que se pretende limpa, acolhedora, coesa, segura, funcional, enfim, uma cidade no seu verdadeiro sentido da palavra e não um subúrbio que se pretende cidade.
É que a Lei deve ser para todos e todos os cidadãos devem ser tratados de igual modo pelas leis em vigor. Não se pode exigir que determinados cidadãos que queiram iniciar uma actividade comercial tenham de cumprir determinados requisitos e estejam sujeitos a inspecções e a vistorias pelas autoridades competentes e paguem os impostos enquanto outros não se sujeitem a nenhuma destas exigências e nem sequer pagam os impostos devidos.
Porquê esta discriminação? Não somos todos cidadãos de plenos direitos deste país? Há que se exercer o princípio de igualdade consagrado constitucionalmente.

TRANSFORMAR OS ESPAÇOS OCUPADOS

Os espaços actualmente ocupados por estes mercados poderiam, muito bem, ser transformados num local de múltiplos serviços onde naturalmente poderiam ser reenquadrados os actuais vendedores informais em actividades similares mas minimamente regradas. Poderiam ainda funcionar, paralelamente, nestes mesmos locais, os serviços de apoio ao cidadão (lojas do cidadão) onde os munícipes pudessem ter acesso aos serviços para a obtenção do bilhete de identidade, passaporte, carta de condução, certidões de nascimento, atestado de residência, serviços de cartório e notariado, correios, serviços aduaneiros, licenciamento das actividades económicas, entre outros serviços prestados ao cidadão, pelo Estado, em geral, e pelo município, em específico, de modo a contribuir para o descongestionamento do tráfego rodoviário na baixa e nos actuais locais onde funcionam estes serviços e levá-los para perto do cidadão, garantindo, assim, um atendimento acessível e em tempo útil.
Poderiam ainda ser erguidos nesses mesmos espaços parques de estacionamento, cafés, restaurantes e outras actividades de cariz comercial que possibilitassem a arrecadação de receitas indispensáveis ao funcionamento condigno do próprio município, com sanitários, saneamento do meio e em condições humanamente aceitáveis e apropriadas como acontece em qualquer cidade que se preze como tal. Basta-nos atravessar a fronteira com a vizinha África do Sul ou então visitarmos o Botswana ou a Namíbia para apercebermo-nos do significado de se viver numa cidade.
Não é admissível continuarmos a conviver com barracas que vendem desregradamente álcool, às barbas de uma escola a qualquer hora do dia, como acontece, por exemplo, com as barracas do mercado do Museu, ao lado da Escola Secundária Josina Machel, onde os vendedores não têm sequer as condições sanitárias mínimas e onde a única opção que têm é a de urinarem e defecarem nas árvores dos passeios sob o olhar das crianças e outros cidadãos e o olhar impávido das autoridades municipais.
Que exemplo de vida se quer transmitir à próxima geração?
Imaginemos a sensação de alguém que viaje de carro e venha pela primeira vez à cidade do Maputo, e que após contornar a rotunda da Toyota de Moçambique, entre pela Av. 24 de Julho.
Certamente que a primeira imagem que o marcará será de estar a entrar numa cidade desorganizada, suja e sem o mínimo de condições para almejar que seja chamada de cidade. Será isso que todos nós queremos para a nossa cidade capital? Será para isso que contribuímos com os nossos impostos?
Até quando ficaremos reféns da falta de imaginação e pró acção visando transformar, em realidade, o sonho de viver numa cidade limpa, acolhedora, segura e próspera? Como desejar boas vindas a um visitante com a imagem de sujeira e de desorganização que caracteriza esta área? O que impossibilita que se construa, de forma organizada, novos edifícios e até mesmo um mercado moderno naquelas bandas ou que se transfira o actual mercado para um local apropriado e com as condições higiénicas necessárias?

ARRUAÇA E OBSTRUÇÃO DO TRÂNSITO NA MARGINAL

Ao percorrermos a marginal do Maputo e o seu prolongamento pela Costa do Sol, deparamo-nos com outro fenómeno também preocupante no qual as pessoas vendem na rua e de forma desregrada bebidas alcoólicas, confeccionam comida sem o mínimo de higiene e sem sanitários e onde a árvore do passeio, a praia e o próprio passeio servem de sanitários e lixeira. A marginal deveria ser o espelho da nossa cidade e o local aprazível para se estar com a família e amigos, nas tardes quentes e nos momentos de lazer para refrescar na praia, pescar-se, praticar-se desporto e deliciar-se da beleza da nossa praia. Após a reabilitação da marginal e da estrada e constituída a circular do Maputo, defendo que este espaço deva, no âmbito da parceria público-privada, ser reservado para a construção de restaurantes, cafés, casas de banhos e balneários públicos, marinas para barcos de recreio, locais para a prática do futebol, voleibol de praia, entre outros desportos e serviços de lazer e de praia como acontece noutras cidades do mundo.
As pessoas que hoje vendem bebidas alcoólicas e confeccionam comida na rua e de forma desregrada poderiam também ser contempladas nas novas oportunidades de negócio que fossem erguidas neste âmbito, mas de forma regrada e ordeira. Com esta acção ganhavam todos os cidadãos, incluindo aqueles que hoje vivem do negócio desordenado e informal nesses locais.
O que não se pode admitir é que um espaço tão nobre como o da marginal do Maputo propicie um espectáculo gratuito diário de bebedeira, de arruaça, de falta de higiene, de obstrução ao trânsito rodoviário e deixemos para as gerações vindouras uma herança muito pobre e deplorável do que significa viver numa cidade. É tempo de mudarmos, de facto, de atitude. Não existe bagunça ou desmando que dignifique cultura alguma. Penalizamos quem conduz embriagado mas toleramos e pactuamos com as pessoas que consomem bebidas alcoólicas na marginal e depois conduzem os seus carros sob o olhar impávido das nossas autoridades policiais. A que se deve esta tolerância e ilegalidade cúmplice?
Por outro lado, existem também 80 mil vendedores ambulantes que ocupam as principais artérias da nossa cidade, vendendo um pouco de tudo. O que impede, de facto, que se construam espaços apropriados como acontece com as feiras nas outras partes do mundo e onde estas pessoas possam vender os seus produtos de forma organizada, tenham sanitários públicos e contribuam com impostos para os cofres do município?
Será que também não será altura de o município promover parcerias com as multinacionais envolvidas nos megaprojectos visando buscar outras formas de ocupar esta força de trabalho ociosa, na maior parte das vezes por razões alheias à sua própria vontade e que deambula pela cidade e de uma maneira geral não contribuem, de facto, para o desenvolvimento saudável nem sequer deles mesmo e muito menos dos restantes munícipes que pagam impostos e também têm razão de exigir o seu direito de viver numa cidade limpa e ordeira? Haja vontade, pois o cidadão há muito espera!

• Ismael Mussa - Notícias, 28 de Março de 2012. Leia aqui.

Monday, 23 April 2012

EDITORIAL: O (péssimo) hábito presidencial

Durante muito tempo, o Presidente da República, Armando Guebuza, destacou-se por causa dos seus discursos vazios de combate à pobreza absoluta e sobre a auto-estima.
Porém, a escassos anos para o final do seu segundo mandato, o PR, como se sabe, tem vindo a ganhar notoriedade por um outro motivo: a alergia a qualquer tipo de crítica, seja da Imprensa, seja da sociedade no geral.
Diga-se em abono da verdade, tornou-se um (péssimo) hábito do Presidente lançar farpas para os críticos da sua governação. A juventude tem sido o principal alvo de Guebuza. Os mesmos jovens que, durante as campanhas eleitorais, são chamados para encher camiões e cantar “vivas”.
No mês passado, no encerramento do Comité Central da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Guebuza disse que os jovens precisam de deixar de ser fofoqueiros e intriguistas e entregarem-se ao trabalho.
No último domingo, depois de ter acusado os jovens de pretenderem criar amnésia nos antigos combatentes para dar a entender que não era preciso lutar pela independência para libertar o país, voltou a atacar, afirmando que as redes sociais, como o Facebook e o Twitter, têm “o potencial de se transformar em espaços geradores de representações, fábricas de sonhos inalcançáveis e de infinitas miragens e expectativas que podem levar à secundarização da cultura de trabalho, promovendo o espírito de mão estendida”.
Na verdade, o que o PR sente é uma comichão no seu sistema sensorial ao aperceber-se de que a juventude moçambicana está a ganhar consciência dos seus direitos, deixando de ser simples besta de carga, passando a questionar as políticas públicas ou as acções do Governo de turno, além de indagar o destino para qual a nação é empurrada.
Aliás, os jovens já começaram a abandonar as caravanas de discursos falaciosos e cheios de parra e uva nenhuma proferidos por quem se aproveita dessa camada da população para continuar a levar a água para o seu moinho.
Os jovens ganharam a consciência de que durante anos vinham a abdicar da sua responsabilidade e da sua iniciativa política em relação à pátria amada.
Presentemente, deixaram de acreditar em tudo o que reluz como sinal de desenvolvimento, até porque se aperceberam de que o desenvolvimento de um país não se mede pelo sucesso de meia dúzia de empresários ligados ao poder, mas pelo desenvolvimento mental e cultural da população, e pela capacidade de se organizarem para serem protagonistas da luta pelo seu bem-estar.
Além disso, o que incomoda o Presidente é o facto de os jovens terem despertado para a situação dramática em que se encontra o seu país, tendo chegado à conclusão de que os políticos que têm não são exemplos para ninguém, são um verdadeiro perigo público que medram à custa do sofrimento dos moçambicanos.
Qual um político solitário e ferido no seu orgulho, Guebuza gasta a sua munição atirando para todos os lados sem acertar em alvo nenhum.
Ao invés de ministrar “palestras de motivação”, onde pudesse dar aos jovens dicas de como se edifica um património económico em tão pouco tempo, o Presidente da República prossegue indiferente ao eleitor, ao povo, aos jovens e à opinião pública, demonstrando o desprezo absoluto por alguns princípios básicos da democracia.

A Verdade

36 jovens de MDM foram libertados por ausência de ilícito

Detidos pela PRM nas eleições de Inhambane
Foram libertados na sexta-feira à tarde 36 dos 37 jovens do MDM que a Policia deteve no dia das eleições intercalares em Inhambane e ainda se encontravam encarcerados.
Isabel Joaquim Madeira foi mantida na prisão por nem se quer ter sido aberto um processo que permitisse à procuradoria ordenar a sua soltura.

Fernando Veloso, Canalmoz. Leia aqui.

Novo terminal doméstico do Aeroporto de Maputo pronto em outubro


O novo terminal doméstico do Aeroporto Internacional de Maputo, orçado em cerca de 24 milhões de euros, vai estar pronto em outubro, assegurou o responsável pelo projecto de modernização do empreendimento.
Uma vez em funcionamento, o novo terminal será dotado de duas pontes ligando a pista ao alpendre, amplos espaços para lojas de conveniência, restaurantes, sala de comunicações, sala de reuniões, escritórios, entre outras facilidades, ocupando 13.200 metros quadrados.
A nova estrutura está numa zona autónoma do terminal internacional, que foi recentemente inaugurado, marcando uma diferença com a anterior situação, em que os dois terminais funcionavam no mesmo edifício.
Em relação ao antigo terminal, "a diferença fundamental está no planeamento do espaço, pois no novo edifício há maior disponibilidade de espaço e uma margem de colocação de novos serviços, mais tarde", disse o director do Projecto de Modernização do Aeroporto Internacional de Maputo, Acácio Tuende, durante uma visita guiada aos jornalistas.
Ao nível da obra, assinalou Acácio Tuende, o terminal segue um padrão de material mais moderno, com uma cobertura de alumínio climatizada e em condições de proporcionar isolamento sonoro, pilares de betão armado e um chão de ladrilhos de granito.
As fachadas principais, bem como as paredes dos diversos compartimentos do terminal, serão de vidro, acrescentou Acácio Tuende.
Quando estiver aberto, o terminal doméstico vai aumentar em 40 por cento o volume de tráfego do Aeroporto Internacional de Maputo, passando este a movimentar por ano cerca de quatro milhões de passageiros.
"O terminal doméstico estará preparado para receber 300 partidas e 225 chegadas por dia", acrescentou o director do Projecto de Modernização do Aeroporto Internacional de Maputo.
Para se evitarem as infiltrações de água que se verificaram pouco tempo depois da inauguração do terminal internacional, o material usado nas curvas e nas ligações da nova estrutura está a ser reforçado e estão a ser construídas abas para depositar a água, disse Acácio Tuende.
Tal como o terminal internacional, a gare doméstica está a cargo da construtora chinesa AFECC, cujo país está a financiar o projecto de modernização do empreendimento, num valor global de mais de 90 milhões de euros.
Nas obras do terminal doméstico, trabalham 160 moçambicanos e 140 chineses.
O projecto de modernização do Aeroporto Internacional de Maputo (na imagem acima) inclui igualmente a repavimentação da pista e o aumento das bermas do caminho de circulação, para dar maior liberdade aos reactores dos aviões, informaram os técnicos responsáveis pelo projecto.

Saturday, 21 April 2012

"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig - Página 3

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?
Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende no seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?
A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena actos terroristas e, portanto, eles estariam a cometer uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o acto terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão a ser correctamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está a querer dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?
Penso que Deus pode fazer excepções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar o seu filho Isac. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam a sacrificar crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isac. Isso serviu para verificar a obediência e a sua fé. Mas isso é a excepção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir excepções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correcta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objectivamente correcta?
As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, O seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isac, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.
 
RM

(continua)

Graça Moura esperançado na revisão do acordo para “correcção de asneiras”

O escritor português Vasco Graça Moura mostrou-se quinta-feira à noite convicto de que o novo acordo ortográfico da língua portuguesa será revisto, levando à correção de "muitas asneiras".
O presidente do Centro Cultural de Belém (Lisboa), um dos fervorosos críticos da nova grafia, salientou que a última posição do Governo, tomada numa reunião ministerial em Luanda, mostra que há "grandes divergências num conjunto de normas aplicadas à grafia no espaço da língua portuguesa".
"Acho que pode haver um volte-face porque a própria declaração final dos ministros vai nesse sentido, de que é preciso fazer ajustamentos, leia-se revisão", disse o escritor, em Coimbra.
Para Moura, o actual acordo é "um crime que lesa profundamente a língua portuguesa, tal como é falada no espaço português e africano, em todo o espaço onde se fala a língua portuguesa, menos no espaço brasileiro".
O escritor considerou que o novo acordo se deveu a "uma irresponsabilidade de políticos que não percebem nada do que estão a fazer, já desde os anos 80, em especial nos anos 90, e depois de gente que não tem mais nada do que fazer, como os senhores que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa".
"Há que esperar por algum bom senso e que de facto seja promovido aquilo que é chamado em língua oficial reajustamentos, porque sendo revisto o acordo significará uma revisão do tratado internacional que o representa e, se for revisto, certamente há muita asneira que será corrigida", sublinhou.
Questionado sobre a política cultural do Governo, o presidente do CCB referiu que o Executivo de Pedro Passos Coelho "faz o que é possível neste momento".
"Não há condições para fazer de outra maneira, está fazer o que é possível", frisou, salientando que o CCB, por exemplo, vai enveredar por um plano trienal "que comportará aquilo que for possível neste momento, dada a situação difícil do país".

RM

Wednesday, 7 March 2012

Corrupção em Moçambique sem alteração

Resultados são " catastróficos", diz dirigente do Centro de Integridade Pública

“Para algumas pessoas é importante que a lei continue como está porque ela não pune certo tipo de comportamentos que são praticados por essas pessoas”.

A corrupção em Moçambique não diminuíu nos últimos anos, indica um estudo mandado efectuar pelo governo moçambicano mas mantido no segredo até agora.
Com efeito na próxima semana o Centro de Integridade Pública deverá dar a conhecer uma comparação entre a primeira pesquisa nacional sobre governação e corrupção, efectuada em 2005, e um segundo estudo efectuado em 2010 e 2011.
O Dr Baltazar Faiel, daquele centro, disse que os resultados não são encorajadores.
“Verificamos que não há evolução,” disse Faiel que sublinhou que o governo não quis publicar os resultados por estes serem “desastrosos”.
Na Segunda-feira num debate em Maputo o Dr Fael disse que o combate à corrupção pelo estado moçambicano tem sido ineficaz devido ao estado obsoleto da legislação e a recusa do partido com maioria no parlamento em adoptar nova legislação submetida á assembleia alegando razões técnicas.
Embora em Moçambique existam leis punindo a corrupção , essas leis datam de 1886 e estao desactualizadas já que “ a corrupção ao longo dos anos foi alvo de metamorofoses em todo o mundo”.
Desde então, disse ele á Voz da América, surgiram a nível inernacional novas formas de criminalização da corrupção mas “para algumas pessoas (em Moçambique) é importante que a lei continue como está porque ela não pune certo tipo de comportamentos que são praticados por essas pessoas”.
Essas pessoas, dizem, “fazem parte de uma elite política ou elite politico-empresarial com ligações ao poder com acesso a recursos”.

João Santa Rita, Voz da América.

Escute a reportagem aqui!