Wednesday, 9 February 2011

Oposição e religiosos exigem desculpas a Jacob Zuma

Partidos da oposição e o Conselho das Igrejas da África do Sul apelam ao Presidente sul-africano, Jacob Zuma, para pedir desculpas pelo seu discurso segundo o qual só os membros do Congresso Nacional Africano (ANC) é que serão aceites no “paraíso”.
Zuma discursava fim-de-semana num comício realizado em Mthatha, província do Cabo Oriental (terra natal do primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela), inserido numa campanha eleitoral do seu partido para as autarquias deste ano, cuja data ainda não foi anunciada.
Na reunião, ele declarou que somente os militantes do ANC é que têm lugar assegurado no paraíso, o que para as organizações religiosas é uma blasfémia.
Eddie Makue, Secretário- Geral do Conselho das Igrejas da África do Sul, convidou assim ao Presidente a pedir desculpas pela blasfémia, que pode separar os sul-africanos.
Disse ser preocupante ouvir do Presidente um discurso do género, pedindo aos dirigentes sul-africanos que se distanciem deste tipo de declarações.
O líder do Partido Cristão Democrático Africano (ACDP), Kenneth Meshoe, descreveu o pronunciamento de Zuma de uma “desgraça”. Meshoe disse que a declaração não é mais senão um engano aos sul-africanos e um “insulto” às congregações religiosas.
Por seu turno, a líder da Aliança Democrática (DA), na oposição, Helen Zille, disse que as palavras de Zuma são “totalmente incendiárias, perigosas por dividirem as comunidades sul-africanas”. Zille afirmou que o discurso do Presidente é uma “vergonha e chantagem a organizações religosas”.
No comício, o estadista sulafricano afirmou que quem estiver a votar a favor do seu partido estava automaticamente a entrar no paraíso, acrescentando que quem tiver o cartão de membro do ANC estava abençoado. Em 2008, Zuma foi alvo de críticas depois de afirmar que o ANC iria governar até a vinda de Jesus Cristo.

A Verdade

Frelimo ataca e distancia-se das declarações de Marcelino dos Santos


“Capitalismo e comércio privado atentam à unidade nacional”

As declarações do camarada Marcelino dos Santos não reflectem o posicionamento do partido, são, sim, uma opinião pessoal, diz Paúnde
A Frelimo, através do seu secretário-geral, Filipe Paúnde, veio, ontem, distanciar-se das declarações do antigo vice-presidente deste partido, Marcelino dos Santos, segundo as quais o capitalismo e o comércio privado podem atentar contra a unidade nacional.

O País. Leia mais aqui.

Nota do José
= Filipe Paúnde não teve coragem de se distanciar das declarações de Marcelino sobre os "reacionários" Uria Simango e Kavandame.

Zapiro e o céu de Jacob Zuma


Jacob Zuma, Presidente da África do Sul, afirmou recentemente que só os membros do seu Partido, o ANC, entrariam no céu.
O caricaturista Zapiro, várias vezes mencionando neste blog, mostra neste cartoon a possível visão de Zuma sobre o céu.
Para ampliar o desenho, coloque o rato sobre a imagem, premindo o lado esquerdo.

Cartoon no Timeslive

Tuesday, 8 February 2011

O Egipto e as contradições do Ocidente


Não será arriscado dizer-se que muito do futuro do Ocidente se vai jogar no Egipto nos próximos meses. E alguns cenários não são nada risonhos

O que está em jogo no Egipto não é só o destino de um povo. Nem é só o destino da nação que construiu as pirâmides 2500 anos antes de os imperadores romanos as terem admirado. O que está em causa no Egipto é a relação do Ocidente com o islão. É a relação que produziu os ataques do 11 de Setembro e as guerras do Afeganistão e do Iraque. Não é coisa pequena.
O problema com que se depara o Ocidente é simples. Por um lado, gostaríamos de promover a democracia e o de-senvolvimento egípcio. Por outro, uma democracia egípcia poderia produzir um governo islamita e antiocidental. Esta tensão, impossível de resolver, obriga o Ocidente a correr riscos que não controla inteiramente.
A chave do problema encontra-se nas mãos das forças armadas egípcias. Mubarak sempre dependeu delas. E elas dependem em larga medida dos EUA. Desde o acordo de Camp David entre Israel e o Egipto em 1978, os EUA dão anualmente aos militares egípcios cerca de mil milhões de euros em treino e equipamento. Os tanques nas ruas do Cairo são M1 americanos, tal como o são os aviões F-16 que os sobrevoam. Isto faz com que as chefias militares egípcias tenham interesse em manter o apoio de Washington. É por isso que as forças estacionadas na capital têm sido tão passivas. Ora o Ocidente pode usar esta alavanca para influenciar o futuro do Egipto numa de duas direcções.
O cenário prudente é a continuação do actual regime com um novo ditador. De facto, parece ser esta a estratégia de Mubarak. Por um lado, colocou um homem da confiança dos militares, Omar Suleiman, na linha de sucessão. Por outro, não ordenou às tropas que dispersassem os manifestantes, deixando esse trabalho sujo a esquadrões dos seus "apoiantes". Com esta manobra dupla, mantém o exército do lado do regime - e do lado do aliado americano, que não quer violência. No Outono, as eleições serão comme d''habitude manipuladas, e delas sairá um novo homem forte do Cairo, com muitas promessas ocas de reforma e o apoio da máquina militar. Garante-se um Egipto pró-ocidental, mas garante-se também o reforço do desencanto do mundo islâmico em relação ao Ocidente.
O cenário arriscado começa por pressionar Mubarak a sair já. Depois os EUA pressionam Suleiman e as chefias militares para que não interfiram no processo eleitoral do Outono. Entretanto o Ocidente apoia a formação de partidos políticos seculares, moderados, e genuinamente reformistas. Por fim, resta-nos rezar para que a coisa corra bem. Se assim for, o Egipto terá dentro de meses um governo democrático secular com uma agenda progressista e uma postura internacional pró-Ocidente. A Irmandade Muçulmana sairá das eleições com uma representação parlamentar suficientemente forte para lhe dar voz no sistema político, mas não tão forte que lhe permita controlar o governo.
E se as coisas correrem mal?
Aí configura-se o pior cenário possível. O que acontece se a Irmandade Muçulmana abandonar a sua actual retórica moderada? Ou se o seu apoio ao candidato reformista Mohamed ElBaradei for apenas uma tentativa de infiltrar a democracia para depois a subverter? Ou simplesmente se a Irmandade Muçulmana ganhar as eleições sozinha? O que farão os militares egípcios? E o que fará o Ocidente? Fecha os olhos a um golpe militar que assegure os interesses estratégicos ocidentais mas devolva o Egipto à ditadura e enraiveça muçulmanos pelo mundo fora? Ou aceita que um dos seus principais aliados na região se torne um bastião de fundamentalismo e instabilidade? São estes os riscos.
Neste momento nada é certo. Apenas que é este o cenário que melhor expõe as contradições do Ocidente. E essas contradições são as nossas. De cada um de nós.

Nuno Monteiro, Professor de Relações Internacionais, Universidade de Yale

Senadora propõe greve de sexo para resolver impasse político na Bélgica


Uma senadora belga sugeriu uma forma inédita de tentar acabar com o impasse político em que o seu país se encontra, depois de quase oito meses sem Governo.
Ao jornal De Morgen, a senador Marleen Temmerman disse que os negociadores deviam abster-se de sexo até ser formada uma nova coligação de Governo.
Membro do partido socialista flamengo, e também reputada ginecologista, Temmerman disse ter-se inspirado num caso a que assistiu no Quénia.
A senadora explicou: «Após um ano de debate, um grupo de mulheres pediu às mulheres dos negociadores para deixarem de ter sexo até que se chegasse a um entendimento. Uma semana depois, o acordo estava em cima da mesa».
Temmerman citou ainda o antigo texto grego, Lisistrata, de Aristófanes, que descreve uma bem sucedida greve de sexo decidida por mulheres para acabar uma guerra entre Atenas e Esparta.
As negociações na Bélgica estão bloqueadas desde Junho de 2010, por causa das disputas entre partidos flamengos e francófonos.

SOL

Monday, 7 February 2011

Daviz Simango critica despesa com estátuas de Machel

O próprio Machel seria contrário aquela iniciativa que vai custar ao país o equivalente ao valor de quinze escolas

“O regime de apartheid era um regime anti-humano mas, pelo menos, não fuzilou os seus opositores políticos, razão porque temos, hoje, Nelson Mandela, conseguindo unir os sul-africanos e fazer uma África do Sul moderna, em que os brancos e os negros mutuamente conseguiram reconciliar-se”. A afirmação foi feita por Davis Simango, líder do MDM e filho de Urias Simango, um dos líderes fundadores da Frelimo, que foi fuzilado depois da independência num dos chamados “campos de reeducação”, durante a presidência de Samora Machel.
Daviz falava à Voz da América, a propósito do Dia dos Heróis, sublinhando que ainda há muitos heróis moçambicanos que não foram reconhecidos “porque ou nunca estiveram ligados ao regime ou porque o regime continua a partidarizar o processo de identificação desses mesmos heróis”. O líder do MDM e presidente da Câmara da Beira propõe a criação de uma instância apropriada, devidamente reconhecida pela Assembleia da República, para definir os critérios para escolher os heróis moçambicanos.
Sobre a decisão do governo moçambicano de mandar erigir estátuas de Samora Machel em todas as províncias do país, Daviz Simango manifestou a sua discordância e comentou que o próprio Machel seria contrário aquela iniciativa que vai custar ao país o equivalente ao valor de quinze escolas que não serão construídas, quando se sabe que em Moçambique “700 mil crianças vão estudar debaixo das árvores ou ao relento”.

Filipe Vieira, Voz da América

Escute a entrevista aqui.

Ditadores estão de pedra e cal: Eduardo dos Santos dirige a CPLP e Teodoro Obiang a UA

Enquanto há países que estão a “decapitar” os ditadores, outros há onde eles continua – perante a criminosa indiferença da comunidade internacional – de pedra e cal.

E se isso acontece nos países, o mesmo se passa nas organizações. A Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, é presidida pelo dirigente máximo de Angola, José Eduardo dos Santos, que está no poder há 31 anos sem nunca ter sido eleito, e a União Africana tem na presidência a Guiné-Equatorial, cujo chefe de Estado, Teodoro Obiang, está no poder há mais de 31 anos, onde chegou através de um golpe de Estado.
Reconheça-se, contudo, que tomando como exemplo Angola, a Guiné-Equatorial preenche todas as regras para dirigir a UA como, um dia destes, integrar a CPLP. Não sabe o que é democracia mas, por outro lado, tem fartura de petróleo, o que é condição “sine qua non” para comprar o que bem entender.
Obiang, que a revista norte-americana “Forbes” já apresentou como o oitavo governante mais rico do mundo, e que depositou centenas de milhões de dólares no Riggs Bank, dos EUA, tem sido acusado (tal como como o seu homólogo angolano, por exemplo) de manipular as eleições e de ser altamente corrupto, tal como o que se passa em Angola.
Obiang, que chegou ao poder em 1979, derrubando o tio, Francisco Macias, foi reeleito (isso é que é democracia) com 95 por cento dos votos oficialmente expressos (também contou, como em Angola, com os votos dos mortos), mantendo-se no poder graças a um forte aparelho repressivo, do qual fazem parte os seus guarda-costas marroquinos.
Os vastos proventos que a Guiné-Equatorial recebe da exploração do petróleo e do gás natural poderiam dar uma vida melhor aos 600 mil habitantes dessa antiga colónia espanhola, mas a verdade é que a maior parte deles vive abaixo da linha de pobreza. Em Angola são 70% os pobres...
A Amnistia Internaciona (AI) diz que no país do Presidente Teodoro Obiang ainda se registam “vários casos de detenções e reclusões arbitrárias por motivos políticos”, que normalmente ocorrem “sem que a culpa dos detidos seja formada e formalizada”, e sem que haja “um julgamento justo”.
Estas alusões a Teodoro Obiang e ao seu país encaixam que nem uma luva ao caso de Angola, até mesmo quanto aos anos que os dois presidentes estão no poder.
“Tais práticas não constituem apenas violação dos padrões internacionais de Direitos Humanos aplicáveis às regras processuais policiais, penais e jurisdicionais, mas constituem também forma grave de restrição à liberdade de expressão”, afirma a AI.
As “fortes restrições à liberdade de expressão, associação e manifestação”, os “desaparecimentos forçados de opositores ao Governo”, os “desalojamentos forçados” e a existência de “tortura e outros maus tratos perpetrados pelas forças policiais” são outras das preocupações expressas pela AI referentes a Angola... perdão, referentes à Guiné-Equatorial.
Não se tivesse a certeza que a AI estava a falar da Guiné-Equatorial (formalmente é uma democracia constitucional) e, com extrema facilidade, todos pensariam que estaria a fazer o retrato do reino de José Eduardo dos Santos.
Por outro lado, a AI destaca que “60 por cento” da população da Guiné-Equatorial vive “abaixo do limiar da pobreza”, ou seja, com “menos de um dólar americano por dia”, apesar dos “elevados níveis de crescimento económico do país, da elevada produção de petróleo e de ser um dos países com o rendimento per capita mais elevado do mundo”.
Tal como o seu homólogo angolano, Teodoro Obiang quando fala de princípios democráticos bate aos pontos, entre muitos outros, Jean-Bédel Bokassa, Idi Amin Dada, Mobutu Sese Seko, Robert Mugabe ou Muammar Kadafi.
Atente-se, contudo, no que diz o moçambicano Tomaz Salomão, secretário executivo da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral): "São ditadores, mas pronto, paciência... são as pessoas que estão lá. E os critérios da liderança da organização não obrigam à realização de eleições democráticas”.

Orlando Castro, Alto Hama


ADENDA

“É inevitável que União Africana seja por vezes dirigida por ditadores” - Tomaz Salomão. Leia mais aqui.

Sunday, 6 February 2011

Poema do Futuro Cidadão

Vim de qualquer parte
de uma Nação que ainda não existe,
Vim e estou aqui!

Nã0 nasci apenas eu
nem tu nem nenhum outro...
mas Irmão...

Mas
tenho amor para dar às mãos-cheias.
Amor do que sou
e nada mais.

E
tenho no coração
gritos que não são meus somente
porque venho de um País que ainda não existe.

Ah! Tenho meu Amor a todos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
cidadão de uma Nação que ainda não existe.

José Craveirinha

Nota do José = Assinala-se hoje o oitavo aniversário da morte de José Craveirinha

Um cartoon e uma frase


Augusto Cid, Sol

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E um governo que se revela incapaz de oferecer aos seus cidadãos um modelo de transporte público cómodo, seguro e fiável não pode continuar a dar-nos a pretensão de que foi eleito para servir o povo.

Editorial do Savana

Saturday, 5 February 2011

“Quem escolhe os heróis é o povo”

Telesfério Nhapulo lançou, no ano passado, o Atlas Histórico de Moçambique. O académico olha para o debate em torno dos heróis nacionais de forma desapaixonada. Diz que a História é uma ciência e “está permanentemente à procura da verdade.” Ou seja, o que “está a ser ignorado hoje, amanhã pode ser venerado.”
Aliás, os heróis, diz, devem ser construções do povo. A Revolução de Jasmim, diz o historiador, pode, mais tarde, criar heróis legitimados pelo contexto daquele episódio. Há, então, sempre o reverso da moeda. Por tudo isto, os manuais de História já não falam de Urias Simango como reaccionário. Quanto à obra de Bernabé Lucas Nkomo, afirma que não pode ser posta de parte. Até porque ela faz parte do processo de construção da nossa História.

@VERDADE (@V) – Como se define um herói nacional? Telesfério Nhapulo

(TN) - Isso é difícil de responder porque há vários objectivos que estão subjacentes quando falamos de heróis nacionais. No sentido lato, os heróis são homens extraordinários pelas suas qualidades e pelos seus feitos. São pessoas de grandes valores e magnitude.
Isto significa dizer que, no seio do seu meio social, se destacaram pelas suas acções. Recuando um pouco na história, os gregos chamavam de heróis aos homens divinizados.
Heróis também são homens notáveis pelos seus desmandos, por exemplo, existe uma ordem instituída num determinado país e esses indivíduos contrariam as leis ou impõem-se à ordem instituída, esses indivíduos são também heróis. Olhemos o caso da Tunísia e do Egipto, os acontecimentos que estão a ter lugar hoje, dali podem nascer vários heróis, heróis daquele facto identificado.
É um pouco complexo vermos na essência quem são os heróis. A ciência histórica não aconselha a nomeação de heróis, temos de falar de grandes figuras que se notabilizaram com as suas acções. Mas uma nação tem de ter heróis. Oficialmente podemos indicar, mas o povo é que reconhece os verdadeiros heróis.

(@V) - Tem havido debates sobre a atribuição do estatuto de herói a figuras vivas. Que comentário faz em torno dessa questão?

(TN) - Os heróis têm funções diversas e usam-se para várias finalidades. E falar de eles é como falar da História. Olhemos, por exemplo, para o ensino de História em Moçambique. Porque ensinamos a História às crianças? Um dos grandes desafios que temos hoje em Moçambique é que ela cumpra com a sua função de identificação e de integração num espaço como uma história comum.
A criança tem de se sentir identificada com a pátria, usos e costumes, e a cultura do seu povo. E esse processo de identificação quando for olhar diz, por exemplo, pertenço ao grupo chopi, mas não olha só para esse conjunto olha também para a questão de espaço onde está inserido e a sua história. Então, quando os governantes identificam determinadas figuras políticas, históricas, artísticas ou culturais e outras, o grande dilema em que estão envolvidos é na luta para a construção da unidade nacional.
Buscam essas personagens como figuras integrativas naquilo que se quer como um país. E esse processo da selecção dos heróis pode ser bem feito ou mal feito. Outro grande objectivo é a socialização do Homem. Os indivíduos têm de se identificar com os espaços e os sistemas de valor que dão um carácter moralizante apelando à unidade nacional.
Mas neste processo de apelo à unidade nacional pode-se correr o risco de subverter a própria História. Isto quer dizer que nesta luta para construir o ideal de uma nação una e indivisível se corre sempre o risco de não contar a verdadeira História. Este é o dilema que muitos construtores da nação têm e, muitas vezes, têm de pôr à parte muitas verdades históricas.

(@V) - Podemos dizer que a História de Moçambique cedeu excessivamente ao apelo da unidade nacional, excluindo algumas verdades?

(TN) - A História é uma ciência que permanentemente, por ser história, está sempre a questionar, problematizar e buscar incessantemente a verdade. O que pode ser verdade hoje, amanhã pode não ser como resultado deste questionamento e problematização.
É por isso que eu disse que alguns heróis podem ser ignorados hoje e amanhã podem ser rebuscados porque a História está permanentemente à busca da verdade. O que está a ser ignorado hoje, amanhã pode ser venerado. Se olharmos para as figuras heróicas que hoje estão na proa não significa que daqui a 30 ou 40 anos elas continuarão, não é necessariamente isso. Podem estar outros. Este é que é o problema.

(@V) – Num dos seus artigos de opinião, o analista político escreve “hoje, ao olhar a nossa Praça dos Heróis, sinto que ela corre o risco de, na verdade, se tornar um SIMPLES CEMITÉRIO FAMILIAR, visto que os que lá repousam pertencem quase à mesma linhagem etnolinguística, regional e cultural”. Esta é uma questão oportuna?

(TN) - Esses são debates que se fazem mas o importante não é isso. O problema é que todas as escolhas que forem feitas nunca vão satisfazer as vontades de todos, daí que está sempre presente, no processo da selecção, a crítica e a problematização. A História abre este campo e significa que aqueles heróis podem ser representativos assim como não. Ao longo do tempo, uns vão sendo eliminados pela História e outros vão sobreviver, isso depende muito daquilo que representa na memória das pessoas.

(@V) - Podemos considerar o livro de Bernabé Lucas Nkomo um manual de História para consulta, uma vez que nos traz uma outra versão da História de Moçambique e apresenta-nos um Uria Simango diferente daquele que nos foi dado a conhecer?

(TN) – Nos últimos 10 anos, os manuais de História já não falam assim, significa que houve uma correcção, é aquilo que digo que a História está permanentemente a autocensurar- se e auto-criticar-se.
Isto para dizer que, se olhar para os vários acontecimentos da nossa História, há muita informação que temos hoje que não havia há 10 anos. Então, a obra de Bernabé Nkomo é mais uma obra que contribui, digamos, para uma reflexão histórica, para o debate e ela não pode ser posta à parte. Ela faz parte do processo da construção da nossa História.
A História não se esgota com o livro de Nkomo, com o manual de História publicado pela UEM, com a obra de Teresa Cruz e Silva ou de António Sopa. A construção da nossa História é um processo que vai evolver estudiosos que vão trazendo coisas novas para a nossa História e nesse percurso vão trazer novos heróis e eliminando alguns. É a dinâmica do processo da construção da História.

(@V) - Diversas pessoas têm vindo a questionar a heroicidade de algumas figuras, tal como Samora Machel…

(TN) - Este é o grande problema da nomeação de heróis. Quando o poder político indica que fulano é herói, sicrano é herói, cria esses questionamentos, esses debates e não só. Também faz surgir diferentes linhas de interpretação. Mas olhando para aquilo que são os grandes objectivos da construção da nação moçambicana, Samora Machel foi uma personalidade marcante na História de Moçambique.
Foi o primeiro Presidente da República, independentemente de as pessoas quererem ou não. O nascimento de Moçambique como República nasce com esta grande figura política. Ele está intimamente ligado a esta nação e, para alguns círculos políticos, ele é um grande herói moçambicano, uma figura política de destaque para a nação. O debate que se levanta à volta da heroicidade se recuarmos e olharmos para aqueles conceitos, existem várias interpretações.
Se consideramos herói nacional uma pessoa que soube enfrentar o sistema de dominação colonial, nesta perspectiva ele é herói. Podemos ver noutros quadrantes: a questão da moralidade e outros elementos que são trazidos para a classificação da personalidade.
Pode ser aprovado numa e desqualificado noutras, porque para aceitarmos uma determinada figura como herói tínhamos de trazer uma série de critérios. Se os critérios forem claros é fácil chegarmos a esta conclusão, mas esses preceitos também com o andar de tempo podem ser postos em causa. Este debate é extremamente complexo.

(@V) – Que critérios deveriam ser usados de modo a ter-se um consenso?

(TN) - Sou um professor de História e, como professor de História, o que devo ensinar às crianças é a olharem para as figuras e as personalidades políticas e analisarem os seus feitos e cada aluno chegar à sua conclusão. Esta é a linha mais correcta.

(@V) - Existe uma outra forma de reconhecer os feitos de certas pessoas que não seja atribuir os seus nomes a escolas, avenidas, ruas e praças.

(TN) - Este é um debate que ultrapassa o meu nível de análise porque se olharmos para a História do mundo as grandes figuras mereceram atenção por parte dos seus concidadãos. O problema de atribuição de nomes a figuras tem a ver com o reconhecimento que as pessoas têm para com aquela personalidades e isso acontece em quase todo o mundo e Moçambique não seria uma excepção. Seria um absurdo que as nossas avenidas, ruas, jardins não tivessem os nomes das grandes figuras que se notabilizaram em diversas áreas.
As pessoas devem perceber que em qualquer país os heróis estão ao serviço das finalidades moralizadoras. Por exemplo, quando enaltecemos Malangatana estamos a mostrar às gerações vindouras que você como jovem pode ser como Malangatana, desde o momento que siga o exemplo dele como homem íntegro, trabalhador e aplicado.
Os políticos no seu exercício buscam sempre figuras para ajudá- los no processo da gestão da política de Estado. Mas não significa que estas figuras não cometeram erros na vida, afinal, eles também são humanos.

A Verdade

Friday, 4 February 2011

Sebastianismo político

Tem andado por aí na blogosfera um corropio de possíveis candidatos à PR. Ainda a procissão não vai no adro e já se jogam no tabuleiro político as mais diferentes previsões. Espantosa esta maneira de se medir a predilecção dos eleitores. Oportunista a percepção dos intelectuais do Governo para quem, um povo, tal como as moscas, pesca-se com mel e não com vinagre. É preciso semear para colher. E para tal, nem que se tenham de inventar pseudo-sondagens na síndrome de um congresso, vale tudo para se vestir agora de trajes garridos e femininos a tese peregrina do novo Messias moçambicano, triunfalmente cavalgando em bubus e lantejoulas, as esperanças de um ansiado bem-estar.
Obviamente, todas as figuras até aqui servidas aos comensais pertencem ao mesmo conjunto universal. Seria mesmo utópico, à luz desta sociedade, pensar-se que uma mudança política poderá acontecer aqui, tal como sucede na Tunísia ou até no Egipto. Aqui, onde até já tivemos duas grandes erupções sociais por motivos parecidos, para cedo nos apercebermos quão fraccionada é a sociedade moçambicana. Daí achar natural que muita gente, mesmo reconhecendo que escolhe mal, prefere manter a sua escolha, a ter que navegar na incerteza entre o mau e o péssimo.
Em qualquer sociedade política evoluída, a acumulação simultânea de cargos políticos e empresariais seria o suficiente para ditar a rejeição de uma candidatura por parte de seus eleitores. Porque na definição original, governar um país é funcionalismo público. É missão e não acumulação primitiva de capital. Nos EUA, o país de todos os defeitos para alguns de nós, o presidente recebe ao longo do seu mandato muitas ofertas materiais e pecuniárias, todavia os seus rendimentos são limitados por lei. O que significa dizer que se o valor da oferta ultrapassar o limiar permitido, ela deverá ser entregue ao Tesouro para ser transferida para Fort Knox ou oferecida a instituições de caridade. Note-se que o salário anual do Presidente dos EUA é de conhecimento público. Ronda os 400 mil USD e inclui 50 mil USD para despesas pessoais justificadas durante a comissão de serviço, 100 mil USD não taxáveis para viagens, além de 19 mil USD para entretenimento pessoal e habitação. Por seu turno, a Primeira-Dama dos EUA recebe cerca de 20 mil USD. Após o mandato presidencial, o título e algumas regalias oficiais são mantidas de acordo com a lei, cabendo ao ex-presidente 150 mil USD de pensão vitalícia, mais 150 mil USD para manutenção de algum staff que a dignidade do título lhe confere. E nem vale a pena comparar isto com o custo de vida médio local, ou até o PIB. Percebe-se que é um salário digno, mas não se compara com os rendimentos de um empresário médio norte-americano. Aliás, importa salientar que, de um modo geral, antes e depois dos mandatos, salvo motivos de força maior, os presidentes do EUA continuam a exercer a sua carreira profissional. Como é evidente, uma passagem pela Casa Branca é portfolio mais do que suficiente para não se morrer pobre, à custa de conferências e autógrafos.
Mas o Presidente dos EUA pode perder imediatamente o seu cargo se sonegar alguma coisa fora deste grupo de regalias. Ora, que grande contraste para quem, como eu, puder ler no BR que até é legal receber 10%252525 como estímulo salarial de um investimento qualquer, traduzidos num punhado de dólares, para se autorizar a concessão de uma coutada luxuosa de caça, uma fábrica de pasta de papel, uma barragem, um simples projecto para crianças desfavorecidas ou educação da rapariga, uma fabriqueta de abre-latas ou até, a manutenção ad aeternum de um projecto anti-malária num distrito qualquer para fidelizar o mercado local de consumidores de redes mosquiteiras e insecticidas avulsos, incluindo o perigoso DDT. E o pior, ainda se vem a terreiro e com cobertura mediática reclamar grandes feitos para a nação!
Tudo isto é absolutamente surrealista, mas é o modo de se pensar e viver hoje em Moçambique. Habituou-se neste país a contentar-se sebastianicamente com rótulos. Um consultor de imagem é agora o dono da profissão mais lucrativa do nosso mercado. Há uma profusão de firmas de marketing e de comunicação e imagem. Paga-se para se ter uma imagem limpa e antiséptica, pouco se trabalha para não se emporcalhar a própria imagem. Dane-se o desempenho das instituições e quiçá do próprio país. Não há problema, um pornocrático sistema publicitário, umas t-shirts e uns bonés na dose certa resolvem.
Um enxame de consultoras legais e financeiras nos cerca, com os mais espantosos gurus da gestão e das leis cintilando no seu quadro, especialistas em soluções do tempo da pedra lascada, com o propósito uno de preservar o monopólio e a cartelização de franjas do mercado. Nada de positivo trazem para a economia real de Moçambique, porque não produzem nada, senão relatórios e muito parlatório. Questionam a venda da Riversdale à Rio Tinto por 3800 milhões de dólares norte-americanos, pelo facto do Estado moçambicano não ter encaixado nem sequer um centavo, tendo em conta que as reservas de carvão, o negócio em causa, encontrarem-se em território nacional. Ora, desde os primórdios da Revolução Industrial que é sabido que uma multinacional nunca foi uma instituição de caridade. Inclusive a Banca. E tão surpreendidos ficam com as suas descobertas, que mal se aperceberam que a siderúrgica sul-coreana Posco e a brasileira Vale estão prestes a fazer o mesmo. E que depois delas, muitas outras o farão.
Estuda-se nas nossas universidades contabilidade clássica, para criativamente se maquilhar no dia-a-dia prejuízos financeiros e penalizar-se o fomento da boa gestão com rodriguinhos de burocracia inaudita. Encoraja-se sobretudo a desonestidade intelectual, que vai ao ponto de nos dizer que nos últimos oito anos, o saldo do endividamento externo, excluindo os grandes projectos, foi além do dobro, passando de 377,2 milhões de dólares em 2002 para 907 milhões em 2009. E que a dívida global das empresas privadas, excluindo os mega-projectos, aumentou cerca de 28 porcento do PIB em 2002 para 41, porcento em 2009. Concluindo-se que isto indicia a estabilidade macroeconómica que caracteriza o país. Não sou economista, mas dificilmente perceberei se algum deles me disser que um crescente endividamento externo é economicamente próspero e simpático para os demais moçambicanos.
Todas empresas têm passivos cíclicos ou mesmos permanentes. Perfeitamente natural numa economia de mercado, já Marx o diria. Quantas vezes não ouvimos falar de grandes multinacionais com um enorme passivo? E porventura vão à falência? Não. Vão ao mercado procurar dinheiro. Fazem OPA’s, vendem acções, refazem a sua estrutura accionista, diminuem a força de trabalho, etc. Agora, o que não vivem é de aparências. Porque é preciso apresentar sempre as contas certas para se ter credibilidade. Porque a qualidade do seu trabalho deve justificar socialmente a sua existência. Quando assim não é sucumbe-se na crise que tudo e todos arrasa como um rolo compressor, incluindo os messias novos ou recauchutados, cavalgando em manhãs de nevoeiro...

Ricardo Santos, Notícias

Seriedade-precisa-se


Leio, na imprensa desta semana, que o Estádio Nacional, essa obra que devia ser o orgulho de todos os moçambicanos – pelo menos foi essa a imagem que sempre nos quiseram fazer passar – reprovou na inspecção dos senhores da FIFA. Nada mais natural.
O estranho, conhecendo os critérios rigorosos dos inspectores do órgão que rege o futebol mundial, era mesmo se passasse. Porque aqui, meus caros, ao contrário da escola em que o aluno suborna o professor com 50 meticais para passar no exame ou na obra que é desembargada com uns poucos milhares de meticais porque não há tempo a perder, negócio oblige, os senhores da FIFA são à prova de bala no que aos critérios de aprovação de um recinto desportivo diz respeito.
Os critérios estão muito bem especificados, está tudo escrito tintim por tintim, como se costuma dizer. Ninguém pode alegar que não os conhece.
Parece que as irregularidades do Estádio Nacional são tantas, o chumbo é tão redondo, que nem vale a pena apelar para uma revisão de provas, numa tentativa de irmos à prova oral.
Desde as dimensões do campo (imagine-se!), passando pelo deficiente posicionamento das máquinas electrónicas de controlo de entradas, até à falta de estacionamento e ao dumba nengue em redor, nada obedece aos critérios dos tempos de hoje.
E agora a quem se pede responsabilidades? Ao Governo? À Federação? À empresa chinesa que construiu o recinto? Uns mais outros menos, ninguém deverá estar isento de culpas, mas ela, a culpa, como em tudo o que se passa neste país, irá morrer solteira.
Sem qualquer laivo de racismo, que know how possuem os chineses em matéria de construção de estádios? Porque lhes foi entregue uma obra desta responsabilidade? Terá sido uma proposta tão mais barata do que as outras que valesse a pena correr todos estes riscos?
Um dos critérios a favor da empresa chinesa era a rápida conclusão da obra que supostamente deveria estar pronta a tempo de ser aproveitada para o Mundial da África do Sul, o que, como se sabe, falhou redondamente. Depois desse primeiro fracasso, somaram-se todos os outros – demasiado exaustivos para citá-los – culminando no chumbo, também ele redondo, da FIFA.
Um dos gravíssimos problemas deste país é a falta de seriedade que invadiu toda a pirâmide económicosocial, desde a morte de Samora. Ninguém trata as coisas com seriedade. A seriedade, essa base que existe em muitas sociedades de outros países, aqui, no nosso, deixou de existir.
Desde as balanças com que pesamos a fruta na rua – muitas estão adiantadas meio quilo –, passando pelas bombas de gasolina onde os litros possuem várias medidas, pelos sacos de cimento ou pelo bife no restaurante, até às grandes obras, tudo é, como se diz na gíria popular, mafiado.
Somos um país de mafiosos, pequenos e grandes. Gato por lebre é o nosso prato do dia. Parece que meio Moçambique acorda de manhã para enganar o outro meio Moçambique. A mentira virou regra e a verdade excepção. O Estádio Nacional é só mais um paradigma desta falta de seriedade.
Aproveitemos, já que o Governo decretou 2011 como o ano de Samora Machel, para sermos um pouco mais sérios. É uma merecida homenagem que lhe prestamos.

João Vaz de Almada, A Verdade

Thursday, 3 February 2011

QUEM MENTE? O Poder ou os historiadores?

Muitos actos impor­tantes da nossa Histó­ria têm duas vertentes e como é óbvio, um mes­mo facto não pode ter acontecido de duas ma­neiras diferentes, se isso se verificar, significa que uma ou todas são falsas!
Às vezes até são factos simples que não precisam de qualquer es­camoteamento, mas mes­mo assim, aparecem com várias versões, porquê?
Por exemplo, as crian­ças são ensinadas que Samora celebrou a Inde­pendência às zero horas do dia 25 de Junho de 1975, mas hoje aparecem vozes que dizem que quando Machel chegou ao Está­dio da Machava, já pas­sava das zero, logo, não pode ter celebrado àquela hora. Qual é o problema de dizer a hora exacta em que foi celebrada a nossa independência? De facto os Acordos de Lusaka podem rezar isso, mas depois na prática, por di­versos motivos, o funda­dor da nossa República não pôde cumprir, que se diga a verdade, porque isso não retira nada... o mais importante é ter­mos ficado independen­tes,.. (obrigado Samora)!
Uns dizem que Ma­chel se atrasou por causa da chuva que caía naque­le dia, outros que perdeu a hora porque estava num "alto papo" com o Grande Homem Álvaro Cunhal, conhecido de todos nós! Qualquer destes motivos é plausível, se isto é ver­dade, porque não dizer?
Também existem várias versões de quem deu o primeiro tiro e o lugar onde foi dado... porquê tudo isso?!
Mesmo sobre o Massacre de Mueda, já há duas versões. Há quem diga que morre­ram 600 pessoas e ou­tros dizem que foram 30. Qual é o número certo?
Já não digo quando se fala donde morreu o Obreiro da nossa Unida­de Nacional! A História "oficial" sempre disse que o fatídico aconte­cimento deu-se nos es­critórios da Frelimo em Dar-es-Salam, mas ulti­mamente aparecem vo­zes, mesmo de dentro do Partido, que dizem que Dzovo morreu em casa duma sua amiga ameri­cana chamada Bety King!
Algumas vozes fa­zem notar que Bety era amiga no bom sentido da palavra e que tal casa era restaurante e lá King vivia com o seu marido!
Penso que com esta explicação pretende-se dizer que não havia nada de... orgia! Todavia, é uma explicação escusada!
O que está em cau­sa é referir que morreu no escritório quando não é verdade! Não enten­demos porque se oculta que Dzovo morreu fora do escritório porquanto o que fez com que o inimi­go lhe enviasse a bomba, foi o facto de Dzovo que­rer nos libertar a todos nós? (obrigado Dzovo!)
O inimigo não lhe matou porque foi à casa da Bety! Aliás, por mais que Dzovo tivesse perdi­do a vida por uma causa não directamente ligada à Causa Nacional, para nós, o povo, seria o nos­so Herói porque nós não definimos o Herói pela forma como morre, mas sim pelos seus feitos em vida. Um Homem pode ser Herói a vida inteira e depois morrer de ma­lária... vai deixar de ser Herói porque não mor­reu em combate? Não!
Há algum mal em Dzovo ter pegado do­cumentos no escritório para ir dar "uma olhada" num restaurante enquanto "enganava o estômago" talvez com um chazito?! Nós, o povo, sabemos quanto Dzovo por nós se sacrificou ao deixar um trabalho tão bem remunerado na ONU para vir lutar por todos nós, o que é que pode anular tudo isto dos nossos corações?! Os inimigos do povo já descobriram que o Po­der tem... mentido muito (desculpe-me a since­ridade!) para o povo e aproveitam-se disso para criarem suas versões mesmo naquilo em que, excepcionalmente, o Po­der disse-nos a verdade!
Vejam que os inimigos do povo aproveitando-se das frequentes distorções da História têm nos es­tado a dizer que existem dois Heróis Nacionais que saíram da cripta! É claro que não acredita­mos, mas nos faz mal...
E as ossadas que Chelito trouxe da Tuga em Junho de 1985, são ou não de Gungunhana? Os jor­nalistas da Tuga disseram ao saudoso Albino Magaia que Chelito estava a ser fintado, é verdade?! Afi­nal de contas o que é que na nossa História tem uma única versão?! O nosso poder... mente muito...
Ultimamente o País tem novo Hino Nacio­nal, tão lindo quanto o primeiro! Quantas vezes ouvi pessoas a assobia­rem o "Pátria Amada"! Não é por falta de respeito àquele Símbolo Nacional, mas a sua extraordinária beleza, amiúde nos tenta a assobiar... há moçam­bicanos que em pleno içar da bandeira, são tentados a bater compassadamen­te com o pé no chão!
É que o nosso Hino foi bem cozido! Mas como no nosso País já é moda as páginas da História terem duas versões, o "Pátria Amada" também não é excepção, ninguém con­segue dizer-nos ao certo quem é o autor daquela toda maravilha! Alguns dizem que é co-autoria do Dr. Salomão Manhiça e do Maestro Chemana, mas outros dizem que não é nenhuma co-auto­ria, tudo aquilo é fruto da extraordinária massa cinzenta do Dr. Manhiça!
Curiosamente, na Homenagem organizada pelo B.M., a título póstu­mo, para o maestro Che­mana no dia 19 de Junho de 2008, mano Guebas disse-nos que aquele era co-autor do Pátria Ama­da! Mas, muitos enten­didos continuam a dizer que Manhiça, sozinho, esmerou o Pátria Amada!
Eu, como doente de música, um dia telefo­nei para um entendido a perguntar quem na ver­dade era o autor do Pá­tria Amada, em resposta disse-me: "o de Portugal é Alfredo Kheil, o daqui não sei bem se é Ma­nhiça sozinho ou Ma­nhiça com Chemana!"
Não é isto uma ver­gonha?! Conhecemos o autor do Hino dum Pais irmão e não conhecemos o do nosso?! A culpa é do Poder que mente muito!
Quem é na verdade o autor do Pátria Amada? Digam-nos a verdade, só queremos saber!

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 02.02.2011 , citado no Moçambique para todos

Só "vontade política" travará pirataria em Moçambique

Analistas em Moçambique consideram que o tráfico de pessoas e a pirataria do mar só poderão ser contidos se houver "vontade política" do Governo.
A advertência segue-a à recente cimeira da União Africana, durante a qual terá sido defendida uma abordagem conjunta para fazer frente a uma situação da qual Moçambique começa a ressentir-se.
"Moçambique é dos poucos países do mundo que não dá nenhuma importância à Defesa.
"Então Moçambique passou a ter as fronteiras tanto marítimas, como terrestres completamente abertas", considera o analisa Edwin Honou que falou com a BBC sobre a pirataria.
Edwin Honou referia-se à utilização de Moçambique como corredor do tráfico internacional de pessoas e ainda a ataques ao largo da costa, atribuídos ao alastramento para sul do Oceano Ìndico das acções de piratas do mar.

Eleutério Finita, BBC

Wednesday, 2 February 2011

Renamo não vai participar nas comemorações do Dia dos Heróis Nacionais

Não reconhece os critérios usados na qualificação de heróis

Maputo – A Renamo não vai participar nas comemorações do Dia dos Heróis Nacionais assinalado a 3 de Fevereiro confirmou à PNN o porta-voz do partido, Fernando Mazanga.
O mesmo responsável do maior partido da oposição moçambicano disse que a Renamo não reconhece os critérios usados na atribuição do heroísmo em Moçambique. «Os verdadeiros heróis estão a viver na extrema pobreza, tudo porque a Frelimo apodera-se de tudo aquilo que pertence ao povo para beneficiar um grupo gente que intitula-se dono do país. Esquecem-se de todos os moçambicanos que lutaram pela independência deste país através da arte, música, dança entre outras acções» disse Fernando Mazanga..
Assim, a Renamo sugere que a definição do herói em Moçambique seja revista. «Com esta medida acredito que vamos encontrar heróis da Renamo, da Frelimo, de outros partidos e da sociedade civil. Não podemos considerar heróis, apenas um grupo de gente que diz ter lutado pela independência. Logo, não faz sentido para a Renamo participar num acto discriminatório», disse Fernando Mazanga.
Movimento Democrático de Moçambique, MDM, já confirmou a sua presença nas celebrações do 3 de Fevereiro, alegando que respeita a Constituição da República, apesar das contrariedades cometidas pelo partido no poder. Reconhece, todavia, que é necessário «criar uma comissão constituída por académicos e sociedade civil para uma reflexão profunda sobre quem deve ser homenageado como herói, quando, como e porquê», sublinhou Ismael Mussa, Secretário-geral do partido.
Para Ismael Mussá a distinção do herói não deve apenas basear-se nas pessoas que lutaram pela independência nacional, mas, em todo aquele que faz algo que dignificou o país, por exemplo o bom professor, enfermeiro, camponês, jornalista entre outros. Mussá defendeu que Moçambique deve «reconhecer as pessoas enquanto vivas para sentirem o mérito que lhes é atribuído» e perder o hábito de homenagear só após a morte destes, devendo também adoptar novos métodos de reconhecer os heróis.
«Não se pode gastar dinheiro num país pobre como Moçambique para construir estátuas como forma de homenagear heróis, ao invés de investir para infra estruturas públicas como escolas, hospitais que beneficiam directamente o povo», criticou Mussá.

(c) PNN Portuguese News Network, Maputo Digital

Moçambique: Pobreza extrema conduz a violações graves dos direitos humanos

Pobreza absoluta, o fosso entre ricos e pobres, preocupa as organizações da sociedade civil

2 Fev 2011 - Organizações da sociedade civil dizem que a pobreza absoluta que fustiga Moçambique é um dos principais problemas que leva a que o país tenha situações graves de violação de direitos humanos.
Em Genebra, a questão dos Direitos humanos em Moçambique esteve em foco, num encontro em que estiveram presentes algumas ONGs convidadas pelas Nações Unidas a estarem presentes naquela cidade suiça.
O encontro aconteceu um dia antes de a Ministra Moçambicana da Justiça, Benvinda Levi, apresentar, em Genebra, perante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o relatório do seu país, mencionando tudo o que aconteceu de relevante, no período que vai de 2005 a 2010, em matéria de direitos humanos.
Pobreza absoluta, o fosso entre ricos e pobres: Esta é uma das grandes preocupações que as organizações da sociedade civil moçambicanas têm.
A Presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, Alice Mabota, está em Genebra.
Na tarde desta segunda-feira, participou num encontro que discutiu os desafios actuais de Moçambique, na área dos direitos humanos.
Um encontro que teve lugar numa das salas do famoso Palácio das Nações, a sede da ONU em Genebra, onde têm estado a decorrer as sessões do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
E, para além de Alice Mabota, estiveream presentes elementos de outras Organizações da Sociedade Civil Moçambicana, que elaboraram um relatório, mencionando as suas principais preocupações, em relação à situação dos direitos humanos, em Moçambique.
E, no entender dessas organizações, para além da pobreza, há muitos outros problemas; os abusos da polícia, a morosidade da justiça, o mau atendimento nos hospitais, e a falta de vagas e a qualidade do ensino, no país.
A Ministra Moçambicana da Justiça, que também já está aqui, em Genebra, e que, nesta terça-feira, vai ter o seu primeiro teste, apresentando o relatório de Moçambique, perante os membros do Conselho dos Direitos Humanos, reconhece a justeza das reclamações.
Benvinda Levi diz que, por causa da pobreza, há ainda, inúmeros desafios.
A Ministra Moçambicana da Justiça reconhece que tem havido casos de tortura, de execuções sumárias, no país, mas, segundo Benvinda Levi, quando isso acontece, quando se descobre isso, medidas são imediatamente tomadas.
Jocelyn Mason, Director Residente do Programa das Nações Unidas em Moçambique, também está em Genebra.
E, para ele, há progressos assinaláveis, em matéria de promoção e protecção dos direitos humanos, desde que o país assinou os acordos de paz, em 1992.
A vinda a Genebra das organizações da Sociedade Civil contou com o apoio e financiamento do PNUD-Moçambique e da Embaixada Suíça, em Maputo.

Por Francisco Júnior Genebra, Voz da América

Egipto


"Perdemos o medo e agora ninguém nos pára"

Na Praça Tahrir, o ambiente foi de festa. Às 12.00, o milhão de pessoas que se juntou no centro do Cairo gritou "Sai! Sai! Sai! Sai", uma mensagem clara para o Presidente Mubarak.
Nunca na sua história moderna o Egipto assistiu a uma manifestação como a que ontem invadiu a baixa do Cairo.
As explicações para tão grande desafio a um poder autocrático policial são muitas, mas para Adel Mohamed há uma simples: "Perdemos o medo e agora ninguém nos pára", disse, após doze horas de concentração ruidosa na Praça Tahrir, epicentro de uma revolução que ontem conheceu o seu ponto de viragem. "Este é um novo povo, com um novo pensamento", acrescenta Adel.
Não andará distante da verdade. A gigantesca manifestação que marcou um dia de greve geral no Egipto mais pareceu uma festa. Famílias inteiras, grupos de amigos, grupos políticos e religiosos compareceram na principal praça do Cairo às primeiras horas da manhã, desafiando, uma vez mais, o recolher obrigatório que só é levantado às 08.00.
Muitas dezenas de manifestantes optaram por acampar na rotunda ajardinada onde o infernal tráfego da capital egípcia não se sente há oito dias, tantos quantos dura o protesto que pretende remover Hosni Mubarak da cadeira onde se senta há trinta anos.
Ontem não foi apenas a Praça Tahrir que se encheu de cartazes a pedir a resignação do Presidente. Centenas de milhares de pessoas não conseguiram passar as barreiras militares e espalharam--se por todas as ruas que dão acesso ao imenso largo junto ao Museu Egípcio. Protestos, mais ou menos desgarrados, ao longo da manhã, escutando-se, pouco passava das 12.00, um estrondoso uníssono: "Sai! Sai! Sai! Sai!"
Os cartazes agitaram-se, homens encavalitados noutros esganiçavam ao megafone mais palavras de ordem. Um rapaz saltava ao ritmo das palavras e agitava o burro recortado em cartão com uma cabeça de Mubarak, pregado a uma vassoura.
Uma mulher, que erguia ao limite uma foto do Presidente egípcio adulterada com penteado e bigode hitleriano, era a atracção dos fotógrafos.
As varandas desta praça, até ontem vazias, encheram-se de gente e ostentam agora cartazes gigantes.
Ahmed Anwar manifestou-se sem cartazes. O engenheiro agrónomo de uma companhia francesa estava contente pela empresa o ter dispensado para participar na manifestação. A sua convicção é a de todos: "Mubarak tem de sair para nós escolhermos o seu sucessor. Somos nós que temos de escolher, e não aceitaremos que alguém o faça por nós. É assim que vamos recuperar o nosso orgulho".
Mas, afinal, quem pode suceder a Mubarak sem eleições?
Nas ruas, as mesmas pessoas que pedem a cabeça do Presidente não têm resposta para esta questão. Não há um líder consensual, mas quem protesta só tem uma certeza. Mubarak tem de sair, porque aceitar remodelações seria como admitir a mudança de cabeça num corpo muito doente.
E nem sequer admitem um hipotético cenário de transição como aquele que foi conhecido ontem à hora do fecho desta edição.
Mubarak dirigiu-se ao país, através da televisão pública, anunciando que não se vai recandidatar à presidência do Egipto. No entanto, recusa abandonar o poder, mantendo-se no cargo até à realização de eleições, marcadas para Setembro.
Enquanto o desfecho da crise egípcia parece distante, nas ruas nada funciona. As lojas deverão permanecer encerradas hoje, assim como os restantes serviços públicos.
Os bens essenciais começam a faltar e, mais do que os produtos, falta dinheiro para os comprar.
Os bancos também se mantêm encerrados e as caixas de multibanco estão vazias há vários dias.
E, para agravar ainda mais a situação, as bombas de gasolina começam a encerrar por falta de combustíveis, correndo-se o risco de uma paralisia total do país.

Diário de Notícias
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Egito: Obama exige a Mubarak início imediato de transição pacífica que conduza a eleições livres e justas

Washington, 02 fev (Lusa) -- O presidente dos Estados Unidos defendeu hoje, numa declaração televisiva, que a transição pacífica no Egito deve começar já e conduzir a eleições livres e justas, reportam as agências internacionais.
Obama felicitou o exército egípcio pela sua contenção e pelo não recurso à violência contra os manifestantes.
O presidente norte-americano disse ainda que falou com o seu homólogo egípcio, Hosni Mubarak, que reconheceu que "o statu quo não é sustentável e que devem ser feitas mudanças".

Expresso

Tuesday, 1 February 2011

'Presidentas' sombra: as mulheres por trás dos ditadores


"Há uma mulher em cada caso, assim que me trazem um relatório, eu digo: Procure a mulher!" Esta expressão, usada por Alexandre Dumas pai num livro e numa peça de teatro no século XIX, foi recentemente recuperada pelo embaixador tunisino em Espanha para falar de Leila Trabelsi. A ex-primeira dama da Tunísia, que agora vive refugiada na Arábia Saudita com o marido, enriqueceu à custa do cargo de Zine el Abidine ben Ali, que esteve no poder durante 23 anos, sendo acusada de liderar uma espécie de máfia familiar para dominar o mundo dos negócios tunisino. Mas Leila não é a primeira mulher de um presidente ou ditador que quer mandar ou que se perde por luxos. Várias primeiras damas, actuais ou antigas, adquiriram ao longo dos anos o poder de fazer e desfazer governos, erguer um Exército ou guardar as chaves do tesouro. Anjos negros ou fiéis muletas, algumas delas ocupam um papel de primeiro plano, muitas vezes na sombra.

Suha, a viúva que não convenceu palestinianos

Viúva do líder da Autoridade Palestiniana Yasser Arafat, Suha, de 48 anos, foi até certa altura grande amiga de Leila Trabelsi. Até chegou a viver em Tunes. Mas a amizade terminou quando Suha desmontou junto da rainha Rânia o plano de Leila para casar uma sobrinha sua com o xeque do Dubai, rivalizando assim com uma irmã do Rei da Jordânia. Leila retirou-lhe a cidadania tunisina. E expulsou-a. Suha casou com Arafat em 1990, quando tinha 27 anos e ele 61. Nunca teve grandes apoiantes, por viver como uma coquete em Paris e não nos territórios palestinianos. Após a morte de Arafat, em 2004, veio a público que teria transferido milhões para uma conta na capital francesa.

Leila, a cabeleireira que se tornou 'Regente de Cartago'

"Cleptodama", assim lhe chamaram alguns media após a sua fuga da Tunísia, alegadamente levando 1,5 toneladas de ouro no valor de 45 milhões de euros. A segunda mulher de Zine el Abidine ben Ali, Leila Trabelsi, de 53 anos, é uma antiga cabeleireira oriunda de uma família pobre e numerosa. Mãe de três dos seis filhos do ex-chefe do Estado tunisino, Leila e a sua família não eram lá muito queridos pelos tunisinos. E isso viu-se após a Revolução do Jasmim. Muitos dos membros do clã foram presos, algumas das suas casas incendiadas, tendo sido noticiada a morte do sobrinho favorito de Leila, Imed Trabelsi, que depois não se confirmou. No livro A Regente de Cartago, até há pouco tempo proibido na Tunísia, os autores Nicolas Beau e Catherine Graciet descrevem a ex-primeira-dama como alguém que geria uma espécie de mafia dos negócios com a ajuda de vários familiares. Belhassen Trabelsi, o irmão, Imed, o tal sobrinho, Sakhr el Materi, o genro. Leila gostava de passar férias de luxo no Dubai, segundo o site nawaat.org. E também de fazer visitas às principais capitais da moda na Europa, como Paris e Milão, muitas vezes usando para isso aviões oficiais do Estado tunisino, contou a revista Foreign Policy.

Imelda, A bela Mariposa de Ferro

Durante os anos em que o marido esteve no poder nas Filipinas, Imelda acumulou 2 700 pares de sapatos, embora ela mantenha que eram "apenas" 1060, mil malas e 500 vestidos no Palácio de Malacañang. Uma biografia sua assegura que esse foi o escape que arranjou quando percebeu com quem tinha casado na realidade. Ferdinand Marcos, liderou as Filipinas entre 1965 e 1986, num regime ditatorial. Rainha de Beleza na juventude, foi capa de revistas quando o marido subiu ao poder, apelidada como a mais bela primeira dama de sempre das Filipinas. Hoje, a Mariposa de Ferro, como também é conhecida, tem 82 anos. É viúva desde 1989.

Agathe, a madame presa por genocídio

Presa em França em Março do ano passado, após a visita do Presidente francês Nicolas Sarkozy ao Ruanda, a viúva de Juvenal Habyarimana é suspeita de envolvimento no genocídio de 1994. Este saldou--se pela morte de 850 mil pessoas no espaço de apenas três meses. Foi o assassínio do então presidente, de etnia hutu, que espoletou o genocídio. Agathe, hoje com 69 anos, é considerada por muitos investigadores como a líder do Akazu, círculo restrito de próximos do Estado que é acusado de ter planeado um genocídio contra os tutsis. A vida em França mudou muito para Agathe, que quando lá chegou, em 1994, até teve direito a subsídio para refugiados ruandeses.

Os diamantes de 'Grace Gucci' do Zimbabwe

Um telegrama do antigo embaixador no Zimbabwe James McGee denunciava que várias personalidades do país liderado por Robert Mugabe, entre os quais a sua mulher, Grace, "estavam a extrair lucros tremendos com os diamantes da mina de Chiadzwa". E o que é que a primeira dama zimbabwiana fez? Já que é muito difícil agir judicialmente contra a obscura figura da WikiLeaks, processou o Standard, jornal que citou o telegrama, exigindo uma indemnização de 15 milhões de dólares. Grace, de 46 anos, casou-se em segundas núpcias com Mugabe em 1996. Proprietária de vários terrenos, aproveitou a controversa reforma agrária de 2002 e ficou com a Iron Mask Estate, que tem 29 quartos e era dos agricultores septuagenários John e Eva Matthews. Conhecida pelas suas compras extravagantes, a primeira dama do Zimbabwe é conhecida como Grace Gucci ou A Primeira Compradora. Em 2009, em Hong Kong, onde a filha Bona Mugabe estudava na universidade, terá mandado o guarda-costas agredir o fotógrafo do jornal britânico Times, Richard Jones, à porta de um hotel de luxo. Mais tarde, ela própria ter-se-á juntado à agressão, desferindo vários golpes no rosto do fotógrafo com os seus anéis cravados de diamantes.

Lucía, mão-de-ferro da ditadura chilena

Mulher forte, determinada, confiante e braço-direito do ex-ditador chileno. Assim é por muitos descrita Lucía Hiriart. Augusto Pinochet terá mesmo dito que ela foi uma das pessoas que mais influência tiveram na sua decisão de liderar o golpe de Estado contra Salvador Allende a 11 de Setembro de 1973. Conhecida por gostar de chapéus de design europeu, os seus modelos favoritos eram os da francesa Coco Chanel. Hoje com 89 anos, Lucía já chegou a estar presa por fuga ao fisco e apropriação ilegal de bens públicos. Pinochet, que morreu em 2006, esteve no poder entre 1974 e 1990. Lucía e Pinochet tiveram cinco filhos: Augusto, Marco António, Lucía, María e Verónica.

Simone, a mulher a quem chamam a 'Hillary Clinton dos Trópicos'

Hillary Clinton dos Trópicos, chama-lhe a imprensa marfinense, A Dama de Sangue, apelidam-na os inimigos e críticos. Simone Gbagbo, primeira dama da Costa do Marfim, é das pessoas que mais têm incentivado Laurent Gbagbo a resistir às pressões da comunidade internacional para deixar o poder. Derrotado por Alassane Ouattara nas recentes eleições presidenciais, Gbagbo recusa-se a sair. O país, que viveu saiu há poucos anos de uma guerra civil, vive novamente num limbo. Simone, de 62 anos, é a primeira esposa de Gbagbo, líder parlamentar do seu antigo partido, a Frente Popular Marfinense. Mãe de cinco filhas, é suspeita de violações dos direitos humanos durante a guerra civil e de ter ligações a esquadrões da morte. A família de Guy-André Kieffer, jornalista franco-canadiano desaparecido em 2004 em Abidjan, acusa-a abertamente de "não estar assim tão distante dos esquadrões da morte". Muito ligada aos Jovens Patriotas, base de apoio popular de Gbagbo, Simone chegou a ser um pouco marginalizada pela segunda esposa do marido, Nady Bamba. Mas rapidamente "retomou a sua influência, no dispositivo de combate, desde que começaram os problemas", disse à AFP Antoine Glaser, especialista em África francófona.

Michèle, a luxuosa esposa de 'Baby Doc'

A primeira mulher de Jean-Claude Duvalier, o recém--regressado ex-presidente do Haiti, era famosa pelos seus casacos de pele, festas de luxo, roupas e jóias de design exclusivo ou flores importadas dos EUA. O seu casamento, em 1980, teve um custo brutal de três milhões de dólares. Enquanto primeira dama, o seu poder parecia exceder o marido, pois ia ao ponto de repreender ela própria os ministros, escreveu a Time. Hoje, com 60 anos, divorciada de Duvalier há 11, Michèle continua a viver em Paris. "Baby Doc", como é conhecido o ex-ditador, voltou agora ao Haiti. Mas com outra mulher: Veronique Roy, sua companheira de longa data e relações públicas.

PATRÍCIA VIEGAS , Diário de Notícias

Fotografia © Howard Burditt - Reuters

Queda de chuva acaba com más línguas na Beira

A chuva que cai desde semana passada na Cidade da Beira não só veio aliviar as altas temperaturas que vinham se registando nesta urbe e que constituiam verdadeiro sufuco aos seus autarcas. Ela veio igualmente acalmar os ânimos de alguns autarcas que alegam que a chuva não cai na Beira porque foi “amarrada” por Daviz Simango, para permitir-lhe concluir rapidamente o projecto municipal de construção das sedes de bairros, em substituição das devolvidas ao Partido Frelimo, na sequência de uma decisão judicial recaída a favor de um processo movido pelo partido no poder em Sofala.
O projecto de construção das sedes de bairros está numa fase bastante avançada e tem impressionado bastante os autarcas beirenses e não só. Até os próprios trabalhadores, muitos deles voluntários, envolvidos nas obras não escondem a sua emoção pela forma rápida como os edifícios estão a ser erguidos.
O prazo inicial dado pela edilidade para a construção das sedes é de três meses e os trabalhadores envolvidos acreditam que será cumprido.
Por outro lado, O Autarca soube de alguns trabalhadores envolvidos nessas obras da existência de um plano de Daviz Simango de construção de 26 novos edifícios em igual número de bairros da Cidade da Beira para servir de sedes do seu novo partido, designadamente Movimento Democrático de Moçambique – MDM.
Segundo as fontes, o plano será posto em marcha imediatamente a seguir a conclusão do projecto de construção das sedes de bairros em curso. Refira-se que Daviz Simango lançou uma campanha que visou a sensibilização dos munícipes beirenses e não só que permitiu-lhe angariar apoios para a construção das sedes de bairros.
O Partido Frelimo, entretanto, praticamente nada tem estado a fazer para a reabilitação dos edifícios que recebeu, muitos deles degragados.

O Autarca, citado em A Verdade

Moçambique: Inoperacionalidade da Marinha abre portas a piratas somalis


Piratas cada vez mais atrevidos

Maputo - Cerca de um mês depois do desaparecimento do «Vega 5», embarcação ao serviço da empresa «Pescamar», detida pela empresa espanhola «Pescanova», permanecem dúvidas quanto ao que verdadeiramente aconteceu.
Relatos divulgados na altura afirmaram que o sequestro fora levado a cabo por piratas somalis, que estariam apostados em alargar o seu raio de acção no Oceano Índico como forma de, primeiro, se livrarem das Forças navais internacionais que tentam controlar a zona do Golfo de Adem e, por outro, aumentar as potenciais receitas obtidas com os resgates.
Apesar de 22 dos 24 tripulantes sequestrados serem moçambicanos, fonte policial afirma que as autoridades de Madrid contactaram o Executivo de Aires Ali no sentido de coordenaram as negociações com os piratas e, se necessário, disponibilizarem meios para uma operação táctica para a libertação dos reféns, uma vez que dois dos reféns são espanhóis.
Aparentemente, o Governo moçambicano não pretenderá pagar qualquer resgate que venha a ser exigido. No entanto, fontes institucionais referem que este «assunto sensível» está a ser acompanhado pelo Instituto Nacional de Marinha, pelo Ministério das Pescas e pelo Instituto de Mar e Fronteiras, mas ainda sem resultados concretos. Certo é que ninguém sabe o paradeiro exacto do navio, se foi exigido algum resgate ou se todos os tripulantes estão vivos e bem de saúde.
O Presidente da República, Armando Guebuza, e o seu Governo parecem estar mais interessados em analisar até que ponto o fenómeno da pirataria em águas moçambicanas poderá vir a servir de justificação aos Estados Unidos da América, para se instalarem militarmente na região e aspirarem ao controlo das rotas marítimas de acesso ao Médio Oriente. É conhecida, desde há largos anos, a intenção de instalar o Comando AFRICOM na costa oriental africana.
Longe destas considerações geoestratégicas, no topo da agenda da classe política moçambicana, o sequestro do «Vega 5», embora recente, não é caso único. Através de um comunicado divulgado no Portal do Governo no final de 2010, o próprio Agostinho Mondlane, Vice-Ministro da Defesa Nacional confirmava que a «Marinha de guerra de Moçambique recebera um pedido de ajuda de um navio alvo de uma tentativa de ataque pirata a 200 kms da costa de Quelimane».
O facto dos piratas somalis se mostrarem cada mais atrevidos em desencadear ataques contra navios comerciais cada vez mais longe das suas águas, significa que as águas territoriais moçambicanas, não são alvo de uma vigilância capaz pela Marinha de Guerra de Moçambique.
Mais a Norte, graças aos esforços levados a cabo por contingentes navais da NATO, os piratas vêm o seu círculo de acção mais reduzido. Moçambique passa assim a ser o destino óbvio destas acções. Face a este cenário, é necessário questionar o Governo sobre as razões da sua hesitação em solicitar ajuda externa, seja de âmbito sub-regional, africano, europeu ou mesmo junto de países amigos como Portugal.
No passado, as acções de cooperação técnico-militar com Portugal incluíram a oferta de meios navais por parte da antiga potência colonial. Segundo Fonte militar portuguesa, Portugal está atento ao que se passa no Índico e é conhecedor do caso «Vega 5». No entanto, o empenhamento naval português está orientado para a Força da NATO estacionada junto à costa da Somália. Não obstante, «um eventual pedido de ajuda oficial por parte do Governo de Moçambique seria, certamente, alvo da atenção do Governo português», assegura a mesma Fonte.
Já em 2007, Portugal ofereceu seis embarcações e equipamento para o Corpo de Fuzileiros da Marinha moçambicana e em 2010, coube aos Estados Unidos, numa clara operação de charme político, entregar 12 embarcações e seis viaturas para reforço da fiscalização marítima. Em Agosto de 2010, Moçambique participou em exercícios navais com a África do Sul e o Zimbabué, ao abrigo do Comité Marítimo Permanente da SADC.
Importa perguntar: o que foi feito das ofertas recebidas pela Marinha de Guerra de Moçambique e qual a importância dos exercícios em que esta participa. Se a extensão da costa e a insuficiência de meios continuam a ser apresentados como justificação para a aparente incapacidade da Marinha de Guerra moçambicana em salvaguardar as águas territoriais do país, existem aliados – Portugal, Brasil, África do Sul, Zimbabué, União Europeia, Nações Unidas, - que manifestaram já interesse em cooperar. Cabe agora às autoridades de Maputo negociar o preço por essa colaboração.

Francisco Silvano

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