Monday, 10 October 2011

Estamos em paz?

No momento em que celebramos mais um 4 de Outubro, não posso deixar de me perguntar a mim próprio se estamos em paz.
Ao longo das celebrações foram muitas as definições de paz que foram feitas, pelos variados participantes, começando normalmente pela declaração de que a paz não é apenas a ausência da guerra. Depois vinham a necessidade de uma melhor partilha da riqueza nacional, de um desenvolvimento equilibrado, de iguais direitos para todos os cidadãos, independentemente de variadas diferenças, de igual acesso aos benefícios que o país pode proporcionar, etc, etc…
Ora o simples facto de os dirigentes dos dois principais partidos nacionais não se conseguirem juntar num mesmo local para celebrar o aniversário de um acordo que eles os dois assinaram parece-me, à partida, prova de que não estamos em paz. De maneira nenhuma.
Por um lado temos a Renamo a queixar-se de que o Governo da Frelimo não está a honrar os compromissos que assumiu em Roma. E a ameaçar que vai aquartelar os seus combatentes que foram sendo retirados das Forças Armadas de Defesa de Moçambique ao longo destes 19 anos.
Por outro lado temos o Governo, através de todas as instituições que lhe estão sujeitas, nomeadamente os órgãos de informação do dito sector público, a diabolizar Dlakama e a Renamo, atribuindo-lhe intenções que eu não sei se ele tem ou não. Quem sabe se a tal ideia de aquartelar os seus antigos combatentes não tem apenas um objectivo de carácter social e aquilo a que ele chama quartel não será antes uma espécie de lar para a terceira idade, na medida em que a maioria dos tais combatentes já deve ter mais necessidade de uma bengala ou umas muletas do que propriamente de uma arma.
Mas onde a paz é, permanentemente, posta em causa, não é na relação Governo-Renamo. É naquilo a que antes chamávamos luta de classes e hoje não chamamos por já não estar na moda.
Porque as coisas são o que são e não aquilo que alguns gostam de dizer que são. E a verdade é que, no nosso país, há cada vez maior distância entre a forma como vivem os ricos e muito ricos e a forma como sobrevive a maioria da população. E esta população, que é pobre mas não é estúpida, vê que muitos desses ricos e muito ricos obtiveram as suas fortunas através da corrupção e do desvio de fundos públicos. E que isso é feito, na esmagadora maioria dos casos, devido à impunidade que lhes garante o facto de terem um determinado cartão partidário nos bolsos.
E esse tal cartão é a chave indispensável para abrir as portas do poder, seja a que nível for da administração pública, seja a que nível for das forças de defesa e segurança, seja a que nível for dos órgãos de informação do sector dito público, seja a que nível for do aparelho judicial.
É nestes aspectos que eu vejo a paz em perigo no nosso país.Já por mais de uma vez tivemos gente em fúria a protestar nas ruas por causa deste tipo de coisas. E a resposta das forças policiais, a tiro com bala real, pode ter conseguido reprimir aqueles momentos, mas, de certeza, não resolveu o problema que está por trás daquelas manifestações.
Diziam os antigos romanos que o povo fica calmo desde que lhe dêem “pão e jogos”. E, ao que parece, o Governo da Frelimo começou a seguir por esse caminho, ao organizar os recentes Jogos Africanos, gastando a fortuna que gastou. Só que falhou estrondosamente na questão do “pão”. E esse falhanço foi manifesto no fiasco do projecto da cesta básica. E, tenho receio, a fórmula dos romanos não funciona se for aplicada só pela metade.

Machado da Graça, Savana

Haja vergonha e humildade também

Os feitos da selecção nacional de hóquei em patins - melhor classificação de um desporto colectivo na história de Moçambique - tem apaixonado a opinião pública que, sem pestanejar, aponta o dedo do meio aos media. Motivo: tratamento marginal e um desrespeito brutal para quem, mesmo sem apoios, colocou o nome de Moçambique acima do de países que levam o desporto realmente a sério.
As pesadas críticas dos moçambicanos, conjugadas com a ausência de apoio do Governo permitem-nos tirar algumas conclusões: ninguém acreditava na selecção nacional de hóquei em patins. Até porque, ao contrário da selecção feminina de basquetebol, aquela que nos daria o ouro nos Jogos Africanos de Maputo, nenhuma figura de proa do Governo recebeu, antes do Mundial, os agora bravos heróis de San Juan.
Sem querer fazer uma defesa velada dos órgãos privados de informação, é bom que fique claro, que estes, tal como o desporto nacional, têm de fazer contas à vida para sobreviverem. Aliás, poucos são, neste país, os meios de comunicação social que se podem dar ao luxo de cobrir um evento dentro do próprio território nacional, se o lugar não se chamar Maputo.
Situação completamente diferente daquela que vivem os órgãos públicos, os quais dispõem de orçamentos musculosos. Orçamentos esses que, muitas vezes, permitem coberturas de eventos que não deviam, de forma nenhuma, ser prioridade num país paupérrimo. Ainda assim, são estes que confundem e atropelam sistematicamente a informação de interesse público.
Enquanto os bravos guerreiros do hóquei vergam desportistas de elite, uns por falta de meios e outros porque é necessário perpetuar feitos “heróicos” dos filhos deste país – libertadores – deram mais importância ao passado e moveram céus e terras para qualquer ponto do país onde se celebrava o nascimento, a morte, o casamento ou até os 100 anos de uma mãe de um libertador.
Resultado: enquanto atletas derramaram suor, sangue e lágrimas por Moçambique, algumas pessoas transmitiam subliminarmente, aos 22 milhões de compatriotas, a mensagem de que temos uma dívida impagável aos que pegaram em armas. Portanto, informação sobre o dedo mindinho de qualquer um deles é mais importante do que qualquer coisa neste país.
Porém, o destino, tecedor de mil ardis e inexorável, não calhou em esquecer o esforço de Bruno Pimentel e companhia em prol do modalidade que tanto amam. Com a lentidão própria destas coisas, o Mundial foi retirado de Moçambique e na sequência os competentes dirigentes nacionais deram prioridade aos Jogos das 21 medalhas.
O hóquei, esse, seguiu o seu caminho sem um queixume e, ainda por cima, com o carimbo da incompetência organizativa para o resto dos participantes no Mundial da Argentina. Moçambique, não se imagina porquê e apesar da sua condição de país maravilhoso, não se terá apresentado como alternativa válida ao Comité e, desse modo, a selecção lá teve, ao cabo de muitas voltas, aquilo que nenhum atleta queria.
Ou seja, competir em desigualdade com os outros. Por isso, esta classifi cação é um grito de revolta contra os Pedritos da vida e toda a estrutura que os suporta.
No entanto, o que se viu na última terça-feira (4 de Outubro) durante a chegada da selecção nacional de hóquei não passou de aproveitamento político em todo o seu esplendor, ou pior, na sua forma de suprema prepotência.
A presença do ministro da Juventude e Desportos e a sua turma no Aeroporto Internacional de Maputo foi o exemplo acabado de oportunismo, pois, quando os “rapazes dos patins” precisaram da atenção destes a única coisa que receberam foi uma mão cheia de nada.
Aliás, estes enclausuraram-se no conforto dos seus covis e afogavam-se em massificados almoços e jantares regados com vinho e whisky, pagos com o suor e sangue do povo que é forçado a viver à intempérie da crise económica.
Na verdade, tudo não passou de uma encenação - qual “Paixão de Cristo” – para os meios de comunicação social verem, reportarem e aplaudirem. @Verdade é que não se deixa impressionar e muito menos enganar porque, como todos os moçambicanos atentos, sabe que há muita hipocrisia no acto de Pedrito Caetano.
E por isso repudiamos esse tipo de mediocridade com as quais o Governo de turno já nos habituou. Em suma: há quem consegue ter, sem muito esforço, comportamento mais indecoroso do que os meios de comunicação social juntos…

PS: Sendo estas e outras as causas eficientes da recente comoção pública, a culminar na aludida cruzada televisiva pedritiana, não sabemos o que nesta demonstração de ausência de escrúpulos mais nos perturbou.
A inexistência de competição em Moçambique e o discurso vociferante de Pedrito Caetano, com a habitual autoridade em fazer discursos bajulatórios e reivindicar a visão clarividente do Chefe do Estado em feitos que nada têm a ver com ele, arrancou sucessivos aplausos da sua comitiva com punch lines mordazes, do estilo “agradecer a sábia liderança do Presidente da República”. Como se o PR tivesse calçado patins.

Editorial, @Verdade.

Sunday, 9 October 2011

Bombas que viram bares e discotecas!



ACONTECE em muitas bombas de abastecimento de combustível da cidade do Maputo, que para além deste serviço possuem lojas de conveniência.
Geralmente, aos fins-de-semana e com a possibilidade de acontecer durante os dias úteis à noite e até madrugada fora, algumas bombas de combustível transformam-se em bares, discotecas, palcos de espectáculos baratos, numa atitude a todos os níveis condenável. Os actores principais são, maioritariamente, jovens que saem de casa, sob pretexto de lazer.
Com o álcool já a perturbar as suas faculdades mentais, “descem” para todo o tipo de indecência possível, dançando ao som da música, regra geral ensurdecedor, que brota de colunas de viaturas que os transporta, incomodando a qualquer um, alheio à adrenalina dos jovens. Carros enchendo pátios das bombas, numa competição de repertórios e da potência de amplificadores de som que provoca uma poluição que só não aborrece a quem a origina. Coitado dos empregados das bombas que só têm que garantir o negócio do patrão.
Estas situações atentam contra a tranquilidade e, em muitos casos, ao pudor, pois ao som da música e sob efeito do álcool, vemos meninas nas bombas que chegam até quase que a se “aliviarem” da indumentária e sem se importar da presença, naquele espaço, daqueles homens que ali trabalham ou outros utentes. Mas onde é que andam as autoridades para porem termo a isto que já ninguém estranha, apesar de não ser normal?
Alguns são vistos nestes lugares à madrugada ou já com o sol a raiar e se metem logo a seguir na estrada, onde criam condições para a ocorrência de acidentes.
Há jovens que perdem a vida ou ficam completamente inválidos pelo resto da vida ou ainda acabam com a vida de terceiros por conduzirem já sem reflexos, por conta dos “copos” consumidos nas bombas de gasolina.
Mesmo partindo do pressuposto de que não só se vende álcool nas lojas de conveniência, podemos admitir uma hipótese: a dos jovens terem adquirido bebidas noutros lugares e tendo as bombas e ou lojas de conveniência como locais apropriados para o consumo, ficam ali a consumi-las até ao raiar do sol para depois pegar no volante.
Nalgum momento, chegou a haver um debate de âmbito nacional e a vários níveis, sobre o assunto, mas não se sabe por que é que esse debate foi abandonado. Perece que a sociedade rendeu-se perante o problema. O álcool falou mais que o bom senso, a julgar pelo silêncio das autoridades competentes que até já falavam de medidas contra a prática.
Enquanto a coisa continuar esquecida, vamos assistindo imoralidades naqueles espaços e mortes nas ruas da cidade associadas ao álcool consumido ou adquirido nas bombas de gasolina.

Notícias - 08.10.2011

Mia Couto vencedor do prémio Eduardo Lourenço


Mia Couto é o vencedor da sétima edição do Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 10 mil euros, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), anunciado este sábado, 8, na cidade da Guarda em Portugal.
Segundo o jornal português Diário de Notícias, a decisão foi comunicada por João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, no final de uma reunião do júri, a que presidiu, realizada nas instalações do CEI, naquela cidade no Sábado.
Instituído em 2004, o prémio anual, que tem o nome do ensaísta Eduardo Lourenço, mentor e presidente honorífico do CEI, destina-se a galardoar personalidades ou instituições, portuguesas ou espanholas, "com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica".
Como escreve o DN, desta vez, segundo o presidente do júri, foi atribuído a Mia Couto, escritor que "alargou os horizontes da língua portuguesa e da cultura ibérica".
João Gabriel Silva disse à agência Lusa que a distinção foi entregue ao escritor Moçambicano "por unanimidade e aclamação", num conjunto de 15 concorrentes, pela importância que a sua obra representa "para o espaço ibérico".
"Todos reconhecemos a sua enorme contribuição para a cultura ibérica. Acho que é uma excelente escolha, é alguém que enormemente engrandece a cultura portuguesa e ibérica", declarou.

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Saturday, 8 October 2011

Estaremos realmente em Paz?

Fez esta semana, na terça-feira, 19 anos que terminou a Guerra Civil em Moçambique, mas temos dúvidas se é sensato dizer-se que Moçambique celebrou a 04 de Outubro corrente 19 anos de Paz.
O 04 de Outubro está consagrado como o ‘Dia da Paz’ porque foi a 04 de Outubro de 1992 que se assinou em Roma o acordo que permitiu que terminassem as hostilidades e a violência armada generalizada entre moçambicanos com pensamento diferente. É realmente o dia do Acordo Geral de Paz firmado na capital italiana. Duvidamos, no entanto, que por este andar, se possa dizer que estamos em Paz e até mesmo que algo realmente perturbador da ordem pública não nos surpreenda como já muita gente foi surpreendida com os levantamentos populares de 5 de Fevereiro de 2008 e o 1 e 2 de Setembro de 2010.

Editorial do Canalmoz / Canal de Moçambique, Continue lendo aqui!

Friday, 7 October 2011

MDM formaliza sua candidatura

Eleições intercalares 2011

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), através do seu mandatário, José Manuel de Sousa, remeteu ontem, ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), o expediente da formalização da candidatura de Manuel de Araújo, Maria Moreno e Assamo Tique, como candidatos às edilidades de Quelimane, Cuamba e Pemba, respectivamente.
O único imbróglio que reside até hoje é o atestado de residência de Maria Moreno no município de Cuamba. O documento passado, segundo José Manuel de Sousa, diz que Moreno começou a residir em Cuamba a partir de Julho deste ano. “Isso não constitui a verdade”, segundo De Sousa.
A lei das eleições municipais exige que o candidato a edil de uma autarquia esteja a viver nessa mesma autarquia a pelo menos seis meses. Assim, quando o atestado diz que Moreno reside em Cuamba somente a partir de Julho, significa que a candidata só tem três meses em Cuamba e, logo, a sua candidatura é ilegal.
José Manuel de Sousa diz que isso deixa claro que há uma tendência de afastar “a nossa candidata”.

Moreno queixou-se ao CC

Prevendo a sua possível exclusão, diz De Sousa que Moreno remeteu uma carta-reclamação junto à Comissão Distrital de Eleições de Cuamba e provincial do Niassa. Participou também o caso ao Ministério da Administração Estatal (MAE), órgão de tutela, e ao Conselho Constitucional (CC), órgão máximo da verificação da legalidade ou não das candidaturas às eleições.

O País

Zâmbia: Michael Sata nomeia um branco (Guy Scott) para vice-Presidente da República


Guy Scott, filho de imigrantes britânicos no que era chamado de Rodésia do Norte (Zâmbia) acredita que a sua nomeação, semana passada, para o cargo de vice-presidente do país, poderá abrir caminho a que outros países africanos sigam o exemplo e que se reconciliem com a sua história colonial e ultrapassem o preconceito racial.
Acredita-se que Scott seja o primeiro homem de raça branca a ocupar tão alto cargo num governo africano desde o fim do apartheid na África do Sul, em 1994.
Scott ganhou por esmagadora maioria no seu círculo eleitoral, mês passado, e daí ser nomeado vice-presidente pelo Presidente Michael Sata.
Na sua primeira entrevista internacional, Scott disse que “sempre suspeitei que a Zâmbia está a passar de uma condição pós-colonial para de cosmopolita. A mentalidade das pessoas estão a mudar. Já não cruzam os braços a pensar o que é que estava mal no colonialismo”.
A uma pergunta sobre se ele consegue imaginar um vice-presidente branco no Zimbabwe, Scott disse que “nós estamos independentes desde 1964 e talvez estejamos bem mais adiantados no jogo de ‘perdoar e esquecer’. Não penso que o racismo tenha mais tempo de duração no Zimbabwe. Talvez esta seja uma lição que vai ser imitada por outros países em África.”

(RM/AIM)

Thursday, 6 October 2011

Ornila Machel: Corrupção e ganância são principais problemas de Moçambique


Para Ornila Machel , se o seu pai fosse vivo , o actual estado de coisas em Moçambique seria um autêntico choque para ele.

Ornila Machel, filha do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, afirmou numa entrevista à “Voz da América” que , 19 anos depois da conclusão dos acordos de paz, a corrupção e a ganância prevalecem em Moçambique.
Para Ornila Machel , se o seu pai fosse vivo , o actual estado de coisas em Moçambique seria um autêntico choque para ele.
Foi no dia 4 de Outubro de 1992, em Roma, capital italiana, que os contendores moçambicanos, assinaram os acordos depois de 16 anos de guerra civil.
Já passaram dezanove anos, já não há tiros, balas a zumbir, mas, para Ornila Machel, ainda não há paz em Moçambique.
Não há paz porque, segundo ela, ainda se sofre muito. Os níveis de analfabetismo e de pobreza são elevados. A dependência económica é grande e há, dentro do país, pouca solidariedade.
A corrupção, é outro problema grave que afecta a sociedade moçambicana e que incomoda a filha do falecido presidente Samora Machel.
Para Ornila Machel, a situação é tão má que, "se Samora fosse vivo, não resistiria".
Ouça a entrevista concedida pela filha do primeiro presidente moçambicano à “Voz da América” conduzida pelo Francisco Júnior.

Escute a entrevista aqui!

Oposição critica excessiva intromissão da Frelimo no Estado e a cultura de intolerância

A oposição também esteve nas cerimónias centrais do ‘Dia da Paz’, em Maputo. Este segmento da sociedade destaca apenas o calar das armas e não a paz social, porque segundo dizem, a pobreza ainda continua devido às políticas que fomentam a corrupção. Alegam, entretanto, que “a corrupção é fomentada pela Frelimo”. Para a oposição “não nos podemos vangloriar pela paz numa situação em que há pessoas que vivem em situação de pobreza extrema”.
“As pessoas já não estão a suportar o nível de vida perante a ostentação dos dirigentes e membros da Frelimo e isso pode gerar uma convulsão imparável”, referem vozes da oposição.

Matias Guente, Canalmoz. Leia aqui!

Wednesday, 5 October 2011

Implementação do Acordo Geral da Paz

Movimento Democrático de Moçambique acusa Frelimo de agir de «má fé»

Maputo – O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), José de Sousa, acusou o partido Frelimo de violar o Acordo Geral da Paz, no que respeita ao enquadramento dos guerrilheiros da Renamo, nas forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
«Quando analisamos profundamente o Acordo Geral da Paz, notamos que o partido Frelimo agiu de má fé ao expulsar os guerrilheiros da Renamo que foram enquadrados nas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique. Assim, o partido no poder violou o que foi assinado e acordado a 4 de Outubro de 1992, em Roma. A questão dos militares devia ser respeitada porque influencia a segurança do povo», declarou José de Sousa à PNN.
Na opinião da Renamo, a «Frelimo é um regime comunista, um partido marxista-leninista e a sua organização é baseada na promoção da corrupção.
A Renamo, em revindicação dos moçambicanos que foram assassinados nos campos de reeducação e da criação das aldeias
comunais com objectivo de privar o povo do direito à liberdade, em 1975, decidiu combater o regime para libertar os cidadãos do abuso», declarou Arlindo Bila, delegado político da Renamo, em Maputo.
Arlindo Bila, disse ainda que a luta contra o Governo maxista e leninista instalado em Moçambique após a independência nacional em 1975, permitiu a abertura ao multipartidarismo e à democracia no País.
A Renamo condenou as políticas «de corrupção» implementadas pelo Governo: «Vemos o nosso povo cada vez mais pobre perante um Governo que abdica da sua missão e entrega-a a terceiros, de forma estranha, incompreensível e sem transparência, sempre com o intuito de burlar e empobrecer os moçambicanos. A paz é sinónimo do bem-estar para todos, e não apenas do calar das armas», afirmou Arlindo Bila.
O partido Frelimo disse que vai continuar a seguir a sua longa trajectória, que se guia pelos princípios de paz: «O desencadear da luta de libertação nacional que culminou com a independência de Moçambique só aconteceu depois de esgotados os meios pacíficos», refere um comunicado enviado à PNN.
«Foi ciente da preponderância e valor da Paz na condução dos destinos dos moçambicanos que o nosso glorioso partido Frelimo firmou os acordos de Incomati, um pacto de não agressão e boa vizinhança que tinha como fim último a Paz. A assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de Outubro, foi o culminar do processo iniciado desde a fundação do nosso partido Frelimo, uma demonstração clara e inequívoca de que sempre privilegiamos o diálogo como mecanismo para a resolução de conflitos», disse a Frelimo, no dia da Paz.
Para a Frelimo, 4 de Outubro de 1992 foi um marco histórico que representou e galvanizou a restauração da esperança nos moçambicanos, ideia hoje solidamente reforçada pela boa governação.
«Foi a determinação dos moçambicanos que permitiu, não só o selar do acordo e o calar das armas, mas também a manutenção da paz até hoje, sinal claro e inequívoco de não retorno à guerra».
A Frelimo ententde que só vivendo em paz o povo moçambicano será capaz de estender a rede de saúde cada vez mais próxima de onde a população necessita.
«Só vivendo em paz será possível levar os serviços da administração da justiça para todos os cantos de Moçambique».
A Frelimo, reconhece que manter a paz é um desafio: «A cada moçambicano se exige uma tomada de consciência de que o caminho da prosperidade só é possível num ambiente de paz».

Jorge Mirione ,(c) PNN Portuguese News Network, Jornal digital

MOZAMBIQUE 186- News reports & clippings, 5 Oct 2011, by Joseph Hanlon




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Price controls
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MLT in trouble again
News briefs

“Acordo de Paz trouxe o fim da guerra e não a reconciliação” – partido Renamo

A Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique e um dos signatários do Acordo Geral de Paz (AGP), de quatro de Outubro de 1992, em Roma, na Itália, considera que a paz está ameaçada no país e insiste em querer realizar manifestações a escala nacional para alegadamente forçar a instauração de um estado de direito e de justiça.
Segundo os dirigentes deste partido, o AGP que hoje completa 19 anos pôs fim a guerra, mas não trouxe a reconciliação entre o Governo e a Renamo, o movimento rebelde.
Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, que falava hoje no bairro suburbano de Hulene, na capital do país, Maputo, numa cerimónia paralela alusiva a data, disse ser por esta razão que os membros daquela formação política optam por celebrar o dia da paz separadamente do Governo.
“Não houve reconciliação, por isso fazemos as nossas celebrações ao nível nacional apartado do Governo. Não nos juntamos ao Governo porque não existiu a reconciliação, a concórdia, a união para a edificação de um país. Quando alguém não pertence ao partido no poder é excluído e nós defendemos a nossa firmeza e festejamos à nossa maneira o dia da paz”, disse Mazanga.
Para Mazanga, o AGP simbolizou o fim da guerra e, nesse sentido, se estabeleceu um acordo político que prevê alguns princípios que, para a Renamo, não estão a ser respeitados, sobretudo no que refere ao exército.
“O acordo não está a ser respeitado, sobretudo em relação ao exército, que seria composto por 30 mil homens, sendo 15 mil da Renamo e outros 15 mil da Frelimo. Acordou-se a partilha de comandos, uma parte seria dirigida pela Renamo e outra pelas Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM), mas todos os quadros superiores e subalternos da Renamo estão a ser espurgados, marginalizados, e são dados títulos de assessores sem nenhuma actividade”, afirmou Ele.
Por sua vez, o delegado político da Renamo na cidade de Maputo, Arlindo Daniel Bila, os 19 anos do AGP celebram-se numa altura em que muitos moçambicanos enfrentam diversas dificuldades que possam perigar a paz em Moçambique.
Segundo Bila, para que a paz seja verdadeiramente salvaguardada pelo povo é preciso que haja paz social, que as desigualdades não prevaleçam, e que os moçambicanos usufruam do que o país possui. Por outro lado, que todos estejamos inclusos no processo de desenvolvimento do país.
A Renamo considera que o 04 de Outubro, dia da paz, é histórico e convida a todos para reflectir sobre o desenvolvimento do país.

(RM/AIM)

“A pobreza está a ser vencida, o que falta é auto-estima”

Guebuza em auto-avaliação

Vários relatórios de avaliação da luta contra a pobreza em Moçambique não têm sido simpáticos para com as pretensões da liderança do País. A liderança tem atribuído “derrotas e golpes” à pobreza. Mas avaliações de diferentes entidades, sendo a mais recente a do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicada em Maio, têm provado que Moçambique está a registar algum crescimento, mas “o crescimento não está a ser inclusivo” e “os pobres estão a ficar cada vez mais pobres e desprovidos de meios para combater a pobreza e os ricos estão a ficar cada vez mais ricos”.
Já o Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF) do Instituto Nacional de Estatística, antes do FMI, tinha mostrado que a pobreza estava a aumentar.

Matias Guente, Canalmoz. Leia aqui.

Tuesday, 4 October 2011

MOZAMBIQUE 185 - News reports & clippings

Hoje é Dia da Paz

ASSINALA-SE hoje no país o Dia da Paz e Reconciliação, que este ano coincide com a passagem do 19º aniversário do AGP, assinado na capital italiana, Roma, em 1992, entre o Governo e a Renamo, pondo termo a 16 anos de guerra.

Maputo, Terça-Feira, 4 de Outubro de 2011:: Notícias

O conflito armado que durou 16 anos custou à vida de milhares de compatriotas e dilacerou a economia nacional, com consequências bastante trágicas para o tecido social. As negociações de Roma foram um processo que levou longos anos. Da parte governamental foi subscritor do acordo o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, enquanto que pela Renamo o seu líder, Afonso Dhlakama.
As conversações foram conduzidas, respectivamente por Teodato Hunguana, do lado do Governo, e Raul Domingos, em representação da Renamo.
O AGP, composto por sete protocolos, constituiu o principal instrumento para o cessar-fogo, desmobilização das forças militares dos dois lados, criação de um novo exército apartidário, para além de ter servido de base para a realização das primeiras eleições gerais multipartidárias, cuja votação aconteceu em Outubro de 1994.
Falando, em 2010, numa palestra alusiva aos 18 anos do acordo, Teodato Hunguana defendeu o diálogo como uma das principais, se não a principal forma de se manter a paz e a estabilidade política, económica e social no país. Segundo afirmou, a paz que o país agora procura não é a do calar das armas, mas sim a que contribua para a estabilidade social e económica.
“Para tal, o país deve ser capaz de criar as condições de diálogo que permitam evitar situações de desentendimento e de confusão”, defendeu, acrescentando que os moçambicanos devem ser capazes de criar mecanismos para debater as diferenças existentes, no contexto de uma sociedade democrática.
Por seu turno, Raul Domingos, que também foi orador da palestra, afirmou que o desafio da manutenção da paz e da criação de condições para que o país viva uma democracia genuína, com verdadeiros liberdades de expressão, circulação, associação e outras, é dos jovens.
Cidadãos ouvidos pelo “Notícias” a-propósito da efeméride destacaram a importância da paz para a estabilidade social, política e económica do país e defenderam que todos os moçambicanos devem preservá-la, pois a experiência amarga da guerra recorda o sofrimento a que estiveram votados durante os 16 anos.

Marcos Macamo, secretário-geral do CCM: Preparar activistas da paz


O secretário-geral do Conselho Cristão de Moçambique, Marcos Macamo, defendeu a necessidade de a Igreja formar permanentemente os agentes e activistas da paz, em qualquer lugar onde estejam. Acrescentou que a Igreja em Moçambique aposta na preservação da paz como dom de Deus, pois só com ela é que se pode alcançar o desenvolvimento pleno dos cidadãos.
“A Igreja moçambicana está preocupada com a paz. Achamos que é um momento oportuno para que as igrejas traduzam, na prática, aquilo que elas pregam na Igreja. Ao realizarem esta marcha, as igrejas querem traduzir aquilo que é o seu ensinamento na Igreja, que é a paz e harmonia”, disse.
Segundo Marcos Macamo, a Igreja deve transmitir, através dos seus agentes, a mensagem da paz em todas instituições, quer sejam do Estado, quer sejam da sociedade civil.
Marcos Macamo afirmou que os políticos devem amar o povo em primeiro lugar e não o usem como escudo. Devem acarinhar e buscar o povo. Para Marcos Macamo, quem busca o carinho do povo é que solidariza com o próprio povo, é quem penetra no próprio povo.
Disse que os moçambicanos não devem se diabolizar-se entre si, porque cada um tem a sua forma de ler a sociedade e o mundo. De uma forma diplomática, de forma sociolizante, devemos procurar resolver as diferenças. Não interessa onde o povo vai, mas quem é portador da harmonia.
“Deus pode usar a política para a paz. Os políticos devem saber que têm a maior responsabilidade de carregar o povo nas costas. E nós como Igreja temos que ter a coragem de nos aproximarmos aos políticos, não para digladiarmo-nos mas para dizermos aquilo que é a verdade”, disse.

Monday, 3 October 2011

Editorial: Paz não deve significar somente o fim da guerra

O país celebra nesta terça-feira, amanhã, a data consagrada histórica para o povo moçambicano e o mundo inteiro, 4 de Outubro, Dia da Paz, por ter sido nesta data, em 1992, em Roma, que o Governo da Frelimo e a Renamo subscreveram o Acordo Geral de Paz (AGP), também conhecido por Acordo de Roma, que marcou o fim do conflito armado que durou 16 anos, tendo causado um milhão de vitimas mortais, seis milhões de deslocados e refugiados, além de ter reduzido significativamente a capacidade sustentável do país, entre outras consequências de elevado impacto sócio-cultural-político e económico.
Já passam 19 anos desde o fim da Guerra e começa haver cada vez mais consciência de que a Paz em Moçambique e no mundo inteiro não pode ser resumida apenas ao calar das armas. O fim da Guerra é apenas uma etapa do processo da paz, sendo por isso a sociedade moçambicana não somente deve estar concentrada para consolidar essa importante etapa, mas acima de tudo preparada aos desafios que ainda tem de enfrentar para vencer outras etapadas que formam a Paz. Os alicerces para uma boa Paz que se pretende em Moçambique e no mundo inteiro assentam sobre uma vasta gama de valores para além da ausência de Guerra e de dissensões. Os moçambicanos e os povos de todo o mundo para estarem a viver em Paz, no sentido real da afirmação, precisam em primeiro lugar sentir a quietação de ânimo, precisam viver em ambiente de sossego e de tranquilidade, precisam viver em boa harmonia, num ambiente de concórdia, de paciência e de reconciliação.
A realidade hoje testemunha esses alicerces que sustentam a Paz, a Paz que o país celebra amanhã, não existem em muitos moçambicanos, reduzindo a Paz do calar das armas alcançada em Outubro de 1992 a uma insignificância. Compete a todos os moçambicanos, independentemente das suas diferenças, o engajamento para se alcançar uma verdadeira Paz, que todos pretendemos. A família e a igreja, pela sua maior aproximação a moralização da sociedade, devem ser mais proactivos nessa luta de criação de condições para uma verdadeira Paz para os moçambicanos. As instituições de ensino, as universidades e as demais vocacionadas ao campo da ciência exige-se cada vez maior envolvimento nessa luta, aplicando o seu potencial conhecimento e saber na pesquisa, investigação e identificação das melhores formas que permitam os moçambicanos terem uma vida melhor. Os políticos, as organizações da sociedade civil, os artistas e outros actores com potencial papel mobilizador devem assumir essa influência para exercer mudanças no comportamento dos homens para que todos vivam em harmonia e num ambiente de concórdia. O Estado, os parceiros de cooperação e o sector privado devem assegurar o patrocínio de todas actividades que visam a promoção da Paz e do bem estar dos moçambicanos, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico.
Por último, já que falamos da celebração de mais um aniversário do AGP, endereçamos gratidão aos ex-beligerantes pelo facto de conseguirem preservar o Acordo, gratidão extensiva aos mediadores e demais intervenientes do processo.

O AUTARCA – 03.10.2011, citado no Moçambique para todos

Força aérea

Aqui há poucos dias, a propósito do 25 de Setembro, a Rádio Moçambique entrevistou o Vice-Ministro da Defesa. Entrevista daquelas em que os ouvintes podem ligar para lá e comunicar com o entrevistado.
E foi o que eu fiz. Liguei e perguntei ao sr. Vice-Ministro onde estava todo o equipamento de voo que a nossa força aérea possuia ainda quando foram assinados os acordos de paz entre o Governo e a Renamo.
E foi aí que eu descobri que aquele dirigente militar teria dado um excelente futebolista. Fintas, de todo o tipo, eram com ele. Deu voltas e mais voltas sem nunca, no entanto, responder à pergunta.
O entrevistador insistiu e recebeu novo festival de fintas. Mais adiante, um outro ouvinte declarou que não tinha ficado satisfeito com as respostas à minha pergunta e o bom do Vice-Ministro acabou por dizer que todo o material que havia naquele tempo continua a existir. O jornalista perguntou se esse material continuava em estado de voar e o dirigente acabou por se refugiar no segredo militar para não responder à pergunta.
Porque, diga-se a verdade, é uma pergunta incómoda que levanta muitos fantasmas do passado.
Como se compreende, por exemplo, que o Chefe de Estado gaste rios de dinheiro a alugar helicópteros no estrangeiro, para as suas presidências abertas, se a nossa Força Aérea tem esse tipo de aparelhos?
A resposta é que não tem. Se bem me apercebo a nossa Força Aérea tem, neste momento, um único aparelho que voa, um avião de treino que Portugal ofereceu há uns meses. E que creio que foi o aparelho que andou a sobrevoar a baía no passado domingo.
O resto desapareceu sem deixar rasto. Ou deixando muito pouco rasto…
Eeben Barlow é um ex-militar sul-africano que criou uma empresa de mercenários que actuou em vários países africanos, a Executive Outcomes. E escreveu um livro a contar a vida dessa organização. Na página 333 desse livro conta como a Executive Outcomes foi contratada para actuar na Serra Leoa. E de como precisavam de helicópteros de combate para essa missão. E de como, nas suas palavras, “comprámos dois helicópteros Mi 17, em segunda mão em Moçambique”. Talvez não seja difícil, sabendo-se a data (1995) descobrir quem foram os vendedores, do lado moçambicano.
E, percorrendo-se os jornais, poder-se-á descobrir as notícias que, por essas alturas, vieram a público notícias de camiões interceptados, a caminho da fronteira, carregados com motores de avião e de helicóptero.
Mas isso era se houvesse vontade política de descobrir estes mistérios. O que não parece nada provável!

Escrito por Machado da Graça, Savana. Leia aqui.

O bom exemplo da Zâmbia: nós também podemos!

Na Zâmbia voltou a haver mudanças. A oposição vai agora para o poder. Michael Sata, líder de um partido da oposição, o ‘Freedom Front’, destronou Rupiah Banda. Todos eles são dissidentes do antigo partido de Kenenth Kaunda. É a Zâmbia a democratizar-se de facto e de jure, sem violência e sem guerra.

Editorial do Canalmoz. Continue lendo aqui.

Sunday, 2 October 2011

Frascos de álcool e silêncio total

O CONSUMO cada vez maior de bebidas espirituosas, tais como tentação, double punch, el salvador e boss (só para citar alguns exemplos), sobretudo nos grandes centros urbanos do país, particularmente Maputo, é de todo preocupante.

Maputo, Sábado, 1 de Outubro de 2011:: Notícias

Não se sabe bem se é o teor alcoólico que é alto ou é a qualidade que é estranha. O que é certo é que é bastante forte. Vendidas e embaladas em pequenas garrafas plásticas ou em saquetas, com publicidade exótica. São comercializadas a baixo preço e por essa razão e à partida preferenciais de dois grupos sociais: os adolescentes e os menos capacitados, financeiramente.
Socialmente estão a produzir estragos estrondosos. São bombas-relógio a longo prazo. São baratas, variam de sete a 25 meticais. Viciam rápido, criam dependência, facilmente.
São vendidas ao desbarato em qualquer esquina.
Não há pai que não pense nessas bebidas por causa dos filhos. Não há director de escola que não esteja saturado com problemas disciplinares por causa dessas bebidas. Mas nenhuma instituição toma a iniciativa de transformá-los num caso público de debate.
Por muitas voltas que a gente dê, estas bebidas em particular, a médio prazo, vão se transformar num problema de saúde pública. Socialmente já o são.
Os adolescentes, sobretudo estudantes de escolas secundárias, levam-nas em pastas escolares ou nos bolsos das calças. Deliciam-se delas durante os intervalos ou mesmo na sala de aulas, com o olhar cúmplice de colegas ou de funcionários da escola. Ninguém chama atenção por essas atitudes não normais mas que já não estranhamos.
Aliás, há relatos de casos de baixo aproveitamento pedagógico nas escolas, violações sexuais, imoralidade generalizada protagonizados por menores, sob efeito daquele tipo de bebidas. Intrigante é que são publicitadas como se de bens essenciais à vida se tratasse.
Os financeiramente incapacitados, quando dão o seu máximo esforço, realizando pequenos trabalhos, no momento da compensação, aplicam os resultados na aquisição dessas bebidas.
Têm sido questionada a origem da matéria-prima usada para o seu fabrico, devido ao efeito destruidor entre os seus consumidores. Para já, neste capítulo, o laboratório de higiene e alimentos do Ministério da Saúde tem uma palavra a dizer.
Antes de licenciar estas fabriquetas, devia-se avaliar o impacto das bebidas na saúde humana. Há que pesar entre os prejuízos e benefícios a tirar do negócio. Não há impostos que justifiquem a degradação de um segmento tão valioso para o futuro de uma nação: a juventude. São coisas que já não estranhamos!

Saturday, 1 October 2011

Mundial de Hóquei em Patins: “Golo de Ouro” da Espanha afasta Moçambique da final


Moçambicanos forçaram os campeões do mundo a ir para o prolongamento após empate (3-3)

A maioria dos adeptos de hóquei em patins previa uma vitória gorda da Espanha diante de Moçambique, a contar para as meias-finais, mas os moçambicanos conseguiram mesmo forçar o prolongamento e apenas cederam nessa fase do encontro, perdendo por 4-3.
Jordi Bargalló, com um golo ainda no primeiro minuto do tempo extra, resolveu a questão e deu aos espanhóis uma vitória muito sofrida.
Por Moçambique marcaram Mário Rodrigues, Bruno Pinto e Frederico Saraiva.
Além do golo de ouro, Bargalló foi mesmo a grande figura do encontro, marcando três tentos dos espanhóis. Pedro Gil fez o outro golo da equipa de Espanha.
Apesar do desaire, o público do Aldo Cantoni brindou os moçambicanos com uma enorme ovação no término do encontro com a equipa espanhola, que desta forma é a primeira finalista.

Radio Moçambique